Introdução aos Vetores e Suas Propriedades
Introdução aos Vetores e Suas Propriedades
VETORES
1.1 INTRODUÇÃO
(1) Lista de números indexados: por exemplo, uma lista de dados sobre a localização e o clima
de um município, dada por 17, 23, 25, 14, 70, nessa ordem, pode ser simbolicamente
representada por:
d = (d1, d2, d3, d4, d5) = (17, 23, 25, 14, 70)
Onde d1, d2, d3, d4 e d5 representam, respectivamente, latitude, longitude, temperatura, pressão e umidade
relativa do ar daquele município num dado instante. Uma lista deste tipo é chamada de lista indexada,
tabela linear ou vetor. Note que esta lista requer uma dada ordem dos dados apresentados.
(2) Vetores na física: muitas grandezas físicas como temperatura, massa e corrente elétrica, são
representadas apenas por um número real e são chamadas de escalares. Entretanto, há grandezas como
força, velocidade e campo elétrico, que requerem não só um valor numérico, mas também uma direção e
um sentido para sua descrição completa. Por exemplo, a figura 1-1 mostra objetos se movendo com
velocidade de mesma intensidade (60 Km/h), porém em direções e/ou sentidos diferentes. Portanto, são
vetores distintos, embora tenham a mesma intensidade. Este é um bom exemplo de vetores na física.
OBSERVAÇÃO: Ao longo de todo o texto, um vetor será sempre denotado por uma letra minúscula em
negrito ou por duas letras maiúsculas em negrito, neste caso, a primeira letra indica o ponto inicial e a
segunda o ponto final do vetor. Por exemplo, AB representa um vetor com ponto inicial A e ponto final B,
conforme a figura 1-2.
Nas diversas aplicações distinguem-se dois tipos de vetores: o vetor fixo e o vetor livre.
VETOR FIXO
É um vetor cujo efeito físico depende do ponto de aplicação, além da magnitude, direção e
sentido. A figura 1-3 ilustra esta situação, onde uma força de mesma intensidade, mesma direção e
mesmo sentido provoca efeitos diferentes pelo fato de estar sendo aplicada em vértices diferentes do
bloco.
VETOR LIVRE
É um vetor que só depende da magnitude, direção e sentido. Ele não é afetado pelo processo de
translação que possa experimentar, ou seja, ele pode correr paralelamente para qualquer região do
espaço, mantendo o comprimento e o sentido. Apenas este tipo de vetor será considerado neste estudo.
Geometricamente falando, dois ou mais vetores livres são ditos iguais ou equivalentes se eles
forem representados por setas paralelas de mesmo sentido e mesmo comprimento. Em termos de uma
lista ordenada, dois vetores são iguais se os seus componentes de mesma ordem forem iguais. Escrevemos
v = u para indicar que os vetores u e v são iguais ou equivalentes.
VETOR NULO
O vetor cujo ponto inicial e ponto final coincidem, tem norma nula e é denominado de vetor
nulo. Representa-se este vetor pela letra minúscula em negrito, o. Então, pode-se escrever que ||o|| = 0.
O vetor nulo pode assumir qualquer direção e qualquer sentido.
VETOR OPOSTO
Geometricamente falando, diz-se que dois vetores u e v são opostos se os dois tiverem a mesma
direção e a mesma norma, porém sentidos contrários. Isto pode ser denotado por: u = –v ou v = –u.
ADIÇÃO DE VETORES
As operações geométricas, de soma e subtração, efetuadas com vetores, são todas originárias
das leis da física. Para a adição na forma geométrica existem basicamente duas regras:
(1) Regra do paralelogramo: Se dois vetores u e v, de direções diferentes, têm o mesmo ponto
inicial, então eles podem ser vistos como lados adjacentes de um paralelogramo e a sua soma (u + v) é o
vetor representado pela seta que une os pontos iniciais de u e v ao vértice oposto do paralelogramo
formado por eles. A figura 1-4(a) ilustra essa situação.
(2) Regra do triângulo: Se dois vetores u e v, de direções diferentes, estão posicionados de modo
que o ponto final do primeiro vetor (u) coincide com o ponto inicial do segundo vetor (v), então (u + v)
será dado pela seta que une o ponto inicial de u ao ponto final de v, como mostrado na figura 1-4(b). Na
verdade, estas duas regras são equivalentes, pelo fato de que os vetores em questão são livres.
(a) (b)
Fig. 1-4: Adição de vetores; (a) Regra do paralelogramo; (b) Regra do triângulo
SUBTRAÇÃO DE VETORES
A subtração entre dois vetores consiste na soma entre um vetor e o oposto do outro, ou seja,
u – v = u + (–v)
onde (–v) é o vetor oposto ao vetor v, ou seja, tem a mesma magnitude, a mesma direção, porém sentido
contrário a v. A figura 1-5 exemplifica a subtração entre dois vetores u e v usando a regra do
paralelogramo e usando a regra do triângulo. Nos dois casos, as origens dos vetores coincidem.
(a) (b)
Fig. 1-5: Subtração de vetores; (a) regra do paralelogramo; (b) regra do triângulo
OBSERVAÇÃO: Para se somar geometricamente mais de dois vetores, a maneira mais simples é fazer
coincidir o ponto final do 1º vetor com o ponto inicial do 2º, o ponto final do 2º, com o ponto inicial do 3º
e assim sucessivamente. O vetor resultante será representado pela seta com origem no ponto inicial do 1º
vetor e extremidade no ponto final do último vetor.
Se u é um vetor não nulo e λ é um número real (escalar) não nulo, então λu é um vetor tal que:
(1) No espaço bidimensional (R2) adotam-se dois eixos ortogonais, x e y, conforme mostra a
figura 1-6. Os escalares v1 e v2 são os componentes escalares do vetor v associados às direções x e y
respectivamente, equivalendo às projeções ortogonais sobre esses eixos, e o vetor v é representado por
uma dupla ordenada expressa por v = (v1, v2). Note-se que o ponto inicial do vetor livre foi trazido para a
origem do sistema de eixos. Desta forma, a dupla ordenada (v1, v2) representa também o ponto (x, y) no
plano; só depende da conotação que se queira dar.
(2) No espaço tridimensional (R3) usam-se três eixos: x, y e z, ortogonais entre si, adotando-se o
sistema de mão direita para indicar o sentido positivo de cada eixo, conforme mostra a figura 1-7. Os
escalares v1, v2 e v3 são os componentes escalares do vetor v associados às direções x, y e z,
respectivamente, equivalendo às projeções ortogonais sobre esses eixos. Analiticamente escreve-se o
vetor como: v = (v1, v2, v3). A tripla ordenada (v1, v2, v3) pode estar representando o ponto (x, y, z) no
espaço, quando o ponto inicial do vetor coincide com a origem; só depende da conotação que se queira
dar.
Fig. 1-7: Vetor no espaço tridimensional (R3)
OBSERVAÇÃO: Se o componente de um vetor é nulo numa dada direção, então o vetor é ortogonal a
esta direção. Por exemplo, o vetor u = (2, 0, 3) é ortogonal ao eixo y; o vetor v = (3, 0, 0) é ortogonal aos
eixos y e z. Neste segundo caso, pode-se dizer também que o vetor é paralelo ao eixo x.
Para somar ou subtrair vetores, algebricamente, conhecidos os seus componentes, basta somar ou
subtrair os componentes de mesma ordem. Por exemplo, sejam dois vetores no R3 dados por u = (1, 2, 3)
e v = (–4, 5, –7), então, tem-se que:
Para a multiplicação por um escalar, cada componente do vetor é multiplicado pelo escalar. Assim:
2u = 2(1, 2, 3) = (2, 4, 6)
1 1
v = (–4, 5, –7) = (–2, 5/2, –7/2)
2 2
Exercícios
1) Dados os vetores u = (4, 2) e v = (2, 5), calcular u + v e 2u. Faça um esboço gráfico dos vetores
resultantes destas operações.
2) Dados os vetores u = (–1, 2, 1), v = (–2, 3, 4) e w = (3, 1, –2), encontrar os seguintes vetores
a) u – 2v – w b) 2u – (v + w)
Se o ponto inicial do vetor não está na origem dos eixos e sim num ponto qualquer P1(x1, y1, z1)
enquanto o ponto final está no ponto P2(x2, y2, z2), então o vetor v = P1P2 exemplificado na figura 1-8 será
dado por:
Portanto: v = (x2, y2, z2) – (x1, y1, z1) = (x2 – x1, y2 – y1, z2 – z1)
Exemplo 1: Dados os pontos A(1, 4, 2) e B(3, 1, 4), encontre um vetor que aponta de A para B.
Exercícios
1) Dados os pontos A(2, 5) e B(4, 1), esboce o vetor AB definido por estes dois pontos bem como um
vetor equivalente a AB que passe na origem.
2) Esboce três paralelogramos distintos, onde três de seus vértices são: A(0,0), B(–1, 3) e C(1, 2), e
encontre o quarto vértice correspondente a cada um dos paralelogramos.
Resposta: D(2, –1), E(–2, 1), F(0, 5)
VETOR EM Rn
Embora não se possa ver um espaço de quatro ou mais dimensões ainda assim é possível
estender ideias geométricas de duas e três dimensões trabalhando com as propriedades algébricas dos n
componentes de um vetor cujo conjunto formado por eles constitui o que se chama de ênuplas. Desta
forma pode-se ter um vetor, pertencente ao espaço n-dimensional dado por:
Exemplo 2: Imagens digitalizadas: as imagens na tela de um monitor são constituídas de “pixel” (pontos
endereçáveis na memória de um computador) que podem ser representados por um vetor de cinco
componentes: v = (x, y, c, s, b), onde x, y são as coordenadas do ponto na tela; c é a cor; s é a saturação e
b é o brilho.
Dois vetores de Rn são ditos paralelos ou colineares se um dos vetores é um múltiplo escalar do
outro, isto é, se λ é um escalar qualquer, então os vetores u e v são paralelos se:
u = λv ou v = λu
Isto implica dizer que a razão entre os componentes de mesma ordem dos dois vetores é
constante. Por exemplo, se u = (u1, u2, ..., un) e v = (v1, v2, ... vn), então u e v são paralelos ou colineares
se:
𝑢1 𝑢2 𝑢𝑛
= =⋯ = 𝜆
𝑣1 𝑣2 𝑣𝑛
OBSERVAÇÃO: (1) O vetor nulo, o, é paralelo a qualquer vetor do Rn. (2) Não se faz distinção entre
vetor colinear e vetor paralelo já que o vetor livre não sofre mudanças ao experimentar uma translação,
conforme mostra a figura 1-9.
−2 1 3 1 −4 1
= 2, = 2, =
−4 6 −8 2
Exercícios:
1) Encontrar, usando vetores, os valores das coordenadas do ponto médio, M(xm, ym), do segmento de reta
de extremidades A(x1, y1) e B(x2, y2).
𝑥1 + 𝑥2 𝑦1 + 𝑦2
Resposta: 𝑥𝑚 = e 𝑦𝑚 =
2 2
2) Demonstrar, utilizando vetores, que o segmento de reta que une os pontos médios de dois lados de um
triângulo é paralelo ao terceiro lado e igual à sua metade.
COMBINAÇÃO LINEAR
Um vetor w é uma combinação linear dos vetores v1, v2, ..., vn, se w puder ser expresso na forma:
Onde os escalares c1, c2, ..., cn são denominados de coeficientes da combinação linear e os vetores v1, v2,
..., vn são ditos geradores de w. Neste caso, o conjunto formado pelos vetores w, v1, v2, vn, é dito ser
linearmente dependente (LD). Caso não seja possível expressar qualquer um dos vetores de um conjunto
em função dos demais, este conjunto será linearmente independente (LI).
Exemplo 4: Composição de cores RGB: as cores primárias de uma imagem colorida: vermelha-R (“Red”),
Verde-G (“Green”) e azul-B (“Blue”) podem ser representadas pelos vetores r = (1,0,0), vermelho puro;
g = (0,1,0), verde puro e b = (0,0,1), azul puro, respectivamente. Qualquer outra cor pode ser obtida pela
combinação linear destas três cores como segue:
Onde 0 < ci < 1 são os coeficientes que representam a porcentagem de cada cor primária (pura) na
mistura. Por exemplo, algumas cores resultantes dentre várias combinações citam-se:
A notação v = (v1, v2, ..., vn) expressa o vetor por uma lista ordenada chamada de ênuplas. Como
um vetor no Rn é somente uma lista de n números (componentes) ordenados de uma maneira conveniente,
então qualquer notação que exiba os seus componentes em sua ordem correta é uma alternativa válida.
Assim, por exemplo, pode-se ter as seguintes formas matriciais:
𝑣1
𝑣2
(2) Vetor como uma matriz coluna: 𝒗 = [ ⋮ ]
𝑣𝑛
NORMA DE UM VETOR
Para dimensões acima de três, embora não se possa dar uma visão geométrica para o vetor, a
mesma regra é utilizada para o cálculo de sua norma. Assim, de uma forma geral, tem-se para um vetor
no Rn:
2
Solução: ‖𝑣‖ = √(√2) + (−2)2 + (−3)2 = √15 = 3,87
Exercícios:
2) Os três vértices de um triângulo estão localizados em A(–1, 2, 5), B(–4, –2, –3) e C(1, 3, –2). Encontre
o perímetro desse triângulo.
Resposta: 23,90 uc
VETOR UNITÁRIO
Um vetor v é dito unitário se ||v|| = 1. No sentido geométrico se diz que seu comprimento é
igual a 1.
Se v ≠ o, então se pode obter um vetor unitário com mesma direção e sentido de v, denominado
de versor de v, fazendo-se:
1
𝒂𝒗 = ‖𝒗‖
𝒗 (1-3)
1
av = v = (2/3, 1/3, –2/3)
3
BASE CANÔNICA
Num sistema de coordenadas no R2 ou R3, os vetores unitários nas direções positivas dos eixos x,
y e z, representados por ax, ay e az, respectivamente, formam uma base ortonormal (os vetores são
ortogonais entre si e unitários) denominada de base canônica. No R3, por exemplo, estes vetores são:
Qualquer vetor no Rn pode ser escrito como uma combinação linear destes vetores. Por exemplo,
se v = (2, –3, 4), então, na forma canônica, pode-se representá-lo por:
Os vetores unitários da forma e1 = (1, 0, 0, ... , 0), e2 = (0, 1, 0, ... , 0), ..., en = (0, 0, 0, ... ,1), são
ortogonais dois a dois, e formam a base canônica do Rn.
Exercícios
1) Duas cargas elétricas geram num dado ponto do espaço, os campos elétricos (dados em V/m)
É um tipo de produto entre vetores que será muito útil para encontrar ângulos entre vetores e
para determinar se dois vetores são ortogonais, entre outras aplicações. O produto escalar é definido da
seguinte forma:
Se u = (u1, u2, ..., un) e v = (v1, v2, ..., vn) são vetores do Rn, os dois com a mesma dimensão,
então o produto escalar entre eles, representado por u·v, ou por <u, v>, é dado pela equação:
Exemplo 7: Cálculo dos dígitos verificadores do CPF: o cálculo utiliza o produto escalar de vetores,
seguindo os seguintes procedimentos:
Seja o CPF: 992 205 552 – d1d2, e seja determinar os dígitos d1 e d2.
a = (9, 9, 2, 2, 0, 5, 5, 5, 2)
b = (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9)
2º Passo: faz-se o produto escalar: a .b = 164
𝒂∙𝒃 164
3º Passo: calcula-se o primeiro dígito: 𝑑1 = 𝑟𝑒𝑠𝑡𝑜 ( ) = = 10 d1 = 0
11 11
4º Passo: elimina-se o primeiro dígito do CPF e acrescenta-se d1 no final.
𝒄∙𝒃 125
𝑑2 = 𝑟𝑒𝑠𝑡𝑜 ( ) = = 4 d2 = 4
11 11
Exercícios
2) Dado o vetor u = (2, m, –1) e os pontos A(–4, 1, 3) e B(3, –2, 2), determinar o valor de m tal que:
u .AB = 6
Resposta: m = 3
Exercícios
1) Utilizando as propriedades anteriores, provar que:
(a) ||u – v||2 = ||u||2 – 2u · v + ||v||2
(b) ||u + v||2 = ||u||2 + 2u · v + ||v||2
(c) (u + v) · (u – v) = ||u||2 – ||v||2
2) Utilizando os resultados do exercício 1, encontre u.v sabendo que ||u + v|| = 1 e ||u – v|| = 5
Resposta: –6
Se u e v são dois vetores não nulos, com suas origens coincidentes, então definimos o ângulo
entre eles como o menor ângulo não negativo, θ, calculado pela fórmula:
𝒖∙𝒗
𝑐𝑜𝑠𝜃 = ‖𝒖‖ ‖𝒗‖
(1-7)
OBSERVAÇÃO: (a) a equação (1-10) também é outra definição para o produto escalar de dois vetores.
(b) Se u .v > 0, então cosθ > 0, o que implica em 0o < θ < 90º. [Figura 1-11(a)].
(c) Se u .v < 0, então cosθ < 0, o que implica em 90º < θ < 180º. [Figura 1-11(b)].
(d) como –1 ≤ cosθ ≤ 1, então: |u.v| ≤ ||u|| ||v||. Esta desigualdade é conhecida como
desigualdade de Cauchy-Schwarz.
(a) (b)
Fig. 1-11: Ângulo entre dois vetores: (a) ângulo agudo; (b) ângulo obtuso
Exemplo 8: utilizando vetores, encontre o ângulo entre a diagonal de um cubo e uma de suas arestas de
tamanho a.
Solução: localizando um dos vértices do cubo na origem do sistema de eixos coordenados, com suas
arestas coincidindo com os eixos, então as arestas que concorrem neste vértice podem ser representadas
pelos vetores:
Portanto, a diagonal que parte da origem até o vértice oposto será representada pelo vetor d = (a, a, a) e o
ângulo desta diagonal com uma das arestas, por exemplo vx, será:
d .vx a2 1
cos 2 0,58
|| d |||| vx || a 3 3
Logo, θ ≈ 54,7º
Exercícios
1) Os pontos A, B e C são vértices de um triângulo equilátero cujo lado mede 10 cm. Calcule o produto
escalar dos vetores AB e AC.
Resposta: 50
2) Dado os pontos A(1, 1), B(3, 2) e C(2, 3) encontre o ângulo entre os vetores:
(a) AB e AC (b) AB e CA
Resposta: (a) cosθ = 4/5; θ = 36,87º (b) cosθ = –4/5; θ = 143,13º
3) Sabendo que o ângulo entre os vetores u e v é de 60º, e sem usar nenhuma fórmula, determine o ângulo
entre os vetores:
Ângulos diretores de um vetor v são os ângulos α, β e γ que v forma com a direção positiva dos
eixos x, y e z, respectivamente. Assim, se v = (x, y, z), os ângulos de v com os vetores unitários ax, ay e az,
serão os ângulos diretores, que podem ser calculados pela equação (1-7), resultando em:
Assim, o vetor v também pode ser representado pelos seus cossenos diretores como:
Exercícios:
2) Mostre que o versor de um vetor v, em função de seus cossenos diretores é dado por av = (cosα, cosβ,
cosγ) e, como consequência, mostre que: cos2α + cos2β + cos2γ = 1
Exercício: Um vetor forma um ângulo de 60º com o eixo x e 30º com o eixo y. Encontre o ângulo que ele
forma com o eixo z.
Resposta: 90º
ORTOGONALIDADE
Dois vetores u e v no Rn são ditos ortogonais se o produto escalar entre eles for nulo, isto é:
u .v = 0 (1-11)
No sentido geométrico, ou seja, no R2 ou R3, isto implica dizer que os vetores formam entre si
um ângulo de 90o , isto é, eles são perpendiculares entre si.
Exercício: Determinar todos os vetores que são ortogonais aos vetores v1 = (1, –1, 0) e v2 = (1, 0, 1)
Resposta: (x, x, –x)
DESIGUALDADE TRIANGULAR
Seja um triângulo qualquer formado pelos vetores u, v e u + v, conforme mostra a figura 1-12.
Então, como em qualquer triângulo, um lado nunca é maior que a soma dos outros dois, pode-se escrever
que:
Deste teorema conclui-se que a menor distância entre dois pontos é a linha reta. Por exemplo, na
figura 1-12, se o ponto C está fora da reta AB, isso significa que:
AB < AC + CB (1-14)
Portanto, a única condição para que a igualdade seja satisfeita (AB = AC + CB) é que o ponto C esteja
sobre AB. Isto implica na condição de alinhamento dos pontos A, B e C.
Sejam u e v dois vetores não nulos e θ o ângulo entre eles. Pretende-se calcular o vetor w que
representa a projeção de u sobre v. A figura 1-13 ilustra duas situações possíveis de projeção de u sobre v.
(a) (b)
Fig. 1-13: projeção de u sobre v
|𝒖.𝒗| |𝒖.𝒗|
||w|| = ||u||cosθ =‖𝒖‖ ‖𝒖‖ ‖𝒗‖ = ‖𝒗‖
(1-15)
‖𝒘‖
w = λv ou ||w|| = |λ| ||v|| ou |λ| = ‖𝒗‖ (1-16)
𝒖.𝒗
w = λv =‖𝒗‖2 𝒗 (1-17)
A equação (1-17) fornece o vetor w como sendo a projeção do vetor u sobre o vetor v. Inversamente, para
se obter a projeção do vetor v sobre o vetor u substitui-se, na equação (1-17), u por v e v por u.
Exemplo 10: Dada uma reta passando pelos pontos A(1, 2) e B(–2, 3), encontre o ponto desta reta que está
mais próximo do ponto, fora da reta, Po(1, 1).
Solução: Encontramos os vetores: v = AB = (–3, 1) e u = APo = (0, –1). Então, calculamos o vetor w,
como sendo a projeção de u sobre v. Assim, a extremidade de w será o ponto procurado. Portanto:
𝒖.𝒗 (0,−1).(−3,1) −1 3 1
w = ‖𝑣‖𝟐 𝒗 ( (−3)2 + 12
) (−3, 1) = (−3, 1) = ( , − )
10 10 10
Dado um conjunto de vetores {w1, w2, ..., wn}, tal que cada vetor wk não possa ser escrito como
uma combinação linear dos demais, ou seja, um conjunto LI, deseja-se encontrar, a partir deste conjunto,
um outro conjunto {v1, v2, ..., vn} que seja ortogonal, isto é, tal que os vetores vk sejam ortogonais dois a
dois. Este procedimento que permite encontrar os vetores vk é denominado de ortogonalização de Gram-
Schmidt. Tal procedimento segue os seguintes passos:
1º passo: Fazer v1 = w1
2º passo: Como sugere a figura 1-14, encontra-se v2 ortogonal a v1, fazendo
v2 = w2 – projw1w2
3º passo: v3 = w3 – projw2w3
E assim sucessivamente.
Exemplo 11: Dado os vetores w1 = (1, 1, 1), w2 = (0, 1, 1) e w3 = (0, 0, 1), encontre um conjunto
ortonormal a partir destes vetores.
Tem-se assim, um conjunto de vetores ortogonais. Para tornar o conjunto ortonormal, basta se dividir os
componentes de cada vetor por suas respectivas normas. Então, obtém-se:
av1 = (1/√3, 1/√3, 1/√3) av2 = (–2/√6, 1/√6, 1/√6) av3 = (0, –1/√2, 1/√2)
PRODUTO VETORIAL
Para efeito de memorização e facilidade no cálculo, a equação (1-18) pode ser expressa pelo determinante
de 3ª ordem:
𝒂𝒙 𝒂𝒚 𝒂𝒛
𝒖 × 𝒗 = | 𝑥1 𝑦1 𝑧1 | (1-20)
𝑥2 𝑦2 𝑧2
Exemplo 12: dados os vetores u = 5ax + 4ay + 3az e v = ax + az, encontre o produto vetorial uv.
𝒂𝒙 𝒂𝒚 𝒂𝒛
𝒖×𝒗 = |5 4 3|
1 0 1
Algumas das propriedades do produto vetorial vistas a seguir, estão diretamente relacionadas às
propriedades dos determinantes. Assim, tem-se:
É fácil se verificar pela equação (1-20) que, neste caso, o determinante terá duas linhas iguais, resultando
assim num determinante nulo.
(II) u v = –(vu)
Isso equivale a trocar a posição de duas linhas no determinante da equação (1-20), o que implica na troca
do sinal do determinante.
(V) u v = o se, e somente se, um dos vetores é nulo ou se u e v são colineares ou paralelos.
(VII) O sentido de uv é dado pela regra da mão direita ou do parafuso de rosca direita conforme
sugere a figura 1-15. Consequentemente tem-se, para os vetores canônicos:
ax ay = az, ay az = ax, az ax = ay
Fig. 1-15: direção e sentido do produto vetorial
u(v w) ≠ (uv) w
Exemplo 13: Determinar um vetor unitário ortogonal aos vetores u = (2, –6, 3) e v = (4, 3, 1).
w = uv ou – w = v u
1 3 2 6
𝒂𝒘 = ‖𝒘‖
𝒘 = (− , , )
7 7 7
A demonstração é muito fácil. Sabe-se que a área de um paralelogramo é dada pelo produto entre base e
altura. Então se tem, da figura 1-16:
Solução: Raciocinando sobre a figura 1-16 vê-se que a área do triângulo ABC é metade da área do
paralelogramo ABCD. Portanto tem-se:
Área = ½ ||ABAC||
Onde AB = B – A = (1, 1, 3), AC = C – A = (–2, –1, 2) e ABAC = (5, –8, 1). Logo:
1 3
Á𝑟𝑒𝑎 =
2
√52 + (−8)2 + 12 = 2 √10 = 4,74 𝑢. 𝑎.
Exercício: Mostrar que o quadrilátero de vértices consecutivos A(1, –2, 3), B(4, 3, –1), C(5, 7, –3) e
D(2, 2, 1) é um paralelogramo e calcular sua área.
Resposta: Área = 9,43 ua
PRODUTO MISTO
Dados os vetores u = x1ax + y1ay + z1az, v = x2ax + y2ay + z2az e w = x3ax + y3ay + z3az,
tomados nessa ordem, chama-se de produto misto, denotado por (u,v,w), ao número real:
𝑥1 𝑦1 𝑧1
𝑥
(𝒖, 𝒗, 𝒘) = | 2 𝑦2 𝑧2 | (1-26)
𝑥3 𝑦3 𝑧3
Exemplo 16: Calcular o produto misto dos vetores: u = (4, –3, 2), v = (–1, 3, 3) e w = (2, 3, 5), nesta
ordem.
4 −3 2
(u,v,w) = |−1 3 3| = −27
2 3 5
(I) (u,v,w) = 0 se um dos vetores for nulo, ou se dois deles forem colineares, ou se os três forem
coplanares.
Entretanto, o produto misto muda de sinal se forem trocadas as posições de apenas dois vetores
consecutivos.
u · (vw) = (uv) · w
Solução: os quatros pontos estarão no mesmo plano, se forem coplanares os vetores: AB, AC e AD. Então
se têm:
Exemplo 19: Dados os vetores u = (x, 5, 0), v = (3, –2, 1) e w = (1, 1, –1), calcular o valor de x para que
o volume do paralelepípedo determinado por u, v e w seja igual a 24.
Solução: fazendo o produto misto dos três vetores através da equação (1-26), escreve-se a equação:
𝑥 5 0
(u,v,w) = |3 −2 1 | = 𝑥 + 20
1 1 −1
Volume = |x + 20| = 24
x + 20 = 24 ou –x – 20 = 24
Donde se tira:
x = 4 ou x = –44
CAIXA DE FERRAMENTAS
VETORES COMO UMA LISTA ORDENADA: u = (u1, u2, ..., un), v = (v1, v2, ..., vn)
𝑢1 𝑢2 𝑢𝑛
VETORES PARALELOS: = =⋯=
𝑣1 𝑣2 𝑣𝑛
NORMA: ‖𝒗‖ = √𝑣12 + 𝑣22 + … + 𝑣𝑛2 , PRODUTO ESCALAR: u .v = u1v1 + u2v2 + ... + unvn
CONDIÇÃO DE ORTOGONALIDADE: u .v = 0
||u – v||2 = ||u||2 – 2u · v + ||v||2, ||u + v||2 = ||u||2 + 2u · v + ||v||2, (u + v) · (u – v) = ||u||2 – ||v||2
𝒖∙𝒗 𝒖.𝒗
MENOR ÂNGULO ENTRE u E v: 𝑐𝑜𝑠𝜃 = ‖𝒖‖ ‖𝒗‖
, PROJEÇÃO DE u SOBRE v: w = kv =‖𝒗‖2 𝒗
𝑎𝑥 𝑎𝑦 𝑎𝑧
PRODUTO VETORIAL: 𝒖 × 𝒗 = | 𝑥1 𝑦1 𝑧1 |
𝑥2 𝑦2 𝑧2
𝑥1 𝑦1 𝑧1
PRODUTO MISTO: (u,v,w) = u .(vw) = |𝑥2 𝑦2 𝑧2 |
𝑥3 𝑦3 𝑧3
1) Determinar o vetor w na igualdade 3w + 2u = (1/2)v + w, sendo dados: u = (3, –1) e v = (–2, 4).
2) Encontrar os escalares c1 e c2 tais que: w = c1u + c2v, sendo u = (1, 2), v = (4, –2) e w = (–1, 8). O
conjunto formado pelos vetores u e v é LI ou LD? E o conjunto formado pelos vetores u, v e w é LI ou
LD?
3) Dado os pontos P(1, 2, 4), Q(2, 3, 2) e R(2, 1, –1), determinar as coordenadas de um ponto S tal que
os pontos consecutivos P, Q, R e S sejam vértices de um paralelogramo.
u = (m+1, 3, 1) e v = (4, 2, 2n – 1)
6) Dado os vetores u = 4ax – 2ay – az, v = 3ax – ay + 2az e w = 5ay – 3az, encontre:
a) u . v b) v . (u – w) c) os ângulos entre u e v
9) Provar que o triângulo de vértices A(2, 3, 1), B(2, 1, –1) e C(2, 2, –2) é um triângulo retângulo em B.
Calcule os ângulos internos dos outros dois vértices.
10) Determinar um vetor ortogonal aos vetores v1 = (1, –1, 0) e v2 = (1, 0, 1).
11) Encontre o versor de cada um dos vetores abaixo e em seguida calcule a norma de cada versor obtido.
12) Dados u = 3ax – 4ay + 2az, v = 2ax + 5ay – 3az e w = 4ax + 7ay + 2az, onde ax, ay e az são os vetores
da base canônica, calcule:
13) Dado os vetores u = (2, –2, 3), v = (1, –3, 4) e w = (3, 6, –4), encontre o valor de cada uma das
expressões abaixo:
a) ||u + v|| b) ||u|| + ||v|| c) ||u – v|| d) ||u|| – ||v|| e) ||3u – 5v + w||
14) Seja o vetor v = (–2, 3, 0, 6). Encontre todos os escalares k tais que: ||kv|| = 5
16) Encontre a área do paralelogramo formado pelos vetores: u = (2, –2, 3) e v = (1, –3, 4).
17) Um vetor a do plano xy tem comprimento de 9 unidades e aponta na direção e sentido que está a 120º
anti-horário a partir do eixo x positivo e um vetor b naquele plano tem um comprimento de 5 unidades e
aponta na direção y positiva. Encontre a · b
18) Resolva a equação 5x – 2v = 2(w – 5x) em x, sabendo que v = (1, 2, –4, 0) e w = (–3, 5, 1, 1).
19) Para quais valores de k, se houver, os vetores u e v são ortogonais?
20) Os campos magnéticos atuando num dado ponto do espaço são dados por:
21) Determinar o vetor projeção de u = (2, 3, 4) sobre o vetor v = (1, –1, 0).
22) Sejam os vetores u = (3, 1, –1) e v = (a, 0, 2). Calcular o valor de a para que a área do paralelogramo
determinado por u e v seja igual a 2√6.
24) Dado os pontos A(1, –2, 3), B(2, –1, –4), C(0, 2, 0) e D(–1, m, 1), determinar o valor de m para
que seja de 20 o volume do paralelepípedo determinado pelos vetores AB, AC e AD.
25) A direção de propagação de uma onda eletromagnética é muitas vezes perpendicular aos campos
elétrico e magnético que compõem essa onda. Se os campos elétrico e magnético de certa onda são dados,
respectivamente, pelos vetores: E = 2ax –ay + az e H = –ax + 3ay + 2az, encontre um vetor que dá a
direção de propagação dessa onda.
Fig. P1-2
28) Considere o triângulo da figura P1-2 e mostre que ab = bc = ca
29) Considerando o resultado do problema 28, deduza a lei dos senos para a trigonometria plana.
30) Prove que, se ||u + v||2 = ||u||2 + ||v||2, então u e v são ortogonais.
31) Encontre todos os vetores unitários paralelos ao plano xy que são ortogonais ao vetor u = (3, –1, 2)
33) Prove que, se u e v são vetores não ortogonais e não nulos, e se θ é o ângulo entre eles, então:
|| u v ||
tg
(u.v)
34) Considere o triângulo ABC inscrito numa semicircunferência, de tal modo que um lado coincide com
o diâmetro, conforme mostra a figura P1-3. Utilizando produto escalar entre vetores mostre que o ângulo
do vértice B é sempre reto.
Fig. P1-3.
35) Um vetor v do R3 tem como ângulos diretores 60º e 120º, nas direções positivas dos eixos x e y
respectivamente. Determinar o vetor v, sabendo que ||v|| = 2.
Resposta: v = (1, –1, ±√2)
36) Os ângulos diretores de um vetor com as direções x e y positivas são 45º e 60º, respectivamente.
Calcule o ângulo desse vetor com a direção z positiva.
Resposta: 60º ou 120º .
37) Determinar o vetor v ortogonal ao vetor u = (2, –3, –12) e colinear ao vetor w = (–6, 4, –2).
38) Mostrar que se u e v são vetores, tal que u + v é ortogonal a u – v, então ||u|| = ||v||.
39) Dados os pontos A(3, 2, 1), B(4, 1, –1) e C(1, 0, 1), pede-se:
40) Encontre o menor ângulo entre duas diagonais distintas de um cubo de aresta a.
Resposta: 70,53º .