Pesquisa para Projeto de Multi-Apartamentos
Pesquisa para Projeto de Multi-Apartamentos
Docente
Ass.:________________________________
Luanda,2025
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 1
OBJECTIVOS GERAIS ............................................................................................................ 2
OBJECTIVOS ESPECÍFICOS .................................................................................................. 2
PROBLEMÁTICA..................................................................................................................... 2
HIPÓTESE ................................................................................................................................. 2
JUSTIFICATIVA....................................................................................................................... 2
I. CAPITULO I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................ 3
1.1. Contextualização historial do projecto ........................................................................... 3
1.1.1. Escala macro – angola................................................................................................ 3
1.1.2. Escala meso – luanda ................................................................................................. 3
1.1.3. Escala micro – município de belas ............................................................................. 3
1.2. História dos multi-apartamentos .................................................................................... 4
1.2.1. Origens e evolução histórica ...................................................................................... 4
1.2.2. O conceito de multi-apartamentos em angola ............................................................ 5
1.3. Leis e regras ................................................................................................................... 5
II. CAPITULO II – CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL ........................................... 7
2.1. Localização e contexto urbano ....................................................................................... 7
2.2. Contexto urbano e desenvolvimento .............................................................................. 7
2.2.1. O bairro 11 de novembro no contexto do desenvolvimento urbano .......................... 7
2.3. Clima e condições ambientais do município de belas.................................................... 7
condições ambientais e seus impactos no projeto ...................................................................... 8
2.4. Demografia do município de belas ................................................................................ 8
2.4.1. População e crescimento demográfico ....................................................................... 8
2.4.2. Perfil socioeconômico da população.......................................................................... 9
2.4.3. Impacto demográfico na arquitetura e no planeamento urbano ................................. 9
2.5. Economia do município de belas ................................................................................... 9
2.5.1. Principais setores econômicos ................................................................................... 9
2.6. A cultura do município de belas .................................................................................. 10
2.7. Recursos hídricos do município de belas ..................................................................... 10
2.8. O solo no município de belas ....................................................................................... 11
2.9. Mapa topográfico ......................................................................................................... 11
CONCLUSÃO ........................................................................................................................ 12
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ................................................................................. 13
ANEXOS ................................................................................................................................. 14
INTRODUÇÃO O terreno selecionado, com dimensões de 120m x 100m, será estudado em termos de viabilidade para
A pesquisa e a recolha de dados são etapas imprescindíveis no desenvolvimento de qualquer projeto a implantação de um edifício multi-apartamento, composto por unidades habitacionais de tipologias T2, T3
arquitectónico, uma vez que asseguram que as decisões ao longo do processo se apoiem em informações e T4+1. O projeto distribuir-se-á por cinco pisos positivos e dois pisos negativos, exigindo um exame
sólidas, concretas e contextualizadas. Estas fases fornecem uma compreensão aprofundada do local de detalhado da legislação urbanística local, dos coeficientes de aproveitamento, dos índices de ocupação e de
implementação, abarcando aspetos físicos, sociais, históricos, ambientais e urbanísticos. Adicionalmente, a outras normas pertinentes ao empreendimento.
investigação permite identificar desafios e oportunidades, de modo a garantir que a proposta arquitectónica Este documento tem por objetivo apresentar a metodologia adotada na pesquisa e recolha de dados,
responda adequadamente às necessidades do público-alvo e esteja em conformidade com a legislação detalhando as informações obtidas em cada escala de análise e estabelecendo uma base sólida para a
vigente. conceção do projeto arquitectónico. A investigação abordará elementos históricos, ambientais e sociais,
Neste trabalho, a pesquisa será organizada de forma a cobrir três escalas de análise: macro, meso e assegurando que o projeto final se integre harmoniosamente no seu entorno e satisfaça as exigências dos
micro. Na escala macro, será considerada uma visão global da cidade e do contexto regional, com atenção futuros utilizadores. Com um levantamento rigoroso e uma interpretação criteriosa dos dados recolhidos,
aos aspetos urbanísticos, económicos e culturais. A escala meso centra-se no bairro e na área circundante, será possível desenvolver uma proposta fundamentada, sustentável e adaptada ao contexto de implantação.
p. 1
Objectivos gerais De que forma as normas urbanísticas e as restrições legais influenciam o desenho e a execução do
O principal objetivo deste trabalho é desenvolver um projeto arquitetónico fundamentado numa projeto?
pesquisa e recolha de dados rigorosas, que possibilite a integração harmoniosa das dimensões urbanísticas, Quais estratégias podem ser implementadas para garantir a sustentabilidade do edifício e a otimização
sociais, ambientais e históricas do terreno, promovendo uma proposta sustentável e adaptada ao contexto de dos recursos disponíveis?
implantação. Hipótese
Objectivos específicos A hipótese subjacente ao desenvolvimento deste projeto é que a implementação de uma abordagem
• Proceder à avaliação detalhada em escalas macro, meso e micro, identificando as dinâmicas de pesquisa detalhada e multiescalar permitirá:
urbanísticas e as características específicas do terreno. A recolha e análise rigorosa de dados irão assegurar que todas as decisões de projeto sejam embasadas
• Analisar os parâmetros legais e normativos aplicáveis ao terreno e ao edifício multi- em informações concretas e contextualizadas.
apartamento, incluindo coeficientes de aproveitamento e índices de ocupação. A utilização de soluções inovadoras e adaptadas ao contexto, em conformidade com a legislação e as
necessidades dos futuros utilizadores, permitirá a criação de um edifício multi-apartamento que se integre
• Levantar os fatores críticos que poderão influenciar a viabilidade e a integração do projeto no
de forma eficiente e sustentável no seu entorno.
seu entorno, nomeadamente no que diz respeito à infraestrutura, acessibilidade e impacto
A proposta arquitetónica, resultante da identificação e análise dos desafios e oportunidades, será
ambiental.
capaz de responder de forma eficaz às exigências do ambiente urbano e das dinâmicas sociais locais.
• Formular uma solução arquitetónica que, aliada à recolha de dados, responda às necessidades
dos futuros utilizadores, promovendo a sustentabilidade e a eficiência no uso do espaço. Justificativa
Este trabalho justifica-se pela importância de realizar uma análise detalhada do município de Belas,
Problemática
especialmente no bairro 11 de Novembro, para o desenvolvimento de um projeto arquitetônico que responda
A problemática que orienta este trabalho assenta na necessidade de conciliar o desenvolvimento de
às necessidades habitacionais da região, levando em consideração suas características urbanísticas, sociais,
um edifício multi-apartamento com os desafios impostos pelo contexto urbano e ambiental do terreno. As
ambientais e culturais. A pesquisa permitirá garantir que o projeto seja sustentável, funcional e adaptado ao
principais questões a serem abordadas incluem:
contexto local, assegurando o uso eficiente do solo e recursos, além de contribuir para o planejamento urbano
Como integrar um projeto de grande dimensão num ambiente que apresenta características físicas e
da área em expansão.
sociais específicas?
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I. CAPITULO I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A independência de Angola, proclamada em 11 de novembro de 1975, foi seguida por um longo
período de guerra civil (1975-2002), que afetou profundamente o desenvolvimento urbano e arquitetónico
1.1. Contextualização historial do Projecto
do país. Muitas infraestruturas foram destruídas, e a falta de planeamento urbano levou à expansão
A conceção de um projeto
desordenada das cidades, resultando no crescimento de bairros informais sem infraestrutura adequada.
arquitetónico deve estar ancorada numa
Com o fim da guerra civil em 2002, Angola iniciou um processo de reconstrução, impulsionado pelo
compreensão profunda do contexto
boom petrolífero, que trouxe investimentos significativos para o setor da construção civil. Grandes projetos
histórico, social e urbanístico onde será
de reabilitação e modernização foram implementados, especialmente em Luanda.
implantado. Para tal, a análise será
Angola na Atualidade
realizada em três escalas: macro,
Atualmente, Angola enfrenta desafios e oportunidades no campo da arquitetura e do urbanismo. O
abordando Angola enquanto território
crescimento populacional acelerado e a migração rural-urbana continuam a pressionar as cidades, resultando
Figura 1 - Contextualização historial do Projecto (Macro, Meso, Meso). Fonte: Autoria nacional; meso, focalizando a província
própria, 2025 na necessidade de habitação acessível e infraestrutura urbana. O governo tem promovido programas
de Luanda; e micro, estudando o
habitacionais, como o Programa Nacional de Urbanismo e Habitação, que visa reduzir o défice habitacional
município de Belas.
e melhorar a qualidade de vida da população.
1.1.1. Escala Macro – Angola
1.1.2. Escala Meso – Luanda
A história de Angola é marcada por quatro períodos distintos: pré-colonial, colonial, pós-colonial e
Luanda, capital de Angola, foi fundada em 1576 pelo explorador português Paulo Dias de Novais. A
contemporâneo. Cada um desses períodos influenciou diretamente a evolução urbana e arquitetónica do país.
cidade desenvolveu-se inicialmente como um entreposto comercial e, posteriormente, como o principal
Período Pré-Colonial (antes de 1482)
centro administrativo e económico do país.
Antes da chegada dos colonizadores portugueses, o território que hoje corresponde a Angola era
Durante o período colonial, a arquitetura de Luanda foi fortemente influenciada pelo estilo português,
habitado por diversos povos de origem bantu, organizados em reinos e sociedades estruturadas. Destacam-
refletido em edifícios como a Fortaleza de São Miguel e a Sé Catedral de Luanda. No século XX, surgiram
se o Reino do Kongo, o Reino Ndongo e o Reino da Matamba, entre outros. Estes reinos possuíam sistemas
novas influências modernistas, com a construção de edifícios emblemáticos como o Hotel Presidente e o
administrativos próprios e uma arquitetura vernacular adaptada ao clima e aos materiais locais. As
Palácio de Ferro, projetado por Gustave Eiffel.
construções eram predominantemente em adobe e madeira, com telhados de capim, refletindo uma profunda
Após a independência, Luanda passou por um crescimento desordenado devido à migração massiva
conexão com o meio ambiente.
de populações deslocadas pela guerra civil. Hoje, é uma cidade marcada pelo contraste entre áreas
Período Colonial (1482-1975)
modernizadas, como a Baía de Luanda, e bairros informais sem infraestrutura básica. O governo tem
A chegada dos portugueses em 1482, liderados por Diogo Cão, marcou o início do período colonial,
investido em projetos de requalificação urbana, como a construção de centralidades e melhorias no sistema
que transformou drasticamente a estrutura urbana e arquitetónica de Angola. Durante a era colonial, a
de transporte público.
arquitetura foi influenciada pelo estilo europeu, resultando na construção de fortes, igrejas e edifícios
administrativos que refletiam o domínio português. 1.1.3. Escala Micro – Município de Belas
Durante os séculos XVI e XVII, Luanda foi estabelecida como um dos principais entrepostos do O município de Belas, localizado na zona sul de Luanda, é uma das regiões que mais cresceram nas
tráfico transatlântico de escravos, o que contribuiu para o crescimento urbano da cidade. No século XX, últimas décadas, impulsionado pelo aumento populacional e pelos investimentos imobiliários. Abriga
particularmente durante o Estado Novo (1933-1974), a arquitetura modernista começou a ganhar espaço, projetos habitacionais de grande escala, como a Centralidade do Kilamba e a Centralidade do Sequele, que
com edifícios inspirados no movimento internacional, como o Prédio da Mutamba e o Mercado do Kinaxixi. visam responder à procura por habitação.
A habitação coletiva tem sido uma resposta à necessidade Século XX: Arquitetura Moderna e Habitação Social
de acomodar grandes populações em áreas urbanas ao longo da O século XX trouxe inovações arquitetónicas e urbanísticas significativas. Movimentos como o
história. O conceito de multi-apartamentos evoluiu Modernismo e o Bauhaus influenciaram o design dos multi-apartamentos, promovendo funcionalidade,
influenciado por fatores como crescimento populacional, Durante o pós-Segunda Guerra Mundial, muitos países enfrentaram uma crise habitacional, o que
industrialização e avanços tecnológicos na construção civil. levou à construção em massa de habitação social. Projetos como os blocos habitacionais soviéticos
(Khrushchyovkas) e os conjuntos habitacionais europeus foram criados para acomodar populações
1.2.1. Origens e Evolução Histórica
deslocadas e de baixa renda.
Antiguidade
Nos Estados Unidos, surgiram os arranha-céus residenciais, como o Marina City em Chicago (1964),
Os primeiros exemplos de habitação coletiva remontam ao
Figura 2 - Kilamba – Luanda. Fonte: Pinterest, 2025 marcando o início da verticalização urbana. Paralelamente, a popularização do concreto armado e dos
período da Roma Antiga (século I a.C.), onde edifícios conhecidos
elevadores tornou possível a construção de edifícios mais altos e eficientes.
como "insulae" eram construídos para abrigar a crescente população urbana. As insulae eram prédios de
Século XXI: Sustentabilidade e Tecnologia
vários andares, feitos de tijolo e madeira, e destinavam-se principalmente às classes médias e baixas. No
Atualmente, a habitação coletiva evoluiu para atender às necessidades contemporâneas, com ênfase
entanto, devido à falta de regulamentação e à má qualidade da construção, esses edifícios eram vulneráveis
em sustentabilidade, eficiência energética e inovação tecnológica. Conceitos como edifícios inteligentes,
a desabamentos e incêndios.
eco-condomínios e arranha-céus verdes tornaram-se tendência em cidades como Singapura, Nova Iorque e
Idade Média e Renascimento
Dubai.
Durante a Idade Média, a habitação coletiva era menos comum, uma vez que as cidades europeias
Os multi-apartamentos modernos incorporam materiais ecológicos, sistemas de reaproveitamento de
tinham uma densidade populacional menor e a organização social era baseada em feudos. No entanto, já
água, energia solar e automação residencial, oferecendo conforto e eficiência energética. Além disso, novas
existiam edifícios multifamiliares em cidades comerciais como Veneza, onde mercadores e artesãos viviam
abordagens, como co-living e microapartamentos, surgiram para atender às mudanças nos estilos de vida
em edifícios de vários andares sobre as suas lojas.
urbanos.
1.2.2. O Conceito de Multi-Apartamentos em Angola 4. A ventilação e iluminação natural dos cômodos devem ser garantidas por meio de aberturas voltadas
Em Angola, a história dos multi-apartamentos está diretamente ligada ao crescimento urbano, para áreas externas ou pátios internos adequados.
especialmente em Luanda. Durante o período colonial, edifícios de habitação coletiva começaram a surgir CAPÍTULO IV – CONDIÇÕES GERAIS DE PROJETO
no centro da cidade, seguindo o modelo europeu. Exemplos notáveis incluem os prédios da Mutamba e os Artigo 12.º
edifícios da Marginal de Luanda, que atendiam principalmente à elite colonial. Nos edifícios multifamiliares, devem ser observados requisitos mínimos de segurança, ventilação,
Após a independência em 1975, a rápida urbanização levou à construção desordenada de bairros iluminação e acessibilidade.
periféricos e ao surgimento de musseques (bairros informais). Para enfrentar o défice habitacional, o governo Artigo 14.º
implementou projetos como as centralidades do Kilamba, Sequele e Zango, promovendo habitação vertical 1. Os edifícios de multiapartamentos devem ter saídas de emergência bem dimensionadas.
em larga escala. 2. Devem possuir ao menos um elevador quando ultrapassarem três pavimentos.
Atualmente, há um crescente interesse na construção de edifícios multi-apartamentos modernos, 3. As áreas comuns devem atender a requisitos mínimos de ventilação e iluminação natural.
alinhados com princípios de sustentabilidade e urbanismo inteligente. Estes projetos visam melhorar a CAPÍTULO V – CONDIÇÕES DE HABITABILIDADE
qualidade de vida dos cidadãos, promovendo soluções habitacionais acessíveis e bem integradas ao contexto Artigo 18.º
urbano. 1. A área mínima de um apartamento em edifícios multifamiliares não pode ser inferior a 30m² para
A história dos multi-apartamentos demonstra como a habitação coletiva evoluiu em resposta às unidades de um dormitório e 45m² para unidades de dois dormitórios.
necessidades sociais, económicas e tecnológicas de cada época. Em Angola, a crescente urbanização exige 2. Os dormitórios devem ter, no mínimo, uma janela com área de ventilação correspondente a 10% da
soluções habitacionais sustentáveis e bem planeadas para garantir o desenvolvimento ordenado das cidades área do cômodo.
e a melhoria da qualidade de vida da população. Artigo 19.º
1.3. Leis e Regras Os corredores internos dos edifícios multifamiliares devem ter largura mínima de 1,20 metros para
As edificações classificam-se, quanto à sua destinação, nos seguintes tipos: 1. As portas de acesso às unidades habitacionais devem ter, no mínimo, 80 cm de largura.
1. Residenciais: unifamiliares e multifamiliares (multiapartamentos). 2. As escadas devem possuir corrimão em ambos os lados e degraus com largura mínima de 25 cm.
CAPÍTULO III – NORMAS GERAIS PARA EDIFICAÇÕES 1. Os edifícios multifamiliares devem possuir sistemas adequados de esgoto e abastecimento de água.
Artigo 7.º 2. As instalações elétricas devem seguir normas de segurança e permitir individualização do consumo.
1. A altura máxima das edificações multifamiliares será definida pelo zoneamento urbano da localidade. Artigo 23.º
2. A taxa de ocupação e o coeficiente de aproveitamento do terreno devem ser respeitados conforme a Os edifícios multifamiliares com mais de cinco andares devem possuir pelo menos duas escadas de
3. O afastamento lateral mínimo para edifícios multifamiliares será de 3 metros, salvo em zonas onde a Artigo 28.º
local leva em consideração não apenas a sua viabilidade em termos de infraestrutura e acessibilidade, mas O Bairro 11 de Novembro, onde o presente projeto será implantado, reflete o processo de crescimento
também o seu potencial para promover soluções habitacionais modernas, que se integrem harmoniosamente de Belas. Nos últimos anos, a área tem visto um aumento significativo na construção de edifícios residenciais
ao tecido urbano existente, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos futuros moradores e da e comerciais, acompanhando a tendência de verticalização da cidade. Esse crescimento, aliado à sua
comunidade em geral. localização estratégica, faz com que o bairro se torne um ponto de interesse para investimentos imobiliários.
A infraestrutura da região ainda está em fase de desenvolvimento, com melhorias sendo gradualmente
implementadas, como a pavimentação de vias, expansão da rede elétrica e de abastecimento de água, além
da construção de escolas, hospitais e áreas comerciais. Apesar dessas melhorias, ainda existem desafios que
precisam ser superados, como a necessidade de mais áreas de lazer e espaços públicos, ampliação da rede
de transportes e reforço dos serviços básicos para garantir uma urbanização sustentável e equilibrada.
Dessa forma, o projeto proposto pretende contribuir para o desenvolvimento do bairro, oferecendo
soluções habitacionais adequadas ao contexto urbano, respeitando as diretrizes de planejamento e buscando
integrar-se ao ambiente existente de maneira harmoniosa e funcional.
Figura 3 - Localização e Contexto Urbano. Fonte: Google Earth, 2025 2.3. Clima e Condições Ambientais do Município de Belas
2.2. Contexto Urbano e Desenvolvimento O Município de Belas, localizado na Província de Luanda, insere-se dentro das características
O desenvolvimento urbano de Angola, e particularmente de Luanda, tem sido marcado por diferentes climáticas típicas da região costeira de Angola. O conhecimento do clima e das condições ambientais é
fases que refletem tanto as transformações históricas quanto os desafios contemporâneos. O Bairro 11 de fundamental para a conceção de qualquer projeto arquitetónico, pois influencia diretamente a escolha dos
materiais, as estratégias de conforto térmico, a orientação das edificações e a gestão dos recursos naturais.
Belas apresenta um clima tropical seco, também classificado como semiárido quente, com duas • Topografia e Solo: A região apresenta uma combinação de áreas planas e ligeiras elevações,
estações bem definidas: com solos predominantemente arenosos, o que pode exigir técnicas de fundação específicas
• Estação Seca (Cacimbo): Ocorre entre maio e setembro, caracterizando-se por temperaturas para garantir a estabilidade estrutural das edificações.
amenas, baixa pluviosidade e umidade reduzida. Durante esse período, os ventos frios • Ventilação e Conforto Térmico: A ventilação natural é favorecida pela brisa marítima, sendo
provenientes do oceano Atlântico e a corrente fria de Benguela exercem influência sobre a essencial considerar a orientação dos edifícios para maximizar a circulação de ar e reduzir a
região, provocando nevoeiros matinais e reduzindo a incidência de chuvas. necessidade de climatização artificial.
• Estação Chuvosa: Estende-se de outubro a abril e é marcada pelo aumento das temperaturas • Insolação: A exposição solar intensa exige estratégias arquitetónicas como beirais, brises-
e maior ocorrência de precipitação. No entanto, as chuvas, apesar de intensas em alguns soleil e sombreamento natural, reduzindo a absorção de calor excessivo e promovendo maior
momentos, são esporádicas e irregulares, podendo causar alagamentos pontuais devido à falta conforto térmico dentro dos espaços habitacionais.
de um sistema eficiente de drenagem urbana. • Gestão da Água: A irregularidade das chuvas e a necessidade de conservação dos recursos
As temperaturas médias anuais variam entre 20°C e 30°C, sendo os meses mais quentes entre janeiro hídricos tornam recomendável a captação e reaproveitamento da água pluvial, além de
e março e os mais frescos entre junho e agosto. A umidade relativa do ar pode oscilar, atingindo níveis mais sistemas eficientes de drenagem para evitar erosões e alagamentos.
baixos na época seca e mais elevados durante o período chuvoso. Com base nessas condições, o projeto será desenvolvido com soluções arquitetónicas sustentáveis,
adaptadas ao clima e ao ambiente do Município de Belas, garantindo conforto térmico, eficiência energética
e harmonia com o meio envolvente.
2.4.2. Perfil Socioeconômico da População mercados informais, centros comerciais e pequenos negócios. O comércio abrange desde mercados
A população do município apresenta uma composição diversa, com diferentes níveis de rendimento tradicionais e feiras populares até grandes hipermercados e lojas de varejo em centros comerciais modernos.
e condições socioeconômicas. Alguns dos principais aspectos a serem considerados incluem: • Mercados informais: Grande parte da população depende do comércio informal para
• Predominância de jovens: A maioria dos habitantes de Belas está na faixa etária entre 15 e 35 subsistência. Mercados como o Mercado do Kikuxi e o Mercado do 30 são conhecidos pela
anos, refletindo a estrutura etária jovem de Angola. Isso implica uma grande demanda por venda de produtos alimentares, roupas, materiais de construção e eletrodomésticos.
educação, empregos e habitação acessível. • Centros Comerciais: O crescimento da classe média impulsionou a construção de shoppings
• Renda e ocupação: A economia local baseia-se no comércio informal, setor da construção e supermercados, como o Shopping Avenida e o Belas Shopping, que geram emprego e
civil, serviços e pequenas indústrias. Há uma significativa presença de trabalhadores dinamizam a economia local.
autônomos e empreendedores. • Serviços diversos: Incluem atividades como transportes, telecomunicações, saúde, educação
• Infraestrutura e qualidade de vida: Apesar do crescimento populacional, muitos bairros ainda e hotelaria, que atendem tanto à população local quanto aos investidores.
enfrentam desafios como acesso irregular à água potável, redes de esgoto insuficientes e Construção Civil e Habitação
dificuldades no transporte público. O crescimento demográfico acelerado de Belas impulsionou o setor da construção civil, com
investimentos em habitações, condomínios privados e infraestrutura urbana. A demanda por moradia tem
2.4.3. Impacto Demográfico na Arquitetura e no Planeamento Urbano
levado à implementação de projetos habitacionais de grande porte, promovidos pelo governo e pelo setor
O rápido crescimento demográfico do município tem implicações diretas na construção de novas
privado.
infraestruturas e na necessidade de habitação planejada. O projeto arquitetónico proposto deve considerar:
• Projetos habitacionais: Condomínios como o Nova Vida, Kilamba e Sequele foram
Soluções habitacionais diversificadas, que atendam às diferentes camadas sociais;
desenvolvidos para atender à crescente procura por habitação organizada.
Adoção de estratégias sustentáveis, para reduzir o impacto ambiental e otimizar o uso de recursos;
• Infraestrutura urbana: O município tem recebido investimentos em estradas, pontes e redes
Planeamento urbano eficiente, garantindo acesso adequado a transporte, serviços públicos e espaços
de saneamento, melhorando a mobilidade e a qualidade de vida.
de lazer.
Indústria e Pequenas Indústrias
A análise da demografia do Município de Belas reforça a importância de projetos arquitetónicos que
Embora a atividade industrial em Belas não seja tão expressiva quanto em outros municípios, há um
não apenas acompanhem o crescimento populacional, mas que também contribuam para a melhoria da
crescimento de pequenas indústrias e unidades de produção focadas em bens de consumo e materiais de
qualidade de vida e para o desenvolvimento sustentável da região.
construção.
2.5. Economia do Município de Belas
• Fábricas de cimento e materiais de construção, essenciais para sustentar o setor imobiliário
O Município de Belas, localizado na Província de Luanda, desempenha um papel significativo na
em expansão.
economia da capital angolana, impulsionado pelo seu crescimento urbano, expansão habitacional e
• Produção de alimentos e bebidas, com pequenas e médias indústrias focadas no abastecimento
desenvolvimento comercial. A economia do município é caracterizada por uma combinação de atividades
local.
formais e informais, abrangendo setores como comércio, construção civil, indústria, serviços e agricultura.
Agricultura e Pecuária
Apesar da urbanização crescente, o município ainda possui áreas destinadas à agricultura e pecuária, representado por peças em madeira, tecidos samakaka e esculturas, preserva a identidade cultural, enquanto
principalmente nas zonas periféricas, como o Kikuxi. A produção agrícola abastece os mercados locais e a gastronomia mantém pratos típicos como funje de bombo, muamba de galinha e quitaba. As festividades
inclui: misturam celebrações religiosas e eventos comunitários, refletindo a forte presença do cristianismo e de
• Cultivo de milho, mandioca, hortaliças e frutas tropicais. crenças tradicionais africanas. O crescimento urbano trouxe novas dinâmicas culturais, com a juventude cada
• Pecuária voltada para a produção de gado bovino, suínos e aves. vez mais conectada ao rap, hip-hop, grafite e moda urbana, mostrando a fusão entre modernidade e tradição.
• Desafios e Oportunidades Econômicas Assim, Belas mantém viva sua identidade cultural ao mesmo tempo que se adapta às transformações sociais
Desafios: e econômicas, garantindo um ambiente dinâmico e em constante evolução.
• Dependência do setor informal, dificultando a arrecadação fiscal e a regulamentação da 2.7. Recursos Hídricos do Município de Belas
economia. O município de Belas,
• Infraestrutura ainda deficitária em algumas áreas, prejudicando o desenvolvimento localizado na província de
econômico sustentável. Luanda, é caracterizado por
• Desemprego e necessidade de maior qualificação profissional para atender às novas uma hidrografia composta por
demandas do mercado. rios, lagoas e aquíferos
Oportunidades: subterrâneos, que
• Expansão do setor imobiliário e da construção civil. desempenham um papel
• Desenvolvimento de indústrias e fortalecimento do comércio formal. fundamental no abastecimento
• Investimentos em infraestrutura e mobilidade urbana para impulsionar a economia local. de água, na manutenção dos
A economia do Município de Belas reflete um equilíbrio entre crescimento urbano acelerado e ecossistemas locais e no
Figura 6 - Recursos Hídricos do Município de Belas. Fonte: RNA, 2016
desafios estruturais, exigindo planejamento estratégico para garantir desenvolvimento sustentável e geração suporte às atividades
de emprego para a população. econômicas e sociais da região. Entre os principais corpos hídricos, destaca-se o Rio Kwanza, um dos mais
importantes de Angola, que, embora não passe diretamente por Belas, influencia a disponibilidade de água
2.6. A cultura do município de Belas
na província. Além disso, rios menores, como o Rio Catumbela e o Rio Kilamba, contribuem para o
O município de Belas,
abastecimento e drenagem natural do território.
situado na província de Luanda,
Outro recurso hídrico relevante são as lagoas e zonas úmidas, que ajudam na regulação climática e
apresenta uma cultura
no fornecimento de água para comunidades locais. A extração de água subterrânea, por meio de furos
diversificada que combina
artesianos e lençóis freáticos, complementa o fornecimento hídrico, especialmente nas áreas que não são
tradições angolanas com
completamente atendidas pela rede pública de distribuição. No entanto, o município enfrenta desafios
influências urbanas e modernas. A
significativos relacionados à gestão dos recursos hídricos, incluindo o crescimento urbano acelerado, a
música e a dança são elementos
poluição dos cursos d'água devido ao descarte inadequado de resíduos e a pressão sobre os mananciais
centrais da vida comunitária, com
subterrâneos.
estilos como kuduro, semba e
A escassez e a irregularidade no fornecimento de água são problemas frequentes, levando a uma
kizomba dominando os eventos e
Figura 5 - cultura do município de Belas. Fonte: Jornal OPaís, 2018 dependência crescente de fontes alternativas, como camiões-cisterna e sistemas de captação de águas
festividades locais. O artesanato,
pluviais. Projetos de infraestrutura hídrica e saneamento básico vêm sendo implementados para melhorar a 2.9. Mapa Topográfico
distribuição e o acesso à água potável, mas ainda há a necessidade de políticas públicas mais eficazes para A imagem apresenta uma carta topográfica da região de Luanda, Angola, com destaque para a
garantir a sustentabilidade dos recursos hídricos e minimizar os impactos ambientais do crescimento urbano variação altimétrica do terreno. Utilizando um código de cores para representar as diferentes elevações, a
desordenado. legenda no canto direito indica altitudes que variam de -2 metros a 220 metros acima do nível do mar.
2.8. O Solo no Município de Belas Áreas próximas ao oceano e zonas ribeirinhas são representadas em tons de azul e verde, indicando
O solo do município de Belas, localizado na província altitudes mais baixas. Regiões de transição apresentam coloração amarela e laranja, enquanto as áreas mais
de Luanda, é composto por uma diversidade de tipos de elevadas, como o interior da província, são destacadas em tons de vermelho.
terrenos que variam em função da geologia, da topografia e A carta inclui importantes referências geográficas, como a Cidade do Kilamba, o Aeroporto
das condições climáticas locais. Em termos gerais, o solo da Internacional Dr. António Agostinho Neto e a Zona Econômica Especial (ZEE) Reserva Mineira de
região pode ser classificado como franco-arenoso, com boa Calumbo. Além disso, a rodovia EN100 é visível, conectando diferentes partes da região.
drenagem e capacidade de retenção de água, o que favorece Esse mapa é uma ferramenta essencial para estudos de planejamento urbano, infraestrutura, impacto
atividades agrícolas em algumas áreas. A composição do ambiental e desenvolvimento territorial, fornecendo informações valiosas sobre a conformação do relevo.
expansão urbana. O aumento da urbanização e a pressão sobre os recursos naturais têm levado a uma
crescente desvalorização do solo, dificultando o uso sustentável e a preservação da sua fertilidade. A gestão
adequada do solo e a implementação de práticas de planejamento urbano sustentável, como o controle da
impermeabilização e o incentivo à agricultura urbana, são fundamentais para garantir o equilíbrio ecológico
e a qualidade do solo na região.
CONCLUSÃO
A conclusão deste trabalho evidencia a importância de uma pesquisa aprofundada e da recolha de
dados precisos para a concepção de um projeto arquitetônico bem fundamentado, especialmente em áreas
de rápido crescimento como o município de Belas. O estudo das condições urbanísticas, ambientais, sociais
e econômicas permite uma compreensão mais clara das necessidades da comunidade local, garantindo que
o projeto arquitetônico seja não apenas funcional, mas também sustentável e adaptado ao contexto. A análise
do terreno e das normas urbanísticas relevantes, bem como a integração com o entorno, são fundamentais
para assegurar a viabilidade e o sucesso do empreendimento. Em suma, a pesquisa realizada serve como
base sólida para a implementação de soluções inovadoras que contribuam para o desenvolvimento
harmonioso e equilibrado da região, atendendo às demandas habitacionais e melhorando a qualidade de vida
da população de Belas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
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do Território e Habitat.
Banco Nacional de Angola (BNA). (2021). Relatório sobre o Crescimento Urbano em Luanda e seus
Impactos Econômicos. Luanda: BNA.
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Caso de Belas, Luanda. Luanda: Universidade Agostinho Neto.
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Socioeconômicos de Angola. Luanda: INE.
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Planejamento Urbano. Luanda: Universidade Independente de Angola.
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Editora África.
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Culturais. Luanda: Universidade Lusíada.
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Desafios no Contexto de Países em Desenvolvimento. Nairobi: UN-Habitat.
ANEXOS
Figura 9 - O terreno de fora. Fonte: Autoria própria, 2025 Figura 11 - Solo argiloso do outro lado. Fonte: Autoria própria, 2025