Sistemas Lineares no Ensino Fundamental e Médio
Sistemas Lineares no Ensino Fundamental e Médio
INSTITUTO DE MATEMÁTICA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
MESTRADO PROFISSIONAL
CAMPO GRANDE-MS
JUNHO DE 2013
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
INSTITUTO DE MATEMÁTICA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
MATEMÁTICA EM REDE NACIONAL
MESTRADO PROFISSIONAL
CAMPO GRANDE-MS
JUNHO DE 2013
i
O ESTUDO DE SISTEMAS LINEARES NOS ENSINOS
FUNDAMENTAL E MÉDIO
CAMPO GRANDE-MS
JUNHO DE 2013
ii
Dedico a minha família, que com-
preendeu minha ausência e falta
de tempo para lhes dedicar a
atenção merecida. Agradeço por
aceitarem minha falta, durante
minha busca por novos conheci-
mentos, concedendo-me a chance de
crescer ainda mais.
iii
Epígrafe
"Não há ramo da Matemática, por mais abstrato que seja, que não possa um dia vir a ser
aplicado aos fenômenos do mundo real."
Lobachevsky
iv
AGRADECIMENTOS
Agradeço em primeiro lugar a Deus, por essa oportunidade e por me dar forças
A minha esposa Gisele, por estar sempre ao meu lado, me ajudando em tudo o
que precisasse, inclusive tomando conta das crianças sozinha enquanto eu estudava.
Aos meus lhos Felipe e Alice pois, apesar de serem pequenos, acho que com-
preenderão daqui algum tempo porque que as vezes não pude estar junto a eles por falta de
A minha irmã Josiane e a meu cunhado Rogério por ajudarem nas horas mais
difíceis.
Aos meus pais, que por tantas vezes deixei de vê-los, por causa das obrigações que
tinha para com este trabalho, pelo amor e por todas as orações que zeram.
A minha professora e Orientadora, Rúbia, por toda dedicação e paciência que teve
v
Resumo
vi
Abstract
This work presents a study about linear systems in primary and secondary education. The
work presents linear systems history, theoretical foundations, and some applications. We have
performed a detailed study based on the bibliographical references. We have also described
the history of algebra and linear systems. In this work, we intend to discuss why, when,
and how to introduce the teaching of linear systems in primary and secondary education.
We have shown methods that can be adopted in each step of teaching followed by the types
of linear systems that can be studied. Three dierent books adopted in the second grade
of the secondary education have been analyzed in order to indicate how the linear systems
content can be presented, based on the systems geometric representation. The theoretical
foundations of linear systems are clearly and objectively presented through the text. Some
applications of linear systems have been selected based on the learning level of the students.
vii
Nomenclatura
∩ Interseção
k Paralelo
∼ Equivalente
∅ Conjunto vazio
viii
Lista de Figuras
ix
Sumário
1 Introdução 1
1.2 Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
x
2.5.1 Análise do Livro (1) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
3.1 Matrizes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
[Link] Igualdade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
[Link] Adição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
[Link] Transposição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
3.1.4 Determinante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
xi
3.2.2 Sistemas Lineares Equivalentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
5 Conclusão 61
xii
1
Capítulo 1
Introdução
Surge dos problemas do nosso cotidiano a necessidade de que as pessoas desen-
volvam capacidades de natureza prática para lidar com a atividade matemática, o que lhes
permite reconhecer problemas, buscar e selecionar informações e tomar decisões. Quando essa
capacidade é potencializada pela escola, a aprendizagem apresenta melhor resultado. Tanto
no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio, a matemática deve ser compreendida como
uma parcela do conhecimento humano essencial para a formação de todos os jovens, que
contribui para a construção de uma visão de mundo, para ler e interpretar a realidade e para
desenvolver capacidades que deles serão exigidas ao longo da vida social e prossional, [18].
Desta forma, o estudo dos Sistemas Lineares constitui um espaço bastante signi-
cativo para que o aluno desenvolva e exercite sua capacidade de abstração e generalização,
além de lhe possibilitar a aquisição de uma poderosa ferramenta para resolver problemas,
permitindo que o aluno interprete modelos, perceba o sentido de transformações, busque
regularidades e conheça o desenvolvimento tecnológico de parte de nossa cultura [18].
O estudo das aplicações dos Sistemas Lineares é vasto, para tanto se faz necessária
a investigação deste conteúdo. Partindo desse pressuposto faz-se necessário o estudo completo
dos Sistemas Lineares, começando por sua história, posteriormente é imprescindível analisar
as suas denições e teoremas para entender a forma matemática dos sistemas lineares e por
último observar as aplicações relacionadas ao assunto, pois dessa forma o leitor observará a
grandeza do conteúdo.
2
É provável que a maneira mais antiga de contar tenha sido baseada em algum
método de registro simples, como por exemplo, para contar carneiros poder-se-ia dobrar
um dedo para cada animal ou mesmo fazer ranhuras em uma pedra ou barro. Contudo,
a matemática primitiva precisava de um embasamento prático para se desenvolver, e esse
embasamento veio a surgir com a evolução para formas mais avançadas de sociedade [6].
Com o passar dos anos e com o desenvolvimento dos povos, tornou-se necessário efetuar
contagens mais extensas, desta forma o processo de contar teve que ser sistematizado. A
partir de então, houve um signicativo desenvolvimento da matemática e posteriormente seu
reconhecimento como ciência, assim como, surgiram e foram reconhecidos grandes pensadores
e postuladores da Matemática.
Segundo [2] a palavra Álgebra é uma variante latina da palavra árabe Al-jabr,
usada no título de um livro escrito em Bagdá por volta de 825 a.C., pelo matemático árabe
Mohamed Ibn-musa Al-khowarizmi. A palavra al-jebr signica restauração, refere-se à pas-
3
sagem de um termo para outro lado da equação. Ainda que originalmente álgebra rera-se
a equações, atualmente tem signicado muito mais amplo, sendo a parte da matemática
que estuda as leis e processos formais de operações com entidades abstratas. A álgebra
apresentou-se de diversas maneiras conforme a região e a época analisada [16].
Usando observações de Pallas tomadas entre 1803 e 1809, Karl Friedrich Gauss
- astrônomo, matemático e físico alemão (1777-1855) obteve um sistema de seis equações
lineares e seis incógnitas. Gauss criou um método sistemático para a resolução de equações
desse tipo, o que é precisamente o método sobre a matriz dos coecientes, que é conhecido hoje
como Método do Escalonamento. Dentre tantos feitos realizados por Gauss, sua contribuição
mais importante para a álgebra, em conjunto com o Matemático Jordan, foi a elaboração
desse método para resolução de sistemas lineares e que recebeu o nome de Gauss-Jordan.
Este é com certeza um método prático para resolver sistemas lineares, em especial quando o
número de equações for relativamente grande. Este método exige que se transforme a matriz
dos coecientes em uma matriz na forma escalonada.
O termo determinante surgiu apenas em 1812, num estudo feito por Cauchy, o
qual demonstrou que o assunto tem importância para a matemática e seus respectivos con-
ceitos. Outro grande estudioso que contribuiu com o estudo sobre sistemas lineares e deter-
minantes foi o alemão Carl G.J. Jacobi, que concretizou o estudo dos determinantes. Outras
contribuições vieram de Kronecker, que buscou solução para sistemas de equações lineares
homogêneas e também de Fontene, Rouché e frobenius, que participaram do aperfeiçoamento
desse estudo.
1.2 Objetivos
O presente trabalho tem como objetivos realizar uma análise crítica sobre o con-
teúdo de Sistemas Lineares, apresentado em livros didáticos utilizados no segundo ano do
Ensino Médio, em Campo Grande, MS. Discutir e divulgar métodos acerca do ensino de
sistemas lineares nos ensinos fundamental e médio, utilizando as abordagens algébrica e ge-
ométrica, além de apresentar uma fundamentação teórica e aplicações de sistemas lineares.
O trabalho será apresentado da seguinte forma.
Capítulo 2
O Ensino de Sistemas Lineares
Neste capítulo será realizada uma abordagem crítica sobre o ensino de Sistemas
Lineares nos ensinos fundamental e médio, posteriormente será feita a análise de três livros
didáticos utilizados no ensino de sistemas lineares no segundo ano do ensino médio, além de
serem apresentadas orientações que podem ser utilizadas em sala de aula, com o intuito de
introduzir o conteúdo de Sistemas Lineares através das abordagens algébrica e geométrica.
No sétimo ano do ensino fundamental o aluno começa a ter seus primeiros contatos
com conceitos algébricos, entre estes as expressões algébricas, equações do 1º grau e sistemas
de equações lineares com duas equações e duas incógnitas.
não é desejável que no terceiro ciclo se desenvolva um trabalho visando o aprofundamento das
operações com as expressões algébricas e as equações. Neste ciclo é suciente que os alunos
compreendam a noção de variável e reconheçam a expressão algébrica como uma forma de
traduzir a relação existente entre a variação de duas grandezas. É provável que ao explorar
situações-problema que envolvam variação de grandezas o aluno depare-se com equações, o
que possibilita interpretar a letra como incógnita. Nesse caso, recomenda-se que os alunos
sejam estimulados a construir procedimentos diversos para resolvê-las, deixando as técnicas
convencionais para um estudo mais detalhado no quarto ciclo.
Assim, nesta etapa o aluno deve utilizar representações algébricas para generalizar
propriedades de operações aritméticas e expressar regularidades encontradas em sequências
numéricas, compreender a noção de variável e construir procedimentos para calcular o valor
numérico de expressões algébricas. De acordo com [14], ao estudar equações do 1º grau e
sistemas de equações do 1º grau, o aluno deve ser capaz de:
Nos anos iniciais já se devem desenvolver alguns aspectos da álgebra, conquanto seja
especialmente nos anos nais do ensino fundamental que as atividades algébricas serão
ampliadas.
Para o 7º ano, espera-se que o educando seja capaz de utilizar representações algébri-
cas para generalizar as propriedades das operações aritméticas e regularidades obser-
vadas em algumas sequências numéricas; construir procedimentos para calcular o valor
numérico de expressões algébricas simples.
8
Nota-se que, tanto nos documentos federais como nos, estaduais e municipais as
orientações quanto ao Ensino da Matemática, referente ao ramo da Álgebra, em particular das
equações e de sistemas de equações, são de que nesta etapa do ensino o aluno deve ter apenas
um contato supercial com os conceitos algébricos, entre estes, o aluno deve reconhecer e
calcular o valor numérico de uma expressão algébrica, reconhecer e resolver equações do 1º
grau e resolver sistemas lineares simples.
O estudo da Álgebra, neste ciclo, tem como ponto de partida a pré-álgebra de-
senvolvida no ciclo anterior, em que as noções algébricas são exploradas por meio de jogos,
generalizações e representações matemáticas (como grácos e modelos), e não por procedi-
mentos puramente mecânicos, para lidar com as expressões e equações. Desse modo, o ensino
da álgebra precisa continuar garantindo que os alunos trabalhem com problemas, que lhes
permitam dar signicado à linguagem e às ideias matemáticas. Ao se proporem situações-
problema bastante diversicadas, o aluno poderá reconhecer diferentes funções da álgebra
(ao resolver problemas difíceis do ponto de vista aritmético, ao modelar, generalizar e
demonstrar propriedades e fórmulas, estabelecer relações entre grandezas). Assim, no tra-
balho com a álgebra é fundamental a compreensão de conceitos como o de variável, incógnita
e de função; a representação de fenômenos na forma algébrica e na forma gráca; a formulação
9
Vericar se um par ordenado (x, y) é ou não uma das soluções de uma equação do 1º
grau com duas incógnitas.
Do mesmo modo que no sétimo ano, os objetivos para o oitavo ano do ensino
fundamental elencados nos documentos de âmbito federal, estadual e municipal sobre o ensino
10
de equações e sistemas de equações, são muito parecidos. Nesta etapa o aluno tem uma
visão mais aprofundada em seus estudos sobre álgebra, trabalhando também com polinômios,
situações problema envolvendo equações do 1º grau e sistemas lineares com duas equações e
duas incógnitas.
Este método consiste em preparar as equações do sistema de modo que uma das
incógnitas das equações possua coecientes opostos. Para obter esses coecientes deve-se
utilizar a multiplicação de uma das equações por um número k adequado, e em seguida basta
efetuar a soma das equações membro a membro para que seja anulada uma das incógnitas
do sistema, resumindo assim o sistema de equações a uma única equação, a qual após ser
resolvida revela o valor de uma das incógnitas do sistema, bastando então substituir o valor
desta em uma das equações do sistema para obter-se o valor da segunda incógnita do sistema,
obtendo assim a solução (x, y) do sistema. Quando esta solução é única o sistema é classicado
como possível e determinado.
1º caso: Obtem-se a seguinte equação após preparar e realizar a soma das equações membro
a membro: 0x + 0y = 0, onde x e y podem assumir quaisquer valores, logo o sistema possui
innitas soluções. Um sistema nessas condições é classicado como possível e indeterminado.
11
2º caso: Obtem-se a seguinte equação após preparar e realizar a soma das equações membro
a membro: 0x + 0y = z , com z 6= 0, que é uma equação que não possui solução. Um sistema
assim é classicado como impossível.
Observação 2. Ao isolar e substituir uma das incógnitas de uma das equações na outra
equação podem ocorrer outros dois casos:
Este método consiste em realizar a representação gráca de cada uma das equações
do sistema em um plano cartesiano. A solução do sistema linear é dada por todos os pares
ordenados (x, y) que satisfaçam ambas as equações. Quando se trabalha com este método é
possível classicar o sistema apenas pela observação da posição relativa entre as retas descritas
por cada uma das equações do sistema. Para representar as retas no plano cartesiano basta
encontrar dois pontos (x, y) pertencentes a elas, representa-los no plano, e traçar por eles
a reta que representa cada uma das equações do sistema, em seguida observa-se a posição
relativa entre as retas para classicar o sistema em:
a11 x1 + a12 x2 + ... + a1n xn = b1
a22 x2 + ... + a2n xn = b2
.
.. .. ..
.. ..
S0 : . . . .
. . . . ..
.. .. .. ..
.
amn xn = bm
a11 a12 ... a1n b1
0 a22 ... a2n b2
A=
0 0 ··· a3n b3
.. .. .. .. ..
. . . . .
0 0 ··· amn bm
h i
0 0 ··· 0 bm ,
Livros analisados:
(2) Matemática Ciência e aplicações de Gelson Iezzi, Osvaldo Dolce, David Degenszajn,
Roberto Périgo e Nilze de Almeida - [20];
(3) Matemática Aula Por Aula de Cláudio Xavier e Benigno Barreto Filho - [21].
Com estas denições apresentadas, o livro traz alguns exercícios resolvidos uti-
lizando os métodos da adição e da substituição para que o aluno relembre-se desses métodos.
Verica-se que este autor está seguindo as Orientações Curriculares Nacionais para
o Ensino Médio (2006), que indicam que a Regra de Cramer não seja apresentada aos alunos
do ensino médio por ser menos eciente do que o Método do Escalonamento, porém nota-
se que o autor quase não utiliza a abordagem geométrica, se prendendo mais a abordagem
algébrica podendo assim tornar o entendimento da representação e da solução de sistemas de
ordem 2×2 e 3×3 menos visual e mais complexa aos alunos. O texto utiliza poucas aplicações
de sistemas lineares, poderiam ser exploradas aplicações em outras áreas do conhecimento.
O autor inicia o assunto com um exemplo que pode ser modelado por meio de
uma equação linear com duas incógnitas e em seguida traz a denição desta, trazendo a
denição da solução de uma equação linear, traduzindo-as por meio de exemplos resolvidos
algebricamente, sem utilizar a representação geométrica desta equação linear, o que poderia
trazer mais sentido a interpretação do aluno, já que este visualizaria que essa equação linear
representa uma reta no plano.
de ordem 3 × 3, já que as soluções podem ser iguais a um ponto, uma reta, um plano ou
mesmo, não possuir solução.
O livro introduz o conteúdo com uma breve história do surgimento e dos estudos
sobre Sistemas Lineares, apresenta as denições de equações lineares e de sistemas lineares
denindo a solução de um sistema linear e sistema linear homogêneo, sem utilizar exemplos
do cotidiano que possam ser representados por sistemas lineares, conforme as orientações
dos PCNs e sem utilizar a representação geométrica de uma equação linear e de um sistema
linear de ordem 2 × 2, o que torna mais visual o conhecimento acerca dessas denições.
Nesta seção, será apresentado um roteiro para ser utilizado no ensino de sistemas
lineares no segundo ano do ensino médio, com ideias que foram desenvolvidas neste trabalho
com o intuito de mostrar como é possível utilizar a representação geométrica para facilitar
a visualização e o entendimento dos alunos sobre a representação e a solução de um sistema
linear.
Como as retas são paralelas, nota-se, que nenhum dos pontos P = (x, y) perten-
centes a reta r : x − y = 0, pertence a reta s : x − y = −1, logo não há nenhum ponto que
satisfaz as duas equações do sistema simultaneamente, isto é, o sistema não possui solução,
portanto é um sistema impossível.
A gura mostra que as duas retas que representam as equações do sistema são
coincidentes e passam pelo ponto (0, 0), logo todos os pontos pertencentes a ambas as retas,
são soluções do sistema.
Neste caso, a intersecção entre os três planos é um plano, logo todos os pontos
P = (x, y, z) de π1 são soluções do sistema, pois π1 ∩ π2 ∩ π3 = π1 . Portanto o sistema possui
innitas soluções. Um sistema nessas condições é classicado como possível e indeterminado.
25
O sistema não possui solução, pois não há nenhum ponto P = (x, y, z) que satis-
faça as três equações do sistema simultaneamente, pois π1 ∩ π2 ∩ π3 = ∅, logo o sistema é
impossível.
26
Figura 2.6.9: Dois planos coincidentes e o terceiro os intersectam segundo uma reta l
Figura 2.6.11: Os três planos são distintos e se intersectam segundo uma reta l
O sistema não possui solução pois não há nenhum ponto P = (x, y, z) que satisfaça
as três equações do sistema simultaneamente, pois π1 ∩ π2 = l1 , π2 ∩ π3 = l2 e π1 ∩ π3 = l3 , e
l1 k l2 k l3 , portanto o sistema é impossível.
28
Capítulo 3
Fundamentação Teórica dos Sistemas
Lineares
Neste capítulo, será apresentada a fundamentação teórica sobre Sistemas Lineares,
enunciando as principais denições, teoremas e proposições, além de tratar de um método
de resolução de sistemas lineares, o Método do Escalonamento.
A solução de uma equação linear é a n-upla de números (α1 , α2 , ..., αn ) que quando
substituídos na equação, no lugar das incógnitas x1 , x2 , ..., xn , fazem com que a sentença seja
verdadeira [10].
a11 x1 + a12 x2 + ... + a1n xn = b1
a21 x1 + a22 x2 + ... + a2n xn = b2
S: .. .. .. .. .. , é linear.
. . . . .
a x + a x + ... + a x = b
m1 1 m2 2 mn n m
Denição 3. Sistemas Lineares Homogêneos são os sistemas em que todos os termos inde-
pendentes b1 , b2 , ..., bn são todos iguais a zero.
a11 x1 + a12 x2 + ... + a1n xn = 0
a21 x1 + a22 x2 + ... + a2n xn = 0
S: .. .. .. .. ..
. . . . .
a x + a x + ... + a x = 0
m1 1 m2 2 mn n
Assim, dado um sistema homogêneo a n-upla (0, 0, 0, ..., 0) é uma solução do sis-
tema. Esta é denominada de solução trivial de qualquer sistema linear homogêneo. Logo,
todo sistema homogêneo possui pelo menos uma solução, ou seja, todo sistema linear ho-
mogêneo é possível.
3.1 Matrizes
Nesta seção apresentar-se-á os conceitos básicos sobre matrizes. Esses conceitos
aparecem naturalmente na resolução de problemas que envolvem sistemas lineares, são essen-
ciais, porque fornecem métodos de resolução.
Em uma matriz qualquer A, cada elemento é indicado por aij . Onde o índice i
indica a linha a qual o elemento pertence, e o índice j a coluna a qual o elemento pertence.
Sendo que as linhas são numeradas de 1 até m, e as colunas numeradas de 1 até n, uma
matriz m × n é representada por:
a11 a12 ... a1n
a21 a22 ... a2n
A= .. .. .. ..
. . . .
am1 am2 ... amn
Uma matriz A, do tipo m × n também pode ser indicada por A = [aij ]m×n .
32
a) matriz linha: Toda matriz do tipo 1 × n, isto é, uma matriz que possui apenas uma linha.
h i
M= a11 a12 ... a1n
1×n
b) matriz coluna : Toda matriz do tipo m × 1, isto é, uma matriz que possui apenas uma
coluna.
a11
a21
M = ..
.
am1 m×1
c) matriz nula: Toda matriz, em que, para qualquer elemento aij , tem-se aij = 0.
0 0 ... 0
0 0 ... 0
M = .... .. ..
. . . .
0 0 ... 0
d) matriz quadrada: Toda matriz, em que, o número de linhas é igual ao número de colunas.
a11 a12 ... a1n
a21 a22 ... a2n
M = .. .. .. ..
. . . .
an1 an2 ... ann n×n
e) matriz triangular inf erior: Toda matriz quadrada, na qual, todos os elementos aij , em
que, i < j são iguais a zero.
a11 0 ... 0
a21 a22 ... 0
M = .. .. .. ..
. . . .
an1 an2 ... ann n×n
33
f) matriz triangular superior : Toda matriz quadrada, na qual, todos os elementos aij , em
que, i > j são iguais a zero.
a11 a12 ... a1n
0 a22 ... a2n
M = .. .. .. ..
. . . .
0 0 ... ann n×n
g) matriz diagonal: Toda matriz quadrada, na qual, todos os elementos aij , em que, i 6= j
são iguais a zero.
a11 0 ... 0
0 a22 ... 0
M = .. .. .. ..
. . . .
0 0 ... ann n×n
h) matriz identidade: Toda matriz diagonal, na qual, todos os elentos aij , em que, i = j são
iguais a 1.
1 0 ... 0
0 1 ... 0
M = .... .. ..
. . . .
0 0 ... 1 n×n
[Link] Igualdade
Denição 5. Duas matrizes A = [aij ]m×n e B = [bij ]m×n , são iguais, e escreve-se A = B ,
quando aij = bij , para todo 1 ≤ i ≤ m e todo 1 ≤ j ≤ n.
34
[Link] Adição
Denição 6. A adição de duas matrizes A = [aij ]m×n e B = [bij ]m×n , é uma matriz m × n,
que será denotada por A + B , cujos os elementos são obtidos pela soma dos elementos
correspondentes de A e B . Isto é, A + B = [aij + bij ]m×n .
Proposição 1. Dadas as matrizes A = [aij ]m×n , B = [bij ]m×n e C = [cij ]m×n , tem-se:
i) A + B = B + A (comutatividade);
ii) A + (B + C) = (A + B) + C (associatividade);
A + (B + C) = [aij ] + [bij + cij ] = [aij + (bij + cij )] = [(aij + bij ) + cij ] = [aij + bij ] + [cij ] =
(A + B) + C.
Denição 7. Seja uma matriz A = [aij ]m×n e k um número real, então k.A = [kaij ]m×n .
i) k(A + B) = kA + kB
ii) (k1 + k2 )A = k1 A + k2 A
iii) 0.A = 0
35
Demonstração. (i): De fato, sejam as matrizes A = [aij ]m×n e B = [bij ]m×n e k um elemento
pertencente a R, então
k(A + B) = k[aij + bij ] = [k(aij + bij )] = [kaij + kbij ] = [kaij ] + [kbij ] = k[aij ] +
k[bij ] = kA + kB. A demonstração das demais propriedades é encontrada em [17].
[Link] Transposição
Denição 8. Seja a matriz A = [aij ]m×n , pode-se obter um matriz AT = [bij ]n×m , cujas
linhas são as colunas de A, isto é, bij = aji . A matriz AT é denominada transposta de A.
i) (AT )T = A
ii) (A + B)T = AT + B T
(A + B)T = [aji + bji ]n×m = [aji ]n×m + [bji ]n×m = AT + B T . A demonstração das
demais propriedades é encontrada em [17].
Denição 10. Sejam duas matrizes A = [aij ]m×n e B = [bjk ]n×p , denomina-se produto de A
por B e representa-se por A · B a matriz C = [cik ]m×p , tal que
36
X
Cik = ai1 · b1k + ai2 · b2k + · · · + ain · bnk = aij · bjk ,∀ i ∈ {1, 2, · · · , m} e ∀
k ∈ {1, 2, · · · , p}.
i) AIn = In A = A
ii) A(B + C) = AB + AC
iii) (A + B)C = AC + BC
v) (AB)T = B T AT
vi) 0 · A = 0 e A · 0 = 0
Denição 11. Uma matriz quadrada de ordem n, possui inversa se existe uma matriz B ,
tal que A · B = B · A = In . Caso esta matriz B exista, ela é única e chama-se inversa de A,
e indica-se por A−1 [5].
Demonstração. De fato, se existir duas matrizes B e C que são inversas da matriz A, então:
Proposição 6. Sejam as matrizes A = [aij ]n×n e B = [bij ]n×n , de mesma ordem, então,
i) (A−1 )−1 = A
37
iv) det(A−1 ) = 1
det(A)
Demonstração. (i) Seja A uma matriz quadrada de ordem n. Suponha que A é invertível e
que sua inversa seja a matriz A−1 . Dessa forma
A · A−1 = In = A−1 · A
(ii) Sejam A e B matrizes quadradas de ordem n. Suponha que A e B são invertíveis e que
suas inversas sejam respectivamente A−1 e B −1 . Então:
Denição 12. Seja uma matriz E = [aij ]n×n , obtida a partir da matriz In , pela aplicação de
uma das transformações elementares, em sua i − ésima linha, denotada por Li . Diz-se que
E = [aij ]n×n , é uma matriz elementar e representa-se por E = e(In ).
(ii) Substituição de uma linha Li pela adição desta linha com k vezes uma outra
linha Lj , indicada por Li → Li + kLj , k ∈ R e k 6= 0.
(iii) Multiplicação de uma linha Li por um número real k não nulo, indicado por
Li → kLi .
38
Corolário 2. Toda matriz elementar é invertível e sua inversa também é uma matriz ele-
mentar.
3.1.4 Determinante
Denição 13. A toda matriz quadrada A = (aij ), de ordem n, cujos elementos aij são
números reais, associa-se, por denição, um único número que será denominado o seu determinante
e que será indicado por det(A). Sejam M o conjunto das matrizes quadradas de ordem n e R
o conjunto dos números reais. Considere a função f : M −→ R, denida do seguinte modo
[3]:
n
(−1)i+1 .ai1 .Di1 , isto é:
P
det(M ) =
i=1
det(M ) = (−1)1+1 .a11 .D11 + (−1)2+1 .a21 .D21 + ... + (−1)n+1 .an1 .Dn1 ,
a11 a12
det(M ) = = (−1)1+1 .a11 .D11 + (−1)2+1 .a21 .D21 ,
a21 a22
note que D11 = a22 e D21 = a12 , então tem-se que det(M ) = a11 .a22 − a21 .a12
39
note que D11 = a22 .a33 − a32 .a23 , D21 = a12 .a33 − a32 .a13 e D31 = a12 .a23 − a22 .a13 , então
det(M ) = a11 (a22 .a33 − a32 .a23 ) − a21 (a12 .a33 − a32 .a13 ) + a31 (a12 .a23 − a22 .a13 ) =
+(a11 .a22 .a33 + a12 .a23 .a31 + a13 .a21 .a32 )−(a13 .a22 .a31 + a11 .a23 .a32 + a12 .a21 .a33 ),
observe que nesse desenvolvimento três termos são precedidos do sinal de (+) e três termos
pelo sinal de (-). Esses termos podem ser obtidos adotando-se a disposição abaixo, onde
coloca-se ao lado da 3ª coluna as duas primeiras colunas da matriz, esse desenvolvimento é
chamado de Regra de Sarrus.
= +a11 .a22 .a33 + a12 .a23 .a31 + a13 .a21 .a32 − a13 .a22 .a31 − a11 .a23 .a32 − a12 .a21 .a33 .
Note que as multiplicações que vão da esquerda para a direita possuem sinal (+)
e as que vão da direita para a esquerda possuem sinal (-).
Denição 14. Uma matriz de ordem m × n será dita na forma escada ser for nula, ou se:
(i) O primeiro elemento não nulo de uma linha não nula é o número 1.
(ii) Cada coluna que contém o primeiro elemento não nulo de alguma linha tem todos os seus
outros elementos iguais a zero.
(iii) Toda linha nula ocorre abaixo de todas as linhas não nulas.
40
(iv) Se as linhas 1, 2, ..., r são as linhas não nulas, e se o primeiro elemento não nulo da linha
i ocorre na coluna Ki então K1 < K2 < ... < Ki . Esta última condição impõe a forma escada
á matriz [3].
Denição 15. Sejam A e B matrizes de ordem m × n. A matriz A é dita ser equivalente por
linhas à matriz B se B pode ser obtida de A pela aplicação sucessiva de um número nito
de transformações elementares sobre linhas.
Um sistema linear pode ser classicado quanto ao número de soluções que possui,
assim é classicado como possível e determinado se possui solução única, possível e indetermi-
nado se possui innitas soluções e é classicado como impossível quando não possui solução
[5]. Para classicar sistemas de ordem 2 × 2, pode-se utilizar a posição relativa entre as retas
que representam as equações dos sistemas, vericando se estas são paralelas (impossível),
concorrentes (possível e determinado) ou coincidentes (possível e indeterminado). Em um
sistema de ordem 3 × 3, é possível vericar a intersecção entre os planos que representam as
equações do sistema, se a intersecção é um ponto o sistema é possível e determinado, se a
intersecção é uma reta ou um plano o sistema é possível e indeterminado e se a intersecção
entre os três planos é vazia o sistema é impossível.
associa-se a este sistema três matrizes: a matriz A que é a matriz incompleta do sistema,
( matriz dos coecientes ), a matriz X que é a matriz das incógnitas e a matriz B que é a
matriz dos termos independentes[3]. Assim:
41
a11 a12 ... a1n x1 b1
a21 a22 ... a2n x2 b2
, X = eB= .
A= .. .. .. .. .. ..
. . . . . .
am1 am2 ... amn xn bm
Todo sistema pode ser escrito como um produto de matrizes. Seja o sistema:
a11 x1 + a12 x2 + ... + a1n xn = b1
a21 x1 + a22 x2 + ... + a2n xn = b2
S: .. .. .. .. .. .
. . . . .
a x + a x + ... + a x = b
m1 1 m2 2 mn n m
O produto que representa o sistema linear acima é dado pela equação matricial
a11 a12 ... a1n x1 b1
a21 a22 ... a2n x2 b2
. .
A.X = B ⇒ .. .. .. .. ..
= ..
. . . . . .
am1 am2 ... amn xn bm
Observação 4. A matriz completa de um sistema linear é a matriz formada pela matriz dos
coecientes e pela matriz dos termos independentes desse sistema, assim dado o sistema linear
a11 x1 + a12 x2 + ... + a1n xn = b1
a21 x1 + a22 x2 + ... + a2n xn = b2
S: .. .. .. .. .. , a matriz completa de S é a matriz
. . . . .
a x + a x + ... + a x = b
m1 1 m2 2 mn n m
a11 a12 ... a1n b1
a21 a22 ... a2n b2
A = a31 a32 · · · a3n b3 .
. .. .. .. ..
..
. . . .
am1 am2 · · · amn bm
42
Denição 16. Dois sistemas lineares S1 e S2 são equivalentes, quando toda solução de S1
também é solução de S2 e toda solução de S2 também é solução de S1 , ou seja, quando
possuem o mesmo conjunto solução [10].
Teorema 2. Multiplicar qualquer uma das equações do sistema inicial S, por um número
real k 6= 0, o novo sistema S1 obtido é equivalente ao sistema inicial S , assim toda solução
de S1 é solução de S e toda solução de S é solução de S1 .
Demonstração. Seja
a11 x1 + a12 x2 + ... + a1n xn = b1
a21 x1 + a22 x2 + ... + a2n xn = b2
... .. .. ..
..
. . .
.
S:
a x + a x + ... + a x = b
i1 1 i2 2 in n i
. . . . ..
.. .. .. ..
.
am1 x1 + am2 x2 + ... + amn xn = bm
(⇒) Suponha que (α1 , α2 , ..., αn ) é uma solução de S . Veja que também é uma
solução de S '.
(⇐) Suponha agora que (α1 , α2 , ..., αn ) é uma solução de S '. Veja que também é
solução de S .
Por hipótese:
1
k
[kai1 α1 + kai2 α2 + ... + kain αn ] = k1 .[Link] = bi .
Demonstração. Seja
44
a11 x1 + a12 x2 + ... + a1n xn = b1
a21 x1 + a22 x2 + ... + a2n xn = b2
.. .. .. .. ..
. . . . .
ai1 x1 + ai2 x2 + ... + ain xn = bi
S: .. .. .. .. ..
. . . . .
aj1 x1 + aj2 x2 + ... + ajn xn = bj
... .. .. .. ..
. . .
.
am1 x1 + am2 x2 + ... + amn xn = bm
A única diferença entre S e S ' é a i− ésima equação, logo deve-se analisar somente
esta linha do sistema.
(⇒) Suponha que (α1 , α2 , ..., αn ) é solução de S e prove que também é solução de S '.
(ai1 + aj1 )α1 + (ai2 + aj2 )α2 + ... + (ain + ajn )αn =
(⇐) Suponha agora que (α1 , α2 , ..., αn ) é uma solução de S 0 . Deve-se provar que também é
solução de S .
Das igualdades (I) e (II), conclui-se que ai1 α1 +ai2 α2 +...+ain αn = bi , o que prova
que (α1 , α2 , ..., αn ) satisfaz a i − ésima equação de S . Portanto (α1 , α2 , ..., αn ) é solução de
S.
Teorema 4. Sistemas lineares que possuem matrizes ampliadas (completas) equivalentes, são
equivalentes.
N X = B e N 0X = B0,
N 0 = M N e B 0 = M B.
46
(i) O primeiro elemento não nulo de uma linha não nula é o número 1.
(ii) Cada coluna que contém o primeiro elemento não nulo de alguma linha tem todos os seus
outros elementos iguais a zero.
(iii) Toda linha nula ocorre abaixo de todas as linhas não nulas.
(iv) Se as linhas 1, 2, ..., r são as linhas não nulas, e se o primeiro elemento não nulo da linha
i ocorre na coluna ki , então k1 < k2 < ... < ki . Esta última condição impõe a forma escada
ao sistema.
Denição 18. Operações elementares são as operações feitas com as linhas de um sistema
S de forma que sempre o transformam em um sistema S 0 que é equivalente ao sistema S . As
possíveis operações elementares são:
(iii) Somar a uma das equações do sistema, uma outra equação desse sistema multiplicada
por um número real k 6= 0.
Denição 19. Dado um sistema S , utilizando um número nito de vezes as operações
elementares obtem-se um novo sistema S1 . O sistema S1 é equivalente ao sistema S . Notação
S ∼ S1 .
A relação assim denida é uma relação de equivalência, pois, goza das seguintes
propriedades [5]:
(i) S ∼ S (reexiva);
(ii) S1 ∼ S⇒ S ∼ S1 (simétrica); e
(iii) S1 ∼ S e S2 ∼ S ⇒ S1 ∼ S2 (transitiva).
Tome agora a segunda linha dessa matriz B obtida, se nesta houver elementos não nulos,
seja a coluna k 0 a primeira a conter um deles, então multiplique a segunda linha pelo inverso
desse elemento não nulo, em seguida, somando múltiplos adequados desta nova segunda linha
às demais linhas, obtem-se uma matriz cujo primeiro elemento da segunda linha é igual a 1
e os demais elementos dessa linha são todos nulos.
48
Repetindo esse procedimento em relação às demais linhas obtem-se uma matriz A' que é
linha equivalente a matriz A. O sistema S 0 Associado a matriz A0 , está na forma escada e é
equivalente ao sistema S .
Unicidade: Agora que já foi provada a existência, é necessário provar a unicidade, ou seja,
que o sistema S ' obtido é único.
De fato, suponha que através das operações com linhas, partindo de uma matriz A, pode-se
chegar a duas matrizes-linha reduzidas a forma escada, B e C . Tem-se então que A ∼ B
e A ∼ C . Como as operações com linhas são reversíveis, isso signicará que B é linha
equivalente a C , e, portanto, B = C . Logo o sistema S 0 na forma escada equivalente ao
sistema S é único.
1º passo: Coloca-se como primeira equação aquela em que o coeciente da primeira incóg-
nita é igual a 1, caso não haja nenhuma equação nessas condições deve-se multiplicar uma
das equações que tenha o primeiro coeciente k pelo número 1
k
tornando assim o primeiro
coeciente dessa equação igual a 1.
onde aii 6= 0, ∀ i ∈ {1, 2, 3, ..., n}. Assim, a matriz incompleta do sistema é a matriz triangular
superior:
a11 a12 ... a1n
0 a22 ... a2n
A= .. .. .. ..
. . . .
0 0 ... ann
a11 x1 + a12 x2 + ... + a1n xn = b1
a2j xj + ... + a2n xn = b2 (j > 2)
...
... ... ... ..
.
amr xr + ... + amn xn = bm (r > j)
50
com m < n.
Para resolver este sistema, pode-se tomar as incógnitas livres do sistema e transpô-
las para o segundo membro, obtendo um novo sistema que deve ser visto como se tivesse ape-
nas as incógnitas do primeiro membro das equações. Assim atribuindo valores as incógnitas do
segundo membro, tem-se um sistema do primeiro caso, portanto, determinado; resolvendo-o,
obtem-se uma solução do sistema. Se forem atribuidos outros valores as incógnitas do se-
gundo membro obter-se-á outra solução e assim sucessivamente. Como este procedimento de
atribuir valores as incógnitas do segundo membro pode continuar indenidamente pode-se
extrair do sistema original um número innito de soluções. Um sistema dessa forma é dito
possível e indeterminado.
Observação 5. Chama-se de grau de indeterminação o número de variáveis livres do sistema,
isto é n − m.
Denição 20. Uma matriz Am×n , seja Bm×n a matriz-linha reduzida à forma escada linha
equivalente a matriz A. O posto de A, denotado por p, é o número de linhas não nulas de B .
A nulidade de A é o número n − p.
Proposição 8. Uma matriz quadrada de ordem n é invertível se, e somente se, ela tem posto
n.
Teorema 6. (i) Um sistema de m equações e n incógnitas admite solução se, e somente se,
o posto da matriz completa é igual ao posto da matriz dos coecientes.
Demonstração.
1ª parte: Se o posto da matriz ampliada for maior que o da matriz dos coecientes, então
esta matriz reduzida à forma escada deve ter pelo menos uma linha do tipo (00...0ck ), com
ck 6= 0. Isto signica que o sistema associado a esta matriz tem uma equação do tipo:
0x1 + ... + 0xn = ck 6= 0, e portanto não admite solução.
2ª parte: Agora, se o posto da matriz completa for igual ao da matriz dos coecientes, há
dois casos a considerar:
51
(b) Se p < n, há vários casos a considerar sobre a matriz-linha reduzida a forma escada. Será
analisado agora o caso em que a matriz de posto p < n tem a seguinte forma
1 0 0 ··· 0 a1p+1 ··· a1n c1
0 ··· ···
0 1 0 a2p+1 a2n c2
.. .. .. .. .. .. .. .. ..
. . . . . . . . .
.
0 0 0 ··· 1 app+1 ··· apn cpn
0 0 0 ··· 0 0 ··· 0 0
.. .. .. .. .. .. .. .. ..
. . . . . . . . .
0 0 0 ··· 0 0 ··· 0 0
logo o sistema terá innitas soluções, sendo xp+1 , ..., xn , as variáveis livres do sistema. Assim,
é possível proceder de maneira análoga, considerando outras formas para a matriz reduzida
a forma escada de posto p < n e obter-se um sistema com innitas soluções, e n − p variáveis
livres.
52
Capítulo 4
Aplicações de Sistemas Lineares
Neste capítulo serão apresentadas aplicações de Sistemas Lineares, por meio de
exemplos de aplicações em problemas da Química, Física e da Matemática relacionados aos
conteúdos do Ensino Médio que possam ser resolvidos com o uso de sistemas lineares. Estes
problemas foram escolhidos para mostrar aos alunos a importância do estudo dos sistemas
lineares.
Dados:
Al é a molécula de alumínio;
x−z =0
xKClO4 + yAl → zKCl + wAl2 O3 ⇒ 4x − 3w = 0 ,
y − 2w = 0
logo x = z, y = 8x
3
,w = 4x3
, fornecendo a solução do balanceamento dada por S =
(x, 3 , x, 3 ), de modo que tomando x = 3 obtem-se os coecientes inteiros S1 = (3, 8, 3, 4).
8x 4x
55
Existem problemas matemáticos que podem ser modelados e resolvidos com o uso
de sistemas lineares.
Após anos de economia Paulo resolve comprar um sítio de 90 hectares para plantar
milho e feijão. Cada hectare de milho gera lucro de R$ 400,00 e cada hectare de feijão gera
lucro de R$ 600,00. Para cada hectare de milho são necessários 3 empregados e são utilizadas
2 toneladas de fertilizantes e para um hectare de feijão são necessários 2 empregados e 4
toneladas de fertilizantes. Considerando que Paulo pode contar com 200 empregados e 240
toneladas de fertilizantes, como ele pode maximizar seu lucro [13]?
(i)Escolha das variáveis : Paulo precisa decidir em quantos hectares vai plantar milho e
em quantos hectares vai plantar feijão. Então, sejam x a quantidade de hectares que serão
plantados com milho e y a quantidade de hectares que será plantada com feijão.
(ii) Modelar a situação por função: Cada hectare plantado com milho gera um lucro de R$
400,00 e cada hectare plantado com feijão gera um lucro de R$ 600,00. Então a função é
L = f (x, y) = 400x + 600y .
(iii)Descrever as restrições:
sujeito a: x + y ≤ 90
3x + 2y ≤ 200
2x + 4y ≤ 240
x > 0 e y > 0.
Solução: Primeiramente deve-se determinar o conjunto dos pontos que satisfazem as res-
trições do problema. Para isso, basta determinar a intersecção das regiões denidas por cada
uma das inequações. Lembrando-se de que x > 0 e y > 0, então esta região pertencerá ao
primeiro quadrante do plano.
Para determinar qual dos pontos da região ABCD, é a melhor solução do problema,
deve-se observar que a região ABCD é delineada pelos segmentos de reta que ligam os pontos
A, B, C e D. Qualquer ponto dentro ou sobre o contorno do espaço ABCD satisfaz todas
as restrições. Como este espaço consiste de um número innito de pontos, é necessário
um procedimento sistemático para determinar a melhor solução. Inicia-se determinando a
direção na qual a função aumenta de valor, já que este é um problema de maximização. Para
determinar essa direção, atribui-se valores para a função L = f (x, y) = 400x + 600y , como
por exemplo L = 1000, L = 2000, ..., até que a reta (L) esteja fora do espaço ABCD para
algum L0 .
que a reta que fora da região ABCD. A reta L = 400x + 600y intersecta o ponto C para
L0 = 40000. Para determinar as coordenadas do ponto C = (x, y), resolve-se o sistema S de
equações denido pelas retas 2x + 4y = 240, 3x + 2y = 200 e 40000 = 400x + 600y . Assim,
tem-se
2x + 4y = 240
S : 3x + 2y = 200 ,
400x + 600y = 40000
que S possui solução (40, 40). Então a melhor solução do problema é que sejam plantados
40 hectares de milho e 40 hectares de feijão, determinando assim um lucro de R$ 40.000,00.
Arnaldo dá a Beatriz tantos reais quanto Beatriz possui e dá a Carlos tantos reais
quanto Carlos possui. Em seguida, Beatriz dá a Arnaldo e Carlos tantos reais quanto cada
um possui. Finalmente, Carlos faz o mesmo. Terminam todos com R$16,00 cada. Quanto
cada um possuia no início [1]?
Solução: Sejam A,B e C respectivamente o número de reais que Arnaldo, Beatriz e Carlos
possuiam. Foram feitas 3 transferências. Após a primeira, as quantias com que eles caram,
foram A − B − C, 2B, 2C . Após a segunda operação: 2A − 2B − 2C , 2B − (A − B − C) − 2C ,
4C , ou seja: 2A − 2B − 2C , 3B − A − C , 4C . E, no nal: 4A − 4B − 4C , 6B − 2A − 2C ,
4C − (2A − 2B − 2C) − (3B − A − C), isto é: 4A − 4B − 4C , 6B − 2A − 2C e 7C − A − B .
Agora é só resolver o sistema
4A − 4B − 4C = 16
−2A + 6B − 2C = 16 ,
−A − B + 7C = 16
3ª Transferência: Como todos terminaram com R$16,00 e foi Carlos que realizou
59
a última transferência, então Arnaldo e Beatriz receberam R$8,00 cada, o que implica que
Carlos deu R$16,00, logo ele possuia R$32,00.
2ª Transferência: Quem realizou esta transferência foi Beatriz, então ela deu
R$4,00 para Arnaldo e R$16,00 para Carlos, portanto ela deu no total R$20,00, então ela
possuia R$28,00.
Muitos problemas da Física podem ser modelados e resolvidos com o uso de sis-
temas lineares. Nesta seção apresentar-se-á dois problemas sobre movimento, que podem ser
modelados e resolvidos com o uso de sistemas lineares.
Solução: Se f (t) é a força aplicada no instante t, temos f (0) = 0, f (1) = 30, f (2) = 55 e
f (3) = 75. Se a força for constante tem-se f (t) = at2 + bt + c, então substituindo os valores
0, 1, 2, 3 em f (t) obtem-se o seguinte sistema:
60
c=0
a + b + c = 30
S: ,
4a + 2b + c = 55
9a + 3b + c = 75
onde, a = −2, 5, b = 32, 5 e c = 0, assim como o sistema possui solução, os dados do problema
são compatíveis com a hipótese. A velocidade é f 0 (t) = 2at+b = −5t+32, 5, logo a velocidade
é nula quando t = 6, 5. Portanto o veículo para após 6,5 segundos.
2. Um veículo A parte de Campo Grande-MS para Jales-SP, às dez horas da manhã, segundo
a função horária SA = 35 + 80t. Neste mesmo dia, um outro veículo B parte também de
Campo Grande-MS para Jales-SP, ao meio-dia, seguindo o mesmo trajeto de A, segundo
a função horária SB = 55 + 120t. As equações horárias fornecem o espaço medido em
quilômetros e o tempo medido em horas. Sabendo-se que os veículos A e B percorrem o
trajeto sem paradas, determine o instante de tempo t em que o veículo B alcançará o veículo
A.
S = 55 + 80t (1)
A
S = 15 + 120t (2)
B
61
62
Referências Bibliográcas
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César Pinto Carvalho, Eduardo Wagner e Augusto César Morgado. Rio de Janeiro:
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do Sul Fluminense - UFF, 2006.
[15] Miorin A. M. Introdução à História da Educação Matemática. São Paulo: Atual, 1998.
[20] Iezzi G., Et al. Matemática: ciência e aplicações,2: ensino médio. São Paulo: Saraiva,
2010.
[21] Xavier C., Barreto Filho B. Matemática aula por aula. São Paulo: FTD, 2005.
[23] Referencial curricular 2012 Ensino Médio /Secretaria de Educação do Estado de Mato
Grosso do Sul. Campo Grande:SED/MS, 2012.