CONSTITUCIONAL, PENAL E
PROCESSO PENAL
FUSÕES DE CONCEITOS E PONTES EM COMUM
DIREITO PROCESSUAL CIVI Cooperação processual e
(integração de ideias) não é expressamente
previsto do CPP a Proibição
de Decisão Surpresa (não
- Dirimir conflitos sociais. traz de forma literal).
Natureza gregária do ser A Doutrina e Jurisprudência já
humano. Função ordenadora da consolidaram esse entendimento,
sociedade e Ciência da reforçando a aplicação subsidiária do
convivência humana. Direito CPC/2015 ao processo penal, nos
Civil. termos do art. 3º do CPP:
- Não há sociedade sem
direito.
(ubi societas ibi jus)
Relação do processo civil com Art. 3º, CPP – A lei
preceitos constitucionais e os processual penal
quais estão associados ao
garantismo penal igualmente: admitirá interpretação
1. Devido processo legal (CF, extensiva e aplicação
art. 5º, LIV)
2. Contraditório e ampla
analógica, bem como o
defesa suplemento dos
(CF, art. 5º, LV)
3. Dignidade da pessoa
princípios gerais do
humana direito.
4. Motivação das decisões (Compartilhados entre CPC, DP E
judiciais DPP)
5. Isonomia entre as partes
6. Cooperação processual
(arts. 6º e 139 do CPC)
7. Proibição de decisões “A
surpresa
(art. 10 do CPC)
PRETENSÃO
A maioria desses princípios
constitucionais são
compartilhados entre o DPC e o
PUNITIVA
DPP. No entanto, não é
aplicado diretamente a
Garantismo penal: teoria
JÁ NASCE criada por Luigi Ferrajoli,
defende que o Estado só pode
punir respeitando garantias
INSATISFEITA.” fundamentais — como o
devido processo legal, a
ampla defesa, o
contraditório e a presunção
(Por causa da NULLA POENA de inocência (modelo
SINE IUDICIO” – DEVIDO A acusatório)
NECESSIDADE DE UM NORMA
PROCESSUAL PARA SUA
APLICAÇÃO, NÃO SENDO A - Garantismo Hiperbólico
PRETENSÃO PUNITIVA Monocular:
INSTRUMENTO DIRETO DE É uma crítica ao uso
exagerado e distorcido da
COAÇÃO)
teoria garantista do jurista Luigi
DIREITO PROCESSUAL Ferrajoli.
PENAL Nesse “garantismo hiperbólico
Nulla poena sine judicio monocular”, o direito penal só
enxerga as garantias do
- Teoria geral do Estado: ACUSADO, esquecendo das
vítimas, da sociedade e da
Direito exclusivo de punir
efetividade da justiça,
(Jus puniendi). Protege a
potencializando a
sociedade da convivência impunidade e as decisões
desordenada. arbitrárias.
- Pretensão legal de punir sob Hiperbólico = exagerado
ordem dos Direitos Monocular = visão por um só
Fundamentais, Garantias lado
Individuais e o Estado (só do réu)
Democrático de direito.
DIREITO PROCESSUAL
- Instrumento de aplicação PENAL
das leis penais materiais
mediante subsunção das No processo civil e penal, as
mesmas aos casos concretos, garantias institucionais
sob critérios de garantem que juízes atuem
materialidade e autoria, com imparcialidade, que o
pois o direito penal não é Ministério Público
instrumento de coação intervenha quando
direta.
necessário, e que as partes
tenham acesso a uma defesa
> VISÃO CONSTITUCIONAL – técnica efetiva, assegurando
GARANTISTA. igualdade, contraditório e
segurança jurídica no curso Os Princípios, Fundamentos
do processo. e Garantias Constitucionais
estruturam e protegem o
funcionamento do sistema
de justiça, sob a perspectiva
do GARANTISMO, que
assegura os direitos do acusado
e a existência,
independência e
imparcialidade das
instituições responsáveis pela
DIREITO PROCESSUAL aplicação da Lei.
PENAL
SISTEMA DE JUSTIÇA
Garantias Constitucionais e
1. Poder Judiciário
os direitos dos acusados:
2. Ministério Público;
qual a relação?
3. Defensoria pública;
4. Advocacia.
Funciona SOB CONDIÇÕES para que os Direitos Fundamentais —
especialmente os do acusado, conforme garantismo — sejam
respeitados e aplicados (ampla defesa, julgamento justo,
contraditório) conforme exposto:
EXISTÊNCIA, INDEPENDÊNCIA E IMPARCIALIDADE DA
ESTRUTURA DE JUSTIÇA BRASILEIRO
1. INDEPENDÊNCIA JUDICIAL: Juiz não sofre pressões externas
para tomada de decisões imparciais, e, se algum caso se
submeta à sua parcialidade, poderá ser afastado por “razão de
foro íntimo” – se correspondente a cidadãos de sua cidade e, por
alguma razão, forem familiares, por exemplo.
2. INAMOVIBILIDADE E VITALICIEDADE DOS JUÍZES: protegem
contra retaliações por decisões justas e imparciais,
especialmente em casos penais complexos.
A INAMOVIBILIDADE NÃO PODERÁ SER TRANSFERIDO
ARBITRARIAMENTE ou por pressão ou questões políticas, garantindo sua
estabilidade no cargo e autonomia para julgar com imparcialidade.
3. AUTONOMIA DO MP: liberdade de atuação para promotores,
sem se submeter a interesses políticos ou econômicos
(imparcialidade também conservada) - inclusive para não
oferecer denúncia quando não houver provas suficientes.
Gozam de proteções: Nos tribunais, os juízes. No MP, os
promotores.
4. Atuação da DEFENSORIA PÚBLICA: Proporciona acesso à defesa
técnica mesmo para as pessoas sem recursos, concretizando
a ampla defesa, fornecendo defensor DATIVO.
OBJETIVOS:
1. Obj. 1º: Aplicação da lei penal material;
2. Obj. 2º: Estudo da ação penal e atividades investigatórias;
3. Obj. 3º: Criação e organização dos órgãos de atuação nas fases policial
e judiciária.
RELAÇÃO DO DIREITO PROCESSUAL PENAL E O CÓDIGO PENAL
COM O NEOCONSTITUCIONALISMO
Contexto de elaboração do atual CP e CPP
1. (1940/1941): Período do Estado Novo (regime ditatorial e
repressivo) – REPRESSÃO ESTATAL E CONTROLE REPRESSIVO
PREVALECIA SOBRE OS GARANTIAS INDIVIDUAIS.
MODELO INQUISITÓRIO.
2. (1941/1942): Sob o mesmo regime de Estado Novo –
Governo de Getúlio Vargas – O CPP foi alinhado com
ideais autoritários e de controle social.
MODELO INQUISITÓRIO.
Situação atual: Continuam os mesmos códigos, porém sob
constante influencias e alterações a fim de adaptar aos novos
contextos Sociais e Constitucionais – (CONSIDERANDO O
MODELO ACUSATÓRIO DO CPP).
NEOCONSTITUCIONALISMO, Sec. XX: Movimento de
reintegração e centralização da força Normativa
Constitucional, incorporando Direitos Fundamentais e
Princípios, tais como:
a) Dignidade da pessoa humana;
b) Ampla defesa e contraditório.
*Princípios basilares do Estado Democrático de Direito, com a
promulgação da CF/88.
CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO
PROCESSUAL PENAL:
Incorporação dos Direitos Fundamentais e interpretação do DPP
sob a luz da Constituição.
(SUPREMARIA CONSTITUCIONAL)
1. MÉTODO DE PONDERAÇÃO DE
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:
Traz à atuação do juiz a necessidade de ponderar e
adaptar a aplicação da lei penal sobre os casos
concretos, incorporando os direitos e garantias
fundamentais.
As regras podem conflitar entre si, ao passo que os princípios podem colidir.
“Ronald Dworkin, classificou as normas jurídicas em duas espécies, a saber: regras e
princípios. As regras (RÍGIDAS) orientam-se pelo critério da aplicabilidade à moda
all-or-nothing-fashion.
Os princípios, a seu turno, situam-se na dimensão do peso ( BALANÇA ) (dimension of
weight), isto é, são avaliados para se definir qual deles merece prevalência sobre
outro. Regras chocam, princípios colidem.”
(M. Borowski. Grundrechte als Prinzipien, p. 64; link para download:
[Link] .
O QUE PREVALECE E COMO É RESOLVIDO O CONFLITOS
ENTRE REGRAS E PRINCÍPIOS?
Em um conflito entre regras e princípios, a forma como a questão é
resolvida difere.
1. Regras são resolvidas pela validade: uma prevalece e anula a outra.
2. Princípios, por serem mais abstratos, são resolvidos por meio da
ponderação. O princípio com maior peso no caso prevalece, sem
que o outro seja invalidado.
ATIVISMO JUDICIAL / CONTROLE CONSTITUCIONAL:
Fortalecimento do Poder Judiciário na revisão de decisões
que contrariem os Direitos Fundamentais;
Poder de declaração de inconstitucionalidade mediante
normas e sua aplicabilidade.
COMO SE DAVA O PROCESSO PENAL AUSENTE OS PRINCÍPIOS
DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA, AMPLA DEFESA E
CONTRADITÓRIO
1. Sistema Inquisitivo e autoritário: centralização de funções aos
juízes de acusar, investigar e julgar.
2. Uso de tortura e coação: Obtenção de confissões (Rainha das
provas)
– feria a dignidade humana.
3. Presunção de culpabilidade: Acusado tratado como culpado do
início ao fim.
4. Ausência de defesa efetiva: ampla defesa e contraditório
limitados.
5. Condenações arbitrárias: sentença ausente da observância dos
direitos do acusado.
6. Acusado = Objeto de direito.
1.2 PROCESSO À REVELIA
Antes da CF/88 > CPP permitia que o réu fosse
processado à revelia: sem sua presença ou defesa, caso fosse
citado por edital e não comparecesse com defesa constituída.
CF/88: Mudança de paradigma > Ruptura do Processo
Inquisitório mediante a incorporação do Art. 5º, onde assegura
direito ao contraditório, ampla defesa e Presunção de
Inocência.
O acusado: Passa de objeto de direito > sujeito de Direito.
A culpa:
é DETERMINADA APÓS O
TRÂNSITO EM JULGADO DA AÇÃO PENAL
CONDENATÓRIA.
COM A NOVA REDAÇÃO
Art. 366 do CPP, dada pela Lei nº 9.271/1996, passou a
estabelecer que:
1. Suspensão do Processo: Se o acusado, citado por edital, não
comparecer ou n/ constituir advogado, o processo ficará suspenso,
bem como o prazo prescricional.
(PARALIZAÇÃO TEMPORÁREA DE SUA
TRAMITAÇÃO).
2. Produção Antecipada de Provas: O juiz poderá determinar a
produção antecipada das provas CONSIDERADAS URGENTES. Por ex.:
Testemunha-chave em estado terminal, em razão da fragilização ou
perecimento das provas.
*Aplicável igualmente ao CPP E CPC.
3. Presença do Defensor público: As provas antecipadas serão
produzidas na presença do MP e do defensor dativo. (advogado
particular nomeado pelo juiz).
Art. 263. Se o acusado não o tiver, será nomeado defensor pelo juiz, ressalvado o seu direito de, a todo tempo,
nomear outro de sua confiança, ou a si mesmo defender-se, caso tenha habilitação.
Parágrafo
único. O
acusado,
que não for
pobre, será
obrigado a
pagar os
honorários do defensor dativo, arbitrados pelo juiz.
3. Retorno do Acusado: Se comparecer posteriormente, será
considerado citado pessoalmente, e o processo prosseguirá
normalmente.
*Tudo para assegurar que o acusado tenha ciência da acusação, para
exercer direito de defesa, em conformidade com princípios
constitucional do contraditório e ampla defesa.
O PROCESSO À RELEVIA NÃO PODE OCORRER, POIS O
ACUSADO
NÃO PODE SER PROCESSADO SEM TER CIÊNCIA
DA ACUSAÇÃO.
PORÉM SE CITADO...
Artigo 367 do CPP: Dispõe que o processo seguirá sem a presença
do acusado que FOI citado ou intimado pessoalmente para qualquer
ato, deixar de comparecer sem motivo justificado, ou não comunicar
mudança de endereço.
EXEMPLO PRÁTICO:
1. Em casos em que o réu não foi pessoalmente citado devido a
ausências justificadas — como estar fora do país, em missão de
trabalho, ou residir em local de difícil acesso — A defesa atua para
assegurar seus direitos fundamentais:
PEDIDOS:
Considerando as circunstâncias que impediram a citação pessoal
do réu:
a) Reconhecimento da Justificativa para Ausência em razão da fatores
alheios à sua vontade;
b) Estabelecimento de novos prazos* a fim de que o réu tenha tempo
adequado para se defender;
c) Nomeação de Defensor Dativo: Se o réu ainda não tenha constituído
advogado, pedir a nomeação de defensor dativo para assegurar a
ampla defesa e o contraditório; (PEDIDO AO MP)
d) Designação de Novo Prazo para Citação MEDINTE REGULARIZAÇÃO
DA SITUAÇÃO DO RÉU:
Requerer, uma vez regularizada a situação do réu, que seja designado
novo prazo para citação pessoal, conforme o artigo 361 do CPP.
*Principais situações de ausência do réu: citação por edital.
*Art. 361 – Se réu não for encontrado, será citado por edital com prazo de
15 dias.
I
ARTIGOS QUE FUNDAMENTAM ESTA ANÁLISE PELA CF/88
Art. 5º - Inc. LV: "Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os
meios e recursos a ela inerentes."
Artigo 5º, inciso LIV: "Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem
o devido processo legal."
Artigo 5º, inciso LVII: "Ninguém será considerado culpado até o trânsito em
julgado de sentença penal condenatória." (PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE
INOCÊNCIA)
O acusado terá direito a ser ouvido, contestar e se defender em
paridade de armas;
Objetivo: assegurar os direitos do acusado (garantismo penal).
A CONSTITUIÇÃO DE 1988 E A TRANSIÇÃO PARA O SISTEMA
ACUSATÓRIO
I
1. Separação/descentralização das funções: O artigo 5º, inciso LV,
assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados
em geral, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes.
2. Imparcialidade do Juiz: O juiz deve atuar de forma imparcial, limitando-se
à função jurisdicional, sem interferir nas funções de acusar ou defender. –
(possibilidade de ser apenas de forma residual, de ofício)
3. Presunção da Inocência: Art. 5º, inciso LVII: “Ninguém será considerado
culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.”
4. Livre Convencimento Motivado: Art. 155, CPP: O juiz formará sua
convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório.
SISTEMA ACUSATÓRIO BRASILEIRO
DIREITO PROCESSUAL PENAL
CÓDIGO PENAL 1940
1. Sistema inerente aos sistemas democráticos e garantistas
(BR/EUA, ALEMANHA E CANADÁ)
2. Origem do termo acusatório:
2.1 Ninguém poderá ser chamado a juízo sem acusação.
3. Necessita acusação formal (ainda que oral) para chamar
acusado a juízo
4. Art. 3º-A “o processo penal terá estrutura acusatória”
5. Característica: Actum trium personarum (ato de três pessoas)
5.1 separação dos sujeitos do processo e proteger as garantias
fundamentais
6. Descentralização das funções: acusar, julgar e defender por
partes distintas
7. Acusação e defesa: condições de paridade de armas.
ART. 3º - A
SISTEMA, JUÍZ E DESCENTRALIZAÇÃO DAS FUNÇÕES
ACUSATÓRIA, PROBATÓRIA E DEFENSÓRIA
a) O processo penal terá estrutura acusatória (Sistema)
b) É vedada a iniciativa do juiz na fase de investigação (Preservação
da imparcialidade do julgamento)
c) Substituição da atuação probatória do órgão de acusação
(Descentralização da função de acusar, antes no sistema inquisitório)
PONTOS CRUCIAIS:
1. Separação dos sujeitos
2. Gestão de provas
Podemos, assim, elencar as características essenciais do
sistema acusatório:
♦Três Partes Distintas (Acusação, Defesa E Julgador);
♦Liberdade E Isonomia Das Partes;
♦Paridade De Armas;
♦Publicidade;
♦Presença Do Contraditório (Inerente Ao Próprio Processo
Dialético);
♦Prevalência Da Oralidade;
♦Tem Como Regra A Liberdade Do Réu (Decorrência De Ser Um
Processo Fundamentado Em Direitos Fundamentais);
♦Iniciativa Probatória Pelas Partes, Sendo Excepcional E
Subsidiária Pelo Juiz Dentro Da Fase Processual;
♦Sistema De Livre Produção De Provas Pelas Partes;
♦Consequente Maior Participação Popular Na Justiça Criminal;
♦Acusado É Sujeito De Direitos;
♦Típico Dos Estados Democráticos;
♦Busca Da Verdade Real.
PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE DO
JUIZO
Artigo 5º, inciso LIII: "Ninguém será processado nem sentenciado senão pela
autoridade competente."
(PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA VEDAÇÃO DE JUIZO E TRIBUNAIS DE
EXCEÇÃO)
Artigo 5º, inciso LIV: "Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem
o devido processo legal."
REGRA DE COMPETÊNCIA: Autoridade previamente estabelecida por
competência legal para atuar no caso, por segurança da imparcialidade.
Artigo 5º, inciso XXXVII: "Não haverá juízo ou tribunal de exceção."
(REGRA DE COMPETÊNCIA)
Vedação de tribunais ou juízos extraordinários para julgar casos
específicos, disciplinando autoridade previamente estabelecida por
competência legal, conforme as regras de competência.
QUESTÃO REINCIDENTE EM PROVAS: A quem recai o ônus da prova da
acusação no sistema acusatório?
Esta é uma das garantias fundamentais do sistema
acusatório. (OAB/2010)
O ônus de provar a culpa do acusado é da acusação (MP ou
querelante).
1. Se o réu for qualificado com verdadeiro nome e demais
qualificativos, mas não encontrado, retardará o processo?
Art. 259, CPP “A
impossibilidade de identificação
do acusado com seu verdadeiro nome ou outros
qualificativos não retardará a ação penal,
quando certa a identidade física. A
qualquer tempo, no curso do processo, do
julgamento ou da execução da sentença, se for
descoberta a sua qualificação, far-se-á a
RETIFICAÇÃO, por termo, nos autos, sem
prejuízo da validade dos atos precedentes.
(haverá suspensão do processo e do prazo prescricional, sem
prejudicar a validade dos atos precedentes)
2. Poderá o acusado foragido da polícia ser acusado sem
defensor?
Art. 261, CPP “Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será
processado ou julgado sem defensor. (NÃO EXISTE PROCESSO
À REVELIA NO SISTEMA ACUSATÓRIO)
3. A CONSTITUIÇÃO DE DEFENSOR DEPENDE DE MANDATO
(procuração)?
NÃO.
> Explicação: - "por ocasião do interrogatório", quando o acusado é formalmente
ouvido pela autoridade judiciária (delegado de polícia), em audiência judicial ou em
ato extrajudicial, o réu tem a oportunidade de indicar seu defensor, dispensando
procuração nesse momento específico.
4. É vedado ao acusado defender a si mesmo?
Art. 263, CPP: “Se o acusado não o tiver, o juiz nomeará defensor
dativo, ressalvado o seu direito de, a todo tempo, nomear outro de
sua confiança, ou a si mesmo defender-se, caso tenha habilitação.
COMO SE MESCLA DIREITO PENAL E DIREITO PROCESSUAL
PENAL
O Direito Penal estabelece as peças do jogo (o que é crime e qual
é a pena), e o Direito Processual Penal estabelece as regras do
jogo, sempre com respeito aos direitos e garantias fundamentais. Um
depende do outro para existir de forma justa e eficaz.
FINALIDADES DO DP: 1. Garantir o devido
processo penal;
1. Efetiva proteção de 2. Busca da verdade real;
bens jurídicos; (investigação)
2. De direitos subjetivos; 3. Controle do poder punitivo
3. Proteção das normas do Estado;
4. Garantia dos Direitos
Fundamentais
5. Aplicação da justiça penal.
FINALIDADES DO CPP:
O DPP PROTEGE O INDIVÍDUO DO ESTADO OU O ESTADO DO
INDIVÍDUO?
O DPP (sistema acusatório) protege tanto a ordem social quanto o
indivíduo do poder punitivo do próprio Estado.
GARANTISMO INTEGRAL GARANTISMO ITALIANO
ALEMÃO (ferrajoli)
1. Equilíbrio entre a defesa 1. Limitação do poder punitivo
do acusado e a defesa do Estado;
da sociedade, não
2. Natureza unilateral:
bastando apenas na
protege os direitos
limitação do poder punitivo fundamentais do
do Estado. acusado/réu.
2. Natureza
integral/bilateral: 3. Ferrajoli se preocupa com
Defende tanto o réu quanto o controle do poder
a vítima e a sociedade. punitivo do Estado.
3. Garantismo integral
busca o controle do
Estado, mas também sua RESGATE DAS
atuação eficaz garantindo CONSIDERAÇÕES
que não haja impunidade. FUNDAMENTAIS
*Sem o DPP não há como incorporar Sistema Acusatório
princípios constitucionais – > devido
processo legal, ampla defesa e
contraditório.
1. Iniciativa probatória das
partes;
DIREITO PENAL OBJETIVO E O 2. Vedada iniciativa probatória
DIREITO PROCESSUAL PENAL pelo juiz, apenas residual
3. Construção dialética
A essencial complementariedade
Forma e conteúdo – meio e fim. diálogo entre as partes
(princip. da oralidade) e o Juiz;
O Direito Penal Objetivo – a (diálogo entre acusação x
norma em si – só pode ser defesa)
legitimamente executado sob a 4. Juiz ordena as regras do jogo
observância do Direito
(procedimentos)
Processual Penal – instrumento
pelo qual se aplica o Direito Penal 5. Devido processo legal, ampla
Objetivo. defesa e contraditório.
(Princípios).
1. DP Objetivo: crimes e 6. Paridade de armas,
sanções. publicidade e oralidade
2. DPP: Procedimentos e (princípios essenciais)
regras.
A função da oralidade (sistema acusatório) no DPP: Favorecer o
processo dialético / imediata interação entre as partes e testemunhas.
RESQUÍCIOS DO SISTEMA INQUISITÓRIO NO
SISTEMA ACUSATÓRIO ATUAL
1. Juiz com iniciativa probatória: Juiz pode determinar a produção de provas de
ofício (CPP, art. 156, I e II), O que rompe a imparcialidade estrita do juiz e se
aproxima do modelo inquisitivo.
Art. 156. A prova da alegação incumbirá
a aquele que acusar,
sendo, porém, faculdade do juiz, de ofício:
1. Ordenara produção antecipada de prova – as consideradas urgentes – NA FASE
INVESTIGATIVA E AINDA ANTES DA AÇÃO PENAL, observando a:
NECESSIDADE
ADEQUAÇÃO
PROPORCIONALIDADE
2. Determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, realização de
diligências para dirimir dúvidas relevantes.
2. Inquérito policial: fase investigativa do CPP, de caráter sigiloso, escrito e sem
contraditório
(de caráter inquisitivo)
3. Excesso de poder instrutório do Ministério Público: Em algumas situações, o MP
atua de forma ampla na investigação, sem controle judicial adequado, o que pode
comprometer o equilíbrio acusatório.
4. Decisões baseadas em provas do inquérito, ausente produção em contraditório
não podem gerar condenação. Inconstitucional. (ainda acontece – resquícios do
sistema inquisitório)
Provas de inquérito não geram condenação / condenação com
base em provas de inquérito:
FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL
Art. 5º, CF/88:
(constituição de prova
ausente ampla
defesa/contraditório é
inconstitucional)
LIV – “Ninguém será
privado da liberdade ou
de seus bens sem o
devido processo legal;”
LV – “Aos litigantes, em
processo judicial ou
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla
defesa [...]”
Art. 155, CPP: “O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da
prova produzida em contraditório, não podendo fundamentar sua
decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na
investigação, ressalvadas as (1) provas cautelares, (2) não repetíveis e (3)
antecipadas.” – DE ALGUMA FORMA SÃO PERECÍVEIS.
> Apesar das provas produzidas em contraditório serem aquelas as
quais o juiz deverá apreciar em razão do contraditório, quais provas
são ressalvadas para apreciação fora do contraditório? R = Provas
cautelares, não repetíveis e antecipadas.
*RESSALVADAS FORA DO CONTRADITÓRIO: Consideradas
válidas.
1. PROVA CAUTELAR: produzida em caráter de urgência
durante a investigação, com autorização judicial – para
evitar perecimento. (As consideradas urgentes – art. 156)
Ex.: Interceptação telefônica autorizada judicialmente; Busca e
apreensão de documentos ou objetos; Quebra de sigilo
bancário ou fiscal; Prisão em flagrante com apreensão de
bens ou drogas.
2. Prova NÃO REPETÍVEL: Por sua natureza, não pode ser
reproduzida durante ou depois do processo judicial.
Ex.: Exame de corpo de delito em lesão corporal leve (as
marcas somem);
Perícia em veículo ou local do crime que foi alterado;
Exame toxicológico em substância que se deteriora (LSD,
ecstasy/MDMA);
Declaração de testemunha que morre antes do processo.
Substâncias como THC, cocaína, benzos e opioides deixam traços
estáveis e detectáveis por dias a meses, especialmente em exames
capilares ou de unhas, tornando essas provas repetíveis e menos
urgentes. Já as de curta meia-vida (álcool, LSD, MDMA, Ecstasy,
anfetamina, metanfetamina) exigem coleta imediata — e, por isso, se
encaixam nas provas não repetíveis.
3. PROVA ANTECIPADAS (Pré processual): produzida antes
do momento processual próprio, mas com autorização
judicial e com contraditório garantido.
PROVAS DE INQUÉRITO NÃO PODEM GERAR CONDENAÇÃO
FUNDAMENTO JURISPRUDENCIAL
Não há súmulas específicas, mas vasto entendimento
consolidado pelo STF de decisões reiteradamente anuladas
com base em provas fundamentadas apenas em inquérito.
5. Conduções coercitivas e outras medidas pré-processuais autoritárias: São
exemplos de práticas que, embora restritas pelo STF, revelam um espírito inquisitorial
ainda presente na cultura jurídica.
SISTEMA PROCESSUAL PENAL ATUAL: MISTO
DOUTRINARIAMENTE, É MISTO: Inquérito policial sigiloso e
sem contraditório de caráter inquisitivo, e o processo
penal de caráter acusatório.
DEFINIÇÃO LEGAL: sistema acusatório.
REVISÃO PROCESSO PENAL 1 – 5º
SEMESTRE
Inquérito policial: Constitui FASE DA PERSECUÇÃO PENAL (FASE DE
INVESTIGAÇÃO PRÉ-PROCESSUAL), é predominantemente inquisitorial,
possibilidade de quebra de sigilo eletrônico ou sigilo bancário, mas
necessita de autorização judicial, dentre outras;
- Participação do investigado é passiva;
- Busca pela comprovação da autoria e materialidade do crime em
relação ao acusado, a investigação é levada ao MP para iniciar o
processo penal;
Fonte material: Atividade legiferante, legislativa.
Fonte formal primária: Constituição federal, tratados e convenções
internacionais.
Fonte secundária: Costumes, princípios gerais e analogia.
Persecução penal: Persecutio criminis, ato do Estado de perseguir o
acusado para apuração da autoria e materialidade do crime em duas
fases: (1) pré-processual, o inquérito policial + investg. do MP - (2)
fase processual, processo penal em juízo.
Portanto, a persecução inicia na investigação e se estende até o fim
do processo penal.
Indiciamento: ato praticado pela autoridade policial, geralmente o
delegado, durante um inquérito policial, onde se imputa a alguém a
prática de um crime.
Competência de legislar sobre o DP: União – competência
suplementar por lei complementar, autoriza os Estados a legislar
sobre questão específicas.
Medida provisória sobre DPP: VEDADO.
DIREITO PROCESSUAL E PENAL NO TEMPO
Direito penal material (NO TEMPO): > Tempus Regit Actum
(aplica-se a lei vigente ao tempo do ato e o princípio da
irretroatividade da lei mais gravosa, desde que o DP poderá
retroagir / ao contrário do DPP);
(1)SOBRE O ATO PROCESSUAL
Art. 2º do CPP, “a lei processual penal será aplicada desde logo,
sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da
lei anterior.”
1. Efeito imediato
2. Aplicação imediata
(2)SOBRE O DIREITO PENAL APLICADO AO CASO
Tempus delicti: Art 4º, CP “Considera-se praticado o crime no momento
da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.”
>>>>> tempus delicti = momento da conduta (ação ou omissão), não o do
resultado.
(Art. 1ª, DP) Princípio da territorialidade (NO ESPAÇO): aplica-
se as leis penais brasileiras, ressalvadas as internacionais integradas
por meio de tratados e Conversões Internacionais dos quais o Brasil é
signatário, onde se inclui a > extraterritorialidade.
EXCEÇÕES DE APLICAÇÃO DO CPP: tratados e convenções
internacionais, ao PR, ministros de Estado, ministros do STF em
razão de suas prerrogativas constitucionais (será aplicada outra
lei processual penal brasileira), processos de competência militar
(CPPM), tribunal especial (não existem mais), processo de crime
de imprensa.
Territorialidade é a regra, não constitui exceção às demais
hipóteses citadas acima, mas constituem aplicação de outro
CPP brasileiro. Porém, jamais uma exceção ao CPP, apenas há a
aplicação de outro CPP específico para os casos citados.
EXCLUDENTE DE JURISDIÇÃO BRASILEIRA: imunidade
diplomática de indivíduo estrangeiro no Brasil, representando
país alienígena, não poderá ser processado ou julgado pelas leis
brasileiras. Não constitui exceção ao princ. da territorialidade,
mas apenas conservação da imunidade de diplomatas
exercendo funções em território estrangeiro.
Outras exceções:
1. Lei Maria da Penha;
2. Crime de menor potencial ofensivo;
3. Crimes falimentares;
4. Lei de drogas;
5. Estatuto da pessoa idosa.
Não afasta o CPP, mas será regulado de forma diferente.
OBSERVAÇÕES PERTINENTES:
1. Tratados e convenções são aplicados apenas os que forem
INTEGRADOS ao sistema brasileiro, pois passam a ter caráter de
lei ordinária, norma legal ou constitucional, a depender da
natureza.
Art. 5º, § 4º, da CF: “o Brasil se submete à jurisdição do
Tribunal Penal internacional a cuja criação tenha manifestado
adesão”;
Não existem mais tribunais especiais;
Crimes de imprensa não foram recepcionados integramente.
QUESTÃO COMENTADA:
I. (INCORRETO) A lei processual penal tem aplicação imediata (princípio do
tempus regit actum), mesmo para atos processuais futuros em processos em
andamento, mas não poderá atingir direitos adquiridos e situações consolidadas, A
MODALIDADE DE DEFESAS PREVISTAS NO REGIME ANTERIOR (tempus regit
actum), pois VIOLA O REGIME DE SEGURANÇA JURÍDICA, DIREITO AO
CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
II. (INCORRETO) A lei processual penal brasileira só se aplica no território
nacional.
Lugar do processo define a lei aplicável.
> Se o crime ocorreu no exterior e o processo ocorre lá, aplica-se a lei
processual penal do país estrangeiro, mesmo que o agente seja brasileiro.
III. (INCORRETO) Nos crimes cometidos em embarcações estrangeiras privadas
estacionadas em portos brasileiros, aplica-se a lei processual penal de seu
país de origem."
IV. (INCORRETO) Para produzir efeitos no Brasil, a sentença penal
estrangeira precisa ser homologada pelo Superior Tribunal de Justiça
(STJ).
O STJ faz exame de legalidade, correspondência dos crimes e requisitos
formais.