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Diagnóstico e Tipos de Artrite

O documento aborda as artrites, enfatizando a importância do diagnóstico diferencial e as características clínicas de diferentes tipos de artrite, como artrite reumatoide, gota e artrite séptica. Destaca a apresentação, evolução e exames necessários para diagnóstico, além de mencionar condições associadas como hepatites e hipotireoidismo. Também discute a espondilite anquilosante e suas manifestações, bem como a artrite psoriática e reativa.

Enviado por

Joao V Lenz
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Diagnóstico e Tipos de Artrite

O documento aborda as artrites, enfatizando a importância do diagnóstico diferencial e as características clínicas de diferentes tipos de artrite, como artrite reumatoide, gota e artrite séptica. Destaca a apresentação, evolução e exames necessários para diagnóstico, além de mencionar condições associadas como hepatites e hipotireoidismo. Também discute a espondilite anquilosante e suas manifestações, bem como a artrite psoriática e reativa.

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Artrites

Acometem, basicamente, as articulações sinoviais. A forma de apresentação, evolução e


padrão de acometimento articular são importantes para o diagnóstico.

Artralgia: dor na articulação. É preciso investigar se há ou não artrite.

Artrite: inflamação na articulação. Na imensa maioria das vezes, há artralgia.

Artrose = Desgaste -> Em quadros de artrose, a queixa é bem localizada na articulação.

Características de sinovite: edema de partes moles, calor local e dor, edema articular ou
derrame articular, limitação da amplitude do movimento.

Anemia normo-normo: Os glóbulos vermelhos (hemácias) têm tamanho normal


(normocítica) e contêm uma quantidade normal de hemoglobina (normocrômica). Porém,
o número total de hemácias ou a concentração de hemoglobina está reduzido, levando ao
quadro anêmico.

Obs: HEPATITES podem cursar com artrite, especialmente quando o quadro de artrite é
agudo. HIPOTIREODISMO pode cursar com quadro de dor articular.

Obs: PCR e VHS: aumentam em situações inflamatórias e infecciosas. Se for negativa, é


muito provável que seja um quadro de artrose. Mas não é usado para diagnóstico.

Exames específicos: Fator antinuclear, FAN: fator antinuclear, em suspeita de doença


autoimune. Títulos baixos são comuns na população. Fator reumatoide, FR: é exame de
triagem para artrite reumatoide; pode estar presente em outras artrites, mas dificilmente
está negativo em artrite reumatoide​
FR NÃO CRAVA DIAGNÓSTICO.

Formas de apresentação:
-​Número de articulações acometidas: monoarticular (1), oligo (2 a 4) ou poli (+ de 4).

-​Distribuição das articulações: afeta pequenas ou grandes art,envolvendo o esqueleto axial ou não.

-​Padrão de acometimento articular: artrites simétricas ou artrites assimétricas.

-​Tempo de início: aguda (até duas semanas), subaguda (de 2 a 6) e crônica (+6 semanas).

-​ Padrão de evolução em caso de oligoarticular e poliarticular: aditiva (somam-se


gradativamente as articulações afetadas), migratória (ocorre comprometimento de uma
art com resolução espontânea seguida pelo comprometimento de outra art) ou
intermitente (crises de dor com intervalo livre entre elas).

Obs: O exame físico deve-se levar em conta a amplitude de movimento(ADM). A limitação


da amplitude de mov permite diferenciar artrite de um processo
periarticular/extra-articular (bursite e tendinite).

Monoartrite: Pensar em ARTRITE SÉPTICA- causada por bactérias, micobactérias e doenças de Lyme.
Diagnóstico diferencial: Artropatias microcristalinas como gota úrica e de doenças por
deposição de cristais de pirofosfato de cálcio (pseudogota); Artropatias traumáticas como
fraturas ou hemartrose (derrame de sangue no interior da articulação); Osteonecrose
(infarto de cabeça do fêmur).

Obs: a monoartrite pode corresponder a outras doenças reumatológicas, embora a lista seja
mais frequente em poliartrite: artrite reumatóide, artrite viral, artrite enteropática, artrite
psoriásica(AP).
A idade do indivíduo é importante nesse caso para diag: crianças (displasia de desenvolvimento do quadril),
adultos jovens (espondiloartropatias como espondilite anquilosante, artrite reumatoide e lesão articular
internar-LAI) e adultos velhos e idosos (artropatias microcristalinas, osteonecrose e LAI).

Quando tem FEBRE, pensar primeiro em Artrite Séptica, mas também artropatias microcristalinas e AR.

Quando se torna CRÔNICA, é mais provável espondiloartropatias, AR, Artropatia microcristalina e infecção por
micobactéria ou fungo.

Exames: análise do liquido sinovial, pesquisa de microcristais.

Oligoartrite e Poliartrite: AR, AP e artrites infecciosas (gonocócica, virais, febre reumática e endocardite bacte).

Padrão de evo: - Migratório: Febre reumática, artrite gonocócica e Lúpus eritematoso sistêmico (LES).

Aditivo: AR e LES​ - Intermitente: AR, LES, gota, AP e sarcoidose

Quando associada com FEBRE, pensar em Artrite infecciosa, artrites reativas (após grastroenterite ou infecção
urinária, como febre reumática e síndrome de Reiter), doenças reumáticas sistêmicas como LES, art
microcristalinas e neoplasias.

Caso CRÔNICO deve considerar 2 fatores:

Entre 25 e 50 anos: AR, LES, artrite gonocócica, síndrome de Reiter, espondiloartropatias, hemocromatose;

Acima de 50: AR, pseudogota, polimialgia reumática

No exame físico, achados importantes:

Existência de tenossinovite: AR, A gonocócica, micobactéria e fungos

Fenômeno de Raynaud: caracterizado por episódios reversíveis de vasoespasmos de extremidades, associado


à palidez, seguido por cianose e rubor de mãos e pés, que ocorrem, usualmente, após estresse ou exposição ao
frio. Aqui, deve-se suspeitar esclerose sistêmica progressiva, LES, polimiosite, dermatomiosite, vasculites;

Exames: análise do líquido sinovial, hemograma, velocidade de hemossedimentação, anticorpos antinucleares


(ANA), fatores reumatoides (FR), transaminases hepáticas, creatinina, uricemia e radiografias.​

Artrite Reumatoide: Início geralmente entre 30 e 50 anos.

Osteoartrite (artrose): A prevalência aumenta com a idade, sendo comum em idosos.

Lúpus Eritematoso Sistêmico: Maior prevalência em mulheres jovens.

Gota: Ocorre principalmente em homens entre 30 e 60 anos.

Espondilite Anquilosante: Início da lombalgia antes dos 40 anos

Espondilo artrite
Obs: Também chamadas soronegativas, por o FR está negativo.

Doenças: Espondilite anquilosante; ​


Artrites reativas: surgem após infecção, geralmente gastrintestinal ou urinária,autolimitada; Artrite psoriática:
associada à psoríase, uma doença crônica; Artrites enteropáticas: ocorrem em doenças inflamatórias
intestinais.

Espondilite anquilosante (EA)


●​ Definição: Doença inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna vertebral de forma simétrica, podendo levar à rigidez e
limitação funcional progressiva do esqueleto axial. Caracteriza-se pela inflamação das articulações da coluna e grandes articulações
(quadris, ombros).
●​ Cura: Não tem cura, mas o tratamento precoce pode diminuir a inflamação e a dor.
●​ Prognóstico (Sem Tratamento): Pode levar à anquilose (fusão das articulações) com perda da movimentação.

Etiologia
●​ Fator Genético: Fortemente relacionada à presença do antígeno de histocompatibilidade HLA-B27.
●​ Idade de Início: Geralmente em adultos jovens, entre 20 e 40 anos.
●​ Prevalência: Mais comum em homens brancos.

Quadro Clínico (Sintomas)


●​ Dor Lombar:
○​ Início lento e insidioso (semanas).
○​ Melhora com movimentos e piora em repouso.
○​ Persiste por mais de 3 meses.
○​ Rigidez matinal prolongada.
●​ Progressão na Coluna:
○​ Redução da lordose lombar.
○​ Acentuação da cifose dorsal.
○​ Retificação ou redução da lordose cervical.
●​ Acometimento Articular Periférico:
○​ Oligoartrite: Predomina nas grandes articulações dos membros inferiores (tornozelos, joelhos, coxofemorais).
○​ Entesopatias: Inflamação de ligamentos e tendões nas inserções ósseas. Afeta preferencialmente a inserção do tendão
calcâneo (Aquiles) e a fáscia plantar.
●​ Dor Sacroilíaca:
○​ Dor na região glútea com irradiação para a face posterior da coxa e parte inferior da coluna.
○​ Frequentemente assimétrica (um lado mais doloroso que o outro).
●​ Manifestações Extra-Articulares:
○​ Uveíte Anterior Aguda ou Irite: Inflamação da íris.
■​ Caráter unilateral e recorrente.
■​ Raramente causa sequelas.
■​ Sintomas: hiperemia conjuntival e dor ocular.
○​ Sintomas Sistêmicos: Astenia (fraqueza), anorexia, perda de peso e anemia.
○​ Dor Torácica:
■​ Inflamação entre as costelas e a coluna vertebral.
■​ Piora com a inspiração profunda.
■​ Pode causar diminuição da expansibilidade torácica durante a respiração devido à dor

O diagnóstico requer a presença de:

●​ Um critério clínico E um critério radiográfico.

Critérios Clínicos:
●​ Dor lombar com mais de três meses de duração que melhora com o exercício e não alivia em repouso.
●​ Limitação da coluna lombar nos planos frontal e sagital.
●​ Expansibilidade torácica diminuída.

Critérios Radiográficos:
●​ Sacroiliíte bilateral, grau 2, 3 ou 4.
●​ Sacroiliíte unilateral, grau 3 ou 4

●​ Artrite reativa
Inflamatória, após exposição a determinadas infecções - geralmente gastrointestinais e geniturinárias.

Geralmente é assimétrica, com uma (ou mais) articulações acometidas. Pode aparecer entesites, bem como
dactilite (inchaço difuso de um dedo).

Pode ter alterações extra-articulares - oculares, disúria, lesões orais, descamação da pele.

Diagnóstico em geral é clínico pelo histórico de infecção recente (1-4 semanas). Paciente com diarreia ou quadro
urinário, ISTs anteriores ao quadro de artrite oligoarticular. Não se encontra o patógeno na punção do líquido
sinovial (ao contrário da artrite inflamatória).

●​ Artrite psoriática
Ocorre em 30% dos pacientes psoriáticos, com prevalência aumentada em pacientes com AIDS.
Pode envolver pequenas, médias e grandes articulações, tendendo a afetar interfalângicas distais. Tem diferentes
padrões: oligoartrite assimétrica, poliartrite simétrica e artrite mutilante.

Sintomas articulares e cutâneos podem melhorar ou piorar simultaneamente. Pode haver presença de dactilite e
entesopatias, bem como envolvimento axial.

Artrite Séptica: Desencadeada por bactérias.

Artrite Séptica não-gonocócica: Pode infectar a articulação de diversas formas, como hematogênica,
disseminação de infecção de pele e subcutâneo adjacente, óssea nos casos de osteomielite, iatrogênica e por
perda de integridade capsular em traumas.

QC: Monoartrite aguda, que acomete as grandes articulações, as mais frequentes são quadril e joelho, mas
pode também acometer punhos, ombro ou cotovelo. Consiste em uma dor moderada a intensa de natureza
uniforme ao redor da articulação, derrame, espasmo muscular e amplitude de movimento reduzida. Sinais de
comprometimento sistêmico, a exemplo de FEBRE (superior a 38ºC), astenia e queda do estado geral são
comuns, embora não sejam obrigatórios.

Diag: punção sinovial com líquido purulento


Artrite Séptica gonocócica: constituída por POLIARTRITE, TENOSSINOVITE e DERMATITE. Deve-se
levar em consideração a existência relativamente frequente de associação de artrite gonocócica e infecções
geniturinárias. Mais comum em mulheres.

QC: POLIARTRITE AGUDA MIGRATÓRIA, acometendo especialmente as GRANDES ARTICULAÇÕES PERIFÉRICAS–


descrito como “artrite bailarina”, por migrar de articulação em articulação e, ao final, fixar-se em uma delas. Ela
é assimétrica e acomete especialmente o joelho. Pode ter manifestações como febre e calafrios. Usualmente,
há a presença associada de tenossinovite, principalmente em mãos, punhos, tornozelos e joelhos, com edema
de partes moles e dor desproporcional aos achados de exame físico. As lesões cutâneas, muito características e
capazes de permitir o diagnóstico por si só, também se mostram frequentes. As pápulas eritematosas ou
pústulas com base necrótica.

Na maioria das vezes, a monoartropatia gonocócica se localiza na ARTICULAÇÃO DO JOELHO, produzindo


edema e derrame articular. Nessa forma de manifestação da artrite gonocócica, as lesões cutâneas
quase sempre se encontram ausentes e as hemoculturas são negativas. Pode ter Febre.

Gota
Obs: apenas 10% dos casos de hiperuricemia evoluem, eventualmente, para a doença em si. Por esse motivo, a
hiperuricemia isolada não é, usualmente, tratada.​

Gota Aguda
●​ Apresentação:
○​ Monoartrites agudas, geralmente assimétricas.
○​ Afeta principalmente as primeiras articulações metatarsofalangeanas (75-90% dos casos).
●​ Fatores Desencadeantes:
○​ Excesso alimentar (especialmente proteico).
○​ Ingestão excessiva de bebidas alcoólicas.
○​ Traumatismo articular local.
○​ Intervenções cirúrgicas.
○​ Doenças intercorrentes (ex: infarto agudo do miocárdio).
○​ Tratamentos diuréticos ou hipouricemiantes iniciados recentemente.
●​ Características da Crise:
○​ DOR ARTICULAR SÚBITA, INTENSA, LANCINANTE e de CARÁTER PULSÁTIL.
○​ Usualmente surge no PERÍODO DA NOITE.
○​ Pode ser acompanhada de alterações do estado geral e FEBRE.
○​ Exame físico: Revela SINAIS INFLAMATÓRIOS LOCAIS INTENSOS.
●​ Duração e Resolução:
○​ Sem tratamento, a crise dura cerca de uma a duas semanas.
○​ Geralmente há resolução completa após esse período.
○​ O período entre a primeira crise e a evolução para a forma crônica é de cerca de dez anos.
●​ Melhora:
○​ Perda de peso.
○​ Melhora na alimentação.
○​ Mudança no estilo de vida.

Estágio Crônico
●​ Apresentação:
○​ CRISES DE MONO ou POLIARTRITE AGUDAS FREQUENTES.
○​ Pode evoluir para POLIARTRITE CRÔNICA e SIMÉTRICA.
○​ Afeta PEQUENAS E GRANDES ARTICULAÇÕES de membros superiores, inferiores e, em alguns casos, o esqueleto axial.
●​ Complicações da Evolução:
○​ Deposição de urato de sódio no tecido subcutâneo (conhecido como TOFOS GOTOSOS).
○​ Deposição de urato de sódio no rim, podendo levar a:
■​ Litíase renal (cálculos renais).
■​ Insuficiência renal.
Diag: o padrão ouro da gota se mostra a visualização dos cristais. Esses achados são patognomônicos da gota.

Obs: O exame laboratorial pode mostrar ácido úrico elevado em pacientes sem gota, mas a medida normal de
ácido úrico não afasta o diagnóstico.

Lúpus eritematoso sistêmico (LES)​


fenômeno de Raynaud - (PCR - Palidez, cianose e rubor);​
Fenômeno de Raynaud: caracterizado por episódios reversíveis de vasoespasmos de extremidades, associado
à palidez, seguido por cianose e rubor de mãos e pés, que ocorrem, usualmente, após estresse ou exposição
ao frio. Aqui, deve-se suspeitar esclerose sistêmica progressiva, LES, polimiosite, dermatomiosite, vasculites;

Exames: análise do líquido sinovial, hemograma, velocidade de hemossedimentação, anticorpos antinucleares


(ANA), fatores reumatoides (FR), transaminases hepáticas, creatinina, uricemia e radiografias.​

A proteinúria, contudo, destaca-se como manifestação universal, acometendo praticamente 100% dos
pacientes no decorrer da doença. Apresenta úlcera nasais e orais;

Epidemio: Mulheres jovens em fase reprodutiva. Fatores contribuintes: genética, a participação hormonal, os
fatores ambientais (como luz UV), agentes infecciosos e algumas substâncias químicas.

QC: Surgimento entre os 20 a 30 anos. Na fase inicial, temos um acometimento do sistema osteoarticular e
cutâneo, com as lesões ao sistema renal e o sistema nervoso compondo formas mais graves do LES. Dentro os
achados mais comuns, temos, ASTENIA, ANOREXIA e PERDA INSIDIOSA DE PESO. A febre pode ocorrer em até
50% dos casos, pode ter quadros de linfonodomegalia acompanhados de febre. Pode ter úlceras orais e temos
também o fenômeno de Raynaud - (PCR - Palidez, cianose e rubor);

Manifestações musculoesqueléticas: Frequentes em fases inicias, podendo a artralgia e/ou artrite se manifestar
como queixa principal. O padrão articular predominante é a de POLIARTRITE SIMÉTRICA EPISÓDICA, de
CARÁTER MIGRATÓRIO ou ADITIVO, e quase sempre NÃO DEFORMANTE, sendo que acomete as GRANDES e
PEQUENAS ARTICULAÇÕES PERIFÉRICAS, como mãos, punhos, joelhos e pé.​





Artrite gonocóccica: 50% dos casos, jovens sem comorbidades com vida sexual ativa, febre, mal
estar e perda de peso. Agente Neisseria Gonorreia

○​ Poliartralgia migratória, evoluindo com mono- 32%- ou poliartrite- 10%, ela “pula até ficar localizada em uma articulação
○​ Ternossinovite: acometimento pericarticular
○​ Dermatite: pústula com base avermelhada com cultura positiva
○​ É necessário pedir um meio específico para neissera: hemoculturas raramente vem positivas
○​ Métodos moleculares no material afetado
○​ diplococcos gram negativos
○​ tratamento: ceftriaxona de 2 a 3 semanas
○​ Com febre, lesões cutâneas e artralgia migratória, em mãos, punhos, cotovelos, joelhos e tornozelos.

Osteoartrite
Características Gerais

●​ Sintomas sistêmicos (fadiga, febre, fraqueza): Raros.


●​ Rigidez: Geralmente com resolução em menos de 30 minutos (diferente da AR, que é mais prolongada).
●​ Dor: Predominantemente mecânica, insidiosa e de evolução lenta.
○​ Piora com o esforço e movimento ativo.
○​ Tende a aumentar com o tempo e pode se tornar persistente.
○​ Pouca dor em repouso.
●​ Fenômeno de gelificação: Piora da dor articular após um período de repouso.
●​ Evolução da dor: Com a progressão da doença, a dor se torna contínua e pode ocorrer durante a noite.
●​ Pode haver restrição de mobilidade, deformidade e, em alguns casos, bloqueio ou instabilidade articular.

Articulações Mais Afetadas

●​ Principalmente: Joelhos, quadris e mãos.


●​ Mãos:
○​ Afeta principalmente as interfalangeanas distais (IFD) e interfalangeanas proximais (IFP).
○​ Poupa as metacarpofalangeanas distais (MCFD) – importante para diferenciar da Artrite Reumatoide, que
poupa as IFD.
●​ Outras: Coluna vertebral (cervical, torácica e lombar), carpometacárpica do polegar.
●​ Tendência a ser assimétrica.

Fatores de Risco

●​ Mulheres.
●​ Idade avançada.
●​ Trauma articular prévio.
●​ Uso articular excessivo/repetitivo.
●​ Genética.
●​ Obesidade.
●​ Fatores metabólicos (colesterol alto, diabetes).
●​ Desalinhamentos musculoesqueléticos (escoliose, alterações de joelho).
Fisiopatologia

●​ Caracterizada por senescência prematura e apoptose dos condrócitos.


●​ A inflamação sinovial, quando presente, geralmente está próxima às áreas de cartilagem e osso danificados (diferente
da AR, onde a inflamação é mais difusa e primária).

Quadro Clínico (QC) - Típico

●​ Surge de forma progressiva.


●​ Artralgia (dor articular) de uma ou mais articulações.
●​ Acomete principalmente grandes articulações (coluna, quadril, joelho), seguidas pelas pequenas articulações das
mãos (IFD, IFP).
●​ Dor piora com movimentação ativa, especialmente após repouso.

Exame Físico (EF)

●​ Limitação da amplitude de movimento nas articulações afetadas.


●​ Crepitação articular (sensação de "rangido" ou "estalo").
●​ Geralmente sem eritema ou rubor significativo na articulação.
●​ Pode haver discreta tumefação (inchaço).
●​ Em casos de exacerbação inflamatória, pode haver aumento da dor e tumefação.

Consequência

●​ A junção desses sinais e sintomas resulta em PERDA DE FUNÇÃO ARTICULAR, levando à limitação das atividades
diárias devido à dor e rigidez.

Osteoartrite Atípica

●​ Surgimento: Em indivíduos jovens (menos de 45 anos).


●​ Instalação: Rápida.
●​ Articulações afetadas: Pouco frequentes, como ombro, cotovelo, punho ou tibiotársica.
●​ Causa: Quase sempre secundária a outra condição, como trauma, obesidade, inatividade, fatores genéticos ou
processos inflamatórios de outras doenças.

Nódulos de Bouchard: AR ou artrose, mas típico em artrose.




Artrite Reumatóide
articulações periféricas..

Epidemiologia

●​ Público-alvo: Predomina em mulheres entre 30 e 50 anos.


●​ Fatores de Risco:
○​ Genéticos: Forte componente genético.
○​ Ambientais:
■​ Fumo: Ativo e passivo.
■​ Poluentes: Sílica.
■​ Hormonais: Melhora clínica durante a gestação.
■​ Infecções.

Quadro Clínico (QC)

●​ Dor e inflamação articular:


○​ Acometimento simétrico de pequenas e grandes articulações periféricas.
○​ Maior comprometimento de mãos e pés.
○​ Início insidioso de poliartrite simétrica aditiva.
○​ Progressão típica:
1.​ Punhos, articulações metacarpofalangeanas (MCF) e interfalangeanas proximais (IFP) das mãos.
2.​ Metatarsofalangeanas (MTF) e IFP dos pés.
3.​ Posteriormente: Joelhos, cotovelos, ombros, articulação temporomandibular (ATM), coxofemorais e coluna
cervical.
●​ Rigidez matinal prolongada: Mais de 45 minutos.
●​ Manifestações sistêmicas adicionais: Febre, astenia, anorexia e perda de peso.

Manifestações Extra-Articulares

Podem indicar um pior prognóstico e incluem:

●​ Tenossinovite.
●​ Compressão nervosa periférica: Comumente síndrome do túnel do carpo.
●​ Nódulos subcutâneos.
●​ Xerostomia (boca seca).
●​ Xeroftalmia (olho seco).
●​ Fenômeno de Raynaud.
●​ Serosite.
●​ Fibrose pulmonar.
●​ Vasculite.
●​ Síndrome de Felty: Tríade de AR, neutropenia e esplenomegalia.
●​ Amiloidose.

Evolução e Deformidades

●​ A progressão sem tratamento adequado leva a:


○​ Desvios e deformidades articulares.
○​ Afrouxamento ou ruptura de tendões.
○​ Erosões articulares.
●​ A AR pode causar alterações em todas as estruturas das articulações.

Exame Físico (EF)

●​ Dor à compreensão das articulações acometidas.


●​ Inflamação articular.
●​ Deformidades características:
○​ Desvio ulnar dos dedos.
○​ Deformidades em “pescoço de cisne”.
○​ Deformidades em “botoeira”.
○​ Dedos em martelo.
●​ Aumento do volume: Punho e articulações metacarpofalangeanas com atrofia interóssea.
●​ Deslocamento dorsal das falanges proximais com exposição da cabeça dos metatarsos.
●​ Desvio medial dos joelhos.
●​ Desvio lateral do hálux.
●​ Acometimento da coluna cervical: Especialmente a subluxação atlanto-axial (deslocamento de C1 e C2), pode ocasionar quadros
mais graves.

laboratoriais básicos, pede-se hemograma completo, velocidade de hemossedimentação (VHS) ou proteína C


reativa (PCR) doseada, provas de função hepática (AST e ALT), creatinina, eletroforese sérica de proteínas, e o mais
importante deles os níveis de fator reumatoide (FR), um autoanticorpos.

Importantes do diagnóstico diferencial: FAN, hemograma (anemia normo normo e trombocitose-plaquetas


acima do normal), funções hepática, renal e ácido úrico, RX.
Uma pontuação maior ou igual a 6 classifica um paciente como portador de artrite reumatoide.

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