Funções e Transformações Lineares
Funções e Transformações Lineares
TRANSFORMAÇÕES LINEARES
Neste capítulo será estudado um tipo especial de função onde o domínio, o contradomínio e a
imagem, são espaços vetoriais reais, ou seja, tanto a variável independente como a variável dependente
são vetores, daí essas funções serem chamadas de funções vetoriais ou transformações vetoriais como é
mais comum.
Para indicar que T é uma transformação do espaço vetorial V no espaço vetorial W, escreve-se:
T: V → W
Sendo T uma função, cada vetor vV tem um só vetor imagem wW, que será indicado por w = T(v)
Exemplo 1: Uma transformação T: R2 → R3 associa vetores v = (x, y) R2 com vetores w = (a, b, c) R3
(Figura 6-1). Se a lei que define T é tal que:
a = 3x, b = –2y e c = x – y
Se, por exemplo, v = (2, 1), então w = T(2, 1) = (3(2), –2(1), 2 – 1) = (6, –2, 1)
1 −1
Exemplo 2: Considere a matriz 𝐴 = [2 5 ] e seja T a transformação que leva um vetor coluna x de
3 4
T(x) = Ax
1 1 x1 x2
x
x 2 x1 5 x2
Ou seja, T(x1, x2) = 2 5 1
3 4 2 3x 4 x
1 2
4
Por exemplo, T 1 13 ou T(–1, 3) = (–4, 13, 9)
3 9
Em suma, se T é uma transformação cujo domínio é Rn, contradomínio Rm e cuja imagem é um
subconjunto de Rm, escreve-se:
T: Rn Rm
T: R2 R3
TRANSFORMAÇÕES MATRICIAIS
T: Rn Rm com T(x) = Ax
No caso especial em que A é uma matriz quadrada, nn, diz-se que T é um operador matricial de Rn.
T(x) = Ox = o
Exemplo 4: Se I é a matriz identidade nn, então para cada vetor coluna x em Rn, tem-se:
T(x) = Ix = x
Exemplo 5: O problema de se resolver um sistema linear Ax = b pode ser visto como o de encontrar um
vetor x em Rn cuja imagem pela transformação T é o vetor b de Rm. Então, seja T: R2 R3 a
transformação do exemplo 2. Encontre se houver um vetor x em R2 cuja imagem por T é:
7 9
(a) 𝒃 = [0] (b) 𝒃 = [−3]
7 1
1 1 7
Solução (a): 2 5 x1 0 . Assim, a forma escalonada reduzida por linha da matriz aumentada é:
3 4 x2 7
1 0 5
. Portanto, tem-se a solução única x 5
0 1 2 2
0 0 0
1 1 9
Solução (b): x1 . Neste caso, pode ser mostrado que esse sistema é inconsistente.
2 5
3
3 4 x2 1
Do ponto de vista operacional, ou seja, pela maneira que um sistema, função ou uma
transformação responde às entradas, diz-se que essa operação é linear se as seguintes propriedades forem
obedecidas simultaneamente:
(2) Aditividade: A soma de duas entradas provoca a soma das saídas correspondentes às duas
entradas individuais.
As duas propriedades dessa definição podem ser combinadas para resultar na única definição:
Exercício:
Seja a transformação T: R2 R3 definida por T(x, y) = (2x, 0, x + y), mostre que ela é linear.
Teorema: Se T: Rn Rm é uma transformação linear, então:
T(o) = o
T(–u) = –T(u)
T(u – v) = T(u) – T(v)
Exemplo 6: A soma de um vetor xo com um vetor x tem o efeito de transladar o ponto final de x por xo.
Assim, o operador T(x) = xo + x de Rn tem o efeito de transladar cada ponto de Rn por xo. Logo T não é
linear se xo o. Para mostrar, basta se verificar que:
T(o) = xo + o = xo o
Teorema: Seja T: Rn Rm uma transformação linear em que T(x) = Ax, onde x é qualquer vetor coluna
de Rn, então as colunas da matriz A representam as transformações dos vetores unitários canônicos: e1, e2,
..., en, que são os vetores canônicos do Rn. Assim, a matriz A pode ser escrita como:
1 2
A = 3 0
1 3
1 −2 𝑥 𝑥 − 2𝑦
𝑇(𝒙) = 𝐴𝒙 = [−3 0 ] [𝑦] = [ −3𝑥 ]
1 3 𝑥 + 3𝑦
Exercício: Um operador linear T: R2 → R2 é definido de tal forma que: T(1, 0) = (2, –3) e T(0, 1) = (–4,
1). Determinar T(x, y) em forma de ênupla.
Resposta: T(x, y) = (2x – 4y, –3x + y)
2x1 – 3x2 + x3 = 1
x1 + 4x2 – 2x3 = 5
representa uma transformação do R3 para o R2, onde x = (x1, x2, x3) e w = (1, 5), com matriz canônica:
2 −3 1
A=[ ]
1 4 −2
Exercício: Encontre a imagem da reta x + y = 1, pela transformação linear T(x, y) = (r, s) definido pelas
equações
2x + y = r
6x + 2y = s
Resposta: x = –r + s/2, y = 3r – s. Substituindo na equação da reta temos:
2r – s/2 = 1. Esta imagem também representa uma reta.
Considerando-se a figura 6-4, seja o operador linear T que gira cada vetor x de R2 em torno da
origem por um ângulo . Para que esta transformação seja linear, é necessário que a rotação seja em torno
da origem.
Para se encontrar a matriz canônica, denotada por R, seja ater-se a figura 6-5. Por essa figura, tira-se:
cos sen x
T(x, y) = Rx = (6-7)
sen cos y
Fig. 6-5: Componentes de e1 e e2 pela rotação na origem.
Exemplo 8: Encontre a imagem do vetor coluna x = (1, 1) pela rotação de π/6 rd em torno da origem.
3 1
Rx = 3 / 2 1/ 2 1 2 0,37
1/ 2 3 / 2 1 3 1 1,37
2
OBSERVAÇÃO: A matriz de rotação tem seu determinante igual a 1. A recíproca não é verdadeira
Seja o operador T: R2 R2 que reflete cada vetor x numa reta pela origem que faz um ângulo θ
com o eixo positivo x. (Figura 6-6). Chamando de H a matriz canônica da reflexão, da figura 6-6, pode
ser mostrado que:
T(x) = Hx (6-9)
As reflexões mais básicas são no eixo x (θ = 0o), no eixo y (θ = 90º) e na reta y = x (θ = 45º). A
tabela 6-1 mostra um resumo dessas três reflexões.
TABELA 6-1
OPERADOR IMAGENS DE e1 e e2 MATRIZ CANÔNICA
Reflexão no eixo y T(e1) = T(1, 0) = (–1, 0) 1 0
T(x,y) = (–x, y) T(e2) = T(0, 1) = (0, 1)
0 1
Reflexão no eixo x T(e1) = T(1, 0) = (1, 0) 1 0
T(x,y) = (x, –y) T(e2) = T(0, 1) = (0, –1)
0 1
Reflexão na reta y = x T(e1) = T(1, 0) = (0, 1) 0 1
T(x,y) = (y, x) T(e2) = T(0, 1) = (1, 0)
1 0
Exemplo 9: Encontre a imagem do vetor x = (1, 1) pela reflexão na reta pela origem que faz um ângulo
de 30º com o eixo positivo x.
Solução: Substituindo-se θ = 30º em (6-9), tem-se:
1 3
Hx = 1/ 2 3 / 2 1 2 1,37
3/2 1/ 2 1 3 1 0,37
2
Exercícios
OBSERVAÇÃO: A matriz de reflexão tem seu determinante igual a –1. A recíproca não é verdadeira.
Seja T: R2 R2 que projeta cada vetor x de R2 sobre uma reta pela origem ao longo de uma
perpendicular à reta, como mostra a figura 6-7. Pode-se mostrar que essas projeções são lineares e,
portanto, são operadores matriciais.
Px – x = ½(Hx – x)
1 1
(1 cos 2 ) sen2 cos 2 sen cos
P 2 2
(6 10)
1 sen2 sen cos sen 2
(1 cos 2 )
1
2 2
T(x) = Px (6-11)
Exemplo 10: Encontre a projeção ortogonal do vetor x = (1, 1) sobre a reta pela origem que faz um
ângulo de π/12 rd com o eixo x.
1 3 1
(1 ) 1 1,18
Px 2 2 4
1 1 3 1 0,32
(1 )
4 2 2
Exercícios
TRANSFORMAÇÕES COMPOSTAS
Às vezes se precisa fazer várias transformações em seqüência sobre um dado vetor coluna x. Por
exemplo: um vetor x deve ser girado de um ângulo θ1 e o resultado dessa transformação deve ser refletido
sobre uma reta na origem que forma um ângulo θ2 com o eixo x. Então estas transformações podem ser
realizadas, assim:
Resultado da rotação: T(x) = R1x, onde R1 é a matriz de rotação pelo ângulo θ1.
Resultado da reflexão: T(R1x) = H2(R1x) = (H2R1)x, onde H2 é a matriz de reflexão por θ2.
O último resultado mostra que se poderia ter realizado as duas transformações sequenciais
simplesmente multiplicando-se o vetor x pela matriz canônica composta:
A = H2R1
onde a matriz composta é o produto das matrizes de cada transformação na seqüência inversa.
Exercícios
2) Considere uma reflexão pela reta na origem que forma um ângulo de π/4 rd com o eixo x positivo
seguida de outra reflexão pela reta na origem que faz um ângulo de π/8 rd. Encontre a matriz canônica de
uma rotação que tem o mesmo efeito dessas duas reflexões e encontre o ângulo de rotação equivalente.
Resposta: θ = –π/4
O quadrado unitário em R2 é o quadrado de vértices (0, 0), (1, 0), (1, 1) e (0, 1). Muitas vezes é
possível entender melhor algumas transformações esboçando as imagens desses vértices. Figura 6-8.
O quadrado unitário Girado na origem Refletido no eixo y Refletido na reta y = x Projetado sobre o eixo x
Fig. 6-8: Algumas transformações do quadrado unitário
Exercício: Encontre os vértices do quadrado unitário pela rotação na origem de um ângulo de 60º. Esboce
a imagem dessa transformação.
Exemplo 11: Descreva o operador linear que corresponde à matriz A dada a seguir.
Solução (a): Os vetores-coluna ou vetores linha de A são ortogonais e unitários, portanto, A é ortogonal.
E, como det(A) = 1, então o operador é uma rotação. Pode-se determinar o ângulo de rotação comparando
A com a matriz de rotação em (6-6). Isso dá:
Solução (b): Verifica-se que A também é ortogonal e, como det(A) = –1, então o operador é uma reflexão.
Comparando essa matriz com a matriz de reflexão em (6-8), tira-se:
Exercício: Descreva o operador linear que corresponde a cada uma das matrizes abaixo e encontre os
respectivos ângulos.
3 1
0 1
(a) A (b) A 2 2
1 0 1 3
2 2
Resposta: (a) –45º (Reflexão) b) 150º (Rotação)
𝑘 0
A=[ 1 ]
0 𝑘2
Onde k1 e k2 são os fatores de mudança de escala, sendo k1 na direção x e k2 na direção y. Se 0 < ki < 1 a
mudança corresponde a uma compressão na escala. Se ki > 1 a mudança corresponde a uma expansão na
escala. Se k1 = k2 = k diz-se que há uma homotetia de razão k podendo ser uma redução (0 < k < 1) ou
uma ampliação (k > 1)
A figura 6-9 ilustra uma redução sobre o quadrado unitário e sobre um vetor x, e a figura 6-10 ilustra uma
ampliação.
As figuras 6-11 e 6-12 ilustram compressões e expansões em apenas uma direção, x ou y, sobre o
quadrado unitário, mantendo-se a outra dimensão inalterada, onde as matrizes correspondentes são:
𝑘 0 1 0
Ax = [ 1 ] Ay = [ ]
0 1 0 𝑘2
(a) (b)
Fig. 6-11 (a) Compressão na direção x; (b) Expansão na direção x
(a) (b)
Fig. 6-12. (a) Compressão na direção y; (b) Expansão na direção y
Exercício: dado o triângulo de vértices (1, 1), (3, 1) e (1, 2), realizar uma homotetia inversa de razão –2
nesse triângulo e esboce o resultado dessa transformação.
CISALHAMENTO
Um operador da forma T(x ,y) = (x + ky, y) translada um ponto (x, y) paralelamente ao eixo x por
uma quantidade ky. Diz-se que esse operador é o cisalhamento na direção x de razão k. Se k for positivo,
o cisalhamento é para a direita e se for negativo, o cisalhamento é para a esquerda. Analogamente, um
operador linear da forma T(x, y) = (x, y + kx) é dito um cisalhamento na direção y de razão k. Se k for
positivo, o cisalhamento é para cima e se for negativo, o cisalhamento é para baixo. A figura 6-13 fornece
informação básica sobre os cisalhamentos de R2, sobre o quadrado unitário. As matrizes canônicas do
cisalhamento nas direções x e y são respectivamente:
1 k 1 0
Cx Cy
0 1 k 1
Exemplo 12: Para cada uma das matrizes dadas a seguir, descreva o operador linear associado e mostre
seu efeito sobre o quadrado unitário.
1 2 2 0 2 0
A1 A2 A3
0 1 0 2 0 1
A figura a seguir mostra uma fotografia digitalizada de Einstein e duas transformações lineares
computadorizadas.
Uma matriz canônica pode representar uma ou mais transformações seqüenciais como será visto
ao decompô-la em um produto de matrizes.
Uma matriz diagonal D, como já vista no capítulo 4, pode ser decomposta como:
k 0 1 0 k1 0
D 1 D2 D1
0 k2 0 k2 0 1
k 0 1 0 k1 0 1 0 1 0 k1 0
D 1 D3 D2 D1
0 k2 0 k2 0 1 0 k2 0 1 0 1
Neste caso, D1 é uma compressão ou expansão na direção x, D2 é uma reflexão no eixo y e D3 é uma
compressão ou expansão na direção y.
OBSERVAÇÃO: As matrizes diagonais com entradas não negativas alteram as dimensões da figura
motivo pelo qual são chamadas de matrizes de mudança de escala.
Exercício: Decomponha o operador linear abaixo e responda que transformações estão sendo realizadas.
3 0
D
0 1/ 2
Resposta: uma compressão de razão ½ na direção y e uma expansão de razão 3 na direção x.
Qualquer operador linear 2×2 cuja matriz canônica tenha inversa pode ser decomposta como o
produto de matrizes elementares, que pode ser realizada através da eliminação de Gauss-Jordan para obter
as matrizes elementares E1, E2, ... En e fazendo:
Exercício: Decomponha o operador linear abaixo em matrizes elementares e responda que transformações
estão sendo realizadas, e em que seqüência.
1 2
A
3 4
1 0 1 0 1 0 1 2
3 1 0 1 0 2 0 1
Resposta:
Cisalhamento de razão 2 na direção x positiva, expansão de razão 2 na direção y, reflexão no eixo x e
cisalhamento de razão 3 na direção y positiva.
Como em R2, será preciso se distinguir entre operadores que preservam comprimentos
(Operadores ortogonais) e os que não preservam. Os mais importantes que não preservam comprimentos
são as projeções ortogonais, sendo as mais simples, as projeções sobre planos coordenados do sistema
xyz. A tabela 6-2 fornece informação básica sobre esses operadores.
As matrizes ortogonais 33 correspondem a operações lineares de R3 que podem ser rotações em
torno de retas pela origem ou reflexões em planos pela origem. Se A é a matriz ortogonal, então, se
det(A) = 1, ela representa uma rotação; se det(A) = –1, ela representa uma reflexão.
Refexões em planos pela origem:
As reflexões mais básicas são aquelas realizadas nos planos coordenados cujas matrizes
canônicas são dadas na tabela 6-3.
Rotação no R3:
Uma rotação no R3 é um operador ortogonal sobre uma reta de pontos fixos, denominada eixo de
rotação. Para simplificar, Serão estudadas somente rotações em torno de retas pela origem.
A orientação u do eixo de rotação, vista na figura 6-15, é escolhida tal que as rotações pareçam
anti-horárias quando vistas a partir do ponto final de u, como acontece com as orientações dos eixos
coordenados quando se usa a regra da mão direita.
As rotações mais básicas são em torno dos eixos coordenados conforme mostra a tabela 6-4. Para
se obter as matrizes canônicas dessa tabela basta realizar as rotações dos vetores canônicos em torno dos
eixos x, y e z.
Exercício: Encontre a imagem do vetor x = (1, 1, 1) pela rotação em R3, em torno do eixo positivo z, por
um ângulo de 60º
Resposta: (–0,37; 1,37; 1)
Rotações arbitrárias
Uma análise completa de rotações quaisquer envolve muitos detalhes para ser apresentado aqui.
Então, serão abordados apenas dois dois problemas básicos importantes:
Teorema: Se u = (a, b, c) é o vetor unitário de orientação do eixo de rotação, então a matriz canônica Ru,θ
da rotação pelo ângulo θ em torno do eixo pela origem com orientação u é dada por:
A solução do segundo problema é resolvida utilizando-se a equação (6-14) que fornece o ângulo
de rotação e a equação (6-15), conhecida como fórmula de Dan Kalmann, que dá o eixo de rotação.
tr ( A) 1
cos (6-14)
2
onde A é a matriz de rotação e x é qualquer vetor não-nulo de R3 que não seja ortogonal ao eixo de
rotação.
0 0 1
Exemplo 13: Mostre que a matriz A 1 0 0 representa uma rotação em torno de uma reta pela
0 1 0
cos θ = – ½ θ = 120º
Para se utilizar a equação (6-15), escolhe-se um vetor x não ortogonal a u. Seja, por exemplo, x
= (1, 0, 0). Então encontra-se que:
u = (1, 1, 1)
Exercícios:
1) Usando as equações (6-14) e (6-15), encontre o ângulo e o eixo de rotação no R 3 dado a matriz
canônica:
1 0 0
A 0 0 1
0 1 0
Resposta: u = (a, 0, 0) com a > 0 e = 90º
3 1
0
2 2
A 0 1 0
1 0 3
2 2
Resposta: u = (0, 1, 0) e = 30º
Teorema: Se T é uma transformação linear injetora de Rn, então a matriz canônica de T é invertivel e sua
inversa é a matriz canônica de T–1.
Exercício: Encontre a matriz inversa de alguns operadores lineares do R2 vistos até agora. O que você
observa no caso específico da reflexão por uma reta na origem?
As propriedades seguintes ajudam a determinar como tais operadores transformam regiões que
são limitadas por polígonos.
Pelo teorema anterior, as imagens dos lados paralelos permanecem paralelas, então pode-se
concluir que a imagem do quadrado unitário é um paralelogramo não degenerado que tem um vértice na
origem e cujos lados adjacentes são T(e1) e T(e2). Algumas imagens são mostradas na figura 6-17.
Portanto, como a matriz canônica é denotada por A = [T(e1) T(e2)], segue que:
Exercício: Esboce a imagem do quadrado unitário pela multiplicação pelas matrizes abaixo e calcule a
área do paralelogramo resultante.
1 −1 1 3
𝑎) 𝐴 = [ ] 𝑏) 𝐴 = [ ]
1 2 3 4
Resposta: a) área = 3 b) área = 5
ESTRUTURAS
Para um computador desenhar uma estrutura, precisa-se fornecer as coordenadas dos vértices
junto com a informação de quais vértices são ligados por arestas.
A figura 6-18(a) mostra a estrutura de uma casa caída e a figura 6-18(b) tem os mesmos vértices
da casa, mas ligados de maneira diferente.
(a) (b)
Fig. 6-18: Exemplos de estruturas.
REPRESENTAÇÃO MATRICIAL
Os vértices da estrutura são representados por vetores coluna para compor a matriz de vértices.
Por exemplo, a matriz de vértices representando as estruturas da figura 6-18 é dada por:
0 2 3 2 0
V
0 0 1 2 2
As informações de como os vértices estão conectados, podem ser armazenadas numa matriz de
conexões C de tamanho nn, onde n é o número de vértices, na qual a entrada da linha i e coluna j é 1 se o
vértice da i-ésima linha de C está conectado ao vértice da j-ésima coluna de C e é 0, caso contrário. Por
exemplo, a matriz de conexões da estrutura da figura 6-15(a) é dada por:
1 1 0 0 1
1 1 1 1 0
C 0 1 1 1 0
0 1 1 1 1
1 1
0 0 1
OBSERVAÇÃO: As matrizes de conexões são sempre simétricas. Assim, para economia de espaço em
disco do computador, precisa-se armazenar apenas as entradas acima ou abaixo da diagonal principal.
1 1 0 1
1 2 1 0 1 1 1 1
V e C
0 1 2 1 0 1 1 1
1 1 1 1
TRANSFORMANDO ESTRUTURAS
Agora, seja aplicar uma transformação linear à matriz de vértices de uma estrutura supondo que
sua matriz de conexões é conhecida e que as ligações dos vértices transformados são descritas pela
mesma matriz de conexões.
Exemplo 15: Seja colocar de pé a casa deitada da figura 6-18(a), resultando na figura 6-20. Para isso,
precisa-se fazer uma rotação no sentido anti-horário de seus vértices por 90º. A matriz canônica dessa
rotação é:
0 1 0 2 3 2 0 0 0 1 2 2
V1 RV
1 0 0 0 1 2 2 0 2 3 2 0
Exemplo 16: Os caracteres usados em telas de monitores em geral têm uma versão vertical (romana) e
uma versão inclinada (itálica). A versão itálica é obtida pelo cisalhamento da versão romana. Por
exemplo, a figura 6-21(a) mostra a estrutura da letra L romana e a figura 6-21(b) mostra a versão itálica
obtida pelo cisalhamento na direção positiva x por um ângulo de 15º. Encontre os vértices do L itálico
com duas casas decimais de precisão.
1 3 3 0 0 1
V
0 0 1 1 7 7
Pela figura 6-21(c) vê-se que T(e2) = (K, 1), então k = tg(15º). Logo, a matriz do cisalhamento é dada por:
1 k 1 tg15 1 0, 26
Cx
0 1 0 1 0 1
A translação é uma operação importante na computação gráfica. Entretanto ela não é uma
operação linear e, portanto, não é um operador matricial, ou seja, não existe matriz 22 ou 33 que
translade vetores em R2 ou R3 pela multiplicação matricial. Então, será preciso usar um artifício baseado
no seguinte teorema relativo a matrizes em bloco:
In | xo x xo x
0 | 1
1 1
Esse teorema diz que modificando x e xo + x pela adjunção de um componente adicional igual a
1, existe uma matriz (n + 1)(n + 1) que transforma o vetor x modificado no vetor xo + x modificado pela
multiplicação matricial. Então, dado um vetor x = (x1, x2, ..., xn) em Rn, diz-se que o vetor (x1, x2, ..., xn, 1)
modificado em Rn+1 representa o vetor x em coordenadas homogêneas.
Exemplo 17: Use multiplicação matricial para transladar a casa de pé da figura 6-22(a) para a posição
mostrada na figura 6-22(b).
(a) (b)
Fig. 6-22: Exemplo de translação de uma estrutura.
0 0 1 2 2
V
0 2 3 2 0
Para transladar a casa à posição desejada precisa-se transladar cada vetor coluna de V por:
xo =
3
2
Pelo teorema anterior, essas translações podem ser obtidas em coordenadas homogêneas pela
multiplicação com a matriz de translação dada por:
1 0 | 3
I2 | xo
T = 0 1 | 2
0
| 1
0 0 | 1
1 0 3 0 0 1 2 2 3 3 2 1 1
0 1 2 0 2 3 2 0 2 4 5 4 2
0 0 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
Ignorando a última linha dessa matriz, tem-se a matriz de vértices da casa transladada:
3 3 2 1 1
V1
2 4 5 4 2
Um problema com a translação ainda persiste: por exemplo, uma rotação em R2 é executada por
uma matriz 22, enquanto uma translação necessita de uma matriz 33. Uma saída para isso é executar
todas as transformações básicas em coordenadas homogêneas. O próximo teorema permite fazer isso:
A | 0 x Ax
0 | 1 1 1
Exemplo 18: A figura 6-22(b) pode ser vista como uma seqüência de transformações das figuras 6-18(a) e
6-20, ou seja, uma rotação seguida de uma translação. Para compor essas transformações usando uma
única multiplicação matricial em coordenadas homogêneas, deve-se primeiro expressar a matriz de
rotação por:
0 1 | 0
R | 0
1 0 | 0
R90o
0 | 1
0 0 | 1
1 0 | 3
I2 | xo
T= 0
1 | 2
0 | 1
0 0 | 1
A composição da translação com a rotação pode ser executada em coordenadas homogêneas como segue:
1 0 3 0 1 0 0 1 3
TR90 = 0 1 2 1
0 0 1 0 2
0 0 1 0 0 1 0 0 1
0 1 3 0 2 3 2 0 3 3 2 1 1
TR90V = 1
0 2 0 0 1 2 2 2 4 5 4 2
0 0 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
OBSERVAÇÃO: Existem muitas aplicações nas quais se está interessado em rotações em torno de outros
pontos, não só a origem, ou reflexões em retas que não passam pela origem. Tais transformações não são
lineares, mas podem ser efetuadas pela multiplicação matricial em coordenadas homogêneas.
Exemplo 19: Uma rotação em torno do ponto x0 = (x0, y0) ≠ (0, 0), por um ângulo θ é a seguinte: primeiro
translada-se R2 por –x0 para trazer o ponto para à origem, depois efetua-se a rotação em torno da origem e
finalmente translada-se o vetor rotacionado para x0. Assim, a matriz canônica composta obtida será:
1 0 x0 cos sen 0 1 0 x0
R 0 1 y0 sen cos 0 0 1 y0
0 0 1 0 0 1 0 0 1
Exercícios:
1) Use a idéia do exemplo 19 para encontrar a matriz canônica da reflexão pela reta que passa pelo ponto
x0 = (x0, y0) ≠ (0, 0), que forma um ângulo θ com o eixo positivo x.
2) Encontre a imagem do ponto (3, 4) pela reflexão na reta que passa pelo ponto (1, 2) e tem coeficiente
angular m = ½. A matriz de reflexão em função de m é:
1 m 2 2m
1 m 2 1 m 2
2m m2 1
1 m 2 1 m 2
Resposta: (19/5, 12/5)
No caso das transformações que provocam mudança de escala, como a expansão ou compressão
vistas anteriormente, toma-se a origem como centro da mudança de escala. Contudo, também existem
mudanças de escalas não lineares de R2 a partir de um ponto fixo x0 = (x0, y0) ≠ (0, 0). O procedimento
para essas transformações segue a mesma idéia do exemplo 19.
Exercício: Usando a ideia do exemplo 19, mostre que a transformação T(x, y) = (k1x, k2y) quando
realizada a partir de um ponto fixo (x0, y0) qualquer pode ser dada por:
Já foi visto no capítulo 3 que a forma quadrática Ax2 + By2 + 2Cxy = k representa uma cônica
(exceto a parábola) central e que a presença do termo misto consiste numa rotação dessa cônica. Sua
forma matricial, como foi visto é:
xTSx = k
Com o intuito de simplificar essa equação de tal forma que o termo misto desapareça, pode-se
fazer uma mudança de variável baseada no teorema dos eixos principais:
Teorema: Se S é uma matriz simétrica n×n, então existe uma mudança de variáveis ortogonal que
transforma a forma quadrática xTSx na forma quadrática x`TDx` sem termos mistos.
Essa mudança é obtida fazendo-se x = Px`, onde P é a matriz ortogonal que diagonaliza a matriz
A, de tal forma que:
onde λ1, λ2, … , λn são os autosvalores da matriz S. Assim, no caso das cônicas no R2, fica-se com a
equação:
0 x`
[ x` y`] 1 k
0 2 y`
ou
λ1x`2 + λ2y`2 = k
Que representa uma rotação dos eixos conforme ilustra a figura 6-23 para o caso de uma elipse. O vetor
a` é o autovetor unitário para λ1 e b` é o autovetor unitário para λ2.
Dividindo-se a última equação por k obtém-se a forma básica da cônica centrada na posição
canônica, ou seja,
x`2 y`2
1
k / 1 k / 2
Onde
k k k k
a2 ou a e b2 ou b
1 1 2 2
Para se obter o ângulo de rotação θ usa-se a matriz ortogonal P com det(P) = 1 e faz-se a
comparação com a matriz de rotação do R2.
Exemplo 20: Identifique a cônica de equação 5x2 – 4xy + 8y2 – 36 = 0, girando os eixos xy até colocar a
cônica na posição canônica e encontre o ângulo pelo qual foram girados os eixos.
Solução: A equação dada pode ser escrita na forma matricial xTSx = 36, onde:
5 −2
𝑆= [ ]
−2 8
Onde, por acaso, det(P) = 1, o que representa uma rotação. Se desse –1, bastaria permutar as colunas de
P.
A matriz S é diagonalizável com D = diag(4, 9). Então, a equação matricial agora fica:
4 0 x`
x`T Dx` 36 ou [ x` y`] 36
0 9 y`
Ou
x`2 y`2
4 x`2 9 y`2 36 ou 1
9 4
Esta última equação mostra que se tem uma elipse central com eixo maior de comprimento 2α =
6 ao longo de x`, e eixo menor de comprimento 2β = 4 ao longo de y`.
O ângulo de rotação dos eixos pode ser determinado comparando-se a matriz P com a matriz de
rotação do R2. Donde se tira:
2 1 sen 1
cos , sen , tg
5 5 cos 2
Ou, pode ser mostrado que o ângulo de rotação pode ser dado por:
tg(2θ) = 2C/(A – B)
Exercício: Identifique a cônica de equação 2x2 – 4xy – y2 + 8 = 0, girando os eixos xy até colocar a cônica
na posição canônica e encontre o ângulo pelo qual foram girados os eixos.
Resposta: Hipérbole central 2y`2 – 3x`2 = 8, θ = 26,6º
CAIXA DE FERRAMENTAS
TRANSFORMAÇÃO LINEAR: T(x) = Ax, sendo A a matriz de transformação e x o vetor coluna a ser transformado
A = [T(e1) T(e2) ... T(en)], onde e1, e2 ... en são os vetores canônicos
𝑘 0 𝑥 1 0 𝑥
Expansão ou compressão: na direção x: 𝑇(𝑥, 𝑦) = 𝐴𝒙 = [ ] [ ], na direção y: 𝑇(𝑥, 𝑦) = 𝐴𝒙 = [ ][ ]
0 1 𝑦 0 𝑘 𝑦
1 𝑘 𝑥 1 0 𝑥
Cisalhamento: na direção x: 𝑇(𝑥, 𝑦) = 𝐶𝒙 = [ ] [ ], na direção y: 𝑇(𝑥, 𝑦) = 𝐶𝒙 = [ ][ ]
0 1 𝑦 𝑘 1 𝑦
4) Se T(x1, x2, x3) = (x1 + 2x2, x1 – 2x3), encontre o domínio de T e a imagem de x = (0, –1, 4) por T.
5) Seja a transformação T cuja matriz canônica A é dada. Encontre se houver um vetor x cuja imagem por
T é o vetor b.
1 2 0 1
A 0 1 3 ; b 1
2 5 3 3
6) Nas matrizes ortogonais a seguir, determine se a multiplicação por A é uma rotação em torno da origem
ou uma reflexão numa reta pela origem. Encontre o ângulo de rotação ou o ângulo que a reta faz com o
eixo positivo x.
1/ 2 3 / 2
(a) A 1/ 2 (b) A 1/ 2
1/ 2 1/ 2 3/2 1/ 2
3 / 2
(c) A 1/ 2 3 / 2 (d) A 1/ 2
3 / 2 1/ 2 3 / 2 1/ 2
7) Esboce a imagem do retângulo de vértices (0, 0), (1, 0), (1, 2) e (0, 2) pelas seguintes transformações
9) Use a multiplicação matricial para encontrar a projeção ortogonal do vetor (–2, 1, 3) no plano:
10) Encontre a matriz canônica do operador linear que efetua a rotação em R3 pelo ângulo:
11) Use a multiplicação matricial para encontrar a imagem do vetor (–2, 1, 2) pela rotação por um ângulo
de 30º em torno do eixo x positivo.
13) Esboce a estrutura cujas matrizes de vértice e conexões estão dadas a seguir
1 1 1 1
(a) V 1 1 2 2 , C 1 1 1 0
1
0 1 1 0 1 1 1
1 0 1 1
1 1 0 0 0 1
1 1 1 0 0 0
(b) 0 1 2 3 2 1 0 1 1 1 0 0
V , C
1 2 2 1 0 0 0 0 1 1 1 0
0 0 0 1 1 1
1 0 0 0 1 1
14) Qual é a transformação linear T:R2 R3 tal que T(1, 1) = (3, 2, 1) e T(0, –2) = (0, 1, 0)?
15) No plano uma rotação anti-horária de 45º é seguida por uma ampliação de fator √2. Ache a matriz
canônica que representa essa transformação.
16) Sabendo que as matrizes ortogonais preservam a norma, o que pode ser dito sobre seu autovalor λ?
17) Encontre a matriz do cisalhamento na direção x que transforma o triângulo de vértices (0, 0), (2, 0) e
(3, 3) em um triângulo retângulo com ângulo reto na origem.
18) Mostre que uma rotação pela origem de um ângulo θ1 seguida de uma outra rotação pela origem de
um ângulo θ2, equivale a uma única rotação pela origem de um ângulo (θ1 + θ2).
19) Encontre as únicas matrizes de rotação e de reflexão que são matrizes diagonais.