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Mistério da Casa Winterhall

Cecília, uma jovem jornalista, investiga a misteriosa casa dos Winterhall, onde lendas de desaparecimentos e fenômenos sobrenaturais cercam o local. Ao explorar a casa, ela descobre uma conexão pessoal com a família Winterhall e um diário que revela segredos sobre um amor proibido e traição. Com a verdade finalmente revelada, Cecília não apenas escreve sua matéria, mas também restaura a casa, trazendo paz ao local e se tornando parte de uma história esquecida.
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Mistério da Casa Winterhall

Cecília, uma jovem jornalista, investiga a misteriosa casa dos Winterhall, onde lendas de desaparecimentos e fenômenos sobrenaturais cercam o local. Ao explorar a casa, ela descobre uma conexão pessoal com a família Winterhall e um diário que revela segredos sobre um amor proibido e traição. Com a verdade finalmente revelada, Cecília não apenas escreve sua matéria, mas também restaura a casa, trazendo paz ao local e se tornando parte de uma história esquecida.
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"A Casa da Colina Nebulosa"

Numa pequena cidade esquecida entre vales e florestas, havia uma colina onde
ninguém mais subia. No topo, isolada pela neblina eterna e pelas lendas
assustadoras, estava a antiga casa dos Winterhall. Diziam que, em noites de lua
cheia, luzes acendiam sozinhas nos quartos vazios, e que uma música suave, quase
imperceptível, escapava das janelas quebradas.

Cecília, uma jovem jornalista recém-formada, decidiu investigar o mistério para


escrever sua primeira matéria de impacto. Não acreditava em fantasmas, mas sabia
que lendas como essa atraíam leitores. Era seu primeiro grande projeto, e ela não
mediria esforços para torná-lo inesquecível.

Ao chegar à cidade, foi recebida com olhares desconfiados. Quando mencionava a


casa, os mais velhos desviavam o olhar e os mais jovens riam, como se a história
fosse velha demais até para ser lembrada. Apenas um senhor chamado Elias, dono de
um antiquário coberto de poeira e segredos, aceitou conversar.

— Os Winterhall desapareceram numa noite de novembro, há quase sessenta anos.


Ninguém sabe como ou por quê. Só se sabe que, desde então, a casa ficou… estranha —
disse ele, com a voz baixa, como se o vento pudesse ouvir.

Cecília insistiu em subir. Armou-se com lanterna, caderno e coragem. Subiu a colina
numa tarde nublada, o céu tingido de cinza. Quando chegou ao portão enferrujado,
notou que, apesar dos anos de abandono, o jardim estava surpreendentemente limpo.
Havia um caminho de pedras ainda visível, como se alguém o percorresse com
frequência.

Dentro da casa, o ar era frio. Cada passo ecoava nos corredores vazios. Pôsteres
antigos ainda pendiam das paredes. Um piano estava coberto por um lençol, mas
Cecília sentia que, em qualquer momento, alguém poderia tirá-lo e começar a tocar.

Explorando o andar superior, ela encontrou um quarto intacto. As roupas nos


cabides, os brinquedos no chão… tudo como se os Winterhall tivessem simplesmente
saído para uma caminhada e nunca voltado. Foi quando ela ouviu. Uma nota longa e
suave, como de um piano ao longe. Pensou ser sua imaginação, mas então veio outra…
e outra.

Guiada pelo som, voltou ao salão principal. O piano estava descoberto. As teclas se
moviam sozinhas, tocando uma melodia triste, familiar. Ela reconheceu: era “Clair
de Lune”, de Debussy. Seu pai costumava tocar quando ela era criança.

Assustada, mas determinada, ela se aproximou. As teclas pararam subitamente. Então,


sobre o piano, algo apareceu: uma foto em preto e branco, envelhecida, retratando
uma mulher com feições idênticas às de Cecília. No verso, em caligrafia elegante,
lia-se: “Minha filha, Annabelle – 1962”.

Seu coração disparou. Aquilo era impossível. Ela não tinha parentes conhecidos na
cidade. Nunca ouvira falar dos Winterhall em sua família. Tremendo, vasculhou mais
da casa, encontrando um diário escondido sob uma tábua solta no chão.

Era de Annabelle Winterhall.

As últimas páginas falavam de um amor proibido, de uma fuga planejada… e de uma


traição. "Se algo me acontecer," dizia um trecho, "espero que um dia minha filha
descubra quem realmente somos."

Cecília desceu a colina em choque. No antiquário, mostrou a foto a Elias. Ele ficou
pálido.
— Você… você é filha da Annabelle? Então... a maldição pode finalmente terminar.

Ela descobriu que, ao fugir, Annabelle engravidou e foi acolhida por uma família
distante, cortando laços com o passado para proteger sua filha. Mas a casa, dizem,
guardava as almas daqueles que foram traídos — e só seriam libertos quando a
verdade fosse revelada.

Naquela noite, Cecília escreveu sua matéria. Mas mais do que isso: ela decidiu
restaurar a casa. Aos poucos, a colina foi perdendo a névoa constante. A música
cessou. E a paz, enfim, tomou conta da casa dos Winterhall.

E Cecília, agora, não era só jornalista. Era herdeira de uma história que ninguém
teve coragem de contar — até que ela chegou.

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