No aspecto material, o princípio tem suas origens na Magna Carta de 1215 ("Nenhum homem pode ser
preso ou privado de sua propriedade a não ser pelo julgamento de seus pares ou pela lei da terra").
Com o passar do tempo, a expressão "lei da terra" foi substituída por "due process of law" (devido
processo legal).
O significado era claro: uma salvaguarda contra os abusos do poder real, especialmente durante o
autoritarismo absolutista na Inglaterra.
Nesse contexto, surge o princípio da legalidade ou reserva legal, que estipula que até mesmo a vontade
do soberano deve se submeter ao império da lei. Nos termos atuais, o princípio da legalidade penal exige
que não haja crime sem prévia previsão legal.
No aspecto procedimental, o princípio engloba todas as garantias fundamentais que orientam a atuação
estatal na investigação da culpa criminal de qualquer pessoa.
Isso inclui, por exemplo, o direito à ampla defesa, ao contraditório, à presença de um juiz imparcial e
natural, à publicidade, entre outras garantias.
O devido processo legal é um superprincípio do Direito Processual Penal porque toda a persecução
penal, seja na fase investigatória ou na fase da ação penal, deve seguir os procedimentos e determinações
previstos em lei.
O devido processo legal nada mais é do que o respeito às garantias individuais do cidadão, daquela
pessoa que está sendo investigada, aquela pessoa que está respondendo por uma ação penal. Todos os
demais princípios do Direto Processual Penal decorrem do devido processo legal.
Página 50 – Manual Caseiro
(Direito Processual Penal I).
5. (Questão Adaptada – CESPE/CEBRASPE – 2024). O sistema inquisitivo é caracterizado pela
concentração de poder nas mãos do julgador, que exerce, também, a função de acusador.
Gabarito CERTO.
De fato, essa é a característica mais marcante do modelo inquisitorial, originado no Direito Canônico
(séc. XIII). Na busca pela verdade real, as funções de acusação, defesa e julgamento se concentravam
na figura do “juiz inquisidor”, dotado de ampla iniciativa probatória (gestor das provas), inclusive na
fase investigativa.
No sistema inquisitivo, não existe a obrigatoriedade de que haja uma acusação realizada por órgão
público ou pelo ofendido, sendo lícito ao juiz desencadear o processo criminal ex officio. Nesta mesma
linha, faculta-se ao magistrado substituir-se às partes e, no lugar destas, determinar, também por sua
conta, a produção das provas que reputar necessárias para elucidar o fato. O acusado, praticamente, não
possui garantias no decorrer do processo criminal (ampla defesa, contraditório, devido processo legal
etc.), o que dá margem a excessos processuais. Exatamente por isso, em regra, o processo não é público,
sendo caráter sigiloso atribuído pelo juiz por meio de ato discricionário seu e à margem de
fundamentação adequada.
Diante disto, contemplamos que no sistema inquisitório existe uma concentração de poderes na mão
do juiz. Todas as funções encontram-se concentrada nas mãos de uma única pessoa, in casu, é a
“pessoa” do juiz. O lado maléfico do sistema inquisitório é o eventual abuso de poder (crítica), além da
prejudicialidade da imparcialidade do magistrado, o qual, simultaneamente exerce todas as funções
(acusa, defende e julga). É característica também do sistema inquisitório a inexistência de
contraditório. A gestão da prova será feita pelo juiz, podendo fazê-lo tanto na fase inquisitorial quanto
na fase do processo.
Página 37 – Manual Caseiro
7 [Link]
(Direito Processual Penal I).
6. (Questão adaptada – CESPE/CEBRASPE – 2024). No sistema inquisitivo, a confissão do réu é
considerada a rainha das provas.
Gabarito CERTO.
A confissão assumiu total protagonismo no sistema inquisitorial, a ponto de justificar a tortura para
sua obtenção. Tamanha era a força da confissão no passado do sistema processual penal, que coube à
Exposição de Motivos do Código de Processo Penal de 1941 consignar que:
VII. (...) A própria confissão do acusado não constitui, fatalmente, prova plena de sua culpabilidade.
Todas as provas são relativas; nenhuma delas terá, ex vi legis, valor decisivo, ou necessariamente maior
prestígio que outra. Se é certo que o juiz fica adstrito às provas constantes dos autos, não é menos certo
que não fica subordinado a nenhum critério apriorístico no apurar, através delas, a verdade material.
Em síntese, podemos apontar como características do sistema inquisidor:
• A função de acusar, defender e julgar encontram-se concentrados em uma única pessoa, que assume
assim as vestes de um juiz acusador (concentração de poderes);
• Juiz inquisidor parcial;
• Não observância do contraditório e da ampla defesa;
• Sigiloso (inexistência de publicidade dos atos processuais);
• O julgador é dotado de ampla iniciativa probatória;
• O acusado era considerado mero objeto da demanda processual;
• A confissão é considerada a rainha das provas (sistema tarifado das provas).
Página 37 – Manual Caseiro
(Direito Processual Penal I).
7. (Questão adaptada – CESPE/CEBRASPE – 2024). O sistema inquisitivo privilegia os debates orais,
com procedimentos escritos formalizados.
Gabarito ERRADO.
Ao contrário do afirmado, o sistema inquisitivo era, em regra, escrito e sigiloso.
A oralidade é marca do sistema acusatório.
Em síntese, podemos apontar como características do sistema inquisidor:
• A função de acusar, defender e julgar encontram-se concentrados em uma única pessoa, que assume
assim as vestes de um juiz acusador (concentração de poderes);
• Juiz inquisidor parcial;
• Não observância do contraditório e da ampla defesa;
• Sigiloso (inexistência de publicidade dos atos processuais);
• O julgador é dotado de ampla iniciativa probatória;
• O acusado era considerado mero objeto da demanda processual;
• A confissão é considerada a rainha das provas (sistema tarifado das provas).
Página 37 – Manual Caseiro
(Direito Processual Penal I).
8. (Questão adaptada – CESPE/CEBRASPE – 2024). No sistema inquisitivo, o procedimento é público,
pautado pelo princípio do contraditório, e a defesa do réu é atuante.
8 [Link]
Gabarito ERRADO.
O modelo inquisitivo é sigiloso, com absoluta ausência de contraditório.
É de se registrar que nesse modelo o acusado era mero objeto do processo.
A característica de sujeito de direitos, atuante, é marca do sistema acusatório.
Página 43 – Manual Caseiro
(Direito Processual Penal I).
9. (Questão adaptada – CESPE/CEBRASPE – 2024). No sistema misto, o processo se divide em duas
grandes fases: na fase de instrução preliminar, com elementos do sistema acusatório, predomina o
procedimento público, escrito e sujeito ao contraditório, enquanto, na fase de julgamento, com a
predominância do sistema inquisitivo, a oralidade, o sigilo e a intervenção de juízes togados conduzem
a valoração das provas.
Gabarito ERRADO.
Contrariamente ao que foi afirmado, no sistema misto, a fase preliminar apresenta características do
sistema inquisitivo, com predominância de um procedimento sigiloso, escrito e unilateral, onde
não há contraditório. Por outro lado, na segunda fase, que é a de julgamento, observa-se a
predominância do sistema acusatório, com a publicidade dos atos. É crucial ressaltar que não há
participação de juízes togados na avaliação das provas.
Durante o julgamento, o órgão julgador deve manter-se imparcial em relação às partes, assumindo
o papel de garantidor das regras do processo. A noção de "condutor da valoração das provas"
assemelha-se mais a um "gestor de provas", isto é, ao tradicional "juiz inquisidor", dotado de ampla
iniciativa probatória.
O mestre e prof. Norberto Avena define o SISTEMA PROCESSUAL MISTO como um modelo
processual intermediário entre o sistema acusatório e o sistema inquisitivo. Isso porque, ao mesmo tempo
em que há a observância de garantias constitucionais, como a presunção de inocência, a ampla defesa
e o contraditório, mantém ele alguns resquícios do sistema inquisitivo, a exemplo da faculdade que
9 [Link]
assiste ao juiz quanto à produção probatória ex officio e das restrições à publicidade do processo que
podem ser impostas em determinadas hipóteses. No sistema misto, há duas fases distintas – uma
primeira fase inquisitorial, destinada a investigação preliminar, e em seguida, teria uma segunda fase,
essa última de viés mais de sistema acusatório. Possui uma primeira fase inquisitorial, com investigação
preliminar e instrução conduzidas por um juiz, seguida de uma fase acusatória que consiste na
separação entre acusação, defesa e juiz.
Página 40 – Manual Caseiro
(Direito Processual Penal I).
10. (Questão adaptada – CESPE/CEBRASPE – 2024). Entre outras atribuições estabelecidas no Código de
Processo Penal (CPP), compete ao juiz das garantias ser informado sobre a instauração de qualquer
investigação criminal.
Gabarito CERTO.
De fato, a assertiva traz disposição expressa no inciso IV do artigo 3º-B do Código de Processo Penal, a
saber:
Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da investigação criminal e pela
salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia tenha sido reservada à autorização prévia do Poder
Judiciário, competindo-lhe especialmente:
(...)
IV - ser informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal;
11. (Questão adaptada – CESPE/CEBRASPE – 2023). O princípio norteador do processo penal abordado,
precipuamente, pelo brocardo audiatur et altera pars diz respeito ao princípio do contraditório.
Gabarito CERTO.
O brocardo "audiatur et altera pars" pode ser traduzido literalmente como "que a outra parte
seja também ouvida".
Assim, o princípio orientador do processo penal em questão é o do contraditório, que pode ser
resumido como garantindo a participação efetiva das partes em todas as fases do processo, permitindo
que cada uma delas se manifeste após cada ato da parte contrária.
Para fins didáticos, é importante destacar que em várias petições judiciais os litigantes solicitam medidas
liminares "inaudita altera pars", ou seja, sem que a parte contrária seja ouvida previamente para se
manifestar.
O princípio do contraditório trata-se do direito assegurado às partes de serem cientificadas de
todos os atos e fatos havidos no curso do processo, podendo manifestar-se e produzir as provas
necessárias antes de ser proferida a decisão jurisdicional.
Nesse sentido, a CF/ 88 em seu art. 5º afirma que: “aos litigantes, em processo judicial ou
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os
meios e recursos a ela inerentes”. Observe que a Constituição silencia quanto aos procedimentos que
não sejam processo judicial e administrativo, não abrangendo, portanto, o inquérito.
O contraditório compreende o direito à informação e a participação, ou seja, o réu precisa ser
informado de tudo que acontece e é produzido contra ele, bem como terá o direito de participar com
paridade de armas, igualdade entre acusação e defesa.
Página 59/60 – Manual Caseiro
(Direito Processual Penal I).
12. (Questão adaptada – FGV – 2023). O sistema acusatório se caracteriza pela separação entre as funções
de acusador e julgador, podendo haver, acidentalmente, a proibição de produção de provas de ofício pelo
magistrado.
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