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História do Brasil Império: Liberalismo e Independência

O documento aborda a história do Brasil Império, focando na formação do Brasil independente e na influência das ideias liberais entre 1826 e 1836. Destaca eventos como a Revolução Pernambucana e a dissolução da Assembleia Constituinte, além de discutir a Proclamação da Independência e a Constituição de 1824. O texto também analisa as tensões entre centralização e autonomia nas províncias, refletindo sobre a natureza das elites políticas e a resistência popular.

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História do Brasil Império: Liberalismo e Independência

O documento aborda a história do Brasil Império, focando na formação do Brasil independente e na influência das ideias liberais entre 1826 e 1836. Destaca eventos como a Revolução Pernambucana e a dissolução da Assembleia Constituinte, além de discutir a Proclamação da Independência e a Constituição de 1824. O texto também analisa as tensões entre centralização e autonomia nas províncias, refletindo sobre a natureza das elites políticas e a resistência popular.

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas


Departamento de História
Prof. Dr. Rodrigo Goyena Soares
e-mail: [Link]@[Link]
1º semestre 2025 – FLH0341

H ISTÓRIA DO BRASIL IMPÉRIO


HISTORY OF THE B RAZILIAN EMPIRE

Unidade I – A formação do Brasil Independente

4. A reação liberal à formação centralizadora do Império (1826-1836)


 CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem. A elite política imperial.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. Capítulo 1: “Elites políticas e
construção do Estado” ; Capítulo 2: “A elite política nacional: definições”.
 BASILE, Marcello. “O laboratório da nação: a era regencial (1831-1840)”. In:
GRINBERG, Keila e SALLES, Ricardo. O Brasil Imperial, 1830-1870. Vol II. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.

Atividades econômicas no século XVIII

Fonte: THERY, Hervé e APARECIDA DE MELLO, Neli, Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território, 2a
edição, São Paulo: EdUSP, 2008, pp. 39

1
I] A influência das ideais liberais e sua recepção no Brasil

o 1815: Reino lusitano foi elevado à condição de Reino Unido de Portugal, Brasil e
Algarves.
 Brasil não poderia mais ser taxado mais de colônia.
o Congresso de Viena (1815) e seus efeitos no Reino Unido:
 Para portugueses europeus, não havia necessidade em manter a sede da
Coroa no Rio de Janeiro, pois guerras napoleônicas haviam findado.
 Para portugueses americanos, as emancipações espanholas recordavam
ao rei quão delicada era a situação na América.
 Fratura brasileira:
 Centralização no Rio de Janeiro.
o Capitanias do Norte mais ligadas a Lisboa do
que ao Rio de Janeiro.

o Crise pernambucana:
 1817: Motim de militares ordenou aprisionamento de representantes da Coroa.
 Abolição de impostos que deveriam ser escoados para o Rio de Janeiro.
 Esboço de uma Constituição, quando Alagoas, Paraíba e Rio Grande do
Norte aderiram ao motim.
 Composição dos revoltosos:
 Militares.
 Proprietários rurais.
 Juízes.
 Representantes do clero (Revolta dos Padres?)
 Comerciantes locais, em concorrência com varejistas portugueses.
 Artesãos, boticários, cirurgiões (Revolta Popular?).
 Interesses dos insurretos:
 Antilusitanismo.
 Reivindicação de igualdade, entre camadas baixas.
 Reivindicação de autonomismo, para classes dirigentes
pernambucanas.
o Momento de queda no preço internacional do açúcar.
 Resultados:
 O poder coercitivo do Rio de Janeiro:
 Envio de tropas reais.
 Pernambucanos tentam convencer Washington e Londres, para fornecer
apoio bélico.
 Sem resposta!
 Elaboram plano de intervenção em Santa Helena,
para libertar Napoleão, que, em troca, deveria
auxiliar rebeldes em suas ações militares.

 Debate historiográfico

o Revolução Pernambucana foi antessala da Independência?


 Ideias autonomistas e liberais.
 Reformismo, republicanismo e federalismo.
 Evaldo Cabral de Mello:

2
o Imaginário de resistência pernambucano:
 Invasões holandesas do século XVII.
 Consolidação de uma nobreza da terra pernambucana.
 Seca de 1816 agrava as tensões.
 Ideário ligado, ainda, à Revolta dos Mascates (1710-
1711).
 Lúcia Bastos Pereira das Neves:
o O Seminário de Olinda, constituído em 1800, teria fornecido
instrução maçônica aos clérigos: iluminismo.

 Do outro lado do Atlântico, em Portugal, tampouco havia clima política pacífico:


 1816: Falece Maria I.
o Dom João VI é coroado no Brasil!
 1817: Revolta de Gomes Freire.

3. O constitucionalismo português

 O Vintismo, levante constitucionalista no Porto, assume duas faces:


 Face liberal: limitação do poder real.
 Convocação das Cortes para deliberar sobre projeto constitucional que
deveria pôr fim ao absolutismo português.
 Face conservadora: restringir autonomia do Brasil e desfazer os
tratados com a Inglaterra.
 Exige-se o regresso do Dom João VI.

No Brasil, novas cisões:

o Bahia e Pará: a favor do Vintismo.


o Províncias do Sudeste e Sul: contra o Vintismo.

Resultado:
o Constituição vem à tona em Portugal.
 Dom João VI regressa a Lisboa em 3 de julho de 1821.
o Pedro de Alcântara fica no Brasil: “antes para ti, meu filho,
do que para um aventureiro”.
o 1821: eleições paras as Cortes de Lisboa.
 Pedro associa-se a facções brasileiras conservadoras:
o Defesa do Império luso-brasileiro.
o Manter unidade bipolar do reino.
 9 de janeiro de 1822: Dia do Fico.

 Visões historiográficas clássicas

o Oliveira Lima (década de 1900):


 É fetichismo historiográfico associar independência brasileira à
emancipação espanhola.
 Desquite amigável.
 Grito de Ipiranga somente consolidaria situação latente.
 Independência começa em 1808.

o José Honório Rodrigues (década de 1970):

3
 Revolução e contrarrevolução:
 Tendência histórica, desde a colônia, à conciliação.
o Seria modus operandi das elites brasileiras, para evitar
choques de interesses e conflitos violentos e abertos
com o povo.
o Resultado dessa tendência foi impedimento do povo
como protagonista da história brasileira.
o Mas! Isso não quer dizer que história foi pacífica:
 Há conflitos que não se arranjaram pela
conciliação.
o Ainda assim, nunca teria havida revolução vitoriosa no
Brasil.
 Independência:
 Houve movimento popular inicial,
jacobino e nacionalista, embasado em
sentimentos nacionais brasileiros pré-
existentes, contrário a Portugal e
sustentado pelas forças armadas; mas
logo sufocado por uma
contrarrevolução elitista, que, vitoriosa,
significou o triunfo da conservação.
 Independência não foi desquite
amigável.
 Houve ruptura em 1822, porque Cortes
tinham objetivo de recolonizar o Brasil.

o Maria Odila Leite Dias (década de 1970):


 Independência é processo, e não ruptura.
 Continuidade das elites dirigentes antes e depois da Independência.
 Formação coimbrã.
 “As elites coloniais viveram mais em conivência com as autoridades
portuguesas do que em conflito. É o que torna sui generis o processo
de separação de Portugal, que se deu quase a contragosto”.

 Causas aparentes da Independência:

o Janeiro de 1822: Dom Pedro forma Conselho Ministerial, presidido por José
Bonifácio de Andrada e Silva, membro da facção conservadora brasileira, para
aproximar o Rio de Janeiro às demais províncias.
o Gonçalves Ledo denuncia excessos das Cortes portuguesas:
 Revérbero Constitucional Fluminense.
o Maio de 1822: “Cumpra-se”.
o Junho de 1822: convocação de assembleia de deliberação, para evitar
fragmentação do Brasil em provinciais rivais.
o Agosto de 1822: Dom Pedro proclama inimigas as tropas portuguesas que
alcançassem o Brasil sem consentimento do regente.
o Ainda em agosto de 1822: irrompe, em São Paulo, revolta popular.
 Nega-se condição do Brasil como província autônoma de Portugal.
 Apoio a Dom Pedro.
o Dom Pedro vai para São Paulo.
 Lisboa envia tropas ao Rio de Janeiro.
o Setembro de 1822: Proclamação da Independência.

4
o Outubro de 1822: Câmaras Municipais aderem à Independência.
 Pedro é aclamado rei e defensor perpétuo do Brasil em festividade
popular.
o 10 de dezembro de 1822, há exatos 182 anos da ruptura da União Ibérica,
Pedro de Alcântara é proclamada Pedro I do Brasil.

Coroação de d. Pedro I – Jean-Baptiste Debret

II] O Primeiro Reinado (1822-1831)

 A Assembleia Constituinte de 1823


 Formação do novo ministério: José Bonifácio de Andrada e Silva
 País fraturado: 11 mil tropas portuguesas contra 13 mil brasileiras.
o Por que dar uma Constituição ao novo Império?
 Garantir unidade territorial.
 Integrar preceitos liberais.
 Fazer o povo brasileiro.
 3 de junho de 1823: convocação da Constituinte.
o Dom Pedro I somente juraria à nova Constituição se a julgasse digna dele.
 Contornar possíveis excessos liberais.
o Formação de duas alas:
 Deputados coimbrãos.
 Modelo constitucional da França de Louis XVIII.
 Deputados radicais.
 Modelo constitucional britânico, com novidades:
o Impossibilidade de o Imperador dissolver assembleia
e de vetar legislação da assembleia.

5
 Contra nomeação dos presidentes de província pelo
Imperador.
o Mediador: José Bonifácio de Andrada e Silva
 Conciliação sem alterações à ordem centralizadora e à
unidade nacional.
 Oposição ao grande latifúndio e à escravidão, mas
conivência inevitável?
 Ética da responsabilidade / ética da convicção.
 Projeto que vem à tona é de autoria liberal:
o Rígida separação de poderes.
o Liberalismo econômico.
 Mas!
 Silêncio quanto à escravidão e ao latifúndio.
o Um artigo altera o equilíbrio: voto seria censitário e indireto, mas o critério de
renda era baixo: comprovação mínima de 150 alqueires de farinha de
mandioca.
 Constituição da mandioca!

 11 de novembro de 1823: Pedro I dissolve a Assembleia Constituinte.


o Inspiração no movimento português da Vilafrancada: 3 de junho de 1823,
pôs-se fim à experiência liberal das Cortes.
 Restauração do poder absolutista de Dom João VI.
o No Brasil, a Vilafrancada tornou-se “A Noite de Agonia”.
 Exílio dos irmãos Andrada.
 Juras de Pedro I, contudo: daria uma constituição duplamente mais
liberal.

 A Carta de 1824

 Aspectos liberais
o Não era radicalmente diferente do anteprojeto de 1823:
 Poder executivo: Imperador e Ministros (nomeados pelo Imperador)
 Poder legislativo bicameral: Câmara de Deputados e Senado vitalício.
 O conjunto chamava-se a Assembleia Geral do Império.
 Poder judiciário: Corte Suprema.

o Garantia de direitos individuais e políticos: novidade em escala mundial.


 Cidadão? Homem e livre.
 Alforriados não votavam, a menos que nascidos no Brasil.
 Menores de 25 anos não votam, excetos casados e bacharéis em direito.
 Não se exige alfabetização para votar.
 Voto censitário masculino: renda de 100 mil réis para votar e de 200 mil
réis para ser votado.
 Participação política alta!
 Artigo 179: gratuidade da instrução pública.

o Religião católica oficial, mas tolerância com outras matrizes.


 Padroado mantido.
 Poder de beneplácito.

6
 Aspectos conservadores
o Centralização.
 Conselho Geral Provincial para cada província: representação
popular, mas sem função legislativa.
o Poder Moderador.
 Benjamin Constant.
 Dissolver Câmara de Deputados.
 Sancionar decretos e resoluções legislativas.
 Condução da política externa.
 Irresponsabilidade do Imperador.
o Conselho de Estado: dez ministros, nomeados pelo Imperador.
 Conselheiros deveriam ser ouvidos em todos os negócios graves
(guerra, ruptura diplomática etc.), mas o Imperador não estava
obrigado a seguir as recomendações dos conselheiros.
 Quatro seções: Justiça e Estrangeiros, Império, Fazenda e
Marinha e Guerra.

 A Confederação do Equador (1824)


o Insatisfações em relação à dissolução da Constituinte e à instituição do
Poder Moderador:
 O Poder Moderador da nova invenção maquiavélica é a chave
mestra da opressão da nação brasileira e o garrote mais forte da
liberdade dos povos, Frei Caneca.
o Pernambuco é epicentro: imaginário de 1817.
 Somaram-se Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
o Em julho de 1824, forma-se a Confederação do Equador.
 Ideais republicanas e federalistas contra portugueses, vistos como
monárquicos e centralizadores.
 Instituir Constituição nos moldes liberais e federativos
daquela de Cúcuta, na Colômbia, de 1821.
 Dom Pedro I era brasileiro?
 Manuel de Carvalho solicita a intervenção do State
Department contra a possível ingerência de embarcações
inglesas e francesas ancoradas a poucos milhas de Recife.
o Doutrina Monroe!
o Os insurretos eram urbanos, de camadas populares.
 Participaram também comerciantes e proprietários rurais.
o Tropas reais debelam movimento.
 Frei Caneca é fuzilado.

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