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Evolução e Estrutura do Português

O documento aborda a gramática da língua portuguesa, incluindo sua origem, evolução e distribuição geográfica. Ele detalha aspectos como etimologia, fonética, morfologia e classes de palavras, além de processos de formação e variações linguísticas. Também discute a influência de substratos e superstratos na formação do português e apresenta exemplos práticos de cada conceito.

Enviado por

Filipe Santos
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Evolução e Estrutura do Português

O documento aborda a gramática da língua portuguesa, incluindo sua origem, evolução e distribuição geográfica. Ele detalha aspectos como etimologia, fonética, morfologia e classes de palavras, além de processos de formação e variações linguísticas. Também discute a influência de substratos e superstratos na formação do português e apresenta exemplos práticos de cada conceito.

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Gramática

exame nacional | português

1. O português: origem, evolução e distribuição geográfica


1.1 As origens do português

do latim ao português antigo

latim vulgar latim falado pelos soldados e colonos que se instalaram nos territórios
conquistados pelos romanos.

substratos línguas autóctones que foram abandonadas quando o latim se impôs, mas que
deixaram vestígios linguísticos (fenícios, cartagineses, celtas e íberos).

superstratos línguas de povos invasores, chegados posteriormente à colonização romana, que


deixaram vestígios linguísticos, mas não se impuseram à variedade de base latina
(superstratos germânicos e árabe).

línguas românicas por exemplo: galego, português, francês, italiano, mirandês, castelhano, provençal,
ou novilatinas romeno, catalão, sardo, corso, rético.
(derivadas do latim)

1.2 A evolução do português

do português antigo ao português contemporâneo

português antigo (ou fase da língua portuguesa falada entre o século XII e a primeira metade do século
galego-português) XIV (idade média). ex.: poesia trovadoresca.

português médio português falado no século XV. ex.: Crónicas de Fernão Lopes.

português clássico fase da língua portuguesa falada entre os séculos XVI e XVIII (Idade Moderna).
ex.: obra de Luís de Camões.

português fase do português falado no século XIX até aos nossos dias. ex.: obras de Eça de
contemporâneo Queirós, de Fernando Pessoa e de José Saramago.

1.3 Distribuição geográfica do português no mundo

do português antigo ao português contemporâneo

português europeu português falado em Portugal.

português não português falado no Brasil (variedade brasileira) e português falado nos países
europeu africanos de expressão portuguesa (variedades africanas).

1.4 Principais crioulos de base portuguesa


Línguas cujo léxico é de origem portuguesa, embora se rejam por regras fonológicas e
morfossintáticas próprias: crioulos da Alta Guiné, do Golfo da Guiné, indo-portugueses da Índia,
indo-portugueses do Sri-Lanka, malaio-portugueses e sino-portugueses.
2. Etimologia
étimo palavra que está na origem de outra palavra. a maior parte dos vocábulos da
língua portuguesa tem um étimo latino.

étimo e valor o conhecimento do significado de alguns étimos permite compreender o valor


semântico das semântico de muitas palavras.
palavras ex.: VID-; vídeo; videre; visum (ver) → visão, visitar, avisar, vídeo, vidente…

palavras divergentes palavras que apresentam formas e significados diferentes, embora derivem do
mesmo étimo. ex.: PLENUM (étimo)→ pleno (via erudita) / cheio (via popular)

palavras apresentam a mesma forma, apesar de terem étimos diferentes e significados


convergentes distintos. ex.: RIVUM (étimo latino)→ rio (= curso de água)
RIDEO (étimo latino) → rio (= forma do verbo rir )

3. Fonética e fonologia

processo designação e conceito variação histórica variação regional,


social e situacional
prótese (no início da palavra) STARE → estar levantar → alevantar
inserção de
segmentos epêntese (no interior da palavra) CREO → creio pneu → peneu

paragoge (no final da palavra) ANTE → antes flor → flore

aférese (no início da palavra) ATTONITU → tonto obrigado → ‘brigado


supressão
de síncope (no interior da palavra) REGALE → real coroa → c’roa
segmentos
apócope (no final da palavra) MORTALE → mortal pele → pel’

metátese (troca de lugar de segmento(s) no FERIA → feira prateleira → *parteleira


interior de uma palavra)

assimilação (mudança de um fonema por PERSICU → pêssego redondo → rodondo


influência de outro que lhe está próximo)

dissimilação (dois fonemas iguais, ou com CALAMELLU → caramelo ministro → *menistro


propriedades semelhantes, tornam-se diferentes)

sonorização (transformação de uma consoante SECRETU → segredo cuspir → *guspir


alteração surda [p, t, c] em sonora [b, d, g])
de
segmentos vocalização (alteração de consoante para NOCTE → noite almofada → *aumofada
vogal)

palatalização (evolução, para som palatal de SENIORE → senhor mãe → *manhe


um fonema ou sequência fónica)

crase (contração ou fusão de DOLORE → DOOR → a amizade → *ámizade


duas vogais numa só) dor
contração
sinérese (contração ou fusão de EGO → eo → eu re-in-te-grar →
duas vogais, em hiato, num *rein-te-grar
ditongo)

redução vocálica (enfraquecimento de uma mar → marujo | verbo → verbal


vogal em posição átona)

*Nota: palavras agramaticais.


4. Morfologia
4.1 Processos de formação de palavras - Derivação

processos que envolvem adição de constituintes morfológicos

prefixação adição de um prefixo. ex.: re- + fazer = refazer

sufixação adição de um sufixo. ex.: verdad(e) + -eiro = verdadeiro

parassíntese adição simultânea de um prefixo e um sufixo (a palavra não existe sem nenhum dos
afixos). ex.: a- + mol(e) + -ecer = amolecer

processos que não envolvem adição de constituintes morfológicos

derivação não formação de nomes a partir de verbos, substituindo marcas da flexão verbal por marcas
afixal de flexão nominal. ex.: fabric(ar) → fabrico

conversão integração de uma palavra numa nova classe sem alteração da forma.
(não está nas AE) ex.: fundo (nome/adjetivo/advérbio).

4.2 Processos de formação de palavras - Composição

palavra + palavra ex.: sofá-cama; chapéu de sol;


(composição morfossintática) guarda-redes; vaivém…

radical + radical
geralmente ligados pelas vogais i ou o (composição morfológica) ex.: cardi[o]patia; silv[i]cutor…

radical + palavra
ligados pelas vogais i ou o (composição morfológica) ex.: plur[i]anual; infant[o]juvenil…

4.3 Processos irregulares de formação de palavras

Processos Definições Exemplos

extensão semântica Processo através do qual uma palavra existente rato (animal) > rato (dispositivo)
adquire um novo significado.

empréstimo transferência de uma palavra de uma língua t-shirt, sushi


para outra.

amálgama palavra criada a partir da junção de partes de informática


duas palavras.

sigla palavra formada através da redução de um PJ, SLB, FCP


grupo de palavras às suas iniciais, sendo
pronunciada letra a letra.

acrónimo palavra formada através da junção de letras ou ONU, UNICEF, PALOP


sílabas iniciais de várias palavras, que se
pronuncia como uma palavra só.

onomatopeia palavra criada por imitação de um som natural. Miau, cri-cri

truncação palavra formada a partir do apagamento de fotografia > foto


parte da palavra de que deriva. motocicleta > moto
5. Classes e subclasses de palavras
5.1 Classes abertas de palavras - Nome
próprio designa entidades ou seres individualizados. ex.: Portugal, Maria…

comum designa entidades ou seres não individualizados. ex.: casa, sofá, jovem, cansaço…

comum coletivo designa um conjunto de seres ou entidades do mesmo tipo. ex.: turma, rebanho…

5.2 Classes abertas de palavras - Adjetivo


qualificativo refere uma qualidade do nome (admite grau). ex.: adorável, robusto, incrível…

numeral refere a ordem ou sucessão de algo (ocorre geralmente antes do nome, precedido por
um determinante). ex.: terceiro, quinquagésimo…

5.3 Classes abertas de palavras - Verbo


5.3.1 Subclasses
subclasse exemplos
intransitivo seleciona um sujeito, mas não determina a O bebé adormeceu.
ocorrência de complementos.

transitivo direto seleciona um sujeito e um complemento direto. A Rita encontrou o Nuno.

principal transitivo seleciona um sujeito e um complemento Eu respondi à professora.


indireto indireto/oblíquo. Ele concordou com a
resposta.

transitivo direto seleciona um sujeito, um complemento direto e Ele deu-me o livro.


e indireto um indireto/oblíquo. Pu-las na mesa.

transitivo- seleciona um sujeito, um complemento direto e Eles designaram-no


-predicativo um predicativo do complemento direto. porta-voz do grupo.

dos tempos verbos ter e haver, seguidos do particípio do Nós temos trabalhado
compostos verbo principal/copulativo. imenso.

auxiliar da passiva verbo ser, seguido do particípio do verbo O teu trabalho foi
principal. considerado o melhor.

modal verbos poder, dever, ter de, seguidos do Ele pode reunir de tarde.
infinitivo do verbo principal.

copulativo estabelece a ligação entre o sujeito e o predicativo do sujeito. O filme era emocionante.

5.3.2 Modos e tempos verbais - Formas não finitas


infinitivo impessoal simples acabar, viver, rir

composto ter acabado | ter vivido | ter rido

infinitivo pessoal simples (eu) acabar, viver, rir | (tu) acabares, viveres, rires

composto (eu) ter acabado, ter vivido | (tu) teres acabado, teres rido

gerúndio simples acabando | vivendo | rindo

composto tendo acabado | tendo vivido | tendo rido

particípio passado acabado | vivido | rido


5.3.3 Modos e tempos verbais - Formas finitas

Modo Tempo Exemplos

presente eu falo | ele come | nós dividimos

simples eu falei | ele comeu | nós dividimos


perfeito
indicativo composto eu tenho falado | ele tem comido | nós temos dividido
(indica o real, o
concreto, o certo) pretérito imperfeito eu falava | ele comia | nós dividíamos

mais-que- simples eu falara | ele comera | nós dividíramos


perfeito
composto eu tinha falado | ele tinha comido | nós tínhamos dividido

simples eu falarei | ele comerá | nós dividiremos


futuro
composto eu terei falado | ele terá comido | nós teremos dividido

presente (que) eu acabe | ele viva | nós ríamos

perfeito composto (que) eu tenha acabado | ele tenha vivido | nós


tenhamos rido
conjuntivo pretérito
(indica o possível, o imperfeito (se/que) eu acabasse | ele vivesse | nós ríssemos
desejável, o
hipotético) mais-que- composto (se/que) eu tivesse acabado | ele tivesse vivido | nós
perfeito tivéssemos rido

simples (quando) eu acabar | ele viver | nós rirmos


futuro
composto (quando) eu tiver acabado | ele tiver vivido | nós
tivermos rido

condicional simples eu acabaria | ele viveria | nós riríamos


(que depende de
uma condição) composto eu teria acabado | ele teria vivido | nós teríamos rido

imperativo presente (tu) acaba | vive | ri


(indica uma ordem, (vós) acabai | vivei | ride
pedido ou conselho)

5.3.4 Modos e tempos verbais - Particípios passados duplos


Há verbos que têm duas formas no particípio passado.
Uso Exemplos

regular usa-se na formação dos tempos compostos, (ter/haver) entregado, imprimido, acendido…
com os verbos auxiliares ter ou haver.

irregular usa-se na formação da frase passiva, com o (ser/estar) entregue, impresso, aceso…
auxiliar ser ou estar.
5.4 Classes fechadas de palavras - Preposição e locução prepositiva
preposições ante, após, até, com, conforme, contra, consoante, de, desde, durante, em, exceto, entre,
mediante, para, perante, por, salvo, sem, segundo, sob, sobre, trás…

locução abaixo de, acerca de, acima de, a fim de, além de, antes de, aquém de, apesar de, a respeito
prepositiva de, através de, de acordo com, em frente de, em vez de, perto de, longe de, quanto a…

nota: a última palavra da locução prepositiva é sempre uma preposição.

5.5 Classes abertas de palavras - Advérbio e Locução adverbial


Subclasse Exemplos

tempo agora, ainda, amanhã, antes, breve, cedo, depois, então, hoje, já,
jamais, logo, nunca, ontem, sempre, tarde, atualmente, de vez em
quando, em breve…

lugar abaixo, acima, ali, além, algures, aí, aqui, atrás, cá, dentro, detrás,
diante…

modo assim, bem, depressa, devagar, mal, melhor, a sós, de novo,


valor calmamente…
semântico
quantidade e grau bastante, demais, demasiado, deveras, excessivamente, mais, menos,
muito…

afirmação sim, certamente, decerto, realmente, na verdade, com certeza, sem


dúvida…

negação não, de forma alguma, de modo nenhum…

inclusão ainda, até, também, inclusivamente, mesmo…

exclusão apenas, exceto, exclusivamente, salvo, senão, só, somente,


unicamente…

dúvida acaso, talvez, porventura, possivelmente, provavelmente, quiçá…

designação eis

interrogativo onde, quando, como, porquê, porque


funções
conectivo assim, logo, portanto, porém, contudo, todavia, assim, pois, depois…

relativo onde, como, quando

5.6 Classes fechadas de palavras - Determinante


artigo definido o, a, os, as possessivo meu, teu, seu, nosso, vosso

artigo indefinido um, uma, uns, umas indefinido certo, outro/a(s)

este, esse, aquele, o interrogativo qual (quais), que


demonstrativo mesmo, o outro, (o/a) tal
relativo cujo
5.7 Classes fechadas de palavras - Pronome

Formas do pronome pessoal


sujeito complemento complemento complemento complemento
direto indireto oblíquo agente da passiva

eu me me mim, comigo mim

tu te te ti, contigo ti

ele/ela o/a, se lhe si, ele/ela, consigo si, ele/ela

nós nos nos nós, connosco nós

vós vos vos vós, convosco vós

eles/elas os/as, se lhes si, eles/elas, consigo si, eles/elas

formas tónicas formas átonas formas tónicas

Outras subclasses do pronome


demonstrativo possessivo indefinido interrogativo relativo

este, esse, aquele, meu, teu, seu, algum, nenhum, tanto, todo, muito, qual?, quanto?, o qual,
o mesmo, o outro, nosso, vosso pouco, outro, qualquer, quaisquer, que?, o que?, o que, quem
aquilo, isso, isto alguém, ninguém, tudo, nada, outrem quê?, quem?

5.8 Classes abertas de palavras - Interjeição e locução interjetiva


Cuidado!, Atenção!, Alerta!; Alto lá!, Calma!, Olha!, Viva!, Shiu!, Tchau!, Olá!, Ai de mim! Com licença!,
Ah!, Oh!, Bolas!, Quem me dera!...

5.9 Classes fechadas de palavras - Quantificador


Subclasses Descrição Exemplos

cardinal indica uma quantidade numérica. um, dois, quatro, mil, cem…

numeral multiplicativo indica um múltiplo de uma quantidade. dobro, quádruplo, triplo…

fracionário indica uma fração de uma quantidade. um terço, metade, um quarto…

universal indica a totalidade dos elementos de um conjunto. Fiz uma síntese de todos os
conteúdos (nenhum, ambos…)

existencial introduz uma noção de existência e quantidade, Parte dessas canetas são
remetendo para uma parte dos elementos de um azuis. (alguma, muitos,
conjunto. bastantes…)

interrogativo introduz uma oração interrogativa em que se Quantos objetos tens na tua
pergunta a quantidade de elementos a que o mala?
nome se refere.

relativo introduz uma oração subordinada e exprime uma Comi tantos doces quantos
relação de quantidade em relação ao nome ou havia na caixa.
grupo nominal que o antecede.
5.10 Classes fechadas de palavras - Conjunção e locução conjuncional
Subclasse Conjunções Locuções conjuncionais
copulativa e, nem, nem…nem não só… mas também/como também

adversativa mas –
coordenativa
conclusiva logo –
disjuntiva ou, ou…ou, ora…ora, –
quer…quer, seja…seja

explicativa pois, que, porquanto –

causal porque, como, pois, dado que, já que, pois que, por isso que, uma
porquanto, que vez que, visto que…

condicional se, caso a menos que, a não ser que, contanto que
desde que, exceto se, salvo se, sem que…

subordinativa consecutiva que (antecedida de tão, de forma que, de maneira que, de modo que…
tal, tanto, de tal maneira,
de tal modo…)

concessiva embora, conquanto ainda que, apesar de (que), mesmo que/se,


nem que, por mais que, por menos que, se
bem que…

assim como… assim (também), bem como,


comparativa como como se, mais/menos… do que,
tão/tanto…como, que nem…

temporal quando, mal, enquanto à medida que, antes que, assim que, até que,
depois que, desde que, logo que, sempre que,
(de) todas as vezes que…

final que (=para que) para que, a fim de que, de modo a que…

completiva que, se, para –

notas:
- a conjunção coordenativa correlativa nem…nem pode ser copulativa ou disjuntiva, dependendo do contexto
em que se encontrem;
- as conjunções coordenativas nem… nem, ou… ou, ora… ora, quer… quer, seja… seja e as locuções conjuncionais
coordenativas não só… mas também/como também são correlativas, pois introduzem os vários elementos
coordenados;
- a preposição para assume a função de conjunção completiva quando introduz uma oração infinitiva que
pode, juntamente com a preposição, ser substituída pelo pronome isso (Ele pediu para entrar. - Ele pediu
isso.)
6. Sintaxe
6.1 Funções sintáticas
Funções sintáticas ao nível da frase Exemplos
simples Os azulejos da sala partiram.
constituição: um grupo nominal ou uma Quem estudar será recompensado.
- constituinte que oração.
determina a
concordância verbal; composto Os alunos e os professores preparam
constituição: (+) 2 grupos nominais ou a aula.
- constituição: grupo (+)2 orações. É importante que se preparem e que
nominal ou oração discutam as vossas ideias.
subordinada
sujeito substantiva; subentendido
- é substituível pelo sem realização lexical. Ontem, [-] debatemos o flagelo da
pronome pessoal com o referente é recuperável pelo contexto poluição.
função de sujeito ou e flexão verbal.
pelos pronomes
demonstrativos isto indeterminado
ou isso. sem realização lexical.
não se refere a uma entidade [-] Diz-se que o Verão será muito
específica e pode ser parafraseado por quente.
alguém, há quem, há pessoas que…

- função sintática desempenhada por um grupo verbal. A Rita está a estudar.


predicado - constituição: uma forma verbal ou um complexo verbal e os No ano passado, os incêndios
seus constituintes (complemento direto, indireto, oblíquo, devastaram muitas florestas em
predicativo de sujeito, modificador[es]). Portugal.

- constituinte que designa a pessoa ou a entidade interpelada O teu carro, Luís, está pronto.
vocativo pelo locutor. Maria, está atenta!
- grupo nominal separado por vírgulas dos outros constituintes
frásicos.

Funções sintáticas do grupo nominal


- constituinte selecionado pelo nome.

- constituição (1 dos seguintes):


grupo preposicional
Os jovens gostam da simpatia do escritor.
complemento do nome
grupo preposicional oracional
A vontade de vencer superou o cansaço.
grupo adjetival
As gravuras rupestres são verdadeiros testemunhos.

restritivo
- restringe a referência do nome que modifica;

- constituição (1 dos seguintes):


grupo adjetival
Adoro bolos caseiros.

grupo preposicional
modificador do nome Eu gosto de bolos com recheio.

constituinte facultativo na oração subordinada adjetiva relativa restritiva


frase que permite atribuir Já comi os bolos que comprei na pastelaria.
uma característica a um
nome. apositivo
- fornece uma informação adicional sobre o nome, surgindo entre vírgulas;

- constituição (1 dos seguintes):


grupo nominal:
Luís de Camões, um grande poeta, teve uma vida atribulada.

grupo adjetival:
A obra, épica e lírica, reflete o engenho do poeta.

grupo preposicional
A mulher, de beleza assinalável, é cantada nos seus poemas.

oração subordinada adjetiva relativa explicativa:


D. Dinis, que foi rei de Portugal, escreveu belas cantigas de amor.
Funções sintáticas internas do grupo verbal
direto
- constituinte selecionado por um verbo transitivo direto;
- constituição (1 dos seguintes):
grupo nominal
Encontrei um grande amigo da minha infância.

oração subordinada substantiva


Eu pensava que ele tinha emigrado.
- é substituível pelos pronomes pessoais átonos o, a, os, as ou pelos pronomes
demonstrativos isso, o.

indireto
- constituinte selecionado por um verbo transitivo indireto;

- constituição (1 dos seguintes):


grupo preposicional não oracional
Não consegui resistir à tentação.

complemento - introduzido pela preposição a.


oblíquo
- constituinte selecionado por um verbo transitivo indireto.

- constituição (1 dos seguintes):


grupo adverbial:
As crianças portaram-se bem.

grupo preposicional oracional


Discordo de que essa seja a solução para os problemas ambientais.

agente da passiva
- constituinte selecionado por um verbo transitivo indireto;

- constituição (1 dos seguintes):


grupo preposicional não oracional
Não consegui resistir à tentação.

- introduzido pela preposição por (simples ou contraída)

do sujeito
- constituinte selecionado por um verbo copulativo, completando-lhe o sentido, que predica
algo acerca do sujeito;

- constituição (1 dos seguintes):


grupo nominal
O rapaz revelou-se um excelente aluno.

grupo adjetival
Aquela casa parece abandonada.

predicativo grupo adverbial


O teu livro está ali.

do complemento direto
constituinte selecionado por um verbo transitivo-predicativo, completando-lhe o sentido,
que predica algo acerca do complemento direto.

- constituição (1 dos seguintes):


grupo nominal
Considero a Maria uma boa aula.

grupo adjetival
A resposta deixou toda a turma perplexa.

- constituinte que não é selecionado pelo verbo e que transmite informações sobre o tempo,
espaço, modo, causa, o fim…
modificador
(do grupo - constituição (1 dos seguintes):
verbal) grupo preposicional
Fizemos o trabalho na casa do Miguel..

grupo adverbial
Os alunos entraram ordenadamente na sala.
Funções sintáticas internas do grupo adjetival
- constituinte selecionado por um adjetivo.

- constituição (1 dos seguintes):


complemento grupo preposicional não oracional
A minha prima é muito propensa a quedas.
do adjetivo
grupo preposicional oracional
Estou consciente da existência de várias opções de resposta.

Funções sintáticas internas ao grupo adverbial

complemento - constituinte selecionado por um advérbio.


do advérbio
- constituição (1 dos seguintes):
grupo preposicional não oracional
Visitarei o Japão depois da Indonésia.

grupo preposicional oracional


Certamente que a viagem será um sucesso.

Alguns verbos que selecionam complemento oblíquo (verbos regidos por preposição)
abdicar de candidatar-se a descrer de interessar-se por renunciar a
abster-se de chegar a desistir de interferir em residir em
abusar de concordar com discordar de investir em sair de
acabar com concorrer a dispor de ir a, para simpatizar com
aceder a confiar em dispor-se a livrar-se de sofrer de
acreditar em contar com dotar de munir-se de subir a
afastar-se de convencer-se de duvidar de necessitar de suspeitar de
aludir a crer em entrar em olhar por transformar em
apaixonar-se por cuidar de esquecer-se de participar em vir de
apoderar-se de delegar em falar de partir para viver em
aspirar a depender de fugir de pensar em voltar a, de
assistir a descer de gostar de precisar de votar em
atrever-se a desconfiar de importar-se com recordar-se de zelar por
insistir em recorrer a

Alguns verbos que selecionam predicativo do sujeito (verbos copulativos)

ser, estar, continuar*, andar*, ficar, parecer, permanecer, revelar-se, tornar-se… → verbos doentes
(*são verbos copulativos quando podem ser substituídos por estar e permanecer.)

Alguns verbos que selecionam predicativo do complemento direto (verbos transitivos-predicativos)

achar, considerar, declarar, designar, eleger, julgar, nomear, supor, ter por, tornar, tratar por…
6.2 Colocação do pronome pessoal átono na frase
Regras de colocação exemplos
Os pronomes pessoais átonos (me, te, o/a, lhe, se, Encontrei uma carteira no chão.
nos, vos, os/as, lhes, se) surgem, regra geral, à → Encontrei-a no chão.
direita do verbo.
direita do
verbo Os pronomes o, a, -lo, -la, -los, -las Faz o trabalho noutro local.
os, as podem se a forma verbal terminar → Fá-lo noutro local.
(ênclise) apresentar formas em r, s ou z.
diferentes.
-no, -na, -nos, -nas Cantaram a nossa canção.
se a forma verbal terminar → Cantaram-na.
em m ou ditongo nasal (-ão, Os livros dão boas lições.
-õe) → Os livros dão-nas.

quando os verbos estão flexionados no futuro do O professor abordará o tema na aula.


interior do indicativo ou condicional. → O professor abordá-lo-á na aula.
Se não tivesse adormecido, teria visto a
verbo série.
(mesóclise) → Se não tivesse adormecido, tê-la-ia
visto.

quando surgem integrados em: Ninguém entregou o trabalho.


- frases que contêm palavras com valor negativo → Ninguém o entregou.
(não, sem, nunca, jamais, nada, nenhum, ninguém);
esquerda do Onde colocaste a mochila?
verbo - frases do tipo interrogativo começadas por → Onde a colocaste?
advérbios, determinantes ou pronomes Quem é que entornou o sumo?
(próclise) interrogativos; → Quem é que o entornou?
Que livro emprestaste ao João?
→ Que livro lhe emprestaste?

- frases cujos verbos são antecedidos de certos Ainda fizemos o exercício antes do toque.
advérbios (bem, mal, ainda, já, talvez, sempre, só…) → Ainda o fizemos antes do toque.
Todos adoraram o presente.
- frases com pronomes indefinidos antepostos ao
→ Todos o adoraram.
verbo;
O pai prometeu que trazia hoje o
telemóvel.
- orações subordinadas; → O pai prometeu que o trazia hoje.
Ou me devolves o livro ou digo à
- orações coordenadas disjuntivas iniciadas por professora.
conjunções coordenativas correlativas.
6.3 Coordenação e subordinação
frase complexa: frase com dois ou mais verbos principais ou copulativos, ou, seja, é
constituída por duas ou mais orações ligadas por coordenação ou por subordinação.

6.3.1 Coordenação
A coordenação de orações pode ser feita de 2 formas: coordenação sindética (orações
ligadas por uma conjunção ou locução) e assindética (orações ligadas, regra geral, por vírgulas
que marcam a omissão da conjunção: Fez o trabalho, imprimiu-o,enviou-o aos colegas.).
oração descrição exemplos
coordenada

copulativa Adiciona uma informação à oração A jovem saiu de casa e foi para a escola.
anterior. (e, nem, nem…nem, nem só… mas também…)

adversativa Estabelece uma relação de oposição ou de O percurso era longo, mas conseguiu chegar a
contraste com a oração anterior. tempo.
(mas, porém, todavia…)

conclusiva Apresenta uma conclusão em relação ao Estudei muito para a ficha, logo vai-me correr
enunciado da oração precedente. bem!
(logo, portanto…)

disjuntiva Exprime uma solução alternativa à Amanhã, trago para o lanche uma maçã ou
expressa na oração anterior. compro um bolo no bar da escola.
(ou, quer…quer, seja…seja,…)

explicativa Apresenta uma explicação ou justificação A Joana já está em casa, pois a luz do quarto
para o que foi expresso na oração anterior encontra-se acesa.

6.3.1 Subordinação
Na subordinação, além da relação de sentido entre as orações, uma das orações, a
subordinada, desempenha uma função sintática na frase, estando dependente de uma oração ou
elemento subordinante.

Orações subordinadas adverbiais


Orações que fornecem uma informação complementar sobre o conteúdo da ação expressa
na oração subordinante, desempenhando a função sintática de modificador.

oração subordinada descrição exemplos


adverbial

causal Apresenta a causa, o motivo do evento Como não trouxe lanche, vou
expresso na oração subordinante. passar fome.

condicional Exprime a condição de que depende o Se o meu pai se atrasar outra


evento apresentado na oração subordinante. vez, vou de autocarro.

consecutiva Indica a consequência do evento expresso Declamei tão bem o poema que
na oração subordinante. os meus colegas aplaudiram.

concessiva Exprime uma concessão, isto é, algo Embora estivesse frio, fomos dar
contrário à ação apresentada na oração um passeio pela praia.
subordinante, mas que não a impede.

comparativa Estabelece uma comparação com a situação Ele dramatizou a cena como se
apresentada na oração subordinante. fosse um ator profissional.

temporal Exprime uma circunstância de tempo em Logo que entrei em casa, o meu
relação ao evento apresentado na oração cão veio ter comigo.
subordinante.

final Exprime a finalidade, o propósito da ação Enviei um email à Rita para que
expressa na oração subordinante. não se esqueça do trabalho.
Orações subordinadas adjetivas relativas
Orações que desempenham a função sintática de modificador do nome, sendo introduzidas
por uma palavra relativa (pronomes, determinantes, quantificadores ou advérbios), que remetem
para um grupo nominal anterior (o antecedente).

oração subordinada descrição exemplos


adjetiva relativa
- Limita a informação dada sobre o
antecedente a que se refere; Os cálculos que fiz estavam
restritiva certos.
- Desempenha a função sintática de
modificador do nome restritivo.

- Apresenta informação adicional sobre o O texto, cuja autoria


explicativa antecedente a que se refere; desconhecemos, é excelente.

- Desempenha a função de modificador do


nome apositivo.

Orações subordinadas substantivas


Orações que assumem funções sintáticas normalmente desempenhadas nomes ou grupos
nominais: sujeito e complemento de um verbo, de um nome ou de um adjetivo.

oração subordinada descrição exemplos


adjetiva relativa
- Oração selecionada por um 1
O rapaz confessou que partira o copo.
verbo1, um nome2, ou um 2
Ele tem a mania de que é importante.
adjetivo3; 3
Estamos desejosos de que as férias cheguem
completiva depressa.
- Pode ser introduzida pelas 4
Perguntaram-me se estava mal disposto.
conjunções subordinativas 5
Ele pediu-me para lhe explicar a matéria.
completivas: que, se4, para5.

- Oração introduzida por um 1


Quem chegar primeiro compra os bilhetes.
pronome relativo (quem1), um 2
Quantos vierem serão bem-vindos.
relativa quantificador relativo (quanto2) 3
A carteira estava onde a deixei.
ou um advérbio relativo (onde3 4
Ele estuda como lhe apetece.
e como4) sem antecedente.
Funções sintáticas desempenhadas pelas orações subordinadas
Orações subordinadas Função sintática Exemplo

adverbiais modificador Fechei a janela para que não se ouvisse o


barulho dos carros.

restritiva modificador do nome restritivo O bolo que comi ontem era delicioso.
adjetivas
explicativa modificador do nome apositivo O Rui, que chegou atrasado, é o último a sair.

sujeito É fundamental que compreendam esta


matéria.

complemento direto A mãe perguntou se vinhas jantar.


completiva
complemento oblíquo A Rita esqueceu-se de que tinha trabalhos de
casa.

complemento do nome Tenho receio de que ele falte ao combinado.

complemento do adjetivo Não estou segura de que tenha acertado a


todas as questões.

substantivas sujeito Quem tem tudo não dá valor às pequenas


coisas.

complemento direto Não conheço quem fez isto.

complemento indireto Ela dará os livros a quem quiser.

complemento oblíquo Lembra-te de quem te ajudou.


relativa
complemento agente da A matéria foi compreendida por quem esteve
passiva atento.

predicativo de sujeito Os teus amigos não são quem está sempre ao


teu lado.

complemento do nome A ajuda de quem gostamos é algo precioso.

complemento do adjetivo Está dececionado com quem o traiu.

modificador (do grupo verbal) Marcámos a festa onde tu disseste.


7. Lexicologia

7.1 Significação lexical

Designação Descrição Exemplos

Denotação Significado literal e estável de uma palavra. O mar da Nazaré é agitado.

Conotação Significado de uma palavra ou expressão, por Perdi-me num mar de sonhos.
associação, que não corresponde ao seu sentido literal.

7.2 Relações semânticas entre palavras

Relações Descrição Exemplos

Semelhança sinonímia Palavras da mesma classe que apresentam Adoro o sossego, logo,
significados idênticos no mesmo contexto procuro a tranquilidade
(sinónimos). deste jardim.

Oposição antonímia Palavras da mesma classe que têm significados Estou perto dos meus
opostos (antónimos). amigos, mas longe da
minha família.

hiperonímia Palavras de significado mais abrangentes árvore = hiperónimo de


Hierarquia (hiperónimos) relativamente a outras de macieira, eucalipto,
sentido mais restrito (hipónimos). pinheiro…

hiponímia Palavras de significado mais restrito pimenta, açafrão,


(hipónimos) relativamente a outras mais gerais colorau… = hipónimos de
(hiperónimos). especiarias

holonímia Palavras que representam o todo. livro = holónimo de


Parte-todo capa, lombada, folhas…

meronímia Palavras que representam a parte de um todo. olhos, nariz, boca…


= merónimos de cara
8. Semântica

8.1 Valor aspetual

O aspeto exprime a forma como a estrutura temporal de uma ação é perspetivada pelo
locutor: a situação expressa no enunciado pode apresentar uma ação completa ou em
desenvolvimento, bem como a sua regularidade ou a sua frequência.
Aspeto gramatical Exemplos

valor perfetivo: situação fechada, concluída. Ontem jantei num


pistas: pretérito perfeito simples do indicativo; parar de, acabar de, deixar de restaurante fantástico!

valor imperfetivo: situação não concluída, em curso Estou a ler os poemas


pistas: pretérito imperfeito simples do indicativo; estar a, andar a completos de Fernando
Pessoa.

valor genérico: situação plural, atemporal, universal e sempre


verdadeira “Penso, logo existo.”
pistas: presente do indicativo (ex.: verdade científica, aforismo, provérbio, lei,
máxima).

valor habitual: situação plural - um hábito, num intervalo de tempo Frequentamos o Clube de
ilimitado. Leitura uma vez por
pistas: presente (ou pretérito imperfeito) do indicativo; semana.
costumar, ser costume, ser habitual, habitualmente (ou expressão similar);
expressões de quantificação Eu costumo ler todas as
= que especificam a frequência noites antes de dormir.

valor iterativo: situação plural - ação recorrente, num intervalo de Este ano, temos
tempo (não) limitado almoçado no refeitório
pistas: pretérito perfeito composto ou presente do indicativo; muitas vezes.
advérbios/locuções adverbiais/expressões adverbiais de tempo; Sempre que temos teste,
expressões de quantificação que intensificam a frequência. estudamos gramática.

Aspeto lexical Exemplos

situação estativa: situação não dinâmica, que não leva O Algarve localiza-se no Sul de Portugal.
a uma mudança de estado; durativa e sem um ponto O Porto é uma grande cidade do Norte.
final intrínseco.

evento: situação dinâmica, que leva a uma mudança de O Manuel venceu o prémio literário deste
estado; não necessariamente durativa e sem um ponto ano.
final intrínseco. O Gil desenvolve um projeto social
interessante.

8.2 Valor modal

A modalidade é a forma de exprimir, por meios linguísticos, atitudes e opiniões dos falantes
ou das entidades referidas pelo sujeito sobre o conteúdo dos enunciados que proferem.
Modalidade Valor modal Exemplos

de certeza Ele domina a classificação de orações.


Epistémica
de probabilidade É provável que o prazo de entrega do trabalho seja adiado.

de obrigação Miguel, para de fazer barulho com a caneta.


Deôntica
de permissão Podes levar o meu carro.

Apreciativa Odeio histórias que acabam mal.


9. Discurso, pragmática e linguística textual

9.1 Situações de comunicação e registos de língua


A interação verbal, para ser um sucesso, tem de respeitar o princípio da adequação
discursiva, isto é, a adaptação à situação de comunicação, que pressupõe, entre outros fatores:
- a relação entre os interlocutores: relação hierárquica
(sociocultural ou profissional); implicam a correta seleção de um
registo mais formal ou mais
- o contexto situacional (idade, instrução, espaço, tempo…); informal e das formas de
tratamento.
- o modo utilizado: modo oral ou modo escrito.

9.2 Atos de fala (atos ilocutórios)


O ato de fala é um enunciado produzido num determinado contexto de interação
comunicativa, com um determinado objetivo, por exemplo: informar, afirmar, avisar, prometer,
desculpar-se, lamentar, ordenar, agradecer…
Pode ser: direto (“Não faças barulho!”) ou indireto (“Estás a perturbar a aula.”)
Tipologia dos atos ilocutórios

Atos ilocutórios Exemplos

Assertivos Hoje tenciono acabar o trabalho de Português e preparar a apresentação.

Compromissivos Prometo que não te incomodo durante toda a tarde.

Diretivos Ajudas-me a ensaiar a apresentação oral?

Expressivos Adorei a tua apresentação!

Declarativos Condeno o réu a dois meses de serviço comunitário.

9.3 Referência deítica


A dêixis consiste no processo de designar entidades (ou localizações temporais e espaciais)
através de expressões linguísticas (deíticos) cuja referência está dependente da situação de
comunicação (contexto situacional em que se produzem os enunciados). Os deíticos organizam-se
em torno do sujeito da enunciação (EU), da pessoa a quem se dirige (TU), do momento (AGORA)
e do espaço (AQUI) em que ocorre o ato enunciativo.

Deíticos Exemplos
- pronomes pessoais: eu, tu, (e as suas Tu sabes o que me aconteceu?
variantes). Está a chover muito! A nossa roupa está
Pessoais - determinantes/pronomes possessivos: meu, teu encharcada.
(e suas variantes); Rita, já te disse para te sentares direita
- flexão verbal - morfemas verbais de 1ª e na cadeira.
2ªpessoas;
- vocativo.

- advérbios/locuções adverbiais e expressões Amanhã, vou a tua casa.


Temporais com valor temporal; Estou bem, mas, daqui a pouco, estarei
- flexão verbal - tempos verbais. melhor.

- advérbios/locuções adverbiais e expressões O Pedro está além.


com valor locativo/espacial; Aquele quadro é mais bonito do que este.
- determinantes/pronomes demonstrativos; O meu irmão está perto de ti.
Espaciais - algumas preposições e locuções prepositivas;
- alguns verbos que indicam Traz-me esse copo, por favor.
movimento/localização: ir, vir, trazer, levar,
partir, chegar, aproximar-se, afastar-se, subir,
entrar, sair, descer…
9.4 Anáfora - processos de referenciação anafórica
A anáfora permite retomar determinada entidade/realidade (antecedente) anteriormente
mencionada numa frase ou num texto. Caso o antecedente se encontre depois da expressão
anafórica, esta designa-se catáfora (Eu li apenas isto: que na sexta-feira há um simulacro de
incêndio.)

Processos Descrição Exemplos

Anáfora por Repetição total ou parcial do Vi um gato a subir para a árvore. Depois,
repetição antecedente. verifiquei que o gato não conseguia descer.

Retoma por um pronome (pessoal, Eu acabei o trabalho antes do tempo e tu só


demonstrativo, possessivo ou indefinido). tens quinze minutos para acabares o teu.

Retoma por um determinante possessivo. O Miguel chegou atrasado, pois o seu carro
avariou.
1
Anáfora por Retoma por um nome ou expressão O miúdo brincava quando, de repente, cai e a
substituição nominal que estabelece com o
antecedente uma relação de:
mãe é alertada pelos gritos do rapaz.
2
Entrei no jardim e deparei-me com um tapete
- sinonímia 1; colorido de flores: tulipas, rosas, cravos…
- hiperonímia/hiponímia 2; 3
As calças estão uma lástima: bolsos rotos,
- holonímia/meronímia 3. bainha descosida, fecho estragado…

Retoma por um advérbio. Eu passei de manhã na pastelaria, mas tive de


lá voltar, porque deixei o pão no balcão.

Anáfora por Retoma que não se realiza lexicalmente, A jovem saiu de casa, [-] apanhou o autocarro e
elipse ou seja, a expressão anafórica é omitida. [-] foi para a escola.

Anáfora Retoma do conteúdo proposicional de Os dois irmãos não podiam jogar no tablet, ver
conceptual uma oração ou frase, resumindo-o e, televisão antes do jantar e tinham de se deitar
também, interpretando-o e avaliando-o. cedo. Estas regras eram muito austeras.

Mecanismos anafóricos que garantem as cadeias referenciais


Retoma-se o antecedente mencionado anteriormente no discurso.
Anáfora Alberto Caeiro “pensou” uma flor. Cheirou-a e viu nela toda a beleza da terra…
(a cadeia referencial é constituída pelo antecedente uma flor e pelos elementos
destacados a e ela os seus correferentes.)

É um mecanismo inverso ao que se verifica na anáfora.


Catáfora Ele abdica voluntariamente… Ricardo Reis não se apega aos bens materiais ou afetos…
(o pronome Ele remete para um elemento que surge adiante no discurso - Ricardo Reis)

O antecedente pode ser subentendido, não se realizando lexicalmente - a este mecanismo


Elipse chamamos elipse.
Álvaro de Campos fascinava-se com a força da máquina. [-] É o típico poeta futurista.
(a cadeia referencial é constituída pelo antecedente Álvaro de Campos e pela elipse [-])
9.5 Reprodução do discurso no discurso
O discurso direto e o indireto (normal ou livre) são formas de reprodução de diálogos ou
conversas (e, por vezes, monólogos). Uma vez que a interação entre locutores é fortemente
dependente do contexto, a representação do discurso num texto apresenta muitas marcas dos três
eixos que caracterizam uma situação comunicativa: os interlocutores, o espaço e o tempo,
codificados nas expressões deíticas.

9.5.1 Discurso direto


Discurso que reproduz textualmente as palavras proferidas (ou pensadas) por outro locutor.

Características Exemplos
Representa-se na escrita, delimitado por travessões “[...] atirou uma palmada ao coração, exclamou:
ou aspas, antecedido e/ou intercalado por um verbo - Caramba, filhos, sinto uma luz cá dentro!”
introdutor de relato do discurso, e marcado por
parágrafo.

9.5.2 Discurso indireto


Integração, com alterações, das falas/pensamentos de outra pessoa (ou de uma
personagem) no discurso do sujeito da enunciação (por exemplo, de uma personagem ou do
narrador).
Características Exemplos
Apresenta verbos introdutores do relato e toma a “E o Alencar [...] admitiu que não deixava de haver
forma de oração subordinada. talento e saber. ”

9.5.3 Discurso indireto livre


Discurso híbrido, que aproxima narrador e personagens, como se ambos falassem em
uníssono.
Características Exemplos
Não é demarcado graficamente por aspas ou
travessões e a 3ªpessoa e os tempos da narração
(próprios do discurso indireto) coexistem com os “Carlos tranquilizou Miss Sara. Oh, ela via bem que
deíticos, as interrogações e as exclamações mademoiselle estava boa. O que a assustara fora
(próprios do discurso direto). achar-se ali só, sem a mamã, com aquela
As falas/os pensamentos de outrem são responsabilidade. Por isso a tinha deitado… Oh, se
reproduzidos sem a utilização de verbos fosse uma criança inglesa, saía com ela para o ar…”
introdutores e, consequentemente, sem que o
discurso tome a forma de uma oração subordinada.

9.5.4 Citação
Integração de palavras, frases ou textos de um locutor no discurso de outro locutor ou do
narrador.
Características Exemplos
É assinalada pelo uso de aspas. «Começara então uma existência festiva e luxuosa, que, segundo
dizia o Alencar, o íntimo da casa, o cortesão de Madame, “tinham
um saborzinho de orgia distinguée como os poemas de Byron”.»
9.6 Textualidade
As principais propriedades que um texto deve apresentar para estar bem estruturado, ter
sentido e eficácia comunicativa são a progressão temática, a coerência e a coesão.

9.6.1 Progressão temática


Introdução de informação nova que ocorre constantemente no discurso/texto e que se
associa à informação já existente.

9.6.2 Coerência textual


Um texto é coerente quando as informações transmitidas são compatíveis com o contexto,
com a capacidade interpretativa do leitor/recetor e com o seu conhecimento do mundo, apresenta
uma lógica interna e se adequa ao fim e ao público a que se destina, cumprindo a intencionalidade
comunicativa do autor/locutor.

Princípios que Exemplos


asseguram a
coerência textual
Abordámos, na aula de Português, a coerência textual. Efetivamente, Padre
António Vieira foi um orador extraordinário. Frase incoerente
Relevância Abordámos, na aula de Português, a coerência textual. Efetivamente, as
As ocorrências textuais
informações transmitidas num texto devem estar relacionadas. Frase coerente
devem ser pertinentes.
Abordámos, na aula de Português, o “Sermão de Santo António”. Efetivamente,
Padre António Vieira foi um orador extraordinário. Frase coerente

Não contradição Hoje, trouxe guarda-chuva, porque não estava a chover. Frase incoerente
As ocorrências textuais
não podem ser Hoje, trouxe guarda-chuva, porque estava a chover. Frase coerente
incompatíveis

“O sentimento dum ocidental” não foi muito estimado pelos seus coevos, que
Não tautologia não reconheceram como importantes os escritos do jovem poeta. Na sua época,
(ou não redundância) Cesário seria bastante ignorado. Trecho incoerente
As ocorrências textuais
A poesia de Cesário não teve o reconhecimento dos seus contemporâneos.
não se podem repetir
Trecho coerente
9.6.3 Coesão textual
Um texto é coeso quando existe continuidade na apresentação e articulação da informação
veiculada pelas expressões linguísticas, lexicais e gramaticais, que o compõem.
Coesão Descrição Exemplos
Reiteração
Retoma por repetição total ou parcial, de Observei o rapaz a podar as sebes. O
palavras ou expressões anteriormente rapaz tinha muito jeito.
referias.
Lexical
substituição A rapariga sempre fora honesta e,
retoma por utilização de vocábulo ou naquele momento, vários sentimentos
expressão, através de relações semânticas surgiram: o amor, a lealdade… A
de sinonímia, antonímia, jovem assegurava que dizia a
hiperonímia/hiponímia e verdade, mas, olhando para a sua
holonímia/meronímia. face, os seus olhos indicavam que a
história era mentira.

retoma de uma palavra ou expressão


através de, por exemplo: Pegou no livro e leu-o avidamente.
- um pronome (pessoal, demonstrativo, Percorreu as suas folhas e, por fim,
referencial possessivo, indefinido); pousou-o na mesa. Ali ficou
- um determinante (possessivo); indefinidamente.
- um advérbio ou expressão adverbial
(com valor temporal ou espacial)

articulação entre frases simples, frases


complexas e parágrafos: Quando desdobrou a folha, a jovem
interfrásica - coordenação e subordinação; leu e releu o texto. Suspirou, sorriu,
- articuladores/conectores do discurso; apesar de não saber quem lho
escrevera.
- pontuação.

Ligação dos constituintes de uma oração O Jardim Zoológico tem um bom


ou de uma frase simples: programa de apadrinhamento de
- ordenação das palavras e das funções animais.
frásica sintáticas; O Pedro veio de Lisboa no dia em que
- concordância em género e/ou número; a Maria partiu para Madrid para ver
a obra de Picasso.
- regência verbal e nominal.

Mecanismo que permite a compreensão Hoje de manhã, quando a minha mãe


das relações temporais que o texto estava a cortar fatias de pão para o
estabelece entre as várias situações pequeno-almoço, o cão entrou na
temporal apresentadas: cozinha e, primeiro, sentou-se ao lado
- uso correlativo dos modos e tempos dela, depois, saltou, abocanhou uma
verbais; fatia e, finalmente, fugiu para o
jardim.
- expressões adverbiais ou grupos
preposicionais com valor temporal,
data/hora;
- expressões indicadoras de ordenação.
9.4 Articuladores/conectores do discurso
Os conectores ou articuladores do discurso são palavras e/ou expressões que servem para
ligar frases, períodos/parágrafos de um texto, assegurando a coesão textual e a progressão
temática, isto é, a introdução de informação nova.

Valor Exemplos

adição/enumeração e, ora, pois, também, além disso, e ainda, não só… mas também, por um lado…
por outro (lado)…

alternativa fosse… fosse, ou, ou então, ou… ou, ora… ora, quer… quer, seja… seja,
alternativamente, em alternativa, senão…

causa visto que, pois, porque, pois que, por causa de, dado que, já que, uma vez
que, porquanto…

certeza sem dúvida, é evidente que, evidentemente, certamente, com toda a certeza,
decerto, naturalmente…

consequência de tal modo, de tal forma que, de modo que, tanto… que, por tudo isto…

conclusão/inferência assim, portanto, logo, daí, enfim, em conclusão, em suma, por conseguinte…

dúvida possivelmente, talvez, provavelmente, porventura, é provável, é possível…

enfâse/realce efetivamente, com efeito, na verdade, como vimos, note-se que, atente-se em,
repare-se que, veja-se que, constante-se que…

esclarecimento quer isto dizer que, (não) significa isto que, com isto não se pretende que,
não se pense que…

exemplificação por exemplo, como se pode ver, isto é, é o caso de, é o que acontece com…

sequência/ordem em primeiro lugar, de seguida, depois, por fim, antes de mais…

finalidade/objetivo paraa, para que, com o fim de, com o intuito de, a fim de, com o objetivo de…

hipótese/condição se, a menos que, (menos) admitindo que, exceto se, supondo que, salvo se…

espaço aqui, ali, acolá, além, lá, ao lado, sobre, à esquerda, no meio, naquele lugar, o
lugar onde, mais adiante…

tempo quando, após,antes, depois, seguidamente, anteriormente, em seguida, até


que, por fim, então…

opinião a meu ver, parece-me que, estou em crer que, em nosso entender…

oposição/contraste mas, apesar de, no entanto, porém, contudo, todavia, por outro lado, pelo
contrário, contrariamente, com a ressalva que…

reafirmação/resumo por outras palavras, ou melhor, ou seja, em resumo, em suma, resumindo…

semelhança do mesmo modo, tal como, pelo mesmo motivo, assim como…
9.5 Paratextos

- nome do autor, do editor e da coleção;


“Conjunto dos elementos verbais e gráficos que - título e subtítulo;
enquadram o texto propriamente dito e que o - lombada, capa, contracapa e badana;
apresentam ao leitor e ao público em geral como
livro, fornecendo informações de natureza - prefácio (início) e posfácio (fim);
pragmática, semântica e estético-literária que - índices (geral, onomástico, remissivo…);
orientam e regulam de modo relevante a leitura” - nota final e nota de rodapé;
- glossário;
Dicionário terminológico: [Link]
- bibliografia/webgrafia.

9.5.1 Referência bibliográfica

A indicação das referências bibliográficas segue normas específicas que devem ser
respeitadas. Existem várias normas que podemos adotar (Norma Portuguesa NP405; Norma
Internacional APA); no entanto, numa mesma bibliografia, deve-se seguir apenas uma norma.
As referências bibliográficas devem constar no final do trabalho, em página separada,
devidamente identificada.

Referências bibliográficas

Livros Ana Rodrigues Oliveira, O Amor em Portugal na Idade Média, Lisboa,


Manuscrito, 2020.

Capítulos de livros Nuno G. Monteiro, “Sistemas familiares”, in J. Mattoso (dir.), História de


Portugal, vol. IV: O Antigo Regime, Lisboa, Círculo de Leitores, 1993, pp.
278-283.

Verbetes de dicionário/ Teresa Amado, “”Fernão Lopes”, in Giulia Lanciani e Giusepe Tavani (org. e
enciclopédia coord.), Dicionário de literatura medieval galega e portuguesa, 2ªedição,
Lisboa, Caminho, 2000, pp. 271-273.

Artigos de revista e Ana Costa, “Razões para sor(rir)”, in Evasões, 12 fevereiro de 2021, p. 50.
jornal

Página de internet Mike Holmes, “Crusader Kings III - Impresões de Gameplay”, in [Link]
(consultado em outubro de 2020).

Material audiovisual Tiago Guedes (2019), A Herdade [filme], produzido e distribuído por Leopardo
Filmes.

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