Renascimento
Ver artigo principal: Renascimento
Desenho do modelo heliocêntrico proposto
pelo De Revolutionibus orbium coelestium de Copérnico
Novos desenvolvimentos na óptica também desempenharam um papel relevante no
início da Renascença, tanto por desafiar ideias metafísicas de longa data sobre
a percepção, como por contribuir para a melhoria de tecnologias como a câmara
escura e o telescópio. No início deste período, Roger Bacon, Vitello e John
Peckham construíram, cada um, uma ontologia escolástica sobre uma cadeia causal
começando com a sensação, a percepção e, finalmente,
a apercepção das formas individuais e universais de Aristóteles.[85]:Livro I Um modelo mais
tarde conhecido como perspectivismo foi explorado e estudado pelos artistas
renascentistas. Esta teoria usa apenas três das quatro causas de Aristóteles: formal,
material e final.[90] No século XVI, o astrônomo polonês Nicolau Copérnico formulou
um modelo heliocêntrico do Sistema Solar, ao afirmar que os planetas giram em torno
do Sol, em vez do modelo geocêntrico onde os planetas e o Sol giram em torno
da Terra. Isto baseou-se em um teorema de que os períodos orbitais dos planetas são
mais longos à medida que os seus orbes estão mais distantes do centro do movimento,
o que ele descobriu não concordar com o modelo de Ptolomeu.[91]
O alemão Johannes Kepler e outros desafiaram a noção de que a única função do olho
é a percepção e mudaram o foco principal da óptica do olho para a propagação da luz.
[90][92]
Kepler é mais conhecido, no entanto, por melhorar o modelo heliocêntrico de
Copérnico através da descoberta das leis do movimento planetário. Kepler não rejeitou
a metafísica aristotélica e descreveu seu trabalho como uma busca pela música das
esferas.[93] O florentino Galileu Galilei também realizou contribuições significativas para
a astronomia, a física e a engenharia. No entanto, ele foi perseguido depois que o Papa
Urbano VIII o condenou por escrever sobre o modelo heliocêntrico.[94] A imprensa
escrita foi amplamente utilizada para publicar argumentos acadêmicos, incluindo
alguns que discordavam amplamente das ideias contemporâneas sobre a natureza.
[95]
Francis Bacon e René Descartes publicaram argumentos filosóficos em favor de um
novo tipo de ciência não-aristotélica. Bacon enfatizou a importância do experimento
sobre a contemplação, questionou os conceitos aristotélicos de causa formal e final,
promoveu a ideia de que a ciência deveria estudar as leis da natureza e o
aperfeiçoamento de toda a vida humana.[96] Descartes enfatizou o pensamento
individual e argumentou que a matemática, e não a geometria, deveria ser usada para
estudar a natureza.[97]
Ilumiminismo
Ver artigo principal: Iluminismo
Página de título da primeira edição de 1687
de Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica de Isaac Newton
No início do Iluminismo, Isaac Newton formou a base da mecânica clássica por meio de
sua obra Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica, influenciando enormemente os
futuros físicos.[98] Gottfried Wilhelm Leibniz incorporou termos da física aristotélica,
agora usados de uma nova forma não teleológica. Isto implicou em uma mudança na
visão dos objetos, que eram agora considerados como não tendo objetivos inatos.
Leibniz presumia que todos os diferentes tipos de coisas funcionam de acordo com as
mesmas leis gerais da natureza, sem causas formais ou finais especiais.[99]
Durante esse período, o propósito e o valor declarados da ciência passaram a ser a
produção de riquezas e invenções que melhorariam a vida humana, no
sentido materialista de ter mais alimentos, roupas e outras coisas. Nas palavras de
Bacon, “o objetivo real e legítimo das ciências é a dotação da vida humana com novas
invenções e riquezas”, e ele desencorajou os cientistas de perseguirem ideias filosóficas
ou espirituais intangíveis, que ele acreditava terem contribuído pouco para a felicidade
humana além “da fumaça de sutil, sublime ou agradável [especulação]".[100]
A ciência durante a Era do Iluminismo era dominada pelas sociedades
científicas[101] e academias, que foram a espinha dorsal do amadurecimento da
profissão científica e substituíram as universidades como centros de pesquisa e
desenvolvimento científico. Outro desenvolvimento importante foi a popularização da
ciência entre uma população cada vez mais alfabetizada.[102] Os filósofos do Iluminismo
recorreram a alguns de seus predecessores científicos –
principalmente Galileu, Kepler, Boyle e Newton – como guias para todos os campos
físicos e sociais da época.[103][104]
Durante o século XVIII, surgiram avanços significativos na prática da medicina[105] e
da física;[106] o desenvolvimento da taxonomia biológica por Carl Linnaeus;[107] uma nova
compreensão do magnetismo e da eletricidade;[108] e o amadurecimento
da química como disciplina.[109] As ideias sobre a natureza humana, a sociedade e a
economia evoluíram durante o período iluminista. Hume e outros pensadores
do Iluminismo escocês desenvolveram a obra Tratado da Natureza Humana, que foi
expresso historicamente em obras de autores como James Burnett, Adam
Ferguson, John Millar e William Robertson, todos os quais fundiram um estudo
científico de como os humanos se comportavam nas culturas antigas e primitivas com
uma forte consciência das forças determinantes da modernidade.[110] A sociologia
moderna originou-se em grande parte desse movimento.[111] Em 1776, Adam
Smith publicou A Riqueza das Nações, que é frequentemente considerado o primeiro
trabalho sobre economia moderna.[112]