Direito Social
Introdução: conceitos sobre o Estado
1. Noção e características
2. Elementos
3. Fins e funções
4. Modalidade afins
5. Formação do Estado
6. Evolução
1. ESTADO: é a sociedade politicamente organizada. Emerge da sociedade, mas não
se funde com a sociedade. Para o estado são transferidos os poderes de natureza
política.
2. ELEMENTOS DO ESTADO: o povo, o território e o poder político.
Povo: conjunto de pessoas que se caracteriza por uma identidade comum: língua,
etnia, identidade cultural desse povo. Tem aspetos comuns. O povo não se deve
confundir com população: grupo social, agregado social e caracterização social.
Grupo social: conjunto de pessoas que se organização em volta de
interesses comuns;
Agregado social: conjunto de pessoas que num determinado momento e num
espaço convergem, é uma convergência de pessoas, não há uma
organização subjacente.
Categoria social: identificação de caraterísticas comuns de determinados
indivíduos que sem que os mesmos tenham consciência dessas
características formas categorias. É um conjunto de características que são
comuns a um conjunto de indivíduos, ex.: população e imigrantes
Território: é o espaço geográfico delimitado constituído por terra mar e aéreo, é
onde o povo escolhe para sua residência. É a sede do poder político no limite das
fronteiras.
Exceções do território: existem territórios que podem ser exceção, ex.: Santa Sé;
comunidade islâmica (tem um líder político que é o príncipe Aga Khan, a
comunidade obedece a este príncipe); Andorra e Mónaco (Estados Semi-
Soberanos).
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Direito Social
Poder político: é o elemento organizacional do Estado que traduz o poder político e
pode ser constituinte e constituído (integrado pela organização política de um
determinado Estado),
Constituinte: autoridade constituinte de um povo, é o poder da autodeterminação, o povo
tem a capacidade de se organizar politicamente e decide a nomeação política através da
elaboração e aprovação de uma constituição. A Lei fundamental dos Estados se chama
Constituição porque é o exercício da autoridade constituinte da autodeterminação desse
povo. O poder constituinte tem a sua expressão na Constituição dos Estados.
Constituído: o poder político Constituído é integrado pela organização política de um
determinado Estado, ou seja, quais são os órgãos de soberania que existem nesse Estado,
quais são as suas competências.
ex.: Portugal é formado por um sistema político (Tribunais, Presidência da República,
Assembleia da República e o Governo), estes órgãos de soberania englobam o sistema
político português. O tribunal não tem funções políticas.
O poder político pode ser soberano ou não soberano:
Soberania: é um conceito externo nas relações que se estabelecem nesse Estado com
outros Estados, a soberania tem de ser reconhecida pela comunidade internacional, ex.: a
Escócia quando separada do Reino Unido para ser soberano teria de ser reconhecido pela
comunidade internacional. Não basta um território declarar-se independente, até pode estar
organizado politicamente, mas para que seja soberano tem de ser reconhecido pela
comunidade internacional.
Características do Estado:
O Estado caracteriza-se pelos seguintes aspetos:
1ª característica: critério orgânico: é uma organização que tem subjacente uma
complexidade organizacional, subjacente ao Estado está toda uma organização
política e administrativa, ou seja, o estado pode ser dividido em regiões
administrativas, de natureza política, pode estar dividida em distritos, municípios
para a execução política poder chegar a todas as pessoas;
2ª característica: critério temporal: o Estado caracteriza-se pela estabilidade
temporal, ou seja, quando o Estado é criado não é criado por um período
determinado ou determinável, ele é criado como uma vocação estável e definitiva;
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3ª característica: critério geográfico: que está ligado também ao critério territorial
do Estado que se traduz na sedentarização. O Estado caracteriza-se por um espaço
territorial onde fixa a sua sede, a sede do poder político e da residência do seu povo.
4ª característica: critério da institucionalização: significa que o exercício do poder
político ou dos poderes públicos é realizado através de pessoas dessa comunidade
que são designados para ocupar cargos, mas o exercício do poder político é
realizado independentemente das vontades, crenças, motivações pessoais das
pessoas que ocupam esses lugares públicos.
3. FINS E FUNÇÕES DO ESTADO
FINS DO ESTADO: Segurança, Justiça e o Bem-Estar Social
Sendo que, relativamente à segurança e à justiça não haja muita diversidade a apontar
Estado por Estado, o bem estar social já poderá ser tido nomeadamente a quem compete o
Estado do bem-estar social e estamos a falar de Estados que têm mais ou menos
responsabilidade social. o bem-estar social vai depender muito do tipo de estado (se é um
Estado liberal se é um Estado social).
Segurança: a segurança que estamos a falar é a segurança extrínseca, é a proteção das
pessoas contra as agressões externas que vêm de outros sujeitos que atuam à margem da
lei. O Estado tem como finalidade garantir que as pessoas estão e vivem em segurança.
Justiça: Justiça Comutativa e a Justiça Distributiva:
Justiça Comutativa: é exercida pelos tribunais, que assegura que todos são iguais
perante a lei, mas não garantem correções ou assimetrias sociais. É a justiça que de acordo
com a lei, visa repor os desequilíbrios que foram criados mediante o desrespeito das regras
do direito, o desrespeito pelo Estado de Direito. A Justiça Comutativa procura arbitrar o
equilíbrio de interesses, ou seja, quando alguém vê os seus direitos violados recorre aos
tribunais para que a satisfação desses direitos seja respeitada. O Estado garante o acesso
à justiça das pessoas.
Justiça Distributiva: a Justiça Distributiva não compete aos tribunais, é uma
responsabilidade atribuída ao Estado (órgão legislativo e executivo) que cria condições para
a distribuição de riqueza, estamos a falar de justiça material. Procura tributar os ricos e
isentar eventualmente quem não tem rendimentos suficientes para viver, ex.: prestações
sociais. Os Estados Liberais não têm esta preocupação pois acreditam que a sociedade vai
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encontrar o equilíbrio naturalmente, as assimetrias vão ser corrigidas naturalmente ou seja,
não tem responsabilidade social.
Bem-Estar Social: consiste na criação de condições de vida social, ambiental,
económica para as pessoas poderem gozar da vida e sentir-se realizada pessoalmente,
familiarmente, profissionalmente etc. Para isso têm de ser desenvolvidas políticas nesse
sentido, pode passar por uma política de rendimentos, ambientais, políticas de
sustentabilidade para assim existir desenvolvimento económico.
Em suma, o Estado defende o interesse publico, a ordem pública e o bem comum através
da segurança, justiça e bem-estar.
Como é que o Estado assume estes fins? Assumindo funções que são próprias do Estado
que visam assumir estes fins.
FUNÇÕES DO ESTADO:
Função Legislativa: consiste em fazer atos legislativos, ou seja, fazer a lei. A lei que
resulta do ato legislativo é uma norma inovadora que introduz uma modificação na ordem
jurídica, nomeadamente, novos conceitos, novas regras que até agora não regulavam a
sociedade. deve ser a função mais importante pois comanda os destinos, que implementa
novas realidades.
Função Administrativa ou Executiva: é a função de governação que executa as leis.
Pode-se situar em 3 patamares: ação regulamentar, ação administrativa e Execução
material.
Ação regulamentar: implica que a ordem legislativa tenha feito uma lei, mas essas
leis são vagas, ou seja princípios gerais sendo necessária essa lei ser regulamenta e é
função executiva que começa a sua ação pela via regulamentar, ou seja, vai desenvolver
regulamentos administrativos. Os regulamentos administrativos visam tornar exequível
aquilo que são as normas da lei que são vagas, genéricas, isto é não permitem a sua
aplicação imediata. Depois de desenvolver estes regulamentos criando critérios e objetivos
de aplicação.
Ação administrativa: ex.: a lei geral da segurança social estabelece que as pessoas
a partir de uma determinada idade têm direito de requerer ao Estado o pagamento de uma
reforma, e a lei diz isto, mas não diz como se processa, tem de haver aqui alguns
procedimentos a seguir, a lei não diz como é que isso se faz. O Estado através da via
regulamentar vai fixar os procedimentos a seguir para requerer a reforma para lhe ser
atribuída a reforma, tem de estar no regulamente qual o órgão que recebe o requerimento,
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quais os cálculos que são feitos para a reforma. Isto é tudo feito por via de regulamentos
administrativos.
Execução material: é o patamar mais próximo do cidadão. É o ato do Estado pagar a
pensão ao reformado.
Função Judicial: consiste em interpretar e julgar a aplicação das leis, isto é, quando
alguém entende que os seus direitos foram pretéritos tem a possibilidade de ir ao tribunal
pôr uma ação para que os seus direitos sejam satisfeitos. O tribunal vai ver que foi violada,
e vai interpretar essa lei se está de facto conforme o cidadão se queixa se lhe confere o
direito do que está a reclamar. Depois aplica a lei condenando ou absolvendo a parte que
está a ser acusada de ter violado o direito de terceiro. A ação judicial é a fiscalização da
aplicação da lei (tribunais).
Função Legislativa: é atribuída ao Parlamento (Assembleia da República) mas não que
dizer que só o Parlamento possa exercer a função legislativa, o governo também tem
competência legislativa. Além disso, a nível regional também tem função legislativa as
assembleias regionais das regiões autónomas. Contudo, o principal órgão com função
legislativa é a Assembleia da República.
4. MODALIDADES AFINS
Temos 2 tipos de modalidades afins de organização política que não chegam a adquirir
qualidade ou qualificação de Estado:
Sociedades Supra Estaduais: são organizações internacionais de estados, cada
estado é independente e soberanos, mas integram uma organização política de
natureza supra estadual. A sua característica é a integração dos estado dentro de
uma organização política, ou seja, o objetivo final é evoluir para uma federação, ex.:
a EU é uma organização internacional que não chega a ser um Estado porque é um
grupo constituído por 27 Estados independentes, mas que através da sua
pertinência e adesão a esta organização aceitaram delegar o seu poder de mudar a
moeda e aceita conferir poderes legislativos em matéria de políticas comuns de
união aos Estados.
Sociedades Infra Estaduais: é uma região política autónoma, é o caso da Madeira,
não têm a condição nem autoridade de Estado, não têm o poder de fazer a sua
própria Constituição. Têm apenas poder político autónomo.
5. FORMAÇÃO DO ESTADO
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Direito Social
Como é que um Estado se forma? O Estado formou-se por processos que aconteceram e
não acontecerão mais. A maior parte dos Estados formaram-se através de:
a. Conquista de territórios: ex.: Portugal (Condado Portucalense)
b. Consolidação territorial
c. Migração: fruto do processo de migração ex.: EUA (deu origem a um Estado
multicultural que mais tarde justificou a formação de um Estado).
d. Agrupamento por laços de sangue ou éticos (os Estados formam-se em função de
certos valores, etnia, etc.) ex.: China
e. Evolução Social: acontece naturalmente, ex.: Espanha
f. Decisão Política: pode vir da comunidade internacional, ex.: Israel resulta da tomada
de decisão política de uma organização/comunidade internacional
g. Inversão de Título: resulta de uma decisão de um povo que reside num determinado
território decide tornar-se independente (auto proclamação da independência), ex.:
Zimbabué
h. Negócio Jurídico: alienação de território, ex.: Alasca é um Estado federado que
pertence aos EUA
Classificação dos Estados quanto à sua organização: os Estados podem classificar-se
nos seguintes critérios:
1º critério: Plano Externo da Comunidade Internacional: os Estados podem ser:
Soberanos: Estados que gozam de todos os direitos internacionais na Comunidade
Internacional, ou seja, são reconhecidos pelos outros Estados como tendo legitimidade para
exercer os direitos internacionais que assistem aos Estados, nomeadamente na relação que
estabelecem entre si.
Os direitos que assistem os Estados Soberanos nas suas relações internacionais ou
externas, são dois:
IUSBELIU: os Estados têm o direito de fazer a Guerra em defesa própria. A guerra
só é legitima em situações de defesa da integridade territorial de um Estado ou
então Guerra em legitima defesa em que um Estado ataca outro para de proteger.
Estas são as únicas situações que os Estado têm direito de fazer a Guerra.
IUSTRATUUM: é o direito a celebrar tratados internacionais, os Estados têm o direito
a celebrar com outros Estados tratados internacionais. Quando o Estado é Soberano
é-lhes reconhecido este direito, ex.: Portugal não pode fazer acordos com Nova
York, mas sim com os EUA.
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Não Soberanos: podem ser Estados Federados e Estados integrados em Uniões Reais de
Estados:
Estados Federados: é um Estado que integra uma Federação de Estados, isto é,
existe um Estado Federal que é composto por Estados Federados, ex.: EUA, Brasil,
Suíça, Alemanha. Estes estados sendo não soberanos têm autoridade constituinte,
têm o direito de se organizar e ter os seus próprios órgãos de soberania. Cada um
destes Estados têm a sua organização política e a sua Constituição.
Uniões Reais de Estados: é um agrupamento ou uma organização de Estados
composto por vários Estados que exercem em comum a autoridade constituinte e
que não exercem atividade constituinte individualmente, ex.: numa federação de
Estados temos a autoridade constituinte comum, existe apenas uma Constituição
que é a União Real de Estados, ex.: Reino Unido (Irlanda do Norte, Pais de Gales,
Escócia e Inglaterra) são reinos distintos, mas juntaram-se e formam uma Uniões
Reais de Estados
Semi-Soberanos: são Estados que pela sua visibilidade territorial gozam dos direitos
internacionais, mas cujo direitos são exercidos por outro Estado Protetor, ex.: Mónaco é a
França que exerce esses direitos, se for para declarar guerra é a França que o faz.
2º critério: Plano Interno da Organização Estadual: os Estados organizam-se da
seguinte forma:
Estados Unitários: é um Estado que não tem divisão interna, ou seja, não é
integrado em outros Estados, não é integrado por regiões, ex.: Portugal sem as
regiões autónomas. Não há uma divisão política, divide-se em simples e regional.
Portugal é um Estado Unitário Regional. Estados Soberanos.
Estados Federais: são Estados que integram vários Estados Federados.
União Real de Estados: é uma organização de Estados que têm uma Constituição
comum e exercem a sua atividade constituinte em comum, ex.: Reino unido
União Pessoal de Estados: são estados que têm um chefe de estados em comum,
ex.: Canadá, Austrália, Nova Zelândia são estados que têm o mesmo chefe de
estado, mas são Estados independentes entre si, têm governos próprios, têm
autoridade constituinte própria, mas têm o mesmo chefe de Estado.
6. EVOLUÇÃO
Conceitos a reter: Estado, Sociedade e Direito
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Direito Social
O Estado é uma sociedade/organização política e na história Ocidental podemos identificar
vários modelos da evolução do Estado:
- A figura de Estado da cidade grega e romana: na antiguidade clássica as cidades e a
organização das cidades constituíam verdadeiros estados. Nessa altura a geografia
temporal não é como hoje, era mais difícil as pessoas se deslocarem de um ponto para o
outro e normalmente a organização política tendia a organizar-se numa cidade onde as
pessoas se concentravam e eram independentes de outras cidades ex.: Roma também era
uma cidade independente constituía um Estado.
Características do Estado nessa época (Renascimento):
1º característica do poder político: era que o poder político era um poder local a que nós
chamamos hoje como o poder local, era político, mas com uma abrangência local.
2º característica do poder político: era relativamente aos indivíduos, não havia uma
preocupação por parte da organização política de proteger os indivíduos, nem de
reconhecer quaisquer direitos à sociedade em si, mas havia um reconhecimento de
participação política, ou seja, havia o reconhecimento de que as pessoas tinham o direito de
participar na organização, nos destinos e na decisão da cidade-estado, mas não eram
todas. O regime político dependia da classe dirigente e de quem exercia essa participação
política:
Regimes Autocratas ou Regimes Aristocratas: em que havia apenas uma classe
(aristocratas, os mais ricos) que dispunham sobre os destinos da cidade;
Regimes Democrata Universal: Atenas (democracia direta) todos participavam nos
destinos da cidade exercendo o seu direito de voto;
Regimes Democrata Censitário: os que pagavam impostos é que tinham poder de
decisão política;
Modelo económico: Estado esclavagista, ou seja, assentado no modelo de mão de obra dos
escravos. Atividade económica principal: sociedades abertas transacionavam entre si
(comércio). Não havia qualquer responsabilidade social por parte do Estado.
A EUROPA ENTRE NUM PERIODO MEDIEVAL REFLETINDO-SE NA ORGANIZAÇÃO
DO ESTADO: SÉC. XII até SÉC. XIII
Na época medieval a figura de Estado perde características no que respeita ao conceito da
cidade-estado dá-se a entrado do período medieval.
O que justifica a passagem da antiguidade clássica para a época medieval?
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Direito Social
São as movimentações que existem europa, as sucessivas invasões de povos havendo
uma grande instabilidade dos povos da europa nessa época, incluindo os Mouros. Essa
instabilidade exigia dos povos residentes uma organização de defesa/militar para reagir a
eventuais agressões.
Organização do Estado Medieval:
Deixamos de ter o Estado centrado numa cidade e passamos a ter os Reinos.
Reinos: são espaços territoriais que são jurisdição do rei, mas o poder desse rei não é um
poder centralizado.
1ª característica: poder político descentralizado, o rei delega competência noutros nobres
que são militares e têm os seus próprios exércitos para promoverem a defesa das terras.
2ª característica: falta de consciência de nacionalidade, em cada condado/território de
um reino não havia a consciência da nacionalidade de um único espaço político porque as
pessoas (povo) o rei estava longe e não havia consciência de valores comuns.
3ª característica: legitimidade do poder político que assentava em 2 critérios base:
- força militar: o rei impunha a sua vontade
- religião cristã: o reconhecimento do Papa era fundamental para que o rei pudesse
evocar legitimidade, porque se um rei fosse excomungado (significava que o Papa
lhe retirava confiança religiosa) era meio caminho para ser destituído
Ecónomia: era assente na subsistência, era uma ecónomia fechada porque não estabelecia
laços sociais com nenhuma sociedade.
Sociedade: é uma sociedade homogénea, mas com classes distintas (clero, nobreza e
povo). O rei está acima da lei.
Não existiam direitos individuais das pessoas, a participação política é reserva aos nobres e
ao rei. O povo não tinha qualquer participação na vida política.
Estilo manuelino e depois o estilo gótico
SEC. XIII
As movimentações sociais começam a acalmar, os povos começam a se fixar. Isso faz com
que as pessoas comecem a desenvolver uma atividade com outras sociedades. A
agricultura sofre um BUM significativo e a produção deixa de ser de subsistência para
passar a ser uma agricultura com excedentes que tinham de ser comercializados e isso
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Direito Social
levou a que houvesse um fenómeno no comércio. Estas atividades sociais eram
desenvolvidas em feiras da porta de fora das mulheres do castelo.
Ao mesmo tempo foram desenvolvidas as atividades de artesanato (ferro/couro etc.) várias
profissões foram sendo desenvolvidas para permitir alimentar essa atividade que estava a
florescer – A REVOLUÇÃO AGRICULA.
ESTADO ESTAMENTAL (finais do séc. XIII a séc. XVI
PASSAGEM DO ESTADO MEDIEVAL PARA ESTADO ESTAMENTAL
(RENASCIMENTO)
Características deste período:
Em termos económicos: foi a aberturas de sociedades, as pessoas começaram a sentir
segurança para vender os seus produtos outras terras próximas.
Nova classe social: os burgueses (homens bons) - classe de homens que viviam com base
na atividade económica do comercio
Características do Estado Estamental:
- limitação do poder real (homens bons) que ascenderam a um nível de vida muito bom e
que têm capacidade económica para financiar o rei, construir universidades (renascimento
do conhecimento) os seus filhos estudam nessas universidades. O rei estava limitado por
esta classe nos chamados Estados Gerais/Corte Geral onde expressam a sua vontade. Os
burgueses passam a ter direito à participação política, mas não tinham título eram apenas
ricos.
As pessoas (povo) não tinham direito à participação política (estatuto de subjeição)
Status subjecionis (expressão que se usa nas monarquias):
súbditos não eram cidadãos;
deviam favores ao rei;
não tinham direito a reclamar;
o monarca podia matar quando quisesse.
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Direito Social
FINAIS DO SÉC. XVII até a 1º parte do SEC. VIII NA EUROPA
O ESTADO ESTAMENTAL EVOLUI PARA ESTADO ABSOLUTO
Príncipe Perfeito = Senhor Absoluto (poderes concentrados no Príncipe)
Características do Estado Absoluto:
Centralização do poder político na pessoa do rei;
Abertura da sociedade, passa a depender dos dinheiros do homens bons e em troca
recebiam títulos, regalias, mas eram uns brutamontes sem educação e matavam.
A legitimidade do poder é fundada na chamada lei da “boa razão” em que os
homens bons têm capacidade de pensar, atingir valores.
O rei não está sujeito à lei.
O rei domina todos os poderes, legislativo, executivo e a justiça. Está tudo concentrado no
rei que faz dele o “príncipe perfeito”. As pessoas não tinham participação política nem lhes
eram reconhecidos direitos.
Tudo isto deu lugar às Revoluções Liberais, isto é, às reações da sociedade contra o
Estado.
ESTADO VS SOCIEDADE
ESTADO=COISA PUBLICA: O Estado é a única organização política que uma sociedade
escolhe para si, mas isso não significa que se anule a sociedade.
SOCIEDADE = DOMINIO PRIVADO: No privado cada cidadão tem a sua esfera individual
que até ao Estado Absoluto não era reconhecida.
Quando se dão as primeiras Revoluções Liberais implanta-se um novo Estado: ESTADO
LIBERAL também chamado de ESTADO DE DIREITO.
Estado de Direito = (Rule of Law) é a lei que se aplica a todos que é determinada pela
sociedade, ou seja, não é mais a vontade do príncipe que dita a lei.
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Direito Social
Com a Revolução Francesa surge a 1ª Constituição com a 1ª Declaração de Direitos
Individuais.
DIREITOS INDIVIDUAIS = STATUS LIBERTATIS
É a afirmação da esfera individual das
pessoas (proteção das pessoas e dos
seus direitos). O Estado não pode violar
os direitos das pessoas.
ESTADO LIBERAL DE DIREITO = ESTADO CONSTITUCIONAL (Séc. XIX)
Estado Constitucional: baseia a sua organização numa Constituição
As pessoas são todas dignas e iguais perante a lei
Se organiza mediante o princípio da separação de poderes, isto é, o poder
legislativo não pode estar misturado com o poder judicial e com o poder executivo.
o Poder Legislativo: exercido pela sociedade fazendo as Leis que são o
resultado da vontade popular.
o Poder Executivo: Príncipe/Monarca executa as leis sem as poder alterar.
o Poder Judicial: (homens das universidade, homens bons, etc.) vão verificar a
boa execução das leis.
Justiça do Estado Liberal: é uma justiça meramente formal (todos são iguais
perante a lei), no entanto esta justiça não traz justiça social, justiça distributiva ou
justiça material
Do ponto de vista económico: o modelo económico o modelo assenta na liberdade
do comércio, da liberdade da iniciativa privada, da propriedade privada.
A partir do (Séc. XIX) - EVOLUÇÃO DO ESTADO LIBERAL DE DIREITO
PARA
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Direito Social
O ESTADO SOCIAL DE DIREITO
A Revolução Industrial desenvolveu uma série de desigualdades socias como:
concentração de pessoas nas cidades
desemprego
inexistência de segurança social
inexistência de proteção social
O Estado Liberal demonstrou falências na Revolução Industrial e foi com base nesta
observação de acumulação de capital nas grandes empresas que absorviam as pequenas
empresas.
O Estado Liberal foi evoluindo para Estado Social pois começa a identificar disfunções na
sociedade e começa a corrigir assimetrias.
Pontos em comum:
ESTADO LIBERAL ESTADO SOCIAL
Estado Liberal de Direito Estado Social de Direito
Separação de poderes Separação de poderes
Lei formal Lei político-administrativa
(responsabilidade social e política
social)
Justiça formal Justiça material
Características do Estado Social:
Reconhecimento do STATUS CIVITATIS: estatuto do cidadão/cidadania (acabaram os
súbditos)
CIDADÃO = STATUS LIBERTATIS + STATUS CIVITATIS
Esfera individual intacta
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Direito Social
Direito de pedir ao Estado prestações sociais
Direito de pedir ao Estado responsabilidade social
Dever do Estado de prestar serviços
Princípios do séc. XX:
O ESTADO SOCIAL DE DIREITO (Welfare-State)
Preocupação com a proteção social
Sociedade heterogénea: sociedade de massas formada por um número indiscriminado de
grupos que nem sempre fazem uma sociedade homogenia (grupos económicos, grupos
sociais, grupos de interesse diferentes, mas dispares uns dos outros que podem gerar
desagregação social.
Atualmente os grupos debatem-se entre si para tentar influenciar a decisão política (grupos
de pressão, lobbies) pode levar a situações fraturantes da sociedade. Existem grupos
poderosos que representam determinada tendência que não é representada por outros
grupos.
Partidocracia: o acesso ao poder é feito através de intermediação partidária, ou seja, os
partidos apresentam-se ao eleitorado como veículos de exercício de poder política para
propor programas de Governo. Estes grupos/partidos passam a estar no Parlamento.
O equilíbrio entre Estado e Sociedade é dinâmico, e essa dinâmica dependente da forma
como está organizada a sociedade que atualmente é heterogénea.
Existem 2 tipos de Grupos Sociais:
GRUPOS DIVERGENTES GRUPOS CONVERGENTES
Gruposque
Grupos quenão
nãotêm
têmnenhum
nenhum
aspeto em comum
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Direito Social
AS PESSOAS QUE TÊM IDEIAS DIFERENTES E ESTÃO NUM GRUPO DIVERGENTE,
QUANDO ESTÃO NUM GRUPO CONVERGENTE (EX: ATRAVÉS DA MESMA RELIGIÃO)
ENTENDEM-SE E ATENUAM O CONFLITO.
OUTRO EXEMPLO: Irlanda do norte (que faz parte do Reino Unido) e que tem os seus
próprios valores culturais. Na Irlanda temos os irlandeses (são católicos) e os ingleses (são
protestantes) ao mesmo tempo os irlandeses trabalhavam nas terras e os donos das terras
eram os ingleses. Temos 3 grupos:
Grupo de nacionalidade + Grupo religioso + Grupo dos proprietários
Se a religião fosse a mesma eles poderiam entender-se no grupo religioso que seria o
grupo convergente. Neste sentido, tem sempre de haver grupos convergentes numa
sociedade pois sem eles podem existir conflitos e gerar instabilidade social.
POSSIVEIS PERGUNTAS TESTE:
EM QUE MEDIDA É QUE OS GRUPOS SOCIAIS CONVERGENTES OU OS GRUPOS
SOCIAIS DIVERGENTES PODEM INFLUIR NA ESTABILIDADE SOCIAL?
EM QUE MEDIDA A CIRCULAÇÃO DE ELITES PODE OU NÃO INFLUIR COM MAIOR OU
MENOR ESTABILIDADE POLÍTICA E SOCIAL? tem a ver com o Estado atual pluralista de
massas
INTRODUÇÃO AO DIREITO
O Direito tem um papel instrumental porque o que estamos a falar é de organização da
sociedade política que dá origem ao Estado. Mas é necessário ter normas para garantir
essa organização. Sem Direito não existe organização (é o 3º vetor fundamental para a
organização). O Direito é também uma forma de organização pois visa garantir valores
como a justiça.
Juridicamente o que é o Direito:
DIREITO OBJETIVO DIREITO SUBJETIVO
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Direito Social
É a norma. É um conjunto de normas jurídicas. É a faculdade que cada um de nós tem de
Direito para ser uma norma é necessário que fazer qualquer coisa que a lei nos confere:
apresente 3 características:
Direito à vida
Generalidade: é a suscetibilidade da regra se Direito a contrair casamento e
aplicar a qualquer individuo que não está família
previamente determinado, ex.: não Direito à segurança
conseguimos saber quem vai ficar sujeite Direito a que a nossa esfera
àquela ordem (incidência subjetiva) individual seja protegida
Direito à propriedade privada etc.
Abstração: a norma aplica-se a uma situação
padrão, ou seja, é identificado uma situação
da vida real a que a norma se vai aplicar.
(incidência objetiva)
Obrigatoriedade: a norma é passível de
cumprimento de coerção, se não for cumprida
é possível recorrer aos meios coercivos do
Estado para obrigar o seu cumprimento.
Normas de cortesia: cumprimentar, dar as salvas (são normas que não são obrigatórias)
A NORMA tem uma estrutura que se divide em 2 partes:
Previsão: é a parte que contem a representação intelectual do legislador. É a situação
típica padrão, é a situação que o legislador idealizou que tinha de ser regulada. A previsão
engloba a generalidade e a abstração. Pratica de crime.
Estatuição: solução normativa, a pessoa que praticou o ato vai ficar sujeita a esta medida.
É a consequência, ex.: quem cometer homicídio será punido com uma pena até 25 anos. A
estatuição engloba a obrigatoriedade.
Tudo o que nos rodeia é um conjunto de normas que regula a nossa vida.
Ordem jurídica: é um conjunto de normas que integra a ordem que a nossa sociedade
deve seguir, que as pessoas devem seguir. Estão organizadas em diferentes domínios
sociais
Ex.: se trabalharmos ganhamos o direito de receber um salário
se recebermos salário temos de pagar impostos
Tudo o que nós fazemos é de alguma maneira regulado por normas. Essas normas formam
um conjunto grande da ordem jurídica.
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Direito Social
As ordem jurídica organiza-se por diferentes ramos do direito: visam regular uma
determinada dimensão social que num todo formam a ordem jurídica:
Direito do trabalho: regula o trabalho
Direito fiscal: regula a relação jurídica do cidadão com o Estado
Direito administrativo da segurança social: regula a segurança social ex. doença
temos direito a subsídios
Direito da família: regula as relações entre a família
Direito do arrendamento: regula o direito de arrendar casas
Direito administrativo da circulação rodoviária: regula o código da estrada
Os diferentes ramos do direito dividem-se em 2 grupos:
Direito publico
Direito privado
As regras da interpretação jurídica não são iguais se a norma for direito publico ou direito
privado.
DISTINGUIR O DIREITO PUBLICO DO DIREITO PRIVADO:
Direito publico: é o conjunto de normas jurídicas que regulam a organização e o
funcionamento das entidades públicas, bem como, regula as relações jurídicas que se
estabelecem entre o Estado ou entidades públicas e os particulares, mas em que o Estado
intervém no exercício da autoridade publica.
Ex.: expropriação invocando interesse publico (terreno onde vai passar uma autoestrada)
Direito privado: é o conjunto de normas jurídicas que regulam as relações jurídicas entre
particulares e o Estado e demais entidades publicas, mas em que nenhuma das partes
intervém no exercício da autoridade publica.
Ex.: contrato de venda (venda de uma casa ao Estado)
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AS NORMAS DO DIREITO PUBLICO E DO DIREITO PRIVADO REGULAM RELAÇÕES JURÍDICAS.
DIREITO PUBLICO VS DIREITO PRIVADO
DIREITO PUBLICO DIREITO PRIVADO
1º Princípio da supremacia jurídica: em que 1º Princípio da igualdade jurídica formal:
uma das partes intervém numa posição de as partes estão em igualdade jurídica formal, ou
exercício de autoridade publica, está numa seja, independentemente da condição financeira e
posição que permite impor a sua vontade à outra posição social estão em pé de igualdade. Do ponto
parte. de vista jurídico, o que é importante é se uma das
Ex.: direito fiscal (relação entre o contribuinte e o partes está em posição de impor a sua vontade à
Estado. outra, isso não pode acontecer. No direito privado
ambas as partes têm a liberdade de estar em
igualdade jurídica formal.
Ex.: direito do trabalho (o empregador não pode
impor um contrato de trabalho ao empregado
2º Princípio da competência, princípio da 2º Princípio da liberdade: nas relações jurídicas
legalidade ou princípio da tipificidade: reguladas por normas do direito privado os sujeitos
significa que a entidade publica (pode ser gozam do princípio da liberdade. A liberdade de
entidade privada se o estado concessionar poder contratar ou não, de fixar o conteúdo
serviços a entidade privada) que tem posição de contratual, pode-se acordar tudo o que a lei não
supremacia jurídica só pode agir se a lei proíbe.
expressamente lhe atribuir essa competência. Ex.: direito comercial e civil: contrato mútuo de
Ex.: Direito fiscal: não é possível perdoar empréstimo, implica o montante e quem recebe esse
impostos se não estiver previsto na lei. montante tem o dever de amortizar e pagar o juro.
3º Predomínio das normas imperativas: as 3º Predomínio das normas dispositivas: são
partes não podem fazer acordos, têm de ser normas supletivas, podem ser afastadas por vontade
cumpridas as normas, mas podem acordar pagar das partes, têm essa possibilidade.
em prestações e com juros Ex.: compra e venda as pessoas podem acordar
quem paga as despesas, se não combinarem a lei
determina que é o comprador que paga
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Direito Social
4º Interesse público: normas que defendem o 4º Interesse privado: normas que defendem o
interesse publico, mas também têm interesse privado.
responsabilidade social.
RAMOS DE DIRETO PUBLICO:
(SABER SE HÁ ALGUMA NORMA QUE PERMITA PAGAR O PREMIO AO TRABALHADOR)
Direito fiscal
Direito administrativo (segurança social, código da estrada)
Direito penal
Direito da
RAMOS DE DIREITO PRIVADO
(SABER SE EXISTA ALGUMA REGRA QUE NÃO PERMITA PAGAR O PREMIO AO
TRABALHADOR)
Direito civil
Direito do trabalho
Direito comercial
ONDE SE ENQUADRA O DIRETO SOCIAL?
O Direito social não goza de autonomia, é definido por um conjunto de normas que tem uma
preocupação social. Essas normas podem estar situadas numa ramo do direito privado ou
num ramo do direito publico.
Ex.:
No direito civil temos normas sobre a proteção tutelar de menores;
No direito do trabalho temos normas que regulam a responsabilidade social do
empregadores, nomeadamente no âmbito da parentalidade
No direito administrativo temos a segurança social que tem preocupações sociais
de direito publico e de direito privado
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