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Diversidade e Inclusão: Curso CNU 2025

O documento apresenta um curso sobre Diversidade e Inclusão, focando na proteção de grupos vulneráveis e na análise crítica de políticas públicas no Brasil. Aborda a importância da igualdade material e das ações afirmativas, além de discutir deveres específicos de proteção e obrigações positivas do Estado. O conteúdo é estruturado em aulas que cobrem temas como desigualdades, interseccionalidades e desafios sociopolíticos enfrentados por diversas minorias.
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Diversidade e Inclusão: Curso CNU 2025

O documento apresenta um curso sobre Diversidade e Inclusão, focando na proteção de grupos vulneráveis e na análise crítica de políticas públicas no Brasil. Aborda a importância da igualdade material e das ações afirmativas, além de discutir deveres específicos de proteção e obrigações positivas do Estado. O conteúdo é estruturado em aulas que cobrem temas como desigualdades, interseccionalidades e desafios sociopolíticos enfrentados por diversas minorias.
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CNU - Diversidade e Inclusão na


Sociedade - 2025 (Pós-Edital)

Autor:
Ricardo Torques

04 de Julho de 2025

01589081714 - JOAQUIM ALVES DIAS JUNIOR


Ricardo Torques
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Sumário

Proteção de Indivíduos e Grupos Vulneráveis ou Vulnerabilizados .................................................................. 3

Deveres Específicos de Proteção ....................................................................................................................... 6

Obrigações Positivas .......................................................................................................................................... 6

Devida Diligência (Due Dilligence)................................................................................................................... 7

Mandados de Criminalização em Matéria de Direitos Humanos....................................................................... 8

Quadros de Vulnerabilidade Juridicamente Reconhecidos: parâmetros internacionais e interamericanos ....... 9

Vulnerabilidade e Interseccionalidades............................................................................................................ 10

Resumo............................................................................................................................................................. 11

Questões Comentadas ...................................................................................................................................... 14

Lista de Questões ............................................................................................................................................. 24

Gabarito ............................................................................................................................................................ 28

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DIVERSIDADE E INCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Tenho a felicidade de apresentar a você o nosso Curso de Diversidade e Inclusão, voltado para o Concurso
Unificado Nacional, o CNU.

Para esse concurso, dada a natureza do concurso, o 1º CNU e a banca FGV, alguns pontos devem pautar as
questões:

Aprofundamento teórico com viés prático.

Articulação com o contexto histórico-social do Brasil.

Análise crítica de políticas públicas.

Interdisciplinariedade.

Pensamento analítico.

Conexão com temas atuais e vinculado a questão-problema.

Ao decorrer das aulas iremos estudar o seguinte ponto do edital:

4.1. Diversidade de sexo, gênero e sexualidade; diversidade étnico-racial; diversidade


cultural. 4.2. Desafios sociopolíticos da inclusão de grupos vulnerabilizados: crianças e
adolescentes; idosos; LGBTQIA+; pessoas com deficiências; pessoas em situação de rua,
povos indígenas, comunidades quilombolas e demais minorias sociais. 4.3. Desigualdades
e interseccionalidades.

A partir da ementa, algumas considerações:

Políticas públicas e ações afirmativas. São conceitos relevantes que devem ser compreendido sob
o enfoque dos direitos humanos.

Teorias da Justiça, como a de Rawls e Nancy Fraser. São conceitos teóricos, que vem justificar a
aplicação de políticas públicas.

Conceitos de dignidade, igualdade e não discriminação. Todo o estudo das vulnerabilidades,


perpassa pela compreensão corretas desses conceitos.

Intersecionalidades, com cotejamento de dados com o resultado de políticas públicas adotadas.

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Iremos adentrar esse tema por meio de diversas aulas, distribuídas, e disponibilizadas, da seguinte maneira:

Aula 1 4.3. Desigualdades e interseccionalidades. 05/07


Aula 2 4. Diversidade e inclusão na sociedade. 4.1. Diversidade de sexo, gênero e sexualidade; 08/07
Aula 3 4. Diversidade e inclusão na sociedade. diversidade étnico-racial; diversidade cultural. 11/07
Aula 4 4.2. Desafios sociopolíticos da inclusão de grupos vulnerabilizados: LGBTQIA+ 14/07
Aula 5 4.2. Desafios sociopolíticos da inclusão de grupos vulnerabilizados: crianças e adolescentes; 17/07

Aula 6 4.2. Desafios sociopolíticos da inclusão de grupos vulnerabilizados: idosos; 20/07

Aula 7 4.2. Desafios sociopolíticos da inclusão de grupos vulnerabilizados: pessoas com deficiências; 23/07
Aula 8 4.2. Desafios sociopolíticos da inclusão de grupos vulnerabilizados: pessoas em situação de rua; 25/07
4.2. Desafios sociopolíticos da inclusão de grupos vulnerabilizados: povos indígenas,
Aula 9 28/07
comunidades quilombolas
4.2. Desafios sociopolíticos da inclusão de grupos vulnerabilizados: demais minorias sociais.
Aula 10 31/07
Parte I: Refugiados e Migrantes
4.2. Desafios sociopolíticos da inclusão de grupos vulnerabilizados: demais minorias sociais.
Aula 11 03/08
Parte II: Egressos do Sistema Prisional.
4.2. Desafios sociopolíticos da inclusão de grupos vulnerabilizados: demais minorias sociais.
Aula 12 06/08
Parte III: Transtorno Mentais.
4.2. Desafios sociopolíticos da inclusão de grupos vulnerabilizados: demais minorias sociais.
Aula 13 09/08
Parte IV: Trabalhadores Informais e Subempregos.

Bons estudos!

PROTEÇÃO DE INDIVÍDUOS E GRUPOS VULNERÁVEIS OU


VULNERABILIZADOS
Historicamente, a igualdade formal é assegurada desde a Revolução Francesa (1789) e a Independência dos
EUA (1776) e representaram a vinculação do Estado à lei, com a garantia de direitos de liberdade, civis e
políticos.

O princípio da igualdade, nesse período, é genérico, não considerando as pessoas em suas especificidades.
Contudo, percebeu-se que assegurar a igualdade formal não era suficiente para que as pessoas fossem
respeitadas mesmo com suas diferenças e particularidades.

Houve, assim, com a expansão dos Direitos Humanos, uma ampliação dos direitos de igualdade, de modo
que se passou a defender a necessidade de garantir não apenas a igualdade formal, mas também a igualdade
material (substancial), a igualdade perante a lei. A igualdade material pressupõe a individualização do
sujeito. Vale dizer, consiste em considerar a pessoa nas suas relações concretas, assimilando suas diferenças.

Assim, a igualdade (formal) considera a pessoa em abstrato, sem levar em conta o sexo, a cor e a classe
social. Pela igualdade em sentido material pugna-se por um aparato normativo especial, endereçado aos
grupos de pessoas vulneráveis na sociedade, como forma de reequilibrar tais desigualdades. Diante disso,
surgem regras protetivas às mulheres, às crianças, aos idosos e às vítimas de discriminação racial.

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Pode-se, ainda, fazer uma diferenciação entre a igualdade na perspectiva da não discriminação (garantia da
diversidade) e da igualdade sob a perspectiva da inclusão.

São dois aspectos:

um de abrangência subjetiva, significando que uma pessoa ou grupo tem direito a ser protegido
contra a discriminação; e

um aspecto de política pública, consistindo na implementação de certas medidas temporárias


para a promoção do equilíbrio social dos grupos.

Historicamente, a igualdade foi compreendida primeiro como um dever de não discriminar, uma proibição
de discriminar. Esse princípio sofreu particular conformação teórica depois das experiências totalitárias e,
==26ee93==

no âmbito interno, depois do regime militar.

O objetivo da antidiscriminação é o de afastar toda e qualquer diferenciação injusta, especialmente aquelas


voltadas à subordinação de indivíduos ou grupos historicamente injustiçados e vítimas de preconceito.

Esse esforço antidiscriminação levou à formação de legislação própria para a proteção de certos grupos
sociais, além da criação de uma jurisprudência específica.

Por outro lado, as normas de direitos das minorias visam proteger um grupo discriminado específico, como
as mulheres ou as crianças, no entanto, as normas antidiscriminatórias têm, em regra, amplitude mais
ampla, protegendo todas as pessoas contra a discriminação.

Isso quer dizer que o direito antidiscriminação parte de uma visão universalista do ser humano, enquanto o
direito das minorias parte de um viés particularista.

Além disso, deve-se observar que a resposta jurídica que o direito antidiscriminação
oferece são medidas repressivas e condenatórias da discriminação, enquanto o direito
das minorias traz medidas especiais destinadas a melhorar o nível dos direitos humanos
dos grupos discriminados.

Assim, é possível fazer uma diferenciação entre dois tipos de direitos da igualdade: um direito das minorias,
consistente no conjunto de normas que estruturam uma política pública para a promoção da igualdade em
favor de grupos vulneráveis, e um direito antidiscriminatória, consistente nas regras proibitivas da
discriminação.

Além disso, é importante conhecer o conceito de discriminação indireta. Esse tipo de discriminação ocorre
no âmbito normativo. Uma norma tecnicamente neutra, isto é, uma norma que não elenca como fato
gerador da sua incidência qualquer característica pessoal dos jurisdicionados, pode, apesar dessa
neutralidade, ter um impacto desproporcional sobre a população, prejudicando algum grupo vulnerável.

Agora, vamos abordar as políticas de promoção da igualdade e vamos usar a desigualdade racial como
exemplo. De acordo com o art. 1º, VI, do Estatuto da Igualdade Racial, Lei n. 12.288/2010, ações afirmativas
são os programas e medidas especiais adotados pelo Estado e pela iniciativa privada para a correção das

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desigualdades raciais e para a promoção de igualdade de oportunidades. Esse conceito pode ser estendido
para abarcar qualquer programa ou medida especial que vise a correção de desigualdades em desfavor de
um grupo vulnerável.

Ações afirmativas também são conhecidas como discriminações positivas. São medidas efetivamente
discriminatórias na medida em que elas beneficiam um grupo social específico, mas são positivas, já que
promovem uma discriminação como forma de combate a outra discriminação negativa e excludente.

O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADC 41, relator o ministro Roberto Barroso, concluiu pela
constitucionalidade das ações afirmativas. O julgado reconheceu que as desequiparações promovidas pelas
políticas de ação afirmativa estão em consonância com o princípio da isonomia e se fundam na necessidade
de superar as discriminações estruturais e institucionais ainda existentes na sociedade brasileira como forma
de se garantir a igualdade material entre os cidadãos, para o que se exige a distribuição mais equitativa dos
bens sociais e a promoção do reconhecimento dos grupos vulneráveis.

Em relação aos direitos das minorias, é importante dar ênfase ao seguinte aspecto: as políticas públicas ou
ações afirmativas de inclusão são eminentemente temporárias.

Ora, a ideia de implementar medidas afirmativas em favor de grupos sociais vulneráveis parte do
pressuposto de que existe, efetivamente, uma situação de exclusão social, o que se manifesta, por exemplo,
pela menor taxa de inscritos negros em universidades públicas, o que justifica a existência de cotas como
forma de transição para uma situação social em que que a taxa de participação desse grupo nas
universidades públicas corresponda à presença dele na sociedade. Caso, no entanto, se perceba que esse
objetivo foi alcançado, que há uma correlação entre as taxas de participação nas universidades e na
sociedade, não mais se justificaria a existência da medida afirmativa.

Essa ideia está incorporada na Lei federal de cotas, Lei n. 12.711/2012, com as alterações promovidas pela
recente Lei n. 14.723/2023.

De acordo com o art. 7º-C da Lei n. 12.711/2012, incluído pela Lei n. 14.723/2023, deve ser adotada
metodologia para atualização anual dos percentuais de pretos, pardos, indígenas e quilombolas e de pessoas
com deficiência em relação à população das unidades da Federação após 3 anos da divulgação dos resultados
do censo do IBGE. A finalidade dessa atualização é justamente a de aferir a equivalência entre as taxas de
participação nas universidades em relação à participação na população, como forma não só de se verificar
se estão sendo alcançados os resultados pretendidos, mas também a fim de se avaliar a necessidade da
manutenção da política pública.

Para encerrar o ponto, vale tratar da teoria do impacto desproporcional. Trata-se de tese que foi firmada no
âmbito do STF ao envolver a potencialidade e os efeitos de medidas que – em tese colocam-se iguais – mas
que podem para determinados grupos vulneráveis trazer um impacto desproporcional.

São medidas decorrem de normas ou de práticas aparentemente neutras que, na prática, afetam
negativamente certos grupos vulneráveis ou historicamente discriminados.

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DEVERES ESPECÍFICOS DE PROTEÇÃO


Os deveres específicos de proteção são obrigações assumidas pelo Estado e pela sociedade como forma de
garantir a proteção dos direitos dos grupos vulneráveis.

Esses deveres específicos complementam a visão tradicional dos direitos humanos. Na visão tradicional, os
direitos humanos são direitos reconhecidos a todas as pessoas em razão de serem seres humanos – é a visão
universalista.

A concepção de que algumas pessoas têm direito a prestações específicas de proteção decorre da percepção
de que um reconhecimento meramente formal dos direitos humanos não é capaz de assegurar a plena
dignidade em igualdade de condições a todos. Alguns grupos vulneráveis precisam de uma proteção
específica para que possam participar da sociedade em plenitude em razão da existência de riscos específicos
que prejudicam essas pessoas.

OBRIGAÇÕES POSITIVAS
Conforme amplamente reconhecido pela doutrina, é possível identificar dimensões dos direitos
fundamentais e humanos.

Os direitos de primeira geração são as liberdades civis e se manifestam principalmente por um dever de
abstenção do Estado, um dever de não interferir na esfera privada dos indivíduos.

Já os direitos de segunda geração são direitos que demonstram a preocupação em se construir uma
sociedade específica em que sejam garantidas algumas condições materiais mínimas para os cidadãos. É
nesse momento que se pode falar em obrigações positivas do Estado, obrigações de prover condições
mínimas para uma vida com dignidade.

Nesse contexto surge a necessidade de construção de políticas públicas, abrangendo as etapas de concepção
da política, de provisão orçamentária e de execução.

Na medida em que essas políticas são essenciais para a concretização de direitos fundamentais, é possível
que se exija judicial a consecução dessas prestações.

Vamos mencionar, exemplificativamente, alguns dos pontos mais importantes a respeito do tema:

A cláusula da reserva do possível não é suficiente para impedir a concretização de


garantias constitucionais que constituem um mínimo existencial. Não cabe, por exemplo,
ao Estado negar atendimento no ensino fundamental a criança sob alegação de ausência
de vaga por dificuldade orçamentária.

O argumento da reserva do possível é ancora em:

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① limitação dos recursos disponíveis diante das necessidades infinitas a serem supridas;

② impossibilitum nulla obligatio est (obrigação impossível não pode ser exigida).

No que diz respeito ao segundo argumento especificamente, reforça-se a ideia de a


atuação do administrador é a vontade da maioria relevada. Assim, se determinado Prefeito
prefere dispor dos recursos para atender a festividades ao invés da educação escolar,
estaria atendendo à vontade da maioria.

Contudo, o mínimo existencial escapa destes argumentos e deve ser lido não apenas como
sinônimo de sobrevivência, mas como um conjunto de condições socioculturais que
garantam vida digna. Desse modo esse mínimo deve ser assegurado, apesar de qualquer
reserva do possível. Cite-se, por exemplo, entendimento do STF: insuficiência orçamentária
para atividades prioritárias: a real insuficiência para atendimento do mínimo existencial
requer demonstração com dados orçamentários e contábeis (AgRg no AREsp 790.767, DJe
14/12/2015).

O princípio da proibição do retrocesso visa garantir que a atuação do Estado vá no sentido


de ampliar os direitos humanos e de lhes assegurar a máxima efetividade, não se admitindo
a redação do âmbito de aplicação ou extinção de políticas públicas de proteção sem alguma
forma de compensação.

A primazia dos direitos humanos justifica a atuação do Poder Judiciário no sentido de


obrigar a Administração a executar obrigações de fazer específicas. É a faceta da
judicialização de políticas públicas e o ativismo judicial.

DEVIDA DILIGÊNCIA (DUE DILLIGENCE)


Devida diligência são procedimentos por meio dos quais se identifica, previne, mitiga e produz elementos de
accountability a respeito dos impactos negativos de uma atividade. A devida diligência é o padrão mínimo
de atuação esperada do Estado para proteger os direitos humanos.

Qualquer empreendimento público, mesmo sem caráter econômico, pode causar prejuízos aos direitos
humanos. Os riscos de danos devem ser identificados, prevenidos e mitigados, que é justamente o que o
procedimento de devida diligência busca concretizar.

O procedimento de devida diligência é composto basicamente das seguintes etapas:

Identificação de riscos: os riscos aos direitos humanos ocasionados por um


empreendimento devem ser identificados. Os riscos podem estar relacionados à
localização das atividades, ao setor social afetado, ao relacionamento com outras partes
interessadas, etc.;

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Prevenção de impactos negativos: os riscos reais ou potenciais devem ser prevenidos por
meio de medidas de controle. Essas medidas de prevenção podem consistir, por exemplo,
na adoção de códigos de conduta, na realização de treinamento para os funcionários e na
adoção de parcerias com organizações da sociedade civil, por exemplo;

Mitigação de impactos negativos: caso não seja possível contornar algum dano, ainda
assim é necessário que sejam adotadas medidas que mitiguem o impacto, como a
compensação às pessoas afetadas e a adoção de postura de colaboração com as
autoridades públicas; e

Prestação de contas: as partes responsáveis por um empreendimento devem prestar


contas das suas políticas de devida diligência, incluindo a publicação de relatórios, a
realização de auditorias sobre suas atividades e a abertura para diálogos com a sociedade
civil e com as autoridades públicas.

É importante saber que hoje é amplamente reconhecido o dever de se efetuar a devida diligência em relação
aos direitos humanos, não bastando um reconhecimento formal de direitos sem que haja um procedimento
efetivo de concretização dos direitos.

Há um exemplo relevante da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Velásquez Rodríguez vs.
Honduras (1988). O Estado Hondurenho foi responsabilizado internacionalmente pela violação de direitos
humanos mesmo quando não autor direto da violação, mas pela omissão.

A falta de uma devida diligência pode justificar a responsabilidade por violação de direitos humanos.

MANDADOS DE CRIMINALIZAÇÃO EM MATÉRIA DE


DIREITOS HUMANOS
Mandados de criminalização são normas que assumem o caráter de um compromisso assumido pelo Estado
de criminalizar uma certa conduta. É o Direito Penal como instrumento para promover os Direitos Humanos.

Os mandados de criminalização preveem matérias sobre as quais o Legislador ordinário deve instituir leis
criminais. Como os mandados de criminalização obrigam o próprio Legislador, inevitavelmente essas normas
devem constar da própria Constituição.

A estratégia de prever mandados de criminalização decorre da percepção de que não é possível, já em sede
constitucional, definir com precisão os tipos penais e que, no entanto, é necessário que uma certa conduta
seja punida.

Os mandados de criminalização se justificam como uma forma de garantia de suficiência da proteção penal,
ou seja, são normas que proíbem a proteção social deficiente.

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QUADROS DE VULNERABILIDADE JURIDICAMENTE


RECONHECIDOS: PARÂMETROS INTERNACIONAIS E
INTERAMERICANOS

As vulnerabilidades decorrem da situação de fragilidade ou de risco que determinadas pessoas ou grupos de


pessoas enfrentam para o exercício dos seus direitos. Trata-se de condição que pode decorrer de elementos
sociais, econômicos, políticos, jurídicos, físicos ou culturais.

Dada o regime jurídico adotado pela nossa Constituição – notadamente pelo seus fundamentos e objetivos
– busca-se combater essas fragilidades por intermédio de políticas públicas, dado que assegurar a todos a
igualdade em sentido abstrato, formal, não garante isonomia, a igualdade em sentido material.

A título exemplificativo, confira alguns tipos de vulnerabilidades:

Tipo Exemplo
Econômica Pessoas em situação de extrema pobreza.
Social Pessoas em situação de rua.
Jurídica Pessoas hipossuficientes sem acesso efetivo à justiça.
Física Crianças, idosos, pessoas com deficiência, mulheres.
Cultural Povos indígenas, comunidades tradicionais, religiões minoritárias

Reconhecida existência desses grupos, uma diferenciação adicional, faz-se necessária: a vulnerabilidade não
se dá apenas diante de minorias. Naturalmente, grupos minoritários, tem maiores dificuldades de organização
e representatividade política, o que pode dificultar a proteção de direitos básicos. É o que ocorre, por
exemplo, com pessoas com deficiência, com comunidades quilombolas, dentre outros. Nos casos mencionados,
dados do IBGE apontam que temos cerca de 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, representam
cerca de 7,3% da população. No que diz respeito às comunidades quilombolas, esse percentual é ainda
menor, cerca 0,65% da população, representando cerca de 1,4 milhão de pessoas.

Contudo, a vulnerabilidade também se faz presente diante de grupos majoritários, mas tipos distintos. Por
exemplo, hoje, pretos e pardos representam 55,5% da população brasileira, a maioria. 10,2% declaram-se
pretos; 45,3% declaram-se pardos. Do mesmo modo, em relação às mulheres, dados do IBGE indicam 51,5%
da população brasileira constituída por pessoas do sexo feminino. Não obstante, ainda assim, ostentam diante
do restante da população, dificuldade de acesso aos direitos, seja por questões relacionadas à nossa
formação cultural, compleição física e também devido ao processo colonizador.

Portanto, sempre que se reconhecer a determinado grupo (minoritário ou não!) dificuldade de acesso a bens
jurídicos outorgados constitucionalmente a todos de forma distinta perante aos demais, abre-se espaço para
formação de um grupo vulnerabilização que, por opção constitucional, merece atenção especial.

A atenção do Estado perpassa especialmente por ações estatais específicas e diferenciadas, como políticas
públicas, garantias de bens jurídicos diferenciados e adoção de medidas protetivas.

Reunindo os elementos acima todos, podemos concluir – de forma ampla – que as principais vulnerabilidades
estão nos seguintes grupos:

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VULNERABILIDADE E INTERSECCIONALIDADES
A discussão sobre vulnerabilidade e interseccionalidades é relevante para a proteção dos direitos mais
básicos, notadamente por reconhecer que as desigualdades afetam as pessoas de forma distinta.

Dado o conceito de vulnerabilidade, já estudado, podemos conectar o conceito de interseccionalidade.

A jurista norte-americana Kimberlé Crenshaw ao analisar múltiplas formas de discriminação e opressão (como
racismo, sexismo, capacitismo, LGBTfobia, pobreza, xenofobia) concluiu que essas vulnerabilizadas se cruzam
e geram experiências únicas e agravadas de exclusão.

Por exemplo, mulher negra e pobre pode sofrer discriminações diferentes (e mais intensas) do que aquelas
sofridas por uma mulher branca ou um homem negro — as opressões se somam e se entrelaçam.

Exemplos:

Situação Interseções envolvidas


Mulher indígena vítima de violência doméstica Gênero + etnia + isolamento geográfico
Jovem negro morador de periferia abordado pela Raça + classe + território
polícia
Travesti em situação de rua Identidade de gênero + pobreza + estigma social
Pessoa com deficiência em território quilombola Deficiência + etnia + barreiras institucionais

O cerne da questão das interseccionalidades está em identificar os denominados marcadores sociais da


diferença. A noção de marcadores sociais permite pensar no modo como algumas diferenças sociais passam
a ser operadas dentro de um regime de desigualdades, diminuindo as condições de existência para alguns
enquanto garante melhorias substanciais de existência para outros. Quando estamos falando de marcadores
sociais da diferença, estamos falando da necessidade de se construir um olhar interseccional sobre as
desigualdades.

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Marcadores sociais da diferença são compostos por raça, gênero, sexo, idade, classe, deficiência etc. e a
articulação dessas categorias, por meio de uma abordagem interseccional, que compreende a análise das
relações sociais em sua complexidade e pretende pensar como tais marcadores estão articulados na
prática social.

A abordagem interseccional exige do Estado e da sociedade respostas específicas e integradas para garantir
a igualdade material e não apenas formal, de modo demandar:

✓ Políticas públicas sensíveis às diferenças.

✓ Legislação e Judiciário capazes de considerar os marcadores múltiplos de desigualdade.

✓ Capacitação de agentes públicos para atendimento de populações com demandas interseccionais


(ex: saúde da mulher negra, proteção a LGBTs indígenas, etc.).

Por fim, registre-se que a discriminação interseccional também é conhecida como discriminação múltipla ou
discriminação agravada.

RESUMO
❍ A igualdade (formal) considera a pessoa em abstrato, sem levar em conta o sexo, a cor e a classe social.

❍ Pela igualdade em sentido material pugna-se por um aparato normativo especial, endereçado aos grupos
de pessoas vulneráveis na sociedade.

❍ Pode-se, ainda, fazer uma diferenciação entre a igualdade na perspectiva da não discriminação (garantia
da diversidade) e da igualdade sob a perspectiva da inclusão.

❍ O direito antidiscriminação parte de uma visão universalista do ser humano, enquanto o direito das
minorias parte de um viés particularista.

❍ O direito antidiscriminação oferece medidas repressivas e condenatórias da discriminação.

❍ O direito das minorias traz medidas especiais destinadas a melhorar o nível dos direitos humanos dos
grupos discriminados.

❍ Conceitos:

 preconceito: é uma atitude negativa dirigida a um grupo com base em características das
pessoas que o integram.
 estereótipo: é uma generalização sobre um grupo a partir de certas características dos seus
membros.

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 discriminação: é uma ação negativa dirigida ao membro de um grupo em razão da pertinência


da vítima ao grupo.
 discriminação indireta: uma norma tecnicamente neutra, isto é, uma norma que não elenca
como fato gerador da sua incidência qualquer característica pessoal dos jurisdicionados, pode, apesar
dessa neutralidade, ter um impacto desproporcional sobre a população, prejudicando algum grupo
vulnerável.

❍ Fundamentos do direito antidiscriminatório

 subjetividade jurídica: esse elemento enfatiza o fato de que a postura discriminatória é baseada
numa certa visão de mundo subjetiva adotada pelo discriminador

 racionalidade constitucional: no sentido de que o direito incorpora uma perspectiva racional


baseada na proteção de valores constitucionais como fundamento da proibição da discriminação.

 universalidade de direitos: esse elemento ressalta o fato de que os seres humanos, tão só em
razão de serem humanos, são dotados dos mesmos direitos, o que vai contra as concepções
discriminatórias.

❍ Ações afirmativas: são os programas e medidas especiais adotados pelo Estado e pela iniciativa privada
para a correção das desigualdades raciais e para a promoção de igualdade.

 O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADC 41 concluiu pela constitucionalidade das


ações afirmativas;

 As ações afirmativas, por que possuem viés corretivo, são temporárias.

❍ Segundo a teoria do impacto desproporcional há medidas decorrentes de normas ou de práticas que,


aparentemente neutras, na prática, afetam negativamente certos grupos vulneráveis ou historicamente
discriminados.

❍ São obrigações positivas que demandam ações concretas do Estado para a prevenção, proteção,
promoção e reparação a violações de direitos humanos, notadamente em relação a pessoas e grupos
vulnerabilizados.

❍ As obrigações positivas decorrem da necessidade de o Estado prover condições mínimas para uma vida
com dignidade.

 Não basta assegurar a sobrevida, mas vida em dignidade. Esses bens jurídicos formam o mínimo
existência, que está seguro contra o argumento da reserva do possível.

 O mínimo existencial está protegido também pela noção de proibição do retrocesso, que objetiva
garantir que a atuação do Estado vá no sentido de ampliar os direitos humanos e de lhes assegurar a
máxima efetividade, não se admitindo a redação do âmbito de aplicação ou extinção de políticas
públicas de proteção sem alguma forma de compensação.

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 Cabe não apenas ao Executivo assegurar o mínimo existencial, sendo admitida atuação judicial no
sentido de obrigar o Estado, notadamente em relação as políticas públicas compromissadas.

❍ Devida Diligência (Due Dilligence)

 são procedimentos por meio dos quais se identifica, previne, mitiga e produz elementos de
accountability a respeito dos impactos negativos de uma atividade.

Etapas

✓ Identificação de riscos

✓ Prevenção de impactos negativos

✓ Mitigação de impactos negativos

✓ Prestação de contas

 A falta de uma devida diligência pode justificar a responsabilidade por violação de direitos humanos.

❍ Mandados de Criminalização em Matéria de Direitos Humanos

 Mandados de criminalização são normas que assumem o caráter de um compromisso assumido


pelo Estado de criminalizar uma certa conduta.

 Inevitavelmente essas normas devem constar da própria Constituição.

 Forma de garantia de suficiência da proteção penal, ou seja, são normas que proíbem a proteção
social deficiente (Untermassverbot).

❍ As vulnerabilidades decorrem da situação de fragilidade ou de risco que determinadas pessoas ou grupos


de pessoas enfrentam para o exercício dos seus direitos.

 Trata-se de condição que pode decorrer de elementos sociais, econômicos, políticos, jurídicos, físicos
ou culturais.

 A vulnerabilidade não está presente apenas diante da falta de representatividade, vale dizer, não está
presente apenas quando se trata de minoria (pessoa com deficiência ou comunidades quilombolas), mas
também em grupos majoritários que história e culturalmente estão em posição de fragilidade (negros ou
mulheres).

 Grupos vulnerabilizados relevantes na realidade brasileira:

✓ Mulher;

✓ Negro

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✓ LGBTQIA+

✓ Idoso

✓ Pessoa com Deficiência

✓ Pessoa em Situação de Rua

✓ Povos Originários

✓ Quilombolas

✓ Migrantes

✓ Refugiados

✓ Apátridas

✓ Egressos do Sistema Penal

✓ ✓Pessoas com Transtornos Mentais

✓ Trabalhadores Informais e Sub-Empregados

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao final de mais uma aula.

Quaisquer dúvidas, sugestões ou críticas entrem em contato conosco.

Ricardo Torques

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QUESTÕES COMENTADAS
1. (2022/FCC/Recife-PE/Assistente Social) As ações afirmativas:
A) têm caráter temporário.
B) baseiam-se no princípio da igualdade formal previsto na Constituição Federal.

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C) devem ser aplicadas, simultaneamente, em relação a todos os grupos sociais vulneráveis, sob pena de
violar a isonomia existente entre eles.
D) são baseadas em critérios estritos de meritocracia.
E) dependem sempre de autorização legal para não configurarem discriminação negativa.

Comentários

A alternativa A é correta e é o gabarito da questão. As ações afirmativas são eminentemente temporárias,


buscando atingir um certo patamar de igualdade social.

A alternativa B é incorreta. Ações afirmativas se baseiam no princípio da igualdade sob o espectro material.

A alternativa C é incorreta. Admite-se a seleção de grupos mais vulneráveis como medida prática tendente
a garantir a efetividade das ações afirmativas.

A alternativa D é incorreta. As ações afirmativas são baseadas na vulnerabilidade de um certo grupo social.

A alternativa E é incorreta. Não se faz essa exigência, podendo inclusive entidades privadas adotarem ações
afirmativas independentemente de previsão legal.

2. (2018/FADESP/IF-PA/Educação-Pedagogia) As ações afirmativas podem ser definidas como


políticas públicas (e privadas) voltadas à concretização do princípio constitucional da igualdade material e
à neutralização dos efeitos da discriminação racial, de gênero, de idade, de origem nacional e de
compleição física. São exemplos de medidas que se constituem em ações afirmativas na educação:
A) políticas de valorização identitária e adoção de cotas de ingresso no ensino superior.
B) adoção de cotas raciais, institucionalização de conteúdos antirracistas e antidiscriminatórios no currículo
escolar.
C) combate à lgbtfobia na escola e adoção da educação “anti-racista e antidiscriminatoria”.
D) combate à lgbtfobia na escola e ações de enfrentamento ao racismo.
E) ações de enfrentamento ao racismo e adoção de políticas de valorização identitária.

Comentários

A questão exige o conhecimento da diferença entre o direito antidiscriminatória o direito da inclusão.

A alternativa A é correta e é o gabarito da questão. Tanto a política de valorização identitária quanto a de


cotas são ações afirmativas, pois fornecem benefícios a grupos sociais vulneráveis.

A alternativa B, C, D e E são incorretas. A institucionalização de conteúdos antirracistas e antidiscriminatórios


é medida de combate à discriminação, não se tratando de ação afirmativa, pois não são outorgados bens ou
serviços a uma classe vulnerável. O mesmo vale para o combate à lgbtfobia, para a adoção de educação
"anti-racista e antidiscriminatória" e para as ações de enfrentamento ao racismo.

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3. (2023/CESPE/MPE-AM/Promotor de Justiça Substituto) A respeito das ações afirmativas adotadas


pelo setor empresarial para a realização de programas de treinamento e aperfeiçoamento profissional
com oferta de vagas especificamente destinadas a grupos historicamente excluídos, assinale a opção
correta:
A) As iniciativas de empresas que buscam minimizar os impactos do racismo na sociedade pela adoção de
ações afirmativas consistentes em processos de seleção diferenciados contemplam, ainda que de forma
mediata, o princípio constitucional da função social da propriedade, que exige das empresas o devido
respeito aos deveres e às responsabilidades para com a comunidade em que atuam, cujos direitos e
interesses devem lealmente respeitar e atender.
B) A adoção de ações afirmativas fomenta o divisionismo, pois a mera desproporcionalidade no número de
empregados negros e brancos verificada no âmbito interno de uma empresa não é justificativa
suficientemente plausível e razoável para a adoção do processo de treinamento e aperfeiçoamento
profissional exclusivamente voltado a pessoas negras.
C) Ações afirmativas destinadas à concretização de objetivos e valores relativos à efetivação e à
materialização do princípio da igualdade no âmbito da iniciativa privada não encontram amparo legal no
ordenamento jurídico brasileiro e, por isso, não têm o condão de eliminar desigualdades sociais e étnicas
decorrentes de fatores históricos, sociais, econômicos, entre outros, pois cabe ao poder público adotar
políticas públicas de enfrentamento a essas desigualdades.
D) Ações afirmativas para pessoas negras no mercado de trabalho promovem racismo reverso, ou seja,
discriminação contra pessoas brancas, por isso o mais adequado seria promover um processo de seleção
sem possibilidade de identificação da cor/raça dos candidatos.
E) A falta de capacitação é o principal problema da população negra, o que acaba se refletindo na
desigualdade na ocupação de postos nas empresas; portanto, em vez de fomentar o divisionismo com ações
afirmativas, convém promover ações neutras, com oferta de qualificação profissional, para o enfrentamento
do cenário de ausência de pessoas pretas e pardas nos postos de comando nas esferas pública e privada.

Comentários

A alternativa A é correta e é o gabarito da questão. O exercício de atividade econômico por meio da


titularidade de empresa também é manifestação do direito de propriedade, o qual deve atender à função
social, inclusive por meio da adoção de medidas que beneficiem grupos sociais vulneráveis.

A alternativa B é incorreta. O entendimento que prevalece atualmente é o de que as ações afirmativas são
benéficas e não provocam divisionismo. O fato de que a política de cotas nas universidades públicas tem sido
aceita pelos estudantes e de que não há cisão social entre os estudantes beneficiados pelas cotas e os demais
comprova que essa política não gera divisionismo social.

A alternativa C é incorreta. Esse tipo de medida encontra amparo direto no princípio constitucional da
igualdade e há suporte legal no Estatuto da Igualdade Racial, o qual prevê que as ações afirmativas podem
ser adotadas por entidades privadas.

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A alternativa D é incorreta. As políticas de ação afirmativa podem ser consideradas discriminatórias, mas é
uma discriminação positiva. Não se pode falar em racismo, que daria a entender que haveria marginalização
do grupo social que já é beneficiado socialmente.

A alternativa E é incorreta. Já está demonstrado que as pessoas negras têm as mesmas capacidades que as
demais, o que é demonstrado pela aptidão das pessoas negras para exercerem cargos de liderança social.

4. (2021/FCC/DPE-AM/Defensor Público) Na doutrina do direito antidiscriminatório, estereótipos


são:
A) opiniões pessoais baseadas em crenças que expressam falsas generalizações sobre membros de grupos
sociais, para além de opiniões negativas em relação a certa classe de indivíduos.
B) avaliações sobre os membros de um segmento social baseadas em generalizações depreciativas que não
podem ser estendidas a todos por conta da variedade existente entre os seres humanos.
C) atitudes e emoções que implicam direta ou indiretamente uma postura de caráter negativo ou uma
antipatia em relação a integrantes de determinados grupos.
D) atitudes irracionais em relação a grupos de pessoas que não encontram base adequada porque expressam
conhecimento falso da realidade.
E) afastamento da norma moral de reconhecimento da humanidade de todas as pessoas, como fundamento
das interações humanas em uma sociedade democrática.

Comentários

A alternativa A é correta e é o gabarito da questão. Estereótipo é uma generalização sobre um grupo a partir
de certas características dos seus membros. O estereótipo pode ser positivo ou negativo.

A alternativa B é incorreta, pois não necessariamente o estereótipo é depreciativo.

As alternativas C e D são incorretas, pois o estereótipo é expresso por uma afirmação sobre um grupo, não
por atitudes ou emoções.

A alternativa E é incorreta. O estereótipo não necessariamente implica afastamento da moral.

5. (2023/FGV/TRF-1/Juiz Federal substituto) Considere um caso em que a União patrocina


financeiramente uma política de apoio a certa região do Brasil que está assolada por uma seca crônica. A
política adotada consiste em liberar o acesso das vítimas a um açude numa região vizinha para levarem
água gratuitamente. A política se destina a todas as vítimas da seca naquela região. O argumento central
é de que tal política seria discriminatória.

Em relação a tal caso, é correto afirmar que:


A) não existe discriminação, uma vez que a política é neutra porque trata todas as vítimas da seca de maneira
igualitária, sem impor ônus a nenhum grupo específico;

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B) a existência ou não de discriminação numa política pública é uma avaliação de natureza apenas moral e
não há base legal que permita a judicialização desse caso;
C) trata-se de um caso de discriminação direta, já que produziu distinção que teve como efeito restringir o
exercício, em igualdade de condições, de um grupo ao acesso à água;
D) é um caso de discriminação indireta, pois, apesar de ser uma política neutra, ela acarreta uma
desvantagem particular às pessoas que não possuem recursos para transportar a água;
E) a situação caracteriza-se como discriminação múltipla ou agravada, uma vez que acumula tanto a
discriminação direta quanto a discriminação indireta.

Comentários

A alternativa A é incorreta. Apesar de uma norma ser tecnicamente neutra, é possível que haja discriminação
indireta.

A alternativa B é incorreta. A existência de discriminação afronta o princípio constitucional da igualdade,


não se podendo afirmar que não há relevância jurídica.

A alternativa C é incorreta. Não há discriminação direta, a qual ocorre quando a própria norma designa um
grupo social específico como beneficiário. No caso, considerando-se o universo de beneficiários (os vitimados
pela seca), a norma não prevê preferência ou exclusão de qualquer outro grupo social de forma específica.

A alternativa D é correta e é o gabarito da questão. De fato, a norma produz uma discriminação indireta na
medida em que ela pressupõe que as vítimas tenham, de fato, a possibilidade de se locomover até a cidade
vizinha para recolher a água, o que pode não ser correto. Assim, a política deveria ser aprimorada para que
se forneça não só o acesso à água, mas os meios de transportar a água.

A alternativa E é incorreta. Discriminação múltipla, agravada ou interseccional é aquela que se dá em relação


às pessoas que pertencem a mais de um grupo discriminado. Não é o caso da questão, em que a
discriminação se dá em decorrência do impacto desproporcional sobre o grupo social que não tem maios de
transportar a água.

6. (2023/VUNESP/TJ-RJ/Juiz substituto) A respeito do Direito Antidiscriminatório, assinale a


alternativa correta:
A) A teoria da discriminação interseccional tem origem nas críticas recebidas por líderes de movimentos
minoritários que deduzem que tais grupos são homogêneos e que seus integrantes sofrem com a opressão
da mesma forma;
B) Pode-se afirmar que o Direito Antidiscriminatório é um subsistema do Direito Administrativo, encontrando
fundamento no princípio da legalidade;
C) A discriminação não pressupõe uma relação de hierarquia entre indivíduos e pode ocorrer entre sujeitos
pertencentes a um mesmo grupo;
D) São três os fundamentos jurídicos do Direito Antidiscriminatório: a objetividade jurídica, a racionalidade
constitucional e a universalidade de direitos;

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E) A discriminação indireta se dá quando uma norma tem um impacto desproporcionalmente negativo sobre
um dado grupo vulnerável, podendo tal norma ser neutra, no sentido da instituição responsável não ter a
intenção de prejudicar o grupo atingido.

Comentários

A alternativa A é incorreta. A discriminação interseccional ressalta justamente que algumas pessoas são mais
discriminadas em razão de participarem de mais de um grupo vulnerável.

A alternativa B é incorreta. O mais certo é dizer que o Direito Antidiscriminatório é um subsistema dos
Direitos Humanos ou do Direito Constitucional. Além disso, o fundamento desse Direito é o princípio da
igualdade.

A alternativa C é incorreta. O agente discriminador pressupõe que haja uma hierarquia que lhe permita
depreciar o grupo vulnerável.

A alternativa D é incorreta. Na verdade, é a subjetividade jurídica que é fundamento do Direito


Antidiscriminatório. Esse elemento enfatiza o fato de que a postura discriminatória é baseada numa certa
visão de mundo subjetiva adotada pelo discriminador, o que se reflete no próprio direito antidiscriminação,
o qual deve combater a discriminação.

A alternativa E é correta e é o gabarito da questão. Há discriminação indireta quando a norma neutra causa
um impacto desproporcional sobre certo grupo vulnerável.

7. (2018/CESPE/IPHAN/Técnico - Área 1) Acerca de direitos humanos, direitos de minorias e


movimentos sociais urbanos, julgue o item seguinte:
A Constituição Federal de 1988, por possuir expressivo conjunto de normas diretamente relacionado aos
direitos sociais, preserva os direitos fundamentais das minorias, como, por exemplo, o direito a terra dos
povos indígenas e das comunidades quilombolas.

Comentários

A Constituição de 1988 é prolixa e garante muitos direitos, inclusive os direitos de indígenas (art. 231, § 2º)
e de comunidades quilombolas (art. 68 do ADCT) à terra.

A assertiva está Certa.

8. (2018/CESPE/MPU/Analista - Direito) Julgue o item a seguir, à luz das disposições da Lei n.°
12.288/2010, da Lei n.° 10.639/2003 e da Convenção Internacional sobre Eliminação de Todas as Formas
de Discriminação Racial:
Medidas que visem garantir a certo grupo de minorias a superação de barreiras resultantes de desigualdade
histórica e impeditivas ao exercício pleno de direitos e garantias fundamentais não devem ser consideradas
discriminatórias, pois representam compromisso com a promoção de valores universais concernentes à paz
e à igualdade entre diferentes povos, raças e nações.

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Comentários

As medidas especiais de proteção de grupos vulneráveis, apesar de discriminarem formalmente os


jurisdicionados, não são consideradas discriminatórias – num sentido pejorativo – em razão de visarem
contornar impedimento à participação plena desses grupos na sociedade.

A assertiva está Certa.

9. (2018/FCC/CLDF/Consultor – Direitos Humanos, Minorias, Cidadania e Sociedade) Uma vez


estabelecidos, os Direitos Humanos não podem ser retirados do ordenamento, em razão do princípio da:
A) Inter-relacionaridade;
B) Indisponibilidade;
C) Inerência;
D) Vedação do retrocesso;
E) Inesgotabilidade.

Comentários

De acordo com o princípio da vedação do retrocesso, os direitos humanos devem ser sempre agregados. A
proteção num certo momento deve ser sempre superior àquela que havia antes, proibindo-se que haja
retrocessos de proteção.

Assim, a alternativa D é correta e é o gabarito da questão.

10. (2022/CESPE/MPE-AC/Promotor de Justiça Substituto) Acerca do dever de respeitar e garantir,


assinale a opção correta. Nesse sentido, considere que a sigla CIDH, sempre que empregada, se refere à
Corte Interamericana de Direitos Humanos:
A) Tal dever é materializado a partir de medidas positivas gerais, compreendido como um direito adicional e
complementar, e de medidas positivas especiais, dirigidas à população em geral, decorrentes da obrigação
de assegurar vigência às normas internacionais de proteção aos direitos humanos no âmbito interno pelo
Estado.
B) No Caso Família Barrios versus Venezuela, a falta de diligências adequadas para prevenir uma violação por
particulares não pode configurar a responsabilidade do Estado.
C) A CIDH considera como núcleos do dever de investigar, processar e punir, exclusivamente, o direito à vida
das vítimas e a proteção judicial.
D) O dever de proteção e garantia não encontra previsão nos tratados do sistema onusiano, especialmente
nos Protocolos Internacionais de Direitos Civis e Políticos e Econômicos, Sociais e Culturais, razão pela qual
é reconhecido como uma criação da CIDH.
E) O dever de investigar, processar e punir deriva do dever de respeitar e garantir, conforme jurisprudência
da CIDH desde o Caso Velásquez Rodriguez versus Honduras.

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Comentários

A alternativa A é incorreta. A assertiva trocou os conceitos. As obrigações gerais são as voltadas à população
em geral enquanto as especiais são voltadas a grupos vulneráveis específicos.

A alternativa B é incorreta. O Estado tem a obrigação positiva de promover uma investigação séria e
imparcial das violações de direitos humanos.

A alternativa C é incorreta. Há outros fundamentos para o dever de investigar, processar e punir, como o
direito à intimidade e o direito à propriedade privada.

A alternativa D é incorreta. Os Pactos preveem o direito a um recurso efetivo, ao reconhecimento pelas


autoridades judiciais dos direitos violados e um direito à execução das decisões tomadas, o que caracteriza
o dever de proteção e garantia.

A alternativa E é correta e é o gabarito da questão. Conforme se extrai do acórdão referente ao Caso


Velásquez Rodriguez versus Honduras:

167. A obrigação de garantir o livre e pleno exercício dos direitos humanos não se esgota
com a existência de uma ordem normativa dirigida a fazer possível o cumprimento desta
obrigação, mas comporta a necessidade de uma conduta governamental que assegure a
existência, na realidade, de uma eficaz garantia do livre e pleno exercício dos direitos
humanos.

Quer dizer, a garantia dos direitos não é uma garantia efetiva tão só pelo reconhecimento formal: exige-se
que haja um procedimento estatal que efetive o direito, o que inclui o dever de investigar, processar e punir
responsáveis por violações de direitos fundamentais.

11. (2021/CESPE/MPE-SC/Promotor de Justiça Substituto) Acerca dos princípios constitucionais penais,


julgue o item subsequente:
A Constituição Federal de 1988 é primordialmente um instrumento de garantia do indivíduo diante do
enorme poder coercitivo estatal, de modo que contrariam a Constituição normas que contenham mandados
de criminalização ou que proíbam a proteção penal insuficiente, uma vez que tais dispositivos operariam no
sentido do fortalecimento do poder punitivo estatal, o que é incompatível com as finalidades da Constituição.

Comentários

É falso, pois a própria Constituição prevê mandados de criminalização, exigindo que haja uma proteção penal
suficiente em relação a determinados bens jurídicos.

A assertiva está Errada.

12. (2022/MPE-RJ/MPE-RJ/Promotor de Justiça Substituto) Sobre os Programas de Integridade


(compliance), assinale a alternativa correta:

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A) A OCDE formulou um guia para empresas multinacionais, com a finalidade de promover um padrão
empresarial responsável a nível global, e uma das recomendações feitas é a adoção da devida diligência com
base no risco (risk-based diligence).
B) A definição das medidas de prevenção, detecção e comunicação é o primeiro passo na formulação de um
programa de compliance que tenha por objetivo a prevenção à lavagem de dinheiro.
C) A efetividade de um programa de compliance deve ser realizado por meio de um teste de idoneidade, que
se limita a avaliar em abstrato a implementação do programa.
D) A implementação de processos internos de denúncia de irregularidades nas empresas privadas teve
origem na Inglaterra, onde são denominados de whistleblowers.
E) A implementação do programa de compliance se dá com o estabelecimento de um processo para
averiguação dos descumprimentos ao programa, assim como a instituição de um plano de avaliação
continuada.

Comentários

A alternativa A é correta e é o gabarito da questão. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento


Econômico (OCDE) firmou princípios gerais para a due dilligence a nível global, due dilligence que é baseada
em riscos.

A alternativa B é incorreta. O primeiro passo na formulação de um programa de compliance é a detecção


dos riscos envolvidos. Após o conhecimento dos riscos é que se torna possível a prevenção, detecção e
comunicação desses mesmos riscos.

A alternativa C é incorreta. O teste não deve ser feito apenas em abstrato, mas se deve verificar a aptidão
real do programa para combater os riscos.

A alternativa D é incorreta. Whistleblowers são os denunciantes de ilícitos. Não se utiliza essa expressão
para designar os programas de compliance.

A alternativa E é incorreta. O programa de integridade tem um caráter eminentemente profilático e


preventivo, não se confundindo com os programas de avaliação continuada.

13. (2018/CESPE/Instituto Rio Branco/Diplomata) Julgue (C ou E) o item a seguir, acerca do direito


internacional dos direitos humanos e do direito internacional humanitário:
A jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos reconhece a responsabilidade do Estado por
violações de direitos humanos não apenas como resultado de uma ação ou omissão a ele diretamente
imputável, mas também em virtude da falta de devida diligência do Estado em prevenir uma violação
cometida por particulares.

Comentários

A garantia efetiva de um direito depende da existência de procedimentos que assegurem a sua efetivação,
incluindo a diligência correspondente à detecção, prevenção e mitigação de danos que possam ser causados
por particulares.

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A assertiva está Certa.

14. (CESPE/CNMP - 2023) Julgue o seguinte item, referente ao ambiente de controle corporativo.
Na presença de cenário de risco substancial à integridade, as entidades, públicas ou privadas, devem adotar
verificações prévias, conhecidas como due dilligence, ou seja, efetuar exame prévio à contratação, além de
medidas para a supervisão de terceiros contratados.

Comentários

O due dilligence é o procedimento por meio do qual se detectam, previnem e mitigam riscos que possam ser
ocasionados por um empreendimento, tratando-se de procedimento hoje em dia reconhecido como
necessário para se afastar a responsabilidade de uma parte interessada.

Assim, a assertiva está Certa.

15. (2019/FUNDATEC/Prefeitura de Chuí - RS/Assistente Social) Sobre a interseccionalidade e a


perspectiva do feminismo interseccional, importante tema que permeia o trabalho do(a) assistente social
com as diferentes expressões da questão social, analise as assertivas abaixo:
I – O feminismo interseccional é uma abordagem teórica que tem sido utilizada por muitas teóricas negras
feministas.
II – O cruzamento entre raça e gênero, tal qual formulado pela abordagem interseccional, ainda é periférico
na produção do Serviço Social.
III – A perspectiva do feminismo interseccional permite a ampliação do olhar sobre específicas opressões
vivenciadas pelas mulheres, cujas identidades e experiências sociais são marcadas por exclusivos marcadores
sociais de gênero e raça/etnia.
IV – A proposta do feminismo interseccional possibilita uma análise dos marcadores sociais de gênero e de
raça/etnia através do seu entrecruzamento, não sendo vistos de forma isolada, ou através de uma visão
somatória ou aditiva de opressões.
Quais estão corretas?
A) Apenas I e II.
B) Apenas II e IV.
C) Apenas II e III.
D) Apenas I, II e III.
E) Apenas I, II e IV.

Comentários

A assertiva I é correta, decorrendo a abordagem das interseccionalidades principalmente da consideração


da situação das mulheres negras.

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A assertiva II é correta, podendo-se afirmar que o reconhecimento de interseccionalidades não é uma prática
corrente da Administração Pública no momento.

A assertiva III é incorreta. Não se pode afirmar que tão só as qualidades de gênero e raça/etnia marquem a
identidade e experiência social das mulheres negras. Há marcas também da pobreza, por exemplo.

A assertiva IV é correta. A abordagem interseccional permite analisar mais de um marcador em conjunto.

Como estão corretas apenas as assertivas I, II e IV, a alternativa E é correta e é o gabarito da questão.

LISTA DE QUESTÕES
1. (2022/FCC/Recife-PE/Assistente Social) As ações afirmativas:
A) têm caráter temporário.
B) baseiam-se no princípio da igualdade formal previsto na Constituição Federal.
C) devem ser aplicadas, simultaneamente, em relação a todos os grupos sociais vulneráveis, sob pena de
violar a isonomia existente entre eles.
D) são baseadas em critérios estritos de meritocracia.
E) dependem sempre de autorização legal para não configurarem discriminação negativa.

2. (2018/FADESP/IF-PA/Educação-Pedagogia) As ações afirmativas podem ser definidas como


políticas públicas (e privadas) voltadas à concretização do princípio constitucional da igualdade material e
à neutralização dos efeitos da discriminação racial, de gênero, de idade, de origem nacional e de
compleição física. São exemplos de medidas que se constituem em ações afirmativas na educação:
A) políticas de valorização identitária e adoção de cotas de ingresso no ensino superior.
B) adoção de cotas raciais, institucionalização de conteúdos antirracistas e antidiscriminatórios no currículo
escolar.
C) combate à lgbtfobia na escola e adoção da educação “anti-racista e antidiscriminatoria”.
D) combate à lgbtfobia na escola e ações de enfrentamento ao racismo.
E) ações de enfrentamento ao racismo e adoção de políticas de valorização identitária.

3. (2023/CESPE/MPE-AM/Promotor de Justiça Substituto) A respeito das ações afirmativas adotadas


pelo setor empresarial para a realização de programas de treinamento e aperfeiçoamento profissional
com oferta de vagas especificamente destinadas a grupos historicamente excluídos, assinale a opção
correta:
A) As iniciativas de empresas que buscam minimizar os impactos do racismo na sociedade pela adoção de
ações afirmativas consistentes em processos de seleção diferenciados contemplam, ainda que de forma
mediata, o princípio constitucional da função social da propriedade, que exige das empresas o devido

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respeito aos deveres e às responsabilidades para com a comunidade em que atuam, cujos direitos e
interesses devem lealmente respeitar e atender.
B) A adoção de ações afirmativas fomenta o divisionismo, pois a mera desproporcionalidade no número de
empregados negros e brancos verificada no âmbito interno de uma empresa não é justificativa
suficientemente plausível e razoável para a adoção do processo de treinamento e aperfeiçoamento
profissional exclusivamente voltado a pessoas negras.
C) Ações afirmativas destinadas à concretização de objetivos e valores relativos à efetivação e à
materialização do princípio da igualdade no âmbito da iniciativa privada não encontram amparo legal no
ordenamento jurídico brasileiro e, por isso, não têm o condão de eliminar desigualdades sociais e étnicas
decorrentes de fatores históricos, sociais, econômicos, entre outros, pois cabe ao poder público adotar
políticas públicas de enfrentamento a essas desigualdades.
D) Ações afirmativas para pessoas negras no mercado de trabalho promovem racismo reverso, ou seja,
discriminação contra pessoas brancas, por isso o mais adequado seria promover um processo de seleção
sem possibilidade de identificação da cor/raça dos candidatos.
E) A falta de capacitação é o principal problema da população negra, o que acaba se refletindo na
desigualdade na ocupação de postos nas empresas; portanto, em vez de fomentar o divisionismo com ações
afirmativas, convém promover ações neutras, com oferta de qualificação profissional, para o enfrentamento
do cenário de ausência de pessoas pretas e pardas nos postos de comando nas esferas pública e privada.

4. (2021/FCC/DPE-AM/Defensor Público) Na doutrina do direito antidiscriminatório, estereótipos


são:
A) opiniões pessoais baseadas em crenças que expressam falsas generalizações sobre membros de grupos
sociais, para além de opiniões negativas em relação a certa classe de indivíduos.
B) avaliações sobre os membros de um segmento social baseadas em generalizações depreciativas que não
podem ser estendidas a todos por conta da variedade existente entre os seres humanos.
C) atitudes e emoções que implicam direta ou indiretamente uma postura de caráter negativo ou uma
antipatia em relação a integrantes de determinados grupos.
D) atitudes irracionais em relação a grupos de pessoas que não encontram base adequada porque expressam
conhecimento falso da realidade.
E) afastamento da norma moral de reconhecimento da humanidade de todas as pessoas, como fundamento
das interações humanas em uma sociedade democrática.

5. (2023/FGV/TRF-1/Juiz Federal substituto) Considere um caso em que a União patrocina


financeiramente uma política de apoio a certa região do Brasil que está assolada por uma seca crônica. A
política adotada consiste em liberar o acesso das vítimas a um açude numa região vizinha para levarem
água gratuitamente. A política se destina a todas as vítimas da seca naquela região. O argumento central
é de que tal política seria discriminatória.

Em relação a tal caso, é correto afirmar que:


A) não existe discriminação, uma vez que a política é neutra porque trata todas as vítimas da seca de maneira
igualitária, sem impor ônus a nenhum grupo específico;

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B) a existência ou não de discriminação numa política pública é uma avaliação de natureza apenas moral e
não há base legal que permita a judicialização desse caso;
C) trata-se de um caso de discriminação direta, já que produziu distinção que teve como efeito restringir o
exercício, em igualdade de condições, de um grupo ao acesso à água;
D) é um caso de discriminação indireta, pois, apesar de ser uma política neutra, ela acarreta uma
desvantagem particular às pessoas que não possuem recursos para transportar a água;
E) a situação caracteriza-se como discriminação múltipla ou agravada, uma vez que acumula tanto a
discriminação direta quanto a discriminação indireta.

6. (2023/VUNESP/TJ-RJ/Juiz substituto) A respeito do Direito Antidiscriminatório, assinale a


alternativa correta:
A) A teoria da discriminação interseccional tem origem nas críticas recebidas por líderes de movimentos
minoritários que deduzem que tais grupos são homogêneos e que seus integrantes sofrem com a opressão
da mesma forma;
B) Pode-se afirmar que o Direito Antidiscriminatório é um subsistema do Direito Administrativo, encontrando
fundamento no princípio da legalidade;
C) A discriminação não pressupõe uma relação de hierarquia entre indivíduos e pode ocorrer entre sujeitos
pertencentes a um mesmo grupo;
D) São três os fundamentos jurídicos do Direito Antidiscriminatório: a objetividade jurídica, a racionalidade
constitucional e a universalidade de direitos;
E) A discriminação indireta se dá quando uma norma tem um impacto desproporcionalmente negativo sobre
um dado grupo vulnerável, podendo tal norma ser neutra, no sentido da instituição responsável não ter a
intenção de prejudicar o grupo atingido.

7. (2018/CESPE/IPHAN/Técnico - Área 1) Acerca de direitos humanos, direitos de minorias e


movimentos sociais urbanos, julgue o item seguinte:
A Constituição Federal de 1988, por possuir expressivo conjunto de normas diretamente relacionado aos
direitos sociais, preserva os direitos fundamentais das minorias, como, por exemplo, o direito a terra dos
povos indígenas e das comunidades quilombolas.

8. (2018/CESPE/MPU/Analista - Direito) Julgue o item a seguir, à luz das disposições da Lei n.°
12.288/2010, da Lei n.° 10.639/2003 e da Convenção Internacional sobre Eliminação de Todas as Formas
de Discriminação Racial:
Medidas que visem garantir a certo grupo de minorias a superação de barreiras resultantes de desigualdade
histórica e impeditivas ao exercício pleno de direitos e garantias fundamentais não devem ser consideradas
discriminatórias, pois representam compromisso com a promoção de valores universais concernentes à paz
e à igualdade entre diferentes povos, raças e nações.

9. (2018/FCC/CLDF/Consultor – Direitos Humanos, Minorias, Cidadania e Sociedade) Uma vez


estabelecidos, os Direitos Humanos não podem ser retirados do ordenamento, em razão do princípio da:
A) Inter-relacionaridade;

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B) Indisponibilidade;
C) Inerência;
D) Vedação do retrocesso;
E) Inesgotabilidade.

10. (2022/CESPE/MPE-AC/Promotor de Justiça Substituto) Acerca do dever de respeitar e garantir,


assinale a opção correta. Nesse sentido, considere que a sigla CIDH, sempre que empregada, se refere à
Corte Interamericana de Direitos Humanos:
A) Tal dever é materializado a partir de medidas positivas gerais, compreendido como um direito adicional e
complementar, e de medidas positivas especiais, dirigidas à população em geral, decorrentes da obrigação
de assegurar vigência às normas internacionais de proteção aos direitos humanos no âmbito interno pelo
Estado.
B) No Caso Família Barrios versus Venezuela, a falta de diligências adequadas para prevenir uma violação por
particulares não pode configurar a responsabilidade do Estado.
C) A CIDH considera como núcleos do dever de investigar, processar e punir, exclusivamente, o direito à vida
das vítimas e a proteção judicial.
D) O dever de proteção e garantia não encontra previsão nos tratados do sistema onusiano, especialmente
nos Protocolos Internacionais de Direitos Civis e Políticos e Econômicos, Sociais e Culturais, razão pela qual
é reconhecido como uma criação da CIDH.
E) O dever de investigar, processar e punir deriva do dever de respeitar e garantir, conforme jurisprudência
da CIDH desde o Caso Velásquez Rodriguez versus Honduras.

11. (2021/CESPE/MPE-SC/Promotor de Justiça Substituto) Acerca dos princípios constitucionais penais,


julgue o item subsequente:
A Constituição Federal de 1988 é primordialmente um instrumento de garantia do indivíduo diante do
enorme poder coercitivo estatal, de modo que contrariam a Constituição normas que contenham mandados
de criminalização ou que proíbam a proteção penal insuficiente, uma vez que tais dispositivos operariam no
sentido do fortalecimento do poder punitivo estatal, o que é incompatível com as finalidades da Constituição.

12. (2022/MPE-RJ/MPE-RJ/Promotor de Justiça Substituto) Sobre os Programas de Integridade


(compliance), assinale a alternativa correta:
A) A OCDE formulou um guia para empresas multinacionais, com a finalidade de promover um padrão
empresarial responsável a nível global, e uma das recomendações feitas é a adoção da devida diligência com
base no risco (risk-based diligence).
B) A definição das medidas de prevenção, detecção e comunicação é o primeiro passo na formulação de um
programa de compliance que tenha por objetivo a prevenção à lavagem de dinheiro.
C) A efetividade de um programa de compliance deve ser realizado por meio de um teste de idoneidade, que
se limita a avaliar em abstrato a implementação do programa.
D) A implementação de processos internos de denúncia de irregularidades nas empresas privadas teve
origem na Inglaterra, onde são denominados de whistleblowers.

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E) A implementação do programa de compliance se dá com o estabelecimento de um processo para


averiguação dos descumprimentos ao programa, assim como a instituição de um plano de avaliação
continuada.

13. (2018/CESPE/Instituto Rio Branco/Diplomata) Julgue (C ou E) o item a seguir, acerca do direito


internacional dos direitos humanos e do direito internacional humanitário:
A jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos reconhece a responsabilidade do Estado por
violações de direitos humanos não apenas como resultado de uma ação ou omissão a ele diretamente
imputável, mas também em virtude da falta de devida diligência do Estado em prevenir uma violação
cometida por particulares.

14. (CESPE/CNMP - 2023) Julgue o seguinte item, referente ao ambiente de controle corporativo.
Na presença de cenário de risco substancial à integridade, as entidades, públicas ou privadas, devem adotar
verificações prévias, conhecidas como due dilligence, ou seja, efetuar exame prévio à contratação, além de
medidas para a supervisão de terceiros contratados.
15. (2019/FUNDATEC/Prefeitura de Chuí - RS/Assistente Social) Sobre a interseccionalidade e a
perspectiva do feminismo interseccional, importante tema que permeia o trabalho do(a) assistente social
com as diferentes expressões da questão social, analise as assertivas abaixo:
I – O feminismo interseccional é uma abordagem teórica que tem sido utilizada por muitas teóricas negras
feministas.
II – O cruzamento entre raça e gênero, tal qual formulado pela abordagem interseccional, ainda é periférico
na produção do Serviço Social.
III – A perspectiva do feminismo interseccional permite a ampliação do olhar sobre específicas opressões
vivenciadas pelas mulheres, cujas identidades e experiências sociais são marcadas por exclusivos marcadores
sociais de gênero e raça/etnia.
IV – A proposta do feminismo interseccional possibilita uma análise dos marcadores sociais de gênero e de
raça/etnia através do seu entrecruzamento, não sendo vistos de forma isolada, ou através de uma visão
somatória ou aditiva de opressões.
Quais estão corretas?
A) Apenas I e II.
B) Apenas II e IV.
C) Apenas II e III.
D) Apenas I, II e III.
E) Apenas I, II e IV.

GABARITO
1. A 3. A 5. D
2. A 4. A 6. E

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7. Certa
8. Certa
9. D
10. E
11. Errada
12. A
13. Certa
14. Certa
15. E

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