Ciências formais
Ver artigo principal: Ciências formais
As ciências formais são uma área de estudo que gera conhecimento por meio
de sistemas formais.[151][6][7] Um sistema formal é uma estrutura abstrata usada para
inferir teoremas a partir de axiomas de acordo com um conjunto de regras.
[152]
Inclui matemática,[153][154] teoria de sistemas e ciência da computação teórica. As
ciências formais compartilham semelhanças com os outros dois ramos científicos por
se basearem no estudo objetivo, cuidadoso e sistemático de uma área do
conhecimento. No entanto, diferem das ciências empíricas, pois baseiam-se
exclusivamente no raciocínio dedutivo, sem necessidade de evidências empíricas para
verificar os seus conceitos abstratos.[11][155][147] As ciências formais são, portanto,
disciplinas a priori e por isso há divergências sobre se constituem uma ciência de fato.[8]
[156]
No entanto, elas desempenham um papel importante nas ciências empíricas.
O cálculo infinitesimal, por exemplo, foi inicialmente inventado para compreender
o movimento na física.[157] As ciências naturais e sociais que dependem fortemente de
aplicações matemáticas incluem física matemática,[158] química,[159] biologia,
[160]
finanças[161] e economia.[162]
Ciências aplicadas
Ver artigo principal: Ciências aplicadas
As ciências aplicadas são o uso do método e do conhecimento científico para atingir
objetivos práticos e inclui uma várias disciplinas, como engenharia e medicina.[163][14] A
ciência pode contribuir para o desenvolvimento de novas tecnologias.[164] Engenharia é
o uso de princípios científicos para inventar, projetar e construir máquinas, estruturas e
tecnologias,[165] enquanto medicina é a prática de cuidar de pacientes, mantendo e
restaurando a saúde por meio da prevenção, diagnóstico e tratamento de lesões ou
doenças.[166][167] As ciências aplicadas são frequentemente contrastadas com as ciências
básicas, que se concentram no avanço de teorias e leis científicas que explicam e
prevêem eventos no mundo natural.[168][169]
A ciência computacional aplica o poder da computação para simular situações do
mundo real, o que permite uma melhor compreensão dos problemas científicos em
relação ao que a matemática formal por si só pode oferecer. O uso de aprendizado de
máquina e da inteligência artificial está se tornando uma característica central das
contribuições computacionais para a ciência. No entanto, as máquinas raramente
avançam o conhecimento por si só, pois requerem orientação humana e capacidade
de raciocínio; e podem introduzir preconceitos contra certos grupos sociais ou, por
vezes, ter um desempenho inferior em relação aos seres humanos.[170][171]
Ciência interdisciplinar
Ver artigo principal: Interdisciplinaridade
A ciência interdisciplinar envolve a combinação de duas ou mais disciplinas em uma,
[172]
como bioinformática, uma combinação de biologia e ciência da
computação[173] ou ciências cognitivas. O conceito existe desde a Grécia Antiga e
tornou-se popular novamente no século XX.[174]
Pesquisa científica
Ver artigo principal: Pesquisa científica
A pesquisa científica pode ser dividida entre pesquisa básica ou aplicada. A pesquisa
básica é a busca por conhecimento, enquanto a pesquisa aplicada é a busca de
soluções para problemas práticos por meio da utilização deste conhecimento. A maior
parte da compreensão vem da pesquisa básica, embora às vezes a pesquisa aplicada
vise problemas práticos específicos, o que leva a avanços tecnológicos que antes não
eram sequer imagináveis.[175]
Método científico
Ver artigo principal: Método científico
Esboço contendo os principais passos do
método científico. Observe que o método é cíclico de forma a promover a contínua
evolução das teorias científicas.
A pesquisa científica envolve o uso do método científico para buscar explicar
objetivamente os acontecimentos da natureza de uma maneira reprodutível.[176] Os
cientistas geralmente tomam como certo um conjunto de pressupostos básicos
necessários para justificar o método científico: existe uma realidade objetiva partilhada
por todos os observadores racionais; esta realidade objetiva é governada por leis
naturais; estas leis foram descobertas por meio de observação e da experimentação
sistemáticas.[2] A matemática é essencial na formação de hipóteses, teorias e leis,
porque é amplamente utilizada na modelagem quantitativa, observação e medições,
[177]
enquanto a estatística é usada para resumir e analisar dados, o que permite aos
cientistas avaliar a confiabilidade de resultados experimentais.[178]
No método científico, um experimento mental é apresentado como uma explicação
usando o princípio da economia e espera-se que busque consiliência, ou seja, o
enquadramento com outros fatos aceitos relacionados com uma observação ou
questão científica.[179] Esta explicação provisória é usada para fazer
previsões falsificáveis, que normalmente são publicadas antes de serem testadas por
meio da experimentação. A refutação de uma previsão é evidência de progresso.[176](4–5)
[180]
A experimentação é especialmente importante na ciência para ajudar a
estabelecer relações causais para evitar a falácia da correlação, embora em algumas
ciências, como a astronomia ou a geologia, uma observação prevista possa ser algo
mais apropriado.[181]
Quando uma hipótese se mostra insatisfatória, ela é modificada ou descartada.[182] Se a
hipótese sobreviveu ao teste, ela pode ser adotada na estrutura de uma teoria
científica, um modelo ou estrutura autoconsistente e validamente fundamentado que
descreve o comportamento de determinados eventos naturais. Uma teoria
normalmente descreve o comportamento de conjuntos de observações muito mais
amplos do que uma hipótese. Geralmente, um grande número de hipóteses pode ser
unido em uma única teoria, ou seja, uma teoria é uma hipótese que explica várias
outras hipóteses. Neste sentido, as teorias são formuladas segundo a maioria dos
mesmos princípios científicos das hipóteses. Os cientistas, por sua vez, podem gerar
um modelo, uma tentativa de descrever ou representar uma observação em termos de
uma representação lógica, física ou matemática e de gerar novas hipóteses que podem
ser testadas por meio da experimentação científica.[183]
Ao realizar experimentos para testar hipóteses, os cientistas podem ter preferência por
um resultado em detrimento de outro.[184][185] A eliminação do viés pode ser alcançada
por meio de transparência, planejamento cuidadoso do experimento e um processo
completo de revisão por pares dos resultados e conclusões da pesquisa.[186][187] Após os
resultados de um experimento serem anunciados ou publicados, é prática normal que
pesquisadores independentes verifiquem como a pesquisa foi realizada e realizem
experimentos semelhantes para determinar quão confiáveis os resultados são.
[188]
O método científico permite uma resolução de problemas altamente criativa, ao
mesmo tempo que minimiza os efeitos do viés subjetivo e de confirmação.[189] A
verificabilidade intersubjetiva, a capacidade de chegar a um consenso e reproduzir
resultados, é fundamental para a criação de todo o conhecimento científico.[190]