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Fundamentos do Direito Civil e Processual

O documento aborda a integração de fato, valor e norma no direito, detalhando conceitos fundamentais do direito civil, como personalidade e autonomia da vontade. Também discute a eficácia da lei processual no tempo e no espaço, a aplicação de novas normas a processos em trâmite, e os princípios constitucionais do processo. Além disso, explora métodos alternativos de solução de conflitos, como conciliação, mediação e arbitragem.
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Fundamentos do Direito Civil e Processual

O documento aborda a integração de fato, valor e norma no direito, detalhando conceitos fundamentais do direito civil, como personalidade e autonomia da vontade. Também discute a eficácia da lei processual no tempo e no espaço, a aplicação de novas normas a processos em trâmite, e os princípios constitucionais do processo. Além disso, explora métodos alternativos de solução de conflitos, como conciliação, mediação e arbitragem.
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DC, CPC & CC

REVISÃO GERAL

1. DIREITO: INTEGRAÇÃO DE FATO, VALOR E NORMA (MIGUEL REALE)

1.1 Direito Objetivo: Complexo de normas.


1.2 Direito Subjetivo: Faculdade de exigir atividade jurisdicional em caso de
lesão ou ameaça a direito, cabendo em todas as searas do direito.
1.3 Direito público: Relações entre o Estado e a/as partes (relações
particulares) e rege a organização e relações do Estado em nível nacional e
internacional.
1.4 Direito Privado: Regula direito entre litigantes particulares.
1.5 Direito Processual: Disciplina a atividade jurisdicional do Estado na
distribuição da Justiça.

2. CONCEITO DE DIREITO CIVIL:

2.1 Civilista: Interpretador das normas do direito civil.


2.2 Definição: Ramo do direito privado para regular relação particulares,
familiares, patrimoniais e obrigacionais.

2.3 PRINCIPAIS CONCEITOS:

2.3.1 Personalidade: todo ser humano é sujeito de direitos e obrigações.


2.3.2 Autonomia da vontade: reconhecimento da capacidade de atuar
juridicamente.
2.3.3 Liberdade de estipulação negocial: permissão de outorgar direitos e
contrair deveres.
2.3.4 Propriedade Individual: capacidade de constituir patrimônio.
2.3.5 Intangibilidade familiar: família como extensão da personalidade.
2.3.6 Legitimidade da herança: transmissão patrimonial para herdeiros.
2.3.7 Direito de testar: faculdade de dispor de bens para herdeiros.
2.3.8 Solidariedade social: Função social dos negócios jurídicos.
2.4 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CIVIL

2.4.1 O princípio da realizabilidade /operabilidade /concretude:


estabelece que o Direito Civil deve ser aplicado de forma prática, eficiente e
acessível, apesar das formalidades. (simplificação de regras/ facilitação da
aplicação da lei).

2.4.2 Princípio da socialidade/sociabilidade:


Valores e interesses coletivos prevalecem sobre os individuais.

2.4.3 Princípio da eticidade: fundado no respeito à dignidade humana,


dando prioridade à boa-fé subjetiva, objetiva, à probidade e à
equidade.
> Boa-fé objetiva: comportamento externo esperado entre as partes.
> Boa-fé subjetiva: Intenção da pessoa.
> Probidade: retidão de caráter. (integridade, honestidade e retidão)
> Equidade: senso de justiça baseado em particularidades de cada caso.
(simetria)

OBS: Diferença entre IGUALDADE e EQUIDADE.


Igualdade: Tratar todos da mesma forma (uniformidade)
Equidade: Tratar com justiça, considerando particularidades individuais
Expressão ARISTOTÉLICA:
“Devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os
desiguais,
na medida de sua desigualdade”
( Um dos fundamentos de Estado Democrático de Direito)

👉 Igualdade é dar as mesmas coisas para todos.


👉 Equidade é dar o que cada um precisa para alcançar o mesmo ponto.
ARBITRAMENTO POR EQUIDADE
PONTUAÇÕES PERTINENTES

Decisão por equidade –– nos casos previstos em lei –– considera-se o que é


justo ao caso concreto sem depender estritamente das regras legais, -
com base em critérios de justiça, razoabilidade e consciência.
CPC: Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico.
Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei.

Lei de Arbitragem (Lei nº 9.307/1996):


Art. 2º, §1º:“Poderá a arbitragem ser de direito ou de equidade, a critério das partes.”

Arbitragem de Direito: Decisão por meio das regras legais para solucionar litígio.

Arbitragem de Equidade: Afasta-se as regras legais para solucionar o litígio de forma mais justa.

CONCEITO DE LIDE
LITÍGIO: 1. Conflito de interesse qualificado por uma pretensão resistida
(carnelutti)
+ deduzida em juízo (liebman)

SOLUÇAO DE CONFLITOS
Autotutela: Justiça privada.
Sistema atual criminaliza autotutela.

CÓDIGO PENAL- Art. 345: “Fazer justiça com as próprias mãos, para satisfazer
pretensão, embora legítima: salvo quando a lei o permitir” (vedação da
autotutela pelo particular) + – Art. 350: “exercício arbitrário ou abuso de poder”
(ou por agente estatal).

Possibilidade de autotutela:
> Restituição da posse (DESFORÇO IMEDIATO – sem excesso e imediato)
> Legítima defesa ou estado de necessidade, sem excesso (direito penal).

1. Autocomposição poderá ocorrer por:

a) desistência (uma das partes renuncia à pretensão);


b) submissão (réu se submete à pretensão do autor);
c) transação (ambos acordam concessões recíprocas).

2. Heterocomposição: solução por terceiro imparcial: juiz ou árbitro.


(ex: sentença judicial por arbitrariedade OBRIGATÓRIA – antigamente era
facultativa - e resulta em sentença de efeito vinculante c/ valor de
sentença judicial).
3. Homocomposição: Solução pelas próprias partes.

Arbitragem facultativa: Antigamente, dependia da vontade das partes, sacerdotes e anciãos.


Arbitragem obrigatória: Atualmente, Estado ativo na resolução de lides.

4. Jurisdição: Atuação direta do Estado na resolução de lides por meio do


processo.

MÉTODOS ALTERNATIVOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS


(MASCS)

 Conciliação: Terceiro PROPÕE soluções para as partes chegarem a


um acordo. É mais comum em conflitos pontuais, e o conciliador pode
sugerir ativamente formas de resolução.
Pode ser extraprocessual (independente de processo)
ou endoprocessual (ocorrer dentro do processo)

(conciliador propõe solução – atua ativamente)

 Mediação: um terceiro imparcial facilita o diálogo entre as partes,


sem sugerir soluções, para que elas próprias construam um acordo. Ideal
para relações continuadas e busca preservar ou restaurar vínculos.

(Mediador modera/ é neutro / facilita o diálogo)

 Arbitragem: as partes escolhem um árbitro que atua como juiz


privado e decide o conflito com uma sentença arbitral com efeito legal
obrigatório, como uma sentença judicial - decisão gerará efeito vinculante e
não será passível de recurso.

(Árbitro Julga / gera sentença arbitral / é facultativa /


/ contratos – clausula compromissória ou arbitral / geralmente utilizada no meio
empresarial)

ODRs – ONLINE DISPUTE RESOLUTION


No Brasil: resolução de conflito sobre compras online – por conciliação
(conciliador ativo)
Ex.: [Link] (mantida pelo Ministério da Justiça) e Reclame Aqui
(site privado).
IMPORTANTE: ODR como requisito necessário prévio para à ida ao
judiciário é discutido, mas não é obrigatório.

“Debate-se se seria possível impor à parte a busca de uma


plataforma ODR como requisito necessário à busca pelo Judiciário.
NÃO HÁ, NA LEGISLAÇÃO, ESSA OBRIGATORIEDADE . No entanto, os autores
desta obra entendem que é possível interpretar o sistema processual de
modo que se entenda a ODR como um requisito necessário prévio à ida ao
Judiciário, estando inserido na condição de ação de interesse de agir.”

HIPÓTESES EM QUE NÃO CABEM OS MEIOS


ALTERNATIVOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS
1. Processo penal (POSSUI O MONOPÓLIO ESTATAL DE RESOLUÇÃO DE
CONFLITO), com exceção do: ANPP (caracteriza uma composição)
2. Direitos indisponíveis (questões sobre menores e o Estado, os
indivíduos não podem decidir);
Casos em que há o monopólio do Estado:
PROCESSO PENAL, a jurisdição será o único meio de obter a
solução do litígio.
(monopólio da execução de penas).

EFICÁCIA DA LEI PROCESSUAL NO TEMPO


E NO ESPAÇO
1. Eficácia no espaço: Princípio da territorialidade e da exclusividade
das normas processuais brasileiras (não é o caso de normas materiais
estrangeiras, como no TIP – outro caso).
2. Eficácia: uma norma terá vigência até que outra a revogue. (LINDB, art.
2º)

2.2 Vocatio legis: 45 dias, salvo regulamentação outra.

2.3 No entanto: novas regras (processuais) já se aplicam aos


processos que estão em trâmite, em curso, um pendência..
CPC, art. 1.046, que assim prevê: “Ao entrar em vigor este Código,
suas disposições se aplicarão desde logo aos
processos pendentes (...)”.
Direito intertemporal: quando há modificações legislativas (novas leis
processuais), recorre-se ao direito intertemporal (não aplicável ao direito
material, que possui a faculdade de ultratividade: retroage ou ultrage)
- AO DIREITO MATERIAL: se aplica o princípio tempus regit actum – o
tempo rege o ato (APLICA-SE AS NORMAIS MATERIAIS - EM VIGOR - AO
TEMPO DO ATO)

RESUMO: Aos processos em trâmite, mediante nova lei processual, esta será
aplicada desde já. Quanto ao direito material, será aplicada a norma vigente ao
tempo do ato, segundo o princípio do tempus regit actum. Quanto ao ato
jurídico perfeito e o direito adquirido, estes serão conservados.

ATO JURÍDICO PERFEITO: Art. 5º - XXXVI:


“É resguardado o ato jurídico perfeito & o direito adquirido” – MEDIANTE NOVA
LEI PROCESSUAl.

 Em regra, os atos já realizados ou consumados não são atingidos pela


lei nova (processual), mas aos processos em curso já se aplica a nova
legislação, quantos aos atos que ainda não ocorreram, não foram
realizados e julgados.
= NOVA LEI PROCESSUAL NÃO RETROAGE.

TEORIA DO ISOLAMENTO DOS ATOS PROCESSUAIS, eficácia temporal


das normas processuais: situação em que, na lei antiga, tem início o prazo
para contestar (X), e essa defesa teve alteração por uma lei que entrou em
vigor durante o prazo da contestação Y: aplica-se a lei antiga (X) em relação a
esse ato processual.

 Se uma nova lei processual entra em vigor, ela não altera os atos já
praticados sob a vigência da lei anterior, mas ela se aplica
imediatamente aos atos futuros, ainda que o processo já tenha
começado sob outra legislação.
 Ato iniciado com norma processual A, terá seus atos já realizados
conservados e seguirão com as novas normas processuais B.

Essa teoria é adotada pelo art. 14 do Código de Processo Civil (CPC/2015):

"A norma processual aplica-se imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos
processuais já realizados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma
revogada."

EXTENSÃO PRÁTICA DO PEDIDO DA DEMANDA

Princípio da congruência entre pedido/causa


1. Extra petita: Pedido diverso. Ex.: condenatória ao invés de
declaratória ou devolução ao invés de pagamento em dinheiro.
1.1 Cabe recurso contra decisão viciada.
1.2 Posteriormente, o tribunal deverá anulá-la para que o
grau inferior torne a apreciar a lide nos exatos limites do
pedido da parte;
1.3
2. Citra petita:
3. Ultra petita: Além do pedido.
IURA NOVIT CURIA - “O TRIBUNAL CONHECE O DIREITO”

“Não ocorre julgamento extra petita quando o juiz aplica o direito


ao caso concreto sob fundamentos diversos aos apresentados
pela parte”
Nenhum vício há na decisão com fundamentos legais diversos
dos invocados pelas partes, em vista do regramento do iura novit
curia.
Essa frase quer dizer que o juiz não está vinculado aos argumentos jurídicos das partes
(IMPARCIALIDADE). Ele pode decidir com base em fundamentos legais diferentes dos que
foram apresentados, desde que os fatos trazidos pelas partes sejam os mesmos.

O princípio do iura novit curia significa "o juiz conhece o direito", ou seja, ele não precisa que
as partes indiquem corretamente os dispositivos legais; cabe a ele aplicar o direito ao caso
concreto.

MIHI FACTUM, DABO TIBI IUS – “DÊ-ME OS FATOS, DAREI O


DIREITO”

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO PROCESSO


1. Devido processo legal
2. Contraditório e ampla defesa
3. Isonomia
4. Acesso à justiça
5. Vedação da prova ilícita
6. Publicidade das decisões judiciais
7. Duplo grau de jurisdição (implícito)
8. Princípio da boa-fé (explícito)
9. Cooperação (explícito)
10. Legalidade estrita (explícito)
11. Eventualidade (explícito)

PRINCÍPIO DA DEMANDA E DO IMPULSO OFICIAL


Princípio da demanda, da inércia ou dispositivo
O processo começa por iniciativa da parte, sendo vedado ao
Estado/juiz iniciar processos oficiosamente, sem provocação das
partes.
(incluindo aqui o Ministério Público).
Processo oficioso/atuação oficiosa: É vedada à autoridade
judiciária agir por iniciativa própria. VEDADO – compromete
a parcialidade

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