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Declínio do Império Brasileiro: Proclamação da República

O documento aborda o declínio do Império Brasileiro, focando na Proclamação da República em 1889 e eventos significativos como a Guerra da Tríplice Aliança e o reformismo do pós-guerra. Destaca as tensões políticas, as reformas sociais e econômicas, e a crescente mobilização abolicionista que culminou na abolição da escravidão em 1888. A análise inclui a influência de ideias novas e a formação de movimentos republicanos e abolicionistas no Brasil.

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Declínio do Império Brasileiro: Proclamação da República

O documento aborda o declínio do Império Brasileiro, focando na Proclamação da República em 1889 e eventos significativos como a Guerra da Tríplice Aliança e o reformismo do pós-guerra. Destaca as tensões políticas, as reformas sociais e econômicas, e a crescente mobilização abolicionista que culminou na abolição da escravidão em 1888. A análise inclui a influência de ideias novas e a formação de movimentos republicanos e abolicionistas no Brasil.

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas


Departamento de História
Prof. Dr. Rodrigo Goyena Soares
e-mail: [Link]@[Link]
1º semestre 2025 – FLH0341

H ISTÓRIA DO BRASIL IMPÉRIO


HISTORY OF THE BRAZILIAN EMPIRE

Unidade III – O declínio do Império

12. A Proclamação da República (1889)


• COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república. Momentos decisivos. São Paulo:
Editora UNESP, 1999. Capítulo 10: “Sobre as origens da República” ; e Capítulo 11: “A
Proclamação da República”.
• SCHULZ, John. O Exército na política. Origens da intervenção militar, 1850-1894. São
Paulo: EdUSP, 1994. Capítulo 8: “Um momento de esperança”.
• GOYENA SOARES, Rodrigo. Entre oligarquias. As origens da república brasileira, 1870-
1920. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2024. Capítulo 3.

1. A Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai

▪ Fraturas entre os liberais:


o Crise ministerial de 1868.
▪ Formação do Centro Liberal.
• Além das tradicionais reivindicações dos liberais:
o Reforma do Código de Processo Criminal.
o Reforma eleitoral (voto direto).
o Emancipação gradual dos cativos (ventre livre).
▪ Clube da Reforma x Clube Radical
• Do Clube Radical surge o Manifesto Republicano de 1870.
o Fim da Guarda Nacional.
o Fim da vitaliciedade do Senado.
o Fim do Conselho de Estado.
o Fim do Poder Moderador.
o Eleição dos Presidentes de Província.
o Sufrágio universal direto (masculino).
o Abolição imediata da escravidão?

▪ Tensões com a Argentina

1
Fonte: GÓES FILHO, Synésio Sampaio. Navegantes, bandeiras e diplomatas. Brasília: FUNAG, 2020.

2
2. O reformismo do pós-guerra

– Gradualismo emancipatório: a Lei do Vente Livre

– 1871: Visconde do Rio Branco assume a chefia do gabinete.


– Projeto de lei de 1871:
» Dava ao senhor de escravos direito ora de manter sob sua
posse o ingênuo, usufruindo de seus serviços até que
completasse 21 anos, ora de o entregar ao governo após os
8 anos completos do ingênuo sob compensação pecuniária
financiado com títulos do Tesouro.
» Previa fundo provisório de emancipação: atender às
indenizações e à educação dos ingênuos.
» Manutenção dos laços de família.
» Formação de pecúlio.
» Matrícula oficial da população cativa.
– Oposição ao projeto:
• Senhores rurais do Sudeste: projeto estimularia rebeliões escravas.
• Seria um ditame unilateral de Rio Branco.
– Apoio ao projeto:
• Província do Norte: escravidão em extinção e receberiam recursos com apoio
dado a Rio Branco (seca “setentinha”).

– 28 de setembro de 1871:
– Aprovação do projeto da Lei do Ventre Livre.
• Efeitos:
– Escravidão torna-se questão de tempo.
– Número de escravos cai de 1,5 milhão, em 1872, para 723 mil, às
vésperas da abolição, em 1888.

– Demais reformas de Rio Branco

– Reformas econômicas:
• Reduziram-se os juros da carteira hipotecária rural do Banco do Brasil.
• Desonerou-se o produtor agrícola dos impostos regulamentados para
indústrias e profissões, assim como as máquinas e os insumos benéficos às
atividades rurais.
• Investimento na infraestrutura de comunicação: correios, estradas de
rodagem, tráfego de cabotagem, ferrovias e portos.
» Em 1871, o Império contava com 869 quilômetros de
ferrovias.
» Em 1875, eram 1801 quilômetros.
• Tentativa de aprovar uma lei de locação de serviços.
• Registro Geral das Terras Públicas.
• Instituição do sistema métrico decimal.

– Reforma do Código do Processo Criminal:


• Ampliação do habeas corpus.
• Regulamentação da prisão preventiva.
• Separação das funções jurisdicionais das policiais.
• Ampliação das liberdades individuais.

– Terceira reforma da Guarda Nacional:


• Diminuição do contingente.
• Mobilização somente em caso de guerra interna ou externa.

3
– Lei do Recrutamento Militar (1874):
• Substituição do aliciamento forçado e aleatório por regime que obrigava
homens entre 19 e 25 anos a servir no Exército.
– Poucos efeitos: isenções (bacharéis padres, proprietários rurais).
– Sistema eleitoral:
• Lei do Terço: aumentar participar das minorias representadas na Câmara.

3. Reações propositivas

– Revolta Quebra-Quilos (1872-1877):


• Contra novo padrão métrico (instituído em 1862, com prazo de 10 anos para entrar
em vigor).
• A questão religiosa (1872-1875):
– Embora tenha ocorrido durante o reformismo de Paranhos, insere-se
mais na lógica de crise imperial.
– O quê foi a questão religiosa?
» Como resposta ao enfraquecimento da Igreja católica que
promoveu a unificação italiana, o Papa Pio IX promulga a Bula
Syllabus em 1864.
– Condena-se o racionalismo, o socialismo, o
comunismo, o judaísmo e a maçonaria nas
irmandades religiosas.
» Maioria da elite política brasileira era maçônica.
– Dom Pedro II gozava do poder de beneplácito.
– Visconde do Rio Branco aconselha fazer
uso do beneplácito contra a Bula Syllabus:
Imperador acata.
– Porém: Bispos de Olinda (Dom Vital) e de
Belém (Dom Macedo) mostram-se
rebeldes às recomendações do ministério
de Paranhos: excomungaram maçons e
proibiram o ingresso desses nos claustros
católicos.
– Os dois Bispos terminam presos.
II) Reação à Lei de Recrutamento Militar (1874):
– Nova lei remetia ao recrutamento forçado durante a Guerra do Paraguai.
• Primeiro legado de um movimento liderado pelas mulheres no Brasil.

III) Em São Paulo:


– Fundação do PRP, em 1873, na Convenção de Itu.
• Eram fazendeiros de café ainda vinculados ao sistema escravocrata:
– Não surpreende, portanto, que republicanos do Rio de Janeiro
tenham silenciado, pelo menos até meados da década de 1880, sobre
a questão da escravidão.
– Aderir ao abolicionismo seria perder o apoio dos republicanos
paulistas.
– Expansão do republicanismo:
• Jornais, pasquins, clubes em todo o país.
• Influência nas universidades.
– Aderem médicos, juristas e militares (Escola Militar do RJ, fulcro de
teses positivistas).
– Reivindicações:
» Extinção do Poder Moderador.
» Sistema eleitoral.
» Contra centralização.

4

“somos da América e queremos ser americanos. A
nossa forma de governo é, em sua essência e em sua
prática, antinômica e hostil aos interesses dos
Estados americanos. A permanência dessa forma
tem de ser forçosamente, além da origem da
opressão no interior, a fonte perpétua da
hostilidade e das guerras com os povos que nos
rodeiam” (Quintino BOCAIÚVA e Joaquim
SALDANHA MARINHO)
– As reivindicações econômicas do Oeste Paulista.
• Mão de obra
• Capitais

Mapa 1: A fronteira do café entre 1820 a 1930

I) Fonte: THÉRY, Hervé e MELLO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil. Disparidades e dinâmicas do território. São Paulo:
EdUSP, 2008 [com adaptações]

5
Produção cafeeira por zonas em percentuais da produção brasileira total, 1870-1930

90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
1870 1875 1880 1885 1890 1895 1900 1905 1910 1915 1920 1925 1930

Zona do Rio Zona de Santos

Fonte: MARTINS & JOHNSTON (1992); LUNA & KLEIN (2014)

Gráfico 2: Saldo da carteira hipotecária rural do Banco do Brasil em contos de réis (1874-1888)

35000

30000

25000

20000

15000

10000

5000

0
1874 1875 1876 1877 1878 1879 1880 1881 1882 1883 1884 1885 1886 1887 1888

Total de hipotecas rurais Para o Rio de Janeiro Para São Paulo Para Minas Gerais

Fonte: Relatórios do Banco do Brasil (1874-1888) e Relatórios do Ministério da Fazenda (1874-1888)

6
4] O mundo das ideias

– Surgimento de um “bando de ideias novas”, na expressão se Sílvio Romero.


– Eram novas filiações intelectuais e doutrinárias, difusas em suas representações e com
personagens mais plásticos do que rígidos.
• Não era uma corrente autônoma de pensamento.
• A geração de 1870, como ficou conhecida, era composto por personagens tão
díspares quanto Joaquim Nabuco, Sílvio Romero e Lopes Trovão.
– Bandeiras: liberalismo, abolicionismo, positivismo e federalismo.
– Historiografia:
• Angela Alonso: Geração de 1870 foi pano de fundo para a crise do Império.

5] A resolução da questão servil

– 1878: Cansanção de Sinimbu nomeado chefe do gabinete.


– Gradualismo emancipatório vs. abolição.
• Joaquim Nabuco propõe data limite de 1890.
– Câmara rejeita, mas Nabuco lança projeto abolicionista:
» No Brasil:
• Sociedade Brasileira Contra a Escravidão.
• Associação Central Emancipadora.
– 1883: Confederação Abolicionista.
» No exterior:
• 1880: viagem à Europa.
– Contatos com o Foreign Society for the
Abolition of Slavery.
– Condução da emancipação no Brasil:
• 1884: Ceará declara-se livre da escravidão.
– Anos antes, havia-se decidido não mais embarcar escravos para os
portos do Sudeste.
• 1885: Amazonas junta-se ao Ceará.
– Cresce pressão abolicionista nas províncias onde a economia estava
ligada à escravidão.
» No Nordeste: BA/MA/PE.
» No Sudeste: MG/RJ/SP.

– Forte mobilização abolicionista na década de 1880.


– Mundo rural:
• Queimadas de Campos no Rio de Janeiro.
• Movimento dos Caifazes em São Paulo.
– Mundo urbano:
• Jornais, poetas e advogados.
• Luís Gama, ex-escravo baiano e advogado: 1000 casos ganhos!
• Formação de quilombos.

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