0% acharam este documento útil (0 voto)
7 visualizações398 páginas

Nutrição Mineral do Feijoeiro: Guia Completo

O documento aborda a nutrição mineral do feijoeiro, destacando a importância da cultura para a alimentação humana e a necessidade de manejo adequado de nutrientes para aumentar a produtividade. Os autores, vinculados à Embrapa Arroz e Feijão, discutem fatores como a fertilidade do solo e o uso racional de fertilizantes. O livro é uma referência para estudantes e profissionais da agronomia, visando melhorar a produção e sustentabilidade do feijoeiro no Brasil.

Enviado por

Carlos Suguitani
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
7 visualizações398 páginas

Nutrição Mineral do Feijoeiro: Guia Completo

O documento aborda a nutrição mineral do feijoeiro, destacando a importância da cultura para a alimentação humana e a necessidade de manejo adequado de nutrientes para aumentar a produtividade. Os autores, vinculados à Embrapa Arroz e Feijão, discutem fatores como a fertilidade do solo e o uso racional de fertilizantes. O livro é uma referência para estudantes e profissionais da agronomia, visando melhorar a produção e sustentabilidade do feijoeiro no Brasil.

Enviado por

Carlos Suguitani
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

NUTRIÇÃO MINERAL DO

FEIJOEIRO

Nand Kumar Fageria


Luís Fernando Stone
Alberto Baêta dos Santos
Maria da Conceição Santana Carvalho
NUTRIÇÃO MINERAL DO

FEIJOEIRO
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Arroz e Feijão
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

NUTRIÇÃO MINERAL DO

FEIJOEIRO
Nand Kumar Fageria
Luís Fernando Stone
Alberto Baêta dos Santos
Maria da Conceição Santana Carvalho

Embrapa
Brasília, DF
2015
Exemplares desta edição podem ser adquiridos na:
Embrapa Arroz e Feijão Embrapa Informação Tecnológica
Rod. GO 462, km 12 Parque Estação Biológica (PqEB)
Caixa Postal 179 Av. W3 Norte (final)
CEP 75375-000 CEP 70770-901 Brasília, DF
Santo Antônio de Goiás, GO Fone: (61) 3448-4236
Fone: (62) 3533 2110 Fax: (61) 3448-2494
Fax: (62) 3533 2123 [Link]/livraria
[Link] livraria@[Link]
[Link]/fale-conosco/sac/
Unidade responsável pela edição
Unidade responsável pelo conteúdo Embrapa Informação Tecnológica
Embrapa Arroz e Feijão
Coordenação editorial
Comitê Local de Publicações Selma Lúcia Lira Beltrão
Lucilene Maria de Andrade
Presidente Nilda Maria da Cunha Sette
Pedro Marques da Silveira
Supervisão editorial
Secretário-executivo Erika do Carmo Lima Ferreira
Luiz Roberto Rocha da Silva
Revisão de texto
Membros Letícia Ludwig Loder
Camilla Souza de Oliveira
Luciene Fróes Camarano de Oliveira Normalização bibliográfica
Flávia Rabelo Barbosa Moreira Celina Tomaz de Carvalho
Ana Lúcia Delalibera de Faria
Heloisa Célis Breseghello Projeto gráfico e editoração eletrônica
Márcia Gonzaga de Castro Oliveira Júlio César da Silva Delfino
Fábio Fernandes Nolêto
Tratamento de ilustrações
Sebastião Araújo

Capa
Júlio César da Silva Delfino

Foto da capa
Sebastião Araujo

1ª edição
1ª impressão (2015): 1.000 exemplares

Todos os direitos reservados


A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação
dos direitos autorais (Lei nº 9.610).
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Embrapa Informação Tecnológica
Nutrição mineral do feijoeiro / Nand Kumar Fageria ... [et al.]. – Brasília, DF : Embrapa,
2015.
394 p. : il. color. ; 16 cm x 22 cm.
ISBN 978-85-7035-431-0
1. Feijão. 2. Nutrição vegetal. 3. Produção vegetal. I. Fageria, Nand Kumar (1942-
2014). II. Stone, Luís Fernando. III. Santos, Alberto Baêta dos. IV. Carvalho, Maria da
Conceição Santana. V. Embrapa Arroz e Feijão.
CDD 635.652
© Embrapa 2015
Autores
Nand Kumar Fageria (in memoriam)
Engenheiro-agrônomo, Ph.D. em Fertilidade de Solos e Nutrição de
Plantas, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Santo Antônio de
Goiás, GO

Luís Fernando Stone


Engenheiro-agrônomo, doutor em Solos e Nutrição de Plantas,
pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goiás, GO

Alberto Baêta dos Santos


Engenheiro-agrônomo, doutor em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa
Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goiás, GO

Maria da Conceição Santana Carvalho


Engenheira-agrônoma, doutora em Solos e Nutrição de Plantas,
pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goiás, GO
Agradecimento
No dia 6 de julho de 2014, o mundo agronômico perdeu um de seus
maiores pesquisadores: Nand Kumar Fageria. Nascido em 10 de março de
1942, na cidade de Khidarsar, situada no Oeste da Índia, chegou ao Brasil
em 18 de outubro de 1974 e se radicou em Goiânia, Goiás, onde iniciou
suas atividades na então Empresa Goiana de Pesquisa Agropecuária
(Emgopa). Fageria deixou esposa (Shanti Fageria), três filhos (Rajesh, Satya
Pal e Savita) e três netos (Sofia, Maia e Anjit).
Graduou-se em Engenharia Agronômica em 1965 e concluiu
mestrado em Agronomia em 1967 na Agriculture University de Udaipur,
na Índia, tendo sido agraciado com medalha de ouro pela colocação
em 1º lugar no exame do curso. Em 1973, concluiu doutorado em
Agronomia na Université Catholique de Louvain (UCL), na Bélgica.
Em 1987, foi agraciado com bolsa de pesquisa do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e, em 1988, realizou
pós-doutorado no United States Department of Agriculture (USDA-ARS),
em Berkeley/Beltsville, nos Estados Unidos. Foi bolsista do Indian Council
of Agriculture Research (na Índia), da UCL (na Bélgica) e, desde 1989, era
bolsista de produtividade em pesquisa pelo CNPq. Também era membro
de corpo editorial dos periódicos Journal of Plant Nutrition (desde 2001) e
da Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal (desde 2006). Além disso, con-
tribuiu, como revisor convidado, com vários outros periódicos nacionais
e internacionais.
Fageria atuava como pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa) na Unidade Arroz e Feijão, sediada em Santo
Antônio de Goiás, Goiás, desde 1º de julho de 1975. Nesse período,
publicou 262 artigos completos em periódicos; 15 livros (em português e
inglês), que foram usados como referências em âmbitos nacional e inter-
nacional; e 44 capítulos de livro. Proferiu palestras nas áreas de fertilidade
do solo e nutrição de plantas no Brasil e em diversos outros países, como
Estados Unidos, Canadá, Japão, Índia, China, Sri Lanka, Portugal, Austrália
e Holanda.
Dedicou toda a sua vida aos estudos de fertilidade do solo e adu-
bação, principalmente das culturas de arroz de terras altas, arroz irrigado
e feijão, fazendo com que seu trabalho e suas ideias fossem transportados
ao mundo todo, tornando-se, assim, um dos maiores expoentes em solos
e nutrição de plantas. Como exemplo de contribuição aplicada, fruto de
tantos anos de dedicação à pesquisa na área, menciona-se o aumento
na produtividade de arroz irrigado na região tropical em razão das suas
recomendações de adubação.
Esta homenagem é uma manifestação pública de reconhecimento
pelos inestimáveis serviços prestados ao Brasil pelo inesquecível amigo
Fageria, que sempre será lembrado como exemplo de competência, co-
nhecimento e companheirismo. Fageria dedicou-se, até os últimos dias de
sua vida, com grande entusiasmo, às tarefas de contribuir para a Ciência
Agrícola e atender aos estudantes de Agronomia, professores, pesqui-
sadores, extensionistas, a toda comunidade científica e ao agronegócio
brasileiro, engrandecendo o meio científico e, em especial, a Embrapa.
Apresentação
O feijão é a leguminosa mais importante para o consumo humano
e a principal fonte de proteína para muitas populações da América Latina,
Caribe, Ásia e África. No Brasil, junto com o arroz, forma a base da ali-
mentação diária.
O feijão é alimento que apresenta alto significado social, pois, além
de compor a dieta básica do brasileiro, é uma espécie tradicional da agri-
cultura familiar e emprega grande quantidade de mão de obra no campo.
Além de ser uma cultura de subsistência em pequenas propriedades, é
um produto de alto valor de mercado, que atrai cada vez mais a atenção
da agricultura empresarial. O Brasil é o maior produtor mundial de feijão-
-comum (Phaseolus vulgaris L.), e suas áreas produtoras se estendem por
regiões tropicais e subtropicais. Entretanto, a produtividade média de feijão
no Brasil ainda é baixa. Entre os fatores que contribuem para isso estão a
baixa fertilidade e a alta acidez dos solos. O uso racional de fertilizantes
e corretivos de solo é um fator muito importante na agricultura moderna,
pois, além de contribuir para o aumento da produtividade e a redução do
custo da produção, diminui o risco de poluição do meio ambiente.
Este livro aborda temas relevantes sobre a cultura do feijoeiro, como
o manejo de nutrientes, a caracterização dos solos onde se cultiva o feijão
e a fisiologia da produção. A Embrapa Arroz e Feijão enaltece o esforço
dos autores e de todos aqueles que contribuíram para a elaboração deste
livro. Temos a convicção de que os conhecimentos nele contidos podem
contribuir para aumentar a produtividade e a sustentabilidade da cultura
do feijoeiro no Brasil.

Flávio Breseghello
Chefe-Geral da Embrapa Arroz e Feijão
Prefácio
A nutrição mineral é a pratica de adição de adubos químicos e
orgânicos no solo e sua transformação na forma de absorção e utilização
pelas plantas. Esse processo é influenciado por clima, solo, plantas e suas
interações. Por isso, a nutrição mineral das plantas é um assunto comple-
xo, e seu manejo durante a produção das culturas necessita de cuidado
especial. Além disso, a nutrição mineral está entre os importantes fatores
tecnológicos de produção, como escolha de cultivares, disponibilidade
de água, controle de doenças, pragas e plantas daninhas.
Nos últimos anos, tem-se verificado aumento dos custos dos ferti-
lizantes, situação provavelmente irreversível graças ao reflexo dos custos
mais elevados de energia, matérias-primas e transportes. Os fertilizantes
passam, assim, a exigir mais investimento daqueles que se dedicam a ati-
vidades agrícolas, merecendo, portanto, atenção especial com referência
ao seu uso com vistas a um melhor aproveitamento pelas culturas. Alguns
dos principais fatores que determinam a produtividade das culturas são
a fertilidade do solo e a nutrição mineral. A maioria dos solos onde se
cultiva o feijoeiro no Brasil é ácida e apresenta baixa fertilidade.
Neste livro, são abordados, em 14 capítulos, temas relevantes sobre
a cultura do feijoeiro (como o manejo de nutrientes, a caracterização
dos solos onde se cultiva essa leguminosa e a fisiologia da produção).
Ademais, são discutidos resultados mais recentes de pesquisa desenvol-
vidos na região do Cerrado, que apresenta a maior área cultivada com o
feijoeiro.
Esperamos que este livro sirva como referência para professores,
pesquisadores, estudantes de agronomia e extensionistas interessados
nos assuntos tratados e, com isso, propicie a melhoria da produtividade
do feijoeiro, a redução dos custos de produção e do impacto ambiental
negativo decorrentes da atividade e a melhoria da qualidade de vida dos
produtores e de suas famílias.

Autores
Sumário
Capítulo 1 • Solos e diagnose do estado nutricional, 15
Capítulo 2 • Fisiologia da produtividade, 41
Capítulo 3 • Calagem, 55
Capítulo 4 • Nitrogênio, 95
Capítulo 5 • Fósforo, 153
Capítulo 6 • Potássio, 191
Capítulo 7 • Cálcio e magnésio, 215
Capítulo 8 • Enxofre, 231
Capítulo 9 • Zinco, 241
Capítulo 10 • Boro, 259
Capítulo 11 • Cobre, 281
Capítulo 12 • Manganês, 295
Capítulo 13 • Ferro, 309
Capítulo 14 • Molibdênio, 323
Referências, 335
Capítulo 1

Solos e diagnose
do estado nutricional
16 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
O feijão (Phaseolus vulgaris L.) é considerado a leguminosa mais
importante para o consumo humano nos países em desenvolvimento.
Em escala mundial, o feijão é a terceira cultura mais importante para nu-
trição humana e animal, após soja e amendoim (SINGH, 1999). Embora
as leguminosas, tomadas individualmente, forneçam mais nutrientes
minerais do que os cereais (WELCH et al., 2000), o feijão tem seu valor
nutricional aumentado especialmente se consumido junto com cereais e
outros alimentos ricos em carboidratos (FAGERIA, 2002b). É o que ocorre
na América Latina, em que o feijão, junto com o arroz, compõe a dieta
básica de todos os segmentos da população.
Na América Latina, o consumo de feijão fornece de 8% a 27% do
potássio (K) necessário diariamente para a população (PENNINGTON;
YOUNGT, 1990). O feijão contém até três vezes mais K do que a ba-
nana (LIMA et al., 2006). Beebe et al. (1993) relataram teor de K de até
21,25 g kg-1 em sementes de feijão. Poersch et al. (2011) relataram teor de
K na faixa de 6,0 g kg-1 a 14,9 g kg-1 em sementes de feijão, dependendo
dos genótipos. Além disso, o feijão contém baixos teores de gordura e só-
dio (Na) e é livre de colesterol (HOSFIELD, 1991; MORROW, 1991). Possui
altos teores de manganês (Mn), que atua como antioxidante na produção
de enzimas responsáveis pela desativação de radicais livres, e de ferro
(Fe), um dos componentes da hemoglobina. O alto teor de substâncias
antioxidantes encontrado em feijão-preto é comparável ao encontrado na
uva. Outro fator nutricional que qualifica o feijão como alimento é sua
riqueza em fibras, tanto as que atuam na redução do colesterol como as
que agem no combate ao diabetes (ANTUNES et al., 2007).
O feijoeiro é cultivado em diversas regiões agroclimáticas, mas
sua maior concentração está em áreas de climas tropical e subtropical.
Em âmbito mundial, a maior produção está nas Américas do Sul e Central,
no Caribe, na Ásia e na África. A América do Norte e a Europa também
cultivam o feijão, mas em menor escala. O feijão, rico em proteína (de
20% a 25%), é a principal fonte de alimento das populações das Américas
do Sul e Central, do Caribe e da África. O feijão apresenta cerca de
metade do teor de proteína da soja, porém é de melhor digestibilidade
proteica (79%) (PIRES et al., 2006). Embora a proteína do feijão seja defi-
ciente nos aminoácidos essenciais sulfurados metionina e cistina, fornece
Capítulo 1 • Solos e diagnose do estado nutricional 17

quantidades adequadas de diversos aminoácidos essenciais (PIRES et al.,


2006; RIBEIRO et al., 2007) e é rica em lisina e treonina (aminoácidos nos
quais os cereais são deficientes), o que o qualifica como fonte de proteína
de boa qualidade ou de alto valor biológico. Além disso, o feijão contém
aproximadamente 2,4% de lipídeos e 75% de carboidratos. Na Tabela 1,
são apresentados dados de análises químicas de sementes de diversas
culturas.
O feijoeiro é cultivado em todo o território brasileiro. O Estado de
Goiás e o Distrito Federal respondem por cerca de 10% da produção
nacional de feijão (PEREIRA et al., 2010). Os estados do Paraná e de
Santa Catarina são responsáveis por aproximadamente 35% da produção
(FEIJÃO..., 2013), enquanto Minas Gerais, o segundo maior produtor de
feijão do Brasil, responde por 19% (SILVA et al., 2011). Entre as culturas
anuais que fazem parte da dieta da população brasileira, o feijão ocupa
posição de destaque sob os pontos de vista econômico e social; o consumo
médio per capita nos últimos 25 anos foi de 17,5 kg ano -1 (VENCOVSKY;
RAMALHO, 2006). Couto et al. (2010) também relataram que o feijão é
um dos mais importantes componentes da dieta alimentar do brasileiro,
com um consumo per capita superior a 17 kg ano-1.

Tabela 1. Teores de proteína, lipídeo e carboidrato em sementes de várias


culturas.

Cultura Proteína (%) Lipídeo (%) Carboidrato (%)


Feijão 19,2 2,4 75,5
Arroz 10,5 2,2 82,8
Trigo 11,3 1,7 82,2
Cevada 13,2 3,5 81,3
Aveia 12,5 4,7 80,3
Milho 10,2 4,1 84,2
Sorgo 8,8 3,5 84,9
Soja 31,4 20,1 44,4
Amendoim 19,3 30,4 48,4
Grão-de-bico 17,3 5,1 75,0
Ervilha 23,3 1,5 72,3
Fonte: adaptado de Shinano et al. (1993).
18 Nutrição Mineral do Feijoeiro

O feijão é reconhecido como cultura de subsistência em pequenas


propriedades, muito embora tenha atraído, nos últimos anos, crescente
interesse de produtores que adotam tecnologias avançadas, incluindo a
irrigação e a colheita mecanizada. Em consequência, a cultura está sujeita
às mais diversas práticas de manejo e aos mais diversos ambientes, incluin-
do tanto o cultivo consorciado com outras espécies sem irrigação quanto
o cultivo irrigado em que se utiliza alto nível tecnológico (VENCOVSKY;
RAMALHO, 2006).
Embora o feijão seja um dos alimentos básicos dos brasileiros e de
outros povos da América Latina, sua produtividade é baixa (Tabela 2).
Entre os fatores responsáveis por isso estão a baixa fertilidade e a grande
acidez dos solos, a deficiência hídrica, a suscetibilidade da cultura a
doenças e pragas e o uso de baixa tecnologia pelos produtores por causa
de suas condições socioeconômicas. Além disso, no Brasil, o feijoeiro
é submetido a diferentes condições ambientais, pois ele é cultivado em
vários estados, em diferentes épocas de semeadura (águas, seca e inver-
no) e sistemas de cultivo, que variam da agricultura de subsistência, com

Tabela 2. Área, produção e produtividade de feijão nos principais países produ-


tores em 2008.

Produtividade Produtividade
País Área (mil ha)
(mil t) (kg ha-1)
Índia 10.000,0 3.930,0 393,0
Brasil 3.780,8 3.460,9 915,4
Mianmar 2.350,0 2.500,0 1.063,8
Estados Unidos 584,9 1.159,3 1.982,2
México 1.505,7 1.122,7 745,7
China 964,8 1.121,2 1.162,0
Tanzânia 700,0 480,0 685,7
Uganda 896,0 440,0 491,1
Argentina 254,9 336,8 1.321,3
Indonésia 310,0 320,0 1.032,3
Coreia do Norte 350,0 300,0 857,1
Outros 6.291,3 5.224,1 830,4
Mundo 27.988,4 20.394,9 728,7
Fonte: FAO (2002).
Capítulo 1 • Solos e diagnose do estado nutricional 19

baixo uso de insumos, até a agricultura empresarial, de alta tecnologia.


Nessa condição, espera-se uma interação entre genótipo e ambiente e
produtividades diferentes (MELO et al., 2007; PEREIRA et al., 2009, 2010).
Em uma agricultura moderna, o uso racional de corretivos e fer-
tilizantes é uma das premissas necessárias para o sucesso na produção.
A adubação é um componente importante do sistema de produção, tanto
pelo aumento de produtividade que pode proporcionar como pelo custo
que representa (SOUZA, 2000). A deficiência nutricional é um fator im-
portante, que limita a produção de culturas anuais em solos brasileiros.
Considerando-se o alto custo dos fertilizantes, existem duas maneiras de
minimizar o problema de estresses nutricionais: melhorar a planta, visando
a sua adaptação ao solo, ou melhorar o solo para as plantas. Para melhor
resultado, deve-se ter a combinação das duas estratégias. O esforço de
desenvolver genótipos de culturas com tolerância a estresses nutricionais
foi intensificado no período dos últimos 15 a 20 anos em várias partes do
mundo, inclusive no Brasil (FAGERIA et al., 2006a).
A qualidade do solo é um dos fatores mais importantes na produ-
ção das culturas. Os índices de qualidade do solo, baseados nas suas
propriedades físicas, químicas biológicas, são usados na avaliação da
capacidade de produção das culturas (FAGERIA, 2002c). O objetivo deste
Capítulo é discutir as propriedades dos solos (especialmente do Cerrado e
de várzeas) onde se cultiva o feijoeiro e os métodos de avaliação do esta-
do nutricional das plantas. Com base nessas informações, é possível usar
adequadamente os nutrientes essenciais, aumentar a produtividade da
cultura e reduzir o custo da produção e a degradação do meio ambiente.

Solos onde se cultiva o feijoeiro


O feijoeiro é cultivado em diferentes solos nas várias partes do
mundo. Porém, nas regiões tropicais e subtropicais das Américas,
inclusive no Brasil, onde se concentram aproximadamente 47% da pro-
dução mundial, os solos predominantes são os Latossolos, Argissolos,
Gleissolos e Cambissolos, que são ácidos, de baixa fertilidade natural
e possuem elementos tóxicos, como alumínio (Al) e Mn. Na América
tropical, 82% dos solos no estado natural são deficientes em macro
e micronutrientes (SÁNCHEZ; SALINAS, 1981). No Brasil, o feijoeiro
é principalmente cultivado em solos do bioma Cerrado. Porém, o seu
cultivo, mediante o uso de subirrigação, é uma alternativa importante na
20 Nutrição Mineral do Feijoeiro

sucessão com o arroz irrigado nas várzeas tropicais, onde predominam os


Plintossolos e Gleissolos (SANTOS et al., 2010). As várzeas se caracterizam
por apresentarem solos aluviais e/ou hidromórficos, geralmente planos e
ricos em matéria orgânica, facilmente irrigáveis por gravidade, localizados
às margens de córregos, rios e vales úmidos (RASSINI et al., 1984).
O território brasileiro é caracterizado por uma grande diversidade
de tipos de solo condicionados pelas diferentes formas e tipos de relevo,
clima, material de origem, vegetação e organismos associados (BERNARDI
et al., 2002). O bioma Cerrado ocupa área heterogênea e não contínua
de 207 milhões de hectares, cobrindo cerca de um quarto de território
nacional. Estende-se pelas regiões Centro-Oeste (40%), Norte (20%),
Nordeste (20%) e Sudeste (20%) (SOUSA et al., 2008). Do ponto de vista
de disponibilidade hidrológica, esse bioma possui grande variabilidade
principalmente pelo fato de estar rodeado por diferentes ecossistemas,
cujas características climáticas acabam por influenciar o regime de chu-
vas ao longo de sua extensão (SILVA et al., 2008).
Na região Norte, os solos são profundos, altamente intemperizados,
ácidos, de baixa fertilidade natural e saturados por Al e predominam as
classes Latossolos e Argissolos. Na região Nordeste, ocorrem solos de
média a alta fertilidade natural, em geral pouco profundos em decorrên-
cia de seu baixo grau de intemperismo, caracterizados nas classes dos
Latossolos e Neossolos. A região Centro-Oeste é uma vasta superfície
muito intemperizada pelos processos erosivos naturais, onde predominam
os solos profundos, bem drenados, de baixa fertilidade natural, porém
com características físicas favoráveis à mecanização agrícola; a maioria
desses solos pertencente à classe dos Latossolos. Na região Sudeste,
predominam os Latossolos e Argissolos bem desenvolvidos e geralmente
de baixa fertilidade natural. Finalmente, na região Sul, os solos (originados
principalmente de rochas basálticas e sedimentos diversos) são mais fér-
teis do que os das outras regiões do Brasil e são distribuídos nas classes
dos Latossolos, Neossolos, Argissolos e Nitossolos. Entretanto, no Paraná,
maior estado brasileiro produtor de feijão-comum, a cultura se encon-
tra quase que exclusivamente vinculada a parâmetros desfavoráveis de
solos, como declividade elevada, baixa profundidade efetiva do perfil e
pedregosidade. Assim, o manejo desses solos deve priorizar a sua mínima
movimentação possível para preservar sua estrutura natural, proporcionar
adequadas condições de armazenamento de água e, consequentemente,
diminuir riscos de erosão (SANTOS et al., 2010).
Capítulo 1 • Solos e diagnose do estado nutricional 21

Os Latossolos são solos muito antigos, resultantes de fortes trans-


formações de seu material constitutivo ou oriundos de sedimentos já pré-
-intemperizados. Em consequência, há o predomínio, na fração argila,
de minerais nos últimos estádios de intemperismo, caulinitas e óxidos de
Fe e Al, sendo a fração areia também dominada por minerais altamente
resistentes à decomposição (predominantemente quartzo). Em geral,
os Latossolos são muito profundos, porosos, bem drenados, macios e
permeáveis, de textura variável, de média a muito argilosa em função
do material que lhes deu origem. Comumente, são de baixa fertilidade
natural e apresentam pequeno ou quase nulo aumento de teor de argila
do horizonte A para o B, pois são inexpressivos tanto a mobilização ou
migração de argila ao longo do perfil de solo como o desenvolvimento
de outros mecanismos de formação de solos que concorram para au-
mento significativo do conteúdo de argila em profundidade (COELHO
et al., 2006).

Propriedades químicas e físicas dos solos do Cerrado


Os solos brasileiros apresentam limitações químicas e físicas ao
desenvolvimento da agropecuária. As limitações químicas são a baixa
disponibilidade de macronutrientes primários, tais como nitrogênio (N),
fósforo (P) e K, e secundários, tais como cálcio (Ca), magnésio (Mg) e
enxofre (S), e de micronutrientes, como zinco (Zn) e cobre (Cu). Ademais,
existem grandes extensões de solos ácidos com baixa capacidade de
troca catiônica (CTC) e alto poder de fixação de P, assim como elevada
acidez trocável (Al3+). Com relação às limitações físicas, há regiões com
alto risco de erosão (BERNARDI et al., 2002). O feijoeiro-comum deve ser
cultivado em solos livres de encharcamento, bem estruturados e livres de
camada compactada até 60 cm de profundidade.
As propriedades químicas importantes do solo são pH, teor de
matéria orgânica e teores de macro e micronutrientes. Alguns índices,
como CTC, saturação por bases e saturação por Al, são calculados com
base em dados das análises químicas e são considerados na avaliação da
fertilidade do solo e na correção de acidez. Os solos do bioma Cerrado
são ácidos e muito deficientes em nutrientes essenciais. A quase totalida-
de dos Latossolos é distrófica ácida e com baixa CTC.
Para discutir as propriedades químicas dos solos do Cerrado, são
usados, como exemplo, dados de levantamento de fertilidade do solo
do Estado de Mato Grosso, que é um dos mais importantes na produção
22 Nutrição Mineral do Feijoeiro

de culturas como soja, arroz de terras altas, feijão e milho e que vem
tendo destaque na agricultura brasileira nos últimos anos. Um dos fatores
favoráveis à agricultura nesse estado é a precipitação pluvial adequada
e bem distribuída durante a primavera e o verão. No Brasil, existem
aproximadamente 106 milhões de hectares de área chamada “zona favo-
recida” (RECOMENDAÇÕES..., 1992), localizada na região amazônica ou
pré-amazônica, que inclui parte dos estados de Mato Grosso, Rondônia,
Acre, Amazonas, Pará e Maranhão. Essa região se caracteriza por apre-
sentar clima tropical, com período seco variando de 1 a 3 meses por ano,
de forma que normalmente não ocorre deficiência hídrica severa para as
culturas. Entretanto, os solos dessa região normalmente apresentam baixa
fertilidade natural e elevada acidez (GOEDERT, 1989). Em Mato Grosso,
foi feito um levantamento do estado nutricional em 43 locais, distribuídos
em 33 propriedades rurais, em três municípios da região da Chapada dos
Parecis. A distribuição dos pontos de amostragem foi a seguinte: 23 no
Município de Diamantino, 11 no Município de Sapezal e 9 no Município
de Campo Novo dos Parecis. Os resultados relativos às características
químicas dos solos são apresentados nas Tabelas 3 e 4.

Tabela 3. pH, teor de matéria orgânica e macronutrientes e micronutrientes em


amostras de solo da região da Chapada dos Parecis, Estado de Mato Grosso.

MO(1) P K Ca Mg Al Cu Zn Fe Mn
Amostra pHH
20 (g dm-3) (mg dm-3) (mmol dm-3) (mg dm-3)
1 5,5 21 2,8 56 18,9 6,6 1 0,4 1,3 50 4
2 5,6 14 0,9 16 10,8 8,3 2 0,2 0,4 99 4
3 5,5 16 1,4 14 6,3 4,6 4 0,2 0,4 131 5
4 5,6 26 14,8 28 27,0 6,9 1 0,8 5,6 47 5
5 5,6 26 5,1 34 23,4 6,2 2 0,4 2,5 47 4
6 5,7 20 5,9 36 24,3 7,5 1 0,4 3,6 44 4
7 5,3 20 4,9 37 13,5 4,6 2 0,7 3,6 55 4
8 5,7 20 4,0 32 25,2 13,4 1 0,4 1,8 57 7
9 5,8 20 8,3 50 25,2 8,2 1 0,9 6,3 52 7
10 5,2 28 5,8 73 15,3 5,5 1 0,2 1,4 56 13
11 5,5 18 0,6 17 9,0 6,6 2 0,4 0,3 74 2
12 5,2 15 3,5 37 9,9 5,1 4 0,3 1,4 53 7

Continua...
Capítulo 1 • Solos e diagnose do estado nutricional 23

Tabela 3. Continuação.

MO(1) P K Ca Mg Al Cu Zn Fe Mn
Amostra pHH
20 (g dm-3) (mg dm-3) (mmol dm-3) (mg dm-3)
13 5,7 20 11,5 28 24,3 10,4 1 0,5 4,1 50 4
14 5,5 22 2,6 34 15,3 8,7 3 0,6 1,5 76 8
15 6,3 24 1,9 20 32,4 24,2 2 0,4 1,3 30 6
16 5,6 22 1,2 20 13,5 9,7 0 1,0 8,7 121 6
17 5,4 22 3,9 23 19,8 7,3 2 0,6 2,6 52 3
18 5,4 20 4,9 25 19,8 8,7 2 0,5 2,7 49 3
19 5,7 22 1,2 34 20,7 8,7 2 0,7 1,5 67 11
20 5,6 23 4,1 51 17,1 8,0 1 0,6 3,3 49 3
21 5,4 20 1,8 30 18,9 8,3 1 0,7 3,0 55 4
22 4,8 23 5,5 33 8,1 2,2 1 0,5 2,4 50 5
23 5,5 17 2,3 25 18,9 10,7 1 1,0 3,0 54 4
24 5,2 24 3,1 33 17,1 7,6 4 0,8 3,5 72 6
25 5,9 24 4,8 33 23,4 10,4 1 0,7 3,4 41 4
26 5,5 23 6,5 16 17,1 5,3 2 0,6 5,7 59 6
27 5,9 16 7,0 28 26,1 9,0 4 0,6 4,5 45 5
28 5,6 15 2,6 33 22,5 11,2 1 0,6 1,3 99 6
29 5,4 19 7,4 33 15,3 6,0 2 0,7 3,7 46 4
30 5,7 16 1,8 25 20,7 12,7 1 0,3 1,3 52 4
31 5,5 20 5,9 25 20,7 7,2 1 0,3 2,1 46 4
32 5,2 20 7,9 30 15,3 5,8 3 0,5 2,2 54 4
33 5,3 12 3,0 12 5,4 4,0 3 0,2 0,8 88 4
34 5,3 26 5,4 55 17,1 7,9 2 0,3 1,4 60 4
35 5,8 31 2,6 66 21,6 17,0 1 0,3 0,7 57 7
36 5,2 27 0,6 20 6,3 5,4 1 0,2 0,3 80 2
37 5,2 23 2,5 27 12,8 5,5 4 0,5 1,4 63 4
38 5,0 30 0,9 14 7,2 4,7 2 0,3 0,4 71 3
39 5,4 8 5,4 20 9,0 5,8 2 0,2 0,4 99 2
40 5,3 27 2,6 25 19,8 7,2 2 0,7 1,6 46 3
41 5,9 30 4,9 51 34,2 16,8 0 0,6 1,9 36 4
42 5,3 29 0,9 33 8,1 6,5 4 0,4 0,8 73 4
43 5,8 27 2,6 25 22,5 13,7 1 0,7 3,1 44 3

Continua...
24 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 3. Continuação.

MO(1) P K Ca Mg Al Cu Zn Fe Mn
Amostra pHH
20 (g dm-3) (mg dm ) -3
(mmol dm )-3
(mg dm ) -3

Mínimo 4,8 8 0,6 12 5,4 2,2 0 0,2 0,3 30 2


Máximo 6,3 31 14,8 73 34,2 24,2 4 1,0 8,7 131 13
Média 5,50 21,5 4,12 31,6 17,7 8,4 1,8 0,51 2,40 61,60 4,79
DP (2)
0,28 5,1 2,93 13,7 7,01 4,02 1,1 0,22 1,81 21,70 2,17
Matéria orgânica; (2) Desvio padrão.
(1)

Fonte: Fageria e Breseghello (2004).

Tabela 4. Saturação por bases, saturação por alumínio, saturação por cálcio,
saturação por magnésio, saturação por potássio, relação cálcio/potássio, relação
cálcio/magnésio e relação magnésio/potássio em amostras de solo da região da
Chapada dos Parecis, Estado de Mato Grosso.

Saturação (%) Relação


Amostra
Bases Al Ca Mg K Ca/K Ca/Mg Mg/K
1 31 4 22 8 1,64 13 2,86 5
2 24 9 14 10 0,51 26 1,30 20
3 16 26 9 6 0,50 18 1,37 13
4 29 3 23 6 0,60 38 3,91 10
5 27 6 21 6 0,78 27 3,77 7
6 37 3 27 8 1,03 26 3,24 8
7 22 10 16 5 1,11 14 2,93 5
8 39 2 25 13 0,81 31 1,88 16
9 39 3 28 9 1,45 20 3,07 6
10 17 4 11 4 1,40 8 2,78 3
11 19 11 11 8 0,51 21 1,36 15
12 19 20 12 6 1,15 10 1,94 5
13 36 3 25 11 0,73 34 2,34 14
14 26 11 16 9 0,91 18 1,76 10
15 60 3 34 25 0,53 63 1,34 47
16 25 0 14 10 0,53 26 1,39 19
17 28 7 20 7 0,60 34 2,71 12
18 30 6 20 9 0,66 31 2,28 14

Continua...
Capítulo 1 • Solos e diagnose do estado nutricional 25

Tabela 4. Continuação.

Saturação (%) Relação


Amostra
Bases Al Ca Mg K Ca/K Ca/Mg Mg/K
19 32 6 22 9 0,93 24 2,38 10
20 27 4 17 8 1,32 13 2,14 6
21 33 3 22 10 0,90 25 2,28 11
22 11 8 8 2 0,85 10 3,68 3
23 35 3 22 12 0,75 29 1,77 17
24 20 14 13 6 0,64 20 2,25 9
25 34 3 23 10 0,84 28 2,25 12
26 22 8 18 5 0,40 42 3,23 13
27 47 10 34 12 0,94 36 2,90 13
28 39 3 26 13 0,96 27 2,01 13
29 27 8 18 7 1,01 18 2,55 7
30 38 3 23 14 0,71 32 1,63 20
31 30 3 21 7 0,66 32 2,88 11
32 22 12 15 6 0,76 20 2,64 8
33 16 24 9 7 0,52 18 1,35 13
34 22 7 14 7 1,17 12 2,16 6
35 31 2 17 13 1,30 13 1,27 10
36 11 8 6 5 0,48 12 1,17 11
37 16 18 11 5 0,59 18 2,29 8
38 9 14 5 3 0,25 20 1,53 13
39 21 12 13 8 0,72 18 1,55 11
40 23 7 16 6 0,53 31 2,75 11
41 50 0 33 16 1,25 26 2,04 13
42 12 21 6 5 0,67 10 1,25 8
43 34 3 21 12 0,58 35 1,64 21
Mínimo 9 0 5 2 0,25 8 1,17 3
Máximo 60 26 34 25 1,64 63 3,91 47
Média 28 8 18 9 0,82 24 2,23 12
DP (1)
10,78 6,33 7,36 4,03 0,31 10,62 0,74 7,08
Desvio padrão.
(1)

Fonte: Fageria e Breseghello (2004).


26 Nutrição Mineral do Feijoeiro

pH do solo e matéria orgânica


Medições de pH podem ser usadas para prever o comportamento
químico dos solos, particularmente em relação à disponibilidade de nu-
trientes e à presença de elementos tóxicos. Nos dados apresentados por
Fageria e Breseghello (2004) a respeito da produção em Mato Grosso,
o pH do solo variou de 4,8 a 6,3, com média de 5,5 (Tabela 3). O pH
adequado para a cultura do feijoeiro é relatado como sendo em torno
de 6,5 em solo de Cerrado (FAGERIA, 2008); portanto, a maioria das
amostras analisadas possuía pH baixo para a cultura do feijoeiro. Isso
significa que quase todas as propriedades rurais incluídas no estudo de
Fageria e Breseghello (2004) necessitavam de calagem para aumentar o
pH ao nível ideal para a cultura do feijoeiro.
A matéria orgânica exerce uma influência muito grande sobre as
propriedades físicas e químicas do solo, e sua quantidade e qualidade se
refletem na produtividade das culturas (FAGERIA et al., 1999). Solos po-
bres em matéria orgânica (de textura arenosa com concentração abaixo
de 8 g kg-1 ou de textura argilosa com concentração abaixo de 24 g kg-1)
normalmente não propiciam alta produtividade ao feijoeiro-comum, pois
o eficiente fornecimento de nutrientes para as raízes depende da quan-
tidade de matéria orgânica no solo, que deve ser de 11 g kg-1 a 15 g kg-1
em solos de textura arenosa ou de 31 g kg-1 a 45 g kg-1 em solos de
textura argilosa (SANTOS et al., 2010). O conteúdo de matéria orgânica
dos solos estudados por Fageria e Breseghello (2004) variou de 8 g dm-3
a 31 g dm-3, com média de 21,5 g dm-3 (Tabela 3). Em média, o teor de
matéria orgânica nas amostras analisadas foi razoavelmente bom, mas o
pH baixo e a mineralogia de solos altamente intemperizados, como os do
bioma Cerrado, que apresentam fração argila rica em óxidos, hidróxidos e
óxidos-hidróxidos de Fe e Al, não permitem sua mineralização adequada,
ficando a maior parte inativa (LOPES, 1983).

Fósforo, potássio, cálcio, magnésio e alumínio


O solo, especialmente na profundidade de 0 a 20 cm, deve apre-
sentar teores adequados de Ca, Mg, K e P para permitir a obtenção de
alta produtividade de feijão. Deve favorecer o crescimento radicular em
profundidade, pois raízes mais profundas oferecem à planta melhores
condições para sobreviver a veranicos que normalmente ocorrem na
época chuvosa no Cerrado e em parte da região Sul do Brasil, no bioma
Mata Atlântica.
Capítulo 1 • Solos e diagnose do estado nutricional 27

A maioria dos solos tropicais apresenta altos teores de óxidos de Fe


e de Al, o que propicia elevada capacidade de reter íons fosfato em formas
não lábeis e, consequentemente, baixa disponibilidade de P. Segundo
Fageria e Baligar (1996), a deficiência de P é considerada a principal limi-
tação para a produtividade em regiões tropicais, e estima-se que mais de
50% do feijoeiro desenvolvido nessas regiões ocorra em solos deficientes
em P. Entre as propriedades químicas avaliadas por Fageria e Breseghello
(2004), o teor de P foi a que teve maior variação, de 0,6 mg dm-3 a
14,8 mg dm-3, com média de 4,1 mg dm-3 (Tabela 3). Silveira et al. (2000)
também relataram alta variação no teor de P em solos do Cerrado em
comparação com outros nutrientes, como K, Ca e Mg. O nível adequado
de P para a cultura do feijoeiro é > 10 mg dm-3 (FAGERIA et al., 1996). Isso
significa que quase todas as amostras analisadas por Fageria e Breseghello
(2004) eram deficientes em P e que sua aplicação seria necessária para
se obter boa produtividade. A deficiência de P nos solos do Cerrado é
generalizada em razão do baixo teor natural desse nutriente e da sua alta
capacidade de fixação, o que resulta em baixa eficiência de recuperação
do P (FAGERIA, 2006a).
O teor de K nas amostras de Fageria e Breseghello (2004) variou
de 12 mg dm-3 a 73 mg dm-3, com média de 31,6 mg dm-3. O nível de K
considerado adequado para a cultura do feijoeiro é superior a 50 mg dm-3
(FAGERIA et al., 1996); portanto 84% das amostras analisadas eram defi-
cientes em K. As respostas do feijoeiro ao K não têm sido estáveis, como
as verificadas na presença de N e P.
O teor de Ca nos solos analisados por Fageria e Breseghello
(2004) variou de 5,4 mmol dm-3 a 34,2 mmol dm-3, enquanto o de Mg
variou de 2,2 mmol dm-3 a 24,2 mmol dm-3. O valor médio de Ca foi
de 17,7 mmol dm-3 e o de Mg foi de 8,4 mmol dm-3. O nível adequa-
do de Ca para a cultura do feijoeiro é > 20,0 mmol dm-3 e o de Mg é
> 10,0 mmol dm-3 (FAGERIA et al., 2010; RIBEIRO et al., 1999).
As raízes das plantas não se desenvolvem adequadamente em solos
muito ácidos, contendo excesso de Al trocável ou teores muito baixos
de Ca. A acidez pode ser decorrente da rocha de origem, da remoção
das bases, de baixos teores de Ca, Mg e K, da decomposição da matéria
orgânica e da absorção de nutrientes pelas plantas (BERNARDI et al.,
2002). No estudo de Fageria e Breseghello (2004), o teor de Al variou de
0 a 4 mmol dm-3 com valor médio de 1,8 mmol dm-3 (Tabela 3). A cultura
do feijoeiro é sensível à acidez do solo, e a produtividade diminui com
28 Nutrição Mineral do Feijoeiro

o incremento de Al no solo (FAGERIA; SANTOS, 1998b). O Al impede a


absorção de P pela planta e dificulta a divisão celular das raízes. De acor-
do com Ribeiro et al. (1999), o nível crítico tóxico de Al, para a maioria
das culturas, é atingido quando o teor desse elemento é maior do que
10 mmol dm-3 no solo. Portanto, os níveis de Al encontrados por Fageria
e Breseghello (2004) não são prejudiciais para as culturas anuais, como
o feijoeiro.

Cobre, zinco, ferro e manganês

A importância dos micronutrientes na agricultura brasileira tem


aumentado, nos últimos anos, graças ao cultivo intensivo dos solos, ao
uso de calagem para corrigir a acidez, à erosão do solo e ao uso de cul-
tivares modernas que necessitam de níveis mais altos de micronutrientes.
Os teores de Cu nos solos de Cerrado do Estado de Mato Grosso variaram
de 0,2 mg dm-3 a 1,0 mg dm-3, com média de 0,51 mg dm-3 (Tabela 3).
O nível adequado de micronutrientes depende do pH do solo e do extra-
tor utilizado. No caso do Cu, situa-se na faixa de 0,5 mg dm-3 a 3 mg dm-3,
em solo do Cerrado, para as culturas anuais, utilizando o extrator Mehlich
1 e pH na faixa de 5,5 a 6,0 (FAGERIA, 1998a). Baseando-se no limite
mínimo, Fageria e Breseghello (2004) constataram que 44% dos pontos
avaliados eram deficientes em Cu. Por outro lado, considerando o limite
superior, todos os pontos eram deficientes nesse micronutriente.
Nos dados de Fageria e Breseghello (2004), o teor de Zn variou de
0,3 mg dm-3 a 8,7 mg dm-3, com valor médio de 2,4 mg dm-3. Cox (1987)
e Martens e Lindsay (1990) fizeram revisões de literatura sobre os níveis
críticos de Zn em vários solos e culturas e relataram que eles variaram
de extrator para extrator e de cultura para cultura. Esses autores atestam,
ainda, que os níveis críticos de Zn estão na faixa de 0,5 mg dm-3 a
3 mg dm-3 de solo para as culturas de arroz, feijão, milho e soja pelo
extrator Mehlich 1. Fageria (2000b) relatou que os níveis de Zn no solo
do Cerrado variaram de 0,5 mg dm-3 a 5 mg dm-3, pelo extrator Mehlich
1, para as culturas de arroz, feijão, milho, soja e trigo. Ainda, Fageria
(1998) relatou que o nível adequado de Zn em solo do Cerrado para o
desenvolvimento normal da planta de feijão está na faixa de 1 mg dm-3
a 3 mg dm-3. Levando-se em consideração o valor de Zn de 1 mg dm-3
do solo, observa-se que 21% das amostras analisadas são deficientes
em Zn.
Capítulo 1 • Solos e diagnose do estado nutricional 29

O valor adequado de Fe para culturas anuais está na faixa de


5 mg dm-3 a 10 mg dm-3, e o de Mn está entre 4 mg dm-3 a 8 mg dm-3, pelo
extrator Mehlich 1, em solo do Cerrado (FAGERIA, 1998b). As amostras
analisadas por Fageria e Breseghello (2004) continham suficiente Fe, mas
21% das amostras apresentaram nível de Mn abaixo de 4 mg dm-3 do
solo, ou seja, um nível inadequado. Outras 18 amostras apresentaram Mn
igual a 4 mg dm-3 do solo, ou seja, um valor crítico. Se se considerar as
amostras com níveis de calagem e produção insuficientes nesse bioma, a
porcentagem de amostras deficientes sobe para 63%, o que coloca o Mn
como uma das maiores preocupações nesses solos.

Saturação por bases, saturações por alumínio, cálcio,


magnésio e potássio e relações cálcio/potássio, cálcio/magnésio
e magnésio/potássio
A porcentagem de saturação por bases na CTC da maioria dos
Latossolos é inferior a 50%, o que caracteriza solos distróficos. Conforme
Fageria e Breseghello (2004), os valores de saturação por bases nos solos
da região da Chapada dos Parecis, MT, variaram de 9% a 60%, com mé-
dia de 28% (Tabela 4). O percentual adequado de saturação por bases
para a cultura do feijoeiro relatada por vários autores situa-se na faixa
de 60% a 70% (FAGERIA, et al., 2008, 2010). Para as outras culturas
da rotação (soja e milho), a faixa é de 50% a 70% em solo do Cerrado
(FAGERIA; STONE, 1999). Levando-se em consideração o limite > 60%
para o feijoeiro, a maioria das amostras apresenta baixa saturação por
bases. Em geral, os Latossolos apresentam saturação por Al maior do
que 50%, que, aliada aos baixos teores de Ca, determina restrições para
o crescimento das raízes de muitas plantas cultivadas. Com relação à sa-
turação por Al, Fageria e Breseghello (2004) observaram que os valores
oscilaram de 0 a 26%, com valor médio de 7,8%. O nível crítico tóxico
de saturação por Al é de 70% para arroz de terras altas, 15% para soja,
19% para milho e 10% para o feijoeiro em solo do Cerrado (FAGERIA;
STONE, 1999). A maioria das amostras de Fageria e Breseghello (2004)
apresentou baixa saturação por Al quando se consideram culturas mais
suscetíveis (Tabela 4).
Conforme os dados de Fageria e Breseghello (2004), os valores de
saturação por Ca variaram de 5% a 34%, os de saturação por Mg de 2%
a 25% e os de saturação por K de 0,25% a 1,64%. A relação Ca/K variou
de 8 a 63, a relação de Ca/Mg de 1,17 a 3,91 e a relação de Mg/K de 3 a
30 Nutrição Mineral do Feijoeiro

47 (Tabela 4). São escassas as informações sobre os níveis adequados de


saturação por Ca, Mg e K e as relações entre Ca/K, Ca/Mg e Mg/K para a
produção de culturas como feijão, milho e soja em solo do bioma Cerrado.
Entretanto, Kamprath (1984) relata o nível adequado de saturação por Ca
na faixa de 25% a 30% em solos tropicais ácidos e intemperizados, como
os do Cerrado. Camberato (1999) afirma que, geralmente, saturação por
Mg maior do que 10% é necessária para assegurar fornecimento desse
nutriente para culturas anuais. Eckert (1987) relata que o nível adequado
de saturação por K está na faixa de 2% a 5%. Isso significa que 81% das
amostras de Fageria e Breseghello (2004) são deficientes em saturação
por Ca, 67% são deficientes em saturação por Mg e 100% são deficientes
em saturação por K.
Liebhardt (1981) considera valor em torno de 5 como nível ade-
quado da relação Ca/K para culturas anuais e, com base nesse critério,
observou-se que todas as amostras de Fageria e Breseghello (2004) ti-
nham relação Ca/K bastante alta, o que indica que o teor de K é baixo em
relação ao de Ca e que existe um desequilíbrio nesses solos. Cochrane
(1989) menciona o valor de 2 para a relação Ca/Mg como nível adequado
em solo do bioma Cerrado. Com base nesse critério, constata-se que 40%
de amostras analisadas por Fageria e Breseghello (2004) estão abaixo do
limite. Para a relação Mg/K, Rosolem et al. (1984) propõem que valor
maior do que 0,6 seria adequado em Latossolos brasileiros, enquanto
Lierop et al. (1979) e Rahmatullah e Baker (1981) propõem um valor em
torno de 0,5 para vários tipos de solos e culturas. Com base nesse critério,
os valores na maioria das amostras de Fageria e Breseghello (2004) são
bastante altos, o que significa desequilíbrio entre Mg e K.

Areia, silte e argila


Os solos da região do Cerrado variam largamente na sua compo-
sição textural. Mendes (1972), analisando 1.200 amostras desses solos,
verificou que 88% delas compreendem quatro grupos texturais: fran-
coarenoso, argiloso, francoargiloarenoso e francoargiloso. Na Tabela 5,
é apresentada a composição granulométrica de duas classes de solos
representativas do Cerrado. De acordo com os resultados dessas análises,
verifica-se que o Latossolo Vermelho é mais argiloso do que o Latossolo
Vermelho-Amarelo. Os principais componentes granulométricos são
argila e areia. O teor de argila variou de 290 g kg-1 a 480 g kg-1 e o de
silte apresentou-se relativamente constante (para quaisquer combinações
Capítulo 1 • Solos e diagnose do estado nutricional 31

entre argila e areia), situando-se entre 90 g kg-1 e 190 g kg-1. Em razão de


sua estrutura, a capacidade de retenção de água disponível é pequena,
mesmo nos solos argilosos.

Tabela 5. Composição granulométrica de um Latossolo Vermelho e de um


Latossolo Vermelho-Amarelo do Cerrado.

Profundidade (cm) Areia (g kg-1) Silte (g kg-1) Argila (g kg-1)


Latossolo Vermelho
0–10 360 190 450
10–35 330 190 480
35–70 350 180 470
70–150 350 180 470
Latossolo Vermelho-Amarelo
0–20 600 90 310
20–40 540 120 340
100–120 550 160 290
Fonte: adaptado de Embrapa (1976).

Propriedades químicas e físicas de solos de várzeas


As várzeas caracterizam-se por apresentar solos planos, comumen-
te formados em condições de excesso de água ou sujeitos a inundações
periódicas, o que lhes confere condições especiais, diferentes das dos
solos de terras altas no que diz respeito aos atributos químicos, físicos e
biológicos. No País, existem cerca de 35 milhões de hectares de várzeas e,
por causa de sua maior estabilidade, esse ecossistema é suscetível ao uso
de alta tecnologia. Embora, no Brasil, o potencial de várzea seja grande, a
maioria ainda não é utilizada para produção de culturas anuais. Os solos
de várzea desenvolvem-se sobre materiais de origens bastante distintas e
são formados em diferentes graus de hidromorfismo (excesso de água).
Em consequência, apresentam grande variação vertical (no perfil) e hori-
zontal (na paisagem) das características morfológicas, físicas, químicas e
mineralógicas, o que determina seu agrupamento em diferentes Ordens
de solos, com diferentes limitações e aptidões de uso. Os solos predomi-
nantes nas várzeas tropicais são os Gleissolos, que compreendem solos
hidromórficos, isso é, formados sob grande influência do excesso de
32 Nutrição Mineral do Feijoeiro

umidade, permanente ou temporária. Caracterizam-se por apresentar um


horizonte com cores cinzentas ou neutras (horizonte glei) que, em geral,
inicia-se dentro de 50 cm da superfície do solo ou imediatamente abaixo
de um horizonte A. Os Gleissolos ocupam, geralmente, as depressões
da paisagem e, como tal, estão permanente ou temporariamente enchar-
cados, salvo se artificialmente drenados. Em geral, desenvolvem-se em
sedimentos recentes nas proximidades dos cursos d’água e em materiais
colúvio-aluviais sujeitos a condições de hidromorfismo, como as várzeas
e baixadas (COELHO et al., 2006). Assim, situam-se indiscriminadamente
em todas as áreas úmidas do território brasileiro, onde o lençol freático
fica elevado durante a maior parte do ano (COELHO et al., 2002).
As propriedades químicas e as composições granulométricas dos
solos são associadas com sua capacidade de fornecer os nutrientes, reter
a água e possibilitar atividades microbiológicas e, consequentemente,
com a produtividade das culturas. Portanto, o conhecimento das proprie-
dades químicas e das composições granulométricas dos solos de várzea
é importante para adoção de práticas de manejo da fertilidade, irrigação
e drenagem e para obtenção de altos níveis de produtividade. Dessa
maneira, é possível reduzir o custo de produção e proporcionar menor
degradação dos solos e do meio ambiente. A caracterização química e
granulométrica de solos de várzeas de alguns estados brasileiros, como
Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte,
Piauí, Maranhão, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, foi feita por
Fageria et al. (1991b, 1994a, 1997c) e, no Rio Grande do Sul, foi feita por
Klamt et al. (1985).

pH do solo e matéria orgânica

O pH é uma importante propriedade química do solo, particu-


larmente em relação à disponibilidade de nutrientes e à presença de
elementos tóxicos. Nos estudos de Fageria et al. (1991b, 1994a, 1997c) e
de Klamt et al. (1985), o pH médio na camada superficial (de 0 a 20 cm)
dos solos foi de 5,3 e, em média, aumentou com a profundidade. O grau
de acidez do solo está descrito, quantitativamente, como ligeiramente
ácido (pH entre 6 e 7), moderadamente ácido (pH entre 5,5 e 6), forte-
mente ácido (pH entre 5 e 5,5), muito ácido (pH 4,5 e 5) e extremamente
ácido (pH menor do que 4,5) (FAGERIA et al., 1999). Isso significa que a
maioria dos solos de várzea analisados é fortemente ácida até 40 cm de
Capítulo 1 • Solos e diagnose do estado nutricional 33

profundidade e necessita de calagem para aumentar a produtividade das


culturas, principalmente das leguminosas.
A matéria orgânica afeta os atributos físicos, químicos e biológicos
do solo. Conhecer sua composição é fundamental para o manejo apro-
priado na produção agrícola e, por esse motivo, tem sido utilizada como
indicador da qualidade do solo (MIELNICZUK, 2008; NASCIMENTO
et al., 2009; VEZZANI, 2001). Nos estudos sobre solos no território brasi-
leiro, o conteúdo médio de matéria orgânica foi de 42 g kg-1 na camada
de 0 e 20 cm; 22 g kg-1 nas camadas de 20 cm a 40 cm e de 40 cm a
60 cm; e 9 g kg-1 na camada de 60 cm a 80 cm de profundidade (FAGERIA
et al., 1991a, 1994a, 1997c). Em geral, a matéria orgânica diminui com
a profundidade do solo. O teor médio de matéria orgânica da camada
superficial de amostras de solo de oito locais do Rio Grande do Sul foi
de 41 g kg-1 (KLAMT et al., 1985). Porém, Parfitt et al. (2009) relataram
que o teor médio de matéria orgânica em 31 amostras de solo foi de
2,09 g kg-1. Cochrane et al. (1985), ao fazer um levantamento das terras de
baixada da América Tropical, assim classificaram esses solos, em termos
de matéria orgânica: teor alto quando houver > 45 g kg-1 (4,5%) de ma-
téria orgânica; teor médio quando houver de 15 g kg-1 a 45 g kg-1 (1,5% a
4,5%) de matéria orgânica; e teor baixo quando houver < 15 g kg-1 (1,5%)
de matéria orgânica. De acordo com essa classificação, 38% dos solos na
camada superficial (de 0 a 20 cm) tinham alto teor de matéria orgânica,
e o restante tinha níveis médio ou baixo (FAGERIA et al., 1991a, 1994a,
1997c). No Rio Grande do Sul, dos oito locais analisados, somente três
tinham teores de matéria orgânica altos.

Fósforo, potássio, cálcio, magnésio e alumínio


O extrator Mehlich 1 e a resina de troca aniônica são os métodos
mais utilizados pelos laboratórios de análises de solos do Brasil para
avaliar a disponibilidade de P para as culturas (GONÇALVES; MEURER,
2008). Os valores médios de P variaram de 19,8 mg kg-1 na camada super-
ficial (de 0 a 20 cm) a 13,8 mg kg-1 na camada mais profunda (de 60 cm
a 80 cm). Fageria e Santos (1998b) fizeram calibração de análise de solo
de várzea para produção de feijoeiro e assim classificaram os teores de
P: muito baixo (de 0 a 5,3 mg kg-1), baixo (de 5,3 mg kg-1 a 7,1 mg kg-1),
médio (de 7,1 mg kg-1 a 9,0 mg kg-1) e alto (> 9,0 mg kg-1). De acordo com
essa classificação, todos os perfis dos solos tinham alto teor de P para a
produção de feijoeiro.
34 Nutrição Mineral do Feijoeiro

A maioria das culturas não responde à adubação quando o teor


de K é maior do que 50 mg kg-1 no solo, o teor de Ca é maior do que
2 cmolc kg-1 e o teor de Mg é maior do que 1 cmolc kg-1. Isso significa
que os solos de várzea analisados por Fageria et al. (1991b, 1994a, 1997c)
tinham esses elementos em níveis suficientes de K para a produção
de culturas anuais até 80 cm de profundidade. Em geral, os teores de
P, K e Ca diminuíram com a profundidade do solo. Em média, o teor
de Al variou de 1,3 cmolc kg-1 na camada mais profunda (de 60 cm a
80 cm) a 1,7 cmolc kg-1 na camada de 40 cm a 60 cm de profundidade.
Considerando apenas o teor de Al, cerca de 1 cmolc kg-1 é considerado
tóxico para a maioria das culturas (LOPES; COX, 1977). Portanto, em mé-
dia, todos os solos analisados possuíam teores altos de Al para as culturas,
principalmente para as leguminosas.

Cobre, zinco, ferro e manganês

Os valores desses micronutrientes variaram consideravelmente nas


amostras analisadas por Fageria et al. (1991a, 1994a, 1997c). Parfitt et al.
(2009) relataram teor de Mn de 12,23 mg kg-1, teor de B de 0,33 mg kg-1,
teor de Cu de 1,26 mg kg-1 e teor de Zn de 1,09 mg kg-1 nos Gleissolos do
Rio Grande do Sul.
Do ponto de vista de fertilidade, todos os nutrientes estavam em
concentrações adequadas para a produção das culturas, inclusive do
feijoeiro. Em poucas amostras, o teor de Zn se encontrava no nível crítico,
chegando a cerca de 2 mg kg-1(FAGERIA, 1989b).

Saturação por bases, saturação


por alumínio e capacidade de troca de cátions

A saturação por bases pode ser definida como a proporção da CTC


que envolve bases trocáveis, que são K, Ca, Mg e Na. Baixa porcenta-
gem de saturação por bases significa uma predominância de hidrogênio
(H) e Al no complexo de troca. Deficiências de Ca, Mg e K ocorrem,
comumente, em solos com baixa CTC e baixa saturação por bases. Taxa
de 50% a 60% da saturação por bases é considerada adequada para a
maioria dos cereais, e taxa de 60% a 70% é adequada para a maioria das
leguminosas (FAGERIA, 1989). De acordo com o critério acima, a maioria
das amostras dos solos de várzea analisadas por Fageria et al. (1991b,
1994a, 1997c) tinha baixos teores de saturação por bases. Isso significa
Capítulo 1 • Solos e diagnose do estado nutricional 35

que alguns desses solos precisavam de calagem para uma boa produção
das culturas.
A saturação por Al é considerada um dos melhores índices de
toxidez de Al nos solos tropicais (COCHRANE, 1989). Os valores de
aproximadamente 10% para feijão, 20% para soja e sorgo, de 25% a 30%
para milho e 70% para o arroz são considerados tóxicos (FAGERIA et al.,
1997a). Portanto, a maioria das amostras de solos de várzea analisadas
por Fageria et al. (1991b, 1994a, 1997c) possui alto valor de saturação por
Al para a maioria das culturas.
O número total de cátions trocáveis que um solo pode reter é
chamado CTC. Quanto mais alta a CTC de um solo, mais cátions ele
pode reter. Os principais fatores que afetam a CTC do solo são a textura,
a quantidade e o tipo de argila e o teor de matéria orgânica. A CTC pode
ser classificada como baixa (menor do que 10 cmolc kg-1), moderada-
mente baixa (de 10 cmolc kg-1 a 20 cmolc kg-1), moderadamente alta (de
20 cmolc kg-1 a 30 cmolc kg-1), alta (de 30 cmolc kg-1 a 50 cmolc kg-1) e
muito alta (maior do que 50 cmolc kg-1) (FAGERIA et al., 1999). Essa é uma
classificação aproximada, que pode ser considerada como referência. De
acordo com esse critério, a maioria das amostras analisadas por Fageria
et al. (1991b, 1994a, 1997c) tinha CTC moderadamente alta na camada
superficial do solo.

Areia, silte e argila


Na profundidade de 0 a 20 cm do solo, os teores médios foram de
354 g kg-1 de areia, 272 g kg-1 de silte e 374 g kg-1 de argila (FAGERIA et al.,
1991b, 1994a, 1997c). Nos solos de várzeas do Estado do Rio Grande do
Sul, os valores médios foram de 470 g kg-1 de areia, 246 g kg-1 de silte e
284 g kg-1 de argila. De acordo com Ribeiro et al. (1999), solos arenosos
possuem < 15% de argila; solos de textura média contêm de 15% a 35%
de argila; solos argilosos contêm de 35% a 60% de argila; e solos muito
argilosos contêm > 60% de argila. Isso significa que a maioria dos solos
de várzea é argilosa.

Diagnose do estado nutricional


A nutrição mineral é definida como o fornecimento, a transloca-
ção, a absorção e a utilização de compostos químicos necessários para o
crescimento das plantas (FAGERIA et al., 1999). Para o desenvolvimento
36 Nutrição Mineral do Feijoeiro

normal da planta, são necessários 17 nutrientes: carbono (C), H, oxigênio


(O), N, P, K, Ca, Mg, S, Zn, Cu, Fe, Mn, boro (B), molibdênio (Mo), cloro
(Cl) e níquel (Ni) (FAGERIA; BALIGAR, 2005a; FAGERIA et al., 1997a,
2002). Os métodos mais usados na avaliação do estado nutricional da
planta são sintomas visuais de deficiência ou toxidez e análise química
da planta.
Pelo critério da essencialidade, cada nutriente desempenha funções
definidas dentro da planta, e nenhum pode ser substituído por outro.
Todos os nutrientes essenciais devem estar presentes na forma e quantida-
de adequadas para produzir resultados satisfatórios. Os cátions ou ânions
podem ser absorvidos de forma independente e não necessariamente
em quantidades iguais. A eletroneutralidade deve ser mantida dentro
de limites razoáveis na planta e no meio de crescimento. Portanto, a
relação iônica possui importância especial para a nutrição de plantas.
As principais formas de absorção e funções de macro e micronutrientes
são apresentadas na Tabela 6.

Tabela 6. Formas de absorção e funções dos macronutrientes e micronutrientes


na planta.

Nutriente Forma de absorção Função

Carbono (C) CO2 Componente básico de carboidratos,


proteínas, lipídios e ácido nucleico
Hidrogênio (H) H2O Elemento que mantém o balanço iônico, é
o principal agente redutor e fornecedor de
energia para células
Oxigênio (O) H2O, O2 Elemento que faz parte dos compostos
orgânicos da planta
Nitrogênio (N) NH4+, NO3- Componente da clorofila e que leva ao
aumento do número de panículas e do
número de grãos
Fósforo (P) H2PO4-, HPO42- Elemento que promove a transferência de
energia e o metabolismo de proteínas na
planta
Potássio (K) K+ Elemento auxiliar na regulação iônica e
osmótica, na regulação de muitas enzimas de
carboidratos e no metabolismo de proteínas
Cálcio (Ca) Ca2+ Elemento envolvido na divisão das
células, na manutenção da integridade de
membranas e na neutralização de ácidos
tóxicos
Continua...
Capítulo 1 • Solos e diagnose do estado nutricional 37

Tabela 6. Continuação.

Nutriente Forma de absorção Função


Magnésio (Mg) Mg 2+
Componente da clorofila e ativador de
diversas reações enzimáticas
Enxofre (S) SO42- Elemento envolvido em reações energéticas
nas células da planta
Ferro (Fe) Fe2+, Fe3+ Ativador de diversas enzimas, que entram
em reações na planta, como formação
da clorofila, transporte de elétrons na
fotossíntese e síntese de proteína
Zinco (Zn) Zn2+ Componente de várias enzimas
Manganês (Mn) Mn2+ Transportador de elétrons na fotossíntese
e elemento essencial na formação da
clorofila
Cobre (Cu) Cu2+ Ativador de enzimas de oxirredução
Boro (B) B(OH)3 0
Elemento essencial para formação das
células e ativador de certas enzimas
Molibdênio (Mo) Mo Elemento diretamente relacionado ao
metabolismo do N
Cloro (Cl) Cl- Elemento essencial para a fotossíntese e
ativador de enzimas
Níquel (Ni) Ni2+ Redutor da toxidez de ureia nas plantas
Fonte: Fageria e Baligar (2005b) e Fageria et al. (1997a).

Sintomas visuais das deficiências


Quando o teor de um determinado nutriente é baixo no solo, as
plantas não podem absorvê-lo em quantidades suficientes para o seu
crescimento normal. Assim, aparecem alguns sintomas de deficiência,
os quais podem estar relacionados com a redução da altura da planta,
dos ramos e do crescimento das raízes e com a descoloração das folhas
(FAGERIA et al., 2006a). Os sintomas de deficiência ou toxidez geralmen-
te estão relacionados à clorose e necrose das folhas. A mobilidade do
nutriente dentro da planta e a posição das folhas que sofrem deficiência
estão interligadas. Para nutrientes de baixa mobilidade, como Fe, B, Cu,
Ca e S, os sintomas aparecem primeiramente nas folhas superiores ou
mais novas. Por outro lado, para nutrientes com mais mobilidade, como
N, P, K e Mg, os sintomas de deficiência aparecem primeiro nas folhas
mais velhas.
38 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Há dois tipos de clorose: a internerval e a uniforme em toda a folha.


A deficiência de Fe, Mn e Mg provoca clorose internerval; a deficiência
de N e de S provoca clorose uniforme em todas as partes da folha. Os sin-
tomas de toxidez nutricional geralmente aparecem nas folhas mais velhas,
onde o elemento absorvido se acumula em maior quantidade. As foto-
grafias coloridas com sintomas de deficiência nas plantas de feijoeiro são
apresentadas nos capítulos relacionados a cada nutriente.

Análise de plantas
A análise da planta (ou, mais especificamente, a análise química
quantitativa de uma planta ou parte dela) fornece um valor integrado de
todos os fatores que influenciam a composição da planta no momento
da amostragem. A ideia básica do uso da análise de plantas é que o
elemento essencial para o crescimento esteja presente na planta a uma
concentração suficiente. Comparando-se a concentração de um dado nu-
triente na planta com seu nível crítico, previamente estabelecido, pode-se
determinar o estado nutricional dessa planta. Plantas que apresentam
concentração acima do nível crítico são consideradas supridas, enquanto
as que apresentam concentração abaixo do nível crítico são consideradas
deficientes (FAGERIA, 1984; FAGERIA et al., 1999).

Necessidade de nutrientes para o


feijoeiro baseada na acumulação nas plantas
A acumulação de nutrientes na planta é determinada pela multi-
plicação do teor na planta pela massa da matéria seca da parte aérea ou
dos grãos. Com o conhecimento do valor de acumulação de nutrientes
na planta, é possível determinar a quantidade de nutrientes necessária
para produzir uma determinada quantidade de grãos. As quantidades de
nutrientes necessárias para produzir 1 tonelada de grãos de feijão são
apresentadas na Tabela 7. A eficiência de uso de N foi de 27,4 kg grãos
produzidos por kg de N acumulado na planta do feijoeiro. Da mesma
maneira, a eficiência de uso de P foi de 238,2 kg de grãos produzidos
por kg de P acumulado na parte aérea e nos grãos do feijoeiro. Entre
os macronutrientes, o que resultou em mais eficiência na produção de
grãos foi o Mg seguido pelo P. Entre os micronutrientes, os que resul-
taram em mais eficiência na produção de grãos foram, na ordem, Cu >
Mn > Zn > Fe. Para produzir 1 tonelada de grãos, a necessidade de N
foi maior e a necessidade de Mg foi menor entre os macronutrientes.
Capítulo 1 • Solos e diagnose do estado nutricional 39

Entre os micronutrientes, para produzir 1 tonelada de grãos, a eficiência


de Fe foi a maior e a de Cu foi a menor.

Tabela 7. Eficiência no uso de nutrientes pelo feijoeiro cultivado em solo do


bioma Cerrado.

Exportação para os
Eficiência no uso(1) Necessidade para
Nutriente grãos (% do total
(kg kg-1 ou kg g-1) produzir 1 t(2) (kg ou g)
acumulado)

N 27,4 36,5 88

P 238,2 4,2 90

K 36,7 27,2 61

Ca 126,5 7,9 28

Mg 255,5 3,9 41

Zn 20,9 48,0 67

Cu 88,1 11,4 79

Mn 48,4 20,7 61

Fe 3,0 333,1 21
(1)
Eficiência no uso é a produção de grãos em quilograma dividida pela acumulação de nutriente
na parte aérea e nos grãos. A acumulação de macronutrientes é dada em quilograma, e a acumu-
lação de micronutrientes é dada em grama.
(2)
A necessidade de macronutrientes é dada em quilograma e a de micronutrientes é dada em
grama.
Fonte: Fageria et al. (2007).

Considerações finais
O feijoeiro-comum é uma cultura importante na América Latina
sob os pontos de vista social e econômico. O Brasil é o maior produtor
e consumidor dessa leguminosa. A baixa produtividade do feijoeiro no
Brasil (em torno de 900 kg ha-1) está associada com estresses bióticos
e abióticos. A maior parte do feijoeiro é cultivada em solos aeróbicos,
como os do Cerrado. Porém, recentemente, com o desenvolvimento de
tecnologia, o feijoeiro passou a ser cultivado em solos de várzeas com
subirrigação. Tanto os solos do Cerrado como os de várzeas são ácidos e
deficientes nos principais nutrientes essenciais para as plantas. Com isso,
o uso de adubação e calagem torna-se fundamental para aumentar a
40 Nutrição Mineral do Feijoeiro

produtividade e reduzir o custo de produção e a degradação do meio


ambiente. A quantidade de nutrientes acumulada para produzir uma to-
nelada de grãos de feijão está nas seguintes ordens: N > K > Ca > P > Mg
para macronutrientes e Fe > Zn > Mn > Cu para micronutrientes. A maior
parte de N, P e K é exportada para os grãos, o que significa que esses
nutrientes precisam ser aplicados no solo periodicamente para manter ou
sustentar a produtividade da cultura a longo prazo.
Capítulo 2

Fisiologia da produtividade
42 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
O conhecimento da fisiologia da produtividade é importante para
entender o processo de formação de seus componentes durante o ciclo
das culturas. Com isso, é possível adotar medidas ou práticas apropriadas
de manejo para melhorar o processo produtivo das culturas. A formação
da produtividade é bastante complexa por ser influenciada por vários
fatores como clima, solo e planta. A situação pode ser ainda mais comple-
xa graças às interações entre esses fatores ambientais. Muitos processos
fisiológicos que controlam a produtividade variam de genótipo para
genótipo (KELLY et al., 1999). Porém, o conhecimento da base fisiológica
da produtividade de qualquer cultura pode, com modificações, ser usado
para avaliar outras culturas (WALLACE et al., 1972). O feijoeiro-comum
é uma cultura muito sensível aos estresses bióticos e abióticos. Entre os
estresses abióticos estão temperatura, disponibilidade de água, fertilidade
do solo e radiação solar. Os estresses bióticos envolvem doenças e pragas,
plantas daninhas e microrganismos do solo.
A produtividade das culturas está associada com várias característi-
cas morfológicas e com seus componentes. As características morfológicas
do feijão associadas com a produtividade incluem altura, massa da matéria
seca da parte aérea (MSPA) e das raízes e área foliar. Os componentes da
produtividade são número de vagens por planta ou por unidade de área,
massa de 100 sementes e número de sementes por vagem (FAGERIA et al.,
2006). Além disso, o índice de colheita de grãos e o índice de colheita
de nitrogênio (N) são positivamente associados com a produtividade do
feijoeiro (FAGERIA et al., 2006; FAGERIA; SANTOS, 2008).
Este Capítulo tem como objetivo discutir a fisiologia da produtivi-
dade do feijoeiro.

Crescimento e desenvolvimento
Ocorrem várias mudanças morfológicas durante o ciclo da cultura,
desde a germinação até a maturação fisiológica. O ciclo do feijoeiro varia
de 65 a 110 dias, dependendo das cultivares e das condições ambientais.
Ele é dividido em duas fases principais: fase vegetativa e fase reprodutiva.
Durante a fase vegetativa, ocorre o desenvolvimento do sistema radicular,
das folhas trifolioladas, dos nós e dos ramos. A fase reprodutiva está
mais associada com a floração, a formação de vagens e o enchimento de
grãos. A MSPA está associada com a produtividade do feijoeiro e com a
Capítulo 2 • Fisiologia da produtividade 43

absorção e acumulação de nutrientes. Desse modo, é importante men-


surar a acumulação de matéria seca durante o ciclo da cultura. As fases
de desenvolvimento da cultivar de feijão Pérola em solo de Cerrado na
área experimental da Fazenda Capivara da Embrapa Arroz e Feijão são
ilustradas na Figura 1. A cultivar completou seu ciclo (da semeadura até a
maturação fisiológica) em 97 dias. Houve aumento significativo (97% de
variabilidade) da MSPA com o avanço da idade da planta até aos 78 dias,
sendo que, aproximadamente até aos 60 dias, o aumento foi linear, o
que está relacionado com o aumento do tamanho das folhas e ramos e
da massa do caule. A diminuição da MSPA após 78 dias de idade está
associada com a queda de folhas e com a translocação de produto fotos-
sintético para a formação de vagens e grãos.
Em cultivares com ciclo de 97 dias (da semeadura até a maturação
fisiológica), a floração começa aproximadamente 43 dias após a seme-
adura, a formação de vagens aos 45 dias, e o enchimento de grãos aos
65 dias, sob condições ambientais normais (TANAKA; FUJITA, 1979).

Figura 1. Relação entre idade da planta e maté-


ria seca da parte aérea (MSPA) de feijão.
**Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria e Santos (2008).
44 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Relação entre massa da matéria


seca da parte aérea e produtividade

A produtividade das culturas anuais, inclusive do feijoeiro, de-


pende da MSPA (FAGERIA; BALIGAR, 2005a; LOPEZ BELLIDO et al.,
2003). Reynolds et al. (1994) também relataram que a produtividade das
culturas é positivamente associada com a MSPA. Conforme dados de
Fageria et al. (2004), a produtividade de grãos do feijoeiro aumentou sig-
nificativamente de forma quadrática com o aumento de MSPA (Figura 2).
A produtividade máxima de 3.200 kg ha-1 foi obtida com a produção de
2.098 kg ha-1 de MSPA.

Figura 2. Relação entre a produção de matéria


seca da parte aérea (MSPA) e produtividade
de grãos de feijão.
**Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria e Santos (2008).

O aumento da MSPA é característica de cada cultivar e pode resultar


do manejo da cultura, o que inclui adubação adequada, manutenção de
população apropriada de plantas e controle de doenças, pragas e plantas
daninhas. Na Figura 3, é apresentada a produção relativa de MSPA de cul-
turas anuais em solo de várzea do Brasil. A produção de matéria seca das
culturas diminuiu com a omissão de N, P e K (em comparação à aplicação
desses elementos no solo), e a resposta variou de cultura para cultura.
Para o feijoeiro, o P foi mais limitante, seguido pelo N e K. A deficiência
de P fez com que houvesse redução na quantidade de MSPA (produziu-se
menos de 40% da MSPA produzida com os níveis adequados de N, P e K).
Capítulo 2 • Fisiologia da produtividade 45

Figura 3. Produção relativa de matéria seca da parte aérea de cul-


turas sob tratamentos com nitrogênio, fósforo e potássio em solo de
várzea.

Índice de área foliar


O índice de área foliar (IAF) é a relação entre a área foliar média de
uma planta, em m2, e a superfície correspondente do solo, em m2. O IAF
é importante parâmetro da planta para absorção e utilização de radiação
solar, o que contribui no processo fotossintético e, consequentemente, no
aumento da produtividade (FAGERIA et al. 2006a; FAGERIA; SANTOS,
2008). Existe variabilidade genética na formação de copa da planta e
na área foliar (RASMUSSON; GENGENBACH, 1984). O IAF é também
influenciado pelas condições ambientais, como temperatura, nutrição
mineral, disponibilidade de água e radiação solar (FAGERIA; SANTOS,
2008). O IAF aumenta com o aumento da idade da planta, atinge um
valor máximo e depois diminui.
À medida que a área foliar cresce, o IAF aumenta, até atingir um valor
a partir do qual o autossombreamento passa a ser prejudicial, pois há o au-
mento da superfície foliar que é mantida sob iluminação precária, o que di-
minui a sua eficiência fotossintética. Vários autores (PEREIRA; MACHADO,
46 Nutrição Mineral do Feijoeiro

1987; PORTES; CARVALHO, 1983; YOSHIDA, 1972) afirmam que o IAF


reflete a capacidade produtiva de uma comunidade vegetal, sendo esse um
índice que influencia a capacidade de competição por luz. O IAF ótimo é
aquele que permite o máximo de fotossíntese e, consequentemente, a taxa
de crescimento relativo (TCR) elevada. Tanaka e Fujita (1979) e Tanaka e
Osaki (1983) relataram que o valor máximo de IAF no feijoeiro é alcança-
do com a idade de 60 a 70 dias, dependendo da população das plantas.
Esses autores também relataram que a produtividade do feijoeiro aumenta
com o aumento de IAF até 4,0. Após esse valor, a produtividade não au-
menta ou pode até diminuir em razão do sombreamento mútuo de folhas e
do aumento na fotorrespiração (OSAKI et al., 1997). Yoshida (1972) também
relatou que a produção de matéria seca aumenta proporcionalmente com
o aumento do IAF até atingir um valor máximo, que resulta em aumento
da produtividade de grãos e acima do qual não há mais proporcionalidade,
pois o autossombreamento provoca diminuição da taxa de fotossíntese
média por unidade de área foliar.
Santos e Fageria (2008) determinaram o IAF do feijoeiro cultivado
em solo de várzea influenciado pela dose e pelo método de aplicação
de N (Figura 4). A evolução do IAF da cultivar Rudá de feijoeiro em
relação às mudanças ontogenéticas mostrou que as diferenças entre
os métodos de aplicação de cada dose de N aumentaram com o de-
senvolvimento das plantas de feijoeiro até 50 dias após a emergência
(Figura 4). Após, houve decréscimo do IAF, o que era esperado, pois a
área foliar verde vai se reduzindo, sobretudo por causa da senescência
das folhas mais velhas.
O feijoeiro é planta C3, com taxa de fotossíntese baixa em com-
paração à das plantas C4, como milho, milheto e sorgo. A taxa de fotos-
síntese relatada para o feijoeiro situa-se na faixa de 25 mg CO2 dm-2 h-1
a 40 mg CO2 dm-2 h-1 (TANAKA; FUJITA, 1979). Sale (1975) relatou uma
taxa na faixa de 35 mg CO2 dm-2 h-1 a 40 mg CO2 dm-2 h-1 na Austrália.
Sale (1975) e Laing et al. (1983) relataram que não houve aumento no
processo fotossintético do feijoeiro quando o valor de IAF estava na
faixa de 4,5 m2 m-2 a 7,3 m2 m-2. As taxas de fotossíntese de várias
culturas são apresentadas na Tabela 1. Verifica-se que a do feijoeiro é
comparável com a de arroz, soja e trigo, mas é baixa em comparação
com a do milho.
Capítulo 2 • Fisiologia da produtividade 47

Figura 4. Evolução do índice de área foliar (IAF) da cultivar Rudá de feijoeiro em


relação às doses e métodos de aplicação de nitrogênio (N).
Fonte: adaptado de Santos e Fageria (2008).

Tabela 1. Taxa de fotossíntese de várias culturas.

Taxa de fotossíntese
Cultura
(mg CO2 dm-2 h-1)

Feijão 30–40

Arroz 34–47

Trigo 28–39

Milho 60–80

Batata 25–35

Beterraba 30

Soja 30–35
Fonte: Murata (1980) e Tanaka e Osaki (1983).
48 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Componentes da produtividade
e características associadas

A produtividade de feijão é a combinação de seus componentes,


como número de vagens por planta ou por unidade de área, número
de grãos por vagem e massa dos grãos. Teoricamente, a produtividade é
determinada pela seguinte equação:
Produtividade (t ha-1) = A x B x C x 10-5
sendo:
A = número de vagens por m2
B = número de grãos por vagem
C = massa de 1.000 sementes (em g).

Obtém-se a produtividade máxima quando todos esses componen-


tes alcançam o nível máximo e tem-se um balanço adequado. Apenas
observando a equação, parece muito fácil aumentar a produtividade do
feijão; com o simples aumento da população de plantas por unidade
de área, poder-se-ia aumentar também o número de vagens e, assim,
aumentar a produtividade. Entretanto, na prática, existe uma correlação
negativa entre os componentes da produtividade em razão da competição
das plantas pelo produto fotossintético (ADAMS, 1967; FAGERIA, 1989).

Número de vagens versus produtividade


O número de vagens é o principal componente na determinação
da produtividade do feijoeiro (FAGERIA; SANTOS, 2008; WALLACE
et al., 1972). Em trabalho realizado por Fageria e Santos (2008) em solo
de várzea, foi observado que o aumento da produtividade foi proporcio-
nal ao quadrado do número de vagens por planta (Figura 5). De acordo
com o coeficiente de determinação (R2), houve 67% de variabilidade
na produtividade graças à mudança no número de vagens por planta.
O número de vagens por planta é não só controlado geneticamente, mas
também influenciado por fatores ambientais, como fertilidade do solo,
população de plantas e calagem (FAGERIA; SANTOS, 2008). Pode-se ver,
na Figura 6, que o número de vagens aumentou 19% com o aumento do
pH de 5,3 para 6,4 em um Oxissolo do Brasil Central. Foi determinada a
relação entre a produtividade e seus componentes (Tabela 2). O número
Capítulo 2 • Fisiologia da produtividade 49

de vagens por m2, o número de grãos por vagem e a massa de 100 grãos
foram responsáveis, respectivamente, por 55%, 36% e 32% de variação
da produtividade de grãos do feijoeiro-comum. Isso significa que a maior
contribuição ao aumento da produtividade de grãos foi dada pelo número
de vagens por unidade de área, seguida pelo número de grãos por vagem
e pela massa de 100 grãos.

Figura 5. Relação entre o número de vagens


por planta e a produtividade de grãos do feijo-
eiro em solo de várzea.
Fonte: adaptado de Fageria e Santos (2008).

Tabela 2. Relação entre o número de vagens por m2, o número de


grãos por vagem e a massa de 100 grãos (X) com a produtividade
(Y) do feijoeiro. Os valores são médias de cinco ensaios e três
cultivos.
Parâmetro da planta (X) Equação de regressão R 2(1)

Número de vagens por m2 Y = 3,2726 + 10,1469 X 0,5476**

Número de grãos por vagem Y = -2342,4770 + 1382,2170 X 0,3600**

Massa de 100 grãos (g) Y = -6051,1120 + 342,7336 X 0,3181**


Coeficiente de determinação. ** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste de Tukey.
(1)

Fonte: Fageria e Santos (2005).


50 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 6. Influência do pH nos componentes da


produção de grãos do feijoeiro.
Fonte: adaptado de Fageria e Santos (2005).

Número de grãos por vagem e massa de 100 grãos


Verifica-se, na Figura 7, aumento significativo e linear na produ-
tividade com o aumento da massa de 100 grãos. O número de grãos
por vagem apresenta associação altamente significativa (P < 0,01) e
linear com a produtividade do feijoeiro (FAGERIA et. al., 2004; FAGERIA;
SANTOS, 2008). Fageria et al. (1997) relataram associação positiva entre
número de grãos por vagem e massa de 100 grãos na cultura do feijoeiro.

Figura 7. Relação entre massa de 100 grãos e


produtividade de grãos do feijoeiro em solo
de várzea.
Fonte: adaptado de Fageria e Santos (2008).
Capítulo 2 • Fisiologia da produtividade 51

O número de grãos por vagem e a massa de 100 grãos são


geneticamente controlados e influenciados por fatores ambientais.
Observa-se, na Figura 6, que o número de grãos por vagem e a massa
de 100 grãos aumentaram com o aumento do pH do solo de 5,3 para
6,4. Quando o pH aumentou de 6,4 para 6,8, houve uma diminui-
ção nos dois componentes da produtividade. Isso significa que o pH
ótimo para o feijoeiro no Oxissolo onde foi cultivado está em torno
de 6,4. O número de grãos por vagem de 20 genótipos do feijoeiro é
apresentado na Tabela 3. Esse componente variou de 3,1 a 6,0, com

Tabela 3. Número de grãos por vagem de 20 genótipos de


feijoeiro cultivados em Oxissolo(1).

Genótipo Número de grãos por vagem


Pérola 3,7ab
BRS Valente 3,1b
CNFM 6911 4,5ab
CNFR 7552 4,5ab
BRS Radiante 3,5b
Jalo Precoce 3,3b
Diamante Negro 6,0a
CNFP 7624 4,2ab
CNFR 7847 3,4b
CNFR 7866 4,1ab
CNFR 7865 5,3ab
CNFM 7875 4,4ab
CNFM 7886 4,6ab
CNFC 7813 4,6ab
CNFC 7827 4,9ab
CNFC 7806 4,9ab
CNFP 7677 5,1ab
CNFP 7775 4,9ab
CNFP 7777 5,2ab
CNFP 7792 4,2ab
Média 4,4
Valores seguidos de letras iguais não diferem significativamente a 5%
(1)

de probabilidade, pelo teste de Tukey.


Fonte: Fageria e Santos (2008).
52 Nutrição Mineral do Feijoeiro

valor médio de 4,4. Tanaka e Fujita (1979) relataram que o número de


grãos por vagem variou de 3,0 a 5,4 em duas cultivares de feijoeiro em
diferentes populações de plantas.

Índice de colheita de grãos


O índice de colheita de grãos, conceito proposto por Donald (1962),
é importante característica da planta na determinação da produtividade
das culturas, particularmente a partir do século 20 (SINCLAIR, 1998). É a
relação entre a produtividade de grãos e a produtividade biológica (dada
pela produtividade de grãos somada à produtividade da parte aérea).
Donald e Hamblin (1976) relataram que a produtividade das culturas está
associada com o índice de colheita como:

Índice de colheita de grãos = Produtividade


de grãos/Produtividade biológica

em que

Produtividade biológica = produtividade de grãos


+ produtividade da parte aérea

De acordo com essa equação, a produtividade de grãos pode ser


aumentada com o aumento da produtividade biológica e com o aumento
do índice de colheita de grãos, que são influenciados por fatores am-
bientais, como clima, solo e planta (FAGERIA, 1992). Discussão detalhada
sobre a influência de fatores ambientais sobre esses parâmetros da planta
é apresentada em Donald e Hamblin (1976), Fageria et al. (2006) e Fageria
e Santos (2008). O índice de colheita das cultivares modernas foi aumen-
tado significativamente e, consequentemente, aumentou a produtivida-
de de grãos (SINCLAIR, 1998). O índice de colheita de grãos também
é influenciado pela genética. Verifica-se, na Tabela 4, que o índice de
colheita varia de genótipo para genótipo de feijoeiro e é influenciado pela
dose de N.
Capítulo 2 • Fisiologia da produtividade 53

Tabela 4. Índice de colheita de grãos de 20 genótipos


de feijão influenciado por presença ou ausência de
nitrogênio (N).

Dose de nitrogênio
Genótipo
Sem N Com N (400 mg kg-1)

Pérola 0,54 0,57


BRS Valente 0,27 0,42
CNFM 6911 0,50 0,53
CNFR 7552 0,29 0,43
BRS Radiante 0,36 0,49
Jalo Precoce 0,35 0,46
Diamante Negro 0,32 0,46
CNFP 7624 0,21 0,50
CNFR 7847 0,46 0,54
CNFR 7866 0,24 0,59
CNFR 7865 0,46 0,46
CNFM 7875 0,21 0,56
CNFM 7886 0,23 0,51
CNFC 7813 0,32 0,56
CNFC 7827 0,40 0,58
CNFC 7806 0,38 0,53
CNFP 7677 0,38 0,55
CNFP 7775 0,38 0,56
CNFP 7777 0,50 0,50
CNFP 7792 0,42 0,50
Média 0,36 0,52
Fonte: Fageria e Santos (2008).

Considerações finais
Para identificar os fatores que limitam a produtividade de qualquer
cultura, é importante conhecer a sua fisiologia e a sua adaptabilidade a um
dado ambiente. Entre os elementos que compõem a produtividade, estão
o número de vagens por unidade da área, o número de grãos por vagem
54 Nutrição Mineral do Feijoeiro

e a massa de 100 sementes. Além desses componentes da produtividade,


o índice de colheita e a massa da MSPA também estão associados com a
produtividade das culturas. Todos esses componentes da produtividade ou
características das plantas são controlados geneticamente e influenciados
pelo ambiente de crescimento da cultura. Para melhorar ou maximizar
o resultado de todas essas características da planta e, assim, aumentar a
produtividade, é importante adotar práticas de manejo adequado do solo
e da planta. A escolha de genótipos mais eficientes no aproveitamento
da radiação solar, dos nutrientes e da água e mais resistentes às doenças
e pragas é uma estratégia importante para aumentar a produtividade,
reduzir o custo da produção e preservar o meio ambiente.
Capítulo 3

Calagem
56 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
A acidez do solo é um dos principais fatores que limitam a produ-
ção agrícola no mundo. A distribuição de solos ácidos em várias partes do
mundo é apresentada na Tabela 1, na qual se observa que a maior área
de solos ácidos está localizada na América do Sul, seguida pela África.
Na região tropical da América do Sul, os solos ácidos ocupam 85% da
área total, e aproximadamente 850 milhões de hectares são subutilizados
para a produção agrícola, segundo Cochrane (1991). Encontra-se, na
Tabela 2, a distribuição de solos ácidos no Brasil. Observa-se que 68%
da área do País apresentam solos ácidos e que o maior percentual está
nas regiões Norte e Centro-Oeste. Quaggio (2000) relatou que mais de
70% dos solos brasileiros são ácidos, o que lhes confere características
limitantes ao desenvolvimento da maioria das culturas agrícolas. Assim,
a correção da acidez do solo torna-se imprescindível para aumentar os
teores de cálcio (Ca) e magnésio (Mg), além de aumentar a disponibilida-
de de fósforo (P) e reduzir as de alumínio (Al) e manganês (Mn), que são
tóxicos ao crescimento radicular (CAIRES et al., 2004, 2006; CARVALHO-
PUPPATTO et al., 2004; CORRÊA et al.; 2008; FAGERIA; BALIGAR, 2008;
FAGERIA; MOREIRA, 2011).
Na Tabela 3, são apresentadas propriedades químicas dos solos de
Cerrado e várzeas do Brasil, que são ácidos (FAGERIA, 2008a; FAGERIA;
BRESEGHELLO, 2004; FAGERIA et al., 1991, 1994, 1997b, 1997c; FAGERIA;
STONE, 2004, 1999; GOEDERT, 1989).
Fageria e Stone (1999) relataram que culturas como arroz, amen-
doim, batata, feijão-caupi, mandioca, milheto e guandu são relativamente
tolerantes à acidez do solo, enquanto feijão-comum, soja e trigo são
suscetíveis. Na teoria, a acidez do solo é medida como o teor de Al3+ e H+
no solo. Entretanto, na prática, a acidez do solo é um complexo de vários
fatores como deficiência/toxicidade nutricional, baixa atividade biológica
e baixa capacidade de retenção de água do solo. Na maioria dos solos
brasileiros, o teor de Al é elevado, o que limita o desenvolvimento do
sistema radicular e, consequentemente, reduz a absorção, o transporte
e a utilização dos nutrientes e leva à diminuição da produtividade das
culturas (FAGERIA; BALIGAR, 2008; SILVA et al., 1984). O uso de calagem
é a prática mais eficiente e dominante para promover a redução da acidez
e o aumento da produtividade do feijoeiro nos solos ácidos brasileiros
(FAGERIA, 2001a, 2001b, 2001c, 2006b, 2008a; FAGERIA et al., 2011).
Capítulo 3 • Calagem 57

Neste Capítulo, serão discutidos resultados de pesquisa sobre ca-


lagem para a cultura do feijoeiro conduzida nos ecossistemas Cerrado e
várzeas levando-se em conta a magnitude da acidez dos solos no Brasil
e o potencial que essas áreas oferecem para aumentar a produção das
culturas.

Tabela 1. Distribuição dos solos ácidos em várias partes do mundo.

Distribuição dos solos ácidos (106 ha)


Classificação da acidez América América
África Ásia Europa
do Sul do Norte

Acidez leve (pH 5,5 a 6,5) 244,6 207,3 430,6 170,4 3,4

Acidez moderada (pH 4,5 a 5,5) 443,3 300,9 327,8 191,6 53,2

Acidez forte (pH 3,5 a 4,5) 364,5 90,4 119,3 318,7 131,0

Acidez muito forte (pH < 3,5) 127,9 0 3,1 6,6 10,8

Total 1.180,3 598,6 880,8 687,3 198,4


Fonte: Eswaran et al. (1997).

Tabela 2. Distribuição dos solos ácidos no Brasil.

Distribuição dos solos ácidos


Região Área mapeada Solos ácidos % de solos
(106 ha) (106 ha) ácidos

Norte e Centro-Oeste 600,8 446,8 74

Nordeste 96,5 39,1 40

Sudeste 44,5 28,0 63

Sul 60,0 33,9 56


Fonte: Rosolem (1990).

Tabela 3. Propriedades químicas dos solos de Cerrado e várzeas do Brasil.

Característica Cerrado(1) Várzea(2)

pH (H2O) 5,2 5,3


Continua...
58 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 3. Continuação.

Característica Cerrado(1) Várzea(2)

Cálcio (cmolc kg-1) 0,64 4,9

Magnésio (cmolc kg-1) 0,58 3,1

Alumínio (cmolc kg-1) 0,64 1,3

Fósforo (mg kg-1) 1,2 16

Potássio (mg kg-1) 47,2 92

Cobre (mg kg-1) 1,3 2,2

Zinco (mg kg-1) 1,0 2,4

Ferro (mg kg-1) 116 3,3

Manganês (mg kg-1) 14 59

Matéria orgânica (g kg-1) 15 31

Saturação por base (%) 17 50


(1)
Os valores são médias de 200 amostras do solo coletadas de seis estados na região do Cerrado.
(2)
Os valores são médias de 55 amostras do solo coletadas de oito estados em solos de várzeas.
Fonte: Fageria e Stone (1999).

Causas da acidificação dos solos


Conceitualmente, as taxas de acidificação do solo resultam da me-
dição da mudança do pH por unidade de tempo (DOERGE; GARDNER,
1985). A acidez do solo tem diferentes fontes; cada uma gera acidez em
quantidade e intensidade específicas (FAGERIA et al., 1999).

Lixiviação de cátions básicos


A acidez pode resultar dos materiais de origem que eram ácidos e
naturalmente pobres nos cátions básicos Ca2+, Mg2+, potássio (K+) e sódio
(Na+) ou que tiveram esses elementos lixiviados do seu perfil por chuvas
fortes (KAMPRATH; FOY, 1972). Quando a precipitação é maior do que a
evapotranspiração, ocorre a lixiviação. Em solos altamente lixiviados, do
material de origem restam somente os óxidos de ferro (Fe) e Al e alguns
óxidos de metais pesados, que são altamente resistentes ao intemperismo
(BOHN et al., 1979). Essa é a principal causa da acidez em solos úmidos
tropicais.
Capítulo 3 • Calagem 59

No Cerrado brasileiro, que ocupa cerca de 207 milhões de hectares,


o pH médio do solo está em torno de 5. O total anual de chuvas na região
pode variar de 600 mm, em áreas sob influência do Semiárido, a 2 mil
mm, em áreas sob influência amazônica. Contudo, em 75% da área do
bioma Cerrado, chove entre 1.000 mm e 1.600 mm (SOUSA et al., 2008),
e a lixiviação de bases a longo prazo é uma das principais razões do
desenvolvimento de acidez nos solos (FAGERIA et al., 1999). De acordo
com Bolan et al. (1991), sob condições climáticas em que a precipitação
é maior do que a evaporação, a acidificação do solo é um processo
contínuo, que pode ser acelerado pela atividade das plantas, animais e
seres humanos ou diminuído pelo manejo adequado. Na Austrália, onde
o trevo vem sendo cultivado por mais de 30 anos, o pH do solo diminuiu
em cerca de uma unidade (WILLIAMS, 1980). Na Nova Zelândia, as pas-
tagens necessitam da aplicação de 2,5 t de calcário ha-1, a cada 6 anos,
para neutralizar a acidez causada em grande parte pela fixação biológica
de nitrogênio (N) e pelo uso de fertilizantes (PRINGLE et al., 1985).

Aplicação de fertilizantes nitrogenados


A nitrificação, a volatilização de amônia e a lixiviação de nitratos são
alguns dos mecanismos responsáveis pela acidificação do solo, decorrentes
da aplicação de fertilizantes contendo amônio (NH4+) e amônia (NH3).

Nitrificação
O processo pelo qual o NH4+ é oxidado para produzir íons NO -3
é chamado de nitrificação. A adubação nitrogenada das culturas pode
resultar em acidificação do solo graças a esse processo mediado por
microrganismos autotróficos ou heterotróficos:
NH4+ + 2O2 ⇔ NO-3 + 2H+ + H2O
Os grupos de bactérias autotróficas Nitrosomonas e Nitrobacter
são os mais importantes nitrificadores na maioria dos solos cultivados.
A magnitude e a profundidade de acidificação do solo dependem das
doses e das fontes de N (ADAMS, 1984). A combinação da amonifica-
ção e da nitrificação de compostos orgânicos nitrogenados, incluindo a
ureia, resulta, teoricamente, na geração líquida de 1 mol de prótons para
cada mol de N transformado. A oxidação dos fertilizantes amoniacais
resulta na geração líquida de 2 moles de prótons para cada mol de N
60 Nutrição Mineral do Feijoeiro

(BOLAN et al., 1991). Isso está em concordância com a observação de


muitos pesquisadores de que o grau de acidificação do solo geralmente é
maior após a aplicação de fertilizantes amoniacais do que após a de ureia
(FAGERIA et al., 1999). A adição de fertilizantes básicos, como Ca(NO3)2
e NaNO3, causa pouca acidificação ou, às vezes, aumenta o pH do solo
(AWARD; EDWARDS, 1977; KHONJE et al., 1989).
Blevins et al. (1978) observaram que o pH nos 5 cm superficiais do
solo caiu de 5,7 para 4,6 ou menos com a aplicação, por 5 a 7 anos, de
220 kg de N ha-1 ano-1 a 230 kg de N ha-1 ano-1 em solo com cultivo de milho
sob plantio direto. Já o pH nos 2,5 cm superficiais do solo de parcelas que
receberam 202 kg de N ha-1 ano-1, nas formas de NH4NO3, ureia e solução
de ureia-NH4NO3, durante 5 anos, ficou em torno de 5,7 ou uma unidade
abaixo da testemunha, conforme Fox e Hoffman (1981). Nas parcelas que
receberam a mesma dose de N na forma de (NH4)2SO4, o pH foi de 4,7.
A diminuição do pH em razão do uso de fertilizantes contendo
amônio foi registrada por vários pesquisadores. Hetrick e Schwab (1992)
verificaram que a aplicação anual de 225 kg de N ha-1 (na forma de
NH4NO3), por mais de 40 anos, em um solo francosiltoso, diminuiu o pH
de 6,9 para 4,1. Darusman et al. (1991) relataram que não houve diferença
significativa nas propriedades do solo entre os tratamentos com NH3,
NH4NO3, ureia e ureia-NH4NO3. Por outro lado, o uso de fertilizantes
nitrogenados durante 20 anos diminuiu significativamente o pH do solo
(pH 5,2), em comparação à testemunha, na camada de 6 cm a 14 cm (pH
6,2). Stumpe e Vlek (1991) destacaram que ocorreu acidificação de solos
tropicais (Alfissolo, Ultissolo e Oxissolo) graças ao uso de três fontes de
N, nessa ordem: sulfato de amônio > ureia > nitrato de amônio. Malhi
et al. (1991) constataram que a taxa média anual de diminuição do pH na
camada de 0 a 5 cm do solo, com a aplicação de 112 kg de N ha-1 ano-1,
variou de 0,09 a 0,16. O valor e a profundidade de diminuição do pH
foram maiores após a aplicação de sulfato de amônio, seguido pela de
nitrato de amônio; a aplicação de ureia teve pouco efeito e a de nitrato de
cálcio não teve efeito sobre a diminuição do pH. Os autores determinaram
o efeito de sulfato de amônio no pH do solo de várzea após a colheita de
três safras de arroz irrigado (Figura 1). O pH diminuiu significativamente
com a aplicação de sulfato de amônio na faixa de 0 a 210 kg ha-1, e o teor
de Al3+ aumentou linearmente (Figura 2). O aumento do Al3+ estava rela-
cionado com a redução do pH e a diminuição do teor de Ca2+ (Figura 3).
O Al foi determinado 3 anos após o cultivo de arroz, e o N foi aplicado
em todos os anos.
Capítulo 3 • Calagem 61

Figura 1. Relação entre a aplicação de sulfato de


amônio e o pH do solo de várzea.
**Significativo a 1% de probabilidade.

Figura 2. Relação entre a aplicação de sulfato de


amônio e o teor de Al3+ em solo de várzea.
**Significativo a 5% de probabilidade.
62 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 3. Influência da aplicação de sulfato de amônio


no teor de cálcio em solo de várzea cultivado com arroz
irrigado.
*Significativo a 5% de probabilidade.

Volatilização de amônia
A volatilização de amônia após aplicação superficial de fertilizantes
nitrogenados também pode produzir acidez. Durante esse processo, o pH
da camada superficial do solo diminui por causa da liberação de íons H+
pela conversão de NH4+ em NH3 (AVNIMELECH; HAHER, 1977):
NH4+ ⇔ NH3 + H+ (pKa 9,5)

Lixiviação de nitratos
A lixiviação de nitratos provoca acidez permanente do solo somen-
te quando a perda de NO3- não acompanha o sistema de equilíbrio de
H+ (BOLAN et al., 1991). Se forem aplicados fertilizantes contendo NH4+
ou R-NH2 e oxidados a NO3- no solo, haverá geração líquida de um íon
H+ (amonificação + nitrificação) e de dois íons H+ (nitrificação), que só
serão neutralizados se os íons NO3- forem completamente convertidos
Capítulo 3 • Calagem 63

à sua forma original pelo ciclo do N. Se os íons NO3- saírem do sistema,


os íons H+ permanecerão no solo, traduzindo-se em acidez permanente
(HELYAR, 1976).

Geração de prótons no solo


Os processos mais significativos de geração de prótons (H+) e íons
hidroxila (OH-) ocorrem durante os ciclos do carbono (C), do N e do
enxofre (S). No caso do ciclo do C, as duas principais fontes de geração
de íons H+ são a dissolução de CO2 para formar ácido carbônico e para a
síntese e dissociação de ácidos carboxílicos (BOLAN et al., 1991). A con-
centração de CO2 no ar contido no solo, de acordo com Russel (1988),
situa-se geralmente entre 0,15% e 0,65%, e o pKa da reação é em torno
de 6,1:

CO2 + 2H2O ⇔ H2O + HCO3-

A produção contínua de CO2 pelo solo e pela respiração das raízes


desloca essa reação para a direita.
Durante o ciclo do S, a mineralização e a oxidação do S orgânico
resultam na produção de íons H+. No caso do ciclo do N, a acidificação
do solo também pode ocorrer graças aos processos induzidos pelas plan-
tas, tais como a absorção e a assimilação de amônio e a fixação biológica
de N.

Processos induzidos pelas plantas


As plantas absorvem o N de três formas principais: como ânion
(NO3-), como cátion (NH4+) e como molécula neutra (N2, pela fixação
biológica de N). Dependendo da forma de absorção do N e do meca-
nismo de assimilação pela planta, pode ocorrer excesso de absorção
de cátions ou de ânions (HAYNES, 1983). Para manter o equilíbrio de
cargas durante o processo de absorção, os íons H+ ou OH – devem ser
liberados das raízes para a rizosfera. Os íons H+ podem ser oriundos
da dissociação de ácidos orgânicos dentro da célula, e os íons OH – da
descarboxilação de ânions de ácidos orgânicos. A absorção de NH4+
e a fixação biológica de N resultam em liberação líquida de íons H+,
enquanto a absorção de NO3- pode resultar em liberação líquida de íons
OH – (FAGERIA et al., 1999).
64 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Absorção e assimilação de amônio


Quando a assimilação ocorre nas raízes, a retirada de prótons do
NH4+ libera um mol de H+ por mol de NH4+ (RAVEN; SMITH, 1976).
Pequenas quantidades adicionais de íons H+ são geradas durante a assi-
milação de NH3– pelos aminoácidos.

Fixação biológica de nitrogênio


Quanto à fixação biológica de N, o elemento neutro pode ser assimi-
lado por proteínas sem provocar desequilíbrio de cargas na fronteira entre
o solo e as raízes. Entretanto, muitas leguminosas geralmente exportam
íons H+ para a rizosfera quando estão fixando N ativamente (NYATSANGA;
PIERRE, 1973). Uma parte dos íons H+ gerados dentro das raízes das legumi-
nosas é proveniente da dissociação de grupos carboxílicos de aminoácidos.
A acidez gerada pela fixação biológica de N é equivalente ao excesso de
absorção de cátions em relação à de ânions pela planta e varia de 0,2 mol
a 0,7 mol de H+ por mol de N fixado (JARVIS; ROBSON, 1983). Segundo
Israel e Jackson (1978), a quantidade de íons H+ liberada durante a fixação
biológica de N depende, principalmente, da forma e da quantidade de
aminoácidos e ácidos orgânicos sintetizados dentro da planta.

Mineralização da matéria orgânica


A acidez do solo pode ser produzida também pela decomposição
de restos culturais ou de quaisquer outros resíduos orgânicos em ácidos
orgânicos. O material húmico que ocorre no solo é resultado da decom-
posição microbiana da matéria orgânica. Os produtos da decomposição
pertencem a vários tipos de grupos funcionais que são capazes de atrair
e dissociar íons H+. A concentração do ácido produzido depende da na-
tureza do grupo funcional predominante. Existem vários ácidos húmicos
que resultam de materiais heterogêneos. Portanto, o desenvolvimento
da acidez advinda da retirada de prótons dos ácidos orgânicos depende
da vegetação (HUDNALL, 1991). A matéria orgânica não tem um papel
direto na acidificação do solo, mas funciona como um trocador de cátions
(BREEMEN et al., 1984). Esse tipo de acidez é mais comum nos Histossolos.

Redução e oxidação dos sulfatos


A acidez também pode ser desenvolvida pela redução e oxidação
dos sulfatos que, em água do mar, são reduzidos para H2S e pirita (FeS2).
Capítulo 3 • Calagem 65

A oxidação da pirita resulta na formação de H2SO4. De acordo com


Hudnall (1991), o pH do solo associado com a oxidação da pirita pode
tornar-se extremamente baixo (pH < 3,0). Geralmente, os solos ácidos
contendo sulfatos, que são ácidos por natureza ou tornam-se ácidos
(pH < 3,5) graças ao ácido sulfúrico, são formados em séries recentes
em pântanos, mangues ou outras áreas permanentemente inundadas.
A taxonomia fornece dois critérios para solos ácidos contendo sulfatos:
mais de 0,75% do S na forma de sulfetos e pH em água (relação solo:água
1:1) igual ou abaixo de 3,5 após a oxidação (ESTADOS UNIDOS, 1975).
Seguindo esse sistema de classificação, incluem-se, no primeiro grupo,
os solos potencialmente ácidos contendo sulfeto e, no segundo grupo, os
solos realmente ácidos contendo sulfato. Conforme Tran (1991), há cerca
de 12,5 milhões de hectares de solos ácidos contendo sulfato nas terras
baixas da área costeira do sudeste e leste da Ásia, no oeste da África e na
América Latina.

Reacidificação
Doerge e Gardner (1985) observaram a elevação das taxas de
acidificação do solo após o aumento da quantidade de calcário aplicada
inicialmente. A acidez foi estimada tanto pela diminuição do pH (em torno
de 0,025 unidade de pH ano-1) quanto pela presença de cátions básicos
extraíveis (0,17 cmolc de Ca2+ + Mg2+ kg-1 ano-1). Em contraste, um solo que
não recebeu calagem não apresentou acidificação líquida. A reacidifica-
ção mais rápida dos solos que recebem altas doses de calcário deve-se ao
fato de que os processos de acidificação, tais como nitrificação, liberação
de CO2 pela respiração das plantas e dos microrganismos, mineralização
da matéria orgânica e dissociação de ácidos orgânicos na solução do
solo, dependem do pH.

Mudanças químicas com calagem em solos ácidos


Com a calagem em solos ácidos, ocorrem várias mudanças quími-
cas na rizosfera. Essas mudanças influenciam significativamente a solubi-
lidade dos nutrientes e sua absorção pelas plantas e permitem melhorar o
crescimento e desenvolvimento das culturas e, consequentemente, propi-
ciar altas produtividades (FAGERIA, 2002b; FAGERIA; STONE, 2006). Para
corrigir a acidez do solo, deve ser usado calcário dolomítico, cuja fórmula
é (CaMgCO3)2, que contém Ca2+ e Mg2+ e pode manter o equilíbrio entre
66 Nutrição Mineral do Feijoeiro

os dois elementos. Observam-se, nas equações seguintes, as reações que


ocorrem com a aplicação de calcário dolomítico no solo:
(CaMgCO3)2 + 2H+ ⇔ 2HCO3- + Ca2+ + Mg2+
2HCO3- + 2H+ ⇔ 2CO2 + 2H2O
(CaMgCO3)2 + 4H+ ⇔ Ca2+ + Mg2+ + 2CO2 + 2H2O
Entre as modificações mais proeminentes que ocorrem na rizosfera
de solos ácidos graças à aplicação de calcário, estão: 1) aumento nos teores
de Ca2+ e Mg2+; 2) aumento na saturação por bases e no pH; 3) aumento na
saturação por Ca2+ e na saturação por Mg2+; 4) diminuição na acidez do solo
(H+ + Al3+); 5) aumento na mineralização da matéria orgânica; 6) aumento
na atividade dos microrganismos responsáveis pela fixação biológica de
N em leguminosas; 7) aumento na disponibilidade de P; e 8) aumento no
crescimento das raízes, o que permite maior absorção de nutrientes e água.
Na Tabela 4, são apresentadas as mudanças no pH, os teores de Ca e Mg e
a saturação por bases após a aplicação de calcário em um Oxissolo. Com
o aumento das doses de calcário na faixa de 0 a 20 t ha-1, houve mudanças
significativas nessas propriedades químicas do solo.

Tabela 4. Influência do calcário no pH, nos teores de Ca2+ e Mg2+ e na saturação


por bases na camada de 0 a 20 cm de profundidade de um Oxissolo após oito
cultivos (arroz de terras altas, feijão, milho e soja em sistema de rotação).

Dose de calcário pH em Ca2+ Mg2+ Saturação


(t ha-1) H2O (cmolc kg-1) (cmolc kg-1) por bases (%)
0 5,6 1,92 1,09 40

4 6,0 2,33 1,14 44

8 6,2 3,00 1,21 51

12 6,4 3,10 1,25 53

16 6,5 3,30 1,25 56

20 6,8 3,77 1,39 66

R2(1) 0,83** 0,72** 0,23* 0,96**


(1)
Coeficiente de determinação.
*
Significativo a 5% de probabilidade.
**
Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria (2001b, 2001c).
Capítulo 3 • Calagem 67

Em um ensaio de casa de vegetação, Fageria (2001b, 2001c) estudou


a influência de calagem nas principais propriedades de um Oxissolo; os
resultados são apresentados na Tabela 5. Com a calagem, houve aumento
significativo nos teores de Ca2+, Mg2+ e P e nas saturações por Ca2+ e por
Mg2+. Os teores de Al3+ e Fe3+ diminuíram significativamente, porém não
houve efeito significativo nos teores de Zn2+, Cu2+ e Mn2+ e na saturação
por K+.

Tabela 5. Mudanças nas principais propriedades químicas de um Oxis-


solo com a aplicação de calcário(1).

Propriedade química Sem calcário (pH 4,5) Com calcário (pH 6,4)
Cálcio (cmolc kg ) -1
0,95b 3,90a
Magnésio (cmolc kg ) -1
0,29b 2,21a
Alumínio (cmolc kg ) -1
0,75a 0,00b
Saturação por cálcio (%) 11,79b 51,82a
Saturação por magnésio (%) 3,65b 29,19a
Saturação por potássio (%) 0,48a 0,51a
Fósforo (mg kg ) -1
6,21b 11,05a
Zinco (mg kg )-1
8,98a 9,61a
Cobre (mg kg )-1
1,47a 1,50a
Ferro (mg kg-1) 228,17a 180,76b
Manganês (mg kg-1) 5,86a 6,35a
Valores seguidos pela mesma letra, na mesma linha, não diferem significativamente entre si pelo
(1)

teste de Tukey, a 5% de probabilidade.


Fonte: adaptado de Fageria et al. (2004).

Índices de acidez
No Brasil, são usados diversos índices de acidez para verificar
se existe ou não necessidade de calagem, que foram desenvolvidos
pelos programas regionais de pesquisa em fertilidade do solo (NOLLA;
ANGHINONI, 2006). Os indicadores de acidez mais utilizados são o
pH em água, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina (COMISSÃO
DE QUIMICA E FERTILIDADE DO SOLO, 2004); a saturação por bases,
em São Paulo (RAIJ et al., 2001) e em alguns estados vizinhos (SOUSA
et al., 1989; WIETHOLTER, 2000); o Al trocável, nos estados das regiões
68 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Nordeste, Norte e parte do Centro-Oeste (QUAGGIO, 2000); e o Al, Ca


e Mg trocáveis, principalmente na região do Cerrado (RIBEIRO et al.,
1999; SOUSA; LOBATO, 2004). Para o diagnóstico da acidez com vistas
a verificar a necessidade de reaplicação de calcário após um período
de 4 a 5 anos, a camada de solo utilizada é de 0 a 20 cm (NOLLA;
ANGHINONI, 2006).
Em resumo, os índices relacionados à acidez dos solos são acidez
ativa ou pH (em água, CaCl2 a 0,01 M ou KCl a 0,1 M), saturação por
bases, saturação por Ca, saturação por Mg, saturação por K, relação
Ca/Mg, relação Ca/K, relação Mg/K, saturação por Al e acidez potencial
como H+ + Al3+. A maioria desses índices de acidez são positivamente
associados com a produtividade do feijoeiro, com exceção da saturação
por Al (FAGERIA, 2008b; FAGERIA et al., 2007; FAGERIA; STONE, 2004).

pH do solo
O pH, que indica a acidez ou a alcalinidade relativa de um substra-
to, é frequentemente citado como a mais importante propriedade química
do solo. A escala de pH cobre uma faixa de 0 a 14, em que 7,0 indica
pH neutro, valores abaixo de 7,0 indicam acidez e valores acima de 7,0
indicam alcalinidade. A maioria dos solos agrícolas está em uma faixa de
pH de 4,0 a 9,0 (Tabela 6).
O pH pode ser definido como o logaritmo negativo da concentra-
ção de íons H+. Na realidade, é a atividade do íon H+ (aH+) que é medida
por meio de métodos potenciométricos, em vez da concentração de H.
Assim, o pH é mais corretamente definido pela seguinte equação:
pH = - log aH +
A significância prática da relação logarítmica é que cada mudança
de unidade no pH do solo corresponde a um aumento de dez vezes na
acidez ou na alcalinidade, como pode ser visto na Tabela 6. Isso significa
que um solo com pH igual a 6,0 tem dez vezes mais H+ ativo do que
um outro com pH igual a 7,0 e que a necessidade de calagem cresce
rapidamente à medida que diminui o pH. Embora o pH seja usado para
identificar um solo que necessita de calagem, frequentemente a quanti-
dade de calcário é altamente variável por causa da natureza dinâmica de
vários processos do solo e das interações desses processos com as plantas
e os microrganismos (ADAMS, 1984).
Capítulo 3 • Calagem 69

Tabela 6. Classificação de acidez e alcalinidade dos solos com base no pH.

Aumento da acidez/
Valor de pH Classificação Valor de pH alcalinidade comparada
ao pH 7

< 4,5 Extremamente ácido 4,0 Acidez (1.000)

4,5–5,0 Muito fortemente ácido 5,0 Acidez (100)

5,0–5,5 Fortemente ácido 6,0 Acidez (10)

5,5–6,0 Moderadamente ácido 7,0 Neutralidade

6,0–7,0 Ligeiramente ácido 8,0 Alcalinidade (10)

7,0–7,5 Ligeiramente alcalino 9,0 Alcalinidade (100)

7,5–8,5 Moderadamente alcalino

8,5–9,0 Fortemente alcalino

> 9,0 Extremamente alcalino


Fonte: Fageria et al. (1999).

Oliveira et al. (1996) relataram que o pH do solo é o primeiro ponto


a ser trabalhado para a produção de feijão, visto que somente após a ca-
lagem pode-se ter noção da real disponibilidade dos nutrientes. Quando
o pH está entre 5,5 e 6,5, os nutrientes encontram-se em disponibilidade
máxima (N, P, K, Ca, Mg, S e boro – B) ou adequada (cobre – Cu –, Fe, Mn,
molibdênio – Mo – e zinco – Zn), enquanto o teor de Al em concentração
tóxica é reduzido ou mínimo (HEINRICHS et al., 2008). A disponibilidade
relativa desses 12 nutrientes essenciais às plantas como uma função do
pH do solo pode ser observada na Figura 4.
A medida do pH na solução do solo representa a acidez ativa do
solo. Os íons H+ e Al3+ absorvidos pelo solo, bem como outros constituin-
tes do solo que geram íons H+, constituem a acidez de reserva. Os íons
Al3+ geram íons H+ por uma série de reações de hidrólise (LINDSAY, 1979):
Al3+ + H2O ⇔ Al(OH)2+ + H+
Al3+ + 2H2O ⇔ Al(OH)2+ + 2H+
Al3+ + 3H2O ⇔ Al(OH)30 + 3H+
Al3+ + 4H2O ⇔ Al(OH)4- + 4H+
Al3+ + 5H2O ⇔ Al(OH)5 + 5H+
2Al3+ + 2H2O ⇔ Al2(OH)24+ + 2H+
70 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 4. Disponibilidade relativa de 12 nutrien-


tes essenciais às plantas e do alumínio (Al) em
solos minerais bem drenados.
Nota: O padrão serrilhado representa precipitação de
fosfato.
Fonte: adaptado de Liming… (1978).

Para simplificar, esses tipos de hidrólise são geralmente apresenta-


dos sem a água de hidratação, mesmo a água estando presente. Vários
óxidos e hidróxidos de Al podem existir no solo. A atividade do Al3+ em
equilíbrio com qualquer desses minerais é dependente do pH e decresce
1.000 vezes para cada unidade de aumento no pH (LINDSAY, 1979).
As sucessivas reações de hidrólise estão associadas com soluções de
pH sucessivamente mais alto, pois o dreno para íons H+ aumenta com o
aumento do pH. A distribuição das espécies de Al conforme o pH é:
Capítulo 3 • Calagem 71

• Al(OH)2+ é de menor importância e existe somente em uma faixa


estreita de pH.
• Al(OH)5 ocorre somente em solos com pH acima daqueles dos
solos agrícolas.
• Al3+ predomina em solos com pH abaixo de 4,7.
• Al(OH)2+ ocorre em solos com pH entre 4,7 e 6,5.
• Al(OH)30 ocorre em solos com pH entre 6,5 e 8,8.
• Al(OH)4- ocorre em solos com pH acima de 8,0 (MARION et al.,
1976).
Existe considerável controvérsia sobre a hidrólise de Al3+ e as
constantes de estabilidade para várias espécies monômeras e polímeras
(LINDSAY, 1979); há, portanto, necessidade de investigações adicionais.
Vários autores discutiram as atividades químicas do Al e de seus
compostos na solução do solo como indicadores da toxicidade desse
elemento (FAGERIA et al., 1999; KINRAIDE, 1991; PARKER et al., 1988;
SHUMAN et al., 1990). Para Kinraide (1991), a identificação das espécies
tóxicas de Al é problemática por causa das seguintes razões:
• Há coexistência de várias espécies de Al na solução do solo
(portanto, as espécies individuais não podem ser estudadas
isoladamente, nem mesmo em solução nutritiva).
• A atividade de cada espécie deve ser calculada pelos dados de
equilíbrio, que são muito variáveis.
• Se H+ melhora a toxicidade de Al3+, o hidróxido de alumínio
mononuclear pode parecer tóxico quando não é; e
• A identificação e a atividade das espécies de Al que entram
em contato com a superfície celular não são bem definidas por
causa das correntes de H+ através da superfície das raízes e de
outras cargas superficiais.
Kinraide (1991) concluiu que Al13 e Al3+ são tóxicos para as raízes.
O hidróxido de alumínio mononuclear (excluindo os aluminatos) parece
ser tóxico para as raízes de plantas dicotiledôneas, mas essa aparente toxi-
cidade pode ser atribuída às espécies de hidróxido de alumínio mononu-
cleares contendo Al3+, incluindo AlOH2+, Al(OH)2+, Al(OH3)0 e Al(OH)4–.
Os aluminatos não são significativos em solos com pH menor do que 5,0
(Figura 5). Kinraide (1991) discute várias hipóteses para a toxicidade de Al
em relação a várias espécies químicas desse elemento.
72 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 5. Atividade relativa de espécies mononucle-


ares de alumínio (Al) em relação ao pH.
Fonte: adaptado de Kinraide (1991).

O pH influenciou significativamente a produtividade do feijoeiro em


solo de Cerrado no sistema de plantio direto: as produtividades máximas
foram obtidas com o pH de 6,7 na camada de 0 a 10 cm de profundidade
e o pH de 6,3 na camada de 10 cm a 20 cm de profundidade (Figura 6).
Na média das duas profundidades, a produtividade máxima foi obtida
com o pH de 6,5. A produtividade de grãos aumentou 47% quando o
pH passou de 5,3 para 6,7 na camada de 0 a 10 cm de profundidade.
Fageria (2001b, 2001c) relatou que a produtividade máxima do feijoeiro
foi obtida com o pH de 6,2 em solo de Cerrado. Segundo Rosolem (1996),
resultados de diversas pesquisas revelaram que a máxima produtividade
de feijão ocorre quando o pH do solo medido em água encontra-se entre
6,0 e 7,0. O aumento na produtividade do feijão pode ser associado
com o aumento nos teores de Ca e Mg no solo e com a redução no
teor de Al (FAGERIA, 2002b). Com o aumento no pH do solo, houve
um aumento no número de vagens por planta e no número de grãos
por vagem (FAGERIA; SANTOS, 2008), que podem ter contribuído para o
aumento da produtividade. O aumento no pH pode ter aumentado a
Capítulo 3 • Calagem 73

mineralização da matéria orgânica, a qual incrementou a disponibilidade


de N para as plantas e, consequentemente, aumentou a produtividade
(FAGERIA, 2008b).

Figura 6. Relação entre o pH do solo e a produtividade


do feijoeiro em solo de Cerrado.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2008b).

Saturação por bases


A saturação por bases, outra propriedade química do solo impor-
tante para a produção das culturas, pode ser definida como a proporção
da capacidade de troca de cátions (CTC) que envolve bases trocáveis
74 Nutrição Mineral do Feijoeiro

(K, Ca, Mg e Na). A partir dos dados da análise química do solo, calcula-
-se a porcentagem de saturação por bases pela seguinte fórmula:
Saturação por bases = ∑ (Ca, Mg, K, Na/CTC) x 100
Se a metade da CTC estiver ocupada por bases trocáveis, a satu-
ração por bases será de 50%. Os outros 50% serão ocupados por H e
Al trocáveis. A baixa saturação por bases é uma característica dos solos
ácidos, enquanto a alta saturação por bases é uma característica de solos
de levemente ácidos a alcalinos. Uma classificação arbitrária da saturação
por bases para a produção das culturas é dada por Fageria et al. (1999)
como: muito baixa (< 25%), baixa (de 25% a 50%), média (de 50% a
75%) e alta (> 75%). Esses são valores aproximados, uma vez que os
valores reais variam entre as espécies e mesmo entre as cultivares de
uma mesma espécie. Os valores adequados para cada cultura devem ser
determinados experimentalmente em cada região agroclimática. Quando
a saturação por bases é baixa, há predominância de H e Al adsorvidos no
complexo de troca e probabilidade de ocorrer deficiência de Ca, Mg e K.
Além disso, para se obter uma ótima produção, deve haver um equilíbrio
apropriado entre os diferentes cátions básicos.
A relação entre a saturação por bases e a produtividade do feijoeiro
cultivado em sistema de plantio direto em solo de Cerrado é apresentada
na Figura 7. A produtividade do feijoeiro aumentou significativamente de
maneira quadrática com o aumento da saturação por bases na faixa de
20% a 80%, na profundidade de 0 a 10 cm, e na faixa de 20% a 70%,
na profundidade de 10 cm a 20 cm. As produtividades máximas foram
obtidas com a saturação por bases de 73%, na profundidade do solo de
0 a 10 cm, e de 62%, na profundidade de 10 cm a 20 cm. Na média das
duas profundidades, a produção máxima do feijoeiro foi obtida com a
saturação por bases de 67% (Figura 7). O aumento da produtividade do
feijoeiro resultante do aumento da saturação por bases está associado
com o equilíbrio apropriado de cátions no solo (FAGERIA, 2002). Os te-
ores de cátions básicos são baixos em solos ácidos de climas tropicais e
subtropicais, e a calagem é a prática mais efetiva para melhorar os seus
teores nesses solos (DIEROLF et al., 1997).
Capítulo 3 • Calagem 75

Figura 7. Relação entre a saturação por bases e a


produtividade do feijoeiro.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2008b).
76 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Saturações por cálcio e por magnésio


As saturações por Ca e por Mg são importantes índices de acidez
do solo. Seus valores adequados são necessários para aumentar a produ-
tividade das culturas (FAGERIA, 2008b) e variam de espécie para espécie
e entre cultivares de mesma espécie (FAGERIA et al., 1999). As respostas
do feijão cultivado em sistema de plantio direto às saturações por Ca e
por Mg são apresentadas nas Figuras 8 e 9. Em ambos os casos, a resposta

Figura 8. Relação entre a saturação por cálcio


(Ca) e a produtividade do feijoeiro cultivado em
sistema de plantio direto em solo de Cerrado.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2001c).
Capítulo 3 • Calagem 77

Figura 9. Relação entre a saturação por magné-


sio (Mg) e a produtividade do feijoeiro cultivado
em sistema de plantio direto em solo de Cerrado.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2001c).

foi significativa e quadrática. A produtividade do feijoeiro aumentou com


o aumento da saturação por Ca na faixa de 20% a 60%, na camada
de 0 a 10 cm de profundidade do solo. A produtividade máxima nessa
camada do solo foi obtida com a saturação por Ca de 53%. Na camada
de 10 cm a 20 cm de profundidade, a produtividade máxima foi obtida
com a saturação por Ca de 44% e, na média das duas profundidades, a
produtividade máxima do feijoeiro foi obtida com a saturação por Ca de
48%. Fageria (2001b) relatou que a saturação por Ca adequada para feijão
em solo de Cerrado situa-se em torno de 37% em sistema convencional
78 Nutrição Mineral do Feijoeiro

de plantio. Porém, Eckert (1987) relatou que a saturação por Ca para a


maioria das culturas está em torno de 65%.
A produtividade do feijoeiro aumentou significativamente e de
maneira quadrática com o aumento da saturação por Mg na faixa de 5%
a 20%, na camada de 0 a 10 cm, e de 3% a 15%, na camada de 10 cm
a 20 cm (Figura 9). A produtividade máxima foi obtida com a saturação
por Mg de 21%, na camada de 0 a 10 cm de profundidade, e de 16%, na
camada de 10 cm a 20 cm. A produtividade máxima do feijão na média
das duas profundidades do solo foi obtida com a saturação por Mg de
19%. Fageria (2001b) relatou que, para o feijoeiro, a saturação por Mg
ótima está em torno de 16% em solo de Cerrado. Eckert (1987) fez revisão
de vários trabalhos e relatou que a saturação por Mg na faixa de 10% a
15% é suficiente para a maioria das culturas.

Saturação por potássio


A produtividade do feijoeiro aumentou linearmente com o aumen-
to da saturação por K na faixa de 1% a 3% (Figura 10), na média de
duas camadas de solo (de 0 a 10 cm e de 10 cm a 20 cm). Isso significa
que a saturação por bases nessa faixa não foi suficiente para resultar em
produtividade máxima do feijoeiro no solo em questão. Fageria (2001c)
mencionou que a produtividade máxima do feijoeiro em solo de Cerrado
foi obtida com a saturação por K de 16%. Eckert (1987) relatou que a
saturação por K para várias culturas estava na faixa de 2% a 5%.

Saturação por alumínio


A saturação por Al é outro índice de acidez que é muito usado na
expressão da toxicidade de Al para as plantas nos solos ácidos, que, em
grau severo, é associada à redução do crescimento do sistema radicular.
O Al interfere na divisão das células das raízes, fixa o P no solo ou nas
raízes das plantas, diminui a respiração das raízes, interfere em certas
enzimas que controlam a deposição de polissacarídeos nas paredes das
células, aumenta a rigidez das paredes celulares pela ligação com pec-
tinas e interfere na absorção, transporte e utilização de vários nutrientes
e de água (FAGERIA et al., 1988, 1999). Observa-se, na Figura 11, que
a produtividade do feijoeiro em solo de Cerrado diminuiu linearmente
com o aumento da saturação por Al na faixa de 0 a 6%, na camada
superficial do solo (de 0 a 10 cm), e na faixa de 0 a 10%, na camada de
10 cm a 20 cm de profundidade. Da mesma maneira, em solo de várzea,
Capítulo 3 • Calagem 79

Figura 10. Relação entre a saturação por potássio


(K) e a produtividade do feijoeiro cultivado no sis-
tema de plantio direto em solo de Cerrado.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2001c).

também diminuiu a produção relativa de grãos do feijoeiro. Porém, a


produção relativa de arroz aumentou na mesma faixa de saturação por Al
(Figura 12). Isso significa que existe diferença significativa entre espécies
com relação à sua tolerância à toxicidade de Al.
Para quantificar a toxicidade de Al nas plantas, considera-se a
porcentagem de saturação por Al um índice melhor do que o Al trocável
80 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 11. Relação entre a saturação por alumínio


(Al) e a produtividade do feijoeiro cultivado em
sistema de plantio direto em solo de Cerrado.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2008b).

(FARINA; CHANNON, 1991). A saturação por Al é calculada pela seguin-


te fórmula:
Saturação por alumínio (%) = [Al3+ / ∑(Ca, Mg, K, Al) x 100]
O nível crítico de saturação por Al varia conforme a espécie e a
cultivar (Tabela 7). Cochrane et al. (1985) classificaram a porcentagem
de toxicidade por Al quanto ao crescimento das culturas anuais: de 0
a 10% (baixa); de 10% a 40% (média); de 40% a 70% (alta); e > 70%
(muito alta). A variação no teor de matéria orgânica, especialmente a
Capítulo 3 • Calagem 81

Figura 12. Influência do alumínio (Al) extraível e da


saturação por alumínio nas produções relativas de
arroz e feijão em solo de várzea.
* Significativo a 5% de probabilidade.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria e Santos (1998).

que é solúvel, leva a uma variação no grau de complexação do Al na


solução do solo e pode causar grande variação na fitotoxicidade do Al
em diferentes solos (FAGERIA et al., 1999). Sob pH 5, o nível de Al na
solução de solos orgânicos é consideravelmente mais baixo do que o
82 Nutrição Mineral do Feijoeiro

nível em solos minerais (FAGERIA et al., 1999). Isso provavelmente deve-


-se à formação de complexos estáveis de Al com a matéria orgânica, com
baixa solubilidade (FAGERIA et al., 1999).

Tabela 7. Níveis críticos de saturação por alumínio para várias culturas anuais
para obtenção de 90% a 95% da produtividade máxima.

Cultura Solo Nível crítico de saturação por Al

Mandioca Oxissolo/Ultissolo 80

Arroz de terras altas Oxissolo/Ultissolo 70

Feijão-caupi Oxissolo/Ultissolo 55

Amendoim Oxissolo/Ultissolo 65

Soja Oxissolo/Ultissolo 15

Milho Oxissolo 19

Mungo-verde Oxissolo 5

Sorgo Oxissolo 20

Feijão Oxissolo 10

Algodão - < 10
Fonte: adaptado de Fageria et al. (1997a).

Recomendações de calagem
A calagem é a prática mais comum e mais efetiva na correção da
acidez do solo. A calagem muda o ambiente químico em torno do sistema
radicular. Com a dissolução do calcário, o Al e o H+ são trocados por Ca,
e aumenta o Ca permutável. Produz-se, portanto, aumento na percen-
tagem de saturação por bases, enquanto eleva-se o pH da solução do
solo. Existem vários métodos para estimar a necessidade de calcário em
solos tropicais. A equação apresentada a seguir, publicada por Cochrane
et al. (1980), determina a necessidade de calagem levando em conta a
tolerância da cultura ao Al e os níveis de Ca e Mg no solo:
Necessidade de calcário (equivalente a t de CaCO3/ha) =
1,8 [Al-NCSA (Al + Ca + Mg)/100]
em que
Capítulo 3 • Calagem 83

Al, Ca, Mg são dados em cmolc kg-1 de solo (extrator KCl 1 N).
NCSA = nível crítico de saturação por Al.
No Brasil, a necessidade de calcário é determinada com base nos
teores de Al, Ca e Mg do solo, usando-se a seguinte equação:

Necessidade de calcário (t ha-1) = (2 x Al) + [2 - (Ca + Mg)]


em que
Al, Ca e Mg são dados em cmolc kg-1 de solo.
No Estado de São Paulo, para determinar a necessidade de calcário,
consideram-se, muitas vezes, a textura do solo e as espécies de plantas,
empregando-se a equação seguinte:

Necessidade de calcário (t ha-1) = (Y x Al) + [X - (Ca + Mg)]

em que o valor de Y varia conforme a textura do solo:


1 para solos com textura arenosa (teor de argila < 15%)
2 para solos com textura média (teor de argila entre 15% e 35%)
3 para solos com textura argilosa (teor de argila > 35%)

e o valor de X é determinado com base na espécie a ser plantada:

2 para a maioria das culturas


1 para eucalipto
3 para café.
A fórmula apresentada a seguir é baseada na saturação por bases e
também é empregada no Brasil para calcular a necessidade de calcário:

Necessidade de calcário (t ha-1) = [CTC (V2 – V1) / 100] x f


em que
CTC = capacidade de troca de cátions (Ca2+ + Mg2+ + K+ + H+ + Al3+), dada
em cmolc kg-1
V2 = saturação por bases adequada para uma dada cultura
V1 = saturação por bases do solo
f = 100/ poder relativo de neutralização total do calcário a ser usado.
Suponha-se, como exemplo, um solo com valores de CTC de
6 cmolc kg-1, V1 = 25% e V2 = 65%, que exista calcário disponível com
84 Nutrição Mineral do Feijoeiro

poder relativo de neutralização total (PRNT) de 76% e que a cultura seja


o feijoeiro. A quantidade de calcário necessária pode ser calculada como:
6 (65 - 25) / 100 x 100 / 76 = 3,2 t ha-1.
Para os Oxissolos brasileiros, a saturação por bases adequada para
a maioria dos cereais está em torno de 50% a 60% e, para a maioria
das leguminosas, de 60% a 70% (FAGERIA et al., 1999). Para utilizar a
última equação citada, é preciso estimar o teor de Al, Ca, Mg, K e H da
área que receberá a calagem. Além disso, para determinar a necessidade
de calcário para os solos ácidos, devem ser considerados os seguintes
fatores: textura do solo, fertilização nitrogenada, remoção pelas culturas,
nível de pH desejado, qualidade do calcário e aspectos econômicos.

Textura do solo
Solos arenosos necessitam de menos calcário do que os argilosos.
Pelos gráficos que compõem a Figura 13, é possível entender melhor a
importância da textura do solo para a determinação da necessidade de
calcário. O solo de Guapó, GO, que tem 52% de areia, requer 8 g de
calcário dolomítico por 5 kg de solo para elevar o pH a 6. Já o solo de
Itumbiara, GO, que possui somente 5,5% de areia (Tabela 8), necessita
de 15 g de calcário por 5 kg de solo para elevar o pH ao mesmo nível.
Além da textura, outros fatores, como o pH inicial e os teores de Ca, Mg
e Al, são responsáveis por essa discrepância. Portanto, todos esses fatores
devem ser levados em consideração para determinar a necessidade de
calcário.

Fertilização nitrogenada
Altas doses de fertilizantes amoniacais podem gerar acidez
considerável.

Remoção pelas culturas


As leguminosas geralmente removem quantidade maior de Ca e Mg
do que os cereais.

Nível de pH desejado
A quantidade de calcário também depende do nível de pH desejá-
vel, que, por sua vez, depende da cultura a ser plantada.
Capítulo 3 • Calagem 85

Figura 13. Relação entre o calcário aplicado e o pH em solo glei húmico dos
estados de Goiás e Tocantins.
Fonte: adaptado de Fageria et al. (1999).

Qualidade do calcário
A qualidade do calcário é determinada pelo seu PRNT, pela sua
granulometria e pela mineralogia. Existem três maneiras de avaliar essas
características: observação do efeito da calagem na produtividade das
culturas, determinação da mudança de pH do solo e medição do car-
bonato não reagente em vários intervalos de tempo após a aplicação do
calcário.
86 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 8. pH e propriedades granulométricas de solos de várzea dos estados de


Goiás e Tocantins.

pH em Areia Silte Argila


Local
H2O (g kg-1) (g kg-1) (g kg-1)

Goiânia, GO 5,2 348 245 405

Goianira, GO 5,0 467 195 335

Formoso do Araguaia, TO 5,6 400 235 365

Itumbiara, GO 3,6 55 355 590

Guapó, GO 5,7 520 225 250

Paraúna, GO 5,1 100 210 690


Fonte: Fageria et al. (1999).

Stevens e Blanchar (1992) utilizaram microeletrodos de vidro para


a medição de pH na avaliação da reatividade do calcário no solo. Esses
autores investigaram os efeitos da granulometria, da mineralogia e da
lixiviação pela água sobre a quantidade de carbonato não reagente e o
pH do solo em torno das partículas de calcário. Os resultados mostraram
que a taxa de reação é uma função linear da superfície total da partícula
e que o calcário calcítico reagiu cerca de duas vezes mais rápido do
que o calcário dolomítico, quando foram comparados em uma base de
superfície igual.
Os materiais usados para calagem diferem em sua composição, sen-
do necessário submetê-los a análises químicas. É recomendável utilizar
materiais que contenham tanto Ca como Mg. O tamanho das partículas
do calcário indica a sua taxa de reação com o solo. Quanto maiores
forem as partículas, mais lento será o seu efeito de neutralização da aci-
dez. A legislação brasileira exige que 100% do calcário passe em peneira
no 10 (2 mm) e 50% em peneira no 50 (0,30 mm). O PRNT do calcário
indica seu potencial relativo para corrigir (neutralizar) a acidez. Quanto
mais baixo for o PRNT, maior será a quantidade de calcário necessária.
Quanto maiores forem os teores de CaO e MgO (na forma de carbonatos)
apresentados pelo calcário, maior será a sua eficiência na correção da
acidez. Assim, é evidente que um calcário que possua impurezas (sílica
e argila) terá o seu poder neutralizante diminuído proporcionalmente ao
teor delas. A classificação dos calcários com base nos teores de CaO e
MgO é apresentada na Tabela 9.
Capítulo 3 • Calagem 87

Tabela 9. Classificação dos calcários com base nos teores de CaO e MgO.

Classificação Teor de CaO (%) Teor de MgO (%)

Calcítico 40–45 1–5

Magnesiano 31–39 6–12

Dolomítico 25–30 13–20


Fonte: Fageria et al. (1999).

O efeito residual do calcário é de longa duração, mas não é perma-


nente. A aplicação de fertilizantes que provocam acidez e decomposição
da matéria orgânica abaixam o pH e liberam mais Al. O efeito do calcário,
contudo, tem maior duração do que o de outros corretivos. Em geral, se
for aplicado o nível adequado, não será necessário reaplicar o calcário
antes de 3 anos de cultivo. O efeito residual dos materiais com granu-
lometria mais grosseira é mais longo do que o dos materiais mais finos
(CAUDLE, 1991).

Aspectos econômicos
Para determinar a dose de calcário a ser aplicada, deve ser levado
em consideração o fator econômico, especialmente o valor do aumento
da produção em relação ao custo do calcário.

Resposta das culturas ao calcário


Existem vários critérios de recomendação de calcário. Entretanto,
os dados relacionados à resposta das culturas à aplicação de calcário é o
melhor parâmetro para se fazer recomendações. No Brasil, existem dados
suficientes de respostas das culturas à calagem em solos de Cerrado, mas
são poucos os dados sobre esse assunto para solos de várzea.
Na Figura 14, é apresentada a resposta do feijoeiro à aplicação de
calcário em solo de Cerrado. A resposta foi linear na faixa de 0 a 12 t de
calcário ha-1. A cultivar Carioca apresentou maior produtividade de grãos
em comparação à cultivar EMGOPA 201. Fageria (2001a) relatou que a
produtividade do feijoeiro apresentou resposta quadrática à aplicação de
calcário. O nível econômico (90% da produção máxima) foi obtido com
5 t de calcário ha-1.
88 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 14. Resposta de cultivares de feijoeiro à aplicação


de calcário em solo de Cerrado.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria et al. (1999).

Na Figura 15, são apresentados dados da resposta do feijoeiro à apli-


cação de calcário em solo de várzea. A resposta foi significativa e quadrática
na faixa de 0 a 20 t de calcário ha-1. A dose econômica (90% da produção
máxima) foi obtida com 3,2 t ha-1. A produção do feijoeiro aumentou em
12% em relação à testemunha com aplicação dessa mesma dose.

Figura 15. Relação entre doses de calcário e


produtividade de grãos do feijoeiro em solo de
várzea.
* Significativo a 5% de probabilidade.
Capítulo 3 • Calagem 89

Fageria e Baligar (1999) relataram resposta significativa do feijoeiro


à aplicação de calcário em solo de várzea. Kluthcouski e Aidar (2002)
relataram que os solos de várzeas tropicais são, em sua grande maioria,
ácidos e pobres na maioria dos macro e em alguns dos micronutrientes.
Assim, para obter altas produções, faz-se necessário utilizar quantidades
razoáveis de corretivos de acidez e de fertilizantes minerais. Oliveira e
Santos (2002) relataram que a faixa de pH mais adequada para o desen-
volvimento do feijoeiro situa-se entre 5,7 a 6,2, considerada acidez de
média a fraca. Esses autores relataram também que o teor de Al maior
do que 1 cmolc kg-1 reduz a produtividade do feijoeiro. Nesse estudo,
inicialmente, o pH da área experimental era de 4,9, o que representa
acidez muito alta, e o teor de Al estava em 2,5 cmolc kg-1. Rosolem (1996)
mencionou que o cultivo do feijoeiro deve ocorrer em solos com pH
em água na faixa de 6,0 a 6,5. Segundo esse autor, nessa faixa de pH, a
fixação simbiótica do N2 é mais eficiente, e a fitotoxicidade do Al e Mn é
nula, o que permite maior desenvolvimento do sistema radicular e torna
a planta mais apta para produzir em condições de deficit hídrico. Fageria
e Stone (1999) constataram que o sistema radicular do feijoeiro aumentou
até o pH atingir 5,9, por causa do efeito da calagem e da aplicação de
P, o que proporcionou maior absorção de nutrientes e água do solo.
Silva et al. (2004) relataram que a calagem promove aumento do sistema
radicular e da parte aérea das cultivares de feijoeiro.
Os componentes da produtividade que contribuem para o seu
aumento são o número de vagens por planta, a massa de 100 grãos e
o número de grãos por vagem (FAGERIA et al., 2004). A relação entre
a calagem e esses componentes mostrou que os três aumentaram de
maneira quadrática com o aumento das doses de calcário (Tabela 10).
Porém, o efeito significativo do calcário foi somente no aumento (de 33%)
do número de vagens. A massa de 100 grãos variou 26%. Isso significa
que o maior aumento na produtividade de grãos deveu-se ao aumento do
número de vagens, seguido pelo da massa de 100 grãos. O número de
vagens por planta apresentou associação altamente significativa (P < 0,01)
e linear com a produtividade do feijoeiro (FAGERIA et al., 2004).
Raij e Quaggio (1997) calcularam as doses econômicas de calcário
para várias culturas anuais plantadas em solo de Cerrado. De acordo com
esses autores, as doses econômicas foram 9 t ha-1 para milho, 5,5 t ha-1
para soja , 6 t ha-1 para algodão, 6,5 t ha1 para feijão e 4 t ha-1 para
cana-de-açúcar.
90 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 10. Relação entre dose de calcário (X) e componentes da produtividade


(Y) do feijoeiro em solo de várzea. Os valores são médias de 2 anos de ensaios
de campo.

Variável Equação de regressão R2(1)


Dose de calcário (X) versus Y = 4,9905 + 0,15866 X - 0,00459 X2 0,3338*
número de vagens por
planta (Y )
Dose de calcário (X) versus Y = 4,8758 + 0,04964 X - 0,00321 X2 0,0296ns
número de grãos por
vagem (Y)
Dose de calcário (X) versus Y = 18,6223 + 0,40110 X - 0,01979 X2 0,2636ns
massa de 100 grãos (Y)
(1)
Coeficiente de determinação.
*
Significativo a 5% de probabilidade.
ns
Não significativo.
Fonte: Fageria et al. (2004).

A resposta das culturas ao calcário está relacionada com a redução


dos efeitos da acidez do solo, como o aumento da disponibilidade de Ca,
Mg e P e a redução da toxicidade de Al e Mn. Além disso, as culturas po-
dem ser beneficiadas pela melhoria das condições físicas e biológicas do
solo com a aplicação de calcário. A magnitude da resposta das culturas
depende, portanto, da intensidade desses fatores adversos, bem como
da espécie e da cultivar. Kamprath (1984) e Pearson (1975) fizeram uma
revisão de literatura sobre a resposta das culturas à calagem em solos
tropicais, cujo resumo é apresentado nesta seção, junto com resultados
de alguns outros estudos recentes:
• Feijão-comum: respondeu à calagem. Essa resposta parece estar
relacionada com a eliminação da toxicidade de Al e Mn e o for-
necimento de Ca, que promovem um ambiente favorável para a
fixação biológica de N.
• Milho: respondeu à calagem quando o pH do solo foi menor do
que 5 e a saturação por Al3+ maior do que 15%.
• Sorgo: respondeu mais ou menos como o milho, embora neces-
site de pH mais alto do que o milho.
• Soja: respondeu à aplicação de calcário em solos de moderada
a altamente ácidos. A resposta ocorreu quando a saturação por
Capítulo 3 • Calagem 91

Al foi maior do que 10%. O aumento na produtividade, em solo


com pH maior do que 5,5, pode ter sido ocasionado pela maior
disponibilidade de Mo.
• Amendoim: respondeu à calagem, quando plantado em solos
altamente lixiviados, com baixa capacidade-tampão, graças ao
fornecimento de calcário e ao aumento da disponibilidade de
Mo.
• Algodão: respondeu à calagem em Oxissolos do Brasil com
saturação por Al na faixa de 45% a 85%. Em Uganda, quando o
pH era maior do que 5,2, não se obteve resposta.
• Batata-doce, cana-de-açúcar e capim-elefante: responderam na
medida em que houve a redução da saturação por Al. Em Porto
Rico, a produtividade máxima de batata-doce foi obtida quando
a saturação por Al era menor do que 20%.
• Feijão-caupi: respondeu a pequenas quantidades de calcário.
Na Colômbia, com a aplicação de 0,5 t de CaCO3 ha-1 em um
Oxissolo com pH 4,2 e saturação por Al de 78%, a produtivida-
de dobrou, a saturação por Al foi reduzida a 67% e a saturação
por Ca foi de 22%.

Gesso
O gesso agrícola (CaSO4.2H2O – sulfato de cálcio), um subproduto
da indústria de ácido fosfórico, é um corretivo para a acidez do solo. É
largamente disponível em muitas partes do mundo, inclusive no Brasil,
onde cerca de 4,5 milhões de toneladas são produzidas anualmente
(VITTI, 2000). A eficiência do gesso na melhoria dos efeitos da acidez no
subsolo tem sido demonstrada em vários trabalhos (CAIRES et al., 2004;
CARVALHO; RAIJ, 1997; MARSH; GROVE, 1992; OATES; CALDWELL,
1985). O gesso não neutraliza os íons H+, mas precipita o Al e fornece Ca
e S como nutrientes. A lixiviação de Ca na camada subsuperficial (abaixo
de 20 cm) ocorre junto com a do sulfato, o que leva à precipitação do Al
do subsolo e ao aumento da possibilidade de o sistema radicular das plan-
tas se desenvolver em profundidade (PAVAN; BINGHAM, 1982; SUMNER
et al., 1990), o que ajuda na maior absorção de água e nutrientes pelas
raízes das plantas (CARVALHO; RAIJ, 1997; SUMNER et al., 1986). Um
dos pontos importantes da absorção de SO42– é a liberação de OH-, que
reduz a acidez do meio. É um aspecto ainda controvertido, mas existem
92 Nutrição Mineral do Feijoeiro

evidências de que seria um mecanismo possível em solos ricos em óxidos


de Fe e Al e, principalmente, nos subsolos ácidos. Esse processo foi suge-
rido por Reeve e Sumner (1972) e denominado de autocalagem, em que
os hidróxidos promoveriam a neutralização do Al.
De acordo com Sousa et al. (2004), 86% das áreas agricultáveis
do Cerrado apresentam, em sua subsuperfície, um teor de Ca inferior a
0,4 cmolc kg-1 de solo. Nessa situação, o sistema radicular das culturas
não se desenvolve na camada subsuperficial e diminui a absorção de
água e nutrientes. Se ocorrer veranico na fase crítica da planta, ao redor
da floração, o efeito na produção é mais marcante. Sousa et al. (2004)
desenvolveram uma fórmula para recomendação de gesso:
Necessidade de gesso (kg ha-1) = 50 x teor de argila (%)
O gesso agrícola deve possuir 15% de S, e o teor de argila a ser
incluído no cálculo deve ser o da camada subsuperficial, ou seja, das
profundidades de 20 cm a 40 cm ou de 40 cm a 60 cm. Se existirem
dados de textura do solo, as recomendações de gesso podem ser feitas
pelos seguintes critérios:
• Para solo arenoso (< 15% de argila), usar 700 kg de gesso ha-1.
• Para solo de textura média (de 15% a 35% de argila), usar
1.200 kg de gesso ha-1.
• Para solo de textura argilosa (de 35% a 60 % de argila), usar
2.200 kg de gesso ha-1.
• Para solo muito argiloso (> 60% de argila), usar 3.200 kg de
gesso ha-1.

Considerações finais
A acidez do solo é um importante fator limitante à produção do
feijoeiro nos solos de Cerrado e de várzea do Brasil. Para incorporação
desses solos ao processo produtivo, é indispensável o uso adequado
de corretivos (como calcário e gesso), a adoção de outras práticas de
manejo (como uso de espécies ou cultivares tolerantes à acidez do solo),
a reciclagem dos restos culturais e o uso de adubação verde e orgânica.
Teoricamente, a acidez é caracterizada pelos teores de H+ e Al3+ no solo,
mas, na prática, é o resultado de um complexo de vários fatores, incluin-
do as deficiências e/ou toxicidades nutricionais, a redução da atividade
microbial benéfica para as plantas e a erosão do solo. Além disso, a
Capítulo 3 • Calagem 93

acidez propicia o aumento da incidência de doenças, principalmente das


causadas por fungos, que prejudicam o crescimento das plantas.
Entre as várias práticas de manejo dos solos ácidos, o uso de calcá-
rio no momento é a mais comum e a mais efetiva. Na prática da calagem,
vários fatores devem ser levados em consideração, como as necessidades
do solo, o pH, a textura e o teor de matéria orgânica do solo. Além desses,
outros fatores devem ser considerados, como a granulometria do calcário,
o tempo e a frequência de calagem e, finalmente, o custo do material usa-
do para calagem. Níveis adequados de pH, saturação por bases, saturação
por Al e doses adequadas de calcário para a cultura do feijoeiro em solos
de Cerrado e várzea foram estabelecidos. Esses índices podem ser usados
para identificação do grau de acidez nos solos de Cerrado e várzea do
Brasil e, consequentemente, para a sua correção. Outra prática eficiente
é o uso de espécies ou de cultivares tolerantes à acidez. Entretanto, nesse
sentido, são necessários mais trabalhos de pesquisa para incorporar a
tolerância em cultivares produtivas e/ou adaptáveis às condições ácidas
do solo.
Capítulo 4

Nitrogênio
96 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
Para conservação e sustentabilidade da produtividade das culturas,
o manejo apropriado da fertilidade é uma prática importante. A aduba-
ção nitrogenada está entre as técnicas de manejo necessárias para atingir
alto potencial produtivo nos sistemas agrícolas, pois as plantas geralmente
absorvem grande quantidade de N. Na agricultura intensiva, o nitrogênio
(N) é, entre os essenciais, o nutriente mais importante para o crescimento
e a determinação do potencial produtivo das culturas e o mais demanda-
do pelo metabolismo das plantas (promove a rápida expansão da folha)
(FAGERIA; BALIGAR, 2005a). No entanto, seu uso indiscriminado pelos
agricultores, na tentativa de não reduzir a produtividade e, consequen-
temente, seus lucros faz com que aumentem os riscos de contamina-
ção ambiental. A produtividade da maioria dos ecossistemas, inclusive
agroecossistemas, é limitada pela disponibilidade de N: já que os solos
contêm relativamente pequena quantidade desse elemento, poucos são
os que podem sustentar uma produção satisfatória sem a aplicação de N.
Portanto, a deficiência de N é bastante frequente em comparação com a
de outros nutrientes. A maior parte do N permanece na forma orgânica
no solo, e grande parte fica na camada superficial do solo. A matéria
orgânica possui, em média, 50 g de N kg-1 (BARBER, 1995). Assim, a apli-
cação de N torna-se fundamental como fertilizante para se obter maior
produtividade (FAGERIA, 2009; FAGERIA et al., 2006a).
A carência de N é um dos fatores que mais limitam a produtivi-
dade do feijoeiro em solos tanto de Cerrado quanto de várzeas do
Brasil (BARBOSA FILHO; SILVA, 2000; FAGERIA, 2014; FAGERIA et al.
2013; FAGERIA; SANTOS, 2008; SANTOS et al., 2003). Vários trabalhos
demonstraram que a cultura responde à aplicação de fertilizantes ni-
trogenados (CARVALHO et al., 2003; KANEKO et al., 2010; PELEGRIN
et al., 2009; SANTOS et al., 2003; SILVEIRA et al., 2005; SOUZA et al.,
2011). Caballero et al. (1985), Mercante et al. (1999) e Pelegrin et al. (2009)
relataram que, entre os principais fatores limitantes da produtividade da
cultura do feijoeiro no País, destacam-se aqueles relacionados ao baixo
nível tecnológico empregado pelos produtores e ao cultivo do feijoeiro
em solos de baixa fertilidade, especialmente pobres em N. Barbosa Filho
e Silva (1994), Silva e Silveira (2000) e Stone e Moreira (2001) verificaram
efeito positivo do fertilizante nitrogenado sobre essa leguminosa, que
chegou a responder a doses acima de 100 kg de N ha-1. Oliveira et al.
Capítulo 4 • Nitrogênio 97

(1996) também relataram que quantidade superior a 100 kg de N ha-1 é


requerida para garantir o uso do nutriente pelas plantas e, assim, gerar
altas produtividades. Apesar da fixação do N2 atmosférico pela simbiose
com bactérias do gênero Rhizobium, mesmo quando é realizada ino-
culação, a quantidade do nutriente suprida por esse processo tem sido
insuficiente (BASSAN et al., 2001; LEMOS et al., 2003), sendo a adubação
nitrogenada quase sempre recomendada para atender às exigências da
cultura (AMBROSANO et al., 1996; CRUSCIOL et al., 2007).
A deficiência de N na cultura do feijoeiro, causada pela perda desse
nutriente por vários processos no sistema solo-planta, como lixiviação,
desnitrificação, volatilização e erosão do solo, é frequentemente obser-
vada. A maximização do uso de N pelo feijoeiro é importante sob os
pontos de vista econômico e ambiental, pois esse nutriente apresenta
risco ao meio ambiente por ser potencialmente contaminante do lençol
freático. Portanto, neste Capítulo, é discutido o manejo adequado de N
na produção do feijoeiro nos solos de Cerrado e várzeas do Brasil.

Ciclo no sistema solo-planta


O ciclo do N consiste na sequência de mudanças bioquímicas que
incluem a translocação, transformação, absorção, utilização, fixação,
perda e reposição desse elemento no sistema solo-planta (Figura 1). Todos
esses processos são dinâmicos no sistema e, portanto, a sua avaliação
e quantificação são muito complexas e difíceis. No solo, o N existe
predominantemente na forma orgânica (de 95% a 99%) (BRADY; WEIL,
2002; FAGERIA; BALIGAR, 2005a). Uma pequena parte do N total do
solo encontra-se na forma mineral como amônio (NH4+), nitrato (NO3-)
e nitrito (NO2-). A forma orgânica, o amônio e o nitrato no solo estão su-
jeitos à mineralização ou amonificação (NH3 e NO3-), nitrificação (NH4+),
imobilização pelos microrganismos (NH4+ e NO3-), absorção pelas plantas
(NH4+ e NO3-), fixação pelos minerais das argilas (NH4+) e perdas por vo-
latilização (NH4+ e NO3-), lixiviação (NO3-) e desnitrificação (NO3-). Esses
são os principais componentes do ciclo de N e, portanto, são importantes
as suas definições.

Mineralização
A mineralização é o processo de conversão do N orgânico na forma
mineral por meio de organismos heterotróficos, como bactérias, fungos e
98 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 1. Ciclo do nitrogênio (N) no sistema solo-planta.


Ilustração: Sebastião Araújo

actinomicetos. Na maioria dos solos minerais drenados, aproximadamen-


te 2% do N orgânico é mineralizado anualmente (FOTH; ELLIS, 1988). Por
exemplo, um solo com 0,05% a 0,10% de N pode mineralizar de 25 kg
de N ha-1 a 50 kg de N ha-1 na camada de até 20 cm de profundidade. No
processo de mineralização, a amônia (NH3) é o primeiro produto formado
e, portanto, o processo também é chamado de amonificação. A molécula
de NH3 combina-se facilmente com um próton, formando NH4+ (NH3 + H+
= NH4+). O NH4+ estabiliza-se nos solos ácidos, mas, nos solos alcalinos,
a disponibilidade de prótons é pouca, o que faz aumentar a volatilização
com o aumento do pH. A volatilização do NH4+ segue a reação:
Capítulo 4 • Nitrogênio 99

NH4+ + OH- ⇔ H2O + NH3 (gás)


A quantidade de N mineralizada depende do teor de matéria orgâ-
nica do solo e das condições ambientais. Em condições normais, de 1%
a 4% por ano do N total é mineralizado. A quantidade aproximada de N
total na matéria orgânica (M.O.) pode ser estimada pela seguinte equação:
N (%) = M.O. (%)/20
Em solos inundados, os organismos anaeróbicos atuam, e a minera-
lização ocorre normalmente. Com isso, tanto em solo inundado como em
solo bem drenado ocorre mineralização (FOTH; ELLIS, 1988).

Nitrificação
O processo de nitrificação, que ocorre em duas etapas, começa
com a acumulação de NH4+ graças à mineralização no solo. Na primeira
etapa, o íon NH4+ é oxidado em nitrito pela bactéria Nitrosomonas e, na
segunda, o nitrito é oxidado em nitrato pela bactéria Nitrobacter. As duas
etapas de nitrificação podem ser expressas pelas seguintes reações
(FAGERIA; BALIGAR, 2005a):
2NH4+ + 3O2 ⇔ 2NO2- + 2H2O + 4H+
2NO2- + O2 ⇔ 2NO3-
De acordo com a primeira equação, a nitrificação pode baixar signi-
ficativamente o pH, quando é aplicada grande quantidade de fertilizante
amoniacal. O íon nitrato é estável na solução do solo, porém fica solúvel
e sujeito à perda por lixiviação. O processo de nitrificação é determinado
por pH – valor ótimo na faixa de 6,0 a 8,0 (FOTH; ELLIS, 1988), tempera-
tura (o processo ocorre na faixa de 5 °C a 40 °C, mas seu valor ótimo é
de 25 °C a 35 °C), umidade (nos solos aeróbicos, o teor ideal é de 50%
a 70% da capacidade de campo) e oxigênio (O2) (o processo cessa na
ausência desse elemento). Além disso, a atividade das bactérias nitrifi-
cadoras é sensível à presença de H+. Portanto, a nitrificação é sensível à
estrutura do solo e ao teor de umidade. Nos solos inundados, o processo
de nitrificação quase cessa graças à falta de O2, e ocorre a acumulação
de NH4+. O processo de nitrificação nesses solos ocorre na camada su-
perficial (atingindo apenas alguns milímetros de profundidade) por causa
da difusão do O2 através da água de inundação. Portanto, nesses solos,
100 Nutrição Mineral do Feijoeiro

a forma dominante de N é o NH4+. O processo de nitrificação ocorre


somente quando existem íons NH4+ para oxidação. Portanto, uma alta
relação C/N dos restos culturais, a qual inibe a liberação de NH4+, pode
reduzir a nitrificação.

Imobilização
A imobilização é o oposto da mineralização: promove a conversão
de íons (NO3- e NH4+) inorgânicos em orgânicos. Quando não existe
quantidade suficiente de íons inorgânicos no solo, as bactérias que de-
compõem os restos culturais consomem esses íons, e as plantas podem
sofrer deficiência de N. A mineralização e a imobilização podem ocorrer
simultaneamente no solo. O efeito positivo ou negativo da mineralização
depende da relação C/N dos resíduos orgânicos sujeitos à decomposição.
Geralmente, a matéria orgânica decomposta possui relação C/N de 10 a
12 e, quando ocorre a mineralização, o excesso de N pode ser utilizado
pelas plantas. Entretanto, quando a relação C/N é maior do que 30, o solo
não possui N suficiente para as bactérias que mineralizam os resíduos, e
o processo se inverte (FAGERIA et al., 2003b).

Volatilização
O gás NH3 pode ser produzido no sistema solo-planta, e muito N
pode ser perdido para a atmosfera dessa forma. A perda pode ser expli-
cada pela seguinte equação:
NH4+ + OH- ⇔ NH4OH ⇔ H2O + NH3 (gás)
Nessa equação, a perda do gás amônia aumenta com o aumento
do pH do solo. O íon amônio pode ser adsorvido pelos coloides da argila
se o adubo for incorporado ao solo. Portanto, a perda pode ser diminuída
com a aplicação do adubo no sulco de semeadura, em solo com alto teor
de argila. Com a incorporação de adubo no solo, a perda pode ser de
25% a 75% menor do que com a prática de deixar o adubo na superfície
(BRADY; WEIL, 2002). Outra prática é o uso de alguns compostos que
inibem a hidrólise da ureia ou reduzem a dissociação de NH4+ para NH3 e,
dessa maneira, diminuem a perda por volatilização. Sharif Zia et al. (1997)
relataram que a mistura de CaSO4 (gesso) e KCl com ureia aumentou
a produtividade do arroz em 11% em comparação com a ureia sem a
mistura desses produtos. Fenn et al. (1981) mostraram que a mistura de
cálcio (Ca) com ureia reduz a perda de NH3.
Capítulo 4 • Nitrogênio 101

Lixiviação
O nitrato formado pelo processo de nitrificação está sujeito à lixivia-
ção em razão da ocorrência de excesso de chuvas ou de sua presença em
solos de cultivo de arroz inundado. O íon NO3- é completamente móvel
no solo junto com a água de lixiviação ou de drenagem. Experimentos
de laboratório mostraram que, em solos alagados, o NO3- desaparece do
solo após três semanas de incubação, independentemente da concentra-
ção inicial. Porém, alguns estudos mostraram que o desaparecimento do
NO3- depende do tipo de solo.

Desnitrificação
A perda de N para a atmosfera pela conversão de íons nitrato em
uma série de reações bioquímicas de redução é chamada de desnitrifi-
cação. Esse processo é controlado principalmente por teor de matéria
orgânica, pH do solo e temperatura. Os organismos responsáveis pela
desnitrificação são, na maioria, bactérias facultativas anaeróbicas, como
Pseudomonas, Bacillus, Micrococcus e Achromobacter (BRADY; WEIL,
2002). Esses organismos são heterotróficos e adquirem sua energia do
carbono (C) pela oxidação de compostos orgânicos. Outras bactérias
que participam no processo de desnitrificação são autotróficas, como
Thiobacillus denitrificans e Thiobacillus thioparus, que obtêm sua energia
pela oxidação de sulfito. No processo de desnitrificação, o íon nitrato é
reduzido em uma série de etapas, como explicado a seguir:
NO3-(nitrato) ⇒ NO2-(nitrito) ⇒ NO (gás óxido nítrico) ⇒
N2O (gás óxido nitroso) ⇒ N2 (gás)
Os vários fatores que determinam a desnitrificação são: disponi-
bilidade de nitrato, disponibilidade de composto orgânico para fornecer
energia para os microrganismos que participam do processo, teor de O2
na solução do solo menor do que 10% (uma vez que a desnitrificação
ocorre mais rapidamente na ausência total de O2) e temperatura na faixa
de 2 °C a 50 °C (sendo ótima na faixa de 25 °C a 35 °C). A proporção
de cada um dos três gases depende desses fatores de desnitrificação.
Por exemplo, a liberação de N2O é favorecida se as concentrações de
nitrato e nitrito forem altas e a concentração de O2 não for muito baixa.
Em condições muito ácidas, quase toda a perda de N ocorre na forma de
N2O. A perda de N por NO é muito pequena e aparentemente ocorre em
condições ácidas.
102 Nutrição Mineral do Feijoeiro

A desnitrificação é um processo importante em arroz inundado,


pois é o principal mecanismo de perda de N. Ainda não existem métodos
que determinem a quantidade de N perdida por esse processo em con-
dições naturais. Entretanto, um valor aproximado pode ser determinado
em condições controladas usando isótopos (15N). De acordo com Fageria
(1984), 40% do N aplicado são absorvidos pela planta de arroz, 20%
ficam no solo e nas raízes, e os 40% restantes são perdidos. Porém, Foth
e Ellis (1988) relataram que, em média, 50% do N são absorvidos pela
planta, 25% são perdidos por lixiviação, desnitrificação e volatilização, e
25% ficam no solo, como N mineral ou incorporado na matéria orgânica.
Pode-se perceber que o manejo da água de inundação é fator de-
terminante na economia e no aproveitamento do N do solo e do aplicado
como fertilizante. Mesmo em solos mantidos continuamente inundados,
ocorre perda de N por volatilização, pois, embora em menor escala,
a nitrificação ocorre na superfície do solo (região oxidada). Quando o
N-NO3- aí produzido é transportado para a região reduzida, sobrevém a
desnitrificação. Entretanto, as perdas são bem maiores quando o solo é
submetido à inundação e drenagem alternadas.

Formas de absorção
O N é absorvido pelas plantas principalmente nas formas NO3- e
NH4 . As plantas podem absorver as duas formas igualmente. Entretanto,
+

a forma absorvida é determinada principalmente pela quantidade e pelo


acesso a cada forma disponível no solo. Nos solos bem drenados, a forma
NO3- predomina, enquanto, em condições anaeróbicas, a forma NH4+
apresenta-se em maior quantidade. A taxa de absorção de NH4+ é de
5 a 20 vezes maior do que a da forma NO3- (GAUDIN; DUPUY, 1999).
Em geral, nos solos cultivados, a concentração de NO3- varia na faixa
de 0,5 mM a 10 mM (7 ppm a 140 ppm), enquanto a concentração da
forma NH4+ é geralmente de 10 a 1.000 vezes mais baixa, chegando na
faixa de milimolar somente em casos excepcionais, após a aplicação de
fertilizantes (WIREN et al., 1997). A nitrificação autotrópica de NH4+ é
retardada pelo baixo pH e pela baixa temperatura, favorecendo a nutrição
de NH4+ nos solos ácidos e em clima temperado. As espécies calcífugas,
que se adaptam bem às condições ácidas, frequentemente absorvem pre-
ferencialmente NH4+ (HAYNES; GOH, 1978). Vários trabalhos realizados
sob condições controladas mostraram que as culturas anuais crescem
Capítulo 4 • Nitrogênio 103

melhor quando o N é fornecido como mistura de NH4+ e NO3- (GOOS


et al., 1999).
A assimilação de NO3- necessita de energia igual a 20 moles de
ATP (trifosfato de adenosina) por mol de NO3-, enquanto a assimilação de
NH4+ necessita somente de 5 ATP por mol (SALSAC et al., 1987). A eco-
nomia de energia pode resultar em maior produção de matéria seca pelas
plantas que receberam N somente na forma NH4+ (HUFFMAN, 1989).
Entretanto, o sistema solo-planta é muito dinâmico e é muito difícil man-
ter somente uma forma de N no solo durante o crescimento das plantas.
A absorção de N depende do fornecimento adequado de carboidrato
translocado da parte aérea para a raiz. Tanto o N absorvido durante a fase
reprodutiva como a remobilização do que foi acumulado durante a fase
vegetativa contribuem para a acumulação de N nos grãos (MOLL et al.,
1994). A absorção de N em muitas espécies é governada principalmente
pela demanda da planta por causa de seu crescimento, desde que exista
N suficiente no meio de crescimento e que a absorção pelas raízes não
seja inibida por alguns fatores desfavoráveis. Foram propostos muitos
modelos em que a demanda de absorção de N pela parte aérea regula
a absorção de N pela raiz (BENZIONI et al., 1971). Cooper e Clarkson
(1989) propuseram um modelo que integra a absorção de N pelas raízes
com sua utilização pela parte aérea, independentemente da forma de N
(NO3- ou NH4+). Nesse modelo, a absorção de N pelas raízes é regulada
pela demanda da parte aérea. Sob baixa demanda, a maior fração de N
translocada para a parte aérea via xilema é retranslocada para as raízes via
floema, o que reduz a taxa de absorção de N. Quando a demanda é alta,
a maior fração de N translocada via xilema é utilizada para crescimento
da parte aérea, e uma pequena parte é retranslocada para as raízes, o
que aumenta a taxa de absorção de N. O N absorvido em excesso para
suprimento da parte aérea pode ser retranslocado para as raízes, o que
diminui a absorção desse elemento pela planta (ENGELS; MARSCHNER,
1995).

Funções e sintomas de deficiência


O N influencia o crescimento da folha e a duração da área foliar e,
dessa maneira, o tamanho da fonte de carboidratos e a taxa fotossintética
por unidade de área foliar, o que afeta a atividade da fonte, a quantidade
e o tamanho dos órgãos vegetativos e reprodutivos de armazenamento e,
104 Nutrição Mineral do Feijoeiro

por consequência, a capacidade do dreno (ENGELS; MARSCHNER, 1995;


FAGERIA et al., 2006a). As plantas deficientes em N terão baixa taxa
fotossintética, menor acúmulo de matéria seca e menor produtividade.
O N influencia significativamente a produção de matéria seca do feijoeiro
(Tabela 1). A massa da matéria seca da parte aérea é positivamente cor-
relacionada com a produtividade de grãos (FAGERIA et al., 2004, 2008).
O N aumenta o sistema radicular do feijoeiro, o que pode beneficiar a
absorção de água e nutrientes e, consequentemente, a produtividade
(Figura 2).
Foto: Sebastião Araújo

Figura 2. Sistema radicular da cultivar Pérola de feijoeiro com 0 e


80 mg de N kg-1 do solo.
Capítulo 4 • Nitrogênio 105

Tabela 1. Influência do nitrogênio (N) na massa da matéria seca da parte aérea


(MSPA) do feijão em solo de várzea durante o ciclo da cultura.

Massa da matéria seca da parte aérea (kg ha-1)


Dose de N 23º dia 44º dia 60º dia 78º dia
(kg ha-1) 93º dia após a
após a após a após a após a
semeadura
semeadura semeadura semeadura semeadura

0 80,0 118,8 220,0 658,8 1.191,3

40 93,1 135,6 493,8 971,3 1.442,5

80 95,0 178,1 813,8 1.796,3 3.340,0

120 77,5 171,3 827,5 2.576,3 4.503,8

160 71,3 239,4 1.260,0 2.261,3 5.345,0

200 71,3 337,5 1.658,8 3.240,0 6.593,8

Teste F ns * ** ** **

Análise de regressão

Doses de N (X) vs. MSPA aos 23 dias (Y) = 84,5759 + 0,1284 X - 0,0011 X2, R2 =
0,1598ns

Dose de N (X) vs. MSPA aos 44 dias (Y) = 117,3500 exp. (0,0023 X) + 0,000011 X2,
R2 = 0,4808**

Dose de N (X) vs. MSPA aos 60 dias (Y) = 218,6368 exp. (0,01734 X) - 0,000038 X2,
R2 = 0,8328**

Dose de N (X) vs. MSPA aos 78 dias (Y) = 615,2077 exp. (0,0147 X) - 0,000034 X2,
R2= 0,8399**

Dose de N (X) vs. MSPA aos 93 dias (Y) = 1012,8120 exp. (0,0154 X) - 0,000032 X2,
R2 = 0,7135**
* Significativo a 5% de probabilidade.
** Significativo a 1% de probabilidade.
ns
Não significativo.
Fonte: Fageria e Melo (2014).

As principais formas dos compostos nitrogenados na planta são as


proteínas e os ácidos nucleicos. Esses são os principais constituintes do
protoplasma, e, portanto, a deficiência de N inibe a divisão celular e, con-
sequentemente, provoca redução no crescimento. A falta de compostos
proteicos aumenta a relação C/N, que resulta em excesso de carboidratos
e aumento nos conteúdos de celulose e lignina. Com isso, as membranas
106 Nutrição Mineral do Feijoeiro

celulares engrossam e aumenta a quantidade de tecidos lignificados, o que


resulta em maturação precoce (ISHIZUKA, 1978). Quando o teor de um de-
terminado nutriente é baixo no solo, as plantas não podem absorvê-lo em
quantidades suficientes para o seu crescimento normal. Assim, aparecem
alguns sintomas de deficiência, os quais podem estar relacionados com a
redução da altura da planta, da formação de ramos e do crescimento das
raízes e com a descoloração (resultante de clorose e necrose) das folhas
(FAGERIA et al., 2006a). A mobilidade do nutriente dentro da planta e a
posição das folhas que sofrem deficiência estão interligadas. Para nutrientes
de alta mobilidade nas plantas, como o N, os sintomas de deficiência apa-
recem primeiro nas folhas mais velhas (FAGERIA et al., 1996).
O N é o nutriente absorvido em quantidades mais elevadas pelo fei-
joeiro e, consequentemente, a sua deficiência é mais frequente (OLIVEIRA
et al., 1996). Além de atrofiamento, os sintomas de deficiência de N são
amarelecimento nas folhas mais velhas (que, dependendo da intensidade
e da evolução da deficiência, pode atingir toda a planta), morte da lâmina
da folha mais baixa (cujo tecido fica com coloração marrom-chocolate)
e mudanças na resistência difusiva do CO2 em virtude do aumento na
resistência do mesófilo e da menor proporção na resistência estomática
(RYLE; HESKETH, 1969), o que altera a síntese e atividade da ribulose
1,5 bifosfato carboxilase-oxigenase (rubisco) e provoca redução na taxa
fotossintética (COSTA et al., 1988), com consequências para o desenvol-
vimento e a produtividade das culturas. Nas Figuras 3 e 4, podem ser
Foto: Sebastião Araújo

A B C D

Figura 3. Plantas das cultivares Pérola e Novo Jalo de feijoeiro sem (A e C) e com
nitrogênio (B e D).
Capítulo 4 • Nitrogênio 107

Foto: Sebastião Araújo


Figura 4. Plantas da cultivar Jalo Precoce de feijoeiro sem (A) e com
nitrogênio (B).

observadas plantas de feijão sem e com a aplicação de N. O efeito do


N no crescimento da planta é muito claro. As plantas sem aplicação de
N mostram a deficiência desse elemento nas folhas pela cor amarela ou
laranja.

Teor e acumulação de nitrogênio


O teor e a acumulação de N são importantes índices na avaliação
do estado nutricional da planta. São determinados por meio da análise
química quantitativa das plantas ou de parte delas, o que fornece um
valor integrado de todos os fatores que influenciam a composição da
planta no momento da amostragem. A ideia básica do uso dessa análise
é proporcionar a presença do elemento essencial para o crescimento da
planta a uma concentração suficiente. Comparando-se a concentração
de um dado nutriente na planta com seu nível crítico, previamente esta-
belecido, pode-se determinar o estado nutricional dessa planta. Plantas
108 Nutrição Mineral do Feijoeiro

que apresentam concentração acima do nível crítico são consideradas


supridas, enquanto as que apresentam concentração abaixo do nível críti-
co são consideradas deficientes (FAGERIA, 1984; FAGERIA et al., 2008a).
Vários fatores influenciam o estado nutricional da planta, inclusive
a sua idade. Portanto, o conhecimento do teor e da acumulação de N
durante o ciclo da cultura é importante para o manejo apropriado do
N e, ao mesmo tempo, para o aumento da produtividade. O teor de N
diminui significativamente de forma quadrática com o avanço da idade
das plantas em milho e arroz de terras altas e de forma cúbica em feijão
e soja (Figura 5). A variabilidade no teor de N foi de 96% em milho e
arroz de terras altas, 87% em soja e 97% em feijão, em função de idade

Figura 5. Teor de nitrogênio (N) na parte aérea de milho, arroz de terras altas,
soja e feijão durante os ciclos das culturas.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria e Baligar (2005a).
Capítulo 4 • Nitrogênio 109

da planta. No milho, aos 18 dias após a semeadura, o teor de N era de


45 g kg-1 e, na colheita, diminuiu para 7 g kg-1. No arroz de terras altas, do
início do crescimento até os 19 dias após a semeadura, o teor de N era
de 47 g kg-1 e, na colheita, diminuiu para 10 g kg-1. No feijão, aos 15 dias
após a semeadura, o teor de N era de 54 g kg-1 e diminuiu para 32 g kg-1
com a idade de 50 dias após a semeadura. No período entre 50 e 60 dias,
não houve mudança no teor de N, que depois diminuiu linearmente,
chegando a 10 g kg-1 na época da colheita. Na soja, o teor de N no início
do crescimento (27 dias após a semeadura) foi de 36 g kg-1, diminuiu para
27 g kg-1 aos 60 dias após a semeadura e ficou estável até 120 dias da
semeadura, diminuindo depois linearmente até 10 g kg-1. A diminuição
no teor de N com o avanço da idade da planta está associada com o
aumento da massa de matéria seca da parte aérea e é chamada “efeito de
diluição” (FAGERIA; BALIGAR, 2005a; FAGERIA et al., 2006).
A acumulação de N na parte aérea aumentou significativamente
e de maneira exponencial nas quatro culturas até certa idade e depois
diminuiu (Figura 6). A variabilidade na acumulação de N foi de 96% para
milho e soja, 97% para arroz de terras altas e 90% para feijão, com o
avanço da idade da planta. Na comparação entre culturas, a acumulação
de N na parte aérea foi máxima no milho (248 kg ha-1) e mínima no feijão
(51 kg ha-1). No arroz, a acumulação máxima de N foi de 108 kg ha-1.
Na soja, a acumulação máxima de N foi de 96 kg ha-1. A acumulação
máxima de N ocorreu aos 62, 100, 120 e 61 dias de idade nas plantas
de milho, arroz de terras altas, soja e feijão, respectivamente. A maior
acumulação de N em milho está associada com a maior acumulação da
massa da matéria seca da parte aérea dessa cultura em comparação à das
outras culturas (Figura 7). A máxima acumulação da massa da matéria seca
da parte aérea em milho atingiu o valor de 21.000 kg ha-1 após 61 dias de
idade, em arroz de terras altas chegou a 8.000 kg ha-1 aos 101 dias após
a semeadura, em soja atingiu 5.000 kg ha-1 aos 120 dias de idade e, em
feijão, foi de 3.000 kg ha-1 aos 80 dias após a semeadura. Fageria et al.
(2006) relataram que a maior produção de matéria seca da parte aérea
de cereais em comparação com a de leguminosas está associada com a
menor taxa de fotorrespiração.
A acumulação de N na parte aérea está associada com o aumento
da massa da matéria seca da parte aérea do feijoeiro (Tabela 2). Com o
avanço da idade da planta, aumenta o coeficiente de determinação (R2).
Por exemplo, aos 23 dias de idade, a massa da matéria seca da parte
aérea explica 40% da acumulação de N e, na colheita, ela explica 96%.
110 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 6. Acumulação de nitrogênio (N) na parte aérea de milho, arroz de terras


altas, soja e feijão durante os ciclos das culturas.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria e Baligar (2005).

Eficiência de uso do nitrogênio


Na avaliação da produção de biomassa em relação ao fornecimen-
to de nutrientes, a eficiência de uso de N pela planta é considerada tão
importante quanto a eficiência de absorção (FAGERIA; BALIGAR, 2005a).
Uma planta pode ser eficiente na absorção de N, porém não no seu uso.
O aumento da eficiência de uso de N só será factível mediante a redução
das perdas do N e a melhoria da sua absorção pelas plantas. A efici-
ência de absorção e a eficiência de uso são governadas por diferentes
mecanismos fisiológicos. Os associados com a eficiência de uso do N
incluem: 1) proliferação das raízes; 2) eficiência de absorção; 3) eficiência
Capítulo 4 • Nitrogênio 111

Figura 7. Massa da matéria seca da parte aérea de milho, arroz de terras


altas, soja e feijão durante os ciclos das culturas.
Fonte: adaptado de Fageria e Baligar (2005).

da enzima de redução do N; e 4) tolerância ao NH4+ (FAGERIA; BALIGAR,


2005a). Cada fase da assimilação do N está sob controle genético.
A técnica de empregar o isótopo 15N é extensivamente usada para
medir a absorção e identificar perdas de N. A eficiência de uso do N pe-
las plantas é definida de cinco diferentes maneiras na literatura (FAGERIA,
1992; FAGERIA; BALIGAR, 2005) calculadas para as culturas anuais
usando as seguintes fórmulas (FAGERIA; BALIGAR, 2005a; FAGERIA
et al., 2013):
Eficiência agronômica (EA) = (PGcf - PGsf)/(QNa), dada em kg kg-1
112 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 2. Relação entre acumulação de nitrogênio na parte aérea (X) e massa da


matéria seca da parte aérea (Y) do feijoeiro durante o ciclo da cultura.

Dia após a
Equação de regressão R2(1)
semeadura
23 Y = 72,0821 - 6,0981 X + 2,6565 X2 0,3982**
44 Y = 20,9390 + 26,8813 X - 0,1793 X 2
0,9541**
60 Y = 104,7333 + 31,2509 X - 0,0831 X 2
0,9747**
78 Y = -57,4375 + 58,4019 X - 0,2514 X 2
0,8952**
93 Y = -140,0456 + 66,0177 X - 0,1014 X 2
0,9607**
Coeficiente de determinação.
(1)

** Significativo a 1% de probabilidade.

em que PGcf = produção de grãos com fertilizante nitrogenado, PGsf =


produção de grãos sem fertilizante nitrogenado e QNa = quantidade de N
aplicado.
Eficiência fisiológica (EF) = (PBcf - PBsf)/(ANcf - ANsf), dada em kg kg-1
em que PBcf = produção biológica (palha e grãos) com fertilizante N, PBsf =
produção biológica (palha e grãos) sem fertilizante N, ANcf = acumulação
de N na parte aérea e grãos com fertilizante N e ANsf = acumulação de N
na parte aérea e grãos sem fertilizante N.
Eficiência agrofisiológica (EAF) = (PGcf - PGsf)/ANcf - ANsf , dada em kg kg-1
em que PGcf = produção de grãos com fertilizante nitrogenado, PGsf =
produção de grãos sem fertilizante nitrogenado, ANcf = acumulação de N
na parte aérea e grãos com fertilizante N e ANsf = acumulação de N na
parte aérea e grãos sem fertilizante N.
Eficiência de recuperação (ER) = (ANcf - ANsf /QNa) x 100, dada em %
em que ANcf = acumulação de N na parte aérea e grãos com fertilizante N
e ANsf = acumulação de N na parte aérea e grãos sem fertilizante N, QNa
= quantidade de N aplicado.
Eficiência de utilização (EU) = EF x ER, dada em kg kg-1
Os resultados de três desses cálculos sob doses de N determinadas
em condições de campo são apresentados na Tabela 3. A eficiência
Capítulo 4 • Nitrogênio 113

Tabela 3. Influência de doses de nitrogênio (N) na eficiência de uso no feijoeiro


em solo de várzea.

Local 1(1) Local 2(1)


Dose de N
(kg ha-1) EA EF EAF EA EF EAF
(kg kg-1) (kg kg-1) (kg kg-1) (kg kg-1) (kg kg-1) (kg kg-1)

40 17,0 49,0 34,4 19,8 72,9 30,2

80 12,7 60,3 38,5 16,7 94,2 20,5

120 10,0 50,0 32,8 13,9 81,3 22,0

160 9,1 36,6 30,8 11,8 77,2 19,7

Média 9,7 48,9 34,1 15,6 81,4 23,1

Análise de regressão

Dose de N (X) vs. Valor médio de EA dos dois locais (Y) = 23,27 - 0,1352 X +
0,00034 X2, R2 = 0,99*

Dose de N (X) vs. Valor médio de EF dos dois locais (Y) = 39,81 + 0,7234 X -
0,8925 X 2, R 2 = 0,80ns

Dose de N (X) vs. Valor médio de EAF dos dois locais (Y) = 34,92 - 0,0656 X,
R2 = 0,99*
(1)
EA = Eficiência agronômica; EF = Eficiência fisiológica; EAF = Eficiência agrofisiológica.
*Significativo a 5% de probabilidade.
ns Não significativo.

Fonte: Fageria et al. (2013).

agronômica e a agrofisiológica foram influenciadas (diminuíram) signifi-


cativamente pelo aumento das doses de N. Em média, a eficiência agro-
nômica foi de 13 kg de grãos produzidos por kg de N aplicado, a eficiên-
cia fisiológica foi de 65 kg de matéria seca biológica (parte aérea + grãos)
por unidade de N acumulado, e a eficiência agrofisiológica foi de 29 kg
de grãos produzidos por kg de N acumulado. A alta eficiência com
baixo nível de N pode estar relacionada com o efeito de diluição do N
pela pequena quantidade de matéria seca produzida (FAGERIA et al.,
2013). Todas as eficiências também foram calculadas com os dados de
um ensaio em casa de vegetação utilizando 20 genótipos de feijão em
solo de Cerrado (Tabela 4). As eficiências variaram de genótipo para
genótipo. A eficiência de utilização variou de 7,3 kg kg-1 a 21,2 kg kg-1,
uma variabilidade de quase três vezes entre os genótipos BRS Valente
114 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 4. Eficiência de uso de nitrogênio (N) por genótipos de feijoeiro(1).

Eficiência de uso de N(2)


Genótipo EA EF EAF ER EU
(kg kg-1) (kg kg-1) (kg kg-1) (%) (kg kg-1)
Pérola 5,9 22,0efg 13,3ab 47,5 10,1
BRS Valente 3,7 26,5cdefg 12,7ab 27,0 7,3
CNFM 6911 4,7 28,7bcdef 13,9ab 30,3 8,7
CNFR 7552 8,4 48,3a 21,9ab 38,7 18,7
BRS Radiante 9,0 33,9abcdef 18,1ab 53,6 17,9
Jalo Precoce 6,3 30,7bcdef 14,8ab 40,9 13,1
Diamante Negro 7,1 24,7defg 12,6ab 48,1 13,1
CNFP 7624 1,5 42,0ab 22,8ab 50,4 21,2
CNFR 7847 9,0 27,8bcdefg 16,4ab 43,3 12,4
CNFR 7866 6,1 13,0g 10,2b 60,5 8,2
CNFR 7865 6,2 27,6bcdefg 12,5ab 47,6 12,4
CNFM 7875 11,2 36,0abcde 21,5ab 52,3 18,8
CNFM 7886 10,6 35,7abcde 19,3ab 54,7 19,5
CNFC 7813 10,7 35,0abcde 20,6ab 51,6 18,1
CNFC 7827 11,8 40,1abc 24,4a 49,0 19,5
CNFC 7806 8,1 26,9bcdefg 15,3ab 48,7 14,0
CNFP 7677 10,7 35,6abcde 21,2ab 50,5 18,0
CNFP 7775 10,7 39,9abcd 23,2ab 46,2 18,3
CNFP 7777 8,1 30,8bcdef 15,7ab 51,4 15,9
CNFP 7792 3,9 19,2fg 10,5ab 37,2 7,4
Média 8,2 31,2 17,0 46,5 14,6
Teste F ** ** ** ns **
(1)
Médias seguidas pela mesma letra, na mesma coluna, não diferem significativamente pelo teste
de Tukey a 5% de probabilidade.
(2)
EA = Eficiência agronômica; EF = Eficiência fisiológica; EAF = Eficiência agrofisiológica;
ER = Eficiência de recuperação; EU = Eficiência de utilização.
** Significativo a 1% de probabilidade.
ns
Não significativo.
Fonte: Fageria et al. (2013).
Capítulo 4 • Nitrogênio 115

e CNFP 7624. Na média, a eficiência de recuperação foi de 47%. Isso


significa que grande parte do N é perdida no sistema solo-planta.
Todas as eficiências descritas anteriormente são menores para
o feijão do que para o arroz (FAGERIA et al., 2006a). É relatado na
literatura que a eficiência de N é maior nos cereais do que nas legumi-
nosas (FAGERIA; SANTOS, 2008; NAKAMURA et al., 1997). Isso está
relacionado com a baixa eficiência de crescimento da parte aérea, mas
não com a nodulação e com a baixa eficiência de produção de grãos
(SHINANO et al., 1995). Shinano et al. (1994) sugeriram que, quando
14
CO2 foi aplicado nas folhas de arroz e de soja, a quantidade de 14CO2
liberado das folhas de soja foi maior do que a das folhas de arroz graças
aos altos índices de fotorrespiração da soja. Além disso, o C fotossin-
tetizado nas folhas da soja foi mais distribuído em ácidos orgânicos e
aminoácidos do que no arroz. Portanto, foi formulada uma hipótese de
que o mecanismo de distribuição do C parece ser diferente entre cereais
e leguminosas: 1) nas leguminosas, o C fotossintetizado é distribuído ati-
vamente na reserva de TCA (ácidos tricarboxílicos)/aminoácidos, o que
resulta em alta taxa de respiração. Já em cereais, uma alta proporção
do C fotossintetizado é distribuída na reserva de carboidratos; e 2) a
atividade de fotorrespiração é maior nas leguminosas do que nos cereais
(NAKAMURA et al., 1997). Por outro lado, a translocação de N nos grãos
é maior nas leguminosas em comparação aos cereais. Um resumo dos
fatores fisiológicos e morfológicos que estão associados com o uso do N
é discutido por Duncan (1994).

Índice de colheita de nitrogênio


O índice de colheita de N (ICN = N acumulado nos grãos/N acu-
mulado nos grãos e na parte aérea) é uma medida da distribuição de N
na planta, que fornece a indicação do uso eficiente do N na produção de
grãos. Existe variabilidade genética entre as culturas anuais com relação
ao ICN (HALLORAN, 1981). Altos índices de ICN estão associados com
a utilização eficiente do N (FAWCETT; FREY, 1983) e com altos teores de
proteínas nos grãos (WELCH; YONG, 1980). Na seleção para alto ICN,
pode ocorrer simultaneamente melhoramento para alta produtividade e
alto teor de proteína nos grãos. Na Tabela 5, estão apresentados os valores
de ICN para 20 genótipos de feijão sob duas doses de N.
116 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 5. Índice de colheita de nitrogênio (N) em 20 genótipos de feijoeiro.

Sem aplicação de Com aplicação de N


Genótipo
N no solo (400 mg kg-1 do solo)(1)
Pérola 0,82 0,73ab
BRS Valente 0,44 0,53b
CNFM 6911 0,80 0,79ab
CNFR 7552 0,57 0,68ab
BRS Radiante 0,67 0,69ab
Jalo Precoce 0,67 0,75ab
Diamante Negro 0,65 0,71ab
CNFP 7624 0,43 0,78ab
CNFR 7847 0,80 0,85a
CNFR 7866 0,47 0,74ab
CNFR 7865 0,71 0,69ab
CNFM 7875 0,45 0,85a
CNFM 7886 0,44 0,78ab
CNFC 7813 0,47 0,85a
CNFC 7827 0,71 0,85a
CNFC 7806 0,69 0,78ab
CNFP 7677 0,71 0,85a
CNFP 7775 0,70 0,85a
CNFP 7777 0,79 0,88ab
CNFP 7792 0,62 0,72ab
Média 0,63 0,75
Teste F
Dose de N (N) **
Genótipo (G) **
N versus G **
Médias seguidas pela mesma letra, na mesma coluna, não diferem significativamente pelo teste
(1)

de Tukey, a 5% de probabilidade.
**Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria et al. (2013).
Capítulo 4 • Nitrogênio 117

O ICN variou de 0,43 para o genótipo CNFP 7624 a 0,82 para a


cultivar Pérola, com média de 0,63 para os 20 genótipos não submetidos
à aplicação de N. A diferença entre o menor e o maior ICN foi de quase o
dobro. Da mesma maneira, após aplicação de alta dose de N, o ICN variou
de 0,53 para a cultivar BRS Valente a 0,88 para o genótipo CNFP 7777.
O valor médio para os 20 genótipos foi de 0,75. Na média, a diferença
do ICN entre as duas colunas da tabela (ausência de aplicação de N e
alta dose de N) foi de 19%. Desde que o ICN passou a ser positivamente
relacionado com a produtividade de grãos (FAGERIA; SANTOS, 2008), o
alto valor de ICN tornou-se importante índice para avaliar o aumento da
produtividade (FAGERIA; BALIGAR, 2005a).

Interação entre nitrogênio e outros nutrientes


O conhecimento da interação entre nutrientes essenciais na planta
é importante para determinar a quantidade que a planta deve receber
de cada um, de forma balanceada, para obter a máxima produtividade.
A interação entre nutrientes pode ser de caráter antagônico, sinérgico
ou neutro. Pode ser avaliada pela medição da produtividade e seus
componentes ou pela acumulação nas plantas. Quando a produtivida-
de da planta é menor com a aplicação de doses de dois nutrientes em
comparação com a dose individual de um dado nutriente, isso significa
que a interação tem caráter antagônico. Porém, quando a produtividade
é maior quando dois nutrientes são aplicados, a interação é sinérgica.
Quando não houver efeito significativo com a aplicação simultânea de
dois nutrientes, isso significa que não há interação. O mesmo critério se
aplica para a absorção ou acumulação de nutrientes na planta. Fageria
(2014) conduziram estudo em solo de várzea para determinar a interação
entre N e macro e micronutrientes (Tabelas 6 e 7). A acumulação de
macro e micronutrientes na parte aérea do feijoeiro aumentou significa-
tivamente de forma linear com o aumento das doses de N na faixa de
0 a 200 kg ha-1. Entre os macronutrientes, a variabilidade na acumulação
combinada com o aumento de doses de N no solo ocorreu na seguinte
ordem: P > Mg > K = Ca1. Isso significa que o N influenciou mais a absor-
ção de P e menos as de Ca e K. No caso dos micronutrientes, a influência
do N foi na seguinte ordem: Cu > Zn > Fe > Mn2.
118 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 6. Influência de nitrogênio (N) na acumulação de macronutrientes na


parte aérea do feijoeiro.

Dose de N Fósforo (P) Potássio (K) Cálcio (Ca) Magnésio (Mg)


(kg ha-1) (kg ha-1) (kg ha-1) (kg ha-1) (kg ha-1)

  0 0,6 4,4 4,1 1,0

40 1,4 9,4 8,2 2,1

80 1,6 17,2 12,8 3,2

120 2,1 16,7 12,9 3,3

160 2,9 28,6 18,4 5,1

200 3,4 33,2 24,9 6,5

Teste F ** ** ** **

Análise de regressão

Dose de N (X) vs. Acumulação de P (Y) = 0,6428 + 0,0136 X, R2 = 0,9801**

Dose de N (X) vs. Acumulação de K (Y) = 3,8857 + 0,1436 X, R2 = 0,9564**

Dose de N (X) vs. Acumulação de Ca (Y) = 3,9285 + 0,0962 X, R2 = 0,9564**

Dose de N (X) vs. Acumulação de Mg (Y) = 0,9190 + 0,0261 X, R2 = 0,9623**


** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria (2014).

Estratégias de manejo para aumentar a eficiência de uso


A eficiência de recuperação do N pelo feijoeiro é menor do que
50% tanto em solo de várzea como de Cerrado (FAGERIA et al., 2006a).
Nessa situação, o uso racional da adubação nitrogenada é fundamental,
não somente para aumentar a eficiência de recuperação, mas também
para aumentar a produtividade de grãos e para diminuir o custo de pro-
dução e os riscos de poluição ambiental. Uma das maneiras de aumentar
a eficiência de recuperação de N consiste no uso de práticas de manejo,
tais como escolha de dose, época e fontes de aplicação mais apropria-
das de acordo com a necessidade da cultura. Além disso, a escolha de
genótipos mais eficientes no uso e absorção de N e o controle de pragas,
doenças e plantas daninhas são práticas que determinam a eficiência de
uso do N.
Capítulo 4 • Nitrogênio 119

Tabela 7. Influência do nitrogênio (N) na acumulação de micronutrientes na


parte aérea do feijoeiro.

Dose de N Zinco (Zn) Cobre (Cu) Manganês (Mn) Ferro (Fe)


(kg ha-1) (g ha-1) (g ha-1) (g ha-1) (g ha-1)

  0 14,0 3,0 43,3 57,9

40 27,7 5,2 115,9 142,8

80 38,4 8,9 156,9 225,4

120 42,1 9,6 153,3 219,0

160 62,0 15,0 222,1 365,1

200 88,5 18,7 361,8 519,1

Teste F ** ** ** **

Análise de regressão

Dose de N (X) vs. Acumulação de Zn (Y) = 11,2285 + 0,3422 X, R2 = 0,9389**

Dose de N (X) vs. Acumulação de Cu (Y) = 2,3095 + 0,0775 X, R2 = 0,9682**

Dose de N (X) vs. Acumulação de Mn (Y) = 39,3001 +1,3625 X, R2 = 0,8855**

Dose de N (X) vs. Acumulação de Fe (Y) = 42,9905 + 2,1189 X, R2 = 0,9273**


** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria (2014).

Dose de nitrogênio
A quantidade de N necessária para se obter alta produtividade do
feijoeiro é determinada por teor de matéria orgânica no solo, textura e pH
do solo, sistema de cultivo, cultivar, disponibilidade de água e controle
de doenças, pragas e plantas daninhas. Ainda não existe um método de
análise de N que inclua todas as características desejadas para a análise
de rotina do solo. Por isso, não é possível preparar uma curva de calibra-
ção para esse nutriente. O problema é que a maior parte do N do solo
está sob formas orgânicas, que devem ser mineralizadas para liberá-lo e
torná-lo aproveitável pelas plantas. A mineralização é um processo bioló-
gico influenciado por vários fatores, como a forma orgânica em que o N
se encontra, as características químicas do solo e as condições do meio
ambiente do solo. Daí decorrem todos os problemas que o pesquisador
120 Nutrição Mineral do Feijoeiro

enfrenta quando tenta criar um método de análise do solo para o N que


será liberado da matéria orgânica durante o ciclo da cultura.
O N é um elemento que se perde facilmente por lixiviação, volati-
lização e desnitrificação no solo. Assim, seu manejo adequado é um dos
mais difíceis, e a única alternativa para fazer recomendação de adubação
nitrogenada é a determinação da curva de resposta em relação a várias
doses desse nutriente. Silva e Silveira (2000) estudaram a resposta do
feijoeiro à aplicação de N em solo de Cerrado e em sistemas de rotação
e preparo do solo (Tabela 8). O N foi aplicado em cobertura aproxima-
damente uma semana antes da floração. Na época da semeadura, foram
aplicados (na forma de 4-30-16) 400 kg de adubo ha-1. A resposta da
cultura foi significativa e quadrática com a aplicação de N na faixa de 0
a 125 kg ha-1. A partir da equação de regressão, a produtividade máxima
foi obtida com a aplicação de 106 kg de N ha-1. Fageria e Stone (2004)
estudaram a resposta do feijoeiro à aplicação de Zn e calagem em solo
de Cerrado por 3 anos. No segundo ano de plantio, foi adotado o sistema
de plantio direto. Nesse ensaio, foi obtida produtividade de grãos de apro-
ximadamente 3.000 kg ha-1 com a aplicação de 120 kg de N ha-1, sendo
20 kg de N ha-1 aplicados na semeadura e 50 kg de N ha-1 aplicados

Tabela 8. Resposta do feijoeiro à aplicação de nitro-


gênio (N) em cobertura. Os valores são as médias de
2 anos e quatro sistemas de rotação.

Dose de N (kg ha-1) Produtividade de grãos (kg ha-1)

  0 1.348

25 1.841

50 2.049

75 2.191

100 2.184

125 2.303

Análise de regressão

Dose de N (X) vs. Produtividade de grãos (Y) = 1398,7850


+ 16,5454 X - 0,0780 X2, R2 = 0,9675**
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Silva e Silveira (2000).
Capítulo 4 • Nitrogênio 121

em cobertura aos 27 e 41 dias após a semeadura. Barbosa Filho e Silva


(2000) relataram que o feijoeiro responde à adubação nitrogenada em
cobertura, atingindo produtividade de grãos máxima de 3.170 kg ha-1 com
a aplicação de 120 kg de N ha-1 em cobertura 25 dias após a emergência
das plantas. Nesse ensaio, foram aplicados (na forma de 4-30-16) 400 kg
de adubo básico ha-1. Pelegrin et al. (2009) relataram que houve resposta
quadrática1 ao N e que a produtividade máxima foi alcançada com a
dose de 119 kg de N ha-1 em solo de Cerrado do Mato Grosso. Soratto
et al. (2006), em ensaio realizado na região leste de Mato Grosso do Sul,
também encontraram resposta quadrática para a produtividade de grãos,
com a dose estimada para a máxima produtividade sendo superior a
140 kg de N ha-1. Farinelli et al. (2006) avaliaram a aplicação de doses
de N em cobertura na cultura do feijoeiro, manejado em plantio direto
e plantio convencional, e também verificaram ajuste quadrático para
a produtividade no primeiro ano, sendo a produtividade mais elevada
alcançada com a aplicação de 78 kg de N ha-1. No segundo ano, obtive-
ram resposta linear no sistema de plantio direto e quadrática no sistema
convencional, sendo a produtividade máxima alcançada com a aplicação
de 185 kg de N ha-1. Em outro ensaio realizado em Mato Grosso do Sul, a
produtividade máxima de grãos do feijoeiro foi alcançada com aplicação
de 140 kg de N ha-1, para três das quatro cultivares avaliadas (MERCANTE
et al., 2006).
Crusciol et al. (2007) relataram que a produtividade do feijoeiro
aumentou linearmente com a cobertura de N na faixa de 0 a 120 kg
ha-1 na forma de ureia em um Nitossolo Vermelho no sistema de plantio
direto. A aplicação de N em cobertura foi realizada 22 dias após a emer-
gência das plantas. Nesse ensaio, foram aplicados 20 kg de N ha-1 por
ocasião da semeadura, e a produtividade alcançada situou-se em torno
de 3.000 kg ha-1.
Soratto et al. (2004) relataram resposta significativa e quadrática
do feijoeiro à aplicação de N na faixa de 0 a 210 kg ha-1 em plantio
direto e no sistema de plantio convencional em um Latossolo Vermelho
distrófico (Oxissolo). No plantio direto, a equação que relacionou a dose
de N à produtividade foi Y = 1.112,20 + 13,163 X - 0,0362 X2, R2 = 0,99**,
e, no sistema convencional, foi Y = 1.211,20 + 9,862 X - 0,0383 X2, R2
1
(Y = 3025,19 + 13,75 X - 0,058 X2, R2 = 0,88**), onde Y = produtividade de grãos, X = dose de N,
R² = coeficiente de determinação e ** = significativo a 1% de probabilidade.
122 Nutrição Mineral do Feijoeiro

= 0,96**. Com base na equação de regressão, a produtividade máxima


(2.250 kg ha-1) no sistema de plantio direto foi obtida com a aplicação
de 182 kg de N ha-1 em cobertura aos 20 dias após a emergência das
plântulas. No sistema convencional, a produtividade máxima (cerca de
1.700 kg ha-1) foi obtida com a aplicação de 129 kg de N ha-1 em cobertu-
ra. A magnitude da resposta foi maior em plantio direto em comparação
ao sistema de plantio convencional. Nesse ensaio, por ocasião da seme-
adura, aplicaram-se 240 kg de adubo ha-1 (na forma de 8-28-16 de NPK).
Meira et al. (2005) relataram que a máxima produtividade (3.600 kg ha-1)
foi obtida com a aplicação de 164 kg de N ha-1 em cobertura aos 38 dias
após a emergência das plântulas no sistema de plantio direto. De acordo
com esses autores, tal dose se justifica pela presença de material vegetal
sobre o solo, deixado pela cultura anterior, e pelo início do sistema de
plantio direto.
A maioria das recomendações de adubação nitrogenada é dire-
cionada ao sistema de preparo convencional (SORATTO et al., 2004).
Carvalho et al. (1992) recomendam 90 kg de N ha-1 para alcançar a
produtividade máxima. Já Silveira e Damasceno (1993), em sistema de
preparo convencional, obtiveram resposta quadrática do feijoeiro ao
N, e a produtividade máxima foi alcançada com 74 kg de N ha-1. Por
outro lado, também em solo do Cerrado, sob sistema de plantio direto,
Soratto et al. (2001) e Silva et al. (2003) verificaram respostas lineares
da produtividade até as doses máximas testadas, ou seja, 100 kg ha-1 e
150 kg ha-1, respectivamente. Em plantio direto, em razão da minimi-
zação do estresse hídrico proporcionado por esse sistema (ANDRADE
et al., 2002; STONE; SILVEIRA, 1999), o feijoeiro pode apresentar
melhor eficiência de utilização do N aplicado em cobertura (COSTA
et al., 1988).
O cultivo do feijoeiro irrigado por subirrigação, na entressafra do
arroz, tem-se mostrado uma alternativa viável para aumentar a produ-
tividade de grãos no ecossistema de várzea (SANTOS; SILVEIRA, 1996).
Santos et al. (2003) avaliaram a resposta do feijoeiro à aplicação de
N em solo de várzea na faixa de 0 a 160 kg de N ha-1 (Y = 883,86 +
21,33314 X - 0,06086 X2, R2 = 0,9990**). Com base nessa equação, a
produtividade máxima de 3.000 kg ha-1 foi obtida com a aplicação de
175 kg de N ha-1 aos 20 dias após a emergência das plântulas. Porém,
a dose necessária para a máxima eficiência técnica, ou seja, aquela que
proporcionou 90% do valor máximo da produtividade, foi 108 kg de
Capítulo 4 • Nitrogênio 123

N ha-1 incorporado ao solo aos 20 dias após a emergência das plântulas.


Com base nos dados de pesquisa discutidos anteriormente e na expe-
riência dos autores, pode-se concluir que, para a cultura do feijoeiro,
são necessários de 120 kg de N ha-1 a 140 kg de N ha-1 para se obter
produtividades em torno de 3.000 kg ha-1. Em plantio convencional, a
necessidade de N é menor do que em plantio direto.

Época de aplicação
A época de aplicação do N é importante tanto para aumentar
a sua eficiência na utilização pelas plantas como para aumentar a
produtividade. A melhor época são os períodos do ciclo em que o su-
primento ou a disponibilidade de nutrientes é fundamental para garantir
o crescimento e desenvolvimento das plantas. Os nutrientes imóveis
no sistema solo-planta, como P e K, devem ser aplicados no sulco de
semeadura mais perto do sistema radicular para facilitar sua absorção.
Os nutrientes móveis, como o N, podem ser aplicados tanto no sulco
de semeadura como em cobertura durante o crescimento da cultura.
A maioria dos trabalhos sobre o uso de N no feijoeiro mostra que a
maior parte do N é aplicada em cobertura na faixa de 20 a 40 dias
após a emergência das plântulas (CARVALHO et al., 2003; MEIRA
et al., 2005; MIYASAKA et al., 1963; ROSOLEM, 1987; SANTOS et al.,
2003; SORATTO et al., 2004). Porém, em trabalho realizado por Santos
e Fageria (2008) em solos de várzea, constatou-se que os métodos 1
(incorporação de todo o N na semeadura) e 2 (aplicação de parte do
N na semeadura e parte aos 20 dias após a emergência das plântulas)
demandaram menores doses do fertilizante para obtenção dos maiores
índices fisiológicos do feijoeiro do que o método 3 (aplicação de parte
do N a lanço na superfície do solo). Kluthcouski et al. (2006) avaliaram o
impacto de três fontes e três épocas de aplicação do N na produtividade
do feijoeiro (Tabela 9). A produção máxima foi obtida com a aplicação
de ureia aos 10 dias após a emergência das plântulas, resultando em
12% a mais em comparação com a produção obtida com a aplicação
total na semeadura. A aplicação de N na forma de sulfato de amônio na
época de semeadura produziu, respectivamente, 31,6% e 26,3% a mais
em comparação com a aplicação aos 10 e 20 dias após a emergência
das plântulas. Com base na experiência dos autores, pode-se concluir
que grande parte da dose de N (de 50% a 60%) deve ser aplicada na
época de semeadura e o restante em cobertura, especialmente no caso
124 Nutrição Mineral do Feijoeiro

do sistema de plantio direto e em várzeas tropicais. A data apropriada


de cobertura é entre 20 e 40 dias após a emergência das plântulas,
dependendo do solo e do sistema de plantio.

Tabela 9. Fontes e épocas de aplicação de nitrogênio (N) e sua influência na


produtividade do feijoeiro em solo de várzea. O total de N aplicado foi de
90 kg ha-1.

Fonte e época de aplicação de N Produtividade de grãos (kg ha-1) (1)

Testemunha (sem N) 1.672cd

Ureia base 2.165ab

Sulfato de amônio base 1.987abc

Ureia (aos 10 DAE(2)) 2.433a

Sulfato de amônio (aos 10 DAE) 1.510d

Ureia (aos 20 DAE) 1.687cd

Sulfato de amônio (aos 20 DAE) 1.573cd

Inoculação de sementes com Rhizobium 1.752bcd

CV%(3) 10,8
(1)
Médias seguidas pela mesma letra, na mesma coluna, não diferem significativamente pelo teste
de Tukey a 5% de probabilidade.
(2)
Dias após a emergência do feijoeiro.
(3)
Coeficiente de variação.
Fonte: adaptada de Kluthcouski et al. (2006).

Fonte de nitrogênio
Existem várias fontes de N no mercado, mas seu uso depende do
teor de N, o qual determina o custo de transporte. Além disso, devem ser
levados em consideração os efeitos da aplicação nas propriedades quími-
cas dos solos, como mudança no pH e teor de outros nutrientes essenciais,
e a facilidade na aplicação. Os principais fertilizantes nitrogenados, sua
fórmula química e seu teor de N são apresentados na Tabela 10.
No Brasil, as principais fontes de N utilizadas na cultura do feijoeiro
são a ureia e o sulfato de amônio. Tanto um como outro são igualmente
efetivos, porém, o custo de aplicação da ureia é menor, pois a ureia con-
tém 45% de N (mais do que os 21% de N do sulfato). Entretanto, como
Capítulo 4 • Nitrogênio 125

o sulfato de amônio contém cerca de 24% de enxofre (S), em caso de


deficiência também desse nutriente, deve-se optar por aplicar parte do N
na forma de sulfato de amônio.

Tabela 10. Principais fertilizantes nitrogenados e algumas de suas propriedades.

Solubilidade em água
Fertilizante Teor de N (%)
(%)

Sulfato de amônio [(NH4)2SO4] 21 100

Ureia [CO(NH2)2] 45 100

Nitrato de amônio (NH4NO3) 33 100

Cloreto de amônio (NH4Cl) 26 100

Cianamida de cálcio (CaCN2) 21 100

Nitrato de cálcio [Ca(NO3)2] 16 100

Nitrato de sódio (NaNO3) 16 100

Amônia anidra (NH3) 82 100

Nitrato de potássio (KNO3) 13 100

Fosfato monoamônico (NH4H2PO4) 11 100

Fosfato diamônico [(NH4)2H2PO4] 18 100


Fonte: Fageria (1989a, 2009) e Fageria e Baligar (2005a).

Genótipos eficientes na absorção e utilização de N


O uso de genótipos eficientes na absorção e utilização de N é uma
estratégia muito importante tanto para a redução de custo da produção
como para a diminuição da degradação do meio ambiente. A eficiência
do uso de nutrientes é definida de várias maneiras, como discutido ante-
riormente; algumas definições de planta eficiente no uso e absorção de
nutrientes são apresentadas na Tabela 11. Porém, de maneira simples, a
eficiência é a quantidade de grãos produzidos por unidade de N aplica-
do. Quanto maior for a relação, maior será a eficiência de utilização do
nutriente pelos genótipos utilizados. Existem informações que mostram
que os genótipos do feijão variam quanto à absorção e utilização de N
(FAGERIA, 2002b; LYNCH; RODRIQUEZ, 1994; LYNCH; WHITE, 1992).
126 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 11. Definições de plantas eficientes no uso de nutrientes.

Definição Referência

Uma planta eficiente no uso de nutrientes é aquela que Soil Science Society of
absorve, transloca ou utiliza mais de um nutriente em America (2008)
comparação com outra planta, sob condições de baixa
disponibilidade de nutrientes no solo ou no meio de
crescimento

Um genótipo eficiente no uso de nutrientes, em comparação Graham (1984)


com o genótipo padrão, é definido como aquele que tem
a habilidade de apresentar alta produtividade em um solo
com disponibilidade limitada do nutriente

Genótipo eficiente é aquele que absorve grande quantidade Isfan (1993)


de nutrientes do solo ou do fertilizante aplicado, apresenta
alta produtividade de grãos por unidade de nutriente
absorvido e acumula baixa quantidade de nutrientes na
palha

Plantas eficientes são aquelas que apresentam alta produção Clark (1990)
de matéria seca ou maior aumento na produção de grãos
por unidade de tempo, área ou nutriente aplicado e que não
apresentam deficiência nutricional em comparação com a
planta padrão

O genótipo eficiente, em comparação com o não eficiente, Gourley et al. (1994)


requer menos nutrientes nos processos metabólicos normais

Uma planta eficiente é definida como aquela que apresenta Fageria et al. (2008a)
alta produtividade econômica com uma determinada
quantidade de nutriente aplicado ou absorvido em
comparação com outra planta em condições ambientais
semelhantes

Diferenças significativas entre genótipos de feijão no uso de N


podem ser observadas na Tabela 12. Houve efeito altamente significativo
das doses de N e dos genótipos na produção de grãos. A interação entre
esses dois fatores também foi significativa para a produção de grãos. Sob
baixa dose de N, a produtividade variou de 1,3 g vaso-1 a 9,7 g vaso-1,
com média de 4,1 g vaso-1. Sob alta dose de N, a produtividade variou de
Capítulo 4 • Nitrogênio 127

Tabela 12. Produtividade de grãos de 20 genótipos de feijoeiro cultivados em


solo de Cerrado com e sem N.

Produtividade de grãos (g vaso-1)(1)


Genótipo
Sem N Com N (400 mg kg-1 no solo)
Pérola 8,3ab 22,5ab
BRS Valente 1,6ab 10,4b
CNFM 6911 9,7a 20,9ab
CNFR 7552 1,9ab 22,2ab
BRS Radiante 3,5ab 25,2ab
Jalo Precoce 4,4ab 19,6ab
Diamante Negro 4,1ab 21,1ab
CNFP 7624 1,4ab 28,9ab
CNFR 7847 8,5ab 24,3ab
CNFR 7866 2,0ab 16,6ab
CNFR 7865 6,2ab 21,1ab
CNFM 7875 1,3b 28,1ab
CNFM 7886 1,6ab 26,9ab
CNFC 7813 1,7ab 27,3ab
CNFC 7827 3,4ab 31,8a
CNFC 7806 2,9ab 22,3ab
CNFP 7677 4,4ab 30,1ab
CNFP 7775 3,8ab 29,5ab
CNFP 7777 7,8ab 27,2ab
CNFP 7792 2,5ab 12,0ab
Média 4,1 23,4
Teste F
Dose de N (N) **
Genótipo (G) **
N versus G **
Médias seguidas pela mesma letra, na mesma coluna, não diferem significativamente pelo teste
(1)

de Tukey a 5% de probabilidade.
**Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria et al. (2013).
128 Nutrição Mineral do Feijoeiro

10,4 g vaso-1 a 31,8 g vaso-1, com média de 23,4 g vaso-1. Comparando a


aplicação de N com a testemunha, observou-se um aumento de 471% na
produtividade.

Controle das doenças, pragas e plantas daninhas


As doenças, pragas e plantas daninhas são importantes fatores
bióticos que determinam a eficiência de uso do N nas plantas. Esses
fatores reduzem a área foliar, danificam o sistema radicular das plantas
e, consequentemente, diminuem o processo fotossintético e a absorção
de água e nutrientes. Todos esses efeitos negativos são responsáveis pela
diminuição da eficiência de uso do N. Além disso, as plantas daninhas
também competem por água, luz e nutrientes com as plantas cultivadas e
são responsáveis pela diminuição da produtividade.

Fixação biológica
As principais fontes de N para o feijoeiro são a matéria orgânica
decomposta no solo, os adubos nitrogenados aplicados e a fixação bioló-
gica de N2 atmosférico (FBN) pela associação do feijoeiro com bactérias
do grupo dos rizóbios (HUNGRIA et al., 1997; MERCANTE et al., 1999).
Além do elevado custo econômico, o uso de adubos nitrogenados em so-
los tropicais tem ainda custo ecológico adicional (PELEGRIN et al., 2009).
Considera-se que haja em torno de 50% de perda de N decorrente da
lixiviação, desnitrificação, volatilização e erosão, o que pode causar signi-
ficativa poluição do meio ambiente (SIQUEIRA et al., 1994; STRALIOTTO
et al., 2002). Por outro lado, estudos têm demonstrado que é possível que
o feijoeiro se beneficie, em condições de campo, do processo de FBN,
podendo alcançar produtividades acima de 2.500 kg ha-1 (HUNGRIA
et al., 2000).
A FBN é importante estratégia no aumento do uso do N e na redução
do custo de produção e da degradação do meio ambiente. O processo
envolve a conversão do N molecular (N2) atmosférico em amônio (reali-
zada por bactérias, que crescem em associação com a planta hospedeira,
o que gera benefícios mútuos, conforme apresentado por Fageria (1989)
e o subsequente uso em diversos processos químico-biológicos do solo
(SOIL SCIENCE SOCIETY OF AMERICA, 2008).
Capítulo 4 • Nitrogênio 129

As bactérias capazes de infectar as raízes das leguminosas e esti-


mular o desenvolvimento de nódulos2 pertencem a várias espécies dos
gêneros Rhizobium, Bradyrhizobium, Azorhizobium, Sinorhizobium e
Photorhizobium (EPSTEIN; BLOOM, 2005).
Em relação à classificação taxonômica do rizóbio do feijoeiro, até
1984, estava definida uma única espécie: Rhizobium leguminosarum
bv. phaseoli (JORDAN, 1984). Desde então, com o avanço nas técnicas
de biologia molecular, foi possível constatar uma grande diversidade
genética entre os microssimbiontes, permitindo, assim, a definição de
novas espécies (CHUEIRE et al., 2003). Várias espécies de rizóbios são
responsáveis pela FBN em feijoeiro: Rhizobium etli, Rhizobium tropici,
Rhizobium leguminosarum bv. phaseoli, Rhizobium gallicum bv. phaseoli
e Rhizobium giardinii bv. phaseoli (AMARGER et al., 1997; MARTINEZ
ROMERO, 2003; MARTINEZ ROMERO et al., 1991; RODINO et al., 2011;
2
Na formação dos nódulos, a primeira etapa é a liberação de produtos químicos pelas raízes
na zona do sistema radicular da planta, o que atrai as bactérias. O principal produto é o trip-
tofano, que é convertido pela bactéria em ácido indolacético (COBLEY, 1976). Na maioria das
leguminosas, a infecção do Rhizobium ocorre através dos pelos das raízes que, na presença de
uma bactéria apropriada, sujeitam-se à deformação ou ao encurvamento. Acreditava-se que o
ácido indolacético era o produto que induzia o encurvamento (COBLEY, 1976), mas, atualmen-
te, há dúvida sobre o seu papel no processo. De acordo com Alexander (1977), o Rhizobium
sintetiza e excreta um ou mais produtos, que provocam deformação dos pelos radiculares da
leguminosa. Dentre esses compostos, está incluído, provavelmente, um ácido nucleico e um
polissacarídeo ou uma proteína. Em estado livre, as bactérias, em forma de bastonetes, podem
ser móveis (flagelos) ou imóveis. A mobilidade é maior em solo rico em fosfato. A forma mó-
vel passa pela parede celular epidérmica, mas esse mecanismo ainda não foi bem esclarecido.
O canal (ou tubo) de infecção, que contém a bactéria móvel, é formado pelas paredes celulares
da planta hospedeira por onde as bactérias passam. O canal alonga-se através do pelo radicular
e, alcançando eventualmente a parte interna, a bactéria passa às células do córtex. O canal
ramificado pode alcançar de um terço até a metade do córtex da raiz (FAGERIA, 1989). Uma
vez instalada na célula tetraploide, uma ou mais bactérias são liberadas do canal infectado, mas
ficam dentro da bainha do vacúolo formado pelo plasma da membrana do canal. Ocorre rápida
divisão da bactéria e da célula tetraploide do hospedeiro, formando-se o nódulo. Dentro de 2 a
3 semanas, a bactéria torna-se livre do vacúolo infectado, perde a mobilidade e cessa a divisão,
transformando-se num bacteroide. Nesse momento, ela começa a FBN: usa os carboidratos da
planta hospedeira como fonte de energia para a redução do N2 para NH3, mediante a enzima
nitrogenase (COBLEY, 1976). O nódulo amadurecido possui forma característica, dependendo
da espécie de leguminosa. Ele consiste numa camada externa (de células pequenas, contendo
frações de tecido vascular) e numa região interna (de células grandes, que se tornam vacuoladas
e que são preenchidas com bactérias). Após 8 a 10 semanas, os nódulos começam a se separar;
as raízes caem e desintegram-se. As bactérias são liberadas no solo como células na forma de
bastonetes livres e, nesse estado, se entrarem em contato com novo hospedeiro, podem infectá-
-lo (FAGERIA, 1989). A relação simbiótica entre bactéria e hospedeiro é muito delicada. Na falta
de carboidratos para os nódulos, as bactérias passam a se comportar como parasitas e a consumir
o N da planta hospedeira, em vez de fixá-lo da atmosfera. Embora a nodulação possa ocorrer
normalmente, não há a FBN na ausência de P, Ca, Mg, molibdênio (Mo), cobalto (Co) e boro (B)
no solo (FAGERIA, 1989).
130 Nutrição Mineral do Feijoeiro

RODRIGUEZ NAVARO et al., 2000; SEGOVIA et al., 1993). Eardly et al.


(1995) relataram que ainda existem diversas estirpes sem posição taxonô-
mica definida que podem representar novas espécies.
As bactérias vivem livremente no solo, mas fixam N2 somente
em associação simbiótica com a leguminosa hospedeira. As raízes das
plantas podem ser infectadas pelo Rhizobium em qualquer época, após a
formação dos pelos radiculares (FAGERIA, 1989).
Os solos brasileiros, em geral, apresentam população abundante de
rizóbios capazes de nodular e fixar N2 em simbiose com o feijoeiro. Stocco
et al. (2008), em levantamento feito em Santa Catarina, verificaram que
as populações de bactérias consistiram de 17,1% de Rhizobium tropici,
35,9% de R. etli, 32,5% de R. leguminosarum, 1,7% de R. giardinii e
12,8% com perfis distintos das espécies descritas de rizóbios de feijoeiro.
A quantidade de N fixada depende de vários fatores, como espécie
de leguminosa, eficiência do Rhizobium, condições ambientais, tempera-
tura, umidade, duração do dia, intensidade da radiação solar e fertilidade
do solo. A quantidade de N2 fixado pelas leguminosas, em média, no
mundo, é de 118 x 106 t ano-1 (MENGEL et al., 2001). O feijoeiro apre-
senta FBN, mas a sua eficiência de fixação é geralmente baixa, sendo a
fertilização nitrogenada, na maioria das vezes, recomendada para atender
às exigências das plantas (OLIVEIRA et al., 2003). Estimativas das taxas
de FBN obtidas em experimentos de campo realizados na América do
Sul, na América Central e na África variaram de 4 kg ha-1 a 124 kg ha-1
(HENSON, 1993; HUNGRIA; VARGAS, 2000).
Rufini et al. (2011) relataram que parte das exigências do feijoeiro-
-comum em relação ao N pode ser suprida pelo processo de FBN, por
meio da simbiose estabelecida com bactérias fixadoras de N nodulíferas.
Encontra-se, na Tabela 13, uma estimativa da quantidade de N fixado
pelas leguminosas. A alfafa, o trevo, a soja e o guandu fixam maior quan-
tidade do que as demais leguminosas.

Fatores que influenciam a fixação biológica de N2


A FBN assume papel importante na agricultura moderna, porque
fornece N às plantas, sem nenhum custo para o produtor. Por isso, os
fatores que influenciam o processo de fixação devem ser discutidos, a
fim de aumentar a sua eficiência. Em condições ambientais adequadas,
o N2 fixado por meio da simbiose com bactérias do gênero Rhizobium
Capítulo 4 • Nitrogênio 131

Tabela 13. Estimativa da fixação biológica de N2 (FBN) por algumas leguminosas.

Fixação biológica de N2
Leguminosa Bactéria associada
estimada (kg de N ha-1)

Alfafa Rhizobium 150–250

Trevo Rhizobium 100–150

Lupino Rhizobium 50–100

Feijão Rhizobium 50–150

Feijão-caupi Bradyrhizobium 50–100

Soja Bradyrhizobium 150–280

Amendoim Bradyrhizobium 40–80

Guandu Bradyrhizobium 150–280

Puerária Bradyrhizobium 100–140


Fonte: adaptado de Brady e Weil (2002).

pode atender a parte das necessidades do feijoeiro (MARTINEZ ROMERO


et al., 1991; PELEGRIN et al., 2009; SOARES et al., 2006; SOUZA et al.,
2011; VALADÃO et al., 2009). Entretanto, os fatores relacionados princi-
palmente às condições ambientais frequentemente limitam ou afetam o
processo de FBN (SILVA et al., 2009; SOUZA et al., 2011; VIEIRA et al.,
2005b). Denardin (1991), Martinez Romero et al. (1991) e Mercante (1993)
relataram que fatores como a acidez do solo (pH) e baixa e alta concen-
trações de alumínio (Al) tóxico frequentemente limitam todas as etapas do
processo de infecção das raízes, formação de nódulos e assimilação do N
pela planta. Alguns desses fatores, que o homem já controla, podem ser
manipulados em favor do processo, como discutido a seguir.

Temperatura
Para as leguminosas das regiões tropicais ou subtropicais, como é
o caso do feijoeiro no Brasil, a temperatura ideal para a FBN é de 25 °C
a 30 °C, com máxima de 36 °C e mínima de 15 °C (GIBSON, 1971;
LINDEMANN; HAM, 1979). Para as leguminosas das regiões temperadas,
a temperatura ideal da rizosfera para a FBN é de 20 °C a 24 °C (GIBSON;
JORDAN, 1983). Sem dúvida, o efeito da temperatura varia de espécie para
espécie e de genótipo para genótipo de uma mesma espécie, tanto em
132 Nutrição Mineral do Feijoeiro

clima temperado como em tropical (FAGERIA, 1989; HARDY et al., 1968;


WAUGHMAM, 1977). Algumas práticas que podem reduzir o risco de a
temperatura atingir níveis muito baixos ou altos para a FBN são a escolha
da época de semeadura, o uso de restos culturais na superfície do solo e a
profundidade de semeadura. As culturas de inverno podem ser plantadas
antes que a temperatura do solo caia a um nível que retarde a nodulação.
A temperatura para formação dos nódulos é pouco superior à da FBN
(GIBSON; JORDAN, 1983). O uso de restos culturais na superfície do solo
baixa a temperatura (FAGERIA et al., 2011). A semeadura um pouco mais
profunda do que a convencional também ajuda na formação dos nódulos
em alta temperatura, mas, às vezes, diminui o estande e demanda maior
quantidade de sementes por unidade de área (FAGERIA, 1989).

Radiação solar
Tanto o sombreamento como a alta intensidade de radiação solar
prejudicam a formação dos nódulos e a FBN nas leguminosas. Esse assun-
to é discutido detalhadamente por Gibson e Jordan (1983).

Umidade do solo
A deficiência hídrica e o excesso de água são prejudiciais ao pro-
cesso biológico de FBN. A nodulação é afetada pela redução da infecção
dos pelos radiculares e pela supressão do desenvolvimento dos nódulos,
quando o potencial de água atinge o limite de -3,6 x 105 Pa (WORRALL;
ROUGHLEY, 1976). O baixo potencial de água no solo também restringe
a movimentação do rizóbio (HAMDI, 1971) e, de acordo com Sprent
(1976), reduz a atividade da nitrogenase graças à pouca difusão de O2
nos nódulos. O teor de umidade ideal para a nodulação e a FBN é igual à
capacidade de campo de cada tipo de solo (SPRENT, 1972).

Oxigênio ou aeração do solo


As bactérias nos nódulos necessitam de energia para a fixação de
N2 e de O2 para a oxidação de carboidratos (FAGERIA, 1989). A compac-
tação do solo reduz o processo de FBN pelas leguminosas, informação
que tem importância no sistema de plantio direto. A submergência ou
inundação e a má estrutura do solo são responsáveis pelo baixo nível de
O2, causando redução na nodulação de várias espécies (GIBSON, 1977).
Loveady (1963) observou que o Trifolium subterraneum nodulou muito
Capítulo 4 • Nitrogênio 133

mal quando a taxa de difusão de O2 no solo era de 8 x 10-8 g cm-2 min-1;


com a taxa de difusão de O2 de 20 x 10 -8 g cm-2 min-1, a nodulação foi
satisfatória.
Deve-se lembrar que a FBN é uma hidrogenação, que ocorre em
ambiente com baixo nível de O2. Os nódulos, em que ocorre a FBN,
contêm leghemoglobina, que está relacionada com as hemoglobinas do
corpo animal. A função da leghemoglobina está associada ao transporte
ativo de O2 para a bactéria, que fixa o N2 e, ao mesmo tempo, man-
tém baixa tensão de O2 perto do sistema enzimático da hidrogenação
(RUSSELL, 1973).

Concentração de CO2
O aumento do nível de CO2 no ambiente aumenta a FBN e o
crescimento de Trifolium pratense (FAGERIA, 1989), Trifolium repens
(MASTERSON; SHERWOOD, 1978), Glycine max (HAVELKA; HARDY,
1976) e Pisum sativum (PHILLIPS et al., 1976). Essa resposta pode ser
atribuída à alta taxa de fotossíntese na presença de alto nível de CO2 e,
presumivelmente, ao aumento de fotossintatos translocados para as raízes
(FAGERIA, 1989). No futuro, a projeção é de aumento da concentração de
CO2 na atmosfera, o que pode aumentar a FBN pelas leguminosas.

pH do solo
O pH do solo afeta o desenvolvimento das plantas e, consequen-
temente, a nodulação e a FBN. A acidez do solo é responsável pela
toxicidade de Al3+ e H+, que é prejudicial ao processo biológico de FBN.
Muitas espécies não nodulam sob pH inferior a 4,5 e, acima desse nível,
existe considerável diferença de resposta das espécies (MUNNS, 1977).
Além disso, o pH afeta a absorção de nutrientes que são determinantes
na FBN. Hungria e Vargas (2000) e Raza et al. (2001) relataram que o
pH do solo constitui um dos principais fatores limitantes à sobrevivência
das bactérias fixadoras de N2 nodulíferas (BFNN), à sua multiplicação, à
nodulação e à FBN.
Algumas espécies de BFNN podem tolerar melhor a acidez do que
outras, e essa tolerância pode variar entre estirpes de uma mesma espécie
(HUNGRIA et al., 1997). As BFNN crescem sob uma faixa de pH entre
6,0 a 7,0, e poucas crescem bem sob pH menor do que 5,0 (ALI et al.,
2009; GRAHAM et al., 1994; RODRIGUES et al., 2006). Para maximizar a
134 Nutrição Mineral do Feijoeiro

contribuição da FBN para o feijoeiro-comum em solos ácidos, é necessá-


rio que as estirpes de BFNN utilizadas nos inoculantes sejam adaptadas a
essa condição, competitivas e eficientes no processo de infecção (RUFINI
et al., 2011). Estirpes de crescimento rápido geralmente são menos tole-
rantes à acidez do que as de crescimento lento (GRAHAM et al., 1994;
MOREIRA; SIQUEIRA, 2006). Algumas estirpes de crescimento rápido do
gênero Rhizobium são tolerantes ao pH mais ácido, como a Rhizobium
loti (atualmente Mesorhizobium loti), a Rhizobium meliloti e a Rhizobium
tropici (GRAHAM et al., 1994). A origem das estirpes e sua tolerância à
acidez também parecem ter boa correlação, ou seja, estirpes isoladas de
solos ácidos mostram-se mais adaptadas a essas condições do que as
isoladas de solos com pH mais elevado (HUNGRIA et al., 2000).

Fertilidade do solo
A FBN nos nódulos é ativa se a planta for suprida adequadamente
com os nutrientes essenciais ao seu crescimento e desenvolvimento.
O Ca é necessário à infecção das raízes, o B para o desenvolvimento do
tecido vascular, o Mo e o Fe para a atividade da enzima nitrogenase e o
P para alto nível de ATP, indispensável durante a atividade da nitrogenase
(GIBSON; JORDAN, 1983). Outros nutrientes, como K, S e muitos micro-
nutrientes, também influenciam a nodulação e o crescimento das plantas
noduladas (FAGERIA, 1989). Tsai et al. (1993) relataram que as condições
edafoclimáticas, particularmente a disponibilidade de N na solução do
solo na fase inicial da cultura, podem influenciar a magnitude da FBN.
A deficiência de P é também relatada como um dos principais fatores
que limitaram a FBN em feijoeiro (DREVON; HARTWIG, 1997; RIBET;
DREVON, 1995, 1996; VADEZ et al., 1996) e causaram a sua diminuição
na fase final do ciclo da cultura (JENSEN, 1987).

Aplicação de nitrogênio
O efeito inibitório dos fertilizantes nitrogenados na simbiose entre
leguminosas e rizóbio, especialmente do nitrato, é muito bem conhecido,
e existe vasta literatura sobre o assunto (FAGERIA, 1989; GIBSON, 1977;
MUNNS, 1977). Pelo menos quatro aspectos simbióticos são afetados:
infecção, desenvolvimento de nódulos, FBN e integração de bacteroides
(FAGERIA, 1989). Dependendo da concentração, o nitrato retarda ou
inibe a infecção dos pelos do sistema radicular. Esse efeito pode ser eli-
minado pela aplicação correta de ácido indol-3-acético (MUNNS, 1977).
Capítulo 4 • Nitrogênio 135

O retardamento do desenvolvimento dos nódulos e da FBN pelo nitrato


são atribuídos à falta de fotossintatos nos nódulos pela competição com as
raízes e folhas (OGHOGHORIE; PATE, 1971; SMALL; LEONARD, 1969).
Apesar do efeito inibitório, a aplicação de N pode promover o crescimento
da planta e a FBN. Isso pode ocorrer graças à correção da deficiência de
N no estádio inicial do crescimento da planta, antes que os nódulos sejam
capazes de fornecer N suficiente para atender à necessidade da planta
(GIBSON, 1976). Pode também promover a nodulação e a FBN graças
ao melhor desenvolvimento da planta em relação ao desenvolvimento
quando totalmente dependente da FBN (MINCHIN et al., 1981).

Uso de defensivos agrícolas


O uso de defensivos agrícolas destina-se principalmente ao contro-
le de doenças, pragas e plantas daninhas, mas seu efeito, principalmente
dos fungicidas, pode ser prejudicial ao rizóbio. Resultados obtidos nesse
sentido são bastante controvertidos e necessitam de estudo para cada
fungicida em relação a cada espécie de rizóbio (FAGERIA, 1989). Para evi-
tar o efeito prejudicial dos fungicidas, uma das alternativas é a aplicação
dos inoculantes no sulco, separados da semente. O fungicida sistêmico
pode representar perigo por causa do ingrediente ativo que libera na
planta e que pode matar ou inibir a atividade das bactérias nos nódulos
(GIBSON; JORDAN, 1983). O efeito dos inseticidas e herbicidas não é tão
prejudicial. Às vezes, esses dois defensivos podem reduzir a nodulação,
mas não chegam a nível prejudicial significativo se aplicados em doses
certas e por método apropriado (FAGERIA, 1989).

Resultados de pesquisa sobre a influência do N e do inoculante


Fageria et al. (2012) avaliaram as respostas de 15 genótipos de feijo-
eiro à aplicação de fertilizante nitrogenado e à inoculação das sementes
com rizóbio. A produção de matéria seca da parte aérea foi significativa-
mente influenciada por esses dois fatores (Tabela 14). Houve interação
significativa entre N e genótipos, o que sugere mudança na resposta dos
genótipos com a mudança das doses de N e inoculação com rizóbio. Na
média dos tratamentos com N e rizóbio, a máxima massa da matéria seca
da parte aérea foi produzida pelo genótipo Diamante Negro e a mínima
pelo BRSMG Talismã. Na média dos 15 genótipos, a inoculação aumentou
em 17% a massa da matéria seca da parte aérea em comparação com a
da testemunha. Com a aplicação de 200 mg de N kg-1, houve aumento
136 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 14. Massa da matéria seca da parte aérea (g planta-1) de 15 genótipos de


feijoeiro sob diferentes doses de nitrogênio (N) e inoculante.

Produção de matéria seca da parte aérea (g planta-1)(1)


Genótipo
Dose N0(2) Dose N1(3) Dose N2(4) Dose N3(5) Média

Aporé 4,45hi 5,59cd 4,18gh 5,44g 4,91h


Pérola 6,21defg 6,36c 7,57ab 9,27bcd 7,25de
BRSMG Talismã 4,83gh 6,49c 3,79h 3,47h 4,64h
BRS Requinte 6,74cde 6,83c 4,85fgh 10,85b 7,32de
BRS Pontal 3,26i 6,56c 5,72defg 7,98de 5,88g
BRS 9435 Cometa 6,62cdef 6,46c 4,71fgh 9,89bc 6,91ef
BRS Estilo 5,11fgh 6,48c 4,42fgh 6,97efg 5,74g
CNFC 10408 7,47bcd 10,89a 5,53efg 7,14ef 7,75cd
CNFC 10470 6,66cdef 6,38c 3,59h 9,10cd 6,43fg
Diamante Negro 10,47a 10,78a 7,23abcd 12,96a 10,36a
Corrente 6,23defg 4,45d 7,17abcd 6,19fg 6,01g
BRS Valente 5,26efgh 9,13b 5,93cdef 9,54bcd 7,46de
BRS Grafite 8,08bc 10,28ab 8,63a 10,19bc 9,29b
BRS Marfim 8,94ab 10,92a 7,48abc 5,99fg 8,33c
BRS Agreste 6,89cd 5,66cd 6,82bcde 6,28efg 6,41fg
Média 6,48c 7,55b 5,84d 8,08a
Teste F
Dose de N (N) **
Genótipo (G) **
N versus G **
Coeficiente de variação 8,54
(%) de N
Coeficiente de variação 7,58
(%) de G
(1)
Médias seguidas pela mesma letra, na mesma coluna, não diferem entre si a 5% de probabilidade
pelo teste de Tukey.
(2)
N0 = Sem N.
(3)
N1 = Sem N + com inoculante.
(4)
N2 = Com inoculante + 50 kg de N ha-1.
(5)
N3 = 200 mg de N kg-1.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria et al. (2012).
Capítulo 4 • Nitrogênio 137

de 25% da massa da matéria seca em comparação com a da testemunha.


Crusciol et al. (2007) e Santos e Fageria (2008) relataram aumento na massa
da matéria seca da parte aérea do feijoeiro com a adubação nitrogenada.
Pelegrin et al. (2009) relataram que a adubação com 20 kg de
N ha-1, acrescida de inoculação com a estirpe de Rhizobium tropici
CIAT 899, possibilitou a obtenção de produtividade de grãos na cultura
do feijoeiro equivalente à aplicação de até 160 kg de N ha-1. Na Tabela 15,

Tabela 15. Índice de eficiência de produção de grãos


(IEPG) e classificação de 15 genótipos de feijoeiro no
uso de nitrogênio (N)(1).

Índice de eficiência de produção


Genótipo
de grãos (IEPG(2))

Aporé 0,46 IE
Pérola 1,09 E
BRSMG Talismã 0,32 IE
BRS Requinte 1,40 E
BRS Pontal 3,49 E
BRS 9435 Cometa 1,24 E
BRS Estilo 0,68 ME
CNFC 10408 1,01 E
CNFC 10470 1,16 E
Diamante Negro 2,59 E
Corrente 0,73 ME
BRS Valente 0,95 ME
BRS Grafite 1,57 E
BRS Marfim 1,02 E
BRS Agreste 0,82 ME
Média 1,23
E = eficiente, ME = moderadamente eficiente e IE = ineficiente.
(1)

IEPG = PG1 /PG2 x PGX1 /PGX2 , em que PG1 = produção de grãos


(2)

na dose zero de N, PG2 = produção média de grãos na dose zero de


N, PGX1 = produção de grãos na dose de 200 mg de N kg-1 e PGX2
= produção média de grãos na dose de 200 mg de N kg-1.
Fonte: Fageria et al. (2012).
138 Nutrição Mineral do Feijoeiro

são apresentados resultados da classificação de 15 genótipos no uso


de N. Com base no índice de eficiência de produção de grãos, os ge-
nótipos foram classificados como eficientes, moderadamente eficientes
e ineficientes no uso de N. Os genótipos Pérola, BRS Requinte, BRS
Pontal, BRS 9435 Cometa, CNFC 10408, CNFC 10470, Diamante Negro,
BRS Grafite e BRS Marfim foram classificados como eficientes no uso de
N. Os genótipos BRS Estilo, Corrente, BRS Valente e BRS Agreste foram
moderadamente eficientes. Os genótipos Aporé e BRS Talismã foram
ineficientes no uso de N.
A produção de grãos aumentou significativamente com a aplicação
dos tratamentos com N e inoculação de rizóbio (Tabela 16). A interação
entre doses de N e genótipos também foi significativa para a produção
de grãos, o que indica respostas diferenciais dos genótipos com a mu-
dança nos tratamentos. Na média de quatro tratamentos (combinação de
diferentes doses de N e presença ou ausência de inoculante), a máxima
produção de grãos foi obtida com o genótipo Diamante Negro e a mínima
com o genótipo BRSMG Talismã. A produção máxima de grãos foi obtida
com a aplicação de 200 mg de N kg-1 no solo. Não houve aumento na
produção de grãos com a inoculação de rizóbio e aplicação de 50 mg de
N kg-1 no solo. Resposta diferencial de genótipos de feijoeiro com aplica-
ção de N foi relatada por Fageria e Santos (2008). Os mesmos genótipos
produziram matéria seca da parte aérea nas quantidades máxima e míni-
ma, respectivamente. Isso significa que existe relação positiva entre massa
da matéria seca da parte aérea e produção de grãos. Fageria et al. (2004),
Fageria e Baligar (2005) e Fageria e Barbosa Filho (2008) relataram relação
positiva entre a massa da matéria seca da parte aérea e a produção de
grãos em feijoeiro. Com base nos dados do ensaio em casa de vegetação,
pode-se concluir que houve resposta significativa na produção de matéria
seca da parte aérea e na produção de grãos com a aplicação de doses de
N e inoculação com rizóbio no feijão cultivado em solo de várzea, porém
a resposta variou de genótipo para genótipo. As produções de matéria
seca e de grãos com a inoculação aumentaram, mas não atingiram os
índices obtidos com a aplicação de 200 mg de N kg-1, o que significa que
o feijoeiro precisa de adubação nitrogenada para obter alta produtivida-
de. Nas Figuras 8 e 9, pode-se observar as respostas de dois genótipos
de feijoeiro sem e com a aplicação de 200 mg de N kg-1. As Figuras 10 e
11 ilustram o desenvolvimento do sistema radicular sob tratamentos com
aplicação de N e inoculação de rizóbio.
Capítulo 4 • Nitrogênio 139

Tabela 16. Produção de grãos (g planta-1) de 15 genótipos de feijoeiro sob doses


de nitrogênio (N) e inoculante.
Produção de grãos (g planta-1)(1)
Genótipo
N0(2) N1(3) N2(4) N3(5) Média

Aporé 7,19de 5,71g 8,54d 11,10de 8,13f


Pérola 11,30a 11,05bc 8,41d 13,16bc 10,98bc

BRSMG Talismã 8,90bcd 5,28g 5,42e 4,57g 6,04g

BRS Requinte 11,71a 10,37cd 8,13d 16,56a 11,69ab

BRS Pontal 5,57e 11,00bc 8,31d 14,04b 9,73de

BRS 9435 Cometa 10,50abc 9,20cde 8,62d 9,54ef 9,46e

BRS Estilo 7,28de 11,25bc 9,09cd 12,67bcd 10,07cde

CNFC 10408 8,82bcd 10,03cde 10,84bc 7,71f 9,35e

CNFC 10470 8,55cd 13,68a 9,60cd 14,29b 11,53ab

Diamante Negro 8,55cd 13,58a 13,33a 14,25b 12,43a

Corrente 11,38a 8,36de 8,90cd 11,48cde 10,03cde

BRS Valente 7,59de 12,90ab 5,76e 13,49b 9,93de

BRS Grafite 11,22a 6,10fg 9,67cd 10,83de 9,45e

BRS Marfim 10,88ab 8,12ef 8,40d 10,57e 9,49de

BRS Agreste 8,71cd 10,79c 11,71ab 10,70de 10,47cd

Média 9,21c 9,83b 8,98c 11,66a

Teste F

Dose de N (N) **

Genótipo (G) **

N versus G **

Coeficiente de variação (%) de N 3,39


Coeficiente de variação (%) de G 7,03
(1)
Médias seguidas pela mesma letra, na mesma coluna, não diferem entre si a 5% de probabilidade
pelo teste de Tukey.
(2)
N0 = Sem N.
(3)
N1 = Sem N + com inoculante.
(4)
N2 = Inoculante + 50 kg de N ha-1.
(5)
N3 = 200 mg de N kg-1.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria et al. (2012).
140 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Foto: Sebastião Araújo

Figura 8. Resposta do genótipo BRS Requinte de feijoeiro à aplica-


ção de nitrogênio (N).
Fonte: Fageria et al. (2012).
Foto: Sebastião Araújo.

Figura 9. Resposta do genótipo BRS Estilo de feijoeiro à aplicação


de nitrogênio (N).
Fonte: Fageria et al. (2012).
Capítulo 4 • Nitrogênio 141

Foto: Sebastião Araújo


Figura 10. Sistema radicular do genótipo BRS Pontal de feijoei-
ro sob tratamentos com nitrogênio (N) e inoculação de rizóbio.
Fonte: Fageria et al. (2012).

Foto: Sebastião Araújo

Figura 11. Sistema radicular do genótipo


CNFC 10470 sob tratamentos com nitrogênio
(N).
Fonte: Fageria et al. (2012).
142 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Os mesmos genótipos foram avaliados em condições de campo,


e os resultados são apresentados na Tabela 17. A produtividade de grãos
aumentou significativamente com a aplicação de adubação nitrogenada.
Houve interação significativa entre N e o genótipo, o que significa res-
posta diferencial dos genótipos com a mudança dos tratamentos com N
e rizóbio. A produtividade de grãos variou de 1.610 kg ha-1, obtida com
o genótipo Corrente, a 2.250 kg ha-1, obtida com o genótipo BRS 9435
Cometa, com média de 1.963 kg ha-1 sob o tratamento N0. Sob o trata-
mento N1 (inoculação com rizóbio), a produtividade de grãos variou de
1.738 kg ha-1, obtida com o genótipo BRS Grafite, a 3.350 kg ha-1, obtida
com o CNFC 10408, com média de 2.677 kg ha-1. Sob o tratamento N2
(inoculante + 50 kg de N ha-1), a produtividade variou de 2.473 kg ha-1,
com o genótipo CNFC 10408, a 3.660 kg ha-1, com o Pérola, com média
de 3.049 kg ha-1. O tratamento N3 produziu de 2.323 kg ha-1 a 4.193 kg ha-1,
com média de 3.464 kg ha-1.
Na média dos quatro tratamentos, a produtividade variou de
2.236 kg ha-1, obtida com o genótipo BRS Grafite, a 3.100 kg ha-1, com
o BRS Agreste. Na média dos 15 genótipos, a produtividade aumentou
em 36% sob o tratamento com inoculação, 55% sob o tratamento com
inoculação + 50 kg de N ha-1 e 77% com a aplicação de 120 kg de N ha-1
em comparação ao tratamento controle (0 kg de N ha-1). Fageria e Santos
(2008) relataram diferença significativa na produtividade de genótipos de
feijão com a aplicação de N. Dowling e Broughton (1986) relataram que,
para obtenção de altas produções de feijão, é necessária a aplicação de
fertilizantes nitrogenados, uma vez que os rizóbios nativos apresentam,
em geral, baixa eficiência simbiótica. Além disso, tem sido relatada a au-
sência de resposta à inoculação em experimentos realizados no campo
(RAMOS; BODDEY, 1987).
A eficiência de uso do N variou de 10,20 kg a 43,47 kg de grãos
produzidos por kg de N aplicado com a dose de 50 kg ha-1 (Tabela 18).
Com a aplicação de 120 kg ha-1, a eficiência de uso do N variou de
2,33 kg a 24,87 kg de grãos produzidos por kg de N aplicado. Na média
das duas doses de N, a eficiência de uso de N dos 15 genótipos variou
de 10,69 kg kg-1 a 33,33 kg kg-1. A eficiência de uso do N diminuiu com
o aumento das doses de N. Fageria (1992) relatou que a eficiência de uso
dos nutrientes, inclusive do N, diminui com o aumento da dose desses
nutrientes.
Capítulo 4 • Nitrogênio 143

Tabela 17. Produtividade de grãos (kg ha-1) dos genótipos de feijoeiro sob trata-
mentos com nitrogênio (N) e rizóbio.

Produtividade de grãos (kg ha-1)(1)


Genótipo
Dose N0(2) Dose N1(3) Dose N2(4) Dose N3(5) Média

Aporé 1.913b 3.217ab 4.086a 2.689fg 2.976abc

Pérola 1.730bc 3.172ab 3.660abc 3.229cdef 2.948abc

BRSMG Talismã 1.884b 2.642abcd 2.954bcd 3.103defg 2.646abcd

BRS Requinte 2.008ab 2.847abcd 2.873bcd 2.652fg 2.595bcd

BRS Pontal 2.020ab 1.870cd 2.848bcd 3.890bcd 2.657bcd

BRS 9435 Cometa 2.250c 2.583abcd 2.489d 4.135ab 2.864abcd

BRS Estilo 1.955ab 1.800cd 2.673cd 4.855a 2.821abcd

CNFC 10408 1.760b 3.350bcd 2.473d 3.435bcdef 2.755abcd

CNFC 10470 2.090ab 2.823abcd 2.940bcd 3.732bcde 2.896abcd

Diamante Negro 2.518a 2.390bcd 3.862ab 2.869efg 2.910abcd

Corrente 1.610bc 3.675a 2.701cd 4.084abc 3.018abc

BRS Valente 2.069ab 1.921cd 2.579d 2.720fg 2.322d

BRS Grafite 2.043ab 1.738d 2.841bcd 2.323g 2.236d

BRS Marfim 1.937ab 2.903abc 3.289abcd 4.193ab 3.081ab

BRS Agreste 1.659bc 3.227ab 3.471abcd 4.044abc 3.100a

Média 1.963d 2.677c 3.049b 3.464a

Teste F

Dose de N (N) **

Genótipo (G) **

N versus G **

Coeficiente de variação (%) de N) 11,63

Coeficiente de variação (%) de G) 14,94


(1)
Médias seguidas pela mesma letra, na mesma coluna, não diferem entre si a 5% de probabilidade
pelo teste de Tukey.
(2)
N0 = Sem N.
(3)
N1 = Sem N + com inoculante.
(4)
N2 = Com inoculante + 50 kg de N ha-1.
(5)
N3 = 120 kg de N ha-1.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria et al. (2012).
144 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 18. Eficiência de uso do nitrogênio (N) (kg kg-1) por genótipos de feijoeiro
sob duas doses de N.

Eficiência de uso de N (kg kg-1)(1) (2)


Genótipo
50 kg de N ha-1 120 kg de N ha-1 Média

Aporé 43,47a 6,46efg 33,33a


Pérola 38,61ab 12,49cdef 22,54bc
BRSMG Talismã 21,39bcd 10,16defg 16,94bcd
BRS Requinte 17,30bcd 5,37fg 13,73cd
BRS Pontal 16,57cd 15,58bcd 10,97d
BRS 9435 Cometa 26,77abcd 24,87a 21,17bcd
BRS Estilo 14,37d 24,17a 19,46bcd
CNFC 10408 14,26d 13,96bcde 19,21bcd
CNFC 10470 16,98bcd 13,67bcde 15,47cd
Diamante Negro 26,88abcd 2,93g 20,27bcd
Corrente 21,82abcd 20,62ab 12,38cd
BRS Valente 10,20d 5,43fg 15,41cd
BRS Grafite 15,96cd 2,33g 10,69d
BRS Marfim 27,03abcd 18,79abc 14,68cd
BRS Agreste 36,24abc 19,87abc 27,51ab
Média 23,17a 13,33b
Teste F
Dose de N (N) **
Genótipos (G) **
N versus G **
Coeficiente de variação (%) de N 18,57
Coeficiente de variação (%) de G 15,60
(1)
Médias seguidas pela mesma letra, na mesma coluna, não diferem entre si a 5% de probabilidade
pelo teste de Tukey.
(2)
Fórmula para cálculo da eficiência de uso de N:
Eficiência de uso de N (kg kg-1) = Produtividade a 50 kg de N ou 120 kg de N – Produtividade de 0 kg
de N/Quantidade de N aplicado
** Significativo a 1% de probabilidade.
Capítulo 4 • Nitrogênio 145

Com base nesse trabalho, pode-se concluir que houve resposta


significativa da produtividade de grãos e da eficiência de uso de N, mas a
resposta variou de genótipo para genótipo e diminuiu com o aumento da
dose de N. Na média de 15 genótipos e duas doses de N, a eficiência foi
de 18,25 kg de grãos produzidos por kg de N aplicado. A produtividade
máxima de grãos foi obtida com a aplicação de 120 kg de N ha-1 seguida
da produtividade resultante do tratamento com inoculação + 50 kg de
N ha-1 (Figuras 12 a 14).

Foto: Sebastião Araújo

Figura 12. Resposta do genótipo Diamante Negro de feijoeiro aos tratamentos:


sem N (A); com inoculante e sem N (B); com inoculante e 50 kg de N ha-1 (C); e
com 120 kg de N ha-1 (D).

Uso do clorofilômetro
Como os agricultores não dispõem de resultados da análise da
planta ou de outro método de orientação, a adubação nitrogenada mi-
neral é quantificada pela análise visual da lavoura ou é baseada numa
146 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Foto: Sebastião Araújo

Figura 13. Resposta do genótipo Pérola de feijoeiro aos tratamentos:


sem N (A); com inoculante e sem N (B); com inoculante e 50 kg de
N ha-1 (C); e com 120 kg de N ha-1 (D).
Foto: Sebastião Araújo

Figura 14. Resposta do genótipo BRS Valente de feijoeiro aos tratamen-


tos: sem N (A); com inoculante e sem N (B); com inoculante e 50 kg de
N ha-1 (C); e com 120 kg de N ha-1 (D).
Capítulo 4 • Nitrogênio 147

recomendação geral. De modo geral, as recomendações atuais para o uso


de N em cobertura nas culturas anuais seguem as estratégias de manejo
tradicionais: a dose é baseada em curvas de resposta da cultura ao N,
e a época de aplicação em cobertura é predeterminada, não levando
em consideração as necessidades e a fase de maior demanda da planta.
A falta de sincronismo entre a época de aplicação do N e a época de
maior demanda da planta tem propiciado baixa eficiência de uso dos
fertilizantes nitrogenados na produção das culturas. Em consequência da
predefinição das doses e das épocas de aplicação do N em cobertura
nas culturas anuais, a dose de N usada pode ser sub ou superestimada, o
que acarreta, por um lado, queda da produtividade de grãos e, por outro,
aumento dos custos pelo uso desnecessário de fertilizantes. Isso leva à
diminuição de lucro do agricultor e ao impacto negativo ao ambiente pela
lixiviação de nitrato, ou seja, ao risco de poluição ambiental.
O diagnóstico correto de N na planta torna-se, então, essencial para
o adequado manejo desse nutriente. A maioria dos métodos disponíveis
para essa avaliação são onerosos, destrutivos e demorados. Como alter-
nativa aos métodos convencionais de adubação em cobertura, estudos de
teste rápido com o auxílio de um clorofilômetro [um aparelho portátil que
gera grandezas relacionadas com os teores de clorofila presentes na folha
(Figura 15)] têm sido realizados com muito sucesso em vários países para
monitorar o status de N em plantas e determinar a época adequada para
sua aplicação em cereais, como arroz (BALASUBRAMANIAN et al., 2000;
HUSSAIN et al., 2000; PENG et al., 1993; STALIN et al., 2000; TURNER;
JUND, 1991), milho (ARGENTA et al., 2001a, 2001b, 2002; PIEKIELEK;
FOX, 1992;), trigo e aveia (BREDEMEIER, 1999), e outras culturas anuais,
como feijão (BARBOSA FILHO et al., 2009; FURLANI JÚNIOR et al.,
1996; SILVEIRA, et al., 2003; STONE et al., 2002) e algodão (WOOD
et al., 1992). Com o desenvolvimento do medidor portátil de clorofila
para realização de leituras instantâneas do seu teor relativo na folha, sem
haver necessidade de sua destruição, surge uma nova ferramenta para
avaliação do nível de N nas plantas (ARGENTA et al., 2001a, 2001b).
O uso do clorofilômetro tem dado resultados mais positivos (apresen-
tando, em geral, maior eficiência agronômica do N aplicado) do que as
práticas convencionais, baseadas em épocas prefixadas para aplicação
do N em cobertura.
O teor de clorofila, na maioria das vezes, correlaciona-se positiva-
mente com o teor de N foliar graças ao fato de esse nutriente constituir
148 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Foto: Sebastião Araújo

Figura 15. Medidor de clorofila ou clorofilômetro, modelo


SPAD-502.

parte de sua molécula. Dessa forma, o clorofilômetro monitora, de for-


ma indireta, instantânea e não destrutiva, o estado nutricional de N na
cultura, podendo ser utilizado para estimar a necessidade de adubação
nitrogenada de cobertura em diversos estádios de desenvolvimento.
Para melhorar o sincronismo entre a época de aplicação do N e
a época de maior demanda da planta, o monitoramento dos teores de
N e de clorofila na folha por meio do uso de clorofilômetro tem sido
sugerido, pois esses teores se correlacionam positivamente entre si e com
a produtividade de grãos.
O teor de clorofila na folha é usado para predizer o nível nutricional
de N em plantas, pois a quantidade desse pigmento correlaciona-se po-
sitivamente com o N na planta (ARGENTA et al., 2001b; SILVEIRA, et al.,
2003). A vantagem da medição do teor relativo de clorofila (TRC) é a de
Capítulo 4 • Nitrogênio 149

não ser influenciada pelo “consumo de luxo” de N pela planta, sob a


forma de nitrato (BLACKMER; SCHEPERS, 1995). A baixa sensibilidade do
medidor de clorofila ao “consumo de luxo” de N pelas plantas é atribuída
à forma com que esse nutriente se encontra na folha. Quando absorvido
em excesso, acumula-se como nitrato. Nessa forma, o N não se associa à
molécula de clorofila e, portanto, não pode ser quantificado pelo medi-
dor de clorofila (DWYER et al., 1995). Por apresentar baixa sensibilidade a
esse tipo de consumo de N, a medição efetuada pelo medidor de clorofila
está sendo considerada melhor indicadora do nível desse nutriente do
que as medições do seu teor (BLACKMER; SCHEPERS, 1995).
Blackmer et al. (1993) observaram que outros fatores além da
disponibilidade de N, como idade, teor de água na planta, população
de plantas, cultivar, disponibilidade de outros nutrientes, estresse am-
biental ou fatores bióticos, podem afetar as medições de intensidade da
cor verde da folha pelo medidor de clorofila. Os níveis críticos variam
em função do teto de produtividade de grãos dos experimentos, sendo
recomendada a realização de experimentos em diferentes ambientes e
em distintas situações de manejo (BREDEMEIER, 1999). Para minimizar
a influência dos fatores citados, tem sido recomendado um método de
normalização das leituras do clorofilômetro para cada área de cultivo, es-
tádio de desenvolvimento, condição edafoclimática e prática de manejo
(BLACKMER; SCHEPERS, 1994; HUSSAIN, et al., 2000; SCHEPERS et al.,
1992; WASKOM et al., 1996). Uma forma de normalizar as leituras é de-
terminar um índice de suficiência, que é obtido pela média das leituras do
clorofilômetro nas amostras dividida pela média das leituras do aparelho
na área de referência. Essa área de referência é uma faixa da lavoura, com
a mesma cultivar, adubada com uma quantidade de N bastante superior à
do restante da lavoura, de forma que, teoricamente, não haja deficiência
de N. O valor que tem sido mais utilizado como índice de suficiência de
N (ISN%) é igual a 0,90. Assim, quando o percentual relativo de clorofila
da amostra situar-se abaixo de 90% da leitura na faixa de referência, reco-
menda-se a aplicação da adubação nitrogenada (BLACKMER; SCHEPERS,
1994; VARVEL et al., 1997; WASKOM et al., 1996). Portanto, se o manejo
da adubação nitrogenada fosse baseado no ISN, as plantas que apresen-
taram o ISN maior ou igual a 90% não deveriam receber a parcela do
adubo nitrogenado naquela data ou, então, receberiam uma dose menor,
visando apenas manter o ISN acima de 90%, o que reduziria a dose total
aplicada no ciclo e, provavelmente, evitaria o excesso de N. A utilização
do ISN parece ser mais viável do que a utilização de valores críticos de
150 Nutrição Mineral do Feijoeiro

TRC, pois seria necessário determinar valores para cada espécie, cultivar,
estádio fenológico e condições edafoclimáticas (PETERSON et al., 1993).

Considerações finais
O N é um dos nutrientes que mais limita a produtividade do feijão.
Sua deficiência no solo é causada pelo fato de ser o nutriente absorvi-
do em maior quantidade e perdido no sistema solo-planta em grande
quantidade (pelos processos de volatilização, lixiviação e desnitrificação).
Além disso, o baixo teor de matéria orgânica no solo e a perda por erosão
da camada superficial do solo também contribuem para sua deficiência.
O N é responsável pelo aumento da área foliar da planta, que aumenta a
eficiência de intercepção de radiação solar e a taxa fotossintética e, con-
sequentemente, a produtividade. O método de diagnóstico de deficiên-
cias nutricionais é composto da análise química da planta e dos sintomas
visuais foliares ou de crescimento. A observação visual dos sintomas é
um método qualitativo, eficiente e é o mais barato. Porém, requer grande
experiência por parte do avaliador. A análise química da planta é o méto-
do mais caro de avaliação do estado nutricional. Para a interpretação dos
resultados da análise da planta, é necessário o conhecimento dos níveis
críticos preestabelecidos para cada nutriente e para cada cultura.
A eficiência de recuperação de N pelo feijoeiro é menor do que
50%, tanto em solo de várzea como de Cerrado. Nessa situação, o uso
racional da adubação nitrogenada é fundamental, não somente para
aumentar a eficiência de recuperação, mas também para aumentar
a produtividade da cultura e para diminuir o custo de produção e os
riscos de poluição ambiental. A eficiência de recuperação do N pode ser
aumentada com a adoção de práticas de manejo apropriadas, como o
uso de dose adequada e aplicação na época apropriada, de acordo com
a necessidade da cultura.
A dose adequada de N é aquela que propicia uma produtividade
máxima e acima da qual não há resposta da cultura que justifique aumen-
tar a quantidade do nutriente. Por ser o N um nutriente móvel no solo e
que muda de concentração com o clima, solo e tempo, as recomenda-
ções de adubação nitrogenada são feitas com base na resposta da cultura
à aplicação desse nutriente em condições de campo. A necessidade de
adubação nitrogenada para o feijoeiro está em torno de 120 kg de N ha-1 a
140 kg de N ha-1 para obter uma produtividade de cerca de 3.000 kg ha-1.
Capítulo 4 • Nitrogênio 151

Grande parte de N deve ser aplicada no plantio (de 50% a 60%) e o


restante em cobertura, aproximadamente uma semana antes da floração.
Tanto o sulfato de amônio como a ureia podem ser usados como fonte
de N. As vantagens da ureia, que é mais concentrada em N, são o menor
custo do seu transporte e a facilidade na sua aplicação. Por outro lado,
o sulfato de amônio contém aproximadamente 24% de S, o que pode
evitar a deficiência de S em solos com baixo teor desse nutriente. Existem
diferenças significativas entre os genótipos na absorção e utilização de
nutrientes, e esse aspecto deve ser explorado no manejo de N na cultura
do feijoeiro. A inoculação com rizóbio aumenta a produtividade, mas a
resposta fica abaixo da obtida com a aplicação da dose adequada de N.
Isso significa que o feijoeiro precisa de adubação química de N junto com
a inoculação para aumentar a produtividade e reduzir a dose de N a ser
aplicada.
Capítulo 5

Fósforo
154 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
No Brasil, país eminentemente agrícola, a agricultura é um setor
que causa forte impacto na sustentabilidade ambiental e socioeconômi-
ca. Apesar dos elevados patamares de produção agrícola recentemente
alcançados (em torno de 160 milhões de toneladas de grãos na safra
2010/2011), a produtividade de várias culturas encontra-se aquém do
potencial genético dos materiais disponíveis. A cultura do feijoeiro se
encaixa nesse paradigma e apresenta uma importância social e econô-
mica inegável para o País. Dentre os fatores que contribuem para a baixa
produtividade e a instabilidade da produção dessas culturas, destaca-se a
baixa disponibilidade de fósforo (P) nos solos predominantes nas regiões
tropicais. Nos solos de Cerrado e de várzeas, essa carência está associada
ao teor naturalmente baixo de P e à sua alta capacidade de imobilização
graças aos altos teores de alumínio (Al) e ferro (Fe) (FAGERIA, 1989, 2001a,
2001b). Carvalho et al. (1995) e Santos et al. (2011) também relataram que,
entre os nutrientes, o P é aquele que frequentemente mais limita a produ-
ção das culturas nos solos da região do Cerrado. Isso ocorre pelos fatos
de esse nutriente apresentar-se em formas pouco disponíveis aos vegetais
e de os solos dessa região apresentarem elevada adsorção, fazendo com
que a eficiência dos fertilizantes fosfatados em sistemas agrícolas seja
baixa (somente de 10% a 20% do nutriente são usados pelas culturas no
ano de aplicação, e o valor residual raramente excede 50%) (BOLLAND;
GILKES, 1998).
No processo de modernização e racionalização da agricultura bra-
sileira, o uso de adubação adequada constitui um fator importante para o
aumento da produtividade. O custo crescente dos insumos agrícolas exige
cada vez mais a adoção de métodos e técnicas de cultivo adequados à
produção das culturas anuais, como a do feijoeiro. A elevação dos custos
dos fertilizantes nos últimos anos é provavelmente irreversível, já que é
reflexo de preços mais elevados de energia, matéria-prima e transporte.
Na agricultura moderna, o custo do fertilizante para culturas anuais, em
média, corresponde a aproximadamente 30% do custo total de produção
(FAGERIA et al., 2004). Os fertilizantes passam, assim, a exigir maior
dispêndio e merecem, portanto, atenção especial com referência ao
seu uso para o melhor aproveitamento pelas culturas. Nesse contexto,
o manejo adequado da adubação fosfatada é uma estratégia importante
para o aumento da produtividade e a redução do custo de produção e da
poluição ambiental.
Capítulo 5 • Fósforo 155

Solubilidade dos fosfatos


Os termos usados para descrever os fosfatos contidos nos fertili-
zantes são: solúvel em água, solúvel em citrato, insolúvel em citrato, P
disponível e P total. Tisdale et al. (1985) e Fageria et al. (1999) descreveram
esses termos:
• Solúvel em água: uma pequena amostra do material analisado
em laboratório sofre uma primeira extração com água por um
determinado tempo. A solução é, então, filtrada, e a quantidade
de P contida no filtrado é determinada, sendo expressa como
P solúvel em água.
• Solúvel em citrato: o resíduo do filtrado da extração em água é
extraído com solução de citrato de amônio 1N, sendo agitado
por determinado tempo e filtrado. O teor de P no filtrado é
determinado, sendo expresso como P solúvel em citrato.
• Insolúvel em citrato: o teor de P remanescente no resíduo obti-
do após a extração com citrato é determinado, sendo expresso
como P insolúvel em citrato.
• P disponível: é a soma do P solúvel em água e do P solúvel em
citrato.
• P total: é a soma do P disponível e do P insolúvel em citrato.
• P lábil: do ponto de vista da nutrição de plantas, três frações dos
fosfatos do solo são importantes: P em solução do solo, P lábil e
P não lábil. Existe uma relação entre essas frações que, de acor-
do com Olsen (1980), pode ser expressa pela seguinte equação:
P em solução do solo ⇔ P lábil ⇔ P não lábil
A fração em solução representa o P disponível para as plantas que
se encontra na solução do solo; a fração lábil representa o P adsorvido na
fase sólida do solo e em equilíbrio com o P da solução; a fração não lábil
representa o P insolúvel, que pode ser liberado muito lentamente para a
fração lábil. A capacidade-tampão do P do solo é a quantidade total de
íons disponíveis (fração solúvel + fração lábil), por unidade de volume
de solo, necessária para aumentar a concentração da solução em uma
unidade. A capacidade-tampão do P do solo também tem sido definida
como a relação entre a concentração de íons adsorvidos na fase sólida e
a concentração de íons em solução (FAGERIA et al., 1999).
156 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Ciclo no sistema solo-planta


O ciclo de P no sistema solo-planta envolve vários processos
como: absorção, solubilização, mineralização, imobilização (adsorção e
precipitação), lixiviação e erosão (Figura 1). Todos esses processos são
influenciados pelo solo, pelo clima, pela planta e pelas interações entre
eles. Portanto, o ciclo de P no sistema solo-planta é muito dinâmico e
complexo e, para que funcione eficientemente, é essencial que seu am-
biente esteja em um nível ótimo. A maior parte de P aplicado no solo
é absorvida pela planta e imobilizada no sistema solo-planta. Ainda, as
perdas pela erosão do solo são consideradas substanciais (RECHEIGL
et al., 1992).

Figura 1. Ciclo do fósforo (P) no sistema solo-planta.


Ilustração: Sebastião Araújo.
Capítulo 5 • Fósforo 157

Entre as propriedades químicas do solo, o pH é a que mais in-


fluencia a disponibilidade de P para as plantas. Níveis de pH tanto baixo
como alto prejudicam a disponibilidade de nutrientes para as culturas.
A maior disponibilidade de P está na faixa de pH de 6,0 a 6,8 (FAGERIA
et al., 1999). A resposta do feijoeiro ao pH do solo é ilustrada na Figura 2.
Da mesma maneira que para a parte aérea, o pH fez aumentar a massa
da matéria seca radicular do feijoeiro até certo nível. A resposta do cres-
cimento radicular ao pH em solo de várzea é apresentada na Figura 3.

Figura 2. Relação entre o pH do solo e a produção relati-


va de matéria seca das raízes e da parte aérea do feijoeiro
em um Oxissolo do Brasil Central.
Fonte: adaptado de Fageria et al. (1999).
158 Nutrição Mineral do Feijoeiro
Foto: Sebastião Araújo

Figura 3. Influência do pH no crescimento do sistema radicular do feijoeiro em


solo de várzea: pH 4,9 (A); pH 5,9 (B); pH 6,4 (C); pH 6,7 (D); pH 7,0 (E).
Fonte: Fageria et al. (1996).

O P é absorvido pelas plantas principalmente nas formas iônicas de


H2PO4- e HPO42-, que variam no solo de acordo com o pH. A aplicação
no solo de fertilizantes fosfatados, como os superfosfatos simples ou triplo,
causa a seguinte reação:
Ca(H2PO4)2.H2O + H2O ⇔ CaHPO4 2H2O + H3PO4
Na solução diluída, o ácido fosfórico é dissociado da seguinte ma-
neira (LINDSAY, 1979):
Capítulo 5 • Fósforo 159

H3PO40 ⇔ H2PO4- + H+
H2PO4- ⇔ HPO42- + H+
HPO42- ⇔ PO43- + H+
H2PO4- ⇔ PO43- + 2H+
2H2PO4- ⇔ (H2PO4)22-
Na faixa de pH entre 5 e 8, que ocorre na maioria dos solos, os
íons de P não dissociados (H3PO40 e PO43-) são praticamente iguais a zero.
Portanto, todo o P naturalmente absorvido pelas plantas está na forma
H2PO4- e HPO42-. Sob pH 6, aproximadamente 94% do P está na forma
H2PO4-; a porcentagem cai para 60% em solo com pH 7 (STEVENSON,
1986). De maneira geral, a taxa de absorção do ânion monovalente
(H2PO4-) é maior do que a do bivalente (HPO42-). Quando aumenta o pH,
a absorção de P é inibida pelo íon OH- e muda a taxa de absorção pela
mudança na forma iônica.
Quando íons de H2PO4- são formados no solo, a fixação pode
ocorrer das seguintes formas:
Fe + H2PO4-(solúvel) + 2H2O ⇔ Fe(OH)2H2PO4 (insolúvel) + 2H+
Al + H2PO4-(solúvel) + 2H2O ⇔ Al(OH)2H2PO4 (insolúvel) + 2H+
Mn + H2PO4-(solúvel) + 2H2O ⇔ Mn(OH)2H2PO4 (insolúvel) + 2H+
A aplicação de calcário até certo nível de pH aumenta a disponi-
bilidade de P e depois a diminui (FAGERIA, 1989). Sob baixo pH (< 5,5),
aumenta a disponibilidade de P com a aplicação de calcário e, sob alto
pH (> 7,0), ocorre a fixação de P, explicada pelas seguintes equações:
Al(OH)2H2PO4 + OH- ⇔ Al(OH)3 + H2PO4-
Ca(H2PO4)2 (solúvel) + 2Ca+ ⇔ Ca3(PO4)2 (insolúvel) + 4H+
Ca(H2PO4)2 (solúvel) + 2CaCO3 ⇔ Ca3(PO4)2 (insolúvel) + 2H2O + 2CO2
A fixação do P depende da quantidade e do tipo de argila ou mi-
neralogia. Comparando solos com mesmo pH e mineralogia, a fixação
do P será maior naquele com maior teor de argila. Considerando que a
matéria orgânica geralmente tem baixa capacidade de fixação de P, solos
com alto teor de matéria orgânica ativa têm baixa capacidade de fixação
de P (FAGERIA et al., 1999).
A aplicação de P como fertilizante é essencial para aumentar a
produtividade das culturas em solos de Cerrado e várzeas do Brasil. Nas
Figuras 4 e 5, pode-se observar a fixação de P em um Oxissolo do Brasil
160 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 4. Relação entre fósforo (P) aplicado e P extraído pelo extrator


Mehlich 1 em um Oxissolo do Brasil Central.
Fonte: adaptado de Fageria et al. (1999).

Central. O teor de P extraído aumentou com a elevação do nível de P.


O aumento foi lento em solos com baixos níveis de P, mas significativa-
mente mais rápido em solos com altos níveis de P. De acordo com Fageria
e Barbosa Filho (1987), a capacidade de fixação de P em um Oxissolo do
Cerrado variou de 77% a 90%, dependendo da quantidade de P solúvel
aplicado. A alta capacidade de fixação de P nesse solo relacionou-se
com baixo pH, alto teor de óxido de Fe e alta saturação de Al (SMYTH;
SANCHEZ, 1982).

Funções e sintomas de deficiências


O P é um nutriente essencial para o crescimento e a reprodução
das plantas, cujas funções não podem ser executadas por nenhum outro
Capítulo 5 • Fósforo 161

nutriente. Sem um nível adequado de P no solo, a planta não pode al-


cançar seu potencial máximo de produtividade. O P aumenta a massa da
matéria seca da parte aérea, o número de vagens e a massa de 100 grãos
e, consequentemente, a produtividade de grãos (Tabela 1).

Figura 5. Relação entre o tempo de reação e o fósforo (P) extraído


pelo extrator Mehlich 1 com diferentes níveis de P em um Oxissolo
do Brasil Central.
Fonte: adaptado de Fageria et al. (1999).
162 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 1. Produção e seus componentes influenciados pela adubação fosfatada


em solo de Cerrado.

Massa de matéria seca Produção Massa de


Dose de P Vagens
da parte aérea (MSPA) de grãos 100 grãos
(mg kg-1) (nº vaso-1)
(g vaso-1) (g vaso-1) (g)

  0 8,0 10,0 11,3 26,6

50 20,7 25,6 29,0 28,0

100 34,0 30,6 32,7 28,2

150 30,4 34,3 39,0 29,6

200 34,4 28,4 32,0 30,5

250 38,0 30,0 32,0 29,1

Análise de regressão

Dose de P (X) vs. MSPA (Y) = 9,2762 + 0,2547 X – 0,00059 X2, R2 = 0,7025**

Dose de P (X) vs. Produção de grãos (Y) = 11,7309 + 0,2666 X – 0,00081 X2,
R2 = 0,7631**

Dose de P (X) vs. Número de vagens (Y) = 13,0595 + 0,3017 X – 0,00094 X2,
R2 = 0,7632**

Dose de P (X) vs. Massa de 100 grãos (Y) = 26,466 + 0,0325 X – 0,000081 X2,
R² = 0,6835**
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria et al. (2004).

As funções importantes que esse nutriente desempenha na planta


são: aumenta o número de vagens, aumenta a massa dos grãos, ajuda
no processo de maturação dos grãos, incrementa o crescimento do siste-
ma radicular e melhora a qualidade dos grãos. O P também atua como
agente de transferência de energia dentro da planta, pois integra o mais
importante composto de energia, que é o trifosfato de adenosina (ATP).
Além disso, o P é essencial para a estrutura de trifosfopiridina nucleotídeo
(TPN), que funciona como carregador de elétrons ou hidrogênio (H) entre
os sítios de reações de oxidação e redução, que ocorrem na respiração,
fermentação e fotossíntese. Por fim, o P é importante na formação das
células e está relacionado com a fixação de N2 em leguminosas.
O melhor parâmetro de avaliação da deficiência de um nutriente em
um determinado solo é a resposta da cultura à sua aplicação. Com base
Capítulo 5 • Fósforo 163

nesse critério, pode-se dizer que os solos ácidos e alcalinos, em várias


partes do mundo, são extremamente deficientes em P para a produção
das culturas (FAGERIA et al., 1999). Na maioria dos solos brasileiros, tanto
de Cerrado como de várzeas, o P é o nutriente mais deficiente, sendo sua
aplicação como fertilizante fator indispensável para a produção adequada
de feijão.
Quando o teor de um determinado nutriente não é suficiente no
meio de crescimento, aparecem alguns sintomas de deficiência, os quais
podem estar relacionados com a redução da altura, dos ramos e do
crescimento das raízes e com a descoloração de folhas. A observação
dos sintomas visuais é a técnica mais barata para diagnosticar desordens
nutricionais. Entretanto, é necessário que o observador tenha muita ex-
periência prática, porque os sintomas de deficiência nutricional podem
ser confundidos com outros problemas, tais como deficiência hídrica,
ocorrência de doenças e de pragas, compactação do solo, efeito residual
de herbicidas, salinidade do solo e drenagem deficiente. Os sintomas de
deficiência de um dado nutriente normalmente ocorrem na área toda e
não em plantas isoladas.
O P, assim como o N, é um elemento móvel na planta; sua defici-
ência aparece primeiramente nas folhas velhas e causa o prolongamento
do ciclo da cultura. As folhas mais velhas apresentam coloração bronze,
principalmente na margem. O sintoma progride da ponta para a base,
e as folhas novas adquirem uma coloração verde-escura. Além disso, a
deficiência de P reduz o crescimento, leva a planta a ficar pequena, com
coloração verde-escura, tornando-se alaranjada quando a deficiência é
mais acentuada. O P promove o desenvolvimento do sistema radicular
(Figura 6). O crescimento das plantas de feijão cultivadas em solo de
Cerrado com e sem deficiência de P é ilustrado na Figura 7. Nas Figuras
8 e 9, podem ser observadas plantas com e sem sintomas de deficiência
de P.
Uma desvantagem desse método (observação visual dos sintomas)
é que, às vezes, a deficiência nutricional não pode ser corrigida no mes-
mo ciclo da cultura, se a identificação tiver ocorrido tardiamente ou por
causa da imobilidade do nutriente no solo (GRUNDON, 1987). Existem
várias publicações com fotografias coloridas que permitem identificar as
deficiências nutricionais em diversas culturas, inclusive no feijoeiro, pelos
sintomas visuais (FAGERIA et al., 1996; GRUNDON, 1987; WALLACE,
1961; WILCOX; FAGERIA, 1976).
164 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Foto: Sebastião Araújo

Figura 6. Influência do fósforo (P) no desenvolvimen-


to do sistema radicular do feijoeiro: sem P (A) e com
50 ppm de P (B).
Capítulo 5 • Fósforo 165

Foto: Sebastião Araújo


A B

Figura 7. Crescimento das plantas de feijoeiro com 25 mg de P kg-1 do


solo (A) e 200 mg de P kg-1 do solo (B).

Foto: Sebastião Araújo

Figura 8. Plantas de feijoeiro com deficiência de fósforo (P) (25 mg de


P kg-1 do solo) (A) e sem deficiência de P (200 mg de P kg-1 do solo) (B).
166 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Foto: Sebastião Araújo

Figura 9. Plantas de feijoeiro deficientes (esquerda) e não deficientes


(direita) em fósforo (P).

Teor e acumulação na planta


O teor de um dado nutriente na planta é usado como índice de
diagnóstico de deficiência ou suficiência na planta; a acumulação de
um dado nutriente é utilizada como parâmetro de extração daquele
nutriente do solo, indicando a redução da fertilidade do solo (FAGERIA,
2005, 2007). Além disso, a acumulação de um determinado nutriente
serve como indicador da quantidade absorvida durante os estádios de
crescimento da cultura. Os dados de teor e acumulação de nutrientes são
usados para embasar a correção de deficiências nutricionais e a manuten-
ção da fertilidade do solo no nível desejável.
Nas Figuras 10 e 11, são apresentados dados de teor e acumulação
de P, respectivamente, durante o ciclo da cultura do feijoeiro. O teor de
P diminuiu até 40 dias após a semeadura, ficou estável ou teve pequeno
aumento no período de 40 a 63 dias após a semeadura e depois sofreu
uma diminuição linear até a maturação fisiológica da planta. Isso significa
que o teor desse nutriente nas plantas mudou significativamente com o
avanço da idade e que sua mensuração em certa idade da planta não
pode servir como referência do teor em outra idade. A diminuição do
teor de P está relacionada com o aumento da matéria seca da parte aérea
Capítulo 5 • Fósforo 167

Figura 10. Teor de fósforo (P) na parte aérea do


feijoeiro em função da idade da planta.
** Significativo a 1% de probabilidade.

Figura 11. Acumulação de fósforo (P) na parte


aérea do feijoeiro em função da idade da planta.
** Significativo a 1% de probabilidade.
168 Nutrição Mineral do Feijoeiro

e é chamada “efeito de diluição” na nutrição de plantas. Os dados dos


teores de P apresentados na Figura 10 servem como referência de teores
adequados desse nutriente em diferentes estádios de crescimento do
feijoeiro em solo de Cerrado.
A acumulação de P nessa cultura aumentou até 65 dias de idade, fi-
cou mais ou menos estável no período de 65 a 80 dias e depois diminuiu.
O aumento da acumulação de P com o aumento da idade da planta está
associado ao aumento da matéria seca da parte aérea da planta (FAGERIA
et al., 2004). A diminuição da acumulação de P após 80 dias de idade
está relacionada com a translocação de P para os grãos.
O teor e a acumulação de P nos grãos de feijão estão correlacionados
significativamente com a produção de grãos (Tabela 2); porém, quando
se considera a parte aérea sem os grãos, somente a acumulação de P está
significativamente associada com a produção de grãos. Isso significa que,
com a adoção de práticas apropriadas de manejo de P no solo e o uso de
genótipos eficientes, é possível aumentar o teor e a acumulação de P nos
grãos e, consequentemente, a produtividade do feijoeiro.

Tabela 2. Relação entre produção de grãos e teor e acumulação de fósforo (P) na


parte aérea e nos grãos de feijão.

Parâmetro de absorção de P Equação de regressão R2

Teor de P na parte aérea (X) vs.


Y = 28,7329 – 7,4912 X + 4,9642 X2 0,0114ns
Produção de grãos (Y)

Teor de P nos grãos (X) vs.


Y = -140,8766 + 79,6258 X – 9,0072 X2 0,7819**
Produção de grãos (Y)

Acumulação de P na parte aérea


Y = 8,2754 + 1,4364 X – 0,01909 X2 0,5788**
(X) vs. Produção de grãos (Y)

Acumulação de P nos grãos (X)


Y = 5,8842 + 0,2890 X – 0,00074 X2 0,7458**
vs. Produção de grãos (Y)
**Significativo a 1% de probabilidade.
ns
Não significativo.
Fonte: Fageria et al. (2004).

Eficiência de uso de fósforo


Na Tabela 3, são apresentados os resultados da eficiência de uso
de P em várias culturas, inclusive no feijoeiro. A eficiência de uso de P
Capítulo 5 • Fósforo 169

Tabela 3. Eficiência de uso de fósforo (P) por culturas anuais.

Produtividade Acumulação de P EUP(1)


Cultura
(kg ha-1) (kg) (kg kg-1)
Arroz de terras altas

Parte aérea 6.104 2,9 2.105

Grãos 4.413 9,5 465

Milho

Parte aérea 11.006 4,5 2.446

Grãos 8.221 16,7 492

Feijão

Parte aérea 1.807 2,3 786

Grãos 3.182 13,9 229

Soja

Parte aérea 3.518 1,8 1.954

Grãos 4.003 12,3 280


Eficiência de uso de fósforo = Produtividade de parte aérea ou grãos/P acumulado em parte aérea
(1)

ou grãos.
Fonte: Fageria et al. (2006b).

foi maior em cereais do que em leguminosas. A alta eficiência de uso de


P em cereais está associada com alta produtividade. A baixa produtivi-
dade de leguminosas está associada com sua alta taxa de respiração em
comparação com a dos cereais (FAGERIA et al., 2006b). Na Tabela 4, são
apresentados os resultados de eficiência de recuperação de P para feijão
sob diferentes doses desse nutriente aplicadas em solo de Cerrado. A efi-
ciência de recuperação é influenciada significativamente pela aplicação
de P e diminui com o aumento das doses do nutriente na faixa de 50 mg
de P kg-1 a 250 mg de P kg-1 de solo. Na dose de 50 mg de P kg-1, 11,1%
de P foram recuperados pelas plantas de feijoeiro; com a aplicação de
250 mg de P kg-1, somente 5,7% de P foram recuperados. Em média, 7,7%
de P foram recuperados pelas plantas de feijoeiro. A baixa eficiência de
recuperação desse nutriente está relacionada com a alta capacidade de
fixação de P desses solos. Santos et al. (2011) também relataram que os
maiores valores de eficiência de absorção de P foram observados para as
170 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 4. Eficiência de recuperação de fósforo (P) determinada


após a colheita de feijão em solo de Cerrado.

Dose de P (mg kg-1) Eficiência de recuperação (%)(1)

50 11,1
100 7,8
150 7,4
200 6,4
250 5,7
Média 7,7
Dose de P (X) vs. Eficiência (Y) = 13,5933 – 0,0628 X + 0,000127
X2, R2 = 0,796**
Eficiência de recuperação = (Acumulação de P na parte aérea + grãos
(1)

com P - Acumulação de P na parte aérea + grãos sem P/Quantidade de


P aplicado) x 100.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria et al. (2004).

menores doses de P, havendo diminuição da eficiência de absorção com


o aumento das doses, principalmente nos solos já cultivados, fatos que
devem estar relacionados tanto ao fornecimento de fertilizantes fosfatados
quanto a uma maior predominância de P na forma orgânica lábil. Baligar
et al. (2001) relataram que a eficiência de recuperação de N é menor do
que 50%, a de P é menor do que 10% e a de potássio (K) é menor do que
40% nas culturas anuais.

Índice de colheita de grãos e de fósforo


O índice de colheita de grãos e o índice de colheita de P são
importantes parâmetros na determinação da produtividade das culturas
(FAGERIA, 2009; FAGERIA; SANTOS, 2008a). Com o aumento desses
parâmetros, aumenta a produtividade do feijoeiro de maneira linear ou
quadrática, dependendo da cultivar (FAGERIA, 2009; FAGERIA et al.,
2006a). Esses dois índices podem ser aumentados com o manejo das
culturas. Os índices de colheita de grãos e de P de duas leguminosas e
dois cereais são apresentados na Tabela 5. Esses índices são maiores para
as leguminosas em comparação com os cereais.
Capítulo 5 • Fósforo 171

Tabela 5. Índice de colheita de grãos e de colheita de


fósforo (P) em quatro culturas.

Cultura ICG(1) ICP(2)

Arroz de terras altas 0,42 0,77

Milho 0,43 0,79

Feijão 0,64 0,86

Soja 0,53 0,89


(1)
Índice de colheita de grãos = Produtividade de grãos/
Produtividade de grãos + Massa da matéria seca da parte aérea.
(2)
Índice de colheita de P = Acumulação de P nos grãos/
Acumulação de P nos grãos e na parte aérea.
Fonte: Fageria (2009).

Interação com outros nutrientes


Nos últimos anos, uma área que tem sido bastante pesquisada em
fertilidade do solo é a inter-relação dos nutrientes na rizosfera (FAGERIA,
2009). O conhecimento dos processos que ocorrem nessa região pode
melhorar o entendimento da relação entre produtividade e níveis de
nutrientes no solo (OHNO; GRUNES, 1985). O uso balanceado de nu-
trientes aumenta a produtividade e a eficiência de seu uso. Altas doses de
N provocam a necessidade de altas doses de K e P para se obter respostas
à adubação e alta produtividade nas principais culturas anuais. Os resul-
tados na Tabela 6 mostram que o aumento simultâneo de doses de N e
P aumenta a produtividade do feijoeiro. Isso significa que há interação
sinérgica entre N e P na produção do feijoeiro.

Tabela 6. Interação entre nitrogênio (N) e fósforo (P) na produtividade do feijo-


eiro em solo de várzea.

Produtividade de grãos (kg ha-1)


Dose de N (kg ha-1)
Sem P2O5 30 kg de P2O5 ha-1 80 kg de P2O5 ha-1
0 2.105 1.870 1.707
45 2.630 3.048 2.660
90 2.563 2.804 3.116
135 2.280 2.562 2.742
Fonte: Fageria et al. (2006a).
172 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Estratégias de manejo para aumentar a eficiência de uso


A estratégia do manejo de P para aumentar sua eficiência de uso
inclui práticas associadas ao manejo do solo e das plantas.

Análise do solo
As recomendações de adubação com nutrientes imóveis no solo,
como o P, são feitas com base na análise de solo. Para transformação da
análise de solo em recomendações de adubação, é necessário determinar
uma relação entre o teor do nutriente no solo e a produtividade da cultura.
Esse processo é chamado de teste de calibração de análise do solo (FAGERIA,
1989). Observa-se, na Figura 12, a relação entre o teor de P no solo e a pro-
dução relativa de grãos de feijão em solo de várzea. A relação foi quadrática,
com ponto máximo em 9,6 mg de P kg-1 de solo. Com base nessa relação,
estabeleceram-se quatro classes de teor de P no solo, de acordo com Raij
(1991): muito baixo (até 70% da produção relativa); baixo (de 70% a 90%
da produção relativa); médio (de 90% a 100% da produção relativa); e alto
(100% da produção relativa). A classificação do teor de P, a sua interpretação
e as recomendações de adubação são apresentadas na Tabela 7.
Na Tabela 8, são apresentadas as recomendações de adubação fos-
fatada para a cultura do feijoeiro de acordo com a análise de solo para os

Figura 12. Relação entre teor de fósforo (P) no


solo e produção relativa de grãos de feijão.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Capítulo 5 • Fósforo 173

Tabela 7. Interpretação dos teores de fósforo (P) extraídos por extrator Mehlich 1
e recomendações de adubação fosfatada para a cultura do feijoeiro em solo de
várzea.

Teor de P no solo Interpretação da Produção Recomendação de adubação


(mg kg-1) análise do solo relativa (%) (kg de P2O5 ha-1)
0–5,3 Muito baixo 0–70 150
5,3–7,1 Baixo 70–90 100
7,1–9,0 Médio 90–100 100
> 9,0 Alto 100 50
Fonte: Fageria e Santos (1998).

Tabela 8. Interpretação dos teores de fósforo (P) extraídos pelo extrator Mehlich 1
e recomendações de adubação fosfatada em alguns estados brasileiros.

Recomendação
Teor de P no solo Interpretação da análise do solo
(kg de P2O5 ha-1)
Goiás
0–5,0 Muito baixo 90–120
5,1–10,0 Baixo 70–90
10,1–14,0 Médio 60–70
> 14,0 Alto 50–70
São Paulo
0–6 Muito baixo 80
7–15 Baixo 60
16–40 Médio 40
> 40 Alto 20
Minas Gerais
0–6,6 Muito baixo 110
6,7–12,0 Baixo 90
12,1–20,0 Médio 70
> 20 Alto 50
Fonte: Bulisani (1985), Comissão de Fertilidade de Solos de Goiás (1988), Ribeiro et al. (1999) e
Rosolem (1996).
174 Nutrição Mineral do Feijoeiro

estados de Goiás, São Paulo e Minas Gerais. Na Tabela 9, é apresentada a


classificação de análise de solo com relação ao teor de P para os estados
de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Bahia e Pernambuco, que
variou dependendo do tipo de solo, da cultivar, da disponibilidade de
água e das condições socioeconômicas dos produtores.
Em trabalho que determinou a relação entre o P extraído do solo e
a produtividade relativa de grãos em solo de Cerrado, Fageria et al. (1999)
constataram que 90% de produtividade foram obtidos com o nível critico
de 6,3 mg de P kg-1 do solo (Figura 13).

Tabela 9. Interpretação dos teores de fósforo (P) extraídos por extrator Mehlich 1
em alguns estados brasileiros.

Teor de P no solo (mg kg-1) e sua interpretação


Estado
Baixo Médio Alto

Rio Grande do Sul e Santa Catarina 4–9 9–14 > 14

Paraná <2 2–5 5–13

Bahia < 10 10–20 > 20

Pernambuco <3 3–7 7–10


Fonte: Moraes (1988) e Rosolem (1996).

Fontes de fósforo
Em razão do alto custo dos fertilizantes, é importante usar uma
fonte apropriada. Como o P é imóvel no solo, é necessário que a fonte
seja solúvel em água para aumentar sua eficiência agronômica, principal-
mente para as culturas anuais. Existem várias opiniões sobre a proporção
necessária de P solúvel em água em fertilizantes comerciais.
A Comunidade Econômica Europeia (EUROPEAN ECONOMIC
COMMUNITY, 1976) exige que 93% do P disponível em fertilizantes
comerciais sejam solúveis em água. Contudo, em alguns trabalhos de
pesquisa, verifica-se que não existe diferença significativa na produtivida-
de quando são utilizados fertilizantes com mais de 80% de P disponível
solúvel em água (MULLINS, 1988; MULLINS; SIKORA, 1990). Ao testarem
cinco fontes de fosfatos, representando os principais fosfatos naturais
empregados nos Estados Unidos, Bartos et al. (1992), usando sorgo como
Capítulo 5 • Fósforo 175

Figura 13. Relação entre fósforo (P) extraído pelo ex-


trator Mehlich 1 e produção relativa de grãos do feijão
em solo de Cerrado.
Fonte: adaptado de Fageria et al. (1999).

cultura-teste, concluíram que há necessidade de 57% a 68% de P solúvel


em água para se obter 90% da produtividade máxima.
A aplicação de fosfatos naturais foi testada em vários países
em desenvolvimento para reduzir o custo de produção (CHIEN;
HAMMOND, 1989). Alguns fosfatos naturais, entretanto, não são apro-
priados para aplicação direta graças à sua baixa reatividade química no
solo (HAMMOND et al., 1986; KHASAWNEH; DOLL, 1978). Os fosfatos
naturais com baixa solubilidade podem tornar-se mais efetivos depois
de modificados pelos processos térmicos ou pela acidulação parcial.
Os fosfatos parcialmente acidulados são preparados com o tratamento
do fosfato de rocha com menos ácido do que seria necessário para con-
verter todo o conteúdo de P da rocha em superfosfatos. Está provado
que alguns fosfatos parcialmente acidulados são agronômica e economi-
camente efetivos na produção das culturas (CHIEN; HAMMOND, 1989;
FAGERIA; BARBOSA FILHO, 1992; MENON et al., 1991). Na Tabela 10,
são apresentadas várias fontes de P.
176 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 10. Principais fertilizantes fosfatados e algumas de suas propriedades.

Teor de P2O5 Solubilidade


Fertilizante
(%) em água (%)

Ácido fosfórico (H3PO4) 55 100

Fosfato diamônico [(NH4)2HPO4] 53 100

Superfosfato simples [Ca(H2PO4)2.H2O, CaSO4.H2O] 20 85

Superfosfato triplo [Ca(H2PO4)2.H2O] 45 87

Fosfato bicálcico [CaHPO4, CaHPO4.2H2O] 40 4

Metafosfato de cálcio [Ca(PO4)2] 48 4

Fosfato monoamônico [NH4H2PO4] 18 100

Termofosfato [[Link].P2O5 + 3 (CaO.SiO2)] 17–18 Insolúvel

Fosfatos naturais (Apatitas) 24–40 Insolúvel


Fonte: adaptado de Fageria (2009).

Métodos de aplicação
O método de aplicação de P é muito importante para aumentar
sua eficiência nutricional, principalmente em solos com baixo teor desse
nutriente e que possuam alta capacidade de fixação. O fosfato aplicado
no solo move-se muito pouco através do processo de difusão. Barber
(1995) relatou que os valores para a taxa de difusão de P no solo estão na
faixa de 10 -8 cm2 s-1 a 10 -10 cm2 s-1.
Os métodos mais comuns são aplicação de P a lanço e em sul-
cos. Em condições de baixo teor de P, em solos com alta capacidade
de fixação, a aplicação nos sulcos é mais efetiva (FOX; KANG, 1978;
MCCONNELL et al., 1986). Conforme relatado por Peterson et al. (1981),
na cultura de trigo, a aplicação de P em sulcos, em solos com baixo teor
desse nutriente, foi de três a quatro vezes mais efetiva do que a aplicação
a lanço. Em estudos de solos com teor de médio a alto de P, não houve
diferença entre os dois métodos de aplicação (FOX et al., 1986; FOX;
KANG, 1978; WELCH et al., 1966).
McConnell et al. (1986), ao estudarem os efeitos da aplicação de P
em profundidade na produção de trigo, concluíram que a aplicação entre
10 cm e 12 cm de profundidade resultou em máxima produtividade.
Capítulo 5 • Fósforo 177

De acordo com Smyth e Cravo (1990), a aplicação de P em sulcos,


em um Oxissolo da Amazônia brasileira, resultou em máxima produtivi-
dade de milho e de feijão-caupi em comparação com a aplicação a lanço.
Em solos ácidos, como os de Cerrado, a quantidade de P necessária
para a aplicação em sulcos é, em geral, de duas e meia a três vezes menor
do que para a aplicação a lanço.

Calagem em solos ácidos


A calagem, prática importante para aumentar a produtividade das
culturas em solos ácidos, faz aumentar o pH do solo, que é uma proprieda-
de muito importante pois controla a disponibilidade dos nutrientes. Níveis
de pH tanto baixo como alto prejudicam a disponibilidade de nutrientes
para as culturas. O pH 7,0 é considerado neutro; acima desse valor, o
pH é alcalino e, abaixo, ácido. O pH da maioria dos solos agricultáveis
situa-se na faixa de 4,0 a 9,0 (FAGERIA et al., 1990). A disponibilidade de
P varia de acordo com o pH do solo (FAGERIA et al., 1999). Para a maioria
das culturas, o pH adequado do solo situa-se em torno de 6,0 a 6,5, tanto
no Cerrado como em solos de várzea. O aumento linear do P com o
aumento do pH na faixa de 5,3 a 7,0, na média de duas profundidades do
solo, é ilustrado na Figura 14.

Umidade do solo
A estimativa de produtividade de várias culturas é correlacionada
com a água disponível no solo (CHOPART; VAUCLIN, 1990).
A água exerce um papel importante nos processos de difusão e
fluxo massal de nutrientes e, consequentemente, em sua absorção. Além
disso, é importante no processo de translocação de nutrientes dentro da
planta e, portanto, no seu metabolismo. Olsen et al. (1965) observaram
uma diminuição de oito vezes na difusão de P na água, o que corresponde
a uma diminuição de duas vezes na umidade do solo.

Efeito residual do fósforo


O P é um nutriente imóvel no solo e dificilmente é perdido por
lixiviação. Assim, o efeito residual tem um importante papel no manejo
desse nutriente. Aquino e Hanson (1984) definiram o efeito residual do P
como a quantidade desse nutriente disponível para a cultura sucessiva ou
178 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 14. Relação entre pH do solo e fósforo (P) ex-


traído pelo extrator Mehlich 1 em solo de Cerrado.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria e Santos (2008a).

a resposta dessa cultura ao nível de P anteriormente aplicado. O efeito re-


sidual depende do solo, da quantidade de P aplicada e da produtividade
da cultura.
Kamprath (1967) obteve efeito residual positivo para a cultura
de milho, durante 7 a 9 anos após aplicação de P a lanço em grande
quantidade. Alessi e Power (1980) observaram que o efeito residual de
160 kg de P ha-1, aplicados a lanço 6 anos antes, resultou em aumento
da produção de trigo de cerca de 10% ao ano. Wagner et al. (1986) re-
lataram que, 8 anos após a aplicação de 200 kg de P ha-1 a 400 kg de
P ha-1 a lanço, aproximadamente metade do fertilizante residual estava
Capítulo 5 • Fósforo 179

em forma disponível para a planta. Sander et al. (1990) relataram que


o efeito residual do P foi maior quando aplicado em sulcos do que a
lanço. Segundo Eghball et al. (1990), dependendo da dose aplicada e da
capacidade de fixação do solo, o fertilizante fosfatado aplicado em sulcos
pode permanecer disponível para as plantas por 3 a 6 anos.

Restos culturais
Observa-se, nas informações disponíveis na literatura, que a apli-
cação de restos culturais pode aumentar a disponibilidade de P e, con-
sequentemente, a produtividade, em solos que possuem alta capacidade
de fixação desse nutriente. Os Oxissolos e Ultissolos dos trópicos geral-
mente têm baixos teores de P disponível em seu estado natural (FAGERIA;
BARBOSA FILHO, 1987). A matéria orgânica faz a complexação com Fe
e, portanto, reduz a fixação de P em solos ácidos, aumentando a sua
disponibilidade (EASTERWOOD; SARTAIN, 1990). Quando foram apli-
cados restos culturais de alfafa, milho, aveia, soja e trigo em vários solos,
segundo Sharpley e Smith (1989), ocorreu diminuição na fixação de P e
aumento em sua disponibilidade.
Os restos culturais geralmente contêm de 0,1% a 0,5% de P. Com a
decomposição, os resíduos liberam P no solo.

Aplicação de cloreto de
potássio junto com fertilizantes fosfatados
O N e o K são nutrientes comumente aplicados junto com o P na
adubação das culturas. O N é aplicado geralmente na forma de amônio
ou ureia, e o K na forma de cloreto de potássio (KCl). Ambos formam
compostos fosfatados solúveis e, portanto, não causam precipitação do P.
Entretanto, quando esses cátions e ânions são introduzidos no sistema do
solo, as reações de troca aumentam a concentração de Ca na solução do
solo (ERNANI; BARBER, 1990), o que pode precipitar o P. O aumento da
força iônica também afeta a adsorção de P. Fageria (2009) mostraram que
a adsorção de P aumenta com o incremento da concentração eletrolítica.
Ernani e Barber (1991) mostraram que a aplicação de KCl junto com os
fertilizantes fosfatados pode aumentar a disponibilidade de P em solos
com baixo pH. Contudo, em solos com pH alto, o KCl pode diminuir a
disponibilidade de P. Assim, deve-se evitar aplicá-lo junto com os fertili-
zantes fosfatados.
180 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Adição de quelatos de ferro sintéticos


Reid et al. (1985) demonstraram que quelatos sintéticos, como
EDDHA, mobilizam Fe em solos com pH alto e Fe e P em solos com
pH baixo. Para Jayachandran et al. (1989), um quelato forte de Fe pode
aumentar a disponibilidade de P pela remoção do Fe de FePO4.4H2O e,
ao mesmo tempo, liberar P, como mostrado a seguir:
H3EDDHA + FePO4 (s) ⇔ FeEDDHA- + H2PO4- + H+
O aumento da solubilidade do P é temporário, porque o H2PO4-
reage com os óxidos de ferro e reprecipita:
Fe(OH)3 (s) + H+ + H2PO4- ⇔ FePO4 (s) + H2O
O resultado líquido é que não há aumento de P solúvel quando o
equilíbrio é atingido. Desse modo, as plantas devem utilizar o P recém-
-liberado antes que ele se torne indisponível.

Preparo do solo
O preparo adequado do solo envolve a eliminação da camada com-
pactada e a incorporação de restos culturais. Com essa prática, aumenta a
aeração do solo, o que incrementa a difusão de P e, consequentemente,
sua absorção pelas plantas. O solo compactado traz vários prejuízos para
a planta, como dificuldade na emergência das plântulas e no desenvol-
vimento do sistema radicular, e aumenta a erosão. Dolan et al. (1992)
concluíram que a compactação das camadas superficial e subsuperficial
pode reduzir a absorção de P pelo milho em até 22%.

Uso de cultivares eficientes


O uso de cultivares eficientes na absorção e utilização de P é uma
estratégia importante para reduzir os custos dos fertilizantes fosfatados e
o risco de poluição do ambiente. Sabe-se que existem diferenças muito
grandes na absorção e utilização de P entre espécies e cultivares da mes-
ma espécie (FAGERIA, 2009; FAGERIA et al., 2008a).
A absorção de P aumenta com a melhoria da cinética de absorção
(FAGERIA et al., 2008), com o maior comprimento das raízes (ROMER
et al., 1988), com a maior relação entre raízes e parte aérea (FOHSE et al.,
1988), com pelos radiculares maiores (CARADUS, 1982) e com micorrizas
mais eficientes (SMITH; GIANINAZZI-PEARSON, 1988). Entre todos os
Capítulo 5 • Fósforo 181

parâmetros da planta, Barber (1995) observou que a absorção de nutrien-


tes é mais afetada pelas mudanças na taxa de crescimento das raízes.
A melhor eficiência de uso do P pode resultar da melhor translocação
(MARSCHNER, 1995) ou de uma relação favorável entre P orgânico e
inorgânico (ELLIOTT; LAUCHLI, 1985). Na Figura 15, pode-se observar
que o crescimento de duas cultivares de feijoeiro é diferente tanto em
ausência como em alta dose de P.

Foto: Sebastião Araújo.


Figura 15. Comparação do crescimento de duas cultivares de feijoeiro: cv.
Carioca sem P (A); cv. Novo Jalo sem P (B); cv. Carioca com 200 mg de P kg-1 de
solo (C); e cv. Novo Jalo com 200 mg de P kg-1 de solo (D).

Da mesma forma, verifica-se, na Tabela 11, resposta significativa de


doses de P, genótipos e interação P versus genótipos. Houve resposta dife-
rencial dos genótipos com a mudança da dose de P. Com base no índice
de eficiência de produção de grãos (IEPG), os genótipos foram classificados
como eficientes (IEPG maior do que 1,0), moderadamente eficientes (IEPG
entre 0,5 e 1,0) e não eficientes (IEPG menor do que 0,5) no uso de P.
(Tabela 12). O índice de eficiência foi calculado pela seguinte equação:

em que PG1 = produção de grãos em baixa dose de P, PG2 = produção


média de grãos de 30 genótipos em baixa dose de P, PG3 = produção de
grãos em alta dose de P e PG4 = produção média de 30 genótipos em alta
dose de P.
182 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 11. Massa da matéria seca da parte aérea (MSPA) e produção de grãos
(PG) de 30 genótipos de feijoeiro com e sem doses de P(1).

MSPA (g planta-1) PG (g planta-1)


Genótipo
Sem P Com P (200 mg kg-1) Sem P Com P (200 mg kg-1)
Aporé 1,09hi 2,39m 1,07hj 8,64dh
Pérola 1,71ag 4,25be 1,68af 9,36bf
BRSMG Talismã 1,64ah 3,19fl 1,49bi 8,83dh
BRS Requinte 1,72ag 3,03hl 1,65af 8,48dj
BRS Pontal 2,13a 3,58di 2,11a 10,78a
BRS 9435 Cometa 1,87ac 3,32dj 1,57bh 9,72ad
BRS Estilo 1,76af 3,38dj 1,71ae 9,42be
BRSMG Majestoso 1,81ae 3,42dj 1,46bi 7,98gj
CNFC 10429 1,64ah 2,45m 1,45bi 9,59ae
CNFC 10408 1,70ag 2,17m 1,97ab 9,02cg
CNFC 10467 1,92ac 4,87ac 1,62ag 8,15fj
CNFC 10470 2,07ab 4,34bd 1,89ac 10,33ab
Diamante Negro 1,77af 4,16bf 1,55bh 9,05cg
Corrente 1,45ci 1,94m 1,72ad 10,17ac
BRS Valente 1,03i 5,61a 1,17ej 9,47be
BRS Grafite 1,19fi 4,12bg 1,01ij 8,35ej
BRS Campeiro 1,63ah 2,61im 1,10gj 8,72dh
BRS 7762 Supremo 1,52bi 3,33dj 1,54bi 8,86dh
BRS Esplendor 1,61ah 4,01ch 1,59ah 8,49dj
CNFP 10104 1,65ah 4,20bf 1,22di 8,63di
Bambuí 1,53bi 2,94im 1,53bi 7,66hl
BRS Marfim 1,45ci 3,10gl 1,41ci 9,07bg
BRS Agreste 1,89ac 5,05ac 1,56bh 8,90ch
BRS Pitanga 1,15gi 4,11bg 1,14fj 7,68hl
BRS Vereda 1,24ei 4,36bd 1,07hj 7,36il
EMGOPA Ouro 1,28di 2,46m 1,41ci 7,87gj
BRS Radiante 1,41ci 3,23ej 1,48bi 7,29gj
Jalo Precoce 1,58ai 5,09ab 1,55bh 6,53m
BRS Executivo 1,84ad 4,26be 1,75ad 8,39ej
BRS Embaixador 1,11hi 3,69a 0,66j 5,33m
Continua...
Capítulo 5 • Fósforo 183

Tabela 11. Continuação.

MSPA (g planta-1) PG (g planta-1)


Genótipo
Sem P Com P (200 mg kg-1) Sem P Com P (200 mg kg-1)
Média 1,58b 3,68a 1,47b 8,61a
Teste F
Dose de P (P) ** **
Genótipo (G) ** **
P versus G ** **
Coeficiente de variação (%) de P     11,03 9,71
Coeficiente de variação (%) de G      9,97 5,84
Médias seguidas pela mesma letra, na mesma coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey, a
(1)

5% de probabilidade.
**Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria et al. (2012).

Tabela 12. Índice de eficiência de produção de grãos


de 30 genótipos de feijoeiro e sua classificação no uso
de P(1).

Índice de eficiência
Genótipo
de produção de grãos(2)

Aporé 0,73im (ME)

Pérola 1,24be (E)

BRSMG Talismã 1,04dj (E)

BRS Requinte 1,10ch (E)

BRS Pontal 1,79a (E)

BRS 9435 Cometa 1,20bf (E)

BRS Estilo 1,27be (E)

BRSMG Majestoso 0,92em (E)

CNFC 10429 1,10ch (E)

CNFC 10408 1,41bc (E)

CNFC 10467 1,03ej (E)

CNFC 10470 1,53ab (E)


Continua...
184 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 12. Continuação.

Índice de eficiência
Genótipo
de produção de grãos(2)

Diamante Negro 1,10ch (E)

Corrente 1,39bd (E)

BRS Valente 0,87fm (ME)

BRS Grafite 0,66m (ME)

BRS Campeiro 0,76hm (ME)

BRS 7762 Supremo 1,08ci (E)

BRS Esplendor 1,06ci (E)

CNFP 10104 0,83gm (ME)

Bambuí 0,92em (ME)

BRS Marfim 1,01el (E)

BRS Agreste 1,09ch (E)

BRS Pitanga 0,69m (ME)

BRS Vereda 0,62n (ME)

EMGOPA Ouro 0,87fm (ME)

BRS Radiante 0,85fm (ME)

Jalo Precoce 0,80hm (ME)

BRS Executivo 1,16cg (E)

BRS Embaixador 0,28n (IE)

Média 1,01

Teste F

Genótipo **

Coeficiente de variação (%) 10,98


(1)
Médias seguidas pela mesma letra, na mesma coluna, não diferem
entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.
(2)
E = eficiente; ME = moderadamente eficiente; e IE = ineficiente.
**Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria et al. (2012).
Capítulo 5 • Fósforo 185

A resposta do genótipo CNFC 10467 e da cultivar Aporé de feijo-


eiro à aplicação de P é ilustrada nas Figuras 16 e 17. Sob baixa dose de
P, as plantas mostram deficiência de P (redução de crescimento e ama-
relecimento de folhas mais velhas). O tratamento sem P levou à redução
significativa da área foliar em comparação ao tratamento com 200 mg de
P kg-1 solo.
Fageria et al. (2012) também estudaram os efeitos de P no compri-
mento e na massa da matéria seca do sistema radicular de 30 genótipos
de feijoeiro. Os resultados são apresentados na Tabela 13. Houve resposta
significativa da dose de P e dos genótipos e da interação entre P e genó-
tipos. O sistema radicular aumentou significativamente com a aplicação
de 200 mg de P kg-1 solo em comparação à testemunha (Figuras 18, 19 e
20). Como a maior parte do sistema radicular do feijoeiro situa-se nos pri-
meiros 20 cm de profundidade (FREDDI et al., 2005; MONTANARI et al.,
2010), a planta é muito sensível à falta de umidade e à compactação do
solo (VIEIRA et al., 2005a). Assim, a diferença significativa entre genótipos
no desenvolvimento do sistema radicular com a aplicação de P é ponto
positivo na criação de cultivares com maior sistema radicular.

Foto: Sebastião Araújo.

A B

Figura 16. Resposta do genótipo CNFC 10467 de feijoeiro à ausência (A) e à


aplicação de fósforo (P) (B).
Fonte: Fageria et al. (2012).
186 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Foto: Sebastião Araújo.

Figura 17. Resposta da cultivar Aporé de feijoeiro à ausência (A) e


à aplicação de fósforo (P) (B).
Capítulo 5 • Fósforo 187

Tabela 13. Comprimento máximo e massa da matéria seca das raízes de 30 ge-
nótipos de feijoeiro com e sem fósforo (P)(1).

Massa da matéria seca das


Comprimento maxímo (cm)
Genótipo raízes (g planta-1)

Sem P Com P (200 mg kg-1) Sem P Com P (200 mg kg-1)

Aporé 21,00cf 22,00bh 0,33ab 1,47ad


Pérola 22,33bd 25,00ag 0,44ab 1,02ad
BRSMG Talismã 20,33cf 30,67a 0,32ab 1,29ad
BRS Requinte 28,00ab 23,66ah 0,51ab 1,53ad
BRS Pontal 20,67cf 19,00eh 0,54a 1,57ad
BRS 9435 Cometa 19,67cg 26,33ad 0,43ab 1,35ad
BRS Estilo 22,00be 21,33ch 0,43ab 1,00ad
BRSMG Majestoso 23,33ad 30,67a 0,26ab 1,33ad
CNFC 10429 29,67a 29,00ab 0,36ab 1,12ad
CNFC 10408 19,00ch 20,00dh 0,27ab 0,88bd
CNFC 10467 19,33cg 28,00ac 0,39ab 1,49ad
CNFC 10470 20,67cf 26,00ae 0,36ab 1,45ad
Diamante Negro 18,67dh 23,67ah 0,42ab 1,87ab
Corrente 15,67ei 17,00h 0,30ab 0,74d
BRS Valente 25,33ac 25,67af 0,47ab 1,97a
BRS Grafite 15,00fi 20,33dh 0,42ab 1,42ad
BRS Campeiro 20,33cf 20,33dh 0,38ab 1,17ad
BRS 7762 Supremo 13,33gj 18,67fh 0,43ab 1,31ad
BRS Esplendor 21,67be 24,00ah 0,52ab 1,06ad
CNFP 10104 23,67ad 21,67ch 0,49ab 1,49ad
Bambuí 22,33bd 19,33dh 0,24ab 1,16ad
BRS Marfim 13,67gj 18,33gh 0,40ab 0,86bd
BRS Agreste 13,67gj 19,33dh 0,35ab 1,81ac
BRS Pitanga 15,00fi 24,00ah 0,21b 1,05ad
BRS Vereda 23,00bd 25,67af 0,41ab 1,96a
EMGOPA Ouro 8,00j 22,00bh 0,26ab 0,79cd
BRS Radiante 10,67ij 18,67fh 0,23ab 0,60d
Jalo Precoce 13,33gj 21,00ch 0,25ab 1,03ad
BRS Executivo 12,67hj 21,00ch 0,38ab 1,20ad
Continua...
188 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 13. Continuação.

Massa da matéria seca das


Comprimento maxímo (cm)
Genótipo raízes (g planta-1)

Sem P Com P (200 mg kg-1) Sem P Com P (200 mg kg-1)


BRS Embaixador 13,67gj 25,33ag 0,30ab 1,13ad
Média 18,86b 22,65a 0,38b 1,27a
Teste F
Dose de P (P) ** **
Genótipo (G) ** **
P versus G ** **
Coeficiente de variação (%) de P 8,07 72,39
Coeficiente de variação (%) de G 12,78 26,28
Médias seguidas pela mesma letra, na mesma coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey, a
(1)

5% de probabilidade.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria et al. (2012).
Foto: Sebastião Araújo

Figura 18. Influência de ausência


(A) e presença (B) de fósforo (P) no
sistema radicular da cultivar BRS
Requinte de feijoeiro.
Fonte: Fageria et al. (2012).
Capítulo 5 • Fósforo 189

Foto: Sebastião Araújo


Figura 19. Influência de ausência
(A) e presença (B) de fósforo (P) no
sistema radicular da cultivar BRS
9435 Cometa de feijoeiro.
Fonte: Fageria et al. (2012).
Foto: Sebastião Araújo

Figura 20. Influência de ausência


(A) e presença (B) de fósforo (P) no
sistema radicular da cultivar BRS
Estilo de feijoeiro.
Fonte: Fageria et al. (2012).
190 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Uso de adubação orgânica


O esterco contém de 5 mg de P kg-1 de matéria seca a 20 mg de
P kg de matéria seca (OLSEN; BARBER, 1977). De modo geral, todo o P
-1

contido no esterco é insolúvel em água, mas sua disponibilidade persiste


por mais tempo do que a de outros fertilizantes inorgânicos (ELIAS et al.,
1980; MEEK et al., 1982). A limitação do uso de adubos orgânicos como
fonte de P deve-se à necessidade de uso de quantidades muito grandes,
sendo viável somente para pequenas propriedades.

Considerações finais
O P é um dos nutrientes que limitam a produtividade do feijão por
causa do seu baixo teor natural e da sua alta capacidade de fixação nos
solos brasileiros. A maior parte do P solúvel aplicado é fixada em solos
ácidos, como os de Cerrado e várzea, e não fica disponível durante o ciclo
da cultura. O P participa de vários processos fisiológicos e bioquímicos nas
plantas; na cultura do feijoeiro, esse nutriente influencia no aumento da
produção de matéria seca da parte aérea e no aumento do número de va-
gens e da massa de grãos, que são os principais determinantes do aumento
da produtividade. Entre os componentes da produção, o número de vagens
por unidade de área contribui mais para o aumento da produtividade do
feijoeiro do que outros componentes. O P também faz aumentar o sistema
radicular do feijoeiro, que é importante na absorção de água e nutrientes.
A eficiência de recuperação do P pela planta do feijoeiro é menor
do que 10% em solos de Cerrado e pode variar dependendo da dose
aplicada. Em compensação, a eficiência de uso do P (calculada a partir da
produção de grãos por unidade de P acumulado na planta) é muito maior
do que a de N e a de K. Portanto, a necessidade de P (acumulado na planta)
é muito menor do que a de N e K. A maior parte (> 70%) do P acumulado
na planta é translocada para os grãos. Existe uma correlação significativa e
positiva entre a acumulação de P nos grãos e a produtividade do feijoeiro.
Assim, existe possibilidade de aumentar a produtividade da cultura com o
aumento de taxa de absorção de P, que pode ser melhorada com o uso de
práticas apropriadas, como preparo do solo, uso de calagem e adubação
nitrogenada, densidade e espaçamento, uso de cultivar de alto potencial
e eficiente no uso de P, prevenção de deficiência hídrica, uso de rotação
apropriada e controle de doenças, pragas e plantas daninhas. Além disso,
as recomendações de adubação devem ser feitas de acordo com a análise
de solo.
Capítulo 6

Potássio
192 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
Grande parte das áreas exploradas com feijoeiro no território bra-
sileiro encontra-se em regiões tropicais (em que predominam formações
de solos de elevado grau de intemperismo), as quais são submetidas
principalmente a programas de adubação potássica (BORKERT et al.,
2005; FOLONI; ROSOLEM, 2008). De acordo com Fageria (2009), a
deficiência de potássio (K) ocorre principalmente em solos com baixo
teor de K, em solos arenosos, altamente intemperizados e lixiviados e
em solos mal drenados e altamente reduzidos, em que a absorção de
K é inibida pela presença de H2S, ácidos orgânicos e excesso de ferro
(Fe). Após o nitrogênio (N), o K é o nutriente absorvido pelo feijoeiro
em maior quantidade (Tabela 1). A deficiência desse nutriente é esperada
em cultivos intensivos. Cerca de um terço dos solos brasileiros tem baixo
teor de K (MALAVOLTA, 1985). Villa et al. (2004) relataram resposta do
feijoeiro à aplicação de K em Gleissolos de várzea de Minas Gerais.

Tabela 1. Acumulação de nutrientes na cultura do feijoeiro.

Acumulação de nutrientes
Nutriente
Parte aérea Grão Total

Nitrogênio (N) (kg ha-1) 19 68 87


Fósforo (P) (kg ha ) -1
1 6 7
Potássio (K) (kg ha ) -1
25 36 61
Cálcio (Ca) (kg ha ) -1
16 6 22
Magnésio (Mg) (kg ha-1) 7 4 11
Zinco (Zn) (g ha-1) 29 74 103
Cobre (Cu) (g ha-1) 8 22 30
Ferro (Fe) (g ha-1) 268 144 412
Manganês (Mn) (g ha ) -1
73 27 100
Boro (B) (g ha )
-1
20 12 34
Fonte: adaptado de Fageria e Stone (2008).

Em vários trabalhos realizados no Brasil, verificou-se resposta da


cultura do feijoeiro à aplicação de K (BARBOSA FILHO; SILVA, 1994;
CHAGAS et al., 1995; FAGERIA; BALIGAR, 1996, 1997; FAGERIA;
Capítulo 6 • Potássio 193

RAIJ, 1991). Porém, trabalhos de adubação com K conduzidos em diver-


sas regiões de País também mostraram que a frequência de resposta é
muito baixa e, quando existente, é de pequena magnitude (ROSOLEM,
1996). A resposta das culturas à adubação potássica não é tão acentuada
quanto à adubação com fósforo (P), cálcio (Ca) e magnésio (Mg) em solos
de Cerrado e várzeas do Brasil (FAGERIA; BALIGAR, 1997, 1999). A maior
parte do K consumido no Brasil é importada; portanto, do ponto de vista
econômico, seu uso racional na produção das culturas é muito importante
para o País.

Ciclo no sistema solo-planta


O conhecimento sobre a dinâmica de disponibilidade de K para
as plantas tem sido gerado, em sua maior parte, nas regiões temperadas.
Nas regiões tropicais, os estudos têm enfatizado a quantificação de K tro-
cável e a relação existente entre essa forma e sua absorção pelas plantas
(MELO et al., 2004). Melo et al. (2004) relataram que, dentre os nutrientes
essenciais às plantas, é possível que o K seja aquele cuja dinâmica de
disponibilidade esteja mais intimamente relacionada com a composição
mineralógica do solo, razão por que é fundamental que haja estudos que
relacionem mineralogia com disponibilidade de K.
O ciclo do K no sistema solo-planta envolve vários processos,
como adsorção, dissolução, transporte, lixiviação e absorção pelas
plantas (Figura 1). A taxa de fornecimento dos nutrientes para as plantas
é determinada pelas propriedades do solo, como textura, mineralogia,
temperatura e pH, e pelo sistema radicular. O conteúdo de K na litosfera
é de aproximadamente 2,6%, com média de 0,83% nos solos (LINDSAY,
1979). De acordo com a Figura 1, o K está presente no solo sob qua-
tro formas, que estão em equilíbrio dinâmico. Uma pequena parte do
K encontra-se na solução do solo na forma trocável, e a maior parte
encontra-se nos minerais do solo. Os principais minerais primários que
possuem K são moscovita, biotita, microclina e ortoclásio, mas outras
micas e feldspatos também podem conter quantidades substanciais desse
elemento (FAGERIA et al., 1999).
A aplicação de grandes quantidades de K no solo pode transformar
a fração que está em forma trocável e solúvel em água em uma forma não
trocável. Esse processo é chamado de fixação e ocorre por meio de dois
mecanismos: fixação por argilas 2:1 e formação de compostos insolúveis
de K, em especial aluminossilicatos (SHAVIV et al., 1985). A fixação pode
194 Nutrição Mineral do Feijoeiro

afetar a recuperação do K aplicado, principalmente em solos com baixo


teor desse nutriente. Stout (1982), ao estudar a recuperação do K em vários
solos nos Estados Unidos, encontrou percentuais que variaram de 60%
(em solos com baixos teores de mica ou vermiculita) a 15% (em solos com
teores moderados dessas argilas). O K não forma complexos com a matéria
orgânica como o fazem o N e o P. Portanto, a influência do K orgânico
é muito pequena na absorção e utilização desse elemento pelas plantas.

Figura 1. Ciclo do potássio no sistema solo-planta.


Ilustração: Sebastião Araújo
Capítulo 6 • Potássio 195

A absorção de K durante o crescimento da planta é um processo


dinâmico, com períodos de diminuição desse nutriente na rizosfera e
de liberação da fração não trocável para a trocável na solução do solo
(RITCHEY, 1982). Em muitos solos tropicais, não ocorrem reduções nas
produtividades nos cultivos sucessivos, não há resposta às adubações
potássicas e, além disso, a quantidade de K absorvido pelas plantas é
superior ao teor de K trocável (SILVA et al., 1995). Havlin e Westfall (1985)
mostraram que a taxa e a quantidade de K não trocável liberado durante
o cultivo intensivo de alfafa, em casa de vegetação, estavam diretamente
relacionadas com o teor de argila de vários solos. Esses autores também
relataram que os solos argilosos têm capacidade de suprimento de K a
longo prazo, o que não ocorre nos solos arenosos. Reddy (1976), em
trabalho de campo, observou que os solos com textura média e argilosa
foram capazes de fornecer quantidade suficiente de K para produzir 12 t
de alfafa ha-1 ano-1 num período de 3 anos, enquanto os solos arenosos
forneceram somente a quantidade suficiente para 1 ano. Os solos areno-
sos, em geral, têm baixa capacidade-tampão de K em comparação com
os solos franco-argilosos (URIBE; COX, 1988).
Experimentos de curta e longa durações, em vasos e no campo,
tanto em solos oxidados como em reduzidos, demonstraram que a
quantidade do K trocável tende a diminuir até um nível mínimo, variável
com o tipo de solo, e que, concomitantemente a essa depleção, ocorre
diminuição da quantidade do K de formas não trocáveis, quando, então,
o suprimento de K às plantas passa a ser dependente da liberação de
tais formas (FRAGA et al., 2009; SILVA et al., 1995). Quando o teor de
K é diminuído na solução do solo, ocorre a liberação de K não trocável,
o que pode contribuir para o suprimento das necessidades das plantas
(CASTILHOS et al., 2002; FRAGA et al., 2009).

Funções e sintomas de deficiência


O K participa em vários processos fisiológicos e bioquímicos
das plantas. As funções importantes do K podem ser assim resumidas
(FAGERIA et al., 1999): 1) aumenta a massa da matéria seca da parte
aérea e, consequentemente, a produtividade (Figuras 2 a 5); 2) estimula a
atividade de várias enzimas; 3) reduz a respiração, diminuindo as perdas
de energia; 4) ajuda no processo de fotossíntese; 5) ajuda na translocação
de açúcares e amido; 6) produz grãos ricos em amido; 7) aumenta o teor
de proteínas nos grãos; 8) mantém o turgor e reduz a perda de água e o
196 Nutrição Mineral do Feijoeiro

murchamento das plantas; 9) reduz a ocorrência de doenças; 10) aumenta


a absorção e a translocação de ferro nas plantas; 11) aumenta o sistema
radicular do feijoeiro, tanto em solos de Cerrado como em várzea; e 12)
quando deficiente, pode inibir a fixação de N2 em razão da redução do
crescimento em leguminosas (Figuras 6 a 9).
Foto: Sebastião Araújo

Figura 2. Resposta
da cultivar Pérola de
feijoeiro à ausência (A) e
à aplicação de potássio
(B) em solo de Cerrado.

A B

Foto: Sebastião Araújo

Figura 3. Resposta do
genótipo CNFP 10104
de feijoeiro à ausência
(A) e à aplicação de
potássio (K) (B) em solo
de Cerrado.

A B
Capítulo 6 • Potássio 197

Foto: Sebastião Araújo


Figura 4. Resposta da
cultivar BRS Estilo de
feijoeiro à ausência (A) e à
aplicação de potássio (K)
(B) em solo de várzea.

A B
Foto: Sebastião Araújo

Figura 5. Resposta da cul-


tivar Pérola de feijoeiro à
ausência (A) e à aplicação
de potássio (K) (B) em solo
de várzea.

A B
198 Nutrição Mineral do Feijoeiro
Foto: Sebastião Araújo

Figura 6. Influência
do potássio (K) no
desenvolvimento do sistema
radicular da cultivar BRS
Marfim de feijoeiro em solo de
Cerrado. Ausência de K (A) e
presença de 200 mg de
A B K kg-1 (B).

Foto: Sebastião Araújo

Figura 7. Influência
do potássio (K) no
desenvolvimento do sistema
radicular da cultivar Pérola de
feijoeiro em solo de Cerrado.
Ausência de K (A) e presença
de 200 mg de K kg-1 (B).

A B
Capítulo 6 • Potássio 199

Foto: Sebastião Araújo


Figura 8. Influência
do potássio (K) no
desenvolvimento do
sistema radicular do
genótipo CNFC 10470
de feijoeiro em solo de
várzea. Ausência de
K (A) e presença de
200 mg de K kg-1 (B).

A B
Foto: Sebastião Araújo

Figura 9. Influência do
potássio (K) no desen-
volvimento do sistema
radicular da cultivar
BRS Agreste de feijoeiro
em solo de várzea.
Ausência de K (A) e
presença de 200 mg de
K kg-1 (B).
A B
200 Nutrição Mineral do Feijoeiro

O K é móvel na planta; portanto, os sintomas de sua deficiência


aparecem principalmente nas folhas mais velhas. À medida que o grau de
deficiência se intensifica, o tecido torna-se marrom e necrótico na ponta
da folha, e o sintoma progride pela margem da mesma, desenvolvendo-se
mais na metade da folha (Figura 10 e 11). As plantas deficientes em K têm
Foto: Sebastião Araújo

Completa
A B

Figura 10. Folhas de feijoeiro sem (A) e com deficiência (B)


de potássio (K). “Completa” = contém todos os nutrientes,
incluindo K; “-K” = contém todos os nutrientes, exceto K.
Fonte: Fageria et al. (1996).
Foto: Sebastião Araújo

Figura 11. Sintomas de deficiência de potássio (K) na


planta do feijoeiro.
Fonte: Fageria et al. (1996).
Capítulo 6 • Potássio 201

crescimento reduzido, sistema radicular pouco desenvolvido, suscetibili-


dade ao acamamento (pois os caules são frágeis), diminuição do tamanho
dos grãos e baixa resistência às doenças. Quando ocorre deficiência de K
em pastagens consorciadas de gramíneas com leguminosas, as gramíneas
praticamente eliminam as leguminosas por causa da sua alta capacidade
de extração desse nutriente.

Concentração e acumulação nas plantas


O teor e a acumulação de K na parte aérea e nos grãos são impor-
tantes parâmetros para identificar a deficiência ou suficiência nutricional
nas plantas. Na Tabela 2, são apresentados dados relacionados à produ-
ção de massa da matéria seca da parte aérea, ao teor e à acumulação de K
na parte aérea e nos grãos do feijoeiro de acordo com a idade da planta.
O teor de K diminuiu linearmente com o aumento da idade da planta.

Tabela 2. Teor e acumulação de potássio (K) na parte aérea e nos


grãos do feijoeiro. Os valores são médias de 2 anos de ensaios de
campo.

Teor de K Acumulação de K
Idade (em dias)
(g kg-1) (kg ha-1)

15 34,7 3,73

29 33,2 11,72

43 27,5 20,21

62 25,8 51,65

84 19,5 64,23

96 (colheita), na parte aérea 15,8 24,86

96 (colheita), nos grãos 18,7 35,54

Análise de regressão

Idade (X) vs. Teor de K na parte aérea (Y) = 38,8141 – 0,2327 X, R2 = 0,98**

Idade (X) vs. Acumulação de K na parte aérea (Y) =


0,6708 exp. (0,1222 X – 0,00085 X2), R2 = 0,95**
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria e Santos (2008a).
202 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Na colheita, a diminuição no teor de K foi de 120% em comparação


com o teor medido aos 15 dias de idade. Isso significa que, na avaliação
do estado nutricional das plantas, a idade é fator importante e deve ser
levada em consideração. Na colheita, o teor de K nos grãos foi 18%
maior do que o medido na parte aérea. Fageria et al. (2008) relataram o
valor de 15,5 g de K kg-1 na parte aérea do feijoeiro na época de colheita
e 16,8 g de K kg-1 nos grãos, valores bem próximos dos resultados da
Tabela 2.
A acumulação de K na parte aérea foi significativamente influen-
ciada pelo avanço da idade da planta. A acumulação seguiu uma forma
quadrática com a idade da planta. O aumento na acumulação de K na
parte aérea na colheita foi de 566% em comparação com a acumulação
medida aos 15 dias de idade. A acumulação de K na parte aérea seguiu o
padrão de acumulação da massa da matéria seca da parte aérea (FAGERIA,
2009). Nos grãos, a exportação de K foi de 59% do total de K acumulado
na planta. Fageria e Santos (2008a) relataram acumulação nos grãos do
feijoeiro de 66% do total de K acumulado na planta.

Eficiência de uso
A eficiência de uso dos nutrientes é um aspecto importante na
produção das culturas sob os pontos de vista econômico e ambiental.
Na Tabela 3, são apresentados os resultados da eficiência de uso do K
na parte aérea e nos grãos do feijoeiro. Houve aumento significativo no
uso de K na parte aérea com o avanço da idade da planta. Na época de
colheita, a eficiência do uso de K foi maior na parte aérea do que nos
grãos.
Na Tabela 4, são apresentados resultados da produção de grãos
e de massa da matéria seca da parte aérea influenciados por genótipos
e doses de K, que apresentaram respostas significativas. Houve intera-
ção significativa entre K e genótipos, o que significa variação na massa
da matéria seca da parte aérea com a mudança da dose de K no solo.
Porém, a resposta variou de genótipo para genótipo. Isso indica que exis-
te possibilidade de criar genótipos de feijoeiro para serem mais eficientes
no uso de K.
Capítulo 6 • Potássio 203

Tabela 3. Eficiência do uso de potássio (K) na parte aérea e nos


grãos do feijoeiro durante o ciclo da cultura. Os valores são
médias de 2 anos de ensaios de campo.

Idade (em dias) Eficiência do uso de K (kg kg-1)(1)

15 32,3

29 34,3

43 44,8

62 40,8

84 56,9

96 (colheita), na parte aérea 71,0

96 (colheita), nos grãos 53,7

Análise de regressão

Idade (X) vs. Eficiência do uso de K na parte aérea (Y) = 35,0541 –


0,1577 X + 0,0052 X 2, R 2 = 0,92*
Massa da matéria seca da parte aérea ou dos grãos/K acumulado na parte
(1)

aérea ou nos grãos.


* Significativo a 5% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).

Tabela 4. Produção de grãos e de matéria seca da parte aérea de 15 genótipos


de feijoeiro com e sem K.

Massa da matéria seca da parte aérea


Produção de grãos (g planta-1)(1)
Genótipo
(g planta-1)
Sem K Com K (200 mg kg-1)
Aporé 5,59a 2,62efg 3,23abcde

Pérola 5,46a 5,02ab 4,58a

BRSMSG Talismã 5,22abc 3,55cde 3,93abc

BRS Requinte 5,17abc 2,09g 2,08e

BRS Pontal 5,27abc 2,74efg 1,98e

BRS 9435 Cometa 4,31cd 3,28def 2,74cde


Continua...
204 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 4. Continuação.

Massa da matéria seca da parte aérea


Produção de grãos (g planta-1)(1)
Genótipo
(g planta-1)
Sem K Com K (200 mg kg-1)

BRS Estilo 4,41bcd 2,39fg 2,19e

CNFC 10408 5,20abc 3,54cde 2,51de

CNFC 10470 4,85abc 4,42abc 2,03e

Diamante Negro 4,87abc 4,30bcd 3,12bcde

Corrente 4,82abc 2,50efg 2,65cde

BRS Valente 5,36ab 5,37a 3,95abc

BRS Grafite 3,48d 2,51efg 2,50de

BRS Marfim 5,11abc 1,89g 4,20ab

BRS Agreste 5,51a 3,42cdef 3,78abcd

Média 4,98 3,31a 3,03a

Sem K 4,61b

Com K (200 mg kg )
-1
5,34a

Teste F

Dose de K (K) ** ns

Genótipo (G) ** **

K versus G ns **

Coeficiente de
10,71 17,40
variação (%) de K

Coeficiente de
9,51 12,67
variação (%) de G
(1)
Médias seguidas pelas mesmas letras, na mesma coluna, não diferem significativamente pelo teste
de Tukey, a 5% de probabilidade.
** Significativo a 1% de probabilidade.
ns
Não significativo.
Fonte: Fageria e Melo (2014).
Capítulo 6 • Potássio 205

Influência da aplicação de potássio no índice de


colheita de grãos e no índice de colheita de potássio

O índice de colheita de grãos e o índice de colheita de K são impor-


tantes características na determinação da produtividade e da eficiência do
uso de K pelas culturas. Em trabalho realizado na Embrapa Arroz e Feijão
(FAGERIA et al., 2001), foi observada a influência de doses de K no índice
de colheita de grãos e no índice de colheita de K (Tabela 5), além do fato
de que o índice de colheita de grãos varia de genótipo para genótipo.

Tabela 5. Índice de colheita de grãos e índice de colheita de K com e sem


aplicação de K(1).

Índice de colheita de grãos(2) Índice de colheita de K(3)


Genótipo
Sem K Com K (200 mg kg-1) Sem K Com K (200 mg kg-1)

Iraí 0,51a 0,52ab 0,48ab 0,50ab


Jalo Precoce 0,44ab 0,43b 0,62ab 0,42ab
Novo Jalo 0,51a 0,51ab 0,63ab 0,53ab
L 93300166 0,30b 0,51ab 0,50ab 0,51ab
L 93300176 0,51a 0,57a 0,53ab 0,37ab
Carioca 0,52a 0,50ab 0,67a 0,57a
Diamante Negro 0,41ab 0,48ab 0,31b 0,51ab
Pérola 0,47a 0,57a 0,59ab 0,46ab
Rosinha G-2 0,55a 0,57a 0,68a 0,53ab
Xamego 0,42ab 0,42b 0,55ab 0,33b
Média 0,46 0,51 0,56 0,47
Teste F
Doses de K (K) ** **
Genótipos (G) ** **
K versus G ** *
(1)
Médias seguidas pelas mesmas letras, na mesma coluna, não diferem significativamente entre si
pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.
(2)
Índice de colheita de grãos = Produtividade de grãos/Produtividade de grãos e de massa da
matéria seca da parte aérea.
(3)
Índice de colheita de K = Acumulação de K nos grãos/Acumulação de K nos grãos e na parte
aérea.
* Significativo a 5% de probabilidade.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria et al. (2001).
206 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Na média, houve aumento de 11% na produtividade de grãos com


a aplicação de 200 mg de K kg-1 de solo em comparação com a ausên-
cia de aplicação de K no solo. O índice de colheita de K também foi
influenciado significativamente pelos genótipos e pelas doses de K. Entre
os componentes da produtividade e características associadas, o número
de grãos por vagem apresentou alta correlação com a produtividade de
grãos, seguido por massa da matéria seca da parte aérea, número de
vagens por planta e índice de colheita de grãos (Tabela 6).

Tabela 6. Correlação entre produtividade de grãos e seus compo-


nentes e características associadas.

Variável Produtividade de grãos

Massa da matéria seca da parte aérea 0,78**

Número de vagens por planta 0,62**

Número de grãos por vagem 0,82**

Índice de colheita de grãos 0,39**

Massa de 100 grãos -0,03ns

Índice de colheita de K -0,21ns


** Significativo a 1% de probabilidade.
ns
Não significativo.
Fonte: Fageria et al. (2001).

Estratégias de manejo para aumentar a eficiência de uso


Assim como para o N e o P, as práticas de manejo adequadas podem
melhorar a eficiência de absorção do K pelas culturas e, consequentemen-
te, aumentar a produtividade. Na revisão de Rosolem (1997), argumentou-
-se que o manejo adequado da adubação potássica, no que diz respeito
às quantidades de adubo a serem aplicadas, pode reduzir perdas, o que
é importante dos pontos de vista econômico e ambiental. Porém, se a
aplicação de K for subestimada, pode haver esgotamento das reservas de
K no solo. Segundo Novais (1999), os teores de K disponíveis tendem a de-
clinar rapidamente com as sucessivas colheitas, principalmente em solos
de textura média a arenosa, com alta produtividade de grãos. Para manejo
adequado de K, as seguintes práticas podem ser adotadas: 1) aplicação de
doses adequadas; 2) aplicação na época apropriada; 3) uso de métodos
Capítulo 6 • Potássio 207

adequados de aplicação; 4) uso de fontes apropriadas; 5) uso de cultivares


eficientes; 6) incorporação de restos culturais; 7) manutenção de umidade
adequada no solo; e 8) uso de calagem em solos ácidos. Além dessas
práticas, o controle de insetos, doenças e plantas daninhas, discutido para
N e P, também é aplicável para o uso eficiente do K.

Doses adequadas
Por causa da introdução de cultivares de alto potencial produtivo e
do aumento do uso do sistema de cultivo múltiplo, aumentou a remoção
de K dos solos. A aplicação de fertilizantes nitrogenados e fosfatados
aumentou, havendo necessidade de maior quantidade de fertilizantes
potássicos. Assim, é importante conhecer as respostas das culturas à
aplicação de K. O nível adequado desse nutriente varia entre as espécies
e entre cultivares da mesma espécie. Outros fatores que determinam a
necessidade de K são o nível de produtividade, a população de plantas
e os fatores do ambiente, como temperatura e aeração do solo. Os me-
lhores parâmetros para determinar o nível adequado de K são a curva de
resposta da cultura à aplicação desse nutriente e a análise correspondente
do solo, a qual é chamada de curva de calibração.
Brunetto et al. (2005) relataram que o nível crítico de K, extraído
com Mehlich 1, em Argissolos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina
foi de 42 mg kg-1 do solo. Rheinheimer et al. (2001) relataram que o
nível crítico de K para a maioria dos solos do Rio Grande do Sul é de
60 mg kg-1. Porém, a Comissão de Química e Fertilidade do Solo-RS/
SC (2004) relatou os níveis críticos de 45 mg kg-1 para solos com CTC1
< 5,0 cmolc kg-1; 60 mg kg-1 para solos com CTC entre 5,1 cmolc kg-1 e
15 cmolc kg-1; e 90 mg kg-1 para solos com CTC > 15 cmolc kg-1. Schlindwein
et al. (2011) relataram os teores críticos de K com a solução de Mehlich
1 (89,5 mg kg-1), com o extrator Mehlich 3 (91,6 mg kg-1) e com o extrator
resina (83,8 mg kg-1) na camada de 0 a 20 cm de profundidade para
culturas anuais no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O nível crítico
de K na camada de 0 a 20 cm de profundidade, determinado por Mehlich
1, no Programa de Recomendações de Fertilizantes em Minas Gerais, é de
70 mg kg-1 (RIBEIRO et al., 1999). No Cerrado brasileiro, os níveis críticos
são 40 mg kg-1 (em solos com pH 7,0 e CTC menor do que 4) e 80 mg kg-1
(em solos com pH 7,0 e CTC superior ou igual a 4 cmolc kg-1) (SOUSA;
LOBATO, 2002).
1
Capacidade de troca de cátions.
208 Nutrição Mineral do Feijoeiro

O valor absoluto mínimo de K para os solos tropicais sob cultu-


ras anuais está em torno de 39 mg kg-1, podendo variar de 27 mg kg-1
a 78 mg kg-1, dependendo do solo e da espécie de planta envolvidos
(FAGERIA et al., 1999). Níveis abaixo de 50 mg kg-1 de solo geralmente
são inadequados para o crescimento normal das plantas. De acordo com
a experiência dos autores deste livro, quando o teor de K é menor do
que 50 mg kg-1, é necessário aplicar de 100 kg de K2O ha-1 a 120 kg de
K2O ha-1 no sulco na época da semeadura. Por outro lado, quando o teor
de K é maior do que 50 mg kg-1 de solo, é necessário aplicar em torno
de 60 kg de K2O ha-1 a 80 kg de K2O ha-1 para obter produtividade do
feijoeiro em torno de 3.000 kg ha-1.

Época de aplicação
Geralmente, os fertilizantes potássicos são aplicados na época da
semeadura, mas em solos tropicais, onde existe alta precipitação, há
possibilidade de lixiviação e perdas por erosão. Os Oxissolos e Ultissolos,
dois grupos de solos ácidos predominantes nas regiões tropicais, pos-
suem baixa CTC e retenção de K. Nesse caso, recomenda-se a aplicação
parcelada de K para reduzir as perdas por lixiviação. Ainda, no caso da
adubação potássica, o cloreto de potássio é a principal fonte de K utiliza-
da nas culturas produtoras de grãos no Brasil (LOPES, 2005). O cloreto de
potássio é altamente solúvel em água, e o íon K+ apresenta baixa força de
adsorção aos coloides do solo (RAIJ, 1991), o que faz com que o parcela-
mento de doses de K acima de 60 kg ha-1 seja frequentemente recomen-
dado, a fim de reduzir as perdas de K+ por lixiviação e o efeito salino dos
adubos sobre as sementes na instalação das culturas, especialmente nos
cultivos em solos arenosos (FOLONI; ROSOLEM, 2008; RAIJ et al., 1997).
Comparando distintas formas de manejo de água e de fertilizante potássi-
co no desempenho do arroz irrigado, em condições tropicais, Santos et al.
(1999a) verificaram que, com a inundação contínua, o parcelamento de K
aumenta o seu aproveitamento e deve ser empregado, especialmente em
várzeas de solos mais arenosos. Quanto a alguns atributos químicos de um
Gleissolo, o manejo de água e de fertilizante potássico afeta a distribuição
dos nutrientes no solo e, consequentemente, a sua disponibilidade para
as culturas (SANTOS et al., 2002). A maior parte de K (de 70% a 75%)
deve ser aplicada na época de semeadura e o restante com a adubação
de N em cobertura.
Capítulo 6 • Potássio 209

Métodos de aplicação
Como o K é um nutriente relativamente imóvel no solo, seu supri-
mento para as raízes ocorre principalmente por difusão (BARBER, 1995).
Isso significa que, em solos com deficiência de K, a aplicação no sulco
de plantio pode ser mais eficiente do que a aplicação a lanço. De acor-
do com Lopes (1983), a aplicação de K nos solos de Cerrado deve ser
feita de duas maneiras complementares: a lanço e com incorporação
(para aumentar a saturação de K a 3%) e no sulco (em quantidades de
manutenção). Segundo Malavolta (1985), a aplicação no sulco apresenta
pouca vantagem em relação à aplicação a lanço se o solo possuir alto
teor de K.

Fontes de potássio
Existem várias fontes de K no mercado (Tabela 7). Porém, as mais
comuns são os adubos formulados e o cloreto de potássio. O sulfato de
potássio também é eficiente no fornecimento de K, com a vantagem
adicional de também fornecer enxofre (S), embora seja mais caro do que
o cloreto.

Tabela 7. Principais fontes de K e sua solubilidade em água.

Solubilidade em água
Fertilizante K2O (%)
(%)

Cloreto de potássio (KCl) 60 100

Sulfato de potássio (K2SO4) 50 100

Sulfato de potássio e magnésio (K2SO4.MgSO4) 23 100

Nitrato de potássio (KNO3) 44 100

Metafosfato de potássio (KPO3) 40 Baixa solubilidade


Fonte: Fageria (2009).

Genótipos/cultivares eficientes
O emprego de cultivares eficientes na utilização de nutrientes é
uma estratégia importante para reduzir o custo da produção agrícola, pois
resulta em diminuição da quantidade de fertilizante aplicada. No que se
210 Nutrição Mineral do Feijoeiro

refere ao aspecto prático, a eficiência reflete a habilidade de uma cultivar


de produzir bem sob baixo teor de nutrientes no solo. No entanto, segun-
do Gerloff (1976), sob níveis adequados de nutrientes, os genótipos não
eficientes devem produzir aproximadamente o mesmo que os eficientes.
Há relatos de diferenças na absorção e utilização de K entre genótipos/
cultivares do feijoeiro (FAGERIA, 2009; FAGERIA et al., 2001, 2008, 2011).
A eficiência do uso de K variou de 12,28 mg a 103,93 mg de grãos por mg
de K acumulado na parte aérea e nos grãos dependendo do genótipo
(Tabela 8). Observa-se, nas Figuras 12 e 13, o crescimento do sistema
radicular de cultivares de feijoeiro com 0 e 200 mg de K kg-1 do solo.
Existe variação significativa entre as cultivares no desenvolvimento do sis-
tema radicular, o que pode ser responsável pelas diferenças na absorção
e utilização de K.

Tabela 8. Eficiência do uso de potássio (K) por genótipos de feijoeiro cultivados


em solo de Cerrado.

Eficiência do uso de K (mg de grãos/mg de K


Genótipo
acumulado na parte aérea e nos grãos)(1)

Iraí 22,45b

Jalo Precoce 12,39b

Novo Jalo 12,28b

L93300166 23,44b

L93300176 41,40ab

Carioca 21,10b

Diamante Negro 103,93a

Pérola 17,51b

Rosina G-2 12,19b

Xamego 12,27b
Médias seguidas pela mesma letra, na mesma coluna, não diferem significativamente entre si,
(1)

pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.


Fonte: Fageria et al. (2001).
Capítulo 6 • Potássio 211

Foto: Sebastião Araújo

A B

Figura 12. Crescimento do sistema radicular de duas culti-


vares de feijoeiro (IAC Carioca – A – e Goiano Precoce – B)
sem aplicação de potássio (K) em solo de Cerrado.
Fonte: Fageria (2009).
212 Nutrição Mineral do Feijoeiro
Foto: Sebastião Araújo

Figura 13. Crescimento de seis cultivares de feijoeiro (Aporé – A –, Pérola – B –,


IAC Carioca – C –, Carioca – D –, Ouro Negro – E – e Goiano Precoce –F) com
aplicação de 200 mg de K kg-1 de solo.
Fonte: Fageria (2009).

Incorporação de restos culturais


A incorporação de restos culturais após a colheita permite a re-
ciclagem de uma quantidade substancial de K. Como pode ser visto na
Tabela 9, de 70% a 80% do K total absorvido fica na parte aérea de
cereais, como trigo e arroz, e de 40% a 50% em leguminosas, como
feijão-comum e feijão-caupi. A incorporação de restos culturais é es-
sencial para prolongar o efeito residual de aplicações de K em sistemas
intensivos de cultivo em Oxissolos, de acordo com Silva e Ritchey (1982).
Os mesmos autores relataram que uma aplicação de 150 kg de K ha-1 foi
suficiente para produzir cinco culturas consecutivas quando a palha foi
retornada ao solo. Em outros trabalhos em Oxissolo da Amazônia brasi-
leira, Smyth et al. (1987) e Cox e Uribe (1992) também mostraram que
houve suprimento suficiente de K em sistema de rotação envolvendo sete
culturas quando os restos culturais foram incorporados ao solo.
Capítulo 6 • Potássio 213

Tabela 9. Distribuição de potássio (K) nas partes da planta de quatro culturas.

Raíz Parte aérea Grão Casca da Arista


Cultura
(%) (%) (%) vagem (%) (%)
Arroz 4 78 18 - -
Trigo 2 72 11 - 15
Feijão-comum 6 43 31 20 -
Feijão-caupi 5 49 36 10 -
Fonte: Fageria et al. (1999).

Umidade do solo
A resposta das culturas à aplicação de K é afetada pela interação
entre o modo de aplicação do fertilizante e a umidade do solo. O baixo
teor de umidade no solo diminui a absorção de K pelas raízes da planta por
causa da diminuição da taxa de difusão desse nutriente (BARBER, 1995).
Kaspar et al. (1989) relataram que o crescimento da soja e a eficiência
do uso de K diminuíram com a redução da umidade do solo na camada
adubada, embora houvesse água disponível em maiores profundidades.
Schaff e Skogley (1982) observaram aumento na taxa de difusão de K
de 2,8 vezes, em média, quando a umidade do solo aumentou de 10%
para 28%. Dunham e Nye (1976) notaram um aumento de três a quatro
vezes na difusão de K quando o potencial de água do solo aumentou
de -350 kPa para -10 kPa. A taxa de crescimento das raízes também é
afetada pela umidade do solo, o que, por sua vez, afeta a absorção de K
(MACKAY; BARBER, 1985).

Calagem em solos ácidos


A prática da calagem em solos ácidos não só diminui a toxicidade
de alumínio (Al), melhorando o crescimento das culturas, como também
aumenta a retenção de K, evitando sua perda por lixiviação. Além disso,
a calagem aumenta a CTC do solo, pois favorece a retenção do K com a
substituição do Al pelo Ca nos sítios de troca, permitindo melhor compe-
tição do K por esses sítios de troca (GOEDERT et al., 1975).

Considerações finais
O nutriente K é importante para as plantas em vários processos
fisiológicos e bioquímicos que determinam a produtividade das culturas.
214 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Na cultura do feijoeiro, o nível adequado de K no solo diminui o risco


de doenças, especialmente as associadas com bactérias e fungos. O K
é móvel na planta; portanto, sua deficiência primeiramente aparece nas
folhas mais velhas. A resposta da cultura do feijoeiro ao K não é tão
marcante como aos nutrientes N e P graças ao seu alto teor no solo e
à possibilidade de liberação da fração de K não trocável para a solu-
ção do solo. Entretanto, após o N, o K é o nutriente acumulado pelo
feijoeiro em maior quantidade, especialmente pelas cultivares modernas.
Portanto, com cultivos sucessivos ou intensivos, existe possibilidade de
ocorrer deficiência desse elemento se não forem tomadas providências
apropriadas para a sua reposição. Além de ser absorvido pela cultura, o
K pode ser perdido por lixiviação e erosão do solo. Uma parte do K pode
ser fixada no solo, dependendo da sua mineralogia e textura. Na cultura
do feijoeiro, de 40% a 45% do K acumulado na planta fica na palha.
Portanto, a incorporação de restos culturais pode ajudar na reciclagem
desse elemento.
Na colheita, para uma produção em torno de 3.000 kg de grãos
ha-1, o teor adequado de K na palha situa-se em torno de 16 g kg-1 ou
1,6% e, nos grãos, em torno de 1,7 g kg-1 ou 0,17%. Para produzir uma
tonelada de grãos, a cultura do feijoeiro acumula K na faixa de 27 kg a
32 kg na palha e nos grãos, dependendo da produtividade e da cultivar.
Aproximadamente 40% a 45% do K aplicado são recuperados pela cul-
tura, mais ou menos a mesma proporção do N. Na média, a eficiência de
utilização do K (kg de grãos produzido por kg de K acumulado) é menor
do que a do N e a do P.
A resposta da cultura do feijoeiro à aplicação de K depende do
manejo da água e do equilíbrio adequado dos outros nutrientes, prin-
cipalmente do N e do P. As recomendações de adubação potássica são
feitas com base na análise do solo. Em média, quando o teor de K no
solo é maior do que 50 mg kg-1 do solo (50 ppm), extraído com o extra-
tor Mehlich 1 (0,05N HCl + 0,025N H2SO4), a cultura do feijoeiro não
responde à aplicação de K. Nessa situação, uma aplicação de 60 kg de
K2O ha-1 a 80 kg de K2O ha-1 é recomendada. Entretanto, quando o teor
de K é menor do que 50 mg kg-1 do solo, recomenda-se aplicar de 100 kg
de K2O ha-1 a 120 kg de K2O ha-1. Geralmente, o K é aplicado na época
da semeadura. No entanto, em solo arenoso, uma parte desse nutriente
pode ser aplicada em cobertura, junto com o N, para evitar a lixiviação e
aumentar a eficiência de absorção.
Capítulo 7

Cálcio e magnésio
216 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
O cálcio (Ca) e o magnésio (Mg) participam de vários processos
fisiológicos e bioquímicos das plantas. São nutrientes importantes
no processo fotossintético e, consequentemente, no aumento da
produtividade. Na Tabela 1, são apresentadas as principais propriedades
químicas de solos de Cerrado e de várzeas, entre as quais estão os teores
de Ca e Mg. A deficiência desses nutrientes é comum em solos ácidos,
como os de Cerrado, por causa do alto grau de intemperismo desses
solos (FAGERIA, 1989) Em solo de várzea, os teores desses elementos são
adequados no início do cultivo, mas diminuem significativamente após
dois ou três cultivos (FAGERIA et al., 2003b).
Em comparação com cereais, como o arroz, o feijão necessita de
teores mais altos de Ca e Mg no solo para ter alta produtividade (FAGERIA
2001a, 2001b; FAGERIA; BALIGAR, 2001). Observa-se, na Tabela 2, que,
com o aumento dos teores de Ca e Mg no solo, aumentou a produtividade

Tabela 1. Principais propriedades químicas de solos de


Cerrado e de várzeas.

Propriedade Cerrado(1) Várzea(2)

pH (em H2) 5,2 5,3


Cálcio (Ca) (cmolc kg ) -1
0,64 4,9
Magnésio (Mg) (cmolc kg ) -1
0,58 3,1
Alumínio (Al) (cmolc kg ) -1
0,64 1,3
Fósforo (P) (mg kg )
-1
1,2 16,0
Potássio (K) (mg kg-1) 47,2 92,0
Cobre (Cu) (mg kg ) -1
1,3 2,2
Zinco (Zn) (mg kg )-1
1,0 2,4
Ferro (Fe) (mg kg )
-1
116 303
Manganês (Mn) (mg kg ) -1
12 59
Matéria orgânica (g kg-1) 15 31
Saturação por bases 17 50
(1)
Os valores são médias de 200 amostras do solo coletadas em seis estados
na região do Cerrado.
(2)
Os valores são médias de 55 amostras do solo coletadas em oito estados
em solos de várzea.
Fonte: Fageria e Stone (1999).
Capítulo 7 • Cálcio e magnésio 217

do feijoeiro. Quando o teor de Ca aumentou de 1,6 cmolc kg-1 para


3,2 cmolc kg-1 e o de Mg aumentou de 0,5 cmolc kg-1 para 1,2 cmolc kg-1,
a produtividade aumentou em 19%. Da mesma maneira, quando o teor
de Ca aumentou de 1,6 cmolc kg-1 para 3,8 cmolc kg-1, a produtividade
aumentou em 24%1. O aumento nos teores de Ca e Mg no solo não
somente fornece esses nutrientes para a planta, mas também reduz a
acidez do solo e aumenta a saturação por bases (Tabela 3). Este Capítulo
tem como objetivo reunir informações sobre a nutrição de Ca e Mg para o

Tabela 2. Influência do cálcio (Ca) e do magnésio (Mg) na


produtividade do feijoeiro em solo de Cerrado.

Teor de Ca Teor de Mg Produtividade de grãos


(cmolc kg-1) (cmolc kg-1) (kg ha-1)
1,6 0,5 2.739,3
3,2 1,2 3.259,3
3,8 1,2 3.386,0
Fonte: adaptado de Fageria (2006b).

Tabela 3. Influência do cálcio (Ca) e do magnésio (Mg) na acidez e saturação por


bases em solo de Cerrado.

Teor de Ca Teor de Mg H + Al Saturação por bases


(cmolc kg-1) (cmolc kg-1) (cmolc kg-1) (%)
0,90 1,00 10,20 22
5,60 2,80 4,50 68
7,40 2,80 2,38 83
7,80 2,30 1,70 90
8,00 2,20 1,20 90
9,20 2,10 0,80 94
R 2(1)
0,99 **
0,99**
Coeficiente de determinação.
(1)

** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).

1
Fageria e Barbosa Filho (2008), Fageria e Stone (2004) e Fageria et al. (2007) relataram o aumento
na produtividade do feijoeiro com o aumento dos teores de Ca e Mg em solos de Cerrado.
218 Nutrição Mineral do Feijoeiro

feijoeiro cultivado em solos de Cerrado e várzea, o que pode ajudar a au-


mentar a eficiência do uso desses nutrientes e melhorar a produtividade.

Ciclo no sistema solo-planta


As principais fontes de adição de Ca e Mg no solo são o calcário
dolomítico e os adubos químicos. As maiores perdas desses dois elemen-
tos no sistema solo-planta se dão por absorção pelas plantas, lixiviação
e erosão. As formas de Ca e Mg no solo podem ser classificadas como
“não trocáveis” (ou formas minerais), “trocáveis” e “na solução do solo”.
Todas essas formas estão em equilíbrio no solo. O Ca e o Mg na solução
do solo ocorrem nas formas catiônicas de Ca2+ e Mg2+, que são as formas
absorvidas pelas plantas. Suas taxas de absorção são mais lentas do
que as de cátions monovalentes, como K+ e NH4+ (FAGERIA et al., 1999).
As deficiências de Ca e Mg podem ocorrer em solos arenosos ou em
solos ácidos altamente intemperizados de regiões úmidas. Quando o
pH do solo é baixo, é necessária maior concentração de Ca2+ na solução
do solo para reduzir a toxidez de íons H+. A deficiência de Mg2+ pode
ocorrer devido à alta relação K/Mg (HABY et al., 1990).
De acordo com Barber (1995), o Ca e o Mg podem ser fornecidos às
plantas em quantidades suficientes por fluxo de massa. Muitos solos áci-
dos da América do Sul e da África Ocidental são deficientes em Ca dispo-
nível para as plantas. Esses solos geralmente necessitam de calagem para
aumentar o pH e o suprimento de Ca e Mg para a produção das culturas
(FAGERIA et al., 2008a). Ritchey et al. (1982) relataram deficiência de Ca
em solo de Cerrado do Brasil com teores menores do que 0,02 cmolc kg-1.
A adsorção de Ca e Mg é incrementada à medida que aumenta o pH,
especialmente em solos ricos em óxidos de ferro (Fe) e alumínio (Al).
A elevação do pH causa aumento de cátions divalentes hidrolisados e da
carga negativa do solo, fornecendo um número maior de sítios trocáveis
com maior afinidade por cátions divalentes. Em solos com pH menor do
que 6,0, a maior parte do Ca e do Mg absorvidos permanece na forma
trocável, mas, com o aumento do pH, mais cátions divalentes tornam-se
adsorvidos e deixam de ser trocáveis (CHAN et al., 1979).

Funções e deficiência
O Ca é um nutriente essencial para o desenvolvimento das plan-
tas, cujas funções podem ser assim resumidas (FAGERIA et al., 1999):
Capítulo 7 • Cálcio e magnésio 219

1) estimula o desenvolvimento do sistema radicular; 2) faz parte das


paredes das células e fortalece a estrutura da planta; 3) reduz a acidez do
solo e, dessa maneira, reduz a toxicidade de Al e manganês (Mn) em solos
ácidos; 4) ajuda na redução de nitratos na planta e ativa vários sistemas de
enzimas para neutralizar os ácidos orgânicos da planta; 5) regula a pres-
são osmótica das células, mantendo a turgescência; 6) mantém a estrutura
de membranas como membrana nuclear, plasmalema, mitocôndria; e
7) ajuda a mediar o transporte de íons.
O Mg também exerce papel importante no crescimento e desen-
volvimento da planta e tem as seguintes funções: 1) faz parte da molécula
de clorofila (essa é considerada uma das suas funções principais); 2) é
componente de ribossomos e cromossomos (SHUMAN, 1994); 3) é res-
ponsável pela regulação do pH nas células e pelo equilíbrio de cátions
e ânions; e 4) influencia a atividade de numerosas enzimas nas plantas.
Se os processos normais metabólicos são mantidos, é necessário um
balanço entre Ca e Mg.
O Ca é um nutriente imóvel na planta; portanto, os sintomas de defi-
ciência aparecem nas folhas mais novas (Figuras 1 e 2). As folhas terminais
morrem conforme a deficiência se acentua, causando severo atrofiamento
das plantas. À medida que a deficiência persiste, as folhas mais velhas

Foto: Sebastião Araújo

Figura 1. Planta de feijoeiro com deficiência de cálcio (Ca).


Fonte: Fageria et al. (1996).
220 Nutrição Mineral do Feijoeiro

desenvolvem uma necrose marrom-avermelhada nas nervuras. No caso


do Mg, a deficiência inicia-se nas folhas mais velhas, com coloração ama-
relada; mais tarde, a porção entre as nervuras da folha torna-se alaranjada.
A deficiência de Mg reduz o crescimento da planta significativamente
(Figura 3). Quando a deficiência se espalha por toda a folha, ela fica
Foto: Sebastião Araújo

Figura 2. Folhas de feijoeiro com deficiência de cálcio (Ca).


Fonte: Fageria et al. (1996).
Foto: Sebastião Araújo

Figura 3. Planta de feijoeiro normal (A) e com deficiência (B) de magnésio (Mg).
Fonte: Fageria et al. (1996).
Capítulo 7 • Cálcio e magnésio 221

completamente seca. Os sintomas de deficiência de Ca e Mg na planta


do feijoeiro, com fotografias coloridas, podem ser vistos em Fageria et al.
(1996), Rosolem (1996), Wallace (1961) e Wilcox e Fageria (1976).

Teor e acumulação na planta


O teor de Ca na planta (concentração por unidade de matéria seca)
é um importante parâmetro na interpretação dos resultados da análise
foliar. As concentrações dos nutrientes na planta, inclusive do Ca e Mg,
são bastante estáveis sob diferentes agroecossistemas (FAGERIA, 2009;
FAGERIA et al., 2011). Além disso, o Ca sob altas concentrações é um
nutriente mineral não tóxico para a planta e é muito efetivo na desintoxi-
cação de altas concentrações de outros elementos (MARSCHNER, 1995).
Em condições normais de crescimento, os dois fatores mais importantes
que devem ser levados em consideração na interpretação dos resultados
da análise da planta são a idade e a parte da planta utilizada na análise
(FAGERIA, 2009). Na Tabela 4, são apresentados resultados de análise

Tabela 4. Teores de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) na parte aérea e nos grãos do
feijoeiro durante o ciclo da cultura. Os valores são médias de 2 anos de ensaios
de campo.

Idade da planta (em dias) Teor de Ca (g kg-1) Teor de Mg (g kg-1)


15 13,3 4,6
29 20,4 4,4
43 21,8 4,8
62 17,2 4,6
84 12,5 4,3
96 (colheita), na parte aérea 10,6 5,0
96 (colheita), nos grãos 2,9 2,3
Análise de regressão
Idade (X) vs. Teor de Ca na parte aérea (Y) = 8,7934 + 0,4741 X – 0,0048 X2, R2 =
0,8392*
Idade (X) vs. Teor de Mg na parte aérea (Y) = 4,5011 + 0,0021 X, R2 = 0,0676ns
* Significativo a 5% de probabilidade.
ns
Não significativo.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).
222 Nutrição Mineral do Feijoeiro

de Ca e Mg na planta do feijoeiro durante o ciclo da cultura. As concen-


trações de Ca aumentaram significativamente e de maneira quadrática
com o avanço da idade da planta. Com base na equação de regressão,
o teor de Ca máximo foi obtido aos 49 dias de idade da planta e depois
diminuiu. Essa mudança ocorre para quase todos os nutrientes e mostra
a importância da análise da planta durante os diferentes estádios do
crescimento. A diminuição do teor de Ca com o avanço da idade está
relacionada com o aumento da produção de matéria seca da parte aérea
(é o chamado “efeito de diluição”) (FAGERIA, 2009). Não houve efeito
significativo no teor de Mg na planta com o avanço da idade. Na colheita,
as concentrações de Ca e Mg foram menores nos grãos do que na palha.
A concentração de Ca nos grãos foi maior do que a de Mg. O teor de Ca
nas plantas monocotiledôneas é geralmente baixo em comparação com
o teor nas dicotiledôneas.

Além da concentração do elemento, é importante determinar a sua


acumulação na planta durante o ciclo da cultura. Com o conhecimento da
acumulação, é possível determinar a quantidade de nutrientes necessária
para fazer a reposição no solo. A acumulação é dada por:

Produtividade da cultura x Concentração do nutriente

Isso significa que a quantidade de nutriente acumulado depende do


nível de produtividade, levando-se em consideração a palha e os grãos.
Na Tabela 5, encontram-se os dados de acumulação de Ca e Mg na cul-
tura do feijoeiro ao longo de diferentes estádios de crescimento.
A acumulação de Ca e Mg foi significativamente influenciada pela
idade da planta, sofrendo um aumento exponencial quadrático. Com
base na equação de regressão, a máxima acumulação de Ca e Mg ocor-
reu aos 74 e 70 dias após a semeadura, respectivamente. Na colheita,
tanto a acumulação de Ca como a de Mg foi menor nos grãos do que na
parte aérea. Isso significa que, se os restos culturais forem incorporados
ao solo, podem fornecer quantidade substancial de Ca e Mg. A acu-
mulação de Ca e Mg seguiu o padrão de acumulação da matéria seca
da parte aérea (FAGERIA, 2009). A diminuição na acumulação de Ca
e Mg no final do ciclo da cultura está associada com a translocação
desses nutrientes para os grãos e com a queda de folhas nessa fase de
desenvolvimento das plantas.
Capítulo 7 • Cálcio e magnésio 223

Tabela 5. Acumulação de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) na parte aérea e nos grãos
do feijoeiro durante o ciclo da cultura.

Acumulação de Ca Acumulação de Mg
Idade (dia)
(kg ha-1) (kg ha-1)

15 1,43 0,49

29 6,82 1,46

43 16,71 3,67

62 34,47 9,32

84 50,00 12,85

96 (colheita), na parte aérea 15,80 7,15

96 (colheita), nos grãos 5,65 4,39

Análise de regressão

Idade (X) vs. Acumulação de Ca na parte aérea (Y) = 0,1696 exp. (0,1578 X –
0,00112 X2), R2 = 9.712**

Idade (X) vs. Acumulação de Mg na parte aérea (Y) = 0,0785 exp. (0,1273 X –
0,000855 X2), R2 = 0,9801**
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).

Eficiência do uso dos nutrientes para


a produtividade da parte aérea e dos grãos e índice
de colheita de cálcio e magnésio

A eficiência do uso de Ca e Mg pode ser definida como a produtivi-


dade da massa da matéria seca da parte aérea e de grãos por unidade de
Ca e Mg acumulados. As eficiências de uso de Ca e Mg são apresentadas
na Tabela 6. Na parte aérea, enquanto a eficiência de uso de Ca diminuiu
significativamente e de maneira quadrática com o avanço da idade da
planta, a eficiência do uso de Mg não sofreu efeito significativo da idade
da planta. A eficiência de uso de Mg foi maior do que a de Ca tanto na
parte aérea como nos grãos do feijoeiro. A baixa eficiência do Ca está
associada ao fato de que seu alto teor na parte aérea e nos grãos é maior
do que o de Mg. Os índices de colheita de Ca e Mg variaram de cultura
para cultura (Tabela 7). Tanto o índice de colheita de Ca como o de Mg
foram maiores em leguminosas do que em cereais.
224 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 6. Eficiência dos usos de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) na produção de


massa da matéria seca da parte aérea e nos grãos na cultura do feijoeiro.

Idade (dia) Eficiência de Ca (kg kg-1)(1) Eficiência de Mg (kg kg-1)(2)


15 107 224

29 49 230

43 47 212

62 59 219

84 72 236

96 99 203

96 (nos grãos) 345 434

Regressão Quadrática Quadrática

R 2(3)
0,82* 0,10ns
(1)
Eficiência do uso de Ca = Produtividade de massa da matéria seca da parte aérea ou dos grãos/
Acumulação de Ca na parte aérea ou nos grãos.
(2)
Eficiência do uso de Mg = Produtividade de massa da matéria seca da parte aérea ou dos grãos/
Acumulação de Mg na parte aérea ou nos grãos.
(3)
Coeficiente de determinação.
* Significativo a 5% de probabilidade
ns
Não significativo.
Fonte: adaptado de Fageria (2008a).

Tabela 7. Índices de colheita de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) nas principais


culturas.

Cultura Índice de colheita de Ca (%)(1) Índice de colheita de Mg (%)(2)

Arroz de terras altas 7 25

Arroz irrigado 16 29

Milho 19 31

Feijão 19 46

Soja 23 42
(1)
Índice de colheita de Ca = Acumulação de Ca nos grãos/Acumulação de Ca na parte aérea e nos
grãos.
(2)
Índice de colheita de Mg = Acumulação de Mg nos grãos/Acumulação de Mg na parte aérea e nos
grãos.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).
Capítulo 7 • Cálcio e magnésio 225

Interações com outros nutrientes


O conhecimento das interações com outros nutrientes essenciais é
importante na determinação da produtividade das culturas. Se houve inte-
ração positiva, a produtividade pode aumentar e vice-versa. Observa-se,
na Tabela 8, a influência de doses de Ca e Mg na absorção de nitrogênio
(N), fósforo (P) e potássio (K) na parte aérea do feijoeiro. Houve aumento
significativo na absorção desses nutrientes com o aumento dos teores
de Ca e Mg no solo. Isso significa que o Ca e o Mg possuem interação
positiva com esses nutrientes.

Tabela 8. Influência do cálcio (Ca) e do magnésio (Mg) na absorção de nitrogênio


(N), fósforo (P) e potássio (K) na parte aérea do feijoeiro.

Teor de Ca no solo Teor de Mg no solo N na planta P na planta K na planta


(cmolc kg-1) (cmolc kg-1) (kg ha-1) (kg ha-1) (kg ha-1)

1,17 0,33 35 3,0 38


1,60 1,09 43 3,3 47
209 1,53 44 3,4 49
2,52 1,78 50 3,7 55
2,91 2,35 38 3,9 56
Análise de regressão

Teor de Ca (X) vs. Absorção de N (Y) = -13,1806 + 55,8772 X – 12,9383 X2, R2 = 0,7598*

Teor de Ca (X) vs. Absorção de P (Y) = 2,4386 + 5.006 X, R2 = 0,9940**

Teor de Ca (X) vs. Absorção de K (Y) = 13,2938 + 26,3573 X – 4,0097 X2, R2 = 0,9887**

Teor de Mg (X) vs. Absorção de N (Y) = 26,5362 + 26,5287 X – 8,9631 X2, R2 = 0,7630*

Teor de Mg (X) vs. Absorção de P (Y) = 2,8187 + 0,4528 X, R2 = 0,9604**

Teor de Mg (X) vs. Absorção de K (Y) = 35,8943 + 9,2553 X, R2 = 0,9389**


* Significativo a 5% de probabilidade.
** Significativo a 1% de probabilidade
Fonte: adaptado de Fageria et al. (1991).

Estratégias de manejo para aumentar a eficiência de uso


A estratégia de manejo apropriado de Ca e Mg na produção do fei-
joeiro envolve o uso de doses adequadas, fontes e métodos apropriados,
226 Nutrição Mineral do Feijoeiro

calagem em solos ácidos e semeadura de cultivares/genótipos eficientes


na absorção e utilização de Ca e Mg.

Doses adequadas
As doses adequadas de Ca e Mg (que podem ser aplicadas na
forma de calcário dolomítico) devem ser decididas com base na curva de
calibração da cultura à aplicação de nutrientes. É possível definir a dose
adequada de calcário e, ao mesmo tempo, os teores adequados de Ca e
Mg no solo com a análise do solo. Na Tabela 9, é apresentada a resposta
do feijoeiro à aplicação de calcário dolomítico em solo de Cerrado. São
também apresentadas as relações entre os teores de Ca e Mg no solo e
a produtividade de grãos. Com base nas equações de regressão, foram
calculados os valores adequados para a obtenção da produção máxima.

Tabela 9. Relação entre doses de calcário, teor de Ca e Mg (X) e produtividade


de grãos (Y) do feijoeiro em solo de Cerrado.

Dose de Valor
calcário e adequado para
Equação de regressão R 2
teores de Ca produtividade
e Mg máxima
Dose (t ha-1) Y = 1.402,8930 + 76,3701 X – 3,8612 X2 0,6124** 9

Ca (mmolc kg-1) Y = -1.648,45 + 237,4306 X – 4,1395 X2 0,8003** 29

Mg (mmolc kg ) Y = -1.6209,33 + 2844,5050 X – 112,8286 X 0,4357*


-1 2
13
* Significativo a 5% de probabilidade.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria (2001a, 2001b).

Fontes e métodos de aplicação


Como a maioria dos solos deficientes em Ca é ácida, a calagem
deve ser usada para melhorar os teores de Ca e Mg do solo e, ao mesmo
tempo, reduzir sua acidez. Para isso, o calcário dolomítico é a melhor fon-
te de Ca e Mg; também pode ser utilizado o gesso agrícola (CaSO4.2H2O).
Além de fornecer P, os fosfatos simples, triplo e de rocha funcionam como
fonte de Ca. No caso do uso do calcário dolomítico, o melhor método é
aplicar a lanço e incorporar com grade. A aplicação deve ser bem antes
da semeadura da cultura para permitir que ocorra a reação no solo. Várias
fontes de Ca e Mg são apresentadas na Tabela 10.
Capítulo 7 • Cálcio e magnésio 227

Tabela 10. Fontes de cálcio (Ca) e magnésio (Mg) e suas características químicas.

Nome comum Teor de Ca ou Mg

Calcário dolomítico [CaMg(CO3)2] 180 a 210 g de Ca kg-1


78 a 120 g de Mg kg-1

Calcário calcítico (CaCO3) 284 a 320 g de Ca kg-1

Calcário magnesiano (MgCO3) 36 a 72 g de Mg kg-1

Óxido de cálcio (CaO) 714 g de Ca kg-1

Hidróxido de cálcio [Ca(OH)2] 461 a 540 g de Ca kg-1

Superfosfato simples [Ca (H2PO4)2.H2O, CaSO4.2H2O] 180 a 200 g de Ca kg-1

Gesso agrícola (CaSO4.2H2O) 230 g de Ca kg-1

Superfosfato triplo [Ca (H2PO4)2] 130 g de Ca kg-1

Nitrato de cálcio [Ca (NO3)2] 190 g de Ca kg-1

Óxido de magnésio (MgO) 600 g de Mg kg-1

Sulfato de magnésio (MgSO4.7H2O) 95 g de Mg kg-1

Termofosfato [[Link].3(CaO.SiO2)] 200 g de Ca kg-1


66 g de Mg kg-1

Serpentina [Mg6Si4O10(OH)8] 260 g de Mg kg-1


Fonte: adaptado de Fageria (2009).

Uso de calagem em solos ácidos


A calagem é uma prática importante para reduzir a acidez e au-
mentar os teores de Ca e Mg no solo. Verifica-se, na Tabela 11, o efeito
da calagem na mudança das propriedades químicas do solo de Cerrado
e no aumento da produtividade do feijoeiro. Os valores das propriedades
químicas foram maiores na camada superficial (de 0 a 10 cm) do que na
subsuperficial (de 10 cm a 20 cm).
Foram estabelecidos valores adequados de algumas propriedades
químicas do solo para a cultura do feijoeiro no sistema de plantio dire-
to em solo de Cerrado considerando a média das duas profundidades
(Tabela 12).
228 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 11. Propriedades químicas do solo após a colheita de três safras de feijão
em tratamentos com calcário. Os valores são médias de três cultivos no sistema
de plantio direto.

Dose de calcário (t ha-1)(1)


Propriedade do solo Teste F
0 12 24
0 a 10 cm de profundidade
pH 5,4c 6,8b 7,2a **
Saturação por bases 30,3c 73,9b 83,6a **
Hidrogênio + alumínio (cmolc kg ) -1
6,6a 2,5b 1,5c **
Saturação por acidez (%) 69,8a 26,9b 15,7c **
Cálcio (cmolc kg ) -1
1,8c 3,9b 4,5a **
Magnésio (cmolc kg ) -1
0,5b 1,3a 1,3a **
CTC (cmolc kg )
(2) -1
9,2a 7,9b 7,5c **
10 cm a 20 cm de profundidade
pH 5,1c 6,0b 6,4a **
Saturação por bases 22,1c 46,4b 56,0a **
Hidrogênio + alumínio (cmolc kg-1) 7,0a 3,8b 2,9c **
Saturação por acidez (%) 78,5a 50,9b 39,1c **
Cálcio (cmolc kg-1) 1,3c 2,7b 3,5a **
Magnésio (cmolc kg-1) 0,4c 1,0b 1,1a **
CTC (cmolc kg-1) 8,7a 8,3b 8,1b **
Produtividade de grãos (kg ha-1) 2.260b 3.060a 2.979a **
(1)
Médias seguidas pela mesma letra, na mesma linha, para cada profundidade do solo, não diferem
entre si a 5% de probabilidade pelo teste de Tukey.
(2)
Capacidade de troca catiônica.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria e Stone (2004).

Tabela 12. Relação entre propriedades químicas do solo (X) e produtividade de


grãos do feijoeiro (Y). Os valores são médias de duas profundidades do solo (de
0 a 10 cm e de 10 cm a 20 cm) e 3 anos de cultivo.

Propriedade do solo Equação de regressão R2 VPM(1)


pH em H2O Y = -17.689,98 + 6.327,22 X – 482,58 X2 0,57** 6,6
Cálcio (cmolc kg ) -1
Y = 856,37 + 1.093,47 X – 135,88 X 2
0,57** 4,0
Continua...
Capítulo 7 • Cálcio e magnésio 229

Tabela 12. Continuação.

Propriedade do solo Equação de regressão R2 VPM(1)


Magnésio (cmolc kg-1) Y = 1.747,50 + 1.034,21 X 0,60** 1,2
Hidrogênio + alumínio Y = 2.782,09 + 200,75 X – 40,97 X2 0,53** 2,4
(cmolc kg-1)
Saturação por acidez Y = 2.503,67 + 31,52 X – 0,46 X2 0,56** 33,9
(%)
CTC(2) (cmolc kg-1) Y = -29,63 + 8.179,41 X – 512,90 X2 0,32** 7,9
Saturação por bases Y = 1.049,90 + 57,40 X – 0,41 X 2
0,55** 69
(%)
Saturação por cálcio Y = 927,83 + 90,43 X – 0,96 X2 0,55** 47
(%)
Saturação por Y = 1.812,42 + 77,97 X 0,57** 15
magnésio (%)
Saturação por potássio Y = -373,60 + 1.908,54 X – 225,13 X2 0,32** 4
(%)
Relação cálcio/ Y = 7.861,13 – 2.476,73 X + 269,88 X2 0,28** 5
magnésio
Relação cálcio/potássio Y = 121,39 + 310,99 X – 8,11 X2 0,57** 19
Relação magnésio/ Y = 917,41 + 635,05 X – 47,45 X2 0,53** 7
potássio
VPM = Valores para produção máxima.
(1)

Capacidade de troca catiônica.


(2)

** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria e Stone (2004).

Uso de cultivares eficientes


Como a absorção, o transporte e a redistribuição de nutrientes são
geneticamente controlados, existe a possibilidade de melhorar e/ou sele-
cionar cultivares mais eficientes quanto ao uso de nutrientes, inclusive de
Ca e Mg (FAGERIA, 2009; FAGERIA et al., 2011; GABLEMAN; GERLOFF,
1983). A escolha de genótipos eficientes no uso de Ca e Mg na cultura do
feijoeiro é de expressiva importância, pois os solos da fronteira agrícola
onde o feijoeiro é cultivado são, em sua maioria, deficientes em Ca e Mg
(FAGERIA; BALIGAR, 2008). A diferença entre genótipos em relação à
absorção e utilização de Ca foi relatada para as culturas anuais (CLARK,
1984). O uso de cultivares eficientes pode ser uma solução complementar
para aumentar a eficiência de utilização de Ca e Mg.
230 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Considerações finais
O fornecimento adequado dos nutrientes essenciais, como Ca e
Mg, é um dos fatores mais importantes para a obtenção de altas produ-
tividades. Considerando que a aplicação de fertilizantes responde por
cerca de 40% do total dos custos da produção em agricultura com alta
tecnologia, é imperativo que os fertilizantes ou nutrientes sejam utilizados
de modo eficiente. A estratégia do manejo dos nutrientes deve ser agro-
nômica, econômica e ecologicamente adequada para que se obtenham
os resultados desejáveis. Algumas estratégias, tais como o uso de fontes
adequadas, a escolha das melhores épocas e métodos de aplicação e o
uso de cultivares eficientes, aumentam a eficiência nutricional e reduzem
os custos de produção.
A cultura do feijoeiro necessita de maiores quantidades de Ca e
Mg em comparação com outras culturas, como arroz, trigo e cevada.
Portanto, a deficiência desses nutrientes para o feijoeiro em solos ácidos,
como os de Cerrado e de várzea, é comum. O Ca e o Mg são absorvidos
pela planta na forma de Ca2+ e Mg2+, respectivamente; o nível adequado
de Ca2+ para a cultura do feijoeiro é maior do que 2 cmolc kg-1 de solo,
e o de Mg2+ é em torno de 1,0 cmolc kg-1 de solo. Entretanto, para au-
mentar ou sustentar a produtividade, deve-se levar em consideração a
necessidade desses elementos no sistema de rotação com soja, milho e
arroz. Do ponto de vista econômico, o calcário dolomítico é a melhor
fonte de Ca e Mg para solos ácidos do Cerrado e de várzea. Às vezes, um
dado solo possui alto teor de Ca, mas baixo teor de Mg. Nessa situação,
o Mg pode ser fornecido como sulfato de magnésio. Ambos os nutrientes
são transportados para a superfície das raízes por fluxo de massa, mas
a intercepção radicular também pode fornecer esses nutrientes para a
planta. Existe diferença genética na absorção e utilização de Ca e Mg por
genótipos de feijoeiro.
Capítulo 8

Enxofre
232 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
O enxofre (S), que é exigido pelas plantas tanto quanto o fósforo (P),
tem recebido pouca atenção dos produtores, uma vez que os fertilizantes
nitrogenados e fosfatados usados nas lavouras contêm razoável quanti-
dade desse elemento. A deficiência de S e a redução de sua quantidade
no solo podem ocorrer graças ao cultivo intensivo por vários anos (o que
esgota a sua reserva natural, que é pequena) e ao uso cada vez mais
frequente de misturas de fertilizantes de alta concentração (como os
preparados com ureia, superfosfato triplo e cloreto de potássio). Oliveira
et al. (1996) relataram que a deficiência de S ocorre comumente em solos
com baixo teor de matéria orgânica após muitos anos de cultivo, em solos
formados com material de origem pobre em sulfatos, em solos rochosos
e em cinzas vulcânicas. Rosolem (1996) relataram que a resposta positiva
à aplicação do enxofre pode ocorrer em solos arenosos, com baixo teor
de matéria orgânica, ou em solos cultivados durante algum tempo e nos
quais se utilizam adubos concentrados. A deficiência de S nas culturas
anuais foi relatada em várias partes do mundo, inclusive no Brasil (BLAIR,
1987; BLAIR et al., 1978; FAGERIA, 2009; FAGERIA et al., 2003b; FOTH;
ELLIS, 1988; FRENEY et al., 1982; TISDALE et al., 1986).
A maior parte de S no solo é encontrada na matéria orgânica.
Tabatabai e Bremner (1972) e Nogueira e Melo (2003) relataram que 95%
do S do solo encontram-se na forma orgânica, que constitui importante
reserva desse nutriente, especialmente nos solos com alto grau de in-
temperização. A forma preferencialmente absorvida pelas plantas é o íon
sulfato (SO42-), cujo teor no solo é influenciado por fatores de clima, solo
e planta e que, sendo relativamente móvel na solução do solo, entra em
contato com as raízes principalmente por fluxo de massa (NOGUEIRA;
MELO, 2003). O S orgânico pode se tornar disponível às plantas pela
mineralização da matéria orgânica (DAVID et al., 1982) no solo, processo
do qual faz parte a enzima arilsulfatase1, que hidrolisa ligações do tipo
éster de sulfato, o que libera íons sulfato (TABATABAI; BREMNER, 1970).
A atividade da arilsulfatase no solo decresce com a profundidade e com a
diminuição do teor de matéria orgânica (BALIGAR et al., 1988).
A mineralização do SO42- da matéria orgânica é bastante afetada
pela relação carbono/nitrogênio/enxofre (C/N/S), que se estabiliza quando
chega a 100/10/1. Assim, pode haver imobilização de S mineral se as
1
Sua origem pode ser microbiana ou vegetal (GANESHAMURTHY; NIELSEN, 1990).
Capítulo 8 • Enxofre 233

relações C/S ou N/S forem muito altas; ocorrerá liberação de S mineral


apenas se as relações forem baixas (RAIJ, 1991). Tisdale et al. (1985) rela-
taram que a mineralização de S ocorre quando a relação C/S é de apro-
ximadamente 200 ou menor. Acima desse valor, ocorre a imobilização
de SO42- em várias formas orgânicas, particularmente quando a relação
é maior do que 400. Uma relação N/S maior do que 20 também pode
causar imobilização de S no solo (VITTI; NOVAES, 1986). Os restos cul-
turais frescos geralmente têm relação C/S em torno de 50 (TISDALE et al.,
1985, 1986). Dijkshoorn e Wijk (1966) relataram que, embora a relação
entre N total e S total varie largamente, sob condições de nutrição mineral
adequada, a relação N/S é bastante constante: 17,5 para as leguminosas e
13,8 para as gramíneas.
A carência de S nas plantas se manifesta com frequência crescen-
te em todo o mundo, e o Brasil não é exceção (MALAVOLTA, 1980).
Respostas das culturas à aplicação de S têm sido frequentes em expe-
rimentos realizados no Brasil e em outras regiões tropicais (RAIJ, 1991).
Portanto, o uso adequado desse elemento no sistema solo-planta, me-
diante adubação básica equilibrada quantitativa e qualitativamente, é
importante para aumentar a sua eficiência de uso, o que pode aumentar
a produtividade, e para reduzir o custo da produção e a poluição do meio
ambiente. Este Capítulo tem como objetivo discutir a nutrição mineral do
feijoeiro em relação ao S.

Ciclo no sistema solo-planta


A sequência da transformação do S pelos processos de oxidação e
de redução em compostos orgânicos e fertilizantes é chamada de ciclo
do S (FAGERIA et al., 2003b). O S, como elemento essencial para micror-
ganismos e plantas, encontra-se no solo em contínua oscilação entre as
formas orgânicas e inorgânicas (CASTELLANO; DICK, 1990). A natureza
dos compostos e suas transformações são influenciadas por processos
biológicos que, por sua vez, sofrem influência das condições do ambiente.
A fonte primária de S são as rochas ígneas, nas quais o elemento
ocorre, em geral, em pequenas proporções, como sulfato. Na maioria dos
solos agricultáveis, entre 90% (TRACY et al., 1990) e 95% (TABATABAI,
1984) do S total encontra-se na forma orgânica, que permanece combina-
da com C e N; o mesmo ocorre nas plantas, em que o S é elemento cons-
tituinte das proteínas. Na forma mineral, o teor de S no solo geralmente
234 Nutrição Mineral do Feijoeiro

é menor do que 5% do total. Em solos aeróbicos, a oxidação do S ocorre


de acordo com a seguinte equação (TISDALE et al., 1985):
CO2 + S + ½O2 + 2H2O ⇔ CH2O + SO42- + 2H+
As bactérias responsáveis pela oxidação do S são as do gênero
Thiobacillus. Em condições anaeróbicas, como em solos inundados,
ocorrem a redução do sulfato (SO42-) a sulfeto (S2-) e a formação de H2S
(FAGERIA, 1984). A redução do sulfeto é efetuada por um pequeno
grupo de bactérias estritamente anaeróbicas pertencentes aos gêneros
Desulfovibrio e Desulfotomaculum, as quais usam SO42- no processo
respiratório (BLAIR et al., 1978). Essas bactérias usam o H+ e uma grande
variedade de produtos fermentados no processo de redução do SO42-,
toleram altas concentrações de sais e H2S e se desenvolvem melhor na
faixa de pH de 5,5 a 9,0. Baixas temperaturas e altas concentrações de
nitrato, ferro (Fe) e manganês (Mn) retardam a redução do SO42-. Por
causa do caráter estritamente anaeróbico das bactérias Desulfovibrio e
Desulfotomaculum, a redução dos íons SO42- ocorre sob potenciais de
oxirredução mais baixos do que os da redução do Fe e é favorecida pela
oxidação da matéria orgânica na ausência de O2, N-NO3-, Mn4+ e Fe3+.
Portanto, nos solos pobres em Fe3+, a redução do sulfato pode causar
a produção de quantidades elevadas de H2S e problemas às raízes das
plantas de arroz. O Fe não só retarda a redução do S e o aparecimento de
H2S, mas também o precipita na forma FeS.
A dinâmica do sulfato solúvel em água em solos inundados, que é
medida pela sua redução, depende das propriedades do solo. Em solos
neutros ou alcalinos, a concentração de SO42- pode chegar a 1.500 mg kg-1
e voltar a 0 depois de 6 semanas de submersão. Em solos ácidos, primeiro
ocorre um aumento de SO42- solúvel, depois, um pequeno decréscimo
e, em seguida, um aumento por vários meses. O aumento inicial da
concentração de SO42-, acompanhado pelo aumento de pH, é atribuído
à liberação de SO42- fortemente adsorvido, sob pH baixo, pelas argilas e
óxidos e hidróxidos de Fe e alumínio (Al) (FAGERIA, 1984).
Embora sejam produzidas grandes quantidades de H2S em solos
submersos, sua concentração solúvel em água pode ser pequena e quimi-
camente quase não detectável. Isso se deve à sua remoção como sulfetos
insolúveis, principalmente FeS, motivo pelo qual os solos submersos
raramente contêm mais do que 0,1 mg de H2S kg-1. A redução do sulfato
pode permitir a formação de solos completamente opostos com relação à
Capítulo 8 • Enxofre 235

sua reação (pH). O sulfato de sódio, presente em grande quantidade nos


solos salino-sódicos, pode ser convertido em H2S e bicarbonato de sódio
durante os períodos de inundação. Essa reação diminui a salinidade e
aumenta a alcalinidade. A redução do sulfato, em solos inundados, tem
três implicações para a cultura do arroz: 1) o suprimento de S pode tornar-
-se insuficiente; 2) o zinco (Zn) e o cobre (Cu) podem ser imobilizados; e
3) pode ocorrer toxidez de H2S em solos com baixo teor de Fe (FAGERIA,
1984).

Sintomas de deficiência e funções


Os sintomas de deficiência de S assemelham-se aos de deficiência
de N. A diferença é que a deficiência de S começa nas folhas mais novas,
enquanto a deficiência de N começa nas folhas mais velhas. Entretanto,
com o tempo, se a deficiência persistir, todas as folhas ficam amareladas
(Figura 1). A deficiência de S resulta em perda de vigor e produtividade
reduzida. As plantas afetadas são atrofiadas, com caules finos e folhas de
verde-pálidas a amarelas. Há redução na formação de ramos e no núme-
ro de flores e vagens (OLIVEIRA et al., 1996). Os sintomas de deficiência
de S, com fotografias coloridas, na cultura do feijoeiro são descritos por
Rosolem (1996).
Foto: Sebastião Araújo

Figura 1. Planta de feijoeiro com deficiência de enxofre (S).


Fonte: Fageria et al. (1996).
236 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Fageria (2009) relatou que, em culturas anuais, as funções do S


são semelhantes às do N. Segundo Fageria e Gheyi (1999), o S tem as
seguintes funções principais na planta: 1) é essencial para a formação de
proteínas; 2) favorece a produção de enzimas e vitaminas; 3) promove a
formação de nódulos nas leguminosas; 4) é necessário para a formação
da clorofila, embora não seja constituinte dela; 5) sua deficiência causa
atraso na maturação das sementes e dos frutos; 6) é necessário para a
formação da nitrogenase; 7) aumenta o teor proteico total das forrageiras;
8) melhora a qualidade dos grãos; 9) aumenta o teor de óleo das sementes
de oleaginosas; 10) aumenta a resistência à deficiência hídrica; 11) contro-
la certas doenças do solo; e 12) aumenta o teor de carboidratos nos grãos.

Teor e acumulação na planta


O teor e a acumulação de S, que variam de acordo com a idade
da planta, são importantes parâmetros para o diagnóstico nutricional e
a manutenção da fertilidade do solo. Geralmente, o teor diminui com o
avanço da idade da planta por causa do aumento na massa da matéria
seca da parte aérea; é o chamado “efeito de diluição” na nutrição de
plantas (FAGERIA, 2009). Da mesma forma, o aumento na acumulação
de nutrientes com o avanço da idade está associado com o aumento da
massa da matéria seca da parte aérea. O teor de nutrientes é expresso em
g kg-1 ou porcentagem. O teor suficiente de S na parte aérea da planta do
feijoeiro está na faixa de 0,25% a 0,70% ou de 2,5 g kg-1 a 7,0 g kg-1 da
matéria seca (OLIVEIRA et al., 1996). Fageria et al. (2011) relataram o teor
adequado do S na parte aérea do feijoeiro na fase vegetativa na faixa de
1,6 g kg-1 a 6,4 g kg-1 (0,16% a 0,64%), enquanto Malavolta et al. (1989)
constataram, nas folhas do feijoeiro, o teor de S na faixa de 5 g kg-1 a
10 g kg-1 (0,5% a 1,0%). Thung e Oliveira (1998) relataram que o nível crí-
tico adequado em plantas do feijoeiro situa-se entre 5,9 g kg-1 a 7,9 g kg-1
(0,59% a 0,79%). Os teores de S nas folhas do feijoeiro em diferentes
idades da planta são apresentados na Tabela 1. O teor de S variou de
5,6 g kg-1 a 8,1 g kg-1, com valor médio de 5,9 g kg-1.
O crescimento da planta é harmonioso em todo o seu ciclo, e a
fase de maior alongamento (tanto da parte aérea como da raiz) da planta
coincide com a de maior absorção de nutrientes (OLIVEIRA et al., 1996).
A planta do feijoeiro exige maior quantidade de nutrientes no período de
20 dias após a semeadura até 80 dias de idade, durante o qual aumenta
a massa da matéria seca da parte aérea e ocorre formação de vagens e
Capítulo 8 • Enxofre 237

grãos (FAGERIA et al., 2006a). Raij (1991) relatou que os teores de S em


folhas variam pouco em plantas bem nutridas, estando, em geral, entre
0,2% e 0,4%. Thung e Oliveira (1998) relataram que a taxa de absorção
mais alta ocorre durante o florescimento, declinando na fase reprodutiva.
Os mesmos autores relataram a acumulação em torno de 9 kg de S t -1 de
grãos produzidos. Ainda, relataram que, durante o florescimento, o feijo-
eiro absorve aproximadamente 13 kg de S ha-1 e, com essa quantidade de
nutriente absorvido, a planta pode alcançar alta produtividade.

Tabela 1. Teor de enxofre (S) em folhas de feijoeiro de


acordo com a idade da planta.

Idade (dia) Teor de S (g kg-1)


20 5,9
30 6,4
40 5,9
50 5,6
60 7,4
70 8,1
80 7,4
Média 5,9
Fonte: adaptado de Thung e Oliveira (1998).

Alvarez Venegas et al. (2007) relataram que o teor de S no feijoeiro


varia de 2,0 g kg-1 a 3,0 g kg-1 quando todas as folhas foram analisadas
na floração; de 5,0 g kg-1 a 10,0 g kg-1 quando foi analisada a primeira
folha amadurecida a partir da ponta do ramo, no início da floração; e de
1,5 g kg-1 a 2,0 g kg-1 quando as folhas do terço mediano foram analisadas
na floração.

Interações com outros nutrientes


Interações entre nutrientes essenciais são importantes graças a sua
contribuição para o aumento da produtividade. A interação entre N e S é
muito comum em culturas anuais, inclusive no feijoeiro (FAGERIA, 2009);
com o aumento da dose de N, aumenta a necessidade de S, e o mesmo
pode acontecer com relação ao P. A resposta do P depende da adubação
adequada de N e S. Se o solo não tem teor adequado de S, pode aparecer
238 Nutrição Mineral do Feijoeiro

a sua deficiência. A aplicação de S elementar abaixa o pH do solo e pode


aumentar a disponibilidade de micronutrientes como Fe, Mn, Zn.

Estratégias de manejo para aumentar a eficiência de uso


O S é móvel no solo, como o N, e o manejo apropriado de ferti-
lizantes sulfurados é igual aos dos fertilizantes nitrogenados no sistema
solo-planta. Em comparação ao N, o S é absorvido em pequena quan-
tidade pelo feijoeiro. Em torno de 90% do S é encontrado no solo na
matéria orgânica, que pode fornecer significativa quantidade desse nu-
triente para as plantas. Pesquisas mostraram que, ao contrário de culturas
em solo com alto teor de argila, que não respondem à aplicação de S,
as culturas em solos arenosos respondem significativamente à aplicação
de fertilizantes contendo S (MENGEL; REHM, 2000). As estratégias mais
comuns para o aumento da eficiência de uso de S são aplicação da dose
certa e escolha de métodos de aplicação e fontes corretos.

Dose adequada
A aplicação de dose adequada de S é o principal fator na determi-
nação do uso desse elemento pelas culturas. Embora o melhor critério
para definir a dose seja a análise do solo, dados sobre o nível crítico de
S para o feijoeiro são escassos. Porém, trabalhos realizados por vários
pesquisadores mostraram que o teor de S no solo na faixa de 10 mg kg-1
a 12 mg kg-1 é suficiente para obter a máxima produtividade econômica
(REISENAUER et al., 1973). Normalmente, o extrator de S do solo é o
fosfato monocálcico, em água ou em ácido acético.

Métodos de aplicação
A aplicação de fertilizantes contendo S no sulco de semeadura
junto com outros nutrientes é o melhor método de aplicação. A aplicação
de N em cobertura na forma de sulfato de amônio pode fornecer o S
necessário à cultura.

Fonte apropriada
Existem várias fontes de S que podem ser utilizadas. Na Tabela 2,
são listadas as principais. As aplicações recomendadas de S são, em geral,
Capítulo 8 • Enxofre 239

de 20 kg ha-1 a 40 kg ha-1, dependendo do teor de matéria orgânica no


solo e da produtividade esperada.

Tabela 2. Principais fontes de enxofre (S).

Fertilizante/corretivo S (%)

Sulfato de amônio [(NH4)2SO4] 24,0

Polissulfeto de amônio (NH4Sx) 45,0

Sulfonitrato de amônio [(NH4)2SO4.NH4NO3] 12,0

Solução de tiossulfato de amônio [(NH4)2S2O3 + H2O] 26,0

Sulfato de magnésio (MgSO4.7H2) 13,0

Gesso (sulfato de cálcio bi-hidratado) (CaSO4.2H2O) 17,0

Superfosfato simples [Ca(H2PO4)2 + CaSO4.2H2O] 12,0

Superfosfato triplo [Ca(H2PO4)2.H2O] 1,4

Sulfato de cobre (CuSO4.5H2O) 13,0

Sulfato de zinco (ZnSO4.H2O) 18,0

Enxofre elementar (S) 100,0

Sulfato de sódio (Na2SO4) 23,0

Sulfato de potássio (K2SO4) 18,0

Sulfato de manganês (MnSO4.4H2O) 14,5

Sulfato ferroso (FeSO4.7H2O) 11,5

Dióxido de enxofre (SO2) 50,0

Ácido sulfúrico (H2SO4) 32,7

Sulfato de ferro e amônio [Fe(NH4)2SO4] 16,0


Fonte: Fageria (2009).

Considerações finais
A deficiência de S ocorre em solos arenosos, com baixo teor de
matéria orgânica, sob cultivo intensivo e que não receberam adubação
adequada. A maior parte do S do solo está na forma orgânica, que é
transformada em SO4-2 (forma disponível para as plantas) pela atividade
240 Nutrição Mineral do Feijoeiro

de microrganismos. O S exerce várias funções fisiológicas e químicas nas


plantas. Pelo fato de o S não ser móvel na planta, os sintomas de sua
deficiência primeiramente aparecem nas folhas mais novas. Se a deficiên-
cia persiste por longo tempo, a planta inteira passa a apresentar clorose
amarela. A análise de solo e plantas pode ser utilizada como critério para
identificar deficiência ou suficiência do S no solo. O nível crítico de S no
solo está em torno de 10 mg kg-1. Sua deficiência pode ser corrigida com
a aplicação de gesso, sulfato de amônio, superfosfato simples e outras
fontes solúveis de S. Geralmente, uma aplicação de 20 kg de S ha-1 a 40 kg
de S ha-1 é suficiente para obter a máxima produtividade econômica.
Capítulo 9

Zinco
242 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
A produtividade agrícola pode ser limitada em algumas regiões do
Brasil pela deficiência de micronutrientes decorrente da baixa fertilidade
natural desses solos, da maior remoção nas colheitas e do uso crescente de
corretivos da acidez ou da aplicação de calcário. Além disso, o desenvol-
vimento de fertilizantes NPK mais puros, que deixam de fornecer micronu-
trientes (pois são considerados impurezas), tem contribuído para a ocorrência
de deficiências de micronutrientes no solo (BORTOLON; GIANELLO, 2009).
A deficiência de zinco (Zn) em culturas anuais é relatada em várias partes
do mundo, inclusive no Brasil (ABREU; LOPES, 1987; DE DATTA, 1981;
FAGERIA, 2009; FAGERIA; BALIGAR, 1996; FAGERIA; BARBOSA FILHO,
1994; FAGERIA et al., 2003a; FOLLETT et al., 1981; GRAHAM et al., 1992;
TISDALE et al., 1985; WELCH et al., 1991). Cerca de 30% da área cultivada
no mundo e 50% dos solos usados na produção de cereais são considera-
dos deficientes em Zn (GRAHAM et al., 1992; WELCH, 1993). A deficiência
desse elemento não só diminui a produtividade, como também a qualidade
dos grãos (CAKMAK et al., 1998), e pode estar relacionada com os seguin-
tes fatos: a) baixo teor natural de Zn no solo; b) aumento do pH dos solos
ácidos após a aplicação de calcário; c) cultivo em solos arenosos; d) falta de
aeração com a compactação do solo; e) remoção da camada superficial do
solo onde se encontra o Zn acumulado; f) movimento de terra na sistemati-
zação do terreno; g) baixo teor de matéria orgânica; e h) maior necessidade
de nutrientes das cultivares modernas, graças ao seu maior potencial de
produtividade (FAGERIA, 2009; ZHANG et al., 1998).
Mortvedt (1992) relatou que a deficiência de Zn é mais comum
em solos com pH maior do que 6,0, especialmente em solos arenosos e
com baixo teor de matéria orgânica. A forte adsorção de Zn nos solos,
particularmente naqueles com argila predominantemente oxídica ou em
condições de pH mais elevado, tem sido considerada importante causa
da sua restrita disponibilidade para as plantas (OLIVEIRA et al., 1999).
Ademais, a deficiência de Zn pode ser aumentada pela aplicação de
adubação fosfatada – graças à interação antagônica entre Zn e fósforo (P)
no solo e na planta e ao desequilíbrio na relação P/Zn – e pelo aumento
na produtividade com a aplicação de P (HALDAR; MANDAL, 1981;
MANDAL; HALDAR, 1980, 1990; OLSEN, 1972). O nível adequado da re-
lação P/Zn na planta é considerado em torno de 100 (WILKINSON et al.,
2000). Tanto a baixa como a alta relação P/Zn diminuem a produtividade
das culturas. Isso significa que o equilíbrio nutricional é muito importante
para se obter alta produtividade das culturas.
Capítulo 9 • Zinco 243

Ciclo no sistema solo-planta


O ciclo do Zn no sistema solo-planta é relacionado à sua forma e
disponibilidade para a planta e à sua solubilidade. A maior parte do Zn
do solo encontra-se na estrutura cristalina de minerais ferromagnesianos,
como a augita, a hornblenda e a biotita. Uma alta proporção do Zn se
encontra também adsorvida em formas trocáveis na argila, na matéria
orgânica (MALAVOLTA, 1980) e em carbonatos. Além dessas, existem
outras formas desse nutriente no solo: Zn solúvel em água, Zn trocável e
Zn organicamente complexado. A caracterização dessas formas é difícil
por causa da pequena quantidade de Zn envolvida. A forma oxidada de
Zn no solo, em ambiente natural, é Zn2+. O Zn forma várias espécies ou
complexos na solução do solo após o processo de hidrólise. De acordo
com Lindsay (1979), o complexo ZnSO40 (sulfato de zinco) pode ser de
grande importância no solo e contribuir de forma significativa para a
quantidade total de Zn na solução. Assim, a inclusão de sulfato entre
os fertilizantes com Zn é recomendável, pois aumenta a solubilidade do
nutriente e, ao mesmo tempo, sua mobilidade no solo. Já os complexos
ZnNO3+, Zn(NO3)20, ZnCl+, ZnCl20, ZnCl3-, ZnCl42- e ZnH2PO4+ geralmente
pouco contribuem para a quantidade total de Zn solúvel. A quelação é
outro fator importante que pode influenciar a solubilidade e a movimen-
tação dos metais, como o Zn, nos solos (BARBER, 1995).
A disponibilidade de Zn nos solos drenados ou em terras altas é
maior do que em solos inundados (YOSHIDA, 1975), onde há diminuição
substancial na concentração de Zn na solução do solo (YOSHIDA, 1981).
A deficiência de Zn é frequentemente relatada em solos com baixo teor
de matéria orgânica (FOLLETT et al., 1981). A adição de matéria orgânica
nesses solos aumenta a disponibilidade de Zn. Discussão detalhada sobre
a química do Zn no solo pode ser encontrada nos artigos escritos por
Lindsay (1972, 1979).
A disponibilidade de Zn pode ser influenciada não apenas pelos
teores de argila, matéria orgânica, óxidos de ferro (Fe) e alumínio (Al) e
carbonatos, mas também pelo pH do solo (ABREU et al., 2001; ANDRE
et al., 2003). A espécie predominante de Zn na solução do solo com pH
abaixo de 7,7 é Zn2+; a espécie ZnOH+ é mais comum em solos com pH
acima desse valor. A espécie neutra [Zn(OH)20] é a principal forma em
solos com pH maior do que 9,1 (LINDSAY, 1979).
Segundo Lindsay (1979), as espécies de Zn que contribuem signi-
ficativamente para o Zn inorgânico total na solução do solo podem ser
representadas pela seguinte equação:
244 Nutrição Mineral do Feijoeiro

(Zn inorgânico) = Zn2+ + ZnSO40 + ZnOH+ + Zn(OH)20 + ZnHPO40


Quando o pH do solo aumenta, o Zn é mais adsorvido pelos óxidos
e hidróxidos de Fe, de Al (ANDRE et al., 2003; CAVALLARO; MCBRIDGE,
1984; OKAZAKI et al., 1986; STAHL; JAMES, 1991a) e de manganês (Mn)
(ANDRE et al., 2003; STAHL; JAMES, 1991b). Sims (1986), trabalhando
com solo arenoso com baixo teor de matéria orgânica (1,6%), verificou
que, numa variação de pH de 4,8 a 7,7, a quantidade de Zn trocável di-
minuiu de 42% para 1%, enquanto a quantidade de Zn ligado aos óxidos
de Fe amorfos aumentou de 4% para 26%. Zhu e Alva (1993) observaram
quantidade da forma solúvel de Zn < 2% em solos arenosos com pH
6,0 ou maior. Segundo Zhang et al. (1997), o aumento do pH do solo
causou a precipitação dos cátions metálicos sobre óxidos de Mn e de Fe
cristalinos e amorfos, decrescendo, por sua vez, as quantidades da forma
trocável e da ligada à matéria orgânica.
Observa-se, na Figura 1, que o teor de Zn na parte aérea da planta
de feijoeiro diminuiu significativamente com o aumento do pH do solo
de Cerrado (Oxissolo) na faixa de 5,0 a 7,0. O teor de Zn, que estava em
torno de 70 mg kg-1 sob pH 5,0, caiu para 10 mg kg-1 quando o pH atingiu
7,0. O valor do coeficiente de determinação (R2) na equação da Figura 1
sinaliza que a variabilidade no teor de Zn na planta com a mudança do
pH foi de 96%.

Figura 1. Efeito do pH no teor de zinco (Zn) na parte aérea


do feijoeiro em solo de Cerrado.
Fonte: adaptado de Fageria et al. (2006a).
Capítulo 9 • Zinco 245

Da mesma forma, o teor de Zn em solo de várzea diminuiu signifi-


cativamente com o aumento do pH. Sob pH 4,9, o teor de Zn estava em
3,9 mg kg-1, mas, com o aumento do pH para 7,0, o teor de Zn diminuiu
para 3,1 mg kg-1 (Tabela 1); houve, portanto, uma diminuição de 26%.

Tabela 1. Efeito do pH no teor de zinco (Zn)


em solo de várzea.

pH em água Teor (mg kg-1)

4,9 3,9

5,9 4,2

6,4 4,0

6,7 3,6

7,0 3,1

R2(1) 0,90**
Coeficiente de determinação.
(1)

** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria e Baligar (1999).

O pH adequado para a cultura do feijoeiro em solos de Cerrado


e várzea situa-se em torno de 6,0 a 7,0 (ver Capítulo 3). Lindsay (1972)
relatou que o aumento de uma unidade de pH provoca uma diminuição
de 100 vezes na concentração de Zn na solução do solo. Porém, McBride
e Blasiak (1979) e Barber (1995) relataram que a concentração de Zn
na solução de solo diminuiu 30 vezes com a elevação do pH de uma
unidade, na faixa de pH entre 5 e 7. O Zn foi sorvido preferencialmente
em relação ao cálcio (Ca), sugerindo que ocorreu sorção química do Zn
hidrolisado (STAHL; JAMES, 1991a). Isso significa que a disponibilidade do
Zn é altamente dependente do pH (BARBER, 1995) e que o uso em ex-
cesso de calagem pode causar a deficiência desse nutriente. A diminuição
na absorção e no teor de Zn na solução com o aumento do pH do solo
pode estar relacionada com o aumento da capacidade de troca de cátions
(CTC) efetiva do solo (FAGERIA et al., 1996). Quanto maior a CTC do solo,
maior será a capacidade de absorção de zinco (HARTER, 1983; MCBRIDE,
1989; MCBRIDE; BLASIAK, 1979; SAEED; FOX, 1977; SHUMAN, 1975). De
acordo com Lindsay (1979) e Stahl e James (1991b), o efeito do pH > 6 na
246 Nutrição Mineral do Feijoeiro

redução da atividade de metais na solução do solo é atribuído ao aumento


no pH dependente da carga de óxidos de Fe, Al e Mn.
Warncke e Barber (1973) relataram que, em solo com pH entre 4,8
e 5,1, a formação de complexos do Zn com a matéria orgânica e a argila
é mínima, o que também pode aumentar sua concentração na solução.

Sintomas de deficiência
O Zn não é tão móvel na planta quanto os outros micronutrientes.
Portanto, a sua deficiência geralmente começa nas folhas mais novas
(FAGERIA, 2009; FAGERIA et al., 2003a). Fageria et al. (1996) relataram
que, graças à imobilidade do Zn no floema e a sua associação com regu-
ladores de crescimento, os sintomas de deficiência de Zn se manifestam,
em geral, nas partes novas da planta.
A deficiência de Zn reduz o crescimento da planta, que se torna
uniformemente verde-amarelada. A folha trifoliolada e a planta de feijoeiro
deficientes em Zn são mostradas na Figura 2. A deficiência severa reduz
o crescimento da parte aérea e do sistema radicular (Figuras 3 e 4). Para
facilitar a identificação dos sintomas de deficiência de Zn nas plantas de
feijoeiro, existem publicações com fotografias coloridas (FAGERIA et al.,
1996; WALLACE, 1961; WILCOX; FAGERIA, 1976).
Foto: Sebastião Araújo

Figura 2. Deficiência de zinco (Zn) na planta do feijoeiro.


Fonte: Fageria et al. (1996).
Capítulo 9 • Zinco 247

Foto: Sebastião Araújo


Figura 3. Crescimento da parte aérea do feijoeiro sob diferentes doses de
zinco (Zn) em solo de Cerrado. As doses de Zn são 0 (A), 5 mg kg-1 do solo (B),
10 mg kg-1 do solo (C) e 80 mg kg-1 de solo (D).
Fonte: Fageria (2009).

Foto: Sebastião Araújo


Figura 4. Crescimento do
sistema radicular do feijoeiro
sob diferentes doses de zinco A B C
(Zn) em solo de Cerrado.
As doses de Zn são 0 (A),
5 mg kg-1 do solo (B) e 120 mg
kg-1 do solo (C).
Fonte: Fageria (2009).
248 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Funções
Os micronutrientes na planta agem como catalisadores em vários
processos enzimáticos. Sua quantidade demandada pelas plantas é bem
menor do que a de macronutrientes (FAGERIA, 2009). Graham e Rengel
(1993) e Rengel e Graham (1995) mostraram que sementes com alto teor
de Zn plantadas em solos deficientes nesse nutriente funcionaram como
fertilizante na fase inicial de crescimento, ajudaram na melhoria do vigor
da plântula e aumentaram a resistência das plantas às doenças e a sua
capacidade produtiva. O Zn participa em várias funções bioquímicas na
planta (FAGERIA, 2009; FAGERIA et al., 1996, 2003a, 2011):
• É necessário para a produção de clorofila e para a formação de
carboidratos.
• Ajuda na ativação de sistemas enzimáticos.
• Está estreitamente associado ao metabolismo de nitrogênio (N)
nas plantas.
• É requerido na síntese do triptofano, que, por sua vez, é precur-
sor do ácido indolacético.
• Possivelmente está envolvido na formação de amido.
• Desempenha papel importante na floração e frutificação, as
quais são significativamente reduzidas sob deficiência desse
nutriente.
• Afeta a integridade das membranas biológicas, do mesmo modo
que o Ca.

Teores adequado e tóxico de zinco no solo


A partir da análise de solo, que é um dos principais parâmetros de
avaliação de sua fertilidade, foram calculados os teores de Zn adequado
e tóxico (utilizando os extratores Mehlich 1 e ácido dietilenotriaminopen-
tacético + trietanolamina – DTPA-TEA) em relação à produção relativa
da parte aérea (Figuras 5 e 6). Os valores de Zn extraídos pelo extrator
Mehlich 1 são geralmente maiores do que os extraídos pelo extrator
DTPA (Figuras 5 e 6). Porém, a absorção de Zn pelas culturas anuais está
relacionada significativamente com ambos os extratores (FAGERIA et al.,
2003a). Portanto, pode ser usado qualquer um dos dois extratores para
análise do solo para avaliação do estado do Zn na cultura do feijoeiro.
Capítulo 9 • Zinco 249

Figura 5. Relação entre o teor de zinco (Zn) no solo extraído pelo ex-
trator Mehlich 1 e a produção relativa de matéria seca da parte aérea
das culturas de arroz, feijão, milho, soja e trigo em solo de Cerrado.
* Significativo a 5% de probabilidade; ns Não significativo.
Fonte: adaptado de Fageria (2000b).
250 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 6. Relação entre o teor de zinco (Zn) no solo extraído pelo extrator ácido
dietilenotriaminopentacético + trietanolamina (DTPA-TEA) e a produção relativa
de matéria seca da parte aérea das culturas de arroz, feijão, milho, soja e trigo
em solo de Cerrado.
* Significativo a 5% de probabilidade; ns Não significativo.
Fonte: adaptado de Fageria (2000b).
Capítulo 9 • Zinco 251

Foram avaliadas respostas das culturas de arroz, feijão, milho, soja e


trigo ao teor de Zn no solo. As culturas de arroz, milho, soja e trigo mos-
traram resposta significativa e quadrática com o aumento do teor de Zn
no solo. A produção relativa do feijão diminuiu com o aumento de teor
do Zn no solo. Com base em 90% de produção relativa, o teor adequado
de Zn no solo pelo extrator Mehlich 1 foi de 5 mg kg-1 para a cultura de
arroz, 0,7 mg kg-1 para o feijão, 2 mg kg-1 para o milho, 0,8 mg kg-1 para a
soja e 0,5 mg kg-1 para o trigo. Quando o teor de Zn no solo foi extraído
pelo extrator DTPA-TEA, os níveis adequados de Zn foram de 4 mg kg-1
para arroz, 1 mg kg-1 para milho e 0,3 mg kg-1 para feijão, soja e trigo.
Em uma revisão de literatura a partir de vários solos e culturas, Martens e
Lindsay (1990) relataram que os níveis críticos de Zn variaram de extrator
para extrator e de cultura para cultura. Esses autores relataram os níveis
críticos de Zn na faixa de 0,5 mg kg-1 a 3 mg kg-1 de solo para as culturas
de arroz, feijão, milho e soja pelos extratores Mehlich 1 e DTPA-TEA.
Os níveis críticos de Zn para a cultura da soja em solo de Cerrado ficaram
entre 0,27 mg kg-1 a 0,37 mg kg-1 de solo pelo extrator DTPA-TEA. Lindsay
e Norvell (1978) encontraram 0,8 mg de Zn kg-1 de solo como nível crítico
para a cultura do milho com extrator DTPA-TEA. No Brasil, as melhores
correlações entre os teores de Zn em solos e o seu teor nas plantas têm
sido obtidas pelos métodos em que se emprega a solução DTPA-TEA
como extrator (CANTARELLA et al., 1998). Porém, a solução Mehlich 1
também apresenta correlações válidas, com valores iguais ou um pouco
inferiores (ABREU, 1995).
Os resultados obtidos em Fageria (2000b) estão nessa mesma faixa
de valores. O valor do nível crítico do arroz é um pouco mais alto. Essa
diferença pode estar relacionada com o pH do solo e a idade da planta.
O teor tóxico de Zn no solo pelo extrator Mehlich 1, baseado em 10%
de redução da produção relativa após atingir o nível máximo, foi de
61 mg kg-1 para o arroz, 25 mg kg-1 para o feijão, 94 mg kg-1 para o milho,
53 mg kg-1 para a soja e 27 mg kg-1 para o trigo. Os valores obtidos com
o extrator DTPA-TEA foram 35 mg kg-1 para o arroz, 25 mg kg-1 para o
feijão, 60 mg kg-1 para o milho, 33 mg kg-1 para a soja e 34 mg kg-1 para
o trigo. Isso significa que a tolerância das culturas à toxidez de Zn no
solo está na seguinte ordem: milho > arroz > soja > trigo > feijão. Como,
na literatura, há poucas informações para as culturas anuais em solo de
Cerrado, os dados que estão efetivamente disponíveis serão muito úteis na
interpretação dos dados de análise de solo para a produção das principais
culturas anuais.
252 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Teores adequado e tóxico de zinco na planta


O teor de Zn na planta é a medida da sua concentração por uni-
dade de matéria seca da planta (expressa em mg kg-1), que é usado no
diagnóstico de deficiência ou suficiência do nutriente na planta.
Os teores adequados de Zn na planta foram determinados com base
em 90% da produção máxima para cada cultura (Figura 7). Esses valores
foram 67 mg kg-1 para o arroz, 18 mg kg-1 para o feijão, 27 mg kg-1 para o

Figura 7. Relação
entre o teor de zinco
(Zn) na parte aérea e
a produção relativa
de matéria seca
da parte aérea das
culturas do arroz,
feijão, milho, soja
e trigo em solo de
Cerrado.
* Significativo a 5% de
probabilidade.
Fonte: adaptado de
Fageria (2000b).
Capítulo 9 • Zinco 253

milho, 20 mg kg-1 para a soja e 19 mg kg-1 para o trigo. O nível adequado


de Zn na parte aérea durante a fase inicial de crescimento das culturas
é de 47 mg kg-1 para o arroz, 35 mg kg-1 para o feijão, 20 mg kg-1 para o
milho, 21 mg kg-1 para a soja e 15 mg kg-1 para o trigo (FAGERIA et al.,
2011).
Os teores tóxicos de Zn na planta foram 673 mg kg-1 para o arroz,
133 mg kg-1 para o feijão, 427 mg kg-1 para o milho, 187 mg kg-1 para a
soja e 100 mg kg-1 para o trigo. Isso significa que o arroz é mais tolerante à
toxidez de Zn, e o feijão é mais sensível. Não existem muitas informações
na literatura nesse sentido, mas Fageria (1992) relatou níveis tóxicos de Zn
na parte aérea das culturas anuais com teores maiores do que 400 mg kg-1
de matéria seca.

Acumulação de zinco na planta


A acumulação na planta, às vezes também chamada de absorção
de nutrientes, é calculada pela multiplicação do teor pela massa da maté-
ria seca da parte aérea ou dos grãos e indica a quantidade de nutrientes
extraída pela cultura. Trata-se de uma informação importante no manejo
da fertilidade do solo. O teor e a acumulação de nutrientes na planta são
determinados por concentração do nutriente no solo, idade da planta e
nível de produtividade. A quantidade de Zn acumulado na parte aérea
das várias culturas relacionou-se com os níveis de Zn aplicado no solo
(Figura 8). A acumulação foi significativa e quadrática para todas as cultu-
ras e, na comparação entre elas, a ordem de acumulação foi a seguinte:
milho > arroz > feijão > soja > trigo. Essa diferença na acumulação está
relacionada com a produção de matéria seca da parte aérea e com as
diferentes capacidades de absorção e acumulação de cada espécie.

Eficiência de uso do zinco


Em geral, a eficiência de recuperação dos micronutrientes, inclu-
sive do Zn, é baixa no sistema solo-planta. De acordo com Mortvedt
(1994), a taxa de recuperação dos micronutrientes varia de 5% a 10%.
A eficiência do uso do Zn pode ser aumentada com o uso de dose ade-
quada, método e época de aplicação apropriadas e de fontes solúveis (ver
seção Recomendações de adubação com zinco a seguir). De acordo com
Mortvedt (1992), pelo menos 40% do Zn total nos fertilizantes devem
254 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 8. Relação entre o zinco (Zn) aplicado no solo e o Zn acumulado na parte


aérea das culturas do arroz, feijão, milho, soja e trigo em solo de Cerrado.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2000b).

ser solúveis em água. Barbosa Filho et al. (1999) recomendaram que, no


processo de granulação, sejam utilizadas fontes que tenham pelo menos
de 40% a 50% do elemento solúvel em água. Singh et al. (1983) relataram
que a necessidade de Zn varia de espécie para espécie e entre cultivares
da mesma espécie.
Capítulo 9 • Zinco 255

Interação com outros nutrientes


A absorção de Zn pelas plantas não depende somente da concen-
tração desse elemento na solução do solo, mas de outros fatores, particu-
larmente da presença de Fe2+ e Mn2+, que, quando em altas concentrações
na solução do solo, têm efeito antagônico na absorção de Zn. Giordano
et al. (1974) relataram que a ordem de interferência na absorção de Zn foi
Fe = Cu1 > Mg2 > Mn > Ca, e a ordem de interferência na translocação
de Zn foi Fe = Cu > Ca > Mn. Discussão detalhada sobre as interações
de Zn com outros nutrientes é apresentada por Loneragan e Webb (1993).
A influência do Zn no teor de P na parte aérea do feijoeiro é apresentada
na Tabela 2. Observa-se que o teor de P diminuiu significativamente com
o aumento da dose de Zn no solo.

Tabela 2. Influência de zinco (Zn) no teor de fósfo-


ro (P) na parte aérea do feijoeiro cultivado em solo
de Cerrado.

Dose de Zn (mg kg-1) Teor de P (g kg-1)


0 1,80
5 1,82
10 1,45
20 1,32
40 1,10
80 1,05
120 1,02
R2(1) 0,93**
(1)
Coeficiente de determinação.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).

Recomendações de adubação com zinco


Recomendações de adubação envolvem dose adequada e fontes
e época de aplicação apropriadas. Fageria (2000) relataram que a dose
de Zn recomendada para corrigir a deficiência na maioria das culturas
anuais é de 1 mg kg-1 a 10 mg kg-1 do solo (Figura 9) e que a melhor
fonte de Zn é o sulfato de zinco, devido a sua alta solubilidade em água.
1
Cobre.
2
Magnésio.
256 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 9. Relação entre o zinco (Zn) aplicado no solo e a produção


relativa da matéria seca da parte aérea das culturas de arroz, feijão,
milho, soja e trigo em solo de Cerrado.
* Significativo a 5% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2000b).
Capítulo 9 • Zinco 257

Na recomendação de adubação, deve ser levado em consideração o teor


de Zn no solo. Martens e Lindsay (1990), ao fazerem uma revisão do
assunto, chegaram à conclusão de que os valores críticos de Zn extraível
por DTPA-TEA, para várias culturas anuais, variaram de 0,5 mg kg-1 a
1,4 mg kg-1.
Para que seja efetiva, a correção da deficiência de Zn, que ge-
ralmente aparece na fase vegetativa da planta, pode ser feita com pelo
menos duas aplicações de sulfato de zinco via foliar na concentração
de 0,5%. Apesar da indicação da aplicação via foliar (que necessita de
uma área foliar mínima para ser efetiva), Martens e Westerman (1991)
relataram que o método mais efetivo para corrigir a deficiência de Zn é a
aplicação no solo. Como os fertilizantes com Zn têm efeito residual pro-
longado, uma só aplicação pode corrigir a deficiência por muitos anos.
Por exemplo, a aplicação de 28 kg ha-1 com sulfato de zinco foi suficiente
para corrigir a deficiência de Zn nas plantas por 4 a 7 anos (MARTENS;
WESTERMANN, 1991; TAKKAR; WALKER, 1993). As principais fontes de
Zn são apresentadas na Tabela 3.

Tabela 3. Principais fontes de zinco (Zn) como fertilizante.

Teor de Zn Solubilidade
Nome comum
(%) em água

Sulfato de zinco (mono-hidratado) (ZnSO4.H2O) 36 Solúvel

Sulfato de zinco (hepta-hidratado) (ZnSO4.7H2O) 23 Solúvel

Cloreto de zinco (ZnCl2) 48–50 Solúvel

Óxido de zinco (ZnO) 50–80 Não solúvel

Quelato de zinco (Na2Zn-EDTA) 14 Solúvel

Quelato de zinco (NaZn-HEDTA) 9 Solúvel

Fritas de zinco (Fritas) 4–9 Pouco solúvel


Fonte: adaptado de Fageria et al. (2002).

Considerações finais
A deficiência de Zn nas culturas anuais, incluindo o feijoeiro, é
relatada no Brasil e está relacionada com baixo teor natural, calagem
em solos ácidos, uso de cultivares modernas (que necessitam de maior
258 Nutrição Mineral do Feijoeiro

quantidade de nutrientes) e erosão do solo. O nível crítico de Zn na planta


está na faixa de 20 mg kg-1 a 50 mg kg-1, dependendo da idade da planta,
e o nível crítico no solo situa-se em torno de 1 mg kg-1, dependendo do
extrator e do pH. A deficiência de Zn pode ser corrigida com a aplica-
ção de 2 kg de Zn ha-1. A melhor fonte de Zn é o sulfato de zinco, que
apresenta alta solubilidade em água. O Zn pode ser aplicado no sulco de
semeadura, junto com a adubação básica. Porém, se aparecer deficiência
durante o ciclo da cultura, pode ser usado sulfato de zinco via foliar na
concentração de 0,5%. A aplicação pode ser repetida 10 a 12 dias após a
primeira, se a deficiência for muito acentuada.
Capítulo 10

Boro
260 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
O uso de micronutrientes (entre eles, o boro – B) na agricultura bra-
sileira, de 1992 a 2004, teve um aumento de 1.300%, período durante o
qual se chegou a um consumo de 700 mil toneladas por ano (PINAZZA;
BORSARI, 2004; ROSOLEM et al., 2008). O B, que, assim como o cloro
(Cl), é um micronutriente não metálico, é um elemento essencial para
o desenvolvimento normal das culturas anuais, pois participa de vários
processos bioquímicos e fisiológicos – como transporte de ácido indo-
lacético, atividade da ATPase (GOLDBACH et al., 2001), manutenção
da integridade da membrana, síntese da parede celular, metabolismo
fenólico, do RNA e de carboidratos, além de respiração e lignificação
(GUPTA, 1993; LIMA et al., 2007) – nas plantas. A descoberta do B como
nutriente essencial para as plantas ocorreu no ano de 1923, por Warington
(FAGERIA et al., 2011). A quantidade necessária de B para as culturas anu-
ais é apenas maior do que a de molibdênio (Mo) e, às vezes, é a mesma
do cobre (Cu). O B é absorvido pelo sistema radicular das plantas como
acido bórico não dissociado na solução do solo mediante um processo
passivo (e não metabólico). Portanto, sua disponibilidade é governada
pela sua concentração na solução do solo e pelas taxas de absorção de
água e de transpiração (FAGERIA, 2009; HU; BROWN, 1997).
A deficiência de B é observada em várias partes do mundo, inclusive
nos solos brasileiros (BLEVINS; LUKASZEWSKI, 1998; FAGERIA, 2000a,
2009; FAGERIA et al., 2003a; FAGERIA; STONE, 2008; GUPTA, 1979;
OLIVEIRA NETO et al., 2009; SAH; BROWN, 1997; SHORROCKS, 1997).
A resposta positiva das culturas à aplicação de B é um critério importante
na definição da deficiência desse elemento. De acordo com esse critério,
a deficiência de B é relatada em mais de 80 países e em 132 culturas
(SHORROCKS, 1997). Bataglia e Raij (1990) relataram que a deficiência
de B em diversas culturas anuais no Brasil tem provocado grandes perdas
de produtividade. Foram relatadas respostas à aplicação de B em algumas
culturas anuais em solo de Cerrado (BUZETTI et al., 1990; CARVALHO
et al., 1996; FAGERIA et al., 2007; GALRÃO, 1984) e várzeas do Brasil
(FAGERIA et al., 2003b).
O B na solução do solo ocorre como ácido não dissociado (H3BO3).
A deficiência desse elemento é mais comum em solos de textura arenosa
com baixos teores de matéria orgânica. Alta precipitação pluvial também
causa deficiência graças à lixiviação no perfil do solo como íon B(OH)3.
Capítulo 10 • Boro 261

As propriedades do solo que influenciam a disponibilidade de B são dis-


cutidas por Fageria et al. (2002a, 2003a) e Fageria (2009). A quantidade
de B suficiente para corrigir a deficiência desse elemento é de 1 kg ha-1
a 2 kg ha-1. Em média, o teor de B na água do mar situa-se em torno
de 4,6 mg L-1, o que indica que minerais solúveis foram removidos da
superfície do solo pelo processo de intemperismo (BARBER, 1995).
A necessidade de B varia de espécie para espécie e entre cultivares
da mesma espécie, sendo maior para as leguminosas do que para os
cereais (BENNETT, 1993). Em condições de campo, a recuperação do B
pelas culturas anuais, durante um ciclo de cultivo, é de cerca de 5% a
15% (SHORROCKS, 1997), e a quantidade de B acumulada pelas culturas
anuais situa-se em torno de 100 g ha-1 a 200 g ha-1. Em solos com textura
média (15% a 30% de argila) e argilosos (argila > 35%), existe grande
possibilidade de ocorrer efeito residual desse elemento, mas, em solos
arenosos (argila < 15%), é necessário aplicar B anualmente, se existir a
deficiência.

Ciclo no sistema solo-planta


O conhecimento do ciclo de nutrientes no sistema solo-planta é fun-
damental para aumentar sua disponibilidade e eficiência na produção das
culturas. O B está distribuído em vários componentes do solo, incluindo
a solução do solo, a matéria orgânica e os minerais. No solo e na solução
do solo, o B encontra-se na forma não dissociada de H3BO3 ou como
ânion B(OH)4-, ambos absorvidos pelas plantas. Portanto, a química do B
(diferentemente da dos outros micronutrientes) no solo é um dos fatores
que influencia sua absorção (FOTH; ELLIS, 1988). O B na solução do solo
está prontamente disponível para absorção pelas plantas, mas essa forma
constitui menos de 3% do total do B no solo (JIN et al., 1987; TSADILAS
et al., 1994). A manutenção do B na solução do solo é importante para a
nutrição das plantas (KEREN; BINGHAM, 1985a, 1985b) e está controlada
pelas outras frações no solo e por seu equilíbrio com a solução do solo.
Em baixa concentração (< 0,02 M) das espécies mononucleares – como
B(OH)3 e B(OH)4- –, o B(OH)3 pode interagir com a água de acordo com a
seguinte equação (POWER; WOODS, 1997):

B(OH)3 + H2O ⇔ B(OH)4- + H+


262 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Porém, em alta concentração e com o aumento do pH, são forma-


dos os íons polinucleares, como B3O3(OH)4-, B4O5(OH)42- e B5O6(OH)4-
(POWER; WOODS, 1997). Portanto, a interação entre B(OH)3 e B(OH)4-
pode formar [B3O3(OH)5]2-, como descrito a seguir (POWER; WOODS,
1997):
B(OH)3 + B(OH)4- ⇔ [B3O3(OH)5]2- + 3 H2O
Vários fatores, como pH, teor de matéria orgânica, teor de argila,
presença de óxidos de alumínio (Al) e ferro (Fe) e de carbonatos, tempe-
ratura e práticas culturais, influenciam a quantidade de B extraível e a
transformação das diferentes formas de B no solo (HOU et al., 1994; JIN
et al., 1987; MANDAL et al., 1993; TSADILAS et al., 1994; YERMIYAHU
et al., 1995; XU et al., 2001). Elrashidi e O`Connor (1982) verificaram re-
lação positiva entre o teor de matéria orgânica e a adsorção de B. Gupta
(1993) encontrou correlação positiva entre o teor de matéria orgânica e o
B extraído com água quente. A adsorção de B aumenta com o aumento
de material orgânico aplicado como composto (YERMIYAHU et al., 1995).
Porém, Marzadori et al. (1991) relataram que a matéria orgânica exerce
um papel positivo na liberação de B da superfície do solo pelo controle
de características de reversão no processo de adsorção. Foth e Ellis (1988)
concluíram que o B está associado com a matéria orgânica, e os solos
com alto teor de matéria orgânica geralmente apresentam adequada
concentração de B, em termos de fertilidade.
O pH do solo é um dos fatores mais importantes que determinam
a disponibilidade de B para as plantas. Com o aumento do pH, diminui a
disponibilidade de B para as plantas (GOLDBERG, 1997), o que está rela-
cionado com o processo de adsorção (EVANS, 1987; LEHTO; MALKONEN,
1994). Alguns autores observaram que a adsorção de B aumenta com o
aumento do pH na faixa de 3 a 9 (BARROW, 1989; GOLDBERG, 1997;
KEREN et al., 1985). Keren e Bingham (1985b) relataram duas razões para
a diminuição do B com o aumento do pH do solo: 1) abaixo do pH 7,
predomina a forma B(OH)3, e a afinidade dessa forma na adsorção aos
coloides do solo é relativamente baixa; e 2) com o aumento do pH, a
concentração de B(OH)4- aumenta em relação à de B(OH)3, e a adsorção
também aumenta. Portanto, a prática da calagem pode diminuir a dispo-
nibilidade de B nos solos ácidos por causa do processo de adsorção desse
elemento no solo. A adsorção de B é altamente relacionada com o teor
de carbonato de cálcio no solo (ELSEEWI; ELMALKY, 1979; ELRASHIDI;
Capítulo 10 • Boro 263

O`CONNOR, 1982). A relação entre a redução no teor de B na parte


aérea do feijoeiro e o aumento do pH na faixa de 5,0 a 7,0 em solo de
várzea é ilustrada na Figura 1.

Figura 1. Relação entre pH do solo e teor de boro (B) na


parte aérea do feijoeiro.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria et al. (2006a).

A textura do solo é outra propriedade importante na determinação


da disponibilidade de B para as plantas (ROSOLEM et al., 2008). Os solos
arenosos geralmente contêm menos B disponível do que os com textura
argilosa. Portanto, a deficiência de B é mais comum em solos arenosos
(FLEMING, 1980; GOLDBERG, 1997). Elrashidi e O`Connor (1982)
relataram que existe correlação significativa e positiva entre o teor de
argila no solo e o B extraído. Porém, os solos argilosos adsorvem mais
B do que os arenosos (GOLDBERG; GLAUBIG, 1986). Portanto, os solos
264 Nutrição Mineral do Feijoeiro

arenosos necessitam de menos B do que os argilosos. Ferreira et al. (2001)


relataram que, em 17 solos dos estados de Minas Gerais e Mato Grosso
do Sul, usando o extrator água quente e CaCl2 a 5 mmol L-1, a elevação
dos teores de Fe livre, de argila e de matéria orgânica e dos valores da
umidade equivalente reduziram significativamente a taxa de recuperação
do B aplicado.
O pH da maioria de solos agricultáveis está na faixa de 5 a 8, de
maneira que o B na solução do solo, nessa faixa de pH, geralmente está
na forma de H3BO3. Quando o B é aplicado no solo, uma parte é adsor-
vida na fase sólida do solo e outra parte fica na solução. Biggar e Fireman
(1960) observaram que a adsorção do B pela fase sólida do solo segue
a equação de Langmuir. A adsorção varia de acordo com os teores de
argila e de óxidos de Fe e Al. Sims e Johnson (1991) obtiveram relação
linear entre a quantidade de B adsorvido e a quantidade de óxidos de
Fe e Al. Vários trabalhos relataram a adsorção de B pelos óxidos de Fe e
Al (GOLDBERG, 1997; GOLDBERG et al., 1993, 1996; TONER; SPARKS,
1995).
Berger e Truog (1940) propuseram a água quente como extrator
de B, e, até agora, o B extraído dessa maneira tem servido como índice
de disponibilidade para as plantas (BINGHAM, 1982). Esse método é
largamente usado na determinação do teor de B no solo (SAH; BROWN,
1997) e geralmente se correlaciona bem com a absorção desse elemento
pelas plantas (SELF; GUPTA, 1993). Raij (1991) e Ferreira et al. (2001)
também relataram que o método de extração do B disponível pela água
quente ainda é o mais recomendável e é considerado o padrão. Cox e
Kamprath (1972) relataram a superioridade da extração do B do solo com
água quente em relação aos métodos ácidos, salinos ou com soluções
complexantes. Porém, Oliveira Neto et al. (2009) relataram que os teores
de B no solo, extraídos pelos extratores água quente, Mehlich 1 e Mehlich
3, aumentaram linearmente com as doses de B em todas as profundida-
des avaliadas (até 5 cm, de 5 cm a 10 cm, de 10 cm a 20 cm, de 20 cm a
30 cm e de 30 cm a 40 cm), o que indica que ele apresenta mobilidade
no perfil. Os extratores revelaram diferentes capacidades de extração do
B, mas foram eficientes na avaliação da biodisponibilidade do nutriente
para o girassol. Portanto, os métodos Mehlich 1 e Mehlich 3 podem ser
utilizados na análise de B, assim como a água quente (OLIVEIRA NETO
et al., 2009). Considerando que, no Brasil, a maioria dos laboratórios de
análise de solo está usando o extrator Mehlich 1 para análise de fósforo
Capítulo 10 • Boro 265

(P), potássio (K), zinco (Zn), Cu, Fe e manganês (Mn), esse extrator pode
ser mais econômico. Rosolem et al. (2008) avaliaram três extratores para
as análises de B do solo de Cerrado: CaCl2, BaCl2 e água quente tradi-
cional. O extrator que apresentou maior consistência, com equações de
regressão significativas entre teores no solo e nas folhas de soja, foi o
CaCl2.

Sintomas de deficiência
A deficiência de B afeta o crescimento dos órgãos novos das
plantas; portanto, aparece primeiro nas extremidades das plantas. De
acordo com Fageria (2009), a deficiência de B reduz o crescimento do
feijoeiro (Figura 2). As folhas ficam deformadas e com coloração verde-
-escura (Figura 3). Os internós superiores ficam curtos, e as folhas jovens

Foto: Sebastião Araújo

Figura 2. Crescimento do feijoeiro cultivado com (A) e sem boro (B) em solo de
Cerrado.
Fonte: Fageria (2009).
266 Nutrição Mineral do Feijoeiro
Foto: Sebastião Araújo

Figura 3. Folha do
feijoeiro com deficiência
de boro (B).
Fonte: Fageria et al. (1996).

são encopadas. O tecido internerval é enrugado (OLIVEIRA et al., 1996).


Em casos severos, os pontos em crescimento podem morrer. Os sintomas
da deficiência de B nas plantas de feijoeiro são também apresentados
com fotografias coloridas por Fageria et al. (1996), Oliveira et al. (1996),
Wallace (1961) e Wilcox e Fageria (1976). As faixas tóxica e de suficiência
de B no solo são muito baixas. Portanto, deve-se tomar cuidado com a
aplicação de B nas culturas para que não cause toxidez. Os sintomas de
toxidez de B nas folhas do feijoeiro são apresentados na Figura 4.
Foto: Sebastião Araújo

Figura 4. Sintomas de
toxidez de boro (B) nas
folhas do feijoeiro.
Fonte: Fageria (2009).
Capítulo 10 • Boro 267

Funções
O B em nível adequado é essencial tanto para o aumento da pro-
dutividade como para melhorar a qualidade do produto. O B aumentou
o desenvolvimento do sistema radicular na cultura do feijoeiro cultivado
em solo de Cerrado (BALIGAR et al., 1998; FAGERIA, 1989a, 1992, 2000,
2009). O efeito do B sobre a matéria seca do sistema radicular do feijoeiro
é ilustrado na Figura 5. Observa-se aumento nas raízes até a dose de
3 mg de B kg-1 do solo; ocorre redução para doses maiores. A avaliação
das raízes das culturas anuais é relevante parâmetro de crescimento,
porque elas são importantes na absorção de nutrientes e água e estão
altamente correlacionadas com a produção de matéria seca (Figura 6).
O B neutraliza o efeito tóxico do Al no crescimento das plantas
dicotiledôneas (BLEVINS; LUKASZEWSKI, 1998; YANG; ZHANG, 1998).
Por isso, sua aplicação em solo com Al tóxico pode promover o cresci-
mento do sistema radicular e a absorção de nutrientes (LENOBLE et al.,
1996; TAYLOR; MACFIE, 1994).
A necessidade de B na fase reprodutiva é maior do que na fase
vegetativa para a maioria das espécies (BLEVINS; LUKASZEWSKI, 1998).
As funções fisiológicas e bioquímicas do B foram enumeradas por Cakmak
e Romheld (1997), Dugger (1983), Marschner (1995), Pilbeam e Kirkby
(1983), Romheld e Marschner (1991) e Shelp (1993). Algumas funções do
B nas plantas foram resumidas por Fageria et al. (1999):
• É essencial para a germinação dos grãos de pólen e o crescimen-
to do tubo polínico.
• É essencial para a formação das sementes e da parede celular.
• Favorece a formação de proteínas.
• Contribui para a síntese de ácidos nucleicos.
• Ajuda na síntese de aminoácidos.
• É importante na translocação de açúcares.
• É importante no transporte de nutrientes pela membrana.
268 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 5. Relação entre boro (B) aplicado e matéria


seca das raízes de culturas anuais.
* Significativo a 5% de probabilidade.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Capítulo 10 • Boro 269

Figura 6. Correlação entre a produção de matéria seca da


parte aérea, o comprimento e a matéria seca das raízes.
ns
Não significativo; *Significativo a 5% de probabilidade.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria (2000a).

Teores adequado e tóxico no solo


O conhecimento de níveis adequados e tóxicos de B no solo é im-
portante para identificação de sua deficiência ou suficiência. A partir da
análise de solo (um dos principais parâmetros de avaliação da sua fertili-
dade), foram calculados os teores de B adequado e tóxico em relação à
produção relativa da matéria seca da parte aérea (Figura 7). Os teores de B
adequados no solo foram 0,4 mg kg-1 para o arroz, 0,9 mg kg-1 para o feijão,
1,3 mg kg-1 para o milho, 2,6 mg kg-1 para a soja e 0,4 mg kg-1 para o trigo.
Os níveis tóxicos de B no solo foram 2,3 mg kg-1 para o arroz, 2,8 mg kg-1
para o feijão, 5,7 mg kg-1 para o milho, 5,2 mg kg-1 para a soja e 4,3 mg kg-1
para o trigo. De acordo com Nable et al. (1997), teores de B no solo acima
de 5 mg kg-1 de solo são considerados tóxicos para as plantas. Mariano
et al. (2000) relataram níveis adequados de B para o feijoeiro em solo de
várzea variando de 0,57 mg kg-1 a 1,89 mg kg-1 de solo. Os mesmos autores
relataram níveis tóxicos de B para o feijoeiro na faixa de 1,87 mg kg-1 a
4,65 mg kg-1 de solo. Fageria (2000a) relatou níveis adequados de B no solo
270 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 7. Relação
entre teor de
boro (B) no solo e
produção relativa
da matéria seca
da parte aérea de
culturas anuais em
solo de Cerrado.
* Significativo a 5% de
probabilidade.
** Significativo a 1% de
probabilidade.
Fonte: adaptado de
Fageria (2000a).
Capítulo 10 • Boro 271

entre 0,1 mg kg-1 e 2 mg kg-1 de solo, dependendo das culturas. De acordo


com Su et al. (1994), a adsorção de B em solos ácidos, assim como os níveis
adequados e tóxicos, aumenta com a aplicação de CaCO3. Robertson et al.
(1975) relataram que o nível tóxico de B no solo para a cultura do feijoeiro
é maior do que 2 mg kg-1. Reforçando este achado, Gupta (1983) relatou
um valor de 4 mg de B kg-1 de solo como nível tóxico para as culturas de
feijão e milho. Sims e Johnson (1991) relataram que o nível crítico de B no
solo, extraído por água quente, para as culturas anuais, está na faixa de
0,1 mg dm-3 a 2 mg dm-3, dependendo da produtividade, do pH do solo,
da textura, do teor de matéria orgânica e do solo.

Teores adequado e tóxico na planta


Os níveis adequados de B na parte aérea seguiram a ordem soja
> feijão > milho > trigo > arroz. Isso significa que a soja acumulou mais
B do que as outras culturas. Os níveis tóxicos estão na seguinte ordem:
soja > trigo > feijão > milho > arroz (Figura 8). Os níveis adequados de
B na parte aérea na fase inicial de crescimento das culturas são: 10 mg
de B kg-1 para arroz, de 10 mg de B kg-1 a 50 mg de B kg-1 para feijão, de
7 mg de B kg-1 a 25 mg de B kg-1 para milho, de 21 mg de B kg-1 a 55 mg
de B kg-1 para soja e de 6 mg de B kg-1 a 10 mg de B kg-1 para trigo.

Acumulação na planta
A acumulação de B em função da quantidade aplicada pode ser
vista na Figura 9. A acumulação foi altamente significativa e seguiu um
modelo quadrático em todas as culturas. A acumulação máxima foi a do
feijão, seguida pela do milho e da soja. A acumulação mínima foi a do
trigo, seguida pela da cultura de arroz. Essas diferenças na acumulação
estão relacionadas com a produção de matéria seca da parte aérea e
com as capacidades de absorção e acumulação de cada espécie. A ne-
cessidade de B na fase reprodutiva é maior do que na fase vegetativa
graças à sua importante função na formação dos grãos (BROWN; SHELP,
1997). Pela sua característica de imobilidade na maioria das espécies
de plantas, o B deve ser constantemente fornecido em todas as fases
de desenvolvimento da planta (BROWN; SHELP, 1997). Portanto, a
deficiência de B na fase reprodutiva pode reduzir a produtividade das
culturas, embora o teor de B esteja no nível adequado na planta durante
a fase vegetativa.
272 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 8. Relação entre teor de boro (B) na parte


aérea da planta e produção relativa de matéria seca
da parte aérea de culturas anuais.
Fonte: Fageria (2000).
* Significativo a 5% de probabilidade; ** Significativo a 1% de
probabilidade; ns Não significativo.
Fonte: adaptado de Fageria (2000a).
Capítulo 10 • Boro 273

Figura 9. Relação entre boro (B) aplicado no solo e acumulação


de B na parte aérea de culturas anuais.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2000a).
274 Nutrição Mineral do Feijoeiro

A acumulação de B durante o ciclo da cultura do feijoeiro é apre-


sentada na Figura 10. A acumulação aumentou quase linearmente até a
idade de 60 dias – o que está relacionado com o aumento de matéria
seca da parte aérea (FAGERIA et al., 2006) – e depois diminuiu – o que
se atribui à translocação de B para os grãos durante a fase de maturação.
A variabilidade na acumulação de B com a idade das plantas foi de 73%.
A recuperação de B durante o ciclo da cultura é em torno de 5% a 15%
e, para a maioria das culturas anuais, a acumulação está na faixa de 100 g
de B ha-1 a 200 g de B ha-1, quantidade suficiente para uma boa produti-
vidade (FAGERIA, 2009).

Figura 10. Teor e acumulação de boro (B) na parte


aérea durante o ciclo do feijoeiro.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).

Eficiência de uso e índice de colheita de boro


A eficiência do uso de B é um bom indicador do consumo desse
nutriente pela cultura sob determinadas condições agroecológicas.
Da mesma forma, o índice de colheita de B (quantidade de B acumulada
nos grãos/quantidade de B acumulada na parte aérea e nos grãos) também
Capítulo 10 • Boro 275

é um importante indicador da distribuição de B na parte aérea e nos grãos.


Os dados de eficiência de uso do B durante o ciclo da cultura do feijoeiro,
apresentados na Tabela 1, revelam que a eficiência foi significativamente
afetada pela idade da planta e seguiu um modelo exponencial quadrático.
A variabilidade na eficiência de uso do B em função da idade da planta
foi de 97%, o que mostra a importância da correlação entre esses fatores.
A eficiência de uso do B foi maior nos grãos em comparação com a parte
aérea (Tabela 1).

Tabela 1. A eficiência de uso do boro (EUB) na parte aérea e


nos grãos do feijoeiro.

Idade de planta (dia) EUB (kg g-1)(1)

15 53,6

29 53,1

43 53,6

62 65,5

84 73,1

96 (colheita), na parte aérea 81,9

96 (colheita), nos grãos 138,2

Análise de regressão
Idade (X) vs. EUB na parte aérea (Y ) = 52,7482 exp. (-0,0011 X +
0,000061 X2), R2 = 0,97**
Massa seca da parte aérea ou grãos (em kg)
(1)
EUB (kg g-1) = ––––––––––––––––––––‑––––––––––––––––––––––––––––––
Acumulação de B na parte aérea ou nos grãos (em g)
**Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).

Os índices de colheita de B em várias culturas anuais são apresen-


tados na Tabela 2. O índice de colheita de B é maior em leguminosas do
que em cereais (ou seja, a maior parte da translocação de B para os grãos
ocorre em leguminosas em comparação com os cereais), o que mostra a
maior importância das leguminosas no fornecimento desse nutriente para
a nutrição humana.
276 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 2. Índice de colheita de boro (ICB) em culturas anuais.

Acúmulo de B Acúmulo de B
ICB(1)
Cultura na parte aérea nos grãos Total
(%)
(g ha-1) (g ha-1)

Feijão 19,74 13,94 33,68 41

Arroz de terras altas 53,05 29,52 82,57 36

Milho 103,12 42,62 142,75 29

Soja 22,35 20,46 42,80 48


ICB (%) = Acúmulo de B nos grãos/acúmulo de B nos grãos + parte aérea
(1)

Fonte: Fageria (2009).

Interação com outros nutrientes


A interação de nutrientes é um dos fatores que determina sua
absorção e, consequentemente, a produtividade das culturas. Interação
positiva foi relatada entre B, K e nitrogênio (N) (FAGERIA et al., 2002a;
MORAGHAN; MASCAGNI, 1991). Altas doses de B reduzem a absorção
de Zn, Fe e Mn (FAGERIA et al., 2002a), e altas doses de cálcio (Ca) e
magnésio (Mg) reduzem a absorção de B. A deficiência de Zn aumenta
a absorção de B (GRAHAM et al., 1987). Baixo teor de P aumenta a toxi-
dez de B, e P em quantidade adequada reduz a toxidez desse elemento
(FAGERIA, 2009).

Correção da deficiência
As principais fontes de B usadas na correção de sua deficiência nas
culturas são apresentadas na Tabela 3.
Para a recomendação de adubação, são necessários ensaios de
campo e de casa de vegetação para verificar se a cultura responde à
aplicação de um dado nutriente em um determinado solo. Fageria (2000)
conduziu ensaios em casa de vegetação e campo para avaliar a resposta
do feijoeiro e de outras culturas anuais à aplicação de B (Figura 11 e
Tabela 4). O cálculo da dose adequada de B foi baseado na equação de
regressão quadrática, em que o coeficiente de regressão b1 foi positivo.
No caso em que a equação de regressão mostrou coeficiente b1 negativo,
o valor original de B no solo foi considerado adequado, como no caso
do arroz e do trigo. O nível tóxico de B foi calculado com base em 10%
Capítulo 10 • Boro 277

Tabela 3. Principais fontes de boro (B).

Fonte Teor de B (%)(1)


Ácido bórico (H3BO3) 17

Bórax (Na2B4O7.10H2O) 11

Tetraborato de sódio (Na2B4O7) 20

Pentaborato de sódio (Na2B10O16. 10H2O) 18

Tetraborato de sódio penta-hidratado (Na2B4O7. 5H2O) 14

Fritas de boro 10–17


Valores aproximados.
(1)

Fonte: Fageria (2009).

de redução da produção relativa após atingir o nível máximo. No caso


do arroz, a dose adequada foi 0,4 mg de B kg-1, e a dose tóxica foi de
3 mg de B kg-1 (Figura 11). Para a cultura do feijão, a dose adequada foi
de 2 mg de B kg-1, e a tóxica foi de 4,4 mg de B kg-1. No caso do milho,
a dose adequada foi de 4,7 mg de B kg-1, e a tóxica foi de 8,7 mg de
B kg-1. A produção máxima de soja foi obtida com a aplicação de 3,4 mg
de B kg-1; a dose tóxica para essa cultura foi de 6,8 mg de B kg-1. Para o
trigo, a dose adequada foi de 0,4 mg de B kg-1, e a tóxica foi de 7,4 mg
de B kg-1. Com isso, verifica-se que as gramíneas, como arroz e trigo, são
mais eficientes no uso de B para o crescimento do que as leguminosas,
como feijão e soja. Gupta et al. (1985) relataram que, em geral, as plantas
gramíneas necessitam de menos B do que as leguminosas.
Em ensaio de campo, a aplicação de B aumentou significativamente
a produtividade do feijoeiro (Tabela 4). Baseada na equação de regressão,
a produtividade máxima foi obtida com a aplicação de 3,6 kg de B ha-1.
O pH do solo após a colheita de três ensaios foi de 6,7 (FAGERIA et al.,
2007). Quando o pH é alto, a dose de B necessária para a cultura também
é alta graças à adsorção de B (BARBER, 1995; SAKAL; SINGH, 1995).
Fageria et al. (2011) relataram que a deficiência de B na maioria dos solos
pode ser corrigida com a aplicação de 1 kg de B ha-1 a 3 kg de B ha-1 para
as culturas anuais. Martens e Westermann (1991) também relataram que
as doses adequadas para corrigir a deficiência de B nas culturas anuais
situam-se na faixa de 1,7 kg de B ha-1 a 3,4 kg de B ha-1. Entretanto, em
solo de várzea tropical com 0,4 mg de B kg-1, Santos et al. (1999b) verifica-
ram que o B foi tóxico ao feijoeiro reduzindo em 69 kg de grãos ha-1 para
278 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 11. Resposta das culturas à aplicação de B em solo de


Cerrado.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria (2000a).
Capítulo 10 • Boro 279

cada kg de B aplicado, o que indica que a área experimental possui nível


adequado desse micronutriente e que a adição de B torna-se prejudicial
ao desempenho da cultivar Jalo Precoce de feijoeiro.

Tabela 4. Resposta do feijoeiro à aplicação de B em solo de Cerrado.

Produtividade (kg ha-1)


Dose de B (kg ha-1)
1º ano 2º ano 3º ano Média

0 3.852 3.295 2.185 3.111

2 4.024 3.432 2.151 3.203

4 4.140 3.556 2.364 3.353

8 3.979 3.475 2.250 3.232

16 3.488 3.448 2.185 3.041

24 2.825 3.472 2.368 2.888

Teste F

Ano (A) **

Boro (B) **

A versus B **

CV(1)(%) 9,8

Análise de Regressão

Dose de B (X) vs. Produção de grãos (Y) = 4099,87 + 9,91 X – 1,39 X2, R2 = 0,69**
(1)
Coeficiente de variação.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria et al. (2007).

A deficiência de B pode ser corrigida por via foliar, sendo suficiente


a aplicação de 1 kg de B em 500 L de água ha-1 a 2 kg de B em 500 L
de água ha-1. Se a deficiência for severa, há necessidade de mais de uma
aplicação.

Considerações finais
As faixas de deficiência e de toxicidade de B para as plantas são
pequenas em comparação com as dos outros micronutrientes. Os fatores
280 Nutrição Mineral do Feijoeiro

do solo que influenciam sua disponibilidade para as plantas são: pH,


textura, umidade, temperatura, teor de matéria orgânica e mineralogia
da argila. O processo de absorção de B pelas plantas é passivo e não
metabólico. Isso significa que, na absorção de B, não é necessária ener-
gia metabólica da planta. Portanto, a taxa de absorção depende da sua
concentração no solo e da absorção e transpiração de água. O melhor
índice de disponibilidade de B é o teor de B extraído com água quente.
O B é importante na formação dos grãos e é imóvel na planta. Portanto,
é importante sua disponibilidade durante todo o ciclo da cultura para
se obter melhores produtividades. O teor de B em torno de 0,5 mg kg-1
de solo é considerado adequado para a cultura do feijoeiro em solos de
Cerrado e várzea. A aplicação de 4 kg de B ha-1 no sulco é suficiente
para corrigir sua deficiência quando o pH é maior do que 6,0 em água.
Em comparação aos grãos, a palha acumula a maior parte do B.
Capítulo 11

Cobre
282 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
A descoberta da essencialidade do cobre (Cu) para as plantas
ocorreu no ano de 1931 (FAGERIA et al., 2011). A quantidade de Cu
absorvida pelas culturas anuais somente é maior do que a de molibdê-
nio (Mo), sendo, às vezes, semelhante à do boro (B). O teor de Cu nas
plantas situa-se geralmente na faixa de 5 mg kg-1 a 20 mg kg-1 (FAGERIA,
2009). Conforme Fageria et al. (1999, 2002) e Fageria e Stone (2008), a
deficiência de Cu é mais comum em solos orgânicos (relacionada com a
formação de complexos com a matéria orgânica) e arenosos (relacionada
com a lixiviação do Cu). Além disso, a deficiência de Cu pode ocorrer
após a aplicação de calcário em solos com pH muito elevado e após uso
abundante de fertilizantes sem micronutrientes em solos cultivados com
muita intensidade (FAGERIA, 2009; FAGERIA et al., 2002). As terras turfo-
sas também podem apresentar deficiência de Cu. Sintomas de deficiência
de Cu têm sido relatados em diversas culturas em várias regiões do Brasil
(LOPES; ABREU, 2000; NASCIMENTO; FONTES, 2004). Nascimento
(2001) relatou que, em Latossolos, a deficiência pode ser atribuída à pe-
quena reserva natural desse micronutriente e à sua baixa disponibilidade
(o Cu se encontra predominantemente nas formas oxídica e residual, não
disponíveis às plantas).
A absorção de Cu está relacionada com o metabolismo das plantas
e é fortemente inibida por outros cátions bivalentes, como o zinco (Zn2+).
A aplicação de altas doses de nitrogênio (N) e fósforo (P) induz a deficiên-
cia de Cu em solos com baixo teor desse elemento. Essa deficiência pode
estar relacionada com o rápido crescimento da planta após a aplicação
de N e P e com o fato de o teor de Cu no solo não ser suficiente para o
suprimento da demanda da planta (MENGEL et al., 2001).

Ciclo no sistema solo-planta


A disponibilidade de Cu para as plantas é influenciada por vários
fatores, como pH, teor de matéria orgânica, composição mineralógi-
ca, textura e competição com outros nutrientes na solução do solo
(NASCIMENTO; FONTES, 2004). A concentração de Cu na solução do
solo é geralmente baixa, na faixa de 10 -8 M a 10 -6 M (de 0,6 ppb a 63 ppb)
(TISDALE et al., 1985). O íon predominante sob pH abaixo de 6,9 é o
Capítulo 11 • Cobre 283

Cu2+, enquanto o Cu(OH)2 é a espécie mais abundante na solução do


solo acima desse pH (LINDSAY, 1979). O Cu da solução de solo forma
complexos com a matéria orgânica solúvel quando o pH é maior do que
6,6 (BARBER, 1995). A hidrólise do Cu segue as seguintes reações:
Cu2+ + H2O ⇔ CuOH+ + H+
CuOH+ + H2O ⇔ Cu(OH)20 + H+
Considerando que a solubilidade do Cu no solo é altamente depen-
dente do pH, constatou-se que, com o aumento de uma unidade no pH
do solo, a concentração de Cu diminui 100 vezes (TISDALE et al., 1985).
Observa-se, na Figura 1, que o teor de Cu na parte aérea do feijoeiro
diminui com o aumento do pH na faixa de 5,0 a 7,0 em solo de várzea.
Na Tabela 1, são apresentados resultados do teor de Cu em solo de várzea
sob diferentes pHs. O teor de Cu no solo começou a diminuir quando o
pH aumentou acima de 5,9. Com o aumento do pH para 7, o teor de Cu
diminuiu 48% em comparação ao teor sob pH 5,9.

Figura 1. Influência do pH do solo no teor de Cu na parte


aérea do feijoeiro.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria et al. (2006a).
284 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 1. Teor de cobre (Cu) sob diferen-


tes pHs em solo de várzea.

pH em água Teor de Cu (mg kg-1)

4,9 6,3

5,9 6,3

6,4 5,8

6,7 5,0

7,0 3,3
Fonte: Fageria e Baligar (1999).

A diminuição no teor de Cu com o aumento do pH está relacionada


com a diminuição da sua concentração na solução do solo e sua adsor-
ção aos coloides do solo (FAGERIA et al., 2003b). O Cu, que é imóvel no
solo, geralmente é encontrado em altos teores na camada superficial. Em
arroz irrigado, a disponibilidade de Cu diminui com a inundação graças
à precipitação do Cu como hidróxido com o aumento do pH em solos
ácidos. A taxa de diminuição, que estava significativamente relacionada
com o aumento do pH, foi maior aos 30 dias após a inundação do que
aos 90 dias (PATEL; SINGH, 1995).

Sintomas de deficiência
O Cu não é facilmente translocável na planta. Portanto, os sintomas
de deficiência aparecem primeiro nas folhas mais novas ou nos pontos de
crescimento novos (FAGERIA et al., 1996; FOTH; ELLIS, 1988). As plantas
com carência de Cu mostram coloração verde-escura, com enrugamento
das bordas e encurvamento da ponta do limbo para baixo (FAGERIA et al.,
1996). O crescimento de plantas de feijoeiro aumentou com a aplicação
de 2 mg de Cu kg-1 a 4 mg de Cu kg-1 de solo em comparação com
a testemunha (Figura 2). No entanto, a aplicação de 64 mg de Cu kg-1
de solo diminuiu o crescimento das plantas, o que mostra a toxidez
desse elemento (Figura 2). Uma discussão mais ampla dos sintomas de
deficiência de Cu nas plantas de feijoeiro, incluindo fotografias colori-
das, foi feita por vários autores (FAGERIA et al., 1996; OLIVEIRA et al.,
1996; WALLACE, 1961; WILCOX; FAGERIA, 1976). Relevante lembrar, no
Capítulo 11 • Cobre 285

entanto, que existem diferenças significativas entre espécies e genótipos


da mesma espécie com relação à deficiência de Cu (TISDALE et al., 1985).

Foto: Sebastião Araújo


A B C D

Figura 2. Resposta do feijoeiro à aplicação de Cu em solo de Cerrado. As doses


de Cu foram 0 (A), 2 mg kg-1 de solo (B), 4 mg kg-1 de solo (C) e 64 mg kg-1 de
solo (D).
Fonte: Fageria (2009).

Funções
A maioria das funções do Cu como nutriente de plantas é baseada
na sua participação enzimática nas reações de redução (FAGERIA, 2009;
MARSCHNER, 1995). Além disso, o Cu exerce papéis importantes nas
funções bioquímicas da planta (FAGERIA et al., 2003b):
• É essencial na formação da clorofila.
• Catalisa vários processos bioquímicos.
• É ativador de várias enzimas.
• Participa do metabolismo de proteínas e carboidratos.
• É necessário para a fixação biológica do N2.
A deficiência de Cu diminui a atividade da enzima fenolase e,
consequentemente, diminui a floração e a produtividade. Também induz
286 Nutrição Mineral do Feijoeiro

uma mudança típica anatômica (a inibição da lignificação da parede


celular), tem influência na formação dos grãos e pode ocasionar a inibição
da translocação de Ca para órgãos novos das plantas. Além disso, reduz
o crescimento do sistema radicular da planta. Observa-se, na Tabela 2,
que o comprimento máximo das raízes do feijoeiro aumentou de maneira
quadrática com a adição de Cu na faixa de 0 a 96 mg kg-1 em solo de
Cerrado.

Tabela 2. Influência do cobre (Cu) no comprimento do sistema


radicular do feijoeiro.

Dose de Cu (mg kg-1) Comprimento máximo das raízes (cm)

0 25

2 30

4 27

8 28

16 28

32 24

64 30

96 14

Análise de Regressão

Dose de Cu (X) vs. Matéria seca das raízes (Y) = 26,13 + 0,16 X –
0,0029 X2, R2 = 0,42**
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria (2002a).

Teores adequado e tóxico no solo


O conhecimento dos teores adequado e tóxico de Cu no solo é
fundamental para o diagnóstico de suficiência, deficiência ou toxicidade
desse elemento. Teores adequados e tóxicos de Cu em solo de Cerrado
em relação à produção relativa da parte aérea, utilizando-se o extrator
Mehlich 1, foram determinados para várias culturas anuais (Figura 3). Com
o aumento do teor de Cu no solo, as culturas de arroz de terras altas, feijão,
milho e trigo mostraram resposta significativa e quadrática, ao contrário
Capítulo 11 • Cobre 287

Figura 3. Relação
entre o Cu extraído
do solo pelo extrator
Mehlich 1 e a produ-
ção relativa de culturas
anuais.
** Significativo a 1% de
probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria
(2001a).
288 Nutrição Mineral do Feijoeiro

da soja, cuja produção relativa diminuiu. Com base em 90% de produ-


ção relativa, os teores adequados de Cu no solo, com o uso do extrator
Mehlich 1, foram de 2 mg kg-1 para o arroz de terras altas, 1,5 mg kg-1
para o feijão, 2,5 mg kg-1 para o milho, 1 mg kg-1 para a soja e 10 mg kg-1
para o trigo. Quando o extrator de ácido dietilenotriaminopentacético +
trietanolamina (DTPA-TEA) foi usado, os níveis adequados de Cu no solo
foram de 1 mg kg-1 para o arroz de terras altas, 0,5 mg kg-1 para o feijão,
1,5 mg kg-1 para o milho, 0,5 mg kg-1 para a soja e 8,5 mg kg-1 para o
trigo (FAGERIA, 2001a). Os teores tóxicos de Cu no solo, pelo extrator
Mehlich 1, baseados em 10% de redução da produção relativa após
atingir o nível máximo, foram de 48 mg kg-1 para o arroz de terras altas,
35 mg kg-1 para o feijão, 45 mg kg-1 para o milho, 10 mg kg-1 para a soja
e 52 mg kg-1 para o trigo (FAGERIA, 2001a). Pelo extrator DTPA-TEA, os
teores tóxicos de Cu foram de 28 mg kg-1 para o arroz de terras altas,
18 mg kg-1 para o feijão, 32 mg kg-1 para o milho, 6 mg kg-1 para a soja e
28 mg kg-1 para o trigo (FAGERIA, 2001a).

Teores adequado e tóxico na planta


Fageria (2001a) e Fageria et al. (2011) determinaram os teores ade-
quado e tóxico de Cu nas culturas de feijão, arroz, milho, soja e trigo com
base em 90% de produção relativa da parte aérea. Os teores adequados
foram de 15 mg kg-1 para o arroz de terras altas, 6 mg kg-1 para o feijão,
7 mg kg-1 para o milho e a soja e 14 mg kg-1 para o trigo. Os níveis tóxicos,
que foram determinados com base em 10% de redução na produção
relativa após atingir o nível máximo, foram de 26 mg kg-1 para o arroz de
terras altas, 10 mg kg-1 para o feijão, 11 mg kg-1 para o milho e a soja e
17 mg kg-1 para o trigo. Esses resultados sugerem que tanto os níveis ade-
quados como os tóxicos de Cu variam bastante de espécie para espécie.
O nível crítico de Cu na parte aérea das culturas anuais situa-se
na faixa de 3 mg kg-1 a 5 mg kg-1, e o nível crítico tóxico na faixa de
20 mg kg-1 a 30 mg kg-1 (MARSCHNER, 1995; ROBSON; REUTER, 1981).
Follett et al. (1981) relataram que o teor de Cu nas culturas anuais situa-se
na faixa de 3 mg kg-1 a 50 mg kg-1, e a concentração suficiente está na
faixa de 6 mg kg-1 a 11 mg kg-1. Já Stevenson (1986) relatou que o teor de
Cu nos tecidos das culturas anuais varia na faixa de 3 mg kg-1 a 40 mg kg-1,
dependendo do solo e da espécie de planta, e a toxidez de Cu ocorre
quando o seu teor na parte aérea é maior do que 20 mg kg-1.
Capítulo 11 • Cobre 289

Teor e acumulação na
planta durante o ciclo da cultura

A absorção de Cu, assim como sua utilização pelas plantas, é um


processo ativo que requer energia. A taxa de absorção de Cu é mais
baixa do que a da maioria dos micronutrientes, com exceção da do Mo.
A maioria das espécies de plantas contém menos de 10 mg de Cu kg-1 de
matéria seca (BARBER, 1995). Em trabalho realizado em solo de Cerrado,
determinaram-se o teor e a acumulação de Cu na parte aérea de uma
cultivar de feijoeiro durante o ciclo da cultura (Figura 4). O teor de Cu
na parte aérea diminuiu com a idade da planta graças ao aumento da
matéria seca (trata-se do chamado “efeito de diluição”). A acumulação
de Cu aumentou com a idade de planta e diminuiu na colheita (o que
está relacionado com a translocação de Cu para os grãos). Para produzir
1 tonelada de grãos, a cultura do feijoeiro acumula 16 g de Cu ha-1 na
palha e nos grãos (FAGERIA; STONE, 2008).

Figura 4. Teor e acumulação de cobre (Cu)


durante o ciclo da cultura do feijoeiro.
* Significativo a 5% de probabilidade.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).
290 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Eficiência de uso do cobre


A eficiência de uso do Cu (massa da matéria seca da parte aérea
ou produção de grãos/acumulação de Cu na parte aérea ou nos grãos)
pelo feijoeiro durante o ciclo, apresentada na Tabela 3, tem uma relação
quadrática com a idade da planta. Existem diferenças entre espécies e cul-
tivares da mesma espécie na absorção e utilização do Cu (PATEL; SINGH,
1995). Na Tabela 4, estão relacionadas as culturas anuais suscetíveis à
deficiência de Cu.

Tabela 3. Eficiência de uso do cobre (EUCu) na


parte aérea e nos grãos do feijoeiro.

Idade da planta (dias) EUCu (kg g-1)

15 84,5
29 125,8
43 103,5
62 120,9
84 135,7
96 216,2
96 (nos grãos) 85,3
Análise de Regressão
Idade da planta (X) vs. EUCu (Y) = 7,03 + 2,77 X –
0,0108 X2, R2 = 0,93**
**Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).

Tabela 4. Suscetibilidade relativa das culturas à deficiência de cobre (Cu).

Suscetibilidade alta Suscetibilidade média Suscetibilidade baixa

Alfafa Cevada Feijão


Aveia Algodão Ervilha
Cebola Milho Soja
Arroz Sorgo Gramíneas forrageiras
Trigo Batata
Beterraba
Fonte: Fageria et al. (2003b).
Capítulo 11 • Cobre 291

Interação com outros nutrientes


O equilíbrio nutricional é um fator importante no aumento e/ou
na sustentação da produtividade das culturas. O excesso de um dado
nutriente cria desequilíbrio no processo de absorção e utilização dos
outros nutrientes, o que influencia a produtividade. Sabe-se que há inte-
ração negativa entre P e Cu nas culturas anuais e que o uso prolongado
de P em excesso resulta em deficiência de Cu (FOLLETT et al., 1981).
O mecanismo da interação entre P e Cu não é bem conhecido, mas
o problema está relacionado com o processo fisiológico e nutricional
e não com a precipitação no solo (FOLLETT et al., 1981). Também são
relatadas interações negativas entre Mo e Cu e entre Zn e Cu (FOLLETT
et al., 1981). Isso significa que o aumento de um no meio de cresci-
mento diminui a absorção do outro. Em solo de várzea tropical com
2,3 mg de Cu kg-1 de solo, Santos et al. (1999b) não verificaram efeitos da
interação entre os micronutrientes B e Cu nem o efeito de doses de Cu
(zero, 2 kg ha-1, 5 kg ha-1, 5 kg ha-1 e 10 kg ha-1) sobre o desempenho
da cultivar Jalo Precoce de feijoeiro. Quando existe interação negativa
entre dois nutrientes, a solução é aumentar a quantidade daquele que
está em menor concentração. A interação negativa entre dois nutrientes
tem um valor mínimo ou crítico, acima do qual começa a diminuir a
produtividade das culturas. Portanto, o conhecimento do valor crítico
da interação é importante para corrigir o processo negativo da interação
entre nutrientes.

Recomendações de adubação com cobre


A deficiência de Cu nas plantas pode ser corrigida com sua aplica-
ção no solo, a lanço ou no sulco, ou com aplicação via foliar. O primeiro
é o melhor método; esse último deve ser usado somente em caso de
emergência. De acordo com Martens e Westermann (1991), a deficiência
de Cu é geralmente corrigida com a aplicação a lanço de 3 kg de Cu ha-1
a 15 kg de Cu ha-1 na forma de CuSO4, variação que se justifica pelas
propriedades do solo, pela necessidade da planta e pela concentração
do Cu extraível no solo. Ainda segundo Martens e Westermann (1991),
a aplicação de Cu no sulco pode ser desde 1 kg ha-1, para as culturas
menos exigentes, até 7 kg ha-1, para as culturas altamente sensíveis.
Follett et al. (1981) recomendaram a aplicação de 1 kg de Cu ha-1 a 7 kg
292 Nutrição Mineral do Feijoeiro

de Cu ha-1 no sulco e 4 kg de Cu ha-1 a 14 kg de Cu ha-1 a lanço na forma


de CuSO4 para as culturas anuais. O efeito residual do Cu é prolongado;
portanto, é recomendável a sua aplicação no solo (FOLLETT et al., 1981).
Para corrigir a deficiência em solos orgânicos, é necessária maior dose
de Cu do que em solos minerais. Mengel et al. (2001) recomendaram
a aplicação de 2 kg de Cu (na forma de CuSO4) em 280 L de água ha-1
para corrigir a deficiência em culturas anuais. Às vezes, a aplicação foliar
precisa ser repetida mais de uma vez, dependendo da severidade da
deficiência.
Fageria (2001a) estudou a necessidade de Cu nas culturas de arroz,
feijão, milho, soja e trigo em casa de vegetação (Figura 5). Considerando
90% da produção relativa de matéria seca como parâmetro de deter-
minação das doses adequadas de Cu, recomenda-se a aplicação de
3 mg kg-1 para o arroz de terras altas, 2 mg kg-1 para o feijão, 3 mg kg-1
para o milho e 12 mg kg-1 para o trigo. A soja não respondeu à aplicação
de Cu.
Existem várias fontes de Cu que podem ser utilizadas na corre-
ção da deficiência desse elemento (Tabela 5), sendo o CuSO4 penta-
-hidratado a mais comumente usada graças à sua maior solubilidade
em água e à disponibilidade do elemento para as plantas. Além disso,
o CuSO4 está disponível na forma cristalina, o que facilita a sua mistura
com fertilizantes.

Tabela 5. Principais fontes de cobre (Cu) que podem ser usadas como fertilizantes.

Fonte Teor de Cu (%)

Sulfato de cobre mono-hidratado (CuSO4. H2O) 35

Sulfato de cobre penta-hidratado (CuSO4. 5H2O) 24

Óxido de cobre (CuO) 75

Quelato de cobre (Na2Cu-EDTA) 13

Quelato de cobre (NaCu-EDTA) 9


Fonte: adaptado de Fageria et al. (2002).
Capítulo 11 • Cobre 293

Figura 5. Relação entre


cobre (Cu) aplicado no
solo e produção relativa de
matéria seca da parte aérea
das culturas de arroz de
terras altas, feijão, milho, soja
e trigo em solo de Cerrado.
* Significativo a 5% de
probabilidade; ** Significativo a 1%
de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2001a).
294 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Considerações finais
A deficiência de Cu é mais comum em solos com baixo teor desse
nutriente, em solos orgânicos (graças à formação de complexos com a
matéria orgânica), em solos arenosos e em solos ácidos (onde o calcário
foi aplicado em excesso). Os principais fatores que influenciam a dis-
ponibilidade do Cu para as plantas são o pH do solo, o teor de matéria
orgânica, a textura e as interações com outros nutrientes. A dose de Cu
recomendada está na faixa de 1 kg ha-1 a 10 kg ha-1, dependendo do grau
da deficiência, do pH do solo e do método de aplicação. A aplicação a
lanço requer doses duas ou três vezes maiores do que as da aplicação no
sulco. O CuSO4 é a fonte mais comum graças à sua solubilidade em água.
O efeito residual do Cu é prolongado; portanto, não é necessária a aplica-
ção todos os anos. Entretanto, é preciso acompanhar os dados de análise
do solo para determinar a quantidade de reaplicação. O nível crítico de
Cu no solo está na faixa de 0,5 mg kg-1 a 1,5 mg kg-1, dependendo do solo
e do extrator usado. Nas plantas, o teor em torno de 6 mg de Cu kg-1 de
matéria seca pode ser considerado como nível crítico para a cultura do
feijoeiro.
Capítulo 12

Manganês
296 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
O manganês (Mn) é o segundo micronutriente mais abundante
no solo; fica atrás apenas do ferro (Fe) (LAVRES JUNIOR et al., 2008).
No mundo, encontram-se teores que variam de 20 mg de Mn kg-1 de
solo a 3.000 mg de Mn kg-1 de solo, e a disponibilidade aumenta com
a diminuição do pH do solo (ADRIANO, 2001; KABATA-PENDIAS,
2000). Nos solos brasileiros, a ocorrência de Mn é predominantemente
pedogênica (BORKERT et al., 2001), com teores disponíveis que variam
de 3 mg de Mn kg-1 a 190 mg de Mn kg-1 nos horizontes superficiais
dos solos (CARDOSO et al., 2003). O Mn participa em vários processos
bioquímicos da planta, como a formação de clorofila e a estimulação
de enzimas respiratórias, e aumenta a absorção de fósforo (P) e cálcio
(Ca) (FAGERIA, 2001a; TAIZ; ZEIGER, 2004). O Mn desempenha papel
fundamental na elongação celular, e sua deficiência pode inibir a síntese
de lipídios ou metabólitos secundários, como o ácido giberélico e os iso-
prenoides (MALAVOLTA et al., 1997). Além disso, o Mn está relacionado
à formação da lignina (MARSCHNER, 1995), presente na parede celular,
à qual confere menor permeabilidade, exercendo, assim, efeito significa-
tivo sobre a capacidade e a velocidade de absorção de água através do
tegumento das sementes (FERNANDES et al., 2007). Segundo Mann et al.
(2002), Melarato et al. (2002) e Teixeira et al. (2005), sementes com baixo
teor de lignina no tegumento apresentam menor vigor, o que pode estar
relacionado à deficiência de Mn. Nesse sentido, o fornecimento adequa-
do e equilibrado de nutrientes para o feijoeiro pode contribuir não só
para aumentar a produtividade, mas também para melhorar a qualidade
fisiológica das sementes (FERNANDES et al., 2007; TEIXEIRA et al., 2004,
2005).
A deficiência de Mn ocorre em solos orgânicos, alcalinos e com
textura arenosa, e em solos ácidos altamente intemperizados (se tiverem
sido sujeitos à aplicação de altas doses de calcário) (FAGERIA, 2009;
FAGERIA et al., 2002). Essa deficiência é geralmente associada com alto
pH, mas também pode ocorrer quando existe desequilíbrio com outros
nutrientes, como Ca, magnésio (Mg) e Fe (FAGERIA et al., 2002). Tanto a
deficiência como a toxidez de Mn não são comuns em feijoeiro, embora
a deficiência desse elemento tenha sido relatada em solos de Cerrado
quando o pH do solo era maior do que 6,0 em água e o teor de Mn menor
do que 8,0 mg kg-1 de solo (FAGERIA, 2001a). Condições de solo, como
Capítulo 12 • Manganês 297

elevado pH e ambiente de oxidação, estimulam a formação de MnO2 e


reduzem a disponibilidade de Mn para as plantas (CHRISTENSON et al.,
2000; MARSCHNER, 1995; MENGEL et al., 2001). Oliveira Junior et al.
(2000) relataram que a elevação do pH diminui a disponibilidade de
Mn em decorrência da formação de hidróxidos e óxidos de Mn de baixa
solubilidade. Malavolta e Kliemann (1985) e Lindsay (1979) relataram que,
a cada unidade de pH que se eleva, a concentração de Mn2+ na solução
diminui 100 vezes. Moraes et al. (1998) verificaram que, embora a prática
da calagem tenha ocasionado decréscimo nos teores foliares de Mn no
feijoeiro, esse efeito não foi observado no solo. Segundo os autores, é
provável que a reação do calcário (que provoca aumento nos valores pH)
tenha possibilitado a diminuição da forma solúvel (Mn2+) e o aumento das
formas não absorvidas pelas plantas (Mn3+ e Mn4+). Além disso, no Brasil,
foram observados, pela análise de solo, baixos teores de Mn em alguns
solos de várzea do Estado do Tocantins (FAGERIA et al., 2003b). Para
Teixeira et al. (2004), apesar da alta tecnologia adotada pelos produtores
no cultivo do feijoeiro irrigado, a nutrição mineral muitas vezes é negli-
genciada, principalmente em relação aos micronutrientes.
Oliveira et al. (1996) relataram que deficiência de Mn foi obser-
vada na cultura do feijoeiro principalmente em solos onde há utilização
intensiva de técnicas agrícolas que promovem aumento na produtividade
das culturas e retirada crescente do micronutriente sem adequada repo-
sição e em solos submetidos à aplicação excessiva de calcário, o que
causa indisponibilidade do nutriente para as plantas (MANN et al., 2002).
Porém, mesmo em solos ácidos, em que os teores de Mn geralmente
são elevados, pode ocorrer deficiência do nutriente (BORKERT et al.,
2001), já que a absorção deste micronutriente pode ser diminuída, entre
outros fatores, por altas concentrações de potássio (K), Ca, Mg, cobre
(Cu), zinco (Zn) e Fe no meio (FAGERIA, 2001a). Rosolem e Nakagawa
(1990) demonstraram que a deficiência de Mn em soja pode ser induzida
pela calagem, principalmente quando acompanhada da aplicação de
doses relativamente elevadas de K. A utilização intensiva de fosfatos no
solo também contribui para a baixa disponibilidade do micronutriente
(MASCARENHAS et al., 1996).
A disponibilidade de Mn muda de acordo com a valência ou forma
de Mn – bivalente (Mn2+), trivalente (Mn3+) ou tetravalente (Mn4+) – no
solo, que é alterada com o processo de oxidação e redução. Portanto, a
deficiência ou o excesso de Mn nas plantas depende mais da sua forma
298 Nutrição Mineral do Feijoeiro

no sistema solo-planta e da interação com outros nutrientes do que da


própria quantidade no solo (SHIMADA, 1995). Na cultura do feijoeiro, o
baixo teor de Mn está associado com condições de alto pH e antagonismo
com outros micronutrientes.

Ciclo no sistema solo-planta


O Mn na forma de compostos de Mn4+ e Mn3+ ocorre em solos
oxidados, enquanto a forma Mn2+ é dominante em condições de redução.
Os compostos de Mn4+ são muito pouco solúveis, e os de Mn3+ são muito
instáveis na solução do solo. Portanto, a forma Mn2+ representa a única
forma solúvel relevante de Mn na solução do solo. A difusão é importante
mecanismo no transporte do Mn da solução do solo para as raízes das
plantas no processo de absorção (TISDALE et al., 1985). A concentração
de Mn na solução do solo aumenta sob baixo pH e sob condições de
redução. A transformação de Mn4+ para Mn2+ ocorre quando o potencial
de oxirredução está na faixa de 200 mV a 400 mV (TISDALE et al., 1985).
Sob pH extremamente baixo, a concentração de Mn2+ pode aumentar, o
que pode causar toxidez em espécies sensíveis.
A concentração de Mn na solução do solo é controlada princi-
palmente pela reserva de Mn no solo, pelo pH e pela disponibilidade
de elétrons (e-), como mostrado pela seguinte equação (ADAMS, 1981;
SPARROW; UREN, 1987):
MnO2 + 4H+ + 2e- ⇔ Mn2+ + 2H2O
A dinâmica e a disponibilidade de Mn são determinadas por vários
fatores, como pH, potencial de oxirredução, natureza e concentração
de cátions e ânions, composição mineralógica das argilas e presença de
microrganismos. A disponibilidade do Mn é alta em solos ácidos graças à
maior solubilidade dos seus compostos sob baixo pH. Pode-se observar,
na Figura 1, o teor de Mn na parte aérea do feijoeiro sob diferentes pHs em
solo de Cerrado. Com o aumento do pH, o teor de Mn diminuiu significa-
tivamente: sob pH 5,0, o teor de Mn estava em torno de 4.300 mg kg-1, e,
quando o pH aumentou para 7,0, o teor diminuiu para 30 mg kg-1. Fageria
e Baligar (1999), Fageria et al. (1999, 2011) também relataram diminuição de
Mn na planta com o aumento do pH em solos de Cerrado e várzea do Brasil.
Observa-se, na Tabela 1, a variação no teor de Mn no solo com a
aplicação de doses de 0 a 100 mg kg-1 sob duas saturações por bases. Com
Capítulo 12 • Manganês 299

Figura 1. Relação entre pH do solo e teor de Mn na parte


aérea do feijoeiro.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria et al. (2006a).

Tabela 1. Influência de doses de Mn e saturação por


bases no teor de Mn em um Oxissolo de Cerrado após
a aplicação de fertilizantes. O Mn foi extraído com o
extrator ácido dietilenotriaminopentacético + trietano-
lamina (DTPA-TEA).

Dose de Mn Saturação por bases


(mg kg-1) 50% 70%
0 1,40 2,40
20 7,60 8,00
40 15,00 14,40
60 37,00 18,20
80 61,60 24,00
100 81,00 34,20
Média 39,93 16,87
Fonte: adaptado de Heinrichs et al. (2008).
300 Nutrição Mineral do Feijoeiro

a aplicação de Mn, o teor no solo aumentou, variando de 1,4 mg kg-1 a


81,0 mg kg-1 sob 50% de saturação por bases e de 2,4 mg kg-1 a 34,2 mg kg-1
sob 70% de saturação por bases. Na média, houve diminuição de 139%
sob alta saturação por bases em comparação com os teores sob baixa
saturação por bases. A diminuição do teor de Mn com o aumento da
saturação por bases ou aumento do pH, relatada por Malavolta (1980) e
Fageria (2009), ocorre graças à insolubilização do Mn como óxido (MnO2).

Sintomas de deficiência
O Mn é imóvel na planta; portanto, a deficiência desse elemento
começa nas folhas mais novas. Os sintomas de deficiência iniciam com
clorose nas lâminas das folhas mais novas, que ficam com as nervuras
proeminentes. São observadas linhas internervais amareladas medindo
mais ou menos a mesma largura. Conforme a evolução da deficiência, o
tecido internerval torna-se necrótico, de coloração amarronzada. Os sin-
tomas de deficiência de Mn nas plantas de feijoeiro são apresentados com
fotografias coloridas por Fageria et al. (1996), Wallace (1961) e Wilcox e
Fageria (1976).

Funções
Mais de 60% do Mn nas plantas está contido nos cloroplastos das
folhas. Este micronutriente, juntamente com o Fe e o Cu, exerce papel
importante no sistema de transporte de elétrons (OBATA, 1995). Com a
deficiência de Mn, o sistema de evolução do oxigênio (O2) é suprimido,
e a estrutura do cloroplasto é decomposta (CHENIAE; MARTIN, 1971;
OBATA, 1995).
Considerando suas funções na planta, o Mn2+ se assemelha ao
Mg . Os dois íons formam pontes entre o trifosfato de adenosina (ATP) e
2+

as enzimas transferidoras de grupos (fosfoquinases e fosfotransferases). No


ciclo dos ácidos tricarboxílicos, operam descarboxilases e desidrogenases
ativadas por Mn2+, embora, em algumas delas, o Mg2+ possa substituí-lo.
Outras enzimas exigem especificamente Mn (MALAVOLTA, 1980).
Fageria et al. (1999) assim resumiram as funções mais importantes
do Mn na planta: 1) está indiretamente relacionado com a formação de
clorofila; 2) é considerado constituinte de algumas enzimas respiratórias e
Capítulo 12 • Manganês 301

ativa várias reações metabólicas importantes; 3) acelera a germinação e a


maturação; e 4) aumenta a disponibilidade de P e Ca.

Teores adequado e tóxico no solo


Os teores adequado e tóxico de um elemento no solo ajudam a es-
tabelecer as recomendações de adubação para uma determinada cultura
com vistas a se obter máxima produtividade econômica. Fageria (2001a)
determinou os teores adequado e tóxico de Mn no solo de Cerrado para
as culturas de feijão, arroz de terras altas, milho, soja e trigo utilizando os
extratores Mehlich 1 e ácido dietilenotriaminopentacético + trietanolami-
na (DTPA-TEA). Os resultados são apresentados na Tabela 2. Para todas
as culturas, os teores tanto adequado quanto tóxico foram maiores com
extrator Mehlich 1 (que, no Brasil, é usado pela maioria dos laboratórios
para análise de rotina do Mn). Portanto, os valores definidos pelo extrator
Mehlich 1 são mais importantes do que os definidos pelo DTPA-TEA.
Na literatura, os níveis adequados de Mn no solo medidos pelo extrator
Mehlich 1 estão na faixa de 4 mg kg-1 a 8 mg kg-1 para a maioria das
culturas anuais, enquanto os níveis críticos medidos pelo extrator DTPA-
TEA estão na faixa de 2,5 mg kg-1 a 5 mg kg-1 para as culturas anuais (COX,
1987; MARTENS; WESTERMANN, 1991).

Tabela 2. Teores adequado e tóxico de Mn para culturas anuais em solo de


Cerrado.

Teor adequado (mg kg-1) Teor tóxico (mg kg-1)


Cultura
Mehlich 1 DTPA-TEA(1) Mehlich 1 DTPA-TEA(1)
Feijão 8 6 128 88

Arroz de terras altas 8 4 168 80

Milho 8 4 400 336

Soja 8 4 92 56

Trigo 8 3 44 40
(1)
Extrator ácido dietilenotriaminopentacético + trietanolamina.
Fonte: adaptado de Fageria (2001a).
302 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Teores adequado e tóxico na planta


Os teores adequado e tóxico na planta, que fornecem informação
importante para o diagnóstico do seu estado nutricional (FAGERIA, 2009),
mudam de acordo com a idade e a parte de planta analisada. Geralmente,
esses valores diminuem com o aumento da idade da planta graças ao
aumento na sua matéria seca. Segundo a experiência dos autores deste
livro, a deficiência de micronutriente para as culturas anuais geralmente
aparece na fase vegetativa ou em torno de 25 a 45 dias após a germina-
ção, se a quantidade do dado nutriente é limitada no solo. A deficiência
nessa fase está relacionada com a taxa de crescimento máxima da planta.
Portanto, uma análise da planta nessa fase é fundamental para diagnóstico
de deficiência ou suficiência. Além disso, esses valores são muito estáveis
em diferentes regiões agroecológicas. Portanto, não variam muito em uma
dada cultura e podem ser comparados facilmente.
Fageria (2001a) determinou os níveis adequados e tóxicos de
Mn na parte aérea das principais culturas anuais em solo de Cerrado;
os resultados são apresentados na Tabela 3. Existem diferenças muito
grandes entre as culturas, tanto nos níveis adequados como nos tóxicos.
Heinrichs et al. (2008) relataram que, para o Mn, a faixa considerada
adequada para diagnose foliar no feijoeiro é muito ampla, variando de 30
mg kg-1 a 300 mg kg-1, dependendo da idade da planta.

Tabela 3. Níveis adequado e tóxico de Mn na parte aérea de culturas anuais(1).

Cultura Nível adequado (mg kg-1) Nível tóxico (mg kg-1)

Feijão 400 1.640

Arroz de terras altas 520 24.560

Milho 60 2.480

Soja 67 720

Trigo 173 720


As análises de arroz e trigo foram feitas na fase de maturação. As análises das outras culturas
(1)

foram feitas 4 semanas após a semeadura. As partes aéreas de todas as culturas foram analisadas.
Fonte: adaptado de Fageria (2001a).
Capítulo 12 • Manganês 303

Teor e acumulação na
planta durante o ciclo da cultura

O teor de nutriente durante o ciclo da cultura é usado como índice


do estado nutricional da planta. Na Figura 2, são apresentados o teor
e a acumulação de Mn na parte aérea do feijoeiro durante o ciclo da
cultura. O teor diminuiu com o avanço da idade da planta graças ao efeito
de diluição, e a acumulação aumentou graças ao aumento na massa da
matéria seca da parte aérea (FAGERIA, 2009). A acumulação máxima de
Mn, de aproximadamente 100 g ha-1, ocorreu em torno de 60 dias após
a semeadura do feijoeiro. Nas últimas duas coletas, a diminuição na acu-
mulação estava relacionada com a translocação para as vagens e os grãos.

Figura 2. Teor e acumulação de Mn na parte


aérea das plantas de feijoeiro durante o ciclo
da cultura.
* Significativo a 5% de probabilidade; ** Significativo a
1% de probabilidade.

Eficiência de uso
A eficiência de uso do Mn é baixa, como a de qualquer outro mi-
cronutriente. Existe diferença genotípica na absorção e utilização do Mn
304 Nutrição Mineral do Feijoeiro

(MARSCHNER, 1995). Genótipos eficientes absorvem mais Mn do solo e


podem sobreviver e produzir mais do que genótipos não eficientes sob
condições de baixo teor desse elemento no solo (HUANG; GRAHAM,
1997). A tolerância ao Mn é controlada geneticamente e é possível a
criação de cultivares mais eficientes na absorção e utilização do Mn
(BURK et al., 1990; GRAHAM et al., 1995; WISSEMEIR; HORST, 1991).
As eficiências de uso do Mn na parte aérea e nos grãos durante o ciclo do
feijoeiro são apresentadas na Tabela 4.

Tabela 4. Eficiência de uso do Mn (EUMn) na planta de


feijoeiro.

Eficiência de uso de Mn(1)


Idade de planta (dia)
(kg de grãos g-1 de Mn)

15 13,6

29 9,8

43 14,6

62 20,3

84 21,3

96 (colheita), na parte aérea 21,0

96 (colheita), nos grãos 83,4

Análise de Regressão

Idade da planta (X) vs. EUMn (Y) = 8,9094 + 0,1599 X –


0,00023 X2, R2 = 0,5102**
Massa da matéria seca da parte aérea ou dos grãos (em kg)/Acúmulo de
(1)

Mn na parte aérea ou nos grãos (em g).


** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).

Interação com outros nutrientes


A disponibilidade do Mn é controlada por sua concentração no solo,
pH, teor de matéria orgânica e potencial de oxirredução. Concentrações
altas de Cu, Fe e Zn diminuem a absorção de Mn pelas plantas. A adição
de fontes de nitrogênio (N) que acidifiquem o solo aumenta a disponi-
bilidade de Mn graças à redução do pH do solo. A aplicação de K, na
forma de KCl, também aumenta a disponibilidade de Mn para as plantas.
Capítulo 12 • Manganês 305

Com relação ao P, relação inversa é relatada quanto à absorção de Mn


(TISDALE et al., 1985). Interações entre Mn e macro e micronutrientes
no solo são apresentadas na Tabela 5. Houve aumento nos teores de P,
enxofre (S) e boro (B) e diminuição nos teores de Cu, Fe e Zn.

Tabela 5. Interação entre manganês (Mn) e fósforo (P), enxofre (S), boro (B), cobre
(Cu), ferro (Fe) e zinco (Zn) no solo após o cultivo do feijoeiro.

Mn P S B Cu Fe Zn

(mg kg-1)

0 38,6 8,34 0,12 1,4 81,5 0,68

20 43,6 7,68 0,13 1,4 55,0 0,40

40 42,3 10,20 0,14 1,3 63,5 0,40

60 41,6 9,38 0,14 1,3 61,0 0,40

80 45,5 10,68 0,13 1,3 50,0 0,40

100 46,5 11,51 0,16 1,1 61,5 0,40


Fonte: adaptado de Heinrichs et al. (2001).

Recomendações de adubação com manganês


As recomendações de adubação com Mn devem ser feitas com
base na análise do solo. Quando o teor de Mn no solo está abaixo do
nível crítico, é esperada resposta da cultura à aplicação desse nutriente.
O nível crítico de Mn no solo varia conforme o pH do solo. De acordo
com Cox (1987), sob pH 6,0 e 7,0, os níveis críticos foram de 4,7 mg kg-1
e 9,7 mg kg-1 com o extrator Mehlich 1 (HCl 0,05 M + H2SO4 0,0125 M) e
de 3,9 mg kg-1 e 8,0 mg kg-1 com o extrator Mehlich 3 (CH3COOH 0,2 M +
NH4NO3 0,25 M + NH4F 0,015 M + HNO3 0,013 M + EDTA 0,001 M).
Segundo Gettier et al. (1985), quando o teor de Mn no solo é maior do
que 10 mg kg-1, extraído com Mehlich 1, a aplicação desse elemento não
é recomendada para as culturas anuais.
A fonte mais comum para corrigir a deficiência de Mn é o MnSO4,
cuja eficiência é comprovada tanto em solos ácidos como em alcalinos.
As principais fontes de Mn são apresentadas na Tabela 6.
306 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 6. Principais fontes de manganês (Mn).

Fonte Teor de Mn (%)

Cloreto de manganês (MnCl2) 17

Carbonato de manganês (MnCO3) 31

Óxido de manganês (MnO2) 63

Sulfato de manganês (MnSO4.4H2O) 26–28

Quelato de manganês (Mn-EDTA) 5–12

Fritas de manganês 10–35


Fonte: adaptado de Fageria et al. (2002).

A dose de Mn recomendada está em torno de 10 kg ha-1, meta-


de em aplicação a lanço e metade em aplicação no sulco (HATFIELD;
HICKEY, 1981). Mascagni Junior e Cox (1985) relataram como nível
ótimo para as culturas anuais a aplicação de 14 kg ha-1 de Mn a lanço e
3 kg ha-1 no sulco, utilizando MnSO4. A aplicação de 1 kg ha-1 a 2 kg ha-1
do produto (MnSO4) via foliar é outra maneira de corrigir a deficiência
desse nutriente.
Não existem muitos dados de pesquisa sobre uso de Mn via foliar
que quantifiquem as doses e respostas da cultura do feijoeiro. Porém,
Fernandes et al. (2007) avaliaram os efeitos de dose e época de aplica-
ção de Mn, por via foliar, na produtividade e qualidade fisiológica de
sementes do feijoeiro em solo de Cerrado. As doses de Mn utilizadas
foram 0, 150 g ha-1, 300 g ha-1 e 600 g ha-1 com o produto comercial
quelatizado (10% de Mn) em pulverização foliar com vazão de 200 L ha-1
de calda. Os tratamentos foram aplicados em três épocas: R5 (100% em
pré-florescimento), R6 (100% em florescimento pleno) e metade em R5 e
metade em R6. Mesmo em solo com alto teor de Mn (10 mg kg-1, extrator
DTPA-TEA), a aplicação via foliar do nutriente aumentou o número de
vagens por planta, a massa de 100 sementes e a produtividade de grãos
do feijoeiro. O número de vagens por planta e a produtividade de grãos
aumentaram de maneira quadrática com o aumento das doses de Mn.
As equações de regressão foram: doses de Mn versus número de vagens
(Y = 14,85 + 0,00774 X – 0,000015 X2, R2 = 0,96**1) e produtividade de
grãos (Y = 3392,60 + 1,831 X – 0,0022 X2, R2 = 0,99**). Com base nas
1
Significativo a 1% de probabilidade.
Capítulo 12 • Manganês 307

equações de regressão, a dose adequada para números de vagens foi de


258 g ha-1 e, para produtividade de grãos, de 298 g ha-1. Teixeira et al.
(2004) também verificaram efeito positivo da aplicação de Mn foliar na
produtividade do feijoeiro.

Considerações finais
A deficiência de Mn na cultura do feijoeiro no Brasil não é muito
comum. Porém, em alguns solos arenosos, sob pH alto (graças à aplicação
de calcário) e sob alto teor de matéria orgânica (que forma complexos),
pode ocorrer deficiência desse elemento. As valências mais comuns do
manganês são Mn2+, Mn3+ e Mn4+. Entre essas espécies, o Mn2+ é o mais
importante na absorção pelas plantas. Os principais fatores que influen-
ciam a absorção de Mn pelas plantas são pH, teor de matéria orgânica,
presença de O2, temperatura e potencial de oxirredução. O nível adequado
de Mn pelo extrator Mehlich 1 é definido como 8 mg kg-1 e, pelo extrator
DTPA-TEA, 6 mg kg-1. O nível tóxico de Mn no solo é definido como
128 mg kg-1 pelo extrator Mehlich 1 e 88 mg kg-1 pelo extrator DTPA-TEA.
O nível adequado de Mn na planta está em torno de 400 mg kg-1 na
fase inicial de crescimento (4 semanas após a semeadura). Informações
disponíveis na literatura mostram que a absorção de Mn é reduzida com
altas concentrações de Fe, Cu, Zn e P no solo, mas aumenta na presença
de N e K. A deficiência de Mn pode ser corrigida com a aplicação de
10 kg ha-1 a 15 kg ha-1 de Mn, na forma de sulfato de manganês no solo.
A aplicação de 1 kg ha-1 a 2 kg ha-1 do produto (MnSO4) via foliar é outra
maneira de corrigir a deficiência desse nutriente.
Capítulo 13

Ferro
310 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
A deficiência de ferro (Fe) nas culturas, que é um problema mun-
dial, é causada por fatores que interferem no processo de absorção e
utilização pelas plantas (CHEN; BARAK, 1982; FAGERIA, 2009; FAGERIA
et al., 2011; KORCAK, 1987; SNYDER; JONES, 1988; VOSE, 1982; WELCH
et al., 1991). Embora não seja comum no feijão, a deficiência de Fe em ar-
roz de terras altas é relatada frequentemente em vários estados brasileiros
em solos de Cerrado sob pH maior do que 6,0 (FAGERIA, 2000; FAGERIA
et al., 1994, 2011). Nesses solos, essa deficiência não está relacionada com
o baixo teor de Fe, mas com sua baixa absorção graças à precipitação e
diminuição da solubilidade.
De modo geral, os fatores que contribuem para a deficiência de Fe
nas plantas incluem baixo teor do nutriente no solo, aplicação de altas
doses de calcário e fosfato, alto teor de metais pesados – como zinco (Zn),
cobre (Cu) e manganês (Mn) –, alta e baixa temperaturas do ar, altas doses
de NO3-, alto teor de matéria orgânica, desequilíbrio de cátions e raízes
infectadas com nematoides (BROWN, 1961; FAGERIA, 2009; FAGERIA
et al., 1990, 1999; KORCAK, 1987; WALLACE; LUNT, 1960).
Segundo Chaney et al. (1972), a principal forma de absorção de
Fe pelas plantas (com exceção das monocotiledôneas) é Fe2+; mas, em
solos bem drenados, a forma Fe3+ é geralmente dominante. Contudo, esses
autores observaram que o Fe3+ deve ser obrigatoriamente reduzido para
Fe2+ antes de ser absorvido pelas raízes das plantas eficientes. Bienfait et al.
(1983) verificaram que a redução do Fe por uma enzima ocorre no plasma-
lema das células do córtex ou da epiderme. Uma discussão detalhada dos
mecanismos de absorção de Fe é feita por Marschner et al. (1986).

Ciclo no sistema solo-planta


O conteúdo de Fe é de cerca de 5,1% na litosfera e em torno de
3,8% no solo (LINDSAY, 1979). O Fe ocorre no solo em um grande núme-
ro de minerais primários e secundários. Pelo intemperismo, esses minerais
decompõem-se, e o Fe liberado é precipitado como óxidos e hidróxidos
férricos. Solos tropicais são tipicamente ricos em óxidos, principalmente
de Fe e alumínio (Al). Os óxidos de Fe mais comumente encontrados nos
solos brasileiros são hematita, goethita, maghemita, magnetita e ilmenita
(FERREIRA et al., 2003b). A cor marrom, vermelha ou amarela dos perfis
de solos é resultado da presença de óxidos de Fe, exceto na parte mais
Capítulo 13 • Ferro 311

superficial, onde a cor pode ser mascarada pelo efeito da matéria orgâ-
nica (BIGHAM; CIOLKOSZ, 1993; CORNELL; SCHWERTMANN, 1996;
FERNANDES et al., 2004).
A solubilidade do Fe nos solos é controlada pelo Fe(OH)3 em solos
bem oxidados, pelo Fe3(OH)8 em solos moderadamente oxidados e pelo
FeCO3 em solos altamente reduzidos (LINDSAY; SCHWAB, 1982). As es-
pécies de Fe3+ hidrolisadas – Fe(OH)2+ e Fe(OH)30 – são as formas de Fe
inorgânico mais abundantes na solução do solo, mas são mantidas em
níveis muito baixos para suprir adequadamente as plantas.
A atividade do Fe3+ é altamente dependente do pH do solo, e sua
solubilidade diminui 1.000 vezes a cada unidade de aumento do pH
(LINDSAY; SCHWAB, 1982). A influência do pH no teor de Fe extraído
pelo extrator Mehlich 1 em solo de várzea pode ser vista na Tabela 1.
O teor de Fe no solo diminuiu linearmente com o aumento do pH na faixa
de 4,9 a 7,0. Da mesma forma, o teor de Fe na parte aérea do feijoeiro di-
minuiu significativamente com o aumento do pH (Figura 1). A diminuição
no teor de Fe foi quase linear quando o pH aumentou de 5,0 para 6,0 e
depois estabilizou.

Tabela 1. Teor de ferro (Fe) (extraído pelo extrator Mehlich 1) em solo de várzea
sob diferentes pH.

pH do solo em água Teor de Fe (mg kg-1)

4,9 297
5,9 231
6,4 187
6,7 158
7,0 148
Análise de Regressão
(1) 673,50
(2) -75,69
R 2(3)
0,55**
(1)
Interseção.
(2)
Coeficiente angular.
(3)
Coeficiente de determinação.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: Fageria e Baligar (1999).
312 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Figura 1. Relação entre pH do solo e teor de ferro (Fe) na


parte aérea do feijoeiro.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria et al. (2006a).

Nos solos bem drenados, o Fe é muito pouco solúvel em água e,


mesmo nos solos ricos em Fe, as plantas podem sofrer deficiência desse
nutriente. Nesses solos, a solubilidade do Fe diminui com o aumento do
pH pela seguinte reação:
Fe3+ + 3OH- ⇔ Fe(OH)3 (precipitado)
Quimicamente, o Fe(OH)3 é equivalente ao óxido hidratado
Fe2O3.3H2O. A calagem é uma prática essencial em solos ácidos, como
os do Cerrado ou das várzeas do Brasil, para aumentar o pH e obter altas
produtividades, principalmente das culturas de soja e feijão. Nesse caso,
pode ocorrer a deficiência de micronutrientes, inclusive do Fe.

Sintomas de deficiência
O Fe é imóvel na planta; portanto, sua deficiência – como clorose
internerval e, mais tarde, como manchas necróticas (Figura 2) – aparece
primeiro nas folhas mais novas. Com o tempo, toda a planta torna-se
Capítulo 13 • Ferro 313

amarelada, em tom de palha. Em caso de deficiências severas, a planta


morre ou apenas cessa de crescer.
As nervuras das folhas são as últimas que perdem a clorofila quando
aparece a deficiência de Fe na planta. Nas folhas verdes, aproximadamen-
te 80% do Fe está localizado nos cloroplastos (FAGERIA et al., 2006a).
Portanto, a deficiência de Fe afeta o processo metabólico da planta.
Também ocorre a perda de clorofila, que está relacionada com a redução
de constituintes do tilacoide, o que faz diminuir também a quantidade dos
pigmentos fotossintéticos (MONGE et al., 1987; TERRY; ABADIA, 1986).
Existem publicações com fotografias coloridas para facilitar a
identificação dos sintomas da deficiência de Fe nas plantas de feijoeiro
(FAGERIA et al., 1996; ROSOLEM, 1996; WALLACE, 1961; WILCOX;
FAGERIA, 1976).

Foto: Sebastião Araújo

Figura 2. Plântulas de feijoeiro com deficiência de ferro (Fe).


Fonte: Fageria et al. (1996).

Funções
O Fe é necessário para as plantas na síntese da clorofila. Embora
o micronutriente participe desse processo, ele não faz parte da clorofila
propriamente dita; entretanto, 75% do Fe da folha estão nos cloroplastos.
314 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Portanto, quando há deficiência do Fe, diminuem-se o teor de clorofila e


o número de cloroplastos e há menor quantidade de grana nos mesmos
(MALAVOLTA, 1980). Além disso, o Fe é componente de várias enzimas
que são catalisadoras de processos metabólicos das plantas. Entre as
enzimas com Fe, as ferredoxinas têm importância especial graças a sua
participação no processo fotossintético (FAGERIA et al., 2006a). Outra
função do Fe é a síntese de proteínas, entre elas, a ribossômica (RNA):
quando há carência de Fe, diminuem o teor de RNA e a síntese proteica.
Além disso, Fageria (1992) mostrou que o Fe aumentou o desenvolvi-
mento do sistema radicular do arroz em solução nutritiva.

Teores adequado e tóxico no solo


Os teores adequado e tóxico de Fe no solo são dependentes do
pH do solo e do extrator usado. Vários extratores têm sido comparados
para estabelecer os níveis críticos de Fe no solo e na planta (FAGERIA
et al., 1990). Norvell (1984), depois de comparar cinco extratores
(DTPA1, EDTA 2, HEDTA3, NTA4 e EGTA5), concluiu que o DTPA e o
HEDTA foram mais eficientes para a extração de Fe, Mn, Zn, Cu, Al,
níquel (Ni) e cádmio (Cd). O extrator DTPA pode ser usado para solos
ácidos, neutros ou alcalinos. O nível crítico de Fe no solo, pela extra-
ção com DTPA, situa-se na faixa de 2,5 mg kg-1 a 5,0 mg kg-1 (SIMS;
JOHNSON, 1991).
No Brasil, Mehlich 1 é o extrator geralmente usado em análise
de rotina pela maioria dos laboratórios. Com esse método, o nível crí-
tico de Fe no solo é relatado na faixa de 4 mg kg-1 a 8 mg kg-1 para a
maioria de culturas anuais (FAGERIA, 1992). Nos solos brasileiros, tanto
de Cerrado como de várzea, existe Fe em quantidade suficiente, não
havendo, portanto, necessidade de aplicação de Fe para a cultura do
feijoeiro. Não existem dados na literatura sobre níveis críticos tóxicos de
Fe no solo para a cultura do feijoeiro. Observa-se, na Tabela 2, o teor
de Fe em solo de Cerrado após três cultivos de feijoeiro em razão de
doses de Fe aplicado como sulfato ferroso. Quando foi usado o extra-
tor Mehlich 1, não houve correlação entre doses e teor de Fe no solo.
Contudo, quando se utilizou o extrator DTPA, a correlação foi positiva e
significativa. Apesar disso, não houve resposta do feijoeiro à aplicação
de Fe.
Capítulo 13 • Ferro 315

Tabela 2. Teor de ferro (Fe) em solo de Cerrado obtido


com os extratores Mehlich 1 e DTPA após três cultivos
de feijoeiro em plantio direto. O Fe foi aplicado a lanço
antes do primeiro cultivo.

Dose de Fe Fe (Mehlich 1) Fe (DTPA(1))


(kg ha-1) (mg kg-1)

0 51 23

50 54 25

100 53 24

150 52 25

200 53 25

400 55 27

R2(2) 0,49ns 0,82*


(1)
Ácido dietilenotriaminopentacético.
(2)
Coeficiente de determinação.
ns
Não significativo a 5% de probabilidade.
* Significativo a 1% de probabilidade.

Teores adequado e tóxico na planta


Os teores adequado e tóxico de Fe na planta dependem de idade e
parte da planta analisada. Além disso, espécies de plantas ou cultivares da
mesma espécie também influenciam o teor de Fe na planta. Na Tabela 3,
são apresentados os dados de níveis críticos de Fe para várias culturas
anuais. Marschner (1995) relatou que o nível crítico para deficiência nas
culturas anuais está na faixa de 50 mg de Fe kg-1 a 150 mg de Fe kg-1 de
matéria seca. Porém, Romheld e Marschner (1991) relataram que o nível
crítico de Fe situa-se na faixa de 30 mg kg-1 a 50 mg kg-1 de matéria seca
da parte aérea. Não existem dados de níveis tóxicos de Fe na planta do
feijoeiro.
316 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 3. Nível adequado de ferro (Fe) na parte aérea de várias culturas anuais.

Nível adequado
Cultura Estádio de crescimento / Parte analisada
de Fe (mg kg-1)

Feijão Início da floração / Folha trifoliolada superior bem 100–300


desenvolvida

Arroz Perfilhamento / Toda a parte superior 70–300

Trigo Pré-espigamento / Toda a parte superior 25–100

Cevada Espigamento / Toda a parte superior 25–100

Milho De 30 a 45 dias após a emergência / Toda a parte 50–300


superior

Sorgo Surgimento da plântula / Toda a parte superior 160–250

Soja Antes da iniciação de vagens / Folha trifoliolada 51–350


superior bem desenvolvida

Amendoim Início da frutificação / Caule e folhas superiores 100–250


Fonte: Fageria et al. (2011).

Teor e acumulação na planta durante o ciclo


A absorção de Fe é um processo ativo; é necessária atividade
metabólica para transportar o Fe das raízes para a parte aérea. Os vá-
rios fatores que determinam a absorção de Fe pelas plantas são o pH
do solo, o teor de matéria orgânica, o estado de oxidação-redução, a
espécie ou as cultivares da mesma espécie e a concentração de Fe no
solo. A absorção também é influenciada pela concentração de outros
elementos, como Mn, Cu e Zn. Nos solos arejados, a disponibilidade
de Fe é também governada pela formação de quelatos de Fe (que são
derivados de matéria orgânica), microrganismos do solo e exsudatos
das raízes. O teor e a acumulação de Fe durante o ciclo da cultura do
feijoeiro estão ilustrados na Figura 3. O teor de Fe diminuiu de maneira
quadrática com o aumento da idade da planta, enquanto a acumulação
aumentou da mesma maneira até aos 70 dias de idade e depois dimi-
nuiu (o que está relacionado com a translocação do nutriente para as
vagens ou os grãos).
Capítulo 13 • Ferro 317

Figura 3. Teor e acumulação de Fe na parte aé-


rea do feijoeiro durante o ciclo da planta.
** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).

Marschner (1995) e Romheld e Marschner (1986), com base no


sistema de aquisição do Fe expressado sob deficiência desse elemento,
dividiram as plantas em dois grupos quanto à absorção de Fe: plantas
com estratégia I (plantas dicotiledôneas e monocotiledôneas não gramí-
neas) e plantas com estratégia II (plantas da família gramínea, incluindo
arroz, cevada, aveia, trigo e gramíneas forrageiras) (ALAM et al., 2000).
As plantas do primeiro grupo liberam íon H na rizosfera, o que solubiliza
o Fe e aumenta sua disponibilidade para as plantas. Além disso, essas
plantas reduzem o Fe3+ para Fe2+ na superfície das raízes, liberam com-
postos das raízes que reduzem o Fe e aumentam seus ácidos orgânicos,
particularmente acido cítrico, o que aumenta a disponibilidade de Fe.
O segundo grupo caracteriza plantas que liberam ou produzem aminoá-
cidos não proteinogênicos, chamados fitosideróforos, que são produzidos
na rizosfera por microrganismos e fungos para aumentar a disponibilidade
de Fe (NEILANDS; LEONG, 1986). De acordo com Romheld e Marschner
(1986) e Marschner et al. (1986), os fitosideróforos são também sintetizados
318 Nutrição Mineral do Feijoeiro

na parte final da raiz e liberados na rizosfera para a solubilização do


Fe. As funções desses fitosideróforos são solubilizar e transportar Fe3+ no
processo de absorção pelas plantas (NEILANDS; LEONG, 1986). Os fito-
sideróforos têm grande afinidade com Fe3+, principalmente sob alto pH
(MARSCHNER, 1995). Observa-se, na Figura 4, o mecanismo de redução
de Fe3+ para Fe2+ no processo de absorção do Fe pelas plantas dicotile-
dôneas. Essas plantas produzem agentes, como o nicotinamida adenina
dinucleotídeo fosfato hidreto (NADPH), que reduzem o Fe3+ para Fe2+ na
superfície da membrana das raízes. Dessa maneira, o Fe2+ é absorvido
pela célula da raiz, e o quelato é liberado na solução do solo, podendo
formar complexo com outro íon de Fe, de modo a continuar o processo
de absorção.

Figura 4. Mecanismo de redução de Fe3+ para Fe2+ e


absorção de ferro (Fe) pelas plantas dicotiledôneas.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).
Ilustração: Sebastião Araújo

Eficiência de uso do ferro


A eficiência de uso do Fe é baixa em solos bem drenados graças
à sua precipitação com a formação de hidróxidos. Entretanto, em solos
inundados, existe o problema de toxidez de Fe. Há diferença varietal
Capítulo 13 • Ferro 319

tanto para a deficiência como para a toxidez de Fe (FAGERIA, 2009).


O mecanismo de eficiência sob baixo teor de Fe está relacionado com a
liberação de fitosideróforos ou agentes quelatados para aumentar a taxa
de absorção do nutriente. Também se observa que algumas variedades
causam a redução do pH do solo, o que solubiliza o Fe e, consequente-
mente, aumenta a sua absorção.
A eficiência de uso do Fe pela cultura do feijoeiro durante o ciclo
é apresentada na Tabela 4. A eficiência na parte aérea aumentou line-
armente com a idade da planta, com uma variabilidade de 83%. A efi-
ciência de uso foi maior nos grãos em comparação com a parte aérea.
Existem diferenças entre espécies de plantas na absorção e utilização de
Fe. Na Tabela 5, são assim classificadas as culturas anuais com relação à
eficiência do uso de Fe: eficiente, moderadamente eficiente e não eficien-
te. O feijão é considerado eficiente.

Tabela 4. Eficiência de uso de ferro (Fe) (EUFe)


na parte aérea e nos grãos do feijoeiro.

Idade da planta EUFe


(dia) (kg g-1)(1)

15 1,4

29 1,4

43 1,6

62 5,4

84 4,6

96 6,6

96 (nos grãos) 13,5

Análise de Regressão

Idade da planta (X) vs. EUFe (Y) = 0,1662 +


0,0668 X, R2 = 0,8299**
Massa da matéria seca da parte aérea ou dos grãos/
(1)

Acumulação de Fe na parte aérea ou nos grãos.


** Significativo a 1% de probabilidade.
Fonte: adaptado de Fageria (2009).
320 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 5. Classificação das culturas quanto ao uso do ferro (Fe).

Eficiente Moderadamente eficiente Não eficiente

Feijão Cevada Arroz de terras altas

Trigo Milho Sorgo

Girassol Aveia Soja

Amaranto Alfafa Amendoim

Batata Milheto
Fonte: Fageria (2009).

Interação com outros nutrientes


A absorção e a utilização do Fe são influenciadas pela concentração
de outros nutrientes no meio de crescimento da planta. Essa interação,
que pode ser negativa ou positiva, pode aumentar ou diminuir a absorção
de Fe e de outros nutrientes e pode influenciar a produtividade das cultu-
ras. A interação entre Fe e fósforo (P) é bastante conhecida: o P precipita
o Fe na rizosfera e diminui sua absorção pelas plantas. A formação de
camada de Fe e P na superfície das raízes é relatada por Follett et al.
(1981). Alguns pesquisadores também relataram que a interação de Fe e P
pode ocorrer dentro da planta (TIFFIN, 1970). Hale et al. (1987) relataram
que existe forte interação entre Fe e P no metabolismo das plantas e que
alta concentração de Fe pode resultar em deficiência de P e vice-versa.
Interações negativas entre Fe e Cu e Fe e Mn podem ocorrer dependendo
da concentração de cada elemento no solo (FOLLETT et al., 1981).

Correção da deficiência
Geralmente, as análises de solo e plantas são usadas como guias
para identificar e corrigir as deficiências nutricionais (BRADY; WEIL,
2002; FAGERIA et al. 2002). Como critério de avaliação da deficiência de
Fe, essas análises devem ser usadas com cautela, porque outros fatores,
além da quantidade extraível desse nutriente, afetam sua disponibilidade.
Quando o pH é alto (> 6,0), frequentemente é observada deficiência
de Fe graças à sua precipitação, o que faz com que a planta não possa
absorvê-lo (OLIVEIRA et al., 1996; VOSE, 1982). Da mesma maneira, o Fe
nas folhas das plantas fica inativo e, às vezes, as folhas com deficiência
Capítulo 13 • Ferro 321

apresentam maior teor desse elemento do que as normais (FAGERIA et al.,


1994).
A aplicação de Fe via fontes inorgânicas não é efetiva para controlar
sua deficiência, a não ser em doses muito altas. Doses variando de 200 kg
de FeSO4 ha-1 a 560 kg de FeSO4 ha-1 , que são necessárias para corrigir
a deficiência de Fe nas culturas anuais (KANNAN, 1984), geralmente são
antieconômicas (MORTVEDT, 1991). As estratégias mais econômicas para
corrigir a deficiência de Fe são aplicação foliar e uso de cultivares eficien-
tes. A aplicação de solução de 1% a 2% de FeSO4.7H2O pode corrigir a
deficiência na maioria das culturas.
A fonte inorgânica mais comum de Fe é o FeSO4, mas existem
outras fontes de Fe que podem ser usadas (Tabela 6). A aplicação de Fe
no sulco é mais efetiva do que a aplicação a lanço (MORTVEDT, 1986,
1991). A correção da deficiência de Fe por meio de fontes inorgânicas e
quelatos foi revisada por Hagstrom (1984).

Tabela 6. Principais fontes inorgânicas de ferro (Fe).

Fonte Teor de Fe (%)

Sulfato ferroso (FeSO4.7H2O) 20

Sulfato férrico [Fe2(SO4)3.4H2O] 23

Sulfato de ferro e amônio [FeSO4(NH4)2SO4.6H2O] 14

Quelato de ferro (Fe-EDTA) 12

Quelato de ferro (NaFe-HDTPA) 10

Óxido ferroso (FeO) 77

Óxido férrico (Fe2O3) 69

Fosfato de ferro e amônio [Fe(NH4)PO4.H2O] 29

Polifosfato de ferro e amônio [Fe(NH4)HP2O7] 22


Fonte: Fageria (1989, 2009), Mortvedt (1991) e Tisdale et al. (1985).

Considerações finais
O Fe é um nutriente essencial, que participa em vários processos
metabólicos das plantas, como respiração, fotossíntese, síntese de DNA,
fixação de N2 e formação de hormônios. A disponibilidade de Fe é
322 Nutrição Mineral do Feijoeiro

controlada por pH do solo, concentração de Fe no solo, teor de oxi-


gênio (O) no solo, potencial de oxirredução, teor de matéria orgânica e
concentrações de outros elementos, como Zn, Cu e Mn. Em solo bem
drenado, a melhor prática para corrigir a deficiência de Fe na cultura do
feijoeiro é a aplicação de sulfato ferroso via foliar na concentração de 1%
a 2%, dependendo da idade da planta. O teor adequado de Fe na planta
varia de 50 mg kg-1 a 300 mg kg-1, conforme a idade da planta. O nível
adequado no solo também depende de vários fatores, mas, em média,
é de aproximadamente 5 mg kg-1 de solo. O nível tóxico de Fe na planta
em geral é maior do que 400 mg kg-1 e, no solo, situa-se na faixa de
300 mg kg-1 a 500 mg kg-1. Esses valores são referência e podem mudar
com fatores como pH do solo, teor de matéria orgânica, cultivar plantada
e fertilidade do solo.
Capítulo 14

Molibdênio
324 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Introdução
O molibdênio (Mo), nutriente essencial tanto para as plantas
como para os animais, tem o maior peso atômico (95,94) entre todos
os nutrientes essenciais para as plantas. Arnon e Stout (1939) estabele-
ceram a essencialidade do Mo para as plantas usando o tomate como
planta-teste (FAGERIA et al., 2011; MARSCHNER, 1995). Em geral, solos
derivados de granitos e de argilitos são mais ricos em Mo. O teor de
Mo na litosfera, que é mínimo em comparação com o de outros mi-
cronutrientes, geralmente situa-se na faixa de 0,2 mg kg-1 a 5 mg kg-1,
com valor médio de 2 mg kg-1 (LINDSAY, 1979). Kabata-Pendias (2000)
relatou que o teor de Mo em cinco classes de solos variou de 0,1 mg kg-1
a 7,35 mg kg-1, com valor médio de 1,52 mg kg-1. Singh (2008) mencio-
nou que o valor médio de Mo em solos da Índia variou de 1 mg kg-1 a
2 mg kg-1 em comparação com o valor de 0,2 mg kg-1 a 5 mg kg-1 de Mo
em âmbito mundial.
Existem poucos trabalhos de pesquisa sobre a necessidade de Mo
pelas culturas em comparação com os outros micronutrientes como
zinco (Zn), ferro (Fe), cobre (Cu), boro (B) e manganês (Mn) (FAGERIA,
2009). Porém, a deficiência de Mo é relatada, nos Estados Unidos, na
cultura da soja (BURMESTER et al., 1988) e, no Brasil, na cultura do
amendoim (QUAGGIO et al., 2004). A deficiência de Mo em culturas
anuais também é relatada na Austrália por Anderson (1970) e Holloway
et al. (2008). Singh (2008) constatou que, na Índia, com base na análise
de solos e plantas, 11% dos solos são deficientes em Mo.
Brodrick et al. (1992), Kubota et al. (2008) e Sfredo et al. (1997)
relataram que, por causa da baixa concentração do nutriente nos solos e
de sua utilização sem a devida reposição, tem-se tornado comum a de-
ficiência de Mo em cultivos agrícolas, principalmente em solos bastante
intemperizados de regiões tropicais.
A deficiência de Mo é mais comum em solos arenosos, solos ácidos
com altos teores de óxidos de Fe e alumínio (Al), podzolizados com baixo
teor de Mo e em alguns solos calcários (MORTVEDT; CUNNINGHAM,
1971; RUBINS, 1956). Enquanto os solos ácidos são naturalmente
deficientes em Mo, os alcalinos apresentam excesso desse elemento
(FAGERIA, 2009). Clark (1984) mencionou que sementes produzidas em
Capítulo 14 • Molibdênio 325

solos deficientes em Mo são também responsáveis pelo aparecimento


de deficiência de Mo em culturas anuais. Além disso, esse autor relatou
que os distúrbios fisiológicos que ocorrem nas plantas cultivadas em
solos ácidos são as toxicidades de Al e Mn e deficiências de cálcio (Ca),
magnésio (Mg), Mo e fósforo (P). A acidificação dos solos é responsá-
vel pela deficiência de Mo em pastagens de leguminosas na Austrália
(BRENNAN, 2002). A deficiência de Mo em culturas como mostarda,
leguminosas como amendoim, trevo subterrâneo e soja, e em trigo e
girassol tem sido relatada em várias partes do mundo (ALLOWAY, 2008).
Sillanpaa (1990) analisou 190 amostras de solo de 15 países e relatou
que 15% dos solos analisados apresentaram baixos teores de Mo, Zn, B,
Cu, Mn e Fe. Alloway (2008) relatou as deficiências de micronutrientes
no solo, com base nos teores relatados por Sillanpaa (1990), na seguinte
ordem decrescente: Zn (49%), B (24%), Mo (15%), Cu (14%), Mn (10%)
e Fe (3%). Os fatores de solo e plantas que estão relacionados com a
deficiência de micronutrientes, inclusive do Mo, são apresentados nas
Tabelas 1 e 2.

Tabela 1. Solos ou propriedades comumente associados com deficiências de


micronutrientes.

Solo ou propriedade do solo Micronutriente em deficiência

Textura arenosa e forte lixiviação B, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo, Ni, Zn

Alto teor de matéria orgânica (> 10%) Cu, Mn, Zn

Alto pH do solo (> 7) B, Cu, Fe, Mn, Ni, Zn

Alto teor de CaCO3 (> 15%) (solo calcário) B, Cu, Fe, Mn, Ni, Zn(1)

Solo que recentemente recebeu calcário B, Cu, Fe, Mn, Ni, Zn

Alto teor de sais (solo afetado por sais) Cu, Zn, Fe, Mn

Solo ácido Mo, Cu, Zn

Gleissolo Zn

Solo muito argiloso Cu, Mn, Zn


A deficiência de vários elementos pode ocorrer em solos arenosos e calcários.
(1)

Fonte: adapatado de Fageria et al. (2002).


326 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Tabela 2. Fatores da planta associados com deficiências de micronutrientes.

Genótipo (cultivares eficientes e não eficientes)

Suprimento de nitrogênio (efeitos na taxa de crescimento, diluição, elementos presos


em proteínas na folhagem)

Suprimento de fosfato [efeitos na taxa de crescimento – diluição (por exemplo, cobre)


e metabolismo (por exemplo, zinco)]

Estresse de umidade (absorção reduzida em condições de seca)

Estresse de temperatura (alta e baixa temperaturas)

Alta e baixa intensidade de luz

Condições radiculares (restrições na zona radicular reduzem o volume de solo explo-


rado pelas raízes)

Infecção micorrizal (aumento do volume efetivo das raízes)

Secreção de exsudatos radiculares (por exemplo, fitosideróforos)

Doença patológica

Uso de agroquímicos (por exemplo, glifosato, que induz deficiências de manganês,


zinco etc.)

Efeitos antagônicos de outros micronutrientes (por exemplo, cobre-zinco, ferro-cobre,


ferro-manganês e cobre-manganês)

Cultura anterior (há alguma evidência de que produtos da mineralização de algumas


espécies de plantas podem tornar certos micronutrientes menos disponíveis no solo.
Um exemplo disso é a deficiência de cobre em trigo semeado em sequência à canola).
Fonte: adapatado de Fageria et al. (2002).

Ciclo no sistema solo-planta


O ciclo de nutrientes envolve a sua aplicação no solo, a transforma-
ção, a lixiviação, a imobilização (adsorção e precipitação) e a absorção
pelas plantas. O conhecimento do ciclo dos nutrientes é muito importante
para determinar os fatores que afetam a sua transformação na rizosfera,
sua disponibilidade e, consequentemente, a eficiência do seu uso pela
planta. A forma oxianiônica de Mo (MoO42-) é a mais estável na solução
do solo e é a absorvida pelas plantas (CLARK, 1984). O molibdato é
adsorvido ou polimerizado sob condições ácidas, o que causa sua baixa
disponibilidade em solos ácidos (MORTVEDT, 1994). A baixa mobiliza-
ção (adsorção e precipitação) em solos ácidos se dá principalmente pelos
Capítulo 14 • Molibdênio 327

óxidos de Fe e Al, de maneira similar à que acontece com sulfatos e fosfa-


tos (MENGEL et al., 2001; RAIJ, 1991). Em solos ácidos (com exceção dos
solos arenosos), a precipitação do Mo aplicado na forma de Na2MoO4 é
rápida, e a lixiviação de Mo não ocorre (SMITH; LEEPER, 1969). Embora
a mobilidade de Mo em solos ácidos seja baixa, ela é maior do que a do
P (LAVY; BARBER, 1964). Observou-se que o Mo aplicado na forma de
(NH4)2MoO4 foi lixiviado em solos turfosos e arenosos, mas não em solos
ácidos lateríticos (JONES; BELLING, 1967).
O molibdato é transformado em Fe2(MoO4)3 com a adsorção de
óxido de Fe em solos ácidos (GOLDBERG; FORSTER, 1998; LINDSAY,
1979). Alloway (2008) relatou que a disponibilidade dos micronutrientes
absorvidos na forma de cátions, como Cu2+, Fe3+, Mn2+ e Zn2+, aumenta
em solos ácidos, mas a dos absorvidos na forma aniônica, como MoO42-
e HMoO4-, diminui. Portanto, os solos ácidos altamente intemperizados
são geralmente deficientes em Mo (JONES, 1985). A transformação na
solução do solo é controlada pelo pH (ADAMS et al., 1990; GOLDBERG;
FORSTER, 1998). Com o seu aumento, a adsorção de Mo diminui, aumenta
sua solubilidade e, consequentemente, aumenta sua disponibilidade para
as plantas (BARBER, 1995). Barber (1995) relatou que a solubilidade do Mo
aumenta 10 vezes com o aumento de uma unidade de pH do solo graças
à dessorção do molibdato. Foi relatada interação significativa e positiva
entre calagem e disponibilidade de Mo (MORTVEDT; CUNNINGHAM,
1971). Portanto, a prática de calagem resolve o problema de deficiên-
cia de Mo em solos ácidos (HODGES et al., 1994; MORTVEDT, 1994;
QUAGGIO et al., 1998; ROSOLEM; CAIRES, 1998). Adicionalmente, seu
efeito positivo no cultivo de leguminosas tem sido associado ao melhor
fornecimento de Ca e Mg, à maior disponibilidade de Mo para o com-
plexo nitrogenase e a outros processos na planta não relacionados com a
fixação biológica de nitrogênio (N) (QUAGGIO et al., 2004).

Funções do molibdênio
O Mo é indispensável para a fixação biológica de N2 pelas plantas
leguminosas (FERREIRA et al., 2003a; ROSOLEM, 1996; SILVA et al. 2006;
SIQUEIRA; MOREIRA, 2002), pois tem importante função no sistema
enzimático de fixação de N2, o que sugere que plantas dependentes de
simbiose, quando sujeitas à deficiência do Mo, ficam também carentes
de N (MARSCHNER, 1995; OLIVEIRA et al., 1996). Vieira et al. (1998a,
328 Nutrição Mineral do Feijoeiro

2005a) demonstraram que os rizóbios nativos do solo podem ter sua efici-
ência simbiótica aumentada quando o feijoeiro é fertilizado com Mo em
período definido do seu ciclo vegetativo. O nutriente, que é essencial para
a atividade fotossintética nas plantas, participa em reações de redução
ou mudança na valência (CLARK, 1984). A necessidade de Mo para as
leguminosas é maior do que para os cereais por causa de sua importância
na nodulação e fixação de N2 (FAGERIA, 2009). O Mo é componente es-
sencial para duas enzimas: a nitrogenase e a redutase de nitrato (CLARK,
1984; CLARKSON; HANSON, 1980). A função do Mo no metabolismo
de N na planta é reduzir NO3- para NO2-. Silva et al. (2006) relataram
que o uso de Mo via foliar proporciona o menor tempo para a máxima
hidratação de grãos. Há relevantes trabalhos sobre a cultura do feijoeiro
em que é confrontado o uso de adubações com N e Mo, visando-se
obter informações quanto ao ganho de produtividade (ANDRADE, 1998;
ANDRADE et al., 2001; BASSAN et al., 2003).

Sintomas de deficiência
A deficiência de Mo é igual à de N porque o Mo participa da fixação
biológica de N2. A deficiência de Mo é observada nas folhas mais velhas
das plantas (CLARK, 1984; FAGERIA, 2009), ao contrário da deficiência
da maioria dos micronutrientes. Os sintomas são amarelecimento das
folhas mais velhas inicialmente, e, depois, todas as folhas ficam amarelas.
As plantas com deficiência de Mo apresentam teor alto de NO3- pois esse
micronutriente participa da redução do nitrato na planta (MORTVEDT;
CUNNINGHAM, 1971).

Teor e acumulação nas plantas


As plantas necessitam de menos Mo do que de qualquer outro mi-
cronutriente (MORTVEDT, 1994). Enquanto, para alguns autores (EPSTEIN;
BLOOM, 2005), o teor de Mo nas plantas situa-se entre 0,1 mg kg-1 e
10 mg kg-1 de matéria seca, para outros (CLARK ,1984), o valor é menor do
que 1 mg kg-1. O nível crítico de deficiência está na faixa de 0,1 mg kg-1 a
1 mg kg-1 de matéria seca da planta. Níveis adequados de Mo nos tecidos
das principais culturas, inclusive do feijão, são apresentados na Tabela 3.
As plantas podem absorver Mo em excesso sem causar toxicidade
(MENGEL et al., 2001). Romheld e Marschner (1991) relataram que plantas
Capítulo 14 • Molibdênio 329

Tabela 3. Teor adequado de Mo nos tecidos das principais culturas.

Teor adequado
Cultura Parte da planta analisada
(mg kg-1)

Feijão Toda parte aérea (idade: 8 semanas) 0,4–0,8

Alfafa Toda parte aérea (antes da floração) 1–5

Cevada Toda parte aérea (na floração) 0,3–0,5

Milho Folha-bandeira (antes do espigamento) 0,1–2,0

Trigo Lâmina foliar (antes do espigamento) 0,05–0,1

Arroz Folhas superiores maduras (no perfilhamento) 0,5–2,0

Soja Trifólio superior completamente desenvolvido (antes 1–5


do estabelecimento das vagens)

Amendoim Colmos e folhas superiores (na formação das vagens) 1–5


Fonte: adaptado de Fageria (2009).

podem absorver Mo na faixa de 200 mg kg-1 a 1.000 mg kg-1 de matéria


seca sem efeito adverso no crescimento. Fageria (2009) mencionou que
a toxicidade de Mo não ocorre até 500 mg kg-1 de matéria seca da parte
aérea.

Interação com outros nutrientes


A interação de Mo com outros macro e micronutrientes é fator
importante na identificação e correção da deficiência desse elemento.
O conhecimento dessa interação é importante para o fornecimento do
nutriente em quantidade adequada e para aumentar a produtividade das
culturas. A interação pode ser positiva, negativa ou neutra, dependendo
dos nutrientes envolvidos. Para se obter a produtividade máxima, é ne-
cessário que todos os nutrientes essenciais estejam em nível adequado
no solo.
Há relação antagônica entre Mo, Cu e sulfato (SO42-). A redução
na absorção de Mo foi relatada com o aumento de teor de SO42- no solo
(CLARK, 1984; REISENAUER, 1963). Registram-se, na literatura, algumas
explicações para este fato: para Stout et al. (1951), a redução na absorção
de Mo pelo SO42- dá-se pela competição por dois ânions de mesmo
tamanho. Reisenauer (1963) sugere que o SO42- inibe a utilização de
330 Nutrição Mineral do Feijoeiro

MoO42- dentro da planta. Para Gubler et al. (1982), a explicação é que


a redução do pH pode liberar mais SO42-, o qual pode competir com
a absorção de MoO42-. Sob baixo pH, pode ocorrer mais adsorção de
MoO42-, o que pode reduzir a absorção de Mo (MENGEL et al., 2001).
Foi observado efeito sinérgico entre P e Mo (GREENWOOD;
HALLSWORTH, 1960; GUPTA; MUNRO, 1969), especialmente em solos
ácidos (BARSHAD, 1951). Stout et al. (1951) relataram que alta concentra-
ção de P na solução nutritiva aumenta em 10 vezes a absorção de Mo e
que o P aumenta a liberação do Mo das células das raízes para o sistema
de translocação. Ainda, o P forma o complexo fosfomolibdato, que é
mais rapidamente absorvido pelas plantas (BARSHAD, 1951). Portanto,
a aplicação de P junto com o Mo é uma estratégia para aumentar a dis-
ponibilidade desse micronutriente para as plantas. É relatada interação
significativa entre Mo e Fe (OLSEN, 1972; OLSEN; WATANABE, 1979), em
que ocorre inibição do Fe pelo Mo, mas não o contrário (CLARK, 1984).
O antagonismo entre Mo e Cu foi observado por Jackson (1967).

Estratégia de manejo
O primeiro passo para o manejo adequado de nutrientes ou para a
obtenção da máxima produtividade econômica é o diagnóstico de defici-
ência, que pode ser feito a partir de detecção visual de sintomas, análises
de solo e plantas e ensaios em casa de vegetação e campo (FAGERIA,
2009; FAGERIA et al., 2011). No Brasil, a análise do solo é mais comu-
mente adotada para fazer recomendações de calagem e adubação para
as culturas anuais. Porém, a combinação de detecção visual de sintomas,
análise do solo e análise de plantas deve ser usada para o manejo adequa-
do do Mo e a obtenção de resultados mais apropriados para a máxima
produtividade econômica do feijoeiro.

Calagem em solos ácidos


Ao contrário da disponibilidade dos demais micronutrientes, que
diminui com o aumento do pH, a de Mo aumenta com o aumento do pH
em solos ácidos. Portanto, a calagem é a prática mais efetiva e econômica
para corrigir a deficiência de Mo em solos ácidos. O nível adequado
do pH depende do solo, das espécies de plantas e de cada genótipo
da espécie. O pH adequado para a cultura do feijoeiro varia em torno
de 6,4 a 6,8 (FAGERIA; BARBOSA FILHO, 2008; FAGERIA et al., 2008b)
Capítulo 14 • Molibdênio 331

no Cerrado e em torno de 6,0 em solos de várzea (FAGERIA; BALIGAR,


1999). Jones (1985) relatou que o pH ideal para produção do feijoeiro
situa-se na faixa de 5,8 a 6,2.

Uso de fontes, doses e métodos apropriados


A deficiência de Mo pode ser corrigida com a aplicação de ferti-
lizantes molíbdicos. Para aumentar a eficiência de Mo e corrigir a sua
deficiência, é importante o uso de fontes, doses e métodos adequados
na produção das culturas. As principais fontes de Mo são apresentadas
na Tabela 4. Santos et al. (1979) verificaram que a resposta da cultivar
Ricobaio 1014 de feijoeiro ao Mo variou de acordo com cada um dos
solos estudados; enquanto, em um solo, a produtividade de grãos decli-
nou linearmente com as doses de Mo, em outro, houve aumento linear
e, num terceiro, a resposta foi quadrática, com produtividade máxima de
grãos estimada com a dose de 12,3 g de Mo ha-1. A aplicação de 100 g
de Mo ha-1 a 500 g de Mo ha-1 pode corrigir a deficiência desse micro-
nutriente no solo (MARTENS; WESTERMAN, 1991). O efeito residual de
Mo aplicado via fertilizantes é bastante longo, sendo maior do que o
de outros micronutrientes (MORTVEDT; CUNNINGHAM, 1971). Gupta
e MacKay (1968) relataram que mais de 80% do Mo aplicado perma-
neceu em solos ácidos podzólicos 5 anos após a sua aplicação. Scoott
(1963) relatou que nova aplicação de Mo só foi necessária 5 anos após
a primeira aplicação em solos da Nova Zelândia. Da mesma maneira,
Fageria (2009) relatou que a aplicação de Mo tem efeito residual longo,
que pode durar 2 ou 3 anos, dependendo do solo e da intensidade de
cultivo.

Tabela 4. Principais fontes de molibdênio (Mo).

Nome comum do fertilizante Teor de Mo (%)

Molibdato de sódio (Na2MoO4.2H2O) 39

Molibdato de amônio [(NH4)6Mo7O24.2H2O] 54

Fritas de molibdênio (Fritas de vidro) 2–3

Sulfeto de molibdênio (MoS2) 60

Trióxido de molibdênio (MoO3) 66


Fonte: adaptado de Fageria (2009).
332 Nutrição Mineral do Feijoeiro

A deficiência de Mo pode ser corrigida via aplicação foliar desse


elemento, que constitui uma alternativa econômica, pois não acarreta
significativos aumentos no custo de produção, uma vez que pequenas
quantidades de nutrientes são necessárias e que essas aplicações po-
dem ser combinadas com o controle sanitário (OLIVEIRA et al., 1998).
Considerando que o Mo, quando absorvido pelas folhas, pode ser
transportado para outras partes da planta em curtos intervalos de tempo
(BRODRICK; GILLER, 1991), observou-se que a aplicação foliar de 120 g
de Mo ha-1 aos 25 dias após a emergência aumentou em três vezes o teor
do micronutriente nos grãos de feijão (PESSOA et al., 2000). Com o uso
da adubação foliar, que vem sendo testada como forma de fornecer Mo
ao feijoeiro, registraram-se estímulo à nodulação e aumento da atividade
da nitrogenase e da nitrato redutase, com consequente aumento na acu-
mulação de N e na produtividade de grãos (BERGER et al. 1996; KUBOTA
et al., 2008; OLIVEIRA et al., 1998; PESSOA et al., 2001; VIEIRA et al.,
1998a, 19998b). Vieira et al. (2005a, 2005b), ao estudarem a resposta do
feijoeiro à aplicação foliar de Mo em um Oxissolo brasileiro, observaram
que houve um aumento quadrático quando o nutriente foi aplicado como
molibdato de amônio na faixa de 0 a 200 g de Mo ha-1. A equação foi:
Y = 1699,8823 + 4,6713 X – 0,0163 X2, R2 = 0,8702**1. Com base nessa
equação, a produtividade máxima de grãos (2.000 kg ha-1) foi obtida com
a aplicação de 143 g de Mo ha-1 via foliar.
Além de aplicação no solo e via foliar, a deficiência pode ser cor-
rigida com o uso de sementes com alto teor de Mo, que podem fornecer
quantidade do nutriente suficiente para garantir um adequado crescimen-
to às plantas, sem adição suplementar de Mo ao solo (JACOB NETO;
ROSSETTO, 1998; KUBOTA et al., 2008). Plantas de feijoeiro oriundas de
sementes com alto teor de Mo acumularam quantidade pouco diferente
da originalmente contida na semente, o que sugere que muito pouco Mo
foi absorvido do solo (BRODRICK et al., 1992). O plantio de sementes
com elevado conteúdo de Mo em solos pobres da África preveniu o
aparecimento de deficiência de Mo por até quatro cultivos consecutivos
no mesmo local (BRODRICK et al., 1995).
Outro método de suprimento de Mo é via pellet nas sementes, que
se torna possível já que as quantidades de Mo requeridas pelas culturas
são relativamente pequenas (BERGER et al., 1995; SFREDO et al., 1997).
Entretanto, o pellet pode dificultar as trocas gasosas da semente, de modo
Significativo a 1% de probabilidade.
1 **
Capítulo 14 • Molibdênio 333

a prejudicar sua germinação (ALBINO; CAMPO, 2001). Além disso, a


aplicação de produto à base de Mo com inoculante nas sementes pode
reduzir a sobrevivência do rizóbio e a nodulação de plantas de feijoeiro
(ALBINO; CAMPO, 2001).

Análise do solo
Na análise do solo, que é um dos métodos mais importantes para
a avaliação da sua fertilidade, a escolha do extrator de um determinado
nutriente é fundamental. Na análise de Mo, o extrator oxalato de amônio
ácido, recomendado por Grigg (1953), ainda é usado e é o mais eficien-
te (SIMS; JOHNSON, 1991). O nível crítico de Mo situa-se na faixa de
0,2 mg kg-1 a 0,5 mg kg-1 de solo para a maioria das culturas (FAGERIA,
2009). Sims e Johnson (1991) relataram nível crítico de Mo no solo na
faixa de 0,1 mg kg-1 a 0,3 mg kg-1 do solo.

Uso de genótipos eficientes


O uso de genótipos eficientes, junto com dose, fontes e métodos
mais adequados, é importante para aumentar a eficiência de uso do Mo
e, consequentemente, aumentar a produtividade das culturas. Diferenças
significativas no uso de Mo por genótipos de feijoeiro foram relatadas por
Brodrick e Giller (1991). Clark (1984), na sua revisão sobre o uso de Mo por
plantas, concluiu que existe diferença entre genótipos de leguminosas.

Considerações finais
A deficiência de Mo é relatada em solos ácidos e arenosos em
várias partes do mundo, inclusive no Brasil. O pH do solo é o fator mais
importante na determinação da disponibilidade dos micronutrientes,
inclusive do Mo. Em solos ácidos, a deficiência de Mo, amplamente
relatada, está relacionada à sua adsorção nos óxidos de Fe e Al. Em solos
arenosos, está relacionada ao seu baixo teor natural e ao baixo teor de
matéria orgânica. Além disso, o Mo aplicado como fertilizante é facil-
mente lixiviado em solos arenosos. A deficiência de Mo em solos ácidos
pode ser corrigida com a calagem em nível adequado ou com aplicação
de fertilizantes molíbdicos. A dose de Mo recomendada situa-se na faixa
de 100 g ha-1 a 500 g ha-1, dependendo do solo, de sua fertilidade e do
genótipo usado. A aplicação foliar na faixa de 150 g de Mo ha-1 a 200 g de
334 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Mo ha-1 também é uma estratégia importante na correção da deficiência


desse elemento. A aplicação de P em solos ácidos também aumenta a
absorção de Mo pelas plantas. A escolha de genótipos eficientes é outra
estratégia importante na correção de Mo em solos deficientes nesse
elemento. Os melhores resultados são obtidos com a combinação das
duas estratégias (uso de fertilizantes e de genótipos eficientes). A parte
econômica e ambiental deve ser levada em consideração quando uma
dada estratégia é aplicada. No futuro, a deficiência de Mo pode aumentar
nos solos brasileiros graças à intensificação dos cultivos e às altas produ-
tividades. Portanto, medidas preventivas devem ser adotadas para não
agravar o problema de deficiência de micronutrientes, inclusive do Mo.
Referências
ABREU, C. A. Análise de solo para micronutrientes: tema de reuniões de
laboratórios. Boletim Informativo SBCS, Campinas, v. 20, p. 128-130, 1995.

ABREU, C. A. de; LOPES, A. S. Identificação de deficiência de micronutrientes em


três solos de várzea de Minas Gerais. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília,
DF, v. 22, n. 11/12, p. 1215-1224, 1987.

ABREU, C. A.; FERREIRA, M. E.; BORKERT, C. M. Disponibilidade e avaliação de


elementos catiônicos: zinco e cobre. In: FERREIRA, M. E.; CRUZ, M. C. P.; RAIJ,
B. van; ABREU, C. A. (Ed.). Micronutrientes e elementos tóxicos na agricultura.
Jaboticabal: CNPq: Fapesp: Potafos, 2001. p. 125-141.

ADAMS, F. Crop response to lime in the Southern United States. In: ADAMS, F.
(Ed.). Soil acidity and liming. Madison: American Society of Agronomy, 1984.
p. 211-261. (ASA. Monograph, 12).

ADAMS, F. Nutritional imbalances and constraints to plant growth on acid soils.


Journal of Plant Nutrition, New York, v. 4, p. 81-87, 1981.

ADAMS, J. F.; BURMESTER, C. H.; MITCHELL, C. C. Long term fertility treatments


and molybdenum availability. Fertilizer Research, Hague, v. 21, p. 167-170, 1990.

ADAMS, M. W. Basis of yield component compensation in crop plants with special


reference to field bean Phaseolus vulgaris L. Crop Science, Madison, v. 7, n. 5,
p. 505-510, 1967.

ADRIANO, D. C. Trace elements in terrestrial environments: biochemistry


bioavailability, and risks of metals. 2nd ed. New York: Springer-Verlag, 2001. 867 p.

ALAM, S.; KAMEI, S.; KAWAI, S. Phytosiderophores release from manganese


induced iron deficiency in barley. Journal of Plant Nutrition, New York, v. 23, n. 8,
p. 1193-1207, 2000.

ALBINO, U. B.; CAMPO, R. J. Efeito de fontes e doses de molibdênio do teor de


fósforo na semente, obtida via adubação foliar, no crescimento e na nodulação do
feijoeiro. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 36, p. 527-534, 2001.

ALESSI, J.; POWER, J. F. Effects of banded and residual fertilizer phosphorus on


dryland spring wheat yield in the Northern plains. Soil Science Society of America
Journal, Madison, v. 44, n. 4, p. 792-796, 1980.

ALEXANDER, M. Advances in microbial ecology. New York: Plenum, 1977. v. 3,


225 p.
336 Nutrição Mineral do Feijoeiro

ALI, S. F.; RAWAT, L. S.; MEGHVANSI, M. K.; MAHNA, S. K. Selection of stress-


tolerant rhizobial isolates of wild legumes growing in dry regions of Rajasthan,
India. Journal of Agricultural and Biological Science, v. 4, p. 13-18, 2009.

ALLOWAY, B. J. Micronutrientes and crop production: an introduction.


In: ALLOWAY, B. J. (Ed.). Micronutrient deficiencies in global crop production.
New York: Springer, 2008. p. 1-39.

ALVAREZ VENEGAS, V. H.; ROSCOE, R.; KURIHARA, C. H.; PEREIRA, N. F. de.


Enxofre. In: NOVAIS, R. F.; ALVAREZ VENEGAS, V. H.; BARRPS, N. F. de; FONTES,
R. L. F.; CANTARUTTI, R. B.; NEVES, J. C. L. (Ed.). Fertilidade do solo. Viçosa, MG:
Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2007. p. 594-644.

AMARGER, N.; MACHERET, V.; LAGUERRE, G. Rhizobium gallicum sp.


Nov. and Rhizobium giardini sp. Nov. from Phaseolus vulgaris nodules.
International Journal of Systematic Bacteriology, Washington, DC, v. 47, n. 4,
p. 996-1006, 1997.

AMBROSANO, E. J.; TANAKA, R. T.; MASCARENHAS, H. A. A.; RAIJ, B. van;


QUAGGIO, J. A.; CANTARELA, H. Leguminosas e oleaginosas. In: RAIJ B. van;
CANTARELA, H.; QUAGGIO, J. A.; FURLANI A. M. C. (Ed.). Recomendações
de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. 2. ed. Campinas: Instituto
Agronômico, 1996. p. 189-203. (Boletim técnico, 100).

ANDERSON, A. J. Trace elements for sheep pastures and fodder crops in Australia.
Journal of Australian Institute of Agriculture Science, Victoria, v. 36, p. 15-29,
1970.

ANDRADE, M. J. B. de. Influência do nitrogênio, rizóbio e molibdênio sobre o


crescimento, nodulação radicular e teores de nutrientes no feijoeiro. Revista Ceres,
Viçosa, MG, v. 41, p. 317-326, 1998.

ANDRADE, M. J. B. de; ALVARENGA, P. E. de; SILVA, R. da; CARVALHO, J, G.


de; JUNQUEIRA, A. D. de A. Resposta do feijoeiro às adubações nitrogenada
e molíbdica e à inoculação com Rhizobium tropici. Ciência e Agrotecnologia,
Lavras, v. 25, p. 934-940, 2001.

ANDRADE, R. da. S.; MOREIRA, J. A. A.; STONE, L. F. CARVALHO, J. de A.


Consumo relativo de água do feijoeiro no plantio direto em função da porcentagem
de cobertura morta do solo. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e
Ambiental, Campina Grande, v. 6, n. 1, p. 35-38, 2002.

ANDRE, E. M.; CRUZ, M. C. P.; FERREIRA, M. E.; PALMA, L. A. S. Frações de


zinco em solo arenosos e suas relações com disponibilidade para Cynodon
spp. cv. Tifton-85. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, MG, v. 27,
p. 451-459, 2003.
Referências 337

ANTUNES, I. F.; SILVEIRA, E. P.; SILVA, H. T. da. BRS Expedito: nova cultivar de
feijão de grãos pretos. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 42, n. 1,
p. 135-136, 2007.

AQUINO, B. F.; HANSON, R. G. Soil phosphorus supplying capacity evaluated


by plants removal and available phosphorus extraction. Soil Science Society of
America Journal, Madison, v. 48, n. 5, p. 1091-1096, 1984.

ARGENTA, G.; SILVA, P. R. F. da; BORTOLINI, C. G. Teor de clorofila na folha


como indicador do nível de N em cereais. Ciência Rural, Santa Maria, v. 31, n. 3,
p. 715-722, 2001a.

ARGENTA, G.; SILVA, P. R. F. da; BORTOLINI, C. G.; FORSTHOFER, E. L.;


STRIEDER, M. L. Relação da leitura do clorofilômetro com os teores de clorofila
extraível e de nitrogênio na folha de milho. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal,
Lavras, v. 13, n. 2, p. 158-167, 2001b.

ARGENTA, G.; SILVA, P. R. F. da; BORTOLINI, C. Parâmetros de planta como


indicadores do nível de nitrogênio na cultura do milho. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, DF, v. 37, n. 4, p. 519-528, 2002.

ARNON, D. I.; STOUT, P. R. The essentiality of certain elements in minute quantity


for plants with special reference to copper. Plant Physiology, [S.l.], v. 14, n. 2,
p. 371-375, Apr. 1939.

AVNIMELECH, Y.; HAHER, M. Ammonium volatilization from soils: equilibrium


considerations. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 41,
p. 1080-1084, 1977.

AWARD, A. S.; EDWARDS, D. G. Reversal of adverse effects of heavy ammonium


sulphate application on growth and nutrient status of a kikuyu pasture. Plant and
Soil, The Hague, v. 48, p. 169-183, 1977.

BALASUBRAMANIAN, V.; MORALES, A. C.; CRUZ, R. T.; THIYAGARAJAN, T. M.;


NAGARAJAN, R.; BABU, M.; ABDULRACHMAN, S.; HAI, L. H. Adaptation of the
chlorophyll meter (SPAD) technology for real-time N management in rice: a review.
International Rice Research Institute, Los Baños, v. 25, n. 1, p. 4-8, 2000.

BALIGAR, V. C.; FAGERIA, N. K.; ELRASHIDI, M. A. Toxicity and nutrient constraints


on root growth. Horticulture Science, Alexandria, v. 33, p. 960-965, 1998.

BALIGAR, V. C.; FAGERIA, N. K.; HE, Z. L. Nutrient use efficiency in plants.


Communication in Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 32, n. 7/8,
p. 921-950, 2001.

BALIGAR, V. C.; WRIGHT, R. J.; SMEDLEY, M. D. Enzyme activities in hill land


soils of the Appalachian region. Communications in Soil Science and Plant
Analysis, New York, v. 19, p. 367-384, 1988.
338 Nutrição Mineral do Feijoeiro

BARBER, S. A. Soil nutrient bioavailability: a mechanistic approach. 2nd ed. New


York: John Wiley, 1995. 414 p.

BARBOSA FILHO, M. P.; COBUCCI, T.; FAGERIA, N. K.; MENDES, P. N. Época


de aplicação de nitrogênio no feijoeiro irrigado monitorada com auxílio de sensor
portátil. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 33, n. 7, p. 425-431, 2009.

BARBOSA FILHO, M. P.; FAGERIA, N. K.; SILVA, O. F. Correção de deficiência de


micronutrientes em arroz de terras altas. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz
e Feijão, 1999. 21 p. (Embrapa Arroz e Feijão. Documentos, 93).

BARBOSA FILHO, M. P.; SILVA, O. F. da. Adubação e calagem para o feijoeiro


irrigado em solo de Cerrado. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 35,
n. 7, p. 1317-1324, 2000.

BARBOSA FILHO, M. P.; SILVA, O. F. da. Aspectos agroeconômicos da calagem


e da adubação nas culturas de arroz e feijão irrigados por aspersão. Pesquisa
Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 29, n. 11, p. 1657-1667, 1994.

BARROW, N. J. Testing a mechanistic model X: the effect of pH and electrolyte


concentration on borate sorption by a soil. Journal of Soil Science, Oxford, v. 40,
p. 427-435, 1989.

BARSHAD, I. Factors affecting the molybdenum content of pasture plants: II. Effect
of soluble phosphates, available nitrogen, and soluble sulfates. Soil Science,
Baltimore, v. 71, p. 387-398, 1951.

BARTOS, J. M.; MULLINS, G. L.; WILLIAMS, J. C.; SIKORA, F. J.; COPELAND,


J. P. Water-insoluble impurity effects on phosphorus availability in
monoammonium phosphate fertilizers. Soil Science Society of America Journal,
Madison, v. 56, n. 3, p. 972-976, 1992.

BASSAN, D. A. Z.; ARF, O.; BUZETTI, S.; CARVALHO, M. C. A.; SANTOS, N.


C. B.; SÁ, M. E.; GUERREIRO NETO, G. Inoculação de sementes e aplicação de
nitrogênio e molibdênio na cultura do feijão de inverno: produção e qualidade
fisiológica de sementes. Revista Brasileira de Sementes, Brasília, DF, v. 23, n. 1,
p. 76-83, 2001.

BASSAN, L.; FARINELLI, R.; PENARIOL, F. G.; FORNASIERI FILHO, D. Sucessão de


cultivo de feijão-arroz com doses de adubação nitrogenada após adubação verde,
em semeadura direta. Bragantia, Campinas, v. 62, p. 417-428, 2003.

BATAGLIA, O. C.; RAIJ, B. van. Eficiência de extratores na determinação de boro


em solos. Revista Brasileira de Ciência do Solo. Campinas, v. 14, n. 1, p. 25-31,
1990.
Referências 339

BEEBE, S.; GONZALEZ, A. V.; RENGIFO, J. Nutrient composition, protein quality


and antinutritional factors of some varieties of dry beans (Phaseolus vulgaris L.)
grown in Burundi. Food Chemistry, Barking, v. 47, n. 2, p. 159-167, 1993.

BENNETT, W. F. Plant nutrient utilization and diagnostic plant symptoms.


In: BENNETT, W. F. (Ed.). Nutrient deficiencies and toxicities in crop plants.
St. Paul: The American Phytopathological Society, 1993. p. 1-7.

BENZIONI, A.; VAADIA, Y.; LIPS, S. H. Nitrate uptake by roots as regulated by


nitrate reduction products of the shoots. Physiologia Plantarum, Copenhagen,
v. 24, n. 2, p. 288-290, 1971.

BERGER, K. C.; TRUOG, E. Boron deficiencies as revealed by plant and soil tests.
Journal of American Society of Agronomy, Madison, v. 32, p. 297-301, 1940.

BERGER, P. G.; VIEIRA, C.; ARAÚJO, G. A. A. Efeitos de doses e épocas de


aplicação do molibdênio sobre a cultura do feijão. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, DF, v. 31, p. 473-480, 1996.

BERGER, P. G.; VIEIRA, C.; ARAÚJO, G. A. A.; CASSINI, S. T. A. Peletilização


de sementes de feijão (Phaseolus vulgaris L.) com carbonato de cálcio, rizóbio e
molibdênio. Revista Ceres, Viçosa, MG, v. 42, p. 562-574, 1995.

BERNARDI, A. C. de C.; MACHADO, P. L. O. de A.; SILVA, C. A. Fertilidade do


solo e demanda por nutrientes no Brasil. In: MANZATTO, C. V.; FREITAS JUNIOR,
E. de; PERES, J. R. R. (Ed.). Uso agrícola dos solos brasileiros. Rio de Janeiro:
Embrapa Solos, 2002. p. 61-77.

BIENFAIT, H. F.; BINO, R. J.; BLICK, A. M.; DUIVENVOORDEN, J. F.; FONTAIN,


J. M. Characterization of ferric reducing activity in roots of Fe-deficient Phaseolus
vulgaris. Physiologia Plantarum, Copenhagen, v. 59, p. 196-202, 1983.

BIGGAR, J. W.; FIREMAN, M. Boron adsorption and release by soils. Soil Science
Society of America Proceedings, Madison, v. 24, p. 115-120, 1960.

BIGHAM, J. M.; CIOLKOSZ, E. J. Soil color. Madison: Soil Science Society of


America, 1993. 172 p. (Special publication, 31).

BINGHAM, F. T. Boron. In: PAGE, A. L. (Ed.). Methods of soil analysis. 2nd ed.
Madison: American Society of Agronomy, 1982. part 2, p. 431-447. (Agronomy
Monograph, 9).

BLACKMER, T. M.; SCHEPERS, J. S. Techniques for monitoring crop nitrogen status


in corn. Communications in Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 25,
n. 9/10, p. 1791-1800. 1994.
340 Nutrição Mineral do Feijoeiro

BLACKMER, T. M.; SCHEPERS, J. S. Use of chlorophyll meter to monitor nitrogen


status and schedule fertigation for corn. Journal of Production Agriculture,
Madison, v. 8, n. 1, p. 56-60, 1995.

BLACKMER, T. M.; SCHEPERS, J. S.; VIGIL, M. F. Chlorophyll meter reading in corn


as affected by plant spacing. Communications in Soil Science and Plant Analysis,
New York, v. 24, n. 17/18, p. 2507-2516, 1993.

BLAIR, G. J. Nitrogen sulfur interaction in rice. In: EFFICIENCY of nitrogen fertilizers


for rice. Los Baños: International Rice Research Institute, 1987. p. 195-203.

BLAIR, G. J.; MAMARIL, C. P.; MOMUAT, G. Sulfur nutrition of wetland rice.


Los Baños: International Rice Research Institute, 1978. 29 p. (Research paper series,
21).

BLEVINS, D. G.; LUKASZEWSKI, K. M. Boron in plant structure and function.


Annual Review of Plant Physiology and Plant Molecular Biology, Palo Alto, v. 49,
p. 481-500, 1998.

BLEVINS, R. L.; MURDOCK, W.; THOMAS, G. W. Effect of lime application on


no-tillage and conventionally tilled corn. Agronomy Journal, Madison, v. 70,
p. 322-326, 1978.

BOHN, H. L.; MCNEAL, B. L.; O’CONNOR, G. E. Acid soils. In: SOIL chemistry.
New York: Wiley Interscience, 1979. p. 195-216.

BOLAN, N. S.; HEDLEY, M. J.; WHITE, R. E. Processes of soil acidification during


nitrogen cycling with emphasis on legume based pastures. In: WRIGHT, R. J.;
BALIGAR, V. C.; MURRMANN, R. P. (Ed.). Plant-soil interactions at low pH.
Dordrecht: Kluwer Academic Publishers, 1991. p. 169-179.

BOLLAND, M. D. A.; GILKES, R. J. The chemistry and agronomic effectiveness of


phosphate fertilizer. Journal of Crop Production, [Calhoun], v. 1, n. 2, p. 139-163,
1998.

BORKERT, C. M.; CASTRO, C.; OLIVEIRA, F. A.; KLEPKER, D.; OLIVEIRA-JUNIOR,


A. O potássio na cultura da soja. In: YAMADA, T.; ROBERTS, T. L. (Ed.). Potássio
na agricultura brasileira. Piracicaba: Fapesp: Potafos, 2005. p. 671-713.

BORKERT, C. M.; PAVAN, M. A.; BATAGLIA, O. C. Disponibilidade e avaliação de


elementos catiônicos: ferro e manganês. In: FERREIRA, M. E.; CRUZ, M. C. P.; RAIJ,
B. van; ABREU, C. A. (Ed.). Micronutrientes e elementos tóxicos na agricultura.
Jaboticabal: CNPq: Fapesp: Potafos, 2001. p. 151-185.

BORTOLON, L.; GIANELLO, C. Disponibilidade de cobre e zinco em solos do


Sul do Brasil. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, MG, v. 33, n. 3,
p. 647-658, 2009.
Referências 341

BRADY, N. C.; WEIL, R. R. The nature and properties of soils. 13th ed. Upper
Saddle River: Prentice Hall, 2002. 960 p.

BREDEMEIER, C. Predição da necessidade de nitrogênio em cobertura em trigo e


aveia. 1999. 101 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.

BREEMEN, N. van; DRISCOLL, C. T.; MULDER, J. Acidic deposition and internal


proton source in acidification of soils and water. Nature, London, v. 307,
p. 599-604, 1984.

BRENNAN, R. F. Residual value of molybdenum trioxide for clover production on


an acidic sandy podzol. Australian Journal of Experimental Agriculture, [Victoria],
v. 42, p. 565-570, 2002.

BRODRICK, S. J.; AMIJEE, F.; KIPE-NOLT, J. A.; GILLER, K. E. Seed analysis as a


means of identifying micronutrient deficiencies of Phaseolus vulgaris L. in the
tropics. Tropical Agriculture, Surrey, v. 72, p. 277-284, 1995.

BRODRICK, S. J.; GILLER, K. F. Genotype difference in molybdenum accumulation


affects N2-fixation in tropical Phaseolus Vulgaris L. Journal of Experimental Botany,
London, v. 42, p. 1339-1343, 1991.

BRODRICK, S. J.; SAKALA, M. K.; GILLER, K. E. Molybdenum reserves of seed,


and growth and N2 fixation by Phaseolus vulgaris L. Biology and Fertility of Soils,
Berlin, v. 13, p. 39-44, 1992.

BROWN, J. C. Iron chlorosis in plants. Advances in Agronomy, New York, v. 13,


p. 329-369, 1961.

BROWN, P. H.; SHELP, B. J. Boron mobility in plants. Plant and Soil, Dordrecht,
v. 193, p. 85-101, 1997.

BRUNETTO, G.; GATIBONI, L. C.; SANTOS, D. R.; SAGGIN, A.; KAMINSKI,


J. Nível crítico e resposta das culturas ao potássio em um argissolo sob sistema
plantio direto. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, MG, v. 29, n. 4,
p. 565-571, jul./ago. 2005.

BULISANI, E. A. Feijão. In: RAIJ, B. van; SILVA, N. M.; BATAGALI, O. C.;


QUAGGIO, J. A.; HIROCE, R.; CANTARELLI, H.; BELLINAZZI JUNIOR, R.;
DECHEN, A. R.; TRANI, p. E. Recomendações de adubação e calagem para o
Estado de São Paulo. Campinas: Instituto Agronômico, 1985. 19 p. (IAC. Boletim
técnico, 100).

BURK, D. G.; WATKINS, K.; SCOTT, B. J. Manganese toxicity effects on visible


symptoms, yield, manganese levels, and organic acid levels in tolerant and sensitive
wheat cultivars. Crop Science, Madison, v. 30, p. 275-280, 1990.
342 Nutrição Mineral do Feijoeiro

BURMESTER, C. H.; ADAMS, J. F.; ODOM, J. W. Response of soybean to lime and


molybdenum on Ultisols in northern Alabama. Soil Science Society of America,
Madison, v. 52, 1391-1394, 1988.

BUZETTI, S.; MURAOKA, T.; SÁ, M. E. de. Doses de boro na soja em diferentes
condições de acidez do solo: produção de matéria seca e de grãos e nível
critico no solo. Revista Brasileira de Ciência do solo, Campinas, v. 14, n. 2,
p. 157-161, 1990.

CABALLERO, S. V.; LIBARDI, P. L.; REICHARDT, K.; MATSUI, E.; VICTORIA, R. L.


Utilização do fertilizante nitrogenado aplicado a uma cultura de feijão. Pesquisa
Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 20, n. 9, p. 1031-1040, 1985.

CAIRES, E. F.; CORRÊA, J. C. L.; CHURKA, S.; BARTH, G.; GARBUIO, F. J. Surface
application of lime ameliorates subsoil acidity and improves root growth and yield
of wheat in an acid soil under no-tillage system. Scientia Agricola, Piracicaba,
v. 63, p. 502-509, 2006.

CAIRES, E. F.; KUSMAN, M. T.; BARTH, G.; BARBUIO, F. G.; PADILHA, J. M.


Alterações químicas do solo e resposta do milho à calagem e aplicação de gesso.
Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 28, p. 125-136, 2004.

CAKMAK, I.; ROMHELD, V. Boron deficiency induced impairments of cellular


functions in plants. Plant and Soil, Dordrecht, v. 193, n. 1/2, p. 71-83, 1997.

CAKMAK, I.; TORUN, B.; ERENOGLU, B.; OZTURK, L.; MARSCHNER, H.;
KALAYCI, M.; EKIZ, H.; YILMAZ, A. Morphological and physiological differences
in the response of cereals to zinc deficiency. Euphytica, Dordrecht, v. 100,
p. 349-357, 1998.

CAMBERATO, J. J. Bioavailability of calcium, magnesium, and sulfur.


In: SUMNER, M. E. (Ed.). Handbook of soil science. Boca Raton: CRC Press, 1999.
p. 53-69.

CANTARELLA, H.; RAIJ, B. V.; QUAGGIO, J. A. Soil and plant analysis for lime and
fertilizer recommendations in Brazil. Communications in Soil Science and Plant
Analysis, New York, v. 29, p. 1691-1706, 1998.

CARADUS, J. R. Genetic differences in the length of root hairs in white clover and
their effect on phosphorus uptake. In: SCAFIE, A. (Ed.). Plant nutrition. Warwick:
Commonwealth Agricultural Bureaux, 1982. p. 84-88.

CARDOSO, E. J. B. N.; NAVARRO, R. B.; NOGUEIRA, M. A. Absorção e


translocação de manganês por plantas de soja micorrizadas, sob doses crescentes
deste nutriente. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 27,
p. 415-423, 2003.
Referências 343

CARVALHO, A. M. de; FAGERIA, N. K.; OLIVEIRA, I. P.; KINJO, T. Resposta do


feijoeiro à aplicação de fósforo em solos dos cerrados. Revista Brasileira de
Ciência do Solo, Campinas, v. 19, p. 61-67, 1995.

CARVALHO, A. M. de; SILVA, A. M. da; COSTA, E. F. da; COUTO, L. Influência


da fertirrigação no rendimento de grãos e componentes de produção do feijoeiro
comum (Phaseolus vulgaris L.) cv. carioca. Ciência e Prática, Lavras, v. 16, n. 4,
p. 503-511, 1992.

CARVALHO, L. H.; SILVA, N. M.; BRASIL SOBRINHO, M. O. C.; KONDO, J.


I.; CHIAVEGATO, E. J. Aplicação de boro no algodoeiro em cobertura e em
pulverização foliar. Revista Brasileira de Ciência do solo, Campinas, v. 20, n. 2,
p. 265-269, 1996.

CARVALHO, M. A. C.; FURLANI JUNIOR, E.; ARF, O.; SÁ, M. E.; PAULINHO,
H. B.; BUZETTI, S. Doses e época de aplicação de nitrogênio e teores foliares deste
nutriente e de clorofila em feijoeiro. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa,
MG, v. 27, n. 3, p. 445-450, 2003.

CARVALHO, M. C. S.; RAIJ, B. van. Calcium sulfate, phosphogypsum and calcium


carbonate in the amelioration of acid subsoils for root growth. Plant and Soil, The
Hague, v. 192, n. 1, p. 37-48, 1997.

CARVALHO-PUPPATTO, J. G.; BULL, L. T.; CRUSCIOL, C. A. C. Atributos


químicos do solo, crescimento radicular e produtividade do arroz com a
aplicação de escórias. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 39,
p. 1213-1218, 2004.

CASTELLANO, S. D.; DICK, R. P. Cropping and sulfur fertilization influence on


sulfur transformations in soil. Soil Science Society of America Journal, Madison,
v. 54, p. 114-121, 1990.

CASTILHOS, R. M. V.; MEURER, E. J.; KAMPF, N.; PINTO, L. F. S. Mineralogia e


fontes de potássio em solos no Rio Grande do Sul cultivados com arroz irrigado.
Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 26, p. 579-587, 2002.

CAUDLE, N. Managing soil acidity. Raleigh: TropSoils, 1991. 28 p. (TropSoils.


Groundworks, 1).

CAVALLARO, N.; MCBRIDGE, M. B. Zinc and copper sorption and fixation by


an acid soil clay: effect of selective dissolutions. Soil Science Society of America
Journal, Madison, v. 48, p. 1050-1054, 1984.

CHAGAS, J. M.; VIEIRA, C.; ARAÚJO, G. A. A.; GOMES, J. M. Efeito da


adubação do N e K sobre a cultura do feijão (Phaseolus vulgaris L.) no inverno.
In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO, 25., 1995, Viçosa,
344 Nutrição Mineral do Feijoeiro

MG. Anais... Viçosa, MG: SBCS: Ed. da Universidade Federal de Goiás, 1995.
p. 1291-1293.

CHAN, K. Y., DAVEY, B. G.; GEERING, H. R. Adsorption of magnesium and


calcium by a soil with variable charge. Soil Science Society of America Journal,
Madison, v. 43, p. 301-304, 1979.

CHANEY, R. L.; BROWN, J. C.; TIFFIN, L. O. Obligatory reduction of ferric chelates


in iron uptake by soybeans. Plant Physiology, Bethesda, v. 50, p. 208-213, 1972.

CHEN, Y; BARAK, P. Iron nutrition of plants in calcareous soils. Advances in


Agronomy, New York, v. 35, p. 217-240, 1982.

CHENIAE, G. M.; MARTIN, I. F. Effects of hydroxylamine on photosystem.


II. Factors affecting the decay of O2 evolution. Plant Physiology, Bethesda, v. 47,
p. 568-575, 1971.

CHIEN, S. H.; HAMMOND, L. L. Agronomic effectiveness of partially acidulated


phosphate rock as influenced by soil phosphorus-fixing capacity. Plant and Soil,
The Hague, v. 120, n. 2, p. 159-164, Dec. 1989.

CHOPART, J. L.; VAUCLIN, M. Water balance estimation model: field test and
sensitivity analysis. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 54, n. 5,
p. 1377-1384, Sept./Oct. 1990.

CHRISTENSON, D. R. BRIMHALL, P. B.; HUBBLE, L; BRICKER, C. E. Yield of


sugar beet, soybean, corn, field bean, and wheat as affected by lime application
on alkaline soils. Communications in Soil Science and Plant Analysis, New York,
v. 31, p. 1145-1154, 2000.

CHUEIRE, L. M. O.; BANGEL, E. V.; MOSTASSO, F. L.; CAMPO, R. J.; PEDROSA,


F. O.; HUNGRIA, M. Classificação taxonômica das estirpes de rizóbio
recomendadas para as culturas da soja e do feijoeiro baseado no sequenciamento
do gene 16S rRNA. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, MG, v. 27, n. 5,
p. 833-840, 2003.

CLARK, R. B. Physiological aspects of calcium, magnesium, and molybdenum


deficiencies in plants. In: ADAMS, F. (Ed.). Soil acidity and liming. 2nd ed. Madison:
American Society of Agronomy, 1984. p. 99-170.

CLARK, R. B. Physiology of cereals for mineral nutrient uptake, use, and efficiency.
In: BALIGAR V. C.; DUNCAN, R. R. (Ed.). Crops as enhancers of nutrient use. San
Diego: Academic Press, 1990. p. 131-209.

CLARKSON, D. T.; HANSON, J. B. The mineral nutrition of higher plants. Annual


Review of plant Physiology, Palo Alto, v. 31, p. 239-298, 1980.
Referências 345

COBLEY, L. S. An introduction to the botany of tropical crops. London: Longman,


1976. p. 71-110.

COCHRANE, T. T. Chemical properties of natural savanna and forest soils in central


Brazil. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 53, n. 1, p. 139-141,
1989.

COCHRANE, T. T. Understanding and managing acid soils of tropical South


America. In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON RICE PRODUCTION ON ACID
SOILS OF THE TROPICS, 1989, Kandy. Rice production on acid soils of the
tropics: proceedings… Kandy: Institute of Fundamental Studies, 1991. p. 113-122.

COCHRANE, T. T.; SALINAS, J. G.; SANCHEZ, P. A. An equation for liming acid


mineral soils to compensate crop aluminium tolerance. Tropical Agriculture,
Trinidad, v. 57, p. 133-140, 1980.

COCHRANE, T. T.; SÁNCHEZ, L. G.; AZEVEDO, L. G. de; PORRAS, J.


A.; GARVER, C. L. Land in Tropical America. Cali: Ciat; Planaltina, DF:
Embrapa-CPAC, 1985. 146 p.

COELHO, M. R.; SANTOS, H. G. dos; OLIVEIRA, R. P. de; MORAES, J. F. V. Solos.


In: SANTOS, A. B. dos; STONE, L. F.; VIEIRA, N. R. de A. (Ed.). A cultura do arroz
no Brasil. 2. ed. rev. ampl. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2006.
p. 161-208.

COELHO, M. R.; SANTOS, H. G. dos; SILVA, E. F. da; AGLIO, M. L. D.


O recurso natural solo. In: MANZATTO, C. V.; FREITAS JUNIOR, E. de; PERES, J. R.
R. (Ed.). Uso agrícola dos solos brasileiros. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2002.
p. 1-11.

COMISSÃO DE FERTILIDADE DE SOLOS DE GOIÁS. Recomendações


de corretivos e fertilizantes para Goiás: 5ª aproximação. Goiânia: Ed. da
Universidade Federal de Goiânia: Emgopa, 1988. 101 p. (Informativo técnico, 1).

COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO (RS/SC). Manual de


adubação e calagem para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
10. ed. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo-Núcleo Regional Sul,
2004. 400 p.

COOPER, H. D.; CLARKSON, D. T. Cycling of amino nitrogen and other nutrients


between shoots and roots in cereals: a possible mechanisms integrating shoot and
root in the regulation of nutrient uptake. Journal of Experimental Botany, Oxford,
v. 40, n. 7, p. 753-762, 1989.

CORNELL, R. M.; SCHWERTMANN, U. The iron oxides: structure, properties,


reactions, occurrence and uses. Weinheim: VCH, 1996. 573 p.
346 Nutrição Mineral do Feijoeiro

CORRÊA, J. C.; BÜLL, L. T.; C. A. C. CRUSCIOL; D. M. FERNANDES; M. G. M.


PERES. Aplicação superficial de diferentes fontes de corretivos no crescimento
radicular e produtividade da aveia preta. Revista Brasileira de Ciência do Solo,
Campinas, v. 32, n. 4, p. 1583-1590, 2008.

COSTA, R. C. L. da, LOPES, N. F.; OLIVA, M. A.; BARROS, N. F. de. Efeito da


água e do nitrogênio sobre a fotossíntese, respiração e resistência estomática em
Phaseolus vulgaris. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 23, n. 12,
p. 1371-1379, 1988.

COUTO, K. R.; SANTOS, J. B. dos; RAMALHO, M. A. P.; SILVA, G. S. da.


Identificação de marcadores microssatélites relacionados ao escurecimento de
grãos em feijão. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 45, n. 11,
p. 1268-1274, nov. 2010.

COX, F. R. Micronutrient soil tests: correlation and calibration. In: BROWN, J. R.


(Ed.). Soil testing: sampling, correlation, calibration, and interpretation. Madison:
Soil Science Society of America, 1987. p. 97-117.

COX, F. R.; KAMPRATH, E. J. Micronutrient soil tests. In: MORTVEDT, J. J.;


GIORDANO, P. M.; LINDSAY, W. L. (Ed.). Micronutrients in agriculture. Madison:
Soil Science Society of America, 1972. p. 289-317.

COX, F. R.; URIBE, E. Management and dynamics of potassium in a humid


tropical Ultisol under a rice-cowpea rotation. Agronomy Journal, Madison, v. 84,
p. 655-660, 1992.

CRUSCIOL, C. A. C; SORATTO, R. P.; SILVA, L. M. da; LEMOS, L. B. Fontes e doses


de nitrogênio para o feijoeiro em sucessão a gramíneas no sistema plantio direto.
Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, MG, v. 31, n. 6, p. 1545-1552, 2007.

DARUSMAN, L. R. S.; WHITNEY, D. A.; JANSSEN, K. A.; LONG, J. H. Soil


properties after twenty years of fertilization with different nitrogenous sources.
Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 55, p. 1097-1100, 1991.

DAVID, M. B.; MITCHELL, M. J.; NAKAS, J. P. Organic and inorganic sulfur


constituents of a forest soil and their relationship to microbial activity. Soil Science
Society of America Journal, Madison, v. 46, p. 847-852, 1982.

DE DATTA, S. K. Principles and practices of rice production. New York: Wiley,


1981. 618 p.

DENARDIN, N. D. Seleção de estirpes de Rhizobium leguminosarum bv. Phaseoli


tolerantes a fatores de acidez e resistentes a antibióticos. 1991. 89 f. Dissertação
(Mestrado em Solos e Nutrição de Plantas) – Escola Superior de Agricultura Luiz de
Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba.
Referências 347

DIEROLF, T. S.; ARYA, L. M.; YOST, R. S. Water and cation movement in an


Indonesian Ultisol. Agronomy Journal, Madison, v. 89, p. 572-579, 1997.

DIJKSHOORN, W.; WIJK, A. L. van. The sulphur requirements of plants as


evidenced by the sulphur-nitrogen ratio in the organic matter: a review of published
data. Plant Soil, Dordrecht, v. 26, p. 129-157, 1966.

DOERGE, T. A.; GARDNER, E. Reacidification of two lime amended soils in


Western Oregon. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 49,
p. 680-685, 1985.

DOLAN, M. S.; DOWDY, R. H.; VOORHEES, W. B.; JOHNSON, J. F.;


BIDWELLSCHRALER, A. M. Corn phosphorus and potassium uptake in response
to soil compaction. Agronomy Journal, Madison, v. 84, n. 4, p. 639-642,
July/Aug. 1992.

DONALD, C. M. In search of high yield. Journal of Australian Institute of


Agricultural Science, East Melbourne, v. 28, p. 171-178, 1962.

DONALD, C. M.; HAMBLIN, J. The biological yield and harvest index of cereals as
agronomic and plant breeding criteria. Advances in Agronomy, New York, v. 28,
p. 366-405, 1976.

DOWLING, D. N.; BROUGHTON, W. J. Competition for nodulation of legumes.


Annual Review of Microbiology, Palo Alto, v. 40, p. 131-137, 1986.

DREVON, J. J.; HARTWIG, U. A. Phosphorus deficiency increases the argon


induced decline of nodule nitrogenase activity in soybean and alfalfa. Planta,
Berlin, v. 201, n. 4, p. 463-469, 1997.

DUGGER, W. M. Boron in plant metabolism. In. LAUCHLI, A.; BIELESKI, R. L. (Ed.).


Encyclopedia of plant physiology. Berlin: Springer-Verlag, 1983. v. 15, p. 626-650.

DUNCAN, R. R. Genetic manipulation. In: WILKINSON, R. E. (Ed.). Plant-


environment interactions. New York: Marcel Dekker, 1994. p. 1-38.

DUNHAM, R. J.; NYE, P. H. The influence of water content on the uptake


of ions by roots. III. Phosphate, potassium, calcium and magnesium uptake
and concentration gradient in soils. Journal of Applied Ecology, Oxford, v.13,
p. 967-984, 1976.

DWYER, L. M.; ANDERSON, A. M.; MA, B. L. Quantifying the nonlinearity in


chlorophyll meter response to corn leaf nitrogen concentration. Canadian Journal
of Plant Science, Ottawa, v. 75, n. 1, p. 179-182, 1995.

EARDLY, B. D.; WANG, F. S.; WHITTAM, T. S.; SELANDER, R. K. Species limits


in rhizobium populations that nodulate the common bean (Phaseolus vulgaris L.).
348 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Applied and Environmental Microbiology, Washington, DC, v. 61, n. 2, p. 507-512,


1995.

EASTERWOOD, G. W.; SARTAIN, J. B. Clover residue effectiveness in reducing


orthophosphate sorption on ferric hydroxide coated soil. Soil Science Society of
America Journal, Madison, v. 54, p. 1345-1350, 1990.

ECKERT, D. J. Soil test interpretation: basic cation saturation ratios and sufficiency
levels. In: BROWN, J. R. (Ed.). Soil testing: sampling, correlation, calibration, and
interpretation. Madison: American Society of Soil Science, 1987. p. 53-64.

EGHBALL, B.; SANDER, D. H.; SKOPP, J. Diffusion, adsorption, and predicted


longevity of banded phosphorus fertilizer in three soils. Soil Science Society of
America Journal, Madison, v. 54, n. 4, p. 1161-1165, 1990.

ELLIOTT, G. C.; LAUCHLI, A. Phosphorus efficiency and phosphate-iron


interaction in maize. Agronomy Journal, Madison, v. 77, n. 3, p. 339-403, 1985.

ELRASHIDI, M. A.; O’CONNOR, G. A. Boron sorption and desorption in soils. Soil


Science Society of America Journal, Madison, v. 46, p. 27-31, 1982.

ELSEEWI, A. A.; ELMALKY, A. E. Boron distribution in soils and waters of Egypt.


Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 43, p. 297-300, 1979.

EMBRAPA. Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados. Relatório técnico


anual do Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados. Planaltina, DF,
1976. 150 p.

ENGELS, C.; MARSCHNER, H. Plant uptake and utilization of nitrogen. In: BACON,
P. E. (Ed.). Nitrogen fertilization in the environment. New York: Marcel Dekker,
1995. p. 41-81.

EPSTEIN, E.; BLOOM, A. J. Mineral nutrition of plants: principles and


perspectives. 2nd ed. Sunderland: Sinauer Associates, 2005. 400 p.

ERNANI, P. R.; BARBER, S. A. Comparison of P availability from monocalcium and


diammonium phosphates using a mechanistic nutrient uptake model. Fertilizer
Research, Dordrecht, v. 22, n. 1, p. 15-20, Feb. 1990.

ERNANI, P. R.; BARBER, S. A. Predicted soil phosphorus uptake as affected by


banding potassium chloride with phosphorus. Soil Science Society of America
Journal, Madison, v. 55, n. 2, p. 534-538, Mar./Apr. 1991.

ESTADOS UNIDOS. Department of Agriculture. Soil taxonomy: a basic system of


soil classification for making and interpreting soil surveys. Washington, DC: Wiley
Interscience, 1975.
Referências 349

ESWARAN, H.; REICH, P.; BEINROTH, F. Global distribution of soils with acidity.
In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON PLANT-SOIL INTERACTIONS AT LOW
pH, 4., 1996, Belo Horizonte. Proceedings... Campinas: Brazilian Soil Science
Society, 1997. p. 159-164.

EUROPEAN ECONOMIC COMMUNITY. Council directive of 18 December, 1975.


On the approximation of the laws of member States relating to fertilizers. Journal of
the European Community, Bruxeles, v.19, p.21-44, 1976.

EVANS, L. J. Retention of boron by agricultural soils from Ontario. Canadian


Journal of Soil Science, Ottawa, v. 67, p. 33-42, 1987.

FAGERIA, N. K. Adequate and toxic levels of copper and manganese in upland rice,
common bean, corn, soybean, and wheat grown on an Oxisol. Communications in
Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 32, n. 9/10, p. 1659-1676, 2001a.

FAGERIA, N. K. Adubação e calagem. In: SANTOS A. B. dos; STONE, L. F.; VIEIRA,


N. R. de. (Ed.). A cultura do arroz no Brasil. Santo Antonio de Goiás: Embrapa
Arroz e Feijão, 2006a. p. 425-450.

FAGERIA, N. K. Adubação e nutrição mineral da cultura de arroz. Rio de Janeiro:


Campus; Goiânia: Embrapa-CNPAF, 1984. 341 p.

FAGERIA, N. K. Avalição do estado nutricional do arroz. In: BRESEGHELLO, F.;


STONE, L. F. (Ed.). Tecnologia para o arroz de terras altas. Santo Antônio de
Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 1998a. p. 59-66.

FAGERIA, N. K. Efeito da calagem na produção de arroz, feijão, milho, e soja


em solo de cerrado. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 36,
p. 1419-1424, 2001b.

FAGERIA, N. K. Liming and copper fertilization in dry bean production on


an Oxisol in no-tillage system. Journal of Plant Nutrition, New York, v. 29,
p. 1219-1228, 2006b.

FAGERIA, N. K. Maximizing crop yields. New York: Marcel Dekker, 1992. 274 p.

FAGERIA, N. K. Micronutrients influence on root growth of upland rice, common


bean, corn, wheat, and soybean. Journal of Plant Nutrition, Wiley, v. 25, n. 3,
p. 613-622, 2002a.

FAGERIA, N. K. Nitrogen management in crop production. Boca Raton: CRC,


2014. 408 p.

FAGERIA, N. K. Níveis adequados e tóxicos de boro na produção de arroz, feijão,


milho, soja e trigo em solo de cerrado. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e
Ambiental, Campina Grande, v. 4, p. 57-62, 2000a.
350 Nutrição Mineral do Feijoeiro

FAGERIA, N. K. Níveis adequados e tóxicos de zinco na produção de arroz, feijão,


milho, soja e trigo em solo de cerrado. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e
Ambiental, Campina Grande, v. 4, n. 3, p. 390-395, 2000b.

FAGERIA, N. K. Nutrient management for sustainable dry bean production in the


tropics. Communication in Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 33,
n. 9/10, p. 1537-1575, 2002b.

FAGERIA, N. K. Optimum soil acidity indices for dry bean production on an Oxisol
in no-tillage system. Communications in Soil Science and Plant Analysis, New
York, v. 39, n. 5/6, p. 845-857, 2008.

FAGERIA, N. K. Otimização da eficiência nutricional na produção das culturas.


Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v. 2,
n. 1, p. 6-16, 1998b.

FAGERIA, N. K. Resposta de arroz de terras altas, feijão, milho e soja à saturação


por base em solo de cerrado. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e
Ambiental, Campina Grande, v. 5, p. 416-424, 2001c.

FAGERIA, N. K. Soil fertility and plant nutrition research under controlled


conditions: basic principles and methodology. Journal of Plant Nutrition, New
York, v. 28, p. 1975-1999, 2005.

FAGERIA, N. K. Soil fertility and plant nutrition research under field conditions:
basic principles and methodology. Journal of Plant Nutrition, New York, v. 30,
p. 1-21, 2007.

FAGERIA, N. K. Soil quality vs. environmentally-based agricultural management


practices. Communications in Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 33,
n. 13/14, p. 2301-2329, 2002c.

FAGERIA, N. K. Solos tropicais e aspectos fisiológicos das culturas. Brasília, DF:


EMBRAPA-DPU, 1989a. 425 p. (Embrapa-CNPAF, Documentos, 18).

FAGERIA, N. K. The use of nutrients in crop plants. Boca Raton: CRC, 2009.
430 p.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C. Ameliorating soil acidity of tropical Oxisols by


liming for sustainable crop production. Advances in Agronomy, San Diego, v. 99,
p. 345-399, 2008.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C. Enhancing nitrogen use efficiency in crop plants.


Advances in Agronomy, New York, v. 88, p. 97-185, 2005a.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C. Growth and nutrient concentrations of common


bean, lowland rice, corn, soybean, and wheat at different soil pH on an Inceptisol.
Journal of Plant nutrition, Wiley, v. 22, p. 1495-1507, 1999.
Referências 351

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C. Improving nutrient use efficiency of annual crops


in Brazilian acid soils for sustainable crop production. Communications in Soil
Science and Plant Analysis, New York, v. 32, p. 1303-1319, 2001.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C. Nutrient availability. In: HILLEL, D. (Ed.).


Encyclopedia of soils in the environment. San Diego: Elsevier, 2005b. p. 63-71.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C. Response of common bean, upland rice, corn,


wheat, and soybean to soil fertility of an Oxisol. Journal of Plant Nutrition, New
York, v. 20, p. 1279-1289, 1997.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C. Response of lowland Rice and common bean


grown in rotation to soil fertility level on a varzea soil. Fertilizer Research,
Dordrecht, v. 45, n. 1, p. 13-20, 1996.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C.; CLARK, R. B. Micronutrients in crop production.


Advances in Agronomy, New York, v. 77, p. 185-268, 2002.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C.; CLARK, R. B. Physiology of crop production.


New York: Haworth, 2006a. 345 p.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C.; EDWARDS, D. G. Soil-plant nutrient relationships


at low pH stress. In: BALIGAR, V. C.; DUNCAN, R. R. (Ed.). Crops as enhancers of
nutrient use. San Diego: Academic Press, 1990a. p. 475-507.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C.; JONES, C. A. Growth and mineral nutrition of


field crops. 2nd ed. New York: Marcel Dekker, 1997a. 624 p.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C.; JONES, C. A. Growth and mineral nutrition of


field crops. 3rd ed. Boca Raton: CRC, 2011. 560 p.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C.; LI Y. C. The role of nutrient efficient plants in


improving crop yields in the twenty first century. Journal of Plant Nutrition, New
York, v. 31, n. 6, p. 1121-1157, 2008a.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C.; LI, Y. C. Enhancing phosphorus use


efficiency in crop plants grown on Brazilian Oxisols. INTERNATIONAL
SYMPOSIUM ON PHOSPHORUS DYNAMICS IN THE SOIL-PLANT
CONTINUUM, 3., 2006, Uberlândia. Proceedings… Uberlândia: [s.n.], 2006b.
p. 79-80.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C.; WRIGHT, R. J. Aluminum toxicity in crop plants.


Journal of Plant Nutrition, New York, v. 11, p. 303-319, 1988.

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C.; WRIGHT, R. J. Iron nutrition of plants: an


overview on the chemistry and physiology of its deficiency and toxicity. Pesquisa
Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 25, n. 4, p. 553-570, 1990b.
352 Nutrição Mineral do Feijoeiro

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C.; ZOBEL, R. W. Yield, nutrient uptake, and soil
chemical properties as influenced by liming and boron application in common
bean in a no-tillage system. Communications in Soil Science and Plant Analysis,
New York, v. 38, n. 11, p. 1637-1653, 2007.

FAGERIA, N. K.; BARBOSA FILHO, M. P. Deficiências nutricionais na cultura de


arroz: identificação e correção. Brasília, DF: Embrapa-SPI, 1994. 36 p. (Embrapa-
CNPAF. Documentos, 42).

FAGERIA, N. K.; BARBOSA FILHO, M. P. Effect of partially acidulated rock


phosphate and soluble phosphate on rice and common bean production in an
Oxisol in Brazil. In: INTERNATIONAL COLLOQUIUM FOR THE OPTIMIZATION
OF PLANT NUTRITION, 8., 1992, Lisboa. Abstracts… Dordrecht: Kluwer, 1992.

FAGERIA, N. K.; BARBOSA FILHO, M. P. Influence of pH on productivity, nutrient


use efficiency by dry bean , and soil phosphorus availability in a no-tillage system.
Communications in Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 39, n. 7,
p. 1016-1025, Apr. 2008.

FAGERIA, N. K.; BARBOSA FILHO, M. P. Phosphorus fixation in an Oxisol of


Central Brazil. Fertilizers and Agriculture, Paris, v. 94, p. 33-37, 1987.

FAGERIA, N. K.; BARBOSA FILHO, M. P.; COSTA, J. G. C. da. Potassium use


efficiency in common bean genotypes. Journal of Plant Nutrition, New York,
v. 24, p. 1937-1945, 2001.

FAGERIA, N. K.; BARBOSA FILHO, M. P.; STONE, L. F. Nutrição de fósforo na


produção de feijoeiro. In: YAMADA, T.; ABDALLA, S. R. S. (Ed.). Fósforo na
agricultura brasileira. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e
Fosfato, 2004. p. 435-455.

FAGERIA, N. K.; BARBOSA FILHO, M. P.; ZIMMERMANN, F. J. P. Caracterização


química e granulométrica de solos de várzea de alguns estados brasileiros.
Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 29, n. 2, p. 267-274, fev. 1994b.

FAGERIA, N. K.; BRESEGHELLO, F. Nutritional diagnostic in upland rice production


in some municipalities of state of Mato Grosso, Brazil. Journal of Plant Nutrition,
New York, v. 27, n. 1, p. 15-28, 2004.

FAGERIA, N. K.; GHEYI, H. R. Efficient crop production. Campina Grande: Ed. da


Universidade Federal da Paraíba, 1999. 541 p.

FAGERIA, N. K.; GUIMARÃES, C. M.; PORTES, T. de A. Deficiência de ferro em


arroz de sequeiro. Lavoura Arrozeira, Porto Alegre, v. 47, n. 416, p. 1-5, 1994c.

FAGERIA, N. K.; MELO, L. C. Agronomic evaluation of dry bean genotypes


for potassium use efficiency. Journal of Plant Nutrition, v. 35, 2014.
DOI: 10.1080/01904167.2014.911889.
Referências 353

FAGERIA, N. K.; MELO, L. C.; FERREIRA, E. P. de B.; KNUPP, A. M. Resposta


de genótipos de feijão à aplicação de nitrogênio e rizóbio. In: REUNIÃO
BRASILEIRA DE FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 30.;
REUNIÃO BRASILEIRA SOBRE MICORRIZAS, 14.; SIMPÓSIO BRASILEIRO
DE MICROBIOLOGIA DO SOLO, 12.; REUNIÃO BRASILEIRA DE BIOLOGIA
DO SOLO, 9.; SIMPÓSIO SOBRE SELÊNIO NO BRASIL, 1., 2012, Maceió.
A responsabilidade socioambiental da pesquisa agrícola: anais... Viçosa, MG:
Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2012b. 1 CD-ROM.

FAGERIA, N. K.; MELO, L. C.; OLIVEIRA, J. P. Nitrogen use efficiency in dry bean
genotypes. Journal Plant Nutrition, v. 36, p. 2179-2190, 2013.

FAGERIA, N. K.; MELO, L. C.; PEREIRA, J. P. de; COELHO, A. M. Yield and yield
components of dry bean genotypes as influenced by phosphorus fertilization.
Communications in Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 43, n. 21,
p. 2752-2766, Nov. 2012c.

FAGERIA, N. K.; MOREIRA, A. The role of mineral nutrition on root growth of crop
plants. Advances in Agronomy, San Diego, v. 110, p. 251-330, 2011.

FAGERIA, N. K.; OLIVEIRA, I. P. de; DUTRA, L. G. Deficiências nutricionais na


cultura do feijoeiro e suas correções. Goiânia: Embrapa-CNPAF, 1996. 40 p.
(Embrapa-CNPAF. Documento, 65).

FAGERIA, N. K.; SANTOS, A. B. dos. Adubação fosfatada para o feijoeiro em


solo de várzea. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina
Grande, v. 2, p. 24-127, 1998a.

FAGERIA, N. K.; SANTOS, A. B. dos. Influência do pH na produtividade


do feijoeiro no sistema plantio direto em solo de cerrado. In: CONGRESSO
NACIONAL DE PESQUISA DE FEIJÃO, 8., 2005, Goiânia. Anais... Santo Antônio
de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2005. v. 2, p. 1018-1021. (Embrapa Arroz e
Feijão. Documentos, 182).

FAGERIA, N. K.; SANTOS, A. B. dos. Rice and common bean growth and nutrient
concentration as influenced by aluminum on an acid lowland soil. Journal of Plant
Nutrition, New York, v. 21, n. 5, p. 903-912, 1998b.

FAGERIA, N. K.; SANTOS, A. B. dos. Yield physiology of dry bean. Journal of Plant
Nutrition, New York, v. 31, n. 6, p. 983-1004, 2008.

FAGERIA, N. K.; SANTOS, A. B. dos; BALIGAR, V. C. Phosphorus soil test


calibration for lowland rice on an Inceptisol. Agronomy Journal, Madison, v. 89,
n. 5, p. 737-742, 1997b.

FAGERIA, N. K.; SANTOS, A. B. dos; LINS, I. D. G.; CAMARGO, S. L.


Characterization of fertility and particle size of varzea soils of Mato Grosso and
354 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Mato Grosso do Sul States of Brazil. Communications in Soil Science and Plant
Analysis. New York, v. 28, n. 1/2, p. 37-47, 1997c.

FAGERIA, N. K.; SANTOS, A. B. dos; MOREIRA, A. Yield, nutrient uptake, and


changes in soil chemical properties as influenced by liming and iron application in
common bean in a no-tillage system. Communications in Soil Science and Plant
Analysis, New York, v. 41, n. 14, p. 1740-1749, 2010.

FAGERIA, N. K.; SLATON, N. A.; BALIGAR, V. C. Nutrient management for


improving lowland rice productivity and sustainability. Advances in Agronomy,
New York, v. 80, p. 63-152, 2003a.

FAGERIA, N. K.; STONE, L. F. Manejo da acidez dos solos de cerrado e de várzea


do Brasil. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 1999. 42 p. (Embrapa
Arroz e Feijão. Documentos, 92).

FAGERIA, N. K.; STONE, L. F. Micronutrient deficiency problems in South America.


In: ALLOWAY, B. J. (Ed.). Micronutrient deficiencies in global crop production,
New York: Springer, 2008. p. 245-286.

FAGERIA, N. K.; STONE, L. F. Physical, chemical, and biological changes in the


rhizosphere and nutrient availability. Journal of Plant Nutrition, New York, v. 29,
p. 1327-1356, 2006.

FAGERIA, N. K.; STONE, L. F. Produtividade de feijão no sistema plantio direto com


aplicação de calcário e zinco. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 39,
n. 1, p. 73-78, 2004.

FAGERIA, N. K.; STONE, L. F.; MOREIRA, A. Liming and manganese influence


on common bean yield, nutrient uptake, and changes in soil chemical properties
of an Oxisol under no-tillage system. Journal of Plant Nutrition, Wiley, v. 31,
p. 1723-1735, 2008b.

FAGERIA, N. K.; STONE, L. F.; SANTOS, A. B. dos. Manejo da fertilidade do solo


para o arroz irrigado. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2003b.
250 p.

FAGERIA, N. K.; STONE, L. F.; SANTOS, A. B. dos. Maximização da eficiência de


produção das culturas. Brasília, DF: Embrapa Comunicação para Transferência de
Tecnologia; Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 1999. 294 p.

FAGERIA, N. K.; WRIGHT, R. J.; BALIGAR, V. C.; CARVALHO, J. R. P. Response


of upland rice and common bean to liming on an Oxisol. In: WRIGHT, R. J.;
BALIGAR, V. C.; MURRMANN, R. P. (Ed.). Plant-soil interactions at low pH.
Dordrecht: Kluwer Academic Publishers, 1991a. p. 519-525.

FAGERIA, N. K.; WRIGHT, R. J.; BALIGAR, V. C.; SOUSA, C. M. R. de.


Characterization of physical and chemical properties of varzea soils of Goiás Sate
Referências 355

of Brazil. Communications in Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 22,
n. 15/16, p. 1631-1646, 1991b.

FAO. Faostat. 2002. Disponível em: <[Link] Acesso em:


10 jun. 2010.

FARINA, M. P. W.; CHANNON, P. A. Field comparison of lime requirement indices


for maize. In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON PLANT-SOIL INTERACTIONS
AT LOW PH, 2., 1990, Beckley. Plant-soil interactions at low pH: proceedings…
Dordrecht: Kluwer Academic, 1991. p. 465-473. (Developments in plant and soil
sciences, 45).

FARINELLI, R.; LEMOS, L. B.; PENARIOL, F. G.; EGÉA, M. M.; GASPAROTO,


M. G. Adubação nitrogenada de cobertura no feijoeiro, em plantio direto e
convencional. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 41, n. 2, p. 307-
312, 2006.

FAWCETT, J. A.; FREY, K. J. Associations among nitrogen harvest index and other
traits within two avena species. Proceedings of the Iowa Academy of Science,
Chedar Falls, v. 90, n. 4, p. 150-153, 1983.

FEIJÃO: dados de conjuntura da produção de feijão (Phaseolus vulgaris L.) e caupi


(Vigna unguiculata (L.) Walp.) no Brasil: 1985-2011. Disponível em: <[Link]
[Link]/socioeconomia/[Link]>. Acesso em: 18 jan. 2013.

FENN, L. B.; TAYLOR, R. M.; MATOCHA, J. E. Ammonia losses from surface


applied nitrogen fertilizer as controlled by soluble calcium and magnesium:
general theory. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 45, n. 4,
p. 777-781, 1981.

FERNANDES, D. S.; SORATTO, R. P.; KULCZYNSKI, S. M.; BISCARO, G. A.;


REIS, C. J. dos. Produtividade e qualidade fisiológica de sementes de feijão em
consequência da aplicação foliar de manganês. Pesquisa Agropecuária Brasileira,
Brasília, DF, v. 42, n. 3, p. 419-426, 2007.

FERNANDES, R. B. A.; BARRÓN, V.; TORRENT, J.; FONTES, M. P. F. Quantificação


de óxidos de ferro de Latossolos brasileiros por espectroscopia de refletância
difusa. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 28, p. 245-257, 2004.

FERREIRA, A. C. B.; ARAÚJO, G. A. A.; CARDOSO, A. A; FONTES, P. C. R.;


VIEIRA, C. Características agronômicas do feijoeiro em função do molibdênio
contido na semente e da sua aplicação via foliar. Acta Scientiarum: Agronomy,
v. 25, p. 65-72, 2003a.

FERREIRA, B. A.; FABRIS, J. D.; SANTANA, D. P.; CURI, N. óxidos de ferro das
frações areia e silte de um Nitossolo desenvolvido de basalto. Revista Brasileira de
Ciência do Solo, Campinas, v. 27, p. 405-413, 2003b.
356 Nutrição Mineral do Feijoeiro

FERREIRA, G. B.; FONTES, R. L. F.; FONTES, M. P. F.; ALVAREZ, V. H. Influência de


algumas características do solo nos teores de boro disponível. Revista Brasileira de
Ciência do Solo, Viçosa, MG, v. 25, n. 1, p. 91-101, 2001.

FLEMING, G. A. Essential micronutrients: I. Boron and molybdenum. In: DAVIES, B.


E. (Ed.). Applied soil trace elements. New York: John Wiley & Sons, 1980. p. 155-197.

FOHSE, D.; CLAASSEN, N.; JUNGK, A. Phosphorous efficiency of plants:


I. External and internal P requirement and uptake efficiency of different plant
species. Plant and Soil, The Hague, v. 110, p. 101-109, 1988.

FOLLETT, R. H.; MURPHY, L. S.; DONAHUE, R. L. Fertilizers and soil


amendments. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1981. 557 p.

FOLONI, J. S. S.; ROSOLEM, C. A. Produtividade e acúmulo de potássio na soja


em função da antecipação da adubação potássica no sistema plantio direto.
Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 32, n. 4, p. 1549-1561, 2008.

FOTH, H. D.; ELLIS, B. G. Soil fertility. New York: John Wiley, 1988. 212 p.

FOX, R. H.; HOFFMAN, L. D. The effect of N fertilizer source on grain yield, N


uptake, soil pH, and lime requirement in no-till corn. Agronomy Journal, Madison,
v. 73, p. 891-895, 1981.

FOX, R. H.; KERN, J. M.; PIEKIELEK, W. P. Nitrogen fertilizer source, and method
and time of application effects on no-till corn yields and nitrogen uptake.
Agronomy Journal, Madison, v. 78, p. 741-746, 1986.

FOX, R. L.; KANG, B. T. Influence of phosphorus fertilizer placement and


fertilization rate of maize nutrition. Soil Science, Baltimore, v. 125, p. 34-40, 1978.

FRAGA, T. I.; JUNIOR, S. A. G.; INDA, A. V.; ANGHINONI, I. Suprimento de


potássio e mineralogia de solos de várzea sob cultivos sucessivos de arroz irrigado.
Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 33, n. 3, p. 497-506, 2009.

FREDDI, O. S.; CARVALHO, M. P.; CENTURION, J. F.; BARBOSA, G. F.


Variabilidade espacial da produtividade do feijão em um Latossolo Vermelho
distroférrico sob preparo convencional e plantio direto. Acta Sciencia Agronomica,
Meringa, v. 27, p. 61-67, 2005.

FRENEY, J. R.; JACQ, V. A.; BALDENSPERGER, J. F. The significance of the


biological sulfur cycle in rice production. In: DOMMERGUES, Y. R.; DIEM, H. G.
(Ed.). Microbiology of tropical soils and plant productivity. The Hague: Martinus
Nijhoss, 1982. p. 271-317.

FURLANI JÚNIOR, E.; NAKAGAWA, J.; BULHÕES, L. J.; MOREIRA, J. A. A.;


GRASSI FILHO, H. Correlação entre leituras de clorofila e níveis de nitrogênio
aplicados em feijoeiro. Bragantia, Campinas, v. 55, n. 1, p. 171-175, 1996.
Referências 357

GABLEMAN, W. H.; GERLOFF, G. C. The search for and interpretation of genetic


controls that enhance plant growth under deficiency levels of a macronutrient.
Plant Soil, v. 72, p. 335-350, 1983.

GALRÃO, E. Z. Efeito de micronutrientes e do cobalto na produção e composição


química do arroz, milho e soja em solo de Cerrado. Revista Brasileira de Ciência
do Solo, Campinas, v. 8, n. 1, p. 111-116, 1984.

GANESHAMURTHY, A. N.; NIELSEN, N. E. Arylsulphatase and the biochemical


mineralization of soil organic sulphur. Soil Biology and Biochemistry, Elmsford,
v. 22, p. 1163-1165, 1990.

GAUDIN, R.; DUPUY, J. Ammoniacal nutrition of transplanted rice fertilizer with


large urea granules. Agronomy Journal, Madison, v. 91, n. 1, p. 33-36, 1999.

GERLOFF, G. C. Plant efficiencies in the use of nitrogen, phosphorus, and


potassium. In: WRIGHT, M. J. (Ed.). Plant adaptation to mineral stress in problem
soils. Ithaca: Cornell University Agriculture Experimental Station, 1976. p. 161-173.

GETTIER, S. W.; MARTENS, D. C.; DONOHUE, S. J. Soybean yield response


prediction form soil test and tissue manganese levels. Agronomy Journal, Madison,
v. 77, p. 63-66, 1985.

GIBSON, A. H. Factors in the physical and biological environment affecting


nodulation and nitrogen fixation by legumes. Plant and Soil, The Hague, v. 35, n. 1,
p. 139-152, 1971.

GIBSON, A. H. Recovery and compensation by nodulated legumes to


environmental stress. In: NUTMAN, P. S. (Ed.). Symbiotic nitrogen fixation in
plants. Cambridge: Cambridge University Press, 1976. p. 385-403.

GIBSON, A. H. The influence of the environment and managerial practices on the


legume-Rhizobium symbiosis. In: HARDY R. W.; GIBSON, A. H. (Ed.). A treatise
on dinitrogen fixation. New York: Wiley Interscience, 1977. p. 393-430.

GIBSON, A. H.; JORDAN, D. C. Ecophysiology of nitrogen fixing systems. In:


LANGE, O. L.; NOBEL, P. S.; OSMOND, C. B.; ZIEGLER, H. (Ed.). Physiological
plant ecology: III. Response to the chemical and biological environment. New
York: Springer-Verlag, 1983. p. 301-390.

GIORDANO, P. M.; NOGGLE, J. C.; MORTVEDT, J. J. Zinc uptake by rice as


affected by metabolic inhibitors and competing cations. Plant and Soil, The Hague,
v. 41, p. 637-646, 1974.

GOEDERT, W. J. Região dos cerrados: potencial agrícola e política para seu


desenvolvimento. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 24, n. 1,
p. 1-17, 1989.
358 Nutrição Mineral do Feijoeiro

GOEDERT, W. J.; COREY, R. B.; SYERS, J. K. Lime effects on potassium equilibrium


in soils of Rio Grande do Sul, Brazil. Soil Science, Baltimore, v. 120, p. 107-111,
1975.

GOLDBACH, H. E.; YU, Q.; WINGENDER, R.; SCHULZ, M.; WIMMER, M.;
FINDEKLEE, P.; BALUSKA, R. Rapid response reactions of roots to boron
deprivation. Journal of Plant Nutrition and Soil Science, Wiley, v. 164, p. 173-181,
2001.

GOLDBERG, S. Reactions of boron with soils. Plant and Soil, Dordrecht, v. 193,
n. 1/2, p. 35-48, 1997.

GOLDBERG, S.; FORSTER, H. S. Factors affecting molybdenum adsorption by soils


and minerals. Soil Science, New York, v. 163, p. 109-114, 1998.

GOLDBERG, S.; FORSTER, H. S.; HEICK, E. L. Boron adsorption mechanisms on


oxides, clay minerals and soils inferred from ionic strength effects. Soil Science
Society of America Journal, Madison, v. 57, p. 704-708, 1993.

GOLDBERG, S.; FORSTER, H. S.; HEICK, E. L. Influence of anion competition on


boron adsorption by clays and soils. Soil Science, Baltimore, v. 161, p. 99-103,
1996.

GOLDBERG, S.; GLAUBIG, R. A. Boron adsorption and silicon release by the clay
minerals kaolinite, montmorillonite, and illite. Soil Science Society of America
Journal, Madison, v. 50, p. 1173-1176, 1986.

GONÇALVES, G. K.; MEURER, E. J. Disponibilidade de fósforo em solos cultivados


com arroz irrigado por alagamento no Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de
Ciência do Solo, Viçosa, MG, v. 32, p. 2745-2750, 2008.

GOOS, R. J.; SCHIMELFENIG, J. A.; BOCK, B. R.; JOHNSON, B. E. Response of


spring wheat to nitrogen fertilizers of different nitrification rates. Agronomy Journal,
Madison, v. 91, n. 2, p. 287-293, 1999.

GOURLEY, C. J. P.; ALLAN, D. L.; RUSSELLE, M. P. Plant nutrient efficiency: a


comparison of definitions and suggested improvement. Plant and Soil, The Hague,
v. 158, n. 1, p. 29-37, Jan. 1994.

GRAHAM, M. J.; NICKELL, C. D.; HOEFT, R. G. Inheritance of tolerance to


manganese deficiency in soybean. Crop Science, Madison, v. 35, p. 1007-1010,
1995.

GRAHAM, P. H.; DRAEGER, K.; FERREY, M. L.; CONROY, M. J.; HAMMER, B. E.;
MARTIZNEZ, E.; NAARONS, S. R.; QUINTO, C. Acid pH tolerance in strains of
Rhizobium and Bradyrhizobium, and initial studies on the basis for acid tolerance
of Rhizobium tropici UMR1899. Canadian Journal of Microbiology, Ottawa, v. 40,
n. 3, p. 198-207, 1994.
Referências 359

GRAHAM, R. D. Breeding for nutritional characteristics in cereals. In: TINKER, P.


B.; LAUCHLI, A. (Ed.). Advances in plant nutrition. New York: Praeger, 1984. v. 1,
p. 57-102.

GRAHAM, R. D.; ASCHER, J. S.; HAYNES, S. C. Selecting zinc efficient cereal


genotypes for soils of low zinc status. Plant and Soil, The Hague, v. 146,
p. 241-250, 1992.

GRAHAM, R. D.; RENGEL, Z. Genotypic variation in zinc uptake and utilization


by plants. In: ROBSON, A. D. (Ed.). Zinc in soils and plants. Dordrecht: Kluwer
Academic, 1993. p. 107-118.

GRAHAM, R. D.; WELCH, R. M.; GRUNES, D. L.; CARY, E. E.; NORVELL, W. A.


Effect of zinc deficiency on the accumulation of boron and other mineral nutrients
in barley. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 51, p. 652-657,
1987.

GREENWOOD, E. A. N.; HALLSWORTH, E. G. Studies on the nutrition of forage


legumes: II. Some interactions of calcium, phosphorus, copper, and molybdenum
on the growth and chemical composition of Trifolium subterraneum L. Plant Soil,
v. 12, p. 97-127, 1960.

GRIGG, J. L. Determination of the availability of molybdenum of soils. New


Zealand Journal of Science and Technology, Wellington, v. 34, p. 405-414, 1953.

GRUNDON, N. J. Hungry crops: a guide to nutrient deficiencies in field crops.


Brisbane: Department of Primary Industries, 1987. 246 p.

GUBLER, W. D.; GROGAN, R. G.; OSTERLI, P. P. Yellows of melons caused by


molybdenum deficiency in acid soils. Plant Diseases, v. 66, p. 449-451, 1982.

GUPTA, U. C. Boron and its role in crop production. Boca Raton: CRC Press,
1993. 237 p.

GUPTA, U. C. Boron deficiency and toxicity symptoms for several crops as related
to tissue boron level. Journal of Plant Nutrition, New York, v. 6, n. 5, p. 387-395,
1983.

GUPTA, U. C. Boron nutrition of crop plants. Advances in Agronomy, New York,


v. 31, p. 73-307, 1979.

GUPTA, U. C.; JAME, Y. W.; CAMPBELL, C. A.; LEYSHON.; NICHOLAICHUK, W.


Boron toxicity and deficiency: A review. Canadian Journal of Soil Science, Ottawa,
v. 65, n. 3, p. 381-409, 1985.

GUPTA, U. C.; MACKAY, D. C. Crop responses to applied molybdenum and


copper on Podzol soils. Canadian Journal of Soil Science, Ottawa, v. 48,
p. 235-242, 1968.
360 Nutrição Mineral do Feijoeiro

GUPTA, U. C.; MUNRO, D. C. Influence of sulfur, molybdenum, and phosphorus


on chemical composition and yields of brussels sprouts and of molybdenum on
sulfur contents of several plant species grown in the greenhouse. Soil Science,
Baltimore, v. 107, p. 114-118, 1969.

HABY, V. A.; RUSSELLE, M. P.; SKOGLEY, E. O. Testing soils for potassium, calcium,
and magnesium. In: WESTERMAN, R. L. (Ed.). Soil testing and plant analysis. 3rd
ed. Madison: American Society of Soil Science, 1990. p. 81-227.

HAGSTROM, G. R. Current management practices for correcting iron deficiency in


plants with emphasis on soil management. Journal of Plant Nutrition, New York,
v. 7, p. 23-46, 1984.

HALDAR, M.; MANDAL, L. N. Effect of phosphorus and zinc on the growth and
phosphorus, zinc, copper, iron and manganese nutrition of rice. Plant and Soil,
The Hague, v. 59, p. 415-425, 1981.

HALE, M. G.; ORCUTT, D. M.; THOMPSON, L. K. The physiology of plants under


stress. New York: John Wiley & Sons, 1987. 206 p.

HALLORAN, G. M. Cultivar differences in nitrogen translocation in wheat.


Australian Journal of Agricultural Research, Victoria, v. 32, n. 4, p. 535-544, 1981.

HAMDI, Y. A. Soil water tension and movement of rhizobia. Soil Biology and
Biochemistry, Elmsford, v. 3, n. 21, p. 121-126, 1971.

HAMMOND, L. L.; CHIEN, S. H.; MOKWUNYE, A. U. Agronomic value of


unacidulated and partially acidulated phosphate rocks indigenous to the tropics.
Advances in Agronomy, New York, v. 40, p. 89-140, 1986.

HARDY, R. W. F.; HOLSTEN, R. D.; JACKSON, E. K.; BURNS, R. C. The acetylene-


ethylene assay for N2 fixation: laboratory and field evaluation. Plant Physiology,
Minneapolis, v. 43, n. 8, p. 1185-1207, 1968.

HARTER, R. D. Effect of soil pH on adsorption of lead, copper, zinc, and nickel.


Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 47, p. 47-51, 1983.

HATFIELD, A. L.; HICKEY, J. M. Crop fertilization based on North Carolina tests.


Raleigh: North Carolina Department of Agriculture, 1981. (Agronomic Division of
North Carolina Department of Agriculture. Circular, 1).

HAVELKA, U. D.; HARDY, R. W. F. Legume N2 fixation as a problem in carbon


nutrition: In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON NITROGEN FIXATION, 1.,
1974, Pullmann. Proceedings… Pullman: Washington State University Press, 1976.
p. 465-475.

HAVLIN, J. L.; WESTFALL, D. G. Potassium release kinetics and plant response


in calcareous soil. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 49,
p. 366-370, 1985.
Referências 361

HAYNES, R. J. Soil acidification induced by leguminous crops. Grass Forage


Science, Washington, DC, v. 38, p. 1-11, 1983.

HAYNES, R. J.; GOH, K. M. Ammonium and nitrate nutrition of plants. Biological


Reviews of the Cambridge Philosophical Society, Cambridge, v. 53, n. 4,
p. 465-510, 1978.

HEINRICHS, R.; MOREIRA, A.; FIGUEIREDO, p. A. M.; MALAVOLTA, E. Atributos


químicos do solo e produção do feijoeiro com a aplicação de calcário e manganês.
Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 32, p. 1157-1164, 2008.

HELYAR, K. R. Nitrogen cycling and soil acidification. Journal of the Australian


Institute of Agricultural Science, Sidney, v. 42, p. 217-221, 1976.

HENSON, R. A. Measurements of N2 fixation by common bean in Central Brazil as


affected by different crops. Plant and Soil, The Hague, v. 152, n. 1, p. 53-58, 1993.

HETRICK, J.A.; SCHWAB, A.P. Changes in aluminum and phosphorus solubilities


in response to long term fertilization. Soil Science Society of America Journal,
Madison, v. 56, p. 755-761, 1992.

HODGES, S. C.; GASCHO, G. S.; KIDDER, G. Calcium and magnesium.


In: RESEARCH based on soil testing information and fertilizer recommendations
for peanuts on Coastal Plain soils. Alabama: Auburan University, 1994. (Series
Bulletin, 380).

HOLLOWAY, R. E.; GRAHAM, R. D.; STACEY, S. P. Micronutrient deficiencies


in Australian field crops. In: ALLOWAY, B. J. (Ed.). Micronutrient deficiencies in
global crop production. New York: Springer, 2008. p. 63-92.

HOSFIELD, G. L. Genetic control of production and food quality factors in dry


bean. Food Technology, Chicago, v. 45, n. 9, p. 98-103, 1991.

HOU, J.; EVANS, L. J.; SPIERS, G. A. Boron fractions in soils. Communication in


Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 25, p. 1841-1853, 1994.

HU, H.; BROWN, P. H. Adsorption of boron by plant roots. Plant and Soil,
Dordrecht, v. 193, n. 172, p. 49-58, 1997.

HUANG, C.; GRAHAM, R. D. Efficient Mn uptake in barley is a constitutive


system. In: ANDO, T.; FUJITA, K.; MAE, T.; MATSUMOTO, H.; MORI, S.; SEKIYA,
J. (Ed.). Plant nutrition for sustainable food production and environment.
Dordrecht: Kluwer Academic Publishers, 1997. p. 269-270.

HUDNALL, W. H. Taxonomy of acid rice growing soils of the tropics.


In: DETURCK, P.; PONNAMPERUMA, F. N. (Ed.). Rice production on acid soils of
the tropics. Kandy: Institute of Fundamental Studies, 1991. p. 38.
362 Nutrição Mineral do Feijoeiro

HUFFMAN, J. R. Effects of enhanced ammonium nitrogen availability for corn.


Journal of Agronomic Education, Madison, v. 18, n. 2, p. 93-97, 1989.

HUNGRIA, M.; ANDRADE, D. S.; CHUEIRE, L. M. O.; PROBANZA, A.;


GUTIERREZ-MAÑERO, F. J.; MEGIAS, M. Isolation and characterization of new
efficient and competitive bean (Phaseolus vulgaris L.) rhizobia from Brazil. Soil
Biology and Biochemistry, Elmsford, v. 32, n. 11/12, p. 1515-1528, 2000.

HUNGRIA, M.; VARGAS, M. A. T. Environmental factors affecting N2 fixation in


grain legumes in the tropics, with an emphasis on Brazil. Field Crops Research,
Amsterdam, v. 65, n. 2/3, p. 151-164, 2000.

HUNGRIA, M.; VARGAS, M. A. T.; ARAUJO, R. S. Fixação biológica do nitrogênio


em feijoeiro. In: VARGAS, M. A. T.; HUNGRIA, M. (Ed.). Biologia dos solos dos
Cerrados. Planaltina, DF: Embrapa-CPAC, 1997. p. 187-294.

HUSSAIN, F.; BRONSON, K. F.; SINGH, B.; PENG, S. Use of chlorophyll meter
sufficiency indices for nitrogen management of irrigated rice in Asia. Agronomy
Journal, Madison, v. 92, n. 5, p. 875-879, 2000.

ISFAN, D. Genotypic variability for physiological efficiency index of nitrogen in


oats. Plant and Soil, The Hague, v. 154, n. 1, p. 53-59, July 1993.

ISHIZUKA, Y. Nutrient deficiencies of crops. Taipei: Aspac Food and Fertilizer


Technology Center, 1978.

ISRAEL, D. W.; JACKSON, W. A. The influence of nitrogen nutrition on ion uptake


and translocation by leguminous plants. In: ANDREW, C. S.; KAMPRATH, E. J.
(Ed.). Mineral nutrition of legumes in tropical and subtropical soils. Melbourne:
Csiro, 1978. p. 113-129.

JACKSON, W. A. Physiological effects of soil acidity. In: PEARSON, R. W.; ADAMS,


F. (Ed.). Soil acidity and liming. Madison: American Society of Agronomy, 1967.
p. 43-124.

JACOB NETO, J.; ROSSETTO, C. A. V. Concentração de nutrientes nas sementes: o


papel do molibdênio. Floresta e Ambienate, Seropédica, v. 5, p. 171-183, 1998.

JARVIS, S. C.; ROBSON, A. D. The effects of nitrogen nutrition of plants on the


development of acidity in Western Australian soils. I. Effects with subterranean
clover grown under leaching conditions. Australian Journal of Agricultural
Research, Victoria, v. 34, p. 341-353, 1983.

JAYACHANDRAN, K.; SCHWAB, A. P.; HETRICK, B. A. D. Micorrhizal mediation


of phosphorus availability: synthetic iron chelates effects on phosphorus
solubilization. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 53, p.1701-
1706, 1989.
Referências 363

JENSEN, E. S. Seasonal patterns of growth and nitrogen fixation in field-grown pea.


Plant and Soil, The Hague, v. 101, n. 1, p. 29-37, 1987.

JIN, J.; MARTENS, D. C.; ZELAZNY, L. W. Distribution and plant availability of


soil boron fractions. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 51,
p. 1228-1231, 1987.

JONES JUNIOR, J. B. Soil testing and plant analysis: guide to the fertilization of
horticultural crops. Horticulture Reviews, [S.l.], v. 7, p. 61-67, 1985.

JONES, G. B.; BELLING, G. B. The movement of copper, molybdenum, and


selenium in soils as indicated by radioactive isotopes. Australian Journal of
Agriculture Research, [Victória], v. 18, n. 5, p. 733-740, 1967.

JORDAN, D. C. Rhizobiaceae Conn 1938. In: KRIEG, N. R.; HOLT, J. G. (Ed.).


Bergey`s manual of systematic bacteriology. Baltimore: Williams & Wilkins, 1984.
p. 235-244.

KABATA-PENDIAS, A. Trace elements in soils and plants. 3rd ed. Boca Raton: CRC
Press, 2000. 432 p.

KAMPRATH, E. J. Crop response to lime on soils in the tropics. In: ADAMS, A.


(Ed.). Soil acidity and liming. 2nd ed. Madison: American Society of Agronomy,
1984. p. 349-368.

KAMPRATH, E. J. Residual effect of large application of phosphorus on high


phosphorus fixing soils. Agronomy Journal, Madison, v. 59, p.25-27, 1967.

KAMPRATH, E. J.; FOY, C. D. Lime-fertilizer-plant interactions in acid soils. In:


OLSEN, R. W. (Ed.). Fertilizer technology and use. 2nd ed. Madison: Soil Science
Society of America, 1972. p. 105-151.

KANEKO, F. H.; ARF, O.; GITTI, D. de C.; ARF, M. V.; FEREIRA, J. P.; BUZETTI,
S. Mecanismos de abertura de sulcos, inoculação e adubação nitrogenada em
feijoeiro em sistema plantio direto. Bragantia, Campinas, v. 69, n. 1, p. 125-133,
2010.

KANNAN, S. Problems of iron deficiency in different crop plants in India:


causative factors and control measures. Journal of Plant Nutrition, New York, v. 7,
p. 187-200, 1984.

KASPAR, T. C.; ZAHLER, J. B.; TIMMONS, D. R. Soybean response to phosphorus


and potassium fertilizers as affected by soil drying. Soil Science Society of America
Journal, Madison, v. 53, p. 1448-1454, 1989.

KELLY, J. D.; SCHNEIDER, K. A.; KOLKMAN, J. M. Breeding to improve yield.


In: SINGH, S. P. (Ed.). Common bean improvement in the twenty-first century.
Dordrecht: Kluwer, 1999. p. 185-222.
364 Nutrição Mineral do Feijoeiro

KEREN, R.; BINGHAM, F. T. Boron in water, soils, and plants. Advances in Soil
Science, New York, v. 1, p. 230-276, 1985a.

KEREN, R.; BINGHAM, F. T. Plant uptake of boron as affected by boron distribution


between liquid and solid phases in soil. Soil Science Society of America Journal,
Madison, v. 49, p. 297-302, 1985b.

KEREN, R.; BINGHAM, F. T.; RHOADES, J. D. Plant uptake of boron as affected by


boron distribution between liquid and solid phases in soil. Soil Science Society of
America Journal, Madison, v. 49, p. 297-302, 1985.

KHASAWNEH, F. E.; DOLL, E. C. The use of phosphate rock for direct application.
Advances in Agronomy, New York, v. 30, p.159-206, 1978.

KHONJE, D. J.; VARSA, E. C.; KLUBEK, B. The acidulation effects of nitrogenous


fertilizers on selected chemical and microbiological properties of soil.
Communications in Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 20, p. 1377-
1395, 1989.

KINRAIDE, T. B. Identification of the rhizotoxic aluminum species. In: WRIGHT,


R. J.; BALIGAR, v. C.; MURRMANN, R. p. (Ed.). Plant-soil interactions at low pH.
Dordrecht: Kluwer Academic, 1991. p. 717-728.

KLAMT, E.; KAMPF, N.; SCHNEIDER, P. Solos de várzea no Estado do Rio Grande
do Sul. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1985. 42
p. (Boletim técnico de solos, 4).

KLUTHCOUSKI, J.; AIDAR, H. Disposição do fertilizante na várzea. In: AIDAR,


H.; KLUTHCOUSKI, J. K.; STONE, L. F. (Ed.). Produção do feijoeiro comum
em várzeas tropicais. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2002.
p. 191-206.

KLUTHCOUSKI, J.; AIDAR, H.; THUNG, M.; OLIVEIRA, F. R. de A. Manejo


antecipado do nitrogênio nas principais culturas anuais. Informações
Agronômicas, Piracicaba, n. 113, p. 1-24, mar. 2006. Encarte técnico.

KORCAK, R. F. Iron deficiency chlorosis. Horticulture Review, [Bern], v. 9,


p. 133-186, 1987.

KUBOTA, F. Y.; ANDRADE NETO, A. C.; ARAÚJO, A. P.; TEIXEIRA, M. G.


Crescimento e acumulação de nitrogênio de plantas de feijoeiro originadas de
sementes com alto teor de molibdênio. Revista Brasileira de Ciência do Solo,
Campinas, v. 32, n. 4, p. 1635-1641, 2008.

LAING, D. R.; KRETCHMER, P. J.; ZULUAGA, S.; JONES, P. G. Field bean.


In: SYMPOSIUM ON POTENTIAL PRODUCTIVITY OF FIELD CROPS UNDER
DIFFERENT ENVIRONMENTS, 1980, Los Baños. [Papers]… Los Baños: IRRI, 1983.
p. 227-248.
Referências 365

LAVRES JUNIOR, J.; MORAES, M. F.; CABRAL, C. P.; MALAVOLTA, E. Influência


genotípica na absorção e na toxidez de manganês em soja. Revista Brasileira de
Ciência do Solo, Campinas, v. 32, p. 173-181, 2008.

LAVY, T. L.; BARBER, S. A. Movement of molybdenum in the soil and its effect on
availability to the plant. Soil Science Society of America Proceedings, Madison,
v. 28, p. 93-97, 1964.

LEHTO, T.; MALKONEN, E. Effects of liming and boron fertilization on boron


uptake of Picea abies. Plant and Soil, Dordrecht, v. 163, p. 55-64, 1994.

LEMOS, L. B.; FORNASIERI FILHO, D.; CAMARGO, M. B.; SILVA, T. R. B.;


SORATTO, R. P. Inoculação de rizóbio e adubação nitrogenada em genótipos de
feijoeiro. Revista Agronomia, Seropédica, v. 37, n. 1, p. 26-31, 2003.

LENOBLE, M. E.; BLEVINS, D. G.; MILES, R. J. Prevention of aluminum toxicity with


supplemental boron: II. Stimulation of root growth in an acidic, high-aluminum
subsoil. Plant Cell Environment, Oxford, v. 19, p. 1143-1148, 1996.

LIEBHARDT, W. The basic cation saturation ratio concept and lime and potassium
recommendations on Delaware coastal plain soils. Soil Science Society of America
Journal, Madison, v. 45, n. 3, p. 544-549, 1981.

LIEROP, W.; MARTEL, Y. A.; CESCAS, M. P. Onion response to lime on acid


histosols as affected by Ca/Mg ratios. Soil Science Society of America Journal,
Madison, v. 43, n. 6, p. 1172-1177, 1979.

LIMA, D. M.; COLUGNATI, F. A. B.; PADOVANI, R. M.; RODRIGUEZ-AMAYA,


D. B.; SALAY, E.; GALEAZZI, M. A. M. Tabela brasileira de composição de
alimentos. 2. ed. Campinas: Ed. da Unicamp, 2006. 113 p.

LIMA, J. C. P. S.; NASCIMENTO, C. W. A.; LIMA, J. G. C.; LIRA JUNIOR, M. A.


Níveis críticos e tóxicos de boro em solos de Pernambuco determinados em casa de
vegetação. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 31, p. 73-79, 2007.

LIMING acid soils. Lexington: University of Kentucky, 1978. (University of


Kentucky. Leaflet, AGR-19).

LINDEMANN, W. C.; HAM, G. E. Soybean plant growth nodulation and nitrogen


fixation as affected by root temperature. Soil Science Society of America Journal,
Madison, v. 43, n. 6, p. 1134-1137, 1979.

LINDSAY, W. L. Chemical equilibria in soils. New York: Academic Press, 1979.


449 p.

LINDSAY, W. L. Inorganic phase equilibrium of micronutrients in soils. In:


MORTVEDT, J. J.; GIORDANO, P. M.; LINDSAY, W. L. (Ed.). Micronutrients in
agriculture. Madison: Soil Science Society of America, 1972. p. 41-57.
366 Nutrição Mineral do Feijoeiro

LINDSAY, W. L.; NORVELL, W. A. Development of a DTPA soil test for zinc, iron,
manganese and copper. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 42,
p. 421-428, 1978.

LINDSAY, W. L; SCHWAB, A. P. The chemistry of iron in soils and its availability to


plants. Journal of Plant Nutrition, New York, v. 5, p. 321-340, 1982.

LONERAGAN, J. F.; WEBB, M. J. Interactions between zinc and other nutrients


affecting the growth of plants. In: ROBSON, A. D. (Ed.). Zinc in soils and plants.
Dordrecht: Kluwer Academic, 1993. p. 119-134.

LOPES, A. S. Reserva de minerais potássico e produção de fertilizantes potássicos


no Brasil. In: YAMADA, T.; ROBERTS, T. L. (Ed.). Potássio na Agricultura Brasileira,
Piracicaba: Potafos, 2005. p. 21-32.

LOPES, A. S. Solos sob “cerrado”: características, propriedades e manejo.


Piracicaba: Instituto da Potassa & Fosfato, 1983. 162 p.

LOPES, A. S.; ABREU, C. A. Micronutrientes na agricultura brasileira: evolução


histórico e futura. In: NOVAIS, R. F.; ALVAREZ, V. H.; SCHAEFER, C. E. G. R. (Ed.).
Tópicos em Ciência do solo. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo,
2000. v. 1, p. 265-298.

LOPES, A. S.; COX, F. R. A survey of the fertility status of surface soils under
cerrado vegetation in Brazil. Soil Science Society of America Journal, Madison,
v. 41, n. 4, p. 742-746, 1977.

LOPEZ BELLIDO, R. J.; LOPEZ BELLIDO, L.; LOPEZ BELLIDO, F. J.; CASTILLO,
J. E. Faba bean (Vicia faba L.) response to tillage and soil residual nitrogen in a
continuous rotation with wheat (Triticum aestivum L.) under rainfed Mediterranean
conditions. Agronomy Journal, Madison, v. 95, n. 5, p. 1253-1261, 2003.

LOVEADY, J. Influence of oxygen diffusion rate on nodulation of subterranean


clover. Australian Journal of Science, Sydney, v. 26, p. 90-91, 1963.

LYNCH, J.; RODRIGUEZ, N. S. Photosynthetic nitrogen-use efficiency in relation to


leaf longevity in common bean. Crop Science, Madison, v. 34, n. 5, p. 1284-1290,
1994.

LYNCH, J.; WHITE, J. W. Shoot nitrogen dynamics in tropical common bean. Crop
Science, Madison, v. 32, n. 2, p. 392-397, 1992.

MACKAY, A. D.; BARBER, S. A. Soil moisture effect on potassium uptake by corn.


Agronomy Journal, Madison, v. 77, p. 524-527, 1985.

MALAVOLTA, E. Elementos de nutrição mineral de plantas. São Paulo:


Agronômica Ceres, 1980. 251 p.
Referências 367

MALAVOLTA, E. Potassium status of tropical and sub-tropical region soils. In:


MUNSON, R. D. (Ed.). Potassium in agriculture. Madison: American Society of
Agronomy, 1985. p. 163-200.

MALAVOLTA, E.; KLIEMANN, H. J. Desordens nutricionais no cerrado. Piracicaba:


Potafos, 1985. 136 p.

MALAVOLTA. E.; VITTI, G. C.; OLIVEIRA, S. A. Avaliação do estado nutricional


das plantas: princípios e aplicações. Piracicaba: Potafos, 1997. 319 p.

MALAVOLTA, E.; VITTI, G. C. OLIVEIRA, S. A. Avaliação do estato nutricional de


plantas plantas: princípios e aplicações. 2. ed. Piracicaba: Potafos, 1989. 201 p.

MALHI, S. S.; NYBORG, M.; HARAPIAK, J. T.; FLORE, n. A. Acidification of soil in


Alberta by nitrogen fertilizers applied to bromegrass. In: WRIGHT, R. J.; BALIGAR,
v. C.; MURRMANN, R. p. (Ed.). Plant-soil interactions at low pH. Dordrecht:
Kluwer Academic, 1991. p. 547-553.

MANDAL, B.; ADHIKARI, T. K.; DE, D. K. Effect of lime and organic


matter application on the availability of added boron in acidic alluvial
soils. Communication in Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 24,
p. 1925-1935, 1993.

MANDAL, B.; MANDAL, L. N. Effect of phosphorus application on transformation


of zinc fraction in soil and on the zinc nutrition of lowland rice. Plant and Soil,
The Hague, v. 121, p. 115-123, 1990.

MANDAL, L. N.; HALDAR, M. Influence of phosphorus and zinc application on


the availability of zinc, copper, iron, manganese and phosphorus in waterlogged
rice soils. Soil Science, Baltimore, v. 130, p. 251-257, 1980.

MANN, E. N.; REZENDE, P. M. de; MANN, R. S.; CARVALHO, J. G. de; PINHO,


E. V. R. von. Efeito da aplicação de manganês no rendimento e na qualidade
de sementes de soja. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 37,
p. 1757-1764, 2002.

MARIANO, E. D.; FAQUIN, V.; FURTINI NETO, A. E.; ANDRADE, A. T.;


MARIANO, I. O. dos S. Níveis críticos de boro em solos de várzea para o
cultivo do feijoeiro. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 35,
p. 1637-1644, 2000.

MARION, G. M.; HENDRICKS, D. M.; DUTT, G. R.; FULLER, W. H. Aluminum and


silica solubility in soils. Soil Science, Baltimore, v. 12, p. 76-85, 1976.

MARSCHNER, H. Mineral nutrition of higher plants. 2nd ed. London: Academic


Press, 1995. 889 p.
368 Nutrição Mineral do Feijoeiro

MARSCHNER, H.; ROMHELD, V.; KISSEL, M. Different strategies in higher plants


in mobilization and uptake of iron. Journal of Plant Nutrition, New York, v. 9,
p. 695-713, 1986.

MARSH, B. H.; GROVE, J. H. Surface and subsurface soil acidity: soybean root
response to sulfate-bearing spent lime. Soil Science Society of America Journal,
Madison, v. 56, p. 1837-1842, 1992.

MARTENS, D. C.; LINDSAY, W. L. Testing soil for copper, iron, manganese and
zinc. In: WESTERMAN, R. L. (Ed.). Soil testing and plant analysis. 3rd ed. Madison:
Soil Science Society of America, 1990. p. 229-264.

MARTENS, D. C.; WESTERMANN, D. T. Fertilizer application for correcting


micronutrient deficiencies. In: MORTVEDT, J. J.; COX, F. R.; SHUMAN, L. M.;
WELCH, R. M. (Ed.). Micronutrients in agriculture. 2nd ed. Madison: Soil Science
Society of America, 1991. p. 549-592.

MARTINEZ ROMERO, E. Diversity of Rhizobium-Phaseolus vulgaris symbiosis:


overview and perspectives. Plant and Soil, The Hague, v. 252, n. 1, p. 11-23, 2003.

MARTINEZ ROMERO, E.; SEGOVIA, L.; MERCANTE, E. M.; FRANCO. A. A.;


GRAHAM, P.; PARDO, M. A. Rhizobium tropici, a novel species nodulating
Phaseolus vulgaris L. beans and Leucaena sp. trees. International Journal of
Systematic Bacteriology, Washington, DC, v. 41, n. 3, p. 417-426, 1991.

MARZADORI, C.; ANTISARI, L. V.; CIAVATTA, C.; SEQUI, P. Soil organic matter
influence on adsorption and desorption of boron. Soil Science Society of America
Journal, Madison, v. 55, n. 6, p.1582-1585, 1991.

MASCAGNI JUNIOR, H. J.; COX, F. R. Effective rates of fertilization for correcting


manganese deficiency in soybeans. Agronomy Journal, Madison, v. 77, p. 363-366,
1985.

MASCARENHAS, H. A. A.; TANAKA, R. T.; GALLO, P. B.; PEREIRA, J. C. V. N. A.;


AMBROSANO, G. M. B.; CARMELLO, Q. A. C. Efeito da calagem sobre a
produtividade de grãos, óleo e proteína em cultivares precoces de soja. Scientia
Agricola, Piracicaba, v. 53, p. 164-172, 1996.

MASTERSON, C. L.; SHERWOOD, M. T. Some effects of increased atmospheric


carbon dioxide on white clover and pea. Plant and Soil, The Hague, v. 49, n. 2,
p. 421-426, 1978.

MCBRIDE, M. B. Reactions controlling heavy metal solubility in soils. New York:


Springer-Verlag, 1989. 56 p. (Advances in Soil Science, 10).

MCBRIDE, M. B.; BLASIAK, J. J. Zinc and copper solubility as a function of pH in


an acid soil. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 43, p. 866-870,
1979.
Referências 369

MCCONNELL, S. G.; SANDER, D. H.; PETERSON, G. A. Effect of fertilizer


phosphorus placement depth and winter wheat yield. Soil Science Society of
America Journal, Madison, v. 50, p. 148-153, 1986.

MEEK, B.; GRAHAM, L.; DONOVAN, T. Long-term effects of manure on soil


nitrogen, phosphorus, potassium, sodium, organic matter, and water infiltration
rate. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 46, p.1014-1019, 1982.

MEIRA, F. A.; SÁ, M. E. de; BUZETTI, S.; ARF, O. Dose e época de aplicação de
nitrogênio no feijoeiro irrigado cultivado em plantio direto. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, DF, v. 40, n. 4, p. 383-388, abr. 2005.

MELARATO, M.; PANOBIANCO, M.; VITTI, G. C.; VIEIRA, R. D. Manganês e


potencial fisiológico de sementes de soja. Ciência Rural, Santa Maria, v. 32,
p. 1069-1071, 2002.

MELO, G. W.; MEURER, E. J.; PINTO, L. F. S. Fontes de potássio em solos


distroférricos cauliníticos originados de basalto no Rio Grande do Sul. Revista
Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 28, p. 597-603, 2004.

MELO, L. C.; MELO, P. G. S.; FARIA, L. C. de; CABRERA DIAZ, J. L.; DEL PELOSO,
M. J.; RAVA, C. A.; COSTA, J. G. C. da. Interação com ambientes e estabilidade
de genótipos de feijoeiro-comum na região centro-sul do Brasil. Pesquisa
Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 42, n. 5, p. 715-723, 2007.

MENDES, J. F. Características químicas e físicas de alguns solos sob cerrado.


In: REUNIÃO BRASILEIRA DE CERRADOS, 2., 1967, Sete Lagoas. Anais... Sete
Lagoas: Ipeaco, 1972. p. 51-63.

MENGEL, D.; REHM, G. Fundamentals of fertilizer application. In: SUMNER, M. E.


(Ed.). Handbook of soil science. Boca Ratoon: CRC, 2000. p. 155-173.

MENGEL, K.; KIRKBY, A.; KOSEGARTEN, H.; APPEL, T. Principles of plant


nutrition. 5th ed. Dordrecht: Kluwer, 2001. 849 p.

MENON, R. G.; CHIEN, S. H.; GADALLA, A. N. Phosphate rocks compacted with


superphosphates vs. partially acidulated rocks for bean and rice. Soil Science
Society of America Journal, Madison, v. 55, p. 1480-1484, 1991.

MERCANTE, F. M. Uso de Leucaena leucocephala na obtenção de Rhizobium


tolerante a temperaturas elevadas para inoculação do feijoeiro. 1993. 149 f.
Dissertação (Mestrado em Ciência do Solo) – Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro, Seropédica.

MERCANTE, F. M.; OTSUBO, A. A.; LAMAS, F. M. Inoculação de Rhizobium


tropici e aplicação de adubo nitrogenado na cultura do feijoeiro. In: REUNIÃO
BRASILERA DE FERTILIDADE DE SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 27., 2006,
370 Nutrição Mineral do Feijoeiro

Bonito, MS. A busca das raízes: anais... Dourados: Embrapa Agropecuária Oeste,
2006. 1 CD-ROM. (Embrapa Agropecuária Oeste. Documentos, 82).

MERCANTE, F. M.; TEIXEIRA, M. G.; ABBOUD, A. C. S.; FRANCO, A. A. Avanços


biotecnológicos na cultura do feijoeiro sob condições simbióticas. Revista
Universidade Rural: Série Ciência da Vida, Seropédica, v. 21, n. 1/2, p. 127-146,
1999.

MIELNICZUK, J. Matéria orgânica e a sustentabilidade dos sistemas agrícola.


In: SANTOS, G. A.; SILVA, L. S.; CANELLAS, L. P.; CAMARGO, F. A. O. (Ed.).
Fundamentos da matéria orgânica do solo-ecossistemas tropicais e subtropicais.
2. ed. Porto Alegre: Metrópole, 2008. p. 1-5.

MINCHIN, F. R.; SUMMERFIELD, R. J.; NEVES, M. C. A. Nitrogen nutrition of


cowpeas (Vigna unguiculata): effects of timing on inorganic nitrogen applications
on nodulation, plant growth and seed yield. Tropical Agriculture, Surrey, v. 58,
n. 1, p. 1-12, 1981.

MIYASAKA, S.; FREIRE, E. S.; MASCARENHAS, H. A. A. Modo e época de


aplicação de nitrogênio na cultura do feijoeiro. Bragantia, Campinas, v. 22,
p. 511-519, 1963.

MOLL, R. H.; JACKSON, W. A.; MIKKELSEN, R. L. Recurrent selection for maize


grain yield: dry matter and nitrogen accumulation and partitioning changes. Crop
Science, Madison, v. 34, n. 4, p. 874-881, 1994.

MONGE, E., VALE, E; ABADIA, J. Photosynthetic pigment composition of higher


plants grown under iron stress. Progress in Photosynthesis Research, [S.l.], v. 4,
p. 201-204, 1987.

MONTANARI, R.; CARVALHO, M. P.; ANDREOTTI, M.; DALCHIAVON, F. C.;


LOVERA, L. H.; HONORATO, M. A. O. Aspectos da produtividade do feijão
correlacionados com atributos físicos do solo sob elevado nível tecnológico de
manejo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 34, n. 6, p. 1811-1822,
2010.

MORAES, J. F. L.; BELLINGIERT, P. A.; FORNASIERI, FILHO, D.; GALON, J. A.


Efeito de doses de calcário e de gesso na cultura do feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.)
cv. Carioca-80. Scientia Agricola, Piracicaba, v. 55, p. 438-447, 1998.

MORAES, J. F. V. Calagem e adubação. In: ZIMMERMANN, M. J. O.; ROCHA,


J. A.; YAMADA, T. (Ed.). Cultura do feijoeiro: fatores que afetam a produtividade.
Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato, 1988.
p. 261-301.

MORAGHAN, J. T.; MASCAGNI, H. J. Environmental and soil factors affecting


micronutrient deficiencies and toxicities. In: MORTVEDT, J. J.; COX, R. R.;
Referências 371

SHUMAN, L. M.; WELCH, R. M. (Ed.). Micronutrient in agriculture. 2nd ed.


Madison: Soil Science Society of America, 1991. p. 371-425.

MOREIRA, F. M. S.; SIQUEIRA, J. O. Microbiologia e bioquímica do solo. 2. ed.


Lavras: Ed. da Universidade Federal de Lavras, 2006. 729 p.

MORROW, B. The rebirth of legumes. Food Technology, Chicago, v. 45, n. 9,


p. 96-121, 1991.

MORTVEDT, J. J. Correcting iron deficiencies in annual and perennial plants:


present technologies and future prospects. Plant and Soil, Dordrecht, v. 130,
p. 273-279, 1991.

MORTVEDT, J. J. Crop response to level of water soluble zinc in granular zinc


fertilizers. Fertilizer Research, Dordrecht, v. 33, p. 249-255, 1992.

MORTVEDT, J. J. Grain sorghum response to banded acid type fertilizers in iron


deficient soil. Journal of Plant Nutrition, New York, v. 11, p. 1297-1310, 1986.

MORTVEDT, J. J. Needs for controlled availability micronutrient fertilizers.


Fertilizer Research, Dordrecht, v. 38, p. 213-221, 1994.

MORTVEDT, J. J.; CUNNINGHAM, H. G. Production, marketing, and use of


other secondary and micronutrient fertilizers. In: DINAUER, R. C. (Ed.). Fertilizer
technology and use. 2nd ed. Madison: Soil Science Society of America, 1971.
p. 413-454.

MULLINS, G. L. Plant availability of P in commercial superphosphate fertilizers.


Communications in Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 19, p. 1509-
1525, 1988.

MULLINS, G. L.; SIKORA, F. J. Field evolution of commercial monoammonium


phosphate fertilizers. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 54,
p.1469-1472, 1990.

MUNNS, D. N. Mineral nutrition and the legume symbiosis. In: HARDY, R. W.;
GIBSON, A. H. (Ed.). A treatise on dinitrogen fixation: agronomy and ecology.
New York: Wiley Interscience, 1977.

MURATA, Y. Differences of photosynthetic rate among species. In: MIYACHI, S.;


MURATA, Y. (Ed.). Photosynthesis and dry matter production. Tokyo: Riko-Sha,
1980. p. 437-475.

NABLE, R. O.; BANUELOS, G. S.; PAULL, J. G. Boron toxicity. Plant and Soil,
Dordrecht, v. 193, p. 181-198, 1997.

NAKAMURA, T.; OSAKI, M.; SHINANO, T.; TADANO, T. Different mechanisms of


carbon-nitrogen interaction in cereal and legumes crops. In: ANDO, T.; FUJITA, K.;
372 Nutrição Mineral do Feijoeiro

MAE, T.; TSUMOTO, H.; MORI, S.; SEKIYA, J. (Ed.). Plant nutrition for sustainable
food production and environment. Dordrecht: Kluwer, 1997. p. 913-914.

NASCIMENTO, C. W. A. Dessorção, extração e fracionamento de zinco, cobre


e manganês em solos. 2001. 60 f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de
Viçosa, Viçosa, MG.

NASCIMENTO, C. W. A.; FONTES, R. L. F. Correlação entre características


de latossolos e parâmetro de equações de adsorção de cobre e zinco. Revista
Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 28, p. 965-971, 2004.

NASCIMENTO, P. C. do; BAYER, C.; NETTO, L. F. S.; VIAN, A. C.; VIEIRO, F.;
MACEDO, V. R. M.; MARCOLIN, E. Sistemas de manejo e a matéria orgânica de
solo de várzea com cultivo de arroz. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa,
MG, v. 33, n. 6, p. 1821-1827, 2009.

NEILANDS, J. B.; S. A. LEONG. Siderophores in relation to plant growth


and disease. Annual Review of Plant Physiology, Palo Alto, v. 37, p. 187-208, 1986.

NOGUEIRA, M. A.; MELO, W. J. Enxofre disponível para a soja e atividade de


arilsulfatase em solo tratado com gesso agrícola. Revista Brasileira de Ciência do
Solo, Campinas, v. 27, p. 655-663, 2003.

NOLLA, A.; ANGHINONI, I. Critérios de calagem para a soja no sistema plantio


direto consolidado. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 39,
p. 475-483, 2006.

NORVELL, W. A. Comparison of chelating agents as extractants for metals in


diverse soil materials. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 48,
p. 1285-1292, 1984.

NOVAIS, R. F. de. Soja. In: RIBEIRO, A. C.; GUIMARÃES, P. T. G.; ALVAREZ, V.,
V. H. (Ed.). Recomendação para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas
Gerais: 5ª. aproximação. Viçosa, MG: Comissão de Fertilidade do Solo do Estado
de Minas Gerais, 1999. p. 323-324.

NYATSANGA, T.; PIERRE, W. H. Effect of nitrogen fixation by legumes on soil


acidity. Agronomy Journal, Madison, v. 65, p. 936-940, 1973.

OATES, K. M.; CALDWELL, A. G. Use of by-product gypsum to alleviate soil


acidity. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 49, p. 915-918, 1985.

OBATA, H. Physiological functions of micro essential elements. In: MATSUO, T.;


KUMAZAWA, K.; ISHII, R.; ISHIHARA, K; HIRATA, H. (Ed.). Science of the rice
plant. Tokyo: Food and Agricultural Policy Research Center, 1995. p. 402-412.

OGHOGHORIE, C. G. O.; PATE, J. S. The nitrate stress syndrome of the nodulated


field pea. In: LIE, T. A.; MULDER, E. G. (Ed.). Biological nitrogen fixation in natural
and agricultural habitats. The Hague: Martins Nighoff, 1971.
Referências 373

OHNO, T.; GRUNES, D. L. Potassium-magnesium interactions affecting nutrient


uptake by wheat forage. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 49,
p. 685-690, 1985.

OKAZAKI, M.; TAKAMIDOH, K.; YAMANE, I. Adsorption of heavy metal cations


on hydrated oxides and oxides of iron and aluminum with different crystallinities.
Soil Science and Plant Nutrition, Tokyo, v. 32, p. 523-533, 1986.

OLIVEIRA JUNIOR, J. A.; MALAVOLTA, E.; CABRAL, C. P. Efeitos do manganês


sobre a soja cultivado em solo de cerrado do triângulo mineiro. Pesquisa
Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 35, p. 1629-1636, 2000.

OLIVEIRA NETO, W.; MUNIZ, A. S.; SILVA, M. A. G.; CASTRO, C.; BORKERT,
C. M. Extração e mobilidade vertical de boro em Latossolo Vermelho Eutroférrico
no Estado do Paraná. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 33, n. 5,
p. 1259-1267, 2009.

OLIVEIRA, A. P. de; SILVA, V. R. F.; ARRUDA, F. P. de; NASCIMENTO, I. S. do;


ALVES, A. U. Rendimentos de feijão caupi em função de doses e formas de
aplicação de nitrogênio. Horticultura Brasileira, Brasília, DF, v. 21, n. 1, p. 77-80,
2003.

OLIVEIRA, I. P. de; ARAÚJO, R. S.; DUTRA, L. G. Nutrição mineral e fixação


biológica de nitrogênio. In: ARAÚJO, R. S.; RAVA, C. A.; STONE, L. F.;
ZIMMERMANN, M. J. O. (Coord.). Cultura do feijoeiro comum no Brasil.
Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato, 1996.
p. 169-221.

OLIVEIRA, I. P.; SANTOS, A. B. dos. Correção da acidez do solo. In: AIDAR,


H.; KLUTHCOUSKI, J. K.; STONE, L. F. (Ed.). Produção do feijoeiro comum
em várzeas tropicais. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2002.
p. 157-168.

OLIVEIRA, M. F. G.; NOVAIS, R. F.; NEVES, J. C. L.; VASCONCELLOS, C. A.;


ALVES, V. M. C. Relação entre o zinco disponível por diferentes extratores, e as
frações de zinco em amostras de solos. Revista Brasileira de Ciência do Solo,
Viçosa, v. 23, p. 827-836, 1999.

OLIVEIRA, W. S.; MEINHARDT, L. W. SESSITSCH, A.; TSAI, S. M. Analysis of


Phaseolus Rhizobium interactions in a subsistence farming system. Plant Soil, [S.l.],
v. 204, p. 107-115, 1998.

OLSEN, S. R. Micronutrient interactions. In: MORTVEDT, J. J.; GIORDANO, P. M.;


LINDSAY, W. L. (Ed.). Micronutrients in agriculture. Madison: Soil Science Society
of America, 1972. p. 243-264.

OLSEN, S. R. Use and limitations of physical-chemical criteria for assessing the


status of phosphorus in soils. In: KHASAWNEH, F. E.; SAMPLE, E. C.; KAMPRATH,
374 Nutrição Mineral do Feijoeiro

E. J. (Ed.). The role of phosphorus in agriculture. Madison: ASA-CSSA-SSSA, 1980.


p. 361-410.

OLSEN, S. R.; BARBER, S. A. Effect of waste application on soil phosphorus and


potassium. In: ELLIOTT, L. F.; STEVENSON, F. J. (Ed.). Soils for management of
organic wastes and waste water. Madison: ASA-CSSA-SSSA, 1977. p. 197-215.

OLSEN, S. R.; KEMPER, W. D.; SCHAIK, J. C. van. Self-diffusion coefficient of


phosphorus in soil measured by transient and steady state methods. Soil Science
Society of America Proceedings, Madison, v. 29, p. 154-158, 1965.

OLSEN, S. R.; WATANABE, F. S. Interactions of added gypsum in alkaline soils


with uptake of iron, molybdenum, and zinc by sorghum Soil Science Society of
America Journal, Madison, v. 43, p. 125-130, 1979.

OSAKI, M.; SHINANO, T.; MATSUMOTO, M.; ZHENG, T.; TADANO, T. A root-
shoot interaction hypothesis for high productivity of field crops. In: ANDO, T.;
FUJITA, K.; MAE, T.; MATSUMOTO, H.; MORI, S.; SEKIYA, J. (Ed.). Plant nutrition
for sustainable food production and environment. Dordrecht: Kluwer, 1997.
p. 669-674.

PARFITT, J. M. B.; TIMM, L. C.; PAULETTO, E. A.; SOUSA, R. O. de; CASTILHOS,


D. D.; ÁVILA, C. L. de; RECKZIEGEL, N. L. Spatial variability of the chemical,
physical and biological properties in lowland cultivated with irrigated rice. Revista
Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, MG, v. 33, n. 4, p. 819-830, 2009.

PARKER, D. R.; DINRAIDE, T. B.; ZELAZNY, L. W. Aluminum speciation and


phytoxicity in dilute hydroxy-aluminum solutions. Soil Science Society of America
Journal, Madison, v. 52, p.438-444, 1988.

PATEL, K. P.; SINGH, M. V. Copper research and agriculture production.


In: TONDON, H. L. S. (Ed.). Micronutrient research and agricultural production.
New Delhi: Fertilizer Development and Consultation Organization, 1995.
p. 33-55.

PAVAN, M. A.; BINGHAM, F. T. Toxicity of aluminum to coffee seedlings grown


in nutrient solution. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 46,
p. 993-997, 1982.

PEARSON, R.W. Soil acidity and liming in the humid tropics. Ithaca: Cornell
University: Cornell Institute of Agriculture, 1975. (Cornell Institute of Agriculture.
Bulletin, 30).

PELEGRIN, R. de; MERCANTE, F. M.; OTSUBO, I. M. N.; OTSUBO, A. A. Resposta


da cultura do feijoeiro à adubação nitrogenada e à inoculação com rizóbio. Revista
Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, MG, v. 33, n. 1, p. 219-226, 2009.
Referências 375

PENG, S.; GARCIA, F. V.; LAZA, R. C.; CASSMAN, K. G. Adjustment for


specific leaf weight improves chlorophyll meter’s estimate of rice leaf nitrogen
concentration. Agronomy Journal, Madison, v. 85, n. 5, p. 987-990, 1993.

PENNINGTON, J. A. T.; YOUNGT, B. Sodium, potassium, calcium, phosphorus


and magnesium in foods from the United States total diet study. Journal of Food
Composition and Analysis, San Diego, v. 3, n. 2, p. 145-165, 1990.

PEREIRA, A. R.; MACHADO, E. C. Análise quantitativa do crescimento de


comunidades vegetais. Campinas: IAC, 1987. 33 p. (IAC. Boletim Técnico, 114).

PEREIRA, H. S.; MELO, L. C.; FARIA, L. C. de; DEL PELOSO, M. J.; COSTA, J. G. C.
da; RAVA, C. A.; WENDLAND, A. Adaptabilidade e estabilidade de genótipos de
feijoeiro-comum com grãos tipo carioca na Região Central do Brasil. Pesquisa
Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 44, n. 1, p. 29-37, 2009.

PEREIRA, H. S.; MELO, L. C.; FARIA, L. C. de; DEL PELOSO, M. J.; WENDLAND, A.
Estratificação ambiental na avaliação de genótipos de feijoeiro-comum tipo carioca
em Goiás e no Distrito Federal. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF,
v. 45, n. 6, p. 554-562, 2010.

PESSOA, A. C. S.; RIBEIRO, A. C.; CHAGAS, J. M.; CASSINI, S. T. A. Atividades de


nitrogenase e redutase de nitrato e produtividade do feijoeiro “Ouro Negro” em
resposta à adubação foliar com molibdênio. Revista Brasileira de Ciência do Solo,
Campinas, v. 25, p. 217-224, 2001.

PESSOA, A. C. S.; RIBEIRO, A. C.; CHAGAS, J. M.; CASSINI, S. T. A. Concentração


foliar de molibdênio e exportação de nutrientes pelo feijoeiro. Revista Brasileira de
Ciência do Solo, Campinas, v. 24, p. 75-84, 2000.

PETERSON, G. A.; SANDER, D. H.; GRABOUSKI, P. H.; HOOKER, M. L. A new


look at low and broadcast phosphate recommendations for winter wheat.
Agronomy Journal, Madison, v. 73, p. 13-17, 1981.

PETERSON, T. A.; BLACKMERY, T. M.; FRANCIS, D. D.; SCHEPERS, J. S. G93-


1171 using a chlorophyll meter to improve N management. Lincoln: University
of Nebraska, 1993. 7 p. (Historical Materials from University of Nebraska-Lincoln
Extension. Paper, 1353).

PHILLIPS, D. A.; NEWELL, K. D.; HASSELL, S. A.; FELLING, C. E. The effect of CO2
enrichment on root nodule development and symbiotic N2 reduction in Pisum
sativum L. American Journal of Botany, Columbus, v. 63, n. 3, p. 356-362, 1976.

PIEKIELEK, W. P.; FOX, R. H. Use of a chlorophyll meter to predict sidedress


nitrogen requirements for maize. Agronomy Journal, Madison, v. 84, n. 1,
p. 59-65, 1992.
376 Nutrição Mineral do Feijoeiro

PILBEAM, D. J.; KIRKBY, E. A. The physiological role of boron in plants. Journal of


Plant Nutrition, New York, v. 6, p. 563-582, 1983.

PINAZZA, L. A.; BORSARI, F. Aumento o uso de micronutrientes. Agroanalysis,


Rio de Jeneiro, v. 84, p. 50-51, 2004.

PIRES, C. V.; OLIVEIRA, M. G. A.; ROSA, J. C.; COSTA, N. M. B. Qualidade


nutricional escore químico de aminoácidos de diferentes fontes proteicas. Ciência
e Tecnologia dos Alimentos, Campinas, v. 26, n. 1, p. 179-187, 2006.

POERSCH, N. L.; RIBEIRO, N. D.; ROSA, D. P.; POSSOBOM, M. T. D. F. Genetic


control of potassium content of common bean seeds. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, DF, v. 46, n. 6, p. 626-632, jun. 2011.

PORTES, T. de A.; CARVALHO, J. R. P. de. Área foliar, radiação solar, temperatura


do ar e rendimentos em consorciação e em monocultivo de diferentes cultivares
de milho e feijão. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 18, n. 7,
p. 755-762, 1983.

POWER, P. P.; WOODS, W. G. The chemistry of boron and its speciation in plants.
Plant and Soil, Dordrecht, v. 193, p. 1-13, 1997.

PRINGLE, R. M.; EDMEADES, D. C.; SHANNON, P. W.; MANSELL, G. P. Duration


of lime effects on the pH of North Island mineral soils. In: JACKSON, B. L. J.;
EDMEADES, D. C. (Ed.). Duration of lime effects on the pH of North Island
mineral soils. Hamilton: Ruakura Soil and Plant Research Station, 1985. p. 25-28.

QUAGGIO, J. A. Acidez e calagem em solos tropicais. Campinas: Instituto


Agronômico de Campinas, 2000. 111 p.

QUAGGIO, J. A.; GALLO, P. B.; FURLANI, A. M. C.; MASCARENHAS, H. A. A.


Soybean and sorghum grain yields isopleths for liming and molybdenum rates.
Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 22, p. 337-344, 1998.

QUAGGIO, J. A.; GALLO, P. B.; OWINO-GERROH, C.; ABREU, M. F.;


CANTARELLA, H. Peanut response to lime and molybdenum application in low pH
soil. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 28, p. 659-664, 2004.

RAHMATULLAH, B.; BAKER, D. E. Magnesium accumulation by corn (Zea mays L.)


as a function of potassium-magnesium exchange in soils. Soil Science Society of
America Journal, Madison, v. 45, n. 5, p. 899-903, 1981.

RAIJ, B. van. Fertilidade do solo e adubação. Piracicaba: Agronômica Ceres:


Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato, 1991. 343 p.

RAIJ, B. van; CANTARELA, H.; QUAGGIO, J. A.; FURLANI, A. M. C.


Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. 2. ed.
Campinas: Instituto Agronômico de Campinas-Fundação IAC, 1997. 285 p.
Referências 377

RAIJ, B. van; QUAGGIO, J. A. Methods used for diagnosis and correction of soil
acidity in Brazil: Overview. In: INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON PLANT-SOIL
INTERACTIONS AT LOW pH, 4., 1996, Belo Horizonte. Proceedings... Campinas:
Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 1997. p. 205-214.

RAIJ, B. van; QUAGGIO, J. A.; CANTARELLA, H.; ABREU, C. A. Os métodos de


análise química do sistema IAC de análise de solo no contexto nacional. In: RAIJ,
B. van; ANDRADE, J. C.; CANTARELLA, H. (Ed.). Análise química para avaliação
da fertilidade de solos tropicais. Campinas: Instituto Agronômico de Campinas,
2001. p. 5-39.

RAMOS, M. L. G.; BODDEY, R. M. Yield and nodulation of Phaseolus vulgaris and


the competitivity of an introduced Rhizobium strain: effects of lime, mulch and
repeated cropping. Soil Biology and Biochemistry, Elmsford, v. 19, n. 2, p. 171-177,
1987.

RASMUSSON, D. C.; GENGENBACH, B. G. Genetics and use of physiological


variability in crop breeding. In: TESAR, M. B. (Ed.). Physiological basis of crop
growth and development. Madison: American Society of Agronomy, 1984.
p. 291-321.

RASSINI, J. B.; REIS, A. E. G. dos; MACEDO, J.; LEITE, J. C. Caracterização


de várzeas na região dos cerrados. Planaltina: EMBRAPA-CPAC, 1984.
16 p. (EMBRAPA-CPAC. Boletim de Pesquisa, 22).

RAVEN, J. A.; SMITH, F. A. Nitrogen assimilation and transport in vascular land


plants in relation to intercellular pH regulation. New Phytologist, Oxford, v. 76,
p. 415-431, 1976.

RAZA, S.; JORNSGARD, B.; ABOU-TALEB, H.; CHRISTIANSEN, J. L. Tolerance of


Bradyrhizobium sp. (Lupini) strains to salinity, pH, CaCO3 and antibiotics. Letters in
Applied Microbiology, Oxford, v. 32, n. 6, p. 379-383, 2001.

RECHEIGL, J. E.; PAYNE, G. G.; BOTTCHER, A. B.; PORTER, p. S. Reduced


phosphorus application on Bahiagrass and water quality. Agronomy Journal,
Madison, v. 84, p. 463-468, 1992.

RECOMENDAÇÕES técnicas para o cultivo do arroz em região favorecidos: zonas


31, 36, 40, 64, 83 e 89. Brasília, DF: Embrapa-SPI, 1992. 124 p.

REDDY, S. V. Availability of potassium in different Colorado soils. 1976. Tese


(Mestrado) – Colorado State University, Fort Collins.

REEVE, N. G.; SUMNER, M. E. Amelioration of subsoil acidity in Natal Oxisols by


leaching of surface applied amendments. Agrochemophysica, Pretoria, v. 4, p. 1-6,
1972.
378 Nutrição Mineral do Feijoeiro

REID, R. K.; REID, C. P. P.; SZANISTO, P. J. Effects of synthetic and microbially


produced chelates on the diffusion of iron and phosphorus to a simulated root in
soil. Biology and Fertility of Soils, Berlin, v. 1, p. 45-52, 1985.

REISENAUER, H. M. The effect of sulfur on the absorption and utilization of


molybdenum by peas. Soil Science Society of America Proceedings, Madson,
v. 27, p. 553-555, 1963.

REISENAUER, H. M.; WALSH, L. M.; HOEFT, R. G. Testing soils for sulphur, boron,
molybdenum, and chlorine. In: WALSH, L. M.; BEATON, J. D. (Ed.). Soil testing
and plant analysis. Madison: Soil Science Society of America, 1973. p. 173-200.

RENGEL, Z.; GRAHAM, R. D. Importance of seed zinc content for wheat growth
on zinc deficient soil: II. Grain yield. Plant and Soil, The Hague, v. 173, p. 267-274,
1995.

REYNOLDS, M. P.; BALOTA, M.; DELGADO, M. I. B.; AMANI, I.; FISCHER, R. A.


Physiological and morphological traits associated with spring wheat yield under
hot, irrigated conditions. Australian Journal of Plant Physiology, Victoria, v. 21,
n. 6, p. 717-730, 1994.

RHEINHEIMER, D. S.; GATIBONI, L. C.; KAMINSKI, J.; ROBAINA, A. D.;


ANGHINONI, I.; FLORES, J. P. C.; HORN, D. Situação da fertilidade dos solos no
Estado do Rio Grande do Sul. Santa Maria: Ed. da Universidade Federal de Santa
Maria, 2001. 32 p. (Boletim técnico, 1).

RIBEIRO, A. C.; GUIMARAES, P. T. G.; ALVAREZ V., V. H. (Ed.). Recomendações


para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais: 5a. aproximação.
Viçosa, MG: Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais, 1999.
359 p.

RIBEIRO, N. D.; LONDERO, P. M. G.; CARGNELUTTI FILHO, A.; JOST, E.;


POERSCH, N. L.; MALLMANN, C. A. Composição de aminoácidos de cultivares
de feijão e aplicações para o melhoramento genético. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, DF, v. 42, n. 10, p. 1393-1399, 2007.

RIBET, J.; DREVON, J. J. Increase in permeability to oxygen and in oxygen uptake


of soybean nodules under limiting phosphorus nutrition. Physiologia Plantarum,
Copenhagen, v. 94, n. 2, p. 298-304, 1995.

RIBET, J.; DREVON, J. J. The phosphorus requirement of N2 fixing and urea-fed


Acacia mangium. New Phytologist, Cambridge, v. 132, n. 3, p. 383-390, 1996.

RITCHEY, K. D. O potássio nos Oxissolos e Ultissolos dos trópicos úmido.


Piracicaba: Instituto da Potassa e Fosfato: Instituto Internacional de Potassa, 1982.
69 p. (Boletim técnico, 7).
Referências 379

RITCHEY, K. D.; SILVA, J. E.; COSTA, U. F. Calcium deficiency in clayey B horizons


of Savanna Oxisols. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 133,
p. 378-382, 1982.

ROBERTSON, L. S.; KNEZEK, B. D.; BELO, J. O. A survey of Michigan soils as


related to possible boron toxicities. Communication in Soil Science and Plant
Analysis, New York, v. 6, n. 3, p. 359-373, 1975.

ROBSON, A. D.; REUTER, D. J. Diagnosis of copper deficiency and toxicity.


In: LONERAGAN, J. F.; ROBSON, A. D. (Ed.). Diagnosis of copper deficiency and
toxicity. London: Academic Press, 1981. p. 287-312.

RODINO, A. P.; FUENTE, M. D. L.; RON, A. M. D.; LEMA, A. J.; DREVON,


J. J.; SANTALLA, M. Variation for nodulation and plant yield of common bean
genotypes and environment effects on the genotype expression. Plant and Soil,
The Hague, v. 346, n. 1/2, p. 349-361, 2011.

RODRIGUES, C. S.; LARANJO, M.; OLIVEIRA, S. Effect of heat and pH stress in the
growth of chickpea mesorhizobia. Current Microbiology, New York, v. 53, n. 1,
p. 1-7, 2006.

RODRIGUEZ NAVARRO, D. N.; BUENDIA, A. M.; CAMACHO, M.; LUKAS,


M. M.; SANTAMATRIA, C. Characterization of Rhizobium spp. Bean isolates
from South West Spain. Soil Biology and Biochemistry, Elmsford, v. 32, n. 11/12,
p. 1601-1613, 2000.

ROMER, W.; AUGUSTIN, J.; SCHILLING, G. The relationship between phosphate


absorption and root length in nine wheat cultivars. Plant and Soil, The Hague,
v. 111, p. 199-201, 1988.

ROMHELD, V.; MARSCHNER, H. Evidence for a specific uptake system for iron
phytosiderophores in roots of grasses. Plant Physiology, [S.l.], v. 80, p. 175-180,
1986.

ROMHELD, V.; MARSCHNER, H. Functions of micronutrients in plants.


In: MORTVEDT, J. J.; COX, F. R.; SHUMAN, L. M.; WELCH, R. M. (Ed.).
Micronutrients in agriculture. 2nd ed. Madison: Soil Science Society of America,
1991. p. 297-328.

ROSOLEM, C. A. Adubação potássica em semeadura direta. In: SIMPÓSIO SOBRE


FERTILIDADE DO SOLO EM PLANTIO DIRETO, 1997, Dourados. Resumos e
Palestra... Dourados: Embrapa, 1997. 12 p.

ROSOLEM, C. A. Brazil: acid soils and agriculture. In: INTERNATIONAL


SYMPOSIUM PLANT-SOIL INTERACTIONS AT LOW PH, 2., 1990, Beckley.
Proceedings… Beckley: [s.n.], 1990.
380 Nutrição Mineral do Feijoeiro

ROSOLEM, C. A. Calagem e adubação mineral. In: ARAÚJO R. S.; RAVA, C. A.;


STONE, L. F.; ZIMMERMANN, M. J. O. (Ed.). Cultura do feijoeiro comum no
Brasil. Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato,
1996. p. 353-390.

ROSOLEM, C. A. Nutrição e adubação do feijoeiro. Piracicaba: Potafos, 1987.


93 p.

ROSOLEM, C. A.; CAIRES, E. E. The yield and nitrogen uptake of peanuts as


affected by lime, cobalto and molybdenum. Journal of Plant Nutrition, New York,
v. 21, p. 827-835, 1998.

ROSOLEM, C. A.; MACHADO, J. R.; BRINHOLI, O. Efeito das relações Ca/Mg,


Ca/K e Mg/K do solo na produção de sorgo sacarino. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, DF, v. 19, n. 12, p. 1443-1448, 1984.

ROSOLEM, C. A.; NAKAGAWA, J. Deficiência de manganês em soja induzida por


adubação potássica e calagem. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF,
v. 25, p. 833-836, 1990.

ROSOLEM, C. A.; ZANCANARO, L.; BÍSCARO, T. Boro disponível e resposta


da soja em Latossolo Vermelho-Amarelo do Mato Grosso. Revista Brasileira de
Ciência do Sol, Campinas, v. 32, n. 6, p. 2375-2383, 2008.

RUBINS, E. J. Molybdenum deficiencies in the United States. Soil Science, v. 81,


p. 191-197, 1956.

RUFINI, M.; FERREIRA, P. A. A.; SOARES, B. L.; OLIVEIRA, D. P.; ANDRADE,


M. J. B. de; MOREIRA, F. M. S. de. Simbiose de bactérias fixadoras de nitrogênio
com feijoeiro-comum em diferentes valores de pH. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, DF, v. 46, n. 1, p. 81-88, 2011.

RUSSELL, E. W. Soil conditions and plant growth. 10th ed. London: Longman,
1973. 849 p.

RUSSELL, E. W. Soil conditions and plant growth. 11th ed. Harlow: Longman
Science and Technical, 1988. 991 p.

RYLE, G. J. A.; HESKETH, J. D. Carbon dioxide uptake in nitrogen deficient plants.


Crop Science, Madison, v. 9, n. 4, p. 451-454, 1969.

SAEED, M.; FOX, R. L. Relations between suspension pH and zinc solubility in acid
and calcareous soils. Soil Science, Baltimore, v. 124, p. 199-204, 1977.

SAH, R. N.; BROWN, P. H. Techniques for boron determination and their


application to the analysis of plant and soil samples. Plant and Soil, Dordrecht,
v. 193, p.15-33, 1997.
Referências 381

SAKAL, R.; SINGH, A. P. Boron research and agricultural production.


In: TONDON, H. L. S. (Ed.). Micronutrient research and agricultural production.
New Delhi: Fertilizer Development and Consultation Organization, 1995. p. 1-31.

SALE, P. J. M. Productivity of vegetable crops in a region of high solar input.


IV. Field chamber measurements on french bean (Phaseolus vulgaris L.) and
cabbage (Brassica oleracea L.). Australian Journal of Plant Physiology, Victoria,
v. 2, n. 4, p. 461-470, 1975.

SALSAC, L.; CHAILLOU, S.; MOROT-GAUDRY, J. F.; LESAINT, C.; JOLIVOE, E.


Nitrate and ammonium nutrition in plants. Plant Physiology and Biochemistry,
Paris, v. 25, n. 6, p. 805-812, 1987.

SÁNCHEZ, P. A.; SALINAS, J. G. Low-input technologies for managing oxisols and


ultisols in tropical America. Advances in Agronomy, New York, v. 34, p. 279-404,
1981.

SANDER, D. H.; PENS, E. J.; EGHBALL, B. Residual effects of various phosphorus


application methods on winter wheat and grain sorghum. Soil Science Society of
America Journal, Madison, v.54, p.1473-1478, 1990.

SANTOS, A. B. dos, FAGERIA, N. K.; SILVA, O. F. da; MELO, MEIRE, L. B. de.


Resposta do feijoeiro ao manejo de nitrogênio em várzeas tropicais. Pesquisa
Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 38, n. 11, p. 1265-1271, 2003.

SANTOS, A. B. dos; FAGERIA, N. K. Características fisiológicas do feijoeiro


em várzeas tropicais afetadas por doses e manejo de nitrogênio. Ciência e
Agrotecnologia, Lavras, v. 32, n. 1, p. 23-31, 2008.

SANTOS, A. B. dos; FAGERIA, N. K.; STONE, L. F.; SANTOS, C. Manejo de água


e de fertilizante potássico na cultura de arroz irrigado. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, DF, v. 34, n. 4, p. 565-573, 1999a.

SANTOS, A. B. dos; FAGERIA, N. K.; ZIMMERMANN, F. J. P. Atributos químicos


do solo afetado pelo manejo de água e do fertilizante potássico na cultura de arroz
irrigado. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande,
v. 6, n. 1, p. 12-16, 2002.

SANTOS, A. B. dos; SILVEIRA, P. M. da. Cultivo em várzeas. In: ARAUJO, R. S.;


RAVA, C. A.; STONE, L. F.; ZIMMERMANN, M. J. de O. (Coord.). Cultura do
feijoeiro comum no Brasil. Piracicaba: Potafos, 1996. p. 589-617.

SANTOS, A. B. dos; SILVEIRA, P. M. da; FAGERIA, N. K.; MELO, M. L. B. de. Efeitos


de doses de boro e de cobre no feijoeiro em solo de várzea. In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO, 27., 1999, Brasília, DF. [Ciência do solo e
qualidade de vida: anais]. Planaltina: Embrapa Cerrados, 1999b. 1 CD-ROM.
382 Nutrição Mineral do Feijoeiro

SANTOS, A. B. dos; VIEIRA, C.; LOURES, E. G.; BRAGA, M.; THIÈBAUT, J. T. L.


Resposta do feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.) ao molibdênio e ao cobalto em solos
de Viçosa e Paula Cândido, Minas Gerais. Revista Ceres, v. 26, p. 92-101, 1979.

SANTOS, H. G. dos; MACHADO, P. L. O. A.; FIDALGO, E. C. C.; MADARI, B. E.


Solo. In: Agência de Informação Embrapa: Feijão. Brasília, DF: Embrapa. 2010.
Disponível em <[Link]
CONTAG01_2_2072004152820.html>. Acesso em: 27 set. 2012.

SANTOS, J. Z. L.; FURTINI NETO, A. D.; RESENDE, A. V. de; CARNEIRO, L. F.;


CURI, N.; MORRETTI, B. da S. Resposta do feijoeiro à adubação fosfatada em solos
de Cerrado com diferentes históricos de uso. Revista Brasileira de Ciência do Solo,
v. 35, n. 1, p. 193-202, 2011.

SCHAFF, B. E.; SKOGLEY, E. O. Diffusion of potassium, calcium, and magnesium in


Bozeman silt loam as influenced by temperature and moisture. Soil Science Society
of America Journal, Madison, v. 46, p. 521-524, 1982.

SCHEPERS, J. S.; FRANCIS, D. D.; VIGIL, M.; BELOW, F. E. Comparison of corn leaf
nitrogen concentration and chlorophyll meter reading. Communications in Soil
Science and Plant Analysis, New York, v. 23, n. 17/20, p. 2173-2178, 1992.

SCHLINDWEIN, J. A.; BORTOLON, L.; GIANELLO, C. Calibração de métodos


de extração de potássio em solo cultivados sob sistema plantio direto. Revista
Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 35, n. 5, p. 1669-1677, 2011.

SCOOTT, R. S. Long-term studies of molybdenum applied to pasture. III. Rates of


molybdenum application in relation to pasture production. New Zealand Journal
of Agriculture Research, Wellington, v. 6, p. 567-577, 1963.

SEGOVIA, L.; YOUNG, J. P. W.; MARTINEZ-ROMERO, E. Reclassification of


American Rhizobium leguminosarum biovar phaseoli type I strains as Rhizobium
etli sp. nov. International Journal of Systematics Bacteriology, Washington, DC,
v. 43, n. 2, p. 374-377, 1993.

SELF, J. R.; GUPTA, U. C. Soil testing for boron on alkaline soils. In: GUPTA,
U. C. (Ed.). Boron and its role in crop production. Boca Raton: CRC Press, 1993.
p. 125-135.

SFREDO, G. J.; BORKERT, C. M.; NEPOMUCENO, A. L.; OLIVEIRA, M. C. N.


eficiência de produtos contendo micronutrientes, aplicados via semente, sobre
produtividade e teores de proteína da soja. Revista Brasileira de Ciência do Solo,
Campinas, v. 21, p. 41-45, 1997.

SHARIF ZIA, M.; ASLAM, M.; ALI, A.; SAEED, Z. Fertilizer management and
nitrogen use efficiency for irrigated rice grown on calcareous alkaline soils.
In: ANDO, T.; FUJITA, K.; MAE, T.; MATSUMOTO, H.; MORI, S.; SEKIYA, J. (Ed.).
Referências 383

Plant nutrition for sustainable food production and environment. Dordrecht:


Kluwer, 1997. p. 815-816.

SHARPLEY, A.N.; SMITH, S. J. Mineralization and leaching of phosphorus from


soil incubated with surface applied and incorporated crop residue. Journal of
Environmental Quality, Madison, v. 18, p. 101-105, 1989.

SHAVIV, A.; MOHSIN, M.; PRATT, P. F. MATTIGOD, S. V. Potassium fixation


characteristics of five Southern California soils. Soil Science Society of America
Journal, Madison, v. 49, p. 1105-1109, 1985.

SHELP, B. J. Physiology and biochemistry of boron in plants. In: GUPTA, U. C. (Ed.).


Boron and its role in crop production. Boca Raton: CRC Press, 1993. p. 53-85.

SHIMADA, N. Deficiency and excess of micronutrientes. In: MATSUO, T.;


KUMAZAWA, K.; ISHII, R.; ISHIHARA, K; HIRATA, H. (Ed.). Science of the rice
plant. Tokyo: Food and Agricultural Policy Research Center, 1995. p. 412-419.

SHINANO, T.; OSAKI, M.; KOMATSU, K.; TADANO, T. Comparison of production


efficiency of the harvesting organs among field crops: I. Growth efficiency of the
harvesting organs. Soil Science and Plant Nutrition, Tokyo, v. 39, n. 2, p. 269-280,
1993.

SHINANO, T.; OSAKI, M.; TADANO, T. 14C allocation of 14C-compounds


introduced a leaf to carbon and nitrogen components in rice and soybean during
ripening. Soil Science and Plant Nutrition, Tokyo, v. 40, n. 2, p. 199-209, 1994.

SHINANO, T.; OSAKI, M.; TADANO, T. Comparison of growth efficiency between


rice and soybean at the vegetative growth stage. Soil Science and Plant Nutrition,
Tokyo, v. 41, n. 3, p. 471-480, 1995.

SHORROCKS, V. M. The occurrence and correction of boron deficiency. Plant and


Soil, Dordrecht, v. 193, n. 172, p. 121-148, 1997.

SHUMAN, L. M. Mineral nutrition. In: WILKINSON, R. E. (Ed.). Plant-environment


interactions. New York: Marcel Dekker, 1994. p. 149-182.

SHUMAN, L. M. The effect of soil properties on zinc adsorption by soils. Soil


Science Society of America Proceedings, Madison, v. 39, p. 454-458, 1975.

SHUMAN, L. M.; RAMSEUR, E. L.; DUNCAN, R. R. Soil aluminum effects on the


growth and aluminum concentration of sorghum. Agronomy Journal, Madison,
v. 82, p. 313-318, 1990.

SILLANPAA, M. Micronutrients and the nutrient status of soils: a global study.


Rome: FAO-Finish International Development Agency, 1990. (FAO Soils Bulletin,
63).
384 Nutrição Mineral do Feijoeiro

SILVA, C. A.; ABREU, A. de F. B.; RAMALHO, M. A. P.; CARNEIRO, J. E. de S.


Implicações da origem das linhagens de feijoeiro na magnitude da interação com
ambientes. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 46, n. 7, p. 720-728,
2011.

SILVA, C. C. da; SILVEIRA, P. M. da. Influência de sistemas agrícolas na resposta


do feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.) irrigado à adubação nitrogenada em cobertura.
Pesquisa Agropecuária Tropical, Goiânia, v. 30, n. 1, p. 86-96, 2000.

SILVA, D. N.; MEURER, E. J.; KAMPF, N.; BORKERT, C. M. Mineralogia e formas


de potássio em dois Latossolo do Estado de Paraná e suas relações com a
disponibilidade para as plantas. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas,
v. 19, p. 433-439, 1995.

SILVA, E. F. da; MARCHETTI, M. E.; SOUZA, L. C. F. de; MERCANTE, F. M.;


RODRIGUES E. T.; VITORINI, A. C. T. Inoculação do feijoeiro com Rhizobium
tropici associada a exsudato de Mimosa flocculosa com diferentes doses de
nitrogênio. Bragantia, Campinas, v. 68, n. 2, p. 443-451, 2009.

SILVA, E. M.; AZEVEDO, J. A. de; LIMA, J. E. F. W. Utilização dos recursos hídricos


na agricultura irrigada do Cerrado. In: ALBUQUERQUE, A. C. S.; SILVA, A. G. da.
(Ed.). Agricultura tropical: quatro décadas de inovação tecnológicas, institucionais
e políticas. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2008. p. 65-92.

SILVA, J. B. C.; NOVAIS, R. F.; SEDIYAMA, C. S. Comportamento de genótipos de


soja em solo com alta saturação de alumínio. Pesquisa Agropecuária Brasileira,
Brasília, DF, v. 19, p. 287-289, 1984.

SILVA, J. E. da; RITCHEY, K.D. Adubação potássica em solos de Cerrado. In:


YAMADA, T. (Ed.). Potássio na agricultura brasileira. Piracicaba: Potafos, 1982.
p. 323-338.

SILVA, L. M. da; LEMOS, L. B.; CRUSCIOL, C. A. C.; FELTRAN, J. C. Sistema


radicular de cultivares de feijão em resposta à calagem. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, DF, v. 39, n. 7, p. 701-707, 2004.

SILVA, T. R. B. da; ARF, O.; SORATTO, R. P. Adubação nitrogenada e resíduos


vegetais no desenvolvimento do feijoeiro em sistema plantio direto. Acta
Scientiarum: Agronomy, v. 25, n. 1, p. 81-87, 2003.

SILVA, T. R. B. da; LEMOS, L. B.; TAVARES, C. A. Produtividade e característica


tecnológica de grãos em feijoeiro adubado com nitrogênio e molibdênio.
Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 41, n. 5, p. 739-745, 2006.

SILVEIRA, P. M. da; BRAZ, A. J. B. P.; DIDONET, A. D. Uso do clorofilômetro como


indicador da necessidade de adubação nitrogenada em cobertura no feijoeiro.
Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 38, n. 9, 1083-1087, 2003.
Referências 385

SILVEIRA, P. M. da; BRAZ, A. J. B. P.; KLIEMANN, H. J.; ZIMMERMANN, F. J. P.


Adubação nitrogenada no feijoeiro cultivado sob plantio direto em sucessão de
culturas. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 40, n. 4, p. 377-381,
2005.

SILVEIRA, P. M. da; DAMASCENO, M. A. Doses e parcelamento de K e de N na


cultura do feijoeiro irrigado. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 28,
n. 11, p. 1269-1276, 1993.

SILVEIRA, P. M. da; ZIMMERMANN, F. J. P.; SILVA, S. C. da; CUNHA, A. A. da.


Amostragem e variabilidade especial de características químicas de um Latossolo
submetido a diferentes sistemas de produção. Pesquisa Agropecuária Brasileira,
Brasília, DF, v. 35, n. 10, p. 2057-2064, 2000.

SIMS, J. T. Soil pH effects on the distribution and plant availability of manganese,


copper and zinc. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 50,
p. 367-373, 1986.

SIMS, J. T.; JOHNSON, G. V. Micronutrient soil test. In: MORTVEDT , J. J.; COX, F.
R.; SHUMAN, L. M.; WELCH, R. M. (Ed.). Micronutrients in agriculture. 2nd ed.
Madison: Soil Science Society of America, 1991. p. 417-476.

SINCLAIR, T. R. Historical changes in harvest index and crop nitrogen


accumulation. Crop Science, Madison, v. 38, n. 3, p. 638-643, 1998.

SINGH, B. P.; SINGH, A. P.; SAKAL, R. Differential response of crops to Zn


application in calcareous soils. Journal of Indian Soil Science, New Delhi, v. 31,
p. 534-538, 1983.

SINGH, M. V. Micronutrient deficiencies in crops and soils in India: an


introduction. In: ALLOWAY, B. J. (Ed.). Micronutrient deficiencies in global crop
production. New York: Springer, 2008. p. 93-125.

SINGH, S. P. Production and utilization. In: SINGH, S. P. (Ed.). Common bean


improvement in the twenty-first century. Dordrecht: Kluwer, 1999. p. 1-24.

SIQUEIRA, J. O.; MOREIRA, F. M. S. Transformações bioquímicas e ciclos dos


elementos no solo. In: MOREIRA, F. M. S.; SIQUEIRO, J. O. (Ed.). Microbiologia e
bioquímica do solo. Lavras: Ed. Universidade Federal de Lavras, 2002. p. 305-329.

SIQUEIRA, J. O.; MOREIRA, F. M. S.; GRISI, B. M.; HUNGRIA, M. ARAUJO, R. S.


Microrganismos e processos biológicos do solo: perspectiva ambiental. Brasília,
DF: Embrapa-SPI, 1994. p. 47-50.

SMALL, J. G. C.; LEONARD, O. A. Translocation of C14-labeled photosynthate in


nodulated legumes as influenced by nitrate nitrogen. American Journal of Botany,
Columbus, v. 56, n. 2, p. 187-194, 1969.
386 Nutrição Mineral do Feijoeiro

SMITH, B. H.; LEEPER, G. W. The fate of applied molybdate in acid soils. Journal
of Soil Science, Oxford, v. 20, p. 246-254, 1969.

SMITH, S. E.; GIANINAZZI-PEARSON, V. Physiological interactions between


symbionts in vesicular-arbuscular mycorrhizal plants. Annual Review of Plant
Physiology, Palo Alto, v. 39, p.221-244, 1988.

SMYTH, T. J.; CRAVO, M.; BASTOS, J. B. Soil nutrient dynamics and fertility
management for sustained crop production on Oxisols in the Brazilian Amazon.
In: NORTH CAROLINA STATE UNIVERSITY. Tropsoils Tech-Report 1985-1986.
Raleigh, 1987. p. 88-91.

SMYTH, T. J.; CRAVO, M.S. Phosphorus management for continuous corn-cowpea


production in a Brazilian Amazon Oxisol. Agronomy Journal, Madison, v. 82,
p. 305-309, 1990.

SMYTH, T. J.; SANCHEZ, P. A. Phosphate rock dissolution and availability in


cerrado soils as affected by phosphorus sorption capacity. Soil Science Society of
America Journal, Madison, v. 46, p. 339-345, 1982.

SNYDER, G. H.; JONES, D. B. Prediction and prevention of iron-related rice


seedling chlorosis on Everglades Histosols. Soil Science Society of America
Journal, Madison, v. 52, p. 1043-1046, 1988.

SOARES, A. L. de; FERREIRA, P. A. A. PEREIRA, J. P. A. R.; VALE, H. M. M. do;


LIMA, A. S.; ANDRADE, M. J. B. de; MOREIRA, M. de S. Eficiência agronômica de
rizóbios selecionados e diversidade de populações nativas nodulíferas em Perdões
(MG): II. Feijoeiro. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, MG, v. 30, n. 5,
p. 803-811, 2006.

SOIL SCIENCE SOCIETY OF AMERICA. Glossary of soil science terms. Madison,


2008. 88 p.

SORATTO, R. P.; CARVALHO, M. A. C.; ARF, O. Nitrogênio em cobertura no


feijoeiro cultivado em plantio direto. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa,
MG, v. 30, n. 2, p. 259-266, 2006.

SORATTO, R. P.; CARVALHO, M. A. C.; ARF, O. Teor de clorofila e produtividade


do feijoeiro em razão da adubação nitrogenada. Pesquisa Agropecuária Brasileira,
Brasília, DF, v. 39, n. 9, p. 895-901, 2004.

SORATTO, R. P.; SILVA, T. R. B. da; ARF, O.; CARVALHO, M. A. C. de. Níveis e


época de aplicação de nitrogênio em cobertura no feijoeiro irrigado em plantio
direto. Cultura Agronômica, Ilha Solteira, v. 10, p. 89-99, 2001.

SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E.; GOEDERT, W. J. Manejo da fertilidade do


solo no Cerrado. In: ALBUQUERQUE, A. C. S.; SILVA, A. G. da. (Ed.). Agricultura
Referências 387

tropical: quatro décadas de inovação tecnológicas, institucionais e políticas.


Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2008. p. 203-260.

SOUSA, D. M. G. de; MIRANDA, L. N. de; LOBATO, E.; CASTRO, L. H. R. de.


Métodos para determinar as necessidades de calagem em solos dos Cerrados.
Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 13, n. 2, p. 193-198, 1989.

SOUSA, D. M. G.; LOBATO, E. Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed.


Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2004. 416 p.

SOUSA, D. M. G.; LOBATO, E. Cerrado: correção do solo e adubação. Planaltina,


DF: Embrapa Cerrados, 2002. 416 p.

SOUSA, D. M. G.; LOBATO, E.; REIN, T. A. Uso de gesso agrícola nos solos do
Cerrado. 2. ed. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2004. 6 p. (Embrapa Cerrados.
Circular técnica, 32).

SOUZA, A. B. de. Populações de plantas, níveis de adubação e calagem para o


feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.) num solo de baixa fertilidade. 2000. 69 f. Tese
(Doutorado em Agronomia) – Universidade Federal de Lavras, Lavras.

SOUZA, E. F. C.; SORATTO, R. P.; PAGANI, F. A. Aplicação de nitrogênio e


inoculação com rizóbio em feijoeiro cultivado após milho consorciado com
braquiária. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 46, n. 4, p. 370-377,
2011.

SPARROW, L. A.; UREN, N. C. Oxidation and reduction of Mn in acidic soils:


effect of temperature and soil pH. Soil Biology Biochemistry, Oxford, v. 19,
p. 143-148, 1987.

SPRENT, J. I. The effects of water stress on nitrogen fixing root nodules: IV. Effects
on whole plants of Vicia faba and Glycine max. New Phytologist, Cambridge,
v. 71, n. 4, p. 603-611, 1972.

SPRENT, J. I. Water deficits and nitrogen fixing root nodules. In: KOZLOWSKI, T. T.
(Ed.). Water deficits and plant growth: soil water measurement, plant response and
breeding for drought resistance. New York: Academic Press, 1976. v. 4, p. 291-315.

STAHL, R. S.; JAMES, B. R. Zinc sorption by iron-oxide-coated sand as a function


of pH. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 55, p. 1287-1290,
1991a.

STAHL, R. S.; JAMES, B. R. Zinc sorption by manganese-oxide-coated sand


as a function of pH. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 55,
p. 1291-1294, 1991b.

STALIN, P.; THIYAGARAJAN, T. M.; RAMANATHAN, S.; SUBRAMANIAN, M.


Comparing management techniques to optimize fertilizer N application in rice in
388 Nutrição Mineral do Feijoeiro

the Cauvery Delta of Tamil Nadu, India. International Rice Research Notes, Los
Baños, v. 25, n. 2, p. 25-26, 2000.

STEVENS, J. J.; BLANCHAR, R. W. Soil pH gradient near calcite and dolomite


particles. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 56, p. 967-972, 1992.

STEVENSON, F. J. Cycles of soil: carbon, nitrogen, phosphorus, sulfur,


micronutrients. New York: John Wiley & Sons, 1986. 380 p.

STOCCO, P.; SANTOS, J. C. P. dos; VARGAS, V. P.; HUNGRIA, M. Avaliação


da biodiversidade de rizóbios simbiontes do feijoeiro (Phaseolus vulgaris) em
Santa Catarina. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, MG, v. 32, n. 3,
p. 1107-1120, 2008.

STONE, L. F.; MOREIRA, J. A. A. Irrigação por subirrigação. In: AIDAR, H.;


KLUTHCOUSKI, J.; STONE, L. F. (Ed.). Produção do feijoeiro comum em várzeas
tropicais. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2002. p. 67-72.

STONE, L. F.; MOREIRA, J. A. A. Resposta do feijoeiro ao nitrogênio em cobertura,


sob diferentes lâminas de irrigação e preparos do solo. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, DF, v. 36, n. 3, p. 1473-481, 2001.

STONE, L. F.; SILVA, G. de M.; MOREIRA, J. A. A. Uso do clorofilômetro SPAD-502


na estimativa do nitrogênio foliar específico e da produtividade do feijoeiro.
In: CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISA DE FEIJÃO, 7., 2002, Viçosa, MG.
Resumos expandidos... Viçosa, MG: Ed. da UFV, 2002. p. 743-746.

STONE, L. F.; SILVEIRA, P. M. da. Efeitos do sistema de preparo na compactação do


solo, disponibilidade hídrica e comportamento do feijoeiro. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, Brasília, DF, v. 34, n. 1, p. 83-91, 1999.

STOUT, P. R.; MEAGHER, W. R.; PEARSON, G. A.; JOHNSON, C. M.


Molybdenum nutrition of crop plants: I. The influence of phosphate and sulfate on
the absorption of molybdenum from soils and solution cultures. Plant Soil, [S.l.],
v. 3, p. 51-87, 1951.

STOUT, W. L. Potassium and magnesium, recovery from selected soils of the


Allegheny plateau. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 46,
p. 1023-1027, 1982.

STRALIOTTO, R.; TEIXEIRA, M. G.; MERCANTE, F. M. Fixação biológica de


nitrogênio. In: AIDAR, H.; KLUTHCOUSKI, J.; STONE, L. F. (Ed.). Produção de
feijoeiro comum em várzeas tropicais. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e
Feijão, 2002. p. 122-153.

STUMPE, J. M.; VLEK, P. L. G. Acidification induced by nitrogen sources in


columns of selected tropical soils. Soil Science Society of America Journal,
Madison, v. 55, p. 145-151, 1991.
Referências 389

SU, C.; EVANS, L. J.; BATES,T. E.; SPIERS, G. A. Extractable soil boron and alfalfa
uptake: calcium carbonate effects on acid soil. Soil Science Society of America
Journal, Madison, v. 58, n. 5, p. 1445-1450, 1994.

SUMNER, M. E.; RADCLIFFE, D. E.; MCCRAY, M.; CARTER, E.; CLARK, R. L.


Gypsum as an ameliorant for subsoil hardpans. Soil Technology, Cremlingen, v. 3,
p. 253-258, 1990.

SUMNER, M. E.; SHAHANDEH, H.; BOUTON, J.; HAMMEL, J. Amelioration of an


acid soil profile through deep liming an surface application of gypsum. Soil Science
Society of America Journal, Madison, v. 50, p. 1254-1278, 1986.

TABATABAI, M. A. Importance of sulfur in crop production. Biogeochemistry,


Dordrecht, v. 1, p. 45-62, 1984.

TABATABAI, M. A.; BREMNER, J. M. Arylsulfatase activity of soils. Soil Science


Society of America Proceedings, Madison, v. 34, p. 225-229, 1970.

TABATABAI, M. A.; BREMNER, J. M. Distribution of total and available sulfur in


selected soils and soil profiles. Agronomy Journal, Madison, v. 64, p. 40-44, 1972.

TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. 719 p.

TAKKAR, P. N.; WALKER, C. D. The distribution and correction of zinc deficiency.


In: ROBSON, A. D. (Ed.). Zinc in soils and plants. Dordrecht: Kluwer Academic,
1993. p. 151-166.

TANAKA, A.; FUJITA, K. Growth, photosynthesis and yield components in relation


to grain yield of the field bean. Journal of the Faculty of Agriculture Hokkaido
University, Sapporo, v. 59, n. 2, p. 145-238, 1979.

TANAKA, A.; OSAKI, M. Growth and behavior of photosynthesized 14C in various


crops in relation to productivity. Soil Science and Plant Nutrition, Tokyo, v. 29,
n. 2, p. 147-158, 1983.

TAYLOR, G. J.; MACFIE, S. M. Modeling the potential for boron amelioration


of aluminum toxicity using the Weibull function. Canadian Journal of Botany,
Ottawa, v. 72, p. 1187-1196, 1994.

TEIXEIRA, I. R.; BORÉM, A.; ARAUJO G. A. de; ANDRADE, M. J. B. de. Teores de


nutrientes e qualidade fisiológica de sementes de feijão em resposta à adubação
foliar com manganês e zinco. Bragantia, Campinas, v. 64, p. 83-88, 2005.

TEIXEIRA, I. R.; BORÉM, A.; ARAÚJO, G. A. A.; FONTES R. L. F. Manganese and


zinc leaf application on common bean grown on a Cerrado soil. Scientia Agricola,
Piracicaba, v. 61, p. 77-81, 2004.

Terry, N.; Abadia, J. Function of iron in chloroplasts. Journal of Plant Nutrition,


[S.l.], v. 9, p. 609-646, 1986.
390 Nutrição Mineral do Feijoeiro

THUNG, M. D. T.; OLIVEIRA, I. P. de. Problemas abióticos que afetam a


produção do feijoeiro e seus métodos de controle. Santo Antônio de Goiás:
Embrapa-CNPAF, 1998. 172 p.

TIFFIN, L. O. Translocation of iron citrate and phosphorus in xylem exudate of


soybean. Plant Physiology, [S.l.], v. 45, p. 280-283, 1970.

TISDALE, S. L.; NELSON, W. L.; BEATON, J. D. Soil fertility and fertilizers. 4th ed.
New York: Macmillan Publishing Company, 1985. 754 p.

TISDALE, S. L.; RENEAU JUNIOR, R. B.; PLATOU, J. S. Atlas of sulfur deficiencies.


In: TABATABAI, M. A. (Ed.). Sulfur in agriculture. Madison: American Society of
Agronomy, 1986. p. 295-322. (American Society of Agronomy. Agronomy, 27).

TONER, C. V.; SPARKS, D. L. Chemical relaxation and double layer model


analysis of boron adsorption on alumina. Soil Science Society of America Journal,
Madison, v. 59, p. 395-404, 1995.

TRACY, P. W.; WESTFALL, D. G.; ELLIOTT, E. T.; PETERSON, G. A. Tillage


influence on soil sulfur characteristics in winter wheat-summer fallow systems.
Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 54, p. 1630-1634, 1990.

TRAN, D. V. Main issue on rice production on wet acid soils of the tropics.
In: DETURCK, P.; PONNAMPERUMA, F. N. (Ed.). Rice production on acid soils of
the tropics. Kandy: Institute of Fundamental Studies, 1991. p. 87-95.

TSADILAS, C. D.; YASSOGLOU, N.; KOSMAS, C. S.; KALLIANOU, C. H. The


availability of soil boron fractions to olive trees and barley and their relationships to
soil properties. Plant and Soil, Dordrecht, v. 162, p. 211-217, 1994.

TSAI, S. M.; BONETTI, R.; AGBALA, S. M.; ROSSETO, R. Minimizing the effect of
mineral nitrogen on biological nitrogen fixation in common bean by increasing
nutrient levels. Plant and Soil, The Hague, v. 152, n. 1, p. 131-138, 1993.

TURNER, F. T.; JUND, M. F. Chlorophyll meter to predict nitrogen topdress


requeriment for semidwarf rice. Agronomy Journal, Madison, v. 83, n. 5,
p. 926-928, 1991.

URIBE, E.; COX, F. R. Soil properties affecting the availability of potassium in


highly weathered soils. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 52,
p. 148-152, 1988.

VADEZ, V.; RODIER, F.; PAYRE, H.; DREVON, J. J. Nodule permeability to O2


and nitrogenase linked respiration in bean genotypes varying in the tolerance of
N2 fixation to P deficiency. Plant Physiology and Biochemistry, Paris, v. 34, n. 6,
p. 871-878, 1996.
Referências 391

VALADÃO, F. C. de A.; JAKELAITIS, A.; CONUS, L. A.; BORCHART, L.;


OLIVEIRA A. A. de; VALADÃO JUNIOR, D. D. Inoculação das sementes e
adubação nitrogenada e molíbdica do feijoeiro comum, em Rolim de Moura, RO.
Acta Amazônica, Manaus, v. 39, n. 4, p. 741-747, 2009.

VARVEL, G. E.; SCHEPERS, J. S.; FRANCIS, D. D. Ability for in-season correction


of nitrogen deficiency in corn using chlorophyll meters. Soil Science Society of
America Journal, Madison, v. 61, n. 4, p. 1233-1239, 1997.

VENCOVSKY, R.; RAMALHO, M. A. P. Contribuições do melhoramento genético


de plantas no Brasil. In: PATERNIANI, E. (Ed.). Ciência, agricultura e sociedade.
Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2006. p. 41-74.

VEZZANI, F. M. Qualidade do sistema solo na produção agrícola. 2001. 184 f.


Tese (Doutorado em Agronomia) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
Porto Alegre.

VIEIRA, N. M. B.; ALVES JUNIOR, J.; FRANZOTE, B. P.; ANDRADE, M. J. B. de;


CARVALHO, J. G. de. Aplicação foliar com molibdênio na cultura do feijoeiro.
In: CONGRESSO NACIONAL DE FEIJÃO, 8., 2005, Outubro 18-20, Goiânia.
Anais... Goiânia: Embrapa Arroz e Feijão, 2005a. p. 922-925.

VIEIRA, R. F.; CARDOSO, E. J. B. N.; VIEIRA, C.; CASSINI, S. T. A. Foliar


application of molybdenum in common bean: I. Nitrogenase and reductase
activities in a soil of high fertility. Journal of Plant Nutrition, Wiley, v. 21,
p. 169-180, 1998a.

VIEIRA, R. F.; CARDOSO, E. J. B. N.; VIEIRA, C.; CASSINI, S. T. A. Foliar


application of molybdenum in common bean: III. Effect on nodulation. Journal of
Plant Nutrition, Wiley, v. 21, p. 2153-2161, 1998b.

VIEIRA, R. F.; TSAI, S. M.; TEIXEIRA, M. A. Nodulação e fixação simbiótica de


nitrogênio em feijoeiro com estirpes nativas de rizóbio, em solo tratado com
lodo de esgoto. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 40, n. 10,
p. 1047-1050, 2005b.

VILLA, M. R.; FERNANDES, L. A.; FAQUIN, V. Formas de potássio em solos de


várzea e sua disponibilidade para o feijoeiro. Revista Brasileira de Ciência do Solo,
Campinas, v. 28, p. 649-658, 2004.

VITTI, G. C. Uso eficiente do gesso agrícola na agropecuária. Piracicaba: Escola


Superior de Agricultura, Luiz de Queiroz, 2000. 30 p.

VITTI, G. C.; NOVAES, N. J. Adubação com enxofre. In: MATOS, H. B.; WERNER,
J. C.; YAMADA, T.; MALAVOLTA, E. Calagem e adubação de pastagens.
Piracicaba: Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e Fosfato, 1986.
p. 191-231.
392 Nutrição Mineral do Feijoeiro

VOSE, P. B. Iron nutrition in plants: a world review. Journal of Plant Nutrition,


New York, v. 5, p. 233-249, 1982.

WAGNER, B. I.; STEWART, J. W. B.; MOIR, J. O. Changes with time in the form and
availability of residual fertilizer phosphorus on chernozenic soils. Canadian Journal
of Soil Science, Ottawa, v. 66, p. 105-119, 1986.

WALLACE, A.; LUNT, O. R. Iron chlorosis in horticulture plants: A review. Journal


of American Society of Horticulture Science, [S.l.], v. 75, p. 819-841, 1960.

WALLACE, D. H.; OZBUN, J. L.; MUNGER, H. M. Physiological genetics of crop


yield. Advances in Agronomy, New York, v. 24, p. 97-146, 1972.

WALLACE, T. The diagnosis of mineral deficiencies in plants by visual symptoms.


2nd ed. New York: Chemical, 1961. 125 p.

WARNCKE, D. D.; BARBER, S. A. Diffusion of zinc in soil: III. Relation to zinc


adsorption isotherm. Soil Science Society of America Proceeding, Madison, v. 37,
p. 355-358, 1973.

WASKOM, R. M.; WESTFALL, D. G.; SPELLMAN, D. E.; SOLTANPOUR, P.


N. Monitoring nitrogen status of corn with a portable chlorophyll meter.
Communications in Soil Science and Plant Analysis, New York, v. 27, n. 3/4,
p. 545-560, 1996.

WAUGHMAN, G. J. The effect of temperature on nitrogenase activity. Journal of


Experimental Botany, Oxford, v. 28, n. 4, p. 949-960, 1977.

WELCH, L. F.; MULVANEY, D.L.; BOONE, L.V.; MCKIBBEN, G. E.; PENDLETON,


J.W. Relative efficiency of broadcast versus banded phosphorus for corn.
Agronomy Journal, Madison, v. 58, p. 283-287, 1966.

WELCH, R. M. Zinc concentrations and forms in plants for human and animals. In:
ROBSON, A. D. (Ed.). Zinc in soil and plants. Dordrecht: Kluwer Academic, 1993.
p. 183-195.

WELCH, R. M.; ALLAWAY, W. H.; HOUSE, W. A.; KUBOTA, J. Geographic


distribution of trace element problems. In: MORTVEDT, J. J.; COX, F. R.; SHUMAN,
L. M.; WELCH, R. M. (Ed.). Micronutrients in agriculture. 2nd ed. Madison: Soil
Science Society of America, 1991. p. 31-37.

WELCH, R. M.; HOUSE, W. A.; BEEBE, S.; CHENG, Z. Genetic selection for
enhanced bioavailable levels of iron in bean (Phaseolus vulgaris L.) seeds. Journal
of Agricultural and Food Chemistry, Easton, v. 48, n. 8, p. 3576-3580, 2000.

WELCH, R. W.; YONG, Y. Y. The effects of variety and nitrogen fertilizer on protein
production in oats. Journal of the Science and Food Agriculture, London, v. 31,
n. 6, p. 541-548, 1980.
Referências 393

WIETHOLTER, S. Calagem no Brasil. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2000. 104 p.

WILCOX, G. E.; FAGERIA, N. K. Deficiências nutricionais do feijão, sua


identificação e correção. Goiânia: EMBRAPA-CNPAF, 1976. 21 p. (EMBRAPA-
CNPAF. Boletim técnico, 5).

WILKINSON, S. R.; GRUNES, D. L.; SUMNER, M. E. Nutrient interactions in soil


and plant nutrition. In: SUMNER, M.E. (Ed.). Handbook of soil science. Boca
Raton: CRC, 2000. p. 89-111.

WILLIAMS, C. H. Soil acidification under clover. Australian Journal of


Experimental Agricultural and Animal Husbandry, Victoria, v. 20, p. 561-567,
1980.

WIREN, N. V.; GAZZARRINI, S.; FROMMER, W. B. Regulation of mineral nitrogen


uptake in plants. In: ANDO, T.; FUJITA, K.; MAE, T.; MATSUMOTO, H.; MORI, S.;
SEKIYA, J. (Ed.). Plant nutrition for sustainable food production and environment.
Dordrecht: Kluwer, 1997. p. 41-49.

WISSEMEIER, A. H.; HORST, W. J. Simplified methods for screening cowpea


cultivars for manganese leaf tissue tolerance. Crop Science, Madison, v. 31,
p. 435-439, 1991.

WOOD, C. W.; TRACY, P. W.; REEVES, D. W.; EDMISTEN, K. L. Determination


of cotton nitrogen status with a handheld chlorophyll meter. Journal of Plant
Nutrition, v. 15, n. 9, p. 1435-1448, 1992.

WORRALL, V. S.; ROUGHLEY, R. J. The effect of moisture stress on infection of


Trifolium subterraneum L. by Rhizobium trifolii. Journal of Experimental Botany,
[S.l.], v. 27, n. 6, p. 1233-1241, 1976.

XU, J. M.; WANG, K.; BELL, R. W.; YANG, Y. A.; HUANG, L. B. Soil boron
fractions and their relationship to soil properties. Soil Science Society of America
Journal, Madison, v. 65, n.1, p. 133-138, 2001.

YANG, Y. H.; ZHANG, H. Y. Boron amelioration of aluminum toxicity in mungbean


seedlings. Journal of Plant Nutrition, New York, v. 21, n. 5, p. 1045-1054, 1998.

YERMIYAHU, U.; KEREN, R.; CHEN, Y. Boron sorption by soil in the presence of
composted organic matter. Soil Science Society of America Journal, Madison,
v. 59, p. 405-409, 1995.

YOSHIDA, S. Factors that limit growth and yields of upland rice. In: IRRI (Ed.).
Upland rice. Los Baños: International Rice Research Institute, 1975. p. 46-71.

YOSHIDA, S. Fundamentals of rice crop science. Los Baños: International Rice


Research Institute, 1981. 269 p.
394 Nutrição Mineral do Feijoeiro

YOSHIDA, S. Physiological aspects of grain yield. Annual Review of Plant


Physiology, Palo Alto, v. 23, p. 437-464, 1972.

ZHANG, M.; ALVA, A. K.; LI, Y. C.; CALVERT, D. V. Chemical association of Cu,
Zn, Mn, and Pb in selected Sandy citrus soils. Soil Science, Baltimore, v. 162,
p. 181-188, 1997.

ZHANG, X.; ZHANG, F.; MAO, D. Effect of iron plaque outside roots on nutrient
uptake by rice (Oryza sativa L.). Zinc uptake by Fe-deficient rice. Plant and Soil,
The Hague, v. 202, n. 1, p. 33-39, 1998.

ZHU, B.; ALVA, A. K. Distribution of trace metals in some Sandy soils under citrus
production. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 57, p. 350-355,
1993.
Impressão e acabamento
Embrapa Informação Tecnológica

O papel utilizado nesta publicação foi produzido conforme


a certificação do Bureau Veritas Quality International (BVQI) de Manejo Florestal
Arroz e Feijão

A nutrição mineral refere-se ao suprimento, à absorção e à


utilização de nutrientes essenciais pelas plantas. Esse processo é
influenciado pelo clima, pela qualidade do solo e pela interação
das plantas entre elas próprias e com o meio. A produtividade das
culturas depende de vários fatores, e a disponibilidade de
nutrientes, na quantidade e na proporção adequadas, constitui
um dos principais. O uso racional de fertilizantes e corretivos é
fundamental numa agricultura moderna, pois, além de contribuir
para o aumento da produtividade e redução do custo da
produção, diminui o risco de poluição do meio ambiente.
Este livro aborda temas relevantes sobre a cultura do
feijoeiro, como o manejo de nutrientes, a caracterização dos solos
onde se cultiva essa leguminosa e a fisiologia da produção.
Apresenta ainda o estado da arte na área de nutrição mineral e a
discussão sobre os resultados de pesquisa desenvolvida na região
do Cerrado, local de maior área cultivada com o feijoeiro.
Trata-se, portanto, de uma obra de interesse para
professores, pesquisadores, estudantes de agronomia,
extensionistas e produtores.
ISBN 978-85-7035-431-0

9 788570 354310
CGPE 10252

Você também pode gostar