Risco Financeiro: VaR e Expected Shortfall
Risco Financeiro: VaR e Expected Shortfall
SÃO PAULO
2008
MARCELO FERREIRA SANTOS
Campo de conhecimento:
Finanças de Mercado Financeiro
Orientador:
Prof. Dr. José Evaristo dos Santos
SÃO PAULO
2008
Santos, Marcelo Ferreira.
Modelo de risco com Fat Tail: análise empírica de Value at Risk e Expected
Shortfall para ativos financeiros brasileiros / Marcelo Ferreira Santos. – 2008.
59 f.
CDU 330.131.7
MARCELO FERREIRA SANTOS
Campo de conhecimento:
Finanças de Mercado Financeiro
Data de aprovação:
__ / __ / __
Banca examinadora:
SÃO PAULO
2008
Dedico aos meus pais, Maria Helena e
Fernando, por terem me ensinado o verdadeiro
significado da palavra Amor. Desde sempre tive
e tenho exemplos de como a entrega à Vida
nos torna menos distantes da Perfeição.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente a Deus, origem e fim de tudo que somos. Nunca nos esquecendo de que
se os homens criam oportunidades, Deus cria os homens.
Ao mestre e guru Evaristo pelo carinho e atenção desde os tempos da graduação e
agora, por ter nos exemplificado, a cada conversa, o verdadeiro sentido de que ao dividir seus
conhecimentos o homem torna-se mais nobre.
Ao senhor Nelson Sussumu Niskioka, ex-chefe e agora precioso amigo, que não
somente incentivou esse curso, mas tem auxiliado no desenvolvimento profissional e pessoal
do autor.
Ao senhor Fábio de Aguiar Faria, por confiar no trabalho desse profissional, mesmo em
momentos apertados do curso e, sobretudo, nos contratempos de vida.
Ao senhor Afonso de Campos Pinto, por seu grande profissionalismo e sua valiosa
amizade.
Ao senhor Marcos Eugênio da Silva, por suas fundamentais colocações que ajudaram a
enriquecer o presente trabalho.
Ao senhor Márcio Larini Polleti, professor do IBMEC-SP, que nos deu provas de grande
desprendimento e atenção nas discussões sobre a modelagem econométrica desse trabalho.
Aos senhores Milena Gordon, Sueli Bresciani, Rodrigo Grigolin, Éber Luciano da Silva,
Nicolau Assali, Marcelo Cano, Leonardo Curi, Octávio de Barros, Gilberto César e Arthur Lima,
os quais não foram somente colegas de curso, mas amigos para mais de uma vida.
À querida Mirian Kanashiro, a qual foi peça fundamental para que pudesse realizar esse
curso e me compreender melhor como profissional.
Aos professores e seus respectivos monitores pelo desprendimento em compartilhar
experiências.
Aos funcionários da escola (inspetores, faxineiros, seguranças, porteiros, bibliotecários e
quaisquer que tenha esquecido), sem os quais nada poderia transcorrer normalmente sem a
presença de tais.
Aos meus amigos, sejam eles de Ribeirão Preto, São Paulo ou desse “mundo afora”, os
quais souberam me ouvir, uma vez mais, quando a paciência parecia se esgotar.
Aos demais colegas do curso pela oportunidade da convivência.
RESUMO
The goal of this work was to show alternatives models to the traditional way of
measuring market risk for Brazilian financial assets. In order to cover the maximum
possible risk factors in Brazil, we have used the main proxies for Fixed Income products.
In times of volatility, market risk management is highly criticized for working in
models based on normal distribution. Here it is the best contribution of the VaR and also
the greatest criticism of it. In addition, our financial market is characterized by extreme
illiquidity in the secondary market in spite of certain governmental bonds. The first stage
was to research academic production about the theme in Brazil or worldwide. To our
surprise, little has been said in country about stable distribution applied to financial
market, whether in risk management, options pricing, or portfolio management. After this
step, we selected a set of variables to be used aiming to cover a large part of Brazilian
financial assets. Thus, we were able to identify or not a presence of normality condition
so that we could model risk measure, VaR and ES, for chosen assets.
The theoretical and practical conditions were created: market demand (heavy
criticisms of Gausian approach), ample selection of assets (in spite of eventual doubts
about liquidity), academic experience, and international knowledge (by means of
detailed and meticulous study of the production about the theme in the main circles). In
this way, four principal approaches have been analyzed in order to calculate risk
measures whether they be coherent or not.
It is important to mention that this work might be useful for large initiatives, for
example, those which incorporate several assets within linear risk portfolios or, even, for
non-linear portfolios.
1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................13
3. ASPECTOS CONCEITUAIS..................................................................................21
4.2 IMA-S...................................................................................................................29
4.3 IMA-B...................................................................................................................30
4.5 IRF-M...................................................................................................................32
4.6 PTAX-V................................................................................................................33
5. DEFINIÇÕES E MODELOS...................................................................................37
5.1 DEFINIÇÕES.......................................................................................................36
5.2 MODELOS...........................................................................................................39
[Link] IMA-S.............................................................................................................50
[Link] IMA-B.............................................................................................................51
[Link] IRF-M.............................................................................................................51
[Link] PTAX-V..........................................................................................................51
[Link]ÕES ......................................................................................................54
1) Introdução
Embora Steinherr (1998) tenha descrito o Risk Management como “one of the
most important innovations of the 20th century” e que as técnicas a ele associadas se
tenham propagado a partir do início da década de 90 do século passado, suas
origens são anteriores a tal. Markowitz (1952) produziu o trabalho original que
resultou na teoria do portfólio, estabelecendo o binômio risco/retorno e rompendo o
viés até então existente de dedicar atenção somente ao retorno.
Legalmente nascia o VaR, cuja aceitação inicial não foi integral, apesar da
facilidade de compreensão do número por ele representado. Para reforçar a
importância de um eficaz gerenciamento do risco de mercado, foram necessários
alguns tristes episódios de significativas perdas financeiras - Banco Barings na
15
2) Revisão Bibliográfica
1
Mais adiante veremos quais são tais axiomas. Os artigos em questão provavelmente são os trabalhos mais
freqüentemente citados na área de gerenciamento de risco nos últimos dez anos.
2
Compreenderemos melhor o que caracteriza uma medida coerente de risco no capítulo 5 do presente trabalho.
18
3
Stable laws é uma expressão geral que engloba o conjunto de propriedades das distribuições
estáveis, não compartilhadas por outros modelos de distribuição estatística, que permitem a
generalização das teorias financeiras, favorecendo a criação de um estrutural coerente e geral para
realizarmos modelagens financeiras.
21
3) Aspectos Conceituais
“The role of science is nothing more than a
refinement of everyday thinking”
Albert Einstein
3.1) Séries
Buscando cobrir a maior parte possível dos ativos financeiros brasileiros,
optamos pela escolha de proxies dos principais fatores de risco existentes, a saber:
Ibovespa fechamento, PTAX-V(800) divulgada pelo Bacen (Banco Central do Brasil),
IRF-M (Índice de Renda Fixa de Mercado), IMA-S (Índice de Mercado da Andima
série S), IMA-B (Índice de Mercado da Andima série B) e IMA-C (Índice de Mercado
da Andima série C). Os três últimos são calculados e divulgados diariamente pela
Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro) e se referem
aos mercados de ativos com os seguintes fatores de risco: juros prefixados, cupom
IPC-A e cupom de IGP-M.4
4
O autor sente-se confortável com tais índices, pois participou de grupos de trabalho que estudaram
sua elaboração e divulgação.
5
O ativo utilizado como parâmetro de data foi a Ptax-V. Em feriados municipais em São Paulo não há
pregão da Bovespa, mas existe taxa de câmbio. Nessas circunstâncias, repetimos o valor de
fechamento da BOVESPA no último dia anterior; esse é o único ajuste de missing data existente no
trabalho. Os benchmarks divulgados pela Andima obedecem às datas nacionais - conseqüentemente,
às do Bacen.
22
3.1.1) Ptax-V
3.1.2) Ibovespa
está em curso, motivada, principalmente, pela queda nas taxas de juros e pela
estabilidade macroeconômica, que levam a maior previsibilidade das variáveis.
consecutivos.
3.7) Backtesting
Nós realizaremos Backtesting para os quatro6 modelos apresentados adiante
no capítulo 5. Assim, a exceção ao VaR acontecerá quando a perda for superior ao
VaR calculado. Conforme mencionado na seção 2.2, as violações sempre serão
positivas. Também faremos uma breve análise sobre a magnitude dos eventuais
“estouros” na modelagem.
6
Capítulo 5, seção 5.2, página 39.
27
o valor teórico estipulado e observado no dia a dia. Caso opte por seguir fielmente o
número de exceções estipulado, correrá o perigo de invalidar o processo inteiro.
28
4.1) Ibovespa
10,00000%
Distribuição dos Retornos Diários
8,00000%
6,00000%
4,00000%
2,00000%
0,00000%
-2,00000%
-4,00000%
-6,00000%
-8,00000%
-10,00000%
-12,00000%
7
Não cabe aqui discutirmos quais as razões estruturais para a ausência de normalidade dos
retornos. Desconsideraremos eventuais problemas de microestrutura no mercado brasileiro de renda
fixa; em particular, questões de liquidez dos componentes dos índices da família IMA não foram
contempladas neste trabalho.
29
280
Series: IBOVESPA
240 Sample 1 2144
Observations 2144
200
Mean 0.001041
160 Median 0.001245
Maximum 0.087630
Minimum -0.091850
120
Std. Dev. 0.018192
Skewness -0.092656
80
Kurtosis 4.028356
40 Jarque-Bera 97.53930
Probability 0.000000
0
-0.05 0.00 0.05
4.2) IMA-S
1,50000%
Distribuição de Retornos Diários
1,00000%
0,50000%
0,00000%
04/12/2001
04/02/2002
04/04/2002
04/06/2002
04/08/2002
04/10/2002
04/12/2002
04/02/2003
04/04/2003
04/06/2003
04/08/2003
04/10/2003
04/12/2003
04/02/2004
04/04/2004
04/06/2004
04/08/2004
04/10/2004
04/12/2004
04/02/2005
04/04/2005
04/06/2005
04/08/2005
04/10/2005
04/12/2005
04/02/2006
04/04/2006
04/06/2006
04/08/2006
04/10/2006
04/12/2006
04/02/2007
04/04/2007
04/06/2007
04/08/2007
-0,50000%
-1,00000%
1200
Series: IMAS
Sample 1 1452
1000
Observations 1452
4.3) IMA-B
2,00%
1,50%
1,00%
0,50%
0,00%
17/09/2003
17/11/2003
17/01/2004
17/03/2004
17/05/2004
17/07/2004
17/09/2004
17/11/2004
17/01/2005
17/03/2005
17/05/2005
17/07/2005
17/09/2005
17/11/2005
17/01/2006
17/03/2006
17/05/2006
17/07/2006
17/09/2006
17/11/2006
17/01/2007
17/03/2007
17/05/2007
17/07/2007
17/09/2007
-0,50%
-1,00%
-1,50%
-2,00%
-2,50%
-3,00%
800
Series: IMAB
700 Sample 1 1009
Observations 1009
600
Mean 0.000753
500
Median 0.000600
400 Maximum 0.016700
Minimum -0.027100
300 Std. Dev. 0.002271
Skewness -1.655441
200 Kurtosis 37.79743
4.4) IMA-C
Tal como as demais variáveis analisadas, o IMA-C apresenta fortes
evidências de fat tail, seja pela análise visual das estatísticas descritivas e,
formalmente, por meio da rejeição da hipótese nula a que o teste Jarque-Bera leva.
32
3,00%
2,00%
1,00%
0,00%
04/12/2001
04/02/2002
04/04/2002
04/06/2002
04/08/2002
04/10/2002
04/12/2002
04/02/2003
04/04/2003
04/06/2003
04/08/2003
04/10/2003
04/12/2003
04/02/2004
04/04/2004
04/06/2004
04/08/2004
04/10/2004
04/12/2004
04/02/2005
04/04/2005
04/06/2005
04/08/2005
04/10/2005
04/12/2005
04/02/2006
04/04/2006
04/06/2006
04/08/2006
04/10/2006
04/12/2006
04/02/2007
04/04/2007
04/06/2007
04/08/2007
-1,00%
-2,00%
-3,00%
-4,00%
1200
Series: IMAC
Sample 1 1452
1000
Observations 1452
4.5) IRF-M
Análise visual dos retornos dos títulos governamentais prefixados (Gráfico 9)
nada permite inferir sobre normalidade, mas o teste Jarque-Bera (Gráfico 10) leva à
rejeição dessa hipótese.
33
1,00%
Retornos Diários
0,50%
0,00%
02/02/2000
02/05/2000
02/08/2000
02/11/2000
02/02/2001
02/05/2001
02/08/2001
02/11/2001
02/02/2002
02/05/2002
02/08/2002
02/11/2002
02/02/2003
02/05/2003
02/08/2003
02/11/2003
02/02/2004
02/05/2004
02/08/2004
02/11/2004
02/02/2005
02/05/2005
02/08/2005
02/11/2005
02/02/2006
02/05/2006
02/08/2006
02/11/2006
02/02/2007
02/05/2007
02/08/2007
-0,50%
-1,00%
-1,50%
700
Series: IRFM
600 Sample 1 1910
Observations 1910
500
Mean 0.000704
400 Median 0.000700
Maximum 0.008200
Minimum -0.011300
300
Std. Dev. 0.001158
Skewness -1.662072
200
Kurtosis 21.65724
100 Jarque-Bera 28581.76
Probability 0.000000
0
-0.010 -0.005 0.000 0.005
4.6) Ptax-V
8.00000%
Distribuição de Retornos Diários
6.00000%
4.00000%
2.00000%
0.00000%
1/3/1999
1/6/1999
1/9/1999
1/12/1999
1/3/2000
1/6/2000
1/9/2000
1/12/2000
1/3/2001
1/6/2001
1/9/2001
1/12/2001
1/3/2002
1/6/2002
1/9/2002
1/12/2002
1/3/2003
1/6/2003
1/9/2003
1/12/2003
1/3/2004
1/6/2004
1/9/2004
1/12/2004
1/3/2005
1/6/2005
1/9/2005
1/12/2005
1/3/2006
1/6/2006
1/9/2006
1/12/2006
1/3/2007
1/6/2007
1/9/2007
-2.00000%
-4.00000%
-6.00000%
-8.00000%
-10.00000%
600
Series: PTAX
Sample 1 2144
500
Observations 2144
4
4
Normal Quantile
Normal Quantile
2
0
0
-4
-2
-8
-4
-6 -12
-.10 -.05 .00 .05 .10 -.12 -.08 -.04 .00 .04 .08
IBOVESPA PTAX
Gráficos 13 e 14 – Distribuições Teóricas Normais do Ibovespa e da Ptax-V
4
4
2
Normal Quantile
Normal Quantile
0
0
-2 -4
-4
-8
-6
-8 -12
-.015 -.010 -.005 .000 .005 .010 -.03 -.02 -.01 .00 .01 .02
IRFM IMAB
10 15
10
Normal Quantile
Normal Quantile
5
5
0
0
-5
-5
-10 -10
-15 -15
-.04 -.03 -.02 -.01 .00 .01 .02 .03 -.008 -.004 .000 .004 .008 .012
IMAC IMAS
5) Definições e Modelos
“É inútil dizer ao rio que ele pare de correr; a
melhor coisa a fazer é aprender a nadar na
direção da correnteza.”
Berthold Brecht
5.1) Definições
5.1.1) Value at Risk
Segundo Rachev e Mittinik (2000), o VaR é a máxima perda possível num
certo período de tempo, dado um certo intervalo de confiança. Formalmente, o VaR
é definido com o limite superior de um intervalo de confiança mono caudal
[ ]
P ∆P(τ ) < - VaR = 1 - α
Onde:
P(t + τ ) = log S (t + τ ) é o logarítmo do valor à vista S em t + τ , P(t) = log S(t),
S(t) é o valor do portfólio em t, o período de tempo é dado por [t, T ] com T-t = τ et
t é o tempo presente.
Existem várias críticas à utilização do VaR. Uma das mais severas refere-se à
ausência de coerência como medida de risco - embora em alguns casos isso se
verifique (em distribuições elípticas, por exemplo). Acerbi et al (2001) e Artzner et
Al.(1997) caracterizam quais as condições necessárias para que uma medida seja
coerente. Sejam X, Y, ρ(X) ρ(Y), respectivamente, as perdas e medidas de risco de
dois ativos X e Y. Para ser considerada coerente, uma medida de risco deve atender
a quatro propriedades, a saber:
1) Sub-aditividade : ρ ( X + Y ) ≤ ρ ( X ) + ρ (Y)
A medida de risco da carteira deve ser igual ou inferior à soma das medidas
individuais. Percebe-se que a sub-aditividade reflete a idéia de diversificação: na
formação de carteiras, não há criação de risco adicional.
5.2) Modelos
Foram quatro os modelos que estudamos: 1) abordagem empírica ou histórica.
2) abordagem gaussiana; 3) abordagem de valores extremos; e 4) abordagem
paretiana estável (stable Paretian).
1 n
Fn (t ) = ∑ I ( X i ≤ t) ,
n i =1
onde: I() é a função indicativa e X i é uma variável independente e
8
O ES também é conhecido como ETL – Expected Tail Loss e CvaR – Conditional Value-at-Risk. Ver
Fabozzi et al (2005).
9
Alguns autores são “entusiastas” do ES. Embrechts et al (1997), por exemplo, chegam a afirmar que
“ETL – Expected tail loss gives an indication of extreme losses, should they occur. Although it has not
become a standard in the financial industry, ETL is likely to play a major role, as it currently does in
the insurance industry”.
40
−1 i -1 i
Fn (α ) = X n (i ) , α ∈ , ,
n n
onde X n (1) ≤ X n ( 2 ) ≤ X n ( 3) ... ≤ X n ( n ) são estatísticas de ordem.
n
∑ X n(i)
ES = E ( X / X > VaR) =
i =[nα ]
(n − [nα ])
Então temos que o VaR com certo nível de confiança igual α é dado por zα σ ,
estimar σ :
1 n 1 n
σn = ∑ i − = ∑ Xi .
2 2
( X M ) com M
n - 1 i =1 n i =1
H ε ,σ ( x) = {1 − exp(− x / σ )} para ε = 0
σ + ξ (VaR − µ ) VaR σ − ξµ
ES p = VaR p + = +
1−ξ 1−ξ 1−ξ
Onde:
p é o intervalo de confiança;
σ é o parâmetro de escala;
u é o threshold; e
ξ é o parâmetro de forma ou índice de cauda.10
10
Outros aspectos da teoria de valores extremos - por exemplo, Teorema Fisher-Tippett, Teorema de
Picklands-Balkema, Teorema de Haan - podem ser vistos em Embrechts et al (2003).
42
11
Poderíamos ter optado por métodos alternativos, por exemplo, Transformação de Fourier ou
Transformação de Cauda de Fourier. Entretanto, a formalização do método adotado, bem como uma
análise mais detalhada dos demais também foge do escopo desse trabalho e podem ser encontradas
em Rachev (2003). Mais recentemente, Garcia et al (2006) mostram como estimar os parâmetros de
distribuiçoes estáveis por meio de métodos indiretos, utilizando distribuições t assimétricas.
43
Visto que tanto a função densidade quanto a função distribuição não possuem
formas fechadas conhecidas, as distribuições estáveis são especificadas pelas suas
funções características.
α α ∏α
exp− σ | t | [1 − iβ sin al (t ) tan 2 ] + iµt , se α ≠ 1
F ( x) =
exp− σ | t | [1 + iβ 2 sin al (t ) ln | t | ] + iµt , se α = 1
∏
5.3) Justificativa
De posse dos resultados encontrados no capítulo 3 e o início do mesmo, é
importante ressaltar que existem inúmeras críticas às modelagens tradicionais de
VaR ou ES. Nossa preocupação, contudo, está focada naquilo que observaram
Rachev e Mittinik (2000): “empirical observations on returns of financial instruments
do not exhibit the normal distribution and, thus, the tradicional VaR technique does
not fit well data with heavy tails”. Nos gráficos abaixo, podemos observar o efeito do
heavy ou fat tail nas proxies utilizadas.
12
Para elaboração desses gráficos, utilizamos a modelagem encontrada em Zivot e Wang (2006) e
utilizamos os softwares S-Plus e R-Project.
45
0.05
0.05
0.04
0.04
Mean Excess
Mean Excess
0.03
0.03
0.02
0.02
0.01
0.01
-0.04 -0.02 0.0 0.02 0.04 -0.04 -0.02 0.0 0.02 0.04
Threshold Threshold
1.5
0.6
1.0
Mean Excess
Mean Excess
0.4
0.5
0.2
Threshold Threshold
1.0
2.0
0.8
Mean Excess
Mean Excess
1.5
0.6
1.0
0.4
0.2
0.5
0.0
0.0
Threshold Threshold
6) Resultados Empíricos
Onde:
∆Pt é a mudança relativa do valor do portfólio, isto é, a rentabilidade diária
Seja bt a função indicativa 1 {Rt < −VaRt },1 ≤ t ≤ T , a qual assume os valores
binomial.
E < T (1 − α ) − Z α T (1 − α )α ou E > T (1 − α ) + Z α T (1 − α )α ,
1− 1−
2 2
Tabela 4 – Exceções esperadas versus exceções observadas para nível de confiança igual
a 95%.
Tabela 5 – Exceções esperadas versus exceções observadas para nível de confiança igual
a 99%.
[Link]) Ibovespa
[Link]) IMA-S
[Link]) IMA-B
[Link]) IMA-C
[Link]) IRF-M
[Link]) Ptax-V
Pelo ativo ser uma excelente proxy, na realidade, ser um ativo financeiro com
bastante liquidez e pela série ser bastante longa, a tradicional lei dos grandes
52
números pode ser bem sentida aqui, sobretudo para nível de confiança mais
elevado, pois todos os modelos estão dentro da faixa aceitável de tolerância. Já para
o nível de 95%, o VaR gaussiano mostrou ser ineficaz, visto que está
superestimando o VaR, o que é bastante sério para um ativo vital dentro dos
portfólios das instituições financeiras nacionais.
6.2.2) Análise do ES
13
O backtesting do ES exige quantidade de observações bastante superior à do VaR, de modo que a
potência do teste aqui utilizado pode estar prejudicada. Assim, para um trabalho posterior, sugere-se
utilizar um período mais longo.
53
7) Conclusões
Acreditamos que muito deva se caminhar nessa área, uma vez que a
abordagem tradicional (gaussiana) para apurar o risco de mercado tem sido
bastante questionada, sobretudo em épocas de intensa volatilidade nos mercados
mundiais, sejam eles motivados por aversão ao risco em crise de crédito ou por
liquidez mundial excessiva, levando assim ao rompimento da normalidade dos
55
retornos dos ativos financeiros. Sugerimos que sejam testadas distribuições estáveis
aplicadas para diferentes produtos financeiros, por exemplo, para opções, forward
de moedas estrangeiras, swaps entre outros. Após isso, quem sabe, realizar
estudos para diferentes categorias de carteiras, privilegiando àquelas que
contemplem riscos não-lineares, por exemplo, fundos multimercados ou até mesmo
renda fixa com alavancagem. Uma outra fronteira a ser explorada também será a
incorporação de liquidez nessa modelagem. Ao colocar esse aspecto, talvez as
modelagens para proxies de renda fixa apresentem ser mais robustas.
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