Contrato de Trabalho: Atividade e Subordinação
Contrato de Trabalho: Atividade e Subordinação
No caso do trabalho autónomo, uma vez que o fornecedor da força de trabalho mantém o
controlo da aplicação desta, isto é, da atividade correspondente, o objeto do seu compromisso
é apenas o resultado da mesma atividade.
Ao dizer-se que a atividade do trabalhador que preenche, do seu lado, o objeto do contrato não
esgota a realidade. Em certas situações, o trabalhador cumpre a sua obrigação contratual
embora esteja inativo.
Existem situações em que o próprio objeto do contrato de trabalho aparece definido sem
referencia imediata a uma concreta atividade, no sentido de conjunto ou série de atos com
alguma expressão física.
É o que acontece no caso dos serviços de vigilância das instalações fora dos
períodos de laboração e com as estruturas de socorro nos aeroportos.
Outro tipo de situações a considerar caracteriza-se pela inatividade pura: compreendem-se nela
os casos de inexecução do trabalho estipulado por causa ligada à empresa. A lei prevê
expressamente tal possibilidade, contando como tempo de trabalho as interrupções de
atividade dessa espécie (art. 197º, nº 2, al. c)).
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Frequência – Trabalho I
Na verdade, aquilo a que o trabalhador se obriga é a colocar e manter a sua força de trabalho
disponível pela entidade patronal, em certos termos e dentro de certos limites qualitativos e
quantitativos, enquanto o contrato vigorar.
2. Atividade vs resultado
Quando a lei aponta a atividade do trabalhador como objeto do contrato, não está a assumir
que só há cumprimento se e enquanto o trabalhador esteja ativo, mas apenas a estabelecer o
contraponto com a definição do art. 1154º do CC.
A referência do vínculo à atividade que indica que o trabalhador não suporta o risco da eventual
frustração do resultado pretendido pela contraparte.
A atividade visada no contrato de trabalho pode ser total ou parcialmente constituída pela
prática de atos jurídicos, em nome ou por conta do empregador.
Art. 115º, nº 3 CT
4. A relevância da finalidade
O trabalhador não se obriga apenas a dispensar certa “quantidade” de energia cuja aplicação
compete ao empregador determinar em certo momento. Ele deve, antes de mais, colocar e
manter sob o domínio do empregador a disponibilidade da sua força de trabalho.
Por outro lado, o fim da atividade só é, neste plano, relevante se e na medida em que for ou
puder ser conhecido pelo trabalhador.
Essa finalidade revela para o entendimento da boa-fé no cumprimento da sua obrigação (art.
216º CT).
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5. Diligência devida
Diligência (sentido normativo) – grau de esforço exigível para determinar e executar a conduta
que representa o cumprimento de um dever.
No que diz respeito à prestação de trabalho, a diligência devida varia fundamentalmente com a
natureza desse trabalho, com o nível de aptidão técnico-laboral do trabalhador para aquele e
com o objetivo imediato visado.
É perante estas circunstâncias de cada caso (art. 487º CC), que se determina a diligência
requerida pelo cumprimento da obrigação do trabalhador.
A diligência constitui um elemento integrador da conduta pela qual essa obrigação é cumprida.
Ela está inclusivamente presente na disponibilidade ou prontidão para a execução o trabalho,
por parte de um trabalhador temporariamente inativo por motivo ligado à empresa.
C) Retribuição
6. As designações da contrapartida económica do trabalho
D) Subordinação jurídica
7. Noção
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8. Estado potencial
Um dos motivos pelos quais a aparência das situações concretas pode ser enganadora consiste
no facto de ser suficiente, para que haja subordinação, um estado de dependência potencial do
trabalhador, não sendo necessário essa dependência se manifeste ou explique em atos de
autoridade e direção efetiva.
Para além das situações em que, de facto, não ocorrem comportamentos diretivos do
empregador, há que considerar aquelas em que constituem objeto de contrato de trabalho,
atividade cuja natureza implica a salvaguarda absoluta da autonomia técnica do trabalhador:
art. 116º CT.
Pode ocorrer até quando o trabalhador é juridicamente autónomo, exercendo a sua atividade
em estabelecimento próprio.
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B) A determinação da subordinação
14. A subsunção
A determinação da subordinação não se pode, por maioria dos casos, fazer-se por mera
subsunção. A subordinação é um conceito-tipo que se determinada por um conjunto de
características que podem surgir combinadas, nos casos concretos, de muitas maneiras.
Para cumprirem o dever de decidir os litígios, os tribunais utilizam um “método tipológico” que
lhes permite, em certa medida, ultrapassar as dificuldades resultantes da perda de visibilidade
da subordinação nas relações de trabalho concretas.
O ponto de que parte esse método é o tipo legal cujos elementos essenciais se encontram
compendiados da definição do art. 10º do CT:
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• Obediência a ordens;
• Sujeição à disciplina da empresa.
São ainda referidos indícios de caracter formal e externo, como a observância de regime fiscal e
de segurança social próprios do trabalho por conta de outrem.
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O art. 12º CT consagra uma presunção legal da existência de contrato de trabalho. A base dessa
presunção é constituído pela verificação de pelo menos duas de entre cinco características
factuais da relação a qualificar:
Se constar algum destes traços cabe ao empregador o encargo de provar a existência de uma
situação de trabalho por contra próprio ou autónomo.
É por se constatar que o contrato revela o seu conteúdo atual por certos factos
ou situações atuais que o legislador autoriza a presunção e altera, com isso, a
interpretação do ónus da prova. É aplicável aos contratos existentes em cada
momento a presunção que nesse momento conste da lei vigente.
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D) O combate à simulação
20. Os procedimentos de combate à simulação do trabalho autónomo
Art. 12º, nº 2, 3 e 4 CT
A sequência é a seguinte:
3. Caso não aconteça o ponto 2, a ACT participa o caso ao Ministério Público com os
fundamentos da sua posição;
O regime em causa toma como referencial o sistema de ideias básicas em que assenta a
disciplina do contrato de trabalho, sem todavia, proceder a uma verdadeira extensão dos seus
dispositivos regulamentares.
Assim, a lei abstém-se de definir forma especifica para os contratos que tenham por objeto a
prestação de trabalho no domicilio. Exige-se apenas que o “beneficiário da atividade” mantenha,
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“no estabelecimento em cujo processo produtivo se insere a atividade realizada”, o registo dos
trabalhadores domiciliários ocupados – art. 12º, nº 1 CT.
A lei atribui a ambos os contraentes deveres acessórios que, à semelhança dos consagrados no
domínio do contrato de trabalho, têm em conta a estreiteza dos contactos que o vínculo
proporciona entre as suas esferas de interesses.
Assim o trabalhador tem um dever de sigilo quanto às técnicas e aos modelos de que lhe seja
dado conhecimento (art. 4º, nº 4) e um amplo dever de custódia relativo às matérias-primas e
equipamentos utilizados (art. 4º, nº 5). O beneficiário, por seu turno, deve respeito pela
privacidade e pela autodisponibilidade do trabalhador e da sua família (art. 4º, nº 1).
Daqui decorre que são elementos essenciais e definidores do contrato de trabalho a obrigação
de trabalho a obrigação de retribuir, ligadas por um nexo de condicionalidade reciproca. Este
nexo projeta-se, ainda, na relação jurídico-laboral.
É por isso que no regime da suspensão do contrato de trabalho, se entende que a formulação
do art. 259º, nº 1 contém o princípio segundo o qual sem prestação de trabalho não há direito
a salário.
A obrigação laboral não se efetiva, essencialmente, pela execução material do trabalho, mas sim
pela colocação e permanência do trabalhador na disponibilidade da contraparte.
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B) Contrato consensual
26. A regra
Para que certos contratos sejam válidos, a lei exige que na sua celebração sejam observadas
determinadas formalidades. Não basta que a vontade dos sujeitos seja declarada por qualquer
meio, a lei estabelece que a declaração de vontade negocial só tem eficácia quando realizada
através de certo tipo de comportamento ou ações declarativas.
Quando a lei formula, quanto a certo contrato, uma tal imposição está-se perante um contrato
formal.
Dito isto, não é essa a regra válida para o contrato de trabalho. Para este tem a disposição do
art. 110º do CT onde deixa claro que este é um contrato consensual.
A liberdade de forma exprime uma opção, feita pelo legislador, entre as vantagens de celeridade
e maleabilidade no estabelecimento das relações de trabalho e a convivência de se dispor de
meios de prova concludentes sobre o conteúdo das estipulações.
• Art. 103º, nº 1;
• Art. 104º;
• Art. 135º;
• Arts. 136º e 137;
• Art. 141º;
• Art. 153º;
• Art. 162º;
• Art. 166º;
• Art. 181º;
• Art. 288º.
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O contrato de trabalho tem duração indeterminada. Essa regra deriva do disposto do art. 140º,
nº 1 do CT.
Por essa razão diz-se que, no contrato de trabalho, “o termo vale como elemento acidental do
negócio” e, se entende que este contrato se destina a perdurar até que ocorram “determinadas
circunstâncias declaradas, pela lei ou pelos contraentes, idóneas a extinguir a relação que ele
disciplina”.
V. As cláusulas acessórias
32. Ideia geral
Ou seja, não participam do conteúdo essencial típico deste contrato: podem ser
introduzidos por vontade das partes, mas, caso não seja, o contrato, manterá a
sua identidade característica.
33. A condição
• Quanto à condição suspensiva é admitida, desde que seja estipulada por escrito – art.
135º CT.
A falta de capacidade dos sujeitos e a inidoneidade do objeto, refletem-se sobre a sua validade,
quer tornando-o nulo ou anulável.
A diferença entre as duas sanções estão previstas nos arts. 286 e 287º do cc, respetivamente.
Art. 289º, nº 1.
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Dos arts. 122º e 123º decorre que, declarado nulo ou anulado o contrato de trabalho:
a. Produz efeitos como se fosse válido em relação a tempo durante o qual esteve em
execução;
d. Produzem efeito os atos modificativos inválidos desde que não afetem as garantias do
trabalhador.
Contratos de trabalho atípico são caracterizados pela estabilidade, continuidade, pelo regime
completo e pela inserção numa organização de dimensão apreciável.
Contratos atípicos não se confundem com os contratos sujeitos a regime especial (art. 9º CT) em
razão da natureza do trabalho ou das condições particulares em que é realizado.
Cláusulas do termo:
2. A visão do legislador
Art. 140º, nº 1 – restringe a utilização o uso do contrato a termo ao que lá está estipulado.
A aposição de termo final envolve, de certo modo, uma consolidação do contrato pelo tempo
estipulado: qualquer dos sujeito, nomeadamente o trabalhador, só pode legitimamente
desvincular-se antes do termo se ocorrer justa causa ou , então, indemnizando o outro por valor
equivalente ao que teria que pagar-lhe se o contrato cumprisse o destino previsto – art. 393º
CT.
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3. As diretrizes básicas
Fala-se de termo incerto para significar um evento que seguramente ocorrerá, mas em
momento indeterminado. Por exemplo: conclusão de uma obra, morte de um individuo, ou a
saído do cartaz de uma peça de teatro.
A proximidade dos regimes acentua-se com a fixação de um limite temporal para o contrato a
termo incerto – 4 anos (art. 148º, nº 5).
A lei estabelece uma diferença fundamental entre os dois tipos de contratação a termo.
• Restringe a validade da aposição de prazo curto – art. 148º, nº 2. Depois, exige, em geral,
forma escrita e impõe regras de conteúdo, nomeadamente no tocante à evidenciação
do motivo da contratação a termo. Desta forma, limita a duração total da vinculação
precária, restringindo o número de renovações.
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• Por outro lado, a lei admite, no art. 142º CT, a hipótese de contratos de muito curta
duração (máximo 35 dias) em todos os casos de “acréscimo excecional… nº 1 do art.
142º”, mas estabelece, em tais casos, um limite para a contratação a termo com o
mesmo empregador, no mesmo ano civil (70 dias de trabalho, nº 2 do art. 142º).
B) A justificação do termo
5. A tipologia legal
A lei exige não só que exista motivo ou justificação da celebração do contrato a termo, mas
também que ela seja enquadrável no art. 140º.
O art. 140º tem uma cláusula geral que, à luz da ideia de excecionalidade do contrato a termo
que impregna todo o regime legal, define o perímetro dentro do qual podem abrigar-se
situações invocáveis para aquela justificação. Esse perímetro não pode ser alargado nem
reduzido por convenção coletiva (art. 139º).
O art. 140º, nº 2 desenrola uma tipologia não exaustiva de situações que, a priori, são
consideradas determinantes de “necessidade temporária da empresa”. Esta tipologia, como
resulta do art. 139º, pode ser alargada, reduzida ou modificada por convenção coletiva.
Este regime não se aplica aos contratos de curta duração (art. 142º).
6. A indicação do motivo
Art. 141º, nº 3.
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Se, porventura, o motivo indicado no contrato deixar de existir antes de atingido o termo, o
vínculo continuará de pé.
7. As situações especiais
A lei admite o uso do contrato de trabalho a termo por motivos diversos dos já falados. O
contrato de trabalho a termo surge, ai como instrumento ao serviço de finalidades que pouco
ou nada têm que ver com a transitoriedade do trabalho. São estas as hipóteses contempladas
no art. 140º, nº 4.
A duração total das renovações tem como limite o período pelo qual o contrato foi inicialmente
celebrado – art. 149º, nº 4.
Art. 149º, nº 1 – cláusulas de não renovação cujo alcance consiste na paralisação do mecanismo
de renovação automática estabelecido no nº 2 do mesmo preceito legal.
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Do art. 149º resulta que a renovação automática deixa de ser considerada se, no momento em
que deveria ocorrer, o motivo justificativo constante do contrato originário já não existir.
A renovação convencional, ou seja, efetuada através de acordo expresso das partes, implica
novo escrito e nova indicação de motivo. No fundo, trata-se de um novo contrato a termo, cuja
duração é, no entanto, considerada para a aplicação dos limites constantes do art. 148º.
A lei prevê, no entanto, duas hipóteses de vinculação laboral transitório não titulado por
contrato escrito:
• Contrato de trabalho de muito curta duração, não superior a 35 dias – art. 142º.
A renovação convencional carece de forma escrita, e está sujeita às restantes exigências formais
do art. 141º. Entre as exigências respeitantes à renovação por prazo diferente inclui-se a da
indicação do motivo justificativo , art. 149º, nº 3.
As limitações legais referentes ao número de renovações e à duração total dos vínculos a termo,
quando se trata de funções duradouras, seriam torneáveis através da celebração de sucessivos
contratos de duração determinada, com o mesmo ou outros trabalhadores.
O art. 143º condiciona tal prática, sem a impedir totalmente, impondo uma
descontinuidade entre duas situações desse tipo relativas ao mesmo posto de
trabalho.
A lei
impõe esse intervalo também quando a satisfação da mesma necessidade de trabalho seja
procurada por outras vias: trabalho temporário ou prestação de serviço.
A descontinuidade forçada que resulta da aplicação do art. 143º, surge como uma espécie de
sanção para o mau uso do contrato a termo.
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12. As exceções
Este regime não se aplica no caso de o primitivo contrato a termo cessar por motivo imputável
ao trabalhador, isto é, por decisão unilateral deste ou por razoes disciplinares.
A sanção comum às situações de incumprimento do regime legal do contrato a que foi aposta a
cláusula acessória de termo é a que decorre da neutralização dessa cláusula: o contrato
“considera-se” celebrado sem termo. Na verdade, tratar-se-á da invalidade ou caducidade da
estipulação do termo.
A mesma consequência deriva da hipótese considerada no art. 147º, nº 1, al. a). Pode com
efeito, ser invocado no contrato a termo um motivo justificativo enquadrável no elenco do art.
140º, mas não ser produzida (pelo empregador – art. 140º, nº 5) prova dos factos que o
suportam, ou provar-se, ao invés, a intenção à fraude à lei. Essa intenção pode existir com um
motivo invocável: algumas das hipóteses do art. 140º comportam margens de manipulação
suficientes para isso. Em tal caso, diz o art. 147º, nº 1, al. d), que se considera sem termo o
contrato de trabalho, ou seja, tem-se por inválida a cláusula de termo.
O mesmo tratamento terá, nos termos do art. 147º, nº 1, al. d), um contrato celebrado a termo
com um trabalhador que tenha estado na mesma situação, ou que suceda a outro contratado a
termo, sem observância do intervalo fixado pelo art. 143º, nº 1, tratando-se do preenchimento
do mesmo posto de trabalho. Fora das situações descritas nas quatro alíneas do nº 2, o legislador
presume que a sucessão de contratos a termo para o mesmo trabalho se destina a dissimular
uma situação funcional de natureza permanente.
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Trabalho temporário – situação típica em que uma empresa cede, a titulo oneroso ou gratuito,
e por tempo limitado, a outra empresa a disponibilidade da força de trabalho de certo número
de trabalhadores.
Art. 185º, nº 4 – daqui resulta que a empresa de trabalho temporário atuará mediante
participação do utilizador, conduzindo um processo disciplinar que, em grande medida,
envolverá o apuramento e a valoração de factos e circunstâncias referentes à realidade interna
do mesmo utilizador.
Art. 174º, nº 2.
• Trabalho temporário como objeto de uma atividade empresarial (art. 172º a 192º CT) –
trata-se da atividade das empresas de trabalho temporário (ETT).
• Cedência ocasional de trabalhadores por uma empresa a outra (arts. 288º e ss do CT) –
está-se perante situações em que as empresas ou entidades de qualquer sector, não
constituídas como ETT, cedem a terceiros a utilização temporária de trabalhadores seus.
Enquanto a cedência pessoal pode constituir o negócio de uma ETT, pode também, em certas
situações, surgir ocorrência isolada na vida de empresas que se dedicam a qualquer ramo de
atividade.
Quando se enquadrem na atividade das ETT, as situações de cedência pessoal são tratadas pela
lei como decomponíveis em dois vínculos contratuais articulados entre si:
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O contrato de trabalho temporário só pode ser celebrado nos casos em que é admissível o
contrato de utilização (art. 180º, nº 1), e que estão enumerados no art. 175º.
• Contrato de trabalho por tempo indeterminado para cedência temporária (arts. 183º e
184º). A ETT celebra com um trabalhador um contrato de trabalho sem termo, ou seja,
estabelece com ele um vínculo permanente, ficando com a faculdade (art. 183º, nº 1,
al. b)) de o ceder temporariamente, através de sucessivos contratos de utilização, a
empresas que dele necessitem. Nos períodos de cedência existem duas hipóteses:
✓ ou, não havendo tal possibilidade recebe uma compensação, cujo valor é fixado
pela convenção coletiva aplicável ou equivale a dois terços da última retribuição
auferida ou da renumeração minimal mensal garantida, conforme o mais
elevado (art. 184º, nº 2).
Sob o ponto de vista jurídico, o vinculo laboral estabelece-se, não com quem recebe o trabalho
e dele tira proveito imediato, mas com quem o cede a terceiro, renumerando diretamente o
trabalhador. Diz-se, por isso, que o trabalho temporário se traduz numa relação triangular
(trabalhador-cedente-utilizador), mas no que respeita à estrutura contratual, parece melro dizer
relação angular, uma vez que não integra qualquer contrato entre o trabalhador e o utilizador.
A obrigação de prestar o trabalho é uma obrigação assumida pelo trabalhador perante o cedente
– art. 289º, nº 1, al. c).
Isto não exclui a existência de uma relação jurídica autónoma entre o trabalhador e o utilizador
– art. 185º CT.
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Trabalhador
Cedente Utilizador
Preço
As ETT carecem de licença, cuja concessão, pelo serviço público de emprego, depende do
preenchimento de requisitos de idoneidade, organização e capacidade financeira, além da
prestação da caução para poderem exercer a atividade – art. 5º e ss, DL 260/2009, 25 de
setembro.
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Art. 182º, nº 2 e 3.
Na maioria das situações, esse contrato ligará o trabalhador à entidade utilizadora, esses casos
são:
• Art. 177º, nº 6;
• Art. 178º, nº 4.
Outra hipótese considerada pela lei é a da celebração do contrato de utilização com “empresa
de trabalho temporário” não autorizada.
Considera-se existir contrato sem termo com esta empresa (art. 173º, nº 3), que
pode mesmo ter deixado de existir, e não com o utilizador, que celebrou com
aquela um contrato à margem da lei. Com efeito, o contrato de utilização deve
conter os dados do alvará da licença da empresa cedente (art. 177º, nº 1).
Para além destas consequências de natureza civil, as infrações ao regime legal do trabalho
temporário são sancionadas através de coimas.
A correlação estabelecida pela lei entre o exercício continuado de certas funções e a “aquisição”
do estatuto profissional que lhes esteja ligado sofre um importante desvio quando se torna
aplicável o regime da comissão de serviço.
A comissão de serviço pode constituir uma modificação temporária de uma relação de trabalho
preexistente (comissão de serviço interna ou superveniente) ou o regime segundo o qual o
próprio contrato de trabalho é celebrado (comissão de serviço externa ou extraordinária).
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• Exerce, contudo, por tempo pré-determinado ou não, uma função diversa da qual
aquela categoria reflete, acedendo a um título profissional e um estatuto laboral que,
como essa função, podem cessar a qualquer momento – art. 163º. Dá-se, então, o
retorno à categoria de base e ao correspondente estatuto.
A comissão de serviço pode também surgir em contrato de trabalho novo, ou seja, como regime
originário da relação de trabalho: o trabalhador é então admitido na empresa em regime de
comissão de serviço – art. 164º, nº 1, al. c).
Art. 161º
Indicações que devem constar do cordo escrito – art. 162º, nº 3, al. c) e d). A omissão destas
indicações no acordo não tem por efeito a sua invalidade.
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Frequência – Trabalho I
Art. 163º, nº 1
Aplica-se tanto à comissão interna como à externa, o que significa que se admite a
possibilidade de despedimento sem necessidade de invocação de motivo.
A inobservância, total ou parcial, do aviso prévio por qualquer uma das partes obriga-a a
indemnizar a outra pelo período em falta, além da eventual responsabilidade por prejuízos (art.
163º, nº 2). A base de cálculo só pode ser o valor da retribuição devida pela função exercida em
comissão de serviço.
Art. 401º.
Existe trabalho parcial sempre que a prestação de trabalho contratada tem uma duração diária
e/ou semanal inferior à que é normal na mesma organização e atividade.
O trabalho a tempo parcial é uma prestação de trabalho cuja única particularidade consistem
em se situar abaixo da duração normal.
• Contrato de trabalho, quando se trate de admitir um trabalhador – art. 153º; A lei exige
forma
• Acordo novatório de um contrato de trabalho já existente, quando é o caso de alteração escrita.
do tempo de trabalho, ou seja, da aludida “partilha” do posto de trabalho – art. 155º.
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Mesmo que a convenção coletiva de trabalho aplicável restrinja ou proíba o recurso a trabalho
a tempo parcial, os contratos e acordos novatórios celebrados com esse objeto são válidos e
prevalecem sobre tais disposições convencionais (art. 151º).
Tanto o contrato com o acordo novatório podem ser celebrados a termo ou por período
indeterminado.
Art. 150º, nº 2 – hipótese do trabalho a tempo parcial ser organizado por horários adaptáveis ,
ou seja, de modo desigual de semana a semana.
Art. 228º, nº 1, al. c) – admissibilidade do recurso a trabalho suplementar, dentro de certo limite
quantitativo mas, praticamente, sem restrições quanto aos motivos de tal utilização.
Art. 228º, nº 3 – limite a que se refere a al. c) do nº 1, pode ser ampliado por acordo individual
escrito nos termos deste preceito.
O subsidio de refeição é objeto de tratamento especifico: quando previsto em geral, ele é devido
integralmente aos trabalhadores a tempo parcial que prestem, pelo menos, 5 horas de trabalho
por dia – art. 154º, nº 3, al. b).
1. Este princípio supõe a divisibilidade das situações jurídicas subjetivas, como tipicamente
ocorre com o direito à retribuição. Não é concebível a proporcionalidade a propósito da
exigência de processo disciplinar para despedimento, ou do direito do trabalhador a
ocupação efetiva, ou do direito a um complemento de abono de família por cada filho.
A indivisibilidade pode ser só aparente.
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29. A “tele-subordinação”
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Frequência – Trabalho I
• Originário
Art. 164º, nº 4
✓ Será considerado, para todos os efeitos legais, o seu local de trabalho. O referido local
só pode ser alterado mediante o art. 166º, nº 8.
Horário de trabalho:
✓ Aqui a lei consagra uma solução diversa do art. 212º, nº 1. No teletrabalho o horário de
trabalho é, necessariamente, objeto de estipulação contratual.
✓ Art. 168º, nº 1 e 2.
Art. 170º, nº 1, 2 e 3.
A tutela legal especifica da privacidade no teletrabalho orienta-se pela via de proteção de dados
pessoais perante certas formas que o referido controlo pode assumir.
Art. 169º - A, nº 4 e 5.
Art. 169º - B
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O recrutamento consiste num conjunto de procedimentos para a obtenção, por cada um dos
envolvidos, de informação útil acerca do outro. Prevalecem aqui o interesse e as conveniências
do empregador.
Art. 102º (boa-fé) liga à formação do contrato de trabalho reproduzindo quase integralmente o
texto do art. 227 do CC.
A prestação de informações falsas, ou omissão de dados essenciais podem constituir, nos termos
do art. 253º, nº 1 cc, dolo ilícito suscetível de fundamentar a anulabilidade do contrato (art. 254º
do CC), para além da responsabilidade por prejuízos a cargo do autor da conduta enganadora
(art. 102º CT).
• Art. 17º, nº 1;
• Art. 18º;
• Art. 19º.
4. Um direito de mentir?
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O empregador é, em princípio, livre para escolher o candidato que mais lhe agradar, no entanto,
opõe-se-lhe um limite: o da não discriminação. Desde o momento do inicio do processo de
recrutamento (art. 30º, nº 2), até ao momento da escolha final, o empregador tem que abster-
se de condutas ou decisões discriminatórias, entendendo-se como tais as que se fundem nalgum
dos fatores indicados no art. 24º, nº 1 do CT.
Nesta matéria o ónus da prova recai sobre o empregador (art. 25º, nº 5), este pode ter que
demonstrar a existência de razões objetivas subjacentes à escolha feita, o que reduz a largueza
do seu espaço de decisão.
Quando tal iniciativa pertence ao empregador, a opção entre essas duas qualificações assume
particular relevo: o não cumprimento da promessa é, decerto, indutor de responsabilidade por
prejuízos, mas não judicialmente suprível, dada a inaplicabilidade do art. 830º CC. O efeito
prático-jurídico visado consuma-se.
Mas se, ao invés, a situação for encarada como de rutura do contrato de trabalho, haverá
despedimento individual que, nos termos da lei, pode ser declarado ilícito e ver inutilizados os
seus efeitos, mediante a reintegração do trabalhador (art. 389º, nº 1, al. b) CT).
A verdade, porém, é que tanto a promessa de contrato de trabalho como a atribuição de eficácia
diferida ao mesmo contrato estão sujeitas a rigorosas exigências de forma: a promessa há-de,
como se viu, constar de documento de que conste a «declaração, em termos inequívocos, da
vontade de o promitente ou promitentes se obrigarem a celebrar» o contrato definitivo, e,
ainda, a «atividade a prestar e correspondente retribuição» (art. 103º, nº 1); a condição e o
termo suspensivos devem ser estipulados "por escrito" (art. 135º).
Estes dois preceitos esgotam as hipóteses em que o compromisso de emprego pode não ter
efeitos imediatos: a de esse compromisso representar uma simples promessa de contrato e a
de lhe ser aposto termo ou condição; hipóteses que, em todo o caso, importa tornar claramente
identificáveis e comparáveis, através de documento explícito
Assim, não existindo, formal e inequivocamente, promessa de contrato, nem estipulação formal
de termo ou condição, o contrato de trabalho produz os efeitos que lhe são próprios a partir do
momento em que é celebrado.
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Frequência – Trabalho I
A qualidade de trabalhador subordinado só pode recair sobre uma pessoa física ou singular. Isto
significa que as pessoas coletivas não possuem capacidade jurídica.
A capacidade jurídica para o trabalho não é originária. Depende da articulação dos factores
escolaridade e idade.
8. Os trabalhadores estrangeiros
• Segundo grupo está sujeito a exigências formais – composto pelos restantes cidadãos
estrangeiros.
29
Frequência – Trabalho I
No caso dos direitos e deveres do trabalhador a capacidade jurídica adquire-se mediante o art.
70º, nº 1 do CT.
Art. 70º, nº 2 e 3 CT
Contrato de trabalho celebrado por quem não tem capacidade jurídica = contrato nulo.
Caso falte a capacidade de exercício de direitos que se requer para a conclusão do contrato =
contrato anulável.
B) Os pressupostos objetivos
B.a) Preliminares
11. Noções gerais
B.b) Determinabilidade
12. Noção
É necessário que o objeto do contrato esteja determinado para que as obrigações sobre ele
incidentes possam ser cumpridas.
A atribuição de função implica a descrição das atividades que ela comporta, para conhecimento
do trabalhador. A determinação do objeto condiciona a exigibilidade do cumprimento da
correspondente obrigação e, assim, se a mera determinação da função basta para este efeito, o
30
Frequência – Trabalho I
trabalhador ficará em estado de incumprimento se não aceitar tal função ou não executar as
atividades nela abrangidas.
A conformação da prestação concreta pelo empregador não ocorrer, nem ter cabimento (art.
116°), sem que haja lugar para a suposição de que o objeto do contrato fica por determinar e de
que o cumprimento da obrigação correspondente não pode ser exigido.
Para que o contrato de trabalho seja válido, exige-se que seja fisicamente possível a atividade
estipulada.
Assim, a atividade prometida, possível em si mesma, será impossível se ao contrato for aposto
um prazo demasiado curto ou se tiver que ser realizada em local inacessível ao trabalhador, ou
ainda, se este tiver que efetivá-la sozinho.
B.d) Licitude
16. A natureza e o fim da atividade
A atividade prometida pode ser licita em si mesma e, todavia, ter que se considerar ilícita por
virtude de certos elementos conexos ou concomitantes:
A regra é que o trabalhador conheça os fins em vista dos quais tenha sido contratado.
No entanto, o escopo ilícito pode ser oculto ao trabalhador, nem por isso deixando, de existir o
nexo de condicionalidade entre a tarefa licito e o fim ilícito do dador do trabalho.
Art. 124º.
31
Frequência – Trabalho I
Casos em que se revelam a idade e o sexo. O art. 68º e o art. 62º, nº 5, envolvem a possibilidade
do condicionamento, limitação ou proibição do exercício de certos tipos de atividade.
As situações mais correntes são as de o contrato ser formado por duas declarações orais
declarações expressas.
Aceitação tácita – ocorre lodo que a conduta da outra parte mostre a intenção de aceitar a
proposta – art. 234º CC.
A proposta e a aceitação por escrito têm lugar nos casos em que a lei expressamente o exija.
32
Frequência – Trabalho I
Para que um contrato se conclua basta que certo trabalhador dê a sua adesão ao conteúdo da
proposta. Esta adesão pode ser:
• Expressa;
• Tácita – nos termos do art. 104º vale como adesão tácita:
✓ Falta de posição do trabalhador no prazo de 21 dias, a contar do inicio da
execução do contrato ou da divulgação do regulamento, se esta for posterior.
A redução do período experimental tanto pode ser por acordo escrito individual como por
instrumento de regulamentação coletiva de trabalho – art. 112º, nº 5.
B) O regime legal
24. Os períodos de experiência
Art. 112º, nº 2, 3 e 4.
Estas limitações à liberdade de desvinculação não valem no período experimental: nos termos
do art. 114º CT, durante aquele período é livre a rutura do contrato - a lei adota a presunção de
que a cessação do contrato é determinada por inaptidão do trabalhador ou por inconveniência
das condições de trabalho oferecidas pela empresa.
33
Frequência – Trabalho I
No entanto, não pode excluir-se a hipótese de abuso de direito. O art. 53º CRP não é
neutralizado pelo regime da experiência». Confirma-o, além do mais, a jurisprudência
constitucional. Um despedimento realizado nesse período pode ser discriminatório, fundado em
motivos ideológicos, ou em razões estranhas às relações de trabalho, ou simplesmente
arbitrário - e, sendo assim, não poderá considerar-se coberto pela "franquia" do art. 114º,
recaindo sobre ele o regime geral do despedimento.
Para que o período de experiência desempenhe a função que lhe corresponde é necessário que
o contrato esteja a ser executado, isto é, que se inicie a prestação de trabalho no seio da
organização. Por isso, a lei estabelece que ele «corresponde ao tempo inicial de execução do
contrato» (art. 111º, nº 1) e não, como outrora se entendia, à primeira fase da vigência do
vínculo.
Parte III
Capítulo VII – Os direitos fundamentais em ambiente de
trabalho
I. Visão geral
1. Os direitos fundamentais dos trabalhos: específicos e inespecíficos
A CRP consagra o art. 53º e ss um conjunto de DF cuja titularidade é atribuída aos trabalhadores.
Concorrem para isso várias circunstâncias, entre as quais podem ser indicadas as seguintes:
34
Frequência – Trabalho I
1. A relação de trabalho ser uma relação de poder de uma pessoa sobre outra, sendo que
esse poder é, ele próprio, juridicamente revestido e dotado de instrumentos que podem
ser usados de várias maneiras;
Art. 70º, nº 1 CC
Art. 15º CT
35
Frequência – Trabalho I
pode ser legítima e intocável; mas a sua divulgação por toda a empresa ou mesmo no exterior
pode constituir forma de denegrimento e de quebra de reputação para as pessoas
responsáveis pelas medidas.
Estes deveres do trabalhador podem entrar em tensão com obrigações, de natureza cívica, como
a de denúncia de condutas criminosas imputáveis ao empregador ou seus representantes na
hierarquia da empresa (whistleblowing). Há que ter em conta que essa denúncia pode redundar,
meramente, na formação de suspeitas e, em último termo, não vir a ser confirmada. É evidente
que a tutela do "bom nome e reputação" da entidade empregadora tem aqui que ser chamada
à equação. Por um lado, o trabalhador denunciante cumpre um dever moral e cívico; por outro,
põe em causa, de forma porventura irremediável, a imagem e a reputação do empregador. A
jurisprudência tende a valorizar autonomamente este último aspeto, mesmo que a denúncia
seja factualmente verídica.
Lei 93/2021:
Art. 6, nº 1.
A lei prevê e regula separadamente os casos de "denúncia interna", ou seja, realizada no interior
da organização a que pertence o denunciante; "denúncia externa", que é dirigida às autoridades
competentes; e "divulgação pública", que a diretiva define como "a disponibilização na esfera
pública de informações sobre violações", normalmente através dos meios de comunicação
social ou das redes sociais. Ao fazer estas distinções, o novo regime estabelece também uma
espécie de "ordem de precedência" entre as modalidades de denúncia: deve começar-se pela
denuncia interna, seguindo-se a denúncia externa.
36
Frequência – Trabalho I
A proteção assegurada pelo novo regime legal consiste, desde logo, numa garantia de
confidencialidade: "A identidade do denunciante, bem como as informações que, direta ou
indiretamente, permitam deduzir a sua identidade, têm natureza confidencial e são de acesso
restrito às pessoas responsáveis por receber ou dar seguimento a denúncias" (art. 18º, nº 1).
A lei estabelece a proibição de retaliação, definindo esta como "o ato ou omissão que, direta ou
indiretamente, ocorrendo em contexto profissional e motivado por uma denúncia interna,
externa ou divulgação pública, cause ou possa causar ao denunciante, de modo injustificado,
danos patrimoniais ou não patrimoniais"(art. 21º, nº 2). Qualquer ato pertencente a uma
tipologia que a lei define presume-se constituir retaliação, se for praticado (no caso das relações
de trabalho, pelo empregador) dentro dos dois anos seguintes a uma denúncia (art. 21º, nº 6).
A sanção disciplinar aplicada nesse período presume-se abusiva (art. 21º, nº 7).
Os denunciantes têm também, entre outras formas de apoio, acesso a medidas de proteção de
testemunhas em processo penal.
Por isso mesmo que é considerado uma espécie de concentrado de todas as garantias
fundamentais que assistem às pessoas, nomeadamente aos trabalhadores, mas que mais
especificamente na relação de trabalho, implica especiais deveres de cuidado por parte do
empregador.
Por exemplo, art. 127º nº1 alínea c) CT, isto tem uma série de consequências, mas exprime a
ideia de que o empregador é responsável pelas pessoas que integram na empresa.
O direito dos trabalhadores à integridade física e moral implica, para o empregador, deveres de
cuidado, ou seja, de atuação e intervenção, quer preventiva quer produtiva, relativamente a
vários domínios da vida interna da empresa em que podem ser posta em causa a integridade
física e moral das pessoas.
Art. 16º CT – é um direito que se traduz numa garantia ou salvaguarda contra certos
comportamentos de terceiros. Esses comportamentos consistem, essencialmente, no acesso a
37
Frequência – Trabalho I
Art. 16º, nº 2.
9. Os limites da privacidade
Privacidade sim, mas só depois de sair do trabalho, dentro do trabalho não há privacidade
porque o empregador tem o direito de estar a apar de tudo o que o trabalhador faz ou não faz.
Uma privacidade que tem os seus limites, tem os limites do contrato, tem os limites derivados
pelo facto de a atividade do trabalhador ser supervisionada legitimamente pelo empregador,
são os que resultam dos poderes de direção, supervisão, controlo e disciplina por parte do
empregador
Mas há um espaço privado no local de trabalho. E é isso que está em causa nestes preceitos que
se seguem, nomeadamente tratados entre os art. 20º a 22º CT.
A noção central, nesta matéria, é a de que a esfera pessoal abrange o local de trabalho, ou seja,
a de que a proteção da privacidade deve, em princípio, cobrir comportamentos do trabalhador
no tempo e no espaço em que presta o seu trabalho.
No caso da vida privada, e aliás no caso de saúde e gravidez, é preciso que haja razões que
tornem estritamente necessárias e relevantes as informações para que no que diz respeito à
execução do contrato de trabalho e, de qualquer modo, razões essas que têm de ser expressas
através de documento escrito.
Art. 17º, nº 3
38
Frequência – Trabalho I
É proibida, em absoluto, a exigência de tais testes ou exames para determinar a gravidez – art.
19º, nº 2.
Art. 115º.
2. A categoria
A categoria exprime um género de atividade. Há-de caber desse género, pelo menos na sua
parte essencial, a função principal que ao trabalhador está atribuída na organização – art. 118º.
Constitui também um fundamental meio de determinação de direitos e garantias do
trabalhador.
3. Trabalho e profissão
Art. 117º.
Art. 118º, nº 1, 2 e 4.
4. Tutela da categoria
Por via de regra, o dador de trabalho não pode baixar a categoria do trabalhador (art. 129º, nº
1, al. e)), a não ser que este aceite e haja autorização da inspeção do trabalho - mas, mesmo
assim, só quando a baixa seja «imposta por necessidades prementes da empresa ou por estrita
necessidade do trabalhador (art. 119º).
Igualmente a atribuição de categoria mais elevada não pode ser imposta ao trabalhador.
39
Frequência – Trabalho I
Outro tipo de situação problemática é o dos trabalhadores admitidos para o exercício de funções
de chefia sobretudo quando essas funções definem categorias no regime convencional aplicável.
Se tal situação se verifica, o trabalhador adquire a categoria respetiva.
A entidade empregadora não pode ter-se por adstrita a confiar cargos de chefia a certa pessoa,
pelo facto de a ter recrutado para funções desse tipo, ou de, supervenientemente, lhe ter
atribuído a titularidade delas. Trata-se de dar expressão adequada à noção da chefia como
«delegação» ou «mandato» da entidade empregadora. Dessa noção deriva a valorização
especifica dos elementos «confiança» e «nível de responsabilidade atribuída», entre si
correlacionados, e a que não pode ligar-se qualquer direito ou expectativa jurídica do
trabalhador.
Especto diverso é o do estatuto contratual do trabalhador, isto é, o dos direitos e garantias que,
como empregado, lhe assistem. O reconhecimento normativo da categoria hierárquica tem aqui
o seu fundamental alcance. Ele protege a consistência e a estabilidade daquele estatuto, por
sobre a natural precaridade da situação funcional de partida. Tudo o que possa considerar-se
elemento da remuneração auferida no cargo de chefia - e veremos adiante como se coloca o
problema da qualificação remuneratória - deve manter-se, apesar de cessar a titularidade do
cargo; excetuar-se-ão, apenas, evidentemente, os direitos que, de acordo com o próprio regime
convencional aplicável, sejam inerentes ao exercício efetivo de tais funções.
Categorias organizacionais – a atribuição depende mais do modo por que a empresa se articula
concretamente. Podem ser conferidas no âmbito de m conjunto materialmente homogéneo de
funções.
40
Frequência – Trabalho I
Art. 118º
C) A categoria e a função
9. Da função à categoria
Categoria – designação abreviada ou sintética que exprime um género de atividades. Deve ser
atribuída por aplicação de um critério de correspondência ou adequação entre a definição de
funções que a identifica e o arranjo concreto de funções que se traduz na atividade contratada.
Dois trabalhadores podem ser contratados para a mesma atividade, ingressar na mesma
categoria e exercer funções diferentes.
O papel de tal sistema acaba ai. Desde que o estatuto profissional decorrente da
categoria convencionalmente aplicável esteja salvaguardado, nada impede que
situação funcional do trabalhador, na concreta organização em que está integrado,
seja qualificada e tratada de acordo com um diferente critério e segundo uma lógica
diversa.
Art. 118º, nº 1.
Mesmo quando, nos termos do art. 115º, nº 2, a atividade contratada é definida pelas partes
através de “remissão para categoria de instrumento de regulamentação coletiva ou de
regulamento interno de empresa”, continua a ser admitido ao empregador que exija ao
41
Frequência – Trabalho I
trabalhador uma prestação de trabalho mais vasta ou complexa, integrando as “funções afins
ou funcionalmente ligadas” a que se refere o art. 118º, nº 2.
A categoria deve ser atribuída com base na correspondência entre a sua descrição funcional e a
atividade contratada, mas pode não se conter na primeira.
A categoria, à luz do direito do trabalho, não tem um papel delimitador do trabalho exigível ao
trabalhador.
Art. 118º, nº 1 – prevê que o empregador atribua ao trabalhador funções “no âmbito da
atividade para que foi contratado” e, dentro deste âmbito, o exercício da direção do trabalho
pode traduzir-se nas modificações que o processo de trabalho impuser.
D) Flexibilidade funcional
13. Noções gerais
A realidade das relações de trabalho, e o próprio jogo dos interesses das partes, apontam no
sentido de uma certa flexibilidade funcional, isto é, para a possibilidade de se conceber a
atividade contratada como núcleo central da posição contratual do trabalhador, sem que fiquem
excluídas outras aplicações da sua força de trabalho, dentro de certos limites e mediante
determinadas condições.
Flexibilizar, nas relações de trabalho, é sempre acrescer a margem de escolha livre, e portanto
de poder, da entidade empregadora.
42
Frequência – Trabalho I
Polivalência funcional – contida no art. 118º, nº 2 compreende as funções que lhe sejam afins
ou funcionalmente ligadas, para as quais o trabalhador tenha qualificação adequada e que não
impliquem desvalorização profissional. O exercício dessa faculdade de ordenar ao trabalhador a
execução de tais tarefas está consideravelmente limitado. O empregador não pode,
unilateralmente, subverter a estrutura da atividade contratualmente devida pelo trabalhador.
O género de trabalho refletido na categoria continuará a ser o elemento central e nuclear da
situação do trabalhador (atividade principal). A lei admite que sejam exigidas ao trabalhador
outras tarefas, fora da categoria, mas como atividades acessórias (art. 118º, nº 4).
Art. 118º, nº 2 – o empregador pode usar a força de trabalho do trabalhador para além dos
limites da atividade contratada, embora em funções ainda delimitáveis a partir dela.
Essa exigência de semelhança não é absoluta: são também admitidas tarefas com ligação
funcional à atividade contratada que constitui a principal ocupação do trabalhador.
Como requisito autónomo a ligação funcional está manifestamente relacionada com o modo
por que se encontra organizado o processo de laboração da empresa. Uma atividade está ligada
a outra quando é condição dela ou condicionada por ela ou quando é antecedente ou
consequente dela, ou ainda quando ambas fazem parte da mesma sequência.
Art. 118º, nº 1 - poder de direcção não é legitimamente exercido quando, embora dentro do
objeto do contrato de trabalho, ultrapassa o exigível ao trabalhador, nas condições (subjetivas)
de formação e aptidão psicofísica em que ele se encontra.
43
Frequência – Trabalho I
Para além disso, a lei quer também evitar que o uso da «polivalência» se traduza em direto
prejuízo do estatuto profissional e da situação económica do trabalhador: o exercício de
atividades acessórias não pode implicar "desvalorização profissional" (art. 118º, nº 2).
O art. 118° atribui ao trabalhador o direito à retribuição mais elevada que corresponda às
atividades acessórias,' "enquanto tal exercício se mantiver".
Este “poder modificativo”, surge como uma derrogação ao princípio segundo o qual os contratos
não são alteráveis unilateralmente. A derrogação é legitimada pela necessidade do ajustamento
da gestão da força de trabalho à dinâmica própria da evolução da empresa, e, portanto, como
uma emanação da liberdade de iniciativa e de organização empresarial" (art. 80% CRP). Trata-
se, em suma, de mais uma manifestação de flexibilidade funcional.
Todavia, se é certo que os liga esse traço comum, não há lugar para se confundir este direito de
variação com a faculdade estabelecida no art. 118°. Em primeiro lugar, a chamada
«polivalência» traduz possibilidades que se contêm no objeto do contrato; o direito de variação
extravasa o objeto do contrato, como decorre do art. 1209/1. Há, neste segundo caso, maior
risco de lesão da profissionalidade, além de que o regime legal não exclui a hipótese de
"desvalorização profissional", o que significa que a modificação pode ser «para pior». Por isso,
o recurso ao direito de variação é mais fortemente condicionado. E, desde logo, só pode ser
transitório, ao contrário da «polivalência».
Os requisitos são:
44
Frequência – Trabalho I
derrogabilidade, mas por outra: o direito de variação pode ser totalmente excluído por essa via
ou convertido num instrumento de livre uso pelo empregador – convenção coletiva.
É preciso que resulte que as tarefas em causa sejam extraordinárias relativamente aos padrões
de funcionamento da empresa, não justificando, pela provisoriedade, que ao quadro de pessoal
seja remodelado para as abranger.
É preciso que resulte que as tarefas em causa são extraordinárias relativamente aos padrões de
funcionamento da empresa, não justificando, pela sua provisoriedade, que o quadro de pessoal
seja remodelado para as abranger.
Igualmente se poderá ter por verificado o requisito legal se houver substituição do titular de um
posto de trabalho por outro empregado, sendo claramente transitório o impedimento daquele;
dir-se-á que o direito de variação existe enquanto funcionar (relativamente ao substituído) o
mecanismo de suspensão do contrato que o art. 294º, nº 1 CT faz assentar, também, no carácter
temporário da impossibilidade da prestação de trabalho.
Mas, para além das situações típicas, não resta senão o recurso das regras de experiência em
matéria de organização do trabalho na empresa para aferir a transitoriedade invocada em abono
da variação de funções.
O trabalhador não pode ser, pelo exercício do direito de variação, colocado numa "situação
hierárquica injustamente penosa. Mas não basta, para se verificar "modificação substancial",
que as tarefas temporariamente exigidas correspondam a categoria inferior.
Todavia, o alcance do requisito sob análise não pode bastar-se com esta ordem de
considerações. Ele há-de relacionar-se com a óbvia necessidade de articular o princípio geral da
inalterabilidade do objeto do contrato por ato unilateral de qualquer dos sujeitos com o
reconhecimento de um direito de variação ao empregador, com incidência nesse mesmo objeto.
Essa articulação far-se-á à luz de duas ordens de exigências: a da "flexibilidade" no uso da mão-
de-obra disponível e a de tutela das potencialidades e perspetivas profissionais do trabalhador.
Esta tutela não pode satisfazer-se com o simples afastamento do "vexame" ou da "indignidade":
ela tem que interferir com a natureza dos serviços temporariamente exigidos, na sua relação
com o género de aptidões profissionais colocadas pelo contrato à disposição do empregador.
45
Frequência – Trabalho I
Art. 120º.
Art. 120º, nº 5.
O exercício deste “direito de variação” não afeta a categoria assumida pelo trabalhador, nem
tem qualquer reflexo desfavorável sobre o seu estatuto laboral: as prerrogativas
correspondentes à categoria que lhe pertence mantêm-se íntegras; somente poderão melhorar
se a função transitória corresponder a uma qualificação superior ou que, em aspetos isolados,
se mostre mais vantajosa.
Para além da obrigação principal que assume através do recaem sobre o trabalhador outras
obrigações, conexas à sua integração no complexo de meios preordenado pelo empregador,
sendo umas de base legal (como o chamado dever de lealdade) e outras de origem convencional
ou mesmo regulamentar interna (como, em certas atividades económicas, a obrigação de não
fumar).
A discriminação e o agrupamento destes deveres são feitos, pela doutrina, segundo critérios
muito diferentes.
Alguns autores propõem, no domínio desses deveres acessórios de conduta, uma distinção
entre:
Utilizando um critério diferenciador de matriz civilística, deve reconhecer-se que, ao lado dos
deveres propriamente acessórios da obrigação principal, cujo cumprimento é condição da
eficiência da relação de trabalho sob o ponto de vista dos interesses contratuais em confronto,
podem existir (ou não), com maiores ou menores amplitude e diversidade, deveres secundários,
com conteúdo e fundamento próprios, gerados pela lei ou convenção coletiva, ou até mesmo
por estipulação individual, e que acrescem à posição obrigacional básica do trabalhador.
46
Frequência – Trabalho I
Acrescenta ainda ao padrão visado uma nota de probidade que, em rigor, constitui
uma emanação do imperativo geral da boa-fé na execução do contrato (art. 102º).
Pode considerar-se o dever de respeito e urbanidade como uma situação subjetiva de natureza
residual, destinada a funcionar como válvula de segurança do sistema de deveres contratuais
acessórios do trabalhador, tendo em vista prevenir qualquer comportamento eticamente
censurável que ameace a funcionalidade da prestação de trabalho ou a normalidade da vida da
organização. Por isso, ele toma em conta todo o tipo de interações em o trabalhador pode
envolver-se no ambiente de trabalho
Significa, em suma, que ele deve estar disponível nas horas e locais
previamente definidos.
47
Frequência – Trabalho I
Mas tudo isso apenas na medida em que seja socialmente exigível a comparência do trabalhador
e, portanto, aqui é aplicável o regime das faltas justificadas (art. 249º e ss).
Esta noção de assiduidade releva apenas para a configuração do dever contratual a que alude o
art. 128º. Nesta aceção, não pode o trabalhador ser responsabilizado por quebra da assiduidade
devida, no caso de faltar ao serviço com justificação atendível.
Afirma o princípio de que «a falta justificada não afeta qualquer direito do trabalhador»,
nomeadamente a da retribuição (art. 255º, nº 1).
D) O dever de obediência
27. O âmbito da obediência
A lei admite expressamente situações em que a obediência é devida para além dos limites da
atividade estipulada:
• Art. 120º
• Art. 227º, nº 3
Direitos e garantias: arts. 14º a 22º CT; arts. 23º a 32º; arts. 33º a 65º; art. 129º.
E) O dever de lealdade
29. A noção juslaboral de lealdade
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Frequência – Trabalho I
O dever de lealdade pode entrar em confronto com direitos fundamentais, como a liberdade de
expressão e manifestação, implicando restrições a esta liberdade que, no caso da organizações
de tendência, são suscetíveis de atingir o seu grau máximo.
Existe, portanto, um dever geral de lealdade a cargo do trabalhador, que emana da boa fé, e que
se restringe à prevenção dos comportamentos suscetíveis de destruírem o interesse que levou
a outra parte a contratar.
A relativa nitidez do perfil deste dever geral do trabalhador subordinado articula-se com uma
acentuada elasticidade de conteúdo e uma variada graduação de intensidade. Com efeito, a
natureza, a dimensão, os objetivos e o próprio estilo concreto de direcção da empresa
condicionam estreitamente o feixe das específicas manifestações deste dever, bem como o grau
de exigência, quanto à conduta do trabalhador, que ele incorpora.
49
Frequência – Trabalho I
O dever geral de lealdade tem uma faceta subjetiva, que decorre da sua estreita relação com a
permanência de confiança entre as partes.
Este traço do dever de lealdade é tanto mais acentuado quanto mais extensa for a (eventual)
delegação de poderes no trabalhador (dirigente) e quanto maior for a atinência das funções
exercidas à realização final do interesse do empregador. Além disso, a diminuição de confiança
não está dependente da verificação de prejuízos nem - salvo no tocante à medida ou grau - da
existência de culpa grave do trabalhador.
O dever de lealdade apresenta também uma faceta objetiva, que se reconduz à necessidade do
ajustamento da conduta do trabalhador ao princípio da boa fé no cumprimento das obrigações
(art. 762º cc).
Ambas assentam num mesmo juízo normativo: o de que a posição funcional do trabalhador, no
desenvolvimento das relações laborais, não deve instrumentalizar-se à produção de resultados
negativos para o interesse contratual do empregador.
50
Frequência – Trabalho I
O que está em causa é a necessidade de prevenir que, do exercício da atividade profissional para
um segundo empregador, possa resultar limitação do volume de negócios e de proveito do
primeiro.
Depois, é necessário não perder de vista que a abstenção de concorrência, como expressão de
lealdade, corresponde a um comando votado à defesa do interesse económico e empresarial do
empregador.
51
Frequência – Trabalho I
O dever de não concorrência perfila-se como uma restrição legal à liberdade de trabalho.
F) O dever de custódia
38. O enunciado legal
G) O dever de prevenção
39. O enunciado legal
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Frequência – Trabalho I
• Repercute-se nos preços, quer pela via dos custos de produção, quer pela do nível de
consumo que possibilita.
Art. 309º, nº 1, al. B) – engloba as situações caracterizadas por uma impossibilidade temporária
da prestação de trabalho criada pela entidade patronal. Embora inativo, o trabalhador mantém
o direito ao salário. Estão aqui abrangidos por esta regra não apenas os casos de encerramento
decidido pela entidade patronal, mas também aqueles em que o estabelecimento fecha por
motivos que lhes sejam de qualquer modo imputável.
Art. 329º, nº 5.
Art. 273º, nº 2.
53
Frequência – Trabalho I
7. Salários em atraso
• É alimentado por uma parte das contribuições patronais para a Segurança Social e por
financiamento do Estado.
• Equidade
• Suficiência
Principio da equidade retributiva – numa concreta relação de trabalho não pode ser prestada
retribuição desigual da que seja paga, no âmbito da mesma organização, como contrapartida de
trabalho igual. As raízes destes princípio desenvolvem-se em várias direções:
• Uma idêntica renumeração deve ser correspondida a dois trabalhadores que, na mesma
organização ocupem postos de trabalhos iguais. Ou seja, salário igual em paridade de
funções.
Art. 270º
Art. 31º, nº 3
54
Frequência – Trabalho I
A medida de alguns direitos do trabalhador define-se com base no montante. É o que ocorre
com o art. 390º, nº 1 do CT.
Art. 258º, nº 4
o critério de qualificação retributiva tem que extrair-se da conjugação dos “principio gerais”
contidos no art. 258º e das aplicações feitas perante certas atribuições patrimoniais, no art.
260º.
Noção de retribuição (art. 258º) – conjunto dos valores que a entidade patronal está obrigada a
pagar regular e periodicamente ao trabalhador em razão da atividade por ele desempenhada.
Art. 259º
Art. 258º, nº 1.
• Por um lado, sugere a existência de uma vinculação prévia e, por conseguinte, de uma
prática vinculativa;
• Por outro lado, assinala a medida das expectativas de ganho do trabalhador e, por essa
via, confere relevância ao nexo existente entre a retribuição e as necessidades pessoais
e familiares daquele.
55
Frequência – Trabalho I
16. A correspetividade
É necessário que se possa detetar uma contrapartida especifica para certa prestação do
empregador, a fim de que esta se coloque à margem do salário global. O que envolve a existência
da presunção de que qualquer atribuição patrimonial efetuado pelo empregador em beneficio
do trabalhador, salvo prova em contrário, constitui parcela da retribuição (art. 258º, nº 3).
Art. 258º, nº 4
Art. 264º, nº 1
Art. 262º, nº 1 – estabelece uma regra supletiva genérica. À falta de indicação explicita noutro
sentido, a base de cálculo de prestações complementares e acessórias é constituída apenas pela
soma da retribuição base e das diuturnidades.
Mas pode haver, para outros efeitos, necessidade de determinar o valor da “retribuição”, no
sentido correspondente à estrutura remuneratória que integra o “estatuto” do trabalhador.
É o que ocorre quando a lei garante ao trabalhador o valor das retribuições que
deixou de auferir por facto do empregador (art. 393º, nº 2, al. a)).
56
Frequência – Trabalho I
O critério legal constitui, assim, o instrumento de despiste dos valores que, no seu conjunto,
têm um nexo de correspetividade com a posição obrigacional do trabalhador, encarada também
na sua globalidade. Ele serve, então, para definir a posteriori uma base de cálculo para certos
valores derivados.
Mas isso não legitima que o mesmo critério seja linearmente utilizado como chave-mestra de
todo o regime jurídico da retribuição
A aplicação do critério geral do art. 258º a um certo tipo de prestação não permite, sem mais,
fornecer um tratamento pré-determinado às vicissitudes dessa prestação.
A retribuição base pode ser certa, variável ou mista (art. 261º), sendo certa a «calculada em
função de tempo de trabalho» (art. 261º, nº 2), ou seja, dimensionada por certa unidade de
tempo que, aliás pode até nem ser integralmente preenchida por serviço efetivo.
Há, no entanto, que distinguir entre as unidades de cálculo da retribuição e os seus períodos de
pagamento (o salário pode ser determinado com base no dia ou na semana, mas pago somente
no fim de cada mês).
23. As gratificações
Trata-se, na maioria dos casos, de prestações salariais suplementares, caracterizadas por uma
periocidade distinta da da retribuição base.
De um modo geral, tratar-se-á de atribuições patrimoniais corretivas daquele salário. Tais são
as gratificações ordinárias (art. 261º, nº 2) cuja integração no cômputo global de retribuição se
fundamenta, quer na sua obrigatoriedade, quer na sua importância e no seu carácter regular e
permanente.
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Frequência – Trabalho I
Há que considerar, depois, uma gama de complementos retributivos que, para além da
variedade dos rótulos convencionais, pode agrupar-se sob a designação geral de subsídio de
prevenção, tratando-se de prestações que têm em comum a função de compensarem o
trabalhador por, em local definido pelo empregador ou não, se manter em estado de prontidão
("à chamada") para, sendo necessário, prestar o seu trabalho.
Os referidos subsídios apenas são devidos enquanto persistir a situação que lhes serve de
fundamento.
25. As diuturnidades
As diuturnidades comportam duas aceções conforme os ângulos de que sejam observadas: fala-
se de «diuturnidades» no sentido de certa antiguidade na categoria, e usa-se o mesmo termo
para designar o valor do complemento pecuniário a que o trabalhador fica tendo direito desde
que atinge aquela antiguidade.
Art. 262º.
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Frequência – Trabalho I
• Subsidio de refeição – pode assumir carácter retributivo nas condições acima indicadas
sem por isso ser devido nos dias em que o trabalhador, por qualquer razão, não
compareça ao trabalho.
Há, depois, que considerar a remuneração do período de férias, o subsídio de férias e o subsídio
de Natal - prestações mensualizadas que, todavia, não têm direta correspetividade com
prestação de trabalho nos períodos em que são devidas.
Art. 263º.
Art. 263º, nº 1 – crê-se que o “mês de retribuição” aqui mencionada é equivalente ao somatório
da retribuição base e das diuturnidades.
• Renumeração do período de férias - a lei aponta para uma ficção normal execução do
contrato. O trabalhador tem direito a receber o que receberia se trabalhasse
normalmente no período em que goza férias. Calcula-se, com base nas comissões
auferidas, um valor médio para integrar a renumeração das férias.
Na retribuição cabe:
A composição da retribuição pode, além disso, derivar diretamente das estipulações individuais,
ou também de convenção coletiva, regulamento interno e até uso da empresa (art. 258º, nº 1
CT).
Desde que não resulte modificado o valor total da retribuição (art. 129º, al. d)), a estrutura dela
pode ser unilateralmente alterada pelo empregador, mediante a supressão de algum
componente, a mudança da frequência de outro, ou, ainda, a criação de um terceiro. Todavia, a
alteração unilateral só é admissível quando se refira a elementos fundados nas estipulações
individuais ou nos usos, excluindo-se, por conseguinte, os que derivem da lei ou da
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Frequência – Trabalho I
regulamentação coletiva. Por outro lado, a alteração por decisão unilateral do empregador só
pode considerar-se lícita se, face às circunstâncias concretas em que se processe, não for de
molde a afetar o equilíbrio contratual. A retribuição pode, nesses casos, ser potencialmente
reduzida pela diminuição da percentagem ou pelo desvio do vendedor para outros produtos.
Há que tomar em conta a possibilidade de ela ser parcial ou mesmo totalmente variável (art.
261º CT); por outro, verifica-se algumas vezes que o salário não é expressamente estipulado, ou
o seu ajuste é apenas verbal, não havendo facilidade de prova posterior.
Sucede que, sobretudo após a cessação do contrato, o trabalhador necessita de invocar e fazer
valer um certo montante da retribuição, quer para impor a pretensão de ver satisfeitos créditos
salariais, quer como base de cálculo de outras atribuições patrimoniais a que porventura se ache
com direito.
Na determinação da retribuição que não é fixa, ou certa, mas variável pressupõe-se a existência
de estipulação contratual, sabe-se à partida que as partes tiveram em mente uma fórmula
salarial, mas a aplicação dessa fórmula conduz a resultados variáveis de mês a mês, de semana
a semana etc.
O problema põe-se sobretudo quando é necessário obter, a partir desses valores variáveis, um
quantitativo fixo que sirva de base ao cálculo de indemnizações ou créditos salariais passados.
Art. 261º, nº 3.
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Frequência – Trabalho I
A retribuição deve ser paga, total ou parcialmente, em dinheiro, não podendo a parte não
pecuniária ser superior a metade do total (art. 259º).
A regra concernente ao pagamento das obrigações pecuniárias é a do domicilio do réu (art. 774º
cc).
Regra supletiva.
• Unidade de medida;
• Unidade de vencimento.
Art. 278º.
A exceção de não cumprimento do contrato (art. 428º CC) jogará normalmente em beneficio do
empregador.
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Frequência – Trabalho I
O trabalhador apenas poderá fazê-la funcionar fora da correlação existente entre a unidade de
vencimento e o salário.
Poderá negar o seu trabalho somente depois de ter decorrido o período de serviço
não pago.
Os créditos retributivos podem extinguir-se por prestação, isto é, pelo decurso de certo tempo
sem que tenha sido exigida a sua efetivação.
Art. 337º, nº 1.
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Frequência – Trabalho I
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Frequência – Trabalho I
✓ Noções gerais:
✓ A infração disciplinar
✓ As sanções disciplinares
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Frequência – Trabalho I
✓ A ação disciplinar
A empresa pode surgir como objeto de relações jurídicas quando estabelecida a equivalência
entre empresa e organização técnico-laboral. Pode nomeadamente ocorrer mudança de titular:
arts. 285º e ss.
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Frequência – Trabalho I
Por outro lado, a transmissão deve ser precedida de informação e consulta aos representantes
dos trabalhadores ou aos próprios, se não houver representantes (art. 286º). E os créditos dos
trabalhadores, anteriores à transmissão, são garantidos pela responsabilidade solidária do
transmitente e do adquirente, durante certo período (art. 285º, nº 2).
De direito de oposição só pode falar-se quando o trabalhador dispõe de meios jurídicos que lhe
permitem, apesar da transmissão, manter a situação contratual inalterada.
Este direito deve ser entendido como projeção da liberdade contratual, na vertente da escolha
do outro contraente e, essa liberdade, na mesma vertente, fica excluída se ao trabalhador se
oferece apenas o dilema entre aceitar ou pôr termo ao vínculo.
Art. 286º- A - A tutela da segurança do emprego passou a estar articulada com a da liberdade
contratual do trabalhador, no que respeita à escolha do outro contraente. Na verdade, o novo
preceito consagra um verdadeiro direito de oposição do trabalhador à sub-rogação do
adquirente na posição contratual do empregador transmitente. O nº 2 do mesmo artigo elimina
todas as dúvidas que pudessem suscitar-se acerca da eficácia obstativa do exercício desse
direito: mantém-se o vínculo ao transmitente.
O facto de a oposição ter que ser formalmente justificada sobretudo pela probabilidade objetiva
de prejuízo sério decorrente da mudança da entidade empregadora, não impede que contra ela
(oposição) se manifestem judicialmente os interesses, quer do adquirente, quer do
transmitente.
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Frequência – Trabalho I
Daqui resulta que o novo regime redunda na inversão do "ónus da rutura" do contrato de
trabalho do trabalhador colocado em situação limite de não aceitação do efeito sub-rogatório
da transmissão.
Unidade económica – cabe aqui, desde logo, as realidades relativamente bem delimitadas da
empresa e do estabelecimento formalmente destacado como unidade orgânica da empresa e,
portanto, dedicado a exercício de uma atividade comercial ou industrial. Com esta noção
pretende-se excluir do campo de aplicação do regime legal todo um vasto conjunto de hipóteses
em que passam da titularidade de uma empresa à de outra elementos isolados ou
fragmentários. No entanto, a questão complica-se adicionalmente quando estão em causa
atividades de tipo terciário em que o fator trabalho ocupa lugar central.
A lei exige que tanto o transmitente como o adquirente, antes da transmissão, informem por
escrito os representantes dos seus trabalhadores, ou, diretamente, estes últimos, sobre "a data
e motivos da transmissão, suas consequências jurídicas, económicas e sociais para os
trabalhadores e medidas projetadas em relação a estes" e ainda sobre o "conteúdo do contrato"
que formaliza a transmissão (nos 1 e 3 do art. 286°).
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Frequência – Trabalho I
Enquanto esta tramitação não se encontrar concluída, a transmissão não pode concretizar-se.
Art. 286º, nº 7 e 8
Art. 285º, nº 7
Medida da disponibilidade:
3. A noção de disponibilidade
Serviços hospitalares:
Períodos de urgência interna – o trabalhador está num lugar determinado pela entidade
patronal, no interior ou exterior do seu estabelecimento, e acha-se pronto a retomar o serviço
a pedido da entidade patronal, mas é autorizado a descansar ou ocupar-se como entender
enquanto os seus serviços profissionais não forem exigidos. É considerado tempo de trabalho.
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Frequência – Trabalho I
Períodos à chamada – é aquele em que o trabalhador não tem que estar à disposição num local
determinado pela entidade patronal, bastando que esteja contactável a qualquer momento a
fim de poder desempenhar rapidamente as suas tarefas profissionais. Só os tempos de atividade
efetiva contam como tempo de trabalho.
Este parâmetro é definido por contrato individual, quer explicitamente, quer mediante
integração pelo uso ou prática da empresa ou do setor.
• Variável – mais longo numas semanas e mais curto noutras. Esta possibilidade é
admitida pelos artigos 204º a 206º e depende da expressa previsão em convenção
coletiva ou de estipulação individual.
O PNT está legalmente limitado (art. 203º), mas podem ser estabelecidos limites ainda inferiores
aos legais por instrumento de regulamentação coletiva.
Os limites incindem sobre os PNT fixos ou sobre os PNT médios quando exista adaptabilidade
de horários.
Nos PNT médios além do limite definido em termo médios, aplicam-se limites absolutos, isto é,
limites que não podem ser ultrapassados em nenhuma das unidades de tempo consideradas
(arts. 204º, nº 1 e 2 e o art. 205º, nº 2).
5. O período de funcionamento
Períodos de abertura
Períodos de laboração
6. O horário de trabalho
Trata-se de um esquema respeitante a cada trabalhador, no qual se fixa a distribuição das horas
de PNT ao longo do dia da semana.
Nos termos da lei, cabe ao empregador estabelecer o horário de trabalho, com observância dos
condicionamentos legais (art. 212º, nº 1), no quadro dos poderes de direção e organização do
trabalho, mas com consulta prévia dos representantes internos dos trabalhadores (art. 213º, nº
3). Trata-se de um poder-dever do empregador: ele pode fixar o horário a cada trabalhador e
está, em regra, obrigado a fazê-lo.
O horário de trabalho pode também ser acordado no âmbito do contrato individual de trabalho,
o que restringe o poder do empregador.
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Frequência – Trabalho I
O horário pode ainda ser objeto de negociação e acordo a nível coletivo, com o significado de
uma renúncia da entidade empregadora a uma parte das suas prerrogativas de gestão e
organização da empresa.
O período normal de trabalho não pode ser unilateralmente aumentado. Mas pode verificar-se
diminuição por decisão do empregador.
Arts. 298º e ss – a redução dos PNT é configurada como medida transitória de emergência, para
situações de crise grave da empresa, suscetível de ser decidida pelo empregador no termo de
um processo de consultas aos representantes dos trabalhadores.
O referido acordo poder surgir no quadro do processo regulado no art. 298º e ss,
visto que ele é também um processo de negociação (art. 300º).
Pode ainda ocorrer alteração de trabalho por acordo individual, mesmo tácito, entre as partes.
Mesmo que não ocorra proporcional aumento do salário, essa alteração é admissível. A redução
do PNT, individualmente acordada, pode ocorrer nas situações de passagem de tempo completo
a tempo parcial (art. 155º) e de pré-reforma (art. 318º e ss).
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Frequência – Trabalho I
Tempo de trabalho contrato – art. 198º - é a medida temporal da disponibilidade oferecida pelo
trabalhador através do contrato. Essa disponibilidade pode ser aproveitada total ou
parcialmente pelo empregador. Se for parcialmente não haverá redução do PNT, nem
fundamento para redução do salário.
Art. 217º.
10. A adaptabilidade no CT
Art. 207º.
Qualquer um dos regimes de adaptabilidade não pode ser unilateralmente imposto pelo
empregador.
Art. 205º - a prática desse regime é individualizada: depende de acordo de cada trabalhador,
que pode, no entanto, resultar da mera não oposição formal dentro do prazo de 14 dias após
proposta escrita do empregador.
Art. 206º - é uma variante das duas anteriores. Ela oferece ao empregador uma margem de
decisão unilateral quanto à aplicação do regime a certos trabalhadores originariamente
excluídos dele. No entanto se se trata de habilitação por convenção coletiva esta deve ser dupla:
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Frequência – Trabalho I
a convenção tem de admitir não só a adaptabilidade, mas também a extensão grupal. Já nos
casos de adaptabilidade por acordos individuais, a extensão depende da exclusividade de
decisão do empregador.
Art. 206º, nº 4.
• Art. 74º; A dispensa não é automática, tem de ser pedida à entidade empregadora, com certificação médica de
que a prática de horários adaptáveis pode prejudicar a saúde ou segurança no trabalho. Se estes
• Art. 87º; passos estiverem cumpridos a entidade empregadora não pode recusar.
• Art. 58 – basta a sua condição para fundamentar o direito à exclusão dos regimes de
adaptabilidade.
B) O Banco de horas
14. Noção
A lei refere apenas - por ser, decerto, a mais frequente - a hipótese de a "conta corrente" de
tempo de trabalho ter resultado positivo para o trabalhador, havendo trabalho a mais a
compensar (art. 208º, nº 4). A verdade é que pode haver também situações de trabalho "a
menos". Elas podem ser de dois tipos: faltas ao trabalho por iniciativa unilateral do trabalhador,
que estão submetidas a regime próprio (arts. 248º ss.) e não parecem, pelas características
desse regime, suscetíveis de serem levadas "a débito" na conta de tempo do trabalhador; e
72
Frequência – Trabalho I
dispensas do serviço (ou faltas autorizadas) sem perda de retribuição, que podem, elas sim, sem
dificuldade, ser acomodadas nessa conta.
15. As modalidades
Art. 208º - B.
No entanto, a questão muda de aspeto quando se trata do banco de horas grupal, em qualquer
das suas modalidades. O regime é imposto a trabalhadores que não são abrangidos pela
convenção, ou votaram contra no referendo.
o CT admite três modalidades de isenção, que se diferenciam pelo tratamento dado aos
períodos normais de trabalho, no art. 219º, nº 1:
73
Frequência – Trabalho I
Qualquer das modalidades supõe, como é óbvio, a inexistência de horário de trabalho. Trata-se
apenas de definir a medida em que a isenção afeta a própria quantidade de trabalho exigível ao
trabalhador.
Na falta de regulamentação coletiva sobre o ponto, aplicam-se dois limites mínimos definidos
no art. 265º.
V. O trabalho suplementar
A) Noção de trabalho suplementar
19. Definição legal
Art. 226º, nº 1.
A transposição dos limites do horário, embora possa não implicar "trabalho a mais", equivale à
violação daquele programa. Só assim não será no caso de estar em aplicação o banco de horas,
numa das modalidades a que se referem os arts. 208º, 208º-A e 208º-B CT - mas ainda aí a lei
cuida, se bem que moderadamente, da salvaguarda da organização de vida do trabalhador, ao
prever que o empregador o avise, com certa antecedência, da necessidade de acréscimos de
trabalho relativamente ao horário (art. 208º, nº 4, al. c)).
Art. 227º
21. As exclusões
A prestação do trabalho suplementar é obrigatória (art. 227º, nº 3 CT) desde que determinada
pelo empregador com fundamento nas situações a que alude o art. 227º e dentro dos limites
quantitativos do art. 228º.
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Frequência – Trabalho I
• Art. 59º, nº 1;
• art. 59º, nº 2;
• art. 88º;
• Art. 75º.
Fora desses casos especiais, o trabalhador incorre em desobediência se, não tendo solicitado
expressa e fundadamente a dispensa, se recusa a efetuar o trabalho ordenado. Mas a
desobediência é legítima quando não se verifiquem os pressupostos indicados no art. 227º ou
sejam ultrapassados os limites do art. 228º: estar-se-á perante ordens ilegítimas do empregador,
para as quais, aliás, a lei comina sanções.
A dispensa deve ser concedida nos termos do art. 227º, mas pode ser recusada se o pressuposto
ai referido não ocorrer, segundo o critério do empregador. Se houver recusa da dispensa, o
trabalhador não está legitimo a desobedecer à ordem de prestação de trabalho extraordinário.
O CT (art. 268º) estabelece os acréscimos remuneratórios. Este acréscimos incidem sobre o valor
do salário-hora, calculado pela fórmula do art. 271º. Assim, uma hora suplementar em dia útil
75
Frequência – Trabalho I
implica que, para além da sua renumeração, o trabalhador receba o valor de 1,25 vezes a sua
retribuição horária.
Os arts. 229º e 230º CT exprimem uma forte inflexão do entendimento legislativo nesta matéria,
reduzindo o direito a descanso compensatório a duas únicas situações de prestação de trabalho
suplementar:
Para além dos casos de trabalho suplementar, a lei configura ainda, no art. 269º, nº 2 uma
hipótese de descanso compensatório relativamente trabalho normal; o que é prestado em dia
feriado, em empresa que não esteja obrigada a encerrar nesse dia. O empregador tem, nesses
casos, a faculdade de optar entre atribuir ao trabalhador um descanso compensatório
equivalente a metade das horas de trabalho prestadas ou pagar-lhe mais 50% da retribuição
diária.
Art. 223º.
Art. 266º, nº 1, 2 e 3.
Para além do tratamento retributivo, o trabalho noturno é rodeado, pela lei, de um conjunto de
cautelas destinadas a prevenir ou reduzir os efeitos dessa atividade sob os pontos de vista da
segurança e da saúde no trabalho.
Art. 224º
O trabalho noturno está vedado antes dos 16 anos; e mesmo dos 16 aos 18 anos, ele só e
admissível com observância de um apertado condicionamento legal – art. 76º.
Art. 87º, nº 1, al b) e nº 2.
76
Frequência – Trabalho I
Art. 248º, nº 1.
A não prestação de trabalho suplementar não é atendível como falta. Aqui haverá desobediência
ilegítima.
Nem sempre a falta constitui uma situação de incumprimento da obrigação de trabalho: art.
249º, nº 2, al. j).
B) Modalidades e efeitos
2. As modalidades
• Injustificadas
Art. 249º - contem uma lista de situações típicas que são suscetíveis de justificarem a não
comparência no trabalho, lista essa que se apresenta como exaustiva (nº 3).
De resto, todo o regime das faltas é insuscetível de modificação por convenção coletiva ou
contrato individual (art. 250º).
Mas o carácter "taxativo" do elenco do art. 249° não oferece obstáculo a que a justificação de
faltas seja praticamente isenta de limites. Basta ver que a al. i) contempla faltas "autorizadas ou
aprovadas pelo empregador", o que torna evidente que, em grande medida, a problemática da
justificação de faltas está dominada por juízos de oportunidade e conveniência do mesmo
empregador. Na verdade, qualquer falta, seja qual for a sua motivação, pode ser autorizada,
aprovada (ou ignorada) pelo empregador.
Depois, o elenco constante do art. 249º CT nem sequer abrange a totalidade das situações em
que a ausência do trabalho é legalmente admitida.
Art. 255º
Art. 256º
77
Frequência – Trabalho I
Essa descontinuidade pode ser causada por situações diversas, que se reconduzem, de um modo
ou de outro, à impossibilidade superveniente temporária da prestação de trabalho, quando não
seja imputável (a título de culpa) ao trabalhador.
Como se verá, essa impossibilidade tanto pode resultar de um obstáculo que surja na esfera
pessoal do trabalhador (uma doença, por exemplo) como do facto de a empresa não querer ou
não poder receber a prestação de trabalho.
Mas a suspensão do contrato não está ligada, pela lei, apenas a situações de impossibilidade
temporária da sua execução. O mesmo mecanismo pode surgir como instrumento de resposta
para crises empresariais graves - aí mediante decisão do empregador -, visando impedir que
estas redundem na destruição de empregos.
Para além desses casos, a suspensão do contrato de trabalho pode dar-se também como efeito
de um acordo entre o trabalhador e o empregador. Em tais hipóteses, não poderá decerto falar-
se de impossibilidade da prestação de trabalho, mas sim de uma modificação convencional do
contrato de trabalho, através da qual as partes utilizam a suspensão como instrumento para
certos fins úteis.
Os efeitos:
78
Frequência – Trabalho I
4. impossibilidade temporária
Não existe, por outro lado, um limite máximo definido para estes casos de impossibilidade
temporária - ou seja, uma fronteira exata a partir da qual se passe a considerar definitiva, com
o conhecido efeito da cessação do contrato por caducidade (arts. 296º, nº 4 e 343º)
Significará isto que se tenha por temporário -um impedimento de qualquer duração, mesmo de
dez ou vinte anos, enquanto se não tornar provadamente definitivo?
• A resposta que deve ser dada a esta questão interessa apenas, obviamente, para os
casos em que o impedimento não é determinado por via legal pois, quando o é, a
transitoriedade do obstáculo mede-se pela própria duração da situação definida pelas
respetivas normas. Fora desse círculo de hipóteses, o carácter temporário ou definitivo
da impossibilidade há-de decorrer da aplicação de um critério de ponderação dos
interesses em vista dos quais as partes se vincularam É no quadro de tal critério que
deve inserir-se o disposto no art. 295º, nº 3: se o contrato tiver sido celebrado a prazo,
a suspensão não obsta ao decurso deste, nem à eventual caducidade do vínculo, se se
esgotar.
Há que estabelecer ligação com o regime das faltas: as situações capazes de justificar a não
comparência ao trabalho determinam a suspensão do contrato se se prolongarem por mais de
um mês.
79
Frequência – Trabalho I
Mas, por outro lado, é preciso que a situação impeditiva não seja imputável ao trabalhador. Caso
contrário, estar-se-á perante a situação de incumprimento culposo.
Há, todavia, que acautelar dois aspetos importantes: Em primeiro lugar, a imputação envolve
aqui a culpa grave do trabalhador, não diz respeito à mera causalidade relativamente ao
obstáculo surgido, nem tão pouco ao eventual descuido da sua conduta.
É necessário que a sua conduta possa qualificar-se como culposa, não em termos de mera
negligência, mas envolvendo intencionalidade - que seja, em suma, imputável a título de dolo.
Por outras palavras, a suspensão não atuará somente se a impossibilidade da execução do
trabalho tiver sido voluntariamente provocada pelo trabalhador.
6. Efeitos
Art. 295º, nº 1: esta regra surge incorporada no regime geral da suspensão, o que,
nomeadamente, pareceria implicar a exoneração do débito retributivo do empregador em todas
as situações contempladas pela lei, incluindo as que nasçam de pactos inerentes ao empregador
ou à empresa.
Resulta do silêncio da lei que a suspensão por impedimento do trabalhador implica a cessação
temporária do crédito salarial. Tal consequência pode ser compreendida à luz da teoria das
esferas de atividade.
A prestação de trabalho pode também ser temporariamente impedida pelo encerramento total
ou parcial da empresa ou estabelecimento onde se situa o local de trabalho. Nestes casos,
mantém-se o carácter não imputável ao trabalhador do obstáculo determinante da
impossibilidade. Mas, para além disso, ocorre uma vincada diferença de natureza entre tais
situações e as de impedimento ligado ao trabalhador.
80
Frequência – Trabalho I
Nos outros casos, pelo contrário, a prestação de trabalho é executada por não ocorrer a
cooperação creditória que, constituindo ónus do credor no comum das relações obrigacionais
(art. 813º CCiv.), ganha no domínio do vínculo laboral uma singular acentuação. Por não se
verificar tal condição é que a prestação de trabalho se torna impossível.
É desse pressuposto que arranca o legislador ao estabelecer o art. 309° CT. Não se trata,
propriamente, de uma fórmula de repartição de risco entre empregador e trabalhador, mas
antes de um incentivo ao empregador para que este considere e trate a situação como
temporária (mantendo os contratos de trabalho) e não definitiva. Assim tem-se três notas
gerais:
1. a impossibilidade da prestação de trabalho pode, nestes casos, ter base voluntária (por
parte do empregador, como é óbvio);
Art. 309º, nº 1, al. c) – consagra uma lata faculdade de disposição por parte do empregador,
relativamente à continuidade do processo de laboração da empresa ou estabelecimento.
Essa faculdade tem, necessariamente, que ser articulada com a proibição legal de
certo tipo de decisões de encerramento da empresa ou estabelecimento: as que
se compreendem na noção de lock-out.
81
Frequência – Trabalho I
O art. 544º do CT, na linha do art. 57º CRP estabelece aquela proibição.
Art. 544º, nº 1 – permite destacar o elemento intencional como denominador comum às várias
cambiantes que o conceito assume.
O empregador para afastar o lock-out pode ter que demonstrar que o encerramento é
determinado por razões de ordem técnica ou económica ou por outros motivos menos
objetivos, mas de carácter não conflitual.
9. Regime salarial
O trabalhador mantém, pois, nos casos do art. 309º, nº 1, al. b) CT, o direito à retribuição, tal
como se a prestação de atividade se mantivesse dentro da normalidade.
Estas noções são aqui chamadas, não na sua sede própria, quer dizer, a propósito da situação
do devedor impossibilitado de cumprir (no caso, o trabalhador) - mas tendo em vista a falta da
cooperação creditória, isto é, a situação do empregador que deixa de oferecer a oportunidade
e as condições materiais necessárias à execução da prestação de trabalho.
12. Os pressupostos
A aplicação do regime do art. 309º, nº 1, al. a) CT exige algo mais do que a mera ausência de
culpa da entidade patronal:
82
Frequência – Trabalho I
outras palavras, que as circunstâncias concretas não comportem uma outra opção,
nomeadamente conduzida por critérios técnicos ou económicos).
• por outro lado, o facto de a sobrevivência da empresa ficar, ela própria, ameaçada,
dependendo de um esforço económico e organizativo que o empresário pode
empreender ou não.
Art. 298º, nº 1, configura dois expedientes para ocorrer a situações de crise empresarial:
Art. 300º, nº 3.
À escolha dos contratos de trabalho a suspender (ou a "reduzir") não pode considerar-se
indiferente.
83
Frequência – Trabalho I
Também esta modalidade de suspensão ou redução pode ser encarada como um instrumento
de segurança do emprego. Esta ideia é reforçada pelo art. 303º, nº 2 que impede o empregador
de fazer cessar os contratos de trabalho afetados por tais medidas, enquanto durar a aplicação
delas e mesmo em certo prazo depois de essa aplicação terminar. Esta regra comporta exceções
compreensíveis: cessação de comissão de serviço, cessação de contrato a termo, ou
despedimento disciplinar.
Também nestes casos se suscita o problema do destino do crédito retributivo. Ele assume, até,
particular acuidade, pois a suspensão tem justamente como primeiro objetivo poupar nos custos
salariais.
O princípio a partir do qual se constrói a resposta legal é o de que, não havendo prestação efetiva
de trabalho, não é devido o salário.
No caso de suspensão do contrato propriamente dita, a compensação pode ser o único ganho
do trabalhador, ou, se este exercer a faculdade reconhecida no art. 304º, nº 1, al. c), destinar-
se a complementar a remuneração auferida por trabalho prestado fora da empresa, até se
perfazer o valor garantido. O montante da compensação é assim variável, podendo até reduzir-
se a nada.
Deste modo, há sempre redução de custos para a empresa naturalmente mais importante no
caso de suspensão do que no de redução de atividade.
O primeiro passo desse procedimento consiste numa comunicação escrita, dirigida pelo
empregador a uma estrutura interna de representação dos trabalhadores, ou a cada um dos
visados, se tal estrutura não existir, em que se manifesta a intenção de promover a suspensão
ou redução e se fornecem informações relativas aos fundamentos de tal propósito (art. 299º, nº
1). Além disso, o empregador está agora obrigado a expor, para consulta, os pertinentes
suportes documentais, de natureza contabilística e financeira, de modo a permitir a perceção
das características e da dimensão da crise empresarial invocada.
84
Frequência – Trabalho I
"informações e negociação" (cinco dias) - prazo cuja extensão, por consenso, nada parece
impedir - revela, por um lado, a preocupação de celeridade que a gravidade da situação de crise
empresarial pode justificar.
Art. 300º nº 4 e 5.
Art. 307º, nº 2
A decisão de suspensão e/ou redução deve ser transmitida, por escrito, com indicação do motivo
e das datas de início e termo, a cada um dos trabalhadores afetados (art. 300º, nº 3). Na verdade,
a suspensão dos contratos de trabalho e/ou a redução de atividade, nesta modalidade, têm,
necessariamente, duração definida. Essa duração deve ser previamente fixada e tem como
limite normal seis meses. Em casos mais graves chega a um ano.
Estes prazos podem ser alargados, por mais seis meses (art. 301º, nº 3).
A decisão de suspensão e/ou redução é exequível, em regra, depois de decorridos cinco dias
sobre a data da sua comunicação aos trabalhadores, mas pode ser posta em prática
imediatamente em duas hipóteses: a de acordo com os trabalhadores ou seus representantes e
a de "impedimento imediato a prestação normal de trabalho" conhecido pelos trabalhadores
(art. 301º, nº 2).
A suspensão dos contratos de trabalho pode, no entanto, terminar antes do tempo previsto, por
intervenção administrativa. Essa intervenção cabe aos serviços da inspeção do trabalho Tal
decisão pode fundar-se em razões de fundo ou de forma, como resulta do art. 307º, nº 2.
A redução de atividade constitui, por vezes, face à suspensão de contratos de trabalho, uma
alternativa ajustada a situações práticas de natureza idêntica. O CT engloba os dois institutos
num mesmo conjunto de preceitos. Trata-se aqui, ainda, das possíveis consequências jurídicas
de perturbações no funcionamento das unidades produtivas, quer envolvam decisões
gestionárias (correntes ou de emergência) dos titulares das empresas, quer resultem de caso
fortuito ou de força maior.
Art. 298º, nº 2
85
Frequência – Trabalho I
Em primeiro lugar, há que considerar as hipóteses em que a redução surge como alternativa ao
lay-off, ou seja, constitui medida de resposta a uma crise empresarial.
O regime dos arts. 298º e ss. CT é, todo ele, formulado tendo em vista o binómio «redução ou
suspensão».
Art. 305º, nº 3.
O local de trabalho faz parte do objeto do contrato. Trata-se de um elemento relevante para a
situação socioprofissional do trabalhador e, desde logo, para a sua posição contratual. A
determinação do trabalho caracteriza-se, assim, pela contratualidade: ela resultará sempre de
acordo.
Quer como elemento do objeto do contrato, quer pela sua potencial relevância sob o ponto de
vista dos interesses dos contraentes, o local de trabalho é também marcada pela essencialidade.
Não pode deixar de ser um fator básico no processo de formação da vontade contratual, quer
do empregador, quer do trabalhador. Para o primeiro, é um parâmetro fundamental da
organização do trabalho e do processo produtivo; para o segundo, é um dos polos da
organização de vida pessoal e familiar.
86
Frequência – Trabalho I
E, na verdade, tem que admitir-se que a noção de local de trabalho corresponda a realidades
concretas variáveis, em função da finalidade das normas que a utilizam como referencial.
• Art. 129º, nº 1, al. f). O princípio de transferência para outro local funda-se na
necessidade de assegurar estabilidade à posição profissional do trabalhador com
reflexos na sua vida familiar e social;
• Art. 277º, nº 1;
• Etc.
A lei formula, no art. 129º, nº 1, al. f) CT, um principio segundo o qual é proibido o empregador
transferir o trabalhador para lugar diferente do contratado. Esse princípio, para o qual foi
cunhada a denominação de “inamovibilidade”, situa-se na linha da consideração do local de
trabalho como elemento do objeto do contrato – como tal, em princípio, insuscetível de
modificação por decisão unilateral de um dos contraentes.
4. A inversão do princípio
Arts.194º - 196º.
87
Frequência – Trabalho I
Em todo o caso, esse «resultado» não é automático - como a sucessão na posição contratual do
empregador por parte do adquirente do estabelecimento -, dever-se-á a uma decisão da
entidade patronal quanto à determinação dos trabalhadores afetados pela mudança.
6. A oposição do trabalhador
O único meio de resistência à alteração do local de trabalho, nesses casos, parece consistir na
resolução do contrato (art. 194º, nº 5), procedimento que, seguindo a letra da lei, o trabalhador
só pode adotar "se houver prejuízo sério". O exercício desse direito de resolução dará lugar à
compensação fixada, para o despedimento coletivo, no art. 366º.
Trata-se de uma "alteração substancial e duradoura das condições de trabalho" que, nos termos
gerais, autorizam a resolução, embora sem indemnização.
Para aquém das situações mais graves, haverá que considerar duas possibilidades de reação
negativa legítima do trabalhador perante a transferência: a resolução nos termos do art 394º,
nº 3 (se puder considerar-se que a mudança de local significa "alteração substancial e
duradoura"); e a denúncia nos moldes do art. 400º, isto é, com aviso prévio.
C) A transferência individual
7. As modalidades
O art. 195º CT prevê, especificamente, uma hipótese em que o trabalhador adquire mesmo o
direito de ser transferido: a de se tratar de vítima de violência doméstica. Para que tal regime
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Frequência – Trabalho I
se aplique é, porém, necessário, em primeiro lugar, que haja outro estabelecimento da empresa;
e, depois, é preciso que exista já queixa-crime e que à transferência se ligue a mudança de
residência (nº 1). Nestas condições, o empregador só pode adiar (não recusar) a transferência
por «exigências imperiosas ligadas ao funcionamento da empresa ou serviço» ou por, de todo,
não existir posto de trabalho disponível (nº 2). Em caso de adiamento, o trabalhador tem o
direito de suspender o contrato até à consumação da transferência (nº 3).
Quanto às transferências no interesse do empregador, aplica-se o regime dos arts. 194° e 196°
CT.
Art. 194º, nº 5.
Ele contém um remédio específico para as transferências definitivas, de qualquer tipo, que
sejam de molde a causar prejuízo sério aos trabalhadores afetados. Mas não se trata de um
remédio único para a salvaguarda do interesse do trabalhador - muito pelo contrário. Existem
várias alternativas para a oposição à transferência. Assim:
A natureza e a extensão de tal «prejuízo» não são suscetíveis de uma definição abstrata: a
determinação do «prejuízo sério» depende sempre do confronto entre as características da
alteração unilateral do local de trabalho e as condições de vida do trabalhador.
De resto, o carácter virtual do «prejuízo sério» implica uma ponderação de condições concretas
que podem, como se viu, pertencer ao foro privado do trabalhador. Os fundamentos do direito
à conservação do local de trabalho relacionam-se muito estreitamente, com a tutela de
interesses Pessoais (e não tanto profissionais) do trabalhador". A consideração de uma
transferência como «causa adequada» de prejuízos importantes só pode resultar de uma análise
das condições concretas da organização de vida do trabalhador, que são justamente o objeto de
tutela da garantia de inamovibilidade.
Por outro lado, é necessário que o prejuízo expectável seja sério, assuma um peso significativo
em face do interesse do trabalhador, e não se possa reduzir à pequena dimensão de um
89
Frequência – Trabalho I
O tratamento desta matéria no Código do Trabalho está marcado pela afirmação da sua
imperatividade absoluta. Excetuam-se somente certos aspetos quantitativos: indemnizações e
prazos (art. 339º).
As consequências não podem ser excluídas, por convenção coletiva ou estipulação individual,
quaisquer das modalidades pelas quais o contrato pode cessar, como não podem ser alterados
os respetivos pressupostos e consequências. O âmbito de intangibilidade abrange os aspetos
materiais (fundamentação) e formais (procedimento) dos regimes de cada uma dessas
modalidades.
Depois, caberá indagar de que modo ou em que medida os efeitos económicos da cessação do
contrato são afetados pela afirmada imperatividade do regime legal. Os preceitos que se
referem ao tema não são inequívocos. Por um lado, admite-se que "os critérios de definição de
indemnizações" sejam regulados por convenção coletiva de trabalho (nº 2 do artigo citado). Por
outro, aceita-se que "os valores de indemnizações" sejam regulados pela mesma via, mas
"dentro dos limites deste Código" (nº 3).
O art. 340º
Consiste num negócio jurídico bilateral extintivo: um contrato cujo objeto consiste em fazer
cessar o contrato de trabalho.
Na vasta maioria dos casos, resulta de iniciativa do empregador, tendo ou não como pano de
fundo um projeto de eliminação do posto de trabalho, em termos individuais ou coletivos.
90
Frequência – Trabalho I
Trata-se de um negócio formal: a lei exige documento escrito e assinado por ambas as partes
(art. 349º, nº 2), em desarmonia com o princípio válido para a celebração do contrato".
2. Os efeitos da revogação
Contudo, também não ficam neutralizados os créditos e débitos existentes entre os sujeitos por
virtude da execução do contrato revogado.
É, porém, usual que o acordo revogatório confira ao trabalhador uma compensação pecuniária.
Se é o trabalhador que pretende libertar-se do é natural que não ocorra o pagamento de
qualquer compensação.
3. A compensação pecuniária
Art. 349º, nº 5
O trabalhador tem sempre que provar os seus créditos e ao empregador cabe demonstrar que
os satisfez.
Art. 349º, nº 4 – a natureza global aqui aludida consiste da indiscriminação dos títulos ou
fundamentos pelos quais o montante pecuniário em causa é estabelecido e pago.
4. A remissão abdicativa
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Frequência – Trabalho I
5. A prevenção da fraude
O art. 350° admite a revogação, pelo trabalhador, do acordo de cessação do contrato de trabalho
até ao sétimo dia seguinte à data em que esse acordo produza efeitos. Essa revogação é um ato
formal, pois deve constar de "comunicação escrita" ao empregador.
Todavia, a faculdade de revogação unilateral do acordo extintivo não existe se este acordo,
estando devidamente datado, tiver as assinaturas das partes com "reconhecimento notarial
presencial" (art. 350º, nº 4).
Se tal garantia não existe, funciona então a válvula de escape em que se traduz a faculdade de
revogação unilateral do acordo extintivo por parte do trabalhador.
Se este realmente concorreu com a sua vontade para a extinção do contrato de trabalho, sendo
até, porventura, beneficiário de compensação financeira, não é provável que, nos dois dias úteis
seguintes, venha voltar atrás nessa decisão. Mas terá oportunidade, através da revogação, de
inutilizar um pseudo-acordo para o qual a sua vontade real e atual não contribuiu.
II. A caducidade
A) As causas de caducidade e o suposto automatismo da cessação do contratual
7. As causas de caducidade
Art. 343º
Art. 388º, nº 1
Art. 389º, nº 1 -> art. 144º. Estas comunicações são demasiados semelhantes a declarações
resolutivas para que se possa continuar a dizer-se que os contratos cessam “automaticamente”.
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Frequência – Trabalho I
Art. 343º, al. b) – contraria a ideia de cessação automática, mormente se esse preceito for
conjugado com o disposto no art. 359º.
Mas não é apenas a morte do trabalhador que determina a impossibilidade definitiva a que
alude o texto legal. Tal impossibilidade pode resultar de pera. de capacidade do trabalhador
para a execução da prestação de trabalho, como foi estipulada.
Essa perda pode ser total e definitiva, justificando o reconhecimento de uma situação de
invalidez e o acesso a uma pensão de "reforma", nos termos da alia Mas não é, com certeza,
essa a situação visada na al. b).
Notar-se-á que este texto se refere a uma impossibilidade de o trabalhador prestar "o seu
trabalho", isto é executar a prestação contratada.
Nas situações em que a impossibilidade seja determinada por doença ou pelas consequências
de acidente não laboral, pode operar, inicialmente, o regime da suspensão do contrato por
impedimento prologado resultante de facto ligado ao trabalhador (art. 296º), e desse regime
poderá transitar-se para a caducidade "no momento em que seja certo que o impedimento se
torna definitivo" (nº 4 desse artigo).
9. A impossibilidade do empregador
Art. 346º .
Em qualquer dos casos a que o art. 346º se reporta, supõe-se a inexistência de condições para,
após o desaparecimento da entidade empregadora, prosseguir a atividade da empresa ou
estabelecimento.
Art. 346º, nº 3
Art. 366º
93
Frequência – Trabalho I
O mesmo regime se aplica nas situações em que tenha sido declarada judicialmente a
insolvência do empregador (art. 347º CT).
Art. 347º, nº 4.
De qualquer modo, o regime legal parece não se ajustar a um tipo de situações que, de resto,
não será excecional: o de abandono da empresa após o desaparecimento do seu titular
(individual ou coletivo) sem sucessão. A lei supõe que em todos os casos haverá entidades
responsáveis pela gestão da situação, e que às mesmas incumbirá "preparar" o encerramento.
Para além disso, a impossibilidade de "receber" a prestação de trabalho - ou, por outros termos,
a inviabilidade da cooperação creditória por parte do empregador - pode ocorrer sempre que a
atividade em cujo contexto se enquadre aquela prestação deixe (definitivamente) de ser
possível, por causas exteriores à organização.
Antes de mais, havia que fixar o momento da cessação do contrato (por caducidade) no caso de
obtenção da reforma pelo trabalhador.
Assim, a primeira condição factual para que a caducidade possa atuar nestes casos é o
conhecimento da concessão do direito à pensão, tanto por parte do trabalhador como por parte
do empregador. O trabalhador, para além de tomar a iniciativa do processo, ao requerer a
pensão, é, necessariamente, notificado do reconhecimento do direito respetivo. Mas o
conhecimento por parte do empregador, em muitas situações, depende de informação do
trabalhador. Esta informação, que face à letra da lei não parece obrigatória, deve entender-se
coberta, em geral, pelo princípio de boa fé consagrado no art. 126º, nº 1 e, especialmente, pelo
dever de informação que o art. 106º, nº 2 impõe ao trabalhador.
• Colocando-se numa perspetiva pragmática, a lei não fixa um momento preciso para a
caducidade; tendo em conta que a reforma não é (ou pode não ser) materialmente
impossibilitante da prestação de trabalho, oferece-se ao empregador (e também ao
trabalhador) certa margem para a escolha do momento em que o contrato há-de cessar.
Esse momento localizar-se-á necessariamente dentro dos trinta dias subsequentes ao
conhecimento, por ambas as partes, da reforma, como resulta do art. 348º, nº 1 CT.
94
Frequência – Trabalho I
O efeito extintivo da reforma depende não só do conhecimento pelo empregador, mas também,
em última análise, da vontade das partes.
O legislador admite que a relação factual de trabalho prosseguisse para além da reforma do
trabalhador, desde que isso conviesse a ambos os interessados.
Art. 348º, nº 1.
a) o empregador, o trabalhador, ou ambos decidem por termo, num dos trinta dias
subsequentes, à relação factual de emprego, e o contrato cessa nesse momento ficando
as partes definitivamente desvinculadas;
Nos termos do art. 348º, nº 3, a passagem ao regime de contrato a termo certo de seis meses,
por força da lei, se aplica aos trabalhadores que atinjam 70 anos de idade de requerem a reforma
por velhice, mantendo-se assim, ao serviço da empresa. No momento em que aquela idade seja
atingida, inicia-se o primeiro período de 6 meses, no termo do qual o empregador poderá fazer
cessar o vínculo.
O despedimento
Do ponto de vista legal, despedimento é apenas a declaração negocial ou extintiva
unilateralmente feita pelo empregador. Esta é a primeira noção a reter.
A segunda noção que temos de ter em conta é que toda esta matéria está nominada por um
preceito constitucional, previsto no art. 53º CRP, em que se proíbe expressamente o
despedimento sem justa causa. Ou seja, o despedimento tem de ter, para ser um ato válido e
eficaz, uma motivação suscetível para ser considerado justa causa.
Justa causa é a noção que se retira da própria lei. Há vários autores que defendem que todos os
despedimentos têm de ser justificados, não pode prevalecer despedimentos feitos sem
nenhuma motivação, o que aliás, em legislação anterior, acontecia, era admitido esse
despedimento sem indicação do motivo, desde que houvesse indemnização.
Hoje isso já não existe, mas não é apenas a exigência de uma justificação que torne
compreensível esta afirmação, que não é uma justificação razoável qualquer que está aqui em
causa, basta decorrer as várias formas de despedimento quando se referem à natureza da
justificação.
95
Frequência – Trabalho I
Modalidades
O art. 351º CT trata da noção da justa causa de despedimento na primeira subespécie, que é
despedimento por facto imputável ao trabalhador. É, no fim de contas, o despedimento
enquanto sanção disciplinar que, como diz o artigo, se deve a um “comportamento culposo do
trabalhador”.
Mas não basta que o empregador invoque esta justificação, que houve um comportamento
culposo do trabalhador, é preciso, pela sua gravidade e consequência, que esse comportamento
culposo torna “imediata e praticamente impossível a subsistência da relação de trabalho”. Não
se trata aqui de uma impossibilidade material, esta impossibilidade prática é uma
inexigibilidade, ou seja, o que isto quer dizer é que o empregador, face ao comportamento
culposo do trabalhador, tem tais consequências que não se pode exigir ao empregador que
continue vinculado àquele trabalhador.
É uma justificação extrema, que transforma o despedimento num último recurso, não se pode
exigir a um empregador que mantenha um contrato com um trabalhador que age daquela
maneira tão grave. Impossibilidade prática do prosseguimento das relações de trabalho igual a
inexigibilidade de manutenção do vínculo por parte do empregador.
Art. 368º nº1 b) CT. Pode-se dizer que é praticamente impossível essa situação de
prosseguimento da relação de trabalho no art. 368º nº4 CT, ou seja, quando a recolocação do
trabalhador não seja viável, nesse caso não pode ser exigido ao empregador que mantenha no
quadro da empresa aquele trabalhador. Deixa de ser exigido ao empregador manter o vínculo
com esse trabalhador.
Ou seja, não havendo outra solução para aquele trabalhador, que se mostra inadaptado à função
nas condições concretas que tem de exercer, não havendo outra função que possa ser atribuída
a ele, torna-se praticamente impossível o procedimento da relação de trabalho.
Portanto, a noção de justa causa trata-se de situações em que, por causas diversas, se torna
praticamente impossível, ou seja, inexigível ao empregador o prosseguimento da relação de
trabalho.
O art. 53º CRP leva-nos ao sentido dessa existência de justa causa do despedimento e leva-nos
a ter presente que todos os despedimentos individuais em que não ocorra uma situação
96
Frequência – Trabalho I
O despedimento individual é tratado como ato que só pode ser lícito se não houver outro
recurso, outra alternativa. Está, portanto, sujeito àquela exigência de justa causa que o torne
um ato sem alternativa. Há uma exigência muito forte de justificação por parte da lei no que
toca aos despedimentos individuais de qualquer das espécies, essa exigência não se verifica no
despedimento coletivo.
Art. 359º CT - verificamos que o legislador exige apenas que o empregador possa invocar
fundamentos de certa natureza, fazendo apenas, é o que ocorre nos artigos seguintes, dois tipos
de exigência:
Logo, a primeira exigência diz respeito à veracidade dos factos que são imputados pelo
trabalhador e a segunda exigência é a congruência entre o despedimento feito e o motivo
indicado.
Desde que se verifique essa natureza objetiva dos fundamentos, que os factos invocados para
consubstanciar a justificação ou fundamentação do despedimento sejam verdadeiros e que o
despedimento seja congruente com os fundamentos invocados, o despedimento é lícito e válido
ainda que porventura existe alternativa.
Há uma exigência muito menos intensa de justificação no despedimento coletivo. Isto quer dizer
que o despedimento individual está alicerçado no objetivo de máxima garantir estabilidade ou
segurança no emprego. É o que visa a proteção máxima da estabilidade do emprego.
Por sua vez, o despedimento coletivo não se baseia no princípio da segurança do emprego, mas
sim na liberdade de empresa, princípio esse afirmado no art. 61º CRP e, portanto, o
despedimento coletivo é um instrumento da liberdade que a ordem jurídica reconhece aos
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Frequência – Trabalho I
Compreende-se assim porque o despedimento coletivo é uma medida que não é possível conter
em absoluto, quer dizer, é possível controlar em termos de se exigir que ela não seja
discriminatória e, daí, essas exigências de veracidade e de congruência. Mas, a partir do
momento em que existem os motivos que o empregador invoca, a ordem jurídica não se opõem
a que os empregos envolvidos sejam destruídos.
No despedimento individual o que está em causa é a relação direta entre patrão e trabalhador,
é verdadeiramente uma relação de supremacia que o empregador tem sobre o trabalhador e a
possibilidade de que a ameaça do despedimento seja utilizada como arma de reforço e exercício
dessa supremacia pessoal. É por isso que houve em Portugal a revolução democrática, uma das
medidas aplicadas foi uma medida de restrição forte do despedimento individual sem que o
legislador tivesse interessado no despedimento coletivo. No despedimento individual não, é o
empregador que manda no trabalhador, pode estabelecer uma relação de poder mais forte pelo
facto de haver o medo do despedimento.
Quanto à questão da motivação ou justificação, é requerida uma justa causa, que é uma situação
de impossibilidade prática do procedimento da relação do trabalho, como resulta do art. 351º
CT, e que essa impossibilidade decorre de um comportamento culposo do trabalhador que tem
um grau elevado de culpa e/ou consequências de particular gravidade.
São aquelas infrações que geram inexigibilidade que deixa de ser razoável exigir a alguém que
se mantém vinculado a um trabalhador que se comporte dessa maneira.
Quanto ao procedimento, está previsto no art. 352º e ss. CT. Incorpora a possibilidade de existir,
ou não, de um inquérito prévio. Isto quer dizer que o procedimento disciplinar, em relação a
qualquer sanção, obedece a uma exigência é um meio de satisfazer essa exigência que consta
do nº6 do art. 329º CT. Este é o princípio fundamental que explica a exigência do processo
disciplinar, que se destina a garantir a concretização dessa exigência de audiência prévia do
trabalhador. Audiência prévia que não se limita a ouvir, é no sentido de o trabalhador se
defender. É um procedimento que permite ao trabalhador seja ouvido e possa se defender.
• Primeiro, para que o trabalhador possa se defender, há um requisito básico, que é saber
do que está a ser acusado e, portanto, há uma peça fundamental do processo chamada
nota de culpa, que está previsto no art. 353º nº1 CT, e que tem de obedecer.
Portanto, a comunicação ao trabalhador dos factos concretos de saber do que está a ser
acusado.
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Frequência – Trabalho I
Essa situação não é a própria extinção do posto de trabalho, mas o facto de na sequência não
ser possível manter o contrato de trabalho ou o trabalho manter o posto de trabalho que foi
extinto.
Portanto, não sendo possível, a lei encarrega-se de explicar, que está previsto no art. 368º nº4
CT. Aqui temos de fazer uma interpretação corretiva da expressão da lei. O que está aqui em
causa não é apenas a questão da compatibilidade entre o posto de trabalho que o empregador
encontre para recolocar o trabalhador com a categoria profissional deste.
Pode acontecer que o posto de trabalho alternativo, que permite manter o contrato de trabalho
com o trabalhador, não seja compatível com a categoria profissional dele,
O que é importante aqui é que haja uma proposta de trabalho que o trabalhador aceite.
O art. 119º CT permite a mudança do trabalhador para categoria inferior àquela em que se
encontra contratado. A lei ainda permite a situação que pode viabilizar a continuidade do
vínculo. Tendo em conta o art. 119º CT, é preciso fazer uma leitura corretiva como o art. 368º
nº4 CT.
Por outro lado, há uma exigência de procedimento. O procedimento que o empregador tem de
seguir para fundamentar a decisão de despedimento por extinção do posto de trabalho, está
previsto nos arts. 359º a 371º CT. É um procedimento que se traduz na prestação de informações
aos representantes do trabalhadores e ao próprio trabalhador envolvido, informações essas em
que se explica porque é que o posto de trabalho foi extinto e o facto de o empregador não
encontrar alternativa para a recolocação do trabalhador. É preciso que seja conhecido
previamente e, portanto, é um procedimento de informação e consulta.
É preciso ter em conta que, para além desse procedimento, o empregador não pode terminar o
procedimento e dizer ao trabalhador para ir embora. Terminado o procedimento, o empregador
tem de observar o prazo de aviso prévio, ou seja, nos termos do art. 371º nº3 CT, comunicar ao
trabalhador em causa a decisão de despedir, dando-lhe um espaço de tempo de pré-aviso que
varia com a antiguidade do trabalhador e vai ser uma dilação da produção do efeito extintivo.
Ou seja, o empregador comunica hoje que no dia x no futuro o contrato vai cessar e essa dilação
( prazo de aviso prévio ) depende da antiguidade do trabalhador, variando entre 15 e 75 dias
nos termos do nº3 do art. 371º CT. Portanto, o despedimento não pode ser imediato, pode ser
declarado após a consulta.
99
Frequência – Trabalho I
Não é essa inadaptação que pode ser invocada como justa causa. Mais uma vez, como já foi
apontado no art. 374º nº1 última linha CT, portanto, tenha como consequência a inviabilidade
do aproveitamento dos serviços, aptidões, remanescentes do trabalhador na própria empresa.
Não há outro lugar que possa ser atribuído ao trabalhador, não é possível mantê-lo a exercer
aquelas funções naquelas condições porque é perigoso, porque a produtividade é baixa, porque
é indispensável não ter um outro nível de qualidade e desempenho para que o posto de trabalho
esteja devidamente preenchido, portanto, não é possível mantê-lo ali, mas também não há a
capacidade de aproveitar a capacidade ou aptidões remanescentes e isto é que gera a justa
causa de despedimento.
Quanto ao procedimento, é diferente do que a lei exige para a anterior modalidade porque,
como se trata de uma situação em que o trabalhador não tem culpa, emprega o máximo de
diligências de que é capaz, mas não consegue, a verdade é que há uma desconformidade que o
trabalhador dá e o que o empregador quer.
• readaptação:
✓ formação
✓ período de adaptação
100
Frequência – Trabalho I
Aqui, segue-se o processo normal de consulta / informação / negociação, que está previsto no
art. 376º CT, e que culmina da decisão do despedimento com aviso prévio, com efeito diferido
nos termos do caso anterior, com prazo de 15 a 75 dias ( art. 378º CT ).
Aqui há um processo que começa na alínea b). É parecido ao processo disciplinar, mas aqui não
há culpa e o empregador transmite ordens adequadas ( alínea c) ). Portanto, a adaptação aqui é
um processo contraditório, ou seja, o empregador denuncia a perda de produtividade ou
qualidade, o trabalhador responde às razões para o qual isso está a acontecer e o empregador
dá as ordens para que a prestação de trabalho seja aquela que ele pede. Decorrida estas
categorias de procedimento, se não tiver resultados ou o trabalhador não voltar ao nível de
desempenho correspondente à expectativa do trabalhador, então, inicia-se um processo que
culmina no despedimento, que é de novo um processo de informação e consulta.
2. Despedimento coletivo
O despedimento coletivo também está sujeito a exigências de motivação e de um procedimento.
Já vimos que quanto à exigência de motivação, o art. 359º nº1 CT vai ao ponto de dizer o que é
que pode ser o fundamento do despedimento coletivo, desde que se verifica uma pluralidade
de contratos de trabalho cessa no mesmo momento.
Aqui, é preciso ter em atenção o art. 359º nº1 CT, que aponta dois fundamentos para o
despedimento coletivo:
101
Frequência – Trabalho I
Há aqui uma fase mais densa de negociação porque o despedimento coletivo envolve a
destruição de um conjunto de empregos.
Em qualquer modalidade, aplica-se um regime quanto às ilicitudes. Ilicitudes essas que podem
resultar da falta ou deficiência de justificação ou falta ou insuficiência de procedimento.
O primeiro princípio é que para que um despedimento seja ilícito, é preciso que o tribunal o
declare. Pode haver uma deficiência manifesta. Previsto no art. 387º CT.
O segundo princípio, um despedimento para ser ilícito e produzir consequências tem de ser
reconhecido pelo tribunal e, para ser declarado ilícito, tem de haver uma iniciativa do
trabalhador. O trabalhador tem de desencadear a impugnação judicial do despedimento. Mas
as consequências feitas pelo tribunal são:
• No art. 53º CRP, consta a proibição dos despedimentos sem justa causa, que implica
uma consequência a nível da lei ordinária, o despedimento que não obedeça às
condições legalmente previstas, é um despedimento necessariamente ineficaz. Isto tem
um conjunto de corolários que constam nos arts. 389º e ss. CT.
Há que ter em conta uma possibilidade, a lei que o trabalhador, antes de desencadear a
impugnação do despedimento, utilize uma providência cautelar chamada de suspensão do
despedimento, requer ao tribunal que suspenda o despedimento, como previsto no art. 386º
CT. A particularidade deste pedido é que o tribunal vai fazer um primeiro exame da tutela no
sentido de ficar com uma impressão acerca daquilo que vai ser despedido.
102
Frequência – Trabalho I
Se chegar à perceção de que há uma probabilidade séria, com o art. 39º Código Processo
Trabalho, se chegar à conclusão que há uma probabilidade séria do trabalhador ter razão, isto
é, do despedimento ser ilícito, então, o tribunal decreta a suspensão do despedimento.
Isto quer dizer que, durante o período até ao trânsito em julgado de uma decisão sobre a
ilicitude, tudo se passa como se o despedimento não tivesse ocorrido, recebe o salário e deveria
o trabalhador incorporá-lo, uma vez que está “inerte” o posto. Mas, o que normalmente ocorre
na prática, é que nem o trabalhador quer aquele trabalho, nem o empregador está interessado
a receber de volta o trabalhador. Portanto, o que acaba por acontecer é que, durante este
período intercalar, o trabalhador recebe o salário, mas não trabalha.
1. O trabalhador não faz nada, logo, o despedimento produz os seus efeitos como se fosse
válido independentemente de ter ou não algum defeito. Ou seja, tornará um
despedimento lícito;
2. O trabalhador decide impugnar o despedimento, mas quer ou não quer ficar à espera
do resultado dessa ação para poder recuperar o dinheiro e, eventualmente, o seu posto
de trabalho.
Nesta última situação, há-de considerar que o trabalhador durante este tempo, ou seja, entre
despedimento e decisão judicial final, está liberto de uma relação de trabalho porque o
despedimento produziu o seu efeito extintivo, o empregador nada paga e o trabalhador nada
faz. Por isso mesmo, a lei, no caso do despedimento ser considerado ilícito, vai garantir ao
trabalhador a recuperação daquilo que deixou de ganhar, mas também não lhe vai permitir que
beneficie mais do que isso. Portanto, se ele durante esse tempo conseguir emprego noutro sítio
e tiver rendimentos de trabalho, são deduzidos nos salários intercalares - rendimentos que ele
ganhou pelo facto de estar livre durante este período que vai do despedimento até à sentença
final.
Esta decisão não se limita a recuperar os efeitos do contrato como se o despedimento não
tivesse acontecido, trata também do futuro. O que se passa a partir dessa decisão judicial final
é que o despedimento é ilícito, todos os seus efeitos são recuperadas/apagados, o trabalhador
é reposto na posição em que estaria se não tivesse sido despedido, mas daqui a diante surge
uma particularidade do regime legal: o efeito primordial da declaração de ilicitude é o direito do
trabalhador à reintegração ( art. 389º nº1 b) CT ) ou indemnização ( art. 391º CT ).
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Frequência – Trabalho I
Primeiro, tem de receber os salários intercalares relativos a esse trabalho, admitindo que não
tenha tido nenhuma atividade remunerada, a primeira parcela será 900x28 que dará 25.200€.
Segundo, agora vamos admitir que entretanto arranjou um emprego que lhe deu o salário de
800€. Ou seja, vai deduzir à parcela conseguiu durante esse período 800€ por mês, vai receber
apenas 100x28 que dá 2.800€; [nota: o 100€ vem da distinção feita entre os 900€, do salário
base que recebia no antigo trabalho em que foi despedido, e os 800€ do novo trabalho]
Terceiro, vamos ainda admitir que no momento da decisão tem 7 anos de antiguidade, ele vai
receber 7 vezes e, tendo em conta que o salário dele é próximo do salário médio, embora seja
ainda um salário baixo, o juiz decide utilizar, não como fator os 45 dias de salário, mas 35 dias
de salário, sendo certo que o salário-dia é de 30€ ( calculado na base de 1 sobre 30 ). Temos
7x35x30 que dá 7.350€.
Se o salário for de 3.000€, o juiz irá utilizar um valor próximo dos 15 dias, provavelmente.
Se o valor que ele ganha do outro emprego, durante o período intercalar, for superior àquilo
que ele ganhava normalmente outro emprego, então, não recebe nada relativamente ao
período intercalar.
Para além da recuperação do tempo daquilo que o trabalhador deixou de auferir no período
entre o despedimento e a decisão final, e para além dos efeitos de reintegração ou
indemnização, o legislador ainda prevê que o despedimento tenha provocado prejuízos, para
além da perda do emprego, ao trabalhador, daí o art. 389º CT se preveja o direito do trabalhador
a ser indemnizado por todos os danos patrimoniais ou não patrimoniais.
Para além da perda do tempo e dos salários que deixou de receber, que são consequências
imediatas, ainda podem causar outros prejuízos:
Em esquema:
a) salário intercalar;
b) reintegração ou indemnização de antiguidade;
c) indemnização de prejuízos.
O futuro do contrato é decidido pelo trabalhador. É ele que decide se vai continuar a vigorar,
preferindo a reintegração, ou decide que não vai continuar a vigorar e opta pela indemnização.
Então, e o empregador?
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Frequência – Trabalho I
Não nos podemos esquecer que foi o empregador que fez um despedimento ilícito, portanto,
foi autor de um reprovado na ordem jurídica, mas está ele totalmente desprovido de meios para
se defender dessa situação?
Imagine-se que se trata de um trabalhador que esteve envolvido numa rixa no interior da
empresa e que foi despedido como responsável por essa rixa. Veio-se a demonstrar que não é
verdade e, em suma, é um despedimento ilícito. Mas, surge aqui uma situação complicada
relativamente a ele e adivinha-se que, se optar pela reintegração, vai haver de novo situações
complicadas porque há sentimentos de vingança, por exemplo.
O empregador não pode fazer nada? Tem de o readmitir, sabendo que vai haver problemas?
A lei concede, ainda que muito limitada no art. 392º CT, ao empregador a possibilidade de
obstar, pedindo ao tribunal que exclua o trabalhador da reintegração, fundamentando esse
pedido no facto de se prever graves perturbações no funcionamento da empresa. Aqui, o
tribunal é que decide se vai colocar de lado a reintegração que o trabalhador pediu.
Todavia, esta possibilidade só existe apenas em duas condições, que estão previstas no art. 392º
CT:
Nestes casos, o trabalhador tem de receber a indemnização. Indemnização cujo cálculo vai ser
modificado, nos termos do art. 392º nº3 CT, invés da faixa utilizada de valores ser de 15 a 45
dias, passa a ser no caso do tribunal excluir a reintegração desejada pelo empregador, a faixa
será de 30 a 60 dias, ou seja, a indemnização será melhor.
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