O Relógio da Senhora Mirna
Toda manhã, a senhora Mirna dava corda no antigo relógio de bolso que herdara do avô.
Ele não marcava as horas certas — pelo menos, não as nossas. Cada vez que seus
ponteiros davam uma volta completa, algo diferente acontecia na vila.
Na terça-feira, flores gigantes brotaram no telhado da padaria. Na quinta, todos os gatos
passaram a falar francês. No domingo, choveu geleia de morango por meia hora.
Ninguém sabia de onde vinham essas maluquices. Só Mirna sorria em silêncio, polindo seu
relógio com um paninho bordado.
Até que um dia, ela sumiu.
No lugar onde costumava sentar-se, deixaram apenas o relógio — parado, com os ponteiros
apontando para 13:13.
Desde então, a vila ficou quieta demais... E todos esperam, no fundo, que alguém curioso o
suficiente dê corda nele outra vez.