Livro (do latim liber, libri[1]) é um objeto transportável,que pode falar vários assuntos.
Composto por páginas encadernadas,
contendo texto manuscrito ou impresso e/ou imagens e que forma uma publicação
unitária (ou foi concebido como tal) ou a parte principal de um trabalho literário,
científico ou outro, formando um volume.
Em ciência da informação, o livro é chamado monografia, para distingui-lo de outros
tipos de publicações como revistas, periódicos, teses, tesauros, artigos etc.
O livro é um produto intelectual e, como tal, encerra conhecimento e expressões
individuais ou coletivas. Mas também é nos dias de hoje um produto de consumo, um
bem. Portanto, a parte final de sua produção é realizada por
meios industriais (impressão e distribuição), envolvendo também o design de livros. A
tarefa de criar um conteúdo passível de ser transformado em livro é tarefa do autor. Já
a produção dos livros, no que concerne a transformar os originais num produto
comercializável, é tarefa do editor, em geral contratado por uma editora. A coleta, a
organização e a indexação de coleções de livros, por outro lado, é típica
do bibliotecário. Finalmente, destaca-se também o livreiro, cuja função principal é
disponibilizar os livros editados ao público em geral, vendendo-os nas livrarias
generalistas ou de especialidade. Compete também ao livreiro todo o trabalho de
pesquisa que vá ao encontro da vontade dos leitores.
História
A história do livro é uma história de inovações técnicas que permitiram a melhora da
conservação dos volumes e do acesso à informação, da facilidade em manuseá-lo e
produzi-lo. Esta história está intimamente ligada às contingências político-econômicas
e à história de ideias e religiões.
Antiguidade
Uma seção original do Livro dos Mortos egípcio, escrito em
papiro.
A escrita surgiu na antiguidade, antecedente ao texto e ao livro. A escrita consiste em
um de código capaz de transmitir e conservar noções abstratas ou valores concretos,
em suma, palavras. É importante destacar que o meio condiciona o signo, ou seja, a
escrita foi em alguns momentos orientada por esse tipo de suporte; não é possível
esculpir em papel ou escrever em mármore, por exemplo.
Os primeiros suportes utilizados para a escrita foram tabuletas de argila ou de pedra
em escrita cuneiforme encontradas na Mesopotâmia. O livro mais antigo conhecido é
o Instruções a Xurupaque (c2600-c2500). Considerando as limitações que os suportes
materiais possuíam, os livros da Idade do Bronze eram relativamente curtos.
A Epopeia de Gilgamesh, por exemplo, é a maior obra literária em tabuletas de argila, e
suas traduções ocidentais não chegam a 16 mil palavras.
Mais tarde veio o khartés, (volumen para os romanos, forma pela qual ficou mais
conhecido) que consistia em um cilindro de papiro, facilmente transportável. O
"volumen" era desenrolado conforme ia sendo lido, e o texto era escrito na maioria das
vezes em colunas, e não no sentido do eixo cilíndrico. Algumas vezes, um mesmo
cilindro continha várias obras e, por conta disso, era denominado tomo. O
comprimento total de um "volumen" era de c. 6 ou 7 metros, e quando enrolado seu
diâmetro chegava a seis centímetros.
O papiro consiste em uma parte da planta, que era liberada, livrada (latim libere, livre)
do restante da planta - daí surge a palavra liber libri, em latim, e
posteriormente livro em português. Os fragmentos de papiros mais "recentes" são
datados do século II a.C..
Aos poucos o papiro é substituído pelo pergaminho, excerto de couro bovino ou de
outros animais. A vantagem do pergaminho é que ele se conserva mais ao longo do
tempo. O nome pergaminho deriva de Pérgamo, cidade da Ásia Menor onde teria sido
inventado e onde era muito usado. O "volumen" também foi substituído pelo códex,
que era uma compilação de páginas, não mais um rolo. O códex surgiu entre os gregos
como forma de codificar as leis, mas foi aperfeiçoado pelos romanos nos primeiros
anos da Era Cristã. O uso do formato códice (ou códice) e do pergaminho era
complementar, pois era muito mais fácil costurar códices de pergaminho do que de
papiro.
Uma consequência fundamental do códice é que ele faz com que se comece a pensar
no livro como objeto, identificando definitivamente a obra com o livro.
Uma antiga bíblia cristã feita em códex.
A consolidação do códex acontece em Roma, como já citado. Em Roma a leitura ocorria
tanto em público (para a plebe), evento chamado recitatio, como em particular, para os
ricos. Além disso, é muito provável que em Roma tenha surgido pela primeira vez a
leitura por lazer (voluptas), desvinculada do senso prático que a caracterizara até
então. Os livros eram adquiridos em livrarias. Assim aparece também a figura do editor,
com Atticus, homem de grande senso mercantil. Algumas obras eram encomendadas
pelos governantes, como a Eneida, encomendada a Virgílio por Augusto.
Acredita-se que o sucesso da religião cristã se deve em grande parte ao surgimento do
códice, pois a partir de então tornou-se mais fácil distribuir informações em forma
escrita.