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Medição de Campos Magnéticos com Bússola

O manual aborda a medição de campos magnéticos utilizando bússolas e sensores, destacando a importância desses campos em diversos equipamentos tecnológicos. Ele descreve como a deflexão da agulha da bússola pode ser usada para inferir a intensidade de campos magnéticos adicionais e propõe atividades laboratoriais para investigar fenômenos eletromagnéticos. Os experimentos sugeridos incluem a construção de circuitos com fios longos e bobinas, além de permitir que os alunos desenvolvam seus próprios experimentos.

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Caua Tavares
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Medição de Campos Magnéticos com Bússola

O manual aborda a medição de campos magnéticos utilizando bússolas e sensores, destacando a importância desses campos em diversos equipamentos tecnológicos. Ele descreve como a deflexão da agulha da bússola pode ser usada para inferir a intensidade de campos magnéticos adicionais e propõe atividades laboratoriais para investigar fenômenos eletromagnéticos. Os experimentos sugeridos incluem a construção de circuitos com fios longos e bobinas, além de permitir que os alunos desenvolvam seus próprios experimentos.

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Manual de Laboratório Física Geral - Eletromagnetismo

MEDINDO CAMPOS MAGNÉTICOS polos, onde o campo magnético terrestre é praticamente perpendicular
à superfície, bússolas comuns não têm muita utilidade. Bússolas
Campos magnéticos são fundamentais para o funcionamento de náuticas profissionais são esféricas, permitindo identificar a orientação
muitos equipamentos e estão presentes em diversas tecnologias do campo em três dimensões4. A bússola está intimamente relacionada
contemporâneas. Aparelhos de ressonância magnética, altofalantes, com a história das navegações, pois esse instrumento foi amplamente
motores elétricos e trens Maglev são exemplos de equipamentos que utilizado para se tomar decisões sobre a orientação que as embarcações
dependem de campos magnéticos para funcionarem. Mas como esses deveriam seguir. No entanto, o uso das bússolas para se identificar a
campos são gerados nesses equipamentos? Usualmente, são direção norte-sul demanda que o instrumento esteja distante de
produzidos por meio de ímãs permanentes ou bobinas dimensionadas qualquer outro objeto com propriedades magnéticas como ímãs, por
especialmente para a função que desempenharão nos equipamentos. O exemplo. Por quê?
estudo e caracterização de campos magnéticos são, portanto,
fundamentais. E quando a bússola está sob a influência de outro campo
magnético além do campo terrestre? Nesse
Instrumentos frequentemente utilizados em laboratórios para caso, a bússola vai se alinhar na direção do
investigar campos magnéticos fazem uso de sensores que se valem do campo resultante do somatório dos dois
efeito Hall. Esse fenômeno certamente será tratado nas aulas teóricas campos existentes: o campo terrestre e o campo
deste curso. Menos conhecido e pouco discutido é o uso de bússolas adicional. Lembremos que campo magnético é
para se medir campos magnéticos. Como isso pode ser realizado? Que uma grandeza vetorial. Vamos analisar aqui
grandezas precisam ser medidas para isso? Em que tipo de situação tal um caso particular
Figura 10 - Bússola
método pode ser utilizado? Essas são questões que serão debatidas adotando um referencial
nesta tarefa de leitura e nas próximas aulas de laboratório. tal que ⃗ 〈0; ; 0〉 em um local
Para onde aponta a bússola? específico do planeta. Nesse local, suponhamos
que há um campo adicional ⃗
Uma bússola, como a da figura 11, usualmente é constituída 〈 , 0,0〉.O campo resultante ⃗ nesse local é a
soma vetorial dos dois campos, ou seja, ⃗
por uma agulha magnetizada que pode girar livremente no plano
〈 , , 0〉 . A figura 12 ilustra esse somatório.
horizontal, imersa num líquido para minimizar o atrito. A agulha da
bússola, por ser de material magnético, possui momento magnético
próprio, e quando na presença de um campo magnético externo sofre Figura 11 - campo B resultante
um torque até se alinhar com a direção do campo magnético no qual
está imersa. As bússolas comuns, como essa da figura 11, funcionam
melhor em locais de baixa latitude, onde a componente horizontal do 4
Para saber mais sobre o processo de construção de uma bússola náutica, veja:
campo magnético da Terra apresenta os maiores valores. Próximo aos [Link]
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Manual de Laboratório Física Geral - Eletromagnetismo

Podemos concluir, a partir da figura 12, que o ângulo entre Utilizando os conhecimentos que discutimos na seção anterior,
⃗ e ⃗ é dado por: podemos inferir o campo magnético produzido pelo ímã a partir do
ângulo formado entre a direção original da agulha (sem o ímã) e a
tan direção quando o ímã está presente. Se medirmos o campo magnético
do ímã em duas distâncias d e 2d, a razão entre esses campos pode ser
escrita como:
Desse modo, se conhecemos a intensidade e a direção do
í ã "2' # $ ∙ "2'#
campo magnético terrestre em um local, podemos inferir a intensidade
2
í ã "' # $ ∙ "'#
de um campo magnético adicional por meio da medida do ângulo
formado entre a direção do campo magnético terrestre e a direção da
agulha de uma bússola (ou vice-versa). Vejamos como podemos
utilizar essas relações para investigar a momento de dipolo magnético
Aplicando o logaritmo natural nos dois lados da relação, temos:
de um ímã.
í ã "2'#
() * + ) ∙ ()"2#
í ã "' #
Investigando o campo magnético de um ímã

Matematicamente, podemos expressar a intensidade do campo


magnético de um ímã í ã em uma distância na direção que coincide Logo:

í ã "2' # 1
com o seu momento de dipolo magnético da seguinte forma:
) () * +, /
í ã" # $∙ í ã "' # ln 2

onde k e n são constantes. (Para mais informações sobre bússolas e Desse modo, pode-se inferir o valor de n para um ímã medindo
como utilizá-las para medir campos magnéticos, veja a referência 5) o campo magnético produzido por ele em duas distâncias d e 2d. Tanto
Vamos analisar como podemos medir a constante n. Primeiramente, empiricamente como teoricamente pode-se mostrar que ) −3 no
ajustamos uma bússola de tal forma que, longe da influência de campos caso que estamos investigando. Ou seja, podemos construir uma
adicionais, a sua agulha faça um ângulo zero (na escala graduada da relação do tipo:

$
própria bússola). Com a bússola fixa, aproximamos o polo norte ou sul
de um ímã em uma direção perpendicular ao seu alinhamento original. í ã" # 2
Com isso, a agulha da bússola será defletida com um ângulo
proporcional à intensidade do campo magnético produzido pelo ímã. Imediatamente conseguimos identificar semelhanças entre esse
tipo de campo e o campo magnético ⃗ 3 produzido por uma espira
5
Lunk, B.; Beichner, R. (2011). Exploring Magnetic Fields with a Compass. na qual circula uma corrente elétrica i. A partir da lei de Biot-Savart,
The Physics Teacher, 49(1), 45-48.
69 70
Manual de Laboratório Física Geral - Eletromagnetismo

pode-se mostrar que ⃗ 3 a uma distância x (para x muito maior do Atividade de Laboratório III
que o raio da espira) ao longo do seu eixo é: Projeto
45 289 OBJETIVO
3
47 2
Estudar fenômenos eletromagnéticos. Assim resumimos o
onde A é a área da espira. Definindo o momento de dipolo magnético objetivo geral das duas aulas de laboratório previstas neste guia de
da espira como 4⃗ 89⃗, considerando 9⃗ o vetor com módulo igual à atividade. De modo distinto das aulas de laboratório anteriores, quando
área e direção e sentido normal à área, temos: o experimento investigado era previamente definido, agora você terá

45 24⃗
liberdade para investigar os fenômenos que você julga mais
⃗ 3
47 2
interessantes. Estará à disposição uma série de materiais como fios,
pregos, multímetros, pinos, bússola, arame, régua etc, que você poderá
Desse modo, o momento de dipolo magnético de um ímã pode ser utilizar da maneira que achar mais conveniente para demonstrar alguns
inferido a partir de um ajuste de curva realizado com uma série de dos fenômenos eletromagnéticos vistos ou não em aula. Os
medidas do campo magnético produzido por ele em diferentes experimentos propostos na sequência desse guia são sugestões. Se
distâncias x, que podem ser realizadas com uma bússola, dispostas em você quiser investigar outro fenômeno eletromagnético, pode planejar
um gráfico de í ã em função de x3. e executar o experimento que desejar. Basta planejá-lo e apresentá-lo
ao professor. Se necessário, adapte o experimento para a realidade da
sala onde você está. Você pode fazer quantos experimentos quiser, mas
lembre-se de que o mais importante não é a quantidade, mas a
qualidade dos resultados. Ao final das aulas, você deverá ter resultados
suficientes para escrever um pequeno relatório do experimento que
você desenvolveu, descrevendo em detalhes o que foi feito, como, com
que materiais, quais os resultados obtidos e comparações com
previsões teóricas. Faça anotações detalhadas durante o experimento
(com desenhos e fotos) pois você vai precisar dessas informações para
escrever seu relatório. Ao final do experimento peça para o professor
do laboratório rubricar as páginas onde estão suas anotações, e essas
devem ser anexadas ao relatório.

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Manual de Laboratório Física Geral - Eletromagnetismo

SUGESTÃO 1 SUGESTÃO 2

CAMPO MAGNÉTICO DE UM FIO LONGO CAMPO MAGNÉTICO DE UMA BOBINA

Construa um circuito simples com um resistor, fonte de tensão Construa uma bobina com o fio longo, enrolando-a num pedaço
e um fio longo (±2;). A lâmpada suporta uma tensão máxima de 5=, de cano de PVC e prendendo-a com fita. Construa um circuito simples
o resistor comum suporta 14=. Tome cuidado para não ultrapassar com a fonte, a bobina e uma resistência. Posicione a bobina de tal
esses limites. Estenda o fio na direção NORTE-SUL sobre a mesa ou forma que o seu eixo coincida com a direção LESTE-OESTE.
no chão, deixe a fonte numa das extremidades o mais distante possível Posicione o conjunto bússola-bobina o mais distante possível da fonte
do ponto onde serão feitas as medidas. (para evitar interferências).

Com a fonte desligada, posicione a Faça um desenho esquemático


bússola sobre o fio com a agulha alinhada na mostrando a posição relativa da agulha da
direção do fio e meça a deflexão da agulha bússola para diferentes posições ao redor
quando a fonte é ligada. Faça várias medidas, em da bobina (enquanto passa corrente por
diferentes posições para ter certeza de não ter ela). Posicione a bússola a diferentes
nenhuma interferência externa (evite as extremidades). Faça a corrente distâncias ao longo do eixo da bobina e
passar pelo fio na direção oposta e observe o que acontece. observe a deflexão da agulha. Compare os
seus resultados com a previsão teórica.
Repita o experimento com a bússola a certa altura do fio,
escolha uma altura que possibilite medir alguma deflexão na agulha. Análise dos dados – qual a previsão teórica que melhor
Meça a altura com a régua e anote a deflexão da agulha. descreve o campo magnético ao longo do eixo da bobina? É razoável
considerar a bobina como um solenoide infinito (e utilizar a lei de
Análise dos dados – suas observações são consistentes com a Ampére para calcular o campo)? Suas observações são consistentes
previsão teórica de que o campo magnético ao redor de um fio longo com a previsão teórica de que o campo magnético ao longo do eixo de
>
por onde passa corrente é proporcional à (onde ? é a distância até o uma bobina é proporcional à
>
(onde ? é a distância até o centro)?
@
eixo do fio)? Determine a corrente no fio a partir dos valores medidos Pode ser que nenhuma dessas abordagens seja adequada para o sistema
(deflexão na agulha da bússola) e compare com o valor ajustado na que você construiu. Nesse caso, qual é a melhor forma de analisar o
fonte. comportamento desse sistema?

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Manual de Laboratório Física Geral - Eletromagnetismo

SUGESTÃO 3 SUGESTÃO 4

BOBINA COM NÚCLEO DE FERRO CRIE SEU PRÓPRIO EXPERIMENTO

Para esse experimento você vai precisar de pregos não O objetivo dessa atividade é verificar na prática algum
magnetizados. Verifique se os pregos que você tem disponíveis estão fenômeno relacionado ao eletromagnetismo. Se você se sentir
magnetizados aproximando da bússola (sem tocar) os dois lados do motivado a desenvolver um experimento que não esteja sugerido aqui,
prego. Se o prego está desmagnetizado, ambos os lados afetarão a faça isso. Você pode utilizar os equipamentos disponíveis na sala
bússola da mesma forma. Caso os pregos estejam fortemente (fonte de tensão, lâmpadas, resistores, fios, bússola, ...) e pode trazer
magnetizados, cada um dos lados do prego afetará a bússola de forma de casa outros materiais que possibilitem desenvolver o experimento
diferente. Para reduzir o efeito da magnetização nos pregos, aproxime que você quer.
o ímã (sem tocar) fazendo com que o prego fique magnetizado na
direção oposta. Repita essa operação quantas vezes for necessário até Em geral, grupos que optam por criar seu próprio experimento
que a magnetização do prego seja imperceptível com a bússola. obtém resultados muito interessantes quando trabalham com
motivação. Porém, não basta criar um experimento complexo, é
Construa uma bobina enrolando o fio longo num cano de PVC preciso obter resultados e fazer uma análise adequada dos resultados
e prendendo com fita. Meça o diâmetro interno da bobina. Conecte a obtidos. O ideal é utilizar a primeira aula para planejar e testar várias
bobina ao resistor e à fonte (desligada). Oriente o eixo da bobina na possibilidades, e se preciso providenciar os materiais que não estão
direção LESTE-OESTE, ligue a fonte e posicione a bússola (ao longo disponíveis no laboratório, e na segunda aula aprimorar as medidas e
do eixo da bobina) até que a agulha indique 5°. Desligue a fonte (a analisar os resultados em grupo, ainda no laboratório.
agulha da bússola deve então marcar 0°).

Insira um prego (desmagnetizado) na bobina, ligue a fonte e


observe a deflexão da bússola. Repita essa operação adicionando
outros pregos à bobina e anote os resultados. Explique por que a
deflexão da agulha da bússola é afetada pela introdução dos pregos na
bobina.

O que acontece quando você desliga a fonte? Explique os


resultados observados.

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