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Mistério na Biblioteca de Paraty

Em Paraty, a bibliotecária Lúcia Mendes descobre um livro antigo e enigmático que a leva a uma jornada de autodescoberta e mistério. Após encontrar uma carta que a orienta a seguir um som misterioso, Lúcia é confrontada com uma versão mais velha de si mesma e uma escolha entre esquecer ou lembrar. Ao optar pela revelação, Lúcia desaparece, mas sua presença continua a ser sentida na biblioteca, onde ecos de páginas sendo viradas permanecem.

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Mistério na Biblioteca de Paraty

Em Paraty, a bibliotecária Lúcia Mendes descobre um livro antigo e enigmático que a leva a uma jornada de autodescoberta e mistério. Após encontrar uma carta que a orienta a seguir um som misterioso, Lúcia é confrontada com uma versão mais velha de si mesma e uma escolha entre esquecer ou lembrar. Ao optar pela revelação, Lúcia desaparece, mas sua presença continua a ser sentida na biblioteca, onde ecos de páginas sendo viradas permanecem.

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Na histórica e serena cidade de Paraty, litoral sul do Rio de Janeiro, Brasil, o tempo parece escorrer

devagar pelas ruas de pedras e casarões coloniais. É nesse cenário que fica a antiga Biblioteca
Municipal do Carmo, um prédio antigo e clássico, frequentemente esquecido pelos turistas apressados
e pouco frequentado pelos moradores locais. Lá, entre estantes altas e o cheiro persistente de papel
envelhecido, trabalha Lúcia Mendes, uma bibliotecária solitária de trinta e poucos anos, conhecida por
sua rotina sistemática e o amor fascinante pelos livros.
Estamos no outono de 2024. Os dias são curtos, as manhãs frias e a cidade repousa sob uma neblina
suave. Lúcia, acostumada ao silêncio das páginas e aos dias previsíveis, não imaginava que um mero
detalhe — um som discreto vindo do corredor mais antigo da biblioteca — daria início a uma jornada
inesperada. Uma jornada onde palavras esquecidas e segredos enterrados começarão a ganhar voz,
desafiando tudo o que ela acreditava conhecer.

Tudo parecia normal naquela manhã, Lucia normalmente não se incomodaria com um tão pequeno e
breve som, mas naquela manhã algo foi diferente.
Ao se aproximar do antigo corredor mal iluminado, que guardava os mais antigos livros — ouviu
novamente o Som, um leve arrastar, de paginas sendo folheadas — Chegando ao corredor, ela não
encontrou ninguém, pensou que pudesse ser uma corrente de vento, mas olhou ao redor e percebeu
que não havia nenhuma janela aberta, era um lugar fechado e abafado.
O Som era contínuo — como se a chamasse — atraindo-a ainda mais.
Ao se aproximar de uma estante, ela percebeu um livro diferente de todos que ela já tinha visto antes
— um livro antigo, sem título e sem vida, ele era sombrio — O livro não estava mais no lugar
habitual, como se alguém o tivesse mexido, naquele instante Lúcia percebeu, ela não estava sozinha.
Com um mau pressentimento, ela pega o livro, em um impasse se deve abri-lo ou não. Com cuidado
Lúcia abre o livro — e logo o som para — sentindo seu coração acelerar, seus olhos vagam pelas
páginas, a procura do autor ou algo que lhe desse uma resposta, mas ela não encontra nada além de
uma velha caligrafia, depois de minutos tentando identificar, ela estremece ao perceber o que estava
escrito, o Seu nome.
"Lúcia Mendes, nascida em 1984"
Ela começa a folhear as páginas, rapidamente. Quando de repente, uma carta escondida dentro do
livro cai em suas mãos. Curiosa, Lucia abre a carta e se depara com um recado: Lúcia, se você está
lendo isso, o tempo está passando, a biblioteca sabe, ela sempre soube, siga o som... antes que seja
tarde demais.
O som voltou...
Mas agora era diferente, mais alto e atrativo, como um chamado.

O som se intensificava, como um tambor lento ecoando pelas paredes da biblioteca. O coração de
Lúcia batia em um ritmo incessante, como se estivesse sendo conduzido por algo além de seu
entendimento.
Ela seguiu o som, os dedos ainda agarrados ao livro sem título, a carta presa entre as páginas. O
corredor parecia mais escuro do que antes, como se a própria luz fugisse daquele caminho.
O som a guiou até uma porta antiga, que ela jamais havia notado ali. Sem maçaneta, sem chave,
apenas uma estrutura de madeira. Mas assim que ela encostou a mão na porta, ela se abriu lentamente,
revelando uma sala circular, forrada de espelhos antigos e uma única mesa ao centro. Sobre ela, um
espelho emoldurado com escritos em latim.
Lúcia se aproximou. No reflexo, ela não viu a si mesma, mas uma versão sua mais velha, com olhos
marcados pelo tempo e um olhar de cansaço profundo. A figura balbuciou, mas os lábios de Lúcia não
se moveram.
— Você demorou... Agora precisa decidir: esquecer ou lembrar.
A sala tremeu, os espelhos começaram a trincar, e o som tornou-se um incômodo. O livro em suas
mãos queimava cada vez mais, mas ela não o soltou.
Então, duas portas surgiram ao lado oposto da sala, como uma faísca prestes a incendiar a curiosidade
da mulher. Em uma porta, estava escrito retornar, e na outra, revelar.
Lúcia hesitou por um momento... então escolheu. Ao atravessar a porta da revelação, tudo se apagou.
Dias depois, a biblioteca abriu como de costume. O livro sombrio havia desaparecido. E Lúcia
também. Mas quem passava pelos corredores antigos, às vezes, jurava ouvir páginas sendo viradas…
e uma voz suave sussurrando nomes. Somente nomes.

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