Semestre de 2025 MONITORIA DE PORTUGUÊS
1º ANO do EM
GRAMÁTICA E
INTERPRETAÇÃO (Cap 2)
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Observações
As Figuras de Som ou de Harmonia correspondem a uma categoria das figuras de linguagem
associadas à sonoridade. Elas valorizam a expressividade do texto, por meio da sonoridade, ou
seja, da repetição de sons.
Estas são algumas figuras de som: assonância, aliteração, paronomásia, onomatopeia.
Exemplo de assonância: Numa nuança mansa que não cansa. (Emiliano Perneta)
Exemplo de aliteração: Fiz, faço, feito está!
Exemplo de paronomásia: Quem casa, quer casa.
Exemplo de onomatopeia: O gato fez “miau”.
As figuras de som são um tipo de figuras de linguagem. Além dela, há também: figuras de
palavras, figuras de sintaxe ou de construção e figuras de pensamento.
Assonância
A assonância é uma figura de som que ocorre pela sequência de palavras ou sílabas
semelhantes.
Exemplos:
Vou me embora agora para a casa da Aurora. (Note que neste exemplo temos a assonância das
palavras embora, agora, Aurora)
"E bamboleando em ronda dançam bando tontos e bambos de pirilampos." (Guilherme de
Almeida)
"Numa nuança mansa que não cansa." (Emiliano Perneta)
Aliteração
A aliteração é caracterizada pela repetição de consoantes ou de sílabas no enunciado, e
geralmente ocorrem no início das sílabas ou no interior de palavras.
Exemplos:
Fiz, faço, feito está!
Para mim tem de ser: bom, bonito e barato.
"Vozes veladas, veludosas vozes,/ Volúpias dos violões, vozes veladas,/ Vagam nos velhos
vórtices velozes/ Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas." (Cruz e Sousa)
Paronomásia
A figura de linguagem paronomásia recebe esse nome porque utiliza os parônimos para dar
maior ênfase ao discurso. Os parônimos são palavras que se assemelham na grafia e na
pronúncia, entretanto, diferem no sentido.
São popularmente conhecidos como “trocadilhos” sendo muito comum nos provérbios, no meio
publicitário e humorístico.
Exemplos:
Quem casa, quer casa.
Qual o doce preferido do átomo? Pé de molécula. (ao referir-se ao doce tradicional brasileiro de
amendoim: pé de moleque).
"Há um pinheiro estático e extático." (Rubem Braga)
Onomatopeia
Do Grego, a palavra onomatopoiía, corresponde ao “ato de fazer palavras”, (onoma significa
“nome, palavra” e poiein significa “fazer”).
Dessa forma, a onomatopeia é caracterizada pela inserção dos sons reais, ou seja, enfoca na
imitação das sonoridades.
Exemplos:
O gato fez “miau”.
O badalar dos sinos me comove: blem, blem.
O tique taque do relógio indica a passagem do tempo.
O vento assobiava "uuuuu" durante a tempestade.
Encontramos a criança atrás da porta quando ouvimos "sniff sniff".
Aaai, bati meu pé!
Figuras de Palavras
Figuras de Palavras (ou tropos) são recursos utilizados para produzir maior expressividade à
comunicação através das palavras.
As figuras de palavras são um tipo de figuras de linguagem. Além dela, há também: figuras de
pensamento, figuras de sintaxe ou de construção e figuras de som.
Metáfora
A metáfora é uma figura de palavras que trabalha por meio da comparação implícita entre
termos, de modo que transforma o sentido denotativo (sentido próprio ou literal) das palavras
em conotativo (sentido figurado).
Exemplo: Minha vida é um mar de rosas. (A expressão “mar de rosas” é utilizada para substituir
o termo denotativo “muito boa” com o objetivo de expressar maior emoção.)
Metonímia
A metonímia é a figura de palavras que substitui um termo pelo outro. Podem ocorrer de
diversas maneiras: substituindo a parte pelo todo, a causa pelo efeito, o autor pela obra, o
inventor pelo invento, a marca pelo produto, a matéria pelo objeto, o concreto pelo abstrato, o
singular pelo plural, o gênero pela espécie, o continente pelo conteúdo.
Exemplo: Essa semana li Machado. (substituição do autor pela obra, afinal a pessoa leu as obras
de Machado de Assis.)
Comparação
Há comparação de ideias, contudo, diferente da metáfora, em que ocorre uma comparação
implícita. Nesta, o termo comparativo (como, tal qual, tal como, assim, etc.) aparece no
enunciado, constituindo uma comparação explícita.
Exemplo: Esperto como uma raposa. (A raposa é conhecida pela sua característica de animal
traiçoeiro.)
Catacrese
A catacrese é um tipo de metáfora (metáfora desgastada). Em virtude de os termos serem
utilizados com frequência, deixamos de perceber que eles têm sentido figurado.
Exemplo: A asa da xícara está quebrada. (Semelhança da forma do pedaço da xícara com uma
asa.)
Sinestesia
A sinestesia é a associação de sensações por órgãos de sentidos diferentes.
Exemplo: Amargo som da sua voz. (Note que o termo “amargo” está associado ao paladar,
enquanto o “som” à audição.)
Antonomásia ou Perífrase
A antonomásia, ou perífrase, é a substituição de uma ou mais palavras por outra que a
identifique.
Exemplo: A cidade da garoa é o centro financeiro do país. (Nesse caso, o nome São Paulo foi
substituído por uma característica marcante da cidade: a garoa.)
Figuras de Pensamento
Figuras de pensamento são aquelas que combinam ideias e pensamentos para tornar a
comunicação mais expressiva e bonita.
As figuras de pensamento são um tipo de figuras de linguagem. Além dela, há também: figuras
de palavras, figuras de sintaxe ou de construção e figuras de som.
Gradação ou Clímax
Na gradação, os termos da frase são fruto de hierarquia (ordem crescente ou decrescente).
EXEMPLO: As pessoas chegaram à festa, sentaram, comeram e dançaram.
Neste caso, a gradação vai ao encontro do clímax, ou seja, o encadeamento dos verbos se faz na
ordem crescente e, por isso, trata-se de uma gradação crescente: chegaram, sentaram, comeram
e dançaram.
Por outro lado, se a gradação é decrescente, é denominada de “anticlímax”, por exemplo: Estava
longe, hoje perto, agora aqui.
Prosopopeia ou Personificação
Consiste na atribuição de ações, sentimentos ou qualidades humanas a objetos, seres irracionais
ou outras coisas inanimadas.
EXEMPLO: O vento suspirou essa manhã.
Nesse exemplo, sabemos que o vento é algo inanimado, ou seja, não suspira, sendo esta uma
“qualidade humana”.
Eufemismo
Atenua o sentido das palavras, suavizando as expressões do discurso.
EXEMPLO: Ele foi para o céu.
Neste exemplo, a expressão utilizada “para o céu”, ameniza o discurso real: Ele morreu.
Hipérbole ou Auxese
A hipérbole é uma figura de linguagem baseada no exagero intencional do locutor, isto é,
expressa uma ideia de forma exagerada.
EXEMPLO: Liguei para ele milhões de vezes essa tarde.
Sabemos que a pessoa tinha o intuito de enfatizar que ligou muitas vezes, entretanto, com
certeza não chegou a um milhão de vezes.
Litote
Assemelha-se ao eufemismo, uma vez que atenua a ideia do enunciado mediante a negação do
contrário. É a figura de linguagem que se opõe à hipérbole.
EXEMPLO: Aquela bolsa não é cara.
Pela expressão destacada, podemos concluir que o locutor enfatizou que a bolsa é barata, ou
seja, a negação do contrário: não é cara.
Antítese
Corresponde à aproximação de palavras contrárias, que têm sentidos opostos.
EXEMPLO: O ódio e a amor andam de mãos dadas.
Neste caso, o termo “ódio” está utilizado ao lado de seu termo “oposto” na frase: amor.
Paradoxo ou Oxímoro
Diferente da antítese, que opõe palavras, o paradoxo corresponde ao uso de ideias contrárias,
aparentemente absurdas.
EXEMPLO: Esse amor me mata e dá vida.
Neste caso, o mesmo amor traz alegrias (vida) e tristeza (mata) para a pessoa.
Ironia
Produz um efeito contrário com intenção sarcástica, maliciosa e/ou de crítica, uma vez que as
palavras são utilizadas em sentido diverso ou oposto.
EXEMPLO: Ele é um santinho mesmo!
Dependendo do discurso dos falantes, fica claro que a palavra “santinho” foi utilizada em
sentido oposto, ou seja, não tem nada de santo, é malcriado.
Apóstrofe
Caracterizam as expressões de chamamento ou apelo, função que se assemelha ao vocativo.
EXEMPLO: Ó Deus! Ó Céus! Por que não me ligou?
O chamamento utilizado antes, enfatiza a indignação do locutor com a falta do telefonema.