Trabalho de processo civil
Tema: teoria geral das provas
Aluna Sofia Marinho Pontes
Período:3º
Dentro do contexto do direito processual civil, a demonstração dos fatos
cruciais de um caso se dá, principalmente , através das provas. Daniel
Amorim Assumpção Neves destaca que o termo "prova" possui diferentes
sentidos, tanto no âmbito jurídico quanto fora dele. No processo, a "prova"
pode ser o ato de apresentar ao juiz informações que o convençam, o meio
utilizado para isso ,documentos, testemunhas, etc. A fonte dessas
informações, ou a própria convicção do juiz após analisar os autos. A
classificação das provas também é um ponto importante. As provas típicas
são aquelas expressamente previstas no Código de Processo Civil, como a
prova documental, testemunhal e pericial. Já as provas atípicas, embora não
estejam descritas na lei, podem ser admitidas se forem moralmente aceitáveis
e respeitarem os direitos de todos os envolvidos. São exemplos de provas
atípicas a constatação de um oficial de justiça, declarações escritas e o
depoimento de testemunhas técnicas, ou "expert witnesses". Mesmo que não
seja tradicional, a prova deve garantir o contraditório e não infringir normas
processuais ou de direito material.
Na busca pela verdade, o autor ressalta que o processo civil não se limita à
"verdade formal", baseada apenas nos elementos apresentados pelas partes.
Sem alcançar a "verdade real" do processo penal, busca-se uma "verdade
possível", o mais próxima da realidade, sem prejuízo a outras garantias. Os
termos "verdade formal" e "verdade real" são cada vez menos utilizados,
inclusive em decisões judiciais, por não refletirem com precisão os objetivos
do processo, que valoriza o contraditório, a ampla defesa e o acesso à justiça
de qualidade. O direito de apresentar e produzir provas está intrinsecamente
ligado ao contraditório e ao devido processo legal. Embora não expresso na
Constituição Federal, esse direito é reconhecido como decorrente do artigo
5º, inciso XXXV, que garante o acesso ao Judiciário em caso de ameaça ou
lesão a direito. Contudo, esse direito não é absoluto, e o juiz pode indeferir
uma prova que viole outros direitos fundamentais, como a privacidade, ou
que cause dano maior ao processo ou às partes.
O que realmente importa provar são os fatos essenciais para a decisão e que
geram discussão entre os envolvidos. Não é preciso comprovar o que todos
sabem, o que a outra parte já aceitou, o que a lei presume ou o que ninguém
questionou. Quanto às leis, o juiz já deve conhecer as normas, dispensando a
necessidade de provar o direito do país. Contudo, leis de outros estados,
cidades, países ou costumes podem exigir a apresentação de provas de sua
existência e conteúdo. Quem deve provar o quê é outro ponto crucial.
Normalmente, quem faz a acusação deve provar seus argumentos, enquanto
quem se defende deve mostrar os fatos que anulam, alteram ou acabam com o
direito do acusador. Além dessa regra, o Código permite mudar essa
obrigação se houver lei que permita, como em casos de defesa do
consumidor, ou se for mais justo que a parte com mais recursos apresente a
prova. Essa mudança precisa ser decidida pelo juiz, que deve explicar o
motivo e garantir que todos possam se manifestar.
O juiz também pode pedir provas, mesmo que as partes não peçam, se achar
necessário para entender os fatos do caso, desde que não saia dos limites do
que já foi apresentado pelas partes. Ele pode ser mais ativo em relação a
detalhes menos importantes, desde que permita que as partes se manifestem,
garantindo a colaboração e o direito de defesa. Uma vez que o juiz aceita uma
prova, não pode mudar de ideia sozinho, a menos que as partes concordem.
Isso é a preclusão judicial, que garante a segurança e a previsibilidade do
processo. Para avaliar as provas, o juiz tem liberdade para decidir de acordo
com seu entendimento, mas deve sempre explicar sua decisão com base no
que está nos documentos do processo. A ideia antiga de que certas provas
tinham valor absoluto (como a confissão) já não vale mais, e o que importa é
que as decisões sejam justificadas de forma lógica.
Daniel Amorim também destacou a questão da prova emprestada, que se
refere ao uso, em um processo, de evidências geradas em outro. Essa
abordagem é permitida, desde que a parte que será afetada pela prova tenha
tido a oportunidade de participar da sua criação ou, ao menos, de se
pronunciar sobre ela. Em contrapartida, as provas obtidas de maneira ilegal
geralmente não são aceitas, como estabelece o artigo 5º, inciso LVI, da
Constituição. No entanto, a maioria dos estudiosos da área concorda que
existem exceções baseadas no princípio da proporcionalidade, autorizando o
uso da prova ilícita quando ela for essencial para defender um direito
fundamental de maior importância, como a vida, a liberdade ou a dignidade
humana. Para que isso ocorra, é preciso considerar certos fatores, como a
seriedade da situação, a importância do direito a ser protegido e a
impossibilidade de conseguir a prova por um meio legal diferente. Por
último, o Código de Processo Civil permite a existência da ação probatória
autônoma, cujo propósito é unicamente produzir uma prova, sem que seja
necessário que já exista um processo principal em andamento.