Soluções básicas:
Solução concentrada A
Solução concentrada B.
A solução concentrada A proporciona às plantas elementos nutritivos que são
consumidos em maior proporção ou quantidade.
A solução concentrada B proporciona elementos nutritivos que são requeridos em
menor quantidade ou proporção, mas que são essenciais para que as plantas consigam
realizar de forma normal os processos fisiológicos necessários para o seu bom
desenvolvimento e possam produzir frutos bonitos e abundantes safras.
Elementos que compõem cada solução concentrada:
Solução concentrada A:
Monoamônio fosfato
Nitrato de cálcio
Nitrato de potássio
Solução concentrada B:
Sulfato de magnésio
Sulfato de cobre
Sulfato de manganês
Sulfato de zinco
Ácido bórico
Molibdato de amônio
Quelato de ferro
Procedimento para a preparação de 10 litros da solução concentrada A:
Pesar na balança:
340 g de monoamônio fosfato
2.080 g de nitrato de cálcio
1.100 g de nitrato de potássio
Medir e verter 6 litros de água em um recipiente de 15 litros de capacidade.
Colocar os elementos já pesados seguindo a ordem indicada.
Dissolver utilizando o agitador até que esteja dissolvido por completo o
primeiro elemento.
Verter o segundo elemento dissolvendo-o por completo como o anterior.
Por último colocar o terceiro elemento agitando até conseguir uma
dissolução total de todos os elementos.
Completar com água até obter 10 litros e agitar por 10 minutos até ficar
sem resíduos sólidos.
Verter o conteúdo da mistura em recipiente de vidro ou plástico , etiquetar
e guardar em lugar arejado.
Procedimento para a preparação de 4 litros de solução concentrada B:
Pesamos na balança separadamente e seguindo a ordem:
492 g de sulfato de magnésio
0,48 g de sulfato de cobre
2,48 g de sulfato de manganês
1,20 g de sulfato de zinco
6,20 g de ácido bórico
0,02 g de molibdato de amônio
15-50 g de quelato de ferro
Medimos 2 litros de água em recipiente de plástico.
No recipiente com água colocamos um a um os elementos já pesados,
seguindo a ordem na qual foram pesados, dissolvendo cada um deles.
Dissolvemos pelo menos 10 minutos mais até ficar sem resíduos sólidos
dos componentes.
Completamos o volume de água até obter 4 litros e agitamos de novo para
dissolver a solução de forma uniforme.
Esvaziamos o conteúdo da solução num recipiente de vidro ou plástico,
etiquetamos e guardamos em local arejado.
Já temos prontas as soluções concentradas A e B.
Agora vamos ver como se prepara a solução nutritiva que vai se
aplicar ao cultivo.
Preparação da solução nutritiva e sua aplicação em substrato sólido:
Preparação:
Água solução concentrada A solução concentrada B
1 litro 5 cc 2 cc
5 litros 25 cc 10 cc
Passos para a preparação:
Exemplo: para 5 litros de água
Medir a quantidade de água necessária
Adicionar os 25 cc de solução concentrada A e misturar
Lavar com água limpa a seringa antes de medir a solução
concentrada B
Adicionar os 10 cc de solução concentrada B e misturar
Aplicação da solução nutritiva à rega diária:
Uma vez preparada a quantidade de solução nutritiva necessária procedese
à aplicação no substrato.
Lembre-se que: O volume da solução nutritiva a ser aplicada por metro
quadrado vária de 2,0 a 3,5 litros, dependendo do estádio de
desenvolvimento das plantinhas e do clima predominante na região.
Se utilizarmos a solução nutritiva em sementeiras e em clima frio
ou ameno, dá para uma superfície de 2,5 m2.
Por outro lado, se utilizarmos a solução nutritiva em plantas que
estão no período de floração ou na formação da suas partes
aproveitáveis e em clima quente, dá para 1,5 m2
aproximadamente.
Nos tínhamos preparado 5 litros de solução nutritiva, esta dará
para ....
Aplicação em sementeiras
Para sementeiras recomenda-se usar uma concentração media, isto é, a
metade da dose. Se você prepara 2 litros de água deve empregar 2,5 cc da
solução concentrada A e 1,0 cc da solução concentrada B.
Utilizar um regador de crivo fino, para evitar danos às plantinhas recémemergidas. A
aplicação deve-se fazer, de preferência, de manhã cedo.
Preparação e aplicação em raiz flutuante:
Calcular a quantidade de água, isto é, a capacidade do recipiente. Por
exemplo: se o recipiente é de 1 m2 e 10 cm de profundidade, a capacidade
em volume é de 100 litros
de água.
Calcular os volumes das soluções concentradas A e B de acordo com a
quantidade de água requerida. Se tenho 100 litros de água devo adicionar:
500 centímetros cúbicos da solução concentrada A e 200 centímetros cúbicos
da solução concentrada B.
Aplicar as doses das soluções
à água do recipiente.
Despejar os 500 cc de solução concentrada A, misturar e depois os 200 cc da
solução concentrada B.
Aeração: você deve agitar manualmente a água, ao menos duas vezes por
dia.
Recomendações
Nunca se deve misturar a solução concentrada A com a solução
concentrada B, sem a presença de água.
A mistura deve ser feita na água, colocando primeiro uma e depois a
outra solução concentrada.
As soluções concentradas A e B não devem se guardadas em locais onde
haja luz direta ou onde a temperatura seja muito alta.
Deve-se preparar somente o volume de solução que vai ser empregada.
A seguir destacamos alguns pontos interessantes:
• Para o iniciante o ideal é começar com o cultivo da alface e numa
escala pequena. Após adquirir a experiência necessária crescer
gradualmente e diversificar a produção.
• Se utilizar mudas criadas em substrato é recomendável colocar um
filtro no depósito de solução para evitar entupimentos no sistema.
• A instalação do sistema deve ser em local que não seja sombreado
ao longo do dia.
• Para completar o nível do reservatório, desligar o sistema e esperar
que toda a solução volte ao reservatório.
• O produto hidropônico é embalado um a um com os dados do
produtor, o que confere mais confiança ao consumidor final.
• É interessante fazer o fechamento de toda a estufa com tela para
maior proteção da produção, sem impedir a ventilação (de cor
clara).
• A canalização deve chegar na bancada pelo centro para que a
distribuição da solução nos perfis se dê de maneira mais uniforme.
• As algas competem com as plantas por nutrientes e podem ser fonte
de patógenos. É essencial evitar a combinação solução nutritiva-luz
que favorece o seu aparecimento.
• Para a lavagem e desinfecção do equipamento utiliza-se uma
solução de hipoclorito de sódio a 1%.
• A limpeza deveria ser feita a cada colheita como prevenção ao
aparecimento de pragas e doenças.
• Eliminar o atravessador na distribuição dá mais trabalho mas
aumenta o lucro.
• A preparação e cuidado da solução nutritiva deve ser feita por uma
pessoa qualificada.
• A estufa deve ser adequada para locais quentes, que não forme
bolsões de ar quente.
Cultivo Hidropônico de Plantas
Parte 1 - Conjunto hidráulico
Pedro Roberto Furlani1
Luis Claudio Paterno Silveira2
Denizart Bolonhezi3
Valdemar Faquin4
INTRODUÇÃO
A hidroponia, termo derivado de duas palavras de origem grega − hidro, que
significa água e ponia que significa trabalho − está se desenvolvendo rapidamente
como meio de produção vegetal, principalmente de hortaliças sob cultivo protegido.
A hidroponia é uma técnica alternativa de cultivo protegido, na qual o solo é
substituído por uma solução aquosa contendo apenas os elementos minerais
essenciais aos vegetais (Graves, 1983; Jensen & Collins, 1985; Resh, 1996).
Desde a criação do termo "hidropônico" pelo pesquisador da Universidade da
Califórnia, Dr. W. F. Gericke na década de 30, a técnica de produção de plantas sem
solo vem sendo popularizada. Segundo Benoit & Ceustermans (1995), a despeito do
maior custo inicial para instalação, várias são as vantagens do cultivo comercial de
plantas em hidroponia, as quais podem ser resumidas como a seguir: padronização
da cultura e do ambiente radicular; drástica redução no uso de água ; eficiência do
uso de fertilizantes; melhor controle do crescimento vegetativo; maior produção,
qualidade e precocidade; maior ergonomia no trabalho; maiores possibilidades de
mecanização e automatização da cultura.
No Brasil, tem crescido nos últimos anos o interesse pelo cultivo em
hidroponia, predominado o sistema NFT (Nutriente Film Technique). Muitos dos
cultivos hidropônicos não obtêm sucesso, principalmente devido ao
desconhecimento dos aspectos nutricionais deste sistema de produção, isto é, à
formulação e manejo mais adequado das soluções nutritivas. Outros aspectos que
também interferem, estão relacionados com o tipo de sistema de cultivo
hidropônico. Para a instalação de um sistema de cultivo hidropônico é necessário
também, que se conheça detalhadamente as estruturas básicas necessárias que o
compõe (Castellane & Araujo, 1994; Cooper, 1996; Faquin et al., 1996; Martinez &
Silva Filho, 1997; Furlani, 1998). Os tipos de sistema hidropônico determinam
estruturas com características próprias, sendo que os mais utilizados são:
a) Sistema NFT (“nutrient film technique”) ou técnica do fluxo
laminar de nutrientes: Este sistema é composto basicamente de um tanque de
solução nutritiva, de um sistema de bombeamento, dos canais de cultivo e de um
sistema de retorno ao tanque. A solução nutritiva é bombeada aos canais e escoa
por gravidade formando uma fina lâmina de solução que irriga as raízes;
b) Sistema DFT (“deep film technique”) ou cultivo na água ou
“floating”: Neste sistema a solução nutritiva forma uma lâmina profunda (5 a 20
cm) onde as raízes ficam submersas. Não existem canais e sim uma mesa plana
onde fica circulando a solução, através de um sistema de entrada e drenagem
característicos;
c) Sistema com substratos: Para hortaliças frutíferas, flores e outras
culturas que têm sistema radicular e parte aérea mais desenvolvidos, utilizam-se
vasos cheios de material inerte, como areia, pedras diversas (seixos, brita),
vermiculita, perlita, lã-de-rocha, espuma fenólica, espuma de poliuretano e outros
para a sustentação da planta, onde a solução nutritiva é percolada através desses
materiais e drenada pela parte inferior dos vasos, retornando ao tanque de solução.
Neste contexto, o presente curso enfoca aspectos importantes pertinentes à
construção e montagem de sistemas hidropônicos, as alternativas para a produção
de mudas e aos critérios para o preparo de soluções nutritivas e de reposição de
nutrientes durante o crescimento das plantas. Nos próximos tópicos, são fornecidos
os detalhes estruturais de cada sistema, bem como os pormenores de montagem e
manutenção destas estruturas.
CONJUNTO HIDRÁULICO
Para os sistemas hidropônicos deve-se selecionar os materiais hidráulicos
existentes no mercado mais adequados para atender às exigências de cada sistema
de cultivo, garantindo o abastecimento de solução nutritiva com qualidade e
segurança. Para isto utilizam-se tubos de plástico de polietileno não reciclado
(flexível) ou de cloreto de polivinila (PVC rígido) e registros fabricados com
materiais inertes. O sistema hidráulico é responsável pelo armazenamento,
recalque e drenagem da solução nutritiva, sendo composto de um ou mais
reservatórios de solução, do conjunto moto-bomba e dos encanamentos e registros.
Reservatório
Os reservatórios ou tanques de solução podem ser construídos de diversos
materiais, como plástico PVC, fibra de vidro ou de acrílico, fibrocimento e alvenaria.
Os tanques de plástico PVC e de fibra tem sido os preferidos devido ao menor custo,
facilidade de manuseio e, por serem inertes, não necessitam de qualquer
tratamento de revestimento interno. Já os tanques construídos em alvenaria bem
como as caixas de fibrocimento necessitam do revestimento interno com
impermeabilizantes destinados a este fim. O mais comumente utilizado e com bons
resultados é a tinta betuminosa (Neutrol), mas pode-se optar pela
impermeabilização com lençol plástico preto. Sem estes cuidados a solução
nutritiva, por ser corrosiva, poderá ser contaminada por componentes químicos
presentes na constituição desses materiais.
O depósito deve ser colocado em local sombreado e enterrado, para evitar a
ação dos raios solares, além de ser vedado para evitar a formação de algas e a
entrada de animais de pequeno porte. Sua instalação deve ser preferencialmente
abaixo do nível da tubulação de drenagem, facilitando o retorno da solução por
gravidade.
O tamanho do reservatório vai depender do número de plantas e das
espécies que serão cultivadas. Deve-se obedecer um limite mínimo de 0,1-0,25
Lplanta-1 para mudas, de 0,25-0,5 Lplanta-1 para plantas de pequeno porte (rúcula,
almeirão), de 0,5-1,0 Lplanta-1 para plantas de porte médio (alface, salsa, cebolinha,
agrião, manjericão, morango, cravo, crisântemo), de 1,0-5,0 L/planta para plantas
de maior porte (tomate, pepino, melão, pimentão, berinjela, couve, salsão, etc.).
Quanto maior a relação entre o volume do tanque e o número de plantas nas
bancadas, menores serão as variações na concentração e temperatura da solução
nutritiva. Entretanto, não se recomenda a instalação de depósitos com capacidade
maior que 5.000 L, devido à maior dificuldade para o manejo químico (correção do
pH e da condutividade elétrica – CE) e oxigenação da solução nutritiva. Em caso de
contaminação por patógenos, um grande número de plantas será perdido, pois um
só tanque estará em contato com muitas bancadas de cultivo. Recomenda-se a
utilização de um maior número de reservatórios pequenos ao invés de poucos
tanques de grande volume, pois facilita e agiliza o manejo, o controle fitossanitário
(atendimento do período de carência do defensivo usado), limpeza e desinfeção de
todo o sistema, com conseqüente aumento de qualidade do produto final.
Normalmente o reservatório é instalado na parte mais baixa do terreno para
permitir que o retorno da solução ocorra por gravidade. Poucos produtores utilizam
dois depósitos: o tanque principal na parte mais alta, utilizando-se a gravidade para
levar a solução aos canais de cultivo, e construindo-se um depósito menor na parte
baixa do terreno de onde é feito o bombeamento da solução coletada, para o
tanque principal. O uso de dois depósitos (superior e inferior) tem propiciado
dificuldades no manejo químico da solução nutritiva, aumentos na sua temperatura
e no custo de implantação.
Moto-Bomba e Encanamentos
Este conjunto tem a função de levar a solução nutritiva às bancadas em
quantidade suficiente para a irrigação das raízes, bem como conduzir a solução de
volta ao tanque após a passagem pelas bancadas. Recomenda-se instalar a moto-
bomba “afogada” ou seja abaixo da metade da altura do reservatório, para impedir
a entrada de ar no sistema e conseqüente falha no bombeamento, causando danos
às plantas. E recomendável a escolha de bombas cujos elementos internos sejam
resistentes à corrosão pela solução nutritiva.
Para qualquer sistema NFT a capacidade de vazão do conjunto moto-bomba
deve ser dimensionada de acordo com o número de canais que serão irrigados,
considerando-se a altura manométrica e o retorno de solução ao tanque. Para fins
práticos, recomenda-se uma vazão de solução nutritiva nos canais de cultivo de 0,5
a 1,0, 1,5 a 2,0 e 2,0 a 4,0 Lmin-1 por canal, respectivamente, para mudas, plantas
de ciclo curto e plantas de ciclo longo. O resultado da multiplicação da vazão
necessária pelo número de canais a serem irrigados fornece a quantidade mínima
de litros por minuto para a irrigação das plantas. Considerando-se as perdas de
carga nas tubulações, a altura manométrica de recalque e principalmente a
necessidade do retorno de parte da solução ao tanque de armazenamento,
aconselha-se aumentar em 50% a vazão calculada. A equação (1) define de forma
prática o cálculo da vazão necessária de uma bomba d’água para a irrigação das
plantas em função do número de canais de cultivo e fluxo de solução por canal de
cultivo.
Vazão da Bomba d’água (m3h-1) = 0,09 x Número de canais x Fluxo (Lmin-
1
canal-1) (1)
Para sistemas de “floating” obedecem-se as mesmas regras de
dimensionamento do sistema hidráulico para NFT, porém neste caso não há canais
de cultivo e sim mesas de solução. Deste modo, o cálculo é feito de acordo com o
fluxo de água que deve circular pela bancada num determinado espaço de tempo.
Resh (1995) recomenda efetuar a cada hora, uma ou duas trocas completas do
volume de solução presente na bancada. Para uma bancada com 1.000 L de
solução deve-se fazer circular de 1.000 a 2.000 Lh-1. Porém, outros manejos podem
ser feitos, dependendo da temperatura da solução, permitindo-se em alguns casos
a circulação durante alguns minutos por hora.
O retorno da solução para o tanque se dá por duas vias: pela tubulação de
drenagem e pelo retorno instalado no encanamento de recalque. O retorno da
solução via tubulação de drenagem ao tanque promove uma certa movimentação e
aeração da solução nutritiva, mas a difusão do oxigênio é apenas superficial. Para a
oxigenação adequada de todo volume do tanque deve-se efetuar o retorno de parte
da solução succionada de volta ao tanque (Figura 1). Neste retorno instala-se um
dispositivo tipo “venturi” para a introdução de ar na solução nutritiva armazenada
no depósito. A construção do “venturi” é bastante simples: primeiro restringe-se o
diâmetro do cotovelo de retorno colocando-se um tubo interno de menor diâmetro;
externamente reveste-se o cotovelo com um outro tubo de diâmetro maior,
fazendo-se um furo pequeno na lateral para a entrada do ar, que será succionado
automaticamemnte pela passagem de solução pelo tubo interno (Figura 2). Para
qualquer sistema hidropônico a aeração da solução é obrigatória, mas nas
bancadas de “floating” esta necessidade é ainda maior, como será enfatizado mais
adiante.
Figura 1. Esquema do reservatório, moto-bomba e encanamentos de recalque e
drenagem de solução.
Figura 2. Montagem de um dispositivo tipo “venturi”.
BANCADAS OU MESAS DE CULTIVO
As bancadas para hidroponia são compostas de suportes de madeira ou
outro material formando uma base de sustentação para os canais de cultivo, que
podem ser de diversos tipos. Também fazem parte da bancada os materiais para
sustentação das plantas que são colocados sobre os canais. As dimensões das
bancadas normalmente obedecem a certos padrões, que podem variar de acordo
com a espécie vegetal e com o tipo de canal utilizado. A altura e largura da
bancada variam de acordo com a espécie vegetal: até 1,0 m de altura e 2,0 m de
largura para mudas e plantas de ciclo curto (hortaliças de folhas) e até 0,2 m de
altura e 1,0 m de largura para plantas de ciclo longo (hortaliças de frutos),
suficientes para uma pessoa trabalhar de maneira confortável nos dois lados da
mesa facilitando as operações de transplante, os tratamentos fitossanitários
quando necessários, os tratos culturais, a colheita e a limpeza da mesa. O
comprimento da mesa de cultivo não deve exceder os 30 m, para evitar variações
na temperatura e nos níveis de oxigênio e de sais da solução nutritiva ao longo do
canal de cultivo. Além disso, como normalmente há um desnível da mesa entre 2 e
4%, bancadas muito extensas instaladas em terreno plano ficam com sua parte
final muito próxima ao solo, prejudicando o manejo e o escoamento da solução para
o tanque de armazenamento e aumentando os riscos de contaminações via solo.
Base de Sustentação
Para os diferentes sistemas de cultivo teremos diferentes tipos de bancadas,
no entanto, o suporte para os canais, vasos com substrato ou para o “floating” pode
ser semelhante. Normalmente esta base é construída de madeira, utilizando-se
caibros parafusados em forma de “U” invertido e enterrados no solo (Figura 3),
mas pode-se optar também pela utilização de cavaletes removíveis ou por
estruturas metálicas (alumínio, aço zincado ou ferro), além de madeira roliça. A
montagem da base deve ser tal que determine o desnível necessário para os canais
para que haja o escoamento da solução através das raízes, por gravidade. Para as
bancadas de “floating” deve-se instalar a base perfeitamente nivelada. A altura da
base vai depender da espécie vegetal conforme já discutido anteriormente.
Figura 3. Suporte de madeira construído com caibros e travessa parafusados e
enterrado no solo.
Canais de Cultivo
Os canais de cultivo, por onde escoa a solução nutritiva são determinantes
para o sucesso do sistema NFT. A conformação do canal, sua profundidade e
largura influem na qualidade do produto final colhido e diversos são os tipos de
canais que podem ser utilizados.
a) Filme de polietileno/arame
A figura 4 ilustra a montagem deste tipo de canal de cultivo para plantas de
ciclo curto. As bancadas de filme plástico são de construção barata porém
trabalhosa, de difícil manuseio e manutenção e não permitem variações no
espaçamento dos canais e, apesar dos bons resultados que promovem, são cada
vez menos utilizadas. Para plantas de porte maior, os canais dispensam a base de
arame para sustentação do filme plástico, pois são apoiados diretamente em
pequenas valetas abertas no terreno, como será discutido mais adiante.
Figura 4. Bancada de fios de arame galvanizado e filme de polietileno.
b) Telhas de amianto
As telhas de amianto com ondas rasas (2,5 cm de altura e espaçadas a 7,5
cm) são indicadas para a produção de mudas. Para algumas culturas de pequeno
porte, como a rúcula, o almeirão e o agrião, este tipo de canal serve para a
condução das plantas até a fase de colheita. A bancada é construída colocando-se
as telhas de maneira a ficarem com as extremidadades encostadas umas nas
outras ou sobrepostas (Figura 5). Normalmente possuem 0,5 m de largura por 2,44
m de comprimento. São relativamente baratas mas necessitam de atenção na
montagem. Primeiramente, é necessário revestir as telhas com filme plástico para
evitar o contato da solução nutritiva com o cimento amianto e também
vazamentos. Recomenda-se usar o mesmo tipo de filme plástico usado para a
cobertura da estufa, porém com no máximo 100 µ de espessura para facilitar a sua
colocação sobre a telha. Uma desvantagem que apresentam é a limitação no
espaçamento das linhas da cultura, que vão sempre obedecer a múltiplos de 7,5
cm.
Figura 5. Telhas de fibrocimento com as extremidades sobrepostas para formar os
canais.
As telhas com ondas maiores (5 cm de altura e espaçadas de 18 cm)
também são utilizadas para o cultivo de plantas de ciclo curto como alface, salsa,
cebolinha, almeirão, salsão, morango e outras. Necessitam dos mesmos cuidados
citados anteriormente para a montagem das telhas menores e apresentam as
mesmas limitações no espaçamento adequado das culturas. Os calhetões, que são
as telhas grandes utilizadas em grandes barracões podem ser escolhidas para o
cultivo de hortaliças frutíferas, como pepino, tomate, pimentão e muitas outras.
Estes podem ser empregados também nos cultivos com substratos, sendo
preenchidos com areia, pedra, argila expandida, flocos de lã de rocha ou de espuma
fenólica.
c) Tubos de PVC
Os canos de PVC utilizados para esgoto (tubos brancos ou pretos) ou
irrigação (azuis) são ainda os mais encontrados em sistemas de hidroponia NFT.
Serrando-se os canos ao meio obtém-se dois canais de cultivo com profundidade
igual à metade do diâmetro do tubo (Figura 6). Pode-se unir quantos canais forem
necessários, para o que se utiliza de cola para encanamentos, silicone e, se
necessário, arrebites.
Figura 6. Bancada de canos de PVC, mostrando também a canaleta de retorno de
solução e a fixação do suporte das plantas à bancada. No detalhe, a união dos tubos.
Os canais de PVC servem para todas as fases de desenvolvimento das
hortaliças mais cultivadas. Normalmente para mudas utilizam-se os tubos de 40-50
mm, para fase intermediária os de 75-100 mm, e para a fase definitiva ou produção
os de 100-200 mm, dependendo da espécie cultivada. Para facilitar a limpeza e
evitar contato da solução com o PVC, pode-se revestir internamente o canal de
cultivo com filme plástico (o mesmo tipo usado para revestimento das telhas de
fibrocimento) para evitar qualquer contaminação da solução nutritiva pelo contato
com o PVC. Também é aconselhável a pintura externa dos canos brancos com tinta
de coloração alumínio para evitar entrada de luz e evitar o aquecimento. Bancadas
construídas com estes canais são muito versáteis pois o usuário pode variar o
espaçamento das linhas de cultivo e escolher as profundidades de acordo com a
cultura e sua fase de desenvolvimento. Além disso são leves, de fácil limpeza, não
exigindo estruturas muito robustas para a sua sustentação.
d) Tubos de polipropileno
Estes têm o formato semicircular e são comercializados nos tamanhos
definidos pelo diâmetro em: pequeno (50 mm), médio (100 mm) e grande (150
mm) e já contendo furos para a colocação das mudas no espaçamento escolhido
(Figura 7). Embora o seu uso seja muito recente tem apresentado bons resultados
práticos tanto para mudas, plantas maiores ou mesmo para culturas de maior porte,
tendo comportamento semelhante ao obtido com tubos de PVC, com exceção da
limpeza que é mais difícil. Para alface e rúcula tem sido instalados na posição
normal, ou seja, com a parte chata para cima o que dá maior apoio para as folhas.
Para plantas frutíferas, de porte maior, pode-se optar por instalar os tubos com a
parte achatada para baixo o que propicia uma maior área para o desenvolvimento
do sistema radicular. Por serem de polipropileno dispensam revestimento interno,
são mais fáceis de emendar pois já vem com os encaixes e apresentam todas as
vantagens dos tubos de PVC.
Figura 7. Perfis hidropônicos nas duas posições utilizadas.
e) Canais individuais
Como opção para culturas de sistema radicular e parte aérea maiores, pode-
se confeccionar os canais sobre o solo ou, preferencialmente, sobre uma base
baixa. Faz-se o acerto da declividade do solo onde deve correr o canal e em seguida
instala-se um fio de arame esticado nas pontas com mourões e esticadores de
modo que fique a uma distância de aproximadamente 20 cm do solo ou da base.
Sobre o fundo estende-se o plástico de dupla face (preto e branco) (Duplalon®)
com a face branca para fora ou duas camadas de filme plástico, o transparente
primeiro e depois o preto, que são dobrados para cima e presos ao “varal” de
arame, formando um canal de fundo chato e formato triangular (Figura 8). A
entrada de solução se dá por uma linha de canos que percorre a cabeceira dos
canais e o escoamento ocorre por gravidade até a canaleta de drenagem que leva
ao depósito de solução em nível inferior, enterrado ou não, de acordo com o
terreno. Estes canais também podem ser utilizados com substrato sólido. Este tipo
de estrutura tem sido usado para as culturas de tomate, pepino, pimentão e outras
de maior porte pois fica mais fácil a sustentação e condução da parte aérea, uma
vez que as plantas estão no nível do solo, adaptando-se aos sistemas de
tutoramento apropriados para essas culturas. Além disso, as extremidades das
plantas ficam mais afastadas do teto da estufa, onde se acumula o ar quente que
pode prejudicar o desenvolvimento vegetal, notadamente o florescimento.
Figura 8. Canal feito sobre o solo com filme plástico dobrado e fixado com
presilhas.
f) “Floating” ou “Piscina”
No sistema DFT não existem canais, mas sim uma mesa ou caixa rasa
nivelada onde permanece uma lâmina de solução nutritiva. Os materiais utilizados
para sua construção podem ser madeira, plástico e fibras sintéticas (em moldes
pré-fabricados).
A altura da lateral da caixa de cultivo deve ser de 10 a 15 cm,
dependendo da lâmina desejada, que normalmente varia de 5 a 10 cm. O suporte
da mesa também pode ser de madeira ou de outros materiais, como descrito para
as bancadas do sistema NFT. Para a manutenção da lâmina de solução deve-se
instalar um sistema de alimentação e drenagem compatíveis, ou seja, a drenagem
sempre maior ou igual à entrada de solução, para se manter constante o nível da
lâmina. Pode-se efetuar os drenos através de furos nas laterais da caixa,
conectados ao sistema de retorno ao tanque. Outra opção é fazer apenas as saídas
de fundo, instalando-se uma ou mais flanges de acordo com a vazão de entrada.
Nestas flanges adapta-se um pedaço de cano de PVC na altura desejada para a
lâmina. Adicionalmente deve-se instalar uma saída no fundo da mesa para a
drenagem total em caso de limpeza e troca de solução. A entrada de solução pode
ser feita através de vários pontos na lateral da mesa ou por um cano perfurado e
submerso na lâmina de solução e que percorra toda sua extensão e alocada na
parte central da mesa (Figura 9).
Figura 9. Mesa de “floating” mostrando as opções de drenagem e alimentação
laterais ou de fundo.
Como no sistema DFT as raízes das plantas permanecem submersas na
solução nutritiva por todo o período de cultivo, a oxigenação da solução merece
especial atenção, tanto no depósito quanto na caixa de cultivo. A instalação de um
“venturi” na tubulação de alimentação (Figura 9), permite uma eficiente oxigenação
na lâmina de solução.
Para as mesas pré-fabricadas em material plástico ou fibra de vidro e com
revestimento interno não é necessária a impermeabilização, mas naquelas feitas de
madeira deve-se cobrir o fundo e as laterais com dois filmes plásticos, sempre o
preto por baixo e o de polietileno tratado contra radiação UV por cima, para conferir
resistência aos raios solares.
Este sistema muito usado para a produção de mudas em bandejas de isopor
contendo substratos de algodão ou vermiculita, pode apresentar as seguintes
vantagens sobre o sistema NFT quando utilizado para a produção de plantas
adultas: a) promover menor variação da temperatura da solução havendo exemplos
de uso no exterior (Flórida, Ilhas do Caribe) sendo pouco comum no Brasil; b)
possibilitar automação na reposição de água através de bóia automática que
mantém a altura da lâmina constante; c) promover menor variação nas
concentrações dos nutrientes devido à maior relação Lplanta -1 que no sistema NFT e
facilitando o manejo químico da solução nutritiva. As desvantagens estão
relacionadas com o maior volume inicial necessário de solução nutritiva por planta,
maior risco de aparecimento de algas se o sistema não for devidamente protegido
da luz solar, e risco de desequilíbrio nutricional ocasionado pelo uso prolongado da
mesma solução devido à componentes químicos que a própria água pode conter.
Além disso, neste tipo de cultivo também ocorrem os riscos com a disseminação de
doenças radiculares, com perdas totais das plantas.
g) Com substrato
Dependendo do tipo de substrato para a sustentação das plantas pode-se
utilizar as bancadas de canais. Normalmente as telhas são usadas quando o
substrato é cascalho, areia, seixos, pedra britada, argila expandida, cacos de
cerâmica, casca de arroz carbonizada e outros. O uso dessa técnica tem sido
restrito devido ao aquecimento do substrato e da solução e pelo desenvolvimento
de algas estimulado pela incidência direta dos raios solares. A permanência de
resíduos de plantas (folhas e raízes) após a colheita também é indesejável pois
acelera o desenvolvimento de microorganismos indesejáveis. Além disso, na
colheita de plantas de hortaliças de folhas com as raízes intactas colhe-se também
um pouco do substrato o que promove a depreciação visual do produto.
Quando se usa lã-de-rocha ou espuma fenólica pode-se utilizar como
suporte do substrato, os canais de PVC e os individuais construídos próximos ao
solo. Nestes casos não se dispensa a cobertura dos canais para proteção do bloco
de lã-de-rocha ou de espuma, sem o que o desenvolvimento de algas seria muito
grande. As plantas são enraizadas nestes substratos e neste sistema os intervalos
de irrigação podem ser mais espaçados porque o substrato retém umidade. O
sistema de irrigação pode ser semelhante ao de NFT, mas pode-se também optar
pela irrigação individual dos blocos de substrato com mangueiras finas (tipo
espaguete) ou por gotejamento. Estas opções têm sido usadas para o cultivo de
tomate e pepino no Canadá (Papadopoulos, 1991 e 1994).
Quando se utiliza a areia lavada, vermiculita ou perlita como substrato de
enraizamento é necessário o cultivo das plantas em sacos ou vasos de plástico.
Para hortaliças de frutos os vasos de areia são bastante utilizados, e o sistema é
simples: os recipientes são colocados sobre uma base baixa, para evitar o contato
com o solo e permitir que se instale o sistema se drenagem. Uma linha de
alimentação de solução percorre a seqüência de vasos injetando um determinado
volume durante um certo tempo. A solução percolará pelo substrato irrigando as
raízes e o excesso será drenado pelo fundo ou pela lateral do vaso. Pode haver
retorno de partículas sólidas pela linha de drenagem, recomendando-se o uso de
um filtro (Figura 10). A freqüência de irrigação será determinada pela capacidade
de retenção de umidade do substrato ou pela demanda da evapotranspiração.
Figura 10. Esquema simplificado de um sistema de vasos.
Cobertura dos Canais e Fixação das Plantas
Para a fixação das plantas e bloqueio dos raios solares nos canais de cultivo
ou no “floating”, podem ser usados isopor, filmes plásticos e de embalagens tipo
“longa vida” (Tetrapack®) e outros materiais sintéticos, furados no espaçamento
desejado.
Nas bancadas de arame, nas de telhas e no “floating” o isopor é utilizado na
forma de placas de 1,5 ou 2,0 cm de espessura, cobrindo toda superfície da
bancada, sendo furado apenas nos locais das plantas. É necessária a fixação destas
placas com fios de nylon, fitilhos ou ripas para evitar danos pela ação dos ventos.
Nos tubos de PVC cortados ao meio pode-se usar fitas de isopor encaixadas no
interior dos canais, conferindo uma economia no consumo desse material de
cobertura. Estas fitas podem ser cortadas no centro de cada furo, de modo a
facilitar a colheita (Figura 11). Quando as plantas são retiradas estas partes se
separam deixando que as raízes saiam facilmente do interior do canal. Tem sido
estudadas alternativas ao isopor, pois este se quebra com relativa facilidade
(principalmente na colheita) e também por liberar durante sua degradação um
resíduo que contem CFC (cloro-fluor-carbono), nocivo à camada de ozônio.
Figura 11. Detalhes do uso da fita de isopor que se encaixa nos bordos dos canais
de PVC.
O filme plástico de dupla face (Duplalon®) vem sendo utilizado em
substituição ao isopor com vantagens: é mais barato e de fácil instalação, pois
basta esticar o filme sobre a mesa, fixar as laterais e furar no espaçamento
desejado fazendo-se um corte em “X”. Além disto é de fácil limpeza e se adapta
perfeitamente à conformação do colo das plantas, impedindo a formação de algas
dentro do canal. Entretanto, a sua durabilidade ainda é pequena comparada ao
isopor e outros materiais. Outras mantas sintéticas estão sendo testadas para
serem utilizadas na sustentação das plantas, mas seus elevados custos e menor
durabilidade têm limitado suas utilizações.
A lâmina usada para confeccionar as embalagens tipo longa vida
(Tetrapack®) tem sido empregada com sucesso na cobertura de mesas de cultivo e
sustentação das plantas. É um produto relativamente barato e de excelente
durabilidade. É de fácil limpeza, durável, tem boa capacidade de isolamento
térmico e resistente aos raios solares.
Os tubos de PVC inteiros e os perfis hidropônicos dispensam qualquer tipo
de sustentação para as plantas pois são fechados, fornecendo o apoio suficiente
para a maioria das hortaliças folhosas. Para plantas de grande porte é necessário o
tutoramento, não importando o tipo de canal utilizado.
Os vasos com substrato também dispensam a sustentação para as plantas
de pequeno porte, mas o tutoramento para as hortaliças de frutos é igualmente
necessário.
REGULADOR DE TEMPO OU TEMPORIZADOR
A circulação da solução nutritiva é comandada por um sistema regulador de
tempo, ou temporizador. Este equipamento permite que os tempos de irrigação e
drenagem ocorram de acordo com a programação que se deseja. Existem no
mercado desde temporizadores mecânicos com intervalos de 10 por 10 ou 15 por
15 ou 20 por 20 min, até temporizadores eletrônicos com intervalos variados de
segundos a minutos. O tempo de irrigação varia muito entre os sistemas, bancadas,
regiões, tipos de cobertura, variedade cultivada, época do ano e outros fatores, não
havendo regra geral. Em locais quentes, durante o verão, o sistema deverá
permanecer ligado ininterruptamente durante as horas mais quentes do dia, ao
passo que no mesmo local, no inverno este manejo será diferente. Quando se usa a
irrigação contínua durante o período mais quente do dia deve-se tomar cuidado
para que haja aeração adequada da solução nutritiva para evitar deficiência de
oxigênio no sistema radicular. Normalmente durante o período noturno o sistema
pode permanecer desligado ou com duas a três irrigações de 10-15 min espaçadas
de 4 a 5 h.
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1
Eng° Agr°, Dr., [Link]./CSRA/Instituto Agronômico – Caixa Postal 28 –
CEP13001-970 Campinas, SP. Bolsista do CNPq. E-mail: pfurlani@[Link]
2
Eng° Agr°, [Link]., Assistente Técnico/Estação Experimental de Agronomia em
Pindorama/Instituto Agronômico – Caixa Postal 24 – CEP15830-000 Pindorama, SP.
E-mail:lcsilveira@[Link]
3
Eng° Agr°, [Link]./Núcleo de Agronomia da Alta Mogiana/Instituto Agronômico
– Caixa Postal 271 – CEP14001-970 Ribeirão Preto, SP. E-
mail: denizart@[Link]
4
Eng° Agr°, Dr. Professor Titular do DCS/UFLA, Caixa Postal 37 - CEP 37.200-000
Lavras, MG. Bolsista do CNPq. E-mail: vafaquin@[Link]
Reprodução autorizada desde que citado a autoria e a fonte
Dados para citação bibliográfica(ABNT):
FURLANI, P.R.; SILVEIRA, L.C.P.; BOLONHEZI, D.; FAQUIN, V. Cultivo Hidropônico de Plantas: Parte 1 -
Conjunto hidráulico. 2009. Artigo em Hypertexto. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 9/2/2016
Publicado no Infobibos em 11/03/2009 Atualizado em 05/05/2009
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Cultivo Hidropônico de Plantas
Parte 2 - Solução nutritiva
Pedro Roberto Furlani1
Luis Claudio Paterno Silveira2
Denizart Bolonhezi3
Valdemar Faquin4
NUTRIÇÃO MINERAL DE PLANTAS, PREPARO E MANEJO DE SOLUÇÕES
NUTRITIVAS
Ao contrário dos animais e microorganismos, os elementos químicos
essenciais requeridos pelas plantas superiores são exclusivamente de natureza
inorgânica. A identificação desses nutrientes atendeu aos critérios de
essencialidade propostos por Arnon e Stout (1939), conforme citação de Resh
(1996), ou seja: a) a deficiência ou a falta de um elemento impossibilita a planta
completar o seu ciclo biológico; b) a deficiência é específica para o elemento em
questão; c) o elemento deve estar envolvido diretamente na nutrição da planta
quer seja constituindo um metabólito essencial, quer seja, requerido para a ação de
um sistema enzimático. Dessa forma, com os elementos químicos carbono (C),
hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca),
magnésio (Mg), enxofre (S), boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês
(Mn), molibdênio (Mo) e zinco (Zn), uma planta é capaz de se desenvolver e
completar seu ciclo biológico se as condições ambientais forem favoráveis. Com
exceção dos nutrientes não minerais C, H e O, que são incorporados ao
metabolismo vegetal, através da água e ar atmosférico, os demais nutrientes
minerais são absorvidos via raízes. Recentemente, o níquel (Ni) entrou para o rol
dos elementos essenciais por fazer parte da estrutura molecular da enzima urease,
necessária para a transformação de nitrogênio amídico em mineral. Todavia a
quantidade exigida pelas plantas deve ser inferior à de molibdênio.
Além desses nutrientes, outros elementos químicos têm sido
esporadicamente considerados benéficos ao crescimento de plantas, sem contudo
atender aos critérios de essencialidade. Como exemplo, podemos citar o sódio (Na)
para plantas halófitas, o silício (Si) para algumas gramíneas e o cobalto (Co) para
plantas leguminosas fixadoras de nitrogênio atmosférico.
De acordo com a redistribuição no interior das plantas, os nutrientes podem
ser classificados em três grupos: móveis (NO3-, NH4+, P, K e Mg), intermediários (S,
Mn, Fe, Zn, Cu e Mo) e imóveis (Ca e B). Essa classificação é muito útil na
identificação de sintomas de deficiência de um determinado nutriente. Por exemplo,
os sintomas de falta de N e de B, ocorrem em partes mais velhas (folhas velhas) e
mais jovens da planta (pontos de crescimento), respectivamente.
Em cultivos hidropônicos, a absorção é geralmente proporcional à
concentração de nutrientes na solução próxima às raízes sendo muito influenciada
pelos fatores do ambiente, tais como: salinidade, oxigenação, temperatura, pH da
solução nutritiva, intensidade de luz, fotoperíodo, temperatura e umidade do ar
(Adams, 1992 e 1994).
Exigências Nutricionais de Hortaliças Visando o Cultivo Hidropônico
Quando se procede uma análise das exigências nutricionais de plantas
visando o cultivo em solução nutritiva deve-se enfocar as relações existentes entre
os nutrientes, pois essa é uma indicação da relação de extração do meio de
crescimento. As quantidades totais absorvidas apresentam importância secundária
uma vez que no cultivo hidropônico procura-se manter relativamente constante as
concentrações dos nutrientes no meio de crescimento, diferente do que ocorre em
solo, onde procura-se fornecer as quantidades exigidas pelas plantas através do
conhecimento prévio das quantidades disponíveis existentes no próprio solo.
No quadro 1 são apresentadas as relações existentes entre os teores
foliares considerados adequados de N, P, Ca, Mg e S com os de K para diferentes
culturas passíveis de serem cultivadas no sistema hidropônico-NFT. Embora haja
diferenças nos teores de nutrientes em folhas em função de cultivares, épocas de
amostragem e posição das folhas, os valores apresentados indicam que existem
diferenças entre essas relações para as diversas espécies considerando o
desenvolvimento vegetativo adequado e que isto deve ser levado em consideração
quando se utiliza uma única composição de solução nutritiva para o crescimento de
variadas espécies vegetais. Quando isso ocorre com espécies que possuem relação
de extração diferente, há uma grande possibilidade de desequilíbrio nutricional com
o acúmulo e,ou, a falta de nutrientes ao longo do período de desenvolvimento das
plantas, principalmente para plantas de ciclo mais longo, quando a solução nutritiva
não é renovada integralmente. Os valores apresentados também indicam que para
a reposição de nutrientes durante o desenvolvimento das plantas, essas relações
devem ser consideradas.
Quadro 1 - Relações entre os teores Foliares 9G/KG0 de N,P,Ca, Mg e S com os teores
de K considerados adequados para diferentes culturas. Adaptado de Raij et al.(1997)
Por exemplo, quando se usa uma única solução nutritiva para o crescimento
de diferentes hortaliças de folhas, pode-se antever que as plantas de espinafre e
rúcula irão absorver maiores quantidades de cálcio que as plantas de agrião, alface
e almeirão, para cada unidade de potássio absorvido. Se isso não foi considerado na
reposição de nutrientes, ocorrerá deficiência de Ca para essas culturas com maior
capacidade de extração.
Por outro lado, para as culturas que possuem fase reprodutiva com
interesse comercial seja na produção de flores ou de frutos, a relação entre N e K e
P considerada deve ser diferente da usada para o desenvolvimento vegetativo. No
período de floração e frutificação deve-se reduzir a relação N/K e aumentar P/K.
Essas alterações são fáceis de serem feitas no cultivo hidropônico.
Composições de Soluções Nutritivas
A composição ideal de uma solução nutritiva depende não somente das
concentrações dos nutrientes, mas também de outros fatores ligados ao cultivo,
incluindo-se o tipo ou o sistema hidropônico, os fatores do ambiente, a época do
ano (duração do período da luz), o estádio fenológico, a espécie vegetal e o cultivar
em produção.
A figura 12, apresentada por Resh (1996), mostra as origens dos nutrientes
no cultivo em solo e hidroponia. Comparando-se as composições químicas de
extratos de solo e de soluções nutritivas, Martinez (1997) comentou que as maiores
diferenças existentes entre esses dois meios de crescimento de plantas (solo e
hidroponia) referem-se à concentração de P. Enquanto que na solução de um solo
fértil ela é de 0,004 mmolL-1 (0,12 mgL-1), nas soluções nutritivas essa concentração
mostra-se 125 a 675 vezes maior, isto é, entre 0,5 e 2,7 mmolL-1 (15 e 84 mgL-1).
Segundo a autora, também o K e o N apresentam concentrações na solução do solo
muito superiores às na solução nutritiva, sendo, respectivamente, de 49 a 126
vezes e de 16 a 56 vezes mais elevadas nessa solução. Para os demais nutrientes,
as diferenças são de menor magnitude. A composição da solução de um solo
apresenta muito pouca alteração em função da extração de nutrientes pelas
plantas, uma vez que no solo, além da relação de volume de solução por volume de
raízes ser muito elevada, também ocorre uma capacidade contínua de reposição de
nutrientes a partir dos processos de decomposição e,ou, liberação dos
componentes inorgânico e orgânico. Isso não ocorre com soluções nutritivas, onde
normalmente, a relação de volume solução/raízes além de ser muito menor em
relação às condições de solo, a reposição de nutrientes não existe de maneira
natural.
Figura 12 - Analogia entre as origens dos nutrientes absorvidos por plantas
cultivadas em solo e em hidroponia (adaptado de Resh, 1996).
Diversas soluções nutritivas já foram propostas na literatura havendo, em
alguns casos, diferenças marcantes entre elas com relação às concentrações dos
macronutrientes, enquanto que para os micronutrientes, as diferenças são bem
menores. Hewitt citado por Benton Jones (1982), apresenta uma lista de 160
diferentes fórmulas, baseadas nos vários tipos de sais e combinações de fontes de
N.
No entanto, é comum encontrar nos artigos a frase “solução nutritiva
modificada de Hoagland”, isto é , fórmulas derivadas da proposta em 1938, por
Hoagland & Arnon, conforme citação de Resh (1996), onde os valores expressos em
(mgL-1) são : N-N03 (210), P(31), K (234), Ca (160), Mg (48), S (64), B (0,5), Cu
(0,02), Fe (1,0), Mn (0,5), Mo (0,01) e Zn (0,05). Existe outra versão dessa solução
com a adição de N-NH4 (14), mantendo-se o N total constante. Essa solução tem
sido a mais usada em pesquisa com nutrição mineral de plantas e constitui-se a
base para a formulação de inúmeras soluções nutritivas comerciais existentes em
todo o mundo.
De maneira geral, segundo Barry (1996) as concentrações de nutrientes se
apresentam nas seguintes faixas (mgL-1): N (70-250), P (15-80), K (150-400), Ca
(70-200), Mg (15-80), S (20-200), Fe (0,8-6), Mn (0,5-2), B (0,1-0,6), Cu (0,05-0,3),
Zn (0,1-0,5) e Mo (0,05-0,15). Esses valores podem ser observados nos quadros 2 a
4, nos quais estão apresentadas diferentes soluções nutritivas para várias espécies
de hortaliças segundo propostas de diversos autores. Convém salientar que, para as
condições em que foram avaliadas, todas apresentaram bons resultados, podendo-
se dizer que não existe uma formulação que seja única e melhor que todas as
outras. Como mencionado anteriormente, são pequenas as diferenças entre as
concentrações de um mesmo micronutriente nas diferentes soluções nutritivas. Por
exemplo, nas soluções propostas por Yamazaki, conforme citação de Sazaki (1992),
as concentrações dos micronutrientes são as mesmas, independente da cultura.
Também já existem no mercado brasileiro, formulações importadas na forma
de cristais e prontas para o uso, tais como: Kristalon® Laranja® 6-12-36 (adiciona-
se Tenso-cocktail®), Plant Prod® 7-11-27, Peter’s Professional Hydro-Sol® 5-11-26.
Estes produtos não contém Ca, o qual deve ser adicionado na forma de nitrato,
sendo que o mais usado é o nitrato de cálcio Hydro® especial.
Preparo e Manejo Químico da Solução
Os produtores que optarem pelo preparo de sua própria solução nutritiva,
podem utilizar qualquer sal solúvel, desde que forneça o nutriente requerido e não
contenha elemento químico que possa prejudicar o desenvolvimento das plantas.
Nos quadros 5 e 6 encontram-se listados os sais/fertilizantes comumente usados
para o preparo de soluções nutritivas. Alguns cuidados devem ser observados no
preparo das soluções nutritivas destinadas à produção comercial: a) conhecer a
qualidade da água, quanto ao suas características químicas (quantidades de
nutrientes e concentração salina) e microbiológicas (coliformes fecais e patógenos).
Se os teores de macro e micronutrientes forem respectivamente maiores que 25% e
50% dos valores da fórmula, as quantidades devem ser recalculadas; b) observar a
relação custo/benefício e solubilidade na escolha dos sais fertilizantes; c) o
nitrogênio na forma amoniacal (NH4+) não deve ultrapassar mais do que 20% da
quantidade total de N da formulação; d) evitar a mistura de solução concentrada de
nitrato de cálcio com sulfatos e fosfatos, pois podem ocorrer a formação de
compostos insolúveis (precipitados) como sulfato de cálcio e fosfato de cálcio; e)
dar preferência ao uso de molibdato de amônio ou ácido molíbdico em vez do
molibdato de sódio, pois este é muito alcalino e quando adicionado ao coquetel dos
demais sais de micronutrientes pode ocasionar precipitações de alguns deles.
Quadro 5. Relação de sais/fertilizantes usados como fontes de macronutrientes
para o preparo de soluções nutritivas.
Quadro 6. Relação de sais/fertilizantes usados como fontes de micronutrientes para o
preparo de soluções nutritivas.
Uma grande parte das soluções nutritivas não tem capacidade tampão,
dessa forma o pH varia continuamente, não se mantendo dentro de uma faixa ideal.
Variações na faixa de 4,5 a 7,5 são toleradas, sem problemas ao crescimento das
plantas. No entanto, valores abaixo de 4,0 afetam a integridade das membranas
celulares e valores superiores a 6,5 deve-se ter atenção redobrada com possíveis
sintomas de deficiência de Fe, P, B e Mn.
As variações de pH que ocorrem na solução nutritiva são reflexos da
absorção diferenciada de cátions e ânions. Por exemplo, quando o N é fornecido na
forma nítrica, a absorção de ânions é maior que cátions ocorrendo elevação do pH.
Por esta razão, recomenda-se o fornecimento de parte do nitrogênio também na
forma amoniacal (NH4+), tornando a solução mais tamponada. É mais conveniente
manter a solução nutritiva equilibrada em cátions e ânions para atender a demanda
da planta, que tentar manter o pH numa faixa estreita de valores através do uso de
ácido (sulfúrico, fosfórico, nítrico ou clorídico) ou de bases (hidróxido de sódio, de
potássio ou de amônio) fortes para diminuir ou aumentar o pH do meio de
crescimento, respectivamente. Convém salientar que o uso desses produtos deve
ser feito com cautela, pois podem causar sérias queimaduras quando em contato
com a pele e olhos do operador.
Considerando que a absorção de nutrientes pelas plantas é seletiva em
função da espécie e do cultivar, a reposição dos nutrientes durante o
desenvolvimento das plantas sem afetar o balanço entre as suas concentrações na
solução nutritiva, passa a ser o maior desafio dos produtores hidropônicos.
Diferentes formas de reposição de nutrientes são mencionadas na literatura,
de acordo com Berry (1996). Durante o desenvolvimento do cultivo hidropônico
comercial, os sistemas de manejo foram também evoluindo. Inicialmente,
procurava-se renovar periódicamente a solução nutritiva. Entretanto, essa prática
ocasionava desperdícios com o conseqüente efeito poluente e, passou a ser
substituída pela adição de sais proporcional ao volume de água consumido pelas
plantas, usando como critério os valores da evapotranspiração. Este critério
provocava aumentos nas concentrações de nutrientes extraídos em menores
quantidades e deficiência dos nutrientes extraídos em maiores quantidades, se a
solução nutritiva não fosse balanceada para a cultura. Embora sejam fáceis de usar
na prática, estes critérios foram substituídos pelo controle da concentração salina
da solução nutritiva mediante monitoramento com condutivímetro portátil. No
entanto, a leitura fornecida pelo condutivímetro não discrimina os nutrientes,
podendo também ocasionar desequilíbrios nutricionais. Para contornar esses
problemas, a análise química periódica da solução nutritiva é a única maneira de
repor à solução nutritiva, as quantidades de nutrientes que foram absorvidos pelas
plantas. Do ponto de vista prático, exige-se que a análise seja feita de forma rápida
e com custo baixo, o que nem sempre é conseguido por produtores residentes
distantes de laboratórios de análises. Mais recentemente, esforços tem sido
direcionados para o desenvolvimento de sensores que estimam a concentração dos
nutrientes individualmente. Entretanto, nada definitivo e confiável existe no
mercado brasileiro.
Para calcular as quantidades de sais ou de fertilizantes necessários para o
preparo de qualquer uma das soluções nutritivas listadas nos quadros 2 a 4, pode-
se multiplicar a concentração requerida do nutriente pela quantidade listada na
quinta coluna do quadro 5 para se obter 1 mgL-1 de um determinado
macronutriente, ou 0,1 mgL-1 de um micronutriente.
Também a condutividade elétrica (em mS) de qualquer solução nutritiva
pode ser estimada à priori, somando-se os resultados da multiplicação da
quantidade de cada sal pelo respectivo coeficiente de condutividade elétrica,
conforme mostrado na quarta coluna do quadro 5, tomando-se o cuidado de
transformar as quantidades em gL-1 para kg1.000 L-1.
Sugestão de Receitas para o Preparo de Soluções Nutritivas para Diversas
Culturas em Hidroponia - NFT
a) Carrasco & Izquierdo (1996) - Hortaliças diversas (alface, manjericão, melão,
tomate e pepino): Solução estoque A (g.100L-1): nitrato de cálcio
(4.330); Solução estoque B (g100L-1): nitrato de potássio (8.295), nitrato de
magnésio (3.270), fosfato monopotássio (MKP) (2.070), sulfato de potássio (3.665),
quelato de ferro (FeEDTA-13% Fe) (400), Sequelene® (Mistura de micros: 1,6% Mn,
0,88% B, 0,8% Cu, 0,24% Mo e 1,12% Zn) (1,25).
Para preparar 1.000 L de uma solução nutritiva com CE ao redor de 2,5 mS
acrescentar 10 L de cada uma das soluções estoques ao reservatório e completar o
volume com água. Para as diferentes espécies, usar a seguinte faixa recomendada
de CE: alface (1,5 a 2,5 mS), manjericão (1,5 a 2,0 mS), melão (3,0 a 3,5 mS),
pepino (3,0 a 3,5 mS) e tomate (2,5 a 3,0 mS).
b) Resh (1993) – Tomate – Solução estoque A1 (g100L-1): nitrato de cálcio
(4.600); Solução estoque B1(g100L-1): nitrato de potássio (2.300), fosfato
monopotássico (1.800), sulfato de potássio (1.600) e sulfato de magnésio
(2.000); Solução estoque A2 (g.100L-1): nitrato de cálcio (6.900); Solução
estoque B2(g.100L-1): nitrato de potássio (1.900), fosfato monopotássico (2.500),
sulfato de potássio (3.900) e sulfato de magnésio (3.300); Solução estoque
A3 (g100L-1): nitrato de cálcio (9.200); Solução estoque B3(g.100L-1): nitrato de
potássio (3.100), fosfato monopotássico (2.900), sulfato de potássio (5.000) e
sulfato de magnésio (4.500); Solução estoque C (g100L-1): ácido bórico (17),
sulfato de manganês (32), sulfato de cobre (2,8), sulfato de zinco (4,5), molibdato
de sódio (1,3), quelato de ferro (10%Fe) (300). As soluções estoques com índices 1,
2 e 3 referem-se, respectivamente, aos estádios de crescimento 1- pós-emergência
até primeira folha verdadeira, 2 – da primeira folha verdadeira até aparecimento
dos primeiros frutos com 0,5 a 1,5cm de diâmetro, e 3- desta fase em diante até o
final do ciclo. A solução estoque C (micronutrientes) é a mesma para os três
estádios.
Para preparar 1.000 L de solução nutritiva para uso nas três distintas fases de
desenvolvimento do tomateiro, acrescentar 10 L de cada uma das soluções
estoques A, B e C ao reservatório e completar o volume com água.
c) Papadopoulos (1991) - Tomate - Solução estoque A (g100L-1): nitrato de cálcio
(9.900), nitrato de potássio (6.600); Solução estoque B (g100 L-1): sulfato de
magnésio (5.000), fosfato monopotássio (MKP) (2.700), Dissolvine® (FeEDTA-13%
Fe) (300), sulfato de manganês (50), ácido bórico (20), sulfato de cobre (3), sulfato
de zinco (3,5), molibdato de amônio (1).
Para preparar 1.000 L de solução nutritiva com CE ao redor de 2,2 mS acrescentar 8
litros de cada uma das soluções estoques ao reservatório e completar o volume
com água. Quando iniciar com uma cultura nova (transplante de mudas), preparar
uma solução com CE igual a 1,5 mS e aumentar gradualmente a CE para 2,2 mS
durante a primeira semana de crescimento.
d) Papadopoulos (1994) - Pepino - Solução estoque A: (g100L-1) nitrato de cálcio
(4.400), nitrato de potássio (6.270), nitrato de amônio (500); Solução estoque B:
(g100L-1) sulfato de magnésio (5.000), fosfato monopotássio (MKP) (220),
Dissolvine® (FeEDTA-13% Fe) (100), sulfato de manganês (25), ácido bórico (9),
sulfato de cobre (3), sulfato de zinco (3,5), molibdato de amônio (1).
Para preparar 1.000 L de solução nutritiva com CE ao redor de 2,2 mS acrescentar 8
litros de cada uma das soluções estoques ao reservatório e completar o volume
com água. Quando iniciar com uma cultura nova (transplante de mudas), preparar
uma solução com CE igual a 1,5 mS e aumentar gradualmente a CE para 2,2 mS
durante a primeira semana de crescimento.
e) Furlani (1998) – Para diversas hortaliças de folhas - O Instituto Agronômico de
Campinas tem uma proposta de preparo e manejo de solução nutritiva para cultivo
hidropônico, destinada para diversas espécies de plantas e já utilizada por muitos
produtores em escala comercial. O produtor pode preparar sua própria solução
nutritiva utilizando sais ou fertilizantes simples, de maneira fácil e rápida. No seu
preparo são usadas as quantidades de sais/fertilizantes, conforme consta do quadro
7 (Furlani, 1988). Com essas quantidades de sais, a solução nutritiva resultante
teoricamente deve ter a composição apresentada no quadro 2 (Furlani, 1998). É
importante salientar que a quantidade fornecida de N e P pode variar, dependendo
da qualidade do fertilizante MAP (fosfato monoamônio), podendo-se optar entre o
comum (22% de P) ou o purificado (26% de P). Devido às pequenas quantidades
utilizadas, os micronutrientes podem ser fornecidos no preparo da solução inicial,
através da alíquota de 100 mL de uma solução estoque contendo em um litro dez
vezes as quantidades recomendadas de cada sal de micronutriente, com exceção
do ferro que deve ser fornecido separadamente.
Quadro 7. Quantidades de sais para o preparo de 1.000 L de solução nutritiva proposta
do Instituto Agronômico (Furlani, 1998)
O manejo da solução nutritiva sugerido pelo Instituto Agronômico é baseado
no trabalho de Nielsen (1984), que utiliza o critério da manutenção da
condutividade elétrica, mediante a adição de soluções de ajuste com composições
químicas que apresentam uma relação entre os nutrientes semelhante à extraída
pela planta cultivada. A partir de dados da composição química de diversas
hortaliças folhosas (quadro 1), Furlani (1998) sugere as formulações constantes dos
quadros 7 e 8 para o preparo e manejo da solução nutritiva, respectivamente. Para
preparar a solução nutritiva, dissolver cada sal separadamente e acrescentar ao
depósito já contendo cerca de 900 L de água, cada uma das soluções concentradas
e na ordem em que estão listadas no quadro 7. Após a adição da última solução
concentrada, acrescentar água até atingir o volume de 1.000 L. Tomar a medida da
condutividade elétrica. O valor da condutividade elétrica (CE) da solução nutritiva
do IAC situa-se ao redor de 2,0 mS ou 2.000 µS ou 1.280 ppm ou 20 CF (1 mS =
1.000 µS; 640 ppm = 1.000 µS; 1CF = 100 µS). Pequena variação poderá ser
encontrada em função da composição química da água usada para o seu preparo.
No caso de se optar pelo uso de uma solução nutritiva com condutividade de 1,0 ou
1,5 mS ou 1.000 ou 1.500 µS (recomendado para o verão e para locais de clima
quente - região Norte e Nordeste), basta multiplicar por 0,50 ou 0,75 os valores das
quantidades indicadas dos macronutrientes, mantendo em 100% os
micronutrientes.
Quadro 8. Composições das soluções de ajuste para as culturas de hortaliças de folhas
(Furlani, 1998)
. É conveniente que o volume do depósito seja completado quantas vezes
forem necessárias durante o dia para evitar elevação muito grande na
concentração salina da solução nutritiva Para o manejo da solução durante a fase
de desenvolvimento das plantas seguir o seguinte procedimento:
a) diáriamente, logo pela manhã, fechar o registro de irrigação, esperar toda a
solução voltar ao depósito e completar o volume do reservatório com água e
homogeneizar a solução nutritiva.
b) proceder a leitura da condutividade elétrica, retirando uma amostra do
reservatório;
c) para cada diferença na condutividade inicial de 0,25 mS ou 250 µS ou 150 ppm,
adicionar 1 L da solução A, 1 L da solução B e 50 mL da solução C (quadro 8). Para
os micronutrientes, a reposição também pode ser semanal, em vez de diária
através da solução C, adicionando-se 25% da quantidade de Fe e 50% dos demais
micronutrientes, conforme o quadro 7;
d) após a adição das soluções e homogeneização da solução nutritiva efetuar nova
leitura e caso esta esteja na faixa adotada, abrir o registro de irrigação das plantas.
É conveniente manter o reservatório de solução nutritiva sempre no nível,
acrescentando água para repor o volume evapotranspirado. Caso seja conveniente,
o volume poderá ser completado à tarde e a condutividade elétrica medida e
corrigida na manhã do dia seguinte.
O ajuste químico perfeito da solução nutritiva depende da cultivar, do
ambiente de crescimento, da época do ano e principalmente da qualidade da água
usada no cultivo hidropônico. Quando se procede a adição de água para repor as
perdas por evapotranspiração, acrescentam-se também os nutrientes que estão
presentes na água.
A água usada no cultivo hidropônico no Instituto Agronomico (IAC) tem
apresentado a seguinte composição: 19 mgL-1 para Ca, 5 mgL-1 para Mg e 5 mgL-
1
para K e 0,2S de CE. Isso indica que para cada 1.000 L de água reposta ao tanque,
acrescentam-se também 19 g de Ca, 5 g de Mg e 5 g de K. Como consequência
dessas adições ao longo do tempo para repor as perdas por evapotranspiração (o
consumo médio de água num cultivo de alface hidropônica situa-se entre 75 e 100
mLplanta-1dia-1), poderá ocorrer desequilíbrio entre os nutrientes na solução
nutritiva, com excesso de Ca e Mg em relação à K. Para contornar esse
desequilibrio, deve-se proceder a análise química da solução nutritiva e efetuar as
correções nos níveis dos nutrientes, ou então renovar a solução nutritiva quando as
quantidades dos nutrientes acrescentados com a água atingirem valores maiores
dos iniciais. A renovação da solução nutritiva também é recomendada para evitar
aumento nas concentrações de materiais orgânicos (restos de plantas, exsudados
de raízes e crescimento de algas) que podem servir como substrato para o
desenvolvimento de microorganismos maléficos. Além disso, quando a água usada
para o cultivo hidropônico apresentar CE entre 0,2-0,4 mS, há uma indicação que
possui sais dissolvidos (carbonatos, bicarbonatos, Na, Ca, K, Mg, S, etc.) e com o
tempo de cultivo e sua constante adição para repor as perdas evapotranspiradas,
ocorrerá uma diminuição gradativa da CE efetiva dos nutrientes devido ao acúmulo
de elementos indesejáveis.
Considerações Adicionais
Nos cultivos comerciais é comum ocorrer murchamento de plantas nas
horas mais quentes do dia. Para contornar tal problema, é importante manter o
nível do reservatório próximo da capacidade adotada, principalmente para as
culturas de ciclo rápido, pois em decorrência da maior absorção de água e aumento
de temperatura, a condutividade elétrica real pode aumentar no decorrer do dia e
atingir valores críticos para as plantas. Para regiões de clima quente, este sintoma
pode ser resultado de aumento na concentração de sais na solução nutritiva pois
sabe-se que, proporcionalmente, as plantas absorvem mais água que nutrientes.
Vale ressaltar que nestes locais é conveniente trabalhar com soluções mais
diluídas. Outra causa do murchamento está relacionada com o apodrecimento do
sistema radicular por patógenos e, ou, por falta de oxigênio na solução nutritiva,
cujos sintomas iniciais causam escurecimento das raízes. Portanto, antes de
qualquer decisão sobre a causa provável desse murchamento, o produtor deve
procurar identificá-la corretamente.
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1
Eng° Agr°, Dr., [Link]./CSRA/Instituto Agronomico – Caixa Postal 28 –
CEP13001-970 Campinas, SP. Bolsista do CNPq. E-mail: pfurlani@[Link]
2
Eng° Agr°, [Link]., Assistente Técnico/Estação Experimental de Agronomia em
Pindorama/Instituto Agronomico – Caixa Postal 24 – CEP15830-000 Pindorama, SP.
E-mail: lcsilveira@[Link]
3
Eng° Agr°, [Link]./Núcleo de Agronomia da Alta Mogiana/Instituto Agronomico
– Caixa Postal 271 – CEP14001-970 Ribeirão Preto, SP. E-
mail: denizart@[Link]
4
Eng° Agr°, Dr. Professor Titular do DCS/UFLA, Caixa Postal 37 - CEP 37.200-000
Lavras, MG. Bolsista do CNPq. E-mail: vafaquin@[Link]
Reprodução autorizada desde que citado a autoria e a fonte
Dados para citação bibliográfica(ABNT):
FURLANI, P.R.; SILVEIRA, L.C.P.; BOLONHEZI, D.; FAQUIN, V. Cultivo Hidropônico de Plantas: Parte 2 -
Solução Nutritiva. 2009. Artigo em Hypertexto. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 9/2/2016
Publicado no Infobibos em 06/05/2009
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