Teoria Geral das Provas no Direito Civil
Teoria Geral das Provas no Direito Civil
CIVIL II
a. direito do acusado de ser assistido gratuitamente por 3. A confissão do acusado só é válida se feita sem coação de
tradutor ou intérprete, se não compreender ou não falar o nenhuma natureza.
idioma do juízo ou tribunal; 4. O acusado absolvido por sentença passada em julgado não
b. comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da poderá ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos.
acusação formulada; 5. O processo penal deve ser público, salvo no que for necessário
c. concessão ao acusado do tempo e dos meios adequados para preservar os interesses da justiça.
para a preparação de sua defesa;
O direito fundamental à prova tem conteúdo complexo.
Ele compõe-se as seguintes situações jurídicas:
Quanto ao segundo aspecto, deve-se ter atenção que o direito fundamental à prova tem caráter instrumental; e
sua finalidade, é o alcance de uma tutela jurisdicional justa.
Por isso, deve-se sempre buscar dar efetividade a tal direito, o que significa o reconhecimento da máxima
potencialidade possível ao instrumento probatório para que as partes tenham amplas oportunidades para
demonstrar os fatos que alegam, influindo, no convencimento do julgador.
Deve-se assegurar, pois, o emprego de todos meios de prova imprescindíveis para a corroboração dos fatos.
Entretanto, o direito de produzir provas não é absoluto
O direito ao manejo das provas relevantes à tutela do bem perseguido pode ser limitado, excepcionalmente,
quando colida com outros direitos fundamentais.
1.2 Classificação das provas
1.2.1 Provas típicas e atípicas
Provas atípicas: são provas não positivadas no CPC. Podem ser empregadas por não serem
ilícitas (princípio da atipicidade dos meios de prova – art. 369 do CPC).
Ex.: exibição de um vídeo em audiência, inspeção in loco realizada pelo oficial de justiça etc.
Provas diretas: se refere ao próprio fato probando, como por exemplo a testemunha que narra o fato do acidente que
assistiu.
Provas indiretas/indiciária: são provas que não têm expressa previsão no CPC. Trata-se de uma prova que é obtida
através de indícios. A prova vai recair sobre outros fatos, os quais irão permitir que o juiz faça um raciocínio indutivo, a
fim de chegar à conclusão de que uma das partes está afirmando. Não tem previsão no CPC.
Orais: sem sentido amplo, é a afirmação pessoal oral em juízo. Ex: prova testemunhal, depoimento da parte e confissão;
Documentais: afirmação escrita ou gravada. Ex: escritura pública ou particular, cartas, plantas, projetos, desenhos;
Materiais: consiste em qualquer materialidade que sirva de prova do fato probando; é a atestação emanada da coisa.
Ex: corpo de delito, os exames periciais.
1.2.4 Provas quanto à sua preparação:
Causais ou simples: são as provas preparadas durante o processo, como o depoimento pessoal e as produzidas na
audiência de instrução.
Preconstituídas: provas preparadas previamente, em vista de possível utilização em futuro processo. Em sentido
estrito, são instrumentos públicos ou particulares representativos de atos jurídicos que somente por instrumento se
constituem. Ex: provas documentais.
Em regra, a prova que será utilizada pelas partes e pelo juiz é produzida no próprio processo. No entanto, a admissão
de uma prova emprestada – produzida em outro processo – pode ser justificada pela necessidade de otimização,
racionalidade e eficiência da prestação jurisdicional.
É possível que uma prova produzida em um processo seja aproveitada em outro, mas, para tanto, é necessário que
tenha sido observado o contraditório tanto na origem quanto no destino.
A prova emprestada receberá do direito processual civil o tratamento de uma prova documental
1.2.6 Prova ilícita
Não é qualquer prova que pode ser utilizada para o processo de convencimento do juiz.
Provas ilícitas são as provas produzidas em violação ao ordenamento jurídico, em desconformidade às normas
constitucionais ou infraconstitucionais.
A vedação das provas ilícitas está prevista na Constituição, não se podendo admitir no processo qualquer prova obtida
por meio ilícito:
Art. 5º, LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas
obtidas por meios ilícitos;
Lembrando que não apenas a prova ilícita deve ser desconsiderada, mas também a prova que surgiu como decorrência
dela. É a aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada.
Apesar da não previsão legal no CPC, surge da decorrência lógica da vedação constitucional das provas ilícitas
A ata notarial é uma forma de evitar a alegação de que as conversas tenham sido adulteradas. No entanto, apenas o print
screen da tela da ferramenta WhatsApp, tem sido considerado prova ilícita, não sendo aceita pelos magistrados.
1.2.7 Prova diabólica
A prova muito difícil ou impossível de ser comprovada é denominada prova “diabólica” ou odiosa e, normalmente, está
associada à atribuição da prova de fato negativo;
Prova diabólica é aquela que se faz presente nos casos em que a produção da prova é impossível, ou é extremamente
difícil para a parte que alegou aquele fato;
É típico de fato negativo. Por exemplo: João não apareceu no escritório no dia X. Como comprovar que João não
compareceu nesse dia, se o escritório não tem câmera?
Neste caso, o próprio João poderá comprovar que não compareceu ao escritório, pois é mais fácil para ele comprovar
o fato positivo do que para a outra parte comprovar o fato negativo.
DESTINATÁRIO DA PROVA
Toda prova produzida dentro do processo, seja durante a audiência de instrução,
antes ou depois dela, é destinada ao juízo de convencimento do juiz, eis que ele
se trata do principal destinatário da prova.
Assim, é possível concluir que o juízo e as partes são destinatários diretos das
provas formuladas no processo.
OBJETO DA PROVA
“Provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e, portanto, condizente com
a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto
insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. As alegações, sim, é que podem
ser verazes ou mentirosas – e daí a pertinência de prová-las, ou seja, demonstrar
que são boas e verazes” (DINAMARCO, Candido Rangel. 2005)
CARACTERÍSTICAS DO FATO PROBANDO
1 RELEVÂNCIA
Devem ser comprovados apenas os fatos que nutrem relação ou conexão com a causa ajuizada,
pois caso o fato probando não tenha influência na decisão, sua aplicação é desnecessária.
São exemplos de irrelevância: a) fatos que, embora a existência seja possível, a prova é impossível
de ser constituída, em razão da sua própria natureza; b) fatos que sua ocorrência física ou jurídica
é impossível.
2 DETERMINAÇÃO
O fato probando deve ser determinado, ou seja, apresentar características suficientes que o
diferencie dos demais. Deve, ainda, vir localizado no tempo e no espaço.
3 CONTROVÉRSIA
Fatos incontroversos são aqueles que não dependem da prova, diante de sua evidência.
Todavia, isso não impedirá a produção de provas contra eles, quando: a) a lei exigir; b) não for
admissível de confissão; e, c) estiver em contradição com a defesa.
Art. 341. Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato
constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, salvo se:
I - não for admissível, a seu respeito, a confissão;
II - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da substância
do ato;
III - estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto.
Parágrafo único. O ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor público,
ao advogado dativo e ao curador especial.
Art. 374. Não dependem de prova os fatos:
I - notórios;
II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária;
III - admitidos no processo como incontroversos;
IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de
veracidade.
FATO NOTÓRIO: aqueles cujo conhecimento faz parte da cultura normal. Devem, assim,
apresentar as seguintes características: (a) pode haver certa relatividades, não necessitando ser
conhecido por todas as pessoas, mas sim um grande número, como por exemplo, assuntos
religiosos e afins; (b) pode ser também fatos que se entendam que a cultura média saiba, como
por exemplo, período de plantio da soja; (c) não há necessidade de ter efetivamente participado
do ato para ser de conhecimento, como o exemplo do atentado terrorista.
Diante disso, a notoriedade de um fato pode ser reconhecida de ofício pelo juízo, sem contudo,
que se deixe de lado a intimação das partes, conforme legislação processual civil.
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição,
com base em fundamento a respeito do qual não se tenha
dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se
trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.
AFIRMADO POR UMA PARTE E CONFESSADO PELA PARTE ADVERSÁRIA OU ADMITIDO NO
PROCESSO COMO INCONTROVERSO: Há entendimentos de que a confissão independe de prova.
Contudo, a doutrina majoritária entende que a confissão se trata da própria prova, ou seja, o
correto seria constar no texto legal que, após confesso, o fato independe de OUTRO meio de
prova. Quanto ao incontroverso, independe de prova justamente em razão da ausência de
controvérsia.
A diferença entre os incisos – afirmação x admissão – reside no entendimento de que confissão
se trata de uma ação e admissão advém da omissão. Ademais, a admissão surge da alegação da
parte contrária, enquanto a confissão vem da própria parte; a admissão sempre será espontânea
(com a revelia ou não impugnação dos fatos em contestação), enquanto a confissão pode ser
provocada; e a admissão sempre será dentro do processo, enquanto a confissão pode ser
extrajudicial.
FATOS EM CUJO FAVOR MILITA A PRESUNÇÃO LEGAL DE EXISTÊNCIA: Trata-se de um
consequente normativo, do qual se faz necessária a comprovação apenas do seu fato gerador.
Exemplo: a presunção legal do desconhecimento ou incerteza da localização do réu, após
infrutíferas tentativas de localizá-lo, autorizam a citação por edital; presunção de que terceiros
tenham conhecimento da penhora de um imóvel, após seu registro na matrícula.
Há alguns casos, todavia, que essa presunção pode ser relativa, onde se presume o fato como
ocorrido, até que se prove o contrário. Exemplo: presunção de necessidade que decorre da
declaração de hipossuficiência; presunção de simultaneidade das morte, quando os indivíduos
falecem numa mesma ocasião.
ATENÇÃO!!!
Quando há recusa da parte a se submeter a perícia, por exemplo, muito embora o art. 232,
do Código Civil, disponha que a recusa supre a prova que poderia ser obtida, a decisão que
determina a realização da perícia deve fazer constar que a sua negativa pode acarretar em
indícios suficientes para uma decisão desfavorável.
Por outro lado, quando o assunto é investigação de paternidade, tal recusa é sumulada pelo
Superior Tribunal de Justiça:
Súmula 301, STJ: Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame
de DNA induz presunção juris tantum de paternidade.
SISTEMA DE VALORAÇÃO DA PROVA PELO JUIZ:
As provas não possuem um sistema de valoração. Todavia, o convencimento do juiz deve ser motivado, não podendo
ser livre ou íntimo. O órgão julgador deve apresentar as razões pelas quais entendeu que a prova merece o valor que foi
atribuído. Tanto é assim que o Código de 2015 não utiliza mais o conceito de “Livre Convencimento Motivado”, o “livre”
que antes era presente no Código de 73 saiu fora. Todavia, há limitações que devem ser obedecidas:
1) A prova deve constar nos autos e ofertar o direito do contraditório “o que não se encontra nos autos, não se encontra no
mundo”. Lembrando que a prova emprestada deve obedecer o contraditório tanto na sua origem, quanto no seu destino. Ou
seja, quando ela adentra nos autos destino ela passa a fazer parte do caderno probatório dele.
Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver
promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento.
Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o
valor que considerar adequado, observado o contraditório.
2) A prova deve ser racional, de modo que o juiz não pode proferir sua decisão com discurso superficial sobre o uso
da(s) prova(s) escolhidas. Deve haver uma análise aprofundada do assunto, uma análise de verossimilhança entre fato e
prova. Tanto é assim que decisões não podem vir baseadas unica e exclusivamente em crenças ou concepções
religiosas.
3) Há todavia, a limitação de valoração para aquelas provas que são previstas legalmente. Estas são uma exceção que
detém por si só a valoração. Exemplo: Apresentação do instrumento público que com comprova a emancipação, para
fins de autorização de casamento; escritura pública da doação do imóvel, para comprovação da posse e posterior
propriedade; promessa de compra e venda por meio de instrumento para fins de registro.
Esse sistema, assim, serve para evitar decisões arbitrárias baseadas em interpretações pessoais e, assim,
consequentemente, resguardar a segurança jurídica das decisões.
ÔNUS DA PROVA:
- Quando é realizada pelo legislador, é prévia e estabelece abstratamente quem arca com a falta de prova. Todavia, elas podem ser
alteradas pelo juiz ou pelas partes.
- As regras processuais, assim, que disciplinam a distribuição do ônus da prova direcionam-se às partes, pois orientam o que precisa
ser provado (ônus subjetivo), e ao órgão jurisdicional, pois orientam como decidir em caso de insuficiência das provas produzidas
(ônus objetivo). Ou seja, a análise objetiva é realizada após o encerramento da fase instrutória, no momento do julgamento, enquanto
que a subjetiva é realizada durante a produção de provas, na condução do processo e convencimento do juízo.
Assim, falamos de fatos extintivos aqueles que retiram a eficácia do fato constitutivo, fulminando a pretensão do autor. Podendo
ter sua origem conatural, ou seja, nascer com o direito, como por exemplo, a apresentação do comprovante de pagamento de uma
dívida que está sendo cobrada.
Fatos impeditivos, quando a existência obsta o fato constitutivo. Esse estará sempre ligado à ausência de validade do ato gerador,
como por exemplo: firmar contrato com incapaz, sem qualquer autorização ou representação. Tem natureza negativa, em razão da
ausência de alguma circunstância
Fatos modificativo é quando, se reconhece a existência do fato constitutivo, mas requer apenas alterar algum pedido, como por
exemplo, discutir a mora de alguma dívida.
EXCEÇÕES: há casos em que o legislador altera a regra geral e cria hipótese excepcionais para distribuição da prova. Todavia, o juiz é quem
autoriza tal inversão. Exemplos são: causas relativas ao direito do consumidor, que mesmo prevista no art. 6º, VIII, do CDC, exige a
determinação pelo juiz; a inversão da prova para aquele que é o titular de dados, prevista no art. 42, §2º, da LGPD, provar que ocorreu a
autorização para utilização dos dados.
PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA:
- A ação de produção antecipada de provas é a demanda pela qual se produz a prova para instruir um futuro processo. Esse
procedimento encerra na sua fase de instrução, eis que ainda não se busca que o juiz reconheça qualquer direito, mas apenas que foi
produzida regularmente. Tal ação permite a produção de todo e qualquer tipo de prova
Art. 381. A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que:
I - haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na
pendência da ação;
II - a prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou outro meio adequado de solução
de conflito;
III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento de ação.
§ 1º O arrolamento de bens observará o disposto nesta Seção quando tiver por finalidade apenas a realização
de documentação e não a prática de atos de apreensão.
§ 2º A produção antecipada da prova é da competência do juízo do foro onde esta deva ser produzida ou do
foro de domicílio do réu.
§ 3º A produção antecipada da prova não previne a competência do juízo para a ação que venha a ser
proposta.
§ 4º O juízo estadual tem competência para produção antecipada de prova requerida em face da União, de
entidade autárquica ou de empresa pública federal se, na localidade, não houver vara federal.
§ 5º Aplica-se o disposto nesta Seção àquele que pretender justificar a existência de algum fato ou relação
jurídica para simples documento e sem caráter contencioso, que exporá, em petição circunstanciada, a sua
intenção.
- Trata-se, assim, de um processo de jurisdição voluntária e, em razão de sua autonomia, não exige a propositura de futura demanda
com base nas provas que produziu, pois pode servir até como uma forma de freio para que o indivíduo perceba que não possui provas
suficientes para comprovar aquilo que entende lhe ser de direito.
Art. 382. Na petição, o requerente apresentará as razões que justificam a necessidade de antecipação da prova
e mencionará com precisão os fatos sobre os quais a prova há de recair.
§ 1º O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interessados na produção da prova
ou no fato a ser provado, salvo se inexistente caráter contencioso.
§ 2º O juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as respectivas
consequências jurídicas.
§ 3º Os interessados poderão requerer a produção de qualquer prova no mesmo procedimento, desde que
relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua produção conjunta acarretar excessiva demora.
§ 4º Neste procedimento, não se admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão que indeferir totalmente a
produção da prova pleiteada pelo requerente originário.
- Pode ocorrer tutela provisória, pedido liminar, em casos de extrema urgência, como risco de morte da testemunha, por exemplo.
Funda-se, assim, na urgência da situação a ser produzida;
- Importante destacar que, muito embora o CPC não esclareça se o ajuizamento de tal demanda interromperia o prazo prescricional, o
entendimento majoritário da doutrina entende que ela não interrompe, pois não inviabiliza que o autor ajuize esta ação somada de um
pedido de protesto judicial, a fim de interromper o prazo, vide CC.
Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á:
I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e
na forma da lei processual;
II - por protesto, nas condições do inciso antecedente;
- Como se trata de uma ação em que não haverá um “vencido”, não há condenação de honorários. Exceto, claro, naqueles casos em que
a parte contrária tenha resistência fundamentada contra a produção da prova
PROCEDIMENTO PROBATÓRIO:
(b) a fase da admissão, que é formulada pelo juiz (art. 370, CPC), pois
este avalia a necessidade, a utilidade e o cabimento da prova.
Do indeferimento da prova, caberá apelação, devendo ser alegado em
sede de preliminar, vide art 1.009, §1º, CPC;
(c) a fase de produção, que é aquela que concretiza a prova dentro do
processo, podendo ser por meio de juntada de documento, realização da
perícia, tomada de depoimento e etc;
(d) fase de valoração, que será realizada pelo juízo, de forma fundamentada
(arts. 371 e 372, CPC).
DAS PROVAS EM ESPÉCIE
PROVA: DEPOIMENTO PESSOAL
- Conjunto de comunicações, do autor ou do réu, formulado a pedido das
partes, com intuito de prestar esclarecimentos ao juiz para a formação do seu
convencimento.
- Tal ato oportuniza perguntas pelo juiz, pelo advogado que lhe patrocina e pelo
advogado da parte contrária. Baseia-se no fato de que às vezes a palavra falada
possui uma maior força do que a palavra escrita, pois se trata da sua visão
pessoal do fato e sem filtros.
pode ser judicial ou extrajudicial; espontânea ou provocada (no caso desta, pode
gerar depoimento pessoal da parte), vide art. 390, CPC; pode ser real (feita pelo
confitente); oral ou escrita; ficta (em razão do não comparecimento ou recusa ao
depor).
Ainda, a confissão pode ser simples, que é quando restringe à declaração de
- A prova testemunhal se trata do meio de prova existente mais antigo que se tem notícia,
considerando que as demais requerem um desenvolvimento cultural.
- O testemunho contém o relato daquilo que foi percebido pela testemunha, seja por visão,
olfato, tato, paladar ou audição.
A PROVA TESTEMUNHAL PODE SER:
Art. 442. A prova testemunhal é sempre admissível, não dispondo a lei de modo
diverso.
- Na prova pericial, pessoas ou coisas podem ser fontes de prova, eis que são
objetos de exames.
- Serviços não são fontes de prova pericial, de modo que, quando a perícia destina-
se a avaliar a qualidade ou valor de um serviço, na verdade, pericia-se a pessoa ou
a coisa para qual o serviço foi destinado.
ESPÉCIES DE PERÍCIA:
Art. 473. O laudo pericial deverá conter: § 2º É vedado ao perito ultrapassar os limites de
I - a exposição do objeto da perícia; sua designação, bem como emitir opiniões
II - a análise técnica ou científica realizada pelo pessoais que excedam o exame técnico ou
perito; científico do objeto da perícia.
III - a indicação do método utilizado, § 3º Para o desempenho de sua função, o perito e
esclarecendo-o e demonstrando ser os assistentes técnicos podem valer-se de todos
predominantemente aceito pelos especialistas da os meios necessários, ouvindo testemunhas,
área do conhecimento da qual se originou; obtendo informações, solicitando documentos que
IV - resposta conclusiva a todos os quesitos estejam em poder da parte, de terceiros ou em
apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão repartições públicas, bem como instruir o laudo
do Ministério Público. com planilhas, mapas, plantas, desenhos,
§ 1º No laudo, o perito deve apresentar sua fotografias ou outros elementos necessários ao
fundamentação em linguagem simples e com esclarecimento do objeto da perícia.
coerência lógica, indicando como alcançou suas
conclusões.
Pode ocorrer a possibilidade de nomeação de mais de um perito, quando a perícia
é complexa e abrange mais de um conhecimento especializado, vide o disposto no
art. 475, CPC.
O perito pode, ainda, escusar-se a atuar na causa, desde que alegue motivos
justos e legítimos. Pode também ser recusado por uma das partes quando
verificado impedimento ou suspeição. Dessa forma, é viável a substituição do
perito.
Art. 95. Cada parte adiantará a remuneração do II - paga com recursos alocados no orçamento da
assistente técnico que houver indicado, sendo a do União, do Estado ou do Distrito Federal, no caso de ser
perito adiantada pela parte que houver requerido a realizada por particular, hipótese em que o valor será
perícia ou rateada quando a perícia for determinada fixado conforme tabela do tribunal respectivo ou, em
de ofício ou requerida por ambas as partes. caso de sua omissão, do Conselho Nacional de Justiça.
§ 1º O juiz poderá determinar que a parte § 4º Na hipótese do § 3º, o juiz, após o trânsito em
responsável pelo pagamento dos honorários do julgado da decisão final, oficiará a Fazenda Pública
perito deposite em juízo o valor correspondente. para que promova, contra quem tiver sido condenado
§ 2º A quantia recolhida em depósito bancário à ao pagamento das despesas processuais, a execução
ordem do juízo será corrigida monetariamente e dos valores gastos com a perícia particular ou com a
paga de acordo com o art. 465, § 4º . utilização de servidor público ou da estrutura de órgão
§ 3º Quando o pagamento da perícia for de público, observando-se, caso o responsável pelo
responsabilidade de beneficiário de gratuidade da pagamento das despesas seja beneficiário de
justiça, ela poderá ser: gratuidade da justiça, o disposto no art. 98, § 2º .
I - custeada com recursos alocados no orçamento § 5º Para fins de aplicação do § 3º, é vedada a
do ente público e realizada por servidor do Poder utilização de recursos do fundo de custeio da
Judiciário ou por órgão público conveniado; Defensoria Pública.
PROVA: INSPEÇÃO JUDICIAL
1 Também conhecida como inspeção ocular, exame judicial ou reconhecimento
judicial, se trata do ato de percepção pessoal do juiz.
4 A lei menciona que apenas pessoas e coisas são fontes para inspeção judicial. Contudo,
não há impedimentos para que a inspeção ocorra em razão de fenômenos (erosão,
marém, barulho, etc). Neste último caso, terá tratamento como prova atípica;
5 O que se exige é que a fonte de inspeção seja perceptível pelos sentidos humanos.
6 Pode ocorrer inspeção de pessoa, mas não pode obrigá-la, em razão do princípio da
dignidade humana (assim como a submissão a perícia). Pode também ocorrer inspeção
de terceiro, desde que este aceite.
7 A inspeção será DIRETA, quando realizada pelo próprio juiz; INDIRETA quando o perito
for dedignado a realizar tal ato. Neste caso, trata-se de um perícia informal. Ainda, sendo
dessa maneira, deverá ser possibilitada a assistência de ténicos pelas partes para
acompanhar, que poderão vir a ser inquiridos pelo juízo.
A) O custo pelos serviços prestados pelo perito deverão ser rateados por ambas as partes.
B) O custo da perícia será adiantado pelo réu, uma vez afirmada por ele a falsidade do documento.
C) O custo do serviço é da Fazenda Pública, porque a perícia foi determinada de ofício pelo magistrado e não por
D) O pagamento do perito será custeado pelo fundo de custeio da Defensoria Pública, caso uma das partes seja
A) O custo pelos serviços prestados pelo perito deverão ser rateados por ambas as partes. (ART. 95, CPC)
B) O custo da perícia será adiantado pelo réu, uma vez afirmada por ele a falsidade do documento.
C) O custo do serviço é da Fazenda Pública, porque a perícia foi determinada de ofício pelo magistrado e não por
D) O pagamento do perito será custeado pelo fundo de custeio da Defensoria Pública, caso uma das partes seja
D) As presunções legais não serão admitidas nos fatos em que a lei não admitir
depoimento de testemunha.
Acerca das provas, assinale a opção correta. (EXAME DA OAB/2007)
A) É plenamente válida a confissão do incapaz se feita por meio de seu representante legal.
C) A confissão é irretratável, por ser irrevogável, embora possa ser anulada. (ART. 393,
CPC)
D) As presunções legais não serão admitidas nos fatos em que a lei não admitir depoimento
de testemunha.
Paulo e Ricardo, capazes, são partes em processo judicial que versa sobre erro médico. Diante da
especificidade da matéria e da imprescindibilidade da prova pericial para deslinde da causa, ambos entendem
que o profissional médico mais apto a ser o perito da causa é o Dr. Gabriel Barbosa, único especialista no
assunto que reside naquela comarca. Assim, Paulo e Ricardo requerem ao juízo, conjuntamente, a nomeação do
Dr. Gabriel Barbosa como perito. Considerando que a causa pode ser resolvida por autocomposição e que as
partes são capazes, tal requerimento deve ser (FGV - TJ/RJ - 2024)
D) indeferido, pois a existência de um único perito na Comarca dispensa a produção de prova pericial, em razão
da economia processual.
E) deferido, desde que haja a prévia designação de audiência para saneamento conjunto.
Paulo e Ricardo, capazes, são partes em processo judicial que versa sobre erro médico. Diante da
especificidade da matéria e da imprescindibilidade da prova pericial para deslinde da causa, ambos entendem
que o profissional médico mais apto a ser o perito da causa é o Dr. Gabriel Barbosa, único especialista no
assunto que reside naquela comarca. Assim, Paulo e Ricardo requerem ao juízo, conjuntamente, a nomeação do
Dr. Gabriel Barbosa como perito. Considerando que a causa pode ser resolvida por autocomposição e que as
partes são capazes, tal requerimento deve ser (FGV - TJ/RJ - 2024)
A) deferido, eis que a escolha consensual de perito é negócio processual típico. (ART. 471, CPC)
D) indeferido, pois a existência de um único perito na Comarca dispensa a produção de prova pericial, em razão
da economia processual.
E) deferido, desde que haja a prévia designação de audiência para saneamento conjunto.
Segundo o Art. 473 do novo Código de Processo Civil, o laudo pericial deverá conter: (UNITINIS - AFTO - 2023)
B) I, II e III apenas.
C) I, II e IV apenas.
D) I, III e IV apenas.
B) I, II e III apenas.
C) I, II e IV apenas.
D) I, III e IV apenas.
B) Não é lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando
destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô-los
aos que foram produzidos nos autos corre entre ascendentes e descendentes, durante o
poder familiar.
D) A parte, intimada a falar sobre documento constante dos autos, não poderá impugnar a
admissibilidade da prova documental.
Sobre prova documental, assinale a opção correta. (INSTITUO ACCESS - CÂMARA DE
SALTO/SP - 2023)
B) Não é lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando
destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô-los aos
que foram produzidos nos autos corre entre ascendentes e descendentes, durante o poder
familiar.
D) A parte, intimada a falar sobre documento constante dos autos, não poderá impugnar a
admissibilidade da prova documental.
AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO:
Trata-se de sessão pública (princípio da publicidade dos atos processuais), que deve
ocorrer de portas abertas e na presença das partes, advogados, testemunhas,
auxiliares da justiça e do juiz.
Muito embora conste no art. 365, CPC, que se trata de ato uno e contínuo, assim
ocorrerá apenas no caso da possibilidade de finalização em um único ato, não sendo
uma obrigatoriedade. Tanto que o próprio artigo traz a possibilidade de separação do
ato.
Art. 365. A audiência é una e contínua, podendo ser excepcional e
justificadamente cindida na ausência de perito ou de testemunha, desde que
haja concordância das partes.
Parágrafo único. Diante da impossibilidade de realização da instrução, do
debate e do julgamento no mesmo dia, o juiz marcará seu prosseguimento
para a data mais próxima possível, em pauta preferencial.
PARTES: O papel inicial de seu comparecimento é a tentativa de conciliação e, se for o caso,
prestar depoimento pessoal. A conciliação, em tese, não exige a presença de advogado por não se
tratar de ato postulatório, contudo, a parte tem o direito de se comunicar com seu defensor.
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego
anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.