Saúde do trabalhador
Burn out
Riscos Psicossociais
NR1
NEXO CAUSAL saúde e adoecimento no trabalho
“Para o psicólogo e professor adjunto da Universidade Federal Fluminense (UFF), Bruno Chapadeiro Ribeiro,
não interessa mais saber se o transtorno foi desencadeado no trabalho ou fora dele, e sim, qual foi o grau de
participação do trabalho no desencadeamento ou no agravamento de uma condição pré-existente. “Por
exemplo, eu poderia ter sido diagnosticado com uma depressão anterior ao trabalho que eu estou, mas eu
poderia estar medicado, passando por psicoterapia, e aí eu entro em um trabalho que desestabiliza tudo isso. Ou
seja, mesmo que fosse uma condição latente, ele agravou uma condição pré-existente. Ou o trabalho também
pode vir a desencadear esta condição, mesmo sem eu nunca ter tido uma depressão ou burnout”, comenta.”
Fonte: Alertas Globais chamam atenção para o papel do trabalho na saúde mental
EPSJV/ Fiocruz
BURN OUT
A síndrome de burnout ( síndrome do esgotamento profissional) é descrita
no site do Ministério da Saúde como um distúrbio emocional com sintomas
de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações
de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou
responsabilidade;
Em 2022, passou a ser reconhecido como doença ocupacional pela OMS
Burn Out: Sintomas
1) Sintomas físicos: apresentado na forma de fadiga constante e
progressiva; sensação de falta de energia; dores musculares; distúrbio do
sono; náuseas...
2) Sintomas psíquicos: falta de atenção e concentração; alterações de
memória; sentimento de solidão; labilidade emocional; baixa
autoestima...
3) Sintomas comportamentais: negligência ou escrúpulo excessivo;
incapacidade de relaxar; perda de iniciativa; aumento de consumo de
bebidas alcóolicas, tranquilizantes, drogas...
FASES PREVENÇÃO E TRATAMENTO
Na prevenção primária , o objetivo é reduzir os fatores de risco de Burn out.
Deve-se assim mudar a natureza do estressor antes que ele afete
profundamente o indivíduo
Na prevenção secundária, o indivíduo já tem a percepção do estresse,
mesmo sem apresentar os sintomas.
Na prevenção terciária, os sintomas já produzem a perda do bem estar e da
saúde. Início do tratamento
RISCOS PSICOSSOCIAIS NO TRABALHO
“Os riscos psicossociais no trabalho podem ser definidos como fatores relacionados à
organização do trabalho, às relações interpessoais e ao ambiente de trabalho que têm o
potencial de afetar negativamente a saúde mental, emocional e física dos
trabalhadores”
RISCOS PSICOSSOCIAIS NO TRABALHO
“A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera que os riscos psicossociais
são provenientes de:
Problemas na organização do trabalho: carga de trabalho exagerada, falta de
autonomia, cobrança excessiva, trabalho precário, insegurança no emprego, entre
outros;
Fatores psicodinâmicos: conflitos com colegas de trabalho, assédio moral e o
assédio sexual, a discriminação, falta de reconhecimento, entre outros;
Condições ambientais inadequadas: ruído excessivo, iluminação inadequada,
problemas na ergonomia, calor extremo, entre outros.
/
Consequências
Síndrome de Burn out
Estresse Crônico:
Síndrome do pânico:
Transtorno de estresse pós traumático:
Transtorno de ansiedade generalizada:
Depressão:
Doenças psicofisiológicas: hipertensão, psoríase, úlceras.
Min trabalho
[Link]
vembro/empresas-brasileiras-terao-que-avaliar-riscos-psicossociais-a-partir
-de-2025.
RISCOS PSICOSSOCIAIS na NR1
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) é a base das normas de Segurança e Saúde
no Trabalho (SST) no Brasil.
Inicialmente reunia diretrizes para identificar, avaliar e controlar riscos
ocupacionais
Em sua versão atualizada ( 2024) inclui os riscos psicossociais, ou seja, indica a sua
inclusão no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)
As empresas passam assim a terem a obrigação de adotarem medidas preventivas
para também proteger a saúde mental dos trabalhadores
RISCOS PSICOSSOCIAIS na NR1
Assim além de identificar, avaliar e gerenciar os riscos decorrentes de agentes
físicos, químicos, biológicos, acidentes, as empresas deverão fazê-lo com os riscos
psicossociais relacionados ao trabalho.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta os seguintes riscos
psicossociais: sobrecarga horária, sobrecarga de trabalho mental e físico,
monotonia, falta de apoio e ajuda, burnout, assédio sexual, moral e violência,
insegurança no emprego, stress (individual e no trabalho).
NR1- Novo texto
“O gerenciamento de riscos ocupacionais deve abranger os riscos que decorrem dos agentes
físicos, químicos, biológicos, riscos de acidentes e riscos relacionados aos fatores
ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho”.
A organização deve considerar as condições de trabalho, nos termos da NR17, incluindo os
fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.”
Ex de fatores de risco relacionados ao trabalho
Fonte: [Link]
NR1: GRO e PGR
A NR-1 estabelece as diretrizes gerais para o
Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o
Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), :
NR1: GRO e PGR
Gerenciamento de Riscos Ocupacionais – GRO é o conjunto de ações
coordenadas de prevenção que têm por objetivo garantir aos trabalhadores
condições e ambientes de trabalho seguros e saudáveis.
O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) é a materialização do processo
de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (documental ou eletrônico), que tem
por objetivo:
Fonte: [Link]
Avaliação dos riscos Psicossociais
As NR não definem um profissional específico para essa tarefa. A responsabilidade pelo
GRO/PGR e por todas as suas etapas é da organização. Ela deve definir os responsáveis por
esse processo e selecionar os profissionais com o conhecimento técnico adequado.
A avaliação psicossocial pode fazer parte do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR),
atuando como uma ferramenta estratégica para a identificação, prevenção e gestão de riscos
psicossociais no ambiente de trabalho.
A avaliação psicossocial pode fornecer dados detalhados sobre os fatores que podem
comprometer a saúde mental dos trabalhadores, como carga de trabalho, relações
interpessoais, clima organizacional...
Avaliação dos riscos Psicossociais
o principal objetivo é identificar elementos presentes no ambiente de trabalho que possuem o
potencial de gerar adoecimento mental nos trabalhadores
Se concentra na interação entre o trabalho/ambiente e os indivíduos, buscando mapear condições
laborais específicas que podem ser prejudiciais, como.
• Alta demanda emocional;
• Pressão excessiva;
• Falta de suporte organizacional;
• Metas irreais;
• Carga horária extensa;
• Liderança com comunicação inadequada.
Avaliação dos riscos Psicossociais
A avaliação pode fornecer dados qualitativos e quantitativos que alimentam o
inventário de riscos do PGR.
Os resultados da Avaliação Psicossocial fornecem informações valiosas para o RH
e o SESMT (Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina
do Trabalho) na tomada de decisões relacionadas à gestão de pessoal e à saúde
ocupacional.
Fonte: [Link]
Avaliação dos riscos Psicossociais
Seu foco reside em identificar os riscos presentes no ambiente laboral, com o objetivo de
recomendar intervenções e melhorias nesse ambiente.
É essencialmente um diagnóstico do trabalho, e não primariamente do indivíduo
A experiência em ergonomia é importante para o profissional que realiza essa avaliação
A responsabilidade pela realização da avaliação psicossocial recai, principalmente, sobre
psicólogos devidamente habilitados e registrados no Conselho Regional de Psicologia (CRP)
Conselho Psicologia
[Link]
[Link]
ssociais-no-trabalho/
Ferramentas de Avaliação
O Ministério do Trabalho e Emprego não sugere nenhuma metodologia específica. Fica a
critério da organização definir junto com os profissionais da segurança e trabalho
A organização necessita no entanto criar um ambiente de confiança, para que se possa
realmente dialogar com o trabalhador e trazer as questões reais que estão afetando a atividade
de trabalho.
Se for utilizado algum tipo de questionário, por exemplo, para toda empresa ou para um
determinado setor ou atividade, é muito importante manter o anonimato, dando essa garantia
para o trabalhador.
Ferramentas de Avaliação
A ferramenta deve ter o objetivo de identificar e avaliar os fatores adoecedores, ou seja,
aqueles fatores de risco (perigos) que estão presentes nas condições de trabalho daquele
trabalhador para que se possa adotar medidas de prevenção.
a ferramenta específica deve ser adequada às condições gerais da organização, como por
exemplo a dimensão da empresa. Se for uma empresa de grande porte, com centenas ou
milhares de empregados, provavelmente é mais adequado um questionário que possa abranger
todos os trabalhadores.
Já para uma empresa pequena, com poucos trabalhadores, pode ser avaliada a estratégia de
trabalhar com uma oficina (workshop) ou com a observação da atividade de trabalho
Ferramentas de Avaliação
Existem diversos instrumentos e técnicas que podem ser utilizados na avaliação psicossocial,
cada um com suas vantagens e limitações. A escolha dos instrumentos adequados dependerá
dos objetivos da avaliação e do público-alvo.
1) Questionário: Permitem coletar dados quantitativos sobre diversos aspectos psicossociais,
como estresse, satisfação no trabalho e clima organizacional.
2) Entrevistas: Permitem coletar dados quantitativos sobre diversos aspectos psicossociais,
como estresse, satisfação no trabalho e clima organizacional.
3) Observação: Permite analisar o ambiente de trabalho e as interações entre os trabalhadores,
identificando possíveis fatores de risco psicossocial.
Ferramentas de Avaliação
4) Grupos focais: Permitem discutir temas específicos com grupos de trabalhadores, obtendo
diferentes perspectivas e insights.
5) Técnicas Quantitativas:
ex:
Inventário de Trabalho e Riscos de Adoecimento (ITRA).;
Questionário SWS ( fatores psicossociais de risco, saúde mental, estresse social, Apoio social,
Estresse no trabalho, Apoio no trabalho; Estresse pessoal; apoio social)
Modelo Demanda e Controle : características psicossociais que funcionam como preditores ao
risco de adoecimento
Ferramentas de Avaliação
Ferramentas de Avaliação: Demanda e Controle
Alta exigência: quando há alta demanda psicológica e baixo controle, maior exposição de
riscos à saúde física e mental ( ex: trabalhadores que estão submetidos a forte pressão de
prazo para entrega sob ameaça de demissão, ou quando o ritmo do trabalho é impresso por
máquinas , onde trabalhador é obrigado à segui-las, como montadores, cortadores)
Trabalho ativo: remete a alta demanda (mas não excessiva) e alto controle, apresenta
probabilidade de melhor saúde psíquica, pois apesar das exigências do trabalho serem
elevadas, há um alto controle sobre as tarefas ( advogados, juízes, médicos, enfermeiros.)
Ferramentas de Avaliação: Demanda e Controle
3) Baixa exigência: ocorre quando a demanda é baixa e o controle é elevado, assim o ritmo de
trabalho é impresso pelo próprio trabalhador. (trabalhadores que tem a possibilidade de
marcar seu próprio ritmo de trabalho.
4) Trabalho passivo: apresenta baixa demanda e baixo controle; pode gerar problemas nocivos à
saúde à medida que produz um contexto de trabalho pouco motivador. pois gera declínio da
aprendizagem
4
OBSERVAÇÕES
A NR-01 prevê algumas exceções à elaboração do PGR, obedecidas as condições abaixo:
1.8.1 O Microempreendedor Individual - MEI está dispensado de elaborar o PGR.
1.8.4 As microempresas e empresas de pequeno porte, graus de risco 1 e 2, que no
levantamento preliminar de perigos não identificarem exposições ocupacionais a agentes
físicos, químicos e biológicos, em conformidade com a NR9, e declararem as informações
digitais na forma do subitem 1.6.1, ficam dispensadas da elaboração do PGR.
FONTE DOS SLIDES
[Link]
JACINTO, Aline; DA ROSA TOLFO, Suzana. Riscos psicossociais no trabalho:
conceitos, variáveis e instrumentos de pesquisa. Perspectivas em Psicologia, v.
21, n. 1, 2017.