Microbiologia
Licenciatura em Farmácia
2024-2025
Crescimento Bacteriano:
Reprodução bacteriana:
• As bactérias reproduzem-se por fissão binária em que uma célula
mãe origina duas novas células, em tudo idênticas à célula original
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Crescimento Bacteriano:
Reprodução bacteriana:
Tempo de geração
Teoricamente em condições ideais as bactérias têm um crescimento
exponencial (ou logarítmico)
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Crescimento Bacteriano:
Reprodução bacteriana:
O tempo de geração (tempo que medeia duas divisões), varia
consoante a bactéria:
Escherichia coli é de +/- 20 min
Mycobacterium tuberculosis ˃24h
Fatores que influenciam:
*nutrientes, temperatura, pH
e outros.
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Crescimento Bacteriano:
Curva de crescimento bacteriano:
Fase lag ou de latência: período de adaptação, grande atividade metabólica, ausência
de divisão celular
Fase log ou logarítmica: divisão celular máxima, é necessário fatores ao crescimento
favoráveis
Fase estacionária: escassez de nutrientes, acúmulo de metabolitos tóxicos, bactérias
crescem muito lentamente e o número de células mantém-se constante (nº de células
mortas igual a células novas)
Fase de morte ou declínio: morte das bactérias, pode ser lenta ou exponencial
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Crescimento Diáuxico:
A fase log sofre breves interrupções
• quando ocorre o esgotamento de um dado nutriente e a bactéria opta pelo
consumo de outra diferente.
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Fatores que afetam o crescimento bacteriano:
1. Exigências Nutricionais
A composição elementar das células bacterianas revela-nos quais são os seus
requisitos nutricionais básicos:
*água – representa 80 a 90% do peso total da célula
*macronutrientes – nutrientes essenciais exigidos em grande quantidade,
desempenham papéis fundamentais na estrutura e metabolismo da célula (exemplo –
carbono, oxigénio, azoto, hidrogénio, fósforo)
*micronutrientes – elementos mínimos ou residuais, necessários em
pequenas quantidades, mas cuja presença é importante, funcionalmente
indispensáveis (exemplo – manganês, cobalto, zinco, cobre, molibdénio)
Escherichia coli
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Fatores que afetam o crescimento bacteriano:
2. Fatores de crescimento
Compostos orgânicos que o organismo necessita para o seu desenvolvimento
(Carbono, Enxofre, Azoto e Oxigénio). O meio envolvente é o fornecedor dessas
substâncias e a necessidade varia com a espécie (ex. vitaminas)
Quanto à necessidade de fatores de crescimento:
Auxotróficos
• Necessidade de fatores de crescimento –
vitaminas, aminoácidos, purinas e
pirimidinas
Prototróficos
• Independentes de fatores de crescimento
(metabolismo autosuficiente)
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2. Fatores de crescimento
• Quanto à fonte de carbono podemos classificá-los:
Heterotróficos Autotróficos
Utilizam compostos orgânicos Utilizam o CO2 (facultativo ou
exclusivo)
• Quanto às necessidades energéticas e fontes de energia:
Quimiotróficos
Energia de reações sem luz, podendo ser:
quimiorganotróficos e quimiolitotróficos
Fototróficos
Energia obtida por reações fotoquímicas,
necessidade de luz
Paratrofia
Energia fornecida pela célula hospedeira
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3- Temperatura
Cada espécie bacteriana apresenta uma temperatura ideal de crescimento –
temperatura em que a sua atividade metabólica é máxima, o que contribui para
a sua rápida multiplicação
Termodúricos:
Microrganismos que resistem ou toleram exposições a temperaturas elevadas
(choques térmicos) desde que a exposição não seja prolongada
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4. pH
As bactérias apresentam um valor de pH ideal para o seu desenvolvimento,
podendo desenvolver-se em ambientes com um pH diferente do seu ideal.
A maior parte dos ambientes naturais têm valores de pH entre 5 a 9 permitindo
o desenvolvimento de um grande número de microrganismos.
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5. Atividade da água
A água é o principal componente celular, razão pela qual a sua disponibilidade é
indispensável à sobrevivência. A disponibilidade da água para um organismo
expressa-se em termos físicos
Atividade da água (aw), expressa de 0 a 1
A atividade da água pura é 1 (100% água).
Quanto maior a quantidade de solutos dissolvidos, menor a quantidade de água
– logo aw mais baixo
aw ≥ 0.98
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5. Atividade da água
A variação da tolerância de sal pelas bactérias permite classificá-las:
• Não halofílico 0% de NaCl
• Halotolerante ˂3% de NaCl
• Halófilo ~3% de NaCl
• Halófilo extremo 15- 30% de NaCl
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6. Oxigénio
A importância da presença de oxigénio é heterogénea perante as diferentes
espécies de bactérias. De acordo com a dependência ou tolerância à presença
de oxigénio podem ser classificadas:
Aneróbios
Aeróbios estritos Microaerofílicos Facultativos
Dependem da Aeróbios estritos Não dependem da
presença de O2 que crescem na presença de O2
presença de para o
baixas crescimento,
concentrações de podem utilizá-lo
O2 (5%)
Anaeróbios
Anaeróbios Estritos aerotolerantes
Não crescem na Não precisam de O2
presença de O2, a sua mas crescem na sua
presença é letal presença
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6. Oxigénio
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6. Oxigénio
A presença de O2 gera radicais de superóxido (O2-) e eventualmente há
formação de peróxido de Hidrogénio (H2O2) – substâncias tóxicas para os
microrganismos.
Bactérias que crescem na presença de oxigénio produzem:
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6. Oxigénio
Source: Tortora, G., Funke, B. and Case, C. (2015). Microbiology. Harlow, United Kingdom: Pearson Education Limited.
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Patogenicidade e virulência
bacterianas
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Patogenicidade Bacteriana vs virulência bacteriana:
Um microrganismo diz-se patogénico quando apresenta capacidade de causar
doença num hospedeiro
• Patogenicidade refere-se à capacidade de um microrganismo de causar
dano num hospedeiro
• Virulência refere-se ao grau de dano causado pelo microrganismo.
(Casadevall and Pirofski, 1999).
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Patogenicidade Bacteriana vs virulência bacteriana:
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Virulência bacteriana:
Virulência:
Genética Bioquímica Estrutural
Existem duas maneiras pelas quais as bactérias podem manifestar a sua
virulência:
1. Capacidade de invasão
(Salmonella typhi)
2. Capacidade de produzir toxinas
(Clostridium tetani)
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1. Capacidade de Invasão:
A invasão de um organismo por bactérias patogénicas implica que o
agente invasor possua:
• Mecanismos de colonização – capacidade de adesão e
multiplicação (1.1)
• Capacidade de produzir substâncias extracelulares que facilitam a
invasão (invasinas) (1.2)
• Capacidade de ultrapassar as defesas do hospedeiro, tornando
viável a sua permanência (1.3)
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1.1. Adesão
O 1º passo numa infeção ou colonização de superfícies, pressupõe uma ligação estável
entre o microrganismo e as células do hospedeiro. Esta pode ocorrer:
- Interações não específicas
- Ligações específicas (envolve a formação de ligações entre moléculas
complementares presentes nas células do hospedeiro (recetores celulares) e
estruturas ou moléculas presentes nos microrganismos (ligando bacteriano ou
adesinas))
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Fatores que promovem a Adesão Bacteriana
Fímbrias
Ác. Teicóicos e
Pili
Lipoteicóicos
Fatores de
Aderência
LPS Cápsula
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1.2. Invasão
A invasão do organismo hospedeiro por um microrganismo patogénico é
geralmente auxiliada pelo facto do microrganismo invasor poder produzir
substâncias extracelulares que atuam contra as defesas do hospedeiro (ex.
destruindo células epiteliais) – Invasinas.
- As invasinas atuam na vizinhança do local de crescimento bacteriano e
não aparentam capacidade de matar as células.
- Ex. hialuronidase, colagenase, neuraminidase, coagulase,
leucocidina, hemolisina, fosfolipases…
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1.3. Escape ao sistema imunitário- defesas bacterianas contra os fagócitos
• Quando as bactérias invadem um tecido são expostas à ação dos fagócitos e se
não os conseguirem evitar serão facilmente digeridas e mortas.
• Algumas bactérias patogénicas conseguem interferir na atividade dos fagócitos.
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1.3.1. Evitar o contato com fagócitos
• Permanecer em regiões inacessíveis aos fagócitos (ex. em tecidos internos
como glândulas, bexiga ou nos tecidos externos como pele) onde estes não
estão presentes.
• Evitar provocar ou aumentar a resposta inflamatória (menor quimiotaxia
através da produção de substâncias que a inibem)
• Revestimento do exterior da célula bacteriana com componentes idênticos
ou mesmo os dos hospedeiro, evitando o seu reconhecimento. Ex.
coagulase em S. aureus formação de fibrina ao redor da bactéria
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1.3.1. Evitar o contato com fagócitos
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1.3.2. Inibição da fagocitose
Quando ocorre o contato entre os fagócitos e as bactérias patogénicas, estas empregam
variados processos de modo a impedir a sua ingestão:
• Presença de cápsula
• Presença de substâncias na parede bacteriana com atividade antifagocítica
1.3.3. Sobrevivência dentro dos fagócitos
As bactérias conseguem sobreviver e multiplicar dentro dos fagócitos – parasitas
intracelulares. Estas bactérias obtêm proteção contra a atividade bactericida de
determinadas substâncias extracelulares (ex. anticorpos e antibióticos)
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1.3.3. Sobrevivência dentro dos fagócitos- mecanismos
• Inibição da fusão do fagossoma com o lisossoma – através da ação de alguns componentes
da parede celular que induzem alteração na membrana do fagossoma.
• Sobrevivência dentro dos fagolisossomas – por ação de componentes de superfície e/ou
substâncias excretadas.
• Fuga do fagossoma – algumas bactérias são capazes de passar o citoplasma dos fagócitos
pouco tempo depois da sua ingestão. A fuga supõe que seja devida a ação de enzimas
bacterianas (fosfolipase) que de algum modo degradam a membrana do fagossoma
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1.3.4. Produtos bacterianos que matam ou danificam os fagócitos
Várias bactérias patogénicas produzem substâncias que causam danos e morte a
fagócitos – Agressinas (toxinas extracelulares). A morte do fagócito pode ocorrer
antes ou depois de este ingerir a bactéria.
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Fuga ao Sistema Imunológico do Hospedeiro
Após a invasão de um organismo, variados microrganismos desenvolveram diferentes
estratégias para não serem reconhecidos pelo sistema imunológico do hospedeiro (não
havendo produção de anticorpos) ou escapar às respostas imunológicas (impedindo a
ação de anticorpos)
Imunossupressão Anticorpos absorvidos
Pobreza antigénica por antigénios
(menor expressão) (diminuição da resposta bacterianos solúveis
imunológica) (neutralização)
Infeção de locais
Variação de antigénios
Interferência na privilegiados
(nível de fímbrias e
atividade de anticorpos (desprovidos de Sistema
proteínas estruturais
(enzimas) imunológico – SNC,
exteriores)
testículos)
“Aquisição” de Evitar a ação do
Indução da produção de
antigénios do complemento (presença
anticorpos ineficazes
hospedeiro de cápsula)
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2. Capacidade de produzir Toxinas:
As bactérias podem produzir dois tipos de toxinas:
Exotoxinas Endotoxinas
Componentes estruturais da
Produzidas pela célula bacteriana parede celular das bactérias
e libertadas para o organismo -GRAM negativas -LPS
hospedeiro -GRAM positivas - Ác. Teicóicos
ou lipoteicóicos
Lipopolissacarídeos libertados a
Natureza proteica e comportam- partir de células bacterianas em
se como enzimas crescimento ou células destruídas
pelo hospedeiro ou antibióticos
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2. Capacidade de produzir Toxinas:
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Características das endotoxinas e exotoxinas bacterianas:
Propriedades Endotoxinas Exotoxinas
Natureza química Lipopolissacarídea Proteíca
Relação com a Parte da membrana Extracelular
célula exterior
Desnaturado pela Não Geralmente
fervura
Atividade antigénica Sim Sim
Forma toxoide Não Sim
Potência Relativamente baixa Relativamente alta
(˃100µg) (1µg)
Especificidade Baixa Alta
Atividade Não Geralmente
enzimática
Pirogenicidade Sim Ocasionalmente
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