Equações Simétricas de Retas
Equações Simétricas de Retas
Departamento de Matemática
MTM 1039/1073/1009
Iniciaremos agora a parte final do nosso estudo sobre Geometria Analı́tica. Estudaremos di-
ferentes formas da representação de retas e planos, além da posição relativa entre eles. Vamos
lá?
−→
Um ponto P (x, y, z) pertence à reta r se, e somente se, o vetor AP é paralelo a →
−
v , isto é,
−→
AP = t→
−
v (1)
Exemplo 1.1. Vamos determinar a equação vetorial da reta r que passa pelo ponto A(1, −1, 4)
e tem direção do vetor →
−
v = (2, 3, 2). Da igualdade 1, obtemos que P − A = t→
−
v , ou seja,
P = A + t→
−
v
(x, y, z) = (1, −1, 4) + t(2, 3, 2)
Fazendo t ∈ R variar, obtemos diferentes pontos da reta. Por exemplo, para t = 1, temos
P1 (3, 2, 6).
57
A equação que representa a reta r no exemplo anterior não é única. Basta tomar outro ponto
de r em vez do ponto A, ou outro vetor qualquer não nulo que seja múltiplo de → −
v . Por exemplo,
Exemplo 1.2. Vamos determinar as equações paramétricas da reta r que passa pelo ponto
A(3, −4, 2) e é paralela ao vetor →
−
v = (2, 1, −3). Neste caso, partindo novamente de 1,
P = A + t→
−
v
(x, y, z) = (3, −4, 2) + t(2, 1, −3)
Ressaltamos que a reta definida pelos pontos A e B é a reta que passa por A (ou por B) e tem
−→
a direção do vetor →
−
v = AB. Vejamos um exemplo.
Exemplo 1.3. Vamos escrever as equações paramétricas da reta r que passa pelos pontos A(3, −1, −2)
−→
e B(1, 2, 4). Neste caso, considerando AB = B − A = (−2, 3, 6) e, novamente, a igualdade 1,
−→
P = A + tAB
(x, y, z) = (3, −1, −2) + t(−2, 3, 6)
58
Das equações paramétricas em 2, supondo que abc 6= 0 (isso significa que nenhum deles é nulo)
obtemos
x − x1 y − y1 z − z1
= = =t (3)
a b c
Estas são denominadas equações simétricas da reta que passa pelo ponto A(x1 , y1 , z1 ) e tem a
direção do vetor →
−
v = (a, b, c).
Exemplo 1.4. Vamos escrever as equações simétricas da reta r que passa pelo ponto A(3, 0, −5)
e tem a direção do vetor →
−
v = (2, 2, −1). Vocês podem partir diretamente da igualdade 3 para
solucionar este exemplo. Em particular, observem que podemos obter tal equação a partir da
igualdade 1, conforme destacamos a seguir:
P = A + t→
−
v
(x, y, z) = (3, 0, −5) + t(2, 2, −1)
y = mx + n
z = px + q (4)
Essão são as denominadas Equações reduzidas da reta. Vocês podem assistir a uma aula
sobre estas equações clicando aqui .
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Exemplo 1.5. Seja a reta r definida pelo ponto A(2, −4, −3), pelo vetor diretor →
−
v = (1, 2, −3)
e expressa pelas equações simétricas
x−2 y+4 z+3
= = .
1 2 −3
Da primeira igualdade, isolando y, obtemos que
y = 2x − 8
Todas as equações de reta vistas nestes exemplos estão representadas no espaço. Observamos
que podemos sempre reduzir a dimensão, bastando-nos suprimir a variável z.
Exercı́cio 1.6. A equação ax + by + c = 0 da reta que passa por dois pontos A(xa , ya ) e B(xb , yb )
pode ser obtida a partir do seguinte determinante nulo
xa ya
x y
=0
xb yb
xa ya
conforme podemos ver na aula disponı́vel aqui. Com base neste resultado, obtenha uma equação
da reta que passa por A(1, 3) e B(−2, 8).
Assim,
|<→ −
v1 , →
−v2 > |
cosθ =
| v1 |.|→
→
− −
v2 |
onde 0 ≤ θ ≤ π2 .
<→ −
v1 , →
−v2 >
cosθ = →
| v1 |.|→
− −
v2 |
60
Exemplo 1.9. Vamos calcular o ângulo entre as retas:
x=3+t
r1 : y=t
z = −1 − 2t
(equação paramétrica) e
x+2 y−3 z
r2 : = =
−2 1 1
→
− →
−
(equação simétrica). Para isso, sejam v1 = (1, 1, −2) e v2 = (−2, 1, 1) os vetores diretores de r1
e r2 , respectivamente. Assim,
| < (1, 1, −2), (−2, 1, 1) > | 3 1
cosθ = =√ √ =
|(1, 1, −2)|.|(−2, 1, 1)| 6 6 2
e, portanto, θ = 60o .
3) r1 e r2 são paralelas.
Sejam → −
v1 = (1, −2, 4) e →
−
v2 = (−2, 1, 1) os vetores diretores de r1 e r2 , respectivamente. Como
→
− →
−
< v1 , v2 >= 0, então r1 e r2 são ortogonais. No entanto, observamos ainda que r1 e r2 não são
concorrentes, ou seja, não existe ponto em comum entre elas. De fato, suponhamos que exista
um ponto P (x, y, z) em comum entre estas retas. Então este ponto satisfaz as duas equações
simultaneamente, isto é,
t = 3 − 2t
−2t + 1 = 4 + t
4t = t
Observamos que não existe um t ∈ R que satifaz as três equações deste sistema linear. Logo,
não existem pontos em comum entre as retas dadas, o que significa que elas são reversas (não
pertencem a um mesmo plano).
Exercı́cio 1.11. Recordamos que, o módulo do produto misto entre três vetores no espaço nos
retorna o volume do sólido por eles formado. Como podemos utilizar esta aplicação do produto
misto para concluir se duas retas são reversas ou não? Veja mais detalhes no Exemplo 3.1 (c).
A partir da observação da figura, podemos concluir que um ponto P (x, y, z) ∈ π se, e somente
−→ −→
se, o vetor AP é ortogonal a →−v , isto é, < →
−
v , AP >= 0. Com isso,
−→
<→ −
v , AP > = < (a, b, c), (x − x1 , y − y1 , z − z1 ) >
= a(x − x1 ) + b(y − y1 ) + c(z − z1 )
= ax + by + cz − (ax1 + by1 + cz1 ) = 0
Consideremos d = −(ax1 + by1 + cz1 ) ∈ R, termo este que já é conhecido. Logo,
ax + by + cz + d = 0 (5)
62
é a equação geral do plano π.
Algumas observações são imediatas a partir desta definição. Vejamos:
1) Como →
−
v = (a, b, c) é normal a π, então λ→
−
v é normal a π, para todo número real λ 6= 0.
3) Seja P0 (x0 , y0 , z0 ) ∈ π tal que ax0 + by0 + cz0 + d = 0 implica que d = 0, então dizemos que
P0 é a origem do plano π.
4) Se o plano contém o ponto (0, 0, 0), então a equação geral do plano satisfaz ax + by + cz = 0.
Exemplo 2.1. Determinaremos a equação geral do plano que passa pelo ponto P (1, 1, −1) e tem
como vetor normal →
−
v = (2, −1, 3). De imediato, temos que, ao substituir o vetor →
−
v na equação
geral 5,
2x − y + 3z + d = 0.
Como P (1, 1, −1) é um ponto do plano, então suas coordenadas satisfazem esta equação. Ou seja,
Consideremos um plano que passa pelo ponto A(x0 , y0 , z0 ) e é paralelo aos vetores →
−
v1 = (a, b, c)
→
−
e v2 = (d, e, f ). Observamos que se P (x, y, z) é um ponto qualquer do plano, então os vetores
−→ →
AP , −
v1 e →
−
v2 são coplanares e, portanto, o produto misto deles é nulo (a figura criada não tem
volume por ser coplanar). Ou seja,
x − x0 y − y0 z − z0
−→ − →
(AP , →
v1 , −
v2 ) = a b c = 0.
d e f
A partir deste determinante, também obtemos a equação geral do plano. Trata-se de um outra
aplicação para o produto misto!
Exercı́cio 2.2. Determine a equação geral do plano que passa pelo ponto A(1, −3, 4) e é paralelo
aos vetores →
−
v = (3, 1, −2) e →
1
−
v = (1, −1, 1).
2
Resposta: −x − 5y − 4z + 2 = 0.
Sejam A(x0 , y0 , z0 ) ∈ π, →
−
u = (a1 , b1 , c1 ) e →
−
v = (a2 , b2 , c2 ) vetores paralelos a π mas não
paralelos entre si. Observem:
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Um ponto P (x, y, z) pertence a π se, e somente se, existem h, t ∈ R tais que
−→
AP = h→
−
u + t→
−
v.
Ou seja,
P − A = h→
−
u + t→
−
v
P = (x0 , y0 , z0 ) + h(a1 , b1 , c1 ) + t(a2 , b2 , c2 ) (6)
x = x0 + ha1 + ta2
y = y0 + hb1 + tb2 (7)
z = z + hc + tc
0 1 2
Exemplo 2.3. Vamos determinar as equações paramétricas do plano π que passa pelo ponto
A(1, −1, 1) e é paralelo aos vetores →
−
u = (2, 1, −1) e →
−
v = (2, −1, 0). Neste caso, conforme 6, a
equação vetorial do plano π será dada por
−→
AP = h→
−
u + t→
−v
P = A + h→
−
u + t→
−
v
(x, y, z) = (1, −1, 1) + h(2, 1, −1) + t(2, −1, 0)
com h, t ∈ R.
64
Definição 2.4. Sejam os planos π1 e π2 , com vetores normais →
−
u e→
−
v , respectivamente. Chama-
se ângulo de dois planos o menor ângulo formado entre o vetor normal a π1 e o vetor normal a
π2 .
Observe que
π1 ⊥ π2 ⇐⇒ →
−
v1 ⊥ →
−
v2 ⇐⇒< →
−
v1 , →
−
v2 >= 0
<→
−
v1 , →
−
v2 >=< (2, 1, −1), (1, 0, 2) >= 0
então →
−
v1 ⊥ →
−
v2 e, portanto, π1 ⊥ π2 .
65
Exercı́cio 2.7. Os planos π1 : 2x + y − z + 1 = 0 e π2 : x + y − 2 = 0 são perpendiculares?
r k Ω ⇐⇒ →
−
v ⊥→
−
n ⇐⇒< →
−
v ,→
−
n >= 0.
r ⊥ Ω ⇐⇒ →
−
v k→
−
n ⇐⇒ →
−
v = λ→
−
n
para algum λ ∈ R.
Vejamos um exemplo que ilustra isso.
a) r k π.
Observamos que
rkπ⇔→
−
v ⊥→
−
n ⇔< →
−
v ,→
−
n >= 0
onde →
−
v = (1, 2, 4) e →
−
n = (m, −1, −2). Logo,
<→
−
v ,→
−
n >=< (1, 2, 4), (m, −1, −2) >= m − 10 = 0
b) r ⊥ π.
Neste caso,
r⊥π⇔→
−
v k→
−
n ⇔→
−
v = k→
−
n
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para algum k ∈ R, onde →
−
v = (1, 2, 4) e →
−
n = (m, −1, −2). Logo,
implica que
km = 1
−k = 2
−2k = 4
e, portanto, m = − 12 .
Solução: Recordem que dois planos são paralelos se, e somente se, seus vetores normais forem
paralelos, ou seja, →
−
v1 = k →
−
v2 , para algum k ∈ R. Assim, concluı́mos que m = − 21 e n = 12 .
x−2 y+1 z
Exercı́cio 2.10. Verifique se a reta r : = = é perpendicular ao plano π :
3 −2 −1
9x − 6y − 3z + 5 = 0.
Solução: Recordem que uma reta é perpendicular a um plano se o vetor diretor da reta for
paralelo ao vetor normal do plano. Neste caso, são perpendiculares.
Solução: A reta estará contida no plano no caso em que vetor diretor da reta for perpendicular
ao vetor normal do plano, ou seja, o produto escalar entre eles for nulo. Com isso, obteremos
n = 1.
67
A interseção entre esses dois planos, nessas condições, é uma reta s cuja equação deseja-se
determinar. Para tanto, como s está contida em α ∩ β então, as coordenadas de qualquer ponto
de s devem satisfazer as equações de α e β.
Vamos estudar um exemplo:
com o plano Ω : 2x − y + 3z − 4 = 0.
ou concorrentes
1
As figuras nesta seção estão disponı́veis em [Link]
[Link]
68
A figura a seguir ilustra um caso de retas reversas.
a) (
y = 2x − 3
r1 :
z = −x
e
x = 1 − 3t
r2 : y = 4 − 6t
z = 3t
b)
x y−1
r1 : = =z
2 −1
e
x = 2 − 4t
r2 : y = 2t
z = −2t + 1
69
Analogamente, todo ponto de r2 satisfaz
x
= 1 − 2t
2
y−1
= 1 − 2t
−1
z = −2t + 1
c) (
y=3
r1 :
z = 2x
e
r2 : x = y = z
0 −3 0
−−−→ − →
(A1 A2 , →
v1 , −
v2 ) = 1 0 2 6= 0.
1 1 1
Isso significa as retas não pertencem ao mesmo plano porque, segundo este determinante
não nulo, existe volume no paralelepı́pedo formado por estes três vetores. Dizemos, assim,
que estas retas são reversas.
Resumindo
Se r1 e r2 não forem retas paralelas, então
−−−→
(→
−
v1 , →
−
v2 , A1 A2 ) = 0
Consideremos os planos
π1 : a1 x + b1 y + c1 z + d1 = 0
e
π 2 : a2 x + b 2 y + c 2 z + d 2 = 0
com vetores normais → −
n1 = (a1 , b1 , c1 ) e →
−
n2 = (a2 , b2 , c2 ), respectivamente.
Se π1 k π2 , então n1 k n2 . Ou seja, existe k ∈ R tal que →
→
− →
− −
n1 = k →
−
n2 e, com isso,
a1 b1 c1
= = .
a2 b2 c2
Esta última igualdade destaca a condição de paralelismo entre os planos.
Se ocorrer
a1 b1 c1 d1
= = =
a2 b2 c2 d2
então os planos π1 e π2 são coincidentes.
Agora, se π1 ⊥ π2 , então →−
n1 ⊥ →−
n2 . Ou seja, < →
−
n1 , →
−
n2 >= 0, donde segue que a condição de
perpendicularismo entre planos é dada pela igualdade
a1 a2 + b1 b2 + c1 c2 = 0
Resposta: m = 3 e n = 1.
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Referências
O material aqui apresentado basea-se nas seguintes fontes:
• LIMA, Elon Lages, Geometria Analı́tica e Álgebra Linear. Rio de Janeiro, IMPA, 2005.
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