César Augusto TX
AULA 8
METABOLISMO ÓSSEO
1. OSTEOPOROSE
Definição: Doença osteometabólica mais comum, com redução da massa óssea e deterioração da microarquitetura → Aumenta risco de fraturas.
Prevalência:
17% das mulheres pós-menopausa
65 anos: 30% mulheres / 20% homens
Fraturas mais comuns:
Coluna vertebral → Dor, cifose, perda de altura
Colo do fêmur → Alta mortalidade e incapacidade
Fisiologia Óssea
Células envolvidas:
Osteoclastos: Reabsorção
Osteoblastos: Formação
➡ Remodelação = Ativação → Reabsorção → Reversão → Formação
➡ Desequilíbrio → Osteoporose
Tipos:
Primária
Pós-menopausa: Perda acelerada por queda de estrogênio
Senil (>70 anos): Redução da formação + ↓ vitamina D renal → ↑ PTH → reabsorção
Secundária
Doenças / medicamentos (ex: glicocorticoides)
comum em homens
Pode coexistir com forma primária
Fatores de Risco
Envelhecimento
Menopausa precoce
Imobilização
Tabagismo / álcool
Hipovitaminose D
Uso de corticoide crônico
Doenças endócrinas, renais, hepáticas
César Augusto TX
Diagnóstico
Padrão-ouro: Densitometria (DXA) – coluna lombar e colo do fêmur
Escore T e Z
Tratamento
1. Mudanças de estilo de vida
Parar de fumar
Evitar álcool e cafeína
Exercício regular (↑ DMO)
2. Vitamina D e Cálcio
3. Terapias farmacológicas
Indicações
Fratura por fragilidade
T-score ≤ -2,5
T-score entre -1 e -2,5 + fatores de risco
Medicamentos:
César Augusto TX
2. HIPERPARATIREOIDISMO (HPT)
Função do PTH:
↑ reabsorção de cálcio renal
↑ reabsorção óssea (osteoclastos)
↑ síntese de calcitriol → ↑ absorção intestinal de Ca
HPT Primário
Adenoma solitário (90%)
Hipercalcemia + ↑ PTH
Predomina em mulheres 40–65 anos
Clínica: maioria assintomática
→ Pode ter nefrolitíase, fraqueza, osteíte fibrosa cística
Radiografia:
Reabsorção subperiosteal (falanges), osteopenia, crânio "sal e pimenta", tumores marrons
Diagnóstico do HPT
Tratamento do HPT Primário
Cirúrgico: Paratireoidectomia (indicado se: nefrolitíase, <50 anos, T-score < -2,5 etc.)
Não cirúrgico:
Hidratação, evitar tiazídicos
Bisfosfonatos → estabilizam massa óssea
3. HIPOPARATIREOIDISMO
Deficiência de PTH → Hipocalcemia + Hiperfosfatemia
Clínica Diagnóstico
Cãibras, parestesias, espasmos, laringoespasmo Ca baixo, P alto
Sinais de Trousseau e Chvostek PTH baixo
Casos graves → convulsões, arritmias, morte 1,25(OH)2 D3: baixo
César Augusto TX
Tratamento
Calcitriol + cálcio
Manter Ca no limite inferior normal (8–8,5 mg/dL)
Cuidado com cálcio urinário!
4. DISTÚRBIOS RELACIONADOS À VITAMINA D
" Deficiência
Menor produção, absorção ou ativação
Ex: pouca exposição solar, doenças hepáticas/renais, fármacos (rifampicina, anticonvulsivantes)
5. RAQUITISMO & OSTEOMALÁCIA
Raquitismo: crianças – afeta placa de crescimento
Osteomalácia: adultos – mineralização deficiente cortical e trabecular
Causas à Deficiência de vitamina D ou fósforo (síndromes genéticas e adquiridas)
Quadro clínico
Atraso crescimento, deformidades ósseas, dor, fraqueza
“Rosário raquítico”, joelho varo/valgo, cifose, lordose, fraturas
Tratamento:
Suplementação com vitamina D, cálcio, fósforo
6. OSTEOGÊNESE IMPERFEITA
Doença genética → defeito no colágeno tipo I (COL1A1/2)
Múltiplas fraturas, baixa estatura, esclera azul, dentinogênese imperfeita
Diagnóstico: clínica + teste genético + radiografia
Tratamento: cálcio + vitamina D + bisfosfonatos (ex: alendronato)
7. DOENÇA DE PAGET
Remodelação óssea desorganizada
Locais: crânio, pelve, fêmur, tíbia
Dor, deformidade, perda auditiva, cefaleia
Fosfatase alcalina alta
Rx: hiperostose, osteoesclerose, expansão óssea
Tratamento: Bisfosfonatos + Vitamina D + Cálcio
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AULA 9
DOENÇAS HIPOFISÁRIAS
HIPOPITUITARISMO
Definição: Deficiência de um ou mais hormônios hipofisários.
Ordem de acometimento dos hormônios:
→ LH/FSH → GH → TSH → ACTH → PRL
Manifestações quando perda funcional >75% da hipófise.
! Síndrome de Sheehan
Infarto hipofisário pós-parto devido à hipotensão severa.
A hipófise gestacional é mais vulnerável à isquemia por aumento do volume e hiperestrogenismo.
Pode evoluir para pan-hipopituitarismo.
DEFICIÊNCIAS HORMONAIS ESPECÍFICAS
⬇ GH
Crianças: Baixa estatura, micropênis, hipoglicemia.
Adultos: Fraqueza, osteoporose, aumento de gordura visceral, ↓ massa magra.
Diagnóstico: IGF-1 ↓ + Teste estímulo (ITT, glucagon, clonidina)
Tratamento: Somatotropina SC diária → dose titulada por IGF-1.
⬇ Gonadotrofinas (LH e FSH)
Pré-puberal: Ausência de caracteres sexuais secundários.
Mulheres: Amenorreia, ↓ libido, dispareunia.
Homens: ↓ libido, disfunção erétil, ginecomastia.
Tratamento:
♂ Testosterona IM ou gel.
♀ Estrogênio + Progesterona (ou só estrogênio em histerectomizadas).
⬇ TSH (Hipotireoidismo central)
Sintomas: Sonolência, intolerância ao frio, bradicardia, voz arrastada.
Diagnóstico: T4L ↓ + TSH baixo/normal.
Tratamento: Levotiroxina (ajuste pelo T4L, nunca pelo TSH).
⬇ ACTH (Insuficiência adrenal secundária)
Sintomas: Astenia, anorexia, hipoglicemia, hipotensão.
Diagnóstico: Cortisol basal < 3 ou teste de estímulo com cortisol < 18.
Tratamento: Hidrocortisona ou prednisona em doses divididas.
⬇ Prolactina
Rara. Principal sinal = agalactia.
Geralmente associada a pan-hipopituitarismo.
César Augusto TX
TUMORES HIPOFISÁRIOS
Adenomas hipofisários
90% das lesões da sela túrcica.
1/3 são clinicamente não funcionantes.
Frequentes entre 40-60 anos.
Achado incidental em RM até 10% da população.
Efeitos de massa: Avaliação:
Cefaleia, hemianopsia bitemporal, ptose, diplopia, dor Microadenomas (<1cm): Dosar PRL. Outros hormônios se
facial. clínica sugestiva.
Não costumam causar diabetes insipidus. Macroadenomas (>1cm): PRL, T4L, cortisol, IGF-1,
sexuais.
Tratamento:
Cirurgia transesfenoidal se efeito compressivo.
Radioterapia se recidiva.
Seguimento com imagem se assintomático.
Riscos: DI, hipopituitarismo, meningite, fístula.
Apoplexia hipofisária
Hemorragia ou infarto súbito do adenoma.
Sintomas: Cefaleia intensa, perda visual, oftalmoplegia.
Tratamento: Cirurgia urgente se ↓ consciência/perda visual. Caso contrário, dexametasona IV.
Craniofaringioma
Benigno, mas agressivo. Origem: bolsa de Rathke.
Mais comum em crianças/adolescentes.
Apresentação: massa suprasselar com calcificações.
Tratamento: Cirurgia + radioterapia se lesão residual.
HIPERPROLACTINEMIA
Causa + comum: Fisiológica (gravidez, estresse) e fármacos (antipsicóticos).
Causa patológica principal: Prolactinoma (adenoma secretor de PRL).
Sintomas:
Galactorreia
Hipogonadismo (inibição de GnRH → ↓ LH/FSH)
Amenorreia, infertilidade
Acne, hirsutismo
Diagnóstico
PRL ↑ (mulheres >30, homens >20 ng/mL).
Se PRL >100–250 ng/mL → provável prolactinoma.
Dosar beta-HCG, excluir hipotireoidismo, IR, cirrose.
RM selar.
Se PRL muito alta + tumor pequeno → efeito gancho → diluição da amostra.
Suspeita de macroprolactinemia → teste com PEG.
César Augusto TX
Tratamento
1ª linha: Agonistas dopaminérgicos
Cabergolina (0,5mg 1-2x/semana): maior eficácia, menos efeitos colaterais.
Bromocriptina (2,5–15 mg/dia): mais efeitos GI, uso diário.
Cirurgia: se refratário ou intolerância ao tratamento.
Radioterapia: exceção, para casos refratários.
ACROMEGALIA
Excesso de GH (normalmente adenoma produtor de GH).
Se antes do fechamento epifisário: gigantismo.
Após: acromegalia.
Sinais e sintomas
Fisionomia alterada: mandíbula, nariz, língua, mãos e pés grandes.
Visceromegalias: coração, fígado, tireoide, etc.
Complicações:
Cardiovasculares (60% das mortes): HAS, arritmias, AVC.
Respiratórias: apneia do sono, hipoxemia.
Neoplasias (15%): cólon, esôfago, mama, tireoide.
Metabólicas: DM, hiperTG.
Endócrinas: hiperprolactinemia, hipopituitarismo.
Diagnóstico
IGF-1 ↑ (melhor marcador)
TOTG para GH: nadir GH > 0,4 mcg/L = diagnóstico.
RM da sela para avaliar adenoma.
Tratamento
Cirurgia transesfenoidal = 1ª escolha.
Critério de cura: IGF-1 normal + GH < 0,4 após TOTG.
Medicamentos:
Análogos de somatostatina: Octreotide LAR, Lanreotide.
Cabergolina: se co-secreção de PRL.
Pegvisomanto: antagonista do receptor de GH (não reduz tumor).
Radioterapia: última escolha. Início do efeito em até 2 anos. Alta chance de hipopituitarismo.
% TIREOTROPINOMA (TSHoma) Diagnóstico
Adenoma secretor de TSH (raro, <2% dos tumores T3 e T4 ↑ com TSH normal ou ↑.
hipofisários). Outros: ausência de resposta ao TRH, subunidade alfa ↑.
Apresenta-se com hipertireoidismo com TSH
inadequadamente alto.
Diagnóstico diferencial: resistência hipofisária à T3/T4.
César Augusto TX
Tratamento
Cirurgia transesfenoidal.
Se lesão residual ou refratária: análogos de somatostatina e/ou radioterapia.
Controle pré-operatório: beta-bloqueadores e tionamidas.
✏ ESQUEMA DE REVISÃO FINAL
César Augusto TXV
AULA 10
ADRENAL
O que é glândula adrenal?
As glândulas adrenais são dois pequenos órgãos de poucos centímetros localizados em uma
região acima dos rins. Como destacamos anteriormente, ela é responsável pela produção de alguns
hormônios que controlam a pressão arterial, algumas características sexuais e respostas físicas ao estresse.
O nosso organismo, através das glândulas que compõem o sistema endócrino, lança em nossa
corrente sanguínea vários hormônios que influenciam nas atividades celulares de células específicas. Há
hormônios que são proteínas, e por isso são constituídos por aminoácidos; enquanto outros hormônios são
chamados de esteroides, por derivarem do colesterol. Cada hormônio tem a sua função específica, e a quantidade deles influencia muito no
metabolismo do organismo. Há hormônios que controlam o crescimento e o desenvolvimento do corpo, a reprodução e as características sexuais;
hormônios que influenciam no armazenamento de energia e controlam os níveis de substâncias como a glicose, entre tantos outros.
A glândula suprarrenal é formada por dois tecidos embrionários diferentes, que originam duas partes da glândula: o córtex suprarrenal e
a medula suprarrenal. Sendo assim, cada parte dessa glândula produz hormônios diferentes, como veremos a seguir. A medula suprarrenal é
responsável pela produção de adrenalina e noradrenalina. Os dois hormônios são liberados em grandes quantidades no organismo depois de fortes
reações emocionais (como susto, medo, estresse) e provocam aumento dos batimentos cardíacos e pressão arterial, constrição dos vasos etc.
Algumas doenças são causadas pelo excesso desses hormônios no corpo, como a Síndrome de Cushing e o feocromocitoma.
– Adrenalina: tem efeito contrário ao da insulina, sendo liberada quando o nível de glicose no sangue está baixo. Ela também atua como
um neurotransmissor, sendo liberada quando há estresse físico ou mental. Sua falta causa taquicardia, bradicardia e disfunções no nível
de glicose.
– Noradrenalina: esse hormônio acelera os batimentos cardíacos e mantém a tonicidade muscular nos vasos sanguíneos, controlando a
pressão sanguínea.
O córtex suprarrenal é responsável pela produção dos hormônios cortisol e aldosterona.
– Cortisol: estimula a formação de carboidratos a partir de proteínas e outras substâncias, processo chamado de gliconeogênese. Esse
hormônio também diminui a utilização de glicose pelas células, aumenta o armazenamento de glicogênio pelo fígado, mobiliza ácidos
graxos que serão úteis na produção de glicose e impede o desenvolvimento de inflamações.
– Aldosterona: auxilia na retenção de sódio, agindo no equilíbrio dos líquidos. Glândulas salivares e sudoríparas sofrem a influência desse
hormônio na retenção de sódio, enquanto ele também interfere na absorção de sódio pelo intestino. Aumenta a reabsorção de potássio.
A glândula adrenal é formada por:
– Córtex (zona glomerulosa, fasciculada e reticulada) ➔ produz hormônios esteroides
– Medula ➔ produz catecolaminas (adrenalina, noradrenalina)
Resumo rápido da função hormonal:
César Augusto TXV
1. Síndrome de Cushing (Hipercortisolismo)
Definição: Exposição prolongada a altos níveis de glicocorticoides (endógenos ou exógenos).
Tipos:
Quadro Clínico:
Obesidade centrípeta
Face em "lua cheia"
Giba de búfalo
Estrias violáceas largas (> 1cm)
Fragilidade capilar → equimoses espontâneas
Hirsutismo, acne
Osteopenia/osteoporose
Hipertensão, diabetes, dislipidemia
Distúrbios emocionais: depressão, instabilidade emocional
Hipocalemia
Em crianças: ganho de peso + retardo do crescimento
César Augusto TXV
Síndrome de Cushing exógena ou iatrogênica
– O uso crônico de glicocorticoides representa a causa mais comum de síndrome de Cushing, devendo ser descartado em qualquer paciente
com manifestações cushingoides.
– Costuma surgir com doses diárias excedendo 7,5 mg de prednisona, 0,75 mg de dexametasona ou 30 mg de hidrocortisona.
– Ocasionalmente, o quadro pode surgir devido ao uso prolongado de preparações nasais de glicocorticoides e cremes e colírios contendo
glicocorticoides.
Síndrome de Cushing ACTH- dependente
– Ocorre quando o hipercortisolismo se origina da secreção excessiva de ACTH, hipofisária ou ectópica.
– Em cerca de 80 a 90% das vezes, há como fator etiológico um adenoma de hipófise (doença de Cushing), sendo o restante devido a
secreção ectópica de ACTH ou, bem mais raramente, do hormônio liberador da corticotrofina (CRH).
Síndrome de Cushing ACTH-independente
– Os distúrbios adrenais primários representam 20 a 30% dos casos da síndrome de Cushing são causados por um adenoma ou carcinoma
produtor de cortisol.
– Essas lesões costumam ser unilaterais e facilmente visualizadas por meio da tomografia computadorizada
Diagnóstico:
1. Excluir uso de corticoides (iatrogênico).
2. Confirmar hipercortisolismo com:
Teste de supressão com 1mg de dexametasona
Cortisol salivar noturno
Cortisol livre urinário (24h)
3. Definir etiologia: (ACTH plasmático)
ACTH baixo → Causa adrenal (ACTH-independente)
ACTH normal ou alto → ACTH-dependente (Doença de Cushing ou secreção ectópica)
Diferenciação Doença de Cushing x Secreção Ectópica de ACTH:
Tratamento:
Doença de Cushing: Cirurgia transesfenoidal (hipófise).
Causas adrenais: Adrenalectomia unilateral.
Tratamento farmacológico: cetoconazol, mitotano.
César Augusto TXV
2. Insuficiência Adrenal (Hipocortisolismo)
Definições:
Quadro Clínico:
Astenia, perda de peso, anorexia
Hipotensão (postural ou persistente)
Hipoglicemia
Hiponatremia e hipercalemia (principalmente na primária)
Hiperpigmentação cutânea (na Doença de Addison)
Diagnóstico:
1. Cortisol basal:
< 3 mcg/dL → diagnóstico provável
19 mcg/dL → exclui
2. Teste de estímulo com ACTH (cortrosina): pico < 20 mcg/dL confirma.
3. ACTH plasmático:
Primária → ACTH alto (> 100 pg/mL)
Secundária → ACTH baixo ou normal
Tratamento:
Reposição de glicocorticoides:
Prednisona 5 mg manhã ± 2,5 mg tarde
Reposição de mineralocorticoides:
Fludrocortisona (Florinefe®)
Ajustar doses em estresse (infecções, cirurgia).
Crise Addisoniana (Insuficiência Adrenal Aguda):
Hipotensão, choque, hipoglicemia
Tratamento de emergência:
Soro fisiológico + glicose hipertônica
Hidrocortisona EV 100 mg bolus, seguido de 50 mg 6/6h
3. Hiperplasia Adrenal Congênita (Deficiência de 21-hidroxilase)
Etiologia:
Mutação genética autossômica recessiva (CYP21A2).
90% dos casos de hiperplasia adrenal congênita.
César Augusto TXV
Formas Clínicas:
Manifestação Clínica:
Mulheres: genitália ambígua ao nascimento
Homens: macrogenitossomia
Hiperandrogenismo: hirsutismo, acne, irregularidade menstrual.
Diagnóstico:
17-OH progesterona elevada
Teste de estímulo com ACTH (quando necessário)
Tratamento:
Reposição de glicocorticoides + mineralocorticoides
Prevenir crises de perda de sal
Objetivo: controlar hiperandrogenismo, normalizar crescimento e puberdade
4. Hiperaldosteronismo Primário (Síndrome de Conn)
Definição: Produção autônoma de aldosterona → hipertensão + retenção de sódio + hipocalemia.
Etiologias principais:
Quadro Clínico:
Hipertensão resistente
Hipocalemia: fraqueza, cãibras, poliúria
Alcalose metabólica
Diagnóstico:
1. Relação aldosterona plasmática / atividade de renina plasmática (CAP/ARP).
o CAP/ARP > 30 → suspeita alta
2. Confirmar com testes de supressão (sobrecarga de sódio ou fludrocortisona).
3. TC de adrenais ± cateterismo venoso adrenal.
Tratamento:
Adenoma: Adrenalectomia unilateral (preferência laparoscópica).
Hiperplasia bilateral: Espironolactona.
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5. Feocromocitoma
Definição: Tumor de células cromafins que secretam catecolaminas (adrenalina, noradrenalina).
Epidemiologia:
Raro (0,1–0,2% dos hipertensos).
Maioria esporádicos (80%).
Quadro Clínico:
Tríade clássica: cefaleia + palpitação + sudorese
Crises hipertensivas paroxísticas
Outros: tremores, palidez, dor torácica/abdominal
Diagnóstico:
Metanefrinas plasmáticas e/ou urinárias elevadas
Teste de supressão com clonidina (em caso de dúvida)
Localização:
TC ou RNM de abdome
Se não localizar → tórax e cervical
Cintilografia com MIBG para tumores extra-adrenais
Tratamento:
1. Controle pré-operatório:
Alfabloqueador (prazosina ou doxazosina)
Betabloqueador (somente após alfa)
2. Cirurgia: retirada do tumor
Esquemas Visuais de Apoio
! Diagnóstico de Síndrome de Cushing ! Diagnóstico de Insuficiência Adrenal
César Augusto TXV
" TABELA-RESUMO RÁPIDA
Flashcards — Doenças da Adrenal
1. O que é a Síndrome de Cushing?
Exposição prolongada a glicocorticoides elevados, de origem endógena ou exógena.
2. Quais os principais sinais da Síndrome de Cushing?
Obesidade centrípeta, face em lua cheia, giba de búfalo, estrias violáceas largas, osteopenia, hipertensão, hipocalemia.
3. Como diferenciar Doença de Cushing de Secreção Ectópica de ACTH?
Supressão com alta dose de dexametasona → queda do cortisol (Doença de Cushing).
Teste de estímulo com CRH/DDAVP → aumento de cortisol e ACTH (Doença de Cushing).
4. Qual o tratamento da Doença de Cushing?
Cirurgia transesfenoidal para remoção de adenoma hipofisário.
5. O que caracteriza a Insuficiência Adrenal Primária (Doença de Addison)?
Destruição do córtex adrenal, levando à deficiência de cortisol, aldosterona e andrógenos.
6. Quais são os achados laboratoriais na Doença de Addison?
Hiponatremia, hipercalemia, hipoglicemia, ACTH alto.
7. Como diagnosticar insuficiência adrenal?
Cortisol basal < 3 mcg/dL.
Teste de estímulo com ACTH (cortrosina) sem aumento de cortisol.
ACTH plasmático alto.
8. Como tratar insuficiência adrenal?
Reposição de prednisona + fludrocortisona; ajuste em situações de estresse.
9. O que é a Hiperplasia Adrenal Congênita por deficiência de 21-hidroxilase?
Defeito enzimático → excesso de andrógenos e, na forma clássica, perda de sal.
César Augusto TXV
10. Como é feito o diagnóstico da Hiperplasia Adrenal Congênita?
Dosagem de 17-OHP elevada; teste de estímulo com ACTH confirma.
11. O que é o Hiperaldosteronismo Primário (Síndrome de Conn)?
Produção excessiva de aldosterona independente da renina, causando hipertensão e hipocalemia.
12. Como diagnosticar Hiperaldosteronismo Primário?
Relação aldosterona/renina plasmática > 30 + testes de supressão para confirmar.
13. Qual o tratamento do Hiperaldosteronismo Primário?
Adenoma: adrenalectomia unilateral.
Hiperplasia: espironolactona.
14. O que é o Feocromocitoma?
Tumor de células cromafins produtoras de catecolaminas.
15. Qual a tríade clássica do Feocromocitoma?
Cefaleia + palpitação + sudorese.
16. Como confirmar o diagnóstico de Feocromocitoma?
Metanefrinas plasmáticas ou urinárias elevadas.
17. Como preparar um paciente para cirurgia de Feocromocitoma?
Primeiro, alfabloqueio (prazosina/doxazosina), depois betabloqueio se necessário.
# Questões Estilo Prova — Doenças da Adrenal
1. (Questão fácil). Paciente com face em "lua cheia", obesidade 2. (Questão intermediária) Paciente jovem com hiperpigmentação
centrípeta e estrias violáceas apresenta cortisol salivar noturno de pele, hiponatremia e hipercalemia. O que confirma insuficiência
elevado. Qual o próximo passo? adrenal primária?
a) Iniciar cetoconazol imediatamente a) Teste de sobrecarga de sódio
b) Dosar ACTH plasmático b) Teste de tolerância à insulina
c) Solicitar RNM de crânio c) Teste de estímulo com ACTH (cortrosina)
d) Fazer cortisol urinário livre 24h d) Cateterismo de seios petrosos inferiores
3. (Questão difícil) Sobre o Feocromocitoma, assinale a correta: 4. (Questão fácil) Paciente com hipertensão resistente e hipocalemia
a) A preparação cirúrgica começa com betabloqueadores. espontânea. Qual a principal suspeita?
b) O tumor é sempre maligno. a) Feocromocitoma
c) Metanefrinas plasmáticas são o melhor exame de rastreio. b) Hiperplasia Adrenal Congênita
d) Os paragangliomas localizam-se exclusivamente na adrenal. c) Hiperaldosteronismo Primário
d) Doença de Addison
5. (Questão intermediária) Em relação à Hiperplasia Adrenal Congênita, qual afirmativa é correta?
a) É uma doença dominante autossômica.
b) É causada mais frequentemente por deficiência de 11-hidroxilase.
c) A forma clássica perdedora de sal necessita de reposição de mineralocorticoides.
d) A dosagem de 17-OHP não é útil para o diagnóstico.
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AULA 11
CRESCIMENTO E PUBERDADE
1. CRESCIMENTO
Fases do Crescimento
1. Fetal – intrauterino.
2. Infância – nascimento até 2 anos.
3. Pré-puberal – até início da puberdade.
4. Puberal – marcado por aceleração da velocidade de crescimento (VC).
Velocidade de Crescimento
Fatores que influenciam
Genéticos
Nutricionais
Hormonais (GH, IGF-1, HT, esteroides sexuais)
Psicossociais
2. AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO
Quando investigar: Alvo Estatural:
Estatura < P3 Meninos: (altura do pai + altura da mãe + 13) ÷ 2 ±10 cm
VC < P3 por >6 meses ou < P25 por 2 anos Meninas: (altura da mãe + altura do pai - 13) ÷ 2 ±9 cm
Queda nas curvas de crescimento
Estatura < canal familiar (calculado pelo alvo estatural)
3. VARIANTES DA NORMALIDADE
Baixa estatura familiar Atraso constitucional do crescimento e puberdade (RCCP)
IO = IC IO atrasada
VC normal História familiar de puberdade tardia
Compatível com canal familiar Entra espontaneamente na puberdade após 13♀ ou 14♂
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4. CAUSAS PATOLÓGICAS DE CRESCIMENTO DEFICIENTE
Primárias Secundárias
Displasias ósseas: acondroplasia, hipocondroplasia Desnutrição, doenças crônicas (GI, renal, hepática,
Síndromes genéticas: Turner, Noonan, Down, Silver- cardíaca, metabólicas)
Russell Endócrinas: hipotireoidismo, DM,
RCIU: não fazem catch-up em 10-15% dos casos pseudohipoparatireoidismo, raquitismo
Deficiência de GH Tratamento DGH
Congênita: face de "querubim", retardo IO, VC ~ metade GH recombinante diário SC (0,03 mg/kg/dia)
do normal Alternativa semanal: Somapacitana 0,16 mg/kg
Adquirida: tumores SNC, trauma, infecção Interromper com IO > 14-15♀ e 16♂ + VC < 2 cm/ano
Diagnóstico: IGF-1 baixo + teste de estímulo GH < 5
ng/mL
5. CRESCIMENTO EXCESSIVO
VC > +2DP ou estatura > P97
Causas
Normal: alta estatura familiar
Patológicas:
Genéticas: Beckwith-Wiedemann, Sotos, Marfan, Klinefelter
Endócrinas: gigantismo, hipertireoidismo, obesidade, puberdade precoce
6. PUBERDADE
Conceitos
Adrenarca: ↑ DHEA/DHEAS (glândulas adrenais) Idade normal:
Gonadarca: reativação do eixo HHG → ↑ LH, FSH → ♀: 8–13 anos
maturação gonadal ♂: 9–14 anos
Estágios (Tanner):
Feminino: Masculino:
M1: pré-puberal → M2: broto mamário → M3-M5 G1: testículos < 4 mL → G2–G5: progressão até genitália
Menarca: estágio M4 (~2-3 anos após telarca) adulta
Pubarca geralmente ocorre antes do estirão
7. PUBERDADE PRECOCE
Definição:
♀ antes dos 8 anos (telarca)
♂ antes dos 9 anos (volume testicular > 4 mL)
Tipos:
César Augusto TXV
Causas de PPC: Causas de PPP:
Idiopática (♀ 70–95%) Tumores testiculares/ovarianos, cistos foliculares
SNC: hamartomas, tumores, encefalite, trauma Exógenos (estrogênio/andrógeno)
Hipotireoidismo grave (síndrome de van Wyk-Grumbach)
Sd. McCune-Albright, testotoxicose
Avaliação: Tratamento PPC:
RX mão/punho → IO avançada Agonistas GnRH (leuprorrelina, triptorrelina, goserrelina)
LH basal > 0,2 U/L ou pico > 3,3 (ICMA) Indicado se <6 anos ou progressão rápida
RM encéfalo se: ♂ com PPC ou ♀ < 6 anos
8. PUBERDADE ATRASADA
Definição:
♀: sem telarca aos 13 anos
♂: testículos < 4 mL aos 14 anos
Causas:
Diagnóstico: Tratamento:
FSH/LH, estradiol/testosterona RCCP: expectante ou baixa dose de esteroides sexuais
TSH, PRL, cariótipo, idade óssea Hipogonadismo:
♀: iniciar estrógeno aos 11–12 anos +
progesterona após 2 anos
♂: testosterona IM 50 mg/mês, aumentando
progressivamente
1. INTRODUÇÃO AO CRESCIMENTO HUMANO
Crescimento = processo biológico influenciado por fatores genéticos, hormonais, nutricionais e psicossociais.
Avaliação da estatura
à Estadiômetro (antropômetro) adequado
à Posicionamento correto: Até 2 anos de idade (em decúbito no antropômetro horizontal = comprimento)
Após 2 anos de idade: ortostase (estatura)
à Repetição da medida três vezes (média das 3x).
A estatura deve ser reavaliada em intervalos de 3 meses ou mais.
César Augusto TXV
PUBERDADE X CRESCIMENTO
Curva de crescimento: Alvo estatural parental:
OMS (padrão internacional) Meninos: (pai + mãe + 13)/2 ± 10 cm
Avaliar velocidade de crescimento (VC) e altura estatural x Meninas: (pai - 13 + mãe)/2 ± 9 cm
potencial genético
CRESCIMENTO DEFICIENTE
– Estatura em percentil abaixo do esperado para o potencial familiar.
– Estatura abaixo do esperado para a população geral.
– Velocidade de crescimento inferior à esperada para o sexo e a idade cronológica.
– Crianças que apresentem um ou mais dos critérios a seguir merecem ser investigadas:
– Estatura abaixo do percentil 3
– VC menor do que o percentil 3 por mais de 6 meses ou menor do que o percentil 25 por 2 anos
– Mudanças das linhas de percentis no gráfico de crescimento para um percentil inferior após os 24 meses de idade
– Altura abaixo do potencial genético (abaixo de 2 desvios-padrão, em relação à média das alturas dos pais)
2. AVALIAÇÃO CLÍNICA DO CRESCIMENTO
Sinais de alerta para crescimento patológico: Avaliação:
Estatura < P3 (percentil 3) Anamnese (HF, nutrição, doenças)
VC < P3 > 6 meses ou < P25 > 2 anos Exame físico (proporções corporais)
Queda de canal percentilar Idade óssea (RX mão e punho esquerdo)
Estatura < potencial genético (2 DP abaixo) Curva de crescimento
César Augusto TXV
IDADE ÓSSEA - MÉTODOS
3. CRESCIMENTO NORMAL E VARIANTES
Baixa estatura familiar: Retardo constitucional de crescimento e puberdade (RCCP):
Estatura < P3, mas compatível com canal familiar IO atrasada, VC compatível com idade estatural
IO = IC, VC normal Puberdade tardia (meninas >13a, meninos >14a)
História familiar positiva
BAIXA ESTATURA FAMILIAR
Exemplo
à Criança do sexo F, 7 anos, abaixo do P3
à IO = IC = 7 anos Canal Familiar:
à VC = 6cm/ano
à Estatura mãe= 149cm
à Estatura do pai= 160cm
4. CRESCIMENTO DEFICIENTE (PATOLOGIAS)
Causas primárias: Causas secundárias:
Displasias ósseas: acondroplasia, hipocondroplasia Nutricionais: desnutrição
Sd genéticas: Turner (45,X), Noonan, Silver-Russel, Down GI: celíaca, DII
Restrinção crescimento intrauterino (RCIU) Renal, hepática, hematológica, endócrina (DM,
hipotireoidismo, DGH
César Augusto TXV
Deficiência do GH:
VC baixa, IO atrasada, fácies imatura
IGF-1 e IGFBP3 baixos, teste de estímulo com GH < 5 ng/mL
RM hipotálamo-hipofisária
TTO: somatotropina SC diariamente ou somapacitana semanal
CRESCIMENTO DEFICIENTE: CONCEITO
É caracterizado por:
Estatura abaixo do percentil 3 para idade e sexo;
Velocidade de crescimento (VC) abaixo do esperado por mais de 6 meses;
Queda de percentil nas curvas de crescimento;
Altura final abaixo do potencial genético (calculado pela média da estatura dos pais).
CAUSAS PRIMÁRIAS: São alterações intrínsecas ao indivíduo, geralmente de origem genética ou estrutural.
1. Displasias ósseas
Acondroplasia e Hipocondroplasia
Acondroplasia: mutação do gene FGFR3, herança autossômica dominante. Altura final muito baixa (homens: ~130 cm; mulheres: ~120
cm).
Rizomelia (encurtamento proximal dos membros)
Cabeça grande, fronte proeminente, ponte nasal achatada.
VC reduzida desde a infância.
Hipocondroplasia: forma mais branda, com sinais mais leves, porém também com baixa estatura e membros curtos.
2. Síndromes genéticas
Turner (45,X):
Exclusiva em meninas.
Baixa estatura invariável, disgenesia gonadal (ovário em fita), amenorreia primária.
Fácies típica, pescoço alado, cúbito valgo, alterações cardíacas (ex: coarctação da aorta).
Tratamento: GH + terapia hormonal na puberdade.
Noonan:
Homens e mulheres, fenótipo parecido com Turner.
Baixa estatura, pescoço alado, tórax escavado, cardiopatia (frequente).
Criptorquidia nos meninos, atraso puberal.
Silver-Russell:
RCIU persistente, assimetria corporal, face triangular.
Baixa estatura importante, sem resposta adequada ao catch-up pós-natal.
Down (Trissomia 21):
Baixa estatura de causa multifatorial (hipotireoidismo, cardiopatias etc.).
Retardo mental, dismorfismos faciais típicos.
César Augusto TXV
3. Restrição do crescimento intrauterino (RCIU)
Peso e/ou comprimento ao nascer < P3 para idade gestacional.
Causas:
Maternas: desnutrição, fumo, DHEG.
Fetais: mutações genéticas, síndromes.
10-15% não fazem catch-up até os 3 anos.
Alto risco de baixa estatura definitiva.
CAUSAS SECUNDÁRIAS: São causas extrínsecas ou adquiridas que interferem no crescimento.
1. Nutricionais
Desnutrição: comum em países em desenvolvimento.
VC diminuída
Idade óssea (IO) atrasada.
2. Gastrointestinais
Doença celíaca: má absorção crônica por intolerância ao glúten.
Doença Inflamatória Intestinal (DII): principalmente Doença de Crohn em crianças.
3. Renal
Doença Renal Crônica: distúrbios eletrolíticos e hormonais interferem no GH/IGF-1.
4. Hepática
Hepatopatias crônicas comprometem metabolismo hormonal e nutrição.
5. Hematológicas
Anemia crônica, talassemias etc., por consumo energético aumentado ou inflamação crônica.
6. Endócrinas
Diabetes Mellitus mal controlado: reduz IGF-1 por deficiência de insulina.
Hipotireoidismo: baixa estatura, IO atrasada, obesidade.
Deficiência do GH (tema a seguir).
DEFICIÊNCIA DO GH (Hormônio de Crescimento)
Características clínicas:
Velocidade de crescimento diminuída
Idade óssea atrasada
Fácies imatura (face arredondada, frontal proeminente, base nasal achatada)
Micropênis, voz fina, dentição tardia, adiposidade central
Em formas congênitas, pode haver hipoglicemia neonatal e icterícia prolongada
Diagnóstico:
IGF-1 e IGFBP-3 baixos
Testes de estímulo do GH (clonidina, insulina, glucagon etc.): GH < 5 ng/mL em 2 testes
RM de encéfalo (região hipotálamo-hipofisária): para excluir tumores, malformações etc.
César Augusto TXV
Etiologias:
Congênita (25%): mais comum em meninos, pode ser isolada ou associada a outros déficits hormonais.
Adquirida (75%): craniofaringioma, leucemia, infecções do SNC, trauma etc.
Tratamento:
Somatotropina (GH recombinante): injeção subcutânea diária (0,03 mg/kg/dia)
Somapacitana: GH de ação prolongada, dose semanal (0,16 mg/kg/semana)
Monitorar:
Velocidade de crescimento
IGF-1
Idade óssea
Suspensão:
Quando VC < 2 cm/ano e
IO: 14-15 anos (meninas) ou 16 anos (meninos)
Reteste após 90 dias para definir necessidade de GH em dose de adulto.
5. CRESCIMENTO EXCESSIVO
Variante normal: Patológico:
HF alta, medidas proporcionais, IO = IC Genéticas: Sd Marfan, Klinefelter, Sotos
VC > + 2DP Endócrinas: GH (gigantismo), hipertireoidismo,
Estatura > P97 puberdade precoce
Obesidade: acelera maturidade óssea
6. PUBERDADE
Conceito: Eventos:
Transição infância -> adulto (maturidade sexual e Adrenarca: DHEA, DHEA-S (6-8 anos)
psicológica) Gonadarca: ativação do eixo HHG → FSH/LH →
estrógenos/testosterona
Sexo feminino: Sexo masculino:
1º sinal: telarca 1º sinal: aumento testicular
Pubarca, estirão, menarca (Tanner IV) Pubarca, crescimento peniano, estirão
César Augusto TXV
7. DISTÚRBIOS DA PUBERDADE
8) Puberdade precoce (PP) b) Puberdade atrasada
Central (dependente de GnRH) Definição:
Meninas < 8ª, meninos < 9ª Meninas: sem telarca aos 13 anos
Sempre isossexual Meninos: sem aumento testicular aos 14 anos
Idiopática (feminino) / orgânica (masculino): tumores SNC,
hamartomas Classificação:
LH basal/teste GnRH → valores altos RCCP (variante normal): IO atrasada, GH normal, boa
TTO: agonistas de GnRH (leuprolida, goserrelina) resposta ao tempo
Hipogonadismo hipergonadotrófico: falência gonadal
Periférica (independente de GnRH) (Turner, Klinefelter)
Produção autônoma de esteroides sexuais (tumores, Hipogonadismo hipogonadotrófico: alteração eixo HHG
hiperplasia adrenal congênita, Sd McCune-Albright) (Sd Kallmann)
LH/FSH baixos, testosterona/estradiol altos
TTO:
RCCP: esperar ou baixa dose de hormônios sexuais
Hipogonadismo:
Meninos: testosterona IM progressivo
Meninas: estrogênos + progesterona após 2
anos
8. RACIOCÍNIO CLÍNICO
Passo a passo:
1. Medir altura, peso, calcular IMC
2. Avaliar curva de crescimento (queda de canal?)
3. Calcular alvo estatural parental
4. Avaliar velocidade de crescimento
5. Fazer RX de mão/punho (idade óssea)
6. Ver estágio puberal (Tanner)
7. Laboratório: GH, IGF-1, TSH, T4, FSH, LH, estradiol/testosterona, cariotipo se indicado
8. Diagnóstico diferencial: RCCP, DGH, Sd genéticas
9. Imagem: RM em suspeita de PPC orgânica
FLASHCARDS – CRESCIMENTO E PUBERDADE
1. Fases do Crescimento
Q: Quais são as 4 fases do crescimento?
A: Fetal, infância, pré-puberal, puberal.
2. Velocidade de Crescimento (VC)
Q: Qual a VC média dos 0 aos 2 anos?
A: 0-1 ano: 25 cm/ano (15+10); 1-2 anos: 10 cm/ano. Q: Qual o pico de VC na puberdade?
A: Meninas: 9 cm/ano (Tanner M3); Meninos: 10 cm/ano (Tanner G4).
Q: Qual a VC após 2 anos até puberdade?
A: 5 a 7 cm/ano (média 6 cm/ano).
César Augusto TXV
3. Alvo Estatural
Q: Como calcular o alvo estatural para meninos? Q: E para meninas?
A: (Altura do pai + altura da mãe + 13) ÷ 2 ± 10 cm. A: (Altura da mãe + altura do pai - 13) ÷ 2 ± 9 cm.
4. Baixa estatura – quando investigar?
Q: Cite três indicações para investigar baixa estatura.
A: Estatura < P3, VC < P3 por 6 meses, ou queda nas curvas de percentis.
5. Variantes da Normalidade
Q: O que caracteriza Baixa Estatura Familiar? Q: E o RCCP?
A: IO = IC, VC normal, estatura compatível com canal familiar. A: IO atrasada, VC normal p/ idade óssea, puberdade tardia com
história familiar.
6. Deficiência de GH
Q: Quais os achados clínicos típicos da deficiência congênita de GH? Q: Como confirmar o diagnóstico?
A: Fácies de querubim, VC ↓, IO atrasada, peso normal, voz fina. A: IGF-1 ↓ + Teste de estímulo com GH < 5 ng/mL.
7. Puberdade – Idades Normais
Q: Quando começa normalmente a puberdade? Q: O que marca o início da puberdade?
A: ♀: 8–13 anos | ♂: 9–14 anos. A: ♀: Telarca | ♂: Aumento do volume testicular (>4 mL ou >2,5 cm).
8. Puberdade Precoce
Q: Quando é definida puberdade precoce? Q: Qual a diferença entre PPC e PPP?
A: ♀: antes dos 8 anos | ♂: antes dos 9 anos. A: PPC: ativação precoce do eixo HHG | PPP: produção
periférica/autônoma de esteroides sexuais.
9. Puberdade Atrasada
Q: Quando é considerada puberdade atrasada? Q: Qual a principal causa?
A: ♀: sem telarca aos 13 | ♂: sem testículos >4 mL aos 14 anos. A: RCCP (Retardo Constitucional do Crescimento e Puberdade).
FICHAS RESUMO – CRESCIMENTO E PUBERDADE
Ficha 1 – Avaliação do Crescimento Ficha 2 – Variantes da Normalidade
Curvas de crescimento da OMS Baixa Estatura Familiar
Velocidade normal por idade IO compatível com IC
Alvo estatural familiar Canal familiar baixo
Indicações de investigação VC normal
Estatura < P3 RCCP
VC persistentemente baixa IO atrasada
Queda nos percentis História familiar
Puberdade espontânea tardia
VC compatível com IO
César Augusto TXV
Ficha 3 – Causas Patológicas Ficha 4 – Deficiência de GH
Primárias Causas: congênita (25%), adquirida (75%)
Displasias: acondroplasia Clínica: fácies de querubim, voz fina, IO ↓
Síndromes: Turner, Down, Noonan, Silver-Russell Diagnóstico: IGF-1 ↓ + Teste estímulo GH < 5
RCIU sem catch-up Tratamento: GH recombinante diário (0,03 mg/kg/dia) ou
Secundárias semanal (somapacitana)
Desnutrição, DII, DRP, hepatopatias
Endócrinas: GH, HT, DM
Ficha 5 – Puberdade Normal Ficha 6 – Puberdade Precoce
PPC (Central)
Eixo HHG ativado precocemente
Maioria idiopática nas meninas
Indicações de tto: <6 anos ou progressão rápida
Intervalos entre estágios: ~1 ano
Tratamento: agonistas de GnRH (leuprorrelina,
Menarca: estádio M4
triptorrelina)
PPP (Periférica)
Produção independente de esteroides sexuais
Tumores, cistos, Sd McCune-Albright, testotoxicose
Ficha 7 – Puberdade Atrasada Ficha 8 – Tratamentos
Classificação: GH: SC diário ou semanal (somapacitana)
RCCP (mais comum): IO atrasada, VC normal p/ IO PPC: Agonistas GnRH IM mensais
Hipogonadismo hipergonadotrófico: Turner, Klinefelter RCCP: Expectante ou esteroides sexuais em baixa dose
Hipogonadismo hipogonadotrófico: Kallmann, lesões Hipogonadismo:
hipofisárias ♀: Estrógeno + Progesterona
Avaliação: ♂: Testosterona IM progressiva
FSH, LH, estradiol/testosterona, cariótipo
RX mão/punho (IO)
Prolactina, TSH, exames gerais