PAPÉIS COLADOS
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universitária, novo embate com o meio jornalístico em fins dos
anos 60. Dificultado o acesso à imprensa, a pesquisa universitária
se vê restrita praticamente à população acadêmica mesmo. E,
neste voltar-se sobre si mesma, sobre os próprios pressupostos,
abre-se o caminho para o surgimento deste terceiro personagem:
o crítico-teórico, que tem em Costa Lima (e sua teoria da ficção)
e Haroldo de Campos (e sua teoria da tradução e os estudos sobre
poética sincrônica) dois bons exemplos. A que se poderia
acrescentar a reflexão de Schwarz sobre a crítica dialética, que
percorre, de modo indireto, Ao vencedor, as batatas, e, de modo
direto, "Pressupostos, salvo engano, da 'Dialética da
malandragem"".
Terceiro personagem que, ao se voltar sobre a própria
linguagem, se desdobra de novo. Agora num quase duplo, em
guarda diante de 'aplicações' de métodos e do arremedo de
cientificidade das teses-tratados: o ensaísta. Porque mesmo nesses
'anos universitários', muitos críticos-'especialistas' buscaram textos
de intervenção mais imediata na vida cultural (cf. Opinião, Cadernos
de Opinião, Almanaque, Argumento) e jamais abandonaram uma
dicção ensaística. Exemplos? De dentro da universidade: Antonio
Candido, Walnice Nogueira Galvão, Silviano Santiago, Heloisa
Buarque de Hollanda, João Alexandre Barbosa, Davi Arrigucci Jr.
De fora: intelectuais como José Paulo Paes, José Guilherme
Merquior, Sebastião Uchoa Leite, Augusto de Campos.
O crítico-teórico se defrontaria, como se disse, com
representantes tardios do impressionismo crítico. O pretexto: o
estruturalismo. A questão, mais uma vez, descobrir quem tem
autoridade para falar de literatura. Mas, se no período em que
se afirma a crítica universitária a disputa já se mostrara aguerrida,
no caso da teoria a luta parece ainda maior. Ser um 'especialista'
em literatura soa agradável, teorizar sobre ela e sobre os meios
de abordá-la parece quase condenável num país em que há quem
se vanglorie por não se ter tradição filosófica mais sólida. Não
é à toa que, em meio a seus oponentes, o teórico encontre vez
por outra críticos universitários também. Para muitos o que
importa é uma atualização acelerada. Os pontos mortos, os
vaivéns obrigatórios da reflexão teórica parecem, senão temſveis,
ao menos incompreensíveis.