Artrites
Acometem, basicamente, as articulações sinoviais. A forma de apresentação, evolução e
padrão de acometimento articular são importantes para o diagnóstico.
Artralgia: dor na articulação. É preciso investigar se há ou não artrite.
Artrite: inflamação na articulação. Na imensa maioria das vezes, há artralgia.
Artrose = Desgaste -> Em quadros de artrose, a queixa é bem localizada na articulação.
Características de sinovite: edema de partes moles, calor local e dor, edema articular ou
derrame articular, limitação da amplitude do movimento.
Anemia normo-normo: Os glóbulos vermelhos (hemácias) têm tamanho normal
(normocítica) e contêm uma quantidade normal de hemoglobina (normocrômica). Porém,
o número total de hemácias ou a concentração de hemoglobina está reduzido, levando ao
quadro anêmico.
Obs: HEPATITES podem cursar com artrite, especialmente quando o quadro de artrite é
agudo. HIPOTIREODISMO pode cursar com quadro de dor articular.
Obs: PCR e VHS: aumentam em situações inflamatórias e infecciosas. Se for negativa, é
muito provável que seja um quadro de artrose. Mas não é usado para diagnóstico.
Exames específicos: Fator antinuclear, FAN: fator antinuclear, em suspeita de doença
autoimune. Títulos baixos são comuns na população. Fator reumatoide, FR: é exame de
triagem para artrite reumatoide; pode estar presente em outras artrites, mas dificilmente
está negativo em artrite reumatoide
FR NÃO CRAVA DIAGNÓSTICO.
Formas de apresentação:
-Número de articulações acometidas: monoarticular (1), oligo (2 a 4) ou poli (+ de 4).
-Distribuição das articulações: afeta pequenas ou grandes art,envolvendo o esqueleto axial ou não.
-Padrão de acometimento articular: artrites simétricas ou artrites assimétricas.
-Tempo de início: aguda (até duas semanas), subaguda (de 2 a 6) e crônica (+6 semanas).
- Padrão de evolução em caso de oligoarticular e poliarticular: aditiva (somam-se
gradativamente as articulações afetadas), migratória (ocorre comprometimento de uma
art com resolução espontânea seguida pelo comprometimento de outra art) ou
intermitente (crises de dor com intervalo livre entre elas).
Obs: O exame físico deve-se levar em conta a amplitude de movimento(ADM). A limitação
da amplitude de mov permite diferenciar artrite de um processo
periarticular/extra-articular (bursite e tendinite).
Monoartrite: Pensar em ARTRITE SÉPTICA- causada por bactérias, micobactérias e doenças de Lyme.
Diagnóstico diferencial: Artropatias microcristalinas como gota úrica e de doenças por
deposição de cristais de pirofosfato de cálcio (pseudogota); Artropatias traumáticas como
fraturas ou hemartrose (derrame de sangue no interior da articulação); Osteonecrose
(infarto de cabeça do fêmur).
Obs: a monoartrite pode corresponder a outras doenças reumatológicas, embora a lista seja
mais frequente em poliartrite: artrite reumatóide, artrite viral, artrite enteropática, artrite
psoriásica(AP).
A idade do indivíduo é importante nesse caso para diag: crianças (displasia de desenvolvimento do quadril),
adultos jovens (espondiloartropatias como espondilite anquilosante, artrite reumatoide e lesão articular
internar-LAI) e adultos velhos e idosos (artropatias microcristalinas, osteonecrose e LAI).
Quando tem FEBRE, pensar primeiro em Artrite Séptica, mas também artropatias microcristalinas e AR.
Quando se torna CRÔNICA, é mais provável espondiloartropatias, AR, Artropatia microcristalina e infecção por
micobactéria ou fungo.
Exames: análise do liquido sinovial, pesquisa de microcristais.
Oligoartrite e Poliartrite: AR, AP e artrites infecciosas (gonocócica, virais, febre reumática e endocardite bacte).
Padrão de evo: - Migratório: Febre reumática, artrite gonocócica e Lúpus eritematoso sistêmico (LES).
Aditivo: AR e LES - Intermitente: AR, LES, gota, AP e sarcoidose
Quando associada com FEBRE, pensar em Artrite infecciosa, artrites reativas (após grastroenterite ou infecção
urinária, como febre reumática e síndrome de Reiter), doenças reumáticas sistêmicas como LES, art
microcristalinas e neoplasias.
Caso CRÔNICO deve considerar 2 fatores:
Entre 25 e 50 anos: AR, LES, artrite gonocócica, síndrome de Reiter, espondiloartropatias, hemocromatose;
Acima de 50: AR, pseudogota, polimialgia reumática
No exame físico, achados importantes:
Existência de tenossinovite: AR, A gonocócica, micobactéria e fungos
Fenômeno de Raynaud: caracterizado por episódios reversíveis de vasoespasmos de extremidades, associado
à palidez, seguido por cianose e rubor de mãos e pés, que ocorrem, usualmente, após estresse ou exposição ao
frio. Aqui, deve-se suspeitar esclerose sistêmica progressiva, LES, polimiosite, dermatomiosite, vasculites;
Exames: análise do líquido sinovial, hemograma, velocidade de hemossedimentação, anticorpos antinucleares
(ANA), fatores reumatoides (FR), transaminases hepáticas, creatinina, uricemia e radiografias.
Artrite Reumatoide: Início geralmente entre 30 e 50 anos.
Osteoartrite (artrose): A prevalência aumenta com a idade, sendo comum em idosos.
Lúpus Eritematoso Sistêmico: Maior prevalência em mulheres jovens.
Gota: Ocorre principalmente em homens entre 30 e 60 anos.
Espondilite Anquilosante: Início da lombalgia antes dos 40 anos
Espondilo artrite
Obs: Também chamadas soronegativas, por o FR está negativo.
Doenças: Espondilite anquilosante;
Artrites reativas: surgem após infecção, geralmente gastrintestinal ou urinária,autolimitada; Artrite psoriática:
associada à psoríase, uma doença crônica; Artrites enteropáticas: ocorrem em doenças inflamatórias
intestinais.
Espondilite anquilosante (EA)
● Definição: Doença inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna vertebral de forma simétrica, podendo levar à rigidez e
limitação funcional progressiva do esqueleto axial. Caracteriza-se pela inflamação das articulações da coluna e grandes articulações
(quadris, ombros).
● Cura: Não tem cura, mas o tratamento precoce pode diminuir a inflamação e a dor.
● Prognóstico (Sem Tratamento): Pode levar à anquilose (fusão das articulações) com perda da movimentação.
Etiologia
● Fator Genético: Fortemente relacionada à presença do antígeno de histocompatibilidade HLA-B27.
● Idade de Início: Geralmente em adultos jovens, entre 20 e 40 anos.
● Prevalência: Mais comum em homens brancos.
Quadro Clínico (Sintomas)
● Dor Lombar:
○ Início lento e insidioso (semanas).
○ Melhora com movimentos e piora em repouso.
○ Persiste por mais de 3 meses.
○ Rigidez matinal prolongada.
● Progressão na Coluna:
○ Redução da lordose lombar.
○ Acentuação da cifose dorsal.
○ Retificação ou redução da lordose cervical.
● Acometimento Articular Periférico:
○ Oligoartrite: Predomina nas grandes articulações dos membros inferiores (tornozelos, joelhos, coxofemorais).
○ Entesopatias: Inflamação de ligamentos e tendões nas inserções ósseas. Afeta preferencialmente a inserção do tendão
calcâneo (Aquiles) e a fáscia plantar.
● Dor Sacroilíaca:
○ Dor na região glútea com irradiação para a face posterior da coxa e parte inferior da coluna.
○ Frequentemente assimétrica (um lado mais doloroso que o outro).
● Manifestações Extra-Articulares:
○ Uveíte Anterior Aguda ou Irite: Inflamação da íris.
■ Caráter unilateral e recorrente.
■ Raramente causa sequelas.
■ Sintomas: hiperemia conjuntival e dor ocular.
○ Sintomas Sistêmicos: Astenia (fraqueza), anorexia, perda de peso e anemia.
○ Dor Torácica:
■ Inflamação entre as costelas e a coluna vertebral.
■ Piora com a inspiração profunda.
■ Pode causar diminuição da expansibilidade torácica durante a respiração devido à dor
O diagnóstico requer a presença de:
● Um critério clínico E um critério radiográfico.
Critérios Clínicos:
● Dor lombar com mais de três meses de duração que melhora com o exercício e não alivia em repouso.
● Limitação da coluna lombar nos planos frontal e sagital.
● Expansibilidade torácica diminuída.
Critérios Radiográficos:
● Sacroiliíte bilateral, grau 2, 3 ou 4.
● Sacroiliíte unilateral, grau 3 ou 4
● Artrite reativa
Inflamatória, após exposição a determinadas infecções - geralmente gastrointestinais e geniturinárias.
Geralmente é assimétrica, com uma (ou mais) articulações acometidas. Pode aparecer entesites, bem como
dactilite (inchaço difuso de um dedo).
Pode ter alterações extra-articulares - oculares, disúria, lesões orais, descamação da pele.
Diagnóstico em geral é clínico pelo histórico de infecção recente (1-4 semanas). Paciente com diarreia ou quadro
urinário, ISTs anteriores ao quadro de artrite oligoarticular. Não se encontra o patógeno na punção do líquido
sinovial (ao contrário da artrite inflamatória).
● Artrite psoriática
Ocorre em 30% dos pacientes psoriáticos, com prevalência aumentada em pacientes com AIDS.
Pode envolver pequenas, médias e grandes articulações, tendendo a afetar interfalângicas distais. Tem diferentes
padrões: oligoartrite assimétrica, poliartrite simétrica e artrite mutilante.
Sintomas articulares e cutâneos podem melhorar ou piorar simultaneamente. Pode haver presença de dactilite e
entesopatias, bem como envolvimento axial.
Artrite Séptica: Desencadeada por bactérias.
Artrite Séptica não-gonocócica: Pode infectar a articulação de diversas formas, como hematogênica,
disseminação de infecção de pele e subcutâneo adjacente, óssea nos casos de osteomielite, iatrogênica e por
perda de integridade capsular em traumas.
QC: Monoartrite aguda, que acomete as grandes articulações, as mais frequentes são quadril e joelho, mas
pode também acometer punhos, ombro ou cotovelo. Consiste em uma dor moderada a intensa de natureza
uniforme ao redor da articulação, derrame, espasmo muscular e amplitude de movimento reduzida. Sinais de
comprometimento sistêmico, a exemplo de FEBRE (superior a 38ºC), astenia e queda do estado geral são
comuns, embora não sejam obrigatórios.
Diag: punção sinovial com líquido purulento
Artrite Séptica gonocócica: constituída por POLIARTRITE, TENOSSINOVITE e DERMATITE. Deve-se
levar em consideração a existência relativamente frequente de associação de artrite gonocócica e infecções
geniturinárias. Mais comum em mulheres.
QC: POLIARTRITE AGUDA MIGRATÓRIA, acometendo especialmente as GRANDES ARTICULAÇÕES PERIFÉRICAS–
descrito como “artrite bailarina”, por migrar de articulação em articulação e, ao final, fixar-se em uma delas. Ela
é assimétrica e acomete especialmente o joelho. Pode ter manifestações como febre e calafrios. Usualmente,
há a presença associada de tenossinovite, principalmente em mãos, punhos, tornozelos e joelhos, com edema
de partes moles e dor desproporcional aos achados de exame físico. As lesões cutâneas, muito características e
capazes de permitir o diagnóstico por si só, também se mostram frequentes. As pápulas eritematosas ou
pústulas com base necrótica.
Na maioria das vezes, a monoartropatia gonocócica se localiza na ARTICULAÇÃO DO JOELHO, produzindo
edema e derrame articular. Nessa forma de manifestação da artrite gonocócica, as lesões cutâneas
quase sempre se encontram ausentes e as hemoculturas são negativas. Pode ter Febre.
Gota
Obs: apenas 10% dos casos de hiperuricemia evoluem, eventualmente, para a doença em si. Por esse motivo, a
hiperuricemia isolada não é, usualmente, tratada.
Gota Aguda
● Apresentação:
○ Monoartrites agudas, geralmente assimétricas.
○ Afeta principalmente as primeiras articulações metatarsofalangeanas (75-90% dos casos).
● Fatores Desencadeantes:
○ Excesso alimentar (especialmente proteico).
○ Ingestão excessiva de bebidas alcoólicas.
○ Traumatismo articular local.
○ Intervenções cirúrgicas.
○ Doenças intercorrentes (ex: infarto agudo do miocárdio).
○ Tratamentos diuréticos ou hipouricemiantes iniciados recentemente.
● Características da Crise:
○ DOR ARTICULAR SÚBITA, INTENSA, LANCINANTE e de CARÁTER PULSÁTIL.
○ Usualmente surge no PERÍODO DA NOITE.
○ Pode ser acompanhada de alterações do estado geral e FEBRE.
○ Exame físico: Revela SINAIS INFLAMATÓRIOS LOCAIS INTENSOS.
● Duração e Resolução:
○ Sem tratamento, a crise dura cerca de uma a duas semanas.
○ Geralmente há resolução completa após esse período.
○ O período entre a primeira crise e a evolução para a forma crônica é de cerca de dez anos.
● Melhora:
○ Perda de peso.
○ Melhora na alimentação.
○ Mudança no estilo de vida.
Estágio Crônico
● Apresentação:
○ CRISES DE MONO ou POLIARTRITE AGUDAS FREQUENTES.
○ Pode evoluir para POLIARTRITE CRÔNICA e SIMÉTRICA.
○ Afeta PEQUENAS E GRANDES ARTICULAÇÕES de membros superiores, inferiores e, em alguns casos, o esqueleto axial.
● Complicações da Evolução:
○ Deposição de urato de sódio no tecido subcutâneo (conhecido como TOFOS GOTOSOS).
○ Deposição de urato de sódio no rim, podendo levar a:
■ Litíase renal (cálculos renais).
■ Insuficiência renal.
Diag: o padrão ouro da gota se mostra a visualização dos cristais. Esses achados são patognomônicos da gota.
Obs: O exame laboratorial pode mostrar ácido úrico elevado em pacientes sem gota, mas a medida normal de
ácido úrico não afasta o diagnóstico.
Lúpus eritematoso sistêmico (LES)
fenômeno de Raynaud - (PCR - Palidez, cianose e rubor);
Fenômeno de Raynaud: caracterizado por episódios reversíveis de vasoespasmos de extremidades, associado
à palidez, seguido por cianose e rubor de mãos e pés, que ocorrem, usualmente, após estresse ou exposição
ao frio. Aqui, deve-se suspeitar esclerose sistêmica progressiva, LES, polimiosite, dermatomiosite, vasculites;
Exames: análise do líquido sinovial, hemograma, velocidade de hemossedimentação, anticorpos antinucleares
(ANA), fatores reumatoides (FR), transaminases hepáticas, creatinina, uricemia e radiografias.
A proteinúria, contudo, destaca-se como manifestação universal, acometendo praticamente 100% dos
pacientes no decorrer da doença. Apresenta úlcera nasais e orais;
Epidemio: Mulheres jovens em fase reprodutiva. Fatores contribuintes: genética, a participação hormonal, os
fatores ambientais (como luz UV), agentes infecciosos e algumas substâncias químicas.
QC: Surgimento entre os 20 a 30 anos. Na fase inicial, temos um acometimento do sistema osteoarticular e
cutâneo, com as lesões ao sistema renal e o sistema nervoso compondo formas mais graves do LES. Dentro os
achados mais comuns, temos, ASTENIA, ANOREXIA e PERDA INSIDIOSA DE PESO. A febre pode ocorrer em até
50% dos casos, pode ter quadros de linfonodomegalia acompanhados de febre. Pode ter úlceras orais e temos
também o fenômeno de Raynaud - (PCR - Palidez, cianose e rubor);
Manifestações musculoesqueléticas: Frequentes em fases inicias, podendo a artralgia e/ou artrite se manifestar
como queixa principal. O padrão articular predominante é a de POLIARTRITE SIMÉTRICA EPISÓDICA, de
CARÁTER MIGRATÓRIO ou ADITIVO, e quase sempre NÃO DEFORMANTE, sendo que acomete as GRANDES e
PEQUENAS ARTICULAÇÕES PERIFÉRICAS, como mãos, punhos, joelhos e pé.
Artrite gonocóccica: 50% dos casos, jovens sem comorbidades com vida sexual ativa, febre, mal
estar e perda de peso. Agente Neisseria Gonorreia
○ Poliartralgia migratória, evoluindo com mono- 32%- ou poliartrite- 10%, ela “pula até ficar localizada em uma articulação
○ Ternossinovite: acometimento pericarticular
○ Dermatite: pústula com base avermelhada com cultura positiva
○ É necessário pedir um meio específico para neissera: hemoculturas raramente vem positivas
○ Métodos moleculares no material afetado
○ diplococcos gram negativos
○ tratamento: ceftriaxona de 2 a 3 semanas
○ Com febre, lesões cutâneas e artralgia migratória, em mãos, punhos, cotovelos, joelhos e tornozelos.
Osteoartrite
Características Gerais
● Sintomas sistêmicos (fadiga, febre, fraqueza): Raros.
● Rigidez: Geralmente com resolução em menos de 30 minutos (diferente da AR, que é mais prolongada).
● Dor: Predominantemente mecânica, insidiosa e de evolução lenta.
○ Piora com o esforço e movimento ativo.
○ Tende a aumentar com o tempo e pode se tornar persistente.
○ Pouca dor em repouso.
● Fenômeno de gelificação: Piora da dor articular após um período de repouso.
● Evolução da dor: Com a progressão da doença, a dor se torna contínua e pode ocorrer durante a noite.
● Pode haver restrição de mobilidade, deformidade e, em alguns casos, bloqueio ou instabilidade articular.
Articulações Mais Afetadas
● Principalmente: Joelhos, quadris e mãos.
● Mãos:
○ Afeta principalmente as interfalangeanas distais (IFD) e interfalangeanas proximais (IFP).
○ Poupa as metacarpofalangeanas distais (MCFD) – importante para diferenciar da Artrite Reumatoide, que
poupa as IFD.
● Outras: Coluna vertebral (cervical, torácica e lombar), carpometacárpica do polegar.
● Tendência a ser assimétrica.
Fatores de Risco
● Mulheres.
● Idade avançada.
● Trauma articular prévio.
● Uso articular excessivo/repetitivo.
● Genética.
● Obesidade.
● Fatores metabólicos (colesterol alto, diabetes).
● Desalinhamentos musculoesqueléticos (escoliose, alterações de joelho).
Fisiopatologia
● Caracterizada por senescência prematura e apoptose dos condrócitos.
● A inflamação sinovial, quando presente, geralmente está próxima às áreas de cartilagem e osso danificados (diferente
da AR, onde a inflamação é mais difusa e primária).
Quadro Clínico (QC) - Típico
● Surge de forma progressiva.
● Artralgia (dor articular) de uma ou mais articulações.
● Acomete principalmente grandes articulações (coluna, quadril, joelho), seguidas pelas pequenas articulações das
mãos (IFD, IFP).
● Dor piora com movimentação ativa, especialmente após repouso.
Exame Físico (EF)
● Limitação da amplitude de movimento nas articulações afetadas.
● Crepitação articular (sensação de "rangido" ou "estalo").
● Geralmente sem eritema ou rubor significativo na articulação.
● Pode haver discreta tumefação (inchaço).
● Em casos de exacerbação inflamatória, pode haver aumento da dor e tumefação.
Consequência
● A junção desses sinais e sintomas resulta em PERDA DE FUNÇÃO ARTICULAR, levando à limitação das atividades
diárias devido à dor e rigidez.
Osteoartrite Atípica
● Surgimento: Em indivíduos jovens (menos de 45 anos).
● Instalação: Rápida.
● Articulações afetadas: Pouco frequentes, como ombro, cotovelo, punho ou tibiotársica.
● Causa: Quase sempre secundária a outra condição, como trauma, obesidade, inatividade, fatores genéticos ou
processos inflamatórios de outras doenças.
Nódulos de Bouchard: AR ou artrose, mas típico em artrose.
Artrite Reumatóide
articulações periféricas..
Epidemiologia
● Público-alvo: Predomina em mulheres entre 30 e 50 anos.
● Fatores de Risco:
○ Genéticos: Forte componente genético.
○ Ambientais:
■ Fumo: Ativo e passivo.
■ Poluentes: Sílica.
■ Hormonais: Melhora clínica durante a gestação.
■ Infecções.
Quadro Clínico (QC)
● Dor e inflamação articular:
○ Acometimento simétrico de pequenas e grandes articulações periféricas.
○ Maior comprometimento de mãos e pés.
○ Início insidioso de poliartrite simétrica aditiva.
○ Progressão típica:
1. Punhos, articulações metacarpofalangeanas (MCF) e interfalangeanas proximais (IFP) das mãos.
2. Metatarsofalangeanas (MTF) e IFP dos pés.
3. Posteriormente: Joelhos, cotovelos, ombros, articulação temporomandibular (ATM), coxofemorais e coluna
cervical.
● Rigidez matinal prolongada: Mais de 45 minutos.
● Manifestações sistêmicas adicionais: Febre, astenia, anorexia e perda de peso.
Manifestações Extra-Articulares
Podem indicar um pior prognóstico e incluem:
● Tenossinovite.
● Compressão nervosa periférica: Comumente síndrome do túnel do carpo.
● Nódulos subcutâneos.
● Xerostomia (boca seca).
● Xeroftalmia (olho seco).
● Fenômeno de Raynaud.
● Serosite.
● Fibrose pulmonar.
● Vasculite.
● Síndrome de Felty: Tríade de AR, neutropenia e esplenomegalia.
● Amiloidose.
Evolução e Deformidades
● A progressão sem tratamento adequado leva a:
○ Desvios e deformidades articulares.
○ Afrouxamento ou ruptura de tendões.
○ Erosões articulares.
● A AR pode causar alterações em todas as estruturas das articulações.
Exame Físico (EF)
● Dor à compreensão das articulações acometidas.
● Inflamação articular.
● Deformidades características:
○ Desvio ulnar dos dedos.
○ Deformidades em “pescoço de cisne”.
○ Deformidades em “botoeira”.
○ Dedos em martelo.
● Aumento do volume: Punho e articulações metacarpofalangeanas com atrofia interóssea.
● Deslocamento dorsal das falanges proximais com exposição da cabeça dos metatarsos.
● Desvio medial dos joelhos.
● Desvio lateral do hálux.
● Acometimento da coluna cervical: Especialmente a subluxação atlanto-axial (deslocamento de C1 e C2), pode ocasionar quadros
mais graves.
laboratoriais básicos, pede-se hemograma completo, velocidade de hemossedimentação (VHS) ou proteína C
reativa (PCR) doseada, provas de função hepática (AST e ALT), creatinina, eletroforese sérica de proteínas, e o mais
importante deles os níveis de fator reumatoide (FR), um autoanticorpos.
Importantes do diagnóstico diferencial: FAN, hemograma (anemia normo normo e trombocitose-plaquetas
acima do normal), funções hepática, renal e ácido úrico, RX.
Uma pontuação maior ou igual a 6 classifica um paciente como portador de artrite reumatoide.