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O Relógio que Marca Escolhas e Vidas

Henrique, neto do dono de uma livraria em Lisboa, descobre um misterioso relógio que marca o tempo de sua vida e reage às suas emoções. Ao confrontar suas escolhas passadas, ele percebe que o tempo é precioso e decide fazer mudanças significativas em sua vida. Após uma escolha crucial, ele renova sua perspectiva e aprende a viver plenamente, sem se preocupar com o tempo.
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O Relógio que Marca Escolhas e Vidas

Henrique, neto do dono de uma livraria em Lisboa, descobre um misterioso relógio que marca o tempo de sua vida e reage às suas emoções. Ao confrontar suas escolhas passadas, ele percebe que o tempo é precioso e decide fazer mudanças significativas em sua vida. Após uma escolha crucial, ele renova sua perspectiva e aprende a viver plenamente, sem se preocupar com o tempo.
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"O Relógio do Fim do Mundo"

No subsolo empoeirado de uma livraria centenária no centro de Lisboa, havia uma


sala trancada que ninguém abria há décadas. Diziam que ali ficavam os livros raros,
mas havia também outra história — sussurrada entre os funcionários mais antigos —
sobre um objeto estranho, um artefato que não devia ter sido construído: o Relógio
do Fim do Mundo.

Henrique, neto do antigo dono da livraria, herdou o lugar quando o avô faleceu.
Tinha 34 anos e era cético por natureza. Arquiteto frustrado, largara a profissão
após uma série de crises pessoais e decidira cuidar do que o avô mais amava:
livros.

Certo dia, vasculhando o porão à procura de documentos antigos, Henrique encontrou


a porta da sala esquecida. A chave estava sob um azulejo solto, exatamente onde o
avô dissera uma vez, em tom de brincadeira: “Se um dia quiser ver o tempo acabar,
procure debaixo da nona pedra.”

A porta rangia. O cheiro era de madeira antiga, ferro oxidado e tempo parado. No
centro da sala, sobre um pedestal de mármore, estava um relógio diferente de tudo
que Henrique já vira. Tinha formato esférico, com anéis concêntricos girando
lentamente, como se obedecessem a leis próprias da física. No lugar dos ponteiros,
havia pequenas luzes pulsantes. E em sua base, uma inscrição em latim:

"Quando o último segundo for entendido, o primeiro será reiniciado."

Intrigado, Henrique passou dias estudando o objeto. Nenhum registro, nenhuma


referência nos livros. Mas, curiosamente, o relógio parecia reagir às suas emoções.
Quando ele estava calmo, os anéis giravam suavemente. Quando aflito, aceleravam.
Quando duvidava de si mesmo… paravam.

Nas semanas seguintes, sua vida começou a mudar de forma sutil. Sonhava com lugares
onde nunca estivera, ouvia vozes ao seu redor como ecos vindos de outros tempos. Um
dia, uma cliente idosa entrou na livraria, olhou fixamente para ele e disse:

— Você abriu a sala, não foi?

Henrique, surpreso, apenas assentiu.

— Ele não marca as horas. Ele marca as escolhas — disse a mulher. — E você acabou
de ativá-lo.

Antes que ele pudesse perguntar qualquer coisa, ela saiu.

Nos dias seguintes, Henrique notou algo ainda mais estranho: o relógio estava
marcando uma contagem regressiva. No início, os números não faziam sentido. Mas
logo percebeu: estava marcando o tempo dele. Não do mundo, não da humanidade, mas o
tempo restante da sua vida.

Conforme os números diminuíam, decisões que antes pareciam pequenas agora pareciam
ter peso cósmico. Ele começou a agir diferente: ligou para a irmã com quem não
falava há anos, pediu desculpas a uma ex que havia magoado, escreveu cartas para o
pai que morrera cedo demais.

Quanto mais reparava seus erros, mais os anéis do relógio desaceleravam. Era como
se o tempo o recompensasse por cada verdade enfrentada.

Mas o relógio não parava. O contador seguia. Um dia, restavam apenas sete minutos.
Henrique preparou tudo. Sentou-se em frente ao relógio, como quem espera um
julgamento. Respirou fundo. À sua frente, um botão que nunca havia notado acendeu:
“REINICIAR”.

Ele hesitou. Era uma escolha, e não sabia o que viria depois. Morte? Esquecimento?
Uma nova vida?
Fechou os olhos. Pensou na infância, na livraria, no avô, nas pessoas que amou. E
então, sem medo, apertou.

Silêncio.

Quando abriu os olhos, estava no mesmo lugar, mas a sala era diferente. Mais
iluminada. Mais viva. O relógio estava intacto, mas o contador havia sumido. Em seu
lugar, uma simples frase escrita no pedestal:

"Agora que você entendeu o tempo, viva sem ele."

Henrique subiu as escadas com um sorriso calmo. Lá em cima, a livraria parecia mais
clara, mais cheia, como se o mundo tivesse voltado a respirar ao seu redor. Atendeu
o primeiro cliente com alegria, organizou os livros com cuidado, e pela primeira
vez em muito tempo… não olhou para o relógio na parede.

Se quiser, posso continuar essa história em uma possível sequência, transformar em


roteiro, HQ ou até criar um universo de fantasia baseado nesse conceito. Gostaria
de uma continuação ou um novo conto com outro estilo?

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