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Epistemologia nas Ciências Sociais

O documento explora a epistemologia das ciências sociais, abordando teorias do conhecimento, como gnoseologia, realismo, idealismo, ceticismo e dogmatismo. Discute a importância da experiência e da razão na formação do conhecimento, além de apresentar correntes como o positivismo e o positivismo lógico. A obra também analisa a relação entre ciência e filosofia, enfatizando a necessidade de um conhecimento crítico e fundamentado.

Enviado por

Diogo Cruz
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Epistemologia nas Ciências Sociais

O documento explora a epistemologia das ciências sociais, abordando teorias do conhecimento, como gnoseologia, realismo, idealismo, ceticismo e dogmatismo. Discute a importância da experiência e da razão na formação do conhecimento, além de apresentar correntes como o positivismo e o positivismo lógico. A obra também analisa a relação entre ciência e filosofia, enfatizando a necessidade de um conhecimento crítico e fundamentado.

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📜

Epistemologia das Ciências Sociais


📜 Conhecimento
Gnoseologia
Debruça-se na teoria do conhecimento, estuda o sujeito e o objeto tentando perceber a relação de
conhecimento entre os dois, obriga assim a sua procura constante.

O problema estudado pela gnoseologia consiste no que é importante estudar antes de qualquer outra
ciência, debruçando-se assim no mundo tal como ele é.

Quando misturamos a realidade com as nossas crenças, a mesma é distorcida, ou seja, adquirimos
conhecimento sobre o objeto, se não existir conhecimento, nem experiência, o objeto pode ser
alterado pelas crenças.

Elementos do conhecimento
Sujeito: aquele que conhece (e.g., a nossa consciência e mente).
Objeto: o que é conhecido, exterior ao sujeito (e.g., realidade, mundo, fenómenos).

📌 Teoria do conhecimento: abrange todo o conhecimento (verdades e crenças, científico e não


científico).

📌 Epistemologia: estudo sistemático do conhecimento científico (e.g., história e filosofia da


ciência).

Conhecimento
Segundo Aristóteles procuramos conhecer naturalmente. Santo Agostinho acreditava que o homem
habita a verdade. Já Tomas de Aquino acreditava que a verdade é a adequação da coisa e do
entendimento (aquilo que acredito e quero acreditar).

📌 Realismo metafísico (o ser mede o conhecimento).

📌 Realismo antropológico (ou seja, o intelecto humano alcança a verdade das coisas reais).

Ceticismo vs. Dogmatismo


Ceticismo

Epistemologia das Ciências Sociais 1


Não acreditam que o sujeito apreende qualquer realidade/objetos (segundo Pírron temos de suspender
todos os juízos de valor e questionar o pensamento religioso) a dúvida é o principal mecanismo,
devemos ser movidos por perguntas e incertezas para interpor uma ideia.

Formas de ceticismo:

Filosófico (avalia os pensamentos);

Científico (encontra as explicações para as investigações na ciência).

Dogmatismo
Dogma é aceite como verdade/realidade absoluta e inquestionável. Na religião, corresponde ao conjunto
de dogmas (e.g., virgem maria, engravidou teve um filho e mantém-se virgem). Na filosofia, oposto ao
ceticismo, contesta-se o conhecimento total da verdade.
Pode ser entendido por:

Parte do realismo: atitude ingénua que admite conhecer as coisas em toda a sua verdade;

Confiança absoluta: numa certa fonte de conhecimento, sendo que essa fonte na maioria das
vezes é a Razão;

Submissão total (aos valores): determinados valores ou à autoridade que os aplica.

Realismo vs. Idealismo


Realismo
Afirma a existência do real, eu posso não conhecer, dado que existem objetos que o Homem não tem
conhecimento sobre. Sendo o conhecer apreender a realidade existente na experiência interna (atos da
consciência) ou na experiência externa (objetos do mundo sensível).

📌 Critico: dúvida em relação ao que conhecemos e admite a possibilidade de a realidade não


ser tal e qual como nos aparece pelo facto dos elementos do sujeito interferirem no
conhecimento.

📌 Ingénuo: aceitar como existente aquilo que o rodeia e de acreditar que conhece tal como é (já
conhece tudo).

Perceção comum de vários indivíduos com o mesmo objeto:

1. A perceção é comum a vários indivíduos, o que só é possível se existirem os objetos;

2. As perceções não dependem da nossa vontade, mas sim dos objetos;

3. Os objetos da nossa perceção diferem da perceção propriamente dita, continuando a existir


mesmo que os não estejamos a percecionar.

Idealismo
Nega a existência do real, por isso os objetos só existem enquanto representações do social (e.g.,
decidiu-se que um determinado objeto tinha aquele nome) e tem origem em Descartes. O idealista
pensa, desenvolve teorias, afirma a razão subjetiva, ou seja, a razão em relação aos sentimentos.

Epistemologia das Ciências Sociais 2


Interpretações:

1. Capacidade da inteligência para idealizar;

2. Ideia como sendo o princípio do ser e do conhecer.

Descartes, trabalha a parte da suscetibilidade e representações:

A capacidade da inteligência para idealizar;

Considera a ideia como sendo o princípio do ser e do conhecer.

Categorias de idealismo:

Filosófico: a realidade que se encontra fora da própria mente;

Subjetivo: reflexão permite aproximar-se do conhecimento;

Objetivo: o único objeto que se pode conhecer é aquele que existe no pensamento do sujeito.

Natureza do conhecimento
Criticismo
Para termos a verdade temos de criticar a razão não é possível fazer uma crítica sem ter fundamentos e
bases para a realizar. É uma doutrina epistemológica que estabelece os limites do conhecimento através
de uma investigação sistemática (Kant).

Pragmatismo
Acreditam no que vêm e no que é útil e eficaz para a vida humana, aproxima-se do ceticismo porque
relativiza o conhecimento.
William James: acreditava que todas as teorias são apenas aproximações da realidade;

Charles Sanders Pierce: foi o pai do pragmatismo, acreditava que a verdade é imutável e a infinitude é
real (a verdade não se pode mexer, não existe finito por isso não se procura o fim);
John Dewey: é influenciador da educação moderna, principais objetivos é educar, estudar e analisar a
criança na totalidade, o que importa é o seu crescimento físico, emocional e intelectual.
Consequências:

Mercantilização das atividades humanas (atividades não são lúdicas, é necessário ganhar
dinheiro para sobreviver, mesmo que a moral e a ética sejam sobrepostas para realizar as minhas
atividades);

Redução do comportamento moral (deixa a moral de lado para atingir o fim);

O eu é mais importante que o todo (eu acima de todos).

Racionalismo vs. Empirismo


Tinham em comum querer saber/conhecer, sendo que o sujeito não conhece as coisas, mas conhece as
representações (onde há subjetividade) — fenomenologia. Enquanto, no racionalismo, o conhecimento é
adquirido pelo subjetivo com impressões do intelecto no empirismo são impressões dos
sentidos/experiência. Daí os racionalistas serem intelectualistas e os empiristas sensistas.

Racionalismo

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A razão é a fonte principal do conhecimento mesmo que trabalhemos a parte metafisica, temos de
trabalhar do ponto de vista da razão, mas a razão tem características diferentes, pois é independente,
advém daquilo que procuro ou tento perceber (a realidade é uma construção da razão/conhecimento).
A razão é o veículo de análise e de entendimento do real, na filosofia moderna é estabelecida como uma
faculdade independente.
Platão, Descartes, Spinoza e Leibniz: dizem que a realidade é uma construção do conhecimento, é
uma construção do que sei, o que conheço, partem do princípio de que possuímos ideias inatas.
Ser vs. Conhecer: a filosofia clássica e a medieval preocupavam-se mais com o ser enquanto a filosofia
moderna com o conhecer.

Descartes: foi fundador do Racionalismo Moderno, tinha como missão legitimar a ciência, demonstrando
que o Homem tem que conhecer o mundo real, para tal tem de duvidar de tudo até chegar a uma certeza
inquestionável, fez uma ponte entre o pensamento subjetivo e a realidade objetiva — dentro de uma
realidade objetivo (e.g., existência de deus) temos uma realidade subjetiva (que não dá para explicar).

📌 Racionalismo Moderno: não se adquire conhecimento através dos sentidos, descobrem-se


as verdades questionando e pensando, ou seja, para atingir um conhecimento absoluto é
necessário eliminar as dúvidas. As verdades residem nas abstrações e na nossa consciência,
na qual habitam as ideias inatas.

Fases da filosofia:

Objetivo: atingir verdades indiscutíveis (através da razão);

Dúvida Metódica: para atingir um conhecimento absoluto, tem que eliminar tudo o que seja
suscetível.

Primeira Evidência: única coisa que resiste à própria dúvida é a Razão (se eu tanto questiono existo).

Dúvida cartesiana é justificada por 3 argumentos:

A ilusão dos sentidos (os sentidos podem ser ilusórios);

Argumento dos sonhos (não sabemos distinguir o que está na mente e na realidade);

Génio maligno (um demónio interior que nos quer levar para o caminho contrário).

Foi a partir das ideias inatas que Descartes fundamentou a prova da existência de Deus: a ideia de
Deus como uma entidade perfeita, mas o Homem por si só não seria capaz de chegar à clara e distinta
ideia de perfeição. Descartes como filósofo bebia da água do rio de esquecimento, nascia com ideias
inatas, uma delas é da existência de Deus, logo não necessitava de comprovar que este existia, mas não
conseguia comprovar que Deus não existia. Logo, se deus existe, então o mundo existe e foi Deus que o
criou.

📌 Cogito: algo próprio, o pensamento (consciência) é algo mais certo que a própria matéria
corporal, valorização do sujeito (o que ele conhece) em relação ao sujeito (e.g., de um por
diferente) — Idealismo.

📌 Ideias inatas: já nascem com o sujeito, não são adquiridas pela experiência.

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📌 Ideias adventícias: vão-se a adquirir ao longo da vida.

📌 Ideias factícias/da imaginação: as que formamos nas nossas ideias.

Empirismo
Experiência é a fonte de todo o conhecimento, mas também é seu o limite (subjetivo). O conhecimento
não é à 'priori', é obtido através dos sentidos, onde o objeto é mais importante que o sujeito. Adquirimos
conhecimento através da experiência (se não for experienciado não existe), assim não existe o
conhecimento universal, nem as ideias inatas.
John Locke: defendeu que o ser humano nasce como uma tábua rasa — o conhecimento vai do
particular para o geral (das sensações para a razão).
David Hume: crítico de Descartes, as ideias não nascem comigo porque são o resultado das minhas
experiências a experiência sensível é o fundamento e o limite dos nossos conhecimentos. O nosso
conhecimento dos factos restringe-se às impressões atuais e às recordações de impressões passadas
(todas as ideias derivam das impressões).
Conceção sobre a origem do conhecimento:

Objeto (vemos, impressões e sensações);

Ideias (reflexão sobre o que vemos — o que penso que é);

Associação (se existe ou não semelhança entre o que eu achava que era e o que é);

Conhecimento através da relação entre ideias (números);

Conhecimento através da relação entre factos (fenómenos).

Criticismo Kantiano
Kant acreditava que tanto os sentidos quanto a razão eram importantes para a nossa experiência de
mundo, no entanto, não acreditava na tábua-rasa. As impressões dos sentidos são a base do
conhecimento, mas é preciso perceber que as coisas acontecem, sem ser preciso estar sempre a repeti-
las. Conhecimento tem início com a experiência, mas as ideias não são à 'posteriori', porque o
conhecimento após justificado é universal (é possível passar o conhecimento).
Ceticismo para Kant: doutrina fundamental para educar a Razão e a fazer evoluir para o criticismo.

Kant concorda com Leibniz: o espaço e o tempo são realidades relativas (fenoménicas), são a
condição que torna possível a perceção e permite estruturá-la num todo lógico.
Os objetivos do criticismo são mediar entre:

Dogmatismo: (aceitam o conhecimento universal) têm um otimismo epistémico;

Ceticismo: pessimistas epistémicos (criticismo crítica, mas assume que o conhecimento é


válido).

Racionalismo dogmático: caí em contradições quando é possível comprovar com rigor lógico coisas
contraditórias — porque há uma coisa que não é palpável, mas sei que existe (e.g., liberdade). Além
disso, caí também em argumentações falsas de teorias que aparentam ser corretas.

Para haver uma crítica da razão tem de se levar a cabo 2 tarefas:

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Aspeto positivo: levar o conhecimento pelo uso correto.

Aspeto negativo: o conhecimento tem de ter limites.

Emotivismo humano: representava o mais radical fracasso da Razão e do racionalismo, enquanto


considera a ética como o aspeto supremo da humanidade, acima do conhecimento. Elabora uma ética
inteiramente diversa novamente baseada na Razão, afastando como “não éticas” todas aquelas decisões
tomadas pelo sentimento.

📜 Filosofia das Ciências e relação Metafísica-


Ciência
Ao longo do século XIX, filósofos defendem que a filosofia não pode ignorar as ciências. Sendo esta
considerada a única fonte de conhecimento, passa a ser o novo Deus, no entanto, o conhecimento
necessita de ser criticado e ter um valor epistemológico.

📌 Ciência: associada à capacidade de enunciar respostas aos problemas (do ponto de vista
material) e à procura sistemática de conhecimento (baseando-se na explicação e domínio da
natureza).

Senso comum e o conhecimento: surgem da necessidade de obter respostas aos nossos problemas,
ambos procuravam uma ordem (com objetivo de compreender o mundo tendo como finalidade uma
forma melhor de viver/sobreviver).

Caráter religioso/metafisico: foi substituído pela ciência experimental (objetiva), sendo assim o
interesse pelo conhecimento subjetivo entre as pessoas. Mostrando assim que os métodos eram errados
e que é necessário experimentar até achegar a algum resultado.

Filosofia da ciência: diferencia-se das outras áreas, apresenta problemas subjetivos que se tentam
aproximar da objetividade (nascendo assim as correntes de pensamento positivistas).

Positivismo
Surge no início do séc. XIX, através dos princípios de Bacon, conceções de Descartes e das descobertas
de Galileu, como oposição ao espírito teológico e metafísico. Acredita que a ciência depende de
demonstrações falsificações e comprovações.

📌 Conhecimento sociológico: só pode basear-se nas observações e na experiências,


características exteriores (objetivamente evidentes) dos fatores sociais, e não na subjetividade
de fatores não evidentes.

Positivismo Lógico
Defensores de modelos experimentais nas ciências sociais (preferiam modelos experimentais com teste
de hipóteses, tendo como objetivo a formulação de teorias explicativas de relações causais).
Rejeitam a metafísica (considera que o conhecimento metafísico deva ser rejeitado porque as suas
proposições precisam de significado).

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A aceitação da metafísica era o que distinguia os dois positivismos uns rejeitam e não existe, os outros
rejeitam, mas existe.

Círculo de Viena
A ciência tinha de superar a metafísica (subjetividade), criar uma filosofia objetiva. Era necessário
determinar as proposições, mantiveram assim uma distinção entre as científicas e metafisica, sendo
estas ultima consideradas impossíveis de observar dado que não é possível observar nem adquirir um
raciocino lógico., por não terem valor cognitivo.

📌 “Princípio da verificação”: será verdadeiro aquilo que é empiricamente verificável, ou seja,


toda a observação sobre o mundo deve ser confrontada com os dados.

A ciência é dividida em:

Lógico-matemáticas: proposições analíticas/tautológicas (verdadeiras/falsas consoante o seu


significado → o valor da verdade não é experimental, mas sim através do conhecimento/razão - se
forem verdadeiras → tautológicas; se forem falsas → contradições)

📌 Proposições analíticas: são tautológicas → verdadeiras.

📌 Proposições sintéticas: é possível verificar empiricamente (observáveis).

📌 Proposições metafisicas: não podem ser verificadas (subjetivas → advém da cultura e


valores).

Experimentais: proposições factuais, que fornecem informações sobre os factos, expressando


conceitos
Ideias principais:

1. A ciência pode ser unificada na linguagem e nos factos (o que é aqui é em todo o lado), todo o
conhecimento científico vem da experiência e do caráter tautológico do pensamento.

2. A filosofia quer seja ou não considerada, ou não verdadeira ciência tem que estar ligada a uma
explicação de experiências, tem de haver uma filosofia das ciências (em que ponho de lado a
subjetividade dando lugar à objetividade).

3. Metafisica termina, as questões filosóficas já são tratadas de forma objetiva e as questões já


fazem sentido.

Objetivo: desenvolver a filosofia de cariz rigoroso, com linguagem lógica, com rigor cientifico, dedicava-
se ao estudo da filosofia da ciência como uma epistemologia geral canalizando a cooperação intelectual
voltada para conclusões válidas para diversos campos de estudo e do conhecimento.

O Manifesto do Círculo de Viena era composto:


Medidas:

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1. Colocar a linguagem do saber contemporâneo sob rigorosas bases intersubjetivas (não há
conhecimento sem comunicação);

2. Assumir orientação absolutamente humanista;

3. A filosofia e a teologia não poderiam ostentar validade cognitiva.

Atributos:

1. Todo o conhecimento fica sujeito ao empirismo;

2. Reivindicação do método e da análise lógica da linguagem como instrumento sistemático e


reflexão filosófica.

O Círculo de Viena vai criticar a metafísica de Kant e negava aos enunciados metafísicos o direito de
serem chamados de proposições, apelidando-os de pseudo-proposições.

Regra do Neopositivismo: libertar a ciência senão pudessem ser comprovados pela experiência.

Científico: Não científico:

Real; Abstrato;

Empírico; Dogmático;

Físico; Metafísico;

Filosofia; Teologia;

Meio; Fim;

Indução. Dedução.

Semântica Verificacionista: conhece-se o sentido de uma proposição se for possível conhecer as


circunstâncias pelas quais ela verdadeira ou falsa. Tornam-se então as proposições de base como ponto
de partida.
Método indutivo: começa a ser usado na construção das teorias científicas (sistema lógico de
proposições gerais). É uma teoria científica justificada se existirem proposições de base, deduzidas das
proposições gerais que a confirmam. Gera problemas porque vão querer generalizar conceitos nas
ciências sociais, mas na ciência exata funciona, porque nas ciências sociais os fenómenos variam (não
possuem determinismo intrínseco).
Indução Experimental: investigador pode chegar a uma lei geral através da observação de certos casos
particulares sobre o objeto (fenómeno/facto) observado.
Argumentos indutivos: observações particulares (premissa), tomadas a priori como verdadeiras, a
generalizações conceituais (conclusões) que podem ser verdadeiras.
Psicologia empírica: epistemologia construções teóricas mais criativas sobre o conhecimento humano.
Tornando possível promover o intercâmbio entre as diversas ciências naturais.

📜 Karl Popper
Círculo de Viena
Embora nunca tenha sido convidado para colaborar nele, partilha com positivistas lógicos o interesse
pela distinção entre ciência e outras atividades (e.g., metafísica), mas rejeita a possibilidade de a ciência

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ser mais verificável. Resolveu o problema do método cientifico e nunca se conformara com os princípios
de Francis Bacon no século XVI.

Contrapõe ideias do Círculo de Viena e do Neopositivismo, que se esforçavam por estabelecer um


princípio capaz de fundamentar, verificar ou validar positivamente uma teoria científica, demonstrado que
a mesma era experimentalmente verdadeira.

Método hipotético-dedutivo
Sustenta que a investigação parte de um facto-problema e que as hipóteses não são sugeridas pela
observação, mas sim por criações do espírito humano.

1. Facto-problema: resulta de uma observação ativa, onde o problema surge em função de um


interesse/crença particular.

2. Formulação de hipóteses (conjeturas): a formação de hipóteses é uma atividade criativa,


resulta de um raciocínio abdutivo, onde as hipóteses são explicações provisórias — conjeturas.

3. Dedução das consequências: depois da formulação das hipóteses, deduz-se as


consequências.

4. Experimentação: as hipóteses são testadas, experimentadas e confrontadas com a realidade, os


resultados podem confirmar ou invalidade as hipóteses.

Pressupostos:

Apenas o conhecimento resultante deste método é cientifico;

Permite demarcar a ciência de outras formas de conhecimento;

A ciência evolui a partir da acumulação de novos dados, as novas teorias acrescentam


conhecimento sem alterar a sua estrutura;

A tónica é colocada na verificação e confirmação da teoria através da experiência.

Para testar uma teoria Popper propõe:

1. Comparação lógica das conclusões para testar a consistência interna do sistema;

2. O estudo da forma lógica da teoria para averiguar se se trata de uma teoria empírica ou científica;

3. Comparação com outras teorias;

4. A aplicação empírica das conclusões que dela podemos derivar, ou


seja, averiguar as novas consequências da teoria.

O processo de conjeturas e refutações visa consegui uma aproximação da verdade, porém procurar a
verdade equivale a procurar os nossos erros e criticá-los racionalmente.

Elogio do erro: reconhecimento da existência do erro, sendo-lhe atribuído um valor positivo, devido à
procura humana pela verdade coincidir com a procura do erro humano, o reconhecimento do erro implica
o reconhecimento desse fundo contra o qual o erro se manifesta, a verdade objetiva.
Problema da demarcação (que determine qual enunciado é ou não cientifico):

1. Critério de verificabilidade;

2. Critério de confirmabilidade;

3. Critério de falsificabilidade (proposta por Popper): se as consequências da teoria puderem


ser falsificadas dir-se-á que a teoria da qual elas foram logicamente deduzidas foi também

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falsificada (o objetivo do cientista é falsificar a teoria e não verificá-la, como pretendiam os pós-
positivistas).

Popper era realista, isto significava que o mundo existe e que essa existência é de alguma forma
independente de nós. O objetivo da ciência era situar essa realidade. Defende a ideia que a metafísica
guia a formulação de grandes hipóteses que serão posteriormente submetidas a testes empíricos,
qualquer hipótese tem de ser falsificável.

Problema da indução
O problema não é a imprecisão das impressões iniciais, mas a sua generalização — mil factos podem
comprovar uma teoria, mas apenas um já é suficiente para falsificá-la. Assim Popper refere que existem
dois enunciados:

1. Enunciados de observação: existenciais singulares, dado que afirmam a existência de uma


coisa em particular.

2. Enunciados universais: classifica todas as instâncias de algo (e.g., "todos os cisnes são
brancos" — independente de quantos cisnes brancos são observados, esse número nunca será
suficiente para podermos concluir absolutamente).

Assim este método é inválido, dado que pode existir um cisne que não seja branco e que por algum
motivo não tenha sido observado.
Os positivistas só admitem como científicos os conceitos que eram derivados da experiência sensorial →
para Popper é errado ao demarcar a metafísica (que aqui tem o sentido de racionalismo e não o sentido
aristotélico) da ciência empírica.

Para o neopositivismo a teoria só poderia ser cientifica se fosse passível de comprovar ser verdadeira
(e.g., as teorias de Newton eram tomadas como verdadeiras, mas com o avanço tecnológico e com o
aumento de poder de análise cientifico, foram substituídas pela teoria quântica e a teoria da Relatividade
Geral).
As teorias são refutadas quando surgem outras para as substituir vão dominar até o momento que serão
refutadas. Um determinado saber, permanece válido por um fenómeno chamado de provisão enquanto
dispor de suficiente “provisão de verdade" para se manter como aceite e atual no campo intelectual e
científico.

Popper contesta as teorias marxistas e da psicanálise - tudo poderia ser delimitado nas suas respetivas
teorias (e.g., “Sempre que um marxista abre um jornal, encontra evidências de que existe uma luta de
classes” e “Sempre que um freudiano recebe um paciente na sua clínica, encontra evidências que
corroboram sua teoria”).

Metafísica
Para Popper a metafísica não consegue a excelência da ciência, dado que é mais vaga e inferior em
aspetos como a testabilidade. Todavia, sempre a encarou como importante, utilizando algumas vezes de
mofo arbitrário, os termos ‘metafísica’ e ‘filosofia’.
Popper distingue 3 conceções do termo ‘metafísica’:

1. As teses e teorias que não podem ser verificadas (aceção positivista):

Combateu-a não porque acreditasse que a metafísica pudesse ser verificada, mas não
acreditava também que a ciência o pudesse ser;

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Combateu igualmente a conceção de metafísica como o conjunto das teorias e teses que
contêm inobserváveis;

As teorias que implicam conceitos científicos que não podem ser observados, não devem, por
isso, ser consideradas metafísicas, desde que tenham consequências observáveis.

2. As teses e teorias que não podem ser testadas (aceção de, Popper): propôs esta conceção,
apresentando um critério de demarcação entre as teorias científicas (testáveis) e as outras
teorias.

3. As teses e teorias gerais acerca da natureza do mundo (aceção tradicional): reteve esta
conceção, porque as teses e teorias gerais acerca da natureza do mundo não são testáveis.

Popper refere a existência de proposições que pretendem ser verificáveis, mas que não são proposições
metafísicas, no entanto, pertencem à pseudociência. As pseudociências querem ser ciências, mas
baseiam-se na falsa ideia de científico como algo verificável. Ao contrário da falsificabilidade típica da
ciência, as pseudociências apoiam as suas teorias na enumeração de casos que pretensamente as
‘verificam’, na acumulação de exemplos favoráveis à sustentação das suas ideias. As teorias e as
proposições metafísicas, são dotadas de sentido e dotadas de interesse, tal como as teorias e
proposições científicas, mas ao contrário das científicas, não são testáveis. Logo, não são falsificáveis.
Popper acredita que tanto a ciência como a metafísica partilham o mesmo objetivo → compreender o
mundo. Refere também que na metafísica, não há lugar para o dogmatismo (para a fuga à crítica).
A hostilidade inicial de Popper em relação à metafísica baseava-se na sua visão da ciência como sendo
distinta e independente daquela, ainda que admitindo o valor heurístico da metafísica, no entanto,
Popper irá reconhecer cada vez mais que este critério de distinção entre ciência e metafísica não pode
ser rigoroso. Popper acredita que teorias metafísicas como o atomismo, a teoria corpuscular da luz e a
teoria do movimento terrestre, prestaram um grande serviço à ciência. Tornaram-se científicas quando
acabaram por ser apresentadas sob uma forma falsificável, o que significa que foi possível escolher
empiricamente entre elas e teorias rivais.
O critério da testabilidade de Popper entre ciência (testável) e não-ciência
(não-testável) levou-o à conclusão de que a ciência incorpora elementos
que não são testáveis e de que a metafísica pode tornar-se testável. Popper defende que a metafísica é
parte consubstancial do pensamento científico. Afirma a existência de programas metafísicos de
investigação na história da ciência, consistiu no reconhecimento da presença de ideias metafísicas que
constituem um quadro de pressuposições e assunções da investigação científica.
Os críticos de Popper, sobretudo Kuhn salientaram que:

A tese metodológica de Popper é incompatível com a rejeição da indução;

A metodologia de Popper não pode ser seguida pelos cientistas: em Ciência é racional aceitar as
hipóteses prováveis;

O seu trabalho está direcionado apenas para a ciência extraordinária, não havendo da sua parte
preocupação com a ciência normal.

Critério Falsificacionista
A experiência cientifica deverá servir para falsificar as hipóteses.

Um enunciado será cientifico se for passível de ser empiricamente falsificável.

Uma teoria será tanto mais válida quanto mais resistir à falsificação.

Epistemologia das Ciências Sociais 11


O uso de atributos humanos no ensino de ciências pode ser considerado um entrave para a
aprendizagem. Fenómenos como eletricidade, magnetismo e calor eram associados a artes mágicas
sendo explicadas de forma distorcida. É frequente encontrarmos explicações acerca de um determinado
fenómeno atribuindo caraterísticas próprias da vida a seres não vivos, prejudicando a formação do
espírito científico.

📜 Gaston Bachelard
O seu trabalho mostra a quebra do empirismo, uma vez que o objeto de estudo dependia agora do
referencial, e assim não podia ser considerado absoluto e passar pelo método empírico único. É um
racionalista comprometido empiricamente, e uma crítico dos empiristas que tomam a ciência como uma
atividade observacional.

As vertentes mais divergentes das ciências tinham como fio condutor a unidade do conhecimento
com base na experiência.

Para os empiristas a experiência é uniforme → tudo resulta das sensações.

Para os idealistas a experiência é uniforme → é impermeável à razão.

Conhecimento científico e Conhecimento comum: A diferença entre ambos reside na reflexão


(conhecimento científico) sobre a perceção (conhecimento comum), na procura do progresso do saber.

Contuinísmo (linearidade entre o conhecimento comum e o conhecimento científico) vs. Descontinuísmo


(a posição descontinuista recusa a noção de desenvolvimento contínuo do conhecimento comum ao
conhecimento científico).
Bachelard considerou que o progresso da ciência passava pela crítica à conceção unitária de ciência.

O século XVII foi caracterizado por duas vertentes de pensamentos:

1. Apresentada por Bacon: a ciência deveria fundamentar-se na observação de factos concretos


para, indutivamente, generalizar as suas considerações.

2. Apresentada por Descartes: pretendia unificar todos os conhecimentos iluminados por certezas
racionais. Descartes considerava que embora a ciência fosse constituída por universalidade esta
poderia ser pensada apenas por um único indivíduo, dado que todos são dotados natural e
igualmente de RAZÃO.

A crítica de Bachelard a Descartes recaí sobre o essencialismo racionalista cartesiano. Este diz que
Descartes tem uma negligência filosófica (faz da ingenuidade um método científico).
A crítica de Bachelard a Bacon recaí sobre o empirismo do mesmo, referindo-se à experiência do próprio
pensador, que revela uma perceção pessoal da realidade. Bacon considera que o Homem se torna
interprete da natureza e só conhece através da interpretação dos factos (fenómenos) conjuntamente com
o trabalho da mente, nem um, nem outro, se podem conhecer isoladamente = somente conjuntamente
(indução). A este modelo empirista de Bacon, Bachelard entende que se deve compreender que toda
uma primeira experiência é repleta de imagens, fechada, concreta, isto é, existe uma rutura entre a
observação e a experimentação e ao generalizarem-se as primeiras observações, generalizasse o que é
possivelmente falso. Consequentemente Bachelard considerou importante abandonar o empirismo poder
analisar o fenómeno sob outro ponto de vista. Aludindo às duas vertentes de pensamento (Descartes e
Bacon) Bachelard afirmou que ambas confluem no culto à própria singularidade.
Novo espirito cientifico: ocorreu devido à teoria da relatividade e inspirou Bachelard a conseguir
romper com as epistemologias anteriores.

Epistemologia das Ciências Sociais 12


Bachelard apoia um racionalismo dialético (diálogo entre razão e experiência). A sua filosofia partia do
ponto de vista da descoberta racional como um processo pelo qual um conhecimento novo é apreendido
a um sistema que muda apenas enquanto cresce. Rejeita o conceito cartesiano de que as verdades
científicas são partes imutáveis de uma "verdade total", que aos poucos são montadas como um quebra-
cabeças
O racionalismo proposto é um racionalismo concreto, solidário e de experiências precisas e particulares,
embora aberto à troca de informação (filosofia aberta, racionalismo aplicado ou epistemologia histórica).
A experimentação e a formulação matemática são complementares, a matemática não é apenas um
meio de expressar as leis físicas, nem é um reino estático de ideias.
Racionalismo aplicado surge porque o mundo empírico não é totalmente descontínuo e absurdo. Isto
porque a mente racional humana chega a ser ingénua. As hipóteses científicas não surgem de forma
passiva perante o investigador são por ele criadas. O raciocínio do investigador e do mundo natural em
que atua em conjunto, constituem uma segunda natureza para além de um mundo empírico. Bachelard
acredita que todo o conhecimento científico decorre de uma retificação que supõe uma problematização
das evidências, o cientista pode ser obrigado a qualquer momento a reformular a sua hipótese sobre a
realidade porque surgem factos que não encaixam na formulação antiga (os factos não levam a uma
conclusão, mas depois da conclusão é que se chega à explicação dos factos). A ciência faz-se contra o
erro, contra o conhecimento científico anterior presente na própria ciência, contra as intuições
metafísicas, contra o senso comum. O ato de conhecimento é sempre uma rutura com o passado.

Filosofia da desilusão
Defende que precisamos de errar em ciência, pois o conhecimento científico só se constrói pela
retificação destes erros. Quanto mais eu quero saber mais percebo que não sei e mais percebo o que
tenho de aprimorar — ciência é construída com a retificação do erro). Ciência é o treino da mente, não é
um dado adquirido. A mente científica é resultado de um amadurecimento.

Filosofia do não
É uma atitude de conciliação, não de recusa das teorias científicas - coloca a razão num processo de
revolução permanente.

Teoria de Bachelard
Novo Espírito Científico — rompe com a ideia de que a ciência é a continuação mais aprofundada do
senso comum, tornando-se uma ciência mais livre de influências externas vindas do senso comum.

Obstáculos epistemológicos
Fatores de resistência mental a novas ideias que resultam da cultura e da experiência quotidiana,
infetando as observações e as teorias dos cientistas, são uma forma de resistência do próprio
pensamento ao pensamento. A nível psicológico estes obstáculos são os sonhos primitivos, as
convicções pessoais e os interesses afetivos, isto tratasse de uma metafísica pouco elaborada e
questionada. A noção de progresso da ciência deve ser confrontada com os obstáculos epistemológicos
do ato de conhecer, isto é a ciência ao avançar encontra o erro ligado ao erro epistemológico. Pergunta
traz hipóteses para resolver o problema. Se no caminho da investigação se levantar uma pergunta que já
sabemos a resposta não é ciência, o que motiva o espírito científico são as perguntas e não as
respostas.

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Experiência primeira
Fica-se mais ligado à beleza da experiência do que à sua explicação científica. Trata-se de uma falsa
doutrina do geral, visto que se responde, de modo genérico e universal, a nenhuma pergunta.

Conhecimento geral
A ausência da explicação correta faz com que haja uma generalização. As mesmas respostas são dadas
a todas as questões. São generalizações pré-científicas, que podem tornar-se num conhecimento vago.

Obstáculo verbal
Neste obstáculo há uma tendência de se associar uma palavra concreta a uma abstrata o mau uso
destes recursos pode dificultar e criar obstáculos. Por isso, devem ser um auxílio e não o foco principal.

Conhecimento unitário e pragmático


Trata-se da crença numa unidade harmónica do mundo; diversas atividades naturais tornam-se
manifestações de uma só natureza. Generalizações exageradas derivam de uma indução pragmática ou
utilitária.

Falsa doutrina do real (raciocínio dedutivo)


Trata-se de doutrina do geral, visto que se responde, de modo genérico e universal, a nenhuma pergunta
(empirismo inventivo). O pensamento científico moderno não se vincula à vontade de universalismos,
mas carateriza-se pela técnica e pela objetividade. O pensamento deve ser objetivo, só se configurando
em universalidade quando possível.

Substancialista
Implica a noção de que as ideias substancialistas podem ser ilustradas por uma continência. Falta-lhe o
percurso teórico que obriga o espírito científico a criticar a sensação.

Senso comum
As opiniões, preconceitos, bagagem cultural, acabam por influenciar na procura da verdade científica a
partir do conhecimento teórico.

Realismo
Este obstáculo ocorre quando se propõe uma investigação científica no concreto, sem evoluir para o
abstrato.

Animismo
Vê a objetividade do cientista individual como critério de cientificidade= objetividade alicerçada no
comportamento e controle do outro, mas também aberta tanto à crítica quanto à autocrítica, de forma a
expurgar o dogmatismo. A reflexão do conhecimento resista à primeira reflexão, lutando-se contra
crenças enraizadas e a subjetividade no ato de conhecer. Não existe conhecimento nem verdade sem
erro retificado, temos que aceitar para a epistemologia o postulado de que o objeto não pode ser
designado com um objetivo imediato.

Hierarquia de doutrinas filosóficas


Vai do realismo ingénuo ao surracionalismo, e que encontra no indivíduo um peso relativo que depende
de cada conceito em particular. Tanto no caso do sujeito individual quanto no do sujeito coletivo da

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ciência é necessária uma “filosofia dispersa” para dar conta deste processo evolutivo, que representa um
progresso epistemológico.
A ciência contemporânea para Bachelard é vista como uma reflexão sobre a reflexão. Se no passado, a
reflexão resistia ao primeiro reflexo, o pensamento científico moderno exige que se resista à primeira
reflexão Tudo tem que ser equacionado, o que equivale a uma filosofia do não porque é dessa lucidez
que decorre o seu êxito. Tendo-se então colocado num terreno tão abstrato quanto o que por ele foi
criticado, ao que respondeu que a ciência é objetiva, os cientistas, como seres humanos, é que são
subjetivos. Bachelard não acredita na possibilidade de encontrar uma delimitação para o conhecimento
científico, já que toda a vez que existe uma delimitação ela é superada pelo próprio pensamento. Ao
fazer a análise da evolução do conhecimento científico Bachelard concluiu que essa evolução está
sujeita a constantes revoluções concetuais e metafísicas, a ciência não se faz através de uma
acumulação de informação (se existe ciência existe metafísica, o que era metafísico pode virar ciência).
As noções e conceitos científicos estão em constante rutura consigo mesmos. Estas ruturas obedecem a
etapas da metafísica: Animismo, Realismo Ingénuo, Empirismo, Racionalismo Clássico, Racionalismo
Complexo e Racionalismo Dialético.
A metafísica não é limitada à descrição da realidade, nem sequer à explicação da realidade, mas é
criação de realidades, a metafísica é uma transformação.
tanto do mundo exterior (num mundo científico) quanto do pensamento que a concebeu (do próprio
cientista). Para Bachelard a metafísica e a filosofia feitas por filósofos não só não influenciam a ciência
como têm pouco a ver com ela. É para negar esta influência que constrói uma imagem de ciência na qual
as diversas etapas da sua evolução metafísica (o animismo, o realismo, o empirismo, o racionalismo,
etc.) não são vistas como influências filosóficas exteriores, são internas ao conhecimento científico.
É a ciência que dá à filosofia o seu objeto e a sua matéria, por isso, a Filosofia tem que se ajustar à
Ciência. A nova filosofia das ciências deverá adequar-se à complexidade e riqueza do pensamento
científico moderno, alternância de empirismo e racionalismo, de particular e de universal, de a priori e de
a posteriori. Será uma filosofia construída à imagem da ciência, assente numa razão mutável em
permanente reformulação. Será a verdadeira filosofia das ciências porque às ciências pertence, uma
filosofia tardia, que promove as ciências. Bachelard concebe a ciência como uma espécie de filosofia
ativa, racional e empírica a um só tempo, que se critica e reinventa a si mesma constantemente.

📜 Thomas Kuhn
Dedicou-se à história de ciência, criticava o positivismo e o pragmatismo.
Até ao século XIX existiu um modelo de racionalidade, que assentava no determinismo -
crença/convicção de que existem relações fixas e necessárias entre fenómenos naturais, ou seja, o que
acontece não poderia deixar de acontecer devido a causas anteriores. No entanto, com o
reconhecimento no século XX de que existem fenómenos que não obedecem ao determinismo, ocorreu
uma revolução epistemológica que alterou o modelo de racionalidade.
Kuhn defende que todas as disciplinas cientificamente amadurecidas organizam-se por paradigmas,
contudo antes de este estar devidamente constituído não existe ciência - encontrando-se num período de
pré-ciência.
Pré-ciência: atividade desorganizada que marca o período antecedente a formação da ciência - termina
quando a comunidade cientifica adere a um paradigma.
Defende um contexto de descoberta, esta não acontece sem aspetos psicológicos sociológicos e
históricos, sendo estes fundamentais para a evolução da ciência. Sendo esta vista de duas perspetivas:

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Formalistas: atividade completamente racional e controlada;

Historicista: atividade concreta que se dá ao longo do temo e que em cada época histórica
apresenta singularidades próprias.

Paradigma: padrão de referência, ou seja, um modelo de interpretação (pré-ciência → ciência) que


funde a ciência e organiza o trabalho dos cientistas
Ao sugerir uma nova visão de ciência, Kuhn faz críticas ao positivismo lógico na filosofia da ciência e à
historiografia tradicional, para Kuhn a ciência segue o modelo de desenvolvimento: uma sequência de
períodos de ciência normal, nos quais os investigadores aderem a um paradigma, interrompidos por
revoluções científicas (ciência extraordinária). Os episódios extraordinários são marcados por
anomalias/crises no paradigma dominante, terminando com a sua rutura. Ou seja, após a adoção de um
novo paradigma inicia-se um período de ciência normal até que uma nova crise se instale.
O conceito de paradigma apresenta-se como o conceito central da filosofia da ciência de Kuhn e encerra
alguns elementos distintivos: estabelecimento de um paradigma, a ciência normal e anomalias, crise do
paradigma, ciência extraordinária e revolução cientifica.

Estabelecer um paradigma

1. Leis e pressupostos teóricos fundamentais:

Quando temos leis científicas e pressupostos teóricos fundamentais de como uma teoria
cientifica deve ser (e.g., o paradigma coperniciano centra-se na tese heliocêntrica, e o paradigma
newtoniano nas leis do movimento e na lei da gravitação universal de Newton);

Classificou como paradigmáticas as realizações cientificas que geram modelos que orientam o
desenvolvimento posterior das investigações, exclusivamente na procura da solução para os
problemas por elas suscitados.

2. Regras para aplicar as leis à realidade: mostra como lidar com objetos e situações concretas a
partir de leis (e.g., o paradigma newtoniano inclui regras para aplicar as leis de Newton a objetos
como planetas, pêndulos e bolas de bilhar).

3. Regras para usar instrumentos científicos: que instrumentos usar e como (e.g., o astrónomo
dinamarquês Tycho Brahe desenvolveu instrumentos para o paradigma coperniciano que permitiram
formular as leis do movimento dos planetas).

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4. Princípios metafísicos e filosóficos: diz-nos que coisas existem no mundo e contém pressupostos
gerais sobre a natureza e o funcionamento do universo, como o pressuposto de que tudo o que
acontece tem uma causa e obedece a leis deterministas.

A ciência normal
Período durante o qual se desenvolve uma atividade cientifica baseada num paradigma (esta fase ocupa
a maior parte da comunidade científica, que nesta altura trabalha para mostrar ou pôr à prova a
consistência do paradigma no qual se baseia). Investigam fenómenos ainda não explicados com o
objetivo de os enquadrar na teoria dominante e resolver pequenas ambiguidades teóricas.
O paradigma é estabelecido após uma atividade desorganizada que tenta fundamenta ou explicar os
fenómenos ainda em estágio mítico/racional (apelidado por Kuhn) - pré-ciência.

Impera o acordo geral e a investigação desenvolve-se no interior do paradigma. Quando um facto coloca
um problema insubmisso, que resiste ao enquadramento na teoria em vigor é, geralmente, afastado
como "anomalia", para não ameaçar o consenso no interior da comunidade científica. Tais regras da
ciência normal não são apresentadas no sentido de um conjunto de métodos que estabelecerão a
investigação científica, mas como práticas convencionais que serão adotadas e condicionadas por
fatores sociológicos e culturais.
Anomalias e crise do paradigma
O paradigma é constantemente testado dado que nem sempre pode resolver todos os problemas, sendo
sempre posto em prova para ver se continua a ser o mais adequado para a resolução de problemas, ou
se deve ser abandonado - sendo estabelecida uma crise.
Quanto maiores forem o rigor e o alcance de um paradigma, mais sensível será como demostrador de
anomalias - altura de mudar o paradigma. Sendo o aparecimento de novas teorias o início de um período
de intranquilidade profissional, dado que exige a destruição do paradigma e provoca grandes alterações
nos problemas e nas técnicas da ciência normal
Exemplos dados por Kuhn de crise e emergência de um novo paradigma:

1. Finais séc. XVI: fracasso do paradigma ptolemaico (modelo geocêntrico) e advento do paradigma
coperniciano (modelo heliocêntrico)

2. Finais séc. XVIII: substituição do paradigma flogístico (Teoria do Flogisto) pelo paradigma de
Lavoisier (teoria sobre a combustão do oxigênio)

3. Início séc. XX: fracasso do paradigma newtoniano (mecânica clássica) e advento do paradigma
relativístico (Teoria da Relatividade).

A nova teoria apareceu apenas depois (uma ou duas décadas) do fracasso caraterizado na atividade
normal de resolução de problemas e a solução para cada um desses exemplos foi antecipada num
período no qual a ciência correspondente não estava em crise - tais antecipações foram ignoradas,
justamente, por não haver crise.
Na psicologia do desenvolvimento, a evolução da crise pode ser benéfica ou maléfica, dependendo dos
fatores externos ou internos, dado que toda a crise leva a um aumento de vulnerabilidade, mas nem toda
é um momento de risco. Pode evoluir negativamente quando os recursos pessoais estão diminuídos e a
intensidade do stress vivenciado pela pessoa ultrapassa a sua capacidade de adaptação e de reação. É
também vista como um momento de crescimento, levando à criação de novos equilíbrios, ao reforço da
pessoa e da sua capacidade de reação a situações menos agradáveis. Assim a crise evolui no sentido
da regressão, quando a pessoa não a consegue ultrapassar, no sentido do desenvolvimento quando a
crise é favoravelmente vivida.

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Ciência extraordinária e revolução cientifica:
As anomalias tornam-se tema de debate na comunidade cientifica, instalando-se aos poucos um
momento de ciência extraordinária, essencial ao aparecimento de uma revolução geradora de um novo
período de ciência normal.
A ciência extraordinária corresponde ao período de crise, em que se confrontam propostas explicativas
novas e incompatíveis com os procedimentos e crenças do paradigma vigente, durante este período, as
bases do paradigma vigente acabarão por ser questionadas e serão levadas a cabo disputas metafísicas
e filosóficas para terminar com o paradigma vigente.
Uma revolução científica, na qual pode emergir uma nova tradição de ciência normal é uma reconstrução
da área de estudos a partir de novos princípios, que altera algumas das generalizações teóricas mais
elementares do paradigma, bem como muitos dos seus métodos e aplicações.
O antigo paradigma e o novo - rivais - exibem diferentes conceções do mundo. Se novas teorias são
apresentadas para resolver as anomalias, então a nova teoria, bem sucedida, deve permitir condições
distintas das provenientes da sua antecessora.
Incomensurabilidade de paradigmas: fundamentalmente espera-se que os proponentes dos
paradigmas concorrentes exercem os seus ofícios em mundos diferentes. A ideia de
incomensurabilidade está relacionada com que padrões científicos e definições diferencem para cada
paradigma, para suportar a tese de que as diferenças entre paradigmas sucessivos são ao mesmo
tempo, necessárias e irreconciliáveis, Kuhn dá como exemplo a revolução científica que substitui o
paradigma newtoniano pelo relativístico (de Einstein). Esta mudança realça a revolução científica como
sendo uma transferência da rede conceitual através da qual os cientistas veem o mundo.
As comunidades cientificas têm sido convertidas a novos paradigmas, onde os últimos opositores
desapareceram e a comunidade cientifica passa a orientar-se por um único e diferente paradigma. Para
Kuhn o cientista que reconhece um novo paradigma precisa de ter fé na sua capacidade de resolver os
problemas com que se defronta, ciente de que o paradigma anterior fracassou. No entanto, a crise
estabelecida pelo antigo paradigma é uma condição necessária, mas não suficiente para que ocorra a
conversão.
Kuhn afirma que as revoluções são raras, mas é através delas que a ciência muda historicamente -
contrariamente a Popper que acreditava que a ciência está em permanente evolução.
Critérios objetivos e fatores subjetivos (de um paradigma ou teoria fundamental)
Kuhn acreditava que as boas teorias cientificas partilhavam determinadas características que as
demarcam da pseudociência:

1. Exatidão/precisão: concordância entre precisões decorrentes do paradigma e os resultados das


experimentações e das observações - mais decisivo dos critérios, por ser o mais preciso e valorizado
pelos cientistas;

2. Consistência: consistência lógica interna, ou seja, compatibilidade com as outras teorias aceites e
com aplicações reconhecidas a fenómenos e afins;

3. Alcance/abrangência: qualidade e diversidade de fenómenos e leis que o paradigma abrange;

4. Simplicidade: parcimónia das suas explicações, isto é, tanto mais parcimoniosa quanto menor é o
número de leis a que apela para explicar os fenómenos observáveis e também quanto maior é o
número de fenómenos dispares que consegue explicar;

5. Fecundidade: capacidade para originar novas descobertas cientificas.

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No entanto, estas características mesmo sendo valorizadas por todos os cientistas, não determinam a
escolha entre paradigmas. Isto dado que a forma diferente como cientistas aplicam o mesmo conjunto de
critérios advém dos fatores pessoais e psicológicos (e.g., fatores sociais: contexto político, económico e
religioso; fatores grupais: pressão dos pares ou dos elementos mais influentes da comunidade científica).
A experimentação e os testes empíricos não podem servir de critério objetivo na separação das boas ou
más teorias (critério de demarcação), como pensava Popper, uma vez que é o paradigma que confere
sustentabilidade a uma teoria. São assim estes fatores subjetivos, associados aos critérios
objetivos, que explicam a preferência por um ou outro paradigma.
Diferenças entre Kuhn e Popper:
Popper acusa Kuhn de projetar uma imagem irracional do debate cientifico, considerava absurdo que a
ciência normal - e não a revolução científica - fosse a tónica da atividade científica, para ele, o cientista é
crítico por excelência e não apegado ao paradigma.
A grande diferença entre Kuhn e Popper deve-se à mudança de paradigma não ser obra de uma
racionalidade crítica: ao mudar o paradigma, substituem-se teorias, meios, hábitos de trabalho e também
os objetivos, adotam-se práticas distintas que não são alinháveis segundo o esquema da "aproximação à
verdade" de Popper. Kuhn critica este ponto de vista e afirma que dois paradigmas são incomensuráveis
e também para um paradigma ser melhor que outro tinha de ser objetivamente melhor que o anterior,
mas isso não acontece, pois os fatores que levam a escolher um paradigma e desfavorecimento do
anterior são fatores subjetivos. Sendo assim a ciência não é objetiva pois as escolhas que levam a
evolução da ciência são meramente subjetivas.
Partes metafísicas dos paradigmas
Para Kuhn, a história das ciências tem sido atravessada por diversos paradigmas, embora se sucedam
uns aos outros, os vários paradigmas possuem uma estrutura idêntica: uma metafísica, uma
metodologia, valores, crenças ideológicas, leis, conceitos, experiências e de instrumentos.
As partes metafísicas dos paradigmas, teorias gerais acerca da estrutura do mundo, como a teoria
corpuscular-mecanicista, mas também são crenças mais específicas (por exemplo, crenças que induzem
os cientistas a associar o calor à energia cinética) um aristotélico associaria o calor aos dois elementos
quentes, o Fogo e o Ar. De acordo com Kuhn, as leis quantitativas da ciência não são obtidas através de
medições, de experiências empíricas; não são factos objetivos; trata-se de crenças metafísicas que
estipulam quais as analogias ou metáforas permitidas.
Kuhn trata a metafísica, o método, os instrumentos, a sociologia e a epistemologia que constituem um
paradigma na totalidade. Não os individualiza, é como se esses elementos se desenvolvessem todos ao
mesmo tempo, a igual velocidade não se esforça por separar estes elementos porque o paradigma é
uma “mistura inexplicável”.
Kuhn ressalva que os elementos metafísicos de tipo “mais elevado”, como a teoria corpuscular-
mecanicista, se mantêm por bastante mais tempo do que os outros elementos integrantes do paradigma.
Isto acontece porque durante a formação dos futuros cientistas, a metafísica do paradigma é-lhes
transmitida de forma indireta, através das aplicações da ciência, nunca sendo apresentada
explicitamente para discussão crítica.
Kuhn não explica o que entende por metafísica, utiliza o termo como se existisse um consenso acerca do
seu significado. Também não descreve os elementos metafísicos dos paradigmas nem analisa o modo
como influenciam o trabalho da ciência. Não investiga com pormenor a construção dos objetos científicos
no âmbito de um paradigma particular, nem explica como essa construção difere de paradigma para
paradigma.

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Na construção do paradigma, Kuhn refere que o período de crise tem 2 características ligadas à
metafísica:

A de ser a ocasião em que, pela primeira vez, a metafísica pressuposta no paradigma se torna
explícita e alvo de debate entre os seus seguidores;

A de haver abertura à novidade.

Durante a ciência normal, devido à fraca abertura à novidade, à satisfação gerada pelo paradigma, à
dedicação a problemas “esotéricos”, as teorias diferentes são ignoradas (e.g., a teoria de Aristarco foi
ignorada até à crise gerada por Copérnico).
Instalada a crise, o consenso e o conservadorismo dominantes durante os períodos de ciência normal
dão lugar a debates de teor filosófico, uma vez que são os pressupostos metafísicos antes implícitos que
se encontram agora sob escrutínio além de ser parte integrante de cada paradigma e orientar a
investigação científica, a metafísica está presente de forma explícita, durante os tempos de crise e de
‘ciência extraordinária’. O debate filosófico em ciência é um sinal de crise porque “em geral, os cientistas
não precisam e nem sequer desejam ser filósofos.”
Num período de crise os cientistas são obrigados a filosofar porque sabem que é na filosofia que poderá
estar a solução para os novos problemas. Só uma mudança de teor filosófico pode resolver o que a
ciência normal não resolve. Isto acontece porque, na perspetiva de Kuhn, uma ciência é uma aplicação
de um paradigma e de um paradigma faz parte uma filosofia, mais especificamente, uma metafísica.

📜 Michel Foucault
Devido às suas constantes tentativas de suicídio aproximou-se da Psicologia e a Psiquiatria e
desenvolveu a perceção do eu.
Estudou o biopoder e a sociedade disciplinas.
Biopoder - bio = mais do que um, vários poderes (como poder soberano).
Não analisa a ciência como Kuhn, mas olha para a ciência com um conhecimento histórico-cultural
(factos históricos são vistos com os olhos da época). Porque acredita piamente que quem faz ciência tem
uma bictomia (do saber ligado ao poder - pode manipular culturas).
O que hoje é verdade pode não ser verdade amanhã, porque olhamos para as coisas com novas formas
de conhecimento e novas éticas - Não existe uma verdade imutável.
3 Técnicas independentes, mas incorporadas umas nas outras: do Discurso, do Poder e da
Subjetividade.
Ele acreditava ser possível em termos discursivos contrariar padrões comportamentais, mas não é
possível libertar-se das relações do poder, este não reprimem apenas, pode trazer consequências
benéficas (criar disciplina).
Micropoder: poder que não é do estado, um poder mais pequeno que vai pertencendo aos vários papéis
da sociedade.
Foucalt não apresentou uma Teoria do Poder, mas apontou caminhos para identificar de que forma os
sujeitos atuam sobre outros sujeitos (ninguém vive sem poder, sem um sujeito que atua sobre o outro
sujeito).
O poder, o direito e a verdade são os vértices de um triângulo (poder surge num direito - um rei tem
súbditos).

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Triângulo - poder ligado à verdade e ao direito que é equivalente ao estado.
Poder não está centrado numa única instituição, mas que está centrado em micro instituições que são os
organizadores da disciplina (microtribunais).
É pela disciplina que as relações de poder se tornam mais facilmente observáveis, pois é através da
disciplina que se estabelecem as relações (entre quem manda e quem obedece).
Estado traz disciplina, mas não é o único. Toda a sociedade tem relações de poder - Rede microfísica do
poder articulado ao Estado.
As relações de poder, direito e verdade, são tão complexas, intrínsecas e interdependentes que
encontramos discursos de verdade e direitos traçados pelo interesse individual, muitas vezes visto como
uma relação de força (que estão distribuídas por todo o tecido social).
Ele considera que o poder não está focado numa instituição, mas nas relações sociais existentes (o
poder está na ação sobre as ações).
Dois ciclos da epistemologia de Foucault:

Arqueologia (tirar de baixo para cima);

Genealogia (estuda a linhagem - percurso histórico).

Ética (para trabalhar o conhecimento do tenho de ter questões éticas porque se não consigo fazer o
estudo do sujeito).
O saber, o poder e a ética corresponde às noções de Episteme
Episteme: É o paradigma com múltiplos saberes durante um período onde se trabalha a parte filosófica
e técnica (tudo). Estrutura do conhecimento de tudo o que aconteceu nessa altura.

Na Episteme Clássica o Homem vive a razão;

Na Episteme Moderna o Homem procura os factos históricos, porque nos trazem novos saberes e
novos conhecimentos.

Ciclo Arqueológico: objetivo é estabelecer a relação entre os saberes (fez vir à tona o que foi
efetivamente dito em determinado momento histórico sobre determinado tema).
Ao desenterrar trabalha a sociedade, toda a parte institucional mas também o homem enquanto animal
político (possibilita a abertura de um novo caminho para as análises históricas, descobrindo as condições
desse conhecimento e as questões institucionais e políticas)
Nas suas obras "A História da Loucura", "Nascimento da Clínica" e "As Palavras e as Coisas" comprova
a utilização dos instrumentos metodológicos da arqueologia, acaba por trazer uma mudança para a
sociedade.
Descobre que é muito complicado fazer juizos de valor à sociedade.
Recusa considerar os métodos morais da modernidade como um progresso (todos os saberes, todos os
conhecimentos são daquela altura. os métodos atuais não são evolução).
Ciclo Genealógico: Objetivo é responder ao porquê do aparecimento dos saberes - escreve dois livros
"Vigiar e Punir" e "A Vontade do Saber".
Nas 2 obras há o desenvolvimento e a proliferação das várias categorias de anomalias no interior do
corpo social (numa sociedade que tudo é linear a certa altura existe uma anomalia).
Passa do conceito de Episteme para o de dispositivo.

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O poder foi uma estratégia de pensamento que ajudou o seu método analítico, o objetivo de Foucault foi
a análise das diferentes formas em que os indivíduos tornaram-se.

O poder não pode ser procurado numa batalha nem num acordo, mas no modo de ação que é o governo.
A fase ética em Foucault refere-se à subjetividade, isto é, à constituição dos sujeitos.
A arte de governar inclui o estudo do governo de si (ética), o governo dos outros (formas políticas de
governamentalidade) e as relações entre o governo de si e dos outros.
A governamentalidade visade conhecimento a população como saber mais relevante a economia como
mecanismo básico de atuação os "dispositivos de segurança". (traz uma visão sobre o poder como uma
relação entre a construção do sujeito e a formação do Estado, limitando a diferença entre poder e
dominação, avançando teoricamente em relação à proposta de Nietzsche).
O paradigma dominante (episteme) vai trazer várias crises epistemológicas profunda e irreversível que
nos fazem questionar o conhecimento = a produção de conhecimento crítico movimenta-se entre a
interpretação da crise (ontologia) e a crise da interpretação (epistemologia).

Kuhn e Foucault
Kuhn desenvolve a teoria sobre a ciência, compreendendo-a como uma sucessão de períodos ligados à
tradição, com períodos não lineares, mas por ruturas, a passagem de um paradigma para outro chama-
se revolução científica e influência na mudança e conceção de mundo.
Kuhn utilizou o conceito de paradigma em dois sentidos:

Paradigma designa o que os membros de certa comunidade científica possuem em comum;

Determina o paradigma como um elemento singular.

Existe uma certa parceria entre os paradigmas de Kuhn e as epistemes em Foucault.


Porém, para Kuhn os paradigmas são fundados no seio das comunidades científicas.
Uma das direções mais constantes das suas investigações é o abandono de uma conceção tradicional
do poder, que se centrava sobre modelos jurídicos e institucionais e sobre categorias universais, (por
exemplo: direito, Estado, teoria da soberania). Tendo em vista uma análise dos dispositivos concretos
através dos quais o poder penetra nos corpos mesmos dos súbditos e governa as formas de vida.

As epistemes de Foucault correspondem aos paradigmas de Kuhn. Tanto a episteme como os


paradigmas formam uma espécie de estrutura teórica social ou imaginária para a produção de discursos
considerados verdadeiros em certos momentos históricos (Kuhn trabalha a ciência exata e Michel
trabalha as ciências sociais).
Sobreposição entre a noção de revolução científica em Kuhn, e rutura epistemológica em Foucault.

Kuhn pensa as revoluções apenas no âmbito do conhecimento científico.


Foucault imagina as ruturas epistemológicas como a passagem de uma época histórica para a outra
(como um todo - no conhecimento geral de todos nós).
As ruturas não são absolutas.
Foucault acredita que existem continuidades.
Kuhn acredita que, embora os paradigmas sejam entre si incomensuráveis, é possível interpretar ou
traduzir os termos de um paradigma para o outro.
Isso seria uma espécie de continuidade.
A ideia de progresso proporciona também diferentes nuances entre os autores.

Epistemologia das Ciências Sociais 22


Foucault rejeita a ideia de progresso como uma necessidade histórica para alcançar um objetivo "top"
ou "melhor“.
Kuhn, rejeita também a ideia de progresso linear e geral, mas aceita que não há progresso dentro dos
limites de cada paradigma.
Se em Kuhn temos a separação da ciência normal do sistema de regras que a definem. Em Michel
Foucault temos a distinção entre a normalização que carateriza o poder disciplinar, da sistemática
jurídica e os procedimentos legais.
Kuhn estudou a mão emergente, que se vê, ousou sugerir que há pressões muito mais poderosa do que
a inocente validade formal de uma teoria científica.
Foucault tentou ver a parte submersa do iceberg: práticas sociais, interesse, desejo e lutas de poder.
Descobriu que o estudo formal das teorias é apenas um pequeno pedaço de gelo, se comparado com a
enorme massa de um iceberg submerso. Essa massa de interesses cognitivos, económicos, pessoais e
corporativos é o que realmente ocupa este pedaço aparentemente inofensivo de água gelada que é a
mera estrutura formal das teorias científicas.

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