Análise da ETAR de Infulene
Análise da ETAR de Infulene
Maputo
2023
Necésio Coutinho Ussaca
Supervisor:
Engº. Fernando Evaristo Namburete
Maputo
2023
ÍNDICE
DECLARAÇÃO .................................................................................................................... I
DEDICATÓRIA ...................................................................................................................II
AGRADECIMENTOS ........................................................................................................ III
RESUMO ........................................................................................................................... IV
ABSTRACT ........................................................................................................................ V
LISTA DE ABREVIATURAS ............................................................................................ VI
LISTA DE FIGURAS ........................................................................................................ VII
LISTA DE TABELAS ..................................................................................................... VIII
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 1
1.1 Delimitação do tema ............................................................................................... 2
1.2 Justificativa ............................................................................................................. 3
1.3 Problemática ........................................................................................................... 3
1.4 Formulação de Hipóteses ........................................................................................ 5
1.5 Objectivos ............................................................................................................... 5
1.5.1 Objectivo geral ................................................................................................ 5
1.5.2 Objectivos específicos...................................................................................... 5
2 REVISÃO LITERÁRIA ................................................................................................ 6
2.1 Origem das águas residuais ..................................................................................... 6
2.1.1 Ciclo urbano das águas..................................................................................... 6
2.1.2 Águas Residuais Urbanas ................................................................................. 6
2.1.3 Principais características .................................................................................. 7
2.2 Tratamento das Águas residuais Urbanas .............................................................. 10
2.2.1 Fase líquida.................................................................................................... 11
2.2.2 Lagoas de Estabilização ................................................................................. 12
2.2.3 Tipologias de lagoas de estabilização ............................................................. 12
2.3 Dimensionamento de sistemas de lagoas de estabilização ...................................... 16
2.3.1 Eficiência do tratamento de AR em sistemas de lagunagem ........................... 16
2.3.2 Dimensionamento de lagoas anaeróbicas........................................................ 16
2.3.3 Dimensionamento de lagoas facultativas ........................................................ 18
2.3.4 Dimensionamento de Lagoas de Maturação ................................................... 21
2.3.5 Leitos de macrófitas (constructed wetlands na terminologia inglesa) .............. 22
2.3.6 Tipologia dos leitos de macrófitas .................................................................. 23
2.4 Enquadramento Legislativo ................................................................................... 25
3 METODOLOGIA DE PESQUISA .............................................................................. 27
3.1 Classificação da pesquisa quanto a abordagem do problema.................................. 27
3.2 Classificação quanto à natureza da pesquisa .......................................................... 27
3.3 Classificação quanto aos objectivos da pesquisa .................................................... 27
3.4 Classificação quanto aos procedimentos ................................................................ 28
3.5 Técnica de Recolha de Dados................................................................................ 28
4 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO......................................................... 29
4.1 Enquadramento Geográfico ................................................................................... 29
4.1.1 Cidades de Maputo e Matola .......................................................................... 29
4.1.2 Clima ............................................................................................................. 29
4.1.3 Divisão administrativa ................................................................................... 30
4.1.4 Demografia .................................................................................................... 31
4.1.5 Drenagem e tratamento de Águas Residuais ................................................... 31
4.2 ETAR de Infulene ................................................................................................. 33
4.3 Fase líquida........................................................................................................... 34
4.3.1 Tratamento preliminar.................................................................................... 35
4.3.2 Tratamento secundário ................................................................................... 36
4.3.3 Tratamento terciário ....................................................................................... 37
4.3.4 Fase sólida ..................................................................................................... 38
5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS.......................................................... 39
5.1 Caudais de projecto ............................................................................................... 39
5.2 Cargas afluentes .................................................................................................... 40
5.3 Lagoas anaeróbias ................................................................................................. 41
5.4 Lagoa facultativa................................................................................................... 43
5.4.1 Cálculo do CBO efluente das lagoas facultativas ............................................ 44
5.4.2 Verificação das áreas implantadas .................................................................. 45
5.5 Lagoa de maturação .............................................................................................. 47
5.5.1 Lagoas em paralelo com defletores ................................................................ 48
5.5.2 Verificação para áreas implantadas ................................................................ 49
5.6 Leitos de macrófitas (Constructed wettlands) ........................................................ 51
5.6.1 Concentração de poluentes ............................................................................. 51
5.6.2 Leitos de macrófitas primários ....................................................................... 51
5.6.3 Leitos de macrófitas secundários .................................................................... 52
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES .................................................................... 54
6.1 Conclusões............................................................................................................ 54
6.2 Recomendações .................................................................................................... 55
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 56
APÊNDICES ...................................................................................................................... 60
ANEXO .............................................................................................................................. 61
I
DECLARAÇÃO
Eu, Necésio Coutinho Ussaca, declaro por minha honra, que o trabalho aqui apresentado, é
fruto do esforço por mim prestado e orientações dos meus supervisores em prol da investigação
em diversas e diferentes fontes literárias. Foram devidamente ilustradas ou referenciadas as
fontes literárias usadas no trabalho para o âmbito fidedigno e confirmar que não houve a
existência de plágio de algum outro trabalho já feito.
Este trabalho nunca terá sido apresentado nesta Universidade ou em outra instituição de ensino
superior do país, bem como do resto do mundo, para a obtenção do grau académico de
licenciatura.
_________________________________________
(Necésio Coutinho Ussaca)
II
DEDICATÓRIA
Esta monografia é dedicada aos meus pais, pilares da minha formação como ser humano, aos
meus irmãos e aos meus tios pelo apoio incondicional em todos os momentos difíceis da minha
trajetória acadêmica e social.
III
AGRADECIMENTOS
A elaboração desta monografia só foi possível graças à colaboração e apoio de diversas pessoas
às quais quero prestar os meus sinceros agradecimentos.
Em primeiro lugar agradeço a Deus pela graça divina da vida, por permitir tamanha saúde no
seio de toda a minha família na qual têm-me apoiado incansavelmente.
Ao Eng.º Julio Quive, Eng.º Adriano, Eng.º Jaime Moníz da Repartição de Saneamento do
Concelho Municipal da Cidade de Maputo, agradeço a colaboração no caso de estudo, pelos
dados e pela informação que me foi disponibilizada.
A toda a minha família por todo o apoio que sempre me têm dado. Em particular aos meus pais,
Coutinho Matias Ussaca e Maria Alexandre Gove, aos meus tios Cristóvão Matias Ussaca e
Anincete Micas Ussaca pelo apoio incondicional durante a minha formação, aos meus irmãos
Edmunda, Didelfa, Lália e Paulo, aos meus cunhados Timofto, Torres e Alerson, aos meus
sobrinhos, a todos membros da família que directa ou indirectamente têm me apoiado e me
motivado.
Aos meus colegas e amigos, que estiveram sempre ao meu lado, em todos os momentos, tendo
sempre uma palavra de apoio ou simplesmente contribuindo para momentos de distração e
diversão. Aqui vai o meu agradecimento muito especial ao João Xavier Nhavene, Arão
Cardoso, Nelson Muzila, Edson Casteano, Ana Rosa Muchanga, Jussara Dramusse que sempre
me apoiaram, muito obrigado por tudo.
IV
RESUMO
Uma ETAR consiste num conjunto de órgãos e equipamentos para o tratamento das águas
residuais, para posterior utilização em usos compatíveis, ou para simplesmente serem
descarregadas nos meios receptores com um nível de poluição adequado aos seus usos actuais
ou potenciais.
A monografia refere-se a ETAR de Infulene e tem como principal objectivo verificar a
capacidade de tratamento de águas residuais.
Caracteriza-se as águas residuais da cidade de Maputo e Matola, indicando os parâmetros
bioquímicos e microbiológicos dos efluentes urbanos.
Faz-se a análise crítica da legislação. Aborda-se ainda o processo geral da prática de gestão de
saneamento de efluentes. Por fim, são identificados os principais desafios e apresentadas
perspectivas para o futuro próximo.
Apresenta-se uma análise comparativa do funcionamento da ETAR de Infulene antes e depois
da implementação das soluções propostas para as fases I e II de intervenção a ETAR.
Descreve-se os sistemas de saneamento descentralizados mais utilizados em Moçambique.
Procede-se a uma análise sobre o saneamento e o tratamento das águas residuais na Cidade do
Maputo (ETAR de Infulene) e no resto do País, referindo-se também a existência de algumas
ETAR compactas.
Procede-se ainda à descrição das etapas de tratamento das fases líquidas e sólidas de tratamento
das ARU (recolha/esvaziamento, transporte, tratamento e o destino final).
Finalmente, apresentam-se os principais desafios do tratamento de águas residuais e gestão de
lamas fecais no País, seguindo-se uma síntese, conclusões e perspectivas.
ABSTRACT
A WWTP consists of a set of organs and equipment for the treatment of wastewater, for
subsequent use in compatible uses, or for simply being discharged into receiving means with a
level of pollution suitable for its current or potential uses.
The monograph refers to the Infulene WWTP and its main objective is to verify the wastewater
treatment capacity.
A characterization of wastewater from the cities of Maputo and Matola is carried out, indicating
the biochemical and microbiological parameters of urban effluents.
A critical analysis of the legislation is carried out. The general process of the practice of effluent
sanitation management is also discussed. Finally, the main challenges are identified and
perspectives for the near future are presented.
A comparative analysis of the operation of the Infulene WWTP is presented before and after
the implementation of the proposed solutions for phases I and II of WWTP intervention.
A description of the most used decentralized sanitation systems in Mozambique is presented.
An analysis is made of sanitation and wastewater treatment in Maputo City (WWTP Infulene)
and in the rest of the country, also referring to the existence of some compact WWTPs.
A description of the treatment stages of the liquid and solid phases of ARU treatment
(collection/emptying, transport, treatment and final destination) is also described.
Finally, the main challenges of wastewater treatment and fecal sludge management in the
country are presented, followed by a summary, conclusions and perspectives.
Keywords: Wastewater Treatment Station (WWTP); Infulene WWTP; Maputo city and
Matola.
VI
LISTA DE ABREVIATURAS
AR - Águas residuais;
EE – Estação Elevatória;
MO – Matéria Orgânica;
OD – Oxigénio Dissolvido;
SS – Sólidos Suspensos;
LISTA DE FIGURAS
Figura 2.1. Ciclo urbano da água (Fonte: MARQUES & SOUSA, 2007) ............................... 6
Figura 2.2. Processos que ocorrem numa lagoa anaeróbia. Adaptado de Water Treatment in
Sewage Treatment (Fonte: DE SOUSA, 2018) .................................................................... 14
Figura 2.3. Esquema dos mecanismos depurativos numa lagoa facultativa (Fonte: DO
MONTES, dOS SANTOS, & BARREIROS, 2018)............................................................. 15
Figura 2.4. . A esquerda: fluxo horizontal; A direito: fluxo vertical. (Fonte: DOTRO, et al.,
2017) .................................................................................................................................. 23
Figura 2.5. Esquema de uma série de leitos de macrófitas construídas com fluxo vertical
(sistema francês) (Fonte: ALBOLD, et al., 2011) ................................................................ 24
Figura 2.6. Padrões gerais de descargas de águas residuais domésticas no meio receptor (Fonte:
Decreto 18/2004 – Regulamento sobre Padrões de Qualidade Ambiental e de Emissão de
Efluentes)............................................................................................................................ 26
Figura 4.1. Localização geográfica das Cidades de Maputo e Matola (Fonte: QGIS) ........... 29
Figura 4.2. Distritos Municipais da Cidade de Maputo (Fonte: PDSDAMM) ...................... 30
Figura 4.3. Subdivisão em sistemas da área metropolitana de Maputo (Fonte: PDSDAMM) 32
Figura 4.4. Estação de Tratamento de águas residuais de Infulene (Fonte: Google Earth) .... 33
Figura 4.5. Diagrama de blocos da ETAR do Infulene (Duplicação da ETAR) (Fonte:
PDSDAMM, 2016). ............................................................................................................ 34
Figura 4.6. Representação esquemática da rede de funcionamento da ETAR do Infulene (Fonte:
Autor) ................................................................................................................................. 34
Figura 4.7. Câmara de chegada para elevação de esgoto da ETAR de Infulene (Fonte: Autor)
........................................................................................................................................... 35
Figura 4.8. Câmara de grades da ETAR de Infulene (Fonte: Autor) ..................................... 35
Figura 4.9. Lagoa anaeróbia da ETAR de Infulene em construção (Fonte: Autor) ................ 36
Figura 4.10. Lagoa facultativa da ETAR do Infulene em construção (Fonte: Autor) ............ 37
Figura 4.11. Lagoas de Maturação da ETAR do Infulene em construção (Fonte: Autor) ...... 37
Figura 4.12. Leitos de Macrófitas da ETAR do Infulene em construção (Fonte: Autor) ....... 38
Figura 5.1. Novos colectores com ligação à ETAR do Infulene (Fase de duplicação) (Fonte:
PDSDAMM, 2016). ............................................................................................................ 40
VIII
LISTA DE TABELAS
Tabela 2.1 Características das águas residuais domésticas não tratadas (Metcalf e Eddy, 2003)
............................................................................................................................................. 9
Tabela 2.2. Valores recomendados para o caudal de infiltração (Fonte: do Montes, et al., 2016)
........................................................................................................................................... 10
Tabela 2.3. Carga orgânica em lagoas anaeróbias (Adaptado de Mara & Pearson, 1987) (Fonte:
do Montes, et al., 2018) ....................................................................................................... 17
Tabela 2.4. Carga orgânica superficial em lagoas facultativas (Adaptado de Mara & Pearson,
1987 e de Mara, 1987) (Fonte: DO MONTES, et al., 2018) ................................................. 18
Tabela 2.5. Fórmulas para o cálculo da concentração de CBO solúvel no efluente (S). (Fonte:
VON SPERLING, 2007) ..................................................................................................... 20
Tabela 2.6. Cargas máximas de projecto para o sistema francês sob condições de tempo seco.
Os valores indicados são por metro quadrado de leito em operação (Fonte: DOTRO, et al.,
2017)................................................................................................................................... 25
Tabela 4.1. Dados meteorológicos da cidade de Maputo (Cli23).......................................... 30
Tabela 4.2. População total projectada segundo distritos, 2017-2019 (Fonte: INE, 2019) .... 31
Tabela 5.1. Evolução da população servida pela ETAR do Infulene. Fonte: PDSDAMM (2016)
........................................................................................................................................... 39
Tabela 5.2. Dados de dimensionamento e de verificação das lagoas anaeróbicas ................. 43
Tabela 5.3. Dados de dimensionamento das lagoas facultativas ........................................... 46
Tabela 5.4. Dados de dimensionamento das lagoas de maturação ........................................ 50
Tabela 5.5. Dimensões que as lagoas da ETAR de Infulene deviam ter para atender ás
exigências exigidas para a rega. ........................................................................................... 53
1
1 INTRODUÇÃO
A história do tratamento de águas residuais (AR) é bem recente, tem pouco mais do que cem
anos, datando dos primeiros anos do século XX, quando entraram em operação as primeiras
estações de tratamento de águas residuais (ETAR), de que Stahnsdorf, na Alemanha é um
exemplo (MÜLLER, 1907 citado por WIESMANN, 2007). O facto de o tratamento de AR ser
uma questão tão recente é devido à circunstância de, durante quase toda a história da
Humanidade, a evacuação dos excreta humanos ter sido feita por deposição a seco, nos pátios
domésticos ou nas ruas dos centros urbanos. Não obstante, existem casos de evacuação dos
excreta por via hídrica na Antiguidade, na Idade Média e na Idade Moderna, que constituem
exemplos notáveis para a sua época (DO MONTES, et al., 2016).
O problema de tratamento de AR era encarado mais como de higiene do que de saúde pública,
pois ainda não se tinha descoberto que a água era um meio de transporte de microorganismos
patogénicos, por isso as AR eram conduzidas aos rios mais próximos (DO MONTES, et al.,
2016).
A gestão de águas residuais é uma área problemática pois, são poucas as cidades com alguma
infraestrutura para drenagem de águas residuais. Quando existente, são incapazes de responder
com eficácia à demanda existente nas várias cidades (e, por conseguinte, responder às metas
de cobertura) por razões como a falta de investimento na infraestruturação, a obsolência dos
sistemas, sistemas com capacidade limitada face às demandas, sistemas com abrangência
limitada, modelos ineficientes de prestação dos serviços (intermitências, perdas, ligações
clandestinas etc.) entre outros.
Nas 11 capitais provinciais e em algumas cidades secundárias como Nacala, Angoche, Moatize,
Manica, Gondola, Dondo, Maxixe, Chokwé e Boane é possível de encontrar infraestruturas
para drenagem de águas residuais incapazes de responder á demandas, exceptuando as cidades
de Quelimane, Beira, Maputo, Xai-Xai, Maxixe e Chokwé, onde as respectivas redes
2
Do ponto de vista de soluções colectivas, redes de drenagem de águas residuais que as cidades
que possuem não servem a toda população, sendo Nampula (servindo cerca de 2% da
população da urbe), Tete (6%), Beira (11%), Quelimane (2%), Xai-Xai (1%), Chockwé (6%)
e Maputo (11%). Destas, somente as cidades de Maputo e Beira têm as respectivas redes ligadas
a uma Estação de Tratamento de Águas Residuais - ETAR (MOPHRH, 2020). Nas restantes,
os efluentes são lançados para o meio receptor sem qualquer tipo de tratamento.
As águas residuais não direccionadas para a ETAR, são tratadas pelas fossas sépticas e depois
é que são lançadas na rede de esgoto para, por fim, serem descarregados na Baía ou nos lençóis
freáticos através de drenos no solo. Nas zonas periféricas e periurbanos, densamente povoados,
e compostas pelo tipo de habitação precária, que não dispõem de redes de drenagem, a
população é servida por soluções de saneamento local. Existem valetas construídas pelos
moradores que conduzem as águas residuais e descarregam para as vertentes naturais.
1.2 Justificativa
Com os trabalhos de expansão dos sistemas de drenagem de águas residuais da Cidade de
Maputo e a implantação de novos sistemas na cidade da Matola, conforme previsto no Plano
Director de Saneamento de Drenagem da Área Metropolitana de Maputo (PDSDAMM), é
esperado um aumento significativo no caudal afluente à ETAR de Infulene. Dado que os
efluentes tratados na ETAR são descarregados no rio Infulene, que, por sua vez, é utilizado
para irrigação, é crucial garantir que essa prática não resulte em impactos negativos no meio
ambiente e na saúde pública, devido à exposição a poluentes presentes no afluente da ETAR
de Infulene.
1.3 Problemática
De acordo com PDSDAMM, a ETAR de Infulene foi originalmente projectada em 1984 pela
DHV Consulting Engineers para atender a uma população de 90.000 habitantes e entrou em
funcionamento em 1987. Foi concebida para tratar as águas residuais dos bairros da Polana
Cimento, Coop, Malhangalene e Sommershield, por meio de uma rede de esgotos que percorre
a Avenida Joaquim Chissano. Inicialmente, o esquema de tratamento consistia em uma obra de
entrada, com dois canais paralelos equipados com grades de limpeza manual, e em duas lagoas
anaeróbias e duas lagoas facultativas, operando em paralelo.
Actualmente, a ETAR não está a funcionar em plena capacidade devido ao facto de que as
estações elevatórias, responsáveis por elevar uma parte significativa do influxo de águas
residuais da cidade de Maputo, não estão a operar. Como resultado, apenas uma pequena fração
do caudal total de águas residuais domésticas, descarregadas na rede de esgotos, está a ser
encaminhada para a ETAR de Infulene. As águas residuais não tratadas estão a ser
descarregadas gravitacionalmente na Baía. Além do tratamento de águas residuais, a ETAR de
Infulene também está a ser usada para o despejo de lamas fecais colectadas de fossas sépticas
nas regiões de Maputo e Matola.
emissário que será implantado no lado norte ao longo da Avenida Joaquim Chissano. Também
está prevista a construção de um sistema de drenagem de águas residuais domésticas no
Município da Matola, que encaminhará o escoamento das águas residuais domésticas
produzidas para a ETAR de Infulene. O futuro sistema da Matola deverá colectar águas
residuais dos bairros da Liberdade, Fomento, Matola B, Matola F, Matola G, Matola H e parte
dos bairros Sikawana, Matola A, Matola C, Matola D, Matola J, Mussumbuluco, Bunhiça,
Machava Sede, Trevo e Tsalala.
Diante das situações descritas acima, relacionadas à evolução dos serviços e à expansão da rede
de colectores, e considerando que a ETAR de Infulene está actualmente na fase de duplicação,
surge a necessidade de determinar se a ETAR de Infulene terá capacidade para tratar todas as
águas que lhe são encaminhadas. Portanto, a seguinte questão se coloca:
1.5 Objectivos
1.5.1 Objectivo geral
Avaliar a capacidade de tratamento da ETAR de Infulene após a reabilitação e
duplicação do sistema de lagunagem.
2 REVISÃO LITERÁRIA
2.1 Origem das águas residuais
2.1.1 Ciclo urbano das águas
Através da utilização que o ser humano faz da água, ao longo do tempo, foram introduzidas
alterações nos mecanismos básicos do ciclo hidrológico. Como resultado dessas acções, surgiu
o conceito do ciclo "urbano" da água (Figura 2.1). Esse ciclo está intrinsecamente ligado à
captação de água, seja de fontes superficiais ou subterrâneas, ao seu subsequente tratamento
em estações de tratamento de água (ETA) e à distribuição para diversos utilizadores, incluindo
áreas residenciais, comércio, serviços e indústria (MARQUES & SOUSA, 2007).
A qualidade da água sofre alterações após sua utilização, tornando essencial o tratamento
adequado das águas residuais em Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR´s). O
objectivo desse tratamento é restaurar, pelo menos parcialmente, os padrões iniciais de
qualidade da água. Posteriormente, a descarga das águas tratadas no meio receptor natural é
uma prática que minimiza significativamente a perturbação ambiental. Isso permite que o meio
ambiente regenere naturalmente a qualidade inicial do recurso hídrico (MARQUES & SOUSA,
2007).
Figura 2.1. Ciclo urbano da água (Fonte: MARQUES & SOUSA, 2007)
As águas residuais resultam das várias utilizações da água para consumo humano, podendo ser
classificadas como domésticas, industriais e infiltração/escorrências, de acordo com as
diferentes utilizações que lhes deram origem (LEVY, 2008).
Um critério bastante utilizado para quantificar a carga poluente de uma água residual é o teor
de sólidos totais (ST), que comportam essencialmente dois tipos de sólidos: os sólidos
8
dissolvidos totais (SDT), que devido à sua reduzida dimensão (< 0,45 µm) permanecem na
água mesmo após filtração, e os sólidos suspensos totais (SST), que representam a matéria
sólida retida por filtração. Vários factores podem influenciar a percentagem relativa da carga
poluente entre os SDT e SST, nomeadamente o pH, que pode alterar a capacidade de sorção
das partículas e/ou promover a sua precipitação/dissolução, e que influencia o modo de
funcionamento dos tratamentos físico-químicos e biológicos (SOARES, 2019).
Para além das características químicas mencionadas anteriormente, existem outras de elevada
importância, como a condutividade elétrica, o potencial redox, a quantidade de oxigénio
dissolvido e a carência química e bioquímica do oxigénio (CQO e CBO respectivamente), estes
últimos explicados asseguir.
A matéria orgânica é o principal poluente das águas residuais. Assim sendo, essa matéria é
medida através dos parâmetros CBO e CQO. Estes referem-se à medida da carência de oxigénio
tanto químico (quantidade de oxigénio que pode ser consumido por reacções químicas, sendo
assim possível medir a quantidade de material orgânico presente numa amostra) como
bioquímico (quantidade de oxigénio dissolvido necessário para que os microrganismos
aeróbios presentes digiram a matéria orgânica presente numa amostra de água residual) (DO
MONTES, et al., 2016).
São apresentadas na Tabela 2.1 as principais características das águas residuais, concretamente
as águas residuais domésticas.
9
Tabela 2.1 Características das águas residuais domésticas não tratadas (Metcalf e Eddy, 2003)
Uma ETAR é dimensionada para assegurar capacidade de tratamento do caudal previsto para
o seu horizonte de projecto (hp), que, não sendo conhecido, tem que ser estimado de forma
fiável (DO MONTES, et al., 2016).
Em que:
Pop – população;
Como orientação geral (AdP, 2003 b), citado por DO MONTES, et al., 2016), indica-se na
Tabela 2.2 a percentagem do caudal médio diário recomendada para estimativa do caudal de
infiltração a considerar no dimensionamento dos sistemas de drenagem.
Tabela 2.2. Valores recomendados para o caudal de infiltração (Fonte: do Montes, et al., 2016)
Tratamento Preliminar
Tratamento Primário
O tratamento primário tem como objectivos a remoção de uma percentagem significativa dos
sólidos sedimentáveis em suspensão e cumulativamente a redução da carga orgânica do
efluente à entrada do tratamento secundário. Os processos e operações utilizados no tratamento
primário são (METCALF & EDDY, 2003): pré-arejamento, coagulação, mistura e
floculação, decantação e flotação.
Tratamento secundário
Tratamento terciário
De um modo geral, os processos envolvem a presença de algas e bactérias, sendo que as algas
produzem oxigénio libertado através da fotossíntese, posteriormente utilizado pelas bactérias
aeróbicas (respiração). Desta forma as bactérias consomem a matéria orgânica presente no
efluente bruto (DO MONTES, et al., 2018).
O critério mais usual classifica as lagoas de estabilização segundo a natureza predominante das
reações de degradação da MO em (DO MONTES, et al., 2018):
13
Alguns autores consideram que, em rigor, não existem lagoas aeróbias, pois sempre existe a
camada de sedimentos no fundo em anaerobiose.
Estes diferentes tipos de lagoas são normalmente combinados em série. Deste modo, nas
aplicações práticas destes sistemas cada série de lagoas começa normalmente com uma lagoa
anaeróbia, seguida de uma lagoa facultativa e, dependendo da qualidade do efluente solicitada,
seguida de uma ou mais lagoas de maturação ou alternativas como leitos de macrófitas ou
filtros rochosos (BAZ, et al., 2008).
Outro critério, muito seguido em França (Alexandre et al. (1998) citado por DO MONTES, et
al., 2018), classifica as lagoas consoante a dimensão da flora em: Lagoas de macrófitas (Leitos
de Macrófitas) e Lagoas compostas.
14
Figura 2.2. Processos que ocorrem numa lagoa anaeróbia. Adaptado de Water Treatment in Sewage
Treatment (Fonte: DE SOUSA, 2018)
Resultado da sua profundidade e carga orgânica aplicada, desenvolvem-se três zonas tróficas
dinâmicas nestas lagoas, consoante a concentração de oxigénio dissolvido durante o período
diário (Figura 2.3). Na zona mais próxima da superfície da lagoa dominam as condições
aeróbias, sendo promovidos processos de tratamento que controlam a libertação de odores e a
remoção de nutrientes e CBO5. Na zona mais próxima da base da lagoa predominam as
condições anaeróbias, com processos fermentativos como a digestão de lamas, desnitrificação
e alguma remoção de matéria orgânica (CBO5). Na camada compreendida entre ambas se
localiza uma zona facultativa (CHENG, D., 2016).
Figura 2.3. Esquema dos mecanismos depurativos numa lagoa facultativa (Fonte: DO MONTES, dOS
SANTOS, & BARREIROS, 2018)
Quanto menos profundas, mais eficientes estas lagoas são na remoção de bactérias fecais e
vírus, uma vez que a penetração da luz solar é maior. São, portanto, sistemas apropriados em
climas quentes com uma elevada exposição solar (DE SOUSA, 2018).
Embora a remoção de CBO5, sólidos suspensos e nutrientes como o fósforo e o azoto seja
relativamente lenta, num sistema de lagoas de estabilização de águas residuais devidamente
dimensionado (lagoa anaeróbia, seguida de lagoa facultativa, seguida de uma ou mais lagoas
de maturação), as percentagens cumulativas de remoção dos componentes mencionados são
usualmente elevadas (DE SOUSA, 2018).
16
O dimensionamento deve ser conservativo, ou seja, deve ser válido para as condições mais
desfavoráveis, o que em termos de temperatura, corresponde á temperatura média do mês mais
frio (DO MONTES, et al., 2018).
= (2.2)
Em que:
Tabela 2.3. Carga orgânica em lagoas anaeróbias (Adaptado de Mara & Pearson, 1987) (Fonte: do
Montes, et al., 2018)
T ≤ 10 40 100
É definido, habitualmente, um limite inferior para este parâmetro na ordem dos 0.10 kg/m3d,
de modo a serem asseguradas condições anaeróbias na unidade, e um limite superior na ordem
dos 0.35 kg/m3d, de forma a serem evitados problemas relacionados á odores (DE SOUSA,
2018).
O volume da lagoa é calculado de acordo com a expressão 2.6, a partir da qual, e escolhido um
valor para a profundidade do líquido, se calcula a área útil.
!
V = " (2.3)
#$%.'#(.
Em que:
Diversas expressões empíricas têm sido apresentadas para correlacionar a carga orgânica
superficial ([Link]) que pode ser tratada numa lagoa facultativa em função da temperatura T.
Na Tabela 2.4 apresentam-se algumas das expressões mais recomendadas, destacando-se a
última expressão, por ser mais abrangente quanto à temperatura a considerar (ANGELAKIS et
al., 2001).
Tabela 2.4. Carga orgânica superficial em lagoas facultativas (Adaptado de Mara & Pearson, 1987 e
de Mara, 1987) (Fonte: DO MONTES, et al., 2018)
Temperatura de
Carga orgânica superficial (kg
dimensionamento
CBO5/(ha d))
(ºC)
T < 10 Corg sup = 100
10 ≤ T < 20 Corg sup = 10T
T ≥ 20 Corg sup = 50 (1.072)T
T > 10 Corg sup = 350 (1.107 - 0.002T)T-25
19
Uma vez determinada a carga orgânica superficial, a área da lagoa pode ser calculada pela
expressão 2.11 (DO MONTES, et al., 2018).
!
A* = " (2.4)
#$%.+,-.
Em que:
A remoção de CBO é uma reacção de primeira ordem (em que a taxa de reacção é directamente
proporcional à concentração do substrato). Nessas condições, o regime hidráulico do reator
(lagoa) influencia na eficiência do sistema (DO MONTES, et al., 2018).
Embora a cinética de remoção de CBO seja a mesma nos diferentes regimes hidráulicos, a
concentração de CBO no efluente varia. De acordo com a cinética de primeira ordem, a taxa
de remoção de CBO é maior quanto maior for a concentração de CBO no meio. Este aspecto
tem grande implicação no desempenho do reator, conforme visto a seguir (VON SPERLING,
2007):
Tabela 2.5. Fórmulas para o cálculo da concentração de CBO solúvel no efluente (S). (Fonte: VON
SPERLING, 2007)
O CBO efluente em LF, é considerado total CBO (solúvel + particulado), pois os sólidos
orgânicos em suspensão, responsáveis pela CBO particulada, são convertidos em matéria
orgânica solúvel, por meio da acção de enzimas liberadas no meio pelas próprias bactérias.
Portanto, as bactérias assimilam a CBO solúvel original do efluente (rápida assimilação) e a
21
CBO particulada (após a conversão em CBO solúvel). Assim, a princípio, a CBO total estaria
disponível para a bactéria.
• CBO solúvel: a maior parte da CBO restante do efluente afluente após o tratamento;
• CBO particulado: CBO causada pelos sólidos suspensos no efluente;
Segundo Mara (1995) citado por VON SPERLING (2007), os sólidos suspensos das lagoas
facultativas são cerca de 60 a 90% de algas. Cada 1 mg de algas gera uma CBO5 cerca de 0,45
mg. Consequentemente, 1mg/L de sólidos suspensos no efluente é capaz de gerar uma CBO5
(no teste de CBO, e não necessariamente no corpo receptor) na faixa de 0,3 a 0,4 mg/L.
Segundo VON SPERLING (2007), não existe um modelo matemático que forneça uma
previsão confiável da concentração de sólidos suspensos no efluente de uma lagoa facultativa,
devido a sua grande variabilidade temporal em função das condições ambientais. Para fins de
projecto, a estimativa da CBO particulada pode ser baseada no SS do efluente na seguinte faixa:
• lagoa(s) com defletores (s) (com o objectivo de se aproximar das condições de fluxo
tampão);
• lagoas em série (preferencialmente três ou mais);
Segundo VON SPERLING (2007), o coeficiente de decaimento dos coliformes fecais Kb,
depende da profundidade da lagoa, onde lagoas mais rasas têm Kb altos, devido a maior
actividade fotossintética ao longo da profundidade da lagoa.
É importante referir que os valores de Kb obtidos pela equação 2.5 são para uma temperatura
de 20ºC. Para outras temperaturas, Kb pode ser corrigido através da equação de Arrhenius:
Onde:
Segundo VON SPERLING (1999) o número de dispersão é dado pela equação 2.7.
E
d = O⁄P (2.7)
Para uma lagoa com divisões internas paralelas ao comprimento pode ser aproximada por:
R R
= S (T + 1)F (2.8)
S
Onde:
Os leitos de macrófitas são constituídos por uma bacia em terra, em alvenaria ou em betão,
geralmente preenchida por um meio de enchimento natural ou artificial, colonizado com
plantas macrófitas. O processo de tratamento de AR em leitos de macrófitas tem como
objectivo a remoção de poluentes, por acção de transformações físicas, químicas e biológicas,
das quais se destacam a filtração e sedimentação de SS e a sorção e degradação bioquímica de
poluentes dissolvidos e em suspensão nas AR, transformações em que as plantas macrófitas
desempenham um papel essencial, razão pela qual este processo de tratamento também pode
ser conhecido como fitorremediação (DO MONTES, et al., 2018).
Figura 2.4. . A esquerda: fluxo horizontal; A direito: fluxo vertical. (Fonte: DOTRO, et al., 2017)
24
Os LMSSV para tratamento de águas residuais brutas filtradas também foram introduzidos e
aplicados com sucesso. Estes chamados leitos macrófitas de fluxo subsuperficial vertical
Francês, que fornecem tratamento integrado de lamas e águas residuais num único sistema e,
assim, poupam nos custos de construção, por não ser necessário o tratamento primário de AR
(DOTRO, et al., 2017).
Figura 2.5. Esquema de uma série de leitos de macrófitas construídas com fluxo vertical (sistema
francês) (Fonte: ALBOLD, et al., 2011)
As células são dosadas de forma alternada, de modo que uma célula é alimentada enquanto os
demais ficam em repouso. Estas alternâncias são fundamentais para o bom funcionamento do
sistema Francês. A alimentação alternada ajuda a controlar o crescimento da biomassa aderida
na superfície do meio filtrante, ajuda a manter as condições aeróbicas dentro do próprio leito
filtrante e auxilia na mineralização da matéria orgânica que se acumula na superfície das células
de primeiro estágio. As células do primeiro estágio geralmente são alimentadas por 3,5 dias e
descansados por 7 dias. As células de segundo estágio geralmente são alimentados por 3,5 dias
e descansados por 3,5 dias (DOTRO, et al., 2017).
Tabela 2.6. Cargas máximas de projecto para o sistema francês sob condições de tempo seco. Os
valores indicados são por metro quadrado de leito em operação (Fonte: DOTRO, et al., 2017).
Carga
Estágio de CQO CBO5 SST TKN
hidráulica
tratamento (g/m2d) (g/m2d) (g/m2d) (g/m2d)
(m3/m2d)
Primeiro estágio 350 150 150 30
a
0.37
Remoção 0.80xMi 0.90xMi 0.90xMi 1.1128xMi0.8126
Segundo estágio 70 20 30 15
b
0.37
Remoção 0.75xMi 0.80xMi 0.80xMi 1.194xMi0.8622
a
Todas correlações de Molle et al (2005), excepto TKN de Molle et al (2008), Mi significa carga
mássica em g/m2d
b
Todas correlações de Molle et all (2005)
Figura 2.6. Padrões gerais de descargas de águas residuais domésticas no meio receptor (Fonte:
Decreto 18/2004 – Regulamento sobre Padrões de Qualidade Ambiental e de Emissão de Efluentes)
Os principais poluentes comuns a remover nas ETAR são CBO5, CQO, SST, N, P, Coliformes
totais (CT) e Coliformes fecais (CF), de acordo com o meio receptor e a legislação em vigor.
Observando a Figura 2.6, pode-se verificar que não são apresentados padrões de descarga de
águas residuais domésticos no meio receptor, dos seguintes parâmetros: CT e CF, o que é
crítico no ponto de vista da qualidade ambiental, dado que estes contribuem massivamente para
a poluição microbiológica, definindo-se que a água tratada pode ser utilizada para a rega ou
outros fins, dependendo do meio receptor.
Para os parâmetros que não são definidos pelo Decreto-Lei 18/2003, pode-se recorrer a outras
legislações internacionais como o Decreto-Lei nº 236/98. Lei Portuguesa que define para os
CF um Valor Máximo Admissível (VMA) de 100 NMP/100 ml para a água tratada destinada
para a rega, valores de concentração de CBO5, 20ºC, admissível na descarga de águas residuais
nos meios receptores (rios, lagos, mar, etc) menores ou iguais a 40 mg/l O2. Ou as directrizes
OMS para os CF com um VMA de 1000 CF/100 ml.
27
3 METODOLOGIA DE PESQUISA
Neste capítulo são abordados os procedimentos das escolhas metodológicas e técnicas de
pesquisa de forma a conduzir o trabalho de maneira a obter os dados necessários em campo de
estudo.
Figura 4.1. Localização geográfica das Cidades de Maputo e Matola (Fonte: QGIS)
4.1.2 Clima
Segundo a página do Governo da Cidade de Maputo, o clima de Maputo é o tropical seco. O
período mais quente do ano compreende os meses de novembro a abril e o mais frio os meses
de maio a outubro. O período de maior precipitação ocorre nos meses mais quentes, entre
novembro e março.
30
O município da Matola está dividido em três postos administrativos, compostos pelos seguintes
bairros: Infulene (Zona Verde, Ndlavela, Infulene D, T-3, Acordos de Lusaka, Vale do
Infulene, Khongolote, Intaca, Muhalaze, 1º de Maio, Boquisso A, Boquisso B, Mali, Mukatine,
e Ngolhoza), Machava (Infulene, Unidade A, Trevo, Patrice Lumumba, Machava Sede, São
31
Damaso, Bunhiça, Tsalala, km-15, Mathlemele, Cobe, Matola Gare, e Singathela) e Matola
Sede (Matola A, Matola B, Matola C, Matola D, Matola F, Matola G, Matola H, Matola J,
Fomento, Liberdade, Mussumbuluco, Mahlampswene, e Sikwama).
4.1.4 Demografia
Segundo INE (2019) os dados estatísticos, de acordo com as projecções do Censo 2017,
mostram que em 2019 a população de Maputo Cidade é de 1 122 607 habitantes, com uma taxa
de crescimento de 0.2%, onde 544 766 são Homens e 577 841 mulheres. Destes 347 273 são
crianças de 0 a 14 anos, correspondente a 31% e 45 178 são idosos com idade superior a 65
anos, correspondente a 4%. Significando que a maioria da população da Cidade de Maputo,
65% do total, tem idade activa. A tabela abaixo indica a distribuição da população nos Distritos
Municipais da cidade de Maputo.
Tabela 4.2. População total projectada segundo distritos, 2017-2019 (Fonte: INE, 2019)
De acordo com os resultados finais do Censo de 2017, a cidade da Matola tem 1 032 197
habitantes, fazendo dela a segunda maior cidade de Moçambique, ficando atrás somente da
cidade de Maputo, a capital e maior cidade do país, e uma área de 373km², e, portanto,
uma densidade populacional de 2 767 habitantes por km². Quando ao género, 53,4% da
população era do sexo feminino e 46,6% do sexo masculino.
O valor de 2017 representa um aumento de 360 641 habitantes ou 53,7% em relação aos
671 556 residentes registados no censo de 2007.
Segundo o PDSDMM 2016 o sistema drenagem da área metropolitana de Maputo está dividido
em 12 partes como indica a Figura 4.3:
Do ponto de vista de Tratamento de Águas Residuais, actualmente existe uma ETAR que é do
Infulene que actualmente trata águas residuais dos bairros de Sommerchield, Coop e
Malhagalene através de um emissário doméstico com escoamento gravítico ao longo da Av.
Joaquim Chissano.
33
Figura 4.4. Estação de Tratamento de águas residuais de Infulene (Fonte: Google Earth)
Inicialmente, a ETAR do Infulene ocupava uma área de cerca de 12 ha. Após a reabilitação e
expansão, a área ocupada passou a ser de cerca 29 ha. No fim dos trabalhos de reabilitação e
expansão, a ETAR de Infulene será constituída por duas fases de tratamento, a fase líquida e
a fase sólida.
Figura 4.5. Diagrama de blocos da ETAR do Infulene (Duplicação da ETAR) (Fonte: PDSDAMM,
2016).
Figura 4.7. Câmara de chegada para elevação de esgoto da ETAR de Infulene (Fonte: Autor)
De seguida o efluente passa através de uma câmara de grades que têm a função de reter os
sólidos de maiores dimensões (plásticos, pedras, latas, madeira, papel, etc.), prevenindo os
depósitos e obstrução dos canais, das condutas ou de outros órgãos e equipamentos
(nomeadamente bombas) existentes a jusante, proporcionando deste modo uma maior
eficiência nos processos de tratamento posteriores (DE SOUSA, 2016).
Lagoas anaeróbias
Segundo o PDSDAMM, as lagoas anaeróbias foram dimensionadas para receber o caudal de
10 260 m3/d. A ETAR é composta por duas LA antigas de 98.39x52.16 m (Anexo 02), com
uma inclinação de taludes de 1:3 e duas LA novas de 56x90 m com inclinação de taludes de
1:2 (Anexo 03). A altura da água é de 3 e 5 metros para as lagoas antigas e novas,
respectivamente.
Lagoas facultativas
A ETAR é composta por duas unidades de LF com dimensões iguais a 320.31x119.68 m,
profundidades iguais a 1.8 m e inclinação de taludes de 1:3 (Anexo 04 e 05). A nível
37
As lagoas de maturação, têm a dimensão de 312x121 m, taludes com inclinação de 1:1 e altura
da água de 1.20 m (Anexo 06 e 07). As lagoas de maturação apresentam 5 divisões internas,
obtidas através da introdução de deflectores dispostos no sentido de maior lado, com o
objectivo de maximizar o tempo de retenção nas lagoas.
Das LM o efluente é direccionado a uma lagoa de efluente tratado, onde caso o efluente não
tenha atingido a qualidade necessária para a reutilização na rega, é submetido a um tratamento
adicional nos leitos de macrófitas.
38
Leitos de Macrófitas
A ETAR é composta por leitos de macrófitas de fluxo subsuperficial vertical (LMSSV)
primários e secundários. Os LMSSV primárias são compostos por 3 unidade de 122x48.80 m,
taludes com inclinação de 1:1, funcionando de forma alternada. Os LMSSV secundários são
compostos por duas unidades de 124.65x44 e taludes com a mesma inclinação também
funcionando de formas alternadas (Anexo 08, 09 e 10).
Tabela 5.1. Evolução da população servida pela ETAR do Infulene. Fonte: PDSDAMM (2016)
População
Fase Período Obra
(hab.)
Reabilitação e
Fase 1 2015 - 2025 Duplicação das 128 220
lagoas
Fase 2 > 2025 Arejamento 347 130
Fase 3 > 2040 ETAR intensiva 560 900
De salientar que a transição entre as fases acima referidas não está vinculada a um período de
retorno, dependendo apenas do desenvolvimento urbanístico, a evolução dos níveis de serviços
e da extensão da rede de colectores.
Figura 5.1. Novos colectores com ligação à ETAR do Infulene (Fase de duplicação) (Fonte:
PDSDAMM, 2016).
Como indicado na Tabela 5.1 a população servida pela ETAR de Infulene na Fase 1
(Duplicação do sistema de lagunagem), referente ao ano 2025 é de 128 220 habitantes. O caudal
afluente a ETAR, será determinado pela equação 2.1.
Com os dados acima apresentados teremos para o valor do caudal o seguinte resultado:
`
QVéW = 128 220 × 125 × 0.8 × 10D` × 1.20 = 16 668.60 m ad (2.1)
dados da Tabela 2.1 concentrações médias devido á diluição que ocorre no sistema pelo caudal
infiltrado.
A carga orgânica volúmica será determinada pela expressão asseguir, para uma temperatura
média do mês mais frio de 19.3º C.
g CBOG
Cbc[. = 20T − 100 = 20 × 19.3 − 100 = 286.00 a `
db] m d
[ o
FFJ a o ×Ep [Link] V aW
V
V = [ "Prs = 12 822.00 m` (2.3)
Fqp a o
V W
EF [Link]
t tu = = 0.78 d (2.2)
Ep [Link]
Como referido anteriormente o tempo de retenção não é um parâmetro directo de projecto, mas
um parâmetro de verificação (resultante da determinação do volume da lagoa), devendo estar
no intervalo de 3 a 6 dias. Por esse motivo o valor assumido para o tempo de retenção é de 3
dias. Desse modo deve-se recorrer ao cálculo do novo volume da LA usando a expressão 2.2.
É importante manter o valor do tempo de retenção hidráulica dentro dos limites pois com
tempos inferiores a 3 dias não seria possível a manutenção de uma população bacteriana estável
e consequentemente a eficiência da lagoa seria reduzida, haveria o acúmulo de ácidos no meio,
42
com a geração de maus odores. Com tempos de retenção superiores a 6 dias, a lagoa anaeróbia
poderia comportar-se como uma lagoa facultativa e isso é indesejável, já que a presença de
oxigênio é fatal para as bactérias metanogênicas, pois, tendo em vista que as lagoas anaeróbias
têm que funcionar como lagoas anaeróbias restritas (VON SPERLING, 1996, citado por
FASANARO, 2002).
Tendo em conta que já existiam na ETAR 2 lagoas anaeróbias antigas com 18 000m3 de
volume, o volume das lagoas novas seria de 50 005.80 - 18 000 = 32 005.8 m3.
Para uma profundidade das lagoas anaeróbicas novas de 5m teremos a seguinte área:
32 005.80
A = = 6 401.16 mF
5
Para 2 lagoas anaeróbias novas de dimensões iguais a área necessária para tratar as águas
afluentes de forma eficiente seria de 3 200.58 m2 para cada uma delas, e área das lagoas
existentes na ETAR de Infulene é de 3 000 e 3 432 m2 para duas lagoas antigas e duas novas,
respectivamente. Com isso pode-se concluir que as lagoas têm dimensões suficientes para tratar
as águas residuais afluentes.
VALORES VERIFICAÇÃO
DADOS UNID.
ACEITÁVEIS LA novas LA antigas
kg
Carga orgânica volúmica CBO5/m3 0.10 - 0.35 0.286 0.286
dia
Eficiência de remoção de CBO % 50 - 70 58.6 58.6
tRH - Caudal médio dias 3a6 3.14 3.14
Profundidade (Altura da água) m 3a5 5 3
Número de unidades un - 2 2
Volume por unidade m3 - 17 160 9 000
Área por unidade m2 - 3 432 3 000
!
A* = (2.4)
"#$%.+,-.
O rendimento de remoção de CBO5 na lagoa anaeróbia no verão será de 58.6 %, pelo que a
carga de CBO5 afluente à lagoa facultativa é de:
A carga orgânica superficial recomendada para uma lagoa facultativa é calculada tendo em
conta a temperatura média do mês mais frio. A expressão mais recomendada para o cálculo da
carga superficial é a expressão abaixo (Tabela 2.4).
1 518.18
A* = = 6.32 ha = 63 246.96 mF
240.04
63 246.96 × 1.8
t tu = = 6.83 d
16 668.60
Para uma profundidade das lagoas facultativas de 1.8m tem-se a seguinte área:
250 029
A*~ = = 138 905 mF
1.8
Para 2 lagoas facultativas de dimensões iguais a área necessária para tratar as águas afluentes
de forma eficiente é de 69 452.50 m2 para cada uma delas, e área das lagoas existentes na ETAR
de Infulene é de 33 523.90 m2. Com isso pode-se concluir que as lagoas têm dimensões
insuficientes para tratar as águas residuais afluentes.
Pelos modelos de fluxo contínuo e fluxo disperso tem-se para a concentração de CBO no
efluente, 1.59 e 20.48 g CBO5/m3 (Apêndice 01), respectivamente. Essa diferença deve-se ao
facto de o modelo de fluxo contínuo ser mais eficiente que os demais, e o método de fluxo
disperso ser mais proxímo a realidade. Para efeitos de verificção vai se considerar o valor
obtido pelo método de mistura completa.
• CBO particulada
g CBOGa
CBOI = CBOb]ú] + CBOcy~\]W = 18 + 21 = 39 m`
NB: A concentração total do CBO no efluente é de 39 mg CBO/l, que é menor que o máximo
recomendado para a irrigação (40 mg CBO/l segundo a norma Portuguesa).
g
(1 − 0.586) SJ Q (1 − 0.586) 220 am` × 16 668.60 m ad
`
Cbc[.{\|. = =
A* 67 047.80 mF
g CBOG kg CBOGa
= 22.64 a F = 226.43 ha d
m d
Este valor da carga orgânica superficial é aceitável por ser menor que a possível na época mais
fria que é de 240.04 kg CBO5/ha d.
d EFJ [Link] Vo
t tu = = o = 7.24 dias (2.2)
! Ep [Link] V aW
Este valor de tempo de retenção não é aceitável pois está além dos limites aceitáveis (15 – 45
dias).
46
A CBO total é:
g CBOGa
CBOI = CBOb]ú] + CBOcy~\]W = 30.82 + 21 = 51.82 m`
É possivel observar que a concentração do CBO no efluente da lagoa facultativa é maior que o
máximo aceitável segundo as directizes da norma portuguesa, isso devido a baixos tempos de
retenção.
SJ − S 220 − 51.82
E= × 100% = × 100 = 76.45%
SJ 220
Na Tabela 5.3 são apresentados os resultados do dimensionamento das lagoas facultativas:
VALORES
DADOS UNIDADES DIMENS. VERIFICAÇÃO
ACEITÁVEIS
kg CBO5/ha
Carga orgânica superficial 100 - 350 240.04 226.43
d
tRH - Caudal médio dias 15 - 45 15 7.24
Profundidade (altura da
m 1.5 - 2 1.8 1.8
água)
Número de unidades - 2 2
Volume por unidade m3 - 125 014.50 60 343.02
Área por unidade m2 - 69 452.50 33 523.90
Concentração de CBO no
g CBO5/ m3 - 91.08 91.08
afluente
Concentração de CBO no
g CBO5/ m3 - 39 51.82
efluente
Eficiência de remoção de
% - 87.18 43.11
CBO5
47
Eficiência de remoção de
CBO5 % - 82.27 76
(Anaeróbia+Facultativa)
É importante lembrar que nas lagoas facultativa ocorre a remoção de coliformes fecais, porém
em pequena escala comparando com as lagoas de maturação. Asseguir são demonstrados os
cálculos referentes a remoção de CF em LF:
• Número de dispersão
E E
d = " = = 0.333 (2.7)
aO `
• Coeficiente de remoção
16 668.60
V = t tu × Q = 15 × = 125 014.50 m`
2
• Dimensão da lagoa
V 125 014.50
A= = = 156 268.13 mF
H 0.8
Para uma relação C/L igual a 3, as dimensões da lagoa são as seguintes; C = 685m e L = 228m.
C C
= (n + 1)F = 3(4 + 1)F = 75
L L
E E
d=" = = 0.013 (2.7)
aO G
E E
d=" = = 0.351 (2.7)
aO [Link]
Lagoa de Maturação
• Tempo de retenção hidráulica
d Gq qqp.q Vo
t tu = = o = 3.53 dias (2.2)
! Ep [Link] V aW
50
Este valor de tempo de retenção não é aceitável pois está abaixo dos limites aceitáveis (10 – 20
dias) para lagoas com divisões internas.
Este sistema não cumpre com as directrizes da NP para a irrigação irrestrita (<102 CF/100 ml).
LAGOA VERIFICAÇÃO
DADOS UNIDADE ÚNICA COM DA LAGOA
DEFLETORES IMPLANTADA
Número de unidades - 1 1
Número de defletores - 4 4
tRH Total dias 15 3.53
tRH em cada lagoa dias - -
Volume por unidade m3 125 014,50 58 866.78
Área por unidade m2 156 268,13 36 804.24
Concentração de CF no afluente CF/100 ml 9.33x105 2.59x106
Concentração de CF no efluente CF/100 ml 80,50 2.57x105
Eficiência de remoção de CF % 99.991 90.08
unidades de
Unidades logarítmas removidas 4 1
logaritmo
Eficiência global de remoção de
% 99.9992 97.43
CF (Facultativa+Maturação)
unidades de
Unidades logarítmas removidas 5.1 1.59
logaritmo
51
Com os resultados obtidos nas tabelas 5.3 e 5.4, é possível verificar que a com as dimensões
das lagoas implantadas na ETAR, não é possível obter uma concentração dos poluentes no
efluente que esteja dentro dos limites impostos pela norma portuguesa para o CBO (<40mg/l)
e para os CF (100 CF/100ml), por isso, foi adicionado a jusante das lagoas de maturação, leitos
de macrofilas (Sistema Francês), com o objectivo de fornecer um tratamento adicional do
efluente de modo a obter um afluente com qualidade aceitável para o uso na irrigação.
[ "Pr Vo [ "Pr
• CBOG em massa afluente = SJ × Q = 51.82 Vo
× 16 668.60 W
= 863 766.85 W
`
16 668.60 m ad
AE = = 45 050.27mF
0.37 m amF d
`
g CBOa
863 766.85 d = 5 758.45mF
AE = g
150 amF d
52
O maior (45 050.27 m2) será escolhido para permitir a conformidade com todos os critérios de
projecto e produzir concentrações de efluentes exigidas. Os leitos têm uma relação C/L igual a
2.4. Assim os leitos de macrófitas deveriam ter dimensões de 137x328.22 m.
O primeiro estágio do sistema VF francês é composto por três unidades em paralelo (n=3, sendo
uma em funcionamento e duas em repouso), a área total necessária para o primeiro estágio é
de 135 150.81m2.
[ "Pra
863 766.85 W
• CBOG removida na primeira etapa = 0.90 × SJ = 0.90 × =
G JGJ.FV
[
17.25
V W
[ "Pra
863 766.85 W [
• CBOG efluente em massa na primeira etapa = − 17.25 = 1.92
G JGJ.FV V W
[
• fluxo de CBOG em massa na primeira etapa = 1.92 − 45 050.27 = 86 496.52
W
qp [Link] [
• Concentração de CBOG no efluente na primeira etapa = = 5.19
Ep [Link] Vo
Área de superfície necessária de um filtro com baseada na CBO afluente em massa (20g/m2 d):
g
86 496.52 ad
AE = g = 4 324.83mF
20 amF d
Área de superfície necessária de um filtro com base na taxa de carregamento hidráulico para a
segunda etapa é a mesma da primeira, assim, a área é de 45 050.27 m2. O segundo estágio
possui dois filtros em paralelo (A = 90 100.51 m2), alternando sua operação a cada 3,5 dias.
As eficiências de remoção dos poluentes apresentados na Tabela 2.6 só são atingidos caso
sejam cumpridos todos os critérios de dimensionamento dos leitos de macrófitas. A dimensão
53
das lagoas necessária para que os critérios sejam cumpridos é de 137x328.22 m para as lagoas
primárias e secundárias.
Quanto a eficiência de remoção dos CF segundo ALBOLD, et al. (2011), cumprindo todos os
critérios de dimensionamento dos leitos de macrófitas é possível obter uma eficiência de
remoção de 2 a 3 unidades logaritmas. Uma vez que os leitos de macrófitas implantados não
cumprem com o critério de carga hidráulica, não será possível obter um efluente com qualidade
microbiana aceitável.
Tabela 5.5. Dimensões que as lagoas da ETAR de Infulene deviam ter para atender ás exigências
exigidas para a rega.
6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
6.1 Conclusões
O presente trabalho foi realizado de forma satisfatória onde buscou-se analisar as soluções
propostas nas fases de reabilitação e duplicação do sistema de lagunagem de intervenção a
ETAR de Infulene para o tratamento da fase líquida, de modo a apurar se a ETAR é capaz de
garantir que os efluentes tenham qualidade necessária para o reuso na irrigação. Feito o estudo
foi possível concluir o seguinte:
A área ocupada pelas lagoas anaeróbias, facultativas, de maturação e pelos leitos de macrófitas
é de cerca de 18.23 ha, e para as dimensões necessárias para atender ás directrizes
anteriormente mencionadas a área é de 68.96 ha, que é mais que o triplo da área actualmente
ocupada. Tendo em conta que a ETAR está inserida em uma área predominantemente agrícola,
a implementação das dimensões das lagoas apresentadas na Tabela 5.5, teria um impacto
negativo na afectação, de forma permanente, em várias machambas, que constituem fonte de
rendimento da população o que implicaria compensações por essas perdas e possíveis
compensações por perda de terrenos agrícolas.
6.2 Recomendações
• Para a garantia de qualidade do efluente destinado a rega é a antecipação da fase 2 de
intervenção á ETAR que é o arejamento das lagoas facultativas, cujo principal objectivo
é o fornecimento de oxigênio necessário para a actividade microbiana através de
arejadores mecanizados.
• Após o término da reabilitação e duplicação dos sistemas de lagunagem recomenda-se
que se façam análises laboratoriais dos afluentes e efluentes da ETAR, de modo a se
confirmar o diagnóstico feito no âmbito deste estudo.
• Recomenda-se também a medição periódica dos caudais afluentes não só a ETAR do
Infulene, mas também em todas ETAR´s de Moçambique, pois isso permite
acompanhar com precisão a evolução dos caudais afluentes e consequentemente o
desenvolvimento urbanístico para que em trabalhos futuros de expansão da ETAR ou
construção de novas ETAR´s em Moçambique se possa usar dados históricos e estimar
com mais precisão os caudais afluentes.
• Criação de regulamentos que se adequem as condições climáticas de Moçambique, que
possam orientar a concepção e ou construção de novas ETAR´s, que possam definir
padrões de descarga de águas residuais domésticos no meio receptor dos CT, CF e CBO
pois estes contribuem massivamente para a poluição microbiológica.
56
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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APÊNDICES
Apêndice 01: DIMENSIONAMENTO DE LAGOA FACULTATIVA
1.1 Modelo de fluxo contínuo
= J × D = (1 − 0.586) × 220 × DJ.F×EG = 1.59 a `
1.2 Modelo do fluxo disperso
Coeficiente de remoção de CBO
• ARLEIVALA (1981)
= 0.132 × log . − 0.146 = 0.132 × log 240.04 − 0.146 = 0.168¡ DE ¢ = 20 °
• VIDAL (1983)
= 0.091 + 2.05 × 10D . = 0.091 + 2.05 × 10D × 240.04 = 0.14¡DE ¢
= 20 °
(0.168 + 0.14)
= = 0.154¡DE
2
¥
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©
(E§) ¤ ¦D(ED) פ ¦ (E§[Link]) פ × .ooo D([Link]) פ × .ooo
20.48 a `
61
ANEXOS