Gêneros Textuais na EJA: Conto e Crônica
Gêneros Textuais na EJA: Conto e Crônica
RESUMO
Esta pesquisa busca dialogar com seu pares na proposição da utilização de uma proposta com uma
nova visão para o ensino de gêneros textuais a jovens estudantes da Educação de Jovens e Adultos
(EJA), que trará experiências para a sua produção textual e influenciará na manutenção de sua
participação escolar. Nós utilizaremos autores como Bakhtin (2016) e Marcuschi (2008) pois
acreditamos que este suporte teórico nos permitirá coadunar com nossas considerações a ideia de que
os gêneros são elementos dinâmicos na concretização das práticas comunicativas, e que devem ser
incorporados ao ensino, fazendo com que seja evidenciada a necessidade de repensar formas de levar
os alunos da EJA a produzirem textos nos quais serão autores, obtendo uma perspectiva de sua posição
dentro da escola, e podendo intervir em seu processo de aprendizagem com auxílio do educador.
RESUMEN
Esta investigación busca dialogar con sus pares al proponer el uso de una propuesta con una nueva
visión para la enseñanza de géneros textuales a jóvenes estudiantes de la Educação de Jovens e
Adultos (EJA), que traerá experiencias a su producción textual e incidirá en la mantenimiento de su
participación escolar. Utilizaremos autores como Bakhtin (2016) y Marcuschi (2008) ya que creemos
que este sustento teórico nos permitirá alinear con nuestras consideraciones la idea de que los géneros
son elementos dinámicos en la implementación de prácticas comunicativas, y que deben ser
incorporados. en la docencia, por lo que se resalta la necesidad de repensar formas de lograr que los
estudiantes de la EJA produzcan textos de los que serán autores, obteniendo una perspectiva de su
posición dentro de la escuela y pudiendo intervenir en su proceso de aprendizaje con la ayuda de la
educador.
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INTRODUÇÃO
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circulasse em uma rua de mão única. Tomando o alfabetizando como
sujeito de sua aprendizagem, ele propunha uma ação educativa que
não negasse a cultura, mas que a fosse transformando por meio do
diálogo, ancorado no tripé alfabetizador/alfabetizando/objeto do
conhecimento (Soek, et al., 2009, p. 13).
Sabe-se que a língua é uma ferramenta indispensável para o ser humano. Por
meio dela, estabelece-se uma forma de ser entendido e entender o outro. Para que
essa comunicação ocorra de maneira clara e objetiva, utiliza-se o enunciado, que
consiste em construções de frases escritas que expressam o pensamento do
indivíduo. Para que o enunciado reflita o conhecimento do interlocutor, a
apresentação de condições específicas é fundamental. Ou seja, o texto será
elaborado de acordo com a finalidade proposta, o tema apresentado e o estilo
individual, delimitando, dessa maneira, a sua construção composicional. Com a
junção dos três elementos, nota-se que a comunicação só será bem-sucedida se
existir a referida junção, pois percebe-se que em cada esfera da atividade humana
encontra-se um tipo de enunciado.
Quando falamos de produção textual, automaticamente relacionamos a
construção de uma enunciação que será desenvolvida a partir de vivências pessoais.
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Se tem a impressão de que ao utilizar um determinado gênero solicitado pelo
professor apenas com a finalidade avaliativa da disciplina, torna o ensino
estruturalista, pois, leva em consideração somente a forma e o conteúdo. Baseado
nas orientações didáticas de Irandé Antunes (2009, p. 14) que aborda a necesidade
de trabalhar os gêneros textuais e o uso desses textos no letramento dos alunos,
observa-se que, muitos docentes esquecem que trata-se de uma possibilidade de
trabalhar com o estudante a sua capacidade argumentativa, na qual ele mobiliza
suas competências, desenvolve sua persuasão e evidencia seu contexto histórico e
social. Sob esse viés, a autora Pauliukonis (2018) afirma que:
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É incontornável abordar a produção textual sem recorrer aos modos de
discurso como guia para a organização das argumentações em um texto, os quais
são percebidos, conforme Marcuschi (2008) e Coutinho (2004), como a ponte que
interliga o discurso e o texto, relacionando-se com as práticas sociais do indivíduo no
cotidiano. Esse conceito esclarece como os gêneros assumem a forma apropriada
quando inseridos em um contexto que utiliza o tipo de discurso em questão como
meio de comunicação.
Outra questão que podemos evidenciar é o gênero como uma forma
discursiva, a possibilidade de estabelecer um sentido partindo de uma realidade
imbricada no interlocutor. Essa relação indissolúvel transpassa para a sua
enunciação na qual, evidencia seu contexto social a quem está direcionando o seu
discurso. De acordo com o teórico Bakhtin (2016):
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tomada de posicionamento, pois “os gêneros são meio de apreender a realidade”
(Fiorin, 2022. p. 76).
Quando falamos de produção textual, estamos nos referindo a diferentes tipos
de gêneros. Portanto, escolher corretamente os textos a serem trabalhados com os
alunos é de suma importância, pois é a partir dessa seleção que conseguiremos
desenvolver de maneira clara e objetiva as atividades propostas. Portanto, um dos
primeiros passos a serem seguidos para a escolha de textos é o estabelecimento de
um diálogo.
O docente primeiramente precisará informar como se dará a atividade
proposta em suas aulas, em seguida, buscará conhecer se os seus alunos têm o
hábito de leitura e quais leituras costumam fazer para que, posteriormente inicie o
trabalho com os gêneros e produção. Sendo assim, Geraldi (2011) aborda que a
utilização de gêneros textuais, por ele denominado como texto curto, é de suma
importância:
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Para o autor, a produção de um texto envolve, de forma indireta, o uso
conhecimentos já elaborados por terceiros, o que de certa forma influenciará a
tomada de posição do autor. Ao organizar suas argumentações, o autor se apropria
do gênero pré-estabelecido para a inferir seu posicionamento. Neste momento,
observa-se a transformação interna do gênero, à medida que o indivíduo organiza
seus argumentos com base no gênero proposto, o que evidencia um estilo individual
do autor. Esse estilo individual torna claro como ocorreu o processo de compreensão
do texto. Portanto, o autor aborda que:
Segundo Bakhtin (1997), nem todos os gêneros são adequados para refletir a
individualidade do interlocutor, nem todos possibilitam o estilo individual do escritor,
ou seja, não permite ao indivíduo a manifestação de seu posicionamento sobre um
determinado assunto. Quando o autor afirma que os textos literários são os mais
adequados para a manifestação do estilo individual, refere-se ao fato de que o texto
literário não tem a preocupação de transmitir um fato ocorrido na sociedade de
forma literal, a referida teoria explicita que, utilizando um determinado gênero
literário, é possível trabalhar de maneira dialógica com outros textos ou até mesmo
utilizar de outras áreas de conhecimento para a construção de seu posicionamento,
utilizando o seu imaginário ou o seu real, possibilitando assim uma escrita única e
individual.
Para que o aluno consiga se inserido no universo da língua, é preciso prepará-
lo para a integração nesse ambiente. Isso envolve ensiná-lo sobre as regras
gramaticais, as formas em que esses conhecimentos podem ser aplicados e a
elaboração de textos que, maneira explícita, exijam, quando necessário, a aplicação
das regras gramática. No entanto, não podemos esquecer que a língua é um sistema
de práticas sociais. Ela se constrói a partir do conhecimento adquirido por meio de
experiências em diversos ambientes. Segundo Marcuschi (2008)
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(...) a língua é um sistema de práticas sociais e históricas sensíveis à
realidade sobre a qual atua, sendo-lhe parcialmente prévio e
parcialmente dependente esse contexto em que se situa. Em suma, a
língua é um sistema de práticas com o qual os falantes/ouvintes
(escritores/leitores) agem e expressam suas intenções com ações
adequadas aos objetivos em cada circunstância, mas não construindo
tudo como se fosse uma pressão externa pura e simples (Marcuschi,
2008, p. 61).
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apresentando textos curtos que muitas das vezes parte da realidade dos escritores.
Por se tratar de uma leitura mais maleável é possível relacioná-lo a outras esferas da
sociedade que dialogando com a realidade do estudante.
O conto é um gênero textual caracterizado por uma narrativa curta que
normalmente apresenta um único cenário, poucos personagens e uma estrutura que
inclui um clímax seguido de um desfecho. Um exemplo disso pode ser encontrado no
conto ‘De noite’, escrito por Franz Kafka:
Este conto apresenta uma narrativa curta que, desde o início, se desenrola em
um único cenário, tratando-se de uma reflexão sobre a noite e seu estado de vigília,
explorando as emoções de um sujeito solitário que permanece acordado enquanto
todos dormem. Nesse sentido, o conto é uma forma de narrativa curta que tem um
papel fundamental no ensino para os alunos da EJA. Ele traz diversas vantagens
didáticas, sendo uma ferramenta inclusiva e motivadora para o aprendizado.
Além disso, o conto, para os alunos da EJA, facilita o acesso à literatura.
Analisando pelas bibliografias de Freire (1997) e Gadotti (2008), constata-se que
muitos alunos da EJA não tiveram a oportunidade de estudar em idade adequada, e
não tiveram contato com a literatura nos anos iniciais. Assim, os contos oferecem
uma visão do mundo literário, permitindo que os alunos despertem o interesse pela
leitura, aprimorem sua compreensão textual e desenvolvam a imaginação e
criatividade uma vez que apresentam situações, personagens e cenários
imaginativos que muitas das vezes correlacionam com a realidade do aluno, o que
estimula a imaginação e a criatividade.
A crônica, por outro lado, é um gênero discursivo que retrata o cotidiano de
forma simples e normalmente é encontrado em contextos jornalísticos. Um exemplo
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disso pode ser visto na crônica ‘Furto de Flor’, escrita por Carlos Drummond de
Andrade:
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ampliando suas habilidades de leitura, escrita e reflexão. Fazendo com que o
processo de aprendizado seja mais atrativo e estimulante para esses alunos.
Para que a produção textual ocorra de maneira dialógica, o professor deve
utilizar em sala de aula textos literários, como o conto e a crônica, no
desenvolvimento das atividades de conteúdo e produção textual em sala de aula,
pois, segundo Bakhtin (1997), os gêneros são os mais adequados para alcançar a
produção de um texto. É mediante a utilização de textos literários que os escritores
inserem suas percepções de mundo.
Assim, é importante que os alunos conheçam diversos gêneros, mas que seja
levado em consideração a necessidade do aluno e seu contexto sociocultural para
que se faça o reconhecimento do seu uso na sociedade através de um processo
valorativo. Segundo Machado:
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c) as diferentes formas de mobilizar esses conteúdos;
e) o seu estilo particular, ou, em outras palavras: - as configurações
específicas de unidades de linguagem que se constituem como traços da posição
enunciativa do enunciador;- as seqüências textuais e os tipos de discurso
predominantes e subordinados que caracterizam o gênero; - as características dos
mecanismos de coesão nominal (Machado; Cristovão, 2006).
A utilização de gênero exige a escolha e a organização do processo de
ensino/aprendizagem, principalmente ao trabalhar com a EJA. Neste trabalho,
constrói-se um Modelo Didático de Gênero (MDG) para aplicação em conjunto com
uma sequência didática (SD), um procedimento metodológico que propõe uma
maneira precisa de trabalhá-los em sala de aula, ou seja, “um conjunto de atividades
escolares organizadas de maneira sistemática, em torno de um gênero textual oral
ou escrito” (Dolz; Noverraz; Schneuwly, 2004, p. 97).
O encaminhamento metodológico do professor deve envolver a organização de
ações que permitam aos alunos um contato crítico e reflexivo com o que é diferente,
bem como a revelação dos aspectos implícitos das práticas de linguagem. Em termos
de modelo estrutural de acordo com a concepção da Escola de Genebra para (Dolz;
Noverraz & Schneuwly, 2004) esse procedimento metodológico de SD é concebido
por quatro fases distintas, quais sejam: apresentação da situação de ensino, a
produção inicial, os módulos e a produção final (Cabral, 2017).
É fundamental o planejamento adequado para o sucesso de uma sequência
didática, o qual envolve a definição do tema, a realização de uma sondagem inicial, a
definição de critérios para a sequência das etapas, o estabelecimento do tempo
necessário para a sequência, a organização da turma, a flexibilização das atividades
e a avaliação do que os alunos aprenderam. Uma sequência didática é
responsabilidade do professor com base nos objetivos educacionais e nas
necessidades dos alunos. Essa sequência envolve a seleção de conteúdo, a
estruturação das atividades, a definição dos recursos e materiais a serem utilizados,
além da organização do tempo e da avaliação do processo de ensino e
aprendizagem.
Considerando isso, como ponto de partida, temos o diálogo a respeito dos
textos motivadores, o que resulta em um processo de diálogo e amadurecimento dos
alunos. Como desdobramento desse processo, incluem-se as aulas teóricas para a
compreensão da estrutura das características dos gêneros textuais. Como produto
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final de cada aula, realizamos uma avaliação que engloba a produção textual ou
debates em sala de aula.
O encaminhamento metodológico do professor deve incluir a organização de
ações que permitam aos alunos uma abordagem crítica e reflexiva sobre o que é
diferente, bem como a exposição dos aspectos implícitos das práticas de linguagem.
O planejamento é um componente fundamental para o sucesso de uma sequência
didática e de um plano de aula. Isso envolve a definição do tema, a realização de
uma sondagem inicial com critérios para encadear as etapas, a definição do tempo
necessário para a sequência, a organização da turma, a flexibilização das atividades
e a avaliação do que a turma aprendeu.
O trabalho com a interpretação textual deve focar no desenvolvimento da
capacidade crítica, que pode ser adquirida por meio de debates e produção de
textos. O professor desempenha um papel essencial ao organizar momentos de
exploração de textos, nos quais ele próprio participa, criando um circuito de
compartilhamento de experiências com os textos, troca de sugestões e aprendizado
mútuo. Para formar leitores competentes, é fundamental proporcionar a prática de
diversos modos de interação com os textos, incluindo análise autônoma,
colaborativa, leitura em voz alta conduzida pelo professor, leitura programada e
exploração livre.
Considerando essa abordagem, baseado nas aulas ministradas sobre conto e
crônica e as aulas de produção textual, temos o diálogo em torno dos textos
motivadores, resultando em um processo de discussão e amadurecimento dos
alunos. Como encerramento de cada aula, realizamos uma avaliação que inclui a
produção textual ou debates em sala. Inicialmente, pensa-se em trabalhar a partir
da perspectiva de Leffa na qual afirma que:
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aplicação nas turmas de 2° segundo ano do Ensino Médio da Educação de Jovens e
Adultos (EJA), abordando temas transversal como Cidadania e Civismo, tendo como
objetivo proporcionar a produção narrativas com certa autonomia. O foco é orientar
as práticas didáticas em sala de aula com objetivo de explorar o desenvolvimento:
Da linguagem verbal e não-verbal, nos campos da escrita, leitura, oralidade e
imagética. Da produção textual e imagética no processo de construção de um livro.
Do comportamento leitor e escritor dos alunos. Do planejamento, revisão e edição
dos textos. Isso permitirá que os alunos, com o apoio e orientação do professor e o
uso das habilidades adquiridas ao longo do processo, produzam um livro com texto e
ilustrações feitas por eles mesmos, demonstrando seu desenvolvimento na
linguagem verbal e não-verbal, escrita, leitura, oralidade e imagética, de acordo com
o previsto para essa etapa da escolarização.
As competências mobilizadas para reger a prática de ensino visam promover o
uso de práticas de linguagem no universo digital, considerando as dimensões
técnicas, críticas, criativas, éticas e estéticas. Isso busca expandir as formas de
produzir sentidos, engajar-se em práticas autorais e coletivas, e aprender a aprender
nos campos da ciência, cultura, trabalho, informação e vida pessoal e coletiva.
Na primeira aula, apresentam-se aos alunos os textos que serão trabalhados e
os objetivos a serem alçados. Os contos sugeridos são ‘O Chantagista’, de Nelson
Rodrigues e, ‘Suas sandálias me cabem?’, de Monique Malcher. Em seguida, os
alunos realizarão uma leitura silenciosa e uma leitura com entonação para explorar a
carga emocional presente nas obras e sua relação com os eventos apresentados. Os
respectivos contos trabalham com o tema a respeito da violência e abusos contra a
mulher, que condizem com a realidade brasileira, onde o Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (IPEA) identificou no Brasil cerca de 722 feminicídios entre
janeiro e junho de 2023.
O conto ‘O Chantagista’, retrata a relação de um casal que se relacionou desde
muito jovens e ao final evidencia histórias de traições nas relações familiares,
fazendo com que o marido sinta ciúmes e jogue uma panela de água na esposa com
intuito de deforma-la para não trai-lo. Como no treco do conto exposto abaixo e
identificado com o link para ser baixado:
[...] No caminho do escritório para casa, aquilo não lhe saiu da cabeça.
Súbito, extinguiu-se na sua alma a alegria do dinheiro. Voltou do
portão e foi, de bar em bar, embriagando-se. Chegou em casa
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trocando as pernas, passada a meia-noite. Durante meia hora, com os
olhos turvos, assistiu ao sono da esposa. Depois, apoiando-se, ora
numa parede, ora noutra, foi à cozinha: ferveu uma chaleira. Dez
minutos depois, a vizinhança toda acordava, com os gritos. Fernando
despejara água fervendo no rosto da mulher adormecida (Rodrigues,
2012, p. 15).
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alunos serão instruídos a criar um conto com um tema de sua escolha, como um
mínimo de 15 linhas.
Na segunda aula os alunos serão divididos em grupos e, em seguida, serão
feitas perguntas direcionadas a cada grupo. Essas perguntas visam avaliar o
conhecimento da turma sobre o tema dos maus-tratos, buscando a opinião de cada
grupo sobre o assunto. Após essa discussão inicial, será apresentado em sala o autor
e sua obra. Começaremos abordando o autor Machado de Assis e sua obra ‘Fuga do
Hospício e Outras Crônicas’. Nesse livro, encontra-se a crônica intitulada ‘Direito dos
Burros’, que servirá como foco de leitura. Faremos uma breve introdução ao livro,
explicando como ele foi formado, sendo uma coleção de textos inicialmente avulsos
que foram reunidos para criar um livro que aborda questões do cotidiano. Os textos
contidos nele são irônicos, engraçados e ficcionais, mas não deixam de abordar
questões ligadas à realidade. Como o da crônica ‘Direito dos Burros’:
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A primeira leitura da crônica deve ser feita individualmente por cada aluno.
Em seguida, será disponibilizada uma cópia do texto para cada um, e essa segunda
leitura também será realizada individualmente. O tempo destinado a essa atividade
não deve ser muito longa, podendo variar dependendo da turma, mas geralmente
um dia é suficiente. Após a primeira leitura silenciosa, os alunos realizarão uma
segunda leitura, agora com entonação. Após a leitura da crônica, a turma será
dividida em grupos. Cada grupo terá a tarefa de procurar no texto palavras
desconhecidas ou passagens que não foram bem compreendidas. Cada grupo deve
selecionar pelo menos três trechos ou palavras que geraram dúvidas. Com a ajuda
do dicionário e do professor, eles trabalharão para esclarecer essas dúvidas.
Após a leitura da crônica, é o momento de discutir e inferir sobre o sentido do
texto para os leitores e a turma, considerando suas possíveis interpretações e pontos
importantes. Os alunos podem citar passagens que mais chamaram sua atenção e
explicar por que essas passagens se destacaram para eles. Além disso, a turma deve
discutir os pontos essenciais presentes nas entrelinhas do texto.
Será relevante abordar os temas principais, como os maus-tratos a animais, a
discriminação contra classes desfavorecidas, os direitos de animais e seres humanos
de forma ampla. Também será importante discutir a escolha de um burro como
representação e explorar seu significado e impacto na crônica. Além disso, é
importante questionar o valor das aulas ministradas e seus efeitos na turma,
exemplificando como a literatura e suas temáticas podem se aplicar ao nosso
cotidiano, pois estão intrinsecamente ligados às experiências humanas.
Como parte da avaliação, os alunos serão convidados a elaborar uma crônica,
visto que esse gênero é caracterizado por sua brevidade e pela abordagem de temas
cotidianos. Essa atividade tem como objetivo aferir o conhecimento da turma e
desenvolvê-lo ainda mais. Por meio da elaboração da crônica, os alunos terão a
oportunidade de colocar em prática o que aprenderam sobre as características e a
estrutura desse gênero textual. Além disso, a atividade permitirá avaliar a habilidade
de escrita e a criatividade de cada aluno, bem como seu domínio da leitura e da
escrita. A temática escolhida para as crônicas será os maus-tratos aos animais, e a
extensão mínima exigida será de 15 linhas.
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3 A AVALIAÇÃO E REFLEXÃO DA APRENDIZAGEM NA EJA
CONSIDERAÇÕES FINAIS
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diversidade desse público, uma abordagem que esteja intimamente ligada às suas
vivências diárias é essencial. Assim, os estudantes podem se apropriar do
conhecimento de maneira mais significativa, tornando-se protagonistas de seu
próprio processo de aprendizagem. Eles conseguem relacionar seu contexto
sociocultural com as atividades propostas, o que resulta em uma melhor
compreensão e ressignificação do conteúdo transmitido pelo professor.
Assim, uma SD com base em um modelo didático de gênero no contexto da
EJA pode ter várias influências positivas no ensino-aprendizagem. Segundo
Machado; Cristovão (2006) traz uma relevância e contextualização sobre o uso de
gêneros textuais familiares e relevantes para a vida cotidiana dos alunos da EJA
pode aumentar o interesse e a motivação para aprender. Os alunos podem se
envolver mais ativamente no processo de ensino, pois percebem a utilidade e
aplicabilidade dos gêneros textuais trabalhados e foco nas necessidades individuais:
Um modelo didático de gênero da EJA pode permitir uma abordagem mais
personalizada, levando em consideração as necessidades, interesses e objetivos
individuais dos alunos. Ao trabalhar com diferentes gêneros textuais, é possível
adequar as atividades de acordo com as habilidades e competências específicas de
cada aluno, garantindo um aprendizado mais significativo e efetivo.
REFERÊNCIAS
ANTUNES, Irandé. Língua, texto e ensino outra escola possível. São Paulo:
Parábola Editorial, 2009.
ASSIS, Machado de. Fuga do hospício e outras crônicas. In: Para gostar de ler. 2.
ed. São Paulo: Ática, 2002.
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BRASIL. Parecer CNE/CP n. 11/2020, de 7 de julho de 2020. Orientações
Educacionais para a Realização de Aulas e Atividades Pedagógicas Presenciais e
Não Presenciais no contexto da Pandemia. Conselho Nacional de Educação,
Brasília, DF, 7 jul. 2020. Disponível em:
[Link] Acesso em: 25 de nov. 2021.
LÉVY, P. Cibercultura. 2. ed. Trad. Carlos Irineu Costa. São Paulo: 34, 2000.
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PAULIUKONISS, Maria Aparecida Lino; CAVALCANTE, Mônica Magalhães (Orgs.).
Texto e Ensino. Natal: SEDIS - UFRN, 2018.
RODRIGUES, Nelson. A vida como ela é. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
2012.
Sobre os autores
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