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Primeiros Socorros em Emergências Clínicas

O documento aborda a importância dos primeiros socorros e a avaliação primária em situações de emergência, utilizando o mnemônico ABCDE para guiar a abordagem. Destaca a necessidade de protocolos de atendimento e a capacitação dos profissionais de saúde, especialmente enfermeiros, para garantir um atendimento eficaz e seguro. Além disso, detalha procedimentos específicos para desobstrução de vias aéreas, ventilação, circulação, avaliação neurológica e controle do ambiente em casos críticos.

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Primeiros Socorros em Emergências Clínicas

O documento aborda a importância dos primeiros socorros e a avaliação primária em situações de emergência, utilizando o mnemônico ABCDE para guiar a abordagem. Destaca a necessidade de protocolos de atendimento e a capacitação dos profissionais de saúde, especialmente enfermeiros, para garantir um atendimento eficaz e seguro. Além disso, detalha procedimentos específicos para desobstrução de vias aéreas, ventilação, circulação, avaliação neurológica e controle do ambiente em casos críticos.

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Emergências Clínicas – Primeiros Socorros

– Avaliação primária: ABCDE;


– PCR/RCP;
– OVACE;
– Hemorragia;
– Queimadura;
– Desmaio;
– Choque;
– Convulsão;
– Hiper/Hipoglicemia;
– AVE.
Emergência é o nome dado quando há agravo nas condições de saúde, que exige intervenção
médica imediata por existir risco iminente de vida e Urgência é uma classificação dada quando existe o
risco de vida só que de caráter menos imediatista. De acordo com a definição do Ministério da Saúde
urgência e emergência representam um campo único de atenção em saúde com a finalidade de serviços
específicos no suporte à vida. Mesmo existindo uma classificação específica a realidade dos serviços
de saúde brasileira apresenta um cenário mais complexo, onde de forma desordenada, usuários
utilizam o serviço de emergência como porta de entrada no atendimento à saúde (BRASIL, 2004).
Enfermagem nos serviços de Triagem: No sistema de triagem básica, cabe ao enfermeiro avaliar
o paciente e classifica-lo de acordo com a sua necessidade, sendo esse profissional capacitado a
exercer a liderança que o leva a ter uma visão abrangente no que diz respeito a recursos humanos,
área física e fluxo de pacientes, aspectos esses que são considerados no momento da priorização do
atendimento.
A triagem é a área onde os pacientes são avaliados para observar-se o grau de severidade e a
urgência de seu quadro clínico. Essa área deve ficar próximo na porta de entrada, os pacientes são
vistos primeiramente e são encaminhados para tratamento de acordo com a classificação.
Um enfermeiro que atua na área da triagem deve apresentar três habilidades fundamentais: avaliação,
conhecimento e intuição que é desenvolvida por meio de seu conhecimento administrativo pela
sensibilidade e o uso da observação. No entanto, deve-se deparar com pessoas que ingressam na
área, pois, apesar de possuírem o perfil para trabalharem em um setor dinâmico, precisam de um
treinamento técnico científico focando, principalmente, as situações de emergência e liderança de
grupo.
O paciente atendido por meio do protocolo de emergência hospitalar terá um atendimento mais rápido
nas doenças que poderiam causar risco de morte ou deixar sequelas importantes e assim minimizar a
ansiedade, estresse, angústia, desconforto e preocupação no setor de emergência.
➢ A IMPORTÂNCIA DOS PROTOCOLOS DE ATENDIMENTO
O protocolo é a base para tomada de decisões, através da literatura cientifica, montado para evitar ou
diminuir erros/riscos ao paciente, mas para ele ser eficaz é preciso que a instituição tenha estrutura
para implementá-lo e a equipe tenha treinamento para aplicá-lo na prática.
Os protocolos de saúde são estratégias fundamentais tanto no processo de planejamento,
implementação e avaliação das ações, quanto na padronização das ações e do processo de trabalho. A
sua utilização pelos gestores das unidades de saúde é de extrema importância para a obtenção da
segurança e qualidade dos serviços oferecidos pela instituição à população. Sendo assim, podemos
dizer que os protocolos de saúde são orientados por diretrizes de natureza técnica, organizacional e
política, e, têm como fundamentação, estudos validados pelos pressupostos das evidências
cientí[Link]ÇÃO PRIMÁRIA

A avaliação primária tem como objetivo a identificação e o tratamento prioritários das situações que
implicam risco. Devemos conduzir essa etapa com base numa sistematização do atendimento,
universalmente conhecido pelo mnemônico (segundo o ATLS) ABCDE:
• Airway → Desobstrução de vias aéreas;
• Breathing → Respiração e ventilação;
• Circulation → Circulação;
• Disability → Disfunção neurológica, estado neurológio;
• Exposition → Exposição e controle do ambiente (despir a vítima atentando para medidas de
prevenção de hipotermia).
Na realização da avaliação primária na Atenção Básica, pode se utilizar o Suporte Básico de Vida
(reconhecimento e correção imediata da falência dos sistemas respiratórios e/ou cardiovascular por
meio de manobras não invasivas) e o Suporte Avançado de Vida (realização de procedimentos
invasivos ventilatórios e circulatórios, como, por exemplo, a intubação orotraqueal, dispositivos
supraglóticos, acesso venoso, administração de medicamentos), dependendo do seu nível de
complexidade (ROCHA, 2011).
É importante esclarecer, também, que os procedimentos de Suporte Básico de Vida podem ser
realizados por todos os profissionais da Atenção Básica, porém procedimentos de Suporte Avançado
de Vida devem ser realizados por profissionais qualificados e respeitando as atribuições conforme sua
categoria profissional.
➢ A – DESOBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS
Uma vítima que está alerta e conversando apresenta via aérea
aberta e desobstruída. Mas, quando há rebaixamento do nível de
consciência, pode haver interrupção dos “controles” que
normalmente mantêm a língua em posição anatomicamente
neutra (não obstruída). Se estes "controles" forem
comprometidos, a língua cai para trás e oclui a hipofaringe (como
na imagem ao lado). Por isso é fundamental, ao encontrar uma
vítima inconsciente ou com nível de consciência diminuído,
realizar a abertura de vias aéreas.
Avaliação de via aérea:

– Observar o posicionamento da vítima. A posição supina com rebaixamento do nível de


consciência pode levar a obstrução da via aérea pela queda da língua, causando uma obstrução
mecânica;
– Avaliar a emanação de ruídos da via aérea. Quando esses sons estão presentes e são ouvidos
ao se aproximar do doente, nunca é um bom sinal. Eles tendem a ser causados pela obstrução
parcial da via aérea, seja pela língua, pelo sangue ou por corpos estranhos em sua posição superior;
– Observar a expansão da caixa torácica. A elevação limitada do tórax pode ser sinal de obstrução
da via aérea. O uso de músculos acessórios e o aparente maior esforço respiratório devem levar a
um alto índice de suspeita de comprometimento da via aérea.
• Paciente não responsivo + apresenta respiração e
pulso → acione o serviço de emergência (192 ou 193)
e inicie a avaliação do paciente e o tratamento
utilizando o mnemônico ABCDE.

• Paciente não responsivo + sem pulso + sem


respiração → acione o serviço de emergência e inicie
as manobras da RCP (mnemônico CAB).

Em pacientes sem trauma, inconscientes ou com rebaixamento do nível de consciência, devem


ser abertas as vias aéreas com a inclinação da cabeça, com deslocamento anterior da mandíbula
(elevação do queixo e, quando necessário, tração da mandíbula).
Em vítimas de trauma com suspeita de lesão cervical, deve ser realizada a abertura das vias aéreas
com imobilização manual da coluna cervical por meio da manobra de elevação do mento, chamada
de Chin-Lift, para reposicionamento da língua e manobra de tração da mandíbula, sem inclinação da
cabeça, chamada de Jaw Thrust, para abertura da cavidade oral
Após as manobras para abertura das vias aéreas, sem trauma ou com trauma, devemos nos lembrar
de:
– Realizar varredura da cavidade oral;
– Retirar prótese dentária (se presente);
– Aspirar secreção orofaríngea ou sangue presentes.
Nesse momento, podem ser encontrados corpos estranhos como goma de mascar, próteses dentarias,
dentes e ossos, estilhaços de vidro, cigarro e etc.

→ Sinais de alerta para obstrução de vias aéreas: má troca de ar, fraqueza, tosse ineficaz, batimento
da asa do nariz durante a respiração, aumento da dificuldade respiratória e cianose.

No caso de obstrução de vias aéreas em pacientes responsivos aplique a Manobra de Heimlich.

➢ B – RESPIRAÇÃO E VENTILAÇÃO
Deve-se avaliar a respiração quanto ao padrão ventilatório, simetria torácica e frequência respiratória e
considerar a administração de O2, se necessário.
Uma vez obtida a via aérea pérvia, o próximo passo consiste em garantir uma ventilação
adequada. Todas as vítimas devem receber oxigênio suplementar, seja através de cateter nasal;
máscara facial simples; máscara facial com reservatório; bolsa válvula máscara e válvula de demanda
ou respirador.
Dispositivos de administração de oxigenoterapia por
BVM à direita e por meio de boca com máscara
unidirecional (pocket mask) à esquerda.

Tanto nas vítimas de trauma com vias aéreas pérvias


quanto naquelas que necessitam de via aérea definitiva,
deve-se administrar oxigênio de 12L/min (ATLS, 2012).

➢ C – CIRCULAÇÃO
Após a garantia de ventilação adequada, procede-se a avaliação hemodinâmica dos pacientes.
Alterações na hemodinâmica refletem a incapacidade do sistema circulatório de fornecer
oxigênio aos tecidos (má perfusão), o que pode levar à disfunção multissistêmica e à morte.
A falta de oxigênio a nível tecidual é chamada de choque, sendo caracterizada como uma síndrome
com causas distintas. Seu reconhecimento precoce, para que haja correções das disfunções, é
fundamental, assim como é fundamental tratar a causa da base. O diagnóstico do choque é baseado
em três variáveis:

• Má perfusão periférica: na maioria das vezes manifestada por hipotensão e taquicardia.

• Achados clínicos de hipoperfusão periférica:


– Extremidades frias;
– Muitas vezes cianose;
– Oligúria (diurese < 0,5 ml/kg/hora);
– Manifestação de baixo débito no sistema nervoso central (sonolência, confusão, desorientação).
• Hiperlactemia (aumento da concentração de lactato circulante): indicando metabolismo celular de
oxigênio alterado.
HIPOVOLEMIA – alguns parâmetros são fundamentais na sua avaliação inicial e determinação:
▪ Nível de consciência: a má perfusão cerebral é a causa mais comum de inconsciência, entretanto
um paciente consciente pode ter sofrido significativa perda sanguínea;
▪ Coloração da pele: acinzentada na face e esbranquiçada nas extremidades;
▪ Frequência e amplitude de pulso:
– pulso radial ausente é indicativo de pressão sistólica menor que 80mmHg;
– ausência de pulso femoral acusa pressão sistólica abaixo de 50mmHg;
– pulso radial filiforme e taquicárdico pode ser indicativo de hipovolemia;
– pulso irregular pode ser alerta para disfunção cardíaca;
▪ Perfusão periférica: enchimento capilar maior que 2 segundos, sem
relação com traumatismo local ou hipotermia e avaliado em vários locais.
Na presença de sangramento ativo, deve-se controlar a hemorragia
através de pressão direta. Esse termo implica aplicar pressão por meio de
um curativo com uma gaze ou com uma compressa cirúrgica na lesão.

A aplicação adequada da tala ajuda a controlar a perda de sangue, reduz a


dor e evita o agravamento das lesões de partes moles.
Na presença de instabilidade hemodinâmica, a reposição volêmica deve ser feita preferencialmente
através de acessos periféricos. A reposição volêmica é feita preferencialmente com o Ringer
Lactato (composto de cloreto de potássio e cloreto de sódio) em temperatura próxima à fisiológica,
que fornece expansão transitória do volume intravascular e repõe as perdas de líquidos nos espaços
intersticial e intracelular.
OBS: o soro fisiológico (SF) pode ser utilizado, assim como a solução salina. Grandes infusões de soro
fisiológico podem levar à acidose hiperclorêmica; e de soluções de ringer podem mascarar o lactato
sérico.
A infusão de líquidos deve ser suficiente para evitar a hipoperfusão de órgão se, ao mesmo tempo, não
agravar o sangramento. Este é o conceito de ressuscitação balanceada ou ressuscitação controlada.
A avaliação da reposição volêmica é feita por meio dos seguintes parâmetros:
– Débito urinário (diurese horária de 0,5 ml indica boa resposta à ressuscitação volêmica);
– Nível de consciência;
– Perfusão periférica;
– Gasometria (valores de lactato e déficits de bases).

➢ D – ESTADO NEUROLÓGICO
Um exame neurológico rápido deve ser realizado. Essa avaliação inclui:
• A aferição pela escala de coma de Glasgow (tabela a seguir);
• Observação do tamanho da pupila;
• Observação da movimentação das extremidades corporais.
ESCALA DE COMA DE GLASGOW (ECG)
A escala de coma de Glasgow é uma avaliação qualiquantitativa do nível de consciência da vítima. É
baseada em 3 variáveis com os seguintes scores:

• Abertura Ocular (O): 1 a 4 pontos;


• Resposta Verbal (V): 1 a 5 pontos;
• Resposta Motora (M): 1 a 6 pontos.
Após avaliar a pontuação de cada área, os valores são somados: ECG = [O] + [V] + [M]
Os valores possíveis da escala variam entre 3 e 15, onde:
✓ 15 é considerado paciente em melhor condição possível;
✓ 3: paciente comatoso;
✓ 8: critério para intubação.
Se uma área não puder ser avaliada, nenhuma pontuação numérica será dada àquela região e será
considerada “não testável - NT”.
Classificação das pontuações em TCE:
> Igual ou menor que 8: Lesão cerebral grave ou coma;
> 9 a 12: Lesão moderada;
> 13 a 15: Lesão leve.

Como classificar o paciente na Escala


de Coma de Glasgow com resposta
pupilar (ECG-P)?
Faz-se a avaliação da ECG normalmente
e após avaliar a reatividade pupilar,
subtrai o valor de acordo com a
pontuação feita. Se somente uma das
pupilas não estiver reagente, subtrai-se 1
ponto da escala; e se nenhuma das 2
pupilas estiverem reagentes, subtrai-se 2
pontos da escala. Assim, a não reação da
pupila indica uma maior gravidade e pior
prognóstico.
ECG-P = ECG – (no de pupilas não
reagentes)

Vítimas que abrem os olhos espontaneamente, obedecem a


comandos e encontram-se orientadas recebem escore total
de 15 pontos. Vítimas que apresentam flacidez muscular,
não abrem os olhos ou vocalizam sons apresentam escore
mínimo de 3 pontos.

As pupilas devem ser examinadas rapidamente quanto:


• Ao diâmetro;
• À simetria e assimetria (diferença maior que 1mm no
tamanho das pupilas é considerada anormal);
• À resposta ao estímulo luminoso (reflexo fotomotor).

A alteração das pupilas é forte indício de lesão


estrutural, exceto em:
• Intoxicação por atropina (pupilas dilatadas e sem reflexo fotomotor);
• Intoxicação por opiáceos (pupilas intensamente mióticas com reflexo motor presente);
• Hipotermia (pode transcorrer com pupilas fixas);
• Intoxicação barbitúrica severa (pupilas fixas);
• Encefalopatia anóxica (pupilas midriáticas e fixas).
O rebaixamento do nível de consciência pode representar diminuição na oxigenação e/ou na perfusão
cerebral ou ser resultado de um trauma direto ao cérebro.
A alteração do nível de consciência implica necessidade imediata de reavaliação da ventilação, da
oxigenação e da perfusão. Hipoglicemia, álcool, narcóticos ou outras drogas podem alterar o nível de
consciência do doente.
➢ E – EXPOSIÇÃO / CONTROLE DO AMBIENTE
Pacientes graves e com alteração hemodinâmica importante, ou seja, em estados de choque
(hipovolêmico, cardiogênico e obstrutivo), apresentam extremidades frias, portanto é necessário
aquecê-los. Também, deve-se prevenir e/ou corrigir hipertermia. Em vítimas de trauma, deve-se despir
o paciente e examiná-lo rapidamente dos pés à cabeça, em região dorsal, períneo, sobretudo em
vítimas de trauma com lesões penetrantes. Nesse momento, podem ser diagnosticadas lesões que
ainda não tinham sido reveladas.
O controle do ambiente envolve fatores de riscos internos e externos. Pacientes críticos em
atendimento de urgência/ou emergências são susceptíveis a risco de quedas e risco de infecções por
falha de técnicas assépticas decorrente da urgência do procedimento.
Reanimação: é feita concomitantemente ao exame primário. A reanimação envolve o acesso às vias
aéreas, o compromisso em garantir à vítima ventilação adequada e a infusão de fluidos no combate à
hipovolemia e ao choque. O exame primário deve ser interrompido temporariamente para que o
processo de reanimação ocorra.
Medidas auxiliares à avaliação primária: as medidas auxiliares utilizadas durante as fases da
avaliação primária e da reanimação incluem a monitorização eletrocardiográfica, sondagem urinária e
gástrica e outras monitorizações (frequência respiratória, oximetria de pulso, pressão sanguínea,
exames radiológicos e estudos diagnósticos). A introdução de sondas urinárias e gástricas deve ser
considerada como parte da fase de reanimação, caso a unidade de cuidado à saúde ofereça.
A lesão de uretra deve ser suspeitada quando há:

– Sangramento pelo meato urinário;


– Equimose perineal;
– Sangramento no escroto;
– Deslocamento cranial da próstata ou ela não é palpável ao toque retal;
– Fratura pélvica.
A sonda gástrica é indicada para reduzir a distensão gástrica e para diminuir os riscos de
aspiração. A descompressão do estômago diminui o risco de aspiração, porém não a evita
completamente. A presença de sangue no coletor gástrico pode representar sangue orofaríngeo
(deglutido), trauma na hora de colocação da sonda ou lesões no trato digestivo alto. A forma mais
adequada de avaliar a eficiência da reanimação é através do comportamento de parâmetros
fisiológicos, como:

– Frequência do pulso;
– Pressão arterial;
– Pressão de pulso;
– Frequência respiratória;
– Temperatura corporal;
– Débito urinário.
❖ ABORDAGEM INICIAL DO PACIENTE
Utiliza-se o mnemônico M.O.V:

• M – Monitorização → deve-se monitorar: pressão arterial, pressão de pulso, saturação de oxigênio,


diurese, nível de consciência.
• O – Oxigenação → > 90%, administre oxigênio no mínimo 3L/min por cateter nasal; < 90% utilize
dispositivos de alto fluxo (máscara de venturi etc.)
• V – Veia → providenciar acesso com jelco de calibre 16 a 18 (para adultos).

ATENÇÃO: Na presença de um aparelho de eletrocardiograma na unidade de cuidado à saúde, é


importante fazer a monitorização eletrocardiográfica de todas as vítimas de trauma, enquanto o socorro
não chega. A presença de arritmias, incluindo taquicardia inexplicável, fibrilação atrial, extrassístoles
ventriculares e alterações no segmento ST, pode indicar trauma cardíaco contuso.

A Atividade Elétrica sem Pulso (AESP) pode indicar tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo
e/ou hipovolemia profunda. Quando há bradicardia, condução aberrante ou extrassístole, deve-se
suspeitar imediatamente de hipóxia ou hipoperfusão.

Na instalação de sondas uretrais, é importante excluir a possibilidade de a vítima ter lesão de uretra
antes de sua instalação, pois a cateterização transuretral da bexiga está contraindicada nos casos em
que se suspeita de uma secção uretral.

Caso haja fratura craniana ou mesmo suspeita de fratura da placa crivosa, a sonda gástrica deve ser
passada por via oral, para evitar que seja introduzida acidentalmente dentro do crânio.

ATENDIMENTO CARDIOVASCULAR NA EMERGÊNCIA

– As doenças cardiovasculares são as maiores causas de morte na população brasileira;


– Após uma parada cardiorrespiratória (PCR) apenas 15% dos indivíduos sobrevivem (a cada 10
pacientes, apenas um é reanimado).
– Doenças cardiovasculares (DCV): condições que envolvem o sistema circulatório, englobando:
coração, vasos sanguíneos e as DCV congênitas (prolapso de válvulas, tetralogia de fallot, defeitos
no septo ventricular e etc.).
– Doenças cardíacas: condições que afetam o coração;
– Doença arterial coronariana (DAC) ou cardíaca coronariana (DCC): distúrbios que afetam as
artérias coronárias (que suprem o músculo cardíaco), ex.: angina e IAM.

❖ FATORES DE RISCO DCV

– São características e hábitos do indivíduo que aumentam as chances de desenvolver uma ou mais
doenças. Mais de 300 fatores já foram associados à DCV;
– Fatores de risco não modicáveis: idade, sexo, características biológicas e hereditariedade;
– Fatores modificáveis: ingestão de álcool, tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada,
estresse, fatores psicossociais, marcadores inflamatórios e etc.;

 PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA – PCR


Evento definido pela interrupção súbita da atividade mecânica do coração e dos movimentos
respiratórios. Por algum mal funcionamento houve a interrupção da circulação sanguínea e
consequentemente, ocorrerá a interrupção das atividades pulmonares e neurológicas. A PCR é
confirmada pela ausência de pulso central detectável, irresponsividade e apneia ou respiração
agônica (gasping).
Esses eventos impedem que os tecidos recebam o aporte sanguíneo adequado para o seu
funcionamento. Com a ausência da respiração, ocorre a diminuição de O2 no sangue (hipóxia), por isso
é importante ventilar o paciente para aumentar a oferta de O2 e realizar compressões torácicas de
qualidade para levar sangue oxigenado para os tecidos.
➢ CAUSAS DE PCR
As principais causas de PCR são conhecidas como 5H’s e 5T’s que são considerados causas
reversíveis de PCR, e ao serem identificadas, deve-se tentar tratá-las, pois existe uma maior chance
do paciente retornar a circulação espontânea.
➢ “5Hs”
– Hipóxia: Baixa oxigenação (diminuição do aporte sanguíneo de O2 nos tecidos). Deve-se realizar
abertura da via área e oferta de O2. No suporte avançado de vida é realizada IOT (intubação
orotraqueal – via área avançada) para oferta de oxigênio;

– Hipovolemia: Perda acentuada de sangue causada. Para sua correção é realizada infusão de
cristaloides (soro) e hemoconcentrados;

– Hipotermia: Diminuição da temperatura (< 35ºC, sendo considerada hipotermia severa uma
temperatura central menor que 30ºC). Aquecer o paciente (compressas, mantas, fontes de ar
aquecido e etc.). Em casos de hipotermia severa ou profunda, deve ser realiza a infusão de
cristaloides aquecido e oxigênio úmido aquecido, lavagem peritoneal com fluido aquecido;
– Acidose (H+): Pode ser respiratória (decorrente de uma hipoventilação) ou metabólica
(cetoacidose diabética). Deve ser realizada uma RCP de alta qualidade para que se mantenha um
fluxo sanguíneo e tratar a causa da acidose. E nos casos em que o paciente possua acidose grave
comprovada e evolui para PCR, é indicado fazer uso de bicarbonato;
– Hipercalemia, Hipocalemia: Potássio (valor normal: 3,5 a 5,5 mL). A onda T elevada no ECG é
indicativo de hipercalemia. Em caso de hipercalemia, é feita a correção dos eletrólitos
(administração de bicarbonato, gluconato de cálcio e solução polarizante: solução com insulina) e
na hipocalemia a correção dos eletrólitos com reposição de potássio.
* Hipoglicemia: (é 6ºH nos bebês), mas a principal causa de PCR nos bebês é Hipóxia.
➢ “5Ts”
– Tamponamento cardíaco: Acúmulo de sangue no pericárdio com volume e pressão
suficientes para prejudicar o enchimento (batimento) cardíaco. Pericardiocentese
(drenagem de líquido de uma cavidade) e toracotomia nos casos de trauma torácico,
se houver indicação;

– Tensão no Tórax (Pneumotórax Hipertensivo): presença de ar no espaço


pleural (entre as duas camadas da pleura) resultando em colapso parcial ou total
do pulmão, e consequentemente diminuindo o retorno venoso para o coração.
Inicialmente realiza-se descompressão torácica com agulha e posteriormente, é
feita uma drenagem torácica;

– Trombose coronariana (IAM): Coágulo em uma ou mais artérias


coronárias que interrompe o fornecimento de sangue para o músculo
cardíaco (miocárdio). É realizado desobstrução da artéria por intervenção
coronária percutânea (angioplastia) ou com fibrinolítico, após a circulação
espontânea retornar (pós-PCR);
– TEP (Trombo embolismo pulmonar): uma ou mais artérias pulmonares ficam
bloqueadas por um coágulo sanguíneo. É realizado fibrinólise ou embolectomia;

– Tóxicos (intoxicações agudas): Na intoxicação por opioides (morfina, fentanil,


oxicodona) é administrado Naloxona e por benzodiazepínicos (diazepam, alprazolam, midazolam)
é administrado Flumazenil e uso de carvão ativado em casos leves.

➢ SINAIS DE ALERTA PARA PARADA CARDÍACA


✓ Dor ou desconforto na mandíbula, pescoço, dorso, braços e outros membros;
✓ Dificuldade para respirar ou respiração superficial;
✓ Palpitação ou outros sintomas cardíacos anormais;
✓ Sensação de fraqueza, obnubilação (desorientação, confusão mental) ou desmaio.

➢ PROTOCOLOS
O protocolo de avaliação primária do paciente é através do mnemônico ABCDE e o protocolo de
reanimação cardiorrespiratória é CABD.

SISTEMATIZAÇÃO DO ATENDIMENTO À PCR EXTRA-HOSPITALAR

O foco principal no tratamento da parada cardíaca em adultos inclui o reconhecimento rápido,


fornecimento imediato de RCP de qualidade e desfibrilação precoce nos casos de ritmos chocáveis
(fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso).
1) Verificação da segurança da cena: ao se deparar com uma situação de possível PCR, o primeiro
passo é a verificação da cena, priorizando a avaliação dos riscos envolvidos no atendimento. Se
a cena for segura, siga para o próximo passo.

2) Avaliação da Responsividade: o socorrista leigo que não identifica resposta a um estímulo tátil
ou verbal em um paciente inconsciente, com respiração ausente ou anormal (gasping) deve
presumir que a vítima está em PCR. O socorrista profissional de saúde deve verificar o pulso
central (ex.: pulso carotídeo) em até 10 segundos, se nenhum pulso for sentido, deve assumir
que a vítima está em parada cardíaca.
OBS¹: na avaliação da respiração, deve-se observar a elevação torácica de 5 a 10s simultaneamente
com a avaliação da circulação (em casos de socorristas capacitados);

OBS²: a avaliação é feita pelo pulso carotídeo pois ele é um pulso central e de
melhor localização anatômica. A presença do pulso radial é um excelente
marcador da presença de batimento cardíaco, afinal ele só está presente quando
a PAS (pressão arterial sistólica) está acima de 80mmHg, porém a ausência
desse pulso não caracteriza PCR, por isso avaliamos o pulso carotídeo.

A RCP administrada de maneira precoce pelo socorrista leigo melhora a sobrevida após parada
cardíaca. O benefício de administrar RCP nesta situação supera qualquer risco potencial de
aplicar compressões torácicas em alguém que está inconsciente, mas não em parada cardíaca.
Foi demonstrado, segundo a AHA, que o risco de lesão por RCP é baixo nesses pacientes. Os eventos
adversos observados incluíram dor na área das compressões torácicas (8,7%), fratura óssea (costelas
e clavícula) (1,7%) e rabdomiólise (0,3%), sem lesões viscerais descritas.
3) Após o reconhecimento da PCR, deve-se seguir com os elos da cadeia de sobrevivência.
➢ CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA PARA PCR EXTRA-HOSPITALAR (PCREH)
Cadeia de sobrevivência é uma sequência de procedimentos – protocolo – desenvolvidos para guiar a
atuação na parada cardiorrespiratória. O protocolo atual (2020) leva em consideração seis elos
(procedimentos) que devem ser realizados de forma sequencial e homogênea em precisão e qualidade
para que os resultados sejam consistentes e mais vidas sejam salvas.
“São ações a serem realizadas conforme preconizada na American Heart Association (AHA 2015), que
funciona como uma sistematização, uma padronização das etapas a serem seguidas num atendimento
de parada cardiorrespiratória (PCR) com o intuito de melhorar as ações e minimizar o tempo de ação
até a vítima receber os atendimentos específicos.

A cadeia é formada por elos transmitindo uma ideia de corrente, ou seja, cada elo dessa corrente é
uma etapa que está interligada a outra e cada um dos elos com sua importância. Se algum desses elos
for realizada de forma equivocada, esse elo estará fraco, e como em qualquer corrente que possua um
elo fraco, a corrente se romperá (podendo levar a vítima a óbito). Por isso devem acontecer de forma
sequencial e homogênea, em precisão e qualidade, para que os resultados sejam consistentes e mais
vidas sejam salvas.”
1) Acionamento do serviço médico de emergência: caso existam outras pessoas na cena, o
socorrista deve convocar um indivíduo para efetuar a ligação ao serviço de emergência: 192 –
SAMU e 193 – Bombeiros, e se possível, solicitar o DEA (desfibrilador externo automático) do local.
Caso o socorrista esteja sozinho na cena, ele mesmo deve providenciar ajuda, ligando para
emergência e colocando o telefone no viva voz, enquanto simultaneamente aplica as manobras do
suporte básico de vida.

2) RCP de qualidade: logo após solicitar ajuda, deve-se iniciar compressões torácicas de qualidade, e
se disponíveis dispositivos de barreira (ex.: pocket máscara), pode-se efetuar ventilações.

 REANIMAÇÃO CARDIOPULMONAR – RCP


É o atendimento prestado às vítimas de PCR, consiste em uma sequência de manobras e
procedimentos realizados com o objetivo de manter a circulação do organismo, principalmente, para o
cérebro e o coração, assegurando assim, a sobrevida do paciente.
A RCP de Qualidade é realizada através da sequência CAB (ordem de prioridade de cada ação).
✓ Posicionamento correto: o socorrista deve-se posicionar ao lado da vítima, colocar a região
hipotênar da mão dominante 2 dedos acima do apêndice xifoide, em seguida deve colocar a mão
dominante por cima entrelaçando os dedos, no tórax da vítima. Os braços devem estar sempre
esticados e o socorrista deve usar o peso do corpo para afundar o tórax.
✓ Profundidade: devem ser realizadas compressões torácicas em adultos com profundidade de pelo
menos 2 polegadas (5 cm), mas não superior a 2,4 polegadas (6 cm). Permita o retorno do tórax a
cada compressão e não se apoie sobre o tórax após cada compressão.
✓ Frequência da compressão: 100 a 120 compressões por minuto. As compressões devem ser
mantidas até o socorro chegar ou até a vítima reestabelecer a consciência. O limite de interrupção
das compressões é de até 10 segundos.

✓ Relação compressão-ventilação sem via aérea avançada: 1 ou 2 socorristas → 30:2 (a cada 30


compressões devem ser realizadas 2 ventilações).

✓ Desfibrilação: se possível, solicite um DEA (desfibrilador externo automático) e use-o


imediatamente assim que ele estiver disponível.

❖ SEQUÊNCIA CAB
C. Circulação: inicie as compressões torácicas, RCP de qualidade:
– 100 a 120 compressões por min;
– Pelo menos 5 cm de profundidade;
– Permita o retorno do tórax após cada compressão, sem perder o contato com a mão;
– Minimize o máximo de interrupções;
– Realize as compressões sobre uma superfície rígida e posição supina (barriga para cima).
A. Abrir vias aéreas: a abertura de vias aéreas é feita através de duas manobras:

Manobra de Chin-Lift (elevação da cabeça com


elevação do queixo/mento): uma das mãos se localiza na
região frontal (testa) inclinando a cabeça da vítima para
trás, os dedos da outra mão são colocados no mento
(queixo) para deslocamento da mandíbula para cima e
para frente;

Manobra de Jaw-Thrust (elevação/tração da mandíbula): usada quando a


vítima apresenta suspeita ou possui trauma cervical, ela consiste na
utilização das duas mãos do socorrista, posicionando os dedos médios e
indicadores no ângulo da mandíbula, projetando-a para frente, enquanto os
polegares deprimem o lábio inferior, abrindo a boca da vítima.

B. Boa ventilação:
– Relação 30:2 (a cada 30 compressões, deve-se aplicar 2 ventilações);
– Cada ventilação deve durar 1 segundo;
– O processo da ventilação deve durar no máximo 2 segundos;
– Não hiperventilar (excesso de ventilação): a hiperventilação aumenta a pressão intratorácica →
diminuição da pré-carga (pressão que o sangue faz (pressão diastólica final) na parede do
ventrículo ao enchê-lo) → diminuição do débito cardíaco. Outra consequência é uma hiper
insuflação gástrica, que pode acabar levando o paciente ao vômito e uma possível
broncoaspiração, agravando ainda mais seu quadro.
– Deve-se utilizar mecanismos de barreiras na ventilação boca a boca como:
máscara facial para RCP descartável ou máscara de bolso com válvula unidirecional
(pocket mask – que não permite a contaminação do socorrista). A bolsa-válvula-
máscara (BVM/ambu) também pode ser utilizada no
SBV;
– Caso o socorrista não tenhas os dispositivos de
proteção e não consiga realizar a ventilação, ele deve
realizar as compressões contínuas sem ventilação.

- Ventilação com a máscara de bolso (pocket mask): Posicionamento


utilizando máscara de bolso com hiperextensão da cabeça.

3) Desfibrilação: a interrupção das compressões deve ser realizada assim que o desfibrilador (DEA)
estiver disponível, neste momento será realizada a avaliação do ritmo e a aplicação do choque caso
os ritmos de parada forem chocáveis (fibrilação ventricular e taquicardia ventricular).
D. Desfibrilação:

– A desfibrilação no suporte básico de vida é feita através do


DEA (desfibrilador externo automático), caso ele esteja
disponível;
– DEA: efetua a leitura automática do ritmo cardíaco através
de pás adesivas no tórax e libera o choque para
reestabelecer o ritmo, em caso de ritmos chocáveis;
– Pode ser usado por leigos (o aparelho possui instruções por voz);
– É permitido o uso em locais públicos.
Etapas:
• O DEA verifica o ritmo;
• Em caso de ritmo chocável, ele avisará para o socorrista SE AFASTAR e apertar o botão para
que o choque seja descarregado;
• Assim que o choque for aplicado, reinicie a RCP imediatamente por 2 minutos até que o DEA
avise sobre a verificação do ritmo novamente;
• Em caso de ritmo não chocável, continue com a RCP por mais 2 minutos e verifique o pulso do
paciente, se ele continuar em PCR, siga com as manobras até que serviço médico de emergência
chegue ao local.
Após a chegada do serviço de resgate, deve-se fornecer ao paciente o suporte avançado de vida
(4º elo) juntamente ao transporte para o serviço hospitalar. Além disso, nos casos de reanimação bem
sucedidas, também são realizadas medidas pós-PCR (5º elo) e por fim, as medidas de reabilitação
e recuperação (6º elo da cadeia).

SISTEMATIZAÇÃO DO ATENDIMENTO À PCR INTRA-HOSPITALAR (PCRIH)


❖ Prioridades que necessitam de Investigação imediata para antecipar um colapso:
1. Rebaixamento agudo do nível de consciência e alterações neurológicas agudas;
2. Alterações importantes dos sinais vitais:
– Frequência respiratória (FR) > 30 ou < 8 ipm ou uso de musculatura acessória;
– Saturação arterial de oxigênio (SatO,) < 90%;
– Frequência cardíaca (FC) > 100 ou < 50 bpm;
– Pressão arterial sistólica (PAS) < 90 mmHg;
– Tempo de reenchimento capilar (EC) > 3 segundos.
3. Pacientes com achados parcialmente emergenciais:
– Precordialgia ou dor torácica;
– Febre com suspeita de neutropenia;
– Suspeita de obstrução de via aérea;
– Intoxicações agudas;
– Hematêmese, enterorragia ou hemoptise;
– Dor intensa.
Pacientes no ambiente hospitalar dependem de um sistema de vigilância adequado a fim de prevenir a
PCR, mas, caso a PCR ocorra, é preciso uma interação harmoniosa dos vários departamentos e serviços
da instituição e de um time multidisciplinar de profissionais, que inclua médicos, enfermeiros,
fisioterapeutas, entre outros. Em ambiente intra-hospitalar, a maioria dos pacientes em PCR apresenta
ritmo inicial de AESP (37%) e assistolia (39%), sendo que os ritmos de FV e TVSP são responsáveis
por 23% a 24% dos eventos, compreendendo a maior taxa de sobrevivência por todos os ritmos.
O ambiente intra-hospitalar também possui uma cadeia de sobrevivência com 6 elos.

1) Reconhecimento e prevenção precoces: O reconhecimento é na mesma técnica do extra-


hospitalar, avalia-se a responsividade, respiração e pulso. Após a identificação da PCR, pede-
se para trazer o carrinho de emergência com o desfibrilador e demais itens. Porém, enquanto não
chega o carrinho, já se inicia a RCP que é o próximo elo.
OBS: a avaliação da responsividade é através de estímulo verbal, tátil e doloroso (se necessário);
2) Acionamento do Serviço médico de emergência: dentro do ambiente intra-hospitalar existem
alguns códigos (de parada, vermelho, azul e etc.) para alertar sobre a PCR em um paciente, e estes
devem ser acionados assim que a PCR for identificada pelo profissional. Além disso, deve-se
solicitar que outro profissional leve o carrinho de emergência e o desfibrilador para perto do
paciente.
3) RCP de alta qualidade: MNEMÔNICO → CABD (circulação, abertura de vias aéreas, boa
ventilação e desfibrilação)
Após acionar o suporte de emergência, o profissional deve iniciar imediatamente as manobras de
ressuscitação de compressões torácicas e ventilação. Relembrando:

• Frequência: 100 a 120 compressões por minuto;


• Profundidade: mínimo de 5 cm e máximo de 6 cm;
• Permita o retorno total do tórax após cada compressão. Não se apoiar sobre o tórax entre as
compressões;
• Minimizar as interrupções nas compressões, não interrompendo por mais de 10 segundos;
• Colocar prancha rígida embaixo do tórax do paciente, assim que disponível.
• Ventilação sem via aérea avançada: realizar abertura das vias aéreas com relação de
compressão-ventilação de 30:2;
• Ventilação com via aérea avançada (máscara laríngea, tubo orotraqueal ou traqueostomia):
compressões contínuas a uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto e 1 ventilação
a cada 6 segundos (10 respirações por minuto);

➢ OFERTA DE VENTILAÇÃO NO SUPORTE AVANÇADO DE VIDA

- Ventilação com bolsa válvula máscara (BVM – “ambu”) sem via aérea avançada: O uso da BVM
requer considerável prática e deve ser feito na presença de dois
socorristas: um responsável pelas compressões e outro por aplicar
as ventilações com o dispositivo. Se disponível oxigênio
complementar, conecte-o na BVM, assim que possível, de modo a
oferecer maior porcentagem de oxigênio para a vítima. Usando a
técnica do C (acoplando a máscara na boca e nariz) e do E (3 dedos
segurando o hiper estendendo o queixo do paciente).

Quando uma via aérea avançada (ex.: tubo endotraqueal, máscara laríngea ou
traqueostomia) estiver instalada, o primeiro socorrista deve administrar
compressões torácicas contínuas e o segundo socorrista, aplicar uma
ventilação a cada 6 segundos − cerca de 10 ventilações por mim. Não se devem
pausar as compressões para aplicar as ventilações, em caso de viaaérea
avançada instalada.

OBS: é importante considerar que é possível garantir uma RCP de qualidade sem via aérea avançada
(ventilação não invasiva). No entanto, caso o profissional perceba que não está havendo sucesso na
expansão torácica, existe a alternativa da via aérea avançada, como por exemplo a intubação
orotraqueal (IOT) que deve ser realizada por um profissional médico, sem interromper a compressão
torácica, durante a RCP.
Uma outra alternativa de via aérea avançada é a máscara laríngea, que
também vai garantir um maior sucesso na ventilação, e que pode ser realizada
pelo profissional de enfermagem capacitado.
Ventilação sem via aérea avançada:
– Aplicar duas ventilações a cada 30 compressões (intercalando 30:2);
– Não hiperventilar;
Ventilação com via aérea avançada:
– Aplicar uma ventilação a cada 6s (10 ventilações/min);
– Não intercalar ventilação e compressão, ambas devem ocorrer de forma contínua;
– Não hiperventilar.
OBS: O uso de oxigênio a 100% é razoável durante as manobras de RCP, com o objetivo de aumentar
a oxihemoglobina arterial e a oferta de oxigênio. Por isso, a BVM deve estar conectada a fonte de
oxigênio durante as ventilações.
4) Desfibrilação: assim que o desfibrilador estiver disponível, use-o em casos
de ritmos chocáveis.
OBS: Em hospitais, onde não há disponível o DEA, somente o desfibrilador
manual, seu uso necessita da presença da equipe médica, tendo em vista que
a desfibrilação manual é um procedimento privativo do profissional médico.

Na ausência de um médico, a
equipe de enfermagem realizará o suporte básico
de vida com a RCP de alta qualidade com o
desfibrilador posicionado próximo ao paciente
para quando o médico assumir o atendimento
possa utilizá-lo imediatamente.

O coração humano conta com um sistema que


produz e transmite impulsos elétricos ao longo de
todo o músculo cardíaco. Por sua vez, esse é
responsável por contrair e bombear o sangue por
todo o corpo. Em organismos saudáveis, isto se
dá de maneira ritmada. Tais impulsos podem ser medidos na superfície do corpo, gerando um
eletrocardiograma (ECG).
Na análise de um ECG, é possível detectar problemas elétricos e mecânicos no coração – em outras
palavras, um ritmo irregular ou descompassado é o que caracteriza uma fibrilação ou arritmia cardíaca.
As arritmias podem refletir distúrbios na iniciação ou condução dos impulsos que, nos casos mais
graves, podem progredir para uma parada cardiorrespiratória.
O que causa a batida descompassada do coração é a falha na pulsação elétrica dele, oriundos de
questões hereditárias, genéticas ou agravamentos decorrentes do sedentarismo e da má alimentação.
Os impulsos elétricos são o que fazem o coração bater.
FIBRILAÇÃO → É um tipo de arritmia caracterizada pela origem desordenada de estímulos elétrico
cardíaco a nível do miocárdio com ritmo muito acelerado e irregular. O músculo não contrai em ritmo
síncrono, em vez disso, ele treme ou fibrila. Ritmo irregular ou descompassado.

❖ DESFIBRILAÇÃO → Consiste numa intervenção externa de emergência através de choque elétrico


(não sincronizado) aplicado no tórax do paciente (desfibrilação externa) ou diretamente no músculo
cardíaco (desfibrilação interna), visando cessar a arritmia e fazer com que o coração volte ao seu
ritmo normal. Desfibrilar o coração é como apertar o botão de Reset de um aparelho eletrônico que
está travado e não funciona. A desfibrilação deve ser realizada imediatamente na identificação
do ritmo chocável.
Os choques (que são aplicados por meio de eletrodos conectados ao equipamento) “reiniciam” as
células que estão se comportando de maneira desorganizada, fazendo com que elas voltem ao seu
ritmo natural e saudável.
Como o disparar do choque do aparelho exige o reconhecimento de leitura do ECG, para
localizar o exato momento da onda R (despolarização das paredes ventriculares), ele só pode ser
utilizado por médicos. Por sua vez, os desfibriladores externos automáticos (DEAs) são de uso
simples e podem ser utilizados por qualquer pessoa. Isso porque o próprio aparelho reconhece o ritmo
chocável e indica ao usuário o que deve ser feito, sinalizando também o momento do choque.
➢ DESFIBRILADOR: o aparelho pode ser monofásico (360J) ou bifásico (120 a 200J, caso o
profissional não saiba se o desfibrilador é monofásico ou bifásico, a recomendação é que seja
sempre aplicada a carga máxima que o aparelho dispor). O desfibrilador bifásico são os de
preferência, segundo os protocolos.

“A onda de desfibrilação bifásica é mais moderna, segura e eficiente do que a monofásica. Isso
porque a polaridade desses eletrodos é invertida durante a desfibrilação. Isso faz com que o pulso
tenha duas fases, mais brandas, porém, que funcionam melhor e de maneira mais eficaz.”
Fixação → A primeira pá deve ser posicionada no ápice cardíaco
e a segunda na região infraclavicular direita ou anteroposterior
(precórdio e dorso logo abaixo da escápula).
**anteroposterior: é feito em crianças por conta da dificuldade
de fazer a localização específica no tórax.

OBS: as pás não devem ser coladas uma ao lado da outra, pois a corrente elétrica descarregada por
elas precisa passar por todo o coração (do ápice a base). Ao colocar as pás uma ao lado da outra, a
corrente passará pelo pulmão.
CARDIOVERSÃO → É a aplicação de uma descarga elétrica sincronizada com o complexo QRS
sobre o tórax do paciente, com o objetivo de despolarizar todas as fibras cardíacas de maneira
simultânea, restaurando o impulso do coração de forma coordenada. Na cardioversão o choque é
liberado apenas na onda R ou período refratário.
O seu uso mais comum é em procedimentos eletivos, mas também
pode ser usado em emergências. O paciente deve estar monitorado no
cardioversor e o botão do SINCRONISMO (circulado em vermelho na
imagem ao lado) do aparelho deve estar ativado, para que possa ser
realizado a descarga elétrica sincronizada. Os cardioversores possuem
circuitos aptos a detectar a atividade elétrica do coração e sincronizar a
aplicação do choque desfibrilatório com a onda R do ECG. O uso deste
aparelho somente deve ser administrado por um profissional de médico
capacitado.

Nesta perspectiva, a cardioversão é utilizada principalmente em fibrilações atriais e arritmias


menos severas, enquanto a desfibrilação busca em grande parte reverter distúrbios graves como a
taquicardia ventricular (TV) e a fibrilação ventricular (FV).
O cardioversor é considerado um tipo de desfibrilador – ele traz consigo todas as operações deste
dispositivo. No entanto, possui ainda outro importante recurso incorporado: um circuito capaz de se
sincronizar com os batimentos cardíacos do paciente (detectando uma arritmia ou fibrilação), em geral
aliado a uma tela que envia informações do ECG do paciente ao operador. Atualmente, os
cardioversores são os modelos de desfibrilador mais comuns nos hospitais.
Todo cardioversor pode ser usado como desfibrilador, mas o desfibrilador não pode ser usado como
cardioversor, pois não possui a função de sincronização da corrente elétrica.
A terapia elétrica proporcionada por estes equipamentos tem como função interromper as
arritmias ou irregularidades dos batimentos cardíacos. Restaurando, assim, o ritmo normal do
órgão.
Ritmo sinusal:

Ondas P e T em verde e o complexo


QRS em vermelho.

❖ RITMOS DE PCR
O principal ritmo de PCRIH é o AESP e Assistolia

 CHOCÁVEIS
→ TAQUICARDIA VENTRICULA SEM PULSO (TVSP): atividade elétrica organizada, ocorrem 3 ou
mais extrassístoles ventriculares (ESV) em sequência, essas ESV também são conhecidas como
“Contração Ventricular Prematura”, que nada mais é do que batimentos cardíacos extras anormais
que se iniciam nos ventrículos. A FC nesse ritmo é maior que 100 bpm e o ECG ele é caracterizado
por complexo QRS alargado e sem ondas P identificáveis ao traçado.
A TV ela pode ser classificada em polimórfica
quando os complexos QRS forem variáveis e
irregulares como na primeira imagem e
monomórfica quando os complexos QRS
forem idênticos e regulares. Nesse ritmo não
há contração miocárdica eficaz (pulso). São mais
comuns em pessoas com doenças cardíacas
subjacentes. A TVSP é o ritmo de parada com
melhor prognóstico.
A aceleração da frequência cardíaca impede que o fluxo de sangue ocorra normalmente pois os
ventrículos acabam bombeando o sangue antes de estarem completamente preenchidos, causando
uma insuficiência no aporte de sangue sistêmico. A pressão arterial tende a cair, provocando
insuficiência cardíaca. A taquicardia ventricular sustentada também é arriscada porque pode se agravar
a ponto de se converter em fibrilação ventricular.
→ FIBRILAÇÃO VENTRICULAR (FV): é caracterizada por uma atividade elétrica desorganizada
(múltiplo impulsos elétricos caóticos) do músculo cardíaco, gerando ineficiência da contração dos
ventrículos, não há pulso detectável, pois os ventrículos vibram/tremem ao invés de se contraírem
de forma coordenada. Isso resulta na incapacidade do coração manter uma fração de ejeção
sanguínea adequada.

É causada por impulsos elétricos frenéticos no


ventrículo com uma contração descoordenada,
ou seja, diferentes partes do ventrículo se contraem ao mesmo tempo.

É definida como despolarização rápida, irregular e ineficaz do ventrículo.


Não há complexo QRS de aparência normal (não é possível identificar
as ondas do ECG). A frequência é elevada, o ritmo é irregular e as ondas variam de tamanho e forma.
Na fibrilação os ventrículos vibram/tremem ao invés de se contraírem de forma coordenada. No ECG
há ondas irregulares em ziguezague com amplitude e duração variáveis.
Ela é classificada em FINA quando a amplitude das ondas é de até 3mm (ondas são quase isoelétricas)
e GROSSA quando a amplitude é > 3mm.
A causa mais comum é uma cardiopatia, em especial quando o miocárdio recebe fluxo sanguíneo
anormal devido a uma doença arterial coronariana.

 NÃO CHOCÁVEIS
São os ritmos com piores prognósticos.

→ ATIVIDADE ELÉTRICA SEM PULSO (AESP): é o que o nome já diz, ausência de pulso, porém com
atividade elétrica organizada (excluindo TVSP). O ritmo é bradicárdico, com complexos QRS
alargados, porém em alguns casos pode apresentar ECG com ritmo sinusal.
A atividade elétrica presente não é efetiva o suficiente para
gerar um pulso. O músculo cardíaco está muito fraco ou com
problemas de reperfusão para responder ao estímulo elétrico.
O coração contrai, mas não o suficiente para gerar um pulso
detectável.
Frequentemente está associada ao choque
cardiogênico, por falência de bomba ou por
rotura do miocárdio com tamponamento
cardíaco.

→ ASSISTOLIA: Ausência total de atividade elétrica e contrátil ventricular (ventrículo parado). Não há
frequência, nem ritmo ventricular, consequentemente também não há pulso ou débito cardíaco.
ECG: sem atividade elétrica detectável, uma vez que o
sistema elétrico e as células musculares do coração deixam de
funcionar. Ela é precursora do encerramento do fluxo
sanguíneo e consequente morte, mas pode ser revertida, desde
que o procedimento correto seja feito rapidamente.
A causa mais comum de assistolia é quando há um bloqueio no
fluxo sanguíneo coronariano, que pode levar a hipóxia do
miocárdio.
É importante frisar, que nos ritmos não chocáveis o mais importante é a realização de um RCP de alta
qualidade e da investigação das possíveis causas de RCP (aqueles 5Hs e %Ts), além da administração
da adrenalina (epinefrina). Pois, quando essas causas são tratadas, há uma maior chance do paciente
retornar a circulação espontânea.
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
✓ O que define se o paciente está PCR é ausência de pulso.
✓ A fibrilação ventricular e assistolia são ritmos incompatíveis com vida, logo, ao identificar no
monitor um desses ritmos, o profissional não precisa “perder tempo” checando o pulso após o ciclo
de 2 min da massagem cardíaca.
✓ Já na taquicardia ventricular sem pulso e na AESP, é preciso verificar se a vítima possui pulso,
para poder confirmar a PCR.
✓ A prioridade na RCP é a compressão, mas assim que um desfibrilador estiver disponível deve ser
usado.

→ CUIDADO IMPORTANTE DIANTE DE UM RITMO DE ASSISTOLIA:


Aplicar o protocolo de linha reta, através do mnemônico CA GA DA.

– CA – CABO: checar se todos os cabos do monitor estão conectados e se não tem nenhum erro.
– GA – GANHO: modificar o ganho do eletrocardiograma, pois às vezes aumentando o ganho do
aparelho ele consegue identificar uma FV fina, por exemplo, que amplitude da onda é menor que
3mm, e aí, precisaremos mudar a conduta para ritmo chocável.
– DA – DERIVAÇÕES: modificar as derivações do eletrocardiograma, deve-se olhar o ritmo em várias
derivações para confirmar que ele não é chocável.
Só após verificar estes três itens que é possível confirmar o ritmo de assistolia.

5) Cuidados pós-PCR
A lesão cerebral e a instabilidade cardiovascular são as principais determinantes de sobrevida
após PCR. A Modulação Terapêutica da Temperatura (MTT) tem como finalidade conter a síndrome
pós-PCR, diminuindo o consumo de oxigênio cerebral, e limitando a lesão ao miocárdio e os danos
sistêmicos. Pelo fato de a MTT* ser a única intervenção que demonstrou melhora da recuperação
neurológica, ela deve ser considerada para qualquer paciente que seja incapaz de obedecer a
comandos verbais após o RCE (retorno da circulação espontânea). No entanto, lesões cerebrais podem
se manifestar como convulsões, mioclonias (contrações musculares rápidas e involuntárias), diferentes
graus de déficit cognitivo, estados de coma e morte cerebral.
*MTT = É um método que têm como objetivo ocasionar e manter a hipotermia no paciente, tendo como alvo, uma
temperatura central entre 32 a 36ºC, mantida por um período de 12 a 24 horas.

Síndrome Pós-Ressuscitação: abrange o dano cerebral, a disfunção miocárdica, a isquemia sistêmica


facilitada pelo mecanismo de isquemia-reperfusão e também as causas precipitantes do evento. A
instalação e a gravidade da lesão causada pela síndrome pós-ressuscitação são consequências diretas
das causas desencadeantes da PCR, do local do evento, do tempo de RCP e das condições de saúde
pregressas do paciente.

→ Via aérea e ventilação: Alguns pacientes evoluem no RCE conscientes e com padrão respiratório
adequado. Essas situações clínicas podem ser observadas em sobreviventes de PCR de curta
duração, mas parcela considerável necessita de suporte de oxigênio, que deve ser oferecido quando
não houver saturação na oximetria de pulso de 94%. Não entanto, aos pacientes com sinais clínicos
de desconforto ou rebaixamento do nível de consciência, deve, sim, ser oferecido oxigênio
suplementar e a via aérea segura deve ser ponderada. Durante a ventilação, a hipocapnéia (redução
de CO2 no sangue) deve ser evitada, já que pode desencadear vasoconstrição cerebral. Sedação,
nesta fase, é necessária, para viabilizar a ventilação e diminuir o consumo de oxigênio cerebral. Nos
pacientes que serão submetidos a MTT, deve ser considerado o uso de bloqueadores
neuromusculares.
→ Circulação: A lesão coronária aguda atinge 59 a 71% dos pacientes que evoluem para PCR sem
etiologia cardíaca evidente. Desta forma, um ECG deve ser prontamente realizado e, se indicada, a
terapia de reperfusão coronária deve ser iniciada. Entre aqueles nos quais a presença de uma causa
cardíaca como desencadeante não permanecer clara, ou na ausência de fatores de risco
predisponentes, ou na falta de um diagnóstico determinante provável (exemplo de embolia pulmonar
e acidentes vascular cerebral), e considerando a incidência de doença coronária em séries de óbitos,
recomenda-se a obtenção de um cateterismo coronário diagnóstico nas 2 horas iniciais após o RCE.
Medidas adicionais, como MTT, podem ser continuadas durante esta fase, não podendo retardar o
diagnóstico e nem o tratamento do fator desencadeante.

→ Manejo hemodinâmico: Frequentemente, após o RCE, há instabilidade hemodinâmica, distúrbios


de ritmo consequência do baixo débito cardíaco. Nos pacientes com instabilidade, há indicação para
uso de drogas vasoativas. Usualmente, os resultados mais efetivos são obtidos associando-se
reposição de fluidos e drogas vasoativas. Na persistência da instabilidade, podem ser considerados
suportes circulatórios, como Balão Intra-Aórtico (BIA) e ECMO.
Abordagem após o retorno a circulação espontânea:

• TC: tomografia computadorizada;


• CATE: cineangiocoronariografia;
• ATC: angioplastia coronária;
• IAMCST: infarto agudo do miocárdio
com supradesnivelamento do segmento ST;

6) Recuperação
A AHA, recomenda que:

– Os sobreviventes de PCR tenham avaliação de reabilitação multimodal e tratamento para prejuízos


fisiológicos, neurológicos e cognitivos antes da alta do hospital.
– Os sobreviventes de PCR e seus cuidadores recebam planejamento de alta abrangente e
multidisciplinar para incluir recomendações de tratamento médico e de reabilitação e retornar às
expectativas de atividades/trabalho.
– Uma avaliação estruturada para ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e fadiga para os
sobreviventes de PCR e seus cuidadores.

O processo de recuperação de PCR ocorre por muito tempo ainda depois da hospitalização inicial. É
necessário apoio durante a recuperação, para garantir bem-estar físico, cognitivo e emocional e o
retorno ao funcionamento social e profissional. Esse processo deve ser iniciado durante a
hospitalização inicial e continuar o tempo que for necessário.
ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS DURANTE A PCR
A utilização de medicamentos tem como objetivo aumentar a taxa de sucesso da RCP. Este processo
envolve o estímulo e a intensificação da contratilidade miocárdica, o tratamento de arritmias, a
otimização das perfusões coronariana (aumento de pressão diastólica aórtica) e cerebral, e a correção
de acidose metabólica.
O acesso venoso na PCR deve ser o de maior calibre e mais acessível, sem comprometer as
manobras de RCP. São eles veia periférica (em braços, mãos, pernas ou pés), e veia central (em
crianças em PCR é difícil de realizar e deve ser feita por profissional habilitado). O acesso vascular não
é recomendado, por necessitar de interrupção das compressões torácicas, além de poder levar a
complicações como laceração vascular, hematomas, hemotórax e pneumotórax. Quando necessário, a
punção de veia femoral é uma via de fácil a ser lembrada na PCR.

O acesso intraósseo deve ser estabelecido se o acesso venoso não for conseguido. É via preferível em
relação à via endotraqueal. Podem ser administrados por esta via medicamentos, fluidos, cristaloides,
coloides e hemoderivados. A punção é realizada geralmente na porção proximal da tíbia ou distal do
fêmur, com agulha apropriada ou de punção de medula óssea.

Se outras vias não forem possíveis, a via endotraqueal pode ser utilizada. São administradas drogas
lipossolúveis, como epinefrina, lidocaína e naloxona. A absorção das drogas é variável e sua eficácia
ainda não comprovada.

– Preferência pelo acesso venoso;


– Todas as medicações utilizadas durante a PCR não devem ser diluídas, sempre devem ser
realizadas em bolus;
– Logo após a administração da medicação deve ser realizado um flush de solução salina (SF 0,9%);
– Se o acesso for em membros, deve-se realizar a elevação do membro por 10 a 20s;
Comunicação em alça fechada: comunicação verbal é repetida para o solicitante (prescritor), de forma
a confirmar aquilo que foi pedido e fazer uma checagem dupla; é importante para segurança do
paciente.
❖ MEDICAÇÕES UTILIZADAS NA PCR

 ADRENALINA: catecolamina endógena, com propriedades alfa e beta-adrenérgicas, utilizada na


PCR e na bradicardia sintomática. Utilizada nos quatro ritmos de parada.
– Terapia vasopressora: são potentes agentes farmacológicos usados para aumentar a pressão
arterial (PA) e a pressão arterial média (PAM) por vasoconstrição, o aumento da resistência
vascular sistêmica.
– Recomendação: 1mg a cada 3 a 5 min; A via endotraqueal não é mais recomendada, mas se
for a via obtida, a dose deve ser aumentada em dez vezes (0,1 mg/kg ou 0,1 mL/kg de 1:1.000).
– Ritmos chocáveis: deve ser administrada após o segundo choque;
– Ritmos não chocáveis: deve ser administrada imediatamente.
– Precauções: podem ocorrer isquemia tecidual e necrose se houver infiltração pelo uso
endovenoso periférico. As catecolaminas são inativadas por soluções alcalinas (não misture com
bicarbonato de sódio). Doses altas podem causar vasoconstrição excessiva, taquicardias,
arritmias ventriculares e HAS.
Em ritmos chocáveis, além da adrenalina (epinefrina) são utilizadas as seguintes drogas:

 AMIODARONA: antiarrítmico da classe III que age prolongando a duração do potencial de ação e o
período refratário efetivo. Também diminui a frequência sinusal; prolonga o intervalo QT; e inibe os
receptores alfa e beta-adrenérgicos não competitivamente. Ela atua bloqueando os canais de
potássio das células auto excitáveis do coração, esse efeito permite que as células cardíacas sejam
capazes de reestabelecer o ritmo normal de contração do coração.
– Deve ser considerada durante RCP e após terapia vasopressora (adrenalina);
– Recomendações: ritmos de TVSP e FV, 1ª dose (de ataque) de 300mg e 2ª dose de 150mg.
– Precauções: Monitorizar o ECG e a pressão arterial. Pode causar hipotensão arterial,
bradicardia, assistolia, intervalo QT prolongado e torsades de pointes (forma específica de TV
polimórfica em pacientes com um intervalo QT longo, caracteriza-se por complexos QRS
irregulares e rápidos que parecem se contorcer em torno da linha de base do ECG).

 LIDOCAÍNA: Antiarrítmico da classe IB que age aumentando o limiar de estimulação elétrica do


ventrículo e do sistema Hiss-Purkinje, estabilizando a membrana cardíaca e reduzindo a
automaticidade. Reduz a PIC por inibição dos canais de sódio nos neurônios, que reduzem a
atividade metabólica.
– Deve ser considerada durante RCP e após terapia vasopressora (adrenalina);
– Recomendações: ritmos de TVSP e FV e sequência rápida de intubação para proteção da PIC,
1ª dose = 1 a 1,5mg/kg e 2ª dose = 0,5 a 0,75mg/kg.
– Precauções: Monitorizar a pressão arterial e o ECG. Pode causar convulsões (altas
concentrações), hipotensão arterial sistêmica, depressão miocárdica, bradicardia, bloqueio
cardíaco, arritmias e parada cardíaca. Não usar se houver batimentos de escape ventricular de
complexo largo com bradicardia e em BAV avançado.
Quando diagnosticado a causa, outras medicações podem ser usadas durante a PCR para tratar
a causa:

• Gluconato de Cálcio – para tratar hipocalcemia e hipercalemia;


• Bicarbonato de sódio – para tratar acidose;
• Glicose – para tratar hipoglicemia;
• Sulfato de magnésio – para tratar hipomagnesemia ou torsades de pointes;
• Fibrinolíticos (estreptoquinase(SK), alteplase(t-PA) e etc.) – para tratar IAM (com supra ST),
TEP;
• Potássio – para tratar hipocalemia.
• Entre outros.

ALGORITMO DA PCR

RITMO CHOCÁVEL
RITMO NÃO CHOCÁVEL

INFORMAÇÕES IMPORTANTES SOBRE A RCP NO APH

Medicamentos durante a PCR: A administração de medicamentos não pode comprometer as


compressões torácicas de alta qualidade, nem retardar a análise do ritmo e a desfibrilação imediata,
quando indicada. O uso destes medicamentos segue o algoritmo do Suporte Avançado de Vida
(adrenalina, amiodarona e lidocaína).

Cuidados pós-PCR: Após retorno da circulação espontânea, devemos preparar o paciente para o
transporte adequado para o hospital correto, com capacidade de realizar intervenções para pacientes
com SCA (síndrome coronariana aguda), cuidados neurológicos e terapêutica com hipotermia.

Acesso endotraqueal: Realizado apenas com tubo orotraqueal.


Podem ser administradas as drogas: “NAVEL” (naloxona, atropina,
vasopressina, epinefrina (adrenalina) e lidocaína). Os medicamentos
administrados pela via endotraqueal devem alcançar a árvore
brônquica através do tubo endotraqueal. Cuidados nessa via:
– Diluir a medicação em 10 ml de solução salina e depois instila-las
no tubo;
– Utilizar a dose dobrada habitual do medicamento;
– Durante a administração da droga deve ser interrompida a massagem cardíaca;
– Após a administração, deve-se ventilar o paciente por 5x consecutivas em um bom volume
corrente.

Quando devemos interromper os esforços e declarar morte: No Brasil, somente médicos


podem interromper as manobras de RCP e declarar óbito, exceto em situações que existam sinais
de morte evidente (rigidez cadavérica, decaptação, carbonização e esquartejamento).
Equipes de SBV devem manter as manobras de RCP até a chegada da equipe de SAV ou
transportar para o pronto-socorro, até avaliação de um médico. Apesar de não ser recomendado o
transporte de pacientes sem pulso, nesta situação, faz-se necessário, por conta da legislação
brasileira.
A equipe de SAV deve interromper as manobras de RCP se o a paciente apresentar ritmo de assistolia
refratária a todas as intervenções que foram descritas. Não existe regra de quanto tempo devem ser
mantidas as manobras e a equipe de SAV deve considerar: o tempo de PCR e o tempo resposta da
primeira equipe; se a PCR foi assistida ou não pelo solicitante; se foram iniciadas manobras de RCP
antes da chegada da equipe de primeira resposta; o ritmo inicial da PCR e se houve choque indicado;
a existência de doenças prévias e outros dados que podem orientar a equipe em relação ao prognóstico
e a continuidade ou não da manobras de RCP.
Recentemente, o uso da EtCO2 (end tidal-CO2: medida do CO2 ao final da expiração) foi incorporado
como variável auxiliar na decisão de cessar os esforços. A falha em atingir pelo menos 10 mmHg após
20 minutos de RCP é um indicativo de que não haverá retorno à circulação espontânea.

OBSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS POR CORPO ESTRANHO – OVACE


Entende-se por obstrução de vias aéreas toda situação que impeça total ou parcialmente o trânsito
de ar ambiente até os alvéolos pulmonares. Aspiração de corpo estranho, geralmente, localizado na
laringe ou traqueia. Uma vítima pode desenvolver obstrução de vias aéreas devido a causas
intrínsecas (obstrução das vias aéreas por relaxamento da língua) ou extrínsecas (aspiração de corpo
estranho, alimentos e outros).
No Brasil, a OVACE é a terceira maior causa de acidentes seguidos por morte, em crianças e lactentes.

→ Classificação da Obstrução:
Obstrução leve – existe passagem de ar, e a vítima é capaz de tossir. Enquanto houver uma troca
gasosa satisfatória, o socorrista deve encorajar a vítima a persistir na tosse espontânea e nos esforços
respiratórios, pois a tosse promove a saída de ar dos pulmões, estimulando a expulsão do objeto que
está causando a obstrução.
Obstrução severa/total: vítima consciente ou inconsciente, não consegue respirar ou apresenta ruídos
à respiração e/ou tosse silenciosa.
Os sinais de obstrução grave (total) das vias aéreas incluem:

– Incapacidade de respirar, tossir e falar, cianose de lábios e extremidades, indicando que não há
passagem de ar.

– A vítima pode fazer o sinal universal da asfixia (segurando o pescoço com


uma ou ambas as mãos) ou apenas apontar com as mãos voltadas para o
pescoço, indicando que está engasgada e precisa de ajuda.

– Em caso de obstrução grave das vias aéreas em vítima consciente, deve-se


utilizar a manobra de Heimlich. Esta manobra (impulso abdominal) eleva o
diafragma e aumenta a pressão na via aérea, forçando a saída de ar dos
pulmões, suficiente para criar uma tosse artificial e expelir um corpo estranho.

❖ CONDUTAS DE ENFERMAGEM NA OBSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS

→ Obstrução leve:
1. Acalmar o paciente;
2. Instruir o paciente a realizar tosses vigorosas;
3. Se possível, monitorar oxigenação;
4. Se possível, suplementar oxigênio;
5. Não colocar a mão na boca do paciente enquanto ele mostrar-se nervoso;
6. Em casos de obstrução por espinha de peixe, retirar com pinça.
→ Obstrução grave com responsividade: Manobra de Heimlich
1. Posicionar-se de pé atrás do paciente;
2. Abraçá-lo na altura da crista ilíaca;
3. Posicionar uma mão com o punho cerrado abaixo do apêndice
xifoide e a outra espalmada sobre a primeira;
4. Realizar compressões rápidas e firmes, para dentro e para cima, em
movimento que lembre um J;
5. Repetir manobra até sucesso na desobstrução ou até o paciente perder
a consciência.

Se a vítima estiver grávida ou for obesa, aplique compressões torácicas, ao


invés de compressões abdominais. Se a vítima for menor que o socorrista,
o mesmo deve posicionar-se de joelhos atrás da vítima e realizar a manobra.
Em bebês:
1. Coloque o bebê de bruços apoiando no antebraço, com a cabeça mais
abaixada que o corpo, tendo o cuidado de manter a boca do bebê aberta;
2. Aplique cinco tapas no meio das costas do bebê e entre os ombros (na região
entre as escápulas), com o “calcanhar da mão” (região hipotênar);
3. Vire o bebê com a barriga para cima, mantendo a inclinação e realize 5
compressões no meio do tórax do bebê (logo abaixo da linha imaginária
traçada entre os dois mamilos) com os dedos indicador e médio.
4. Repita esse ciclo até que o bebê desengasgar.
5. Se não houver reação ou se o bebê perder a consciência inicie RCP.

Em vítimas inconscientes:
1. Posicionar o paciente em decúbito dorsal em uma superfície rígida;
2. Acionar o serviço de emergência (solicitando que alguém faça ou ligando pelo viva voz);
3. Diante de irresponsividade, ausência de pulso e respiração, deve-se iniciar RCP;
4. Cada vez que o socorrista abrir vias aéreas, deve realizar a inspeção visualizando a cavidade oral
e remover o corpo estranho, se visível e alcançável (com dedos ou pinça). Evite varredura digital
às cegas e não retarde as manobras;
5. Caso pulso esteja presente, realize compressões torácicas com o objetivo de remover o corpo
estranho;
6. Caso o corpo estranho não possa ser localizado, realize insuflação. Se o ar não passar ou tórax
não expandir, reposicione a cabeça e repita o processo.
7. Em casos de insucesso no momento da insuflação
no meio extra hospitalar, mantenha compressões
torácicas até expulsão do corpo estranho ou caso
evolua para PCR, realizar manobras de RCP. Assim
que possível, transportar para hospital. Em ambiente
intra-hospitalar, considerar cricotireoidostomia por
punção.

CONTROLE DE HEMORRAGIA
As hemorragias podem ser classificadas inicialmente em arteriais e venosas, e, para fins de primeiros
socorros, em internas e externas.
• Hemorragias Arteriais: É aquela
hemorragia em que o sangue sai em
jato pulsátil e se apresenta com
coloração vermelho vivo.
• Hemorragias Venosas: É aquela
hemorragia em que o sangue é mais
escuro e sai continuamente e
lentamente, escorrendo pela ferida.
• Hemorragia Externa: É aquela na qual o sangue é eliminado para o exterior do organismo, como
acontece em qualquer ferimento externo, ou quando se processa nos órgãos internos que se
comunicam com o exterior, como o tubo digestivo, ou os pulmões ou as vias urinárias.
• Hemorragia Interna: É aquela na qual o sangue extravasa em uma cavidade pré-formada do
organismo, como o peritônio, pleura, pericárdio, meninges, cavidade craniana e câmara do olho.

➢ Consequências das Hemorragias:


– Hemorragias graves não tratadas ocasionam o desenvolvimento do estado de choque e morte.
– Hemorragias lentas e crônicas (por exemplo, através de uma úlcera) causam anemia (ou seja,
quantidade baixa de glóbulos vermelhos).
– O sangramento é causa mais comum de choque em vítimas traumatizadas.

❖ QUADRO CLÍNICO
Varia com a quantidade perdida de sangue, velocidade do sangramento, estado prévio de saúde e
idade do acidentado.
→ Quantidade de sangue perdido: Quanto maior a quantidade perdida, mais graves serão as
hemorragias. Geralmente a perda de sangue não pode ser medida, mas pode ser estimada através
da avaliação do acidentado (sinais de choque compensado ou descompensado).

Quantidade de sangue perdido Alterações

Geralmente não causam alterações. São


Perdas de até 15% (aproximadamente
totalmente compensadas pelo corpo. Ex. doação
750 ml em adultos)
de sangue.
Geralmente causam estado de choque,
ansiedade, sede, taquicardia (com FC entre 100-
Perdas maiores que 15% e
120/min.), pulso radial fraco, pele fria, palidez,
menores que 30% (aproximadamente 750 a
suor frio, frequência respiratória maior que 20/min
1,5 L)
e enchimento capilar lentificado (maior que 2
segundos).

Levam ao choque descompensado com


hipotensão, alterações das funções mentais,
agitação, confusão ou inconsciência, sede
Perdas acima de 30%
intensa, pele fria, palidez, suor frio, taquicardia
(maiores que 1,5 L)
superior a 120/min., pulso radial ausente (queda
da pressão arterial), taquipneia importante e
enchimento capilar lento.

Perdas de mais de 50% do volume sanguíneo Choque irreversível, PCR e morte.


(normalmente, os humanos adultos possuem
em média de 4 a 6 litros de sangue.)

→ Velocidade: Quanto mais rápida as hemorragias, menos eficientes são os mecanismos


compensatórios do organismo. Um indivíduo pode suportar uma perda de um litro de sangue, que
ocorre em período de horas, mas não tolera esta mesma perda se ela ocorrer em minutos. Não pode
ser medida, mas pode ser estimada através de dados clínicos do acidentado.

A hemorragia arterial é menos frequente, mas é mais grave e precisa de atendimento imediato para
sua contenção e controle. A hemorragia venosa é a que ocorre com maior frequência, mas é de controle
mais fácil, pois o sangue sai com menor pressão e mais lentamente.
As hemorragias podem se constituir em condições extremamente graves. Muitas hemorragias pequenas
podem ser contidas e controladas por compressão direta na própria ferida, e curativo compressivo. Uma
hemorragia grande não controlada, especialmente se for uma hemorragia arterial, pode levar o
acidentado à morte em menos de 5 minutos, devido à redução do volume intravascular e hipóxia
cerebral (anemia aguda).

A hemorragia nem sempre é visível, podendo estar oculta pela roupa ou posição do acidentado, por
exemplo, uso de roupas grossas, onde a absorção do sangue é completa ou hemorragias causadas por
ferimentos nas costas quando o acidentado estiver deitado de costas. O sangue pode ser absorvido pelo
solo ou tapetes, lavado pela chuva, dificultando a avaliação do socorrista. Por este motivo o acidentado
deve ser examinado completamente para averiguar se há sinais de hemorragias.
Os locais mais frequentes de hemorragias internas são tórax e abdome. Observar presença de
lesões perfurantes, de equimoses, ou contusões na pele sobre estruturas vitais. Os órgãos abdominais
que mais frequentemente produzem sangramentos graves são o fígado, localizado no quadrante
superior direito, e o baço, no quadrante superior esquerdo. Algumas fraturas, especialmente as de bacia
e fêmur podem produzir hemorragias internas graves e estado de choque. Observar extremidades com
deformidades e dolorosas e estabilidade pélvica. A distensão abdominal com dor após traumatismo
deve sugerir hemorragia interna.
Algumas hemorragias internas podem se exteriorizar, por vezes hemorragias do tórax produzem
hemoptise (expectoração do sangue proveniente de trato respiratório inferior). O sangramento do
esôfago, estômago e duodeno podem se exteriorizar através da hematêmese (vômito com sangue), ou
dependendo do volume, através também de melena (evacuação de sangue). Neste caso as condutas
do socorrista visarão somente o suporte da vida, principalmente de via aérea e respiração, até o
hospital, pois pouco há o que se fazer.
A hemorragia recebe nomes conforme o lugar onde se manifesta ou o aspecto onde se apresenta. Tem
basicamente duas causas, espontânea ou traumática.
– No caso da espontânea, geralmente é o sinal de alarme de uma doença grave.
– A hemorragia causada por traumatismo é a mais comum nos ambientes de trabalho, e
dependendo da sua intensidade e localização, o mais indicado é levar o acidentado a um hospital,
porém em certos casos pode-se ajudar o acidentado, tomando atitudes específicas, como veremos
a seguir.

❖ CONDUTAS NO CONTROLE DE HEMORRAGIAS


O socorrista deve procurar primeiro por hemorragias visíveis, a fim de controlá-las. Caso não
existam evidências de hemorragia externa, deve-se suspeitar de hemorragias internas (pesquisar lesão
no tórax, abdome e pelve). Embora a hemorragia interna não seja tratada no ambiente pré-hospitalar,
a identificação facilita o acionamento do serviço médico de emergência.
O sangramento na fase pré-hospitalar pode ser causado por lesões que resultem em danos
“compressíveis” e/ou hemorragia não compressível (hemorragia interna). O sangramento compressível,
na fase pré-hospitalar, pode ser efetivamente tratado de forma direta, pela pressão manual,
aumentando a pressão extra luminal e reduzindo a pressão transmural (interna versus externa).

A avaliação da coloração da pele, da temperatura e da umidade contribui para estimar a


quantidade de sangue perdido.

MÉTODO COMPRESSIVO (PRESSÃO DIRETA)

Conter uma hemorragia com pressão direta usando um curativo simples,


é o método mais indicado. Se não for possível, deve-se usar curativo
compressivo; se com a pressão direta e elevação da parte atingida de modo
que fique num nível superior ao do coração, ainda se não for possível conter a
hemorragia, pode-se optar pelo método do ponto de pressão.

 PROCEDIMENTOS NO APH
1. Acionar o serviço de emergência (192 ou 193);
2. Identificar o local do sangramento;
3. Comunicar a vítima sobre o procedimento a ser realizado;
4. Expor a ferida (cortar roupas, se necessário);
5. Verifique rapidamente a presença de pulso e a perfusão distal;
6. Aplique compressão manual direta sobre o ferimento usando um pano limpo
ou gazes/compressas; caso não encontre um pano limpo que possa ser usado, o socorrista deve
usar seus dedos ou mãos (com luvas), para conter o sangramento, apertando forte de encontro ao
osso.
7. Eleve o membro afetado, de forma que a área lesionada fique acima do nível do coração, aplicando
este método simultaneamente ao da pressão direta. Não elevar o membro em caso de fraturas,
luxações ou de objetos empalados na extremidade.
8. Aplicar curativo compressivo utilizando bandagem triangular (imagem ao
lado), atadura de crepe ou material disponível para fixação.
– Ferimentos nas extremidades podem receber enfaixamento circular;
– Sangramentos no pescoço podem receber enfaixamento circular sob a
axila contralateral (imagem ao lado – camisa azul);

Demonstração
de curativo
compressivo.

9. Após aplicação do curativo compressivo, verifique a presença do pulso e da


perfusão distal;
10. Caso o sangramento persista mesmo com o curativo, em membros superiores ou inferiores,
considere o uso do torniquete.
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:

✓ A compressão direta deve ser a primeira opção técnica no controle das hemorragias externas;
✓ Caso haja indícios de sangramento sob o curativo, não remover o material utilizado
encharcado, aplicar um novo curativo sobre o primeiro exercendo maior pressão manual. (ou seja,
caso a compressa utilizada esteja encharcada de sangue, ela não deve ser removida, deve-se
colocar outra (s) por cima. Ao retirar a compressa que está em contato direto com o ferimento o
coágulo recém formado pode ser removido).
✓ Não remover objetos encravados. Nesse caso, a pressão deve ser aplicada em um dos lados do
objeto.
✓ Lesões no couro cabeludo requerem compressão ao longo das bordas do ferimento.
✓ Na presença de fraturas abertas ou afundamento craniano, a compressão deve ser realizada com
cuidado, seguida de enfaixamento apropriado.

CONTROLE DE HEMORRAGIAS EM CASOS DE OBJETOS INSERIDOS NO FERIMENTO


1. Não retire objetos do tipo fragmentos metálicos ou vidro, ou facas, que
estejam profundamente inseridos no ferimento. Mas devem ser retirados
da superfície do ferimento corpos estranhos que estejam mais ou menos
soltos;
2. Aplique pressão acima e abaixo do objeto inserido;
3. Coloque suavemente um pedaço de gaze ou atadura sobre o objeto e
sobre o ferimento;
4. Estabilize o objeto empalado no local encontrado com curativo apropriado.
5. Faça uma almofada em volta do ferimento, ela deve ser suficientemente
alta para impedir a pressão sobre o objeto inserido;
6. Utilize uma atadura elástica para manter a almofada no local devido. Não
envolva a atadura diretamente sobre o objeto inserido.
7. O objeto só poderá ser removido em ambiente hospitalar.

PONTOS DE PRESSÃO: são pontos onde as artérias são mais fáceis de serem encontradas.
Pressionando fortemente sobre estes pontos, pode-se conter uma hemorragia. Em casos particulares,
este método pode vir a ser temporariamente eficaz. A técnica do ponto de pressão consiste em
comprimir a artéria lesada contra o osso mais próximo, para diminuir a afluência de sangue na região
do ferimento.
– Em hemorragia de ferimento ao nível da região
temporal e parietal, deve-se comprimir a artéria
temporal contra o osso com os dedos indicadores,
médios e anular.
– No caso de hemorragia no membro superior, o
ponto de pressão está na artéria braquial,
localizada na face interna do terço médio do braço.
– No caso de ferimento com hemorragia no
membro inferior, o ponto de pressão é encontrado
na parte interna no terço superior, próximo à região
inguinal, que é por onde passa a artéria femoral.
Nesta região a artéria passa por trás dos músculos.
Deve-se usar uma compressão muito forte para
atingi-la e diminuir a afluência de sangue, além de
inclinar para frente, com o acidentado deitada e
pressionar com força o punho contra a região
inguinal. É importante procurar manter o braço
esticado para evitar cansaço excessivo e estar
preparado para insistir no ponto de pressão no caso de a hemorragia recomeçar.

ATENÇÃO: Ao comparar o uso da pressão direta no controle do sangramento com a pressão de pontos
específicos, elevação do membro, aplicação local de gelo, torniquetes e uso de bandagens
hemostáticas, concluiu-se que não há evidência para apoiar que o uso da pressão de pontos específicos
ou elevação do membro da lesão controle o sangramento externo.

MÉTODO COM TORNIQUETES

Indicação: sangramentos externos severos dos membros.

Em casos em que a hemorragia não pode ser contida pelos métodos de pressão
direta, curativo compressivo ou ponto de pressão, torna-se necessário o uso do
torniquete. O torniquete é o último recurso usado por quem fará o socorro, devido
aos perigos que podem surgir por sua má utilização, pois com este método
impede-se totalmente a passagem de sangue pela artéria.

Potenciais complicações, incluindo síndrome compartimental, lesão do nervo, comprometimento dos


vasos sanguíneos e amputação do membro, podem ocorrer relacionadas à pressão e à duração do uso
de torniquetes. As evidências, até o momento, são insuficientes para determinar o
tempo mínimo crítico para ocorrência de complicações irreversíveis.

Por isso, idealmente o torniquete não deve ficar por mais de 2h.

A utilização do torniquete pelo primeiro socorrista, independente do tipo,


seja pré-fabricado ou improvisado, exige treinamento.
 TÉCNICA DO TORINIQUETE
1. Exponha o ferimento;
2. Instale o dispositivo acima do ferimento (2 a 3 dedos acima) sempre na direção proximal,
não aplique sobre as articulações. Caso a lesão esteja próxima a uma articulação, posicione o
torniquete acima da articulação.
3. Aplicar força de compressão suficiente até produzir uma pressão que cesse completamente o
sangramento e o fluxo arterial distal:
– Com esfigmomanômetro: insuflar o
manguito;
– Com recurso adaptado: promover
compressão por garroteamento;
– Com dispositivo específico comercial:
seguir as orientações do fabricante
para o correto manuseio;
4. Caso não tenha o dispositivo, o torniquete pode ser improvisado: utilize um pedaço de tecido
(bandagem) com pelo menos 10 cm de largura, passe a tira de tecido ao redor do membro ferido,
duas vezes e dê meio nó.
5. Coloque um pequeno pedaço de madeira (vareta, caneta ou qualquer objeto semelhante) no meio
dó e dê um nó completo no pano sobre a vareta.
6. Aplique força no torniquete, girando a vareta;
7. É importante que se saiba da necessidade de afrouxar o torniquete gradual e lentamente a cada 10
ou 15 minutos, ou quando ocorrer arroxeamento da extremidade, para que o sangue volte a circular
um pouco evitando assim maior sofrimento da parte sã do membro afetado.
8. Se a hemorragia for contida, deve-se deixar o torniquete frouxo no lugar, de modo que ele possa
ser reapertado caso necessário.
9. É importante lembrar também de marcar e anotar por escrito, de preferência no próprio corpo do
acidentado, a hora da aplicação do torniquete.
10. É absolutamente contra indicado a utilização de fios de arame, corda, barbante, material fino ou
sintético na técnica do torniquete.

A hemorragia maciça não controlada adequadamente, reduz o volume sanguíneo na circulação,


produzindo em muitos casos o que é chamado de "Tríade Mortal" que é produzido pela obstrução da
microcirculação do corpo, daí a hipóxia do cérebro e dos órgãos. As principais complicações que
ocorrem são acidose, hipotermia e coagulopatia.

➢ Hemorragia Nasal (epistaxe)


A perda de sangue pelo nariz é uma emergência comum que geralmente resulta de um distúrbio local,
mas pode decorrer de uma grave desordem sistêmica. Pode ocorrer devido à:
– Manipulação excessiva no plexo vascular com rompimento dos vasos através das unhas;
– Diminuição da pressão atmosférica;
– Locais altos;
– Viagem de avião;
– Saída de câmara pneumática de imersão ou sino de mergulho;
– Contusão; corpo estranho;
– Fratura da base do crânio;
– Altas temperaturas; dentre outras.

 CONDUTA
1. Tranquilizar a vítima para que não entre em pânico;
2. Afrouxar a roupa que lhe aperte o pescoço e o tórax;
3. Sente a pessoa com a cabeça levemente inclinada para a frente, fazendo-a respirar pela boca,
evitando que o sangue reflua;
4. Verifique o pulso, se estiver forte, cheio e apresentar sinais de hipertensão, deixe que seja eliminada
certa quantidade de sangue;
5. Pressione com os dedos sobre a asa do orifício nasal de onde flui o sangue, por 10 min, para que as
paredes se toquem e, por compressão direta o sangramento seja contido;
6. Sempre que possível aplicar compressas frias sobre a testa e nuca;
7. Caso a pressão externa não tenha contido a hemorragia, introduzir um pedaço de gaze ou pano
limpo torcido na narina que sangra. Pressionar o local.
8. Encaminhe a vítima para local onde possa receber assistência adequada;
9. Em caso de contenção do sangramento, avisar o acidentado para evitar assoar o nariz durante pelo
menos duas horas para evitar novo sangramento.

➢ Hemorragia Interna
Devido ao grau de dificuldade de sua identificação, os casos de hemorragia interna são de alta
gravidade. Deve-se suspeitar de hemorragia interna se a vítima estiver envolvida em:
– Acidente violento, sem lesão externa aparente;
– Queda de altura;
– Contusão contra volante ou objetos rígidos;
– Queda de objetos pesados sobre o corpo.
Mesmo que, a princípio, o acidentado não reclame de nada e tente dispensar socorro, é importante
observar os seguintes sintomas:
• Pulso fraco e rápido;
• Pele fria;
• Sudorese (transpiração abundante);
• Palidez intensa e mucosas descoradas;
• Sede acentuada;
• Apreensão e medo;
• Vertigens;
• Náuseas;
• Vômito de sangue;
• Calafrios;
• Estado de choque;
• Confusão mental e agitação;
• "Abdômen em tábua" (duro não compressível);
• Dispneia (rápida e superficial);
• Desmaio

 CONDUTA
A conduta deve ser procurar imediatamente atendimento especializado, enquanto se mantém o
acidentado deitado com a cabeça mais baixa que o corpo, e as pernas elevadas para melhorar o retorno
sanguíneo. Este procedimento é o padrão para prevenir o estado de choque. Nos casos de suspeita de
fratura de crânio, lesão cerebral ou quando houver dispneia, a cabeça deve ser mantida elevada. Aplicar
compressas frias ou saco de gelo onde houver suspeita de hemorragia interna. Se não for possível,
usar compressas úmidas.

QUEIMADURAS
➢ Fisiologia:
A temperatura do corpo humano, em um determinado momento, é o resultado de vários agentes que
atuam como fatores internos ou externos, aumentando ou reduzindo a temperatura. Mecanismos
homeostáticos internos atuam para manter a vida com a constância da temperatura corporal dentro
de valores ideais para a atividade celular.
O equilíbrio entre ganho e perda de calor do corpo humano tem suas oscilações corrigidas sob controle
do centro termorregulador do cérebro (hipotálamo). Este controle é bastante limitado. Quando a
temperatura corporal atinge, por exemplo, valores entre 41,7º e 43,3ºC, não existe qualquer
possibilidade de regulação da perda de calor pois, neste caso, já ocorreu lesão no próprio aparelho
termorregulador.
O controle da temperatura pode ocorrer de maneira súbita, devido a reações inesperadas, ou
gradativamente, através de aclimatação. Quando a temperatura corporal tende a subir, devido a
fatores climáticos, ou devido ao aumento da atividade metabólica, as temperaturas superficiais do
corpo e da pele aumentam. O hipotálamo é automaticamente estimulado por sensores periféricos e
pela ação direta do sangue aquecido. O Sistema Nervoso Autônomo é ativado e se processam
inúmeras alterações fisiológicas:

– Aumento da frequência cardíaca, da frequência respiratória (para aumentar a perda de calor);


– Vasodilatação periférica;
– Vasoconstrição esplênica (baço);
– Aumento da produção de suor.
A perda de fluidos através do suor pode chegar, por exemplo, até a 4 litros por hora, numa pessoa
submetida a trabalhos pesados em temperaturas elevadas. O conteúdo de sal do suor aumenta de
0,2 a 0,5% com temperaturas elevadas.

O controle da temperatura é feito de maneira gradativa quando ocorre a aclimatação. Normalmente


um indivíduo leva de 8 a 10 dias exposto a temperaturas elevadas para se aclimatar, mesmo assim,
pode sofrer transtornos funcionais e clínicos se ocorrer fadiga; infecção grave; intoxicação alcoólica
ou por drogas alucinógenas; má hidratação; ingestão de sal ou de calorias. Pessoas com idades
avançadas ou obesas, e os indivíduos que sofrem de doenças debilitadoras crônicas são mais
suscetíveis a transtornos provocados pelo calor. Os problemas podem ocorrer devido à falência do
mecanismo de sudorese.
QUEIMADURA: são lesões na pele ou em outros tecidos mais profundos, provocadas pelo calor,
radiação, produtos químicos ou certos animais e vegetais, que causam dores fortes e podem levar a
infecções. Podem ter consequências drásticas ou não, a depender da área, da extensão e da
gravidade da lesão.
O efeito inicial e local, comum em todas as queimaduras é a desnaturação de proteínas, com
consequente lesão ou morte celular, por este motivo elas têm o potencial de desfigurar, causar
incapacitações temporárias ou permanentes ou mesmo a morte.
A pele é o maior órgão do corpo humano e a barreira contra a perda de água e calor pelo corpo,
tendo também um papel importante na proteção contra infecções. Acidentados com lesões extensas
de pele tendem a perder temperatura e líquidos corporais tornando-se mais propensos a infecções.
O fogo é o principal agente das queimaduras, embora as produzidas pela eletricidade sejam, de
todas, as mais mutilantes, resultando com frequência na perda funcional e até mesmo anatômica de
segmentos do corpo, principalmente dos membros.

❖ PRINCIPAIS CAUSAS DE QUEIMADURA

– Fogo ou chamas – ex.: lenha, aquecedores a querosene, álcool, gasolina ou outro líquido
inflamável, fogos de artifício e incêndio.
– Líquidos quentes/escaldantes – ex.: água fervente ou qualquer outro líquido muito quente (chá,
café, sopa, leite);
– Superfícies quentes (objetos e/ou metais quentes) – ex.:utensílios de cozinha ou ferros de
passar;
– Elétricas: queimaduras causadas por eletricidade, ex.: fios elétricos de alta tensão, tomadas
elétricas e descarga elétrica (raio);
– Produtos químicos em contato com a pele: derramamento de produtos químicos corrosivos ou
irritantes na pele. Ex.: produtos de limpeza de vaso sanitário domésticos, pesticidas, produtos
químicos de baterias.

❖ FISIOPATOLOGIA
A dor na queimadura é devido à estimulação direta e à lesão de nociceptores (terminações
nervosas conhecidas como “células da dor” que são responsáveis por fornecerem informações sobre
a lesão tecidual) presentes na epiderme e na derme. Além disso, a pele inicia um processoinflamatório
que libera inúmeros citocinas que sensibilizam e estimulam os nociceptores do local. Comisso a pele
fica ainda mais sensível a estímulos que, normalmente, não seriam dolorosos.

Funções da pele: ela isola o organismo de seu ambiente; protegendo-o contra a invasão de
microrganismos patogênicos; controla sua temperatura; retém os líquidos corporais e fornece
informações ao cérebro sobre as condições do ambiente externo, através de suas terminações
nervosas. Qualquer lesão desta superfície de revestimento permite a interrupção destas
funções. Quanto maiores forem as lesões causadas na pele, mais graves são as consequências
para o acidentado.
As manifestações locais mais importantes nas queimaduras são:
• Não há eliminação de toxinas (pois, não há suor);
• Formação de substâncias tóxicas;
• Perda de líquidos corporais;
• Destruição de tecidos;
• Infecção.

A gravida das queimaduras depende da porcentagem da área do corpo atingida.


• < 15% = portador de queimaduras.
• > 15% = grande queimado.
• > 40% da superfície do corpo atingida =
pode provocar a morte.
• > 70% = as chances de sobreviver são
mínimas.

O grande queimado é caracterizado por


hipovolemia com hemoconcentração, e pelo
intenso desequilíbrio hidroeletrolítico
decorrente da grande perda de líquidos
causada por ação direta da temperatura
ambiental sobre estruturas adjacentes à pele;
modificação da permeabilidade vascular; sequestro de líquidos, eletrólitos e proteínas na área
queimada. O quadro se agrava com a destruição das hemácias e infecção, que se instala
imediatamente ao trauma e, mais lentamente, nos períodos subjacentes. Estas alterações
fisiopatológicas são diretamente proporcionais à extensão da lesão e ao peso do acidentado.

❖ CLASSIFICAÇÃO DAS QUEIMADURAS

A gravidade das queimaduras está relacionada a profundidade da queimadura na pele, a extensão do


corpo que foi acometida, a importância das partes do corpo acometidas (áreas especiais), das
condições em que as queimaduras ocorreram e a fragilidade da pessoa queimada.

➢ Quanto a profundidade ou grau:

– 1º grau, da pele ou superficial: só atinge a camada mais superficial da pele, a epiderme,


causando vermelhidão ou coloração rosada. Também apresenta dor local suportável e aspecto
seco, não formação de bolhas. Ex.: queimaduras de sol ou de encostar no ferro ou em uma panela
quente.
– 2º grau, da derme ou superficial: atinge toda a epiderme e uma parte da derme (camada um
pouco mais profunda). Apresenta vermelhidão, dor local e pode ocorrer formação de bolhas.
– 3º grau ou profunda: atinge todas as camadas da pele (epiderme, derme e hipoderme) e outros
tecidos mais profundos, podendo chegar até os ossos. Apresenta ferida de coloração enegrecida,
branca marmórea ou vermelho cereja, é ressecada, dura e com pouca ou nenhuma dor a
palpação, pois há destruição das terminações nervosas da pele.

➢ Quanto a extensão ou severidade:


– Leve: < 10% da superfície corporal é atingida;
– Média: 10 a 20% da pele é atingida;
– Grave: > 20% do corpo queimado.

Outra classificação:

• GRAVES:
– Todo tipo de queimadura, de qualquer grau e extensão, se houver complicação por lesão do trato
respiratório.
– Queimadura de terceiro grau na face, mão e pé.
– Queimadura de segundo grau que tenha atingido mais de 30% da superfície corporal.
• MODERADAS:
– Queimadura de primeiro grau que tenha atingido mais de 50% da superfície corporal.
– Queimadura de segundo grau que tenha atingido mais de 20% da superfície corporal.
– Queimadura de terceiro grau que tenha atingido até 10% da superfície corporal, sem atingir face,
mãos e pés.

• LEVES:
– Queimadura de primeiro grau com menos de 20% da superfície corporal atingida.
– Queimadura de segundo grau com menos de 15% da superfície corporal atingida.
– Queimadura de terceiro grau com menos de 2% da superfície corporal atingida.

Duas regras podem ser utilizadas para “medir” a extensão da queimadura:

Regra da palma da mão: uma regra prática para avaliar a extensão das queimaduras pequenas ou
localizadas, é compará-las com a superfície da palma da mão da vítima, que corresponde,
aproximadamente a 1% da superfície corporal.

Regra dos nove: O cálculo da extensão do agravo é classificado de acordo com a idade. Nesta regra
é atribuído a cada segmento corporal o valor 9 (ou o múltiplo dele), que leva em conta a extensão
atingida, a chamada Superfície Corporal Queimada (SQC).
Para queimaduras maiores e mais espalhadas, usa-se a REGRA DOS 9%:
→ De frente:
> 9% = rosto;
> 9% = tórax;
> 9% = abdômen;
> 9% = perna direita;
> 9% = perna esquerda;
> 9% = os 2 braços;
> 1% = órgãos genitais;
> 55%= subtotal.

→ De costas:
> 9% = costas;
> 9% = abdômen;
> 9% = perna direita;
> 9% = perna esquerda;
> 9% = os 2 braços;
> 45% = subtotal;

▪ Adultos: 55% (frente) + 45% (costas) = 100% da área do corpo;


▪ Crianças: 59% (frente) + 41% (costas) = 100%;
▪ Bebês: 18% (MS) + 24% (MI) + 36% (tronco) + 21% (cabeça) + 1% = 100%

As queimaduras de mãos, pés, face, períneo, pescoço e olhos, quaisquer que sejam a profundidade
e a extensão, necessitam de tratamento hospitalar. A gravidade da queimadura será determinada pela
profundidade, extensão e a área afetada.

As condições que classificam a queimadura como grave, necessitando de atendimento médico o


quanto antes, são: extensão/profundidade maior do que 20% de SCQ em adultos;
extensão/profundidade maior do que 10% de SCQ em crianças; idade menor do que 3 anos ou maior
do que 65 anos; presença de lesão inalatória; politrauma e doenças prévias associadas; queimadura
química; trauma elétrico; áreas nobres/especiais; violência, maus-tratos, tentativa de autoextermínio
(suicídio), entre outras.

Qualquer queimadura circunferencial profunda pode causar complicações graves. No pescoço pode
causar obstrução de vias aéreas, do tórax restrição à ventilação pulmonar e nas extremidades,
obstrução à circulação.

As partes importantes do corpo acometidas (áreas especiais), que tenham risco de complicações
e maior gravidade das queimaduras: face; cabeça; pescoço; articulações; mãos e pés; e órgãos
genitais.
As pessoas com risco maior de complicações das queimaduras são os extremos de idades
como crianças e idosos e pessoas com doenças crônicas como diabetes, doenças cardíacas, em
tratamento de câncer e outras doenças, indicam maior gravidade das queimaduras.
Haverá gravidade quando as queimaduras de segundo grau superficial forem maiores que a extensão
de um braço e as profundas maiores que uma mão. Queimaduras em “grande parte do corpo” são
aquelas que acometem: um membro inteiro, uma área significativa das costas e/ou do tórax, a maior
parte de uma mão, a maior parte de um pé.
➢ Sinais de lesão por inalação (lesão das vias aéreas ou pulmões): tosse (com secreção escura
e/ou fuligem), garganta arranhando, dificuldade de respirar, dor ou rigidez torácica, cefaleias,
ardência nos olhos.
➢ Suspeitar de queimadura de vias aéreas superiores quando houver: queimadura da face,
sobrancelha queimada, pelos nasais queimados, queimadura na boca, escarro carbonáceo
(escuro), lábios inchados, rouquidão é um sinal precoce, estridor (ruído agudo semelhante ao da
foca) é um sinal tardio com 85% de obstrução, queimaduras em espaços confinados.

❖ MECANISMO DE LESÃO

→ Lesão térmica das vias aéreas: a inalação de fumaça é a principal causa de óbito precoce
(primeiras horas) após a queimadura.
A inalação de gases superaquecidos pode causar obstrução alta de vias aéreas por edema da
hipofaringe. Raramente ocorre lesão dos pulmões, pois a traqueia absorve o calor.
Intoxicação por monóxido de carbono (CO): é a complicação causada pela inalação de fumaça e a
causa mais comum de morte precoce em vítimas de incêndio. O Monóxido de Carbono se liga à
hemoglobina, formando a carboxi-hemoglobina e impedindo o transporte de oxigênio. A lesão
dos tecidos é provocada por falta de oxigênio. A morte ocorre por lesão cardíaca produzida pela falta
de oxigênio. A cianose não aparece e a coloração vermelho-cereja da pele e mucosas descrita como
um sinal clássico é raro. Quadro clínico das intoxicações por CO:
 PRIMEIROS SOCORROS – QUEIMADURAS TÉRMICAS
Estes tipos de queimaduras são causados pela condução de calor através de líquidos, sólidos,
gases quentes e do calor de chamas. Podem ser extremamente dolorosas e nos casos de
queimaduras de segundo grau profundas ou de terceiro grau, em que a profundidade da lesão tenha
destruído terminais nervosos da pele a dor aguda é substituída por insensibilidade. A dor e a
ansiedade podem evoluir para síncope. Nas queimaduras térmicas, extensas e/ou profundas, é
frequente sobrevir o estado de choque, causado pela dor e/ou perda de líquidos, após algumas horas.
Em consequência disto, devem ser tomadas as medidas necessárias para a prevenção.
❖ CONDUTAS GERAIS:
Afaste a vítima da fonte da queimadura – retire o elemento quente, ou em caso de queimaduras pôr
fogo, apague o fogo com extintor apropriado (use-o em locais/objetos, NUNCA em pessoas ou
animais) ou abafando-o com um cobertor, toalha ou casaco. Se uma pessoa estiver em chamas, ela
deve ser orientada a “PARAR, DEITAR E ROLAR” para apagar o fogo.
Resfrie a área da queimadura: lavagem com água limpa e corrente na temperatura ambiente. O
resfriamento interrompe a atuação do agente causador da lesão, alivia a dor, evita o aprofundamento
da queimadura (redução da lesão tissular). Ou com SF.0,9% em abundância.
Retire adornos como: anéis, relógios, pulseiras, brincos e etc. desde que não estejam aderidos a
pele, principalmente os que estiverem próximos da região da queimadura, para evitar bloqueio ou
diminuição da circulação local, pois minutos após a queimadura ocorre a formação de edema. Retirar
acessórios evita isquemias local e necrose. Não retire tecidos que estejam aderidos a lesão e nem
corpos estranhos que tenham ficado na queimadura após lavagem inicial.
Não aplique gelo no local: pois causa vasoconstrição e diminui a irrigação sanguínea local.
Não estoure bolhas formadas na lesão;
Não aplique medicamentos ou qualquer outra coisa na lesão: pomadas, cremes, unguentos e
outras substancias populares como pasta de dente, manteiga, pó de café, graxa, ervas, pomadas
caseiras e etc. Só utilize medicamentos prescritos pelo médico.
Em relação à cobertura da área queimada, estudos mostram resultados limitados em relação aos
benefícios de utilizar uma cobertura seca ou molhada, sendo razoável que se utilize uma cobertura
seca e estéril.

1º GRAU:
✓ Resfrie a área da queimadura: por aproximadamente 2 min.
✓ Não aplique gelo no local;
✓ Retire adornos;
✓ Se a vítima sentir sede, deve ser-lhe dada toda a água que deseja beber, porém lentamente. Não
dê água para uma vítima inconsciente.
✓ Mantenha o local da lesão limpo e protegido de infecções.

2º e 3º GRAU:
✓ Resfrie a área da queimadura: por aproximadamente 15 min;
✓ Lave a área cuidadosamente: com sabão neutro ou antisséptico que não seja álcool;
✓ Não coloque gelo sobre a queimadura;
✓ Proteja o local lesado: com compressa de gaze ou pano limpo e umedecido; Na queimadura de
terceiro grau, se for possível, proteja a área com papel alumínio, pois ele separa efetivamente a
lesão do meio externo e diminui a perda de calor, além de ser moldável e não aderente, ele protege
a queimadura contra microorganismo;
✓ Previna o estado de choque: com cobertores ou similares, coloque a vítima em posição
confortável, com as pernas elevadas. Ofereça líquidos se a vítima estiver consciente.
✓ Retire adornos: exceto os aderidos a lesão.
✓ Identifique possível estado ou iminência de choque: confusão, sonolência, pulso rápido,
sudorese, oligúria e hipotensão.
✓ Não envolva o acidentado em panos úmidos ou molhados;
✓ Não aplique medicamentos ou qualquer outra coisa na lesão;
✓ O curativo sobre a lesão deve permanecer durante 48h: após esse tempo, recomenda-se expor
a pele ao livre, para evitar infecções.
✓ Verifique sinais vitais: FC, FR, estado de consciência e caso a vítima esteja em PCR, acione o
serviço de emergência.
✓ Busque atendimento médico.
O acidentado de queimadura térmica na face, cujo acidente ocorreu em ambiente fechado, deve ficar
em observação para verificação de sinais de lesão no trato respiratório. Muitas vezes, os sintomas e
sinais aparecem algumas horas depois da ocorrência e representam oclusão dos brônquios e edema
pulmonar.
Situação de fogo de vestuário: agravam a severidade da lesão.
✓ Não deixe a vítima correr, instrua a vítima a deitar-se no chão e rolar;
✓ Abafe as chamas com um cobertor, tapete, toalha, casaco ou similar, para reduzir o contato da
chama com o O2 (comburente);
✓ Comece sempre pela cabeça em direção aos pés;
✓ Molhe a roupa do acidentado com água em temperatura ambiente. Não usar água se a roupa tiver
com gasolina, óleo ou querosene;

➢ QUEIMADURAS POR FRIO


A exposição a temperaturas no ponto de congelamento ou abaixo deste, ainda que por curto período
de tempo, pode causar lesão tecidual local delimitada e resfriamento corporal generalizado, inclusive
levando à morte. Lesões pelo frio dependem da temperatura, da umidade relativa do ar, da velocidade
do vento. Dependendo do tipo de exposição ao frio, podem ocorrer as seguintes lesões:
• Úlceras;
• Pé-de-trincheira ou de imersão (é uma condição grave que resulta de pés molhados por muito
tempo, causando bolhas e maceração nos pés);
• Hipotermia sistêmica (atentar-se para insuficiência cardiorrespiratória).

Deve-se ter cautela com o descongelamento de uma área lesada devido ao risco de infecção grave.
Em caso de congelamento dos pés ou das mãos:
– Leve a vítima para um local aquecido, mantendo-a deitado;
– Aqueça as partes congeladas com água quente (não fervente) ou panos molhados com água
quente, realizando massagens delicadas para ativar a circulação nas partes próximas do membro
congelado (nunca massagear diretamente a parte congelada).
– Dê bebidas quentes, como chá ou café, mas jamais bebidas alcoólicas.
– Peça a vítima que movimente os pés ou as mãos, visando à recuperação da circulação.
Observação importante: lembre-se de que a prestação de primeiros socorros começa após as
manobras de suporte básico à vida, hemostasia, prevenção de choque e assistência a outras lesões
que possam colocar em risco a vida do acidentado ou piorar seu estado clínico.
❖ QUEIMADURAS QUÍMICAS
As tentativas de neutralização química da substância podem gerar reações com produção de calor e
piora da lesão e que pode se contaminar ao fazer este atendimento. As lesões das queimaduras
ocasionadas por agentes químicos aparecem quase que imediatamente após o acidente; há dor e
visível destruição dos tecidos.
A área de contato deve ser lavada imediatamente com água, até mesmo sem esperar para retirar
a roupa. Continuar a lavar a área com água, enquanto a roupa é removida. A melhor lavagem é feita
com o acidentado debaixo de um chuveiro. Pode também ser feita com uma mangueira, mas, neste
caso, a força do jato d'água deve ser levada em consideração. O jato de água muito forte contra um
tecido já lesado causará maior lesão. O fluxo de água deve ser abundante, mas não pode ser forte. É
impossível determinar exatamente por quanto tempo uma área queimada por substância química deve
ser lavada com água. Em geral, a água deve correr por um período de tempo longo o suficiente para
que possamos ter certeza de que toda a substância foi removida da pele. Frequentemente, o
acidentado será capaz de dizer se a irritação parou ou se a dor diminuiu na medida em que a
substância é removida. O tempo mínimo de 15 minutos tem-se mostrado eficaz.
IMPORTANTE: Em casos raros, com determinados produtos químicos industriais (por exemplo, sódio
metálico), não se deve usar água, pois a reação com sódio pode ter caráter explosivo se entrar em
contato com a água.
Ao atender uma pessoa vítima deste tipo de acidente, deve-se retirar os restos de sódio empregando
pinças ou espátulas (de madeira ou plástico) completamente secas. A seguir, impregnar as regiões
com substância oleosa (vaselina líquida) a fim de eliminar os últimos restos de sódio e limpar com
água corrente abundante.
❖ QUEIMADURAS ELÉTRICAS

Estas queimaduras são produzidas pelo contato com eletricidade de alta ou baixa voltagem. Os
danos resultam dos efeitos diretos da corrente e conversão da eletricidade em calor durante a
passagem da eletricidade pelos tecidos, são difíceis de avaliar, pois dependem da profundidade da
destruição celular, e mesmo as lesões que parecem superficiais podem ter danos profundos alcançando
os ossos, necrosando tecidos, vasos sanguíneos e provocando hemorragias.

Os danos são causados por efeitos diretos da corrente elétrica sobre as membranas celulares e sobre
o músculo liso vascular. Danos estão relacionados a contrações musculares intensas (rabdomiólise e
fraturas ósseas) e liberação de catecolaminas.

→ Fatores que influenciam na gravidade do dano:


– Padrão da corrente elétrica (alternada ou contínua);
– Voltagem; magnitude da energia liberada; resistência à corrente elétrica pelos tecidos;
– Trajeto da corrente através do paciente; área exposta à passagem da corrente;
– Duração do contato;

O contato com a corrente elétrica alternada (habitualmente presente nas residências) pode causar
contrações tetânicas no músculo esquelético, o que faz com que a vítima permaneça estática, sem
conseguir se afastar da fonte de eletricidade. Neste contexto, falência miocárdica ou respiratória pode
causar morte imediata. A PCR pode ser causada por paralisia do sistema de controle respiratório
central ou dos músculos respiratórios ou pela passagem da corrente elétrica através do coração
em um período vulnerável (fenômeno R sobre T), precipitando a FV.
Embora o automatismo cardíaco seja capaz de reiniciar a atividade elétrica, na maioria dos casos, o
dano do sistema nervoso central leva a uma parada respiratória mais duradoura, que facilita uma
PCR secundária e FV por hipóxia. A mortalidade por eletrocussão por raios é alta, chegando a 30%.

O fluxo de corrente transtorácico, mão a mão, tem maior risco de ser fatal que a passagem de corrente
mão para pé ou pé a pé. As queimaduras elétricas podem ser mais graves do que aparentam na
observação inicial. Em geral, a ferida é pequena, porém a corrente elétrica destrói caracteristicamente
uma quantidade considerável de tecido abaixo do que parece ser uma ferida cutânea sem gravidade.

A PCR por fibrilação ventricular ou assistolia é a principal causa de óbito após a lesão elétrica. A
fibrilação ventricular pode ocorrer como resultado direto do choque elétrico, principalmente a corrente
alternada. A PCR causada por exposição à corrente contínua frequentemente é em assistolia. A parada
respiratória pode ser causada na passagem da corrente elétrica pelo cérebro causando inibição da
função do centro respiratório, contração tetânica do diafragma e da musculatura torácica e paralisia
prolongada dos músculos respiratórios.

 PRIMEIROS SOCORROS
– A segurança da cena é prioridade;
– Desligue a fonte de energia antes de tocar no acidentado
(desligando a chave geral de força, retirando os fusíveis da
instalação ou puxando o fio da tomada (desde que esteja
encapado);
– Se o item anterior não for possível, tentar afastar a vítima da
fonte de energia utilizando luvas de borracha grossa ou materiais isolantes,
e que estejam secos (cabo de vassoura, tapete de borracha, jornal
dobrado, pano grosso dobrado, corda, etc.), afastando a vítima do fio ou aparelho elétrico;
– Não tente manipular alta voltagem com pedaços de pau, ou mesmo luvas de borracha. Qualquer
substância pode se transformar em condutor. A prioridade é interromper o contato entre o
acidentado e a fonte de eletricidade.
– Cobrir o local da queimadura com um curativo seco esterilizado ou papel de alumínio e transporte
o acidentado para atendimento especializado.
– As queimaduras da pele, frequentemente existem em duas áreas do corpo, nos sítios de entrada
e saída, geradas pelo arco elétrico. Por isso, deve-se sempre procurar uma segunda área
queimada e tratá-la como se fez com a primeira.
– Se a vítima estiver em PCR, inicie RCP;
– As roupas do acidentado podem incendiar-se e causar queimaduras de pele adicionais.

A passagem da corrente através dos músculos pode causar violenta contração muscular com fraturas
e luxações. Pode haver lesão muscular e de nervos. A lesão de órgãos internos como o fígado e baço
é rara. As queimaduras elétricas, especialmente aquelas de alta voltagem, podem provocar parada
cardíaca e perda de consciência. Abrir as vias aéreas dos acidentados inconscientes com manobras
manuais, instituindo a respiração artificial. Solicitar imediatamente apoio se o acidentado estiver
inconsciente. Observar cuidados com a coluna cervical.

O manejo da via aérea pode ser difícil se ocorrerem queimaduras elétricas em torno da face e do
pescoço. A IOT precoce é necessária nesses casos.
DESMAIO

É a perda súbita, temporária e repentina da consciência, devido à diminuição de sangue e oxigênio no


cérebro. Automaticamente o cérebro reage com falta de força muscular, queda do corpo e perda de
consciência.

Principais causas: hipoglicemia, cansaço excessivo, fome, nervosismo intenso, emoções súbitas,
susto, acidentes (principalmente, o que envolvam perda de sangue), dor intensa, mudança súbita de
posição, ambientes fechados e quentes, disritmias cardíacas (bradicardia), doenças (tumores cerebrais
e etc).

Sintomas: fraqueza, suor frio, náusea (ânsia de vomito), palidez intensa, pulso fraco, hipotensão,
respiração lenta, extremidades frias, tontura, escurecimento da visão.

Fisiopatologia:
1. O estresse intenso ou uma forte emoção podem estimular o nervo vago, que dilata os vasos
sanguíneos e diminui a FC;
2. O fluxo sanguíneo, então, perde a força para vencer a gravidade e subir
adequadamente para a cabeça;
3. Com a diminuição da irrigação e, consequentemente, com menos oxigênio
disponível, o cérebro apela para o sistema de emergência e reduz seu
nível de consciência e o tônus muscular do corpo inteiro;
4. Ao perder os sentidos e cair a posição horizontal favorece a ida do sangue
para o cérebro.
5. Reabastecido ele logo retoma suas funções normais.

 PRIMEIROS SOCORROS
→ Se a vítima tiver acordada (consciente):
1. Sente-a e curve-a para frente;
2. Abaixe sua cabeça, colocando-a entre as pernas e faça leve pressão na
nuca para baixo (mantenha a cabeça mais baixa que os joelhos);
3. Ou deite a vítima e eleve suas pernas para facilitar o retorno venoso;
4. Faça a vítima respirar profundamente, até que passe o mal-estar;

→ Caso haja o desmaio (vítima inconsciente):


1. Se a pessoa estiver em pé, tente amparar a queda, evitando danos maiores;
2. Confira respiração e pulso para identificar uma possível PCR;
3. Se a vítima não estiver em PCR, mantenha-a deitada e eleve suas pernas acima do tórax;
4. Afrouxe suas roupas;
5. Mantenha o ambiente arejado;
6. Lateraliza a cabeça da vítima (para evitar sufocamento em
casos de vômito);
7. Após a vítima se recuperar, não permita que ela se levante
bruscamente (pois, isso pode ocasionar um novo desmaio).
Mantenha-a sentada por pelo menos 10 min.
8. Se o desmaio permanecer por mais que 2 min, acione o serviço
de emergência.

OBS: não ofereça cloro, álcool ou nenhum produto com cheiro forte
para pessoa cheirar, pois pode causar sufocamento. Não sacuda
a vítima e nem jogue água.
Após o desmaio: mantenha a vítima calma e faça algumas perguntas referente a alimentação.

✓ Ofereça algo açucarado.


✓ O sal, depois de um tempo, pode ajudar a elevar a pressão sanguínea;
✓ Sempre ofereça água.

ESTADO DE CHOQUE

O choque é definido pelo estado clínico resultante do suprimento inadequado de oxigênio aos tecidos
ou da inabilidade, dos tecidos, em utilizar, adequadamente, o oxigênio disponível. Este fenômeno
resulta em metabolismo celular alterado, morte celular e disfunção ou falha dos órgãos e sistemas.
Associa-se com hipoperfusão disseminada de tecidos e células, devido à redução do volume
sanguíneo, do débito cardíaco ou da redistribuição de sangue - o que resulta em volume circulante
efetivo inadequado. O choque apresenta etiologia multifatorial.

Estado de choque Principais causas Manifestações clínicas


Hemorrágicos:
• Trauma ou não trauma
(hemotórax, hematoma – Pressão de pulso reduzida;
retroperitoneal, perdas externas, – PA diastólica preservada;
Hipovolêmico hemorragia digestiva); – Volume sistólico do ventrículo
esquerdo reduzido;
Não hemorrágico: – Temperatura das
• Gastrointestinal; extremidades é fria.
• Diarreia e vômitos;
• Pancreatite;
• Queimadura, hipertermia.
• Séptico:
– Hipodinâmico;
– Hiperdinâmico; – Pressão de pulso aumentada;
– PA diastólica reduzida;
Distributivo • Síndrome de choque tóxico; – Volume sistólico do ventrículo
• Anafilático; esquerdo aumentado;
• Intoxicações agudas; – Temperatura das
• Neurogênico: extremidades é quente.
– Trauma raquimedular;
– Compressão de medula espinal;
– Anestesia espinhal/epidural;
Com edema pulmonar:
• Isquemia miocárdica, síndromes
coronarianas agudas, ruptura do
septo interventricular ou parede
ventricular; – Pressão de pulso reduzida;
Cardiogênico • Taquiarritmias; – PA diastólica preservada;
• Lesões valvares; – Volume sistólico do ventrículo
• Cardiomiopatias; esquerdo reduzido;
• Disfunção miocárdica na sepse; – Temperatura das
extremidades é fria.
• Intoxicação aguda por verapamil,
betabloqueadores;
Sem edema pulmonar:
• Infarto agudo do miocárdio de
ventrículo direito;
• Bradiarritmias;
• Embolia pulmonar;
– Pressão de pulso reduzida;
• Pneumotórax hipertensivo; – PA diastólica preservada;
• Tamponamento cardíaco; – Volume sistólico do ventrículo
Obstrutivo • Pericardite constrictiva; esquerdo reduzido;
• Cardiomiopatias; – Temperatura das
• Hipertensão pulmonar aguda; extremidades é fria.
• Obstrução de veia cava ou
tumores intratorácicos;

CAUSAS PRINCIPAIS

– Hemorragias intensas (internas ou externas);


– IAM;
– Taquicardia;
– Bradicardia;
– Queimaduras graves;
– Processos inflamatórios do coração;
– Traumatismo do crânio e traumatismo de tórax e abdômen;
– Envenenamentos;
– Choque elétrico;
– Picadas de animais peçonhentos;
– Exposição a extremos de calor e frio;
– Septicemia

SINTOMAS PRINCIPAIS
– Pele pálida, úmida, pegajosa e fria;
– Cianose das extremidades, orelhas, lábios e ponta dos dedos;
– Sensação de frio, pele fria e calafrios;
– Respiração rápida, curta, irregular ou muito difícil;
– Expressão de ansiedade ou olhar indiferente e profundo com pupilas dilatas, agitação;
– Medo (ansiedade);
– Sede intensa;
– Visão nublada;
– Náuseas e vômitos;
– Resposta insatisfatória a estímulos externos;
– Perda total ou parcial da consciência;
– Taquicardia.

 PRIMEIROS SOCORROS
Ao identificar sinais de que a vítima possa estar em estado de choque, deve-se providenciar assistência
medica especializada imediatamente → Acione o serviço de emergência. Existem algumas
providências que podem ser tomadas para evitar o estado de choque. Mas infelizmente não há muitos
procedimentos de primeiros socorros a serem tomados para tirar a vítima do choque. Providências que
devem ser memorizadas com o intuito permanente de prevenir o agravamento e retardar a instalação
do estado de choque:

➢ DEITAR A VÍTIMA:
✓ A vítima deve ser deitada de costas.
✓ Afrouxe as roupas da vítima no pescoço, peito e cintura e, em seguida, verifique se há presença
de prótese dentária, objetos ou alimento na boca e os retire.
✓ Os membros inferiores devem ficar elevados em relação ao corpo. Isto pode ser feito colocando-
os sobre uma almofada, cobertor dobrado ou qualquer outro objeto. Este procedimento deve ser
feito apenas se não houver fraturas desses membros; ele serve para melhorar o retorno sanguíneo
e levar o máximo de oxigênio ao cérebro.
✓ Não erga os membros inferiores da vítima a mais de 30 cm do solo.
✓ No caso de ferimentos no tórax que dificultem a respiração ou de ferimento na cabeça, os
membros inferiores não devem ser elevados.
✓ No caso de a vítima estar inconsciente, ou se estiver consciente, mas sangrando pela boca ou
nariz, deve-se deitá-la na posição lateral de segurança (PLS), para evitar asfixia.

POSIÇÃO LATERAL DE SEGURANÇA (PLS)

1. Deite a pessoa de barriga para cima e ajoelhe-se do seu lado;


2. Retire objetos que possam machucar a vítima, como óculos, relógios ou
cintos;
3. Estique o braço que está mais perto de você e dobre-o, formando um
ângulo de 90º, como mostra a imagem acima;
4. Segure a mão do outro braço e passe-a por cima do pescoço,
colocando-a junto do rosto da pessoa;
5. Dobre o joelho que está mais longe de você;
6. Rode a pessoa para o lado do braço que está apoiado no chão;
7. Incline a cabeça ligeiramente para trás, para facilitar a respiração.
Esta técnica nunca deve ser aplicada em pessoas com suspeita de lesões graves na coluna vertebral,
como acontece nas vítimas de acidentes de carro ou de queda de grande altura, pois isso pode agravar
possíveis lesões que existam na coluna.
É importante observar a vítima até o socorro chegar, caso ela pare de respirar e apresente pulso
ausente, deve voltar a deitá-la de barriga para cima e iniciar as manobras de RCP.

➢ RESPIRAÇÃO e PULSO: enquanto executa a ação anterior deve verificar quase que
simultaneamente se a vítima respira. Caso a vítima pare de respirar, inicie a oferta de ventilação.
Avalie também o pulso, no choque a vítima apresenta pulso rápido e fraco (Taquisfigmia);

➢ CONFORTO: Dependendo do estado geral e da existência ou não de fratura, a vítima deverá ser
deitada da melhor maneira possível. Isso significa observar se ela não está sentindo frio e perdendo
calor. Se for preciso, a vítima deve ser agasalhada com cobertor ou algo semelhante, como uma lona
ou casacos. Permaneça em vigilância junto à vítima para dar-lhe segurança e para monitorar
alterações em seu estado físico e de consciência.

CONVULSÃO

A crise epiléptica é uma ocorrência transitória de sinais e/ou sintomas devido à atividade neuronal
excessiva e anormal. Já a epilepsia é um distúrbio cerebral caracterizado por uma predisposição em
gerar crises epilépticas e, por consequência, neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais desta
condição.

Convulsão → é a contração involuntária da musculatura, que provoca movimentos desordenados,


repetitivos e rápidos por todo o corpo, podendo ser acompanhada ou não pela perda da consciência.
As convulsões acontecem quando há um aumento excessivo e desordenado da atividade elétrica das
células neurais.

Causas:
Além da epilepsia, há outras causas de convulsão, como: hipoglicemia, lesão relacionada ao calor
(hipertermia), alcalose, hipocalcemia, edema cerebral, tumores, hemorragia intracraniana e
intoxicações (álcool, drogas alucinógenas, insulina e etc).

Sintomas:
– Queda repentina com perda da consciência;
– Olhar vago, fixo e/ou revirar dos olhos;
– Tremores descontrolados e involuntários;
– Ranger dos dentes;
– Midríase (dilatação da pupila);
– Lábios cianóticos;
– Baba ou espuma pela boca;
– Corpo rígido;
– Palidez intensa;
– Relaxamento esfincteriano (liberação de urina e fezes);

Geralmente os movimentos incontroláveis duram de 2 a 4 minutos, tornando-se, então, menos


violentos e o acidentado vai se recuperando gradativamente. Estes acessos podem variar na sua
gravidade e duração. Depois da recuperação da convulsão há perda da memória, que se recupera mais
tarde. O primeiro atendimento visa proteger o indivíduo de danos durante a crise.

 PRIMEIROS SOCORROS
– Mantenha-se calmo e explique às pessoas ao redor o que está acontecendo;
– Tente evitar que a vítima caia desamparadamente, cuidando para que a cabeça não sofra
traumatismo e procurando deitá-la no chão com cuidado, acomodando-a.
– Remova qualquer objeto que ofereça risco a vítima e afaste-a de locais e ambientes potencialmente
perigosos, como por exemplo: escadas, portas de vidro, janelas, fogo, eletricidade;
– Não interferir nos movimentos convulsivos, mas assegurar-se que a vítima não esteja se
machucando;
– Retire próteses dentárias moveis e eventuais detritos;
– Proteja e acomode a cabeça da vítima com um travesseiro ou outro material macio;
– Afrouxe as roupas da vítima no pescoço e cintura;
– Posicione o indivíduo de lado para evitar asfixia por vômitos ou secreções;
– Permaneça junto à vítima até a recuperação da consciência;
– Ao término da convulsão mantenha a vítima deitada até que ela recobre a consciência e explique o
que aconteceu;
– Observe a duração da crise convulsiva, caso seja superior a 5 minutos sem sinais de melhora, peça
ajuda médica (acione o serviço de emergência);

Após o episódio, o socorrista deve avaliar a respiração da vítima e, se necessário, manter a via
aérea pérvia (manobra de inclinação da cabeça - elevação do queixo) e colocar a vítima em posição
lateral de segurança, evitando, broncoaspiração.

Se a crise durar mais de 5 minutos, pode haver estado de mal epiléptico (crise epiléptica contínua
com duração superior a 30 minutos ou crises sequenciais sem recuperação da consciência entre elas),
sendo necessária a administração de medicações. Nesse momento, é fundamental a presença do
serviço médico de emergência.

Deve-se fazer uma inspeção geral da vítima, a fim de identificar possíveis ferimentos.

Caso a vítima sinta sono após a crise, não há problema em deixa-la dormir, o ideal é que ela durma na
posição lateral de segurança. A sonolência pós crise generalizada é normal, trata-se de um fenômeno
conhecido como “pós-ictal” que costuma ocorrer após a crise generalizada, é caracterizado por
sonolência, cefaleia, confusão e dor muscular.

O QUE NÃO FAZER:

✓ Não impeça os movimentos da vítima, não a segure ou a agarre.


✓ Não coloque a mão dentro da boca da vítima (inconscientemente a pessoa poderá mordê-lo);
✓ Não coloque nenhum objeto rígido dentro da boca da vítima;
✓ Não jogue água na vítima;

HIPERGLICEMIA
É uma situação caracterizada pela grande quantidade de açúcar circulante no sangue mesmo após
horas da refeição, sendo possível verificar valores acima de 180 mg/dL de glicose circulantes, e na
maior parte das vezes, está relacionada a Diabetes Mellitus pela regulação ineficiente da glicose
sanguínea pela insulina.

PRINCIPAIS SINTOMAS CLÍNICOS


• Xerostomia (ressecamento da boca);
• Polidipsia (sede excessiva);
• Fraqueza;
• Cefaleia;
• Visão turva;
• Nictúria;
• Poliúria;
• Fome excessiva;

 PRIMEIROS SOCORROS
– Se a pessoa apresentar os sintomas, ligue para 192 ou 193;
– Fique alerta para vômitos, caso aconteça, deite a pessoa de lado com o rosto virado para baixo;
– Caso a pessoa pare de respirar, inicie as compressões cardíacas.

 CONDUTA INTRA-HOSPITALAR
→ Administrar insulina EV:
A administração de insulina por bomba de infusão EV contínua é o sistema mais eficiente, seguro
e fácil para controlar a glicemia. Utiliza-se preferencialmente a insulina regular humana em soluções de
100 unidades diluídas em 100 mL de solução salina 0,9% (1 U/mL), com homogeneização do meio. A
meia vida curta da insulina EV, ao redor de 4-5 min, permite rápido controle de eventuais hipoglicemias,
tão logo se suspenda a infusão pela bomba. Recomenda-se também a utilização de acessos venosos
distintos para a infusão de soluções para hidratação, reposição eletrolítica e administração de
medicamentos, para que estes não sejam afetados numa eventual interrupção da infusão de insulina.

→ Monitorar a glicemia:
A frequência de monitorização deve obedecer tanto aos níveis absolutos como as oscilações glicêmicas.
De uma maneira geral, durante a infusão de insulina EV, devemos medir a glicemia a cada hora,
podendo este intervalo ser aumentado a cada 2 ou 3 horas, nos indivíduos com controle glicêmico dentro
do alvo, nas últimas 6 ou 12 horas, respectivamente.

→ Controlar a nutrição:
Os pacientes críticos se encontram em estado catabólico e, por diversas razões, com seu apetite
suprimido. Devemos, portanto, garantir um aporte de pelo menos 5-10 g/hora de glicose. Considerando
os objetivos propostos para os níveis da glicemia, nós recomendamos que o suporte nutricional no
paciente crítico em jejum seja preferencialmente por via enteral, introduzido gradualmente, evitando-se
a infusão de grandes quantidades de glicose intravenosa.

HIPOGLICEMIA
A hipoglicemia é caracterizada pela queda significativa dos níveis de glicose no sangue. É um estado
incomum em pacientes sadios, mas é a complicação mais frequente do tratamento da Diabetes Mellitus.
É potencialmente fatal e deve ser suspeitada quando a glicemia estiver menor que 70 mg/dL ou
quando o paciente apresentar alterações neurológicas, principalmente sonolência e rebaixamento de
nível de consciência.

Está frequentemente ligada a períodos de jejum prolongado em pacientes sadios, ao tratamento intensivo
(sobredose de insulina ou hipoglicemiante oral) e condutas inadequadas (omissão ou atraso de refeições,
exercícios prolongados) de pacientes portadores de DM. Outras possíveis causas são: etilismo;
infecções; desnutrição grave; insulinomas (tumores endócrinos que produzem insulina); insuficiência
hepática, renal ou adrenal.

PRINCIPAIS SINAIS E SINTOMAS CLÍNICOS


• Suor intenso;
• Palidez;
• Irritabilidade;
• Fome excessiva;
• Falta de concentração;
• Sonolência.

Podendo evoluir para: confusão mental; convulsão; torpor (mal-estar caracterizado pela diminuição
da sensibilidade e do movimento; entorpecimento); e coma.

 PRIMEIROS SOCORROS
O foco é aumentar os níveis de açúcar no sangue.
– Se a pessoa não for diabética, ofereça um copo de água com açúcar, balas ou mel para aumentar
a glicose;
– Caso seja diabética, pergunte se usa algum medicamento, dê o remédio e encaminhe para o
hospital;
– Se a pessoa desmaiar, ligue para 192 ou 193;
– Caso ela pare de respirar, inicie as compressões cardíacas.

 CONDUTA INTRA-HOSPITALAR
→ Paciente consciente
• Ingestão de alimentos contendo 15 g de carboidratos de absorção rápida (ex: um copo de suco de
laranja, um copo de refrigerante não diet, um copo de água com uma colher de sopa de açúcar);
• Repetir a glicemia capilar após 15 minutos da ingestão do carboidrato. Caso a hipoglicemia se
mantenha, o procedimento deve ser repetido da mesma forma;
• Após a correção do quadro é importante orientar o paciente para ingerir algum alimento que
contenha carboidrato complexo tal como pão, bolacha, massas, etc.

→ Paciente inconsciente
• Estabelecer acesso venoso e aplicar 20-40 ml de Glicose a 50% EV, manter acesso venoso com
soro glicosado a 5%;
• Repetir glicemia capilar após 5 minutos, se a hipoglicemia persistir, repetir a medicação;
• Na impossibilidade do uso de glicose IV, molha-se uma gaze em solução açucarada, prende-se a
um fio de sutura e coloca-se entre o lábio e os dentes anteriores inferiores.

ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO – AVE

O AVE é uma interrupção do fluxo sanguíneo cerebral que pode ser causado pelo acometimento da
vasculatura cerebral e alteração no fluxo sanguíneo. Pode ser ocasionado por um coágulo (isquêmico)
ou pelo rompimento de um vaso (hemorrágico).

AVE – ISQUÊMICO
Acomete 87% dos casos. É a oclusão vascular que causa hipoperfusão, em que o tecido fica sem
oxigenação, pode ocorrer pela presença de um coágulo obstruindo o vaso. Causa alterações estruturais
e funcionais, mas todo tecido isquêmico pode ser recuperado com uma intervenção oportuna. A
etiologia pode ser secundária a aterotrombose, embolia de origem cardíaca, infartos lacunares e
doenças nas pequenas artérias (arteríolas).

AVE – HEMORRÁGICO
Acomete 13% dos casos. Ocorre pelo extravasamento do sangue no encéfalo ou espaço subaracnóideo.
ATAQUE ISQUEMICO TRANSITÓRIO (AIT)
Bloqueio temporário do fluxo. É um déficit neurológico, geralmente com 1 a 2 horas de duração.
Manifesta-se por perda súbita das funções motora, sensorial ou visual.

❖ SINAIS E SINTOMAS
Vão depender da área acometida e da extensão da lesão.
– Dormência ou fraqueza ou paralisia da face, braço, perna, especialmente em um lado do corpo;
– Alteração do estado mental;
– Dificuldade de falar ou de compreender a fala (diplopia);
– Distúrbios visuais;
– Dificuldade de caminhar, tonturas ou perda do equilíbrio ou da coordenação;
– Cefaleia intensa súbita.

❖ ESCALA DE CINCINNATI
É uma escala utilizada no atendimento pré-hospitalar para identificar um possível AVE.
Em qualquer confirmação de alteração, deve-se acionar imediatamente o SAMU ou levar a vítima
ao hospital. Com alteração de apenas um parâmetro, já existe probabilidade de 72% de ocorrer um
AVE. Na presença dos 3, sobe para 85% de chance de um AVE estar acontecendo.

Quadro clínico comum: síncope, cefaleia intensa, dificuldade deambulação e na fala, e desvio da
comissura labial.

OBS: Uma outra possibilidade é pedir para o paciente manter a boca cheia de ar ou assobiar, para
fazer a avaliação.

❖ FATORES DE RISCO
Não modificáveis:
– Idosos, sexo masculino, baixo peso ao nascimento;
– Negros (por associação com HÁ maligna), história familiar de ocorrência de AVC;
– História pregressa de AIT, condições genéticas como anemia falciforme.
Modificáveis:
– Hipertensão arterial, tabagismo, diabetes mellitus;
– Dislipidemia, fibrilação atrial;
– Outras doenças cardiovasculares.
Grupo de Risco Potencial:
– Sedentarismo, obesidade, uso de contraceptivo oral, uso de cocaína e anfetaminas.
– Terapia de reposição hormonal pós-menopausa, alcoolismo;
– Aumento da homocisteína plasmática, síndrome metabólica por aumento da gordura abdominal.

 PRIMEIROS SOCORROS
– Ao reconhecer uma pessoa com AVE, ligue para 192.
– É possível realizar uma rápida avaliação pré-hospitalar através da aplicação de uma adaptação da
Escala de Cincinnati para APH - São os 4 passos SAMU, observe:
• S - Sorria: Peça para sorrir (observe se o sorriso é simétrico)
• A - Abrace: Peça um abraço (observe se os dois braços levantam)
• M - Mensagem: Peça para repetir uma frase (repare na dicção)
• U - Urgência: Ligue para o SAMU 192 (ao notar falha nos passos anteriores).
– Anotar o horário do início dos sintomas de AVE
– Caso ela esteja dormindo e começar a ter os sintomas, lembrar o último horário que a vítima estava
sã.
Caso chegue no local e a vítima já está desmaiada decorrente de um AVE:
✓ Cheque a respiração;
✓ Caso não haja pulso e a pessoa não esteja respirando, acione imediatamente o serviço de
emergência (192 ou 193) e inicie a RCP;
✓ Mantenha as manobras de reanimação até o socorro especializado chegue.

Na conduta intra-hospitalar é realizado o exame neurológico, que deve ser breve e direcionado,
através do uso das escalas específicas. Recomenda-se o uso da Escala de Coma de Glasgow para
avaliação do nível de consciência e a Escala de AVC do National Institute of Health (NIHSS), que avalia
dinamicamente a intensidade do déficit durante a evolução do AVC.

A confirmação diagnóstica pode ser feita por tomografia computadorizada de crânio (TC),
ressonância magnética (RM), angiografia, entre outros exames de imagem. A TC é o principal exame
para diagnóstico dos dois tipos de AVE, devido à sua maior disponibilidade e menor custo. Objetivo:
Detectar presença ou ausência de hemorragia, para diferenciar entre AVEI ou AVEH.

Após ser identificado o tipo de AVE, e caso seja isquêmico, é realizada infusão de trombolíticos para
dissolver o trombo seguindo critérios específicos para eleger se o paciente pode receber a terapia
trombolítica.
REFERÊNCIAS:

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