Século XIX
O primeiro diagrama de uma árvore
evolutiva feito por Charles Darwin em 1837
Durante o século XIX, muitas características distintivas da ciência moderna
contemporânea começaram a tomar forma, como a transformação das ciências físicas
e da vida, o uso frequente de instrumentos de precisão, o surgimento de termos como
"biólogo", "físico" e "cientista" com a maior profissionalização daqueles que estudam a
natureza, a industrialização de vários países, a prosperidade de escritos científicos
populares e o surgimento de revistas científicas.[113] Durante o final do século XIX,
a psicologia emergiu como uma disciplina separada da filosofia quando Wilhelm
Wundt fundou o primeiro laboratório de pesquisa psicológica em 1879.[114]
Durante meados do século XIX, Charles Darwin e Alfred Russel Wallace propuseram
independentemente a teoria da evolução por seleção natural em 1858, que explicava
como diferentes plantas e animais se originaram e evoluíram. A teoria deles foi
apresentada em detalhes no livro de Darwin, A Origem das Espécies, publicado em
1859.[115] Separadamente, Gregor Mendel apresentou seu artigo "Experimentos na
Hibridização de Plantas" em 1865,[116] que delineou os princípios da herança biológica,
servindo de base para a genética moderna.[117]
No início do século XIX, John Dalton sugeriu a teoria atômica moderna, baseada na
ideia original de Demócrito de partículas indivisíveis chamadas átomos.[118] As leis
de conservação de energia, conservação de momento e conservação de
massa sugeriam um universo altamente estável onde poderia haver pouca perda de
recursos. No entanto, com o advento da máquina a vapor e a Revolução
Industrial houve uma maior compreensão de que nem todas as formas de energia têm
as mesmas qualidades energéticas e facilidade de conversão em trabalho útil ou em
outra forma de energia. Esta constatação levou ao desenvolvimento das leis
da termodinâmica, nas quais a energia livre do universo é vista como em constante
declínio: a entropia de um universo fechado aumenta com o tempo.[a]
A teoria eletromagnética foi estabelecida no século XIX pelos trabalhos de Hans
Christian Ørsted, André-Marie Ampère, Michael Faraday, James Clerk Maxwell, Oliver
Heaviside, e Heinrich Hertz. A nova teoria levantou questões que não poderiam ser
facilmente respondidas usando a estrutura de Newton. A descoberta dos raios
X inspirou a descoberta da radioatividade por Henri Becquerel e Marie Curie em 1896,
[122]
sendo que Curie tornou-se a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel, sendo
também a primeira pessoa e a única mulher a ganhá-lo duas vezes.[123] No ano seguinte
houve a descoberta da primeira partícula subatômica, o elétron.[124]
Século XX
Um gráfico computacional do buraco na camada
de ozônio feito em 1987 usando dados de um telescópio espacial
Na primeira metade do século XX, o desenvolvimento de antibióticos e fertilizantes
artificiais melhorou os padrões de vida dos humanos em todo o planeta.[125]
[126]
Questões ambientais prejudiciais, como a destruição da camada de ozono,
a acidificação dos oceanos, a eutrofização e as mudanças climáticas, começaram a
chamar a atenção do público e provocaram o início de um nova área do conhecimento:
os estudos ambientais.[127]
Durante este período, a experimentação científica tornou-se cada vez maior em escala
e financiamento.[128] A extensa inovação tecnológica estimulada pela Primeira Guerra
Mundial, pela Segunda Guerra Mundial e pela Guerra Fria levou a competições
entre potências globais, como a Corrida Espacial[129] e a corrida armamentista nuclear.
[130]
Também foram feitas colaborações internacionais substanciais, apesar dos conflitos
armados globais.[131]
No final do século XX, a gradativa eliminação da discriminação sexual aumentou
enormemente o número de mulheres cientistas, mas persistiram grandes disparidades
de género em alguns domínios.[132] A descoberta da radiação cósmica de fundo em
1964[133] levou à rejeição do modelo de estado estacionário do universo em favor da
teoria do Big Bang de Georges Lemaître.[134]
Mudanças fundamentais nas disciplinas científicas ocorreram ao longo do século XX.
Por exemplo, a evolução tornou-se uma teoria unificada no início do século, quando
a síntese moderna pôde reconciliar a evolução darwiniana com a genética clássica.
[135]
A teoria da relatividade de Albert Einstein e o desenvolvimento da mecânica
quântica complementam a mecânica clássica para descrever
a física em comprimento, tempo e gravidade extremos.[136][137] A utilização generalizada
de circuitos integrados no fim século XX, combinada com o uso de satélites de
comunicações, levou a uma revolução tecnológica da informação e à ascensão
da Internet global e da computação móvel, como os smartphones. A necessidade de
sistematização em massa de cadeias causais longas e entrelaçadas e de grandes
quantidades de informações levou ao surgimento dos campos da teoria de sistemas e
da modelagem científica assistida por computador.[138]