E-book Introdutório
Benzedor
01
O QUE É UM BENZEDOR?
Benzedor, Curador ou simplesmente Rezador é uma atividade,
muitas vezes considerada curandeirismo, destinada a curar uma
pessoa doente, aplicando sobre ela gestos, em geral
acompanhados por alguma erva com pretensos poderes
sobrenaturais, ao tempo em que se aplica uma prece. Constitui-se
num importante elemento da cultura popular do Brasil, e tem suas
origens no sincretismo religioso.
Um estudo sobre tais práticas tanto pode ser realizado nos
parâmetros da antropologia médica ou no âmbito da parapsicologia
e estudos da religião e cura pela fé. Em ambos os casos a maioria
das pesquisas referem-se a estudos específicos de casos cura ou
descrição dos curadores com suas respectivas crenças (com
detalhadas descrições das rezas e plantas utilizadas) e/ou os
itinerários terapêuticos e percepção do "pacientes" sobre a doença
e tratamento.
02
O REZADOR
Apesar da resistência da ciência oficial, a atividade muitas vezes
impressiona pelos seus efeitos, atribuídos pelos cientistas por um
componente subjetivo que é a fé daqueles que se submetem à
cura.
Ao contrário dos curandeiros, charlatães, e outros aproveitadores,
o Benzedor em geral é alguém da própria comunidade, e que
recebeu os ensinamentos dos antigos, sempre de forma oral -
razão pela qual não há registros sobre eventuais fórmulas, bem
como mantêm em segredo a oração que proferem - geralmente
não cobrando por suas atividades (embora nada obste que o faça).
Origens
Os rezadores são típicos das regiões remotas, onde os médicos
são escassos, os remédios alopatas inacessíveis. A origem nos
pajés indígenas é patente - sendo que na Região Amazônica
ambos os conceitos são sinônimos - com a aplicação de elementos
próprios da religião cristã. Não se pode descartar também a
influência da cultura africana nas regiões onde predominou a
colonização com mão de obra escrava.
03
MAGNETISMO SEGUNDO O
ESPIRITISMO - DEFINIÇÃO
DE BENZEDURA E
CURANDERISMO
Para o Espiritismo o Benzedor está intuitivamente aplicando os
princípios do "magnetismo espiritual", cujo estudo pseudo-científico
iniciou-se no século XVIII com o Dr. Franz Anton Mesmer (1734-
1815).
Consta que o médico brasileiro Dr. Adolfo Bezerra de Menezes
Cavalcanti (1831-1900), um dos fundadores da doutrina espírita no
Brasil enquanto vereador do Rio de Janeiro realizou pesquisas
sobre medicina medianímica praticada na época, inclusive com
pesquisa de campo com o médium receitista João Gonçalves do
Nascimento (1844 - 1916) com parecer favorável sobre sua
eficácia.
O passe e o magnetismo espiritual
O mais comum é ouvirmos falar de "Passe Espírita", mas sequer
sabemos seu funcionamento e suas reações em nosso organismo
pelo seu reflexo imediato no organismo espiritual. Existe muita
confusão em relação ao passe e seus efeitos benéficos, mas a pior
dessas confusões é o desconhecimento. Afinal, o passe ajuda
mesmo? O que é preciso para sentir seus efeitos? Quem recebe o
Passe magnético precisa se reformar intimamente?
Quando falamos de "Passe Espírita", tratamos daquele que
recebemos no ambiente das instituições espíritas; um passe
relativamente rápido, normalmente misto "humano/espiritual", dura
em torno de um a três minutos e é oferecido por imposição de
mãos ou rápidos concentrados e dispersivos dados pelo
magnetizador ou "passista". Já o Magnetismo Humano é um
"passe" mais profundo e complexo que trabalha todo organismo
perispiritual e físico através dos diversos "centros de força"
espalhados em nossa estrutura físico/espiritual.
Sua ação se dá primeiramente no perispírito do assistido para com
isso sua ação se refletir no corpo físico aliviando ou proporcionando
a cura. No tratamento pelo Magnetismo Humano é imprescindível a
ação da vontade e da paciência, pois faz-se necessário um longo
trabalho de recuperação do assistido e o tempo do tratamento pelo
Magnético raramente é inferior a 15 minuto podendo chegar até a
60 minutos ou mais. Ambos os passes - o espírita e o magnetismo
humano, não dispensam de forma nenhuma o acompanhamento
médico hospitalar quando necessário, ao contrário trabalha em
conjunto e em ambos existe a assistência dos "Espíritos
Magnetizadores" especialistas. Também não dispensam o desejo
sincero e vigoroso do paciente em trocar os hábitos nefastos por
ações moderadas e comedidas, além da estrutura da fé que é
sempre um vigoroso remédio.
Benzeduras
As benzeduras são práticas de cura realizadas por benzedeiras e
benzedores que tem como objetivos sanar os males físicos e
espirituais dos consulentes.
Etapas da prática da benzedura
De acordo com Quintana, o processo ritual da prática de benzedura
é formado basicamente em três momentos: o diálogo, a bênção e a
prescrição.
Diálogo
No diálogo, o processo se inicia com a chegada do consulente que
solicita a intervenção do benzedor bênção.
Bênção
A bênção corresponde ao segundo momento do processo ritual,
que seria a benzedura propriamente dita. É nesse momento que a
benzedeira ou benzedor procuram reequilibrar a energia do
consulente lhe livrando do mal.
Principais benzeduras
Mau-olhado/ Quebranto
Cobreiro
Coser jeito
Aguamento
Ventre-virado
Queimadura
Espinhela-caída
Prescrição
A prescrição consiste nas condutas de como os consulentes devem
agir depois que a benzedura foi realizada. A prescrição deve ser
seguida para que o tratamento não seja anulado.
Definição de curandeirismo
O curandeirismo é uma arte ou técnica na qual o praticante — o
curandeiro ou curador — afirma ter o poder de curar, quer
recorrendo a forças misteriosas de que pretensamente disporia,
quer pela pretendida colaboração regular de deus ou
deuses,espíritos de luz, de mortos, de animais, etc., que lhe
serviriam ou ele dominaria. Nesse sentido, envolve todo um
conjunto de "rezas" e práticas de sacerdotes/terapeutas,
benzedores, xamãs, pajés, médiums, babalorixás, pastores, bispos,
pais de santo, entre outros nomes como tais praticantes são
designados a depender da região e cultura local.
Curandeirismo hoje
Observe-se como assinala Witter que os estudos sobre as práticas
de cura, especialmente no Brasil, inicialmente fundamentavam-se
nas teorias antropológicas reiteirando as hipóteses evolucionistas
que consideravam os curandeiros como feiticeiros e charlatões,
justificados pela ausência de serviços médicos e mais
recentemente desenvolveram-se os estudos não etnocêntricos e
abordagens historiográficas capazes de reconhecerem laços de
solidariedade, altruísmo, e mesmo heroísmo, dos que atreviam-se a
desafiar o poder associado ao saber hegemônico de sua época.
Observe-se também que tais práticas de curandeirismo ainda
persistem em sociedades modernas com ampla difusão de serviços
médicos.
Referências e Citações
AZEVEDO, Teo. Plantas medicinais e bezeduras (como curar com ervas
e rezas). SP, Topo-Livros, 1980
FONSECA, Dyana Joy S.; RIBEIRO, Idalva C.; COSTA Jeferson M.
Plantas usadas nas práticas de cura por benzedores do bairro do
Algodoal, município de Abaetetuba, Pará Ttrabalho apresentado no 64º
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2013 PDF Jul. 2014
LIMA, Luiz da Rocha. Medicina dos espíritos. RJ, Atheneu, 1983
MELLO, Jacob O Passe, seu estudo, suas técnicas, sua prática - FEB,
Rio de Janeiro, 1991.
OLIVEIRA, Elda Rizzo. O que é benzeção (coleção Primeiros Passos).
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OLIVEIRA, Érica Caldas Silva; TROVÃO, Dilma Maria de Brito Melo. O
uso de plantas em rituais de rezas e benzeduras: um olhar sobre esta
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MEDEIROS, Lis Cardoso Marinho; AZEVEDO, Gláucia Antonia Viana de;
MACHADO, Fábio Mota and SOUSA, Simone Ramos de. As práticas
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município de Luiz Correia - PI. Esc. Anna Nery [online]. 2007, vol.11, n.1
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Magnetismo Humano. Associação Espírita Alan Kardec.
[Link]
QUINTANA, Alberto Manuel (1999). A Ciência da benzedura: mau-
olhado, simpatias e uma pitada de psicanálise. Bauru: EDUSC. p. 56
Atribuições: A Imagens / Ilustrações deste e-book foram geradas
por IA: Mídia Mágica.