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Formação Ministerial: O Modelo Timóteo

O trabalho de Jonas Eudes Carnaúba Fernandes analisa a formação de vocacionados ao ministério pastoral, utilizando Timóteo como protótipo de preparação ministerial. O autor destaca a importância do treinamento e da mentoria na formação de novos líderes, enfatizando a necessidade de um modelo que integre caráter, conhecimento e competência. A pesquisa também aborda a crise na formação pastoral no Brasil, sugerindo que a igreja local deve assumir um papel ativo na capacitação de futuros pastores.

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Formação Ministerial: O Modelo Timóteo

O trabalho de Jonas Eudes Carnaúba Fernandes analisa a formação de vocacionados ao ministério pastoral, utilizando Timóteo como protótipo de preparação ministerial. O autor destaca a importância do treinamento e da mentoria na formação de novos líderes, enfatizando a necessidade de um modelo que integre caráter, conhecimento e competência. A pesquisa também aborda a crise na formação pastoral no Brasil, sugerindo que a igreja local deve assumir um papel ativo na capacitação de futuros pastores.

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SEMINÁRIO E INSTITUTO BÍBLICO MARANATA

JONAS EUDES CARNAÚBA FERNANDES

FORJANDO UM VOCACIONADO: O PROTÓTIPO MINISTERIAL DE TIMÓTEO


PARA NOVA GERAÇÃO.

FORTALEZA – CE

2025
JONAS EUDES CARNAÚBA FERNANDES

FORJANDO UM VOCACIONADO: O PROTÓTIPO MINISTERIAL DE TIMÓTEO


PARA NOVA GERAÇÃO

Trabalho apresentado como requisito para conclusão


do curso de Teologia Ministerial. do Seminário e
Instituo Bíblico Maranata (SIBIMA),

Orientador: Prof. Pr. Matheus Vasconcelos

FORTALEZA – CE
2025
JONAS EUDES CARNAÚBA FERNANDES

FORJANDO UM VOCACIONADO: O PROTÓTIPO MINISTERIAL DE TIMÓTEO PARA


NOVA GERAÇÃO

Trabalho apresentado como requisito para conclusão


do curso de Teologia Ministerial. do Seminário e
Instituo Bíblico Maranata (SIBIMA),

Orientador: Prof. Pr. Matheus Vasconcelos

Aprovado em: _____ de MÊS de 2025

Banca Examinadora

______________________________________________
Prof. Nome
Instituição

______________________________________________
Prof. Nome
Instituição

______________________________________________
Prof. Nome
Instituição
DEDICATÓRIA

Ao Senhor meu Pai Celeste, que pela graça me concedeu uma esposa bela e paciente com
minhas leituras, enquanto orava para que eu pudesse concluir a escrita deste trabalho. A
minha comunidade amada da qual essa monografia tem como objetivo servi-la, aos meus fiéis
amigos que desejam a jornada excelente e ao meu futuro filho Timóteo que um dia chegará.

.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a minha esposa Vanessa que sempre esteve ao meu lado, orando e escutando
minhas reflexões sobre a Palavra do Senhor. A minha comunidade local que tanto me
suportou e moldou-me enquanto a servia, aos meus fiéis amigos que sempre estiveram à
disposição para cuidar de minha família em dias de adversidade, aos meus amigos de
ministério do qual ouvi e refleti enquanto dividíamos as cargas. Não posso deixar de
agradecer ao meu amigo fiel Jorge Henrique do qual juntos elaboramos pensamentos e
iniciativas sobre como preparar vocacionados para o ministério.

.
LISTA DE GRÁFICOS
Se for o caso.........................................................................................................13
LISTA DE TABELAS
Se for o caso.........................................................................................................13
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.............................................................................................................9

CRISE ORGANICA NA FORMAÇÃO PASTORAL..............................................12

PERSPECTIVA SOBRE VOCAÇÃO PASTORAL E VALIDAÇÃO DO


CHAMADO.............................................................................................................................15

MENTORIA E INÍCIO DO TREINMENTO PASTORAL....................................15

A JORNADA DO ENSINO DE TIMOTEO AO LADO DE PAULO.....................15

O TRIPÉ MINISTERIAL DE UM ASPIRANTE AO PASTOREIO.....................15

PAPEL DA IGREJA NA FORMAÇÃO DE UM ASPIRANTE AO PASTOREIO


...................................................................................................................................................15

DE ASPIRANTE A OFICIAL....................................................................................15

A RESPONSABILIDADE PASTORAL DA EXPANSÃO GERACIOANAL.......15

TIMÓTEO COMO UM PROTÓTIPO NA FORMAÇÃO PASTORAL...............15

CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................15

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIA...........................................................................15
INTRODUÇÃO
Em consulta ao censo do ano de 2022 do IBGE, é possível observar que a cidade de
Fortaleza possui 4.081 igrejas e templos, em comparação a 2.337 instituições de ensino e
1.573 hospitais, UBSs e consultórios médicos. Esse dado revela que a quantidade de igrejas e
templos é mais do que o dobro dos estabelecimentos voltados para as áreas da saúde e da
educação.1 Contudo, os dados não informam sobre a qualidade do ensino e das práticas dos
líderes religiosos, tampouco se são qualificados moralmente para as posições que ocupam nas
comunidades de fé. Além disso, também não é possível verificar se esses líderes foram
devidamente treinados e capacitados para cumprir os propósitos previamente estabelecidos na
comunidade da qual fazem parte. Conforme essas observações, é possível integrar
crescimento e multiplicação de igrejas, alinhados com capacitação e responsabilidades
morais, teóricas e práticas?
Já do outro lado da América, uma pesquisa online realizada pelo Grupo Barna com
585 pastores seniores nos Estados Unidos revelou que 75% dos entrevistados concordam que
está cada vez mais difícil encontrar jovens cristãos dispostos a seguir no ministério pastoral.
Além disso, 71% demonstraram preocupação com a qualidade dos futuros líderes e,
paradoxalmente, 79% admitiram não investir em treinamento. O estudo alerta para desafios
iminentes que as igrejas americanas enfrentarão caso a situação não seja enfrentada com
urgência. Mais alarmante ainda é o fato de que, na pesquisa anterior, 38% dos líderes
consideraram seriamente abandonar o ministério pastoral.2 Resta, então, a inquietante
pergunta: se essa pesquisa fosse realizada no Brasil, os resultados seriam diferentes?
É a partir desses dados que me sinto encorajado a escrever sobre a formação de
vocacionados ao ministério pastoral, fazendo uma análise descritiva da relação do Apóstolo
Paulo e seu cooperador Timoteo, observando o papel do mentor e do vocacionado ao
ministério, pois sei que esse processo formativo tem se tornado um desafio cada vez mais
complexo para a igreja no mundo contemporâneo. A ausência de modelos teologicamente
estruturados e eficazes no que se refere à relação entre mentor e mentoreado, somada à cultura
que despreza o treinamento teológico ministerial e supervaloriza métodos corporativos, aos
propósitos pós-modernos, ao interesse de jovens brasileiros pelo novo mercado de trabalho e
às diversas desorientações quanto ao conhecimento consistente das Escrituras, tem resultado

1
G1 CEARÁ. Fortaleza tem mais igrejas que hospitais e escolas, aponta IBGE. G1, 02 fev. 2024. Disponível
em: [Link]
[Link]. Acesso em: 19 abr. 2025.
2
CPAD NEWS. Pastores americanos enfrentam dificuldades para encontrar sucessores. 2024. Disponível em:
[Link] Acesso
em: 19 abr. 2025.
na escassez de pastores devidamente treinados e preparados para assumir as exigentes
responsabilidades de uma igreja local.
Ao longo de toda a jornada na preparação ministerial, surgiu em mim o forte interesse
sobre treinamento e capacitação, mentor e mentoreado, discipulador e discipulando, Pastor e
vocacionados. Talvez essas percepções de interesse sejam resultado de uma vida sendo
treinado no Judô e Jiu-Jítsu, esportes dos quais sou praticante desde minha infância. Nesse
contexto, encontrei na Escritura a relação de Paulo e Timóteo, que foi integrado no ministério
paulino em serviço ao Evangelho, que foi encontrado por Paulo durante sua segunda viagem
missionária na cidade de Listra. “Paulo foi primeiro a Derbe e depois a Listra, onde havia um
jovem discípulo chamado Timóteo” (Atos 16.1, NVI) 3 do qual viveu 15 anos de sua vida ao
lado do apóstolo, percorrendo cidades, igrejas e encontrando pessoas enquanto serviam
juntos. Ele recebeu, de forma cuidadosa e constante, uma mentoria ministerial que envolveu
investimento de tempo, ensinamento teológico e prática pastoral. O acompanhamento
intencional de Paulo moldou o caráter, expandiu o conhecimento e aperfeiçoou as
competências de Timóteo, tornando-o um modelo de vocacionado treinado dentro de um
relacionamento discipulador e geograficamente presente.
Diante da atual ausência de treinamentos sistemáticos e eficazes, o discipulado e/ou
treinamento que Paulo oferece a Timóteo se torna um manual relevante frente à insegurança
de muitos aspirantes ao ministério e ao receio de líderes iniciarem o processo de treinamento.
Por isso, tenho por objetivo contribuir com aqueles que desejam integrar o grupo dos que são
pastores e dos vocacionados ao ministério, indicando um possível caminho viável para o
treinamento ministerial. Além disso, desejo que aqueles que, por vezes, centralizam
excessivamente suas ações e acabam negligenciando a formação de novos pastores e
sucessores possam ser amorosamente reorientados em todo o processo de ajuste, sempre com
vistas à saúde da igreja local.
Esse modelo evidencia não apenas as figuras do mentor e do mentoreado, mas também
as ferramentas utilizadas no processo de amadurecimento e preparação pastoral — processo
este no qual a igreja local se revela como agente essencial do chamado e início da aspiração
que nas palavras de Paulo é uma “excelente obra”, até o final do trabalho a serviço de Jesus. É
nesse ambiente que se torna possível um treinamento mais eficaz, onde as experiências
ministeriais são frutos do compromisso com a Escritura e com a missão de expandir o Reino
de Deus.

3
Todas as citações bíblicas são extraídas da Bíblia Sagrada: Nova Versão Transformadora (NVI). Ria de Janeiro:
Thomas Nelson Brasil, 2024. 1° Edição Bíblia Sagrada NVI Slim.
No entanto, muitos pastores, líderes e comunidades têm negligenciado essa
responsabilidade, delegando-a exclusivamente às instituições teológicas, o que gera uma
desconexão prejudicial no processo formativo e contribui diretamente para a escassez de
novos líderes pastorais contextualizados com as realidades que são expostas somente para
aqueles que vivenciam o ambiente da comunidade local. Por isso, o estudo irá, em primeiro
momento, voltar-se para o desafio de entender a crise orgânica na formação pastoral, do qual
a igreja brasileira tem enfrentado, também será importante analisarmos os elementos que
envolvem o chamado pastoral no Novo Testamento e todos os aspectos ideais, que antecedem
e procedem para validação do chamado vocacional e todo processo de mentoria do qual o
treinamento de Paulo a Timóteo é eficaz para nosso entendimento sobre competências
moduladoras na formação e preparo de aspirantes ao ministério, pois oferece um modelo de
três pontos; caráter, conhecimento e competência, formando a tríade ministerial importante
em todo processo formativo.
Além disso, será possível observar o papel da comunidade local como ferramenta
transformadora e moduladora de vida, utilizada por Deus e pela mentoria paulina na
formatação ideal, para que a postura do aspirante ao pastoreio seja vivenciada de forma
piedosa e servil. Também será analisada a transição segura de aspirante a oficial, para que
então possamos entender a responsabilidade dos novos pastores guiados pelo Espírito, na
expansão geracional, pois nas palavras de Charles Spurgeon, nem todos serão pastores:
Cremos que o Espírito Santo designa na igreja de Deus alguns para agirem
como superintendentes, e outros para se submeterem à vigilância de outros, para o
seu próprio bem. Nem todos são chamados para trabalhar na palavra e na doutrina,
ou para serem presbíteros, ou para exercerem o cargo de bispo.4

Por fim, minha intenção será provar que Timóteo é um protótipo fiel para aqueles que
estão aptos e desejosos para assumir a responsabilidade graciosa de servir a igreja como
pastores aprovados, cujo mentes teológicas mantêm seus corações e olhos voltados para a
igreja de Jesus, enquanto descobrem suas limitações reais, fragilidades, desafios, motivações,
fraquezas e forças, sendo lapidados no contexto comunitário por meio da presença de
mentores dispostos, da prática constante e da fidelidade às Escrituras. Assim, esta monografia
buscará reafirmar que a formação pastoral bíblica não é apenas teórica, mas relacional,
experiencial e espiritual, onde a comunhão com Deus, o serviço ao corpo de Cristo e o
compromisso com a sã doutrina convergem para moldar vocacionados úteis ao Reino e
preparados para os dias difíceis do ministério.

4
SPURGEON, Charles. Lições aos meus discípulos. Tradução de Odayr Olivetti. São Paulo: PES, 2015, p. 32.
CRISE ORGANICA NA FORMAÇÃO PASTORAL

Apesar do censo de 2022 apontar para o crescimento da população evangélica no


Ceará, esse tipo de expansão quantitativa contrasta com a ausência de evidência qualitativa da
formação pastoral. Embora o estado tenha apresentado um registro no aumento de evangélicos
de 14,3% conforme censo de 2010, para 20,8% no senso atual, ele ainda permanece como o
terceiro Estado com a mais baixa proporção de evangélicos em nosso país. 1 Isso nos oferece
uma reflexão sobre a realidade de que o aumento estatístico da fé evangélica no Estado talvez
exponha uma lacuna estrutural no processo formativo de vocacionados ao ministério pastoral
que por sua vez pode enfraquecer o impacto social e espiritual das igrejas.
Essa realidade pode reforçar a hipótese de que a ausência de treinamentos eficazes ou
algum tipo de negligência na visão prática e formativa de novos pastores, podem contribuir
diretamente para a fragilidade da fé no Nordeste, onde a adesão ao Evangelho ainda é a
terceiro menor no país. Por isso o treinamento se torna urgente, pois o modelo formativo que
integra caráter, conhecimento e competência, torna possível que a expansão evangélica no
estado seja acompanhada de qualidade ministerial e relevância missional.
Phil A. Newton, um Pastor veterano no cenário teológico americano, afirma que
simplesmente multiplicar igrejas pode não equivaler a igrejas efetivas da grande comissão.
2
(Mt 28.18-20). Isso reforça uma realidade negativa para o cenário nordestino, pois há um
crescente movimento de multiplicação de igrejas na cidade, mas conforme dados aqui
apresentados, talvez a qualidade de líderes, ou movimentos voltados para treinamentos e
discipulados seja uma busca da qual as igrejas nordestinas precisem investir para mudar o
cenário atual da população evangélica do Ceará, do qual compõe o cenário brasileiro. Porém,
por onde podemos iniciar um método ideal para melhoria na qualidade de cristãos que que
residem na capital cearense e nos demais lugares do Brasil?
Creio que determinadas crises na qualidade do evangelicalismo regional, estadual e
nacional, também sejam frutos da ausência de discipulado orgânico, treinamento direcionado
e de pessoas que se envolvam para iniciar o modelo proposto por Paulo, promovendo
perseverança naquilo que gera não somente o resultado no que se refere a aumento de
porcentagem da população evangélica, mas que lide principalmente com a qualidade e

1
IBGE. Censo Demográfico 2022: População de evangélicos aumenta e de católicos cai no Ceará,
revela IBGE. Diário do Nordeste, 27 jun. 2024. Disponível em:
[Link]
ceara-revela-ibge-veja-dados-por-estado-1.3657275. Acesso em: 15 jun. 2025.
2
NEWTON, Phil A. Formação de líderes na igreja local: modelos bíblicos para ministérios
saudáveis. São José dos Campos, SP: Fiel, 2023. Tradução da 1ª edição americana. Posição 269 (Kindle).
confiabilidade daqueles que se propõem a pastorear o rebanho de Jesus na terra, seja aqui no
nordeste ou em qualquer outro lugar.
“As palavras que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confie-as a
homens fiéis, que sejam capazes de ensiná-las a outros.” (2Tm 2.2). Esse é o fluxo
apresentado pelo apóstolo Paulo ao orientar Timóteo na preparação e na reverberação das
verdades do Evangelho. Nesse sentido, a valorização dos eventos e das programações
eclesiásticas, em detrimento do treinamento direcionado para pessoas, pode, enfim, perder a
força para dar lugar ao que muitos consideram um tipo de canseira: o treinamento ministerial.
Pois o investimento para treinar pessoas visa uma multiplicação saudável das verdades de
Deus, para que os comunicadores do Evangelho, que por sua vez foram ensinados, possam
propagar o Evangelho a outras pessoas, que também poderão fazer parte desse mesmo
processo discipulador.
Essa iniciativa é apresentada por Marshall e Payne, quando afirmam que a estratégia
focalizada nas pessoas deve concentrar-se no treinamento, pois esse plano visa a
multiplicação de comunicadores do Evangelho.3 Assim, quando pensamos em melhorar a
quantidade de indivíduos que desejam comunicar de maneira coerente e eficaz a verdade de
Deus, se faz necessário assumir determinadas responsabilidades que evidenciem o avanço não
só em quantidade, mas também em qualidade. Em determinado momento esse comportamento
que muitos consideram caótico, pela demanda de tempo investido, o apóstolo Paulo valorizou
enquanto servia o Senhor Jesus e sua igreja. Ao escrever para seu amado discípulo Timóteo,
quando este já pastoreava a então desafiadora igreja de Éfeso, afirmou; “Até a minha chegada,
dedique-se a leitura pública da Escritura, á exortação e ao ensino”. Esse direcionamento de
Paulo, evidencia que o ministério não poderá se sustentar apenas pelas experiências ou boa
vontade, mas sempre vai exigir de nós preparo contínuo, ensino fiel e foco nas Escrituras.
Desta forma o treinamento para jovens vocacionados ao ministério não pode ser visto
como algo improdutivo, mas como um comportamento prudente e zeloso, dos Pastores e
Mestres, com o compromisso e a edificação do corpo de Cristo. Creio que somente assim
teremos a confiança de formar de maneira duradoura, vocacionados espiritualmente maduros
e teologicamente consistentes, diante de um cenário do qual a consistência teológica deu lugar
a culturalização das experiencias emocional e sentimentais, fazendo com que os aspirantes ao
ministério corram o risco buscar a jornada excelente pelos motivos equivocados,
potencializando o contexto atual do nosso Estado em relação a Evangelização eficaz.

3
MARSHALL, Colin; PAYNE, Tony. A treliça e a videira: a importância de construir o ministério com
base no discipulado. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2016. p. 25.
Por esta razão, também creio que o treinamento para novos aspirantes ao pastorado,
não poderá ser motivado por urgência momentânea, nem tão pouco para suprir lacunas
culturais problemáticas, em relação a fidelidade do serviço ministerial. Não há fidelidade no
processo educativo do vocacionados, quando a principal motivação são para cumprir
atividades administrativas, pois esse tipo de ação dos mentores coloca em xeque a verdadeira
natureza do chamado pastoral que é de servir e cuidar bem das ovelhas que o Senhor Jesus.
Afirmo que mesmo mediante o contexto nacional e a posição estadual no que se refere a
quantidade de evangélicos no Brasil, os líderes podem correr o risco de caírem na sedução de
cumprir determinadas demandas de uma agenda cultural, para promover crescimento,
correndo o grande risco de ainda assim manter-se raso em qualidade.
Nenhum modelo de treinamento é tão cruel quanto aqueles que iniciam com as
motivações equivocadas, das quais a Palavra não direciona e o Senhor reprova, que
apresentam e enganam o aspirante ministerial, levando-os a acreditar que são necessários para
resolverem algum tipo de desordem e achar que podem se tornar indispensáveis, mediante um
contexto caótico. Eugene Peterson, reflete sobre essas situações e adverte que no meio de
desordens congregacionais, há um risco eminente e perigoso dos líderes ministeriais acharem
que são absolutamente necessários, achando que haverá sucesso por causa do fracasso de
4
outros. Essa também não é definitivamente o caminho a ser seguido. Essa observação é
extremamente válida para que todo vocacionado e líder saibam por onde não iniciar e por
quais motivações não devem seguir.
No pouco tempo de vida eclesiástica que tenho, já ouvi de pessoas que viveram o
suficiente e testificarem que muitas aceitações, indicações e substituições do Pastorado não
foram frutos de um longo e atencioso processo de treinamento e repasse efetivo ao
mentoreado, mas por quebras de ciclos devido a escanda-los, rachas na membresia, crise
relacional, adultérios e expulsões, desleixos pastorais e em alguns casos até de abusos de
autoridade. Essas experiencias que relatei, acabam revelando que existe uma triste
constatação; muitos dos que ocupam o púlpito hoje, podem o fazer não pelo fruto de uma
vocação reconhecida, maturada pelo treinamento intencional e programático, mas como
resposta a algum tipo de tragédia institucional. Essa realidade reforça mais ainda a urgência
de um processo vocacional responsável e coerente com um modelo cuidadoso, que reconheça
o peso do chamado e não acabe o reduzindo a alguma necessidade de reposição funcional.

4
PETERSON, Eugene H. Pastor descartável: recuperando um ministério autêntico. São Paulo: Cultura
Cristã, 2017. p. 101.
Em contrapartida com que foi exposto até aqui, percebemos um tipo de contraste com
as características do ministério Paulino e seus cooperadores. Em Atos 20.28, Paulo exorta os
presbíteros de Éfeso a terem cuidado com “lobos ferozes” que poderiam surgir após sua
partida, mas antes disso ele afirma; “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o
qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele
comprou com o seu próprio sangue.”. Esse episódio mostra que o a vocação ministerial e/ou a
função pastoral não nasce de um acidente, de uma falha funcional ou de uma manobra
institucional, mas da soberana ação do Espírito Santo, que trabalha para que os pastores
continuem cuidando fielmente das ovelhas de Cristo, no qual oferece um peso autoritativo,
mediante o valor proposto para que isso pudesse ocorrer; o seu próprio sangue. Isso prova que
a centralidade da cruz é talvez a maior motivação para aqueles que almejam o pastoreio,
mesmo em momentos de crise.
Em atos 19, houve um grande tumulto em Éfeso, devido as atividades apostólicas de
Paulo, mas quando chegamos em Atos 20 nós percebemos uma igreja possivelmente abalada,
que havia passado por ofensas, divisões sociais e pressões externas, além de terem
testemunhado uma experiencia de morte, quando o jovem Êutico caiu da janela do terceiro
andar, enquanto o Apóstolo ensinava a verdade de Deus, mas chegando em Mileto, Paulo
chama os presbíteros e profere uma despedida “Agora sei que nenhum de vocês, entre os
quais passei pregando o Reino, verá novamente a minha face” (At 20.25), ou seja, podemos
entender que os líderes de Éfeso podiam estarem vivenciando uma crise em potencial, mas é
justamente nesse momento de despedida que Paulo não deixa que os líderes percam de vista o
que, por quem e para quem eles precisariam fazer.
Nesse sentido, não são as crises que definem como o processo preparatório de um
vocacionado deve ocorrer ou a validação ministerial de cada um deles, muito menos algum
tipo de ausência funcional, que nesse caso seria a do próprio apóstolo, mas sim o
compromisso de cuidar de sua própria vida ministerial e do rebanho de Jesus, mediante
auxílio mútuo e das orientações dadas por um mentor comprometido com a missão de
expandir o Evangelho na terra.
Talvez devamos iniciar nossa jornada, sabendo que os motivos pelos quais a iniciativa
de treinar novos pastores sejam cada vez mais aproximadas da intencionalidade apostólica
que espelha o modelo de Jesus, sabendo que nem todos os apóstolos seriam responsáveis por
treinar cada vocacionado ou de plantar cada igreja no mundo antigo, mas certamente todos
estavam comprometidos com a integridade do Evangelho, por meio da formação de homens
fiéis, que soubessem o valor da responsabilidade de cuidar de um rebanho que não lhes
pertencia, mas que foi comprado pelo próprio sangue de Cristo. Sendo assim, o peso
missional não se estabelecia sobre a ausência de figuras centrais, como o próprio apóstolo
Paulo, ou de algum pastor adorado por todos, mas sim sobre a continuidade fiel do cuidado
pastoral e da proclamação da verdade, conforme a ação do Espírito, que havia constituído tais
homens como presbíteros. Talvez devamos reconhecer que a base para o preparo de novos
pastores, sobretudo em tempos de crise, não deve ser encontrada na urgência da substituição
ou na manutenção da estrutura da organização eclesiástica, mas na fidelidade ao modelo do
próprio Cristo, mediante a Palavra, a oração e a mentoria comprometida com a missão de
cuidar da igreja.
O Apóstolo Paulo na despedida dos presbíteros de Éfeso, não improvisa uma liderança
por causa de sua ausência, devida o retorno para Jerusalém. Em atos 19.1-20, ao Chegar em
Éfeso ele encontra alguns discípulos que necessitavam ouvir a aprender sobre o Evangelho,
mais especificamente sobre arrependimento e sobre a chegada do Espírito Santo, ele chama os
doze discípulos e passa ensinar-lhes as verdades sobre o Espírito Santo, impõe as mãos sobre
eles e veio aos discípulos o Espírito Santo. Após o ocorrido o Apóstolo passou três meses
ensinando nas sinagogas da cidade e sobre o Reino de Deus, porém somente os discípulos
continuaram o aprendizado ao lado de Paulo, então Paulo os separou e passou a ensinar dois
anos seguidos na Escola de Tirado. Isso indica que os presbíteros já faziam parte de um tipo
de formação sólida, antes mesmo de confiar-lhes a liderança após sua ausência.
RC Sproul afirma que Paulo usava suas horas livres para instruir o povo da cidade nas
coisas de Deus5. Ela não somente se aproximou dos irmãos da cidade, como também reservou
um tempo de dois anos, os ensinando de maneira formal. Esse tipo de iniciativa indica que
existem algumas preocupações do mentor para com os seus mentoreados; investimento de
tempo, ensino formal, proximidade e uma clara disposição de caminhar ao lado dos
vocacionados, até que estejam prontos para as responsabilidade e demandas da igreja. Por isso
também é importante que o mentor não se preocupa somente com a formalidade do ensino,
mas também com o povo que compõe a igreja (At 20.29-31).
Paulo nesse processo, também apresenta que a transferência pastoral vale mais que a
imposição aceita por abandono. O apóstolo não estava abandonando a comunidade, estava
seguindo em missão enquanto confiava a direção da igreja a pessoas preparadas. Fazendo
isso, ele também nos apresenta uma característica decentralizadora de sua liderança, porque
ele sabe da importância de haver continuidade naquilo que o supremo Pastor o
responsabilizou. Perceba o movimento de liderança Paulina na formação de novos líderes;
5
primeiro ele forma, depois confia e só então entrega. Creio que esse processo Paulino seja o
mais seguro para a igreja local, tendo em vista que tantos “lobos ferozes penetrarão no meio
de vocês[...] E dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade” (At.20.
29,30).
Por isso é tão importante que os vocacionados ao ministério pastoral e os mentores
responsáveis, tenham cada vez mais a consciência e o discernimento de validarem o método,
as motivações e o conteúdo de preparação ministerial, porque sem essas claras convicções,
todo movimento poderá se tornar caótico e improdutivo, afetando diretamente o bem-estar da
igreja e a edificação do corpo de cristo. Assim, a crise na formação pastoral dará lugar para
uma vida útil e saudável para toda e qualquer igreja que se propuser a receber, treinar,
preparar e enviar jovens vocacionados para o ministério da excelente obra.
A formação pastoral não pode ser feita à parte da igreja, tampouco sem a supervisão
daqueles que já trilharam o caminho. É justamente nesse ponto que começamos a perceber a
necessidade de revisitar a prática de treinamento ministerial, pois haverá sempre uma
necessidade seja ela circunstancial, emergencial ou temporal, de que haja pessoas para
cuidarem do rebanho de Deus nesse processo. Spurgeon afirma:
“Nem todos devem aspirar a essas obras, uma vez que em parte alguma os
dons necessários são prometidos a todos. Mas aqueles que, como apóstolos, creem
que receberam “este ministério” (2 Co 4.1) devem se dedicar a essas importantes
ocupações. Nenhum homem deve se intrometer no rebanho como Pastor; deve ter
os olhos postos ao sumo sacerdote, e esperar Seu sinal e Sua ordem” 6

PERSPECTIVA SOBRE VOCAÇÃO PASTORAL E VALIDAÇÃO DO CHAMADO

Mesmo depois de termos o exemplo de Paulo junto aos presbíteros de Éfeso, é


necessário que cada vocacionado apresente pré-requisitos e requisitos posteriormente
confirmados pelo chamado e pela validação daqueles que fazem parte de todo envolvimento
preparatório do futuro Pastor. Então, não será apenas a disposição interior como muitos
afirmam ser a principal fonte para afirmar se o membro da igreja é um vocacionado ou não ao
ministério pastoral, ou a necessidade exterior que definirá o início de um ministério fiel, mas
o processo relacional, santificado e comunitário que envolve maturidade, testemunho interno
e externo, disposição para ser formado segundo os padrões da Escritura e repostas aos
estímulos apresentados pelo mentor.

6
SPURGEON, Lições aos meus alunos, v. 2, p. 32.
MENTORIA E INÍCIO DO TREINMENTO PASTORAL

A JORNADA DO ENSINO DE TIMOTEO AO LADO DE PAULO

O TRIPÉ MINISTERIAL DE UM ASPIRANTE AO PASTOREIO

PAPEL DA IGREJA NA FORMAÇÃO DE UM ASPIRANTE AO PASTOREIO

DE ASPIRANTE A OFICIAL

A RESPONSABILIDADE PASTORAL DA EXPANSÃO GERACIOANAL

TIMÓTEO COMO UM PROTÓTIPO NA FORMAÇÃO PASTORAL

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIA

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