O MEU PORTEFÓLIO
Eu, Patrícia Carla Neves Maranhão Nicolau, tenho 46 anos, sou casada, mãe de dois
filhos menores e tenho o 9º ano de escolaridades através do RVCC.
A minha atividade profissional atual é em part-time numa empresa de construção civil
dominada Nis 8, SA e tenho uma função administrativa.
O meu número de cartão de cidadão é 11087908 2ZW3, contribuinte nº 208120696,
segurança social nº 11113952765 e nº utente de saúde 291197303.
O meu percurso escolar foi um pouco atribulado. O meu pai é pescador e a minha era
doméstica, ambos tinham o 1º ciclo. Como a minha mãe estava em casa a cuidar de mim e
do meu irmão mais velho não tive oportunidade de ir para uma creche. Entrei com 6 anos
na escola primaria nº 5 em Peniche e a adaptação não foi a melhor porque não convivia com
outras crianças, só com amigos vizinhos e com a família. A minha timidez prejudicou-me
nesse ano escolar porque não falava e não convivia. Isso levou a que no final desse ano
letivo ainda não sabia ler e passei para o 2º ano com muitas dificuldades de aprendizagem.
A minha mão teve um papel importante nesta fase porque percebeu as minhas dificuldades
e ajudou-me muito para aprender a ler. Mas, não foi suficiente porque o atraso na leitura
levou a reprovar na 2º classe. Repeti esse ano com uma professora nova, mas também não
foi um ano com bons resultados porque a turma era muito indisciplinada e a professora
temporária com muito pouca experiência a lecionar. Na 3º classe mudei novamente de
professora e com esta fiz a 3ª e 4ª classe que correu muito melhor. Tive um bom
aproveitamento escolar porque era uma professora com muita experiência e mais velha,
ajudou-me muito e conseguiu-me motivar para aprender.
A mudança de escola para a Luís de Ataíde foi novamente uma má experiência. Fui
vítima de Bulling no 5º ano por uma estudante do 6º ano. Isto, voltou-me a prejudicar na
aprendizagem, mas consegui ultrapassar e fiz o 5º e 6º ano com aproveitamento suficiente.
A transição para a chamada Escola industrial, atualmente escola Secundaria de
Peniche foi boa porque além de ser mais velha e estar mais bem preparada também foi um
alívio o afastamento da situação do bulling. O 7º ano correu bem e passei para o 8º ano com
aproveitamento sufiente. No 8º ano piorou a situação económica em casa devido as
dificuldades da pesca, o meu pai ficou desempregado. Nesse período difícil o meu irmão
desistiu dos estudos e foi trabalhar com 15 anos para ajudar os meus pais. Eu, mais nova,
comecei a perceber das dificuldades que os mais pais estavam a atravessar para nos
sustentar, comecei a pensar também a desistir da escola para ir trabalhar. Fiz o ano letivo
completo, mas com muitas dificuldades e algum insucesso. Os professores chamaram a
atenção do meu encarregado de educação que eu teria que ter explicações extras para
poder ter aproveitamento, mas como não era possível financeiramente então reprovei esse
ano. Voltei a inscrever-me no 8º ano, mas as condições em casa pioraram e decidi desistir
no 1º período para ir trabalhar. Eu tinha a perfeita noção que o meu percurso escolar seria
curto, não ia conseguir avançar mais nos estudos, devido a todas as dificuldades financeiras
e emocionais.
Tinha 15 anos e fui à procura de trabalho no mesmo local que já trabalhava nas férias
de verão. Um salão de cabeleireiro que trabalhei 2 anos. Depois mudei de trabalho para
uma loja de roupa. Após, 7 anos mudei para outra loja de roupa onde estive a trabalhar
durante 1 ano. Depois, saí para ir trabalhar nas vendas imobiliárias numa empresa da família
do meu atual marido. Nessa empresa, fiz inúmeras formações de Vendas durante os 7 anos
que desempenhei funções. Além das formações que tirei na empresa, surgiu na época um
programa que se chamava CRVCC que permitiu tirar a equivalência do 9º ano. Andei a
estudar à noite e ao fim de 8 meses consegui concluir o 9º ano.
Depois decidi abrir um negócio por conta própria na área do vestuário o qual tive que
encerrar em 2014, após 5 anos, devido a crise económica que o nosso País atravessava.
Regressei novamente ao mesmo trabalho anterior, na empresa imobiliária, mas ao fim de 2
anos tive que abandonar para cuidar de um problema grave de saúde da minha mãe.
Infelizmente, faleceu após 8 meses de luta contra um Cancro no pâncreas. Após este
período, foi muito difícil para mim e decidi dedicar-me mais aos meus filhos e optei em 2016
por ir tirar uma formação de costura industrial através do centro de emprego em Peniche.
Foi bastante útil e satisfatória.
Em 2017 voltei a trabalhar na empresa imobiliária, Nis 8, mas em part-time
novamente com funções administrativas desempenhadas no exterior da empresa.
Permaneço desde dessa data com as mesmas funções. Como estou em part-time permitiu-
me tirar um curso de cabeleireiro em Santarém entre Maio de 2018 e Fevereiro de 2020. Em
Março de 2020 iniciou a Pandemia tive que ficar em casa em teletrabalho e apoiar os meus
filhos nas aulas online.
Atualmente, estou empenhada em obter o 12º ano de escolaridades para permitir
crescer em termos pessoais e profissionais.