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GUIA DE ROTEIRO.
1 - STORYLINE:
A storyline é o resumo da história em uma ou duas frases/sentenças. É o spoiler da
história. O assunto principal, onde apresentamos o enredo de maneira concisa. Nem
sempre é necessário colocar o desfecho, mas principalmente deixar a proposta clara.
2 - PERFIL DE PERSONAGENS:
É o momento de “desenhar” os personagens e suas características principais. Quanto
mais conhecer os personagens e elabora-los, mais fácil fica para aplicá-los dentro da
história. Porém, apenas descrevam a personalidade e/ou comportamento. Evitem
colocar adjetivos, a não ser que sejam indispensáveis para a trama.
3 – SINOPSE:
Redação elaborada da trama, com detalhes da história a ser contada. A dica é: antes
de tudo, conte a história para você mesmo, tornando-se criador e ouvinte crítico da
sua própria ideia. Nunca deixe de fazer uma sinopse antes de escrever o roteiro. Pode
parecer maçante, mas é fundamental e de grande utilidade. Aqui, despejamos todas as
ideias, boas ou ruins. É a hora de juntar tudo que pode empurrar a história pra frente,
sem restrições, pois o momento é de liberdade de escrita para filtrar depois. Tenha
em mente o começo, ou seja, a apresentação do contexto e personagens, o meio,
quando o desenvolvimento da trama se estabelece e o final, a resolução com a
mensagem que deseja passar no texto (É O MAIS IMPORTANTE). Geralmente uma
sinopse enxuta tem uma lauda, mas quanto mais desenvolvida a sinopse, melhor. Sem
limite de páginas.
4 – ESCALETA:
A Escaleta é feita sobre a sinopse. É a divisão da história em cenas. Sem a sinopse, fica
impossível passar para esse estágio. Identificamos uma cena da seguinte forma:
Espaço físico e/ou Tempo. Por exemplo. Uma cena se passa na sala. A sequência é na
cozinha. A cena da sala é uma, a da cozinha é outra. Outro exemplo: Numa cena o
tempo é presente, o personagem está assistindo TV e lembra-se da sua infância. Essa
cena que memoriza é outra, já que estará mostrando uma coisa do passado, mudou o
tempo. Ou também do futuro, se for o caso. Depois de ter separado as cenas na
escaleta, comece a numerá-las: Cena 1, Cena 2, Cena 3, etc. A partir de agora, insira
em cada cena o que os personagens participantes da mesma dizem, ainda como
descrição. Por exemplo: Mario diz para Lia que não vai mais viajar porque está sem
grana. Lia responde que pode emprestar um dinheiro para ele.
Depois de elaborar essa Escaleta, separamos o que é Rubrica e o que é diálogo.
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RUBRICA É a descrição da ação da cena, por exemplo:
CENA 1
Exterior/ dia (EXT/DIA)
MARIO ESTÁ SENTADO NA VARANDA DA CASA, QUANDO LIA CHEGA COM AS
COMPRAS DO MERCADO. (RUBRICA)
Aqui descrevo quem está na cena e qual é a ação requerida.
Depois disso, vem a melhor parte, que é desenvolver os diálogos. Como já sabemos o
que cada personagem fala na cena, vamos trazer para a embocadura, sempre tomando
cuidado com diálogos redundantes e desnecessariamente longos. Eu recomendo
sempre diálogos enxutos:
Dica: Quando escrever um diálogo, sempre checar se ele é “falável”. Cuidado com
diálogos duros e amarrados que irão prejudicar o ator.
Ai fica assim:
CENA 1
VARANDA/ EXTERIOR/ DIA (EXT/DIA)
MARIO ESTÁ SENTADO NA VARANDA DA CASA, QUANDO LIA CHEGA COM COMPRAS
DO MERCADO.
MARIO – Oi, Lia. Estava te esperando.
LIA – Que ótimo! Assim você me ajuda com as sacolas.
MARIO PEGA AS SACOLAS. LIA ABRE A PORTA DA CASA.
LIA – Vamos entrar?
CENA 2 - COZINHA/INT DIA (INTERIOR/DIA)
LIA GUARDANDO AS COMPRAS PERCEBE QUE MARIO ESTÁ PREOCUPADO.
LIA – Tudo bem com você? Aconteceu alguma coisa?
MARIO – (RELUTANTE) É que... Não vou mais viajar.
LIA – Por que, Mário? Você organizou tudo e agora desiste de ir?
MARIO – Tive uma despesa inesperada e gastei a grana da viagem.
LIA – Você vai sim. Eu te empresto.
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MARIO – Melhor não. Vou arrumar uma dívida com você.
LIA – Fica tranquilo. Quando der, você me paga. O importante é a galera estar junta
nessa aventura.
E por aí vai...
5 - PLOT TWIST:
São as viradas que mudam o rumo da história, causadas por fatos inesperados,
personagens, revelações, etc.
Quanto mais viradas melhor. Por exemplo: Uma pessoa boa no início da história é
desmascarada. Algo que acontece com um personagem, muda os fatos. Um desfecho
final fora do radar.
Outro macete interessante é ter o público como testemunha de algo que os outros
personagens desconhecem, por exemplo: o padre na verdade é um vampiro e
ninguém sabe, só o publico, pois colocamos uma cena do padre bebendo o sangue da
galinha.
Só tomar cuidado com viradas tipo “tudo era um sonho do personagem”: isso é
enganar de forma pueril.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Escrever é cortar. Corte tudo que não empurre a história pra frente: diálogos,
personagens, cenas, etc. Sem dó, nem piedade.
O roteiro ou peça de teatro tem que ganhar vida própria, os personagens podem até
começar a agir de forma diferente daquela imaginada no início (Sinopse). Não reprima,
deixe fluir. Se o texto emperrar na terceira, quarta ou quinta cena tem algo errado. Ou
a história não é boa, a estrutura da sinopse não está funcionando, ou talvez seja uma
história para outra linguagem: literatura, poema, H.Q, etc. Isso acontece.
Escreva textos viáveis de serem produzidos. Não adianta inventar um monte de coisas
e não conseguir realizar. Mantenha o pé no chão.
REDAÇÃO NORMAL:
Sempre ao fazer uma redação escolar, antes de tudo, reflita sobre o tema, o contexto,
as informações que você dispõe e tire alguns minutos para avaliar o desenvolvimento
que você fará. O importante, antes de começar, é definir a conclusão, qual é a
mensagem final, sua opinião. Sabendo aonde quer chegar, vá construindo desde o
início o seu objetivo. É bom ter um olhar crítico dobre a questão para defender com
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propriedade seu ponto de vista. Também é possível colocar um plot twist em qualquer
redação, uma virada. Por ex: Tema- Qual a sua comida favorita?
Minha comida favorita sempre foi vatapá... (Ai desenvolve sobre o vatapá), mas
infelizmente, um dia quando estava comendo vatapá, a cozinheira enfartou e tive que
levá-la ao hospital (plot twist). Desde esse dia, nunca mais deixei de associar o vatapá
ao enfarte da cozinheira e o meu prato preferido passou a ser bife a cavalo (E aqui,
falar maravilhas sobre o bife a cavalo).
ESCREVER É TREINO. QUEM NÃO LÊ, NÃO ESTÁ INFORMADO, NÃO OBSERVA
ATENTAMENTE O COMPORTAMENTO HUMANO E O MUNDO A SUA VOLTA, NÃO
CONSEGUE ESCREVER BEM. SE LIGA, NÃO DESISTA, INSISTA. VOCÊ CONSEGUE!
Rogério Blat/SESI AP/2025