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Equações Simétricas de Retas

O documento aborda a Geometria Analítica, focando na representação de retas e planos. Ele apresenta diferentes formas de equações de retas, como vetoriais, paramétricas, simétricas e reduzidas, além de discutir a ortogonalidade entre retas e a representação cartesiana de planos. Exemplos práticos são fornecidos para ilustrar os conceitos discutidos.
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Equações Simétricas de Retas

O documento aborda a Geometria Analítica, focando na representação de retas e planos. Ele apresenta diferentes formas de equações de retas, como vetoriais, paramétricas, simétricas e reduzidas, além de discutir a ortogonalidade entre retas e a representação cartesiana de planos. Exemplos práticos são fornecidos para ilustrar os conceitos discutidos.
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Universidade Federal de Santa Maria

Departamento de Matemática

MTM 1039/1073/1009

Geometria Analı́tica - Retas e Planos

Profa Dra Luciane Gobbi Tonet

Iniciaremos agora a parte final do nosso estudo sobre Geometria Analı́tica. Estudaremos di-
ferentes formas da representação de retas e planos, além da posição relativa entre eles. Vamos
lá?

1 Representação cartesiana da reta


Consideremos um ponto A(x1 , y1 , z1 ) e um vetor não nulo →

v = (a, b, c). Seja r a reta que passa


pelo ponto A e tem a direção de v .

−→
Um ponto P (x, y, z) pertence à reta r se, e somente se, o vetor AP é paralelo a →

v , isto é,
−→
AP = t→

v (1)

para algum t ∈ R. Esta é denominada Equação vetorial da reta.

Exemplo 1.1. Vamos determinar a equação vetorial da reta r que passa pelo ponto A(1, −1, 4)
e tem direção do vetor →

v = (2, 3, 2). Da igualdade 1, obtemos que P − A = t→

v , ou seja,

P = A + t→

v
(x, y, z) = (1, −1, 4) + t(2, 3, 2)

Fazendo t ∈ R variar, obtemos diferentes pontos da reta. Por exemplo, para t = 1, temos
P1 (3, 2, 6).

57
A equação que representa a reta r no exemplo anterior não é única. Basta tomar outro ponto
de r em vez do ponto A, ou outro vetor qualquer não nulo que seja múltiplo de → −
v . Por exemplo,

(x, y, z) = (1, −1, 4) + t(4, 6, 4)

é outra equação vetorial que representa a mesma reta r.


Da equação vetorial em 1,

(x, y, z) = (x1 , y1 , z1 ) + t(a, b, c)

obtemos, pela condição de igualdade,



 x = x1 + at


y = y1 + bt (2)


 z = z + ct
1

Estas são chamadas equações paramétricas da reta.

Exemplo 1.2. Vamos determinar as equações paramétricas da reta r que passa pelo ponto
A(3, −4, 2) e é paralela ao vetor →

v = (2, 1, −3). Neste caso, partindo novamente de 1,

P = A + t→

v
(x, y, z) = (3, −4, 2) + t(2, 1, −3)

onde, pela condição de igualdade, 


 x = 3 + 2t


y = −4 + t

 z = 2 − 3t

Ressaltamos que a reta definida pelos pontos A e B é a reta que passa por A (ou por B) e tem
−→
a direção do vetor →

v = AB. Vejamos um exemplo.

Exemplo 1.3. Vamos escrever as equações paramétricas da reta r que passa pelos pontos A(3, −1, −2)
−→
e B(1, 2, 4). Neste caso, considerando AB = B − A = (−2, 3, 6) e, novamente, a igualdade 1,
−→
P = A + tAB
(x, y, z) = (3, −1, −2) + t(−2, 3, 6)

onde, pela condição de igualdade, 


 x = 3 − 2t


y = −1 + 3t

 z = −2 + 6t

58
Das equações paramétricas em 2, supondo que abc 6= 0 (isso significa que nenhum deles é nulo)
obtemos
x − x1 y − y1 z − z1
= = =t (3)
a b c
Estas são denominadas equações simétricas da reta que passa pelo ponto A(x1 , y1 , z1 ) e tem a
direção do vetor →

v = (a, b, c).

Exemplo 1.4. Vamos escrever as equações simétricas da reta r que passa pelo ponto A(3, 0, −5)
e tem a direção do vetor →

v = (2, 2, −1). Vocês podem partir diretamente da igualdade 3 para
solucionar este exemplo. Em particular, observem que podemos obter tal equação a partir da
igualdade 1, conforme destacamos a seguir:

P = A + t→

v
(x, y, z) = (3, 0, −5) + t(2, 2, −1)

onde, pela condição de igualdade, 


 x = 3 + 2t


y = 2t

 z = −5 − t

Isolando t em cada uma das equações acima, obtemos


x−3 y −z − 5
= = = t.
2 2 1

Das equações simétricas da reta temos que


x − x1 y − y1
=
a b
x − x1 z − z1
=
a c
donde segue que, isolando y e z em função de x,
b(x − x1 )
y = y1 +
a
c(x − x1 )
z = z1 +
a
Ou seja, podemos expressar y e z em função da variável x, de tal modo que, mais geralmente,
y e z podem ser escritos da seguinte forma:

y = mx + n
z = px + q (4)

Essão são as denominadas Equações reduzidas da reta. Vocês podem assistir a uma aula
sobre estas equações clicando aqui .
59
Exemplo 1.5. Seja a reta r definida pelo ponto A(2, −4, −3), pelo vetor diretor →

v = (1, 2, −3)
e expressa pelas equações simétricas
x−2 y+4 z+3
= = .
1 2 −3
Da primeira igualdade, isolando y, obtemos que

y = 2x − 8

e, isolando z em função x, temos


z = −3x + 3.

Essa são as equações reduzidas da reta r.

Todas as equações de reta vistas nestes exemplos estão representadas no espaço. Observamos
que podemos sempre reduzir a dimensão, bastando-nos suprimir a variável z.

Exercı́cio 1.6. A equação ax + by + c = 0 da reta que passa por dois pontos A(xa , ya ) e B(xb , yb )
pode ser obtida a partir do seguinte determinante nulo

xa ya
x y
=0
xb yb
xa ya

conforme podemos ver na aula disponı́vel aqui. Com base neste resultado, obtenha uma equação
da reta que passa por A(1, 3) e B(−2, 8).

Definição 1.7. Sejam as retas r1 e r2 com as direções dos vetores →



v1 e →

v2 , respectivamente.
Chama-se ângulo de duas retas r1 e r2 o menor ângulo θ entre um vetor diretor de r1 e um vetor
diretor de r2 .

Assim,
|<→ −
v1 , →
−v2 > |
cosθ =
| v1 |.|→

− −
v2 |
onde 0 ≤ θ ≤ π2 .

Exercı́cio 1.8. Como consequência do produto escalar, vimos que

<→ −
v1 , →
−v2 >
cosθ = →
| v1 |.|→
− −
v2 |

dados dois vetores →



v1 e →

v2 . Compare este resultado com a definição anterior. Por que foi acrescido
o módulo do produto escalar na definição de ângulo entre retas? Tente justificar!

60
Exemplo 1.9. Vamos calcular o ângulo entre as retas:

 x=3+t


r1 : y=t

 z = −1 − 2t

(equação paramétrica) e
x+2 y−3 z
r2 : = =
−2 1 1

− →

(equação simétrica). Para isso, sejam v1 = (1, 1, −2) e v2 = (−2, 1, 1) os vetores diretores de r1
e r2 , respectivamente. Assim,
| < (1, 1, −2), (−2, 1, 1) > | 3 1
cosθ = =√ √ =
|(1, 1, −2)|.|(−2, 1, 1)| 6 6 2
e, portanto, θ = 60o .

Sejam as retas r1 e r2 com as direções de →



v1 e →

v2 , respectivamente. Então r1 e r2 são retas

− →

ortogonais se, e somente se, < v , v >= 0. Isso nos garante que cosθ = 0 e, portanto, θ = 90o .
1 2
3
Em se tratando do R , duas retas ortogonais podem ser concorrentes ou não, ou seja, elas
formam um ângulo de θ = 90o , mas podem ou não se interseptar. Observem a figura a seguir:

Neste caso, temos que

1) r1 é ortogonal e concorrente a r (perpendicular);

2) r2 é ortogonal não concorrente a r;

3) r1 e r2 são paralelas.

Convém ressaltar que, normalmente, denotamos por perpendiculares duas retas


que são ortogonais concorrentes. Trata-se de um caso particular de ortogonalidade.

Exemplo 1.10. Sejam r1 e r2 retas definidas, respectivamente, por



 x=t


y = −2t + 1


 z = 4t
61
e 
 x = 3 − 2t


y =4+t


 z=t

Sejam → −
v1 = (1, −2, 4) e →

v2 = (−2, 1, 1) os vetores diretores de r1 e r2 , respectivamente. Como

− →

< v1 , v2 >= 0, então r1 e r2 são ortogonais. No entanto, observamos ainda que r1 e r2 não são
concorrentes, ou seja, não existe ponto em comum entre elas. De fato, suponhamos que exista
um ponto P (x, y, z) em comum entre estas retas. Então este ponto satisfaz as duas equações
simultaneamente, isto é, 
 t = 3 − 2t


−2t + 1 = 4 + t


 4t = t

Observamos que não existe um t ∈ R que satifaz as três equações deste sistema linear. Logo,
não existem pontos em comum entre as retas dadas, o que significa que elas são reversas (não
pertencem a um mesmo plano).

Exercı́cio 1.11. Recordamos que, o módulo do produto misto entre três vetores no espaço nos
retorna o volume do sólido por eles formado. Como podemos utilizar esta aplicação do produto
misto para concluir se duas retas são reversas ou não? Veja mais detalhes no Exemplo 3.1 (c).

2 Representação cartesiana do plano


Seja A(x1 , y1 , z1 ) um ponto pertencente a um plano π e →−
v = (a, b, c) um vetor não-nulo ortogonal
ao plano. Desta forma, → −v é ortogonal (ou normal) a todo vetor representado em π. Observem a
figura a seguir:

A partir da observação da figura, podemos concluir que um ponto P (x, y, z) ∈ π se, e somente
−→ −→
se, o vetor AP é ortogonal a →−v , isto é, < →

v , AP >= 0. Com isso,
−→
<→ −
v , AP > = < (a, b, c), (x − x1 , y − y1 , z − z1 ) >
= a(x − x1 ) + b(y − y1 ) + c(z − z1 )
= ax + by + cz − (ax1 + by1 + cz1 ) = 0

Consideremos d = −(ax1 + by1 + cz1 ) ∈ R, termo este que já é conhecido. Logo,

ax + by + cz + d = 0 (5)
62
é a equação geral do plano π.
Algumas observações são imediatas a partir desta definição. Vejamos:

1) Como →

v = (a, b, c) é normal a π, então λ→

v é normal a π, para todo número real λ 6= 0.

2) Na equação 5, os coeficientes a, b, c são as coordenadas do vetor →



v normal a π.

3) Seja P0 (x0 , y0 , z0 ) ∈ π tal que ax0 + by0 + cz0 + d = 0 implica que d = 0, então dizemos que
P0 é a origem do plano π.

4) Se o plano contém o ponto (0, 0, 0), então a equação geral do plano satisfaz ax + by + cz = 0.

Vamos estudar um exemplo!

Exemplo 2.1. Determinaremos a equação geral do plano que passa pelo ponto P (1, 1, −1) e tem
como vetor normal →

v = (2, −1, 3). De imediato, temos que, ao substituir o vetor →

v na equação
geral 5,
2x − y + 3z + d = 0.

Como P (1, 1, −1) é um ponto do plano, então suas coordenadas satisfazem esta equação. Ou seja,

2(1) − (1) + 3(−1) + d = 0

de onde obtemos que d = 2. Logo, 2x − y + 3z + 2 = 0 é a equação solicitada.

Consideremos um plano que passa pelo ponto A(x0 , y0 , z0 ) e é paralelo aos vetores →

v1 = (a, b, c)


e v2 = (d, e, f ). Observamos que se P (x, y, z) é um ponto qualquer do plano, então os vetores
−→ →
AP , −
v1 e →

v2 são coplanares e, portanto, o produto misto deles é nulo (a figura criada não tem
volume por ser coplanar). Ou seja,

x − x0 y − y0 z − z0
−→ − →
(AP , →
v1 , −
v2 ) = a b c = 0.
d e f

A partir deste determinante, também obtemos a equação geral do plano. Trata-se de um outra
aplicação para o produto misto!

Exercı́cio 2.2. Determine a equação geral do plano que passa pelo ponto A(1, −3, 4) e é paralelo
aos vetores →

v = (3, 1, −2) e →
1

v = (1, −1, 1).
2

Resposta: −x − 5y − 4z + 2 = 0.

Sejam A(x0 , y0 , z0 ) ∈ π, →

u = (a1 , b1 , c1 ) e →

v = (a2 , b2 , c2 ) vetores paralelos a π mas não
paralelos entre si. Observem:

63
Um ponto P (x, y, z) pertence a π se, e somente se, existem h, t ∈ R tais que
−→
AP = h→

u + t→

v.

Ou seja,

P − A = h→

u + t→

v
P = (x0 , y0 , z0 ) + h(a1 , b1 , c1 ) + t(a2 , b2 , c2 ) (6)

À igualdade 6, denominamos equação vetorial do plano π.


A partir da igualdade 6 obtemos:


 x = x0 + ha1 + ta2


y = y0 + hb1 + tb2 (7)


 z = z + hc + tc
0 1 2

denominadas equações paramétricas do plano π, em que h, t ∈ R são conhecidas como


parâmetros.
Vejamos um exemplo.

Exemplo 2.3. Vamos determinar as equações paramétricas do plano π que passa pelo ponto
A(1, −1, 1) e é paralelo aos vetores →

u = (2, 1, −1) e →

v = (2, −1, 0). Neste caso, conforme 6, a
equação vetorial do plano π será dada por
−→
AP = h→

u + t→
−v
P = A + h→

u + t→

v
(x, y, z) = (1, −1, 1) + h(2, 1, −1) + t(2, −1, 0)

Com isso, seguindo 7, obtemos as equações paramétricas



 x = 1 + 2h + 2t


y = −1 + h − t

 z =1−h

com h, t ∈ R.

64
Definição 2.4. Sejam os planos π1 e π2 , com vetores normais →

u e→

v , respectivamente. Chama-
se ângulo de dois planos o menor ângulo formado entre o vetor normal a π1 e o vetor normal a
π2 .

Se θ for esse ângulo, então temos


|<→−u ,→−v >|
cosθ = →
− →

| u || v |
π
com 0 ≤ θ ≤ .
2
Exemplo 2.5. Sejam π1 : 2x + y − z − 1 = 0 e π2 : x + y − 2 = 0, com vetores normais


v1 = (2, 1, −1) e →

v2 = (1, 1, 0), respectivamente. Então,
|<→ −
v1 , →

v2 > |
cosθ = →
− →

| v || v |
1 2
| < (2, 1, −1), (1, 1, 0) > |
=
|(2, 1, −1)||(1, 1, 0)|

3 3 3
= √ √ = √ =
6. 2 2 3 2
e, portanto, θ = 30o é o ângulo entre π1 e π2 .

Sejam os planos π1 e π2 , com vetores normais →



v1 e →

v2 , respectivamente.

Observe que
π1 ⊥ π2 ⇐⇒ →

v1 ⊥ →

v2 ⇐⇒< →

v1 , →

v2 >= 0

Exemplo 2.6. Sejam os planos π1 : 2x + y − z + 1 = 0 e π2 : x + 2z − 2 = 0, com vetores normais




v1 = (2, 1, −1) e →

v2 = (1, 0, 2), respectivamente. Como

<→

v1 , →

v2 >=< (2, 1, −1), (1, 0, 2) >= 0

então →

v1 ⊥ →

v2 e, portanto, π1 ⊥ π2 .
65
Exercı́cio 2.7. Os planos π1 : 2x + y − z + 1 = 0 e π2 : x + y − 2 = 0 são perpendiculares?

Resposta: Não são.

Seja r uma reta com a direção de →



v e um plano Ω com vetor normal →

n , conforme ilustra a
figura a seguir:

À esquerda, nesta figura, temos que

r k Ω ⇐⇒ →

v ⊥→

n ⇐⇒< →

v ,→

n >= 0.

Por outro lado, na direita, temos que

r ⊥ Ω ⇐⇒ →

v k→

n ⇐⇒ →

v = λ→

n

para algum λ ∈ R.
Vejamos um exemplo que ilustra isso.

Exemplo 2.8. Sejam 


 x = −3 + t


r: y = −1 + 2t


 z = 4t

e π : mx − y − 2z − 3 = 0. Vamos determinar m para que:

a) r k π.
Observamos que
rkπ⇔→

v ⊥→

n ⇔< →

v ,→

n >= 0

onde →

v = (1, 2, 4) e →

n = (m, −1, −2). Logo,

<→

v ,→

n >=< (1, 2, 4), (m, −1, −2) >= m − 10 = 0

implica que m = 10.

b) r ⊥ π.
Neste caso,
r⊥π⇔→

v k→

n ⇔→

v = k→

n

66
para algum k ∈ R, onde →

v = (1, 2, 4) e →

n = (m, −1, −2). Logo,

(1, 2, 4) = (km, −k, −2k)

implica que 
 km = 1


−k = 2

 −2k = 4

e, portanto, m = − 12 .

Vamos praticar um pouco mais?

Exercı́cio 2.9. Determine m e n para que os planos π1 : (2m − 1)x − 2y + nz − 3 = 0 e


π2 : 4x + 4y − z = 0 sejam paralelos.

Solução: Recordem que dois planos são paralelos se, e somente se, seus vetores normais forem
paralelos, ou seja, →

v1 = k →

v2 , para algum k ∈ R. Assim, concluı́mos que m = − 21 e n = 12 .
x−2 y+1 z
Exercı́cio 2.10. Verifique se a reta r : = = é perpendicular ao plano π :
3 −2 −1
9x − 6y − 3z + 5 = 0.

Solução: Recordem que uma reta é perpendicular a um plano se o vetor diretor da reta for
paralelo ao vetor normal do plano. Neste caso, são perpendiculares.

Exercı́cio 2.11. Determine n para que a reta



 x=2+t


r: y =1+t

 z = −3 − 2t

esteja contida no plano Ω : 3x + ny + 2z − 1 = 0.

Solução: A reta estará contida no plano no caso em que vetor diretor da reta for perpendicular
ao vetor normal do plano, ou seja, o produto escalar entre eles for nulo. Com isso, obteremos
n = 1.

Sejam os planos não paralelos α e β ilustrados na figura a seguir.

67
A interseção entre esses dois planos, nessas condições, é uma reta s cuja equação deseja-se
determinar. Para tanto, como s está contida em α ∩ β então, as coordenadas de qualquer ponto
de s devem satisfazer as equações de α e β.
Vamos estudar um exemplo:

Exemplo 2.12. O sistema linear (


5x − y + z = 5
x + y + 2z = 7
tem duas equações e três incógnitas representando, geometricamente, dois planos no espaço. O
conjunto solução deste sistema é

S = {(x, 3x − 1, −2x + 4), x ∈ R}

sendo que y = 3x − 1 e z = −2x + 4 representam as equações reduzidas da reta que se forma na


interseção destes planos.

Exercı́cio 2.13. Determinar o ponto de interseção da reta



 x = −1 + 2t


r: y = 5 + 3t

 z =3−t

com o plano Ω : 2x − y + 3z − 4 = 0.

Solução: Ao substituirmos um ponto P (x, y, z) = (−1 + 2t, 5 + 3t, 3 − t) qualquer de r em


Ω, obtemos t = −1. Assim, substituindo t = −1 na equação de r obtemos (−3, 2, 4), o ponto de
interseção da reta r com o plano Ω.

3 Posições relativas entre retas, planos e entre reta e plano


Duas retas r1 e r2 , no espaço, podem ser coplanares, isto é, pertencem a um mesmo plano, ou
reversas, quando não estão situadas num mesmo plano.
1
Se r1 e r2 são coplanares, então elas podem ser paralelas

ou concorrentes

1
As figuras nesta seção estão disponı́veis em [Link]
[Link]
68
A figura a seguir ilustra um caso de retas reversas.

Para compreender melhor cada caso, vamos estudar alguns exemplos.

Exemplo 3.1. Vamos estudar a posição relativa das retas

a) (
y = 2x − 3
r1 :
z = −x
e 
 x = 1 − 3t


r2 : y = 4 − 6t


 z = 3t

Para isso, observemos inicialmente que →



v1 = (1, 2, −1) e →

v2 = (−3, −6, 3) são os vetores

− →

diretores de r e r , respectivamente. Como v = −3 v , então r k r . Além disso,
1 2 2 1 1 2

(0, −3, 0) ∈ r1 e (0, −3, 0) ∈


/ r1 de tal forma que r1 e r2 são paralelas não coincidentes
(existe um ponto que pertence a r1 e não pertence a r2 , o que significa que as retas são
distintas)

b)
x y−1
r1 : = =z
2 −1
e 
 x = 2 − 4t


r2 : y = 2t

 z = −2t + 1

Neste caso, temos que →



v1 = (2, −1, 1) e →

v2 = (−4, 2, 2) são os vetores diretores de r1 e r2 ,
respectivamente. Como → −
v = −2→
1
−v , então r k r . No entanto, substituindo (x, 2−x , x ),
2 1 2 2 2
2−x
ponto qualquer de r1 , em r2 , obtemos t = 4
. Ou seja, todo ponto de r1 está em r2 .

69
Analogamente, todo ponto de r2 satisfaz
 x
 = 1 − 2t
 2


y−1
= 1 − 2t


 −1
 z = −2t + 1

e, portanto, é um ponto de r1 . Com isso, as retas são coincidentes.

c) (
y=3
r1 :
z = 2x
e
r2 : x = y = z

Neste outro caso, temos que →



v1 = (1, 0, 2) e →

v2 = (1, 1, 1) são os vetores diretores de r1 e
r2 , respectivamente e, portanto, as retas não são paralelas. Sejam A1 (0, 3, 0) um ponto de
−−−→
r1 e A2 (0, 0, 0) um ponto de r2 . Então A1 A2 = (0, −3, 0) e,

0 −3 0
−−−→ − →
(A1 A2 , →
v1 , −
v2 ) = 1 0 2 6= 0.
1 1 1

Isso significa as retas não pertencem ao mesmo plano porque, segundo este determinante
não nulo, existe volume no paralelepı́pedo formado por estes três vetores. Dizemos, assim,
que estas retas são reversas.

Resumindo
Se r1 e r2 não forem retas paralelas, então
−−−→
(→

v1 , →

v2 , A1 A2 ) = 0

afirma que r1 e r2 são concorrentes, enquanto que


−−−→
(→

v1 , →

v2 , A1 A2 ) 6= 0

afirma que r1 e r2 são reversas (onde A1 é um ponto de r1 e A2 é um ponto de r2 ).

Exercı́cio 3.2. Estudar a posição relativa das retas


x−2 y z−5
r1 : = =
2 3 4
e 
 x=5+t


r2 : y =2−t

 z = 7 − 2t

70
Resposta: São concorrentes

Consideremos os planos
π1 : a1 x + b1 y + c1 z + d1 = 0
e
π 2 : a2 x + b 2 y + c 2 z + d 2 = 0
com vetores normais → −
n1 = (a1 , b1 , c1 ) e →

n2 = (a2 , b2 , c2 ), respectivamente.
Se π1 k π2 , então n1 k n2 . Ou seja, existe k ∈ R tal que →

− →
− −
n1 = k →

n2 e, com isso,
a1 b1 c1
= = .
a2 b2 c2
Esta última igualdade destaca a condição de paralelismo entre os planos.
Se ocorrer
a1 b1 c1 d1
= = =
a2 b2 c2 d2
então os planos π1 e π2 são coincidentes.
Agora, se π1 ⊥ π2 , então →−
n1 ⊥ →−
n2 . Ou seja, < →

n1 , →

n2 >= 0, donde segue que a condição de
perpendicularismo entre planos é dada pela igualdade

a1 a2 + b1 b2 + c1 c2 = 0

Exercı́cio 3.3. Vamos refletir um pouco:

a) Sob que condições uma reta r será paralela a um plano π?

b) Sob que condições uma reta r será perpendicular a um plano π?

Exemplo 3.4. Consideremos a reta


x−2 y+1 z
r: = =
3 −2 −1
e o plano
π : 9x − 6y − 3z + 5 = 0
em que →
−v = (3, −2, −1) é o vetor diretor de r e →

n = (9, −6, −3) é o vetor normal a π. Como

− →
− →
− →

n = 3 v , então n k v e, portanto, r ⊥ π.
1 1

Exercı́cio 3.5. Determinar os valores de m e n para que a reta



 x=2+t


r1 : y =1+t

 z = −3 − 2t

esteja contida no plano


π : mx + ny + 2z − 1 = 0.

Resposta: m = 3 e n = 1.
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Referências
O material aqui apresentado basea-se nas seguintes fontes:

• STEINBRUCH, Alfredo, Geometria Analı́tica. São Paulo, Makron Books, 1987.

• LIMA, Elon Lages, Geometria Analı́tica e Álgebra Linear. Rio de Janeiro, IMPA, 2005.

• BOLDRINI, José Luiz, Álgebra Linear. São Paulo, Habra, 1980.

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