0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações11 páginas

Bem-Estar Psicológico em Idosos

A dissertação investiga as percepções de bem-estar psicológico em idosos com envelhecimento normal, utilizando entrevistas semiestruturadas com 10 participantes. Os resultados indicam que saúde, crescimento pessoal, aceitação de si e relações positivas são fundamentais para o bem-estar, enquanto estereótipos negativos associados à idade representam um obstáculo. O estudo enfatiza a necessidade de desmistificar esses estereótipos e promover uma ética de cuidado para os idosos.

Enviado por

lurdes costa
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações11 páginas

Bem-Estar Psicológico em Idosos

A dissertação investiga as percepções de bem-estar psicológico em idosos com envelhecimento normal, utilizando entrevistas semiestruturadas com 10 participantes. Os resultados indicam que saúde, crescimento pessoal, aceitação de si e relações positivas são fundamentais para o bem-estar, enquanto estereótipos negativos associados à idade representam um obstáculo. O estudo enfatiza a necessidade de desmistificar esses estereótipos e promover uma ética de cuidado para os idosos.

Enviado por

lurdes costa
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

O CONCEITO DE BEM-ESTAR

PSICOLÓGICO EM IDOSOS COM


ENVELHECIMENTO NORMAL
W
IE
EV

Dissertação apresentada à Universidade Católica Portuguesa


para obtenção do grau de mestre em Psicologia
PR

- Especialização em Psicologia Clínica e da Saúde -

Ana Filipa Fazenda Pinto da Costa

Porto, julho de 2018


O CONCEITO DE BEM-ESTAR
PSICOLÓGICO EM IDOSOS COM
ENVELHECIMENTO NORMAL
W
IE
EV

Dissertação apresentada à Universidade Católica Portuguesa


para obtenção do grau de mestre em Psicologia
PR

- Especialização em Psicologia Clínica e da Saúde -

Ana Filipa Fazenda Pinto da Costa

Trabalho efetuado sob a orientação de

Professor Doutor António Fonseca

Porto, julho de 2018


W
IE
EV
PR

Ao meu avô, in memoriam.


Agradecimentos

Ao meu orientador, Professor Doutor António Manuel Fonseca, pela partilha de


conhecimento, apoio, orientação e confiança que depositou em mim.

À Universidade Católica Portuguesa, à Faculdade de Educação e Psicologia e a todos


os professores que me tanto me ensinaram e me permitiram testar limites e ganhar novas
potencialidades.

Aos meus colegas de curso pela ajuda ao longo destes 5 anos.

Aos meus amigos, em geral, pela amizade e pela partilha de experiências e coleção de
memórias que levarei comigo.

W
Aos meus amigos mais novos, as minhas afilhadas de praxe e todos aqueles que
IE
conquistaram a minha amizade e me deram a oportunidade de os conhecer, o meu
agradecimento especial.
EV

À Joana, a minha madrinha de praxe, que mesmo longe sempre se fez sentir perto. Por
me ter defendido contra o mundo, por ter acreditado em mim e por me ter feito ser melhor.
PR

Para ti: Ok madrinha, adoro-te.

Aos meus melhores amigos, a Bárbara, a Catarina, a Inês, a Maria, a Sofia, a Carla, a
Marta e o Tiago, por tudo. Pela família que se tornaram para mim e pelo companheirismo que
sempre mostraram.

Aos meus pais e padrinhos, obrigada.

À minha família, em geral, pelas palavras encorajadoras e pelo carinho. Por terem
sempre acreditado em mim.

À minha avó em especial, por ser a minha maior força e por fazer sentir toda a sua
presença, mesmo quando não está perto.
À minha Mãe, por ser Amiga também. Por ser a paciência quando o desespero grita
mais alto, por ser o aconchego quando o abrigo é necessário, por ser a alegria quando as dores
de barriga se proporcionam. Obrigada Mãe, por teres sido tu a impulsionadora do meu
percurso e por teres sido que tu, que acima de tudo me educou, me deu os maiores e melhores
valores que me permitiram chegar ao fim desta etapa. Obrigada do fundo do meu coração.

À Inesis, por ter sido a pessoa que mais vezes se repetiu até que eu interiorizasse que
era capaz e por nunca ter desistido de mim. Obrigada por teres sido a minha melhor amiga, tu
sabes.

W
IE
EV
PR
Resumo
O presente projeto apresenta como objetivo geral a compreensão das perceções de bem-
estar em pessoas idosas que apresentam um envelhecimento normal. Relativamente ao
procedimento de recolha de dados, foram realizadas 10 entrevistas, contanto com 7
participantes do sexo feminino e 3 do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 68
e os 80 anos. O guião de entrevista semiestruturado foi o instrumento utilizado, constituído por
14 questões, adaptado ao modelo de Carol Ryff, possibilitando explorar seis dimensões:
autonomia, domínio do meio, crescimento pessoal, relações positivas com os outros, objetivos
na vida e aceitação de si mesmo. Como principais conclusões, verificou-se que a saúde, o
domínio do crescimento pessoal, a aceitação de si e as relações positivas com os outros parecem
contribuir para uma maior perceção de bem-estar psicológico. Contudo, o fator idade associado
aos estereótipos negativos revela-se o maior obstáculo neste processo. Numa lógica de
implicações para a prática, seria fundamental contribuir para a definição de uma ética do

W
cuidado com pessoas mais velhas, desmistificando estereótipos negativos dos próprios e da
sociedade.
IE
EV
PR

Palavras-Chave: Envelhecimento, Idosos, Bem-Estar Psicológico.


Abstract
The present project presents as general objective the understanding of well-being
perceptions in older people who present a normal aging. Regarding the data collection
procedure, 10 interviews were carried out, with 7 female participants and 3 male participants,
ranging in age from 68 to 80 years. The semi-structured interview guide was the instrument
used, consisting of 14 questions, adapted to the model of Carol Ryff, allowing to explore six
dimensions: autonomy, mastery of the environment, personal growth, positive relationships
with others, goals in life and acceptance of oneself. As main conclusions, it was verified that
health, the domain of personal growth, self-acceptance and positive relationships with others
seem to contribute to a greater perception of psychological well-being. However, the age factor
associated with negative stereotypes is the biggest obstacle in this process. In a logic of
implications for practice, it would be fundamental to contribute to the definition of an ethic of

W
caring for older people, demystifying negative stereotypes of oneself and of society.
IE
EV
PR

Keywords: Aging, Older People, Psychological Well-Being.


Índice
Introdução ................................................................................................................................. 1

1. O conceito de envelhecimento ......................................................................................... 2

2. Vivências positivas e negativas face ao envelhecimento ............................................... 3

3. Distintos modos de envelhecer ........................................................................................ 4

3.1. Envelhecimento normal ......................................................................................... 5

3.2. Bem-estar psicológico ............................................................................................ 6

4. Metodologia....................................................................................................................... 8

4.1. Objetivos ................................................................................................................. 9

4.2. Participantes ......................................................................................................... 10

W
4.3. Instrumentos ......................................................................................................... 11

4.4. Procedimento ........................................................................................................ 11


IE
4.4.1. Procedimentos de recolha de dados ................................................................ 11

4.4.2. Procedimentos de análise de dados ................................................................. 12


EV

5. Apresentação e Discussão dos Resultados .................................................................... 15

6. Conclusão ........................................................................................................................ 22
PR

Referências Bibliográficas ..................................................................................................... 24


Introdução
Atualmente, o envelhecimento da população representa um dos fenómenos demográficos
mais vincados das sociedades modernas. Portugal encontra-se a enfrentar uma realidade comum
à dos países europeus: baixas taxas de natalidade e de mortalidade, havendo por outro lado um
aumento significativo do peso dos idosos na totalidade da população do país. Claramente, esta
problemática tem proporcionado reflexos de âmbito social e económico, com impacto no
desenho de políticas socias. É assim possível defini-lo como um fenómeno demográfico, social,
cultural e político.
A pertinência de estudar este grupo foca-se essencialmente na visão e no impacto que este
fenómeno tem atualmente em Portugal. Estima-se que, em 2025, Portugal seja um dos países
com 30% ou mais da população com 60 ou mais anos. Para além disto, prevê-se que em 2050,
Portugal seja um dos países da União Europeia com maior percentagem de idosos e menor
percentagem de população ativa. Desde o ano de 2000 que o número de idosos ultrapassou o

W
número de jovens, tendo o índice de envelhecimento seguido uma tendência crescente. A
PORDATA (2010) indica-nos que, por cada 100 jovens que existiam em 2015, existiam 143 de
IE
idosos, ou seja, o índice de envelhecimento (relação existente entre o número de idosos -
população com 65 ou mais anos - e o número de jovens - população com 0-14 anos) da
EV

população portuguesa é atualmente de 143%. Fazendo um termo de comparação com anos


anteriores, em 1961 por cada 100 jovens existiam 27 idosos, verificando-se desta forma um
extraordinário aumento de população idosa e a consequente necessidade de explorar este tema.
PR

A apropriação deste tema prende-se com a necessidade de haver uma mudança de


paradigma e a visão do envelhecimento como um processo, bem como promover uma visão
mais positiva do envelhecimento, uma vez que atualmente sabe-se que é possível envelhecer de
forma ativa, independente, autónoma, saudável, com qualidade de vida e participativa na
sociedade e na comunidade. Todavia, Fonseca (2006) salienta a preocupação quanto à
possibilidade de as próprias pessoas idosas internalizarem crenças de idadismo e tais crenças
se refletirem na postura que as mesmas apresentam perante a vida, tendo assim implicações na
forma como se comportam.
Face a esta nova realidade, é fundamental uma abordagem desenvolvimental do
envelhecimento, encarando-o tanto como uma questão de natureza pessoal, subjetiva -
procurando responder a questões como “o que significa envelhecer” ou “quando é que
envelhecemos” -, como uma questão de natureza social – realçando “quais as consequências do
envelhecimento” e “quais as formas de cuidar” mais relevantes para fazer face aos desafios
levantados por esta nova realidade.

1
Esta dissertação pretende compreender as perceções do bem-estar psicológico, em função
da idade, em pessoas idosas que apresentam um envelhecimento normal. Para tal, este trabalho
é estruturado em três partes. A primeira parte consiste num enquadramento teórico do tema em
estudo, abordando quatro temas centrais, o conceito de envelhecimento, as vivências positivas
e negativas face ao envelhecimento, os distintos modos de envelhecer, realçando o
envelhecimento normal e o bem-estar psicológico. A segunda parte incide sobre o processo
metodológico utilizado neste estudo. A terceira parte é dedicada à análise dos dados recolhidos
e à discussão dos mesmos.

1. O conceito de envelhecimento
O envelhecimento demográfico tornou-se a característica dominante das populações das
sociedades modernas, onde a velhice adquiriu uma visibilidade nunca antes conhecida

W
(Fernandes, 2008, cit. in Espinheira, 2015).
De forma a compreendermos de que forma o conceito de bem-estar psicológico está
IE
associado ao envelhecimento normal, há uma primeira preocupação em aprofundar os
conhecimentos sobre o fenómeno do envelhecimento e quais são os factos e acontecimentos
que protagonizam o envelhecimento.
EV

O envelhecimento é um processo muito diferenciado de pessoa para pessoa, uma vez que é uma
fase da vida que é influenciada por diferentes modos de experimentação das vivências (Fonseca
e Paúl, 2008). As vivências resultam em transformações em diferentes dimensões do indivíduo
PR

que dependem das trajetórias desenvolvimentais percorridas ao longo da idade adulta e da


adaptação às consequências que o avanço da idade traz consigo. Assim, pode definir-se o
envelhecimento como um período do ciclo de vida em que as características pessoais
(biológicas, psicológicas e sociais) mudam de uma forma relacionada entre si, orientando-se
para a construção de uma imagem de si mesmo como idoso, imagem esta que se diferencia
daquela que era feita enquanto adulto. O processo de envelhecimento envolve três
componentes: o envelhecimento biológico, associado a perdas progressivas das capacidades
funcionais de forma normal, ou seja, de uma vulnerabilidade crescente que podemos chamar de
senescência; o envelhecimento social, relacionado com os papéis sociais que a sociedade
perspetiva para essa faixa etária; o envelhecimento psicológico, que envolve o processo de
tomada de decisões do indivíduo para se adaptar ao processo de senescência e envelhecimento
(Schroots e Birren, 1980, cit. in Paúl, 2005). Torna-se importante compreender que todos os
indivíduos que envelhecem sofrem alterações biológicas, mesmo que em ritmos diferentes, uma

2
vez que estas mudanças são irreversíveis e têm impacto observável na funcionalidade (Holliday,
2006) e na própria imagem física do indivíduo que envelhece. Traduz-se assim o
envelhecimento como sendo um processo objetivo. Porém, o fator subjetivo também está
presente, principalmente quando pensamos na forma como o envelhecimento vai ser
interpretado de forma diferente entre as pessoas.

2. Vivências positivas e negativas face ao envelhecimento


Embora o envelhecimento seja visto na sua generalidade como um processo de ocorrência
de perdas e de uma representação negativa do que é ser velho, a este estão também associados
aspetos de ordem positiva, uma vez que a velhice pode constituir uma etapa do ciclo da vida
rica em experiências sociais, bem-estar, qualidade de vida e boa saúde. Segundo Lazarus e
Lazarus (2006), a satisfação com a reforma é um dos aspetos positivos associados ao

W
envelhecimento, uma vez que a reforma pode trazer um alívio inerente à condição de
trabalhador, se esta for substituída por outras atividades que proporcionem uma liberdade de
IE
ocupação do uso do tempo que antes não existia. A capacidade para escolher objetivos também
é outro aspeto positivo associado ao envelhecimento, uma vez que possibilita ao indivíduo
selecionar aqueles que lhe trazem bem-estar.
EV

Por outro lado, o envelhecimento acarreta também aspetos negativos. Lazarus e Lazarus
(2006) voltam a servir como referência para serem descritos os aspetos a seguir mencionados.
Em primeiro lugar, a tomada de consciência de que a hora da morte se aproxima é uma realidade
PR

universal com grande carga emocional e fonte de ansiedade, que recai sobre os indivíduos
quando estes dão entrada na velhice. As alterações sociais e familiares em que os valores e
modos de vida se modificam completamente, se não foram geridos da melhor maneira, são
também produtores de grande ansiedade. A morte de familiares e amigos é também algo mais
evidente à medida que o indivíduo vai envelhecendo. A diminuição da saúde, muitas vezes
sinónimo de medo, pois há a eventualidade do indivíduo passar a depender de outrem. Por
último, a reforma vista como um aspeto positivo anteriormente, pode também ser originadora
de sentimentos negativos, se houver falta de oportunidade para se manter uma função útil na
vida, que poderá levar a uma perda de sentido e ao desânimo existencial.
Tendo em conta as perceções que rodeiam o conceito de envelhecimento, Gonzalez e Seidl
(2011) realizaram um estudo com 13 homens residentes em Brasília quanto à perceção do
próprio envelhecimento, através de fatores de proteção e manutenção da saúde na velhice.
Tratou-se de um estudo qualitativo, e no que se refere às características dos participantes, estes

Reproduced with permission of copyright owner. Further reproduction prohibited without permission.

Você também pode gostar