Explorando o texto!
Depois da leitura do texto acima faça um estudo dirigido sobre: “Variação e Norma”. Para isso
observe as orientações:
1. Explique o que é analisado quando falamos em variação linguística.
2.) Diferencie variação diacrônica de variação diatópica.
3)Tendo em vista que “as gírias” compõem o quadro de variantes linguísticas ligadas ao aspecto
sociocultural, analise a frase: “Possivelmente não iremos à festa, pois todos os convidados são
patricinhas e mauricinhos!” , indicando o significado de cada termo destacado de acordo com o
contexto.
4.) Explique e exemplifique como os jargões profissionais podem influenciar nas variações sociais.
05.(Enem 2012) Leia o texto a seguir:
Cabeludinho
Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos: Este é meu neto. Ele foi estudar no
Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu.
Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de
regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo-mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia
fazer de uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma
solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino gritou:
Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não disiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de
poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas.
Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais
das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar
com saudade: Ai morena, não me escreve / que eu não sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu
ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro.
BARROS, M. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: Planeta, 2003.
No texto, o autor desenvolve uma reflexão sobre diferentes possibilidades de uso da língua e sobre os
sentidos que esses usos podem produzir, a exemplo das expressões “voltou de ateu”, “disilimina esse” e
“eu não sei a ler”.
Com essa reflexão, o autor destaca
a) os desvios linguísticos cometidos pelos personagens do texto.
b)a importância de certos fenômenos gramaticais para o conhecimento da língua portuguesa.
c) a distinção clara entre a norma culta e as outras variedades linguísticas.
d) a valorização da dimensão lúdica e poética presente nos usos coloquiais da linguagem.
06. (ENEM 2016) – Analise os texto seguintes:
Texto I
Entrevistadora — Eu vou conversar aqui com a professora A.D. … O português então não é uma língua
difícil?
Professora — Olha se você parte do princípio… que a língua portuguesa não é só regras gramaticais… não
se você se apaixona pela língua que você… já domina… que você já fala ao chegar na escola se teu
professor cativa você a ler obras da literatura… obra da/ dos meios de comunicação… se você tem acesso a
revistas… é… a livros didáticos… a… livros de literatura o mais formal o e/ o difícil é porque a escola
transforma como eu já disse as aulas de língua portuguesa em análises gramaticais.
Texto II
Professora — Não, se você parte do princípio que língua portuguesa não é só regras gramaticais. Ao
chegar à escola, o aluno já domina e fala a língua. Se o professor motivá-lo a ler obras literárias e se tem
acesso a revistas, a livros didáticos, você se apaixona pela língua. O que torna difícil é que a escola
transforma as aulas de língua portuguesa em análises gramaticais. (MARCUSCHI, L. A. Da fala para a
escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2001)
O texto I é a transcrição de entrevista concedida por uma professora de português a um programa de
rádio. O texto II é a adaptação dessa entrevista para a modalidade escrita. Em comum, esses textos:
a) são exemplos de uso não planejado da língua.
b) são modelos de emprego de regras gramaticais.
c) apresentam marcas da linguagem literária.
d) são amostras do português culto urbano.
07. (ENEM-2015) Leia o fragmento de “Assum preto” (Baião de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)
Tudo em vorta é só beleza Pra ele assim, ai, cantá mió
Sol de abril e a mata em frô Assum preto veve sorto Mas assum preto, cego dos óio Mas num pode avuá
Num vendo a luz, ai, canta de dor Mil veiz a sina de uma gaiola
Ou mardade das pió Desde que o céu, ai, pudesse oiá. Furaro os óio do assum preto
As marcas da variedade regional registradas pelos compositores de Assum preto resultam da aplicação de
um conjunto de princípios ou regras gerais que alteram a pronúncia, a morfologia, a sintaxe ou o léxico.
No texto, é resultado de uma mesma regra, a:
a) pronúncia das palavras “vorta” e “veve”.
b) pronúncia das palavras “tarvez” e “sorto”.
c) flexão verbal encontrada em “furaro” e “cantá”.
d) redundância nas expressões “cego dos óio” e “mata em frô”.
08.(ENEM – 2014) Analise o seguinte texto:
Em bom português
No Brasil, as palavras envelhecem e caem como folhas secas. Não é somente pela gíria que a gente é
apanhada (aliás, não se usa mais a primeira pessoa, tanto do singular como do plural: tudo é “a gente”). A
própria linguagem corrente vai-se renovando e a cada dia uma parte do léxico cai em desuso. Minha amiga
Lila, que vive descobrindo essas coisas, chamou minha atenção para os que falam assim:
– Assisti a uma fita de cinema com um artista que representa muito bem.
Os que acharam natural essa frase, cuidado! Não saber dizer que viram um filme e que o ator trabalha
muito bem. E irão ao banho de mar em vez de ir à praia, vestido de roupa de banho em vez de biquíni,
carregando guarda-sol em vez de barraca. Comprarão um automóvel em vez de comprar um carro,
pegarão um defluxo em vez de um resfriado, vão andar no passeio em vez de passear na calçada.
(SABINO, F. Folha de S. Paulo, 13 abr. 1984).
09.A língua varia no tempo, no espaço e em diferentes classes socioculturais. O texto exemplifica essa
característica da língua, evidenciando que
a) o uso de palavras novas deve ser incentivado em detrimento das antigas.
b) a utilização de inovações do léxico é percebida na comparação de gerações.
c) o emprego de palavras com sentidos diferentes caracteriza diversidade geográfica.
d) d) a pronúncia e o vocabulário são aspectos identificadores da classe social a que pertence o
falante.