Departamento de Matemática da FCTUC — Análise Matemática I — LECD e LEI
Primeira Frequência, 08.11.23. Sem consulta. Justifique as suas respostas. 1h15m.
1
1. [1,50 val.] Calcule o domı́nio de f (x) = .
[arcsin(2x)]2 − 1
Solução:
Df = {x ∈ R : 2x ∈ [−1, 1] ∧ [arcsin(2x)]2 6= 1}
Temos
2x ∈ [−1, 1] ⇐⇒ x ∈ − 12 , 12
[arcsin(2x)]2 = 1 ⇐⇒ arcsin(2x) = ±1 ⇐⇒ 2x = ± sin(1) ∧ 2x ∈ [−1, 1]
⇐⇒ x = ± sin(1) ∧ x ∈ − 12 , 21 .
2
Logo
Df = − 12 , 12 \ {± sin(1)
2
}.
2. [1,75 val.] Estude a diferenciabilidade da função f : [−1, 1] → R, dada por
2 arccos(x), se − 1 6 x 6 0,
f (x) =
π − x2 − 2x, se 0 < x 6 1,
no ponto x = 0. Caso ela seja diferenciável, calcule a equação da reta normal ao seu gráfico
no ponto de abcissa x = 0.
Solução: Usemos diretamente a definição:
f (x) − f (0)
f 0 (0) = lim .
x→0 x
Estudemos os limites laterais:
f (x) − 2 arccos(0) π − x2 − 2x − 2 · @
Z π/2
@ = lim (−x − 2) = −2.
lim+ = lim+
x→0 x x→0 x x→0+
2
f (x) − 2 arccos(0) 2 arccos(x) − 2π 00 ,RH − √1−x 2
lim+ = lim+ = lim− = −2.
x→0 x x→0 x x→0 1
Deduz-se que f é diferenciável em x = 0.
Existe uma alternativa ao estudo da diferenciabilidade em x = 0, usando as expressões das
derivadas das expressões nos dois ramos da definição de f (x). Mas para tal, em primeiro
lugar, é necessário estudar a continuidade em x = 0. Temos
lim f (x) = lim− 2 arccos(x) = 2 arccos(0) = π = f (0)
x→0− x→0
lim f (x) = lim+ (π − x2 − 2x) = π = f (0).
x→0+ x→0
Deduz-se que f é contı́nua em x = 0. Para −1 < x < 0 temos f 0 (x) = − √1−x
2
2 e para
0 < x < 1 temos f 0 (x) = −2x − 2 e assim:
lim f 0 (x) = −2 = lim− f 0 (x).
x→0+ x→0
Como já vimos que f é contı́nua em x = 0 e diferenciável em ] − 1, 0[ e em ]0, 1[, a igualdade
em cima garante que f é diferenciável também em x = 0 e, para além disso, f 0 (0) = −2.
Salientemos que, nesta segunda resolução, é mesmo necessário provar a continuidade em
x = 0, pois, por exemplo, a função:
2 arccos(x) + 1, se − 1 6 x 6 0
f (x) =
π − x2 − 2x,
se 0 < x 6 1,
apesar de ter a mesma função derivada em x 6= 0 que a função anterior, não sendo contı́nua
em x = 0, não é diferenciável nesse ponto.
Seja qual for o processo usado, a conclusão é que f é diferenciável em x = 0, com derivada
igual a −2. Tem-se então que a equação da reta normal ao gráfico de f no ponto de abcissa
x = 0 é:
y − f (0) = 12 (x − 0) ⇐⇒ y = 12 x + π.
3. [1,75 val.] Determine o valor mı́nimo e o valor máximo da função f (x) = 4 arctan(x)+x2 −4x,
com x ∈ [−1, 4].
Solução: Temos
4 4 + 2x − 4 + 2x3 − 4x2 2x3 − 4x2 + 2x
f 0 (x) = + 2x − 4 = =
1 + x2 1 + x2 1 + x2
que se anula para
x3 − 2x2 + x = 0 ⇐⇒ x · (x2 − 2x + 1) = 0 ⇐⇒ x = 0 ∨ x = 1.
Comparemos então os valores de f no conjunto {−1, 0, 1, 4}. Temos
f (−1) = 4 arctan(−1) + 1 + 4 = −π + 5,
f (0) = 4 arctan(0) + 0 − 0 = 0,
f (1) = 4 arctan(1) + 1 − 4 = π − 3,
f (4) = 4 arctan(4).
Como
π
4 arctan(4) > 4 · =π e π > −π + 5 ⇐⇒ 2π > 5
4
deduz-se que o valor máximo de f é 4 arctan(4) e o valor mı́nimo é 0.
4. [1,50 val.] Mostre que a equação cos(x)−3x = −1, com x ∈ R tem exatamente uma solução.
Solução: Consideremos f (x) = cos(x)−3x. Trata-se de uma função contı́nua e diferenciável
em R. Temos também
f (−π) = −1 + 3π > −1 > −1 − 3π = f (π)
o que, pelo Teorema de Bolzano–Cauchy, nos diz que f assume o valor −1 no intervalo
] − π, π[. Como f 0 (x) = − sin(x) − 3, que não se anula em R, pelo corolário do Teorema de
Rolle, deduz-se que f é injetiva e logo f assume o valor −1 apenas uma vez.
5. [0,50 val.] Determine para que valores de a ∈ R vale a igualdade
x
x+a
lim =e
x→+∞ x−a
Solução: Como x
x+a x+a
= ex ln( x−a ) ,
x−a
quer-se determinar a tal que
x+a
lim x ln = 1.
x→+∞ x−a
O limite em cima é uma indeterminação ∞ × 0. Transformê-mo-lo, para poder usar a Regra
de L’Hôpital.
x+a x+a 0
ln
∞
x+a x−a ∞
,RH x−a
lim x ln = lim 1 = lim x+a
− x12
x→+∞ x−a x→+∞
x
x→+∞
x−a
x − a −Z
Z x−a −2a
= lim x+a
= = 2a
− x12
x→+∞
x−a
(x − a) 2 1 · (−1)
Temos então 2a = 1 ⇐⇒ a = 21 .
b x
Alternativamente, pode-se tentar usar o limite notável lim 1 + x
= eb , manipulando a
y→∞
expressão dada, por exemplo, colocando x em evidência:
x !x x
1 + xa 1 + xa ea
x+a x
= e2a
Z
lim = lim a
= lim −a x
= −a
x→+∞ x−a x→+∞ x
Z 1 − x
x→+∞ 1 + x
e
e portanto e2a = e ⇐⇒ a = 1/2.
6. [3,00 val.] Calcule as primitivas:
Z Z
2x
(a) dx; (b) cos(x)(2x − 1) dx.
1 + x4
Solução: (a) Trata-se de uma primitiva imediata.
(x2 )0
Z Z
2x
dx = = arctan(x2 ) + C, C ∈ R.
1 + x4 1 + (x2 )2
(b) Usemos primitivação por partes:
Z Z
Ppp
cos(x)(2x − 1) dx = sin(x)(2x − 1) − sin(x)(2x − 1)0 dx
Z
= sin(x)(2x − 1) − 2 sin(x) dx = sin(x)(2x − 1) + 2 cos(x) + C, C ∈ R.