César Augusto TX
AULA 8
INJÚRIA RENAL AGUDA (IRA)
DEFINIÇÃO EPIDEMIOLOGIA
Redução aguda da função renal (horas a dias), caracterizada por: 8% dos hospitalizados
Queda do ritmo de filtração glomerular (TFG) 20-40% em UTI
Redução do volume urinário Mortalidade: até 25,7% em pacientes com IRA
Distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos
Importância: Aumenta a mortalidade, custos hospitalares e risco de
Doença Renal Crônica (DRC)
FATORES DE RISCO CLASSIFICAÇÃO
Idosos (menos néfrons, comorbidades, polifarmácia) KDIGO (Critérios Diagnósticos)
Diabetes mellitus ↑ Creatinina ≥ 0,3 mg/dL em 48h
Depleção volêmica OU ↑ Creatinina ≥ 1,5x valor basal em 7 dias
Doença Renal Crônica OU Diurese < 0,5 mL/kg/h por 6h
RAC e proteinúria aumentadas
Por localização
! IRA PRÉ-RENAL ! IRA PÓS-RENAL
Causa: hipovolemia, baixo débito cardíaco Obstrução do trato urinário
Fisiologia: dilatação da arteríola aferente + vasoconstrição da Urgência: quanto mais rápido tratar, melhor o prognóstico
eferente → mantém TFG Conduta:
Laboratório: Cateter vesical (SVD)
FENa < 1% USG de vias urinárias
Osm urinária > 500 mOsm Hidratação com cautela se cardiopata
Urina concentrada
" Reversível com hidratação!
! IRA RENAL / INTRÍNSECA
# Necrose Tubular Aguda (NTA)
Principal causa intrínseca
Causas:
Isquemia
Nefrotoxinas (aminoglicosídeos, contraste, AINES) $ Fisiopatologia:
Lesão epitelial tubular → perda da polaridade, apoptose, obstrução tubular
Cilindros granulosos
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% Diagnóstico:
Sedimento urinário com células epiteliais e cilindros
FENa > 2%, urina diluída (Osm < 500)
& Recuperação: 2-3 semanas com fase poliúrica no final
NEFROTOXICIDADE (Fármacos)
NEFRITE INTERSTICIAL AGUDA (NIA)
Causa: reação imunológica a medicamentos (70-75%)
Outros: LES, sarcoidose, Sjögren, infecções (HIV, CMV, Leptospira)
Manifestações: Tratamento:
Febre (27%), rash (15%), eosinofilia (23%) Suspender droga
Tríade: febre + rash + eosinofilia (10%) Corticoide se não melhorar
Eosinofilúria, FENa > 1%, proteinúria leve Pode haver elevação persistente de creatinina
NEFROPATIA POR CONTRASTE
Fatores de risco: DRC, DM, idade, hipovolemia
Tipo: IRA não oligúrica, pico de creatinina em 24-48h
Prevenção:
Hidratação (SF 0,9%)
Suspender metformina
SÍNDROMES ESPECIAIS
Síndrome Hepatorrenal Tratamento:
Cirrose + ascite + IRA Vasoconstritores (terlipressina, noradrenalina)
Diagnóstico por exclusão Albumina 20–40g/dia
Na urinário < 20
Sedimento urinário normal
Rabdomiólise
Liberação de mioglobina → lesão tubular
Causas: trauma, convulsão, estatinas
CPK aumentada, “urina avermelhada”
Tratamento: hidratação, diálise se grave
César Augusto TX
Síndrome de lise tumoral
Liberação maciça de conteúdo intracelular
HiperK, hiperP, hiperácido úrico, hipoCa
Risco de IRA, arritmias, convulsões
BIOMARCADORES DE IRA
BIÓPSIA RENAL
Indicação: TRATAMENTO DA IRA
IRA sem causa definida Tratar causa base (volemia, nefrotoxinas)
Proteinúria maciça/persistente Corrigir distúrbios (hidroeletrolíticos, acidobásicos)
Sedimento urinário ativo Evitar nova agressão renal
Manifestações extra-renais
TERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA (TRS)
Indicações:
Anúria
Hipervolemia refratária
Acidose refratária
HiperK refratária
Encefalopatia/pericardite urêmica
Intoxicações exógenas
' FLASHCARDS – INJÚRIA RENAL AGUDA
1. O que é Injúria Renal Aguda (IRA)?
( Redução aguda da função renal em horas ou dias, com queda do 5. Qual a característica laboratorial da IRA pré-renal?
TFG e/ou diurese, e distúrbios hidroeletrolíticos/ácido-básicos. ( FENa < 1%, urina concentrada (Osm > 500).
2. Quais são os critérios KDIGO para diagnóstico de IRA? 6. Qual a principal causa de IRA intrínseca?
( Aumento de creatinina ≥ 0,3 mg/dL em 48h ou ≥ 1,5x valor basal ( Necrose Tubular Aguda (NTA).
em 7 dias ou diurese < 0,5 mL/kg/h por 6h.
7. Quais os achados laboratoriais da NTA?
3. Quais os principais fatores de risco para IRA? ( FENa > 2%, urina diluída (Osm < 500), cilindros granulosos no
( Idade avançada, DRC, DM, hipovolemia, uso de nefrotóxicos, sedimento.
proteinúria, RAC elevada.
8. Como diferenciar IRA pré-renal de NTA?
4. Como se classifica a IRA quanto à etiologia? ( FENa < 1% na pré-renal; FENa > 2% na NTA.
( Pré-renal, renal (intrínseca), pós-renal. ( Osm urinária alta na pré-renal; baixa na NTA.
César Augusto TX
9. Cite 3 drogas com potencial nefrotóxico. 11. Como prevenir nefropatia induzida por contraste?
( Aminoglicosídeos, anfotericina B, aciclovir. ( Hidratação com SF 0,9%, suspensão de metformina.
10. Qual a tríade clássica da Nefrite Intersticial Aguda (NIA)? 12. Qual o tratamento da Síndrome Hepatorrenal?
( Febre, rash, eosinofilia. ( Vasoconstritores (terlipressina, noradrenalina), albumina EV.
13. Quais as indicações de terapia renal substitutiva (TRS)?
( Anúria, hiperK, hipervolemia, acidose refratária, encefalopatia urêmica, intoxicações.
QUESTÕES DE PROVA COMENTADAS
1. (Estácio – Medicina) Um paciente de 70 anos com quadro de 2. (Simulado). Sobre a Necrose Tubular Aguda, assinale a correta:
desidratação grave desenvolve IRA. O exame mostra FENa < 1% A) Apresenta FENa < 1% e urina concentrada
e osmolaridade urinária > 500 mOsm/kg. Qual o tipo de IRA? B) Tem recuperação rápida em 24h
A) Pós-renal C) É reversível em 2-3 semanas com fase poliúrica
B) Renal intrínseca D) É mais comum em pacientes com obstrução urinária
C) Pré-renal ) Comentário: NTA tem evolução clássica com lesão tubular,
D) Nefrite intersticial aguda seguida por fase de poliúria na recuperação.
) Comentário: FENa < 1% + urina concentrada indicam perfusão
renal reduzida sem lesão tubular.
3. (Unifesp) Assinale a principal causa de Nefrite Intersticial Aguda: 4. (Estácio) Paciente com cirrose e ascite apresenta elevação de
A) LES creatinina. Na urinária < 20 mEq/L e sem proteinúria ou hematúria.
B) AINEs Qual o diagnóstico mais provável?
C) Hipovolemia A) Nefropatia por contraste
D) Rabdomiólise B) Síndrome Hepatorrenal
) Comentário: Medicamentos são responsáveis por até 75% dos C) Glomerulonefrite rapidamente progressiva
casos de NIA, com destaque para antibióticos e AINEs. D) Nefrite intersticial aguda
) Comentário: IRA em paciente com cirrose e ascite, sem outras
causas evidentes e Na urinário baixo, indica SHR.
5. (Revisão de Prova) Qual biomarcador se eleva precocemente antes da creatinina na IRA?
A) Ureia
B) Cistatina-C
C) Fosfatase alcalina
D) Bilirrubina
) Comentário: Cistatina-C se eleva antes da creatinina, sendo útil para diagnóstico precoce de IRA.
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AULA 9
INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO
DEFINIÇÃO FISIOPATOLOGIA
Infecção do trato urinário (ITU) → infecção que pode acometer desde Principal via: colonização periuretral ➡ migração
a uretra até os rins. ascendente para bexiga (bacteriúria).
Muito comum: 50–60% das mulheres terão ao menos um Agentes: Enterobacterales (ex.: E. coli, Klebsiella, Proteus
episódio na vida. mirabilis).
Fatores de risco: sexo feminino, relação sexual, DM, Raramente: disseminação hematogênica.
anomalias urológicas.
DIAGNÓSTICO
CISTITE AGUDA NÃO COMPLICADA CULTURA URINÁRIA
Sintomas: disúria, urgência, frequência, dor suprapúbica. Jato médio.
Sem febre, calafrios, vômitos, dor lombar. Significativo: ≥ 10⁵ UFC/mL.
Indicação: pielonefrite, imunossuprimidos, sintomas
Diagnóstico clínico + piúria: atípicos ou falha ao tratamento.
Esterase leucocitária e nitrito: alta especificidade.
Cultura se sintomas atípicos, risco de resistência ou falha
terapêutica.
CLASSIFICAÇÃO ESQUEMATIZADA
TRATAMENTO
CISTITE AGUDA NÃO COMPLICADA (1ª linha)
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2ª linha: β-lactâmicos (amoxicilina-clavulanato, cefpodoxima)
Evitar fluoroquinolonas para cistite simples (risco de resistência).
PIELONEFRITE
Sempre colher cultura.
Se estável e tolera VO: Ciprofloxacino 500mg VO 2x/dia por 7 dias.
Avaliar necessidade de imagem se grave ou refratária.
ITU COMPLICADA / TRANSPLANTE RENAL PBA (Prostatite Bacteriana Aguda)
Avaliar com imagem. Sintomas urinários + febre + próstata dolorosa.
Culturas de urina e sangue. Durar: 14 a 28 dias com antibiótico (ex.: ciprofloxacino).
Tratamento direcionado ao agente. Avaliar para abscesso prostático se não houver melhora.
Duração: geralmente 14 dias.
BACTERIÚRIA ASSINTOMÁTICA
❌ Não tratar, exceto: ITU RECORRENTE
Gestantes Estrogênio vaginal (pós-menopausa com atrofia vaginal).
Cirurgia urológica com manipulação mucosa Profilaxia pós-relação sexual (TMP-SMX).
Transplante renal <2 meses: considerar Profilaxia contínua (último recurso).
ESQUEMA DE CONDUTA RESUMIDO
# DICAS FINAIS PARA A PROVA
Cistite simples = diagnóstico clínico na maioria dos casos.
Cultura de urina é essencial para pielonefrite, ITU complicada e falha terapêutica.
Ciprofloxacino NÃO é 1ª escolha para cistite.
Fosfomicina: útil para cistite multirresistente, dose única.
Após 3 ITUs em 1 ano = ITU recorrente. Estrogênio vaginal ajuda na pós-menopausa.
CAUTI = trocar cateter + cultura de novo cateter!
Prostatite aguda: toque retal doloroso → tratar 2 a 4 semanas.
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AULA 10
SÍNDROMES GLOMERULARES
OBJETIVOS DA AULA
Diagnóstico clínico-laboratorial da síndrome nefrótica
Principais etiologias
Exames iniciais (propedêutica)
Proposta de abordagem terapêutica
Apresentações Clínicas das Glomerulopatias
FISIOPATOLOGIA DAS DOENÇAS GLOMERULARES
Quando suspeitar?
EXAME DE URINA
Hematúria (dismórfica/acianóticos, cilindros hemáticos)
Proteinúria
Leucocitúria
César Augusto TX
INVESTIGAÇÃO LABORATORIAL
Exames Iniciais
Urina I / EAS
Proteinúria 24h (padrão-ouro) ou relação proteína/creatinina
Função renal: Creatinina/ureia
Sorologias: HIV, HBV, HCV, VDRL
Autoanticorpos: FAN, anti-DNA, anti-MBG, ANCA
Complemento sérico: C3 e C4
Eletroforese/Imunofixação de proteínas → Mieloma/Amiloidose
USG Renal → tamanho, obstrução, rim único
Biópsia renal (Microscopia óptica, eletrônica e imunofluorescência)
SÍNDROME NEFRÓTICA – Definição
Conjunto de sinais/sintomas causados pelo aumento da permeabilidade glomerular à albumina .
Alterações na Barreira de Filtração Glomerular
Podocitopatia (lesão estrutural e perda de carga elétrica)
Barreiras: endotélio – MBG – podócitos – diafragma da fenda
QUADRO CLÍNICO DA SN
TRATAMENTO GERAL
César Augusto TX
ETIOLOGIAS IMPORTANTES
1. Doença por Lesão Mínima (DLM) 2. Glomeruloesclerose Focal e Segmentar (GESF)
80-90% dos casos em crianças, 20% adultos Idiopática ou secundária (obesidade, HIV, heroína,
Causa: Podocitopatia (idiopática ou secundária: AINES, anemia falciforme)
Hodgkin) Início abrupto, proteinúria, HAS, hematúria microscópica
Edema + função renal normal + PA normal Complemento normal
Diagnóstico clínico (dispensa biópsia <10 anos) Biópsia renal: MO = esclerose focal e segmentar
Biópsia (se feita): Tratamento: Corticoide alta dose + iECA/BRA
MO/IF: normal
ME: fusão dos processos podocitários
Tratamento: Corticoide → excelente resposta
3. Glomerulopatia Membranosa (GM) 4. GN Membranoproliferativa (GNMP)
Adultos 30–50 anos; alta associação com trombose Pode cursar com síndrome nefrótica e nefrítica
Pode ser idiopática (anti-PLA2R) ou secundária (Hep B, Complemento baixo
LES, neoplasias) Idiopática ou secundária (HCV, autoimunes)
Biópsia: Biópsia:
MO: espessamento MBG com espículas Proliferação endocapilar/mesangial + duplo
IF: padrão granular fino contorno MBG
ME: depósitos subepiteliais Tipo I: depósitos subendoteliais
Complemento normal Tipo III: subendoteliais e subepiteliais
Tratamento: suporte + corticoide (alguns casos) Tratamento: Corticoide (idiopática)
5. Amiloidose 6. Mieloma Múltiplo (MM)
Depósito de fibrilas amiloides → disfunção orgânica Neoplasia de plasmócitos → produção de Ig/cadeia leve
AL (primária): Ig leve lambda; AA (secundária): doenças Clínica: dor óssea, anemia, hipercalcemia, IR
inflamatórias crônicas Diagnóstico: CRAB + plasmócitos monoclonais (>10%)
Idosos > 60 anos, proteinúria massiva (20–30g/dia), Rim: Nefropatia por cilindros (excesso de cadeias leves)
hematúria incomum Vermelho Congo negativo
Diagnóstico:
Eletroforese de proteínas
Cadeias leves livres
Biópsia renal: MO = Vermelho Congo +
Tratamento: Suporte, imunossupressão, TMO
César Augusto TX
7. Nefropatia por IgA (Doença de Berger) 8. Síndrome de Alport
GN primária mais comum Herança ligada ao X (mutação COL4A5)
Idade: 20-30 anos Hematúria persistente + surdez neurossensorial +
Depósito mesangial de IgA alterações oculares
Curso variável: pode causar hematúria macroscópica ou SN Progressão para DRT
Complemento normal Biópsia renal: ME → irregularidade/delaminação MBG
Tratamento: suporte Diagnóstico: teste genético
ESQUEMA FINAL DE DIFERENCIAÇÃO DAS PRINCIPAIS GLOMERULOPATIAS
Características das Glomerulopatias Nefróticas e Nefríticas
César Augusto TX
! TABELA COMPARATIVA – GLOMERULOPATIAS NEFRÓTICAS x NEFRÍTICAS
EXPLICAÇÃO RÁPIDA DOS PADRÕES
Síndrome Nefrótica – “Perda de proteínas”
Lesão de podócitos → perda de proteínas → edema e hiperlipidemia.
Principal achado: proteinúria >3,5 g/24h.
Exemplos:
DLM : crianças, rápida resposta a corticoide.
GESF: início abrupto, pode ter hipertensão e hematúria.
GM: adultos, risco de trombose.
GNMP: pode ter complemento baixo.
Amiloidose: idosos, proteinúria maciça, diagnóstico por biópsia (Vermelho Congo +).
César Augusto TX
Síndrome Nefrítica – “Inflamação glomerular”
Hematúria dismórfica, proteinúria leve a moderada, queda da TFG.
Hipertensão comum, pode ter síndrome edematosa leve.
Exemplos:
GN pós-estreptocócica: crianças, queda de C3, hematúria macroscópica.
NIgA (Doença de Berger): adultos jovens, hematúria macroscópica recorrente.
Síndrome de Alport: hematúria persistente + surdez neurossensorial.
GN rapidamente progressiva: evolução grave com crescentes na biópsia.
GNMP: padrão mesangiocapilar, pode ser nefrítica ou nefrótica.
MEMORIZAÇÃO (Mnemônico para Síndrome Nefrótica)
"PEHHi"
Proteinúria nefrótica
Edema
Hipoalbuminemia
Hiperlipidemia
i (inflamação ausente)
1. TABELA COMPARATIVA – PRINCIPAIS CAUSAS DE SÍNDROME NEFRÓTICA
César Augusto TX
2. FLASHCARDS – REVISÃO ATIVA
1. Qual o critério laboratorial que define proteinúria nefrótica? 5. Quais doenças causam hipocomplementemia na síndrome
> 3,5 g/24h em adultos ou > 50 mg/kg/dia em crianças nefrótica?
GNMP e LES
2. Principal causa de síndrome nefrótica na infância?
Doença de Lesão Mínima 6. Qual doença nefrótica apresenta risco aumentado de trombose?
Glomerulopatia Membranosa
3. Qual doença glomerular está associada à fusão dos podócitos
na ME? 7. Coloração usada para diagnóstico de amiloidose?
Doença de Lesão Mínima Vermelho Congo
4. Qual doença está associada à anti-PLA2R positivo? 8. Doença hereditária ligada ao X com hematúria + surdez +
Glomerulopatia Membranosa alteração ocular?
Síndrome de Alport
3. QUESTÕES ESTILO PROVA (COMENTADAS)
1. UNIFESP - Paciente de 7 anos, com edema periorbitário, 2. UFRJ - Homem de 32 anos com HIV apresenta síndrome nefrótica,
proteinúria intensa, sem hematúria, normotenso e função renal creatinina normal, hematúria microscópica e PA elevada. A biópsia
normal. Qual o diagnóstico mais provável? mostra esclerose glomerular focal. Qual o diagnóstico?
A) GESF A) DLM
B) Nefropatia por IgA B) GNMP
C) GN Membranosa C) GESF colapsante
D) Doença de Lesão Mínima D) GM
✅ Gabarito: D ✅ Gabarito: C
# Comentário: Quadro clássico de SN na infância. DLM é a principal # Comentário: HIV está fortemente associado à variante colapsante
causa nessa faixa etária. da GESF.
3. UFPR - Mulher de 40 anos com síndrome nefrótica. Exames: C3 e 4. UNICAMP - Homem de 55 anos apresenta edema, proteinúria de
C4 baixos, proteinúria > 6g/24h, hematúria, creatinina normal. Qual 12g/24h, colesterol total de 390 mg/dL e creatinina normal. Refere
etiologia considerar? perda de peso e achado incidental de nódulo pulmonar. Qual o
A) GM diagnóstico mais provável?
B) GESF A) GN Membranosa secundária a neoplasia
C) GNMP B) GN Membranoproliferativa
D) DLM C) GESF
✅ Gabarito: C D) Doença de Lesão Mínima
# Comentário: Hipocomplementemia + SN sugere GNMP. ✅ Gabarito: A
$ Comentário: Adulto com SN, sem queda do complemento, com
suspeita de neoplasia — pensar em GM secundária.
César Augusto TX
5. UFRGS - Criança de 6 anos com diagnóstico de síndrome nefrótica 6. UFPE - Homem de 28 anos, com obesidade, apresenta proteinúria
idiopática é tratada com prednisona por 8 semanas, com remissão de 4,2g/24h, creatinina normal e PA 140/90. Biópsia renal mostra
completa. Qual o diagnóstico mais provável? esclerose em menos da metade dos glomérulos, com padrão focal e
A) GESF segmentar. Qual o diagnóstico?
B) GM A) DLM
C) DLM B) GESF
D) GNMP C) GM
✅ Gabarito: C D) GNMP
$ Comentário: Criança com resposta rápida e completa a corticoide ✅ Gabarito: B
é típico de DLM. $ Comentário: Padrão histológico clássico da GESF, comum em
obesos.
7. UNESP - Paciente com síndrome nefrótica, anemia, dor óssea, 8. UFMG - Qual a causa mais comum de síndrome nefrótica em
creatinina elevada e pico monoclonal na eletroforese. Qual o adultos jovens sem doenças associadas?
diagnóstico mais provável? A) GN Membranosa
A) Amiloidose B) GNMP
B) GNMP C) GESF
C) Mieloma múltiplo D) Nefropatia por IgA
D) GN Membranosa ✅ Gabarito: C
✅ Gabarito: C $ Comentário: GESF é a glomerulopatia primária mais comum em
$ Comentário: Dor óssea + anemia + pico monoclonal → pensar em adultos jovens.
mieloma múltiplo.
9. UFC - Paciente com síndrome nefrótica e exame de 10. UERJ - Paciente idoso com síndrome nefrótica, rins aumentados,
imunofluorescência mostrando padrão granular e fino de IgG na proteinúria de 20g/dia, sem hematúria. Vermelho Congo (+) na
membrana basal. Qual a glomerulopatia? biópsia. Qual o diagnóstico?
A) GESF A) GNMP
B) GNMP B) GM
C) GM C) Amiloidose
D) DLM D) Mieloma múltiplo
✅ Gabarito: C ✅ Gabarito: C
$ Comentário: IF com padrão granular é característico de GM $ Comentário: Proteinúria maciça + Congo (+) = amiloidose.
(membranosa).
11. UFPR - Homem de 36 anos com HIV apresenta síndrome 12. UNIRIO - Em qual das glomerulopatias a biópsia renal deve ser
nefrótica. Qual o subtipo histológico mais relacionado? evitada inicialmente em crianças?
A) GM A) GESF
B) GESF colapsante B) GNMP
C) DLM C) DLM típica
D) GNMP D) GN Membranosa
✅ Gabarito: B ✅ Gabarito: C
$ Comentário: Variante colapsante da GESF é a forma clássica $ Comentário: Em crianças 1–10 anos com quadro clássico de DLM,
associada a HIV. inicia-se tratamento empírico com corticoide sem biópsia.
César Augusto TXV
AULA 10
SÍNDROMES GLOMERULARES - S. NEFRÍTICA
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
1. Diagnosticar síndrome nefrítica por critérios clínicos e laboratoriais.
2. Conhecer as principais causas e tratamento inicial.
3. Interpretar exames laboratoriais e biopsias renais.
4. Raciocínio clínico para síndromes nefríticas agudas e rapidamente progressivas.
INTRODUÇÃO: O QUE SÃO SÍNDROMES GLOMERULARES?
As síndromes glomerulares são manifestações clínicas das glomérulopatias, ou seja, doenças que afetam o glomérulo renal, estrutura
responsável pela filtração do sangue nos rins.
Elas se dividem em 2 grandes síndromes:
SÍNDROME NEFRÍTICA – BASE CLÍNICA E LABORATORIAL
Clínica típica:
Hematúria glomerular (urina cor de “coca-cola”)
Edema (geralmente periorbitário ou MMII)
Hipertensão
Oligúria
Proteinúria leve a moderada (<3,5 g/24h)
Laboratorial:
Hemácias dismórficas, cilindros hemáticos
Complemento C3 ↓, C4 pode estar normal ou ↓
Creatinina e ureia podem estar elevadas
Importante:
A gravidade varia: desde quadros autolimitados até falência renal rápida.
Avaliação da função renal, sedimento urinário e sorologias são essenciais.
PROPEDÊUTICA LABORATORIAL INICIAL
Indicações em caso de suspeita de GN:
C3 e C4 ASLO (GNPE)
FAN, anti-dsDNA, anti-Sm Sorologias: Hep B, Hep C, HIV
ANCA (p-ANCA = MPO; c-ANCA = PR3) EAS + proteinúria 24h
Anti-MBG (Goodpasture) Biopsia renal (quando necessário)
César Augusto TXV
RACIOCÍNIO CLÍNICO POR ETIOLOGIA
Vamos abordar as principais causas de Síndrome Nefrítica uma a uma:
1. GLOMERULONEFRITE PÓS-ESTREPTOCÓCICA (GNPE)
Epidemiologia: Biopsia (se indicada):
à Crianças pós-faringite ou impetigo (2-3 semanas depois) MO: Proliferação difusa, crescentes
IF: Depósitos granulares IgG/C3
Fisiopatologia: ME: “Humps” subepiteliais
à Deposição de imunocomplexos (IgG + C3) na MBG após
infecção por estreptococo beta-hemolítico grupo A ⟶ inflamação Tratamento:
glomerular. Suporte: dieta hipossódica, restrição hídrica, diurético
ATB (profilático)
Clínica:
Síndrome nefrítica clássica Indicações de biópsia:
C3 ↓, C4 normal Oligúria > 7 dias
ASLO ↑ C3 ↓ persistente > 8 semanas
Sem necessidade de biópsia se apresentação clássica Proteinúria nefrótica
Sinais de GNRP (crescentes)
2. GLOMERULONEFRITE RAPIDAMENTE PROGRESSIVA (GNRP)
Evolução fulminante, perda renal em semanas!
Clínica:
Quadro nefrítico agudo + rápida deterioração renal
Necessita biópsia precoce
Biopsia:
MO: Crescentes em >50% dos glomérulos
Pode haver necrose fibrinoide
Tratamento:
Corticoides em pulsoterapia
Imunossupressão
Tratar causa de base (lúpus, vasculite, Goodpasture)
3. GLOMERULONEFRITE ANTI-MBG (Goodpasture)
Autoimunidade contra colágeno IV (cadeia α3) na MBG e alvéolos ⟶
Hemoptise + hematúria = síndrome de Goodpasture
Homens jovens (20-30 anos)
Diagnóstico: Tratamento:
Anti-MBG positivo (90%) Plasmaférese + corticoide + imunossupressor
ANCA + em 20% Prognóstico ruim se tratamento tardio
IF: padrão linear de IgG
César Augusto TXV
4. GN PAUCI-IMUNE (Vasculites ANCA+)
Vasculite de pequenos vasos (exemplo: Granulomatose com poliangeíte)
Exames:
ANCA+: p-ANCA (MPO) ou c-ANCA (PR3)
Biópsia: Crescentes e necrose , sem imunocomplexos (pauci-imune)
IF: negativa!
Tratamento:
Pulsoterapia com corticoide
Imunossupressor (ciclofosfamida, rituximabe)
5. NEFRITE LÚPICA
Lúpus eritematoso sistêmico (LES):
Doença autoimune sistêmica → imunocomplexos nos glomérulos
Diagnóstico:
FAN + (obrigatório)
Anti-dsDNA, Anti-Sm
C3 e C4 ↓
Proteinúria 100%, hematúria microscópica 80%
Biópsia obrigatória para classificar
Classes histológicas (ISN/RPS):
Tratamento:
Corticoide + imunossupressor
Micofenolato, ciclofosfamida
Acompanhamento de função renal e proteinúria
6. MICROANGIOPATIA TROMBÓTICA (MAT)
Subtipos: Clínica:
SHU (Síndrome Hemolítico-Urêmica): infecção por E. coli Anemia hemolítica microangiopática
(shigatoxina) Trombocitopenia
PTT (Púrpura Trombocitopênica Trombótica): deficiência Alteração neurológica
ADAMTS13 IRA
César Augusto TXV
Tratamento:
Plasmaférese
Eculizumabe (SHU atípica)
Rituximabe, corticoide
ESQUEMAS DIDÁTICOS
Algoritmo Sindrômico CONCLUSÕES E DICAS FINAIS PARA TIRAR 10
RACIOCÍNIO CLÍNICO:
Início abrupto? Pode ser GNRP ou GNPE
Hemoptise + hematúria? Goodpasture!
Sintomas sistêmicos (rash, artrite)? Pense em Lúpus!
Vasculite + ANCA? GN Pauci-imune
Criança pós-faringite? GNPE clássica
RACIOCÍNIO CLÍNICO – SÍNDROME NEFRÍTICA
Para qualquer paciente com hematúria glomerular, edema, hipertensão e/ou oligúria
ETAPA 1 – IDENTIFICAR A SÍNDROME CLÍNICA
Pergunte-se: o paciente tem uma síndrome glomerular? Qual?
Sinais de Síndrome Nefrítica: Solicite de início:
⛔ Hematúria glomerular (urina “coca-cola”, com Urina tipo I
hemácias dismórficas) Proteinúria 24h ou relação proteína/creatinina
" Oligúria Ureia e creatinina
# Edema (frequente, por retenção de sal e água) C3, C4
$ Hipertensão arterial FAN, anti-dsDNA
⚠ Proteinúria leve a moderada (<3,5g/24h) ANCA (PR3/c-ANCA, MPO/p-ANCA)
& Cilindros hemáticos no sedimento urinário Anti-MBG
ASLO (crianças ou suspeita de GNPE)
Sorologias virais (HBV, HCV, HIV)
ETAPA 2 – AVALIAR A GRAVIDADE E INDICAÇÃO DE BIÓPSIA
Critérios de gravidade : Se sim → Indicação de biópsia renal
Deterioração rápida da função renal (creatinina subindo) Biópsia confirma:
Oligúria severa ou anúria Tipo de glomerulopatia (crescentes, necrose, depósitos)
Edema ou HAS grave Padrão imunofluorescente (granular, linear, negativo)
Hematúria macroscópica persistente (> 4 semanas) Ajuda a definir o prognóstico e necessidade de tratamento
Proteinúria nefrótica (> 3,5 g/24h) imunossupressor
Baixo complemento persistente (> 8 semanas)
César Augusto TXV
ETAPA 3 – DEFINIR A ETIOLOGIA COM BASE NO PERFIL CLÍNICO E EXAMES
ETAPA 4 – CONDUTA TERAPÊUTICA
A. SUPORTE CLÍNICO (para todos os casos com síndrome nefrítica):
Dieta hipossódica
Restrição hídrica
Diuréticos se sobrecarga de volume
Controle da PA (IECA, BRA, hidralazina)
Tratar infecção de base (exemplo: estreptococo → penicilina)
B. TRATAMENTO ETIOLÓGICO ESPECÍFICO
ETAPA 5 – SEGUIMENTO E PROGNÓSTICO
Avaliar melhora da função renal (creatinina)
Monitorar proteinúria e sedimento urinário
Repetir C3/C4 para acompanhar consumo de complemento
Ajustar tratamento imunossupressor conforme resposta
Educar paciente sobre sinais de alerta de recaída
César Augusto TXV
RESUMO FINAL DO PASSO A PASSO
1. Identifique clínica nefrítica (hematúria glomerular, HAS, edema, oligúria)
2. Solicite exames laboratoriais completos (complemento, autoanticorpos, urina 1, proteinúria 24h, sorologias)
3. Avalie necessidade de biópsia renal
4. Relacione achados clínico-laboratoriais com etiologia provável
5. Inicie suporte clínico + tratamento específico
6. Monitore resposta e evolução com exames seriado
DICAS DE PROVA E PRÁTICA
GNPE = criança, pós-faringite, C3↓, ASLO↑, "hump"
Goodpasture = hemoptise + hematúria, anti-MBG+, padrão linear
Vasculite = ANCA+, crescentes + necrose, IF negativa
Nefrite Lúpica = mulher jovem, FAN+, complemento↓, "full house"
GNRP = falência renal em dias/semanas → tratar urgentemente
MAT = anemia hemolítica + plaquetopenia + IRA
FLASHCARDS – SÍNDROMES GLOMERULARES II
GERAL – SÍNDROME NEFRÍTICA Flashcard 6
Q: Qual o padrão típico do complemento na GNPE?
Flashcard 1 A: C3 ↓, C4 normal.
Q: Quais os achados clínicos típicos da síndrome nefrítica?
A: Hematúria glomerular (urina coca-cola), oligúria, hipertensão, Flashcard 7
edema, proteinúria <3,5g/dia. Q: Quando indicar biópsia renal na GNPE?
A: Oligúria >7 dias, C3 ↓ >8 semanas, doença sistêmica, proteinúria
Flashcard 2 nefrótica, hematúria macro >4 semanas.
Q: Qual a principal célula envolvida na inflamação glomerular da
síndrome nefrítica? Flashcard 8
A: Neutrófilos (migração por ativação do complemento). Q: Quais achados na biópsia da GNPE?
A: MO: proliferação difusa; IF: depósitos granulares IgG/C3; ME:
Flashcard 3 “humps” subepiteliais.
Q: Quais exames devem ser pedidos em um paciente com suspeita
de GN? GNRP (Glomerulonefrite Rapidamente Progressiva)
A: C3, C4, FAN, anti-dsDNA, ANCA, anti-MBG, ASLO, sorologias
(Hep B/C, HIV), urina 1, proteinúria 24h. Flashcard 9
Q: Qual o principal achado histológico da GNRP?
GNPE (Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica) A: Crescentes em >50% dos glomérulos.
Flashcard 4 Flashcard 10
Q: Qual é o agente causador da GNPE? Q: Qual o tratamento inicial da GNRP?
A: Streptococcus beta-hemolítico do grupo A. A: Pulsoterapia com corticoide + tratamento da causa.
Flashcard 5
Q: Qual o exame mais importante para evidenciar infecção
estreptocócica prévia?
A: ASLO (Anti-estreptolisina O) elevado.
César Augusto TXV
GN Anti-MBG / Síndrome de Goodpasture Nefrite Lúpica
Flashcard 11 Flashcard 18
Q: Qual é o alvo do autoanticorpo na síndrome de Goodpasture? Q: Quais os principais autoanticorpos na nefrite lúpica?
A: Cadeia alfa-3 do colágeno tipo IV (MBG e alvéolos). A: FAN (sempre positivo), anti-dsDNA, anti-Sm.
Flashcard 12 Flashcard 19
Q: Quadro clínico típico da síndrome de Goodpasture? Q: Quais são as classes histológicas da nefrite lúpica?
A: Hemoptise + hematúria. A: I – normal; II – mesangial; III – focal; IV – difusa; V – membranosa;
VI – esclerose total.
Flashcard 13
Q: Qual o padrão de imunofluorescência na biópsia renal? Flashcard 20
A: Linear com IgG. Q: Qual o padrão de imunofluorescência típico na NL?
A: “Full house” (IgG, IgA, IgM, C3, C1q).
Flashcard 14
Q: Tratamento da síndrome de Goodpasture? Flashcard 21
A: Plasmaférese + corticoide + imunossupressor. Q: Qual a conduta nas classes III e IV?
A: Pulsoterapia com corticoide + imunossupressor (micofenolato,
GN Pauci-Imune (Vasculites ANCA+) ciclofosfamida).
Flashcard 15 MAT (Microangiopatia Trombótica)
Q: Quais vasculites causam GN pauci-imune?
A: Granulomatose com poliangeíte (Wegener), poliangeíte Flashcard 22
microscópica. Q: Quais os principais tipos de MAT?
A: SHU (com ou sem diarreia) e PTT.
Flashcard 16
Q: Quais os anticorpos envolvidos? Flashcard 23
A: c-ANCA (PR3), p-ANCA (MPO). Q: Qual a enzima deficiente na PTT?
A: ADAMTS13.
Flashcard 17
Q: Qual o achado na biópsia renal? Flashcard 24
A: Crescentes, necrose fibrinoide, imunofluorescência negativa Q: Quais os achados clínicos da MAT?
(pauci-imune). A: Anemia hemolítica, trombocitopenia, lesão renal, sinais
neurológicos.
Flashcard 25
Q: Tratamento da MAT?
A: Plasmaférese, corticoide, rituximabe, eculizumabe (SHU atípica).
César Augusto TXV
AULA 12
HIPERTENSÃO ARTERIAL
A hipertensão arterial (HA) é uma condição crônica caracterizada por elevação sustentada da pressão arterial (PA). É uma das principais
causas de morbidade e mortalidade cardiovascular no mundo, associada a doenças como AVC, infarto, insuficiência cardíaca e doença renal crônica.
FATORES DE RISCO
DIAGNÓSTICO E CLASSIFICAÇÃO
Tipos especiais:
HA Sistólica Isolada: PAS ≥140 e PAD <90
HA Diastólica Isolada: PAS <140 e PAD ≥90
HA do avental branco: PA elevada no consultório, normal em casa.
HA mascarada: PA normal no consultório, elevada fora.
Confirmação do diagnóstico: medida em diferentes momentos + MAPA ou MRPA para excluir efeitos de avental branco e mascaramento.
RACIOCÍNIO CLÍNICO INICIAL: O QUE PENSAR QUANDO VÊ UMA PA ELEVADA?
1. Confirmar diagnóstico (múltiplas medidas)
2. Classificar o estágio
3. Investigar fatores de risco e lesões de órgãos-alvo (LOA)
4. Estratificar o risco cardiovascular
5. Decidir início de tratamento (não farmacológico ou farmacológico)
6. Ajustar metas pressóricas individualizadas
César Augusto TXV
ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO
Paciente com HA deve ser estratificado quanto ao risco cardiovascular:
Baixo risco: sem fatores de risco adicionais
Moderado risco: 1 ou 2 fatores de risco
Alto risco: ≥3 fatores de risco, presença de LOA ou doenças associadas (DM, DRC, DAC)
METAS TERAPÊUTICAS
TRATAMENTO
Não farmacológico (primeira linha em todos os casos!)
Redução do sal: máx. 5g/dia
Perda de peso: cada 10kg pode reduzir até 10mmHg
Atividade física: 30min/dia, 5x/semana
Dieta DASH: frutas, vegetais, laticínios desnatados, cereais integrais
Redução de álcool: máximo 30g/dia
Parar tabagismo
Farmacológico
HAS Estágio 1: monoterapia
HAS Estágio 2-3: terapia combinada
Fármacos de Primeira Linha:
César Augusto TXV
CLASSES ADICIONAIS
HIPERTENSÃO SECUNDÁRIA – QUANDO INVESTIGAR?
Suspeite se: Principais causas:
Idade < 30 anos com HA grave Doença renal crônica
HA refratária a 3 drogas HAS renovascular (estenose de artéria renal)
Hipocalemia inexplicada Apneia obstrutiva do sono
História familiar de HA secundária Hiperaldosteronismo primário
Feocromocitoma
Síndrome de Cushing
Coarctação da aorta
César Augusto TXV
Destaques de Hipertensão Secundária
PASSO A PASSO DO RACIOCÍNIO CLÍNICO EM UM CASO DE HA
1. Confirmar PA elevada com técnica adequada
2. Afastar efeito do jaleco branco e HA mascarada
3. Identificar fatores de risco e comorbidades
4. Procurar sinais de LOA (fundoscopia, ECG, proteinúria)
5. Estratificar risco cardiovascular
6. Definir metas pressóricas
7. Começar medidas não farmacológicas
8. Escolher fármaco adequado baseado no perfil do paciente
9. Reavaliar em 30 dias – ajustar se necessário
10. Se refratária → investigar causas secundárias
César Augusto TXV
Flashcards de Hipertensão Arterial
Diagnostico de HA IECA
PA 140/90 mmHg em múltiplas ocasiões. Usar MAPA/MRPA para Inibe ECA Ang II. Tosse e hipercalemia são efeitos comuns.
confirmar.
BRA
Prehipertensao Bloqueia receptor AT1. Efeitos adversos mais raros.
PA entre 130-139/85-89 mmHg. Aumenta risco futuro.
Diuréticos
Tipos especiais de HA Natriurese PA. Preferir clortalidona. Efeitos: hipocalemia,
HA sistólica isolada, HA diastólica isolada, HA do avental branco, HA hiponatremia.
mascarada.
BCC
Estágios de HA Vasodilatação. Anlodipino edema maleolar.
Estágio 1: 140-159/90-99; Estágio 2: 160-179/100-109; Estágio 3:
180/110. Quando suspeitar de HA secundaria
Idade <30 anos, refratariedade, hipocalemia inexplicada, LOA
Meta pressórica geral precoce.
<140/90 mmHg; ideal próximo a 120/80 mmHg em baixo risco.
Causas comuns de HA secundaria
Meta em alto risco DRC, renovascular, apneia do sono, hiperaldosteronismo,
<130/80 mmHg (DM, DRC, DAC, AVE, IC). feocromocitoma, Cushing.
Mudança de estilo de vida Apneia do sono
Dieta DASH, redução de sal, perda de peso, exercício físico, parar Causa comum de HA refrataria. Tratar com CPAP.
tabagismo e reduzir álcool.
Feocromocitoma
Fármacos de 1a linha Tríade: cefaleia + sudorese + palpitação. Metanefrinas plasmáticas.
IECA/BRA, diuréticos tiazídicos, BCC di-hidropiridinicos. Cirurgia + preparo com alfa-bloqueio.