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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE ELETRICIDADE
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA
FREDERICO IVO LIMA LOPES
CENTRAL TELEFÔNICA VOIP COM RASPBERRY PI
São Luís
2025
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FREDERICO IVO LIMA LOPES
CENTRAL TELEFÔNICA VOIP COM RASPBERRY PI
Monografia apresentada ao Curso de Engenharia Elétrica
da Universidade Federal do Maranhão, como requisito
parcial para obtenção do grau de bacharel em Engenharia
Elétrica.
Orientador: Profº. Msc. Marcos Tadeu Rezende de Araújo
São Luís
2025
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FREDERICO IVO LIMA LOPES
CENTRAL TELEFÔNICA VOIP COM RASPBERRY PI
Monografia apresentada ao Curso de Engenharia Elétrica
da Universidade Federal do Maranhão, como requisito
parcial para obtenção do grau de bacharel em Engenharia
Elétrica.
Aprovada em / /
BANCA EXAMINADORA
Profº. Msc. Marcos Tadeu Rezende de Araújo
(Orientador)
Prof. Dr. José Ribamar de Braga Júnior
Prof. Dr. Luciano Buonocore
3
Ao grandioso DEUS, aos meus pais e irmã.
4
AGRADECIMENTOS
A Deus, o nosso criador, sabe o que é melhor para seus filhos e que sempre me dá
força e me abençoa para atingir os meus objetivos;
Aos meus pais, Lucia Helena e Joaquim Januário que acompanharam os meus
sonhos e alegrias. Agradeço pelo eterno carinho, dedicação, fé, apoio, exemplos de vida. A
vocês, gratidão e admiração, em especial a minha mãe Lucia Helena;
A minha irmã Luciana Helena, pelo apoio e incentivo e carinho a mim dedicados;
A minha família, que sempre torceram por minha vitória;
A meu amigo Cícero Jorge, companheiro de curso, pelo grande apoio, conselhos e
incentivo;
Em especial ao Prof.º Marcos Tadeu, pela orientação, pela atenção, pelo seu
tempo dedicado para a realização deste trabalho, pela paciência dispensada e por suas valiosas
e fundamentais pontuações.
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RESUMO
Este trabalho apresenta o desenvolvimento e a implementação de uma central telefônica VoIP
baseada na plataforma Raspberry Pi, com o objetivo de fornecer uma solução de baixo custo e
alto desempenho para comunicação com voz e texto em pequenas empresas e órgãos públicos.
A proposta aborda conceitos fundamentais de telefonia IP, incluindo protocolos de
comunicação, requisitos de infraestrutura e análise de desempenho. Foram realizados testes
para avaliar a qualidade das chamadas, considerando métricas como jitter, latência e
estabilidade da conexão. Os resultados demonstraram que a solução proposta é viável,
garantindo comunicação eficiente com economia de até 67% em relação a sistemas
comerciais similares.
Palavras-chave: Telefonia IP. VoIP. Raspberry Pi. Comunicação. Jitter.
6
ABSTRACT
This work presents the development and implementation of a VoIP telephone system based on
the Raspberry Pi platform, aiming to provide a low-cost and high-performance solution for
voice and text communication in small businesses and public agencies. The proposal covers
fundamental concepts of IP telephony, including communication protocols, infrastructure
requirements, and performance analysis. Tests were conducted to evaluate call quality,
considering metrics such as jitter, latency, and connection stability. The results demonstrated
that the proposed solution is viable, ensuring efficient communication with cost savings of up
to 67% compared to similar commercial systems.
Keywords: IP Telephony. VoIP. Raspberry Pi. Communication. Jitter.
7
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 Estrutura dos protocolos para VoIP...............................................................15
Figura 2 As 7 camadas modelo OSI ...........................................................................
17
Figura 3 Arquitetura IEE 802 e seu posicionamento ao modelo
OSI.................................................................................................................19
Figura 4 Arquitetura TCP/IP e seu posicionamento em relação ao modelo
OSI.................................................................................................................21
Figura 5 Multiplexação dos pacotes de dados e controle em uma sessão
RTP................................................................................................................27
Figura 6 A arquitetura
SIP ...........................................................................................28
Figura 7 Regras de formação das mensagens
SIP........................................................30
Figura 8 Exemplo de estrutura genérica para um URI
SIP...........................................31
Figura 9 Exemplos de endereçamento baseado em URI
SIP........................................31
Figura 10 Interface programa
MicroSIP ........................................................................37
Figura 11 Interface de acesso para o cliente do softphone
ZOIPER..............................38
Figura 12 Diagrama geral da Central Telefônica
VoIP..................................................40
Figura 13 Diagrama de Blocos. Central
Raspberry........................................................41
Figura 14 Raspberry Pi 3B.............................................................................................41
Figura15 Interface balenaEtcher...................................................................................43
Figura 16 Acesso via SSH ao
Raspberry........................................................................44
Figura 17 Interface via acesso Web...............................................................................44
Figura 18 Menu de configuração de ramais-
rasPBX.....................................................45
Figura 19 Interface de configuração MicroSIP..............................................................46
Figura 20 Menu de configurações, aplicativo
ZoiPer.....................................................47
Figura 21 Estatísticas de uso- RAM:
RasPBX...............................................................49
Figura 22 Estatísticas de uso- CPU: RasPBX................................................................49
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Figura 23 Análise dos pacotes RTP- rede
cabeada.........................................................50
Figura 24 Análise dos pacotes RTP- rede
wifi...............................................................50
SILGAS E ABREVEATURAS
IP - Internet Protocol
ISO - Internet Organization Standardization
ITU-T - International Telecommunication Union - Telecommunication Standardization Sector
LLC - Logical Link Control
MAC - Medium Access Control
QoS - Quality of Service
RTP - Real-Time Transport Protocol
RTCP - Real-Time Control Protocol
SIP - Session Initiation Protocol
SRTP - Secure RTP
TCP - Transmission Control Protocol
UDP - User Datagram Protocol
UAC - User Agent Client
UAS - User Agent Server
URA- Unidade de Resposta Audível
VoIP- Voice over Internet Protocol
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...............................................................................................................................11
1.1 Objetivos Gerais...........................................................................................................................11
1.2 Objetivos Específicos....................................................................................................................11
1.3 Estrutura do Trabalho.................................................................................................................12
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..................................................................................................13
2.1 Telefonia IP...................................................................................................................................13
2.2 Redes de Dados.............................................................................................................................16
2.2.1 O Modelo OSI.............................................................................................................................16
2.2.2 Padrões IEEE 802........................................................................................................................18
2.2.3 Arquitetura TCP/IP......................................................................................................................20
2.3 Protocolos relacionados a Telefonia IP.......................................................................................23
2.3.1 Codificação Digital do Sinal da Voz...........................................................................................24
2.3.2 Protocolos RTP/RTCP.................................................................................................................26
2.3.3 Protocolo SIP...............................................................................................................................27
2.4 Raspberry PI.................................................................................................................................32
2.4.1 Arquitetura..................................................................................................................................33
2.4.2 Aplicações e Comunidade...........................................................................................................33
2.5 Software Livre..............................................................................................................................34
2.6 Asterisk.........................................................................................................................................36
2.7 Wireshark.....................................................................................................................................36
2.8 MicroSIP.......................................................................................................................................37
2.9 ZoiPer............................................................................................................................................38
3 ARQUITETURA E IMPLEMENTAÇÃO DO PROJETO PROPOSTO...................................38
3.1 Requisitos do Projeto...................................................................................................................38
10
3.2 Central Telefônica VoIP..............................................................................................................39
3.2.1 Diagrama de Blocos e Descrições...............................................................................................40
3.2.2 Raspberry Pi................................................................................................................................41
3.2.2 Rede Local..................................................................................................................................42
3.2.2 Telefones IP/ Softphones.............................................................................................................42
3.2.2 Conectividade Externa e Recursos Opcionais..............................................................................42
3.3 Configurações Realizadas............................................................................................................42
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS....................................................................................................48
4.1 Metodologia de Testes..................................................................................................................48
4.2 Desempenho e Qualidade das Chamadas...................................................................................48
4.3 Comparação com Soluções Comerciais.......................................................................................50
4.4 Desafios e Melhorias Futuras......................................................................................................51
5 CONCLUSÃO.................................................................................................................................52
REFERÊNCIAS.................................................................................................................................53
APÊNDICES.......................................................................................................................................56
APÊNDICE A – ESPECIFICAÇÕES DO EQUIPAMENTOS E MATERIAIS UTILIZADOS
NO PROJETO....................................................................................................................................57
APÊNDICE B– CUSTO ESTIMADO DO PROJETO....................................................................58
11
1 INTRODUÇÃO
A evolução das tecnologias de comunicação tem transformado significativamente
a maneira como nos conectamos, destacando-se a Voz sobre Protocolo de Internet (VoIP)
como uma solução eficiente e econômica para transmissões de voz e vídeo via internet. O
VoIP converte sinais de voz em pacotes de dados, permitindo a realização de chamadas sem
depender das redes telefônicas tradicionais (VENDITORE, 2024).
A adoção global do VoIP tem sido impulsionada por seu custo-benefício,
especialmente em chamadas internacionais e interurbanas, que se tornam mais acessíveis ou
até gratuitas. Além disso, a flexibilidade dos planos de assinatura e a capacidade de integração
com outras tecnologias reforçam sua relevância no cenário atual (VENDITORE, 2024).
Nesse contexto, o uso do Raspberry Pi como plataforma para implementar
centrais telefônicas IPs surge como uma alternativa viável e de baixo custo. Embarcado com o
software de código aberto Asterisk, é possível configurar uma central completa, incluindo
ramais, chamadas simultâneas e integração com provedores SIP, oferecendo uma solução
mais acessível e personalizável em comparação com sistemas comerciais tradicionais.
Este trabalho tem como objetivo desenvolver e avaliar o desempenho de uma
central telefônica baseada em Raspberry Pi, analisando métricas como jitter, latência,
estabilidade e qualidade das chamadas. A implementação se justifica pela crescente adoção do
VoIP no setor de telecomunicações, impulsionada por avanços tecnológicos como o 5G, que
melhora a qualidade das chamadas VoIP e amplia sua viabilidade em diferentes cenários
(VENDITORE, 2024). Assim, a análise da viabilidade do Raspberry Pi como base para uma
central telefônica pode contribuir para futuras implementações e aprimoramentos nessa área.
12
1.1 Objetivos Gerais
Projetar e implementar uma central telefônica VoIP com a plataforma
RaspberryPi.
1.2 Objetivos Específicos
Estudar o sistema Asterisk para a Raspberry Pi;
Especificar uma rede de comunicação para tráfego de voz, visando o custo-
benefício;
Configurar e montar um protótipo da central telefônica;
Apresentar conclusões a respeito das vantagens da implementação deste
projeto.
1.3 Estrutura do Trabalho
O texto deste trabalho está organizado em capítulos e seções. O capítulo 2
apresenta a fundamentação teórica dos conceitos fundamentais relacionados a este trabalho.
Inicia-se um resumo sobre a telefonia IP mencionando os temas mais relevantes envolvidos
nessa tecnologia. Apresenta-se os conceitos de modelo OSI e redes ethernet com o objetivo de
possibilitar o entendimento dos protocolos da telefonia IP. Posteriormente, comenta-se
brevemente sobre software livre.
Com os conceitos abordados, apresenta-se no capítulo 3 a proposta de uma central
de Telefonia IP de baixo custo. No capítulo 4 apresenta-se a análise dos resultados com o
projeto proposto. No capítulo 5 a conclusão do trabalho.
13
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Neste capítulo teremos todo o referencial teórico necessário para o entendimento
da solução proposta que será apresentada no capítulo 3.
2.1 Telefonia IP
A evolução das tecnologias de comunicação tem transformado significativamente
a forma como as pessoas e empresas se conectam. Nesse contexto, a Telefonia IP (Internet
Protocol) surge como uma solução inovadora ao permitir a transmissão de voz por meio de
redes baseadas no protocolo IP. Essa tecnologia, também conhecida como VoIP (Voice over
IP), converte sinais analógicos de voz em pacotes digitais, que são enviados através de redes
de dados, promovendo eficiência e redução de custos em comparação aos sistemas
tradicionais de telefonia (FILHO, 2025).
Entre as principais vantagens do VoIP, destacam-se:
Redução de custos: A tecnologia VoIP elimina a necessidade de infraestrutura
telefônica dedicada, permitindo a utilização de redes de dados já existentes, o que reduz os
gastos com chamadas, especialmente de longa distância; (COLCHER, 2005).
Flexibilidade e mobilidade: O VoIP permite que usuários se conectem a partir
de diferentes dispositivos, como computadores, smartphones e telefones IP, em qualquer local
com acesso à internet; (MRAZ, 2022)
Escalabilidade: Sistemas VoIP podem ser facilmente ajustados para atender a
um número crescente de usuários ou demandas específicas, sem a necessidade de grandes
investimentos em infraestrutura adicional; (RIBEIRO, 2025)
14
Recursos avançados: Integrações com sistemas de gestão empresarial,
chamadas em conferência, gravação de chamadas e mensagens de voz são funcionalidades
que agregam valor aos sistemas VoIP. (LOURENÇO, 2007)
A Telefonia IP é suportada por uma série de protocolos que garantem a
sinalização, transporte e segurança das chamadas. Protocolos como SIP (Session Initiation
Protocol) e H.323 são amplamente utilizados para a sinalização de chamadas, enquanto RTP
(Real-Time Transport Protocol) e SRTP (Secure RTP) gerenciam a transmissão dos pacotes
de áudio em tempo real (MRAZ, 2022; RIBEIRO, 2025). Esses protocolos desempenham
papel fundamental na entrega de comunicações confiáveis e de alta qualidade.
A implementação de sistemas baseados em VoIP exige não apenas a compreensão
dos protocolos envolvidos, mas também o planejamento adequado das redes para garantir o
desempenho e a escalabilidade. Também devem ser levados em consideração os desafios
associados à latência, jitter e perda de pacotes, que podem impactar negativamente a
experiência do usuário (COLCHER, 2005).
Além de suas aplicações práticas, a Telefonia IP também é objeto de estudos
acadêmicos e análises técnicas. Trabalhos como o de Lourenço (LOURENÇO, 2007)
exploram a integração de protocolos tradicionais com redes convergentes, enquanto Silva
(2012) enfatiza a importância da segurança na implantação de sistemas VoIP. Essas
abordagens reforçam a relevância da tecnologia em cenários corporativos e domésticos.
O protocolo de comunicação de dados mais utilizado atualmente é o TCP/IP. Esse
protocolo é a base para a comunicação da telefonia IP. Semelhante a telefonia tradicional, na
telefonia IP para realizar uma chamada são necessários protocolos de controle e sinalização
para executar algumas tarefas como localização de usuário, notificação de chamada, início de
transmissão de voz, finalização de transmissão de voz e desconexão.
Dentre os protocolos para transmissão de voz sobre a arquitetura TCP/IP
existentes no mercado, pode-se destacar dois. O H.323 homologado pelo ITU-T
(International Telecom Union) e o SIP (Session Initiation Protocol) homologado pelo IETF
(International Engineering Task Force). O padrão SIP é consolidado no mercado, pois a
maioria dos fabricantes de produtos de telefonia IP o utilizam, pois tem como vantagens a sua
simplicidade, velocidade, uso de multicast, uso de URLs, priorização de chamadas e
codificação de texto. O padrão SIP é, na verdade, uma pilha de protocolos onde a conexão
pode ser estabelecida utilizando-se sinalização User Datagram Protocol (UDP) ou
Transmission Control Protocol (TCP).
15
O SIP é um protocolo de controle/sinalização usado para iniciar, modificar ou
terminar sessões ou chamadas multimídia entre usuários.
A IETF propôs o padrão SIP utilizado por este trabalho, e que tem as seguintes
funcionalidades:
a) conversão de nome e localização de usuários;
b) estabelecimento de chamadas;
c) negociação de configuração.
Já a recomendação H.323 estabelece procedimentos para a comunicação de áudio
ponto a ponto em tempo real entre dois usuários em uma rede comutada por pacotes, ou seja,
rede IP que não oferece garantias de QoS (Quality of Service).
Para a manutenção de um sistema de telefonia sobre rede IP é necessário fornecer
mecanismos que deem suporte à transmissão das diversas mídias e características de tráfego
por ela impostas, esses mecanismos devem garantir a qualidade de serviço (QoS) desejada
pelas aplicações. Os equipamentos ativos de rede IP devem ter a capacidade para tanto.
Para a transmissão do fluxo de voz, utiliza-se o protocolo da camada de aplicação
do modelo de referência TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol)
denominado Real Time Protocol (RTP). O RTP utiliza o serviço de transporte UDP (User
Datagram Protocol) para transmitir os pacotes.
O RTP é o protocolo padrão para dados de áudio e vídeo que necessitam ser
transmitidos em tempo real, tais como áudio na telefonia IP. O protocolo RTP utiliza
conjuntamente um protocolo de controle chamado Real Time Control Protocol (RTCP), que
provê suporte a aplicações com características de transmissão de dados em tempo real, como
por exemplo, controle sobre as informações individuais da conexão de cada usuário
participante da sessão.
A figura 1 ilustra os protocolos que compõem a telefonia IP. Nessa figura pode-se
visualizar os protocolos de sinalização SIP e H.323 (nesse trabalho será abordado o protocolo
SIP pelo fato dos produtos de telefonia IP serem compatíveis com o mesmo), os protocolos de
controle de gateway MGCP e MEGACO, os áudios codecs (padrões recomendados para
codificação digital de voz e ainda os protocolos de transporte de voz RTP e RTCP.
Figura 1: Estrutura dos protocolos para VoIP
16
Fonte: OLCHIK, Alejandro (2025).
Na seção 2.2 apresentam-se os conceitos de modelo OSI e redes TCP/IP para ter-
se base teórica para resumir brevemente os protocolos de controle, sinalização e transmissão,
ilustrados na figura 1 que compõem a telefonia IP.
2.2 Redes de Dados
2.2.1 O Modelo OSI
No início da década de 1980, a ISO (International Organization for
Standardization) em conjunto com representantes dos diversos fabricantes de equipamentos
de redes existentes criou um grupo de trabalho para elaborar um modelo para padronizar a
comunicação de dados e permitir a interoperabilidade, independente de fabricante ou sistema
utilizado, ou seja, compatibilizar hardware e software envolvidos com o transporte de dados.
E ainda, a padronização da forma como os dados são formatados, organizados, transmitidos,
recebidos, interpretados e utilizados (FILIPPETTI, 2008).
O modelo OSI é um modelo a ser seguido como padrão, ou seja, ele especifica
todos os processos requeridos para que a comunicação de dados ocorra e divide esse processo
em grupos lógicos chamados camadas.
O modelo de referência OSI não foi o primeiro independente de fabricantes. Um
outro modelo já era utilizado havia algum tempo, porém, sem o respaldo de um órgão
respeitado como a ISO. Era o modelo informal TCP/IP. Esse modelo era e ainda é muito mais
17
flexível que o OSI, e também muito mais simples de ser implementado. O modelo foi
idealizado e desenvolvido na Universidade de Standford, na Califórnia em 1974
(FILIPPETTI, 2008).
O modelo OSI, basicamente, divide as tarefas inerentes à transmissão de
informação entre máquinas em rede em sete grupos ou camadas. A vantagem imediata dessa
divisão é a geração de grupos menores, portanto, mais fácil de gerenciar, em detrimento de
apenas um grande, pesado e complexo grupo. Cada camada é responsável por uma tarefa, e as
camadas são razoavelmente independentes entre si. As sete camadas do modelo OSI podem
ser divididas conforme a figura 2.
Figura 2: As 7 camadas modelo OSI
Fonte: Adaptado de TANENBAUM (2013).
O modelo OSI apenas fornece a arquitetura sugerida para a comunicação entre
dispositivos de rede. O que torna a comunicação possível são os protocolos. Esses protocolos
implementam as funções definidas em uma ou mais camadas do modelo OSI. Conforme
ilustrado na figura 2, as camadas superiores do modelo OSI estão relacionados às aplicações e
geralmente são apenas implementadas em software.
18
Atualmente existe uma grande variedade de protocolos de comunicação, definidos
nas mais diversas camadas do modelo OSI. Protocolos desenvolvidos para gerenciar redes
locais LAN, por exemplo, atuam basicamente nas duas primeiras camadas do modelo (Enlace
e Física), definindo como a comunicação de dados deve ocorrer nos diversos meios físicos
possíveis. Já os protocolos desenvolvidos para atuar em redes geograficamente dispersas
(WAN) são definidos nas últimas três camadas do modelo (Rede, Enlace e Física), definindo
como a comunicação de dados deve ocorrer nos diversos meios físicos disponíveis para esse
tipo de rede. Há ainda os protocolos de roteamento definidos na camada 3 (Rede), que são
responsáveis pelo gerenciamento de troca de informações entre os seus dispositivos
(roteadores) possibilitando a eles a seleção de uma rota apropriada para o tráfego de dados.
Os protocolos de camada superior (Transporte, Sessão, Apresentação e Aplicação)
tem a função de suportar os protocolos de camada inferior. Como exemplo a maioria dos
protocolos de roteamento utiliza o suporte oferecido pelos protocolos de camada superior para
gerenciar o modo como as informações são transportadas. Esse conceito de interdependência
entre camadas é a base de tudo que o modelo OSI representa.
A tabela 1 a seguir, apresenta um resumo das funções de cada camada e as PDUs
(Protocol Data Units) das quatro camadas inferiores.
Tabela 1 – Descrição da função das camadas do modelo OSI e as repectivas PDUs
Camada Descrição
Aplicação Provê a interface com o usuário.
Trata da semântica, compressão/descompressão, criptografia e tradução
Apresentação
dos dados.
Gerencia o diálogo entre as portas lógicas e mantém a separação dos dados
Sessão
de diferentes aplicações.
Provê a comunicação confiável (ou não) e
Nome da PDU
executa checagem de erros antes da
Transporte
retransmissão dos segmentos. Segmento
Define e gerencia o endereçamento lógico
Rede Pacote
da rede.
Acomoda os pacotes em quadros através
Enlace do processo de encapsulamento. Detecta Quadro
erros, porém não os corrige.
19
Responsável pela movimentação dos bits
entre as pontas e pela definição das
Física bits
interfaces, especificações elétricas e de
pinagem dos cabos.
Fonte: FILIPPETTI (2008)
2.2.2 Padrões IEEE 802
Embora o modelo OSI possa ser usado tanto em redes geograficamente
distribuídas quanto em redes locais, ele foi originalmente concebido para o uso nas primeiras.
Com o objetivo de elaborar padrões para redes locais de computadores nasceu o
projeto IEEE 802, que ficou a cargo de um comitê instituído em 1980 pela IEEE Computer
Society. Esse comitê tem publicado um conjunto de padrões que costumam ser posteriormente
revisados e republicados como padrões internacionais ISO (COLCHER, 2005).
O modelo de referência elaborado pelo IEEE definiu uma arquitetura em que
estão presentes as duas camadas inferiores do modelo OSI (física e enlace) sendo que a
superior (de enlace) foi subdividida em duas subcamadas, conforme ilustrado na figura 3.
Figura 3: Arquitetura IEE 802 e seu posicionamento ao modelo OSI
Fonte: COLCHER (2005)
20
As funções básicas e essenciais de comunicação de uma rede local correspondem
às funções dos níveis 1 e 2 do modelo OSI. A subcamada de Controle Lógico do Enlace
(Logical Link Control – LLC) tem a função de fornecer um ponto de acesso ao serviço para o
usuário de rede. A subcamada Controle de Acesso ao Meio (Medium Access Control – MAC)
tem as funções de:
na transmissão, montar os dados a serem transmitidos em quadros com campos
de endereço de detecção de erros;
na recepção, desmontar os quadros, efetuando o reconhecimento de endereço e
detecção de erros;
Gerenciar o acesso à comunicação no enlace.
Essa divisão tem como objetivo permitir a definição de várias opções de MAC,
que podem então ser otimizadas para as diferentes topologias de redes locais, mantendo uma
interface única, a da camada LLC, para usuários de rede local. Outros padrões foram
definidos dentro do comitê 802, como padrões para comunicação em redes em fio como o:
IEEE 802.11 para redes WiFi (Wireless Fidelity – Fidelidade sem fio) e 802.16 para redes
Wimax (Worldwide Interoperability for Microwave Access - Interoperabilidade Mundial para
Acesso de Micro-ondas).
2.2.3 Arquitetura TCP/IP
O desenvolvimento da Internet foi inicialmente financiado por uma agência do
departamento de defesa norte americano chamada ARPA (Advanced Research Project
Agency). Inicialmente essa rede denominada ARPANET, utilizava interligações ponto a ponto
entre equipamentos internos da rede (chamados roteadores).
O governo americano, tentou forçar a adoção do modelo OSI através da imposição
do GOSIP (Government OSI Profile – definia o conjunto de protocolos a ser suportado pelos
produtos adquiridos pelo governo americano). No entanto, o modelo OSI não foi o primeiro
independente de fabricantes. Um outro modelo já circulava havia um bom tempo, porém não
possuía um órgão, como a ISO, controlando-o. Era o modelo TCP/IP (Transmission Control
Protocol/ Internet Protocol). O modelo TCP/IP era e ainda é muito mais flexível que o OSI, e
também muito mais simples de ser implementado. O modelo foi idealizado e desenvolvido na
Universidade de Standford, na Califórnia em 1974 (FILIPPETTI, 2008).
21
A motivação para o desenvolvimento do modelo TCP/IP foi devido ao surgimento
de uma série de outras redes comutadas por pacotes tornou mais interessante o
aproveitamento das infraestruturas já disponíveis para interligar os roteadores em vez de se
fazer ligações ponto a ponto. Para que isso fosse possível, tornava-se necessário tratar o
problema da heterogeneidade dessas diferentes sub-redes. Com esse objetivo foram propostos
os conhecidos protocolos TCP e IP. Em 1985 a ARPANET foi rebatizada como Internet,
enfatizando a ideia de tratar-se de uma tecnologia para a interconexão de outras redes.
Os padrões da arquitetura TCP/IP não são elaborados por órgãos internacionais
como ISO ou IEEE. Um comitê denominado IAB (Internet Activity Board) coordena o
desenvolvimento de protocolos dessa arquitetura.
A arquitetura TCP/IP é organizada em quatro camadas: Aplicação, Transporte,
Internet e Acesso à Rede, como ilustra a figura 4.
Figura 4: Arquitetura TCP/IP e seu posicionamento em relação ao modelo OSI
Fonte: NASCIMENTO (2023)
Conforme pode ser visto na figura 4, vários protocolos atuam na camada de
Aplicação com funções idênticas às das três camadas OSI equivalentes (Aplicação,
22
Apresentação e Sessão). Os serviços do nível de rede OSI relativos à interconexão de sub-
redes distintas são implementados na arquitetura TCP/IP pelo protocolo IP. Nessa arquitetura
só existe uma opção de protocolo e serviço para a camada de rede: o protocolo IP, cujo
serviço é o de datagrama não-confiável. Essa inflexibilidade da arquitetura TCP/IP na camada
de rede, que parece ser uma desvantagem em relação à flexibilidade proposta pelo OSI, é
justamente uma das principais razões de seu sucesso.
A camada de aplicação é responsável pela definição dos protocolos necessários
para a comunicação ponto a ponto pelas aplicações, bem como pelo controle e especificações
da interface com o usuário.
A camada de Transporte espelha as suas mesmas funções no modelo OSI,
definindo protocolos que estabelecem o nível do serviço de transmissão para as aplicações,
bem como pelo controle e especificações da interface com usuário.
Segundo Filippetti (FILIPPETTI, 2008), a principal função da camada de
transporte é mascarar das aplicações de camada superior as complexidades da rede. Dois
protocolos são definidos nessa camada: o TCP e o UDP.
TCP (Transmission Control Protocol)
O TCP é um protocolo full-duplex, orientado à conexão e altamente confiável. A
arquitetura TCP é bastante complexa, o que acarreta em um grande custo em termos de
cabeçalho (overhead). Como as redes de hoje são muito mais confiáveis do que as redes
existentes quando o protocolo TCP foi criado, grande parte das características que garantem
essa confiabilidade na transmissão poderia atualmente ser dispensada (FILIPPETTI, 2008).
O TCP recebe um fluxo de dados de uma aplicação e os “quebra” em segmentos.
Esses segmentos são numerados e sequenciados, permitindo a remontagem do fluxo assim
que os segmentos atingem seu destino. Após o envio desses segmentos, o protocolo TCP
aguarda uma confirmação da máquina receptora, retransmitindo os segmentos que não forem
devidamente confirmados. Antes que a transmissão se inicie, o protocolo TCP da máquina
origem contata o protocolo TCP da máquina destino para que uma conexão seja estabelecida.
Essa conexão é chamada de circuito virtual. Esse tipo de comunicação é chamado de
orientada à conexão (connection-oriented). Durante esse aperto de mão (hand-shake) inicial, o
protocolo TCP das pontas envolvidas também determina o volume de dados a ser transmitido
antes de ocorrer a confirmação por parte do destinatário. Com essa preparação da conexão
com antecedência a comunicação torna-se confiável (FILIPPETTI, 2008).
UDP (User Datagram Protocol)
23
O protocolo UDP recebe blocos das camadas superiores do modelo TCP/IP – em
vez de fluxo de dados como ocorre com o protocolo TCP - e os quebra em segmentos. Como
o protocolo TCP, o UDP numera cada segmento transmitido pelo dispositivo origem
permitindo a reconstrução do bloco de dados no dispositivo destino, porém, não sequencia os
segmentos como o TCP (FILIPPETTI, 2008), não há controle da ordem em que esses
segmentos chegam ao destino. Não há, portanto, confirmação de recebimento pelo dispositivo
origem, como ocorre com o TCP.
O UDP é considerado um protocolo não confiável. Ele não estabelece um circuito
virtual antes do início da transmissão, como ocorre com o TCP. Devido a esses fatos o UDP
utiliza muito menos largura de banda do que o TCP.
A tabela 2 abaixo destaca as principais características dos dois protocolos de
transporte.
Tabela 2: Principais características dos protocolos da camada de transporte do modelo TCP/IP
TCP UDP
Comunicação sequencial Comunicação não sequencial
Comunicação confiável Comunicação não confiável
Comunicação orientada a conexão Comunicação não orientada a conexão
Latência elevada Baixa Latência
Estabelece um circuito virtual Não estabelece um circuito virtual
Fonte: FILIPPETTI (2008)
Em resumo, as camadas superiores enviam um fluxo de dados para os protocolos
da camada de Transporte, que o “quebra” em segmentos. A camada de Rede encapsula esses
segmentos em pacotes e os roteia através da rede. Esses são entregues ao respectivo protocolo
da camada de Transporte no dispositivo destino, que se encarrega da reconstrução do fluxo de
dados e do seu envio às aplicações ou protocolos das camadas superiores (FILIPPETTI,
2008).
A camada de Rede corresponde à camada de rede no modelo OSI, designando
protocolos responsáveis pela transmissão lógica de pacotes através da rede. Essa camada é
responsável pelo endereçamento lógico dos dispositivos, atribuindo endereços IPs. A Camada
24
de Rede também é responsável pelo roteamento de pacotes através da rede e pelo controle de
fluxo de dados durante o processo de comunicação entre dois dispositivos.
A camada de acesso à Rede é equivalente às camadas de enlace e física no modelo
OSI, ela é responsável pelo monitoramento do tráfego de dados entre os dispositivos da rede.
Nessa camada também são definidos os protocolos para a transmissão dos dados através dos
meios físicos.
Todos os padrões, recomendações e RFCs ligados à sinalização para os serviços
de VoIP, como o H.323, SIP, MGCP etc., são especificações de protocolos da camada de
aplicação da arquitetura TCP/IP (COLCHER, 2005).
2.3 Protocolos relacionados a Telefonia IP
Um sistema de Telefonia IP consiste no fornecimento de serviços de telefonia
utilizando a rede IP para o estabelecimento de chamadas e a comunicação de voz. Segundo
Colcher (COLCHER, 2005), essa tecnologia baseia-se na implementação de protocolos
responsáveis pela compressão e codificação da voz, transporte (transmissão) e controle de
pacotes, bem como pela sinalização das chamadas. Esses protocolos operam de maneira
integrada em diversos equipamentos, que podem estar localizados em qualquer ponto da rede.
Hersent, Gurle e Petit (HERSENT, at al, 2005) reforçam que a arquitetura de
sistemas VoIP é composta por elementos como gateways, servidores de sinalização e
terminais IP, os quais trabalham em conjunto para garantir a qualidade e a confiabilidade das
chamadas. Eles destacam ainda a importância de protocolos como SIP (Session Initiation
Protocol) e RTP (Real-Time Transport Protocol), que desempenham papéis fundamentais na
sinalização e no transporte de mídia em tempo real.
Dessa forma, a Telefonia IP oferece uma solução flexível e eficiente, capaz de
integrar diferentes dispositivos e proporcionar serviços de comunicação com qualidade e
economia.
2.3.1 Codificação Digital do Sinal da Voz
As informações que trafegam na rede de computadores seja ela a Internet, seja a
intranet (rede interna de uma corporação ou empresa) são basicamente de quatro tipos:
textual, gráfica, áudio e vídeo (streaming). As informações na mídia textual e gráfica são
genuinamente sinais digitais. Portanto podemos classificá-las como discretas. Já as mídias de
25
vídeo e áudio são referidas como mídias contínuas, pois apresentam variações contínuas de
amplitude contínuas, constituindo-se no tipo de informação percebida pelos sentidos humanos
através de sinais denominados analógicos.
Esses sinais analógicos para poderem ser interpretados pelos equipamentos
computacionais devem passar por um processo de codificação digital. Esse processo é a
conversão analógica digital ou conversão A/D. Para a reprodução desses sinais já
digitalizados deve haver o processo inverso, ou seja, a conversão digital analógica ou
conversão D/A.
O princípio de conversão A/D se resume em capturar amostras da informação
original em pequenos intervalos de tempo, criando uma representação para cada uma das
amostras com base em código de representação conhecido.
Nos sistemas telefônicos tradicionais o sinal de voz utiliza uma banda de 4 Khz, e
é digitalizado com uma taxa de amostragem de 8 Khz para ser recuperado adequadamente,
segundo o teorema de Nyquist. Como cada amostra é representada por um byte (8 bits, com
até 256 valores distintos), cada canal de voz necessita de uma banda de 8000 amostras x 8
bits, ou seja 64 Kbps (kilo bits por segundo) que é a taxa definida pelo padrão ITU-T G.711
para telefonia digital.
Nos sistemas de telefonia IP, onde a demanda por banda é crítica, torna-se
necessário utilizar também algoritmos de compressão do sinal da voz humana. Esses
algoritmos tem papel relevante pela diminuição da banda necessária para o tráfego desse
sinal.
Um ser humano falando emite surtos de voz apenas durante 35% a 40% do tempo
de fala. O restante do tempo é preenchido com silêncio que existe entre palavras e uma
sentença e outra (COLCHER, 2005). O algoritmo denominado TASI (Time Assignment
Speech Interpolation) detecta esse silêncio e o elimina da codificação, de forma que ele pode
ser recuperado da decodificação, isso pode reduzir e muito a quantidade de dados gerados.
Esse algoritmo é aplicado na telefonia. Uma outra forma de comprimir a voz humana é
codificar, em vez de duas amostras, os parâmetros de modelo analítico do trato vocal capaz de
gerar aquelas amostras. Esse método é conhecido como LPC (Linear Predictive Coding),
nesse método são codificados apenas os parâmetros que descrevem o melhor modelo que se
adapta às amostras. Um decodificador LPC usa esses parâmetros para a geração sintética da
voz, que é inteligível, porém a tonalidade é robotizada. Já o método CELP (Code Excited
Linear Predictor) é bastante similar ao LPC. O codificador CELP gera os mesmos parâmetros
LPC, mas computa os erros entre a fala original e a fala gerada (na saída) pelo modelo
26
sintético. O resultado é uma codificação com qualidade de voz muito boa, a uma taxa de bits
bem baixa.
O ITU-T especificou padrões recomendados para a codificação digital de voz, a
tabela 3 apresenta esses padrões com algumas características relevantes.
Tabela 3 – Padrões de codificação digital da voz recomendados pelo ITU-T.
Taxa de Recursos de Qualidade
Atraso
Padrão Algoritmo compressão processamento de voz
adicionado
(kbps) necessários resultante
G.711 PCM 48, 56, 64 Nenhum Excelente Nenhum
G.722 SBC/ADPCM 64 Moderado Excelente Alto
Boa (6.3)
G.723 MP-MLQ 5.3, 6.3 Moderado Moderada Alto
(5.3)
Boa (40)
16, 24, 32, Muito
G.726 ADPCM Baixo Moderada
40 baixo
(24)
G.728 LD-CELP 16 Muito alto Boa Baixo
G.729 CS-CELP 8 Alto Boa Baixo
Fonte: COLCHER (2005)
2.3.2 Protocolos RTP/RTCP
O RTP e o RTCP constituem os principais protocolos utilizados pelos terminais
para o transporte fim a fim em tempo real de pacotes de mídia (Voz) da maioria das
arquiteturas e serviços VoIP (COLCHER, 2005).
O RTP (Real-time Transport Protocol) é um protocolo projetado para fornecer
funções de transporte fim a fim, voltadas para aplicações que transmitem fluxos de dados em
tempo real, como áudio, vídeo e outros tipos de dados, por meio de redes IP. Segundo
Tanenbaum (TANENBAUM, 2011), o RTP é amplamente utilizado em aplicações multimídia
devido à sua capacidade de lidar com os requisitos específicos de sincronização e entrega em
tempo real. Colcher (COLCHER, 2005) também destaca que o protocolo oferece suporte
essencial para aplicações que demandam baixa latência e alta qualidade na transmissão de
informações.
27
O RTCP (Real-time Transport Control Protocol) é responsável por monitorar a
entrega de dados de forma escalável, oferecendo funcionalidades básicas de controle e
identificação. Sua operação baseia-se no envio periódico de pacotes de controle para todos os
participantes de uma conexão, utilizando o mesmo mecanismo de distribuição empregado
para os pacotes de mídia, como voz (COLCHER, 2005). Com um controle mínimo, o RTCP
permite a transmissão de dados em tempo real, aproveitando o suporte dos pacotes UDP em
redes IP, garantindo uma comunicação eficiente e confiável em aplicações multimídia
(TANENBAUM, 2011).
Tanto o RTP quanto o RTCP foram elaborados para serem independentes da
camada de transporte e da camada de rede do modelo OSI. Essa característica permite que
eles sejam aplicados em diversos cenários de transmissão em tempo real, como VoIP,
streaming de vídeo e videoconferências, demonstrando sua flexibilidade e ampla adoção. No
entanto, essa independência torna difícil classificá-los de forma precisa em uma camada
específica do modelo OSI (TANENBAUM, 2011). Na arquitetura TCP/IP é utilizada a
multiplexação fornecida pelas portas UDP conforme ilustra a figura 5.
Figura 5: Multiplexação dos pacotes de dados e controle em uma sessão RTP.
Mídia Controle Controle Mídia
RTP RTCP RTCP RTP
SESSÃO RTP
UDP UDP
IP IP
Fonte: COLCHER (2005)
2.3.3 Protocolo SIP
28
O Session Initiation Protocol (SIP) é um protocolo de sinalização da camada de
aplicação projetado para estabelecer, modificar e encerrar sessões multimídia, como
chamadas de voz e videoconferências, em redes IP. Originalmente desenvolvido na
Universidade de Columbia, o SIP foi submetido ao Internet Engineering Task Force (IETF) e
padronizado como a RFC 2543 em março de 1999 (COLCHER, 2005; KUROSE & ROSS,
2013).
A principal função do SIP é gerenciar a sinalização de sessões multimídia,
negociando parâmetros como tipos de mídia e padrões de codificação. Sua arquitetura flexível
permite a interoperabilidade com outros protocolos de transporte, como o Real-time
Transport Protocol (RTP), que gerencia a transmissão de dados de mídia em tempo real
(COLCHER, 2005). Além disso, o SIP é baseado no Hypertext Transfer Protocol (HTTP),
adotando uma arquitetura cliente/servidor que utiliza métodos de requisição e resposta,
facilitando sua integração com serviços da Internet (KUROSE & ROSS, 2013).
Entre as funções fundamentais do SIP destacam-se:
1. Localização de Terminais – Identificar a localização atual dos dispositivos de
destino.
2. Sinalização de Intenção de Comunicação – Indicar o desejo de estabelecer uma
conexão.
3. Negociação de Parâmetros – Estabelecer os detalhes técnicos necessários para
a comunicação, como codecs e protocolos de transporte.
4. Encerramento de Sessões – Finalizar chamadas de forma controlada
(COLCHER, 2005).
Uma característica importante do SIP é a separação entre o tratamento da
sinalização e o transporte de mídia, o que proporciona maior flexibilidade e eficiência. Por
suportar o transporte de diferentes tipos de cargas em seus pacotes, o SIP é amplamente
utilizado em sistemas de comunicação modernos, especialmente em soluções de Voz sobre IP
(VoIP). Sua simplicidade e flexibilidade o tornaram uma escolha padrão para aplicações
multimídia em redes IP (KUROSE & ROSS, 2017).
[Link] Arquitetura
O IETF define um conjunto de componentes da arquitetura SIP atuando sobre
uma rede IP. A figura 6 ilustra a arquitetura SIP. Estes componentes da arquitetura de
sinalização SIP são descritos a seguir:
29
Figura 6: A arquitetura SIP.
FONTE: BAHNASSE e KAMOUN (2016)
Agente usuário (User Agent – UA): é o cliente da arquitetura ou o ponto final
da comunicação multimídia que interage com o usuário. O UA é formado pelo user agent
client – UAC e pelo user agent server – UAS. O UAC é responsável por iniciar as chamadas
enviando requisições, e o UAS é responsável por responder as chamadas, enviando respostas.
Por exemplo, uma aplicação de telefonia via internet ambos contêm UAC e UAS;
Servidor Proxy (Proxy Server): atua tanto como um servidor quanto como um
cliente, com o propósito de fazer requisições em benefício de outros clientes que não podem
fazer as requisições diretamente, pode também fornecer funções como autenticação,
autorização ou controle de acesso à rede; (BAHNASSE e KAMOUN, 2016)
Servidor de redirecionamento (Redirect Server): fornece ao cliente informações
sobre o próximo destino que uma mensagem deve alcançar, permitindo que o cliente entre em
contato com o servidor do próximo destino ou com o UAS; (BAHNASSE e KAMOUN,
2016)
Serviço de locação (Location Service): permite localizar o assinante por meio
de sua base de dados, que é preenchida pelo servidor de registro. O servidor de localização e o
servidor de registro frequentemente são implementados no mesmo sistema; (BAHNASSE e
KAMOUN, 2016)
Servidor de registro (Registration Server): a principal tarefa do Registration
Server é receber e aceitar mensagens de registro, que são utilizados para armazenar o local
30
corrente dos usuários. Essas informações são solicitadas via location server, pelo proxy
server e pelo redirect server (COLCHER, 2005).
A dualidade do agente SIP possibilita a comunicação peer-to-peer (P2P) com
outros agentes sem a necessidade de utilização dos serviços oferecidos pelos servidores. O
agente é normalmente implementado em telefones IP, softphones, ou em telefones analógicos
ou digitais por meio de adaptadores de telefones analógicos (ATAs) (COLCHER, 2005).
[Link] Mensagens SIP
As mensagens SIP podem ser requisições (request) ou respostas (response). A
entidade que inicia um pedido SIP é chamado de cliente SIP e entidade que responde é
chamada de servidor SIP. O formato dessas mensagens tem como base a especificação
definida pelo IETF para correio eletrônico (RFC822) (COLCHER, 2005).
As mensagens SIP tem um grupo de cabeçalhos divididos em: cabeçalhos gerais,
com informações importantes sobre a chamada; cabeçalhos de entidade, com meta-
informação sobre o corpo da mensagem; e os cabeçalhos específicos, que permitem passar
informações adicionais, que não couberam na linha de status de requisição ou da resposta.
Essas mensagens devem obedecer a regra de formação apresentada na figura 7.
Figura 7: Regras de formação das mensagens SIP.
mensagem-genérica = linha-de-início
cabeçalho-da-mensagem
CRLF
[ corpo-da-mensagem ]
linha-de-início = linha-de-requisição / linha-de-status
Fonte: COLCHER (2005)
I) Mensagem de Requisição
O formato da mensagem de requisição SIP é caracterizado pela utilização de uma
linha de requisição como uma linha de início. Cada linha de requisição é formada por um
método (tipo de operação de requisição), um endereço e a identificação da versão SIP
utilizada.
31
Os métodos de requisições e respectivas funcionalidades seguem abaixo
a) INVITE - tem a função de convidar um usuário para participar de uma sessão já
existente ou de uma nova sessão;
b) ACK - tem a finalidade de informar ao usuário convidado o recebimento de uma
mensagem do tipo response. Esse método é enviado pelo usuário que originou o
INVITE;
c) BYE - solicita o término da sessão;
d) CANCEL - cancela uma requisição ainda não estabelecida. Considera-se uma
requisição concluída quando o server envia uma mensagem do tipo response. Esse
método não tem a função de encerrar uma sessão já estabelecida;
e) REGISTER - método com o objetivo de informar a localização do usuário para o
servidor SIP;
f) OPTIONS - responsável por informar quais as capacidades suportadas que podem ser
executadas diretamente entre UA SIP
Um request-URI é um endereço SIP URL e informa a origem, o destino corrente e
o destino final da mensagem. A forma utilizada é semelhante à URL mailto utilizada em
correios eletrônicos. A estrutura genérica para um URI SIP é:
Figura 8: Exemplo de estrutura genérica para um URI SIP
sip:usuário:senha@hospedeiro:porta;parâmetros-uri?cabeçalhos.
Fonte: COLCHER (2005)
Os campos desta estrutura são descritos a seguir:
a) usuário - indica um usuário que é identificado pelo usuário:senha@. Essa identificação
pode ser um número telefônico;
b) senha - indica a senha do usuário;
c) hospedeiro - indica um domínio;
d) porta - indica a porta para a qual a requisição deve ser enviada;
e) parâmetros-uri - indica os parâmetros em que a requisição deve ser enviada;
f) cabeçalhos - indica os elementos a serem incluídos em uma requisição.
Alguns exemplos de SIP URI:
32
Figura 9: Exemplos de endereçamento baseado em URI SIP
sip:ana@ [Link]
sip:ana:senhasecreta@[Link];trasport=tcp
sip:ana@[Link]
sip:+1-55-21-2222-
3344@[Link];user=phone
sip:3344@[Link]
sip:[Link];method=REGISTER?to=ana
%[Link]
Fonte: COLCHER (2005)
II) Mensagem de Resposta
O formato de uma mensagem de resposta SIP é caracterizado pela utilização de
uma linha de status como uma linha de início. Cada linha de status é formada pela
identificação da versão SIP utilizada, um código de status numérico e sua frase textual
correspondente. O Status-code é representado por um código número de 03 (três) dígitos que
indica o resultado do processamento da mensagem request à qual esta mensagem resposta se
refere. Esse código é destinado a um autômato. O Reason-Phrase ou frase textual transforma
o campo anterior em uma linguagem inteligível para o usuário.
A especificação do SIP define seis classes de resposta representadas pelo
primeiro dígito do código de status numérico. Os outros dois dígitos não representam nem
caracterizam nenhum tipo de categoria (COLCHER, 2005).
Resposta informativa (Information) - informa ao usuário que originou a sessão
que a mensagem foi recebida e está sendo processada. Exemplo: 180 Ringing;
Resposta de sucesso (Sucess) - informa o recebimento, o entendimento,
processamento e aceitação da mensagem. Exemplo: 200 OK;
Resposta de redirecionamento (Redirection) - informa que outras ações precisam
ser levadas em consideração antes de confirmar o request. Exemplo: 302 Moved Temporarily;
Resposta de falha de requisição (Client Error) - informa que a mensagem de
requisição possui um erro de sintaxe e que o servidor não pode processá-la. Exemplo: 404
Not Found;
33
Resposta de falha em servidor (Server Error) - informa que o server não pode
processar o request por algum problema interno. Exemplo: 503 Service Unavailable;
Resposta de falha global (Global Failure) - informa que a mensagem request não
pode ser processada em nenhum servidor disponível. Exemplo: 600 Busy Everywhere.
2.4 Raspberry PI
O Raspberry Pi é um computador de placa única desenvolvido pela Raspberry Pi
Foundation, uma organização educacional sem fins lucrativos sediada no Reino Unido.
Lançado inicialmente em 2012, o projeto tinha como objetivo principal promover o ensino de
ciência da computação em escolas e países em desenvolvimento, oferecendo uma plataforma
acessível e de baixo custo para estudantes e entusiastas (RASPBERRY PI FOUNDATION,
2023).
Desde seu lançamento, o Raspberry Pi passou por diversas atualizações e
aprimoramentos em suas placas. A primeira geração, introduzida em 2012, utilizava o SoC
Broadcom BCM2835, que incluía um processador ARM1176JZF-S de 700 MHz e 256 MB de
RAM. Em 2015, foi lançada a segunda geração, o Raspberry Pi 2, que trouxe um processador
quad-core ARM Cortex-A7 de 900 MHz e 1 GB de RAM, oferecendo um desempenho
significativamente superior.
O Raspberry Pi 3, introduzido em 2016, incorporou um processador quad-core
ARM Cortex-A53 de 1,2 GHz, além de conectividade Wi-Fi e Bluetooth integradas. Em
2019, o Raspberry Pi 4 foi lançado, apresentando um processador quad-core ARM Cortex-
A72 de 1,5 GHz, suporte a até 8 GB de RAM, portas USB 3.0 e capacidade para monitores
duplos 4K. A mais recente iteração, o Raspberry Pi 5, lançada em 2023, utiliza o SoC
Broadcom BCM2712, com um processador quad-core ARM Cortex-A76 de 2,4 GHz, GPU
VideoCore VII de 800 MHz e suporte a até 16 GB de RAM, além de melhorias significativas
em conectividade e desempenho geral (FILIPEFLOP, 2018).
2.4.1 Arquitetura
A arquitetura do Raspberry Pi é baseada principalmente em processadores ARM,
conhecidos por sua eficiência energética e desempenho adequado para uma variedade de
aplicações. As primeiras gerações utilizavam processadores ARM11 e Cortex-A7, enquanto
34
as versões mais recentes adotaram os mais potentes Cortex-A53, Cortex-A72 e, no caso do
Raspberry Pi 5, o Cortex-A76. Esses processadores são integrados em um System on a Chip
(SoC) da Broadcom, que também inclui a unidade de processamento gráfico (GPU)
VideoCore, responsável pelo processamento de gráficos e multimídia.
A combinação de CPU e GPU em um único chip permite um design compacto e
eficiente, adequado para as diversas aplicações às quais o Raspberry Pi se destina
(RASPBERRY PI FOUNDATION, 2023).
Além do processador e da GPU, as placas Raspberry Pi incluem uma variedade de
interfaces de entrada e saída, como portas USB, HDMI, GPIO (General Purpose
Input/Output), interfaces de câmera (CSI) e display (DSI), permitindo a conexão com uma
ampla gama de dispositivos e periféricos. A presença dessas interfaces facilita a integração do
Raspberry Pi em projetos de automação, robótica, sistemas embarcados e outras aplicações
que requerem interações com hardware externo (FILIPEFLOP, 2018).
2.4.2 Aplicações e Comunidade
A versatilidade do Raspberry Pi permitiu sua adoção em diversas áreas além da
educação. Hobbyistas utilizam a plataforma para projetos de automação residencial, media
centers e experimentações em eletrônica. Na indústria, o Raspberry Pi é empregado em
aplicações como quiosques de informação, sistemas de controle industrial e dispositivos de
Internet das Coisas (IoT).
A Raspberry Pi Foundation também se dedica a iniciativas educacionais,
oferecendo recursos para ensinar programação e habilidades digitais a jovens. Programas
como o Code Club e o Astro Pi incentivam a aprendizagem de código e a participação em
projetos práticos, incluindo experimentos que são executados na Estação Espacial
Internacional (RASPBERRY PI FOUNDATION, 2023).
A comunidade global em torno do Raspberry Pi é vibrante e ativa, com inúmeros
fóruns, tutoriais e projetos compartilhados por entusiastas e profissionais. Essa colaboração
contínua contribui para a expansão das aplicações e para o aprimoramento contínuo da
plataforma, solidificando o Raspberry Pi como uma ferramenta fundamental para inovação e
aprendizado em computação.
35
2.5 Software Livre
Software Livre, ou Free Software, conforme a definição de software livre criada
pela Free Software Foundation, é o software que pode ser usado, copiado, estudado,
modificado e redistribuído sem restrição. A forma usual de um software ser distribuído
livremente é sendo acompanhado por uma licença de software livre (como a GPL ou a BSD),
e com a disponibilização do seu código-fonte.
O Software Livre como movimento organizado teve início em 1983, quando
Richard Stallman deu início ao Projeto GNU e, posteriormente, à Free Software Foundation
(CAMPOS, 2016).
Software Livre baseia-se na existência simultânea de quatro tipos de liberdade
para os usuários do software, definidas pela Free Software Foundation. Abaixo segue a
descrição de cada uma das quatro liberdades (FREE SOFTWARE FOUNDATION, 2024):
A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0);
A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas
necessidades (liberdade nº 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;
A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu
próximo (liberdade nº 2);
A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de
modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade nº 3). Acesso ao código-fonte é um pré-
requisito para esta liberdade.
Um programa é software livre se os usuários têm todas essas liberdades. Portanto,
deve-se ser livre para redistribuir cópias, seja com ou sem modificações, seja de graça ou
cobrando uma taxa pela distribuição, para qualquer um em qualquer lugar. Ser livre para fazer
essas coisas significa (entre outras coisas) que ninguém tem que pedir ou pagar pela
permissão, uma vez que esteja de posse do programa. A liberdade de redistribuir cópias deve
incluir formas binárias ou executáveis do programa, assim como o código-fonte, tanto para as
versões originais quanto para as modificadas. De modo que a liberdade de fazer modificações,
e de publicar versões aperfeiçoadas, tenha algum significado, deve-se ter acesso ao código-
fonte do programa. Portanto, acesso ao código-fonte é uma condição necessária ao software
livre.
Software livre X Código aberto
Em 1998, um grupo de personalidades da comunidade e do mercado que gravita
em torno do software livre, insatisfeitos com a postura filosófica do movimento existente e
36
acreditando que a condenação do uso de software proprietário é um instrumento que retarda,
ao invés de acelerar, a adoção e o apoio ao software livre no ambiente corporativo, criou a
Open Source Initiative, que adota o termo Open Source (Código Aberto) para se referir aos
softwares livres, e tem uma postura voltada ao pragmatismo visando à adoção do software de
código aberto como uma solução viável, com menos viés ideológico que a Free Software
Foundation.
Ao contrário do que se pensa, Código Aberto não quer dizer simplesmente ter
acesso ao código-fonte dos softwares (e não necessariamente acompanhado das “4 liberdades”
do software livre). Para uma licença ou software ser considerado como Código Aberto pela
Open Source Initiative, eles devem atender aos 10 critérios da Definição de Código Aberto,
que incluem itens como Livre Redistribuição, Permissão de Trabalhos Derivados, Não
Discriminação, Distribuição da Licença e outros.
De modo geral, as licenças que atendem à já mencionada Definição de Software
Livre (da Free Software Foundation) também atendem à Definição de Código Aberto (da
Open Source Initiative), e assim pode-se dizer (na ampla maioria dos casos, ao menos) que se
um determinado software é livre, ele também é de código aberto, e vice-versa. A diferença
prática entre as duas entidades está em seus objetivos, filosofia e modo de agir, e não nos
softwares ou licenças.
2.6 Asterisk
O Asterisk é uma plataforma de código aberto para telefonia IP que permite a
criação de centrais telefônicas (PBX), gateways VoIP, servidores de conferência e outras
soluções de comunicação. Desenvolvido pela Digium, e atualmente mantido pela Sangoma, o
Asterisk é amplamente utilizado por empresas e provedores de serviços VoIP devido à sua
flexibilidade, escalabilidade e compatibilidade com diversos protocolos, incluindo SIP, IAX e
H.323.
Com suporte para funcionalidades como correio de voz, filas de chamadas, URAs
(Unidades de Resposta Audível) e integração com sistemas externos, o Asterisk pode ser
personalizado por meio de dialplans e módulos adicionais. Além disso, ele pode ser integrado
ao FreePBX, que fornece uma interface gráfica para facilitar sua configuração e
gerenciamento.
De acordo com a documentação oficial disponível no site do projeto, o Asterisk
possui uma arquitetura flexível que possibilita a implementação de soluções de comunicação
37
seguras e escaláveis. Graças a essa versatilidade, a plataforma é amplamente adotada por
pequenas empresas, bem como por grandes operadoras de telecomunicações (SANGOMA
TECHOLOGIES, 2025).
2.7 Wireshark
O Wireshark é um dos analisadores de protocolo de rede mais populares e
amplamente utilizados no mundo. Trata-se de uma ferramenta de código aberto que permite
capturar e inspecionar pacotes de dados em tempo real, auxiliando administradores de redes,
engenheiros de segurança e profissionais de TI na solução de problemas, monitoramento de
tráfego e análise de vulnerabilidades.
Originalmente desenvolvido em 1998 por Gerald Combs, o Wireshark evoluiu
para uma solução robusta compatível com diversos sistemas operacionais, como Windows,
macOS e Linux. Ele suporta uma ampla gama de protocolos e permite a filtragem avançada
de pacotes, facilitando a identificação de anomalias e falhas na comunicação entre
dispositivos.
Segundo a documentação oficial do Wireshark (Wireshark Foundation, 2025), a
ferramenta se destaca por sua interface intuitiva e poderosas funcionalidades, incluindo a
reconstrução de fluxos TCP, a exportação de dados para diversos formatos e a integração com
outras soluções de análise forense digital, além de compatibilidade com vários sistemas
operacionais.
2.8 MicroSIP
O MicroSIP é um softphone leve e de código aberto que permite realizar
chamadas de voz e vídeo por meio do protocolo SIP (Session Initiation Protocol). Ele é
amplamente utilizado para comunicação VoIP (Voice over IP) devido à sua interface simples,
baixo consumo de recursos e compatibilidade com diversos provedores e servidores SIP,
incluindo plataformas como Asterisk e FreePBX.
Desenvolvido para sistemas Windows, o MicroSIP suporta codecs de áudio e
vídeo eficientes, como Opus, G.711 e H.264, garantindo alta qualidade de comunicação com
baixa latência. Além disso, a ferramenta possibilita o uso de múltiplas contas SIP e inclui
38
recursos como transferência de chamadas e suporte a mensagens instantâneas via SIP
SIMPLE.
De acordo com a documentação oficial do MicroSIP (MicroSIP, 2025), o software
é uma solução prática para empresas e usuários que necessitam de um cliente VoIP confiável
sem custos elevados, mantendo a segurança com suporte a criptografia SRTP e TLS.
Figura 10: Interface programa MicroSIP
Fonte: MICROSIP (2025)
2.9 ZoiPer
O Zoiper é um softphone compatível com VoIP (Voice over IP), que permite
realizar chamadas de voz e vídeo por meio da Internet. Ele suporta diversos protocolos, como
SIP e IAX, e pode ser usado em dispositivos Windows, macOS, Linux, Android e iOS. O
Zoiper é amplamente utilizado em empresas e call centers devido à sua compatibilidade com
diferentes provedores de telefonia IP e sua interface fácil e intuitiva. Além disso, oferece
recursos como criptografia de chamadas e suporte a múltiplas contas (ZOIPER, 2025).
Figura 11: Interface de acesso para o cliente do softphone ZOIPER.
39
Fonte: ZOIPER (2025)
3 ARQUITETURA E IMPLEMENTAÇÃO DO PROJETO PROPOSTO
Neste capítulo, será apresentada a arquitetura da Central Telefônica VoIP
proposta, abordando sua estrutura e funcionamento. Serão detalhados os requisitos técnicos do
projeto, o processo de implementação e as configurações realizadas para garantir seu pleno
funcionamento.
3.1 Requisitos do Projeto
A crescente demanda por soluções de comunicação eficientes e acessíveis
impulsiona a necessidade de uma Central Telefônica VoIP de baixo custo e alto desempenho.
Este projeto foi desenvolvido para oferecer uma alternativa economicamente viável às
centrais telefônicas tradicionais, reduzindo custos operacionais e melhorando a qualidade da
comunicação.
Os principais requisitos considerados para a elaboração da solução foram:
a) Redução de custos com chamadas – Utilização de VoIP para minimizar
despesas com telefonia convencional, eliminando tarifas de operadoras tradicionais sempre
que possível;
b) Baixa latência e controle de jitter – Garantia de estabilidade na comunicação,
minimizando variações no atraso da transmissão da voz. O Objetivo é obter os seguintes
resultados:
40
Jitter: até 30 ms.
Latência: até 150 ms. (SZIGETI, 2014)
c) Capacidade para até 50 ramais simultâneos – Suporte a um número
significativo de usuários internos, permitindo escalabilidade futura.
d) Capacidade de comunicação em uma rede standalone – Possibilidade de
funcionamento independente de conexão com a internet para chamadas internas.
3.2 Central Telefônica VoIP
Uma central telefônica baseada em Raspberry Pi é um sistema de telefonia digital
que utiliza tecnologia VoIP (Voice over IP) para gerenciar chamadas internas e externas. Esse
tipo de solução substitui ou complementa sistemas tradicionais de telefonia, oferecendo maior
flexibilidade, redução de custos e possibilidades de personalização.
O sistema é composto por um Raspberry Pi, que funciona como o servidor
principal, e um software de PABX virtual, como Asterisk ou FreePBX, que gerencia a
comunicação entre ramais e a conexão com redes externas. Com essa infraestrutura, é possível
estabelecer chamadas entre diferentes dispositivos, como telefones IP, aplicativos de
softphone em computadores e smartphones, além de permitir integração com operadoras VoIP
para chamadas externas.
Além das funções básicas de uma central telefônica, como transferência de
chamadas, correio de voz e filas de atendimento, o sistema pode ser configurado para incluir
recursos avançados, como gravação de chamadas, atendimento automatizado (URA) e
integração com outros serviços empresariais, como CRMs e sistemas de gestão.
Essa solução é especialmente útil para pequenas e médias empresas, escritórios
domésticos e ambientes educacionais, proporcionando um sistema de comunicação eficiente,
escalável e de baixo custo. Na figura 12, temos o diagrama do cenário e dos componentes
participantes da central telefônica proposta.
Figura 12: Diagrama geral da Central Telefônica VoIP.
41
Fonte: Elaboração do autor
Para entender melhor como essa solução funciona e quais são seus principais
componentes, a seguir, detalhamos o funcionamento da central telefônica baseada em
Raspberry Pi.
3.2.1 Diagrama de Blocos e Descrições
Observando a figura 13, apresenta-se o diagrama de blocos representando o
funcionamento da central telefônica com Raspberry Pi. Ele mostra a interação entre os
principais componentes.
Figura 13 – Diagrama de Blocos: Central Raspberry
42
Fonte: Elaboração do autor
3.2.2 Raspberry Pi
O Raspberry Pi atua como o coração do sistema, executando o software PABX
(Asterisk ou FreePBX). Ele é responsável por gerenciar as chamadas, distribuir ligações entre
os ramais e estabelecer conexões com operadoras VoIP ou redes externas. Sua eficiência,
baixo custo e consumo reduzido de energia tornam-no uma excelente opção para a
implementação de uma central telefônica VoIP. Foi adicionado ao Raspberry Pi modelo 3B o
Cartão microSD de 8 GB, classe 4 para o armazenamento e fonte de alimentação de 5V/ 2A
DC.
Figura 14 – Raspberry Pi 3B
Fonte: RASPBERRY PI FOUNDATION (2023).
43
3.2.2 Rede Local
A rede local (LAN/Wi-Fi) desempenha um papel essencial na comunicação
interna, permitindo que dispositivos como telefones IP e aplicativos softphone em
computadores e smartphones se conectem ao servidor. Essa configuração possibilita
chamadas gratuitas entre os ramais sem depender da internet, garantindo comunicação
eficiente e segura dentro da organização.
3.2.2 Telefones IP/ Softphones
Os telefones IP são dispositivos físicos que utilizam a rede para realizar chamadas
VoIP, proporcionando maior qualidade de áudio e confiabilidade. Já os softphones são
aplicativos instalados em computadores ou dispositivos móveis que simulam um telefone IP,
permitindo que usuários façam e recebam chamadas diretamente de seus dispositivos. A
flexibilidade dos softphones torna a solução ainda mais acessível e prática.
3.2.2 Conectividade Externa e Recursos Opcionais
Para a realização de chamadas externas, o sistema pode se conectar a operadoras
VoIP por meio de um SIP Trunk, permitindo ligações para telefones convencionais via
internet. Caso seja necessário integrar o sistema a linhas telefônicas analógicas, pode-se
utilizar um gateway PSTN, que intermedeia as chamadas entre a central VoIP e a rede de
telefonia tradicional.
3.3 Configurações Realizadas
Primeiramente, para a instalação do software, deve-se realizar o download da
imagem disponível no endereço [Link]/downloads/, podendo ser realizada diretamente via
navegador ou por arquivo torrent.
Logo após é necessário realizar o procedimento de transferência da imagem para o
cartão SD, o sistema já utiliza 4 GB de armazenamento (BAUER, 2025), portanto o cartão
deverá ser de capacidade acima dos 4 GB.
44
O software utilizado para realizar a transferência da imagem foi o balenaEtcher, a
figura 13 mostra a interface desse software.
Figura 15- Interface balenaEtcher
Fonte: Elaboração do autor
Com o cartão já preparado, podemos iniciar as configurações já na plataforma
Raspberry, o primeiro acesso pode ser realizado através do endereço (HTTP://[Link]) e
ser configurado uma senha para o gerenciado da interface administrativa do sistema. Outro
formato de acesso poderá ser via SSH, com as seguintes credenciais de acesso (Usuário: root
e password: raspberry), na segunda forma, tem-se o acesso ao sistema operacional e aos
arquivos de configuração do Asterisk. Na figura 14 mostra o acesso via SSH, já na figura 15
temos a apresentação da interface sendo acessada via navegador.
45
Figura 16: acesso via SSH ao Raspberry
Fonte: Elaboração do autor
Figura 17: interface via acesso Web
Fonte: Elaboração do autor
46
No primeiro acesso a interface do RasPBX, é necessário realizar o cadastro da
senha de gerenciamento do sistema, possibilitando realizar as configurações dos ramais para
uso.
Para realizar as configurações dos ramais, acessa-se o menu Applications, na aba
extensions, podendo ser configurado o número do ramal e os serviços que serão
disponibilizados para o mesmo. Conforme mostrado na figura 18.
Figura 18: Menu de configuração de ramais- RasPBX
Fonte: Elaboração do autor
Para realizar a configuração dos softphones, realiza-se o download do software
MicroSIP no endereço [Link]/downloads, na figura 19 temos a janela com as
configurações a serem realizadas.
47
Figura 19: interface de configuração MicroSIP
Fonte: MICROSIP (2025)
Os seguintes dados devem ser preenchidos para garantir o funcionamento correto
do programa, a seguir:
Account name: nome da conta de acesso, já que pode ser configurada mais de
uma;
SIP Server: endereço do servidor PABX, com a porta inclusa
Username: o ramal de acesso
Domain: endereço de acesso ao servidor PABX, sem a porta
Login: ramal de acesso
48
Password: senha de autenticação criada para autenticar no ramal.
O software ZoiPer será utilizado para garantir a comunicação entre os dispositivos
moveis, está disponível no endereço [Link]/en/voip-softphone/download/current, onde
será encaminhado para download na Google Play, caso seu dispositivo seja Android, ou para
a App Store, caso seja um dispositivo da Apple. As configurações a serem realizadas estão
apresentadas na figura 20.
Figura 20: Menu de configurações, aplicativo ZoiPer
Fonte: Elaboração do autor
Os seguintes dados devem ser preenchidos para garantir o funcionamento correto
do programa, a seguir:
Nome da conta: nome da conta de acesso;
Host: endereço do servidor PABX, com a porta inclusa
Nome do usuário: o ramal de acesso
Senha: senha de autenticação criada para autenticar no ramal.
Com todos os dispositivos corretamente configurados e conectados à rede da
central telefônica, estamos prontos para a realização dos testes de estabilidade e conexões, que
serão descritos no capítulo 4.
49
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Este capítulo aborda a metodologia dos testes realizados na solução proposta, a
análise dos resultados obtidos, e também melhorias que podem ser implementadas ao projeto.
4.1 Metodologia de Testes
Para a realização dos testes, foram utilizadas oito máquinas virtuais e três
dispositivos físicos, totalizando onze equipamentos simulando um ambiente de comunicação
VoIP. As máquinas virtuais foram distribuídas em duas redes distintas: cinco conectadas por
meio de uma rede cabeada e três operando em uma rede Wi-Fi. Além disso, foram
adicionados dois dispositivos físicos, um conectado à rede cabeada e outro à rede Wi-Fi, além
de um smartphone que participou dos testes.
Cada máquina virtual e dispositivo físico foi configurado para realizar chamadas
simultâneas com a central telefônica, simulando um cenário de alto tráfego e avaliando o
comportamento do sistema sob carga intensa. Além das chamadas para a central, foram
conduzidos testes de comunicação direta entre dispositivos. Especificamente, uma das
chamadas foi estabelecida entre um dispositivo da rede cabeada e o smartphone, permitindo
analisar o desempenho das conexões VoIP em um cenário que envolve diferentes tecnologias
de acesso à rede.
Os testes tiveram como objetivo avaliar latência, perda de pacotes, jitter e
estabilidade da conexão em diferentes condições de rede. Com essa abordagem, foi possível
comparar o desempenho da comunicação realizada por meio da rede cabeada e da rede Wi-Fi,
além de analisar o impacto da comunicação com dispositivos móveis dentro da infraestrutura
simulada.
4.2 Desempenho e Qualidade das Chamadas
Analisando a utilização de carga computacional, verificou-se que a carga
comprometida de memória RAM e uso de CPU não impactou na qualidade das ligações,
50
mostrando que com 10 ligações simultâneas o hardware da Raspberry Pi 3B supriu de forma
satisfatória com o objetivo deste trabalho, nas medições a quantidade de memória RAM
utilizada se manteve em 70 % (Figura 21), já o uso de CPU chegou a picos de 40% (Figura
22).
Figura 21: Estatísticas de uso- RAM: RasPBX
Fonte: Autor
Figura 22: Estatísticas de uso- CPU: RasPBX
Fonte: Autor
Para a avaliação da qualidade das chamadas, foi realizada a captura e análise dos
pacotes RTC pelo programa Wireshark, observando a quantidade de perda dos pacotes, o
jitter médio e também o jitter máximo, temos os seguintes resultados apresentados nas figuras
23 e 24.
51
Figura 23: Analise dos pacotes RTP- rede cabeada
Fonte: Elaboração do autor
Figura 24: Análise dos pacotes RTP- rede wifi
Fonte: Elaboração do autor
Na figura 23, temos a captura dos pacotes realizados pela rede cabeada, todos os
parâmetros de perda de pacotes e de jitter estão dentro dos padrões definidos no projeto, na
figura 24 temos os pacotes capturados pela rede wifi, também apresentam resultados dentro
das propostas do projeto.
4.3 Comparação com Soluções Comerciais
A solução comercial que mais se aproxima do projeto proposto é o modelo da
intelbras PABX IP CIP 850, comparando os valores somente do equipamento, o projeto da
central utilizando Raspberry proporciona uma economia de até 67% em torno do preço
somente em hardware.
52
Valor em equipamentos do projeto proposto: R$912,04
Valor da central Intelbras CIP 850: R$ 2746,90
4.4 Desafios e Melhorias Futuras
A implementação da central telefônica baseada em Raspberry Pi apresentou um
desempenho satisfatório no ambiente de testes, porém, alguns desafios foram identificados,
especialmente considerando a escalabilidade e a integração com redes mais complexas. Como
o sistema foi testado exclusivamente em uma rede standalone, algumas limitações não
puderam ser completamente exploradas, exigindo estudos futuros para avaliar seu
comportamento em cenários mais exigentes.
Um dos principais desafios está na capacidade de processamento e gerenciamento
de múltiplas chamadas simultâneas. Embora o Raspberry Pi tenha demonstrado eficiência em
um ambiente controlado, sua limitação de hardware pode impactar a performance em redes
maiores ou em ambientes com tráfego intenso. Testes adicionais em uma infraestrutura
distribuída ou em nuvem poderiam fornecer dados mais precisos sobre a viabilidade do
sistema para cenários empresariais e/ou industriais.
Além disso, melhorias na integração com serviços externos e qualidade de
chamadas podem ser exploradas. A inclusão de suporte a WebRTC, otimizações no uso de
codecs de áudio e vídeo, e ajustes no gerenciamento de largura de banda podem contribuir
para uma comunicação mais eficiente e adaptável a diferentes condições de rede.
Para futuros aprimoramentos, a realização de testes em ambientes de produção
reais, incluindo integração com provedores SIP, redes híbridas e infraestrutura distribuída,
será essencial para validar a robustez da solução e garantir sua viabilidade para uso comercial
ou corporativo.
53
5 CONCLUSÃO
A implementação de uma central telefônica baseada em Raspberry Pi demonstrou
ser uma solução viável e eficiente para ambientes que buscam uma alternativa econômica e
funcional em relação às opções comerciais disponíveis. Os testes realizados mostraram que o
sistema foi capaz de suportar 10 chamadas simultâneas sem perdas significativas de pacotes,
com um jitter médio na rede cabeada próximo de 0 ms e um jitter médio de 4 ms na rede Wi-
Fi. Embora um pico de 50 ms de jitter tenha sido detectado em uma das conversas, a média
geral se manteve dentro dos parâmetros aceitáveis, validando o desempenho do sistema.
Além do desempenho técnico, o projeto atingiu um de seus principais objetivos:
redução de custos, resultando em uma economia de mais de 60% em relação a uma solução
comercial similar. Isso reforça o potencial do Raspberry Pi como uma plataforma acessível
para aplicações VoIP, especialmente em pequenas empresas e ambientes de baixo a médio
tráfego de chamadas.
No entanto, desafios ainda precisam ser superados, principalmente no que diz
respeito à escalabilidade, segurança e operação em redes mais complexas. A expansão para 50
ramais exigiria novos testes para garantir estabilidade e qualidade de serviço. Além disso, a
implementação de mecanismos de segurança avançados, como criptografia de chamadas e
proteção contra ataques VoIP, será essencial para tornar o sistema mais robusto e seguro para
uso em redes externas.
Dessa forma, este trabalho contribui para demonstrar a viabilidade do uso do
Raspberry Pi como uma central telefônica IP, fornecendo uma base sólida para futuros
aprimoramentos. Estudos futuros podem explorar integrações com provedores SIP,
otimizações no gerenciamento de recursos e expansão da capacidade do sistema, permitindo
que a solução atenda a cenários cada vez mais exigentes.
54
REFERÊNCIAS
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57
APÊNDICES
APÊNDICE A – ESPECIFICAÇÕES DO EQUIPAMENTOS E MATERIAIS
UTILIZADOS NO PROJETO
Segue abaixo especificação dos materiais a serem utilizados no projeto.
Kit Central telefônica mais roteador
Central telefônica: Raspberry Pi 3B
Software PABX: RASPBX com Asterisk 16.13 com FreePBX [Link]
Protocolos Suportados: SIP, IAX2, RTP
Especificações de hardware e softwares utilizados nos testes
Computadores:
Computador 1:
Processador Intel I5-10400 (6 núcleos/ 12 Threads)
Memória RAM: 16 GB DDR 4
Computador 2:
Processador Intel I7- 4500 U (2 núcleos/ 4 Threads)
Memória RAM: 8GB DDR3
Software para virtualização: VMWare Workstation 16 PRO V 16.2.4
Software para captura de pacotes: Wireshark 3.0.6
Softphones utilizados: MicroSIP versão 3.21.6 e ZoiPer Versão [Link]
Smartphone: Samsung A34 5G
58
APÊNDICE B– CUSTO ESTIMADO DO PROJETO
Equipamento Custo Fonte
[Link]
Quadcore-1-2ghz-Bluetooth/dp/B01CD5VC92/
ref=asc_df_B01CD5VC92/?tag=googleshopp00-
20&linkCode=df0&hvadid=709884378163&hvpos
Raspberry Pi
R$ 403,50 =&hvnetw=g&hvrand=12047335139297875434&h
modelo 3B vpone=&hvptwo=&hvqmt=&hvdev=c&hvdvcmdl=
&hvlocint=&hvlocphy=1032063&hvtargid=pla-
344941896120&psc=1&mcid=640ff8bb028b34c5b
121fc14c51c252d&gad_source=1
[Link]
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branca-e-turquesa/p/MLB24102846?
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9i0-YeTf0YqETZ4aVkFyBoCt_EQAvD_BwE
Total R$ 912,04