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Análise da ETAR de Infulene

A monografia analisa a capacidade de tratamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Infulene, focando na caracterização das águas residuais de Maputo e Matola e nos parâmetros de efluentes urbanos. O estudo inclui uma comparação do funcionamento da ETAR antes e depois das intervenções propostas, além de discutir os desafios e perspectivas para o tratamento de águas residuais em Moçambique. A pesquisa também aborda a legislação pertinente e os sistemas de saneamento descentralizados utilizados no país.

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Manuel Fernando
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Análise da ETAR de Infulene

A monografia analisa a capacidade de tratamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Infulene, focando na caracterização das águas residuais de Maputo e Matola e nos parâmetros de efluentes urbanos. O estudo inclui uma comparação do funcionamento da ETAR antes e depois das intervenções propostas, além de discutir os desafios e perspectivas para o tratamento de águas residuais em Moçambique. A pesquisa também aborda a legislação pertinente e os sistemas de saneamento descentralizados utilizados no país.

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Necésio Coutinho Ussaca

ANÁLISE DA CAPACIDADE DE TRATAMENTO DA ETAR - ESTAÇÃO DE


TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUAIS DE INFULENE

Licenciatura em Engenharia de Construção Civil

Universidade Pedagógica de Maputo

Maputo

2023
Necésio Coutinho Ussaca

ANÁLISE DA CAPACIDADE DE TRATAMENTO DA ETAR - ESTAÇÃO DE


TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUAIS DE INFULENE

Monografia apresentada à Faculdade de Engenharia


e Tecnologia para a obtenção do grau académico de
Licenciatura em Engenharia de Construção Civil.

Supervisor:
Engº. Fernando Evaristo Namburete

Universidade Pedagógica de Maputo

Maputo

2023
ÍNDICE
DECLARAÇÃO .................................................................................................................... I
DEDICATÓRIA ...................................................................................................................II
AGRADECIMENTOS ........................................................................................................ III
RESUMO ........................................................................................................................... IV
ABSTRACT ........................................................................................................................ V
LISTA DE ABREVIATURAS ............................................................................................ VI
LISTA DE FIGURAS ........................................................................................................ VII
LISTA DE TABELAS ..................................................................................................... VIII
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 1
1.1 Delimitação do tema ............................................................................................... 2
1.2 Justificativa ............................................................................................................. 3
1.3 Problemática ........................................................................................................... 3
1.4 Formulação de Hipóteses ........................................................................................ 5
1.5 Objectivos ............................................................................................................... 5
1.5.1 Objectivo geral ................................................................................................ 5
1.5.2 Objectivos específicos...................................................................................... 5
2 REVISÃO LITERÁRIA ................................................................................................ 6
2.1 Origem das águas residuais ..................................................................................... 6
2.1.1 Ciclo urbano das águas..................................................................................... 6
2.1.2 Águas Residuais Urbanas ................................................................................. 6
2.1.3 Principais características .................................................................................. 7
2.2 Tratamento das Águas residuais Urbanas .............................................................. 10
2.2.1 Fase líquida.................................................................................................... 11
2.2.2 Lagoas de Estabilização ................................................................................. 12
2.2.3 Tipologias de lagoas de estabilização ............................................................. 12
2.3 Dimensionamento de sistemas de lagoas de estabilização ...................................... 16
2.3.1 Eficiência do tratamento de AR em sistemas de lagunagem ........................... 16
2.3.2 Dimensionamento de lagoas anaeróbicas........................................................ 16
2.3.3 Dimensionamento de lagoas facultativas ........................................................ 18
2.3.4 Dimensionamento de Lagoas de Maturação ................................................... 21
2.3.5 Leitos de macrófitas (constructed wetlands na terminologia inglesa) .............. 22
2.3.6 Tipologia dos leitos de macrófitas .................................................................. 23
2.4 Enquadramento Legislativo ................................................................................... 25
3 METODOLOGIA DE PESQUISA .............................................................................. 27
3.1 Classificação da pesquisa quanto a abordagem do problema.................................. 27
3.2 Classificação quanto à natureza da pesquisa .......................................................... 27
3.3 Classificação quanto aos objectivos da pesquisa .................................................... 27
3.4 Classificação quanto aos procedimentos ................................................................ 28
3.5 Técnica de Recolha de Dados................................................................................ 28
4 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO......................................................... 29
4.1 Enquadramento Geográfico ................................................................................... 29
4.1.1 Cidades de Maputo e Matola .......................................................................... 29
4.1.2 Clima ............................................................................................................. 29
4.1.3 Divisão administrativa ................................................................................... 30
4.1.4 Demografia .................................................................................................... 31
4.1.5 Drenagem e tratamento de Águas Residuais ................................................... 31
4.2 ETAR de Infulene ................................................................................................. 33
4.3 Fase líquida........................................................................................................... 34
4.3.1 Tratamento preliminar.................................................................................... 35
4.3.2 Tratamento secundário ................................................................................... 36
4.3.3 Tratamento terciário ....................................................................................... 37
4.3.4 Fase sólida ..................................................................................................... 38
5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS.......................................................... 39
5.1 Caudais de projecto ............................................................................................... 39
5.2 Cargas afluentes .................................................................................................... 40
5.3 Lagoas anaeróbias ................................................................................................. 41
5.4 Lagoa facultativa................................................................................................... 43
5.4.1 Cálculo do CBO efluente das lagoas facultativas ............................................ 44
5.4.2 Verificação das áreas implantadas .................................................................. 45
5.5 Lagoa de maturação .............................................................................................. 47
5.5.1 Lagoas em paralelo com defletores ................................................................ 48
5.5.2 Verificação para áreas implantadas ................................................................ 49
5.6 Leitos de macrófitas (Constructed wettlands) ........................................................ 51
5.6.1 Concentração de poluentes ............................................................................. 51
5.6.2 Leitos de macrófitas primários ....................................................................... 51
5.6.3 Leitos de macrófitas secundários .................................................................... 52
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES .................................................................... 54
6.1 Conclusões............................................................................................................ 54
6.2 Recomendações .................................................................................................... 55
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 56
APÊNDICES ...................................................................................................................... 60
ANEXO .............................................................................................................................. 61
I

DECLARAÇÃO

Eu, Necésio Coutinho Ussaca, declaro por minha honra, que o trabalho aqui apresentado, é
fruto do esforço por mim prestado e orientações dos meus supervisores em prol da investigação
em diversas e diferentes fontes literárias. Foram devidamente ilustradas ou referenciadas as
fontes literárias usadas no trabalho para o âmbito fidedigno e confirmar que não houve a
existência de plágio de algum outro trabalho já feito.

Este trabalho nunca terá sido apresentado nesta Universidade ou em outra instituição de ensino
superior do país, bem como do resto do mundo, para a obtenção do grau académico de
licenciatura.

Maputo, aos _______ de __________________ de 2023

_________________________________________
(Necésio Coutinho Ussaca)
II

DEDICATÓRIA

Esta monografia é dedicada aos meus pais, pilares da minha formação como ser humano, aos
meus irmãos e aos meus tios pelo apoio incondicional em todos os momentos difíceis da minha
trajetória acadêmica e social.
III

AGRADECIMENTOS
A elaboração desta monografia só foi possível graças à colaboração e apoio de diversas pessoas
às quais quero prestar os meus sinceros agradecimentos.

Em primeiro lugar agradeço a Deus pela graça divina da vida, por permitir tamanha saúde no
seio de toda a minha família na qual têm-me apoiado incansavelmente.

Agradeço ao meu supervisor, Engenheiro Fernando Evaristo Namburete, pela oportunidade de


realizar este trabalho, pelo empenho, rigor, paciência que sempre demonstrou e pelo
conhecimento científico transmitido ao longo destes meses e ao longo da formação. Muito
obrigado.

Ao Eng.º Julio Quive, Eng.º Adriano, Eng.º Jaime Moníz da Repartição de Saneamento do
Concelho Municipal da Cidade de Maputo, agradeço a colaboração no caso de estudo, pelos
dados e pela informação que me foi disponibilizada.

Agradeço também ao Eng.º Juscelino Macamo, docente da Universidade Pedagógica de


Maputo, pelo apoio.

A todos docentes do curso de Licenciatura em Engenharia de Construção Civil que ao longo


do percurso contribuíram para que a concretização do curso fosse possível. Muito obrigado.

A toda a minha família por todo o apoio que sempre me têm dado. Em particular aos meus pais,
Coutinho Matias Ussaca e Maria Alexandre Gove, aos meus tios Cristóvão Matias Ussaca e
Anincete Micas Ussaca pelo apoio incondicional durante a minha formação, aos meus irmãos
Edmunda, Didelfa, Lália e Paulo, aos meus cunhados Timofto, Torres e Alerson, aos meus
sobrinhos, a todos membros da família que directa ou indirectamente têm me apoiado e me
motivado.

Aos meus colegas e amigos, que estiveram sempre ao meu lado, em todos os momentos, tendo
sempre uma palavra de apoio ou simplesmente contribuindo para momentos de distração e
diversão. Aqui vai o meu agradecimento muito especial ao João Xavier Nhavene, Arão
Cardoso, Nelson Muzila, Edson Casteano, Ana Rosa Muchanga, Jussara Dramusse que sempre
me apoiaram, muito obrigado por tudo.
IV

RESUMO
Uma ETAR consiste num conjunto de órgãos e equipamentos para o tratamento das águas
residuais, para posterior utilização em usos compatíveis, ou para simplesmente serem
descarregadas nos meios receptores com um nível de poluição adequado aos seus usos actuais
ou potenciais.
A monografia refere-se a ETAR de Infulene e tem como principal objectivo verificar a
capacidade de tratamento de águas residuais.
Caracteriza-se as águas residuais da cidade de Maputo e Matola, indicando os parâmetros
bioquímicos e microbiológicos dos efluentes urbanos.
Faz-se a análise crítica da legislação. Aborda-se ainda o processo geral da prática de gestão de
saneamento de efluentes. Por fim, são identificados os principais desafios e apresentadas
perspectivas para o futuro próximo.
Apresenta-se uma análise comparativa do funcionamento da ETAR de Infulene antes e depois
da implementação das soluções propostas para as fases I e II de intervenção a ETAR.
Descreve-se os sistemas de saneamento descentralizados mais utilizados em Moçambique.
Procede-se a uma análise sobre o saneamento e o tratamento das águas residuais na Cidade do
Maputo (ETAR de Infulene) e no resto do País, referindo-se também a existência de algumas
ETAR compactas.
Procede-se ainda à descrição das etapas de tratamento das fases líquidas e sólidas de tratamento
das ARU (recolha/esvaziamento, transporte, tratamento e o destino final).
Finalmente, apresentam-se os principais desafios do tratamento de águas residuais e gestão de
lamas fecais no País, seguindo-se uma síntese, conclusões e perspectivas.

Palavras-chaves: Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR); ETAR de Infulene;


Cidade de Maputo e Matola.
V

ABSTRACT
A WWTP consists of a set of organs and equipment for the treatment of wastewater, for
subsequent use in compatible uses, or for simply being discharged into receiving means with a
level of pollution suitable for its current or potential uses.
The monograph refers to the Infulene WWTP and its main objective is to verify the wastewater
treatment capacity.
A characterization of wastewater from the cities of Maputo and Matola is carried out, indicating
the biochemical and microbiological parameters of urban effluents.
A critical analysis of the legislation is carried out. The general process of the practice of effluent
sanitation management is also discussed. Finally, the main challenges are identified and
perspectives for the near future are presented.
A comparative analysis of the operation of the Infulene WWTP is presented before and after
the implementation of the proposed solutions for phases I and II of WWTP intervention.
A description of the most used decentralized sanitation systems in Mozambique is presented.
An analysis is made of sanitation and wastewater treatment in Maputo City (WWTP Infulene)
and in the rest of the country, also referring to the existence of some compact WWTPs.
A description of the treatment stages of the liquid and solid phases of ARU treatment
(collection/emptying, transport, treatment and final destination) is also described.
Finally, the main challenges of wastewater treatment and fecal sludge management in the
country are presented, followed by a summary, conclusions and perspectives.

Keywords: Wastewater Treatment Station (WWTP); Infulene WWTP; Maputo city and
Matola.
VI

LISTA DE ABREVIATURAS
AR - Águas residuais;

CBO – Carência Bioquímica do Oxigénio:

CBO5 – Carência Bioquímica do Oxigénio aos 5 dias:

CQO – Carência Química do Oxigénio;

CTO – Carência Teórica Total de Oxigénio;

EE – Estação Elevatória;

ETA – Estação de Tratamento de Águas;

ETAR – Estação de Tratamento de Águas Residuais;

MO – Matéria Orgânica;

O&M – Operação e Manutenção;

OD – Oxigénio Dissolvido;

SS – Sólidos Suspensos;

PDSDAMM – Plano Director de Saneamento e Drenagem da Área Metropolitana de Maputo;


VII

LISTA DE FIGURAS
Figura 2.1. Ciclo urbano da água (Fonte: MARQUES & SOUSA, 2007) ............................... 6
Figura 2.2. Processos que ocorrem numa lagoa anaeróbia. Adaptado de Water Treatment in
Sewage Treatment (Fonte: DE SOUSA, 2018) .................................................................... 14
Figura 2.3. Esquema dos mecanismos depurativos numa lagoa facultativa (Fonte: DO
MONTES, dOS SANTOS, & BARREIROS, 2018)............................................................. 15
Figura 2.4. . A esquerda: fluxo horizontal; A direito: fluxo vertical. (Fonte: DOTRO, et al.,
2017) .................................................................................................................................. 23
Figura 2.5. Esquema de uma série de leitos de macrófitas construídas com fluxo vertical
(sistema francês) (Fonte: ALBOLD, et al., 2011) ................................................................ 24
Figura 2.6. Padrões gerais de descargas de águas residuais domésticas no meio receptor (Fonte:
Decreto 18/2004 – Regulamento sobre Padrões de Qualidade Ambiental e de Emissão de
Efluentes)............................................................................................................................ 26
Figura 4.1. Localização geográfica das Cidades de Maputo e Matola (Fonte: QGIS) ........... 29
Figura 4.2. Distritos Municipais da Cidade de Maputo (Fonte: PDSDAMM) ...................... 30
Figura 4.3. Subdivisão em sistemas da área metropolitana de Maputo (Fonte: PDSDAMM) 32
Figura 4.4. Estação de Tratamento de águas residuais de Infulene (Fonte: Google Earth) .... 33
Figura 4.5. Diagrama de blocos da ETAR do Infulene (Duplicação da ETAR) (Fonte:
PDSDAMM, 2016). ............................................................................................................ 34
Figura 4.6. Representação esquemática da rede de funcionamento da ETAR do Infulene (Fonte:
Autor) ................................................................................................................................. 34
Figura 4.7. Câmara de chegada para elevação de esgoto da ETAR de Infulene (Fonte: Autor)
........................................................................................................................................... 35
Figura 4.8. Câmara de grades da ETAR de Infulene (Fonte: Autor) ..................................... 35
Figura 4.9. Lagoa anaeróbia da ETAR de Infulene em construção (Fonte: Autor) ................ 36
Figura 4.10. Lagoa facultativa da ETAR do Infulene em construção (Fonte: Autor) ............ 37
Figura 4.11. Lagoas de Maturação da ETAR do Infulene em construção (Fonte: Autor) ...... 37
Figura 4.12. Leitos de Macrófitas da ETAR do Infulene em construção (Fonte: Autor) ....... 38
Figura 5.1. Novos colectores com ligação à ETAR do Infulene (Fase de duplicação) (Fonte:
PDSDAMM, 2016). ............................................................................................................ 40
VIII

LISTA DE TABELAS
Tabela 2.1 Características das águas residuais domésticas não tratadas (Metcalf e Eddy, 2003)
............................................................................................................................................. 9
Tabela 2.2. Valores recomendados para o caudal de infiltração (Fonte: do Montes, et al., 2016)
........................................................................................................................................... 10
Tabela 2.3. Carga orgânica em lagoas anaeróbias (Adaptado de Mara & Pearson, 1987) (Fonte:
do Montes, et al., 2018) ....................................................................................................... 17
Tabela 2.4. Carga orgânica superficial em lagoas facultativas (Adaptado de Mara & Pearson,
1987 e de Mara, 1987) (Fonte: DO MONTES, et al., 2018) ................................................. 18
Tabela 2.5. Fórmulas para o cálculo da concentração de CBO solúvel no efluente (S). (Fonte:
VON SPERLING, 2007) ..................................................................................................... 20
Tabela 2.6. Cargas máximas de projecto para o sistema francês sob condições de tempo seco.
Os valores indicados são por metro quadrado de leito em operação (Fonte: DOTRO, et al.,
2017)................................................................................................................................... 25
Tabela 4.1. Dados meteorológicos da cidade de Maputo (Cli23).......................................... 30
Tabela 4.2. População total projectada segundo distritos, 2017-2019 (Fonte: INE, 2019) .... 31
Tabela 5.1. Evolução da população servida pela ETAR do Infulene. Fonte: PDSDAMM (2016)
........................................................................................................................................... 39
Tabela 5.2. Dados de dimensionamento e de verificação das lagoas anaeróbicas ................. 43
Tabela 5.3. Dados de dimensionamento das lagoas facultativas ........................................... 46
Tabela 5.4. Dados de dimensionamento das lagoas de maturação ........................................ 50
Tabela 5.5. Dimensões que as lagoas da ETAR de Infulene deviam ter para atender ás
exigências exigidas para a rega. ........................................................................................... 53
1

1 INTRODUÇÃO
A história do tratamento de águas residuais (AR) é bem recente, tem pouco mais do que cem
anos, datando dos primeiros anos do século XX, quando entraram em operação as primeiras
estações de tratamento de águas residuais (ETAR), de que Stahnsdorf, na Alemanha é um
exemplo (MÜLLER, 1907 citado por WIESMANN, 2007). O facto de o tratamento de AR ser
uma questão tão recente é devido à circunstância de, durante quase toda a história da
Humanidade, a evacuação dos excreta humanos ter sido feita por deposição a seco, nos pátios
domésticos ou nas ruas dos centros urbanos. Não obstante, existem casos de evacuação dos
excreta por via hídrica na Antiguidade, na Idade Média e na Idade Moderna, que constituem
exemplos notáveis para a sua época (DO MONTES, et al., 2016).

O problema de tratamento de AR era encarado mais como de higiene do que de saúde pública,
pois ainda não se tinha descoberto que a água era um meio de transporte de microorganismos
patogénicos, por isso as AR eram conduzidas aos rios mais próximos (DO MONTES, et al.,
2016).

Em Moçambique, desde a Independência Nacional, o Governo e os seus parceiros têm vindo a


implementar medidas visando a melhoria das condições de abastecimento de água e
saneamento das cidades e vilas moçambicanas. Para além de investimentos na
infraestruturação, reformas institucionais têm vindo a ser introduzidas visando a melhoria da
qualidade e eficiência de prestação de serviços de Água e Saneamento, entre as quais se
destacam a aprovação em 1995 da Política Nacional de Águas (posteriormente revista em 2007)
e do Quadro da Gestão Delegada-QGD em 1998 (MOPHRH, 2020).

A gestão de águas residuais é uma área problemática pois, são poucas as cidades com alguma
infraestrutura para drenagem de águas residuais. Quando existente, são incapazes de responder
com eficácia à demanda existente nas várias cidades (e, por conseguinte, responder às metas
de cobertura) por razões como a falta de investimento na infraestruturação, a obsolência dos
sistemas, sistemas com capacidade limitada face às demandas, sistemas com abrangência
limitada, modelos ineficientes de prestação dos serviços (intermitências, perdas, ligações
clandestinas etc.) entre outros.

Nas 11 capitais provinciais e em algumas cidades secundárias como Nacala, Angoche, Moatize,
Manica, Gondola, Dondo, Maxixe, Chokwé e Boane é possível de encontrar infraestruturas
para drenagem de águas residuais incapazes de responder á demandas, exceptuando as cidades
de Quelimane, Beira, Maputo, Xai-Xai, Maxixe e Chokwé, onde as respectivas redes
2

beneficiaram de intervenções recentes (pós-independência), nas restantes cidades os sistemas


existentes (principalmente as redes de colectores) datam do período colonial.

Do ponto de vista de soluções colectivas, redes de drenagem de águas residuais que as cidades
que possuem não servem a toda população, sendo Nampula (servindo cerca de 2% da
população da urbe), Tete (6%), Beira (11%), Quelimane (2%), Xai-Xai (1%), Chockwé (6%)
e Maputo (11%). Destas, somente as cidades de Maputo e Beira têm as respectivas redes ligadas
a uma Estação de Tratamento de Águas Residuais - ETAR (MOPHRH, 2020). Nas restantes,
os efluentes são lançados para o meio receptor sem qualquer tipo de tratamento.

Na cidade de Maputo, salientam-se dois tipos de infraestruturas de drenagem e saneamento:


valas a céu aberto, para escoamento de caudais pluviais e colectores enterrados, que
dependendo da situação, escoam efluentes domésticos, pluviais ou ambos (sistemas
separativos, pseudo-separativos, mistos e sistemas unitários).

O funcionamento da rede é na sua maioria, de montante para jusante, no sentido gravítico,


existindo apenas duas estações elevatórias que conduzem uma parte das águas residuais para a
ETAR situada no vale do Infulene que é o objecto do presente estudo. As restantes águas
residuais são direccionados para a Baía de Maputo, através de vários emissários,
nomeadamente nos bairros da Ponta Vermelha, Polana e Baixa da Cidade (Engidro, Hidra,
Aquapor,2015 citado por JANE, 2017).

As águas residuais não direccionadas para a ETAR, são tratadas pelas fossas sépticas e depois
é que são lançadas na rede de esgoto para, por fim, serem descarregados na Baía ou nos lençóis
freáticos através de drenos no solo. Nas zonas periféricas e periurbanos, densamente povoados,
e compostas pelo tipo de habitação precária, que não dispõem de redes de drenagem, a
população é servida por soluções de saneamento local. Existem valetas construídas pelos
moradores que conduzem as águas residuais e descarregam para as vertentes naturais.

1.1 Delimitação do tema


O presente trabalho tem como foco a análise da capacidade de tratamento de Águas Residuais
(AR) da fase secundária e terciária da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do
Infulene, após os trabalhos de reabilitação e duplicação do sistema de lagunagem. O objectivo
é determinar se esta ETAR será capaz de tratar eficazmente as águas residuais provenientes das
3

cidades de Maputo e Matola, garantindo a melhoria da saúde pública e evitando impactos


negativos no meio receptor.

1.2 Justificativa
Com os trabalhos de expansão dos sistemas de drenagem de águas residuais da Cidade de
Maputo e a implantação de novos sistemas na cidade da Matola, conforme previsto no Plano
Director de Saneamento de Drenagem da Área Metropolitana de Maputo (PDSDAMM), é
esperado um aumento significativo no caudal afluente à ETAR de Infulene. Dado que os
efluentes tratados na ETAR são descarregados no rio Infulene, que, por sua vez, é utilizado
para irrigação, é crucial garantir que essa prática não resulte em impactos negativos no meio
ambiente e na saúde pública, devido à exposição a poluentes presentes no afluente da ETAR
de Infulene.

1.3 Problemática
De acordo com PDSDAMM, a ETAR de Infulene foi originalmente projectada em 1984 pela
DHV Consulting Engineers para atender a uma população de 90.000 habitantes e entrou em
funcionamento em 1987. Foi concebida para tratar as águas residuais dos bairros da Polana
Cimento, Coop, Malhangalene e Sommershield, por meio de uma rede de esgotos que percorre
a Avenida Joaquim Chissano. Inicialmente, o esquema de tratamento consistia em uma obra de
entrada, com dois canais paralelos equipados com grades de limpeza manual, e em duas lagoas
anaeróbias e duas lagoas facultativas, operando em paralelo.

Actualmente, a ETAR não está a funcionar em plena capacidade devido ao facto de que as
estações elevatórias, responsáveis por elevar uma parte significativa do influxo de águas
residuais da cidade de Maputo, não estão a operar. Como resultado, apenas uma pequena fração
do caudal total de águas residuais domésticas, descarregadas na rede de esgotos, está a ser
encaminhada para a ETAR de Infulene. As águas residuais não tratadas estão a ser
descarregadas gravitacionalmente na Baía. Além do tratamento de águas residuais, a ETAR de
Infulene também está a ser usada para o despejo de lamas fecais colectadas de fossas sépticas
nas regiões de Maputo e Matola.

O PDSDAMM (2016), apresentou a proposta de pôr em funcionamento as estações elevatórias,


de modo a permitir que as águas sejam conduzidas à ETAR de Infulene por meio de um novo
4

emissário que será implantado no lado norte ao longo da Avenida Joaquim Chissano. Também
está prevista a construção de um sistema de drenagem de águas residuais domésticas no
Município da Matola, que encaminhará o escoamento das águas residuais domésticas
produzidas para a ETAR de Infulene. O futuro sistema da Matola deverá colectar águas
residuais dos bairros da Liberdade, Fomento, Matola B, Matola F, Matola G, Matola H e parte
dos bairros Sikawana, Matola A, Matola C, Matola D, Matola J, Mussumbuluco, Bunhiça,
Machava Sede, Trevo e Tsalala.

Relactivamente à ETAR de Infulene, o Plano Director de Saneamento propõe três fases de


intervenção:

1. Reabilitação da ETAR existente e duplicação do sistema de lagunagem: Isso inclui


a construção de uma nova obra de entrada com elevação dos caudais afluentes e a
construção de uma linha de tratamento de lamas fecais.

2. Intensificação do sistema de tratamento: Isso envolve o arejamento das lagoas


facultativas e a construção de lagoas de decantação a jusante.

3. Construção de uma nova ETAR em terrenos adjacentes quando a capacidade da


ETAR for excedida: Isso pode incluir uma solução de tratamento intensivo, como
tratamento biológico por lamas activadas. Nesta fase, também pode ser considerada a
conversão do sistema de lagunagem, especialmente das lagoas facultativas, em lagoas
de maturação, para assegurar a desinfecção do efluente da ETAR.

Ainda segundo o PDSDAMM (2016), a transição entre as fases de intervenção mencionadas


anteriormente depende da evolução urbanística, da melhoria nos níveis de serviço e da
expansão da rede de colectores, sem a necessidade de estar vinculada a um horizonte de
projecto definido. É importante destacar que a fase 1 está actualmente em execução. No
entanto, foi proposto que, em vez de duplicar as lagoas facultativas, sejam adicionadas às etapas
de tratamento as lagoas de maturação e os leitos de macrófitas.

Diante das situações descritas acima, relacionadas à evolução dos serviços e à expansão da rede
de colectores, e considerando que a ETAR de Infulene está actualmente na fase de duplicação,
surge a necessidade de determinar se a ETAR de Infulene terá capacidade para tratar todas as
águas que lhe são encaminhadas. Portanto, a seguinte questão se coloca:

• Será que a ETAR de Infulene terá capacidade de encaixe dos efluentes


provenientes das cidades de Maputo e Matola, previstos nas fases de reabilitação
5

e duplicação do sistema de lagunagem, de modo a que o processo de tratamento


de águas residuais ocorra de forma sustentável e que garanta a melhoria ou
manutenção da saúde pública?

1.4 Formulação de Hipóteses


 Hipótese Básica: Após a implementação das propostas referidas na fase 1, a ETAR de
Infulene terá capacidade suficiente para tratar as águas residuais provenientes das
Cidades de Maputo e Matola;
 Hipótese Secundária: Após a implementação das propostas referidas na fase 1, a
ETAR de Infulene não terá capacidade suficiente para tratar as águas residuais
provenientes das Cidades de Maputo e Matola;

1.5 Objectivos
1.5.1 Objectivo geral
 Avaliar a capacidade de tratamento da ETAR de Infulene após a reabilitação e
duplicação do sistema de lagunagem.

1.5.2 Objectivos específicos


 Caracterizar as águas residuais da cidade de Maputo e Matola;
 Estimar os caudais afluentes á ETAR de Infulene provenientes das cidades de Maputo
e Matola;
 Apresentar valores limites de descarga dos principais poluentes em AR destinadas a
rega;
 Fazer uma análise comparativa da qualidade do efluente da ETAR do Infulene antes e
depois dos trabalhos de duplicação da fase líquida;
6

2 REVISÃO LITERÁRIA
2.1 Origem das águas residuais
2.1.1 Ciclo urbano das águas
Através da utilização que o ser humano faz da água, ao longo do tempo, foram introduzidas
alterações nos mecanismos básicos do ciclo hidrológico. Como resultado dessas acções, surgiu
o conceito do ciclo "urbano" da água (Figura 2.1). Esse ciclo está intrinsecamente ligado à
captação de água, seja de fontes superficiais ou subterrâneas, ao seu subsequente tratamento
em estações de tratamento de água (ETA) e à distribuição para diversos utilizadores, incluindo
áreas residenciais, comércio, serviços e indústria (MARQUES & SOUSA, 2007).

A qualidade da água sofre alterações após sua utilização, tornando essencial o tratamento
adequado das águas residuais em Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR´s). O
objectivo desse tratamento é restaurar, pelo menos parcialmente, os padrões iniciais de
qualidade da água. Posteriormente, a descarga das águas tratadas no meio receptor natural é
uma prática que minimiza significativamente a perturbação ambiental. Isso permite que o meio
ambiente regenere naturalmente a qualidade inicial do recurso hídrico (MARQUES & SOUSA,
2007).

Figura 2.1. Ciclo urbano da água (Fonte: MARQUES & SOUSA, 2007)

2.1.2 Águas Residuais Urbanas


O “uso” e o “consumo” de água são considerados os elementos chave para a definição do
conceito de água residual (SINCERO & SINCERO, 2002), sendo a análise da sua origem feita
em termos quantitativos (caudais) e qualitativos (características físicas, químicas e biológicas),
(LIU & LIPTÁK, 2000).
7

As águas residuais resultam das várias utilizações da água para consumo humano, podendo ser
classificadas como domésticas, industriais e infiltração/escorrências, de acordo com as
diferentes utilizações que lhes deram origem (LEVY, 2008).

• Águas residuais domésticas – as águas residuais de serviços e de instalações


residenciais, essencialmente provenientes do metabolismo humano e de actividades
domésticas. São também compostas por água residual proveniente de comércio (ex.:
lojas, restaurantes), instituições estatais (ex.: escolas, hospitais) e de recreio.
• Águas residuais industriais – as águas residuais provenientes de qualquer tipo de
actividade que não possam ser classificadas como águas residuais domésticas nem
sejam águas pluviais; Pode em algumas situações, ter uma expressão significativa nas
características das águas residuais, sendo a sua caracterização um processo complexo,
dada a vasta gama de indústrias existentes.
• Infiltração/escorrências - não é propriamente considerada descarga, ocorrendo em
consequência da existência das redes de drenagem, sendo definidas como a água que
influi no sistema de uma forma directa ou indirecta. Ocorre através da entrada de água
subterrânea, por rupturas ou fissuras no sistema de drenagem. As escorrências resultam
das águas que influem aos sistemas de drenagem de uma forma não controlada, em
qualquer ponto da rede que permita a sua entrada, o que acontece normalmente após os
fenómenos precipitação.

2.1.3 Principais características


As águas residuais são geralmente definidas, de acordo com as suas características físicas,
químicas e biológicas. As características físicas englobam a cor, cheiro, temperatura, sólidos.
As características químicas estão divididas em orgânicas (carboidratos, proteínas, óleos e
gorduras, detergentes, pesticidas, fenóis, compostos voláteis, e poluentes prioritários) e
inorgânicos (alcalinidade, cloretos, metais pesados, azoto, fósforo, pH, enxofre e poluentes
prioritários), e quanto ás características biológicas temos os animais, as plantas, as bactérias e
os vírus (DO MONTES, et al., 2018).

Dentro das características físicas, a temperatura é um dos parâmetros mais influentes no


processo de tratamento das águas residuais, uma vez que condiciona ou regula muitos dos
outros parâmetros (FERREIRA, 2021).

Um critério bastante utilizado para quantificar a carga poluente de uma água residual é o teor
de sólidos totais (ST), que comportam essencialmente dois tipos de sólidos: os sólidos
8

dissolvidos totais (SDT), que devido à sua reduzida dimensão (< 0,45 µm) permanecem na
água mesmo após filtração, e os sólidos suspensos totais (SST), que representam a matéria
sólida retida por filtração. Vários factores podem influenciar a percentagem relativa da carga
poluente entre os SDT e SST, nomeadamente o pH, que pode alterar a capacidade de sorção
das partículas e/ou promover a sua precipitação/dissolução, e que influencia o modo de
funcionamento dos tratamentos físico-químicos e biológicos (SOARES, 2019).

Para além das características químicas mencionadas anteriormente, existem outras de elevada
importância, como a condutividade elétrica, o potencial redox, a quantidade de oxigénio
dissolvido e a carência química e bioquímica do oxigénio (CQO e CBO respectivamente), estes
últimos explicados asseguir.

A matéria orgânica é o principal poluente das águas residuais. Assim sendo, essa matéria é
medida através dos parâmetros CBO e CQO. Estes referem-se à medida da carência de oxigénio
tanto químico (quantidade de oxigénio que pode ser consumido por reacções químicas, sendo
assim possível medir a quantidade de material orgânico presente numa amostra) como
bioquímico (quantidade de oxigénio dissolvido necessário para que os microrganismos
aeróbios presentes digiram a matéria orgânica presente numa amostra de água residual) (DO
MONTES, et al., 2016).

As águas contêm grandes quantidades de microrganismos – bactérias, algas, protozoários,


fungos, vírus e até crustáceos – a grande maioria dos quais é inofensiva para o Homem. Porém,
alguns microrganismos são patogénicos e a sua presença na água faz desta um veículo
privilegiado, sendo a causa de elevadas taxas de mortalidade nos países subdesenvolvidos,
principalmente na população infantil. Estes tipos de microrganismos presentes nas águas
residuais domésticas e industriais provêm das excreções (fezes e urina) do Homem como de
animais, provenientes de matadouros e indústrias agropecuárias (FERREIRA, 2021).

São apresentadas na Tabela 2.1 as principais características das águas residuais, concretamente
as águas residuais domésticas.
9

Tabela 2.1 Características das águas residuais domésticas não tratadas (Metcalf e Eddy, 2003)

[Link] Caudais de dimensionamento


 Caudal médio

Uma ETAR é dimensionada para assegurar capacidade de tratamento do caudal previsto para
o seu horizonte de projecto (hp), que, não sendo conhecido, tem que ser estimado de forma
fiável (DO MONTES, et al., 2016).

Segundo DO MONTES, et al., (2016) a estimativa de caudal baseia-se em dados “históricos”,


obtidos nos últimos anos por medição de caudal no sistema de drenagem ou à entrada da ETAR.
Quando tal não é possível, a estimativa do caudal no horizonte do projecto é determinada com
base na análise da tendência de evolução da população e da capitação de produção de AR no
aglomerado em estudo ou em aglomerados semelhantes.

Na ausência de dados históricos obtidos por medição de caudal e da capitação de produção de


AR, o Decreto 30/2003 permite a estimativa de caudais baseando-se no conhecimento dos
consumos de água, que podem ser obtidos a partir dos registos dos serviços de exploração do
10

sistema de abastecimento de água, quando existem, ou através da capitação de água para o


abastecimento, sendo afectados de um coeficiente de afluência à rede.

O caudal médio de AR afluente a uma ETAR é estimado pela expressão 2.1.

é =  × á  ×  +  +  (2.1)

Em que:

Qméd – caudal médio de AR;

Pop – população;

Capágua – capitação de consumo de água;

Qinf – caudal de infiltração;

Qind – caudal médio de ARI descarregadas na rede de drenagem.

Coefafl – caudal médio de ARI descarregadas na rede de drenagem;

Como orientação geral (AdP, 2003 b), citado por DO MONTES, et al., 2016), indica-se na
Tabela 2.2 a percentagem do caudal médio diário recomendada para estimativa do caudal de
infiltração a considerar no dimensionamento dos sistemas de drenagem.

Tabela 2.2. Valores recomendados para o caudal de infiltração (Fonte: do Montes, et al., 2016)

2.2 Tratamento das Águas residuais Urbanas


O tratamento das águas residuais apresenta duas fases diferenciadas de tratamento: uma
corresponde ao tratamento da fase líquida, cujo objectivo é o tratamento da água residual de
forma a cumprir as condições exigidas na licença de descarga, para posterior rejeição no meio
receptor; a outra corresponde ao tratamento da fase sólida, em que é dado tratamento adequado
aos sólidos removidos da água residual na fase líquida. Este tratamento poderá ser efectuado
11

por processos de natureza física, química e biológica, estando dividido e organizado em


diversas operações que estabelecem os vários níveis de tratamento: preliminar, primário,
secundário e terciário (que correspondem a fase líquida) e tratamento da fase sólida
(METCALF & EDDY, 2003).

2.2.1 Fase líquida


A escolha de um sistema de tratamento é limitada por diversos factores, como as características
quantitativas e qualitativas das águas residuais, a localização do sistema e os valores-limite de
emissão dos efluentes da ETAR que se pretendem, em função da qualidade da água do meio
receptor onde será descarregada a água residual tratada.

 Tratamento Preliminar

O tratamento preliminar, designado também por pré-tratamento, é constituído por um conjunto


de operações, realizadas por equipamentos mecânicos ou por acções da natureza (acção da
força gravítica). Os principais objectivos são a remoção de sólidos grosseiros (usualmente por
gradagem, com ou sem trituração dos retidos) e a remoção de areias (efectuada em
desarenadores) de modo a garantir as condições de escoamento do projecto no interior da
ETAR e proteger os processos a se desenvolverem a jusante da obra de entrada E (DE SOUSA,
2016).

 Tratamento Primário

O tratamento primário tem como objectivos a remoção de uma percentagem significativa dos
sólidos sedimentáveis em suspensão e cumulativamente a redução da carga orgânica do
efluente à entrada do tratamento secundário. Os processos e operações utilizados no tratamento
primário são (METCALF & EDDY, 2003): pré-arejamento, coagulação, mistura e
floculação, decantação e flotação.

O efluente clarificado resultante deste processo, segue para o tratamento secundário, e os


sólidos removidos geram uma lama, denominada lama primária (TILLMAN, 1992).

 Tratamento secundário

Após a decantação primária, a carga do efluente em termos de CBO5 (carência bioquímica de


oxigénio) e em SST (sólidos suspensos totais) ainda é normalmente elevada, tendo o tratamento
secundário como o principal objectivo, a redução dessa carga poluente. Entre os vários
processos disponíveis para o tratamento secundário das águas residuais, os de natureza
12

biológica (filtros percoladores, as lamas activadas e as lagoas de oxidação ou de


estabilização) são os mais utilizados por ser uma alternativa de tratamento económica e muito
eficiente na degradação de matéria orgânica de efluentes biodegradáveis, (PINHEIRO, 2011).

 Tratamento terciário

O tratamento terciário, também denominado de tratamento avançado, tem como objectivo


melhorar a qualidade do efluente proveniente do tratamento secundário. Sendo assim, esta
etapa será obrigatória sempre que o efluente proveniente do tratamento secundário não
respeitar as disposições legais exigidas para a sua descarga no meio receptor. Esta etapa poderá
recorrer aos seguintes processos: remoção de nutrientes, a filtração e desinfeção (DE SOUSA,
2016).

2.2.2 Lagoas de Estabilização


As lagoas de estabilização, também designadas de diques de terra, são tanques de grandes
dimensões com pequena profundidade em que a água residual bruta permanece durante o tempo
suficiente para que ocorra a depuração. Ou seja, este tipo de tratamento tem como objectivo
transformar o efluente bruto (a matéria orgânica) num efluente com qualidade suficiente para
que seja descarregado no meio ambiente, através de processos bioquímicos e naturais (DE
SOUSA, 2016).

De um modo geral, os processos envolvem a presença de algas e bactérias, sendo que as algas
produzem oxigénio libertado através da fotossíntese, posteriormente utilizado pelas bactérias
aeróbicas (respiração). Desta forma as bactérias consomem a matéria orgânica presente no
efluente bruto (DO MONTES, et al., 2018).

2.2.3 Tipologias de lagoas de estabilização


O tratamento de AR em lagoas de estabilização aparenta ser um processo biológico de biomassa
suspensa simples, porém a ecologia da sua biomassa é mais complexa do que de outros
processos de tratamento biológico convencionais (Por exemplo: lamas activadas) (DO
MONTES, et al., 2018). Daí a dificuldade de encontrar um único critério de classificação para
definir a tipologia das lagoas de estabilização. A consideração dos diferentes critérios permite
cobrir todos os tipos de lagoas, conforme seguidamente listado:

O critério mais usual classifica as lagoas de estabilização segundo a natureza predominante das
reações de degradação da MO em (DO MONTES, et al., 2018):
13

• Lagoas anaeróbias – a elevada carga orgânica é estabilizada por processos anaeróbios


e as lamas formadas pela sedimentação dos SS são estabilizadas anaerobiamente.
• Lagoas aeróbias – contêm oxigénio dissolvido (OD) ao longo de toda a profundidade
do líquido (produzido, em grande parte, pelas microalgas) e onde os poluentes
orgânicos são estabilizados aerobiamente.
• Lagoas facultativas – onde se distingue uma zona superior aeróbia, uma zona
anaeróbia no fundo e a zona intermédia, povoada por bactérias facultativas, em que a
concentração de oxigénio dissolvido determina a fronteira entre as condições aeróbias
e as anaeróbias. De entre as lagoas facultativas é possível distinguir dois tipos:
- Lagoas facultativas primárias – recebem AR brutas, submetidas apenas a gradagem;
- Lagoas facultativas secundárias – o afluente já passou por uma decantação dos SS,
geralmente numa lagoa anaeróbia precedente.

Alguns autores consideram que, em rigor, não existem lagoas aeróbias, pois sempre existe a
camada de sedimentos no fundo em anaerobiose.

• Lagoas de maturação – são um tipo de lagoa facultativa que objetiva a remoção de


nutrientes e organismos patogênicos, apesar de conseguir remover ainda uma pequena
parcela de MO; De modo geral, eles são removidos a partir de condições específicas de
pH, temperatura e irradiação solar; São dimensionadas para ter grande área de
exposição solar.

Estes diferentes tipos de lagoas são normalmente combinados em série. Deste modo, nas
aplicações práticas destes sistemas cada série de lagoas começa normalmente com uma lagoa
anaeróbia, seguida de uma lagoa facultativa e, dependendo da qualidade do efluente solicitada,
seguida de uma ou mais lagoas de maturação ou alternativas como leitos de macrófitas ou
filtros rochosos (BAZ, et al., 2008).

Outro critério, muito seguido em França (Alexandre et al. (1998) citado por DO MONTES, et
al., 2018), classifica as lagoas consoante a dimensão da flora em: Lagoas de macrófitas (Leitos
de Macrófitas) e Lagoas compostas.
14

[Link] Lagoas anaeróbias


As lagoas anaeróbias são por norma a primeira etapa de tratamento num sistema de tratamento
de águas residuais por lagunagem, sendo utilizadas como bacia de sedimentação para efluentes
brutos (ou depois de passarem por etapa de pré-tratamento) (Cheng, D., 2016).

A profundidade deste tipo de lagoas varia normalmente entre os 2 e os 5 m, recebendo elevadas


cargas orgânicas com tempos de retenção reduzidos, fazendo com que não haja praticamente
qualquer oxigénio dissolvido no sistema e por consequência pouca ou nenhuma quantidade de
algas (DO MONTES, et al., 2018). A remoção de CBO5 nestas lagoas é alcançado através da
sedimentação dos sólidos suspensos e da sua consequente digestão anaeróbia na camada de
lamas que se origina no fundo da bacia. No fundo, são sistemas que funcionam como tanques
sépticos (MARA, D., 2003).

Na Figura 4 é possível observar a representação de uma lagoa anaeróbia e os processos que


nela ocorrem:

Figura 2.2. Processos que ocorrem numa lagoa anaeróbia. Adaptado de Water Treatment in Sewage
Treatment (Fonte: DE SOUSA, 2018)

[Link] Lagoas facultativas


As lagoas facultativas são o tipo mais comum de lagoa no tratamento de esgoto municipal,
podendo ser designadas de lagoas de oxidação ou lagoas fotossintéticas. A sua profundidade
deve permitir a penetração da luz solar, para melhorar o arejamento da lagoa por fotossíntese
(DO MONTES, et al., 2018). Usualmente a profundidade varia entre 1 e 2,5 m (em
determinados casos podem atingir profundidades superiores) e o seu tempo de retenção pode
variar entre 15 e 45 dias em climas quentes ou entre 90 e 180 em climas frios (SPELLMAN,
2014).
15

Resultado da sua profundidade e carga orgânica aplicada, desenvolvem-se três zonas tróficas
dinâmicas nestas lagoas, consoante a concentração de oxigénio dissolvido durante o período
diário (Figura 2.3). Na zona mais próxima da superfície da lagoa dominam as condições
aeróbias, sendo promovidos processos de tratamento que controlam a libertação de odores e a
remoção de nutrientes e CBO5. Na zona mais próxima da base da lagoa predominam as
condições anaeróbias, com processos fermentativos como a digestão de lamas, desnitrificação
e alguma remoção de matéria orgânica (CBO5). Na camada compreendida entre ambas se
localiza uma zona facultativa (CHENG, D., 2016).

Figura 2.3. Esquema dos mecanismos depurativos numa lagoa facultativa (Fonte: DO MONTES, dOS
SANTOS, & BARREIROS, 2018)

[Link] Lagoas de Maturação


Nas lagoas de maturação continuam a ocorrer os mesmos mecanismos depurativos das lagoas
facultativas, porém, o facto de o afluente ser já bastante pré-tratado, faz com que a actividade
fotossintética seja bastante intensa, com acentuada subida do pH do líquido, o que conjugado
com o poder germicida da radiação UV do espetro solar expõe os patógenos a condições
adversas e diferentes do seu habitat intestinal, potenciando o decaimento de microrganismos
patogénicos (DO MONTES, et al., 2018).

Quanto menos profundas, mais eficientes estas lagoas são na remoção de bactérias fecais e
vírus, uma vez que a penetração da luz solar é maior. São, portanto, sistemas apropriados em
climas quentes com uma elevada exposição solar (DE SOUSA, 2018).

Embora a remoção de CBO5, sólidos suspensos e nutrientes como o fósforo e o azoto seja
relativamente lenta, num sistema de lagoas de estabilização de águas residuais devidamente
dimensionado (lagoa anaeróbia, seguida de lagoa facultativa, seguida de uma ou mais lagoas
de maturação), as percentagens cumulativas de remoção dos componentes mencionados são
usualmente elevadas (DE SOUSA, 2018).
16

2.3 Dimensionamento de sistemas de lagoas de estabilização


2.3.1 Eficiência do tratamento de AR em sistemas de lagunagem
Sendo um processo de tratamento natural, dependente da temperatura e da insolação locais, a
eficiência do tratamento de AR em lagoas de estabilização é variável consoante o local e a
época do ano. Não obstante, um sistema de lagunagem bem dimensionado atinge facilmente
elevados valores de remoção de poluentes (MARA & PEARSON, 1998):

• eficiência de remoção de CBO5 superior a 90 %;


• a remoção de SS é aparentemente mais baixa, visto o efluente conter elevada
concentração de microalgas;
• a remoção de nutrientes pode atingir 70 – 90 % para o azoto total e 30 – 45 % para o
fósforo total;
• a redução de 108 CF/100 mL para 103 CF/100 mL é de fácil obtenção.

2.3.2 Dimensionamento de lagoas anaeróbicas


A temperatura é o principal factor a considerar no dimensionamento de lagoas anaeróbias, pois
abaixo de 10 °C as bactérias acidogénicas inibem a sua actividade, o mesmo sucedendo abaixo
de 15 °C para as bactérias metanogénicas (DO MONTES, et al., 2018).

O dimensionamento deve ser conservativo, ou seja, deve ser válido para as condições mais
desfavoráveis, o que em termos de temperatura, corresponde á temperatura média do mês mais
frio (DO MONTES, et al., 2018).

O tempo de retenção varia um pouco mediante os autores considerados, embora, habitualmente,


se verifiquem valores entre 3 a 6 dias, o que conjugado com o facto de as lagoas anaeróbias
serem bastante profundas, faz com que uma boa parte da carga poluente seja removida neste
tipo de lagoas, a primeira do sistema, possibilitando assim uma minimização da área necessária
para a implantação do sistema de lagunagem (DE SOUSA, 2018).

O cálculo do tempo de retenção hidráulico é determinado, através da Expressão 2.2.


 = (2.2)


Em que:

tRH – tempo de retenção hidráulico em dias;

V – volume da lagoa em m3;


17

Q – caudal de saída da lagoa m3/s;

Uma lagoa anaeróbica é, não só um reactor biológico, mas também um decantador e um


digestor de lamas. Sendo um tanque profundo, o seu dimensionamento baseia-se na
determinação da carga orgânica por unidade de volume, enquanto que nas lagoas facultativas,
muito menos profundas, o dimensionamento assenta na carga orgânica aplicada por unidade de
superfície. A tabela asseguir apresenta expressões para calcular o valor da carga orgânica
volúmica que pode ser depurada numa lagoa anaeróbia em função da temperatura (DO
MONTES, et al., 2018).

Tabela 2.3. Carga orgânica em lagoas anaeróbias (Adaptado de Mara & Pearson, 1987) (Fonte: do
Montes, et al., 2018)

Temperatura de Eficiência de Carga orgânica


dimensionamento remoção de volúmica (g
(ºC) CBO5 (%) CBO5/(m3 d))

T ≤ 10 40 100

10 ≤ T < 20 2T + 20 20T - 100


T > 20 60 300

É definido, habitualmente, um limite inferior para este parâmetro na ordem dos 0.10 kg/m3d,
de modo a serem asseguradas condições anaeróbias na unidade, e um limite superior na ordem
dos 0.35 kg/m3d, de forma a serem evitados problemas relacionados á odores (DE SOUSA,
2018).

O volume da lagoa é calculado de acordo com a expressão 2.6, a partir da qual, e escolhido um
valor para a profundidade do líquido, se calcula a área útil.

 !
V = " (2.3)
#$%.'#(.

Em que:

Van – volume útil da lagoa anaeróbica (m3);

S0 – concentração das AR afluentes em CBO5 (g/m3);

Q – caudal afluente em (m3/d);


18

Corg vol – carga orgânica volúmica (g CBO5/ (m3 d));

2.3.3 Dimensionamento de lagoas facultativas


Os principais parâmetros para o projecto de lagoas facultativas são: carga orgânica
superficial, profundidade da lagoa, tempo de retenção, geometria da lagoa (relação
comprimento/largura) (VON SPERLING, 2007).

O tempo de retenção não é um parâmetro directo de projecto, mas um parâmetro de verificação


(resultante da determinação do volume da lagoa). O critério do tempo de retenção está
associado ao tempo necessário para que os microrganismos estabilizem a matéria orgânica no
reactor (lagoa). Assim, o tempo de retenção está relacionado com a actividade da bactéria
(VON SPERLING, 2007).

A carga orgânica superficial é o principal critério de projecto para lagoas facultativas. É


baseado na necessidade exposição à luz do sol na lagoa, para que ocorra a fotossíntese. O
objectivo de garantir a fotossíntese e o crescimento de algas é o de assegurar a produção de
oxigénio suficiente para suprir a demanda. Assim, o critério da carga orgânica superficial está
associado à necessidade do oxigénio para a estabilização da matéria orgânica. Portanto, a carga
orgânica superficial está relacionada com a actividade das algas e o equilíbrio entre a produção
de oxigénio e consumo (VON SPERLING, 2007).

Diversas expressões empíricas têm sido apresentadas para correlacionar a carga orgânica
superficial ([Link]) que pode ser tratada numa lagoa facultativa em função da temperatura T.
Na Tabela 2.4 apresentam-se algumas das expressões mais recomendadas, destacando-se a
última expressão, por ser mais abrangente quanto à temperatura a considerar (ANGELAKIS et
al., 2001).

Tabela 2.4. Carga orgânica superficial em lagoas facultativas (Adaptado de Mara & Pearson, 1987 e
de Mara, 1987) (Fonte: DO MONTES, et al., 2018)

Temperatura de
Carga orgânica superficial (kg
dimensionamento
CBO5/(ha d))
(ºC)
T < 10 Corg sup = 100
10 ≤ T < 20 Corg sup = 10T
T ≥ 20 Corg sup = 50 (1.072)T
T > 10 Corg sup = 350 (1.107 - 0.002T)T-25
19

Uma vez determinada a carga orgânica superficial, a área da lagoa pode ser calculada pela
expressão 2.11 (DO MONTES, et al., 2018).

 !
A* = " (2.4)
#$%.+,-.

Em que:

Af – área (útil) da lagoa facultativa (m2);

S0 – concentração das AR afluentes em (g CBO5/m3);

Q – Caudal afluente em (m3/d);

Corg vol – carga orgânica volúmica (g CBO5/(m3 d));

[Link] Estimativa da concentração de CBO do efluente


 Influência do regime hidráulico

A remoção de CBO é uma reacção de primeira ordem (em que a taxa de reacção é directamente
proporcional à concentração do substrato). Nessas condições, o regime hidráulico do reator
(lagoa) influencia na eficiência do sistema (DO MONTES, et al., 2018).

Embora a cinética de remoção de CBO seja a mesma nos diferentes regimes hidráulicos, a
concentração de CBO no efluente varia. De acordo com a cinética de primeira ordem, a taxa
de remoção de CBO é maior quanto maior for a concentração de CBO no meio. Este aspecto
tem grande implicação no desempenho do reator, conforme visto a seguir (VON SPERLING,
2007):

• reator contínuo de escoamento em êmbolo, em pistão ou tubular (plug flow, na


terminologia de língua inglesa) – reatores em que há alta concentração de CBO (por
exemplo, próximo à entrada), a taxa de remoção é maior neste ponto. A variação de
concentração de um constituinte é constante em qualquer ponto de uma secção
transversal ao escoamento, mas varia ao longo do reator, à medida que as AR se
deslocam. Este tipo de fluxo é reproduzido em tanques longos com uma grande relação
comprimento-largura, em que a dispersão longitudinal é mínima. São reatores
idealizados, uma vez que a ausência completa de dispersão longitudinal é difícil de
obter na prática.
• reator contínuo de mistura completa (CSTR – continuous stirred tank reactor, na
terminologia de língua inglesa) – caraterizado por uma mistura perfeita, de modo que
20

a concentração de qualquer constituinte do líquido é idêntica em qualquer ponto dentro


do reator e igual à do efluente à saída do reator. As baixas concentrações prevalecentes
no reator levam a uma menor eficiência de remoção de CBO. E são predominantemente
quadrados. Os reatores de mistura completa são reatores idealizados, uma vez que a
dispersão total e idêntica é difícil de obter na prática.
• Reator de fluxo disperso - o fluxo disperso ou arbitrário é obtido em qualquer reator
com um grau intermediário de mistura entre os dois extremos idealizados de fluxo
contínuo e mistura completa. Na realidade, a maioria dos reatores apresenta condições
de fluxo disperso. No entanto, devido à maior dificuldade na sua modelação, o padrão
de escoamento é frequentemente representado por um dos dois modelos hidráulicos
idealizados.

Tabela 2.5. Fórmulas para o cálculo da concentração de CBO solúvel no efluente (S). (Fonte: VON
SPERLING, 2007)

Tabela 2.5 apresenta as fórmulas para determinação da concentração de CBO solúvel no


efluente para os diversos regimes hidráulicos.

 CBO do efluente solúvel e particulado

O CBO efluente em LF, é considerado total CBO (solúvel + particulado), pois os sólidos
orgânicos em suspensão, responsáveis pela CBO particulada, são convertidos em matéria
orgânica solúvel, por meio da acção de enzimas liberadas no meio pelas próprias bactérias.
Portanto, as bactérias assimilam a CBO solúvel original do efluente (rápida assimilação) e a
21

CBO particulada (após a conversão em CBO solúvel). Assim, a princípio, a CBO total estaria
disponível para a bactéria.

A CBO total do efluente também está associada a dois componentes:

• CBO solúvel: a maior parte da CBO restante do efluente afluente após o tratamento;
• CBO particulado: CBO causada pelos sólidos suspensos no efluente;

Segundo Mara (1995) citado por VON SPERLING (2007), os sólidos suspensos das lagoas
facultativas são cerca de 60 a 90% de algas. Cada 1 mg de algas gera uma CBO5 cerca de 0,45
mg. Consequentemente, 1mg/L de sólidos suspensos no efluente é capaz de gerar uma CBO5
(no teste de CBO, e não necessariamente no corpo receptor) na faixa de 0,3 a 0,4 mg/L.

Segundo VON SPERLING (2007), não existe um modelo matemático que forneça uma
previsão confiável da concentração de sólidos suspensos no efluente de uma lagoa facultativa,
devido a sua grande variabilidade temporal em função das condições ambientais. Para fins de
projecto, a estimativa da CBO particulada pode ser baseada no SS do efluente na seguinte faixa:

Efluente SS = 60 a 100 mg/L

2.3.4 Dimensionamento de Lagoas de Maturação


Segundo VON SPERLING (2007), a exigência de altas eficiências traz a necessidade de
seleccionar um regime hidráulico que permita tais altas eficiências. Assim, as lagoas de
maturação devem ser projectadas de acordo com uma das duas configurações a seguir:

• lagoa(s) com defletores (s) (com o objectivo de se aproximar das condições de fluxo
tampão);
• lagoas em série (preferencialmente três ou mais);

A respeito da profundidade, lagoas de maturação são geralmente projectados com


profundidades rasas, a fim de maximizar a fotossíntese e o efeito bactericida da radiação UV.
Os valores comumente adotados são de 0.8 – 1 m segundo VON SPERLING (2007). Segundo
o mesmo autor, o tempo de retenção está compreendido entre 3 – 5 dias em cada lagoa para
lagoas em série, e 10 – 20 dias para lagoas únicas com deflectores.

O dimensionamento consiste na determinação do número de lagoas de maturação necessário


para se obter a qualidade microbiológica pretendida (avaliada pelo parâmetro indicador CF
/100 mL) e das suas dimensões (DO MONTES, et al., 2018). As fórmulas para o cálculo da
concentração dos coliformes fecais (N) de lagoas para os diferentes regimes hidráulicos são as
22

mesmas apresentadas na Tabela 2.5, substituindo o S (concentração de CBO solúvel no


efluente) por N e o k é o coeficiente de remoção dos CF.

Segundo VON SPERLING (2007), o coeficiente de decaimento dos coliformes fecais Kb,
depende da profundidade da lagoa, onde lagoas mais rasas têm Kb altos, devido a maior
actividade fotossintética ao longo da profundidade da lagoa.

K ? = 0.542 × H [Link] (2.5)

É importante referir que os valores de Kb obtidos pela equação 2.5 são para uma temperatura
de 20ºC. Para outras temperaturas, Kb pode ser corrigido através da equação de Arrhenius:

K ?I = K ?FJ × θ(IDFJ) (2.6)

Onde:

θ – coeficiente de temperatura (1.05);

T – é a temperatura média do mês mais frio;

Segundo VON SPERLING (1999) o número de dispersão é dado pela equação 2.7.

E
d = O⁄P (2.7)

Para uma lagoa com divisões internas paralelas ao comprimento pode ser aproximada por:

R R
= S (T + 1)F (2.8)
S

Onde:

L – é o comprimento da lagoa (m);

B – é a largura da lagoa (m);

2.3.5 Leitos de macrófitas (constructed wetlands na terminologia inglesa)


As zonas húmidas de tratamento são tecnologias de tratamento natural que tratam com
eficiência muitos tipos diferentes de AR. As zonas húmidas de tratamento são sistemas
projectados para optimizar os processos encontrados em ambientes naturais e, portanto, são
considerados opções ecologicamente corretas e sustentáveis para o tratamento de águas
residuais. As zonas húmidas de tratamento podem tratar eficazmente esgotos tratados brutos,
primários, secundários ou terciários e muitos tipos de águas residuais agrícolas e industriais
(DOTRO, et al., 2017).
23

Os leitos de macrófitas são constituídos por uma bacia em terra, em alvenaria ou em betão,
geralmente preenchida por um meio de enchimento natural ou artificial, colonizado com
plantas macrófitas. O processo de tratamento de AR em leitos de macrófitas tem como
objectivo a remoção de poluentes, por acção de transformações físicas, químicas e biológicas,
das quais se destacam a filtração e sedimentação de SS e a sorção e degradação bioquímica de
poluentes dissolvidos e em suspensão nas AR, transformações em que as plantas macrófitas
desempenham um papel essencial, razão pela qual este processo de tratamento também pode
ser conhecido como fitorremediação (DO MONTES, et al., 2018).

2.3.6 Tipologia dos leitos de macrófitas


O critério de classificação mais usual dos leitos de macrófitas baseia-se no modo como o
escoamento da AR se efectua: através do meio de enchimento (subsuperficial) ou sobre a
superfície do enchimento (superficial) (DO MONTES, et al., 2018). Segundo este critério,
existem dois grandes tipos de leitos de macrófitas:

• Leito de Macrófitas de Fluxo Superficial (LMS) – escoamento que origina uma


camada de água com superfície livre exposta ao ar, sobre o enchimento (caso este
exista), de profundidade variável ou constante, consoante existe ou não um dispositivo
de controlo do nível à saída;
• Leito de Macrófitas de Fluxo Subsuperficial (LMSS) – escoamento subsuperficial,
através do material poroso.

Os leitos macrófitas de fluxo subsuperficial são subdivididas em leitos macrófitas de fluxo


subsuperficial horizontal (LMSSH) e leitos macrófitas de fluxo subsuperficial vertical
(LMSSV) (Figura 2.4), dependendo da direcção do fluxo de água (DO MONTES, et al., 2018).
A fim de evitar o entupimento do material poroso do filtro, os leitos macrófitas de fluxo
subsuperficial horizontal e vertical são geralmente utilizadas para tratamento secundário de
águas residuais.

Figura 2.4. . A esquerda: fluxo horizontal; A direito: fluxo vertical. (Fonte: DOTRO, et al., 2017)
24

Os LMSSV para tratamento de águas residuais brutas filtradas também foram introduzidos e
aplicados com sucesso. Estes chamados leitos macrófitas de fluxo subsuperficial vertical
Francês, que fornecem tratamento integrado de lamas e águas residuais num único sistema e,
assim, poupam nos custos de construção, por não ser necessário o tratamento primário de AR
(DOTRO, et al., 2017).

[Link] Sistema Francês


O sistema Francês é composto por dois estágios, e cada estágio contém células operadas
alternadamente. Na primeira etapa ocorre o tratamento das lamas, remoção parcial da matéria
orgânica e nitrificação. Na segunda etapa ocorre a remoção final da matéria orgânica e a
nitrificação (ALBOLD, et al., 2011).

Figura 2.5. Esquema de uma série de leitos de macrófitas construídas com fluxo vertical (sistema
francês) (Fonte: ALBOLD, et al., 2011)

As células são dosadas de forma alternada, de modo que uma célula é alimentada enquanto os
demais ficam em repouso. Estas alternâncias são fundamentais para o bom funcionamento do
sistema Francês. A alimentação alternada ajuda a controlar o crescimento da biomassa aderida
na superfície do meio filtrante, ajuda a manter as condições aeróbicas dentro do próprio leito
filtrante e auxilia na mineralização da matéria orgânica que se acumula na superfície das células
de primeiro estágio. As células do primeiro estágio geralmente são alimentadas por 3,5 dias e
descansados por 7 dias. As células de segundo estágio geralmente são alimentados por 3,5 dias
e descansados por 3,5 dias (DOTRO, et al., 2017).

[Link] Critério de dimensionamento


O dimensionamento é baseado em cargas poluentes e hidráulicas máximas, que são expressas
por m² de filtro em operação por dia (Tabela 2.6). Para situações típicas na França (num clima
temperado com esgotos municipais e pluviais separados), este dimensionamento leva a uma
necessidade de área de 0,4 m²/PE para cada célula de filtro, ou seja, 1,2 m²/PE para o primeiro
estágio (com três células) e 0,8 m²/PE para o segundo estágio (com duas células)
(MERCOIRET, 2010, citado por DOTRO, et al., 2017).
25

Tabela 2.6. Cargas máximas de projecto para o sistema francês sob condições de tempo seco. Os
valores indicados são por metro quadrado de leito em operação (Fonte: DOTRO, et al., 2017).

Carga
Estágio de CQO CBO5 SST TKN
hidráulica
tratamento (g/m2d) (g/m2d) (g/m2d) (g/m2d)
(m3/m2d)
Primeiro estágio 350 150 150 30
a
0.37
Remoção 0.80xMi 0.90xMi 0.90xMi 1.1128xMi0.8126
Segundo estágio 70 20 30 15
b
0.37
Remoção 0.75xMi 0.80xMi 0.80xMi 1.194xMi0.8622
a
Todas correlações de Molle et al (2005), excepto TKN de Molle et al (2008), Mi significa carga
mássica em g/m2d
b
Todas correlações de Molle et all (2005)

2.4 Enquadramento Legislativo


No presente capítulo serão apresentados os regulamentos aplicáveis nacionais ou internacionais
relacionados ao saneamento.

Asseguir apresentam-se os principais instrumentos legais de regulamentação em vigor de


abastecimento, saneamento e drenagem (das águas residuais e pluviais).

• Regulamento sobre Padrões de Qualidade Ambiental e de Emissão de Poluentes


(Decreto-Lei nº 18/2004, de 2 de Junho, Anexo IV), que tem como objectivo, o
estabelecimento dos padrões de qualidade ambiental e de emissão de efluentes, visando
o controlo e manutenção dos níveis admissíveis de concentração de poluentes nos
componentes ambientais. Este regulamento é aplicável a todas as actividades públicas
ou privadas que directa ou indirectamente possam influir nos componentes ambientais.
• Regulamento dos Sistemas Públicos de Distribuição de Água e de Drenagem de
Águas Residuais (Decreto-Lei n.º 30/2003 de 1 de Julho de 2003, Anexo 17) estabelece
as condições técnicas a que devem obedecer os sistemas de distribuição pública de água
em Moçambique de forma a ser assegurado o seu bom funcionamento global,
preservando-se a saúde pública e a segurança dos utilizadores e das instalações. Aplica-
se aos sistemas de distribuição pública de água potável que disponham, no mínimo, de
captação, de armazenagem e de rede de distribuição.

Os padrões gerais de descarga de Águas Residuais Domésticas no meio receptor apresentam-


se no Anexo IV do Decreto-Lei 18/2004, como indica a Figura 2.6.
26

Figura 2.6. Padrões gerais de descargas de águas residuais domésticas no meio receptor (Fonte:
Decreto 18/2004 – Regulamento sobre Padrões de Qualidade Ambiental e de Emissão de Efluentes)

Nota: A tabela aplica-se a todos os meios receptores, independentemente das suas


características e usos e onde não consta o parâmetro Carência Bioquímica de Oxigénio (CBO)
ou Demanda Bioquímica de Oxigénio (BOD).

Os principais poluentes comuns a remover nas ETAR são CBO5, CQO, SST, N, P, Coliformes
totais (CT) e Coliformes fecais (CF), de acordo com o meio receptor e a legislação em vigor.
Observando a Figura 2.6, pode-se verificar que não são apresentados padrões de descarga de
águas residuais domésticos no meio receptor, dos seguintes parâmetros: CT e CF, o que é
crítico no ponto de vista da qualidade ambiental, dado que estes contribuem massivamente para
a poluição microbiológica, definindo-se que a água tratada pode ser utilizada para a rega ou
outros fins, dependendo do meio receptor.

Para os parâmetros que não são definidos pelo Decreto-Lei 18/2003, pode-se recorrer a outras
legislações internacionais como o Decreto-Lei nº 236/98. Lei Portuguesa que define para os
CF um Valor Máximo Admissível (VMA) de 100 NMP/100 ml para a água tratada destinada
para a rega, valores de concentração de CBO5, 20ºC, admissível na descarga de águas residuais
nos meios receptores (rios, lagos, mar, etc) menores ou iguais a 40 mg/l O2. Ou as directrizes
OMS para os CF com um VMA de 1000 CF/100 ml.
27

3 METODOLOGIA DE PESQUISA
Neste capítulo são abordados os procedimentos das escolhas metodológicas e técnicas de
pesquisa de forma a conduzir o trabalho de maneira a obter os dados necessários em campo de
estudo.

Segundo UFRGS (2009) A pesquisa científica é o resultado de um inquérito ou exame


minucioso, realizado com o objectivo de resolver um problema, recorrendo a procedimentos
científicos.

Para às escolhas metodológicas serão utilizadas as seguintes categorias: classificação quanto a


abordagem do problema, classificação quanto à natureza da pesquisa, quanto aos objectivos da
pesquisa e classificação quanto aos procedimentos.

3.1 Classificação da pesquisa quanto a abordagem do problema


A pesquisa quanto a abordagem é uma pesquisa quantitativa, pois segundo FREIXO (2011)
citado por DOS SANTOS, et al. (2019) a estratégia de investigação quantitativa constitui-se
como um processo sistemático de recolha de dados observáveis e quantificáveis, baseado na
observação de factos, acontecimentos e fenómenos objectivos, que existem independentemente
do investigador.

3.2 Classificação quanto à natureza da pesquisa


Segundo PRODANOV, et al. (2013) quanto à natureza da pesquisa trata-se de uma pesquisa
aplicada, em que consiste em gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução
de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais.

3.3 Classificação quanto aos objectivos da pesquisa


Quanto aos objectivos a pesquisa classifica-se como pesquisa exploratória, cujo objectivo é
proporcionar mais informações sobre o assunto a se investigar, possibilitando sua definição e
seu delineamento, isto é, facilitar a delimitação do tema da pesquisa; orientar a fixação dos
objectivos e a formulação das hipóteses ou descobrir um novo tipo de enfoque para o assunto
(PRODANOV, et al., 2013). Assume, em geral, as formas de pesquisas bibliográficas e estudos
de caso (PRODANOV, et al., 2013).
28

3.4 Classificação quanto aos procedimentos


Quanto aos procedimentos a pesquisa classifica-se em bibliográfica, pois é feita a partir do
levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e
electrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites. Qualquer trabalho científico
inicia-se com uma pesquisa bibliográfica, que permite ao pesquisador conhecer o que já se
estudou sobre o assunto (PRODANOV, et al., 2013).

3.5 Técnica de Recolha de Dados


Quanto ás técnicas de recolha de dados a pesquisa foi usada é classificada como documental
escrito e Não documental. Documental escrito devido a consulta em arquivos públicos e
privados disponibilizados pelo Conselho Municipal da Cidade de Maputo, e não documental
pois foi feita uma observação participante que é caracterizada pela presença continuada do
observador no “terreno” ou junto da comunidade ou grupo a observar (DOS SANTOS, et al.,
2019).
29

4 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO


4.1 Enquadramento Geográfico
4.1.1 Cidades de Maputo e Matola

A cidade de Maputo está localizada no sul de Moçambique, a oeste da Baía de Maputo,


no Estuário do Espírito Santo, onde desaguam os rios Tembe, o Umbeluzi, o Matola e
o Infulene. Está situada a uma altitude média de 47 metros. Os limites do município se
encontram entre as latitudes 25º 49' 09" S (extremo norte) e 26º 05' 23" S (extremo sul) e
as longitudes 33° 00' 00" E (extremo leste - considerada a ilha de Inhaca) e 32° 26' 15" E
(extremo oeste) (CUMBANE, 2015).

Matola é uma cidade e município moçambicano, capital da província de Maputo; e é também


um distrito, uma unidade administrativa local do Estado central moçambicano criada em 2013
e que coincide geograficamente com o município. Tem limite a noroeste e a norte com o distrito
de Moamba, a oeste e sudoeste com o distrito de Boane, a sul e a leste com a cidade de Maputo
e a noroeste com o distrito de Marracuene. O município tem uma área de 373 km².

Figura 4.1. Localização geográfica das Cidades de Maputo e Matola (Fonte: QGIS)

4.1.2 Clima
Segundo a página do Governo da Cidade de Maputo, o clima de Maputo é o tropical seco. O
período mais quente do ano compreende os meses de novembro a abril e o mais frio os meses
de maio a outubro. O período de maior precipitação ocorre nos meses mais quentes, entre
novembro e março.
30

Tabela 4.1. Dados meteorológicos da cidade de Maputo (Cli23)

4.1.3 Divisão administrativa


A Cidade de Maputo está dividida em sete (07) Distritos Municipais (DM), nomeadamente:
Distritos Municipais KaMpfumo, Kahlamankulo, KaMaxakeni, KaMavota, KaMabukwane,
Ka Tembe e KaNyaka.

Figura 4.2. Distritos Municipais da Cidade de Maputo (Fonte: PDSDAMM)

O município da Matola está dividido em três postos administrativos, compostos pelos seguintes
bairros: Infulene (Zona Verde, Ndlavela, Infulene D, T-3, Acordos de Lusaka, Vale do
Infulene, Khongolote, Intaca, Muhalaze, 1º de Maio, Boquisso A, Boquisso B, Mali, Mukatine,
e Ngolhoza), Machava (Infulene, Unidade A, Trevo, Patrice Lumumba, Machava Sede, São
31

Damaso, Bunhiça, Tsalala, km-15, Mathlemele, Cobe, Matola Gare, e Singathela) e Matola
Sede (Matola A, Matola B, Matola C, Matola D, Matola F, Matola G, Matola H, Matola J,
Fomento, Liberdade, Mussumbuluco, Mahlampswene, e Sikwama).

4.1.4 Demografia
Segundo INE (2019) os dados estatísticos, de acordo com as projecções do Censo 2017,
mostram que em 2019 a população de Maputo Cidade é de 1 122 607 habitantes, com uma taxa
de crescimento de 0.2%, onde 544 766 são Homens e 577 841 mulheres. Destes 347 273 são
crianças de 0 a 14 anos, correspondente a 31% e 45 178 são idosos com idade superior a 65
anos, correspondente a 4%. Significando que a maioria da população da Cidade de Maputo,
65% do total, tem idade activa. A tabela abaixo indica a distribuição da população nos Distritos
Municipais da cidade de Maputo.

Tabela 4.2. População total projectada segundo distritos, 2017-2019 (Fonte: INE, 2019)

De acordo com os resultados finais do Censo de 2017, a cidade da Matola tem 1 032 197
habitantes, fazendo dela a segunda maior cidade de Moçambique, ficando atrás somente da
cidade de Maputo, a capital e maior cidade do país, e uma área de 373km², e, portanto,
uma densidade populacional de 2 767 habitantes por km². Quando ao género, 53,4% da
população era do sexo feminino e 46,6% do sexo masculino.

O valor de 2017 representa um aumento de 360 641 habitantes ou 53,7% em relação aos
671 556 residentes registados no censo de 2007.

4.1.5 Drenagem e tratamento de Águas Residuais


A rede de drenagem é constituída por valas a céu aberto e por colectores enterrados. A gestão
do sistema de drenagem no centro da cidade de Maputo é da responsabilidade do Conselho
Municipal de Maputo através do Sector de Água e Saneamento da Direcção Municipal de Infra-
estruturas Urbanas. Segundo PTUM, 2021 o sistema de drenagem da cidade de Maputo é
envelhecido, apresenta assoreamentos e entupimentos frequentes por não garantirem a
32

velocidade de autolimpeza, apresenta um mau funcionamento devido a elevada quantidade de


residuos sólidos que nele são depositados.

Segundo o PDSDMM 2016 o sistema drenagem da área metropolitana de Maputo está dividido
em 12 partes como indica a Figura 4.3:

Figura 4.3. Subdivisão em sistemas da área metropolitana de Maputo (Fonte: PDSDAMM)

Os sistemas 1 a 4 correspondem ás bacias da zona mais consolidada de Maputo, os sistemas 5


e 6 são bacias de Maputo e Marracuene que drenam respectivamente para o Infulene e para a
Costa, o sistema 7 correspondem ás bacias de Katembe, os sistemas 8 e 10 correspondem ás
bacias da Matola e os sistemas 11 e 12 correspondem á bacia de Boane.

Do ponto de vista de Tratamento de Águas Residuais, actualmente existe uma ETAR que é do
Infulene que actualmente trata águas residuais dos bairros de Sommerchield, Coop e
Malhagalene através de um emissário doméstico com escoamento gravítico ao longo da Av.
Joaquim Chissano.
33

4.2 ETAR de Infulene


A ETAR do Infulene foi projectada em 1984 pela DHV Consulting Engineers, tendo entrado
em funcionamento em 1987. A ETAR está localizada no Vale de Infulene na cidade de Maputo,
Sul de Moçambique, entre as latitudes 25º55’18’ Sul e entre as longitudes 32º32’32’’ Este (de
CASTRO MIGUEL, 2011). O acesso está situado aproximadamente a 15 metros da estrada
para Machava (Av. Eduardo Mondlane) e a 25 metros do rio Mulauze que recebe os efluentes
da ETAR de Maputo e desagua na Baia de Maputo, Figura 4.4.

Figura 4.4. Estação de Tratamento de águas residuais de Infulene (Fonte: Google Earth)

Inicialmente, a ETAR do Infulene ocupava uma área de cerca de 12 ha. Após a reabilitação e
expansão, a área ocupada passou a ser de cerca 29 ha. No fim dos trabalhos de reabilitação e
expansão, a ETAR de Infulene será constituída por duas fases de tratamento, a fase líquida e
a fase sólida.

Na Figura 4.5 apresenta-se o diagrama de funcionamento da ETAR do Infulene, após a


duplicação do sistema de lagunagem.
34

Figura 4.5. Diagrama de blocos da ETAR do Infulene (Duplicação da ETAR) (Fonte: PDSDAMM,
2016).

4.3 Fase líquida


A fase líquida está dividia em três linhas de tratamento o tratamento preliminar (que ocorre na
OE), o tratamento secundário (lagoas anaeróbias e facultativas) e o tratamento terciário (Lagoas
de maturação e leitos de macrófitas), seguindo o seguinte esquema:

Figura 4.6. Representação esquemática da rede de funcionamento da ETAR do Infulene (Fonte:


Autor)
35

4.3.1 Tratamento preliminar


O tratamento preliminar engloba uma obra de entrada (Anexo 01), composta por uma câmara
de chegada do esgoto bruto, onde é realizada uma homogeneização prévia dos caudais
afluentes, que alimenta os parafusos de Arquimedes através dos quais as águas residuais são
elevadas até uma cota compatível com a realização das operações de pré-tratamento (Figura
4.7).

Figura 4.7. Câmara de chegada para elevação de esgoto da ETAR de Infulene (Fonte: Autor)

De seguida o efluente passa através de uma câmara de grades que têm a função de reter os
sólidos de maiores dimensões (plásticos, pedras, latas, madeira, papel, etc.), prevenindo os
depósitos e obstrução dos canais, das condutas ou de outros órgãos e equipamentos
(nomeadamente bombas) existentes a jusante, proporcionando deste modo uma maior
eficiência nos processos de tratamento posteriores (DE SOUSA, 2016).

Figura 4.8. Câmara de grades da ETAR de Infulene (Fonte: Autor)

Retidos os sólidos de maior dimensão, o efluente é direccionado á um desarenador com o


objectivo de remover os materiais inorgânicos que tenham passado pelos equipamentos de
gradagem (por exemplo: areias, gravilhas e matérias sólidas de grande densidade). Do
36

desarenador o afluente é direccionado para um canal Parshall de 12´´ onde se encontra um


medidor de caudal.

Imediatamente a jusante do canal Parshall, encontra-se implantada a câmara de divisão de


caudal que divide equitativamente o efluente do tratamento preliminar pelas linhas de
tratamento, conduzindo-o posteriormente às lagoas anaeróbias. Nesta câmara existe ainda uma
saída, em by-pass, do caudal pré-tratado.

4.3.2 Tratamento secundário


Após o tratamento preliminar, o efluente é conduzido ao tratamento biológico onde ocorre a
redução de cargas poluentes como CBO5 e Coliformes fecais. Esta etapa de tratamento é
composta por lagoas anaeróbias, lagoas facultativas, lagoas de maturação e leitos de
macrófitas (Sistema Francês).

 Lagoas anaeróbias
Segundo o PDSDAMM, as lagoas anaeróbias foram dimensionadas para receber o caudal de
10 260 m3/d. A ETAR é composta por duas LA antigas de 98.39x52.16 m (Anexo 02), com
uma inclinação de taludes de 1:3 e duas LA novas de 56x90 m com inclinação de taludes de
1:2 (Anexo 03). A altura da água é de 3 e 5 metros para as lagoas antigas e novas,
respectivamente.

A nível construtivo, foram previstas apenas a escavação e aplicação de geomembrana PEAD 3


mm no fundo das lagoas e nos taludes (Figura 4.9).

Figura 4.9. Lagoa anaeróbia da ETAR de Infulene em construção (Fonte: Autor)

 Lagoas facultativas
A ETAR é composta por duas unidades de LF com dimensões iguais a 320.31x119.68 m,
profundidades iguais a 1.8 m e inclinação de taludes de 1:3 (Anexo 04 e 05). A nível
37

construtivo, foram previstas apenas a escavação e aplicação de geotêxtil e geomembrana no


fundo das lagoas e nos taludes como indica a Figura 4.10.

Figura 4.10. Lagoa facultativa da ETAR do Infulene em construção (Fonte: Autor)

4.3.3 Tratamento terciário


O tratamento terciário é composto por duas unidades de lagoas de maturação em paralelo e
leitos de macrófitas de fluxo subsuperficial vertical (Sistema Francês). Lagoas de
maturação

As lagoas de maturação, têm a dimensão de 312x121 m, taludes com inclinação de 1:1 e altura
da água de 1.20 m (Anexo 06 e 07). As lagoas de maturação apresentam 5 divisões internas,
obtidas através da introdução de deflectores dispostos no sentido de maior lado, com o
objectivo de maximizar o tempo de retenção nas lagoas.

Figura 4.11. Lagoas de Maturação da ETAR do Infulene em construção (Fonte: Autor)

Das LM o efluente é direccionado a uma lagoa de efluente tratado, onde caso o efluente não
tenha atingido a qualidade necessária para a reutilização na rega, é submetido a um tratamento
adicional nos leitos de macrófitas.
38

 Leitos de Macrófitas
A ETAR é composta por leitos de macrófitas de fluxo subsuperficial vertical (LMSSV)
primários e secundários. Os LMSSV primárias são compostos por 3 unidade de 122x48.80 m,
taludes com inclinação de 1:1, funcionando de forma alternada. Os LMSSV secundários são
compostos por duas unidades de 124.65x44 e taludes com a mesma inclinação também
funcionando de formas alternadas (Anexo 08, 09 e 10).

Figura 4.12. Leitos de Macrófitas da ETAR do Infulene em construção (Fonte: Autor)

4.3.4 Fase sólida


Esta fase é reservada para o tratamento de lamas fecais e é constituída por:

• edifício de recepção de lamas, que envolve todo o equipamento necessário à recepção


das lamas descarregadas pelos veículos limpa fossas, incluindo gradagem, ventilação
forçada e filtro de carvão activado.
• lagoa de decantação, para receber lamas fecais descarregadas no edifício de recepção
de lamas (bem como as lamas que serão retiradas, ocasionalmente, do fundo das lagoas
anaeróbias e facultativas).
• estação elevatória de lamas fecais, recebe lamas provenientes das lagoas de
decantação, elevando-as, através de um grupo electrobomba submersível, para os leitos
de secagem.
• leitos de secagem para a secagem das lamas, e
• um hangar, para armazenamento e eventual calagem ou compostagem das lamas
retiradas dos leitos de secagem, que permita a sua secagem adicional e potencie o seu
aproveitamento como fertilizante agrícola.
39

5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS


Como referido no Capítulo 1.3, o PDSDAMM (2016) propõe quatro fases de intervenção na
ETAR de Infulene. Estas intervenções dão resposta ao aumento significativo da população
servida pela rede de colectores que é previsto que ocorra a curto e a longo prazo, e à
universalidade dos serviços de recolha de lamas fecais, nos Municípios de Maputo e Matola.

Tabela 5.1. Evolução da população servida pela ETAR do Infulene. Fonte: PDSDAMM (2016)

População
Fase Período Obra
(hab.)
Reabilitação e
Fase 1 2015 - 2025 Duplicação das 128 220
lagoas
Fase 2 > 2025 Arejamento 347 130
Fase 3 > 2040 ETAR intensiva 560 900

De salientar que a transição entre as fases acima referidas não está vinculada a um período de
retorno, dependendo apenas do desenvolvimento urbanístico, a evolução dos níveis de serviços
e da extensão da rede de colectores.

5.1 Caudais de projecto


Segundo JANE (2017) foram feitas, campanhas em Julho de 2014, onde foram feitas medições
quer das alturas da água quer da velocidade do escoamento na obra de entrada, tendo-se
concluído que não era possível obter resultados precisos da evolução do caudal pois os caudais
eram muito inferiores, ou seja, correspondia a 9% da utilização da ETAR atendendo aos caudais
do projecto. Estes são os únicos registros de medição da ETAR de Infulene.

Contudo, o caudal de projecto de águas residuais afluentes à ETAR será calculado


considerando a contribuição da população servida pela extensão da rede de colectores prevista
a curto prazo para o Município de Maputo (emissário E-MP1 e emissário existente) e o
Município da Matola (E-MT3) (Figura 5.1 e Anexo 11).
40

Figura 5.1. Novos colectores com ligação à ETAR do Infulene (Fase de duplicação) (Fonte:
PDSDAMM, 2016).

Como indicado na Tabela 5.1 a população servida pela ETAR de Infulene na Fase 1
(Duplicação do sistema de lagunagem), referente ao ano 2025 é de 128 220 habitantes. O caudal
afluente a ETAR, será determinado pela equação 2.1.

QVéW = pop × Capá[\ × Coef*] + Q^* + Q^W (2.1)

O Decreto-lei 30/2003 assume para a capitação do abastecimento de água, um valor de 125


l/hab dia para uma área com mais de 2 000 habitantes com abastecimento domiciliário e ligação
predial. Ainda segundo o Decreto-lei 30/2003 o coeficiente de afluência varia entre 0.7 e 0.9.
Para a situação em causa será adoptado um valor do coeficiente de afluência de 0.8. Para o
caudal de infiltração, a percentagem do caudal médio diário assumido é de 30% de acordo com
a Tabela 2.2.

Com os dados acima apresentados teremos para o valor do caudal o seguinte resultado:

`
QVéW = 128 220 × 125 × 0.8 × 10D` × 1.20 = 16 668.60 m ad (2.1)

5.2 Cargas afluentes


Das campanhas realizadas em 2014, foram recolhidas amostras na OE de modo a determinar
através de ensaios laboratoriais, concentrações de CQO, CBO, SST, nitratos e Coliformes
fecais (JANE, 2017). Foram obtidos para o CQO e SST valores que correspondem a um
efluente fraco a médio. Para o dimensionamento da fase líquida da ETAR serão considerados
41

dados da Tabela 2.1 concentrações médias devido á diluição que ocorre no sistema pelo caudal
infiltrado.

5.3 Lagoas anaeróbias


O dimensionamento das LA baseia-se na determinação da carga orgânica por unidade de
volume, que por sua vez é determinado através da temperatura média do mês mais frio. A
Tabela 4.1 apresenta a temperatura média mensal da Cidade de Maputo no período de 1991 a
2021.

• Carga orgânica volúmica

A carga orgânica volúmica será determinada pela expressão asseguir, para uma temperatura
média do mês mais frio de 19.3º C.

g CBOG
Cbc[. = 20T − 100 = 20 × 19.3 − 100 = 286.00 a `
db] m d

A eficiência de remoção da CBO é dada pela seguinte expressão:

Eficiência = 2T + 20 = 2 × 19.3 + 20 = 58.6%

Substituindo os dados na expressão 2.3 tem-se para o volume da LA o seguinte resultado:

[ o
FFJ a o ×Ep [Link] V aW
V
V = [ "Prs = 12 822.00 m` (2.3)
Fqp a o
V W

• Tempo de retenção hidráulico

O tempo de retenção hidráulico é determinado pela expressão 2.2:

EF [Link]
t tu = = 0.78 d (2.2)
Ep [Link]

Como referido anteriormente o tempo de retenção não é um parâmetro directo de projecto, mas
um parâmetro de verificação (resultante da determinação do volume da lagoa), devendo estar
no intervalo de 3 a 6 dias. Por esse motivo o valor assumido para o tempo de retenção é de 3
dias. Desse modo deve-se recorrer ao cálculo do novo volume da LA usando a expressão 2.2.

Vwx = 3 × 16 668.60 = 50 005.80 m` (2.2)

É importante manter o valor do tempo de retenção hidráulica dentro dos limites pois com
tempos inferiores a 3 dias não seria possível a manutenção de uma população bacteriana estável
e consequentemente a eficiência da lagoa seria reduzida, haveria o acúmulo de ácidos no meio,
42

com a geração de maus odores. Com tempos de retenção superiores a 6 dias, a lagoa anaeróbia
poderia comportar-se como uma lagoa facultativa e isso é indesejável, já que a presença de
oxigênio é fatal para as bactérias metanogênicas, pois, tendo em vista que as lagoas anaeróbias
têm que funcionar como lagoas anaeróbias restritas (VON SPERLING, 1996, citado por
FASANARO, 2002).

• Área das lagoas anaeróbicas

Tendo em conta que já existiam na ETAR 2 lagoas anaeróbias antigas com 18 000m3 de
volume, o volume das lagoas novas seria de 50 005.80 - 18 000 = 32 005.8 m3.

Para uma profundidade das lagoas anaeróbicas novas de 5m teremos a seguinte área:

32 005.80
A = = 6 401.16 mF
5

Para 2 lagoas anaeróbias novas de dimensões iguais a área necessária para tratar as águas
afluentes de forma eficiente seria de 3 200.58 m2 para cada uma delas, e área das lagoas
existentes na ETAR de Infulene é de 3 000 e 3 432 m2 para duas lagoas antigas e duas novas,
respectivamente. Com isso pode-se concluir que as lagoas têm dimensões suficientes para tratar
as águas residuais afluentes.

• Verificação da lagoa para o caudal mínimo

Além de assegurar a necessária eficiência de tratamento durante um pico de afluência de


caudal, a ETAR deve igualmente funcionar eficientemente para o caudal mínimo que ocorre
geralmente em tempo seco, durante as horas de menor afluência à rede de drenagem (DO
MONTES, et al., 2016). O caudal mínimo corresponde a 30% do caudal médio, não
contabilizando o caudal de infiltração.

QVy = 128 220 × 125 × 0.8 × 10D` × 0.30 = 3 846.6 m ad


`

A eficiência de tratamento das LA´s para o caudal mínimo é garantida restringido o


funcionamento das lagoas para apenas uma nova em períodos de estiagem, pois a cada uma das
lagoas anaeróbias novas tem a capacidade de tratar um caudal máximo de 5 720 m3/d. Assim
o tempo de retenção para o período de estiagem é de aproximadamente 4.5 dias.

Na Tabela 5.2 são apresentados os valores de dimensionamento e os valores obtidos na


verificação das lagoas anaeróbias:
43

Tabela 5.2. Dados de dimensionamento e de verificação das lagoas anaeróbicas

VALORES VERIFICAÇÃO
DADOS UNID.
ACEITÁVEIS LA novas LA antigas
kg
Carga orgânica volúmica CBO5/m3 0.10 - 0.35 0.286 0.286
dia
Eficiência de remoção de CBO % 50 - 70 58.6 58.6
tRH - Caudal médio dias 3a6 3.14 3.14
Profundidade (Altura da água) m 3a5 5 3
Número de unidades un - 2 2
Volume por unidade m3 - 17 160 9 000
Área por unidade m2 - 3 432 3 000

5.4 Lagoa facultativa


O dimensionamento das lagoas facultativas baseia-se na carga orgânica superficial que pode
ser tratada numa lagoa facultativa em função da temperatura. A área das lagoas facultativas é
determinada pela expressão 2.4.

 !
A* = (2.4)
"#$%.+,-.

• Carga de CBO5 afluente a lagoa facultativa

O rendimento de remoção de CBO5 na lagoa anaeróbia no verão será de 58.6 %, pelo que a
carga de CBO5 afluente à lagoa facultativa é de:

gCBOGa m`a × 10D`


SJ × Q = (1 − 0.586) × 220 m` × 16 668.60 d
kg CBOGa
= 1 518.18 dia

• Carga orgânica superficial

A carga orgânica superficial recomendada para uma lagoa facultativa é calculada tendo em
conta a temperatura média do mês mais frio. A expressão mais recomendada para o cálculo da
carga superficial é a expressão abaixo (Tabela 2.4).

Cbc[.{\| = 350 (1.107 − 0.002T)IDFG = 350 (1.107 − 0.002 × 19.3)EH.`DFG


kg CBOGa
= 240.04 ha d

Substituindo os dados na expressão 2.4 tem-se a seguinte área:


44

1 518.18
A* = = 6.32 ha = 63 246.96 mF
240.04

• Tempo de retenção hidráulico

A profundidade da lagoa facultativa é de 1.8 m. O tempo de retenção hidráulico é determinado


pela expressão 2.2:

63 246.96 × 1.8
t tu = = 6.83 d
16 668.60

O tempo de retenção hidráulico em lagoas facultativas deve estar compreendido entre 15 e 45


dias em climas quentes. Assume-se para a ETAR de Infulene um tempo de retenção de 15 dias.

V*~ = 15 × 16 668.60 = 250 029m`

• Área das lagoas facultativas

Para uma profundidade das lagoas facultativas de 1.8m tem-se a seguinte área:

250 029
A*~ = = 138 905 mF
1.8

Para 2 lagoas facultativas de dimensões iguais a área necessária para tratar as águas afluentes
de forma eficiente é de 69 452.50 m2 para cada uma delas, e área das lagoas existentes na ETAR
de Infulene é de 33 523.90 m2. Com isso pode-se concluir que as lagoas têm dimensões
insuficientes para tratar as águas residuais afluentes.

5.4.1 Cálculo do CBO efluente das lagoas facultativas


Para o cálculo do CBO efluente da lagoa facultativa serão usadas as fórmulas referentes ao
modelo de mistura completa por apresentar menor eficiência na remoção do CBO e
consequentemente maior concentração do CBO no efluente.

• Modelo de mistura completa

Segundo VON SPERLING (2007), o valor do coeficiente de remoção de CBO encontra se


entre 0.25 a 0.32 d-1 para lagoas facultativas secundárias, a uma temperatura de 20ºC. O valor
do k a assumir será de 0.28 d-1. A correção do valor de k para uma temperatura de 19.3º C, será
feita usando a equação 2.5.

K ?I = K ?FJ × θ(IDFJ) = 0.28 × 1.05EH.`DFJ = 0.27 dDE (2.5)

A concentração do CBO solúvel no efluente é calculada pela fórmula da Tabela 2.5.


45

SJ (1 − 0.586) × 220 g CBOGa


S= = = 18 m`
1 + k × t tu 1 + 0.27 × 15

Pelos modelos de fluxo contínuo e fluxo disperso tem-se para a concentração de CBO no
efluente, 1.59 e 20.48 g CBO5/m3 (Apêndice 01), respectivamente. Essa diferença deve-se ao
facto de o modelo de fluxo contínuo ser mais eficiente que os demais, e o método de fluxo
disperso ser mais proxímo a realidade. Para efeitos de verificção vai se considerar o valor
obtido pelo método de mistura completa.

• CBO particulada

A concentração de SS no efluente é de 60 mg/l (assumido). Tendo em conta que 1 mg SS/l


equivale a 0.35 mg CBO/l, tem-se para o CBO particulado o valor de 21 mg CBO/l.

Deste modo, o CBO total é dado pela seguinte equação:

g CBOGa
CBOI = CBOb]ú€] + CBO‚cƒy~\]W = 18 + 21 = 39 m`

NB: A concentração total do CBO no efluente é de 39 mg CBO/l, que é menor que o máximo
recomendado para a irrigação (40 mg CBO/l segundo a norma Portuguesa).

5.4.2 Verificação das áreas implantadas


Considerando que a eficiência de remoção de CBO5 da lagoa anaeróbia no inverno é de 58.6
%, a carga orgânica superficial sobre a lagoa facultativa será dada pela equação 2.4:

g
(1 − 0.586) SJ Q (1 − 0.586) 220 am` × 16 668.60 m ad
`

Cbc[.{\|. = =
A* 67 047.80 mF
g CBOG kg CBOGa
= 22.64 a F = 226.43 ha d
m d

Este valor da carga orgânica superficial é aceitável por ser menor que a possível na época mais
fria que é de 240.04 kg CBO5/ha d.

• Tempo de retenção hidráulica

d EFJ [Link] Vo
t tu = = o = 7.24 dias (2.2)
! Ep [Link] V aW

Este valor de tempo de retenção não é aceitável pois está além dos limites aceitáveis (15 – 45
dias).
46

• Verificação da lagoa para o caudal mínimo

A eficiência de tratamento das LF´s para o caudal mínimo é garantida restringido o


funcionamento das lagoas de 2 para apenas uma em períodos de estiagem. O tempo de retenção
para o período de estiagem é de aproximadamente 28 dias.

• Concentração do CBO no efluente

SJ (1 − 0.586) × 220 g CBOGa


S= = = 30.82 m`
1 + k × t tu 1 + 0.27 × 7.24

A CBO total é:

g CBOGa
CBOI = CBOb]ú€] + CBO‚cƒy~\]W = 30.82 + 21 = 51.82 m`

É possivel observar que a concentração do CBO no efluente da lagoa facultativa é maior que o
máximo aceitável segundo as directizes da norma portuguesa, isso devido a baixos tempos de
retenção.

A eficiencia de remoção de CBO das Lagoas de maturação e facultativas é:

SJ − S 220 − 51.82
E= × 100% = × 100 = 76.45%
SJ 220
Na Tabela 5.3 são apresentados os resultados do dimensionamento das lagoas facultativas:

Tabela 5.3. Dados de dimensionamento das lagoas facultativas

VALORES
DADOS UNIDADES DIMENS. VERIFICAÇÃO
ACEITÁVEIS
kg CBO5/ha
Carga orgânica superficial 100 - 350 240.04 226.43
d
tRH - Caudal médio dias 15 - 45 15 7.24
Profundidade (altura da
m 1.5 - 2 1.8 1.8
água)
Número de unidades - 2 2
Volume por unidade m3 - 125 014.50 60 343.02
Área por unidade m2 - 69 452.50 33 523.90
Concentração de CBO no
g CBO5/ m3 - 91.08 91.08
afluente
Concentração de CBO no
g CBO5/ m3 - 39 51.82
efluente
Eficiência de remoção de
% - 87.18 43.11
CBO5
47

Eficiência de remoção de
CBO5 % - 82.27 76
(Anaeróbia+Facultativa)

5.5 Lagoa de maturação


O dimensionamento das lagoas de maturação baseia-se na necessidade de eliminação de
organismos patogénicos, desse modo, o dimensionamento consiste na determinação do número
de lagoas de maturação necessário para se obter a qualidade microbiológica pretendida
(avaliada pelo parâmetro indicador CF /100 mL) e das suas dimensões.

É importante lembrar que nas lagoas facultativa ocorre a remoção de coliformes fecais, porém
em pequena escala comparando com as lagoas de maturação. Asseguir são demonstrados os
cálculos referentes a remoção de CF em LF:

O regime adoptado é o regime de fluxo disperso.

• Número de dispersão

Sabendo que a relação C/L na lagoa é 3 temos:

E E
d = " = = 0.333 (2.7)
aO `

• Coeficiente de remoção

O coeficiente de decaimento a 20ºC é dado pela equação 2.14:


K ? = 0.542 × H [Link] = 0.542 × [Link] = 0.26dDE (2.5)
Para T = 19.3ºC, o valor de Kb é 0.25 d-1.

• Concentração dos coliformes no efluente


Assumindo as equações para o fluxo disperso:

a = √1 + 4ktd = √1 + 4 × 0.25 × 15 × 0.333 = 2.45


E
4aeFW
N = NJ  D
(1 + a)F eFW − (1 − a)F e FW
E
4 × 2.45 × eF×J.```
= 10 × ‡
F.ˆG DF.ˆG = 9.33 × 10G CFa100 ml
(1 + 2.45)F × eF×J.``` − (1 − 2.45)F × eF×J.```
Esta concentração de efluente da lagoa facultativa é a concentração de afluente para as lagoas
de maturação.
48

A eficiência de remoção de coliformes na lagoa facultativa é:


NJ − N 10‡ − 9.33 × 10G
E= × 100% = × 100 = 90.67%
NJ 10‡
Como referido no capítulo 2.3.4 as lagoas de maturação podem ser projectadas tendo em conta
duas configurações; lagoa(s) com defletor (s) (com o objectivo de se aproximar das condições
de fluxo em pistão) e lagoas em série (preferencialmente três ou mais):

5.5.1 Lagoas em paralelo com defletores


• Volume das lagoas

Assumindo um tempo de retenção de 15 dias, o volume da lagoa deverá se o seguinte:

16 668.60
V = t tu × Q = 15 × = 125 014.50 m`
2

• Dimensão da lagoa

A profundidade da lagoa é de 0.8 m. Logo, a área é de;

V 125 014.50
A= = = 156 268.13 mF
H 0.8

Para uma relação C/L igual a 3, as dimensões da lagoa são as seguintes; C = 685m e L = 228m.

C C
= (n + 1)F = 3(4 + 1)F = 75
L L

A introdução de defletores, surge com o objectivo de se aproximar as condições do fluxo


contínuo em pistão e desse modo, tornar a lagoa mais eficiente. Serão introduzidos 4 defletores.
Devido a divisão da área interna com 4 defletores, a lagoa terá 5 compartimentos com 685 m
de comprimento e de largura 228/5 = 45.60 m de largura. A lagoa pode ser considerada como
uma lagoa rectangular, com a relação C/L de 75, comprimento total 685x5 = 3 425 m e largura
de 45.60 m. O numero de dispersão será o seguinte:

E E
d=" = = 0.013 (2.7)
aO ‡G

• Coeficiente de decaimento de coliformes


O coeficiente de decaimento a 20ºC é dado pela equação 2.14:
K ? = 0.542 × H [Link] = 0.542 × [Link] = 0.72dDE (2.5)
Para T = 19.3ºC, o valor de Kb é 0.70 d-1.
49

• Concentração de coliformes efluentes


Assumindo as equações para o fluxo disperso:

a = √1 + 4ktd = √1 + 4 × 0.70 × 15 × 0.013 = 1.243


E
4aeFW
N = NJ  D
(1 + a)F eFW − (1 − a)F e FW
E
4 × 1.243 × eF×[Link]`
= 9.33 × 10G × E.Fˆ` DE.Fˆ` = 80.50 CFa100 ml
(1 + 1.243)F × eF×[Link]` − (1 − 1.243)F × eF×[Link]`
Este sistema cumpre com as directrizes da NP para a irrigação irrestrita (<102 CF/100 ml).

• Eficiência de remoção dos CF


A eficiência de remoção para a lagoa de maturação é:
NJ − N 9.33 × 10G − 80,50
E= × 100% = × 100 = 99.991%
NJ 9.33 × 10G
A eficiência geral dos sistemas de lagoas facultativas – lagoas de maturação na remoção de
coliformes é:
NJ − N 10‡ − 80,50
E= × 100% = × 100 = 99.9992%
NJ 10‡
E 99.9992
Unidades Log removidas = − log Ž1 −  = − log Ž1 −  = 5.1 unid. log. rem.
100 100
5.5.2 Verificação para áreas implantadas
 Lagoa Facultativa

A relação C/L = 309.09/108.46 = 2.85, logo para o número de dispersão temos:

E E
d=" = = 0.351 (2.7)
aO [Link]

Tendo em conta que tRH = 7.24 dias e d = 0.351, temos:

a = 1.88, N = 2.59 × 10p CFa100 ml e E = 74.10%

Esta concentração de efluente da lagoa facultativa é a concentração de afluente para as lagoas


de maturação.

 Lagoa de Maturação
• Tempo de retenção hidráulica

d Gq qqp.‡q Vo
t tu = = o = 3.53 dias (2.2)
! Ep [Link] V aW
50

Este valor de tempo de retenção não é aceitável pois está abaixo dos limites aceitáveis (10 – 20
dias) para lagoas com divisões internas.

• Concentração de coliformes efluentes


Para tRH = 3.53 dias e d = 0.013 tem-se:

a = 1.06 e N = 2.57 × 10G CFa100 ml

Este sistema não cumpre com as directrizes da NP para a irrigação irrestrita (<102 CF/100 ml).

• Eficiência de remoção dos CF


A eficiência de remoção para a lagoa de maturação é:
NJ − N 2.59 × 10p − 2.57 × 10G
E= × 100% = × 100 = 90.08%
NJ 2.59 × 10p
A eficiência geral dos sistemas de lagoas facultativas – lagoas de maturação na remoção de
coliformes é:
NJ − N 10‡ − 2.57 × 10G
E= × 100% = × 100 = 97.43%
NJ 10‡
E 97.43
Unidades Log remov. = − log Ž1 −  = − log Ž1 −  = 1.59 unid. log. remov.
100 100
Tabela 5.4. Dados de dimensionamento das lagoas de maturação

LAGOA VERIFICAÇÃO
DADOS UNIDADE ÚNICA COM DA LAGOA
DEFLETORES IMPLANTADA

Número de unidades - 1 1
Número de defletores - 4 4
tRH Total dias 15 3.53
tRH em cada lagoa dias - -
Volume por unidade m3 125 014,50 58 866.78
Área por unidade m2 156 268,13 36 804.24
Concentração de CF no afluente CF/100 ml 9.33x105 2.59x106
Concentração de CF no efluente CF/100 ml 80,50 2.57x105
Eficiência de remoção de CF % 99.991 90.08
unidades de
Unidades logarítmas removidas 4 1
logaritmo
Eficiência global de remoção de
% 99.9992 97.43
CF (Facultativa+Maturação)
unidades de
Unidades logarítmas removidas 5.1 1.59
logaritmo
51

Com os resultados obtidos nas tabelas 5.3 e 5.4, é possível verificar que a com as dimensões
das lagoas implantadas na ETAR, não é possível obter uma concentração dos poluentes no
efluente que esteja dentro dos limites impostos pela norma portuguesa para o CBO (<40mg/l)
e para os CF (100 CF/100ml), por isso, foi adicionado a jusante das lagoas de maturação, leitos
de macrofilas (Sistema Francês), com o objectivo de fornecer um tratamento adicional do
efluente de modo a obter um afluente com qualidade aceitável para o uso na irrigação.

5.6 Leitos de macrófitas (Constructed wettlands)


Como já referido, o dimensionamento é baseado em cargas poluentes e hidráulicas máximas,
que são expressas por m² de filtro em operação por dia. Para o presente caso o dimensionamento
será baseado na CBO efluente das lagoas de maturação e no caudal médio diário.

5.6.1 Concentração de poluentes


A CBO efluente das lagoas de maturação (afluentes aos leitos de macrófitas) implantadas, é
apresenta na Tabela 5.3 (77.04 g CBO5/m3).

[ "Pr Vo [ "Pr
• CBOG em massa afluente = SJ × Q = 51.82 Vo
× 16 668.60 W
= 863 766.85 W

5.6.2 Leitos de macrófitas primários


As áreas dos leitos macrófitas primários necessárias serão determinadas com base nas taxas de
carregamento apresentadas na Tabela 2.6.

• Área de superfície necessária de um filtro com base na taxa de carregamento hidráulico


(0,37m3/m2 d):

`
16 668.60 m ad
AE = = 45 050.27mF
0.37 m amF d
`

• Área de superfície necessária de um filtro com baseada na CBO afluente em massa


(150g/m2 d):

g CBOa
863 766.85 d = 5 758.45mF
AE = g
150 amF d
52

O maior (45 050.27 m2) será escolhido para permitir a conformidade com todos os critérios de
projecto e produzir concentrações de efluentes exigidas. Os leitos têm uma relação C/L igual a
2.4. Assim os leitos de macrófitas deveriam ter dimensões de 137x328.22 m.

O primeiro estágio do sistema VF francês é composto por três unidades em paralelo (n=3, sendo
uma em funcionamento e duas em repouso), a área total necessária para o primeiro estágio é
de 135 150.81m2.

5.6.3 Leitos de macrófitas secundários


A qualidade do efluente do primeiro estágio é necessária para ser utilizado como afluente dos
filtros do segundo estágio. A qualidade esperada é calculada utilizando as taxas de remoção da
Tabela 2.6, conforme segue:

[ "Pra
863 766.85 W
• CBOG removida na primeira etapa = 0.90 × SJ = 0.90 × =
ˆG JGJ.F‡V
[
17.25
V W
[ "Pra
863 766.85 W [
• CBOG efluente em massa na primeira etapa = − 17.25 = 1.92
ˆG JGJ.F‡V V W
[
• fluxo de CBOG em massa na primeira etapa = 1.92 − 45 050.27 = 86 496.52
W
qp ˆ[Link] [
• Concentração de CBOG no efluente na primeira etapa = = 5.19
Ep [Link] Vo

Área de superfície necessária de um filtro com baseada na CBO afluente em massa (20g/m2 d):

g
86 496.52 ad
AE = g = 4 324.83mF
20 amF d

Área de superfície necessária de um filtro com base na taxa de carregamento hidráulico para a
segunda etapa é a mesma da primeira, assim, a área é de 45 050.27 m2. O segundo estágio
possui dois filtros em paralelo (A = 90 100.51 m2), alternando sua operação a cada 3,5 dias.

Os leitos de macrófitas implantados na ETAR têm as seguintes áreas 17 860.80 m2 para os


leitos primários (5 953.80 m2 cada) e 10 969.20 m2 para os leitos secundários (5 484.60 m2
cada). Desse jeito é possível concluir que o tratamento adicional fornecido pelo sistema francês
é ineficiente por não ter capacidade de encaixe do caudal efluente das lagoas de maturação.

As eficiências de remoção dos poluentes apresentados na Tabela 2.6 só são atingidos caso
sejam cumpridos todos os critérios de dimensionamento dos leitos de macrófitas. A dimensão
53

das lagoas necessária para que os critérios sejam cumpridos é de 137x328.22 m para as lagoas
primárias e secundárias.

Quanto a eficiência de remoção dos CF segundo ALBOLD, et al. (2011), cumprindo todos os
critérios de dimensionamento dos leitos de macrófitas é possível obter uma eficiência de
remoção de 2 a 3 unidades logaritmas. Uma vez que os leitos de macrófitas implantados não
cumprem com o critério de carga hidráulica, não será possível obter um efluente com qualidade
microbiana aceitável.

Tabela 5.5. Dimensões que as lagoas da ETAR de Infulene deviam ter para atender ás exigências
exigidas para a rega.

Lagoa Anaeróbia Lagoa L. de Leitos de macrófitas


Dados
facultativa maturação
Novas Antigas Prim. Secund.
Largura (m) 44 40 152.15 228 137 137
Comprimento (m) 78 75 304.3 685 328.22 328.22
Profundidade da
5 3 1.8 0.8 2.47 1.34
água (m)
Rebordo (m) 0.5 0.5 1.2 1.28 1.16 1.16
Unidades 2 2 2 2 3 2
Área por unidade 3 432 3 000 69 452.50 156 268.13 45 050.27 45 050.27
54

6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
6.1 Conclusões
O presente trabalho foi realizado de forma satisfatória onde buscou-se analisar as soluções
propostas nas fases de reabilitação e duplicação do sistema de lagunagem de intervenção a
ETAR de Infulene para o tratamento da fase líquida, de modo a apurar se a ETAR é capaz de
garantir que os efluentes tenham qualidade necessária para o reuso na irrigação. Feito o estudo
foi possível concluir o seguinte:

• Segundo as campanhas realizadas em Julho de 2014, os afluentes provenientes da


cidade de Maputo do ponto de vista de CBO e CF apresentam uma concentração média,
devido á diluição provocada pela entrada do aquífero local.
• Nas estimativas feitas no PDSDAMM (2016) não foi levado em conta a contribuição
das indústrias e nem os caudais de infiltração que podem ter um peso não negligenciável
no valor do caudal médio, principalmente em zonas em que o nível freático é elevado.
Levando em conta a contribuição do caudal de infiltração, o caudal obtido foi de 16
660.60 m3/dia, porém no presente estudo não foi possível levar em conta o caudal
proveniente das indústrias, pois para tal devem ser analisados caso a caso.
• Os principais poluentes comuns a remover nas ETAR são CBO5, CQO, SST, N, P e
coliformes fecais, cujos VMA nos efluentes destinados á rega são, de acordo com o
decreto 18/2004, 150 mg/l para o CQO, 60mg/l para os SS, 10 mg/l para o Fósforo total
e 15 mg/l para o Azoto total. Não são apresentados padrões de descargas para o CBO5
e CF, o que é crítico no ponto de vista de qualidade ambiental, porém, podem ser
considerados os padrões definidos pela NP que são 40 mg/l no máximo para o CBO e
100 NMP/100 ml para os coliformes fecais.
• Antes dos trabalhos de reabilitação e duplicação da ETAR de Infulene, a qualidade do
efluente final não satisfazia os requisitos apresentados no Decreto-lei 30/2003 para os
SST, CQO, CBO e CF, isso devido aos baixos tempos de retenção hidráulicos nas
lagoas anaeróbicas e a carência de condições para a realização de uma desinfecção
eficiente. Após a implementação das soluções propostas para a fase I estima-se que
serão enfrentados os mesmos problemas referentes a baixos tempos de retenção antes
mesmo do previsto.

Com os aspectos acima mencionados é possível afirmar que a capacidade de tratamento da


ETAR de Infulene será esgotada antes do previsto.
55

A área ocupada pelas lagoas anaeróbias, facultativas, de maturação e pelos leitos de macrófitas
é de cerca de 18.23 ha, e para as dimensões necessárias para atender ás directrizes
anteriormente mencionadas a área é de 68.96 ha, que é mais que o triplo da área actualmente
ocupada. Tendo em conta que a ETAR está inserida em uma área predominantemente agrícola,
a implementação das dimensões das lagoas apresentadas na Tabela 5.5, teria um impacto
negativo na afectação, de forma permanente, em várias machambas, que constituem fonte de
rendimento da população o que implicaria compensações por essas perdas e possíveis
compensações por perda de terrenos agrícolas.

6.2 Recomendações
• Para a garantia de qualidade do efluente destinado a rega é a antecipação da fase 2 de
intervenção á ETAR que é o arejamento das lagoas facultativas, cujo principal objectivo
é o fornecimento de oxigênio necessário para a actividade microbiana através de
arejadores mecanizados.
• Após o término da reabilitação e duplicação dos sistemas de lagunagem recomenda-se
que se façam análises laboratoriais dos afluentes e efluentes da ETAR, de modo a se
confirmar o diagnóstico feito no âmbito deste estudo.
• Recomenda-se também a medição periódica dos caudais afluentes não só a ETAR do
Infulene, mas também em todas ETAR´s de Moçambique, pois isso permite
acompanhar com precisão a evolução dos caudais afluentes e consequentemente o
desenvolvimento urbanístico para que em trabalhos futuros de expansão da ETAR ou
construção de novas ETAR´s em Moçambique se possa usar dados históricos e estimar
com mais precisão os caudais afluentes.
• Criação de regulamentos que se adequem as condições climáticas de Moçambique, que
possam orientar a concepção e ou construção de novas ETAR´s, que possam definir
padrões de descarga de águas residuais domésticos no meio receptor dos CT, CF e CBO
pois estes contribuem massivamente para a poluição microbiológica.
56

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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60

APÊNDICES
Apêndice 01: DIMENSIONAMENTO DE LAGOA FACULTATIVA
1.1 Modelo de fluxo contínuo
˜ ™š
” = ”J ×  D•–— = (1 − 0.586) × 220 ×  DJ.F‡×EG = 1.59 a `
›
1.2 Modelo do fluxo disperso
 Coeficiente de remoção de CBO
• ARLEIVALA (1981)
œ = 0.132 × log ž .Ÿ − 0.146 = 0.132 × log 240.04 − 0.146 = 0.168¡ DE ¢ = 20 °

• VIDAL (1983)
œ = 0.091 + 2.05 × 10Dˆ ž .Ÿ = 0.091 + 2.05 × 10Dˆ × 240.04 = 0.14¡DE ¢
= 20 °
(0.168 + 0.14)
œ= = 0.154¡DE
2
¥
ˆ¤ ¦
” = ”J × ¨
©
¨ = ª1 + 4«¬ ¡
(E§) ¤ ¦D(ED) פ ¦

E E
¡ = R = = 0.333 = √1 + 4 × 0.149 × 0.333 × 15 = 1.994
aS `

¥ ¥
ˆ¤ ¦ ˆ×[Link]ˆ×¤ × .ooo
” = ”J × ¨
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¨ = 91.08 ¥.­­® ¥.­­® =
©
(E§) ¤ ¦D(ED) פ ¦ (E§[Link]ˆ) פ × .ooo D([Link]ˆ) פ × .ooo
˜ ™š
20.48 a `
›
61

ANEXOS

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