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Teoria Geral das Provas no Direito Civil

O documento aborda a teoria geral das provas no direito processual civil, destacando o direito fundamental à prova como parte do contraditório e sua importância na busca por uma tutela jurisdicional justa. Ele classifica as provas em típicas e atípicas, diretas e indiretas, e discute a admissibilidade de provas emprestadas e ilícitas. Além disso, menciona as características do fato probando e o sistema de valoração da prova pelo juiz, enfatizando que o convencimento deve ser motivado.

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Teoria Geral das Provas no Direito Civil

O documento aborda a teoria geral das provas no direito processual civil, destacando o direito fundamental à prova como parte do contraditório e sua importância na busca por uma tutela jurisdicional justa. Ele classifica as provas em típicas e atípicas, diretas e indiretas, e discute a admissibilidade de provas emprestadas e ilícitas. Além disso, menciona as características do fato probando e o sistema de valoração da prova pelo juiz, enfatizando que o convencimento deve ser motivado.

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DIREITO PROCESSUAL

CIVIL II

Profa. Ma. Luiza Fruet


TEORIA GERAL DAS PROVAS:
Prova é todo elemento ou todo instrumento previsto, ou não, em lei, capaz de demonstrar a veracidade de
algum fato ou de alguma situação jurídica que interessa a solução do litígio. É como se convence alguém de
como o fato ocorreu.

1.1 Direito fundamental prova:


- O direito fundamental à prova é conteúdo do direito fundamental ao contraditório. A dimensão
substancial do princípio do contraditório o garante
- Nesse sentido, o direito à prova é também um direito fundamental. - Esse direito fundamental
também está previsto em tratados internacionais incorporados ao direito brasileiro:

Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica);


Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos.
Convenção Americana de Direitos Humanos:
Artigo 8 – Garantias judiciais d. direito do acusado de defender-se pessoalmente ou de ser
assistido por um defensor de sua escolha e de comunicar-se,
1. Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas livremente e em particular, com seu defensor;
garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou e. direito irrenunciável de ser assistido por um defensor
tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido proporcionado pelo Estado, remunerado ou não, segundo a
anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação legislação interna, se o acusado não se defender ele próprio nem
penal formulada contra ela, ou para que se determinem seus nomear defensor dentro do prazo estabelecido pela lei;
direitos ou obrigações de natureza civil, trabalhista, fiscal ou f. direito da defesa de inquirir as testemunhas presentes no tribunal e
de qualquer outra natureza. de obter o comparecimento, como testemunhas ou peritos, de outras
2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se pessoas que possam lançar luz sobre os fatos;
presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente g. direito de não ser obrigado a depor contra si mesma, nem a
sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, em declarar-se culpada;
plena igualdade, às seguintes garantias mínimas: h. direito de recorrer da sentença para juiz ou tribunal superior.

a. direito do acusado de ser assistido gratuitamente por 3. A confissão do acusado só é válida se feita sem coação de
tradutor ou intérprete, se não compreender ou não falar o nenhuma natureza.
idioma do juízo ou tribunal; 4. O acusado absolvido por sentença passada em julgado não
b. comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da poderá ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos.
acusação formulada; 5. O processo penal deve ser público, salvo no que for necessário
c. concessão ao acusado do tempo e dos meios adequados para preservar os interesses da justiça.
para a preparação de sua defesa;
O direito fundamental à prova tem conteúdo complexo.
Ele compõe-se as seguintes situações jurídicas:

a) o direito à adequada oportunidade de requerer provas;


b) o direito de produzir provas;
c) o direito de participar da produção da prova;
d) o direito de manifestar-se sobre a prova produzida;
e) o direito ao exame, pelo órgão julgador, da prova produzida.

Quanto ao segundo aspecto, deve-se ter atenção que o direito fundamental à prova tem caráter instrumental; e
sua finalidade, é o alcance de uma tutela jurisdicional justa.
Por isso, deve-se sempre buscar dar efetividade a tal direito, o que significa o reconhecimento da máxima
potencialidade possível ao instrumento probatório para que as partes tenham amplas oportunidades para
demonstrar os fatos que alegam, influindo, no convencimento do julgador.
Deve-se assegurar, pois, o emprego de todos meios de prova imprescindíveis para a corroboração dos fatos.
Entretanto, o direito de produzir provas não é absoluto
O direito ao manejo das provas relevantes à tutela do bem perseguido pode ser limitado, excepcionalmente,
quando colida com outros direitos fundamentais.
1.2 Classificação das provas
1.2.1 Provas típicas e atípicas

Provas típicas: são aquelas expressamente previstas no CPC.


Ex.: depoimento pessoal das partes, prova pericial etc.

Provas atípicas: são provas não positivadas no CPC. Podem ser empregadas por não serem
ilícitas (princípio da atipicidade dos meios de prova – art. 369 do CPC).
Ex.: exibição de um vídeo em audiência, inspeção in loco realizada pelo oficial de justiça etc.

Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais,


bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste
Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a
defesa e influir eficazmente na convicção do juiz.
1.2.2 Provas diretas e indiretas

Provas diretas: se refere ao próprio fato probando, como por exemplo a testemunha que narra o fato do acidente que
assistiu.

Provas indiretas/indiciária: são provas que não têm expressa previsão no CPC. Trata-se de uma prova que é obtida
através de indícios. A prova vai recair sobre outros fatos, os quais irão permitir que o juiz faça um raciocínio indutivo, a
fim de chegar à conclusão de que uma das partes está afirmando. Não tem previsão no CPC.

1.2.3 Provas quanto à forma

Diz respeito a modalidade ou maneira pela qual se apresenta em juízo

Orais: sem sentido amplo, é a afirmação pessoal oral em juízo. Ex: prova testemunhal, depoimento da parte e confissão;
Documentais: afirmação escrita ou gravada. Ex: escritura pública ou particular, cartas, plantas, projetos, desenhos;
Materiais: consiste em qualquer materialidade que sirva de prova do fato probando; é a atestação emanada da coisa.
Ex: corpo de delito, os exames periciais.
1.2.4 Provas quanto à sua preparação:

Causais ou simples: são as provas preparadas durante o processo, como o depoimento pessoal e as produzidas na
audiência de instrução.

Preconstituídas: provas preparadas previamente, em vista de possível utilização em futuro processo. Em sentido
estrito, são instrumentos públicos ou particulares representativos de atos jurídicos que somente por instrumento se
constituem. Ex: provas documentais.

1.2.5 Prova emprestada

Em regra, a prova que será utilizada pelas partes e pelo juiz é produzida no próprio processo. No entanto, a admissão
de uma prova emprestada – produzida em outro processo – pode ser justificada pela necessidade de otimização,
racionalidade e eficiência da prestação jurisdicional.
É possível que uma prova produzida em um processo seja aproveitada em outro, mas, para tanto, é necessário que
tenha sido observado o contraditório tanto na origem quanto no destino.

Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida


em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar
adequado, observado o contraditório.

A prova emprestada receberá do direito processual civil o tratamento de uma prova documental
1.2.6 Prova ilícita

Não é qualquer prova que pode ser utilizada para o processo de convencimento do juiz.
Provas ilícitas são as provas produzidas em violação ao ordenamento jurídico, em desconformidade às normas
constitucionais ou infraconstitucionais.
A vedação das provas ilícitas está prevista na Constituição, não se podendo admitir no processo qualquer prova obtida
por meio ilícito:
Art. 5º, LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas
obtidas por meios ilícitos;

O Código de Processo Civil trata dessa temática:


Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os
meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que
não especificados neste Código, para provar a verdade dos
fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir
eficazmente na convicção do juiz.

Lembrando que não apenas a prova ilícita deve ser desconsiderada, mas também a prova que surgiu como decorrência
dela. É a aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada.
Apesar da não previsão legal no CPC, surge da decorrência lógica da vedação constitucional das provas ilícitas
A ata notarial é uma forma de evitar a alegação de que as conversas tenham sido adulteradas. No entanto, apenas o print
screen da tela da ferramenta WhatsApp, tem sido considerado prova ilícita, não sendo aceita pelos magistrados.
1.2.7 Prova diabólica

A prova muito difícil ou impossível de ser comprovada é denominada prova “diabólica” ou odiosa e, normalmente, está
associada à atribuição da prova de fato negativo;

Prova diabólica é aquela que se faz presente nos casos em que a produção da prova é impossível, ou é extremamente
difícil para a parte que alegou aquele fato;

É típico de fato negativo. Por exemplo: João não apareceu no escritório no dia X. Como comprovar que João não
compareceu nesse dia, se o escritório não tem câmera?

Neste caso, o próprio João poderá comprovar que não compareceu ao escritório, pois é mais fácil para ele comprovar
o fato positivo do que para a outra parte comprovar o fato negativo.
DESTINATÁRIO DA PROVA
Toda prova produzida dentro do processo, seja durante a audiência de instrução,
antes ou depois dela, é destinada ao juízo de convencimento do juiz, eis que ele
se trata do principal destinatário da prova.

Todavia, as partes também de tratam de destinatários das provas, já que são


elas que delimitarão as próprias condutas e estratégias que serão utilizadas no
processo.

Assim, é possível concluir que o juízo e as partes são destinatários diretos das
provas formuladas no processo.
OBJETO DA PROVA
“Provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e, portanto, condizente com
a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto
insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. As alegações, sim, é que podem
ser verazes ou mentirosas – e daí a pertinência de prová-las, ou seja, demonstrar
que são boas e verazes” (DINAMARCO, Candido Rangel. 2005)
CARACTERÍSTICAS DO FATO PROBANDO
1 RELEVÂNCIA
Devem ser comprovados apenas os fatos que nutrem relação ou conexão com a causa ajuizada,
pois caso o fato probando não tenha influência na decisão, sua aplicação é desnecessária.

São exemplos de irrelevância: a) fatos que, embora a existência seja possível, a prova é impossível
de ser constituída, em razão da sua própria natureza; b) fatos que sua ocorrência física ou jurídica
é impossível.

2 DETERMINAÇÃO
O fato probando deve ser determinado, ou seja, apresentar características suficientes que o
diferencie dos demais. Deve, ainda, vir localizado no tempo e no espaço.
3 CONTROVÉRSIA

Fatos incontroversos são aqueles que não dependem da prova, diante de sua evidência.

Todavia, isso não impedirá a produção de provas contra eles, quando: a) a lei exigir; b) não for
admissível de confissão; e, c) estiver em contradição com a defesa.

Art. 341. Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato
constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, salvo se:
I - não for admissível, a seu respeito, a confissão;
II - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da substância
do ato;
III - estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto.
Parágrafo único. O ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor público,
ao advogado dativo e ao curador especial.
Art. 374. Não dependem de prova os fatos:
I - notórios;
II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária;
III - admitidos no processo como incontroversos;
IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de
veracidade.
FATO NOTÓRIO: aqueles cujo conhecimento faz parte da cultura normal. Devem, assim,
apresentar as seguintes características: (a) pode haver certa relatividades, não necessitando ser
conhecido por todas as pessoas, mas sim um grande número, como por exemplo, assuntos
religiosos e afins; (b) pode ser também fatos que se entendam que a cultura média saiba, como
por exemplo, período de plantio da soja; (c) não há necessidade de ter efetivamente participado
do ato para ser de conhecimento, como o exemplo do atentado terrorista.

Diante disso, a notoriedade de um fato pode ser reconhecida de ofício pelo juízo, sem contudo,
que se deixe de lado a intimação das partes, conforme legislação processual civil.
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição,
com base em fundamento a respeito do qual não se tenha
dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se
trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.
AFIRMADO POR UMA PARTE E CONFESSADO PELA PARTE ADVERSÁRIA OU ADMITIDO NO
PROCESSO COMO INCONTROVERSO: Há entendimentos de que a confissão independe de prova.
Contudo, a doutrina majoritária entende que a confissão se trata da própria prova, ou seja, o
correto seria constar no texto legal que, após confesso, o fato independe de OUTRO meio de
prova. Quanto ao incontroverso, independe de prova justamente em razão da ausência de
controvérsia.
A diferença entre os incisos – afirmação x admissão – reside no entendimento de que confissão
se trata de uma ação e admissão advém da omissão. Ademais, a admissão surge da alegação da
parte contrária, enquanto a confissão vem da própria parte; a admissão sempre será espontânea
(com a revelia ou não impugnação dos fatos em contestação), enquanto a confissão pode ser
provocada; e a admissão sempre será dentro do processo, enquanto a confissão pode ser
extrajudicial.
FATOS EM CUJO FAVOR MILITA A PRESUNÇÃO LEGAL DE EXISTÊNCIA: Trata-se de um
consequente normativo, do qual se faz necessária a comprovação apenas do seu fato gerador.
Exemplo: a presunção legal do desconhecimento ou incerteza da localização do réu, após
infrutíferas tentativas de localizá-lo, autorizam a citação por edital; presunção de que terceiros
tenham conhecimento da penhora de um imóvel, após seu registro na matrícula.
Há alguns casos, todavia, que essa presunção pode ser relativa, onde se presume o fato como
ocorrido, até que se prove o contrário. Exemplo: presunção de necessidade que decorre da
declaração de hipossuficiência; presunção de simultaneidade das morte, quando os indivíduos
falecem numa mesma ocasião.
ATENÇÃO!!!

Quando há recusa da parte a se submeter a perícia, por exemplo, muito embora o art. 232,
do Código Civil, disponha que a recusa supre a prova que poderia ser obtida, a decisão que
determina a realização da perícia deve fazer constar que a sua negativa pode acarretar em
indícios suficientes para uma decisão desfavorável.

Por outro lado, quando o assunto é investigação de paternidade, tal recusa é sumulada pelo
Superior Tribunal de Justiça:

Súmula 301, STJ: Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame
de DNA induz presunção juris tantum de paternidade.
SISTEMA DE VALORAÇÃO DA PROVA PELO JUIZ:
As provas não possuem um sistema de valoração. Todavia, o convencimento do juiz deve ser motivado, não podendo
ser livre ou íntimo. O órgão julgador deve apresentar as razões pelas quais entendeu que a prova merece o valor que foi
atribuído. Tanto é assim que o Código de 2015 não utiliza mais o conceito de “Livre Convencimento Motivado”, o “livre”
que antes era presente no Código de 73 saiu fora. Todavia, há limitações que devem ser obedecidas:

1) A prova deve constar nos autos e ofertar o direito do contraditório “o que não se encontra nos autos, não se encontra no
mundo”. Lembrando que a prova emprestada deve obedecer o contraditório tanto na sua origem, quanto no seu destino. Ou
seja, quando ela adentra nos autos destino ela passa a fazer parte do caderno probatório dele.

Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver
promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento.

Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o
valor que considerar adequado, observado o contraditório.
2) A prova deve ser racional, de modo que o juiz não pode proferir sua decisão com discurso superficial sobre o uso
da(s) prova(s) escolhidas. Deve haver uma análise aprofundada do assunto, uma análise de verossimilhança entre fato e
prova. Tanto é assim que decisões não podem vir baseadas unica e exclusivamente em crenças ou concepções
religiosas.

3) Há todavia, a limitação de valoração para aquelas provas que são previstas legalmente. Estas são uma exceção que
detém por si só a valoração. Exemplo: Apresentação do instrumento público que com comprova a emancipação, para
fins de autorização de casamento; escritura pública da doação do imóvel, para comprovação da posse e posterior
propriedade; promessa de compra e venda por meio de instrumento para fins de registro.

Esse sistema, assim, serve para evitar decisões arbitrárias baseadas em interpretações pessoais e, assim,
consequentemente, resguardar a segurança jurídica das decisões.
ÔNUS DA PROVA:
- Quando é realizada pelo legislador, é prévia e estabelece abstratamente quem arca com a falta de prova. Todavia, elas podem ser
alteradas pelo juiz ou pelas partes.

- As regras processuais, assim, que disciplinam a distribuição do ônus da prova direcionam-se às partes, pois orientam o que precisa
ser provado (ônus subjetivo), e ao órgão jurisdicional, pois orientam como decidir em caso de insuficiência das provas produzidas
(ônus objetivo). Ou seja, a análise objetiva é realizada após o encerramento da fase instrutória, no momento do julgamento, enquanto
que a subjetiva é realizada durante a produção de provas, na condução do processo e convencimento do juízo.

Art. 373. O ônus da prova incumbe:


I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
§ 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à
excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do
fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão
fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.
§ 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela
parte seja impossível ou excessivamente difícil.
§ 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando:
I - recair sobre direito indisponível da parte;
II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito.
§ 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo.
Falamos de ônus de provar fatos constitutivos, quando necessário suporte fático ao direito afirmado pelo autor em juízo. Cabe, em
tese, ao autor provar o nascimento do direito que busva em juízo. Ao réu, neste caso, cabe negar ou trazer fatos novo e
devidamente provados do seu direito modificativo/extintivo/impeditivo.

Assim, falamos de fatos extintivos aqueles que retiram a eficácia do fato constitutivo, fulminando a pretensão do autor. Podendo
ter sua origem conatural, ou seja, nascer com o direito, como por exemplo, a apresentação do comprovante de pagamento de uma
dívida que está sendo cobrada.

Fatos impeditivos, quando a existência obsta o fato constitutivo. Esse estará sempre ligado à ausência de validade do ato gerador,
como por exemplo: firmar contrato com incapaz, sem qualquer autorização ou representação. Tem natureza negativa, em razão da
ausência de alguma circunstância

Fatos modificativo é quando, se reconhece a existência do fato constitutivo, mas requer apenas alterar algum pedido, como por
exemplo, discutir a mora de alguma dívida.

EXCEÇÕES: há casos em que o legislador altera a regra geral e cria hipótese excepcionais para distribuição da prova. Todavia, o juiz é quem
autoriza tal inversão. Exemplos são: causas relativas ao direito do consumidor, que mesmo prevista no art. 6º, VIII, do CDC, exige a
determinação pelo juiz; a inversão da prova para aquele que é o titular de dados, prevista no art. 42, §2º, da LGPD, provar que ocorreu a
autorização para utilização dos dados.
PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA:
- A ação de produção antecipada de provas é a demanda pela qual se produz a prova para instruir um futuro processo. Esse
procedimento encerra na sua fase de instrução, eis que ainda não se busca que o juiz reconheça qualquer direito, mas apenas que foi
produzida regularmente. Tal ação permite a produção de todo e qualquer tipo de prova

Art. 381. A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que:
I - haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na
pendência da ação;
II - a prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou outro meio adequado de solução
de conflito;
III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento de ação.
§ 1º O arrolamento de bens observará o disposto nesta Seção quando tiver por finalidade apenas a realização
de documentação e não a prática de atos de apreensão.
§ 2º A produção antecipada da prova é da competência do juízo do foro onde esta deva ser produzida ou do
foro de domicílio do réu.
§ 3º A produção antecipada da prova não previne a competência do juízo para a ação que venha a ser
proposta.
§ 4º O juízo estadual tem competência para produção antecipada de prova requerida em face da União, de
entidade autárquica ou de empresa pública federal se, na localidade, não houver vara federal.
§ 5º Aplica-se o disposto nesta Seção àquele que pretender justificar a existência de algum fato ou relação
jurídica para simples documento e sem caráter contencioso, que exporá, em petição circunstanciada, a sua
intenção.
- Trata-se, assim, de um processo de jurisdição voluntária e, em razão de sua autonomia, não exige a propositura de futura demanda
com base nas provas que produziu, pois pode servir até como uma forma de freio para que o indivíduo perceba que não possui provas
suficientes para comprovar aquilo que entende lhe ser de direito.

Art. 382. Na petição, o requerente apresentará as razões que justificam a necessidade de antecipação da prova
e mencionará com precisão os fatos sobre os quais a prova há de recair.
§ 1º O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interessados na produção da prova
ou no fato a ser provado, salvo se inexistente caráter contencioso.
§ 2º O juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as respectivas
consequências jurídicas.
§ 3º Os interessados poderão requerer a produção de qualquer prova no mesmo procedimento, desde que
relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua produção conjunta acarretar excessiva demora.
§ 4º Neste procedimento, não se admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão que indeferir totalmente a
produção da prova pleiteada pelo requerente originário.

- Pode ocorrer tutela provisória, pedido liminar, em casos de extrema urgência, como risco de morte da testemunha, por exemplo.
Funda-se, assim, na urgência da situação a ser produzida;
- Importante destacar que, muito embora o CPC não esclareça se o ajuizamento de tal demanda interromperia o prazo prescricional, o
entendimento majoritário da doutrina entende que ela não interrompe, pois não inviabiliza que o autor ajuize esta ação somada de um
pedido de protesto judicial, a fim de interromper o prazo, vide CC.

Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á:
I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e
na forma da lei processual;
II - por protesto, nas condições do inciso antecedente;

- Como se trata de uma ação em que não haverá um “vencido”, não há condenação de honorários. Exceto, claro, naqueles casos em que
a parte contrária tenha resistência fundamentada contra a produção da prova
PROCEDIMENTO PROBATÓRIO:

Em sentido amplo, é a instrução da causa e o preparo dos


elementos necessários para que seja proferida uma decisão.

- FASE POSTULATÓRIA: momento em que se expõe os fatos e


os momentos jurídicos do pedido jurídico do autor e do réu;
- FASE DE SANEAMENTO: momento em que se fixam as
controvérsias;
- FASE PROBATÓRIA: que nada mais é do que a instrução da
causa em sentido estrito, ou seja, a produção dos fatos
probandos.
O procedimento probatório passa por 4 fases:
(a) a fase de preposição, que nada mais é do que o requerimento
formulado pela parte para apresentação de uma prova em juízo;

(b) a fase da admissão, que é formulada pelo juiz (art. 370, CPC), pois
este avalia a necessidade, a utilidade e o cabimento da prova.
Do indeferimento da prova, caberá apelação, devendo ser alegado em
sede de preliminar, vide art 1.009, §1º, CPC;
(c) a fase de produção, que é aquela que concretiza a prova dentro do
processo, podendo ser por meio de juntada de documento, realização da
perícia, tomada de depoimento e etc;

e, por fim, produzidas todas as provas, passasse para

(d) fase de valoração, que será realizada pelo juízo, de forma fundamentada
(arts. 371 e 372, CPC).
DAS PROVAS EM ESPÉCIE
PROVA: DEPOIMENTO PESSOAL
- Conjunto de comunicações, do autor ou do réu, formulado a pedido das
partes, com intuito de prestar esclarecimentos ao juiz para a formação do seu
convencimento.

Art. 379. Preservado o direito de não produzir prova contra si própria,


incumbe à parte:
I - comparecer em juízo, respondendo ao que lhe for interrogado;
II - colaborar com o juízo na realização de inspeção judicial que for
considerada necessária;
III - praticar o ato que lhe for determinado.
- Há duas espécies de depoimento pessoal, por PROVOCAÇÃO e por
INTERROGATÓRIO. Há, ainda, doutrinadores que reconhecem uma terceira
modalidade: AUTODEPOIMENTO.

1) Depoimento por provocação: é quando o requerimento é realizado pela parte


contrária, durante a audiência de instrução e podendo recair a penalidade da
confissão ficta, caso a parte se recuse ou não compareça.

Art. 385. Cabe à parte requerer o depoimento pessoal da outra parte, a


fim de que esta seja interrogada na audiência de instrução e
julgamento, sem prejuízo do poder do juiz de ordená-lo de ofício.
§ 1º Se a parte, pessoalmente intimada para prestar depoimento
pessoal e advertida da pena de confesso, não comparecer ou,
comparecendo, se recusar a depor, o juiz aplicar-lhe-á a pena.
2) Interrogatório: é determinado ex officio pelo juízo e pode ser requerido em
qualquer fase, inclusive na recursal. Todavia, neste caso, não haverá penalidade
de confissão ficta no caso da negativa, conforme disposto ao final do art. 385,
caput, CPC.

- Importa destacar que a doutrina não costuma considerar o interrogatório


como uma prova propriamente dita, mas apenas um meio de esclarecimentos ao
juiz sobre os fatos da causa, porém, é possível que do interrogatório o juízo
extraia algum elemento de prova para usar na sua convicção.
3) Autodepoimento (Depoimento por iniciativa do depoente): Trata-se da oitiva
da parte em juízo, por meio de seu próprio requerimento. Sua origem advém de
uma construção doutrinária que une os arts. 139, VIII, 369, 370 e 385 do CPC,
além do art. 8º, I, do Pacto de San José de Costa Rica.

- Tal ato oportuniza perguntas pelo juiz, pelo advogado que lhe patrocina e pelo
advogado da parte contrária. Baseia-se no fato de que às vezes a palavra falada
possui uma maior força do que a palavra escrita, pois se trata da sua visão
pessoal do fato e sem filtros.

- Nesta modalidade, o silêncio não conduz para uma confissão ficta.


IMPORTANTE:

1) Não será possível depoimento pessoal de incapaz por meio de


representante; Neste caso, o representante será ouvido como
testemunha;

2) O REPRESENTANTE da pessoa jurídica é o seu preposto, que, tendo


poderes para tanto, pode inclusive confessar algo; o PRESENTANTE da
pessoa jurídica é o órgão da pessoa jurídica, indicada no estatuto social,
que a torna presente. Deste modo, o presentante da pessoa jurídica só
pode depor acerca dos fatos expressamente estabelecidos no contrato
social e por isso, não se trata da pessoa mais indicada para ser ouvida
em juízo;
3) O CPC prevê, no seu art. 388, regras de direito a autopreservação,
ou seja, motivos pelos quais a parte não é obrigada a depor.

Art. 388. A parte não é obrigada a depor sobre fatos:


I - criminosos ou torpes que lhe forem imputados;
II - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo;
III - acerca dos quais não possa responder sem desonra própria, de
seu cônjuge, de seu companheiro ou de parente em grau sucessível;
IV - que coloquem em perigo a vida do depoente ou das pessoas
referidas no inciso III.
Parágrafo único. Esta disposição não se aplica às ações de estado e
de família.
PROVA: CONFISSÃO:
- Há confissão quando alguém reconhece a existência de um fato contrário ao seu
interesse e favorável ao do seu adversário (art. 389, CPC).

- A confissão pode ser trazida ao processo por um procurador com poderes


especiais. Ademais é pressuposto da confissão que o fato seja próprio e pessoal
do confitente, não podendo confessar assuntos de terceiros, pois neste caso seria
ouvido como testemunha.

- A confissão se trata de um negócio jurídico, não sendo podendo ser


condicionada, já que se trata de um meio de prova; Trata-se de ato irrevogável,
diante de sua natureza não negociável.
- Pode, contudo, ser invalidada, em razão de erro de fato ou coação.
Inclusive, tal ato se trata de uma das justificativas para ajuizamento de ação
rescisória (inciso VI, do art. 966, CPC).

- Há uma diferença entre confissão e reconhecimento do pedido, pois neste


último caso, a parte aceita a pretensão que lhe foi dirigida, implicando na
autocomposição resolução do mérito. No caso da confissão, esse ato recai
sobre fato contrário ao seu interesse, podendo confessar algo e negar as
consequências jurídicas.
Ex: O réu confessa que inscreveu o nome do autor no SPC, mas nega
que isso tenha gerado qualquer dano a ele.

- Lembrando que há diferença entre confissão (ação) e admissão (omissão),


também.
ESPÉCIES DE CONFISSÃO:

pode ser judicial ou extrajudicial; espontânea ou provocada (no caso desta, pode
gerar depoimento pessoal da parte), vide art. 390, CPC; pode ser real (feita pelo
confitente); oral ou escrita; ficta (em razão do não comparecimento ou recusa ao

depor).
Ainda, a confissão pode ser simples, que é quando restringe à declaração de

ciência de fato contrário ao confitente; pode ser qualificada, que é quando o


confitente nega os efeitos jurídicos que a parte adversária pretende obter do fato
confessado; pode ser complexa, que é quando o confitente traz fatos novos.
- Eficácia da confissão: implica na perda do direito da parte produzir prova
sobre o direito confessado. Ainda, em caso de confissão, a parte contrária fica
liberada do ônus da prova dos fatos afirmados. Todavia, a confissão não vincula
o magistrado, que poderá formar seu convencimento por meio de outras
provas.
“a confissão, enquanto meio de prova, conduz a uma presunção
relativa da veracidade dos fatos, devendo ser analisada pelo juiz
diante de todo o contexto probatório produzido nos autos” (STJ,
Resp n. 464.041/SE, 3ª T., Rel. Min. Castro Filho, em 03.11.2003)
- É possível confissão por meio de representante, mas é preciso que o
representante tenha poderes específicos para tanto, sendo inválida a
confissão realizada por representante sem poderes para tal fim:

Art. 392. Não vale como confissão a admissão, em juízo, de fatos


relativos a direitos indisponíveis.
§ 1º A confissão será ineficaz se feita por quem não for capaz de
dispor do direito a que se referem os fatos confessados.
§ 2º A confissão feita por um representante somente é eficaz nos
limites em que este pode vincular o representado.
PROVA: DOCUMENTAL
- Inicialmente é importante destacar que documento não é apenas algo escrito, como
por exemplo, fotografia, vídeos, áudios, etc. Há uma diferença, ainda, entre prova
documentada e prova documental, pois a primeira se trata do termo de colhimento da
prova produzida e introduzida no processo, como por exemplo, uma oitiva de
testemunha virá a ser documentada no processo em que se produziu e poderá servir
como prova documental em um outro processo, como prova emprestada.
ELEMENTOS DO DOCUMENTO:

Art. 410. Considera-se autor do documento particular:


I - aquele que o fez e o assinou;
II - aquele por conta de quem ele foi feito, estando assinado;
III - aquele que, mandando compô-lo, não o firmou porque, conforme a
experiência comum, não se costuma assinar, como livros empresariais e
assentos domésticos.

- A autoria divide-se em MATERIAL – que é quem escreveu/gravou/fotografou o objeto –


e em INTELECTUAL – que é a pessoa que ditou, ou contratou a gravação ou captação da
imagem. Assim, um documento será AUTÓGRAFO, quando a autoria material e
intelectual partirem da mesma pessoa; e HETERÓGRAFO quando forem distintos.
- Os documentos podem ser públicos ou particulares, isso
dependerá de quem seja o autor do documento.

“será público quando o seu autor imediato for agente investido de


função pública, e quando a formação do documento se der no
exercício da função (...). Será, ao contrário, particular o
documento quando a sua autoria imediata se dê por ação de um
particular ou mesmo de um funcionário púiblico (desde que não se
encontre no exercício de suas funções)” (MARINONI, 2016)
- Um ponto importante para validade do documento é este constar a
data de sua produção.

Art. 409. A data do documento particular, quando a seu respeito surgir


dúvida ou impugnação entre os litigantes, provar-se-á por todos os meios
de direito.
Parágrafo único. Em relação a terceiros, considerar-se-á datado o
documento particular:
I - no dia em que foi registrado;
II - desde a morte de algum dos signatários;
III - a partir da impossibilidade física que sobreveio a qualquer dos
signatários;
IV - da sua apresentação em repartição pública ou em juízo;
V - do ato ou do fato que estabeleça, de modo certo, a anterioridade da
formação do documento.
- Eficácia probatória do documento: A presunção de autenticidade e de veracidade do
conteúdo do documento público decorre da fé pública que lhe é reconhecida.
Todavia, é importante destacar que a fé pública diz respeito a eficácia da existência e
não ao declarado, pois o oficial não confere veracidade ao conteúdo que lhe é
declarado.

- Ainda, é importante destacar que o art. 407, CPC, traz a possibilidade de


irregularidade da prova produzida, quando realizado por oficial público incompetente
ou produzido sem a observância das formalidades legais.

- Quando se trata de documentos particulares, a declaração presume-se como


verdadeira em relação ao seu signatário, porém sua veracidade será relativa, vide art.
412, CPC.
Por ser relativa a veracidade, esta pode ser afastada quando:

(a) o autor for analfabeto e não tiver conhecimento do documento


que assinou;
(b) quando constar escritas minúsculas ou for tão complexo e extenso
que seria de impossível compreensão para um leigo;
(c) decorrer de coação ou erro; e
(d) quando existir nos autos outras provas que derrubem a
veracidade do declarado.
ATA NOTARIAL: Ato a ser descrito, por meio de solicitação, a um tabelião, para
garantir a eficácia e a conservação de algo. Exemplo disso, são os áudios de
whatsapp.

Art. 384. A existência e o modo de existir de algum fato podem ser


atestados ou documentados, a requerimento do interessado,
mediante ata lavrada por tabelião.
Parágrafo único. Dados representados por imagem ou som gravados
em arquivos eletrônicos poderão constar da ata notarial.
Vícios do documento:

EXTRÍNSECOS: quando diz respeito à sua forma ou quando há algo


que impossibilite a compreensão na íntegra (como um borrão);

INTRÍNSECOS: são aqueles inerente ao conteúdo, ou seja, quando


descreve algo que não ocorreu. Tais alegações devem ser realizadas
em sede de contestação.
PROVA: TESTEMUNHAL
- É quando a própria pessoa é vista como fonte de prova, devendo, todavia, ser um terceiro,
pois caso seja parte do processo, será depoimento pessoal.

- A prova testemunhal se trata do meio de prova existente mais antigo que se tem notícia,
considerando que as demais requerem um desenvolvimento cultural.

- O testemunho contém o relato daquilo que foi percebido pela testemunha, seja por visão,
olfato, tato, paladar ou audição.
A PROVA TESTEMUNHAL PODE SER:

1 PRESENCIAL, quando a pessoa presenciou o fato probando;

2 DE REFERÊNCIA, quando a pessoa soube do fato por terceiro;

3 REFERIDA, cuja existência foi apurada por meio de outro depoimento;

4 JUDICIÁRIA, quando relata em juízo o seu conhecimento a respeito do fato;

5 INSTRUMENTÁRIA, aquela que presenciou a assinatura do instrumento do ato


jurídico.
Outro fator importante é que, em tese, sempre será admitida:

Art. 442. A prova testemunhal é sempre admissível, não dispondo a lei de modo
diverso.

Art. 443. O juiz indeferirá a inquirição de testemunhas sobre fatos:


I - já provados por documento ou confissão da parte;
II - que só por documento ou por exame pericial puderem ser provados.
CAPACIDADE DE TESTEMUNHAR

Art. 447. Podem depor como testemunhas § 2º São impedidos:


todas as pessoas, exceto as incapazes, I - o cônjuge, o companheiro, o ascendente e o
impedidas ou suspeitas. descendente em qualquer grau e o colateral, até o
§ 1º São incapazes: terceiro grau, de alguma das partes, por
I - o interdito por enfermidade ou deficiência consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir o
mental; interesse público ou, tratando-se de causa relativa
II - o que, acometido por enfermidade ou ao estado da pessoa, não se puder obter de outro
modo a prova que o juiz repute necessária ao
retardamento mental, ao tempo em que
julgamento do mérito;
ocorreram os fatos, não podia discerni-los,
II - o que é parte na causa;
ou, ao tempo em que deve depor, não está
III - o que intervém em nome de uma parte, como o
habilitado a transmitir as percepções;
tutor, o representante legal da pessoa jurídica, o juiz,
III - o que tiver menos de 16 (dezesseis)
o advogado e outros que assistam ou tenham
anos; assistido as partes.
IV - o cego e o surdo, quando a ciência do
fato depender dos sentidos que lhes faltam.
§ 3º São suspeitos:
I - o inimigo da parte ou o seu amigo íntimo;
II - o que tiver interesse no litígio.
§ 4º Sendo necessário, pode o juiz admitir o depoimento das testemunhas menores,
impedidas ou suspeitas.
§ 5º Os depoimentos referidos no § 4º serão prestados independentemente de compromisso,
e o juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer.

- A testemunha também possui o direito ao silêncio;


- O ônus de juntar o rol de testemunhas, no prazo comum não superior a
15 dias definido na decisão de saneamento do processo, é das partes,
obedecendo ao disposto no art. 450, CPC.

Art. 450. O rol de testemunhas conterá, sempre que possível, o nome, a


profissão, o estado civil, a idade, o número de inscrição no Cadastro de
Pessoas Físicas, o número de registro de identidade e o endereço
completo da residência e do local de trabalho.

- É possível, ainda, a substituição de testemunha quando ocorrer:


falecimento, enfermidade ou tiver mudado para endereço desconhecido.
PROVA: PERICIAL
- Trata-se de uma prova que envolve conhecimentos técnicos que um juiz não teria
condições de produzir.

“A prova pericial é aquela em que a elucidação do fato se dá com auxílio de um


perito, especialista em determinado campo do saber, que deve registrar sua
opinião técnica e científica no chamado laudo pericial – que poderá ser objeto
de discussão pelas partes e por seus assistentes técnicos”. (DIDIER, 2022)

- A prova pericial é adequada quando a demonstração dos fatos


depender de exames técnicos e científicos, que exijam conhecimento
que estejam fora do alcance do homem-médio.
A PERÍCIA TÉCNICA PODE SER:

1 pela simples percepção técnica, ou seja, declaração do perito de ciência


dos fatos que só podem ser percebidos por meio de apuração técnica;

2 pela afirmação, por meio de parecer, de juízo técnico;

3 pela conjunção dos ultimos dois, que é a mais comum.

- Na prova pericial, pessoas ou coisas podem ser fontes de prova, eis que são
objetos de exames.
- Serviços não são fontes de prova pericial, de modo que, quando a perícia destina-
se a avaliar a qualidade ou valor de um serviço, na verdade, pericia-se a pessoa ou
a coisa para qual o serviço foi destinado.
ESPÉCIES DE PERÍCIA:

EXAME e VISTORIA: consistem no ato de inspeção e observação,


distinguindo-se apenas pelo seu objeto. O exame é destinado às

pessoas, bens móveis ou semoventes. A vistoria, por sua vez, é


destinada para inspeção de bens imóveis.

AVALIAÇÃO, também chamada de arbitramento, é a atividade de


fixação do valor de coisas e de direitos.
PERITO E ASSISTENTE TÉCNICO
A prova pericial, em si, é realizada pelo perito, que é aquele especialista em determinado
campo do saber, e que atua como auxiliar eventual do juízo.

Art. 473. O laudo pericial deverá conter: § 2º É vedado ao perito ultrapassar os limites de
I - a exposição do objeto da perícia; sua designação, bem como emitir opiniões
II - a análise técnica ou científica realizada pelo pessoais que excedam o exame técnico ou
perito; científico do objeto da perícia.
III - a indicação do método utilizado, § 3º Para o desempenho de sua função, o perito e
esclarecendo-o e demonstrando ser os assistentes técnicos podem valer-se de todos
predominantemente aceito pelos especialistas da os meios necessários, ouvindo testemunhas,
área do conhecimento da qual se originou; obtendo informações, solicitando documentos que
IV - resposta conclusiva a todos os quesitos estejam em poder da parte, de terceiros ou em
apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão repartições públicas, bem como instruir o laudo
do Ministério Público. com planilhas, mapas, plantas, desenhos,
§ 1º No laudo, o perito deve apresentar sua fotografias ou outros elementos necessários ao
fundamentação em linguagem simples e com esclarecimento do objeto da perícia.
coerência lógica, indicando como alcançou suas
conclusões.
Pode ocorrer a possibilidade de nomeação de mais de um perito, quando a perícia
é complexa e abrange mais de um conhecimento especializado, vide o disposto no
art. 475, CPC.

O perito pode, ainda, escusar-se a atuar na causa, desde que alegue motivos
justos e legítimos. Pode também ser recusado por uma das partes quando
verificado impedimento ou suspeição. Dessa forma, é viável a substituição do
perito.

Já o assistente técnico se trata de um auxiliar da parte. Neste caso, não há


necessidade da parcialidade. Ainda, havendo mais de um perito, poderá
igualmente indicar mais de um assistente.
PERITO ASSISTENTE TÉCNICO

FUNÇÃO AUXILIAR DA JUSTIÇA AUXILIAR DAS PARTES

Nomeado pelo juiz, respeitando


INDICAÇÃO exigências legais, ou escolhido Livre indicação das partes
consensulamente

Deve ser imparcial. Submete-se à


alegação de suspeição e É parcial. Não se submete à alegação de
PARCIALIDADE
impedimento salvo se escolhido suspeição e impedimento.
consensualmente

PARTICIPAÇÃO Obrigatória Opcional

Emitir juízos técnicos e científicos Fiscalizar trabalho do perito e emitir sua


ATIVIDADE
sobre a questão examinada opinião ou apoiar laudo pericial

INSTRUMENTO Laudo pericial Parecer técnico


- Ainda, entendendo o juiz que a perícia foi insuficiente, poderá determinar
realização de uma segunda perícia:

Art. 480. O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da


parte, a realização de nova perícia quando a matéria não estiver
suficientemente esclarecida.
§ 1º A segunda perícia tem por objeto os mesmos fatos sobre os
quais recaiu a primeira e destina-se a corrigir eventual omissão
ou inexatidão dos resultados a que esta conduziu.
§ 2º A segunda perícia rege-se pelas disposições estabelecidas
para a primeira.
§ 3º A segunda perícia não substitui a primeira, cabendo ao juiz
apreciar o valor de uma e de outra.
- Custos da perícia -

Art. 95. Cada parte adiantará a remuneração do II - paga com recursos alocados no orçamento da
assistente técnico que houver indicado, sendo a do União, do Estado ou do Distrito Federal, no caso de ser
perito adiantada pela parte que houver requerido a realizada por particular, hipótese em que o valor será
perícia ou rateada quando a perícia for determinada fixado conforme tabela do tribunal respectivo ou, em
de ofício ou requerida por ambas as partes. caso de sua omissão, do Conselho Nacional de Justiça.
§ 1º O juiz poderá determinar que a parte § 4º Na hipótese do § 3º, o juiz, após o trânsito em
responsável pelo pagamento dos honorários do julgado da decisão final, oficiará a Fazenda Pública
perito deposite em juízo o valor correspondente. para que promova, contra quem tiver sido condenado
§ 2º A quantia recolhida em depósito bancário à ao pagamento das despesas processuais, a execução
ordem do juízo será corrigida monetariamente e dos valores gastos com a perícia particular ou com a
paga de acordo com o art. 465, § 4º . utilização de servidor público ou da estrutura de órgão
§ 3º Quando o pagamento da perícia for de público, observando-se, caso o responsável pelo
responsabilidade de beneficiário de gratuidade da pagamento das despesas seja beneficiário de
justiça, ela poderá ser: gratuidade da justiça, o disposto no art. 98, § 2º .
I - custeada com recursos alocados no orçamento § 5º Para fins de aplicação do § 3º, é vedada a
do ente público e realizada por servidor do Poder utilização de recursos do fundo de custeio da
Judiciário ou por órgão público conveniado; Defensoria Pública.
PROVA: INSPEÇÃO JUDICIAL
1 Também conhecida como inspeção ocular, exame judicial ou reconhecimento
judicial, se trata do ato de percepção pessoal do juiz.

2 Poder ser determinada de ofício ou a requerimento da parte. Não admitindo-se, claro,


inspeção que vise satisfazer curiosidade, devendo seu objeto ser definido e
fundamentado.

3 Pode ser, ainda, utilizada como prova principal e única;

4 A lei menciona que apenas pessoas e coisas são fontes para inspeção judicial. Contudo,
não há impedimentos para que a inspeção ocorra em razão de fenômenos (erosão,
marém, barulho, etc). Neste último caso, terá tratamento como prova atípica;

5 O que se exige é que a fonte de inspeção seja perceptível pelos sentidos humanos.
6 Pode ocorrer inspeção de pessoa, mas não pode obrigá-la, em razão do princípio da
dignidade humana (assim como a submissão a perícia). Pode também ocorrer inspeção
de terceiro, desde que este aceite.

7 A inspeção será DIRETA, quando realizada pelo próprio juiz; INDIRETA quando o perito
for dedignado a realizar tal ato. Neste caso, trata-se de um perícia informal. Ainda, sendo
dessa maneira, deverá ser possibilitada a assistência de ténicos pelas partes para
acompanhar, que poderão vir a ser inquiridos pelo juízo.

8 Ao final da inspeção, será lavrado auto:


Art. 484. Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto
circunstanciado, mencionando nele tudo quanto for útil ao
julgamento da causa.
Parágrafo único. O auto poderá ser instruído com desenho,
gráfico ou fotografia.

9 Com a juntada do laudo, deverá ser oportunizado o contraditório.


QUESTÕES
Em uma ação que tramita em determinada vara cível, a parte ré alegou falsidade de diversos documentos
apresentados pelo autor, que, por sua vez, afirmava serem autênticos. Não sendo possível verificar a autenticidade
dos documentos pela simples análise superficial, o magistrado determinou que se procedesse à perícia dos
documentos por profissional qualificado. Com base no CPC/15, assinale a afirmativa correta. (XX EXAME DA
OAB/2016)

A) O custo pelos serviços prestados pelo perito deverão ser rateados por ambas as partes.

B) O custo da perícia será adiantado pelo réu, uma vez afirmada por ele a falsidade do documento.

C) O custo do serviço é da Fazenda Pública, porque a perícia foi determinada de ofício pelo magistrado e não por

qualquer das partes.

D) O pagamento do perito será custeado pelo fundo de custeio da Defensoria Pública, caso uma das partes seja

assistida pela Defensoria Pública e beneficiária da Justiça Gratuita.


Em uma ação que tramita em determinada vara cível, a parte ré alegou falsidade de diversos documentos
apresentados pelo autor, que, por sua vez, afirmava serem autênticos. Não sendo possível verificar a autenticidade
dos documentos pela simples análise superficial, o magistrado determinou que se procedesse à perícia dos
documentos por profissional qualificado. Com base no CPC/15, assinale a afirmativa correta. (XX EXAME DA
OAB/2016)

A) O custo pelos serviços prestados pelo perito deverão ser rateados por ambas as partes. (ART. 95, CPC)

B) O custo da perícia será adiantado pelo réu, uma vez afirmada por ele a falsidade do documento.

C) O custo do serviço é da Fazenda Pública, porque a perícia foi determinada de ofício pelo magistrado e não por

qualquer das partes.

D) O pagamento do perito será custeado pelo fundo de custeio da Defensoria Pública, caso uma das partes seja

assistida pela Defensoria Pública e beneficiária da Justiça Gratuita.


Acerca das provas, assinale a opção correta. (EXAME DA OAB/2007)

A) É plenamente válida a confissão do incapaz se feita por meio de seu representante


legal.

B) Testemunha instrumentária é a pessoa natural, estranha à relação processual, que


declara em juízo conhecer o fato alegado, por havê-lo presenciado ou por ouvir algo a seu
respeito.

C) A confissão é irretratável, por ser irrevogável, embora possa ser anulada.

D) As presunções legais não serão admitidas nos fatos em que a lei não admitir
depoimento de testemunha.
Acerca das provas, assinale a opção correta. (EXAME DA OAB/2007)

A) É plenamente válida a confissão do incapaz se feita por meio de seu representante legal.

B) Testemunha instrumentária é a pessoa natural, estranha à relação processual, que


declara em juízo conhecer o fato alegado, por havê-lo presenciado ou por ouvir algo a seu
respeito.

C) A confissão é irretratável, por ser irrevogável, embora possa ser anulada. (ART. 393,
CPC)

D) As presunções legais não serão admitidas nos fatos em que a lei não admitir depoimento
de testemunha.
Paulo e Ricardo, capazes, são partes em processo judicial que versa sobre erro médico. Diante da
especificidade da matéria e da imprescindibilidade da prova pericial para deslinde da causa, ambos entendem
que o profissional médico mais apto a ser o perito da causa é o Dr. Gabriel Barbosa, único especialista no
assunto que reside naquela comarca. Assim, Paulo e Ricardo requerem ao juízo, conjuntamente, a nomeação do
Dr. Gabriel Barbosa como perito. Considerando que a causa pode ser resolvida por autocomposição e que as
partes são capazes, tal requerimento deve ser (FGV - TJ/RJ - 2024)

A) deferido, eis que a escolha consensual de perito é negócio processual típico.

B) indeferido, pois a escolha de perito é atribuição privativa do magistrado.

C) deferido, eis que a escolha consensual de perito é negócio processual atípico.

D) indeferido, pois a existência de um único perito na Comarca dispensa a produção de prova pericial, em razão
da economia processual.

E) deferido, desde que haja a prévia designação de audiência para saneamento conjunto.
Paulo e Ricardo, capazes, são partes em processo judicial que versa sobre erro médico. Diante da
especificidade da matéria e da imprescindibilidade da prova pericial para deslinde da causa, ambos entendem
que o profissional médico mais apto a ser o perito da causa é o Dr. Gabriel Barbosa, único especialista no
assunto que reside naquela comarca. Assim, Paulo e Ricardo requerem ao juízo, conjuntamente, a nomeação do
Dr. Gabriel Barbosa como perito. Considerando que a causa pode ser resolvida por autocomposição e que as
partes são capazes, tal requerimento deve ser (FGV - TJ/RJ - 2024)

A) deferido, eis que a escolha consensual de perito é negócio processual típico. (ART. 471, CPC)

B) indeferido, pois a escolha de perito é atribuição privativa do magistrado.

C) deferido, eis que a escolha consensual de perito é negócio processual atípico.

D) indeferido, pois a existência de um único perito na Comarca dispensa a produção de prova pericial, em razão
da economia processual.

E) deferido, desde que haja a prévia designação de audiência para saneamento conjunto.
Segundo o Art. 473 do novo Código de Processo Civil, o laudo pericial deverá conter: (UNITINIS - AFTO - 2023)

I. exposição do objeto da perícia;


II. análise técnica ou científica realizada por perito;
III. indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito por
especialistas da área do conhecimento da qual se originou;
IV. resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério
Público.

É correto o que se menciona em

A) II, III e IV apenas.

B) I, II e III apenas.

C) I, II e IV apenas.

D) I, III e IV apenas.

E) I, II, III e IV.


Segundo o Art. 473 do novo Código de Processo Civil, o laudo pericial deverá conter: (UNITINIS - AFTO - 2023)

I. exposição do objeto da perícia;


II. análise técnica ou científica realizada por perito;
III. indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito por
especialistas da área do conhecimento da qual se originou;
IV. resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério
Público.

É correto o que se menciona em

A) II, III e IV apenas.

B) I, II e III apenas.

C) I, II e IV apenas.

D) I, III e IV apenas.

E) I, II, III e IV.


Sobre prova documental, assinale a opção correta. (INSTITUO ACCESS - CÂMARA DE
SALTO/SP - 2023)

A) Incumbe à testemunha instruir a petição inicial ou a contestação com os documentos


destinados a provar suas alegações.

B) Não é lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando
destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô-los
aos que foram produzidos nos autos corre entre ascendentes e descendentes, durante o
poder familiar.

C) O réu manifestar-se-á na contestação sobre os documentos anexados à inicial, e o


autor manifestar-se-á na réplica sobre os documentos anexados à contestação.

D) A parte, intimada a falar sobre documento constante dos autos, não poderá impugnar a
admissibilidade da prova documental.
Sobre prova documental, assinale a opção correta. (INSTITUO ACCESS - CÂMARA DE
SALTO/SP - 2023)

A) Incumbe à testemunha instruir a petição inicial ou a contestação com os documentos


destinados a provar suas alegações.

B) Não é lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando
destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô-los aos
que foram produzidos nos autos corre entre ascendentes e descendentes, durante o poder
familiar.

C) O réu manifestar-se-á na contestação sobre os documentos anexados à inicial, e o autor


manifestar-se-á na réplica sobre os documentos anexados à contestação. (ART. 437, CPC)

D) A parte, intimada a falar sobre documento constante dos autos, não poderá impugnar a
admissibilidade da prova documental.
AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO:
Trata-se de sessão pública (princípio da publicidade dos atos processuais), que deve
ocorrer de portas abertas e na presença das partes, advogados, testemunhas,
auxiliares da justiça e do juiz.

Muito embora conste no art. 365, CPC, que se trata de ato uno e contínuo, assim
ocorrerá apenas no caso da possibilidade de finalização em um único ato, não sendo
uma obrigatoriedade. Tanto que o próprio artigo traz a possibilidade de separação do
ato.
Art. 365. A audiência é una e contínua, podendo ser excepcional e
justificadamente cindida na ausência de perito ou de testemunha, desde que
haja concordância das partes.
Parágrafo único. Diante da impossibilidade de realização da instrução, do
debate e do julgamento no mesmo dia, o juiz marcará seu prosseguimento
para a data mais próxima possível, em pauta preferencial.
PARTES: O papel inicial de seu comparecimento é a tentativa de conciliação e, se for o caso,
prestar depoimento pessoal. A conciliação, em tese, não exige a presença de advogado por não se
tratar de ato postulatório, contudo, a parte tem o direito de se comunicar com seu defensor.

ADVOGADOS:É quem participa da audiência apresentando requerimentos e alegações. Quem


produz a prova formulando perguntas para as partes, testemunhas, peritos e assistentes técnicos.

TESTEMUNHAS: Tratam-se de terceiros chamados pelas partes para produção de prova


oral, na ajuda da elucidação dos fatos

AUXILIARES DA JUSTIÇA: São eles: oficial de justiça, responsável pelo pregão


das partes; escrivão, escrevente ou chefe de secretaria, que fica na incumbência de documentar a
audiência; eventualmente, um intérprete/tradutor e perito.
JUIZ: Fica com os papeis de dirigir, investigar e conciliar/mediar a audiência. Ou seja, cabe ao
juiz uma tentativa de autocomposição entre as partes (art. 359, CPC), da colheita de provas,
podendo formular perguntas às testemunhas e esclarecer quesitos dos peritos. Cabe, ao juiz,
também, a expedição da carta precatória/rogatória para busca de provas fora da comarca (oitiva de
testemunhas que residem fora). Por fim, é o juiz quem conduz as atividades da audiência, mantendo
a ordem e o decoro (art. 360, CPC).

Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, independentemente do emprego
anterior de outros métodos de solução consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.

Art. 360. O juiz exerce o poder de polícia, incumbindo-lhe:


I - manter a ordem e o decoro na audiência;
II - ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem inconvenientemente;
III - requisitar, quando necessário, força policial;
IV - tratar com urbanidade as partes, os advogados, os membros do Ministério Público e da
Defensoria Pública e qualquer pessoa que participe do processo;
V - registrar em ata, com exatidão, todos os requerimentos apresentados em audiência.
A Resolução 345/2020, do CNJ, autorizou a implementação do “JUÍZO 100% DIGITAL”, onde
todos os atos processuais deverão ser por meios eletrônicos e de forma remota. Todavia a
escolha de tal meio é facultativa e deve ser consensual, cabendo às partes frisar tal opção já na
petição inicial (art. 3º, §1º). Havendo essa escolha, as audiências serão por meio de
videoconferência (art. 5º).
A audiência possui esse nome de “instrução e julgamento” porque tem como seus objetivos
centrais instruir (produzir provas) e julgar (decidir), de forma que neste caso, será por meio da
oralidade, incluindo os debates das alegações finais. Há também, a oportunidade de conciliação,
que sempre estará em aberto em qualquer momento processual.
Importa destacar, que não se trata de ato essencial no processo, eis que cabe a sua dispensa,
com julgamento antecipado de mérito.

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