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Livraria das Horas Perdidas: Histórias Reais

A 'Livraria das Horas Perdidas' é um lugar mágico onde livros guardam histórias de momentos não vividos. Laura, ao descobrir a livraria, lê sobre suas próprias oportunidades perdidas e se reconecta com Gabriel, um amor do passado. Após essa experiência transformadora, a livraria desaparece, mas Laura percebe que pode criar novas histórias no presente.
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Livraria das Horas Perdidas: Histórias Reais

A 'Livraria das Horas Perdidas' é um lugar mágico onde livros guardam histórias de momentos não vividos. Laura, ao descobrir a livraria, lê sobre suas próprias oportunidades perdidas e se reconecta com Gabriel, um amor do passado. Após essa experiência transformadora, a livraria desaparece, mas Laura percebe que pode criar novas histórias no presente.
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"A Livraria das Horas Perdidas"

No coração de uma cidade cinza e apressada, escondida entre uma floricultura e uma
antiga relojoaria, havia uma pequena porta de madeira vermelha com uma placa
discreta: "Livraria das Horas Perdidas".

Ninguém sabia ao certo quando a livraria havia sido aberta. Ela simplesmente…
existia. Não aparecia em mapas, não tinha página nas redes sociais, nem telefone
para contato. E, ainda assim, quem precisava dela, de alguma forma, a encontrava.

Laura a descobriu numa terça-feira qualquer. Estava atrasada para o trabalho,


chovia fininho, seu guarda-chuva tinha virado do avesso e o salto do sapato
quebrara na calçada. Procurava abrigo quando viu a porta vermelha. Entrou.

O sino tocou com um som suave, quase melancólico. O ar ali dentro era morno e
cheirava a páginas antigas, chá de camomila e algo mais… algo familiar. As estantes
iam até o teto, repletas de livros com títulos que Laura nunca ouvira falar. Cada
um parecia pulsar com uma energia própria.

Atrás do balcão, um homem de cabelos brancos e olhos profundamente azuis sorria.

— Bem-vinda, Laura — disse ele, antes mesmo que ela se apresentasse.

— Como sabe meu nome?

— Nomes têm ecos, minha cara. E o seu ecoou forte esta manhã.

Ela quis questionar, mas não encontrou palavras. Algo naquela livraria parecia
suspender as regras do mundo lá fora.

— Aqui vendemos livros que guardam as horas perdidas — disse ele. — Momentos que
escaparam, decisões que não foram tomadas, palavras que ficaram engasgadas. Cada
livro contém uma história que poderia ter sido.

Laura percorreu os corredores estreitos. As lombadas tinham inscrições como “O dia


em que você não desistiu”, “A ligação que você nunca fez”, “O amor que você não
percebeu”. Parou diante de um exemplar envelhecido chamado “Ele também pensava em
você”.

— Posso ler? — perguntou.

— Pode. Mas cuidado: histórias reais machucam mais que as inventadas.

Sentou-se numa poltrona encostada à janela. Ao abrir o livro, reconheceu o nome:


Gabriel. Um colega da faculdade com quem dividira cafés, olhares e silêncios
carregados de tudo o que nunca foi dito.

A história mostrava um Gabriel que, no último dia de aula, havia escrito uma carta
para ela, declarando tudo o que sentia. Mas desistiu de entregar, com medo de
perder até a amizade. A carta fora rasgada, mas as palavras ficaram, agora
registradas ali.

Laura terminou o livro em silêncio. Suas mãos tremiam.

— Isso aconteceu mesmo?

O livreiro assentiu com um olhar grave.

— São histórias verdadeiras. Mas não pertencem ao agora. Apenas às horas que você
perdeu.
Nos dias seguintes, Laura voltou. Lia um livro diferente a cada visita. Descobriu
quantas possibilidades deixara escapar. Alguns livros a faziam chorar, outros
sorrir, mas todos deixavam marcas. E, em todos eles, de algum modo, Gabriel
aparecia.

Um dia, o livreiro lhe ofereceu um chá de lavanda e disse:

— Está na hora de escrever sua própria história. A livraria pode mostrar o que se
perdeu, mas não pode recuperar. Isso só você pode fazer.

Laura saiu da livraria com o coração pesado e leve ao mesmo tempo. Caminhou pelas
ruas da cidade até encontrar o que não via há anos: Gabriel.

Ele estava sentado num banco de praça, lendo um livro qualquer, exatamente como
fazia na época da faculdade.

— Laura? — ele disse, surpreso.

Ela sentou ao lado dele e sorriu, com o coração batendo como as páginas de um livro
em vento forte.

— Sabe… eu estava lendo sobre o que poderia ter sido — ela disse. — Mas percebi que
o que pode ser ainda está aqui.

Ele sorriu, confuso, mas com os olhos brilhando. A conversa fluiu como nunca antes.
Eles caminharam, lembraram, riram. Pela primeira vez, disseram tudo.

Na manhã seguinte, Laura voltou à rua da livraria. Mas a porta vermelha não estava
mais lá. No lugar, um muro coberto de heras. Nenhum sinal de que a "Livraria das
Horas Perdidas" havia existido.

Mas ela sabia. Sabia que não era alucinação.

Ela voltara no tempo sem sair do presente. E agora, cada minuto ao lado de Gabriel
era uma hora recuperada.

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