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Vila do Tempo e Memórias Esquecidas

Uma vila esquecida, com casas tortas e segredos compartilhados, muda de nome a cada geração e é habitada por moradores peculiares. No centro, uma árvore mágica reflete o humor dos visitantes, enquanto um rio que corre ao contrário refresca memórias. Ninguém nasce ali; todos chegam em busca de algo, e o tempo dança, permitindo experiências únicas e encontros significativos.
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Vila do Tempo e Memórias Esquecidas

Uma vila esquecida, com casas tortas e segredos compartilhados, muda de nome a cada geração e é habitada por moradores peculiares. No centro, uma árvore mágica reflete o humor dos visitantes, enquanto um rio que corre ao contrário refresca memórias. Ninguém nasce ali; todos chegam em busca de algo, e o tempo dança, permitindo experiências únicas e encontros significativos.
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No fim de uma estrada que não aparece nos mapas — uma que começa como trilha de terra

entre girassóis gigantes e termina onde o céu parece dobrar — há uma vila esquecida pelo
tempo. Seu nome muda a cada geração, como se ninguém quisesse fixar a realidade em uma
palavra. Alguns a chamam de Miralua, outros de Sussurro, e há quem simplesmente diga "lá".
Não há placas. Apenas um arco de pedras coberto por musgo que, segundo dizem, só pode ser
visto por quem já sonhou com ele.

A vila é pequena, com casas tortas que parecem ter crescido em vez de sido construídas. O
telhado de uma delas lembra o casco de uma tartaruga, outra se inclina sutilmente para o
leste, como se ouvisse um chamado distante. Nenhuma casa tem fechadura. Não há crimes —
apenas segredos que todos conhecem, mas fingem não saber. Os moradores, embora poucos,
são os mais variados: uma senhora que fala com as sombras, um menino que cresce um
centímetro por dia e um homem que se comunica apenas com assobios, entendidos por todos,
como se fosse um idioma ancestral.

No centro da vila existe uma árvore enorme, com folhas que mudam de cor conforme o humor
de quem se aproxima. Às vezes azul, quando há saudade; vermelha, quando há paixão não
dita; transparente, quando o visitante traz verdade no coração. Ninguém sabe quantos anos
ela tem. Alguns dizem que foi a árvore quem plantou a vila, e não o contrário. Sob seus galhos
há sempre um círculo de cadeiras velhas, onde os moradores se reúnem ao entardecer, não
para conversar, mas para escutar. O quê? Isso ninguém explica. Mas todos juram que, se você
ficar em silêncio o bastante, pode ouvir histórias que ainda não aconteceram.

Há um rio que corre ao contrário, subindo colinas, contornando casas e, às vezes,


desaparecendo por semanas antes de reaparecer onde menos se espera: dentro de uma
xícara, no fundo de um armário, ou brotando de uma pintura antiga. Ele não molha nada —
apenas refresca a memória de quem o vê.

Curiosamente, ninguém nasce naquela vila. Todos chegam. Alguns dizem que vieram buscar
algo. Outros apenas acordaram ali, como se tivessem sido sonhados por alguém. A idade não
importa. Há crianças que se lembram de vidas passadas e velhos que brincam de esconde-
esconde com uma energia que o mundo lá fora parece ter esquecido.

O tempo, ali, não anda. Ele dança. É comum ver dois entardeceres no mesmo dia, ou uma
madrugada inteira que dura cinco minutos. Relógios param de funcionar, mas ninguém se
incomoda. Afinal, viver ali não é contar os dias, mas senti-los.

Em certos períodos, quando o nevoeiro cobre a vila e os sons se tornam suaves demais para os
ouvidos comuns, algo estranho acontece: visitantes chegam de olhos fechados, guiados
apenas pelo som da própria respiração. Alguns ficam. Outros partem. Mas todos levam algo
que não sabiam estar procurando: um nome, uma lembrança, um sentimento esquecido na
pressa do mundo.

Quando alguém parte da vila, não há despedidas. Apenas um aceno da árvore e o som leve de
uma canção que ninguém lembra de ter aprendido, mas que ecoa no peito como se fosse sua
desde sempre.

E dizem — apenas dizem — que, uma vez por século, a vila inteira muda de lugar. Não
desaparece. Apenas se desloca, como um barco no oceano do invisível, esperando ser
encontrada por aqueles que deixaram de procurar e, por isso mesmo, estão prontos para
chegar.

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