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Direitos Humanos e Grupos Vulneráveis

O documento aborda os direitos humanos das minorias e grupos vulneráveis, discutindo conceitos relacionados a grupos como povos indígenas, LGBTQIA+, mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência. Destaca a importância da proteção e promoção de direitos para esses grupos, evidenciando a discriminação racial e a necessidade de ações afirmativas no Brasil. O conteúdo é dividido em aulas que exploram diferentes aspectos da vulnerabilidade social e as políticas públicas relacionadas.

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Direitos Humanos e Grupos Vulneráveis

O documento aborda os direitos humanos das minorias e grupos vulneráveis, discutindo conceitos relacionados a grupos como povos indígenas, LGBTQIA+, mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência. Destaca a importância da proteção e promoção de direitos para esses grupos, evidenciando a discriminação racial e a necessidade de ações afirmativas no Brasil. O conteúdo é dividido em aulas que exploram diferentes aspectos da vulnerabilidade social e as políticas públicas relacionadas.

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DIREITOS HUMANOS DAS MINORIAS E GRUPOS


VULNERÁVEIS
139 minutos

 Aula 1 - Grupos vulneráveis: aspectos conceituais, a discriminação


racial e povos indígenas
 Aula 2 - LGBTQIA + e mulheres

 Aula 3 - Crianças, idosos e pessoas com deficiência

 Aula 4 - Migrações e refugiados

 Referências

Aula 1

GRUPOS VULNERÁVEIS: ASPECTOS CONCEITUAIS, A


DISCRIMINAÇÃO RACIAL E POVOS INDÍGENAS
A discussão sobre direitos humanos cada vez mais ocupa espaço no cenário nacional e internacional e,
nas narrativas contemporâneas, desempenha papel frequentemente associado ao fundamento para
legitimação dos processos político-sociais.
29 minutos

INTRODUÇÃO

A discussão sobre direitos humanos cada vez mais ocupa espaço no cenário nacional e internacional e, nas
narrativas contemporâneas, desempenha papel frequentemente associado ao fundamento para legitimação
dos processos político-sociais.
Os direitos humanos são faculdades que o direito atribui às pessoas e aos grupos sociais a expressão de suas
necessidades relativas à vida, à liberdade, à igualdade, à participação política e social ou a qualquer outro
aspecto fundamental que afete o desenvolvimento integral das pessoas em uma comunidade de pessoas
livres, exigindo o respeito ou a atuação dos demais indivíduos, dos grupos sociais e do Estado, com a garantia
dos poderes públicos para restabelecer seu exercício em caso de violação ou para realizar sua prestação.

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É exatamente nessa moldura que o debate hodierno sobre direitos humanos se articula em torno das
minorias e dos grupos vulneráveis, enquanto titulares de direitos numa sociedade de feitio complexo e
pluralista.

ASPECTOS CONCEITUAIS

A noção de minoria correlaciona-se mais estritamente ao elemento numérico referente a um contingente


inferior de pessoas, o que de certa forma pode ser uma caracterização reducionista, tendo em vista que, nos
dias de hoje, não cabe estabelecer uma divisão com base apenas no aspecto quantitativo, principalmente
porque geraria impasses em relação a grupos que muitas vezes são socialmente discriminados ou
marginalizados, embora não correspondam estritamente a um grupo inferior numericamente – por exemplo,
as mulheres, as crianças, as pessoas idosas.
Quanto a idéia de minoria, são identificados alguns elementos caracterizadores: não dominância; cidadania;
numérico; solidariedade entre seus membros para que seja preservada a cultura, religião ou idioma.
Os grupos vulneráveis caracterizam-se como pessoas que por diversas circunstâncias, tem sua participação na
sociedade de maneira diminuída, isto é, não são detentoras de oportunidades igualitárias aos bens e serviços
disponíveis para a população em geral. Neste sentido, é possível inferir que sofrem tanto materialmente como
social e psicologicamente os efeitos da exclusão, por motivos religiosos, saúde, sexualidade, etnia etc. A
vulnerabilidade social indica, pois, o processo de exclusão social que enseja a perda de representatividade na
sociedade. Há autores (ROGERS, Wendy; BALLANTYNE, Angela. Populações especiais: vulnerabilidade e
proteção. RECIIS. Rio de Janeiro, v. 2, p. 31-41, dez. 2008) que identificam como fontes de vulnerabilidade a
extrínseca e a intrínseca, a saber: a) vulnerabilidade extrínseca - ocasionada por circunstâncias externas, como
falta de poder socioeconômico, pobreza, falta de escolaridade ou carência de recursos; e b) vulnerabilidade
intrínseca - causada por características que têm a ver com os próprios indivíduos, tais como doença mental,
deficiência intelectual, doença grave, ou os extremos de idade (crianças e idosos).
Com efeito, as dificuldades em torno do tema podem ser percebidas na própria construção conceitual das
categorias de estudo, em função da adoção de terminologias que ressaltam determinados pontos da
identificação dos grupos ou sujeitos participantes das relações jurídicas aqui sob exame, pelo emprego tanto
do termo minorias como de grupos vulneráveis.
Muito embora exista uma confusão conceitual entre minorias e grupos vulneráveis, cumpre mencionar que a
primeira categoria se refere a sujeitos que ocupam posição de não dominância no país ou grupo social no
qual vivem. Enquanto os grupos vulneráveis constituem-se num contingente numericamente expressivo,
como as mulheres, as crianças e as pessoas idosas. Para efeito deste estudo, a diferenciação conceitual não
será levada em consideração de maneira criteriosa; ao contrário, ambas as terminologias serão utilizadas para
identificar as categorias a serem analisadas.

DISCRIMINAÇÃO RACIAL

A valorização da dignidade da pessoa humana ganha importância tanto no âmbito do direito interno dos
Estados como no plano internacional. O papel dos direitos humanos na atual conjuntura demanda a abertura
de frentes de estudo que possam articular e arquitetar saberes, dispostos tanto a auxiliar na compreensão
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dos fenômenos produzidos no contexto da complexidade social hodierna como a oferecer um instrumental
para a prática e militância dos atores sociais na área dos direitos humanos e para os operadores jurídicos que,
muitas vezes, carecem de referenciais adequados de abordagem.
De fato, pensar os direitos humanos na atualidade consiste em articular uma ótica intrincada e imbricada de
valores, perpassada por contextos que atingem de forma variada certos segmentos e grupos sociais. O
pluralismo é um dos aspectos que caracterizam o modelo de sociedade democrática brasileira. A diversidade
faz parte do meio social em que vivemos e é um elemento essencial para o desenvolvimento da comunidade.
Partindo desse raciocínio, pode-se observar a importância da proteção das minorias e dos grupos vulneráveis.
Nesta aula, serão contemplados os estudos sobre os povos indígenas e questões que ainda afligem o Brasil e
várias outros Estados nacionais: a discriminação racial.
Em relação aos povos indígenas, após longos anos de injustiças, discriminação, vilipêndio de direitos,
enfrentamentos para a manutenção de suas culturas, tradições, língua, crenças, espiritualidade, evidencia-se
que os mesmos (povos indígenas) acabaram por obter o reconhecimento por parte das Nações Unidas, por
meio da Declaração sobre Direitos dos Povos Indígenas, bem como na Carta Magna brasileira, no art. 231 e
232: “Art. 231 - “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e
os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las,
proteger e fazer respeitar todos os seus bens. (...)
Art. 232 - Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa
de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo.”
Na mesma toada, evidencia-se que o tema relativo à discriminação racial tem sido objeto de interesse tanto
no sistema internacional como no Estado brasileiro. No plano internacional, importante destacar que a
Convenção Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial foi adotada em Nova
Iorque, tendo sido aberta para assinaturas em 7 de março de 1966. Ela está centrada nos propósitos que
norteiam a Carta das Nações Unidas, isto é, os princípios da dignidade e da igualdade, que devem ser
observados em todos os seres humanos, sem qualquer tipo de distinção. No plano interno, evidencia-se que o
Brasil vem desenvolvendo uma série de ações afirmativas para aumentar as possibilidades de alguns grupos
que tradicionalmente ficaram afastados das oportunidades patrocinadas a outros segmentos sociais. Frise-se,
por oportuno, que a Constituição brasileira de 1988 veda quaisquer tipos de discriminação, conforme
estabelece o artigo 3, inciso IV que preconiza como objetivo do Estado brasileiro a promoção do bem de
todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

POVOS INDÍGENAS

No curso do século XX, com o desenvolvimento da proteção internacional dos direitos humanos, organizações
indígenas intensificaram as reivindicações com relação aos direitos dos povos indígenas. No Relatório da Corte
Interamericana de Direitos Humanos, é possível observar que o direito ao reconhecimento da personalidade
jurídica pelo Estado é uma das medidas especiais que devem ser proporcionadas aos grupos indígenas e
tribais, a fim de garantir que possam gozar de seus territórios de acordo com suas tradições. Enfatizou que
essa é a consequência natural do reconhecimento do direito dos membros dos grupos indígenas e tribais a
gozar de certos direitos de forma comunitária. No plano nacional, conforme dados do IBGE (2021), verifica-se
que a população brasileira é de 213.373.222 milhões de pessoas, sendo constituída por apenas 817.963 mil
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indígenas, de 305 diferentes etnias. Necessária, portanto, a proteção especial para este grupo de pessoas,
com resultados práticos no âmbito do legislativo, como se depreende, por exemplo, do art. 231 da
Constituição, ao proclamar que “são reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas,
crenças e tradições e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à
União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens” (BRASIL, 1988, [s. p.]); ao Poder Executivo,
ao promover políticas públicas em face dos povos indígenas, como no período da Covid-19, quando foram
deflagradas ações emergenciais para enfrentamento à pandemia provocada pelo novo coronavírus, a pedido
do Ministério da Saúde; pelo Poder Judiciário, como na emblemática decisão proferida pelo Supremo Tribunal
Federal ao julgar a Pet. 3.388, pela demarcação contínua da área de 1,7 milhão de hectares da Reserva
Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, a ser ocupada apenas por grupos indígenas.
Por ação afirmativa, entende-se o conjunto de medidas e mecanismos destinados a corrigir desigualdades e
efeitos diretos e indiretos de práticas discriminatórias que incidem no indivíduo ou em grupos coletivos por
razão de raça, cor, etnia, gênero, opção religiosa, criando obstáculos ou cristalizando barreiras culturais,
sociais ou econômicas, ainda que indiretamente, ao acesso ao crescimento sociopolítico e econômico e ao
desenvolvimento humano. É toda e qualquer prática de governos, órgãos públicos, empresas privadas ou
instituições de ensino que tenha por finalidade eliminar ou reduzir desigualdades, vindas de discriminações
baseadas em questões raciais ou de gênero. Neste particular, o Brasil vem desenvolvendo uma série de ações
afirmativas e política de cotas para minimizar os problemas indicados. Pode-se citar, a título ilustrativo, o
funcionamento da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), cujas finalidades
são: formulação, coordenação e articulação de políticas e diretrizes para a promoção da igualdade racial;
formulação, coordenação e avaliação das políticas públicas afirmativas de promoção da igualdade e da
proteção dos direitos de indivíduos e grupos étnicos, com ênfase na população negra, afetados por
discriminação racial e demais formas de intolerância; articulação, promoção e acompanhamento da execução
dos programas de cooperação com organismos nacionais e internacionais, públicos e privados, voltados à
implementação da promoção da igualdade racial; coordenação e acompanhamento das políticas transversais
de governo para a promoção da igualdade racial; planejamento, coordenação da execução e avaliação do
Programa Nacional de Ações Afirmativas; acompanhamento da implementação de legislação de ação
afirmativa e definição de ações públicas que visem ao cumprimento de acordos, convenções e outros
instrumentos congêneres assinados pelo Brasil, nos aspectos relativos à promoção da igualdade e ao combate
à discriminação racial ou étnica.

VÍDEO RESUMO

Caro aluno, o presente vídeo se propõe a apresentar conceitos fundamentais para a melhor compreensão do
tema que envolve minorias e grupos vulneráveis. Nesta aula, ganhará destaque a tutela jurídica internacional
e doméstica relativa aos povos indígenas e ao tema correspondente à discriminação racial.

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 Saiba mais
SIQUEIRA, D. P.; CASTRO, L. R. B. Minorias e grupos vulneráveis: a questão terminológica como fator
preponderante para uma real inclusão social. Revista Direitos Sociais e Políticas Públicas, v. 5, n. 1,
2017.

Aula 2

LGBTQIA + E MULHERES
Nesta temática que envolve os grupos vulneráveis, ganham relevo duas categorias de pessoas que
merecem, a exemplo de outras, tratamento diferenciado. Trata-se do estudo que envolve as mulheres e
o LGTBQIA+.
37 minutos

INTRODUÇÃO

Nesta temática que envolve os grupos vulneráveis, ganham relevo duas categorias de pessoas que merecem,
a exemplo de outras, tratamento diferenciado. Trata-se do estudo que envolve as mulheres e o LGTBQIA+.
Levando-se em consideração, num plano geral das garantias políticas das minorias, a questão de orientação
sexual no Brasil, no que tange à proteção do grupo LGTBQIA+, trata-se de um elemento relativamente novo
quanto ao desenvolvimento de políticas públicas antidiscriminatórias. Em relação à tutela em favor das
mulheres, evidencia-se o alargamento de normas jurídicas no plano doméstico em sintonia com o sistema
internacional. Este será o ponto desta aula.

LGBTQIA+

Inicialmente, quando se estabeleceu a necessidade de fomentar proteção a pessoas integrantes deste grupo,
a ideia alcançava apenas os gays, as lésbicas e os simpatizantes, sendo, por isso mesmo, apresentados como
pessoas pertencentes ao grupo GLS. Não se tratava de nenhum tipo de exagero ou modismo estabelecer
mecanismos próprios de proteção aos aludidos indivíduos, haja vista que eram (e ainda são) vítimas de
preconceitos, violências físicas e morais. Com o passar do tempo e o consequente fortalecimento da categoria
de indivíduos, o grupo passou a abarcar outros que igualmente são vítimas de segregação: os bissexuais, os
travestis, os transexuais, os transgêneros e, atualmente, alcança todas as orientações sexuais minoritárias e
manifestações de identidade de gênero divergentes do sexo designado pelo nascimento.
Nos dias atuais, o movimento político e social que defende a diversidade e busca mais representatividade e
direitos para essa população passou a utilizar a sigla LGBTQIA+. O seu nome demonstra a sua luta por mais
igualdade e respeito à diversidade. Cada letra representa um grupo de pessoas:
• L = Lésbicas – são mulheres que sentem atração afetiva/sexual pelo mesmo gênero, ou seja, outras
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mulheres.
• G = Gays – são homens que sentem atração afetiva/sexual pelo mesmo gênero, ou seja, outros homens.
• B = Bissexuais – diz respeito aos homens e às mulheres que sentem atração afetivo/sexual pelos gêneros
masculino e feminino. Ainda segundo o manifesto, a bissexualidade não tem relação direta com poligamia,
promiscuidade, infidelidade ou comportamento sexual inseguro. Esses comportamentos podem ser tidos por
quaisquer pessoas, de quaisquer orientações sexuais.
• T = Transgênero – diferentemente das letras anteriores, o T não se refere a uma orientação sexual, mas à
identidades de gênero. Também chamadas de “pessoas trans”, elas podem ser transgênero (homem ou
mulher), travesti (identidade feminina) ou pessoa não binária, que se compreende além da divisão “homem e
mulher”.
• Q = Queer – pessoas com o gênero queer são aquelas que transitam entre as noções de gênero, como é o
caso das drag queens. A teoria queer defende que a orientação sexual e a identidade de gênero não são
resultados da funcionalidade biológica, mas de uma construção social.
• I = Intersexo – a pessoa intersexo está entre o feminino e o masculino. As suas combinações biológicas e o
seu desenvolvimento corporal – cromossomos, genitais, hormônios etc. – não se enquadram na norma binária
(masculino ou feminino).
• A = Assexual – não sentem atração sexual por outras pessoas, independentemente do gênero. Existem
diferentes níveis de assexualidade, e é comum essas pessoas não verem as relações sexuais humanas como
prioridade.
• Por fim, o símbolo de “mais” no final da sigla aparece para incluir outras identidades de gênero e orientações
sexuais que não se encaixam no padrão cis-heteronormativo, mas que não aparecem em destaque antes do
símbolo.
Quanto às mulheres, é possível inferir que, ao longo dos anos, foram vítimas de abusos, atrocidades e
violências diversas. No passado, a condição jurídica da mulher em várias partes do mundo era lamentável
(infelizmente, esse quadro negativo ainda se apresenta em alguns países). Em determinados lugares, a mulher
chegou a ser vista como coisa e instrumento de deleite masculino. É bem verdade que vários problemas ainda
persistem em relação às mulheres, mesmo com as ações patrocinadas no plano das Nações Unidas e no
plano doméstico.

A TUTELA JURÍDICA INTERNACIONAL EM FAVOR DAS MULHERES

A luta pelo respeito aos direitos das pessoas LGBT no mundo já tem uma história, e a orientação sexual foi
reconhecida teoricamente como um componente fundamental da vida privada de cada indivíduo, que deve
ser livre de interferências arbitrárias e abusivas por parte de autoridades públicas. No Brasil, a matéria ganha
força a partir da Primeira Conferência Nacional de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais, realizada em
Brasília, entre 5 e 8 de junho de 2008. Naquela oportunidade, foi produzido o relatório que serviu de espeque
para o desenvolvimento de diversas políticas públicas em favor da categoria, sendo, por isso mesmo,
considerado um grande marco na luta pela Cidadania e pelos Direitos Humanos da população LGBT. A
Conferência teve como tema “Direitos Humanos e Políticas Públicas: o caminho para garantir a cidadania de
Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais”, sendo precedida de conferências estaduais em todas as
unidades da federação e incontáveis reuniões preparatórias de âmbito municipal ou regional. O evento
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contou com grande participação popular e integrou a agenda desenvolvida no Brasil para comemorar, à
época, os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A proposta era de que todos os conteúdos
debatidos fossem transformados em subsídios no processo de revisão e atualização do Programa Nacional de
Direitos Humanos, cujos temas discutidos e aprofundados nos grupos de trabalho da Conferência LGBT
resultaram nas deliberações e moções que se encontram no relatório. Evidencia-se o esforço do governo e da
sociedade civil na busca de políticas públicas que consigam responder às necessidades, às potencialidades e
aos direitos da população envolvida, a partir da implementação do Plano Nacional de Promoção da Cidadania
e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.
Em relação às mulheres, digno de nota a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação
contra a Mulher, adotada em 1979, que registra a grande preocupação de a mulher continuar sendo vítima de
abusos, constrangimentos e discriminações, pois, nas condições anteriormente indicadas, passam por
dificuldades para participar da vida política, econômica, social e cultural de seu país. Nesta toada, fomenta aos
Estados-partes a se comprometerem a desenvolver uma série de políticas para eliminar a discriminação
contra a mulher, tais como: consagrar o princípio da igualdade entre homem e mulher; adotar medidas e leis,
com sanções pertinentes, que proíbam qualquer tipo de discriminação contra a mulher; garantir a proteção
jurídica efetiva contra a mulher; abster-se de incorrer em todo ato ou prática de discriminação contra a
mulher; adotar medidas para que não ocorram discriminações contra a mulher, por quem quer que seja;
derrogar leis, inclusive as penais, regulamentos e práticas que constituam discriminação contra a mulher.
A Constituição brasileira de 1988 erigiu o reconhecimento formal da igualdade entre homens e mulheres, ao
estabelecer, no art. 5º, que:

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição.
— (BRASIL, 1988, [s. p.])

O AVANÇO LEGISLATIVO BRASILEIRO SOBRE A PROTEÇÃO DOS DIREITOS DAS MULHERES

O movimento em favor do reconhecimento do importante papel da mulher na sociedade brasileira ocorreu


pela grande mobilização estabelecida no plano internacional, que eclodiu com a redação da Convenção sobre
a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher. A referida Convenção objetivou o
desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a mulher, ou seja, não se trata apenas de buscar
mecanismos para que ela não seja discriminada mas também viabilizar condições para que possa ter maiores
oportunidades numa sociedade tradicionalmente machista, buscando, com isso, a materialização da
igualdade entre os sexos. Significa dizer que as mulheres, a partir do entendimento da Convenção, devem ser
titulares de seus direitos e de suas vontades no mesmo nível que os homens.
Em 1993, foi celebrada a Declaração sobre a Eliminação da Violência contra a Mulher, estabelecendo que a
violência contra a mulher está consubstanciada por qualquer ato de violência baseado no gênero de que

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resulte ou possa resultar, inclusive, as ameaças de tais atos, coerção ou privação arbitrária da liberdade,
podendo ocorrer na esfera pública ou na esfera privada. A noção de gênero, que vem expressa no referido
texto internacional, pode ser entendida como construção sociocultural do masculino e do feminino, isto é, são
atribuídos papéis diversos para homens e mulheres em sociedade, estabelecendo direitos e deveres, com
estrutura estratificada e hierarquizada.
No plano doméstico, foram sancionadas leis importantes, a exemplo da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de Brasil
(2006), conhecida como “Lei Maria da Penha”, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar
contra a mulher, dando estrutura aos poderes constituídos para proteger a vítima de agressões. Dignas de
destaque também a Lei nº 12.372, datada de 30 de novembro de 2012, conhecida como “Lei Carolina
Dieckmann”, que dispõe sobre a tipificação criminal de delitos informáticos e altera o Código Penal brasileiro;
a Lei nº 12.845, de1º de agosto de 2013, que dispõe sobre o atendimento obrigatório e integral de pessoas em
situação de violência sexual e oferece garantias às vítimas de violência sexual, como atendimento imediato
pelo SUS, amparo médico, psicológico e social, exames preventivos e o fornecimento de informações sobre os
direitos legais das vítimas; a Lei nº 13.104, de 9 de março de 2015, que alterou o art. 121 do Decreto-Lei nº
2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal –, para prever o feminicídio como circunstância qualificadora
do crime de homicídio, e o art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, que incluiu o feminicídio no rol dos
crimes hediondos; a Lei nº 14.132, de 31 de março de 2021, que ficou conhecida como “Lei contra stalking”; a
Lei nº 14.188, de 28 de julho de 2021, que cria o programa Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica e
Familiar; a Lei nº 14.192, de 4 de agosto de 2021, que estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a
violência política contra a mulher e altera a Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965 (Código Eleitoral), a Lei nº
9.096, de 19 de setembro de 1995 (Lei dos Partidos Políticos) e a Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 (Lei
das Eleições), para dispor sobre os crimes de divulgação de fato ou vídeo com conteúdo inverídico no período
de campanha eleitoral, para criminalizar a violência política contra a mulher e para assegurar a participação
de mulheres em debates eleitorais proporcionalmente ao número de candidatas às eleições proporcionais; a
Lei nº 14.245, de 22 de novembro de 2021, conhecida “Lei Mari Ferrer”, que se tornou vítima de um processo
judicial que tomou contornos de violência institucionalizada.
Quanto ao LGBTQIA+, destaca-se o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de
Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, aprovado em 2009, que tem como base as diretrizes e os
preceitos éticos e políticos que visam à garantia dos direitos e do exercício pleno da cidadania. Nesse sentido,
é importante ressaltar que a garantia de gênero, orientação sexual, raça/etnia, origem social, procedência,
nacionalidade, atuação profissional, religião, faixa etária, situação migratória, especificidades regionais e
particularidades da pessoa com deficiência é uma preocupação que perpassa todo o Plano e será levada em
conta na implementação de todas as suas ações. O documento contempla, numa perspectiva integrada, a
avaliação qualitativa e quantitativa das propostas aprovadas na Conferência Nacional LGBT, considerando,
ainda, a concepção e a implementação de políticas públicas. Dentre os objetivos a serem alcançados,
destacam-se: orientar a construção de políticas públicas de inclusão social e de combate às desigualdades
para a população LGBT, primando pela intersetorialidade e transversalidade na proposição e implementação
dessas políticas; promover os direitos fundamentais da população LGBT brasileira de inviolabilidade do direito
à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, dispostos no art. 5º da Constituição Federal;

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promover os direitos sociais da população LGBT brasileira, especialmente das pessoas em situação de risco
social e exposição à violência; combater o estigma e a discriminação por orientação sexual e identidade de
gênero.

VÍDEO RESUMO

Caro aluno, o presente vídeo se propõe a apresentar espécies normativas consagradas no plano interno e
internacional em favor das mulheres e do grupo LGBTQIA+, bem como políticas públicas que visam garantir
não apenas proteção mas também melhores condições de vida para essas pessoas.

 Saiba mais
SILVA, S. G. Da invisibilidade à pavimentação dos direitos humanos LGBTQIA+: um diálogo entre as
conquistas históricas e a consolidação de direitos. Revista Brasileira de Pesquisas Jurídicas, v. 1, n. 2,
2020.

Aula 3

CRIANÇAS, IDOSOS E PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


A presente aula tem por escopo tratar de três categorias de relevante interesse e grande vulnerabilidade:
as crianças, os idosos e as pessoas com deficiência.
34 minutos

INTRODUÇÃO

A presente aula tem por escopo tratar de três categorias de relevante interesse e grande vulnerabilidade: as
crianças, os idosos e as pessoas com deficiência. Apesar da importância, os avanços normativos na proteção
destas categorias de indivíduos deram-se de maneira recente. No caso das crianças, a matéria será
contemplada no final da década de 1980, com desdobramentos no plano doméstico em termos
constitucionais e infraconstitucionais. Quanto aos idosos, observa-se o crescimento da legislação no país,
especialmente a partir da tutela constitucional; por fim, quanto às pessoas com deficiência, evidencia-se que a
matéria ganha amplitude apenas no arvorecer do século XXI.

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CRIANÇAS

No ano de 1989, após “longa gestação”, as Nações Unidas deram mais um passo significativo em relação à
proteção dos direitos humanos ao conceber a Convenção sobre os Direitos da Criança. Essa Convenção foi
proposta nas celebrações do Ano Internacional da Criança, em 1979, tendo-se aguardado dez anos até que
seu texto fosse produzido. Vários foram os fatores para a demora: questões econômicas, sociais, políticas e
culturais; o papel que a criança deveria ter na sociedade, bem como no seio familiar; idade etc. Após dilatada
espera, o texto consagra que os Estados se comprometem a proteger as crianças de todas as formas de
discriminação e a assegurar-lhes assistência apropriada. Afirma, ainda, que as crianças devem crescer em
ambiente familiar, em clima de felicidade, amor e compreensão, para que possam ter um desenvolvimento
harmonioso e pleno de sua personalidade.
A Convenção estabelece que criança é todo ser humano menor de 18 anos de idade, salvo se, em
conformidade com a lei aplicável à criança, a maioridade seja alcançada antes. Afirma que, para que os
objetivos previstos na Convenção possam ser alcançados, é importante os Estados respeitarem os direitos
declarados no documento internacional, assegurando a todas as crianças sujeitas à jurisdição do Estado, em
especial: o direito à vida; o direito a ter uma nacionalidade; o direito à educação; o direito à segurança; o
direito à livre circulação; o direito à liberdade de pensamento e consciência; o direito a ter uma religião; o
direito à saúde; a proteção de interesses em caso de adoção; a proteção ante a separação dos pais; a proteção
contra abuso e exploração sexual; a proteção contra o envolvimento com uso e tráfico de drogas; a proteção
contra a exploração econômica.
Quanto à proteção dos direitos das pessoas idosas, pode ser evidenciada na elaboração de normas jurídicas,
bem como de políticas públicas, que são indispensáveis para que tais indivíduos, que ao longo dos anos
contribuíram para o desenvolvimento do país e de suas famílias, possam gozar de maneira plena dessa nova
etapa da vida. Para tanto, o primeiro passo na formulação desse entendimento corresponde à identificação de
quem é pessoa idosa. Conceituá-la é, a um só tempo, um desafio difícil de ser concretizado com precisão e
sujeito a críticas. Neste sentido, Anita Liberalesso Neri e Sueli Aparecida Freire (2003) muito adequadamente
ponderam que o processo de envelhecimento ocorre diferentemente para as pessoas, dependendo de seu
ritmo e da época de sua vida, pois a velhice não é um período caracterizado só por perdas e limitações.
Embora aumente a probabilidade de doenças e limitações biológicas, é possível manter e aprimorar a
funcionalidade nas áreas física, cognitiva e afetiva. Mesmo pessoas comuns podem alcançar alto nível de
especialização em domínios selecionados da inteligência, por exemplo, a memória e a solução de problemas.
Esse fato dificulta estabelecer com precisão um limite etário ou periodização da velhice, pois existe grande
variabilidade individual e social.
Em relação às pessoas com deficiência, observa-se o que preconiza a Convenção sobre Direitos das Pessoas
com Deficiência (CDPD), de 30 de março de 2007, que é considerada um dos instrumentos mais importantes
na proteção de pessoas com deficiência, no âmbito das Nações Unidas, uma vez que inovou ao “reconhecer
que a deficiência é um conceito em evolução e que resulta da interação dessas pessoas e as barreiras, devido
às atitudes e ao ambiente que impedem a sua plena e efetiva participação na sociedade em igualdade de
oportunidades” (BRASIL, 2009, [s. p.]). Dispõe que pessoa com deficiência é “aquela que têm impedimento de
natureza física, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua
participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas” (BRASIL, 2009,

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[s. p.]). O objetivo da Convenção da ONU para Pessoas com Deficiências é promover, proteger e assegurar a
fruição plena e equitativa de todos os direitos e liberdades fundamentais conferidos às pessoas com
deficiência, tendo como base a promoção e o respeito pela sua dignidade.

IDOSOS

O direito interno brasileiro está alinhado com o sistema internacional no que tange à proteção das crianças,
sendo certo afirmar que, a partir da Carta de 1988 e dos documentos internacionais de proteção à criança,
foram desenvolvidas legislações de proteção no plano infraconstitucional. O art. 227 da Constituição Federal
estabelece que:

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com


absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e
comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão.
— (BRASIL, 1988, [s. p.])

O referido artigo apresenta a ideia de que deve haver integração efetiva entre a família e o Estado para que
haja o desenvolvimento pleno da criança. Frise-se, por oportuno, que o Brasil ratificou a Convenção sobre os
Direitos da Criança, em 1º de novembro de 1990, logo após a criação da Lei nº 8.069, de 13 de julho do mesmo
ano, tendo o Estatuto da Criança e do Adolescente reproduzido a preocupação que veio expressa no texto
constitucional.
Do mesmo modo, é possível destacar a Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), de 30
de março de 2007, que está em vigência internacional desde 2008, e é considerada um dos instrumentos mais
importantes na proteção de pessoas com deficiência, no âmbito das Nações Unidas, uma vez que inovou ao
“reconhecer que a deficiência é um conceito em evolução e que resulta da interação dessas pessoas e as
barreiras, devido às atitudes e ao ambiente que impedem a sua plena e efetiva participação na sociedade em
igualdade de oportunidades” (BRASIL, 2009, [s. p.]). Além disso, a referida Convenção da ONU também inova
por ser instrumento vinculante aos Estados, sendo certo que, no Brasil, esta Convenção, junto ao seu
Protocolo Facultativo, foi aprovada com equivalência de emenda constitucional (conforme § 3º do art. 5º da
Constituição da República), o que significa que esta prevalecerá sobre a legislação pátria no que for mais
favorável às pessoas com deficiência, definidas nos termos do art. 1º da Convenção, como “aquelas que têm
impedimentos de natureza física, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras,
podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade com as demais pessoas” (BRASIL, 2009, [s. p.]).
Por fim, quanto às pessoas idosas, evidencia-se que o ordenamento jurídico brasileiro assegura rol
significativo de direitos para pessoas idosas, em conformidade com o que preconiza a Lei nº 14.423, de 22 de
julho de 2022, em seu art. 2º, que estabelece que:

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A pessoa idosa goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem
prejuízo da proteção integral de que trata a Lei, ao garantir, por lei ou por outros meios,
todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu
aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e
dignidade.
— (BRASIL, 2022, [s. p.])

Ademais, é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar à pessoa idosa,
com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao
esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e
comunitária. Por oportuno, o Judiciário tem reconhecido, em diversas ocasiões, a prioridade conferida às
pessoas idosas, como no SL 504 AgR/DF – Distrito Federal. Ag. Reg. na Suspensão de Liminar. Relator(a): Min.
Cezar Peluso (Presidente). Julgamento: 22-6-2011. Órgão Julgador: Tribunal Pleno, em que se evidencia
“Execução. Fazenda Pública. Precatório. EC n. 62/2009. Pagamento preferencial a pessoa idosa e portadores
de doenças graves”.

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Como já acentuado neste estudo, a dignidade da pessoa humana se apresenta como núcleo fundamentador
da ordem jurídica brasileira e baliza as ações que devem ser deflagradas pelo Estado (Executivo, Legislativo e
Judiciário).
Neste particular, em relação às pessoas com deficiência, para que haja não apenas o reconhecimento, mas,
sobretudo, a inserção delas nas mais diversas atividades, foram editadas várias normas que buscam dar
maior efetividade aos direitos dessa categoria de indivíduos, além de diversas manifestações por parte do
Judiciário, a exemplo do RMS 32.732 AgR/DF – Distrito Federal, [Link]. NO RECURSO ORD. EM MANDADO DE
SEGURANÇA, que teve como Relator o Ministro Celso de Mello (julgamento realizado em 3 de junho de 2014 –
Órgão Julgador: Segunda Turma. Ementa: Concurso Público – Pessoa Portadora de Deficiência – Reserva
Percentual de Cargos e Empregos Públicos (CF, art. 37, VIII) – Ocorrência, na espécie, dos requisitos
necessários ao reconhecimento do direito vindicado pela pessoa portadora de deficiência – atendimento.
Do mesmo modo, ao analisar a legislação brasileira e a norma internacional sobre as crianças, são
evidenciadas “felizes coincidências”, como a ideia central que consagra a proteção integral a elas. No campo
jurisprudencial, vale destacar o RE 482.611/SC – Santa Catarina, que teve como Relator o Ministro Celso de
Mello, cujo julgamento ocorreu em 23 de março de 2010:

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Crianças e adolescentes vítimas de abuso e/ou exploração sexual. Dever de proteção


integral à infância e à juventude. Obrigação constitucional que se impõe ao Poder Público.
Programa Sentinela – Projeto Acorde. Inexecução, pelo Município de Florianópolis/SC, de
referido programa de ação social cujo adimplemento traduz exigência de ordem
constitucional. Configuração, no caso, de típica hipótese de omissão inconstitucional
imputável ao Município. Desrespeito à Constituição provocado por inércia estatal (RTJ
183/818-819). Comportamento que transgrida a autoridade da Lei Fundamental (RTJ
185/794-796). Impossibilidade de invocação, pelo Poder Público, da cláusula da reserva do
possível sempre que puder resultar, de sua aplicação, comprometimento do núcleo básico
que qualifica o mínimo existencial (RTJ 200/191-197). Caráter cogente e vinculante das
normas constitucionais, inclusive daquelas de conteúdo programático, que veiculam
diretrizes de políticas públicas. Plena legitimidade jurídica do controle das omissões
estatais pelo Poder Judiciário. A colmatação de omissões inconstitucionais como
necessidade institucional fundada em comportamento afirmativo dos juízes e tribunais e
de que resulta uma positiva criação jurisprudencial do direito. Precedentes do Supremo
Tribunal Federal em tema de implementação de políticas públicas delineadas na
Constituição da República (RTJ 174/687 – RTJ 175/1212-1213 – RTJ 199/1219-1220). Recurso
Extraordinário do Ministério Público Estadual conhecido e provido.

Por fim, quanto à pessoa idosa, é possível afirmar que a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto da
Pessoa Idosa), é considerada um grande avanço na proteção aos direitos, uma vez que gozam de todos os
direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata a
mencionada norma. São asseguradas para as pessoas idosas, pela legislação ou por outros meios, todas as
oportunidades e facilidades para a preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral,
intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.

VÍDEO RESUMO

Caro aluno, o presente vídeo se propõe a apresentar a evolução normativa no sistema doméstico e
internacional que envolve os grupos vulneráveis relacionados às crianças, às pessoas idosas e às pessoas com
deficiência. Leis especiais de proteção para estas categorias são imprescindíveis por várias razões, podendo
ser verificado, desde logo, em face da tenra idade, no caso das crianças, e, de certo modo, da fragilidade que,
por vezes, apresenta o idoso, bem como cuidados e atenção especial, em relação às pessoas com deficiência.

 Saiba mais
DHANDA, A. Construindo um novo léxico dos direitos humanos: Convenção sobre os Direitos das Pessoas

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com Deficiências. Sur. Revista Internacional de Direitos Humanos, v. 5, n. 8, jun. 2008.

Aula 4

MIGRAÇÕES E REFUGIADOS
O fenômeno migratório não é recente. Ao contrário, data do primórdio das civilizações. O homem
primitivo, quando constatava que a terra que lhe dava os meios necessários para o sustento próprio e
dos seus já estava exaurida, procurava novos campos de abastecimento em outras regiões.
32 minutos

INTRODUÇÃO

O fenômeno migratório não é recente. Ao contrário, data do primórdio das civilizações. O homem primitivo,
quando constatava que a terra que lhe dava os meios necessários para o sustento próprio e dos seus já estava
exaurida, procurava novos campos de abastecimento em outras regiões.
De certo modo, é possível afirmar que tal situação permanece ainda nos dias atuais, posto que o movimento
migratório se manifesta de forma intensa, especialmente em direção aos países desenvolvidos. Tal fato tem
provocado manifestações contrárias de vários segmentos da sociedade civil, sendo certo que isso ocorre de
maneira mais acentuada em algumas regiões do planeta, principalmente em razão da eclosão de guerras civis,
problemas étnicos ou religiosos, conflitos armados e por questões ambientais.

O PANORAMA DAS MIGRAÇÕES NO BRASIL E NO MUNDO

A migração contínua e maciça de grande número de pessoas tem produzido sérias consequências tanto no
local de onde provieram como também para o local de chegada. Todavia, apesar das dificuldades que são
observadas, desde a saída até a chegada ao destino, o número de refugiados tem aumentado de maneira
significativa em vários cantos do planeta, posto que as pessoas se deslocam com a esperança de se instalar
em determinado Estado, para dar início a uma “nova vida” sem pressões, contratempos, ameaças e perigos
que se manifestavam em seus países de origem.
O instituto do refúgio, atualmente, abarca várias situações relacionadas a perseguições por motivos de raça,
religião, nacionalidade e opiniões políticas que contrariem os interesses de grupos à frente de um Estado.
A Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados, de 1951, define refugiado como qualquer pessoa

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1) Que foi considerada refugiada nos termos dos ajustes de 12 de maio de 1926 e de 30 de
junho de 1928, ou das Convenções de 28 de outubro de 1933 e de 10 de fevereiro de 1938,
além do Protocolo de 14 de setembro de 1939, ou ainda da Constituição da Organização
Internacional dos Refugiados;
As decisões de inabilitação tomadas pela Organização Internacional dos Refugiados
durante o período do seu mandato não constituem obstáculo a que a qualidade de
refugiados seja reconhecida a pessoas que preencham as condições previstas no § 2º da
presente seção;
2) Que, em consequência dos acontecimentos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951 e
temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou
opiniões políticas, encontra-se fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em
virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país, ou que, se não tem
nacionalidade e se encontra fora do país no qual tinha sua residência habitual em
consequência de tais acontecimentos, não pode ou, devido ao referido temor, não quer
voltar a ele.
No caso de uma pessoa que tem mais de uma nacionalidade, a expressão ‘do país de sua
nacionalidade’ refere-se a cada um dos países dos quais ela é nacional. Uma pessoa que,
sem razão válida fundada sobre um temor justificado, não se houver valido da proteção de
um dos países de que é nacional, não será considerada privada da proteção do país de sua
nacionalidade.
— (CONVENÇÃO..., 1951, p. 2)

Impende assinalar que o conceito estabelecido para refugiado, conforme preconiza a Convenção de 1951, foi
alargado em vários momentos, contemplando situações novas e não agasalhadas pela referida norma
internacional, como se depreende da leitura do Protocolo sobre o Estatuto dos Refugiados de 1966. O
conceito para o instituto do refúgio não pode ser estático, posto que a definição não se adapta facilmente à
magnitude, escala e natureza de muitos dos atuais conflitos ou situações de violência que culminam na
movimentação de pessoas, evidenciando que o conceito de refugiado não é e não pode ser considerado
estático, tal qual nenhuma norma ou conceito jurídico é. O Direito é uma expressão constante da experiência
social, de modo que as normas refletem comportamentos e fatos sociais, e não ao contrário, sob risco de
ficarem caducas e ineficazes. Assim, é preciso ter atenção aos casos empíricos que evidenciam que há muitas
outras pessoas deslocadas que não estão incluídas nas atuais definições de refugiado, todavia também não
estão excluídas. Cite-se aquelas pessoas que deixaram seus países de origem em razão de situações terríveis,
como miséria econômica generalizada, fragilidade democrática e tantas outras formas de violação ou restrição
a direitos fundamentais, mas que não são consideradas oficialmente refugiadas, uma vez que estas situações
não são vislumbradas no regime atual.
Assim, pode-se afirmar que o conceito de refugiado se relaciona a todo indivíduo que, em decorrência de

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fundados temores de perseguição, seja relacionada à sua raça, religião, nacionalidade, associação a
determinado grupo social ou opinião política e por fenômenos ambientais, encontra-se fora de seu país de
origem e que, por causa dos ditos temores, não pode ou não quer regressar a ele.

A TUTELA JURÍDICA INTERNACIONAL

Segundo Talavera e Moyano (2002, [s.p.]),

El concepto de refugiado tal como es definido en la Convención y el Protocolo constituye


una base legal apropriada para la protección de los refugiados a través del mundo. Esto no
impide la aplicación de un concepto de refugiado más amplio. Ambos conceptos de
refugiados no deberán ser considerados como mutuamente excluyentes. El concepto
ampliado deberá ser más bien considerado como un instrumento técnico efectivo para
facilitar su amplia humanitaria aplicación en situaciones de flujos masivos de refugiados.

É possível afirmar, para compreensão do alcance do instituto do refugiado, como todo o indivíduo que, em
decorrência de fundados temores de perseguição, seja relacionado à sua raça, religião, nacionalidade,
associação a determinado grupo social ou opinião política e por fenômenos ambientais, encontra-se fora de
seu país de origem e que, por causa dos ditos temores, não pode ou não quer regressar a ele.
Segundo dados fornecidos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, a partir do ano de
1975, o número de refugiados no mundo cresceu dez vezes, passando de 2.400.000 a 27 milhões. Essas
pessoas fugiram de guerras, conflitos e perseguições, sendo que a proporção é de um refugiado entre 115
pessoas da população mundial. Mais da metade dessa cifra é de crianças, adolescentes e mulheres que, em
alguns casos, como Ruanda e Bósnia, representam até 75% da população afetada. No ano de 2020, apesar da
pandemia da Covid-19, o número de pessoas que fugiram de guerras, violência, perseguições e violações de
direitos humanos subiu para quase 82,4 milhões, de acordo com o relatório anual do ACNUR, “Tendências
Globais”. A nova cifra é 4% maior que os 79,5 milhões registrados ao final de 2019 – maior número verificado
até então. O relatório mostra que, ao final de 2020, havia 20,7 milhões de refugiados sob o mandato do
ACNUR, 5,7 milhões de refugiados palestinos (sob o mandato da agência UNRWA) e 3,9 milhões de
venezuelanos deslocados fora do seu país. Outras 48 milhões de pessoas foram categorizadas como
deslocadas internas, ou seja, dentro dos seus próprios países. Adicionalmente, 4,1 milhões de pessoas
estavam sob a categoria de solicitantes do reconhecimento da condição de refugiado. Estes números indicam
que, apesar da pandemia e dos pedidos de cessar-fogo, conflitos continuam a expulsar pessoas de suas casas.
Ao final de 2021, o número de pessoas deslocadas por guerras, violência, perseguições e abusos de direitos
humanos chegou a 89,3 milhões (um crescimento de 8% em relação ao ano anterior e bem mais que o dobro
verificado há 10 anos), de acordo com o relatório “Tendências Globais”.
Em face disso, no plano interno, a matéria está regrada na Lei nº 9.474, de 22 de julho de 1997, que criou o

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Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão colegiado vinculado ao Ministério da Justiça que reúne
segmentos representativos da área governamental, da sociedade civil e das Nações Unidas. A referida lei
estabelece, em seu art. 1º:

Será reconhecido como refugiado todo indivíduo que:


I - devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade,
grupo social ou opiniões políticas encontre se fora de seu país de nacionalidade e não
possa ou não queira acolher se à proteção de tal país;
II - não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência
habitual, não possa ou não queira regressar a ele em função das circunstâncias descritas
no inciso anterior;
III - devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu
país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país.
— (BRASIL, 1997, [s. p.])

A PROTEÇÃO NA ORDEM JURÍDICA BRASILEIRA

Apesar de revestir o mais elevado interesse e importância, a situação que envolve os refugiados ainda se
apresenta como um grande desafio. De um lado, pode haver uma pessoa que tenha temor por sua segurança
em razão de suas opiniões, de pertencer a uma raça, nação, grupo ou etnia e que não pode ou não quer voltar
para seu país e, portanto, incidir na condição de refúgio. Por outro lado, os Estados podem ignorar por
completo as situações anteriormente descritas, não sendo obrigados a acolher essa pessoa em seu território.
Segundo dados divulgados pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), na 6ª edição do relatório
“Refúgio em Números”, ao final de 2020, havia 57.099 pessoas refugiadas reconhecidas pelo Brasil. Esse
número foi modificado, no ano de 2021, tendo o Brasil recebido 29.107 solicitações de reconhecimento da
condição de refugiado que, somadas àquelas registradas a partir do ano de 2011 (268.605), totalizaram
297.712 solicitações exaradas desde o início da última década.
Evidencia-se, pois, que no atual estágio da proteção dos direitos humanos, seja no plano interno ou no
internacional, não pode mais haver dúvidas quanto à aplicação do instituto do refúgio, que possui
características próprias, podendo ser apresentadas as seguintes:
a) Os Estados-partes naqueles instrumentos internacionais não têm discricionariedade de conceder ou não o
refúgio; dadas as condições objetivas para sua concessão, eles terão o dever de proceder afirmativamente.
b) O controle de aplicação das normas convencionais sobre refúgio depende de órgãos internacionais,
ficando, portanto, a responsabilidade dos Estados por inadimplência de seus deveres, no regime de violação
de normas específicas, sob controle de órgãos internacionais multilaterais.
c) Os motivos para a concessão de refúgio não são as simples perseguições por motivos políticos, mas, ainda,
outras, por motivos de raça, grupo social, religião e, sobretudo, situação econômica de grande penúria.
d) Há deveres precisos de os Estados-partes concederem aos refugiados documentos de identidade e de
viagem e, no caso brasileiro, proibições expressas de deportação aos postulantes, e de casos particulares de

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proibições de expulsão e de extradição aos refugiados.


e) Por tratar-se de instituto regulamentado sob a égide da ONU, as normas que regem o refúgio têm
salvaguardas de denegação de refúgio a pessoas que tenham cometido um crime contra a paz, um crime de
guerra ou um crime contra a humanidade, no sentido de os instrumentos internacionais serem elaborados
para prever tais crimes, bem como proibições de conceder refúgio a pessoas culpadas de atos contrários aos
fins e princípios das Nações Unidas.
O instituto do refúgio precisa ser valorizado atualmente, posto que os refugiados necessitam deslocar-se para
salvar suas vidas ou preservar sua liberdade.
Na maioria das vezes, essas pessoas não possuem proteção de seu próprio Estado, sendo que, em muitos
casos, é seu próprio governo que ameaça persegui-los. Se, porventura, não houver o devido acolhimento em
outros Estados, poderão estar fadadas à morte.
Por isso mesmo é que a determinação da condição de refugiado realiza-se de maneira individualizada,
devendo ser estabelecido o nexo de causalidade entre os acontecimentos produzidos e a saída do indivíduo.

VÍDEO RESUMO

Caro aluno, o presente vídeo se propõe a apresentar a situação jurídica dos refugiados no plano interno e
internacional. Para tanto, traremos as principais normas jurídicas que regem a matéria no direito brasileiro e
no direito internacional, bem como alguns dados estatísticos que demonstram o porquê a matéria tem sido
apresentada com relevo em decorrência dos efeitos endógenos e exógenos.

 Saiba mais
GUERRA, S. O instituto jurídico do refúgio à luz dos Direitos Humanos. Revista IUS GENTIUM, v. 7, n. 1,
2016.

REFERÊNCIAS
7 minutos

Aula 1

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[Link] Acesso em: 27 jan. 2023.


GOMES, J. B. B. A recepção da ação afirmativa no direito constitucional brasileiro. Revista de Informação
Legislativa, Brasília, ano 38, n. 151, p. 147, jul.-set. 2001.
GUERRA, S.; EMERIQUE, L. Direitos das minorias e grupos vulneráveis. Ijuí, RS: Ed. Unijuí, 2008.
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GUERRA, S. Direitos humanos na ordem jurídica internacional e reflexos na ordem constitucional
brasileira. 2. ed. São Paulo, SP: Saraiva, 2014.
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Malheiros, 1996.
ROGERS, Wendy; BALLANTYNE, Angela. Populações especiais: vulnerabilidade e proteção. RECIIS. Rio de
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Aula 2

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF:
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[Link] Acesso em: 14 dez. 2022.
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contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de
Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e
Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar
contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras
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em situação de violência sexual. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 14 dez. 2022.
BRASIL. Lei nº 13.104, de 9 de março de 2015. Altera o art. 121 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de
1940 - Código Penal, para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, e o art.
1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, para incluir o feminicídio no rol dos crimes hediondos. Brasília, DF:
Presidência da República, [2022]. Disponível em: [Link]
2018/2015/lei/[Link]. Acesso em: 14 dez. 2022.
BRASIL. Lei nº 14.192, de 4 de agosto de 2021. Estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a
violência política contra a mulher; e altera a Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965 (Código Eleitoral), a Lei nº
9.096, de 19 de setembro de 1995 (Lei dos Partidos Políticos), e a Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 (Lei
das Eleições), para dispor sobre os crimes de divulgação de fato ou vídeo com conteúdo inverídico no período
de campanha eleitoral, para criminalizar a violência política contra a mulher e para assegurar a participação
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de mulheres em debates eleitorais proporcionalmente ao número de candidatas às eleições proporcionais.


Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em: [Link]
2022/2021/lei/[Link]. Acesso em: 14 dez. 2022.
BRASIL. Lei nº 14.245, de 22 de novembro de 2021. Altera os Decretos-Leis nos 2.848, de 7 de dezembro de
1940 (Código Penal), e 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), e a Lei nº 9.099, de 26 de
setembro de 1995 (Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais), para coibir a prática de atos atentatórios à
dignidade da vítima e de testemunhas e para estabelecer causa de aumento de pena no crime de coação no
curso do processo (Lei Mariana Ferrer). Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 14 dez. 2022.
GUERRA, S. Curso de direitos humanos. 7. ed. São Paulo, SP: Saraiva, 2022.
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Aula 3

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GUERRA, S. Curso de direitos humanos. 7. ed. São Paulo, SP: Saraiva, 2022.
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ROCHA, S. M. C. Pessoas idosas no mercado de trabalho: garantia de sua dignidade. Salvador, BA: Geala,
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Aula 4

ALTO COMISSARIADO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA OS REFUGIADOS


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Refugiados de 1951, e determina outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2022]. Disponível
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GUERRA, S. Curso de direito internacional público. 14. ed. São Paulo, SP: Saraiva, 2022.
GUERRA, S. Curso de direitos humanos. 7. ed. São Paulo, SP: Saraiva, 2022.
MAIA, R. L. A. O sentido das diferenças: migrantes e naturais. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003.
MELLO, C. A. Direito internacional americano. Rio de Janeiro, RJ: Renovar, 1995.
SOARES, G. Curso de direito internacional público. São Paulo, SP: Atlas, 2002.
TALAVERA, F. N.; MOYANO, L. G. C. Derecho internacional público. Lima: Fondo Editorial de la PUC, 2002.
Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.

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