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Funções e Transformações Lineares

O capítulo aborda transformações lineares, focando em funções vetoriais onde o domínio e contradomínio são espaços vetoriais. As propriedades de linearidade, como homogeneidade e aditividade, são discutidas, juntamente com a definição de transformações lineares e exemplos práticos. Além disso, são apresentados operadores lineares importantes, como rotações, reflexões e projeções, com ênfase na matriz canônica associada a cada transformação.

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Gabriel Monteiro
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Funções e Transformações Lineares

O capítulo aborda transformações lineares, focando em funções vetoriais onde o domínio e contradomínio são espaços vetoriais. As propriedades de linearidade, como homogeneidade e aditividade, são discutidas, juntamente com a definição de transformações lineares e exemplos práticos. Além disso, são apresentados operadores lineares importantes, como rotações, reflexões e projeções, com ênfase na matriz canônica associada a cada transformação.

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CAPÍTULO 6

TRANSFORMAÇÕES LINEARES

6.1 FUNÇÕES VETORIAIS

Neste capítulo será estudado um tipo especial de função onde o domínio, o contradomínio e a
imagem, são espaços vetoriais reais, ou seja, tanto a variável independente como a variável dependente
são vetores, daí essas funções serem chamadas de funções vetoriais ou transformações vetoriais como é
mais comum.

Para indicar que T é uma transformação do espaço vetorial V no espaço vetorial W, escreve-se:

T: V → W

Sendo T uma função, cada vetor vV tem um só vetor imagem wW, que será indicado por w = T(v)

Exemplo 1: Uma transformação T: R2 → R3 associa vetores v = (x, y) R2 com vetores w = (a, b, c)  R3
(Figura 6-1). Se a lei que define T é tal que:

a = 3x, b = –2y e c = x – y

Então a imagem de cada vetor (x, y) será representada por:

T(v) = w ou T(x, y) = (3x, –2y, x – y)

Se, por exemplo, v = (2, 1), então w = T(2, 1) = (3(2), –2(1), 2 – 1) = (6, –2, 1)

Fig. 6-1: Transformação de um vetor.

1 −1
Exemplo 2: Considere a matriz 𝐴 = [2 5 ] e seja T a transformação que leva um vetor coluna x de
3 4

dimensões 21 em R2 no vetor-coluna Ax em R3. Então, tem-se:

T(x) = Ax

 1 1  x1  x2 
   x   
  x    2 x1  5 x2 
Ou seja, T(x1, x2) = 2 5 1

 3 4   2   3x  4 x 
   1 2

Pode-se expressar a transformação T em forma de ênupla por:

T(x1, x2) = (x1 – x2, 2x1 + 5x2, 3x1 + 4x2)

 4 
Por exemplo, T   1   13  ou T(–1, 3) = (–4, 13, 9)
   
 3   9 
 
Em suma, se T é uma transformação cujo domínio é Rn, contradomínio Rm e cuja imagem é um
subconjunto de Rm, escreve-se:

T: Rn  Rm

Assim, no exemplo 3 tem-se:

T: R2  R3

Exercício: Sendo x um vetor coluna, encontre o domínio e o contradomínio da transformação:


T(x) = Ax quando: (a) A tem dimensões 32; (b) A tem dimensões 23; (c) A tem dimensões 33. Em
cada caso indique as dimensões do vetor x.

TRANSFORMAÇÕES MATRICIAIS

O exemplo 2 é um caso especial de transformação matricial. Mais especificamente, se A é uma


matriz mn e se x é um vetor coluna em Rn, então o produto Ax é um vetor coluna em Rm. Então, escreve-
se:

T: Rn  Rm com T(x) = Ax

No caso especial em que A é uma matriz quadrada, nn, diz-se que T é um operador matricial de Rn.

Exemplo 3: Se O é a matriz nula mn, então:

T(x) = Ox = o

Essa transformação é denominada de transformação nula.

Exemplo 4: Se I é a matriz identidade nn, então para cada vetor coluna x em Rn, tem-se:

T(x) = Ix = x

e diz-se que T é o operador identidade.

Exemplo 5: O problema de se resolver um sistema linear Ax = b pode ser visto como o de encontrar um
vetor x em Rn cuja imagem pela transformação T é o vetor b de Rm. Então, seja T: R2  R3 a
transformação do exemplo 2. Encontre se houver um vetor x em R2 cuja imagem por T é:

7 9
(a) 𝒃 = [0] (b) 𝒃 = [−3]
7 1

 1  1 7
Solução (a):  2 5  x1    0  . Assim, a forma escalonada reduzida por linha da matriz aumentada é:
    
 3 4  x2   7 
   

1 0 5 
  . Portanto, tem-se a solução única x   5 
 0 1  2    2
0 0 0   
 

 1  1  9 
Solução (b):   x1    . Neste caso, pode ser mostrado que esse sistema é inconsistente.
 2 5  
    3 

 3 4  x2    1 
   

Assim, o vetor b não está na imagem de T.


6.2 TRANSFORMAÇÕES LINEARES

Do ponto de vista operacional, ou seja, pela maneira que um sistema, função ou uma
transformação responde às entradas, diz-se que essa operação é linear se as seguintes propriedades forem
obedecidas simultaneamente:

(1) Homogeneidade: Modificando-se a entrada v (variável independente) por um escalar


multiplicativo , modifica-se a saída T(v) (variável dependente) pelo mesmo escalar.

(2) Aditividade: A soma de duas entradas provoca a soma das saídas correspondentes às duas
entradas individuais.

Por estas propriedades introduz-se a seguinte definição para o caso de transformações:

Uma função T: Rn  Rm é dita uma transformação linear de Rn em Rm se as duas propriedades


seguintes valem para quaisquer vetores u e v e qualquer escalar :

(1) T(u) = T(u) [Homogeneidade] (6-1)

(2) T(u + v) = T(u) + T(v) [Aditividade] (6-2)

Veja-se ilustração na figura 6-2.

No caso especial em que m = n, a transformação linear é denominada um operador linear de Rn.

As duas propriedades dessa definição podem ser combinadas para resultar na única definição:

T(1u1 + 2u2 + ... + kuk) = 1T(u1) + 2T(u2) + ... + kT(uk) (6-3)

que os engenheiros e físicos chamam de princípio da superposição.

Fig. 6-2: Transformação linear

Teorema: Se A é uma matriz mn e x é um vetor-coluna em Rn, então a transformação matricial

T: Rn  Rm, onde T(x) = Ax, é linear, pois:

T(u) = A(u) = (Au) = T(u)


T(u + v) = A(u + v) = Au + Av = T(u) + T(v)

OBSERVAÇÃO: A recíproca do teorema acima é verdadeira, ou seja, todas as transformações lineares do


Rn para o Rm são transformações matriciais.

Exercício:

Seja a transformação T: R2  R3 definida por T(x, y) = (2x, 0, x + y), mostre que ela é linear.
Teorema: Se T: Rn  Rm é uma transformação linear, então:

T(o) = o
T(–u) = –T(u)
T(u – v) = T(u) – T(v)

OBSERVAÇÃO: A recíproca deste teorema não é verdadeira.

Exemplo 6: A soma de um vetor xo com um vetor x tem o efeito de transladar o ponto final de x por xo.
Assim, o operador T(x) = xo + x de Rn tem o efeito de transladar cada ponto de Rn por xo. Logo T não é
linear se xo  o. Para mostrar, basta se verificar que:

T(o) = xo + o = xo  o

violando a parte (a) do teorema.

Exercício: Mostre que as seguintes transformações não são lineares.

a) T(x, y) = (xy, x) b) T(x, y) = (x + 3, 2y, x + y)

MATRIZ CANÔNICA DE UMA TRANSFORMAÇÃO

Teorema: Seja T: Rn  Rm uma transformação linear em que T(x) = Ax, onde x é qualquer vetor coluna
de Rn, então as colunas da matriz A representam as transformações dos vetores unitários canônicos: e1, e2,
..., en, que são os vetores canônicos do Rn. Assim, a matriz A pode ser escrita como:

A = [T(e1) T(e2) ... T(en)] (6-4)

Por este motivo a matriz A é denominada e matriz canônica.

Exemplo 7: Encontre a matriz canônica do operador T: R2  R3 definido por:

T(x) = (x – 2y, –3x, x + 3y)

Solução: Pelo teorema anterior, a matriz canônica de T é:

A = [T(e1) T(e2)] = [T(1, 0) T(0, 1)] = [(1, –3, 1) (–2, 0, 3)]

Logo, a matriz canônica é:

 1 2 
A =  3 0 
 
 1 3 

Para conferir, verifique que:

1 −2 𝑥 𝑥 − 2𝑦
𝑇(𝒙) = 𝐴𝒙 = [−3 0 ] [𝑦] = [ −3𝑥 ]
1 3 𝑥 + 3𝑦

ou T(x) = (x – 2y, –3x, x + 3y)

Exercício: Um operador linear T: R2 → R2 é definido de tal forma que: T(1, 0) = (2, –3) e T(0, 1) = (–4,
1). Determinar T(x, y) em forma de ênupla.
Resposta: T(x, y) = (2x – 4y, –3x + y)

Muitas vezes especificam-se as transformações de Rn em Rm por fórmulas que relacionam os


componentes de um vetor x = (x1, x2, ..., xn) em Rn com os componentes de sua imagem w = T(x) = (w1,
w2, ..., wm). Então, tal transformação é linear se, e somente se, a relação entre w e x pode ser expressa por
w = Ax, onde A = [aij] é a matriz canônica de T. Em outras palavras, as equações do sistema Ax = w são
todas lineares. Por exemplo, o sistema linear:

2x1 – 3x2 + x3 = 1
x1 + 4x2 – 2x3 = 5

representa uma transformação do R3 para o R2, onde x = (x1, x2, x3) e w = (1, 5), com matriz canônica:

2 −3 1
A=[ ]
1 4 −2

Exercício: Encontre a imagem da reta x + y = 1, pela transformação linear T(x, y) = (r, s) definido pelas
equações

2x + y = r
6x + 2y = s
Resposta: x = –r + s/2, y = 3r – s. Substituindo na equação da reta temos:
2r – s/2 = 1. Esta imagem também representa uma reta.

6.3 ALGUNS OPERADORES LINEARES IMPORTANTES

Os principais operadores lineares de R2 e R3 são as rotações, as reflexões e as projeções.


Mostrar-se-á nesta seção como se obter as matrizes canônicas desses operadores. Seja começar estas
operações apenas no R2.

ROTAÇÃO EM TORNO DA ORIGEM

Considerando-se a figura 6-4, seja o operador linear T que gira cada vetor x de R2 em torno da
origem por um ângulo . Para que esta transformação seja linear, é necessário que a rotação seja em torno
da origem.

Fig. 6-4: Rotação em torno da origem.

Para se encontrar a matriz canônica, denotada por R, seja ater-se a figura 6-5. Por essa figura, tira-se:

R = [T(e1) T(e2)] =  cos  sen 


 (6-6)
 sen cos 

de modo que a imagem de um vetor coluna x = (x, y) por essa rotação é:

cos  sen  x 
T(x, y) = Rx =    (6-7)
 sen cos  y 

Fig. 6-5: Componentes de e1 e e2 pela rotação na origem.

Exemplo 8: Encontre a imagem do vetor coluna x = (1, 1) pela rotação de π/6 rd em torno da origem.

Solução: Da equação (6-7) com θ = π/6, tira-se:

 3 1 
Rx =  3 / 2 1/ 2 1  2   0,37 

      
 1/ 2 3 / 2  1  3  1   1,37 

 
 2 

Ou em forma de ênupla a imagem é T(1, 1) = (0,37; 1,37)

OBSERVAÇÃO: A matriz de rotação tem seu determinante igual a 1. A recíproca não é verdadeira

REFLEXÕES EM RETAS PELA ORIGEM

Seja o operador T: R2  R2 que reflete cada vetor x numa reta pela origem que faz um ângulo θ
com o eixo positivo x. (Figura 6-6). Chamando de H a matriz canônica da reflexão, da figura 6-6, pode
ser mostrado que:

 cos 2 cos( / 2  2 )   cos 2 sen2 


H = [T(e1) T(e2)] =    (6-8)
 sen2  sen( / 2  2 )   sen2  cos 2 

De modo que a imagem do vetor x = (x, y) por essa reflexão é:

T(x) = Hx (6-9)

Fig. 6-6: Reflexão de um vetor.

As reflexões mais básicas são no eixo x (θ = 0o), no eixo y (θ = 90º) e na reta y = x (θ = 45º). A
tabela 6-1 mostra um resumo dessas três reflexões.

TABELA 6-1
OPERADOR IMAGENS DE e1 e e2 MATRIZ CANÔNICA
Reflexão no eixo y T(e1) = T(1, 0) = (–1, 0)  1 0 
T(x,y) = (–x, y) T(e2) = T(0, 1) = (0, 1)  
 0 1
Reflexão no eixo x T(e1) = T(1, 0) = (1, 0) 1 0 
T(x,y) = (x, –y) T(e2) = T(0, 1) = (0, –1)  
 0 1 
Reflexão na reta y = x T(e1) = T(1, 0) = (0, 1) 0 1
T(x,y) = (y, x) T(e2) = T(0, 1) = (1, 0)  
1 0

Exemplo 9: Encontre a imagem do vetor x = (1, 1) pela reflexão na reta pela origem que faz um ângulo
de 30º com o eixo positivo x.
Solução: Substituindo-se θ = 30º em (6-9), tem-se:

 1 3 
Hx =  1/ 2 3 / 2  1  2   1,37 
      
 3/2 1/ 2  1  3  1   0,37 

 
 2 

Exercícios

1) Encontre a matriz canônica para a reflexão no R2 pela reta y = –x

2) Encontre a matriz canônica para a reflexão por um ponto na origem.


−1 0
Resposta: [ ]
0 −1

3) Encontre a matriz canônica da reflexão pela reta y = mx, em termos de m


Resposta:
1  m 2 2m 
1  m 2 1  m 2 

 2m m2  1
1  m 2 1  m 2 

4) Encontre a imagem do vetor x = (3, 4) pela reflexão na reta y = 2x


Resposta: (1,4; 4,8)

OBSERVAÇÃO: A matriz de reflexão tem seu determinante igual a –1. A recíproca não é verdadeira.

PROJEÇÕES ORTOGONAIS SOBRE RETAS PELA ORIGEM

Seja T: R2  R2 que projeta cada vetor x de R2 sobre uma reta pela origem ao longo de uma
perpendicular à reta, como mostra a figura 6-7. Pode-se mostrar que essas projeções são lineares e,
portanto, são operadores matriciais.

Fig. 6-7: Projeção de um vetor sobre uma reta.

Pela figura 6-7 pode ser mostrado que:

Px – x = ½(Hx – x)

E, portanto, após algumas manipulações algébricas encontra-se:

1 1 
 (1  cos 2 ) sen2   cos 2  sen cos  
P  2 2
  (6  10)
 1 sen2 sen cos  sen 2 
(1  cos 2 )  
1
 2 2 

De modo que a imagem do vetor x = (x, y) por essa projeção é:

T(x) = Px (6-11)
Exemplo 10: Encontre a projeção ortogonal do vetor x = (1, 1) sobre a reta pela origem que faz um
ângulo de π/12 rd com o eixo x.

Solução: Substituindo θ = 15º em (6-11), tem-se:

1 3 1 
 (1  )  1  1,18 
Px   2 2 4     
 1 1 3  1  0,32 
 (1  )
 4 2 2 

Exercícios

1) Encontre as matrizes canônicas das projeções ortogonais no R2 sobre os eixos coordenados x e y.

2) Encontre a matriz canônica da projeção sobre a reta y = x.

OBSERVAÇÃO: A matriz de projeção ortogonal tem seu determinante igual a zero.

TRANSFORMAÇÕES COMPOSTAS

Às vezes se precisa fazer várias transformações em seqüência sobre um dado vetor coluna x. Por
exemplo: um vetor x deve ser girado de um ângulo θ1 e o resultado dessa transformação deve ser refletido
sobre uma reta na origem que forma um ângulo θ2 com o eixo x. Então estas transformações podem ser
realizadas, assim:

Resultado da rotação: T(x) = R1x, onde R1 é a matriz de rotação pelo ângulo θ1.
Resultado da reflexão: T(R1x) = H2(R1x) = (H2R1)x, onde H2 é a matriz de reflexão por θ2.

O último resultado mostra que se poderia ter realizado as duas transformações sequenciais
simplesmente multiplicando-se o vetor x pela matriz canônica composta:

A = H2R1

onde a matriz composta é o produto das matrizes de cada transformação na seqüência inversa.

Exercícios

1) Seja T: R2  R2 a transformação que projeta um vetor x ortogonalmente sobre o eixo x e em seguida


reflete o vetor obtido no eixo y. Encontre a matriz canônica da transformação composta. Encontre o
resultado destas transformações sobre o vetor (2, 1).

2) Considere uma reflexão pela reta na origem que forma um ângulo de π/4 rd com o eixo x positivo
seguida de outra reflexão pela reta na origem que faz um ângulo de π/8 rd. Encontre a matriz canônica de
uma rotação que tem o mesmo efeito dessas duas reflexões e encontre o ângulo de rotação equivalente.
Resposta: θ = –π/4

TRANSFORMAÇÕES DO QUADRADO UNITÁRIO

O quadrado unitário em R2 é o quadrado de vértices (0, 0), (1, 0), (1, 1) e (0, 1). Muitas vezes é
possível entender melhor algumas transformações esboçando as imagens desses vértices. Figura 6-8.

O quadrado unitário Girado na origem Refletido no eixo y Refletido na reta y = x Projetado sobre o eixo x
Fig. 6-8: Algumas transformações do quadrado unitário

Exercício: Encontre os vértices do quadrado unitário pela rotação na origem de um ângulo de 60º. Esboce
a imagem dessa transformação.

6-4 OPERADORES LINEARES DO R2 QUE PRESERVAM A NORMA

As rotações em torno da origem e as reflexões em retas pela origem não modificam o


comprimento de vetores nem o ângulo entre eles.

Em geral, um operador linear T: Rn  Rn com a propriedade ||T(x)|| = ||x|| é denominado um


operador ortogonal ou uma isometria linear, ou seja, uma transformação que preserva medidas. E como:

T(x) = Ax, então ||Ax|| = ||x||.

O seguinte teorema é relacionado com operadores ortogonais:

Teorema: Se T: Rn  Rn é um operador linear de Rn, então as seguintes afirmações são equivalentes:

(a) ||Ax|| = ||x|| para qualquer x em Rn

(b) [Link] = x.y para qualquer x e y em Rn

(c) A é ortogonal, ou seja, ATA = I

(d) det(A) = 1 (rotação) ou det(A) = –1 (reflexão)

(e) O ângulo entre os vetores x e y é preservado.

Exemplo 11: Descreva o operador linear que corresponde à matriz A dada a seguir.

1/ 2 1/ 2  1/ 2 1/ 2 


(a) A    (b) A   
1/ 2 1/ 2  1/ 2 1/ 2 
   

Solução (a): Os vetores-coluna ou vetores linha de A são ortogonais e unitários, portanto, A é ortogonal.
E, como det(A) = 1, então o operador é uma rotação. Pode-se determinar o ângulo de rotação comparando
A com a matriz de rotação em (6-6). Isso dá:

cosθ = 1/ 2 e senθ = 1/ 2 e pode-se concluir que θ = 45º

Solução (b): Verifica-se que A também é ortogonal e, como det(A) = –1, então o operador é uma reflexão.
Comparando essa matriz com a matriz de reflexão em (6-8), tira-se:

cos2θ = 1/ 2 e sen2θ = 1/ 2 e pode-se concluir que θ = 22,5º

Exercício: Descreva o operador linear que corresponde a cada uma das matrizes abaixo e encontre os
respectivos ângulos.

 3 1 
 0 1   
(a) A    (b) A   2 2 
 1 0   1 3
  
 2 2 
Resposta: (a) –45º (Reflexão) b) 150º (Rotação)

6.5 OPERADORES LINEARES DO R2 QUE NÃO PRESERVAM A NORMA


No R2, o operador linear T(x, y) = (k1x, k2y) provoca uma mudança de escala, quando k1 e k2 são
positivo, tendo como matriz canônica a matriz diagonal:

𝑘 0
A=[ 1 ]
0 𝑘2

Onde k1 e k2 são os fatores de mudança de escala, sendo k1 na direção x e k2 na direção y. Se 0 < ki < 1 a
mudança corresponde a uma compressão na escala. Se ki > 1 a mudança corresponde a uma expansão na
escala. Se k1 = k2 = k diz-se que há uma homotetia de razão k podendo ser uma redução (0 < k < 1) ou
uma ampliação (k > 1)

OBSERVAÇÃO: A homotetia é realizada a partir de um ponto chamado de centro de homotetia. No caso


da matriz acima, o centro de homotetia é a origem. A homotetia preserva a forma da figura. No caso em
que k < 0, essa transformação é chamada de homotetia inversa.

A figura 6-9 ilustra uma redução sobre o quadrado unitário e sobre um vetor x, e a figura 6-10 ilustra uma
ampliação.

Fig. 6-9: Homotetia de razão 0 < k < 1 (redução)

Fig. 6-10: Homotetia de razão k > 1 (ampliação)

As figuras 6-11 e 6-12 ilustram compressões e expansões em apenas uma direção, x ou y, sobre o
quadrado unitário, mantendo-se a outra dimensão inalterada, onde as matrizes correspondentes são:

𝑘 0 1 0
Ax = [ 1 ] Ay = [ ]
0 1 0 𝑘2

(a) (b)
Fig. 6-11 (a) Compressão na direção x; (b) Expansão na direção x
(a) (b)
Fig. 6-12. (a) Compressão na direção y; (b) Expansão na direção y

Exercício: dado o triângulo de vértices (1, 1), (3, 1) e (1, 2), realizar uma homotetia inversa de razão –2
nesse triângulo e esboce o resultado dessa transformação.

CISALHAMENTO

Um operador da forma T(x ,y) = (x + ky, y) translada um ponto (x, y) paralelamente ao eixo x por
uma quantidade ky. Diz-se que esse operador é o cisalhamento na direção x de razão k. Se k for positivo,
o cisalhamento é para a direita e se for negativo, o cisalhamento é para a esquerda. Analogamente, um
operador linear da forma T(x, y) = (x, y + kx) é dito um cisalhamento na direção y de razão k. Se k for
positivo, o cisalhamento é para cima e se for negativo, o cisalhamento é para baixo. A figura 6-13 fornece
informação básica sobre os cisalhamentos de R2, sobre o quadrado unitário. As matrizes canônicas do
cisalhamento nas direções x e y são respectivamente:

1 k  1 0
Cx    Cy   
0 1  k 1

Cisalhamento na direção x: k > 0 e k < 0

Cisalhamento na direção y: k > 0 e k < 0


Fig. 6-13: Cisalhamento do quadrado unitário.

Exemplo 12: Para cada uma das matrizes dadas a seguir, descreva o operador linear associado e mostre
seu efeito sobre o quadrado unitário.

1 2  2 0  2 0
A1    A2    A3   
0 1 0 2 0 1

Solução: A matriz A1 corresponde a um cisalhamento na direção x de razão 2. A matriz A2 corresponde a


uma dilatação de razão 2 e A3 corresponde a uma expansão na direção x de razão 2. Os efeitos sobre o
quadrado unitário são mostrados na figura 6-14.
(a) (b) (c) (d)
Fig. 6-14: (a) Quadrado unitário; (b) cisalhamento; (c) dilatação; (d) expansão em x.

A figura a seguir mostra uma fotografia digitalizada de Einstein e duas transformações lineares
computadorizadas.

Exercício: Determine a matriz canônica resultante de uma transformação composta de um cisalhamento


horizontal de razão 2, seguida de uma reflexão no eixo y. Esboce o efeito dessa transformação sobre o
quadrado unitário.

6.6 DECOMPOSIÇÃO DE OPERADORES LINEARES DO R2

Uma matriz canônica pode representar uma ou mais transformações seqüenciais como será visto
ao decompô-la em um produto de matrizes.

OPERADORES COM MATRIZ DIAGONAL

Uma matriz diagonal D, como já vista no capítulo 4, pode ser decomposta como:

k 0  1 0   k1 0 
D 1   D2 D1
0 k2  0 k2   0 1 

Se k1 > 0 e k2 > 0, então D1 representa uma compressão ou expansão na direção x e D2


representa uma compressão ou expansão na direção y. Assim, a matriz D é uma matriz composta de duas
transformações seqüenciais.

Se k1 ou k2 for negativo, então a fatoração fica:

 k 0  1 0   k1 0  1 0   1 0   k1 0 
D 1    D3 D2 D1
 0 k2  0 k2   0 1  0 k2   0 1   0 1 

Neste caso, D1 é uma compressão ou expansão na direção x, D2 é uma reflexão no eixo y e D3 é uma
compressão ou expansão na direção y.

OBSERVAÇÃO: As matrizes diagonais com entradas não negativas alteram as dimensões da figura
motivo pelo qual são chamadas de matrizes de mudança de escala.

Exercício: Decomponha o operador linear abaixo e responda que transformações estão sendo realizadas.
3 0 
D 
0 1/ 2 
Resposta: uma compressão de razão ½ na direção y e uma expansão de razão 3 na direção x.

OPERADORES COM UMA MATRIZ QUALQUER

Qualquer operador linear 2×2 cuja matriz canônica tenha inversa pode ser decomposta como o
produto de matrizes elementares, que pode ser realizada através da eliminação de Gauss-Jordan para obter
as matrizes elementares E1, E2, ... En e fazendo:

A = E1-1E2-1 ... En-1

Exercício: Decomponha o operador linear abaixo em matrizes elementares e responda que transformações
estão sendo realizadas, e em que seqüência.

1 2 
A 
3 4 

1 0  1 0  1 0  1 2 
3 1  0 1 0 2 0 1 
Resposta:     
Cisalhamento de razão 2 na direção x positiva, expansão de razão 2 na direção y, reflexão no eixo x e
cisalhamento de razão 3 na direção y positiva.

6.7 OPERADORES LINEARES DO R3

Como em R2, será preciso se distinguir entre operadores que preservam comprimentos
(Operadores ortogonais) e os que não preservam. Os mais importantes que não preservam comprimentos
são as projeções ortogonais, sendo as mais simples, as projeções sobre planos coordenados do sistema
xyz. A tabela 6-2 fornece informação básica sobre esses operadores.

OPERADORES QUE NÃO PRESERVAM A NORMA

Veja-se como exemplo apenas as projeções ortogonais sobre os planos coordenados.

Tabela 6-2: Projeções ortogonais sobre os planos coordenados


OPERADOR MATRIZ CANÔNICA
Projeção ortogonal sobre o plano xy 1 0 0
 
0 1 0
T(x, y, z) = (x, y, 0) 0 0 0
 
Projeção ortogonal sobre o plano xz 1 0 0
 
0 0 0
T(x, y, z) = (x, 0, z) 0 0 1 

Projeção ortogonal sobre o plano yz 0 0 0
 
0 1 0
T(x, y, z) = (0, y, z) 0 0 1 

Exercício: Encontre a imagem do vetor x = (–1, 2, 4) pela projeção ortogonal no plano z = 0


Resposta: T(x) = (–1, 2, 0)

OPERADORES QUE PRESERVAM A NORMA

As matrizes ortogonais 33 correspondem a operações lineares de R3 que podem ser rotações em
torno de retas pela origem ou reflexões em planos pela origem. Se A é a matriz ortogonal, então, se
det(A) = 1, ela representa uma rotação; se det(A) = –1, ela representa uma reflexão.
Refexões em planos pela origem:

As reflexões mais básicas são aquelas realizadas nos planos coordenados cujas matrizes
canônicas são dadas na tabela 6-3.

Tabela 6-3: Reflexões em planos coordenados


OPERADOR MATRIZ CANÔNICA
Reflexão no plano xy. 1 0 0 
 
T(x, y, z) = (x, y, –z) 0 1 0 
 0 0 1
 
Reflexão no plano xz. 1 0 0
 
T(x, y, z) = (x, –y, z)  0 1 0 
0 0 1
 
Reflexão no plano yz.  1 0 0 
 
 0 1 0 
T(x, y, z) = (–x, y, z)  0 0 1
 

Exercício: Encontre a imagem do vetor x = (–1, 2, 4) pela reflexão no plano x = 0


Resposta: T(x) = (1, 2, 4)

Rotação no R3:

Uma rotação no R3 é um operador ortogonal sobre uma reta de pontos fixos, denominada eixo de
rotação. Para simplificar, Serão estudadas somente rotações em torno de retas pela origem.

A orientação u do eixo de rotação, vista na figura 6-15, é escolhida tal que as rotações pareçam
anti-horárias quando vistas a partir do ponto final de u, como acontece com as orientações dos eixos
coordenados quando se usa a regra da mão direita.

Fig. 6-15: Rotações em torno de uma reta pela origem.

As rotações mais básicas são em torno dos eixos coordenados conforme mostra a tabela 6-4. Para
se obter as matrizes canônicas dessa tabela basta realizar as rotações dos vetores canônicos em torno dos
eixos x, y e z.

Tabela 6-4: Rotação em torno dos eixos coordenados


OPERADOR MATRIZ CANÔNICA
Rotação em torno do eixo x positivo 1 0 0 
 
 0 cos   sen 
 0 sen cos  
 
Rotação em torno do eixo y positivo  cos  0 sen 
 
 0 1 0 
  sen 0 cos  
 
Rotação em torno do eixo z positivo.  cos   sen 0 
 
 sen cos  0 
 0 1 
 0

Exercício: Encontre a imagem do vetor x = (1, 1, 1) pela rotação em R3, em torno do eixo positivo z, por
um ângulo de 60º
Resposta: (–0,37; 1,37; 1)

Rotações arbitrárias

Uma análise completa de rotações quaisquer envolve muitos detalhes para ser apresentado aqui.
Então, serão abordados apenas dois dois problemas básicos importantes:

1) Encontrar a matriz canônica, dado o eixo e o ângulo de rotação.


2) Dada a matriz canônica, encontrar o eixo e o ângulo de rotação.

A solução do primeiro problema é dada pelo teorema a seguir:

Teorema: Se u = (a, b, c) é o vetor unitário de orientação do eixo de rotação, então a matriz canônica Ru,θ
da rotação pelo ângulo θ em torno do eixo pela origem com orientação u é dada por:

 a 2 (1  cos  )  cos  ab(1  cos  )  csen ac(1  cos  )  bsen 


Ru,θ =  ab(1  cos  )  csen b 2 (1  cos  )  cos  bc(1  cos  )  asen 
 (6-13)

 ac(1  cos  )  bsen bc(1  cos  )  asen c 2 (1  cos  )  cos  

A solução do segundo problema é resolvida utilizando-se a equação (6-14) que fornece o ângulo
de rotação e a equação (6-15), conhecida como fórmula de Dan Kalmann, que dá o eixo de rotação.

tr ( A)  1
cos   (6-14)
2

u = Ax + ATx + [1 – tr(A)]x (6-15)

onde A é a matriz de rotação e x é qualquer vetor não-nulo de R3 que não seja ortogonal ao eixo de
rotação.

0 0 1
Exemplo 13: Mostre que a matriz A   1 0 0  representa uma rotação em torno de uma reta pela
 
0 1 0
 

origem de R3. Encontre o eixo e o ângulo de rotação.

Solução: Como tr(A) = 0, então utilizando-se a equação (6-14) encontra-se:

cos θ = – ½ θ = 120º

Para se utilizar a equação (6-15), escolhe-se um vetor x não ortogonal a u. Seja, por exemplo, x
= (1, 0, 0). Então encontra-se que:

u = (1, 1, 1)

que dá então, o eixo com sua respectiva orientação.


A figura 6-16 mostra o resultado dessa rotação.

Fig. 6-16: Rotação de 120º em torno de um eixo.

Exercícios:

1) Usando as equações (6-14) e (6-15), encontre o ângulo e o eixo de rotação no R 3 dado a matriz
canônica:

1 0 0 
 
A   0 0 1
0 1 0 
 
Resposta: u = (a, 0, 0) com a > 0 e  = 90º

2) Repita o exercício 1 para a matriz:

 3 1 
 0 
 2 2 
A 0 1 0 
 
 1 0 3
 2 2 
Resposta: u = (0, 1, 0) e  = 30º

6.8 INVERSA DE UMA TRANSFORMAÇÃO LINEAR

Se T: Rn  Rm é uma transformação linear injetora, então cada vetor w é imagem de um único


vetor x no domínio de T; dize-se que x é a pré-imagem de w. Essa unicidade da pre-imagem nos permite
criar uma função que leva w em x, denominada a transformação inversa, denotada por T–1. Assim:

T–1(w) = x se, e só se, T(x) = w é injetora

O domínio de T–1 é a imagem de T e a imagem de T–1 é o domínio de T. Informalmente diz-se


que T e T–1 cancelam uma o efeito da outra.

Teorema: Se T é uma transformação linear injetora de Rn, então a matriz canônica de T é invertivel e sua
inversa é a matriz canônica de T–1.

Exercício: Encontre a matriz inversa de alguns operadores lineares do R2 vistos até agora. O que você
observa no caso específico da reflexão por uma reta na origem?

PROPRIEDADADES GEOMÉTRICAS DE OPERADORES LINEARES INVERTIVEIS DO R2

As propriedades seguintes ajudam a determinar como tais operadores transformam regiões que
são limitadas por polígonos.

(a) A imagem de uma reta é uma reta.


(b) A imagem de uma reta passa na origem se, e só se, a reta original passa pela origem.
(c) As imagens de duas retas são paralelas se, e só se, as retas originais são paralelas.
(d) As imagens de três pontos estão em uma reta se, e só se, os pontos originais estão numa reta.
(e) A imagem de um segmento de reta que liga dois pontos é o segmento de reta que liga as
imagens desses dois pontos.

IMAGEM DO QUADRADO UNITÁRIO

Pelo teorema anterior, as imagens dos lados paralelos permanecem paralelas, então pode-se
concluir que a imagem do quadrado unitário é um paralelogramo não degenerado que tem um vértice na
origem e cujos lados adjacentes são T(e1) e T(e2). Algumas imagens são mostradas na figura 6-17.
Portanto, como a matriz canônica é denotada por A = [T(e1) T(e2)], segue que:

|det(A)| = área do paralelogramo de lados T(e1) e T(e2)

Fig. 6-17: Imagens do quadrado unitário.

Exercício: Esboce a imagem do quadrado unitário pela multiplicação pelas matrizes abaixo e calcule a
área do paralelogramo resultante.

1 −1 1 3
𝑎) 𝐴 = [ ] 𝑏) 𝐴 = [ ]
1 2 3 4
Resposta: a) área = 3 b) área = 5

6.9 APLICAÇÕES NA COMPUTAÇÃO GRÁFICA

A área da computação gráfica se ocupa da exibição, transformação e animação de objetos


bidimensionais e tridimensionais na tela do monitor de um computador. Nesta seção serão vistas apenas
transformações matriciais que movem e/ou transformam objetos simples, compostos de segmentos de
reta.

ESTRUTURAS

Os pontos, denominados de vértices, e os segmentos de retas que unem esses pontos,


denominados de arestas, formam o que se denomina de estrutura.

Para um computador desenhar uma estrutura, precisa-se fornecer as coordenadas dos vértices
junto com a informação de quais vértices são ligados por arestas.

A figura 6-18(a) mostra a estrutura de uma casa caída e a figura 6-18(b) tem os mesmos vértices
da casa, mas ligados de maneira diferente.

(a) (b)
Fig. 6-18: Exemplos de estruturas.

REPRESENTAÇÃO MATRICIAL
Os vértices da estrutura são representados por vetores coluna para compor a matriz de vértices.
Por exemplo, a matriz de vértices representando as estruturas da figura 6-18 é dada por:

0 2 3 2 0
V  
0 0 1 2 2

A ordem em que os vértices são listados é irrelevante.

As informações de como os vértices estão conectados, podem ser armazenadas numa matriz de
conexões C de tamanho nn, onde n é o número de vértices, na qual a entrada da linha i e coluna j é 1 se o
vértice da i-ésima linha de C está conectado ao vértice da j-ésima coluna de C e é 0, caso contrário. Por
exemplo, a matriz de conexões da estrutura da figura 6-15(a) é dada por:

1 1 0 0 1
 
1 1 1 1 0
C  0 1 1 1 0
 
0 1 1 1 1
1 1 
 0 0 1

OBSERVAÇÃO: As matrizes de conexões são sempre simétricas. Assim, para economia de espaço em
disco do computador, precisa-se armazenar apenas as entradas acima ou abaixo da diagonal principal.

Exemplo 14: Esboce a estrutura cujas matrizes de vértices e conexões são:

1 1 0 1
 
1 2 1 0 1 1 1 1
V   e C 
0 1 2 1 0 1 1 1
 
1 1 1 1

Solução: A estrutura é mostrada na figura 6-19.

Fig. 6-19: Estrutura do exemplo 19.

TRANSFORMANDO ESTRUTURAS

Agora, seja aplicar uma transformação linear à matriz de vértices de uma estrutura supondo que
sua matriz de conexões é conhecida e que as ligações dos vértices transformados são descritas pela
mesma matriz de conexões.

Exemplo 15: Seja colocar de pé a casa deitada da figura 6-18(a), resultando na figura 6-20. Para isso,
precisa-se fazer uma rotação no sentido anti-horário de seus vértices por 90º. A matriz canônica dessa
rotação é:

 cos 90o  sen90o   0 1


R o  
 sen90 cos 90o   1 0 
A nova matriz de vértices obtida é:

 0 1 0 2 3 2 0   0 0 1 2 2 
V1  RV     
 1 0  0 0 1 2 2   0 2 3 2 0 

O que confere com a figura 6-20.

Fig. 6-20: Rotação da estrutura da figura 6-18(a).

Exemplo 16: Os caracteres usados em telas de monitores em geral têm uma versão vertical (romana) e
uma versão inclinada (itálica). A versão itálica é obtida pelo cisalhamento da versão romana. Por
exemplo, a figura 6-21(a) mostra a estrutura da letra L romana e a figura 6-21(b) mostra a versão itálica
obtida pelo cisalhamento na direção positiva x por um ângulo de 15º. Encontre os vértices do L itálico
com duas casas decimais de precisão.

(a) (b) (c)


Fig. 6-21: Exemplo de cisalhamento.

A matriz de vértices do L romano, tirado a partir da figura 6-21(a) é:

 1 3 3 0 0 1
V  
0 0 1 1 7 7

Pela figura 6-21(c) vê-se que T(e2) = (K, 1), então k = tg(15º). Logo, a matriz do cisalhamento é dada por:

1 k  1 tg15 1 0, 26 
Cx    
0 1  0 1  0 1 

De modo que uma matriz de vértices do L itálico é

1 0, 26   1 3 3 0 0 1  1, 00 3, 00 3, 27 0, 27 1,87 0,87 


CxV   
0 1   0 0 1 1 7 7   0, 00 0, 00 1, 00 1, 00 7, 00 7, 00 

TRANSLAÇÃO COM COORDENADAS HOMOGÊNEAS

A translação é uma operação importante na computação gráfica. Entretanto ela não é uma
operação linear e, portanto, não é um operador matricial, ou seja, não existe matriz 22 ou 33 que
translade vetores em R2 ou R3 pela multiplicação matricial. Então, será preciso usar um artifício baseado
no seguinte teorema relativo a matrizes em bloco:

Teorema: Se x e xo são vetores em Rn e se In é a matriz identidade n n, então:

 In | xo  x   xo  x 
    
           
0 | 1    
  1   1 

Esse teorema diz que modificando x e xo + x pela adjunção de um componente adicional igual a
1, existe uma matriz (n + 1)(n + 1) que transforma o vetor x modificado no vetor xo + x modificado pela
multiplicação matricial. Então, dado um vetor x = (x1, x2, ..., xn) em Rn, diz-se que o vetor (x1, x2, ..., xn, 1)
modificado em Rn+1 representa o vetor x em coordenadas homogêneas.

Exemplo 17: Use multiplicação matricial para transladar a casa de pé da figura 6-22(a) para a posição
mostrada na figura 6-22(b).

(a) (b)
Fig. 6-22: Exemplo de translação de uma estrutura.

Solução: A matriz de vértices da casa de pé é:

 0 0 1 2 2 
V  
0 2 3 2 0 

Para transladar a casa à posição desejada precisa-se transladar cada vetor coluna de V por:

xo =  
3
2

Pelo teorema anterior, essas translações podem ser obtidas em coordenadas homogêneas pela
multiplicação com a matriz de translação dada por:

1 0 | 3
 I2 | xo   
T =  0 1 | 2
   
0     
 | 1   
0 0 | 1

Convertendo-se os vetores-coluna de V para coordenadas homogêneas, pode-se transladar todos os


vértices de uma vez com a única multiplicação matricial:

 1 0 3  0 0 1 2 2   3 3 2 1 1 
    
 0 1 2  0 2 3 2 0    2 4 5 4 2 
 0 0 1  1 1 1 1 1   1 1 1 1 1 
    
Ignorando a última linha dessa matriz, tem-se a matriz de vértices da casa transladada:

3 3 2 1 1
V1   
2 4 5 4 2

Um problema com a translação ainda persiste: por exemplo, uma rotação em R2 é executada por
uma matriz 22, enquanto uma translação necessita de uma matriz 33. Uma saída para isso é executar
todas as transformações básicas em coordenadas homogêneas. O próximo teorema permite fazer isso:

Teorema: Se A é uma matriz n n e x é um vetor em Rn dado em forma de coluna, então:

 A | 0  x   Ax 
    
          
 0 | 1  1   1 
    

Exemplo 18: A figura 6-22(b) pode ser vista como uma seqüência de transformações das figuras 6-18(a) e
6-20, ou seja, uma rotação seguida de uma translação. Para compor essas transformações usando uma
única multiplicação matricial em coordenadas homogêneas, deve-se primeiro expressar a matriz de
rotação por:

 0 1 | 0 
R | 0  
  1 0 | 0
R90o       
 0 | 1       
 
0 0 | 1

Como a matriz da translação é:

1 0 | 3
 I2 | xo   
T=   0
  
1 | 2
    
0 | 1   

0 0 | 1

A composição da translação com a rotação pode ser executada em coordenadas homogêneas como segue:

 1 0 3  0 1 0   0 1 3 
TR90 =  0 1 2  1  
0 0  1 0 2

 
 0 0 1  0 0 1   0 0 1 
    

 0 1 3  0 2 3 2 0   3 3 2 1 1 
TR90V =  1    
0 2  0 0 1 2 2    2 4 5 4 2 

 0 0 1  1 1 1 1 1   1 1 1 1 1 
    

Assim, descartando-se a última linha obtém-se os vértices da estrutura desejada.

OBSERVAÇÃO: Existem muitas aplicações nas quais se está interessado em rotações em torno de outros
pontos, não só a origem, ou reflexões em retas que não passam pela origem. Tais transformações não são
lineares, mas podem ser efetuadas pela multiplicação matricial em coordenadas homogêneas.

Exemplo 19: Uma rotação em torno do ponto x0 = (x0, y0) ≠ (0, 0), por um ângulo θ é a seguinte: primeiro
translada-se R2 por –x0 para trazer o ponto para à origem, depois efetua-se a rotação em torno da origem e
finalmente translada-se o vetor rotacionado para x0. Assim, a matriz canônica composta obtida será:
1 0 x0  cos   sen 0 1 0  x0 
R  0 1 y0   sen cos  0 0 1  y0 
0 0 1   0 0 1  0 0 1 

Exercícios:

1) Use a idéia do exemplo 19 para encontrar a matriz canônica da reflexão pela reta que passa pelo ponto
x0 = (x0, y0) ≠ (0, 0), que forma um ângulo θ com o eixo positivo x.

2) Encontre a imagem do ponto (3, 4) pela reflexão na reta que passa pelo ponto (1, 2) e tem coeficiente
angular m = ½. A matriz de reflexão em função de m é:

1  m 2 2m 
1  m 2 1  m 2 

 2m m2  1
1  m 2 1  m 2 
Resposta: (19/5, 12/5)

No caso das transformações que provocam mudança de escala, como a expansão ou compressão
vistas anteriormente, toma-se a origem como centro da mudança de escala. Contudo, também existem
mudanças de escalas não lineares de R2 a partir de um ponto fixo x0 = (x0, y0) ≠ (0, 0). O procedimento
para essas transformações segue a mesma idéia do exemplo 19.

Exercício: Usando a ideia do exemplo 19, mostre que a transformação T(x, y) = (k1x, k2y) quando
realizada a partir de um ponto fixo (x0, y0) qualquer pode ser dada por:

T(x, y) = (x0 + k1(x – x0), y0 + k2(y – y0))

(*) 6.10 ROTAÇÃO DAS CÔNICAS

Já foi visto no capítulo 3 que a forma quadrática Ax2 + By2 + 2Cxy = k representa uma cônica
(exceto a parábola) central e que a presença do termo misto consiste numa rotação dessa cônica. Sua
forma matricial, como foi visto é:

xTSx = k

Com o intuito de simplificar essa equação de tal forma que o termo misto desapareça, pode-se
fazer uma mudança de variável baseada no teorema dos eixos principais:

Teorema: Se S é uma matriz simétrica n×n, então existe uma mudança de variáveis ortogonal que
transforma a forma quadrática xTSx na forma quadrática x`TDx` sem termos mistos.

Essa mudança é obtida fazendo-se x = Px`, onde P é a matriz ortogonal que diagonaliza a matriz
A, de tal forma que:

xTSx = x`TDx` = λ1x1`2 + λ2x2`2 + … + λnxn`2

onde λ1, λ2, … , λn são os autosvalores da matriz S. Assim, no caso das cônicas no R2, fica-se com a
equação:

 0   x`
[ x` y`]  1   k
 0 2   y`

ou

λ1x`2 + λ2y`2 = k
Que representa uma rotação dos eixos conforme ilustra a figura 6-23 para o caso de uma elipse. O vetor
a` é o autovetor unitário para λ1 e b` é o autovetor unitário para λ2.

Fig. 6-23: Rotação de eixos para tornar a cônica na posição canônica.

Dividindo-se a última equação por k obtém-se a forma básica da cônica centrada na posição
canônica, ou seja,

x`2 y`2
 1
k / 1 k / 2

Onde

k k k k
a2  ou a  e b2  ou b 
1 1 2 2

No caso da elipse, portanto, a é o semieixo maior e b é o semi-eixo menor.

Para se obter o ângulo de rotação θ usa-se a matriz ortogonal P com det(P) = 1 e faz-se a
comparação com a matriz de rotação do R2.

Exemplo 20: Identifique a cônica de equação 5x2 – 4xy + 8y2 – 36 = 0, girando os eixos xy até colocar a
cônica na posição canônica e encontre o ângulo pelo qual foram girados os eixos.

Solução: A equação dada pode ser escrita na forma matricial xTSx = 36, onde:

5 −2
𝑆= [ ]
−2 8

A equação característica de S é (λ – 4)( λ – 9) = 0. Portanto:

Para λ1 = 4 temos p1 = (2/√5, 1/√5) e


Para λ2 = 9 temos p2 = (–1/√5, 2/√5)
e
 2 1 
  
5 5
P  [ p1 p2 ]   
 1 2 
 5 
 5

Onde, por acaso, det(P) = 1, o que representa uma rotação. Se desse –1, bastaria permutar as colunas de
P.

A matriz S é diagonalizável com D = diag(4, 9). Então, a equação matricial agora fica:
 4 0   x`
x`T Dx` 36 ou [ x` y`]      36
 0 9   y`

Ou

x`2 y`2
4 x`2 9 y`2  36 ou  1
9 4

Esta última equação mostra que se tem uma elipse central com eixo maior de comprimento 2α =
6 ao longo de x`, e eixo menor de comprimento 2β = 4 ao longo de y`.

O ângulo de rotação dos eixos pode ser determinado comparando-se a matriz P com a matriz de
rotação do R2. Donde se tira:

2 1 sen 1
cos   , sen  , tg  
5 5 cos  2

Logo, θ = tg–1( ½) = 26,6o

Ou, pode ser mostrado que o ângulo de rotação pode ser dado por:

tg(2θ) = 2C/(A – B)

A figura 6-24 mostra um esboço dessa elipse.

Figura 6-24: Elipse do exemplo 27.

Exercício: Identifique a cônica de equação 2x2 – 4xy – y2 + 8 = 0, girando os eixos xy até colocar a cônica
na posição canônica e encontre o ângulo pelo qual foram girados os eixos.
Resposta: Hipérbole central 2y`2 – 3x`2 = 8, θ = 26,6º
CAIXA DE FERRAMENTAS

TRANSFORMAÇÃO LINEAR: T(x) = Ax, sendo A a matriz de transformação e x o vetor coluna a ser transformado

MATRIZ CANÔNICA DE UMA TRANSFORMAÇÃO:

A = [T(e1) T(e2) ... T(en)], onde e1, e2 ... en são os vetores canônicos

ALGUMAS TRANSFORMAÇÕES DO R2:

𝑐𝑜𝑠𝜃 −𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑥 𝑐𝑜𝑠2𝜃 𝑠𝑒𝑛2𝜃 𝑥


Rotação: T(x, y) = Rx = [ ] [ ], Reflexão: T(x, y) = Hx = [ ] [ ],
𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑐𝑜𝑠𝜃 𝑦 𝑠𝑒𝑛2𝜃 −𝑐𝑜𝑠2𝜃 𝑦

Projeção: P(x,y ) = Px = [ 𝑠𝑒𝑛 𝜃


2
𝑠𝑒𝑛𝜃𝑐𝑜𝑠𝜃 ] [𝑥 ] , Homotetia: 𝑇(𝑥, 𝑦) = 𝐴𝑥 = [𝑘 0] [𝑥 ],
𝑠𝑒𝑛𝜃𝑐𝑜𝑠𝜃 𝑐𝑜𝑠 2 𝑦 0 𝑘 𝑦

𝑘 0 𝑥 1 0 𝑥
Expansão ou compressão: na direção x: 𝑇(𝑥, 𝑦) = 𝐴𝒙 = [ ] [ ], na direção y: 𝑇(𝑥, 𝑦) = 𝐴𝒙 = [ ][ ]
0 1 𝑦 0 𝑘 𝑦

1 𝑘 𝑥 1 0 𝑥
Cisalhamento: na direção x: 𝑇(𝑥, 𝑦) = 𝐶𝒙 = [ ] [ ], na direção y: 𝑇(𝑥, 𝑦) = 𝐶𝒙 = [ ][ ]
0 1 𝑦 𝑘 1 𝑦

MATRIZ DE ROTAÇÃO EM TORNO DOS EIXOS x, y e z:

1 0 0 𝑐𝑜𝑠𝜃 0 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑐𝑜𝑠𝜃 −𝑠𝑒𝑛𝜃 0


Em x: 𝐴 = [0 𝑐𝑜𝑠𝜃 −𝑠𝑒𝑛𝜃 ], Em y: 𝐴 = [ 0 1 0 ], Em z: 𝐴 = [𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑐𝑜𝑠𝜃 0]
0 𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑐𝑜𝑠𝜃 −𝑠𝑒𝑛𝜃 0 𝑐𝑜𝑠𝜃 0 0 1
PROBLEMÁTICA

1) Seja T: V→ W uma transformação linear. Mostrar que:

(a) T(–v) = –T(v)


(b) T(u – v) = T(u) – T(v)

2) Mostrar que a transformação abaixo é linear

T: R2  R2 definida por T(x, y) = (3x + y, 2x – 2y)

3) Seja o operador linear no R3 definido por

T(x, y, z) = (x + 2y + 2z, x + 2y – z, –x + y + 4z)

(a) Determinar o vetor u  R3 tal que T(u) = (–1, 8, –11)


(b) Determinar o vetor v  R3 tal que T(v) = v

4) Se T(x1, x2, x3) = (x1 + 2x2, x1 – 2x3), encontre o domínio de T e a imagem de x = (0, –1, 4) por T.

5) Seja a transformação T cuja matriz canônica A é dada. Encontre se houver um vetor x cuja imagem por
T é o vetor b.

1 2 0  1
   
A   0 1 3  ; b   1
 2 5 3  3
   

6) Nas matrizes ortogonais a seguir, determine se a multiplicação por A é uma rotação em torno da origem
ou uma reflexão numa reta pela origem. Encontre o ângulo de rotação ou o ângulo que a reta faz com o
eixo positivo x.

 1/ 2   3 / 2
(a) A   1/ 2  (b) A   1/ 2 
 1/ 2 1/ 2   3/2 1/ 2 
 

   3 / 2
(c) A   1/ 2  3 / 2  (d) A   1/ 2 
 3 / 2 1/ 2   3 / 2 1/ 2 
   

7) Esboce a imagem do retângulo de vértices (0, 0), (1, 0), (1, 2) e (0, 2) pelas seguintes transformações

(a) Reflexão no eixo x


(b) Reflexão no eixo y
(c) Compressão na direção y de razão 1/4
(d) Expansão na direção x de razão 3
(e) Cisalhamento na direção x de razão 3
(f) Cisalhamento na direção y de razão 2

8) Use a multiplicação matricial para encontrar a reflexão do vetor (2, 5, 3) no plano:

(a) xy (b) xz (c) yz

9) Use a multiplicação matricial para encontrar a projeção ortogonal do vetor (–2, 1, 3) no plano:

(a) xy (b) xz (c) yz

10) Encontre a matriz canônica do operador linear que efetua a rotação em R3 pelo ângulo:

(a) 90º em torno do eixo x positivo


(b) 90º em torno do eixo y positivo
(c) –90º em torno do eixo z positivo

11) Use a multiplicação matricial para encontrar a imagem do vetor (–2, 1, 2) pela rotação por um ângulo
de 30º em torno do eixo x positivo.

13) Esboce a estrutura cujas matrizes de vértice e conexões estão dadas a seguir

1 1 1 1
 
(a) V   1 1 2 2  , C  1 1 1 0
  1
0 1 1 0 1 1 1
 
1 0 1 1

1 1 0 0 0 1
 
1 1 1 0 0 0
(b) 0 1 2 3 2 1 0 1 1 1 0 0
V  , C   
1 2 2 1 0 0 0 0 1 1 1 0
0 0 0 1 1 1
 
1 0 0 0 1 1 

14) Qual é a transformação linear T:R2  R3 tal que T(1, 1) = (3, 2, 1) e T(0, –2) = (0, 1, 0)?

15) No plano uma rotação anti-horária de 45º é seguida por uma ampliação de fator √2. Ache a matriz
canônica que representa essa transformação.

16) Sabendo que as matrizes ortogonais preservam a norma, o que pode ser dito sobre seu autovalor λ?

17) Encontre a matriz do cisalhamento na direção x que transforma o triângulo de vértices (0, 0), (2, 0) e
(3, 3) em um triângulo retângulo com ângulo reto na origem.

18) Mostre que uma rotação pela origem de um ângulo θ1 seguida de uma outra rotação pela origem de
um ângulo θ2, equivale a uma única rotação pela origem de um ângulo (θ1 + θ2).

19) Encontre as únicas matrizes de rotação e de reflexão que são matrizes diagonais.

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